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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Trump amplia guerra comercial contra Brasil e outros países

Um novo tarifaço de 10% a 12,5% entrou em vigor hoje contra 59 países, inclusive o Brasil, e a União Europeia sob a alegação de que exportam para os Estados Unidos produtos feitos com trabalhos forçados. Somando com o tarifaço de 25% anunciado na semana passada, muitos produtos brasileiros vão ser taxados em 37,5% para entrar no mercado norte-americano.

Sob a alegação de combater o trabalho escravo, na verdade, Trump tenta recompor o caixa do Tesouro depois que a Suprema Corte dos EUA considerou ilegais tarifas que arrecadaram US$ 166 bilhões no ano passado.

Como Trump só respeita quem o desafia e nunca quem se submete, o Brasil tem a obrigação de retaliar, mas deve agir com inteligência, com foco nas isenções, que são produtos que os EUA não fabricam e que dependem da importação.

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domingo, 12 de abril de 2026

Extrema direita sofre ampla derrota na Hungria

Depois de 16 anos em que impôs um regime autoritário à Hungria, o primeiro-ministro neofascista Viktor Orbán reconheceu a derrota nas eleições parlamentares deste domingo. O comparecimento às urnas foi recorde: 79% do eleitorado.

O futuro chefe de governo será Péter Magyar (foto), que há dois anos deixou o partido governo. Seu Partido Respeito e Liberdade (Tisza), terá maioria de dois terços para reformar a Constituição, restabelecer a democracia plena no país, dinamizar a economia, melhorar as relações com a União Europeia e entrar para a Zona do Euro.

Durante a campanha, Orbán teve o apoio do presidente Donald Trump e dos ditadores da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping. O vice-presidente dos Estados Unidos, James Vance, foi a Budapeste na semana passada levar pessoalmente o apoio a Orbán. Todos viam no líder húngaro uma quinta coluna capaz de enfraquecer o bloco europeu.

Maior aliado de Putin na UE, Orbán bloqueava uma ajuda de 90 bilhões de euros à Ucrânia. Seus representantes diplomáticos passavam à Rússia o que era discutido nas reuniões de ministros da UE. É um modelo para a extrema direita neofascista nos EUA, na Europa e na América Latina, inclusive no Brasil.

Na política interna, Orbán seguiu a fórmula adotada por outros líderes autoritários como Vladimir Putin, Hugo Chávez na Venezuela, Recep Tayyip Erdogan na Turquia e os irmãos Kaczynski na Polônia: controlar o Poder Judiciário e os meios de comunicação, pedras fundamentais da democracia. 

Na democracia iliberal, os líderes chegam ao poder em eleições democráticas e usam os instrumentos da democracia para impor um regime iliberal, que alguns autores chamam de autoritarismo competitivo. Não chamam de neofascismo porque ainda pode ser derrotado pelo voto.

Viktor Orbán entra na política húngara ao fazer discursos em Budapeste nas revoluções que derrubaram o comunismo na Europa Oriental, em 1989. A Hungria é o primeiro país a abrir a cortina de ferro, em 2 de maio de 1989, permitindo que qualquer pessoas saísse do país. Tinha a economia mais aberta do Bloco Comunista.

Seu partido, a União Cívica Húngara (Fidesz) nasceu do movimento estudantil, da Aliança dos Jovens Democratas e pertenceu à Internacional Liberal. Sob sua liderança, tornou-se mais conservador, nacionalista a antieuropeu. Orbán foi primeiro-ministro de 1998 a 2002. Fez um governo moderado. 

Depois de oito anos como líder da oposição, volta em 2010, faz reformas antidemocráticas para se eternizar no poder. Censurou a imprensa, acabou com a independência do Judiciário e enfraqueceu a democracia multipardária. Aproveitou a Crise dos Refugiados para aprovar leis anti-imigração. Empobreceu e corrompeu a Hungria.

O advogado e deputado do Parlamento Europeu Péter Magyar, de 45 anos, deixou o Fidesz em fevereiro de 2024, em protesto contra o indulto a condenados por crimes sexuais. No mês seguinte, assumiu a liderança do até então praticamente desconhecido Tisza com uma proposta voltada para cidadãos insatisfeitos tanto com o governo quanto com a oposição tradicional. Então, de certa forma, também surfa na onda da antipolítica.

Nas eleições para o Parlamento Europeu, em junho de 2024, o Tisza ficou em segundo lugar, atrás apenas do Fidesz, com cerca de 30% dos votos, a maior votação de um partido de oposição na Hungria desde 2006. Magyar se define como conservador nos costumes e politicamente, e liberal em economia, um europeu com uma visão crítica.

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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Fevereiro

 BATALHA DE BUENA VISTA

    Em 1847, durante a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), o general norte-americano Zachary Taylor enfrenta o Exército do México, sob o comando do general Antonio López de Santa Anna, perto da cidade mexicana de Monterrey, na Batalha de Buena Vista.

Um exército dos Estados Unidos com 5 mil soldados sob o comando do general Taylor invade o Nordeste do México e toma Monterrey e Saltillo. Com 14 mil homens, o general Santa Anna parte de San Luis Potosí para enfrentar o inimigo.

Apesar da grande superioridade numérica, os mexicanos estão mal armados e mal treinados. Quando o Exército do México se aproxima, em 21 de fevereiro, Taylor move suas forças para La Angostura, perto da Fazenda de Buena Vista, onde há uma passagem entre duas cadeias de montanhas.

No dia seguinte, a cavalaria mexicana corta as linhas de comunicação de Taylor. O grande ataque do México acontece em 23 de fevereiro contra o flanco esquerdo das forças dos EUA. O fogo de artilharia pesada dos EUA contém a ofensiva mexicana. Os mexicanos perdem 1,5 mil homens e os norte-americanos 700.

Quando a noite cai, o Exército do México se retira. Taylor não persegue as forças de Santa Anna. Na Batalha do Cerro Gordo, em abril, Santa Anna não consegue deter o avanço das tropas do general Winfield Scott, que toma a Cidade do México em setembro, consolidando a vitória dos EUA.

No Tratado de Guadalupe Hidalgo, assinado em 2 de fevereiro de 1848, os EUA tomam 41% do território mexicano. O sucesso de Taylor o leva a conquistar a Presidência dos EUA na eleição de 1848.  

ROSA BRANCA

    Em 1943, três jovens estudantes intelectuais, idealistas e pacifistas, Hans e Sophie Scholl e Christoph Probster, que tentam fazer uma resistência não violenta contra o nazismo na Alemanha, são executados em Munique.

Três membros do grupo Rosa Branca, Hans Scholl, Alexander Schmorell e Wili Graf, estudantes de medicina na Universidade de Munique testemunham massacres de judeus pela SS, a força paramilitar do Partido Nazista.

De volta a Munique, formam o grupo Rosa Branca, que inicia suas atividades em 17 de junho de 1942. Com grande conhecimento de literatura, eles publicam panfletos citando grandes escritores alemães como Friedrich Schiller e Johann Wolfgang von Goethe.

Presos pela Gestapo, a polícia política do regime nazista, em 18 de fevereiro de 1943, eles são submetidos a um processo forjado em que não têm direito a falar e guilhotinados quatro dias depois.

CONTENÇÃO DA URSS

    Em 1946, o encarregado de negócios dos Estados Unidos em Moscou, George Kennan, envia um longo telegrama de 8 mil palavras ao Departamento de Estado com sua análise sobre a União Soviética, um dos documentos mais importantes da Guerra Fria, propondo a contenção do regime comunista até ele entrar em colapso.

O memorando observa que a URSS não acredita numa "coexistência pacífica permanente" com o Ocidente por causa da "visão neurótica das questões globais" resultante do "senso de insegurança instintivo da Rússia".

Por isso, acrescenta Kennan, os soviéticos suspeitam de todas as outras nações e entendem que sua segurança exige "uma luta paciente, mas mortal, até a destruição total da potência rival".

Assim, como a URSS é "refratária à lógica da razão", mas "altamente sensível à lógica da força", os EUA devem adotar uma política de "resistência forte" para conter a expansão soviética. Esta seria a base da política externa norte-americana durante a Guerra Fria.

OVELHA CLONADA

    Em 1997, os cientistas do Instituto Roslin, sob a direção de Ian Wilmut, em Edimburgo, a capital da Escócia, anunciam o nascimento da ovelha Dolly, o primeiro animal clonado a partir de um mamífero adulto.

Dolly é um marco na história da ciência. Antes, os animais são clonados a partir de um óvulo fertilizado ou de células embrionárias indiferenciadas ou parcialmente diferenciadas. Dolly é clonada com uma célula de glândula mamária de uma ovelha adulta da raça Dorset.

Os cientistas usam impulsos elétricos para fundir o núcleo da célula mamária com um óvulo cujo núcleo é removido. Então a célula mamária começa a se dividir. Esses embriões são transferidos para 13 animais que funcionam como barrigas de aluguel. Uma engravida. Dolly nasce 148 dias depois, o prazo normal de gestação de uma ovelha.

Depois que os veterinários descobrem que ela sofre de uma doença pulmonar avançada, Dolly é morta por eutanásia em 14 de fevereiro de 2003. Seu corpo embalsamado está em exposição no Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo.

IMPEACHMENT DE YANUKOVICH

    Em 2014, o Parlamento da Ucrânia abre um processo de impeachment do presidente Viktor Yanukovich, sob a pressão de uma revolta popular, a Revolução da Praça Maidã ou Revolução da Dignidade, que começa em novembro de 2023, quando o presidente suspende negociações de associação com a União Europeia (UE).

Yanukovich nasce em 9 de julho de 1950 em Yenakiyeve, na Ucrânia, então parte da União Soviética. Ele estuda engenharia mecânica no Instituto Politécnico de Donetsk e entra para o Partido Comunista.

Com o fim da URSS, Yanukovich é eleito governador da província de Donetsk em 1997. Em 2002, o presidente Leonid Kuchma o nomeia primeiro-ministro. 

Yanukovich é o candidato do governo ucraniano e do Kremlin à sucessão em 2004. Mas seu adversário, Viktor Yuchenko, é envenenado com dioxina e seu rosto se transfigura diante do público. Uma onda de protestos toma as ruas na chamada Revolução Laranja e impede a eleição fraudulenta de Yanokuvich. Um terceiro turno, realizado em 26 de dezembro, dá ampla vitória a Yuchenko.

Na segunda tentativa, em 2010, Yanukovich é eleito com uma proposta de modernização da economia que incluía negociações com a UE. Seu governo é marcado por um retrocesso democrático, com a prisão da ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, sua adversária na eleição presidencial de 2010, aumento da censura, corrupção e tráfico de influência.

A suspensão das negociações com a UE provoca protestos populares que se transformam em revolta diante da violenta repressão policial, com mais de 100 mortes.

A queda de Yanukovich, em 22 de fevereiro, marca o início da Guerra Russo-Ucraniana. Imediatamente, o ditador Vladimir Putin manda as forças russas tomar a Península da Crimeia, onde eram mais de 80% dos soldados da antiga Frota do Mar Negro da URSS, que era compartilhada.

Depois de um plebiscito forjado, a Rússia anexa a Crimeia em 17 de março de 2014. A partir de 6 de abril começa uma revolta insuflada pelo Kremlin nas províncias de Donetsk e Lugansk, cuja independência Putin reconhece dois dias antes de invadir a Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, numa guerra de agressão que a Rússia pretendia vencer em dias, semanas ou poucos meses e está completando três.

Com a economia fragilizada, pelo menos 90 mil soldados mortos e mais de 1 milhão de jovens que saíram do país, o ditador russo recebe agora uma boia de salvação do presidente neofascista dos Estados, Donald Trump. 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Janeiro

 CALENDÁRIO JULIANO

    Em 45 antes de Cristo, pela primeira vez, o início do ano é festejado em 1º de janeiro, com a entrada em vigor do Calendário Juliano, imposto pelo general romano Caio Júlio César, que se torna um ditador.

César contrata Sossígenes, um astrônomo de Alexandria que o convence a abandonar o antigo calendário lunar romano, adotado no século 7 AC, e usar um calendário solar. Ele calcula que o ano tem 365 dias e um quarto.

INDEPENDÊNCIA DO HAITI

    Em 1803, dois meses depois da derrota as forças coloniais de Napoleão Bonaparte, Jean-Jacques Dessaline declara a independência de São Domingos e rebatiza o país com o antigo nome arauaque, Haiti.


EMANCIPAÇÃO DOS ESCRAVOS

    Em 1863, durante a Guerra da Secessão (1861-65), o presidente Abraham Lincoln faz a Proclamação de Emancipação declarando como livres os escravos dos estados confederados do Sul, na expectativa de que se alistem em massa no Exército da União, deixando o Sul sem mão de obra nem soldados.


Lincoln é eleito em 1860 com a oposição dos estados escravistas do Sul. Antes da posse, a Carolina do Sul, a Flórida, o Alabama, a Geórgia, a Louisiana e o Texas se rebelam e formam os Estados Confederados da América com o objetivo de fundar um novo país. Ao todo, onze estados 

A Guerra da Secessão começa em 12 de abril de 1861. A Proclamação de Emancipação liberta os escravos do Sul. A 13ª Emenda à Constituição dos EUA, que acaba com a escravidão, é aprovada pelo Senado em 8 de abril de 1864 e pela Câmara em 31 de janeiro de 1865. Entra em vigor em 6 de dezembro de 1865.

Mais de 180 mil negros se alistam para a guerra contra a divisão do país e a escravidão. Lincoln vai à guerra para manter a União. A proclamação transforma a Guerra da Secessão numa luta contra a escravidão.

Lincoln é baleado em 14 de abril de 1865 e morre no dia seguinte, seis dias após o fim da guerra civil. Quatro presidentes dos EUA são assassinados no exercício do cargo. Lincoln é o primeiro.

REVOLUÇÃO EM CUBA

    Em 1959, os rebeldes liderados por Fidel Castro entram em Havana depois da fuga do ditador Fulgencio Batista, consolidando a vitória da Revolução Cubana. Fidel chega em 7 de janeiro.


Batista, ditador de 1933 a 1944, retoma o poder num golpe em 10 de março de 1952 e instaura uma ditadura corrupta e cruel, acusada por 20 mil mortes. 

Fidel ataca o Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953. Preso e condenado, afirma no julgamento que "a história me absolverá". Soltos em 15 de maio de 1955, Fidel e Raúl Castro fogem para o México temendo ser presos. 

Depois de comprar o velho iate Granma, Fidel parte de Veracruz, no México, para Cuba com 81 revolucionários em 25 de novembro de 1956. Eles se refugiam na Sierra Maestra, onde recebem o apoio de voluntários e formam um exército guerrilheiro de 200 homens.

Fidel divide o exército em três, com uma coluna comandada por ele, outra por Raúl e a terceira por Ernesto Che Guevara de la Serna, um médico argentino que os irmãos Castro conheceram no México.

A ditadura de Batista responde com prisões em massa, tortura e execuções sumárias. Com a fuga do ditador, os revolucionários entram em Havana em 1º de janeiro de 1959.

NAFTA EM VIGOR

    Em 1994, entra em vigor o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), entre Estados Unidos, Canadá e México.

No mesmo dia, começa a revolta da Exército Zapatista de Libertação Nacional em Chiapas, no Sul do México, a região que menos se beneficia. 

No Norte do país, instalam-se várias empresas, os chamadas maquiadoras, que simplesmente montam produtos feitos com peças e componentes importados. A participação dos EUA no comércio exterior mexicano passa de 77% para mais de 80%.

O presidente Donald Trump renegocia o acordo, que passa a se chamar Acordo EUA-México-Canadá com atualizações em setores onde há grandes mudanças, como tecnologia da informação, mas sem mudanças substanciais.

EURO EM CIRCULAÇÃO

    Em 2002, moedas e notas do euro, a moeda comum criada pela união monetária europeia, entram em circulação em 12 dos 15 países da União Europeia na época: Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e Portugal. A Dinamarca, o Reino Unido e a Suécia não aderem. A partir de março, se torna a moeda única dos países participantes.


O euro é resultado do Tratado de Maastricht, de 1991, que cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia, sucessora da Comunidade Econômica Europeia, fundada pelo Tratado de Roma, de 1957, para garantir a paz e a prosperidade na Europa.

O Tratado de Maastricht prevê a união monetária e econômica para aprofundar a integração do continente. Para participar, os países-membros precisam adotar medidas de convergência econômica: câmbio estável, déficit público de no máximo 3% do produto interno bruto, dívida pública de no máximo 60% do PIB, inflação de no máximo 1,5 ponto percentual acima das três menores taxas da Zona do Euro.

Apesar de Itália e Bélgica terem dívidas de 120% do PIB, a Comissão Europeia recomenda sua participação sob o argumento de que esses dois país estão tomando medidas para reduzir a relação dívida/PIB. Hoje, a Bulgária adota o euro. Assim, 21 países fazem parte da Zona do Euro: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos e Portugal.

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sábado, 1 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 1º de Novembro

 TETO DA CAPELA SISTINA

    Em 1512, a Capela Sistina, no Vaticano, é aberta ao público pela primeira vez com o teto pintado por Michelangelo Buonarrotti, um dos maiores artistas do Renascimento.

Michelangelo nasce em Caprese em 6 de março de 1475 e cresce em Florença, um dos berços do Renascimento. Aos 13 anos, torna-se um artista aprendiz. Por seu talento, recebe a proteção de Lorenzo de Medici, o governante da cidade-estado italiana.

Depois de criar algumas das esculturas mais famosas da história, a Pietà (1498) e o David (1504), vai para Roma em 1508 para pintar o teto da Capela Sistina. Ele trabalha até a morte, aos 88 anos, em 1564.

TERREMOTO DE LISBOA

    Em 1755, três tremores de terra, o mais forte de 8 a 9 pontos na escala aberta de Richter, seguidos de um maremoto com ondas de 6 metros, arrasa a capital, onde vivem 10% dos 3 milhões de portugueses, e o litoral sul de Portugal, matando de 10 a 90 mil pessoas.

O Terremoto de Lisboa é tema de reflexão de grandes filósofos do Iluminismo como o francês Voltaire, que observa: "Se Deus é misericordioso, não é todo-poderoso; se é todo-poderoso, não é misericordioso." Já Jean-Jacques Rousseau, alega que os pobres não escolheram morar em casebres vulneráveis.

A cidade é reconstruída sob a orientação do Marquês de Pombal, talvez o primeiro-ministro mais poderoso de Portugal, um déspota iluminado que expulsa os jesuítas do reino.

PRESIDENTE NA CASA BRANCA

    Em 1800, o segundo presidente dos Estados Unidos, John Adams, se muda para a Casa Branca, em Washington, construída para ser a sede do governo na nova capital do país a um custo de US$ 232 mil.

A pedra fundamental é lançada pelo presidente George Washington em 13 de outubro de 1792. A Casa Branca é queimada pelos britânicos em agosto de 1814 durante a Guerra de 1812, quando o Reino Unido tenta acabar com a independência dos EUA. Em 1817, o presidente James Madison volta a morar lá.

Hoje, depois de muitas reformas, a Casa Branca tem seis andares e 142 peças. O presidente Donald Trump está destruindo toda uma ala para construir um salão de baile.

BOMBA DE HIDROGÊNIO

    Em 1952, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos explodem no atol de Eniwetok, nas Ilhas Marshall, no Oceano Pacífico, a primeira bomba atômica de hidrogênio, Ivy Mike. A arma reproduz a reação que produz a energia e a luz do sol e das estrelas, com efeitos devastadores, para dar uma superioridade temporária ao país na corrida armamentista depois da explosão da primeira bomba nuclear da União Soviética, em 29 de agosto de 1949.


A primeira bomba H tem o poder de destruição de 10,4 megatons (milhões de toneladas de dinamite). 

Mil vezes mais poderosa do que as bombas atômicas de urânio e plutônio, que usa como detonador, a bomba H teve a oposição de Robert Oppenheimer, o pai da bomba nuclear dos EUA.

Uma bomba de urânio de 15 quilotons (15 mil toneladas de dinamite) é jogada em Hiroxima, em 6 de agosto de 1945, e uma bomba de plutônio de 20 quilotons três dias depois em  Nagasáki, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial.

Em 12 de agosto de 1953, a URSS explode sua bomba H elevando a corrida armamentista a um novo patamar. O físico Andrei Sakharov, que depois de tornou um dissidente do regime comunista e ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 1975, é o pai da bomba H soviética.

A maior explosão nuclear até hoje é um teste soviético em 23 de outubro de 1961 com uma bomba H. a Bomba Czar, de 58 megatons. 

A fusão de átomos de hidrogênio pesado (deutério) e mais que pesado (trítio), liberando a energia equivalente à massa de um nêutron, gera a energia do sol e das estrelas. Nunca foi controlada. Exige uma temperatura de 100 mil graus.

Com o aquecimento global, aumentam as pesquisas para ver se é possível usar a fusão a frio como uma fonte de energia segura. Até agora, é impossível. A 100 mil graus, tudo derrete.

NASCE A UNIÃO EUROPEIA

    Em 1993, depois de um atraso por causa da rejeição em plebiscito na Dinamarca, entra em vigor o Tratado de Maastricht, concluído em dezembro de 1991, para criar a União das Comunidades Europeias, fortalecer o Parlamento Europeu, criar o Banco Central da Europa (BCE) e a política externa e de segurança comum.

A integração europeia começa em 9 de maio de 1950 com o lançamento do Plano Schuman, batizado com o nome do ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, para consolidar a paz no continente, especialmente entre a Alemanha e a França, cujo conflito histórico estava na origem das duas guerras mundiais. 

Em 1951, surge a Comissão Europeia do Carvão e do Aço para garantir o controle da produção de dois componentes básicos da indústria bélica.

A Comunidade Econômica Europeia é criada pelo Tratado de Roma, em 1957, e instalada em 1958 com seis países: Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo. A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entram em 1973.

A Grécia, a Espanha e Portugal se associam nos 1980, depois de se democratizar. Quando é assinado o Tratado de Maastricht, são 12 países-membros. Com o fim da Guerra Fria, a Áustria, a Finlândia e a Suécia, países neutros, aderem em 1995.

Sua maior expansão acontece em 2004, depois das revoluções democráticas de 1989 nos países comunistas da Europa Oriental e da dissolução da União Soviética, em 1991: Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia e República Tcheca.

A Bulgária e a Romênia entram em 2007 e a Croácia em 2013. Até hoje, só um país deixou o bloco, o Reino Unido, em 31 de janeiro de 2020, depois de um plebiscito realizado em 23 de junho de 2016.

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domingo, 18 de maio de 2025

Candidato pró-Europa vence na Romênia em derrota do trumpismo

Numa grande reviravolta na eleição mais importante na Romênia desde a queda do comunismo, em 1989, com mais de 90% das urnas apuradas, o prefeito centrista de Bucareste, Nicusor Dan, foi eleito presidente hoje no segundo turno. 

Por 54% a 46% dos votos válidos, ele venceu o candidato ultranacionalista George Simion, que saiu na frente no primeiro turno e agora denuncia fraude. A participação do eleitorado foi de 65%, em contraste com 53% no primeiro turno duas semanas atrás.

É mais um extremista de direita que perde sob a sombra do presidente dos Estados Unidos. Grande admirador de Donald Trump, Simion ganhou o primeiro turno com 41% dos votos e dava a vitória como certa.

Quando terminou a votação, às 21h (15h em Brasília), os dois candidatos cantaram vitória. Dan atribuiu o resultado "à comunidade de romenos que desejam uma mudança profunda" e prometeu: "A partir de amanhã, vamos reconstruir a Romênia." Seus partidários gritavam "Europa" e "unidade", contra o divisionismo e os discursos de ódio e antieuropeus da extrema direita.

No primeiro momento, Simion também declarou vitória diante de seus partidários dizendo ser "o novo presidente da Romênia". Mais tarde, reconheceu a derrota no Facebook e prometeu "continuar a luta".

Nicosur Dan nasceu em Fagaras, na província de Brasov, em 20 de dezembro de 1969. É matemático. Na juventude, ganhou duas vezes medalha de ouro nas Olimpíadas Internacionais de Matemática com notas perfeitas em 1987 e 1988. Doutor pela Escola Normal Superior de Paris em 1998, fundou uma faculdade de mesmo nome ao voltar à Romênia.

Em 2015, ele fundou a União Salve Bucareste para lutar contra a corrupção e pela preservação da capital romena, o que o lançou na política. Dan foi eleito deputado em 2016 e prefeito de Bucareste em 2020 e 2024. Venceu a eleição presidencial por ser considerado um bom prefeito.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, cumprimentou "calorosamente" o presidente eleito: "Os romenos foram às urnas em massa. Eles escolheram a promessa de uma Romênia aberta e próspera numa Europa forte."

Na vizinha Ucrânia, o presidente Volodymyr Zelensky também festejou o resultado "histórico" e destacou "a importância de ter na Romênia uma parceira confiável". Antieuropeu, o candidato derrotado é contra a ajuda à Ucrânia. Na campanha, defendeu a neutralidade.

Esta eleição presidencial romena foi bastante controvertida. Em 6 de dezembro de 2024, dois dias antes da data marcada para o segundo turno, o Tribunal Constitucional, a corte suprema do país, anulou o primeiro turno vencido pelo ultradireitista Calin Georgescu com 23% votos sob a alegação de que houve interferência externa significativa, principalmente da Rússia, e violação da lei eleitoral.

Além de ataques cibernéticos e notícias falsas atribuídas à Rússia, as investigações descobriram que a campanha Georgescu recebeu pelo menos um milhão de euros de financiamento ilegal.

A anulação do primeiro turno foi uma das razões que levou o vice-presidente dos EUA, James David Vance, a acusar a Europa de retrocesso na democracia ao censurar a liberdade de expressão e de tentar suprimir uma corrente de pensamento ignorando parte de seu eleitorado, em discurso na 61ª Conferência de Segurança de Munique. Estava defendendo a extrema direita em todo o continente e alienando aliados históricos. 

sábado, 5 de abril de 2025

Guerra comercial acelera declínio relativo dos EUA

Ao deflagrar uma guerra comercial em escala global, aplicando um tarifaço a mais de 180 países e territórios, o presidente Donald Trump faz a maior mudança de política econômica dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45) e atinge principalmente a economia e a liderança do país no mundo.

Trump quer equilibrar a balança comercial dos EUA, que teve um déficit de US$ 918 bilhões no comércio de bens no ano passado, reindustrializar o país e aumentar a arrecadação para viabilizar cortes no imposto de renda das grandes empresas e dos ricos. Os resultados devem ser mais inflação, menos crescimento e uma perda de prestígio para o país.

Quem mais ganha é a China, que já é a maior potência industrial do planeta e a maior parceira comercial da maioria dos países. O Brasil pode ter mais oportunidades no comércio com a China e o acordo de liberalização de comércio entre o Mercosul e a União Europeia tem mais chance de ser aprovado. Mas todos perdem numa guerra comercial e o risco de conflitos aumenta.

quinta-feira, 20 de março de 2025

Turcos protestam em massa contra prisão do líder da oposição

Milhões de pessoas saíram às ruas das principais cidades da Turquia ontem em protesto contra a prisão do prefeito de Istambul e principal líder da oposição no país, Ekrem Imamoglu (foto). Sua prisão com uma série de acusações forjadas consolida a ditadura do presidente Recep Tayyip Erdogan, chamado pelos críticos de “Sultão louco”. 
O governo impôs um toque de recolher noturno em várias regiões da Turquia e desligou a Internet. Erdogan estaria escondido em local secreto. Há rumores de que o Exército recebeu ordens de abandonar posições que ocupa na vizinha Síria para conter a revolta na Turquia.

quarta-feira, 5 de março de 2025

Trump marca data para tarifaço e ameaça tomar Groenlândia à força

No mais longo discurso de um presidente dos Estados Unidos no Congresso, em 99 minutos, Donald Trump mentiu, se autoelogiou, exaltou o ataque do bilionário Elon Musk à máquina do Estado e falou para sua base. Num sectarismo que aprofunda a divisão do país em que apostou para se reeleger, descreveu um cenário de violência, decadência e catástrofe econômica no governo Joe Biden. O deputado democrata Al Green foi expulso do plenário por protestar contra o discurso, algo inédito.

De concreto, prometeu um novo tarifaço para 2 de abril, citando o Brasil entre os alvos, prometeu mais uma vez retomar o Canal do Panamá, sem dizer se basta uma empresa dos EUA assumir o controle dos portos de entrada e saída, ameaçou dominar a Groenlândia "de um jeito ou de outro" e anunciou que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, enviou mensagem dizendo estar pronto para negociar a paz depois de ser humilhado na Casa Branca na sexta-feira passada.

A popularidade ds presidente dos EUA está em queda: 59% dos eleitores independentes não aprovam o governo; 45% acreditam que o país não está na direção correta e 39% acham que sim; e 52% entendem que Trump não está se dedicando aos maiores problemas do país, especialmente a alta no custo de vida.

Trump repetiu os temas de sempre: imigração, cortar "desperdício, fraude e abuso", guerras culturais contra o politicamente correto e ataques a Joe Biden. Falou que o Departamento de Eficiência Governamental (Doge) chefiado por Musk encontrou problemas de "centenas de bilhões de dólares" sem mencionar provas. Musk fala em US$ 105 bilhões, mas a página do Doge registra apenas US$ 18,6 bilhões.

O presidente também defendeu a pena de morte para assassinos de policiais e a criação de um sistema de defesa antimísseis. Pouco disse sobre o que mais preocupa os eleitores, a inflação e o custo de vida.

"Os EUA estão de volta. Seis semanas atrás, proclamei o início de uma idade de ouro" e disse que desde então fez "um esforço rápido e incansável para criar essa nova era", arrancando os primeiros protestos dos democratas, que levantaram discos dizendo "Falso", "Trump mente" e "Musk rouba". Os líderes democratas se negaram a participar do cortejo na entrada do presidente.

No seu estilo hiperbólico, grandiloquente e mentiroso, Trump afirmou que recebeu um mandato como não se via há décadas. Em realidade, não teve maioria absoluta.

Em 43 dias, Trump baixou mais de 100 decretos e mais de 400 iniciativas. Declarou que é o governo mais bem-sucedido, à frente de George Washington (1789-97), ignorando os 100 primeiros dias de Franklin Roosevelt (1933-45) na luta contra a Grande Depressão (1929-39).

ATAQUE À MAQUINA PÚBLICA

Trump se vangloriou de congelar as contratações, as regulamentações e a ajuda externa do governo federal dos EUA. "Acabei com o Novo Pacto Social Verde e com o Acordo de Paris, que nos custa trilhões de dólares. Saí da corrupta Organização Mundial da Saúde (OMS) e do antinorte-americano Conselho de Direitos Humanos da ONU."

Quando voltou ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, em 2021, Biden prometeu US$ 11,4 bilhões. Ao falar em trilhões, Trump mostra mais uma vez que não tem o menor compromisso com a verdade.

Depois de atacar as ambiciosas políticas ambientais de Biden, Trump partiu para as guerras culturais tão a gosto da extrema direita: "Acabei com toda a censura e trouxe a liberdade de expressão de volta", enquanto ameaça prender jornalistas Ele foi excluído do Twitter e do Facebook por fomentar o assalto ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, numa tentativa de golpe de Estado sem precedentes na história dos EUA.

"Renomeei o Golfo do México como Golfo da América. Renomeei o Monte McKinley. Acabei com a tirania da diversidade, equidade e inclusão no governo e no setor privado. (...) Removi a teoria crítica sobre raça das escolas. Decidi que só existem dois gêneros: masculino e feminino. Proibi homens de disputar esportes femininos." Trump proibiu os tratamentos para mudança de gênero antes dos 19 anos.

É o que ele chama de "revolução do senso comum". Não há mais nenhum negro e nenhuma mulher no Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, só generais brancos.

Por causa das campanhas antivacinas, das quais o secretário da Saúde, Robert Kennedy Jr., é um dos principais responsáveis, há hoje mais casos de sarampo no Texas do que atletas transgêneros no país inteiro.

Ao prometer reduzir o custo de vida, se limitou a acenar com uma redução nos preços de energia com maior exploração de gás e petróleo.

Para defender a devassa e virtual destruição da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Trump chegou a dizer que financiava camundongos transgêneros. Com menos de 0,7% do orçamento federal, a agência era responsável por 40% da ajuda humanitária no mundo.

Numa das grandes mentiras da noite, Trump teve a cara de pau de dizer que há mais de 4,7 milhões pessoas de mais de 100 anos recebendo benefícios previdenciários, inclusive um de 360 anos. Na verdade, a Previdência Social paga benefícios a 89 mil centenários.

"Vamos equilibrar o orçamento federal, o que não se faz há 24 anos", prometeu o presidente. Na campanha eleitoral de 2000, a discussão era o que fazer com o superávit de US$ 100 bilhões. O então vice-presidente Albert Gore Jr. queria fortalecer a Previdência Social. O candidato vencedor, George Walker Bush, preferiu dar cortes de impostos para os ricos.

O que Trump pretende fazer? Dar mais cortes de impostos para bilionários e multimilionários. A estimativa é que reduzam a arrecadação em pelo menos US$ 5 trilhões em 10 anos. Assim, a dívida pública dos EUA, que está hoje em US$ 36 trilhões, vai aumentar. 

Musk calculou que o país gaste US$ 1 trilhão por ano com os juros da dívida, mais do que o orçamento do Departamento da Defesa (Pentágono) para 2025, que é de US$ 850 bilhões. Trump ameaçou perseguir deputados e senadores que votarem contra os cortes de impostos para que não se reelejam.

"Há 100 anos a burocracia federal cresce e atrapalha os negócios. Centenas de milhares não aparecem para trabalhar. O governo dos burocratas não eleitos acabou", continuou Trump. A Casa Branca diz que só 6% dos funcionários federais se apresentam para trabalhar, o que é uma mentira. Paralisaria a máquina pública.

REINDUSTRIALIZAÇÃO

Outra proposta é reindustrializar os EUA com energia barata e altas tarifas sobre produtos importados enquanto oferece isenções de impostos para quem abrir fábricas no país: "É nossa hora de impor tarifas", anunciou citando como alvos, além do México, do Canadá e da China, já supertarifados, a União Europeia, o Brasil e a Índia. A ideia é usar a reciprocidade, cobrando as mesmas tarifas que outros países cobram sobre importações dos EUA.

Em relação ao México e ao Canadá, que prometeram na terça-feira retaliar o tarifaço de Trump, o presidente acusou-os pela imigração ilegal e o tráfico de droga fentanil. A imigração ilegal através da fronteira do Canadá é mínima e lá só foram aprendidos 20 quilos de fentanil no ano passado, 500 vezes menos do que na fronteira com o México. Isto indica que o objetivo dos tarifaços é equilibrar a balança comercial, que registrou um déficit de US$ 918,4 bilhões no ano passado.

Ele admitiu que a guerra comercial vai trazer "alguns distúrbios", mas alegou que a estratégia protecionista já resultou em promessas de investimentos de US$ 1,3 trilhão. Pelo discurso de Trump, os tarifaços não são apenas uma jogada para negociar, como sugeriu  o secretário do Comércio, Howard Lutnick. Devem ser de longo prazo.

SEGURANÇA

Ao abordar a imigração ilegal, outro tema favorito do presidente fascistoide, começou com uma grande mentira: "21 milhões entraram no país nos últimos quatro anos", descritos mais uma vez como traficantes, estupradores e assassinos. A estimativa é que haja 11 milhões de imigrantes ilegais nos EUA. Trump levou a mãe e a irmã de uma joven assassinada para dizer que "a morte de Laken Riley não foi em vão." A mãe foi aplaudida e chorou. Faz parte do circo desses discursos presidenciais.

"Não precisávamos de uma nova lei para garantir a segurança na fronteira. Tudo o que precisávamos era de um novo presidente. A invasão de imigrantes destruiu várias cidades." Citou como exemplo Springfield, no estado de Ohio. Durante a campanha, acusou refugiados haitianos de comer cães e gatos de estimação na cidade, uma mentira.

Trump prometeu ir à guerra contra os cartéis mexicanos do tráfico de drogas e atribuiu à guerra comercial a deportação de 29 traficantes entregues pelo México ao governo norte-americano. Insistiu que está fazendo a maior deportação de ilegais da história, mas os números são muito inferiores ao que pretendia.

A fim de aumentar a segurança nas cidades, acenou com uma reforma do sistema de justiça que na verdade tenta blindá-los de futuros processos: "Nosso sistema de justiça foi virado de cabeça para baixo por lunáticos para instrumentalizar a Justiça contra adversários políticos como eu", um criminoso condenado por forjar documentos de suas empresas para encobrir a compra do silêncio de uma atriz pornô com quem teve um caso. 

Outros três processos, dois por tentar fraudar a eleição de 2020 e tentar um golpe, e o terceiro por levar para casa documentos secretos e ultrassecretos, foram extintos pela reeleição.

"Para aumentar a segurança nacional, vamos retomar o Canal do Panamá", reiterou Trump. Não explicou se basta uma empresa norte-americana assumir o controle dos portos de entrada e saída do canal, que estavam com chineses, ou se planeja reassumir o controle total.

"Também tenho uma mensagem para o povo da Groenlândia. Vocês têm o direito de escolher seu futuro e se quiserem se unir a nós", prometeu um futuro de segurança e riqueza, mas acrescentou uma ameaça: "De um jeito ou de outro, vamos conseguir. Vamos proteger vocês e torná-los ricos. É fundamental para a segurança do mundo."

O presidente anunciou que o terrorista do Estado Islâmico que atacou a retirada norte-americana do Afeganistão foi preso com a ajuda do Paquistão e está sendo enviado para responder processo nos EUA. Cerca de 170 civis e 13 militares norte-americanos morreram no ataque. Trump negociou a paz com a Milícia dos Taleban sem exigir desarmamento nem acordo com o governo afegão apoiado pelos EUA.

Sobre o Oriente Médio, elogiou os Acordos de Abraão de reconhecimento de Israel por quatro países árabes (Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Marrocos e Sudão). Nenhum deles estava em guerra com Israel. Não falou no projeto para expulsar os palestinos e transformar a Faixa de Gaza num empreendimento imobiliário. Os aliados árabes já apresentaram um plano alternativo.

Trump insistiu na mentira de que os EUA deram mais ajuda à Ucrânia do que a Europa, no valor de US$ 350 bilhões, mesmo depois de ser corrigido na Casa Branca pelo presidente da França, Emmanuel Macron, que esclareceu que a Europa deu 60% do total da ajuda. Os EUA deram pouco mais de US$ 100 bilhões.

"Hoje recebi uma carta do presidente [Volodymyr] Zelensky dizendo que a Ucrânia está pronta para negociar a paz", anunciou Trump. Na verdade, só repetiu uma mensagem publicada na rede social X pelo líder ucraniano, humilhado na sexta-feira passada na Casa Branca por não querer assinar um acordo para ceder a metade da riqueza mineral do país sem garantias de segurança contra um possível futuro ataque da Rússia.

Aliás, ele praticamente não falou da China e da Rússia, maiores inimigas dos EUA.

REAÇÃO DEMOCRATA

A resposta do Partido Democrata, feita pela senadora por Michigan Elissa Slotkin, se concentrou em três pontos: a economia, a classe média e a democracia – ameaçadas por Trump.

"Seus planos não ajudam a maioria dos norte-americanos a avançar. Ele está cortando impostos para os bilionários. As tarifas vão aumentar os preços. A dívida pública vai aumentar. Ele pode provocar uma recessão, advertiu a senadora.

Ela acusou Musk de citar a Previdência Social como grande fonte de fraudes, enquanto demite quem cuida das armas nucleares, controladores de voo e pesquisadores do combate ao câncer. Slotkin acrescentou que de nada adianta reforçar a segurança na fronteira sem mudar o sistema de imigração e alertou que a democracia está ameaçada.

Ao concluir, disse que "é fácil ficar exausto, mas não dá". Propôs que os cidadãos se organizem cobrem mais dos políticos e ajam. "Os maiores movimentos vêm de baixo para cima. Vivemos momentos de instabilidade o passado. Precisamos de cidadãos engajados e líderes com princípios."

O grande desafio dos democratas é resistir como possível até as eleições de 2026, quando Trump deve perder a maioria na Câmara e virar um "pato manco", expressão que os norte-americanos usam para se referir a políticos em fim de mandato. Será uma longa travessia para os EUA e o resto do mundo.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 22 de Fevereiro

BATALHA DE BUENA VISTA

    Em 1847, durante a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), o general norte-americano Zachary Taylor enfrenta o Exército do México, sob o comando do general Antonio López de Santa Anna, perto da cidade mexicana de Monterrey, na Batalha de Buena Vista.

Um exército dos Estados Unidos com 5 mil soldados sob o comando do general Taylor invade o Nordeste do México e toma Monterrey e Saltillo. Com 14 mil homens, o general Santa Anna parte de San Luis Potosí para enfrentar o inimigo.

Apesar da grande superioridade numérica, os mexicanos estão mal armados e mal treinados. Quando o Exército do México se aproxima, em 21 de fevereiro, Taylor move suas forças para La Angostura, perto da Fazenda de Buena Vista, onde há uma passagem entre duas cadeias de montanhas.

No dia seguinte, a cavalaria mexicana corta as linhas de comunicação de Taylor. O grande ataque do México acontece em 23 de fevereiro contra o flanco esquerdo das forças dos EUA. O fogo de artilharia pesada dos EUA contém a ofensiva mexicana. Os mexicanos perdem 1,5 mil homens e os norte-americanos 700.

Quando a noite cai, o Exército do México se retira. Taylor não persegue as forças de Santa Anna. Na Batalha do Cerro Gordo, em abril, Santa Anna não consegue deter o avanço das tropas do general Winfield Scott, que toma a Cidade do México em setembro, consolidando a vitória dos EUA.

No Tratado de Guadalupe Hidalgo, assinado em 2 de fevereiro de 1848, os EUA tomam 41% do território mexicano. O sucesso de Taylor o leva a conquistar a Presidência dos EUA na eleição de 1848.  

ROSA BRANCA

    Em 1943, três jovens estudantes intelectuais, idealistas e pacifistas, Hans e Sophie Scholl e Christoph Probster, que tentam fazer uma resistência não violenta contra o nazismo na Alemanha, são executados em Munique.

Três membros do grupo Rosa Branca, Hans Scholl, Alexander Schmorell e Wili Graf, estudantes de medicina na Universidade de Munique testemunham massacres de judeus pela SS, a força paramilitar do Partido Nazista.

De volta a Munique, formam o grupo Rosa Branca, que inicia suas atividades em 17 de junho de 1942. Com grande conhecimento de literatura, eles publicam panfletos citando grandes escritores alemães como Friedrich Schiller e Johann Wolfgang von Goethe.

Presos pela Gestapo, a polícia política do regime nazista, em 18 de fevereiro de 1943, eles são submetidos a um processo forjado em que não têm direito a falar e guilhotinados quatro dias depois.

CONTENÇÃO DA URSS

    Em 1946, o encarregado de negócios dos Estados Unidos em Moscou, George Kennan, envia um longo telegrama de 8 mil palavras ao Departamento de Estado com sua análise sobre a União Soviética, um dos documentos mais importantes da Guerra Fria, propondo a contenção do regime comunista até ele entrar em colapso.

O memorando observa que a URSS não acredita numa "coexistência pacífica permanente" com o Ocidente por causa da "visão neurótica das questões globais" resultante do "senso de insegurança instintivo da Rússia".

Por isso, acrescenta Kennan, os soviéticos suspeitam de todas as outras nações e entendem que sua segurança exige "uma luta paciente, mas mortal, até a destruição total da potência rival".

Assim, como a URSS é "refratária à lógica da razão", mas "altamente sensível à lógica da força", os EUA devem adotar uma política de "resistência forte" para conter a expansão soviética. Esta seria a base da política externa norte-americana durante a Guerra Fria.

OVELHA CLONADA

    Em 1997, os cientistas do Instituto Roslin, sob a direção de Ian Wilmut, em Edimburgo, a capital da Escócia, anunciam o nascimento da ovelha Dolly, o primeiro animal clonado a partir de um mamífero adulto.

Dolly é um marco na história da ciência. Antes, os animais são clonados a partir de um óvulo fertilizado ou de células embrionárias indiferenciadas ou parcialmente diferenciadas. Dolly é clonada com uma célula de glândula mamária de uma ovelha adulta da raça Dorset.

Os cientistas usam impulsos elétricos para fundir o núcleo da célula mamária com um óvulo cujo núcleo é removido. Então a célula mamária começa a se dividir. Esses embriões são transferidos para 13 animais que funcionam como barrigas de aluguel. Uma engravida. Dolly nasce 148 dias depois, o prazo normal de gestação de uma ovelha.

Depois que os veterinários descobrem que ela sofre de uma doença pulmonar avançada, Dolly é morta por eutanásia em 14 de fevereiro de 2003. Seu corpo embalsamado está em exposição no Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo.

IMPEACHMENT DE YANUKOVICH

    Em 2014, o Parlamento da Ucrânia abre um processo de impeachment do presidente Viktor Yanukovich, sob a pressão de uma revolta popular, a Revolução da Praça Maidã ou Revolução da Dignidade, que começa em novembro de 2023, quando o presidente suspende negociações de associação com a União Europeia (UE).

Yanukovich nasce em 9 de julho de 1950 em Yenakiyeve, na Ucrânia, então parte da União Soviética. Ele estuda engenharia mecânica no Instituto Politécnico de Donetsk e entra para o Partido Comunista.

Com o fim da URSS, Yanukovich é eleito governador da província de Donetsk em 1997. Em 2002, o presidente Leonid Kuchma o nomeia primeiro-ministro. 

Yanukovich é o candidato do governo ucraniano e do Kremlin à sucessão em 2004. Mas seu adversário, Viktor Yuchenko, é envenenado com dioxina e seu rosto se transfigura diante do público. Uma onda de protestos toma as ruas na chamada Revolução Laranja e impede a eleição fraudulenta de Yanokuvich. Um terceiro turno, realizado em 26 de dezembro, dá ampla vitória a Yuchenko.

Na segunda tentativa, em 2010, Yanukovich é eleito com uma proposta de modernização da economia que incluía negociações com a UE. Seu governo é marcado por um retrocesso democrático, com a prisão da ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, sua adversária na eleição presidencial de 2010, aumento da censura, corrupção e tráfico de influência.

A suspensão das negociações com a UE provoca protestos populares que se transformam em revolta diante da violenta repressão policial, com mais de 100 mortes.

A queda de Yanukovich, em 22 de fevereiro, marca o início da Guerra Russo-Ucraniana. Imediatamente, o ditador Vladimir Putin manda as forças russas tomar a Península da Crimeia, onde eram mais de 80% dos soldados da antiga Frota do Mar Negro da URSS, que era compartilhada.

Depois de um plebiscito forjado, a Rússia anexa a Crimeia em 17 de março de 2014. A partir de 6 de abril começa uma revolta insuflada pelo Kremlin nas províncias de Donetsk e Lugansk, cuja independência Putin reconhece dois dias antes de invadir a Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, numa guerra de agressão que a Rússia pretendia vencer em dias, semanas ou poucos meses e está completando três.

Com a economia fragilizada, pelo menos 90 mil soldados mortos e mais de 1 milhão de jovens que saíram do país, o ditador russo recebe agora uma boia de salvação do presidente neofascista dos Estados, Donald Trump. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Guerra comercial de Trump abala economia mundial

 O presidente Donald Trump deflagrou a guerra comercial prometida durante a campanha eleitoral. No fim de semana, anunciou tarifaços sobre as importações vindas dos três maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos: México, Canadá e China. Nesta segunda-feira, recuou e cantou vitória diante de promessas dos países vizinhos de colaboração no combate à imigração ilegal e ao tráfico de drogas. Mas não eliminou a ameaça de medidas destemperadas que certamente vão abalar a economia mundial.

Nesta terça-feira, Trump vai falar por telefone com o ditador da China, Xi Jinping, que impôs tarifas retaliatórias de 10% a 15% sobre carvão, petróleo, gás natural liquefeito e equipamentos agrícolas dos EUA.

Ao atacar aliados para barganhar uma redução do déficit comercial dos EUA, Trump rompe com duas políticas adotadas pelo país desde a Segunda Guerra Mundial: atuar internacionalmente em conjunto com aliados e promover o livre comércio como maneira de promover a prosperidade internacional e evitar novos conflitos globais.

Em outro ataque ao poder e ao prestígio internacional dos EUA, o multibilionário Elon Musk anunciou o fechamento da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), responsável por 40% de toda a ajuda humanitária no mundo. Em 100 países, milhões de pessoas correm risco de vida por causa desta medida mesquinha e desumana.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 1º de Janeiro

 CALENDÁRIO JULIANO

    Em 45 antes de Cristo, pela primeira vez, o início do ano é festejado em 1º de janeiro, com a entrada em vigor do Calendário Juliano, imposto pelo general romano Caio Júlio César, que se torna um ditador.

César contrata Sossígenes, um astrônomo de Alexandria que o convence a abandonar o antigo calendário lunar romano, adotado no século 7 AC, e usar um calendário solar. Ele calcula que o ano tem 365 dias e um quarto.

INDEPENDÊNCIA DO HAITI

    Em 1803, dois meses depois da derrota as forças coloniais de Napoleão Bonaparte, Jean-Jacques Dessaline declara a independência de São Domingos e rebatiza o país com o antigo nome arauaque, Haiti.


EMANCIPAÇÃO DOS ESCRAVOS

    Em 1863, durante a Guerra da Secessão (1861-65), o presidente Abraham Lincoln faz a Proclamação de Emancipação declarando como livres os escravos dos estados confederados do Sul, na expectativa de que se alistem em massa no Exército da União, deixando o Sul sem mão de obra nem soldados.


Lincoln é eleito em 1860 com a oposição dos estados escravistas do Sul. Antes da posse, a Carolina do Sul, a Flórida, o Alabama, a Geórgia, a Louisiana e o Texas se rebelam e formam os Estados Confederados da América com o objetivo de fundar um novo país.

A Guerra da Secessão começa em 12 de abril de 1861. A Proclamação de Emancipação liberta os escravos do Sul. A 13ª Emenda à Constituição dos EUA é aprovada pelo Senado em 8 de abril de 1864 e pela Câmara em 31 de janeiro de 1865. Entra em vigor em 6 de dezembro de 1865.

Mais de 180 mil negros se alistam para a guerra contra a divisão do país e a escravidão. Lincoln vai à guerra para manter a União. A proclamação transforma a Guerra da Secessão numa luta contra a escravidão.

Lincoln é baleado em 14 de abril de 1865 e morre no dia seguinte, seis dias após o fim da guerra civil. Quatro presidentes dos EUA são assassinados no exercício do cargo. Lincoln é o primeiro.

REVOLUÇÃO EM CUBA

    Em 1959, os rebeldes liderados por Fidel Castro entram em Havana depois da fuga do ditador Fulgencio Batista, consolidando a vitória da Revolução Cubana. Fidel chega em 7 de janeiro.


Batista, ditador de 1933 a 1944, retoma o poder num golpe em 10 de março de 1952 e instaura uma ditadura corrupta e cruel, acusada por 20 mil mortes. 

Fidel ataca o Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953. Preso e condenado, afirma no julgamento que "a história me absolverá". Soltos em 15 de maio de 1955, Fidel e Raúl Castro fogem para o México temendo ser presos. 

Depois de comprar o velho iate Granma, Fidel parte de Veracruz, no México, para Cuba com 81 revolucionários em 25 de novembro de 1956. Eles se refugiam na Sierra Maestra, onde recebem o apoio de voluntários e formam um exército guerrilheiro de 200 homens.

Fidel divide o exército em três, com uma coluna comandada por ele, outra por Raúl e a terceira por Ernesto Che Guevara de la Serna, um médico argentino que os irmãos Castro conheceram no México.

A ditadura de Batista responde com prisões em massa, tortura e execuções sumárias. Com a fuga do ditador, os revolucionários entram em Havana em 1º de janeiro de 1959.

NAFTA EM VIGOR

    Em 1994, entra em vigor o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), entre Estados Unidos, Canadá e México.

No mesmo dia, começa a revolta da Exército Zapatista de Libertação Nacional em Chiapas, no Sul do México, a região que menos se beneficia. 

No Norte do país, instalam-se várias empresas, os chamadas maquiadoras, que simplesmente montam produtos feitos com peças e componentes importados. A participação dos EUA no comércio exterior mexicano passa de 77% para mais de 80%.

O presidente Donald Trump renegocia o acordo, que passa a se chamar Acordo EUA-México-Canadá com atualizações em setores onde há grandes mudanças, como tecnologia da informação, mas sem mudanças substanciais.

EURO EM CIRCULAÇÃO

    Em 2002, moedas e notas do euro, a moeda comum criada pela união monetária europeia, entram em circulação em 12 dos 15 países da União Europeia na época: Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e Portugal. A Dinamarca, o Reino Unido e a Suécia não aderem. A partir de março, se torna a moeda única dos países participantes.


O euro é resultado do Tratado de Maastricht, de 1991, que cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia, sucessora da Comunidade Econômica Europeia, fundada pelo Tratado de Roma, de 1957, para garantir a paz e a prosperidade na Europa.

O Tratado de Maastricht prevê a união monetária e econômica para profundar a integração do continente. Para participar, os países-membros precisam adotar medidas de convergência econômica: câmbio estável, déficit público de no máximo 3% do produto interno bruto, dívida pública de no máximo 60% do PIB, inflação de no máximo 1,5 ponto percentual acima das três menores taxas da Zona do Euro.

Apesar de Itália e Bélgica terem dívidas de 120% do PIB, a Comissão Europeia recomenda sua participação sob o argumento de que esses dois país estão tomando medidas para reduzir a relação dívida/PIB. Hoje, 20 países fazem parte da Zona do Euro: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Croácia, Eslováquia, Eslovênia Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos e Portugal.