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sábado, 5 de abril de 2025

Guerra comercial acelera declínio relativo dos EUA

Ao deflagrar uma guerra comercial em escala global, aplicando um tarifaço a mais de 180 países e territórios, o presidente Donald Trump faz a maior mudança de política econômica dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45) e atinge principalmente a economia e a liderança do país no mundo.

Trump quer equilibrar a balança comercial dos EUA, que teve um déficit de US$ 918 bilhões no comércio de bens no ano passado, reindustrializar o país e aumentar a arrecadação para viabilizar cortes no imposto de renda das grandes empresas e dos ricos. Os resultados devem ser mais inflação, menos crescimento e uma perda de prestígio para o país.

Quem mais ganha é a China, que já é a maior potência industrial do planeta e a maior parceira comercial da maioria dos países. O Brasil pode ter mais oportunidades no comércio com a China e o acordo de liberalização de comércio entre o Mercosul e a União Europeia tem mais chance de ser aprovado. Mas todos perdem numa guerra comercial e o risco de conflitos aumenta.

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Israel invade mesquita em Jerusalém no mês do Ramadã

Em pleno mês do Ramadã, sagrado para os muçulmanos, a polícia de Israel invadiu a mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, um dos lugares mais sagrados do Islã, para perseguir manifestantes que atacavam com pedras, aumentando a tensão acirrada desde o início do ano, com a posse do governo mais extremista da história moderna de Israel.

Sob protesto das potências ocidentais, a comissária dos direitos das crianças do Kremlin, Maria Lvova Belova, participou de uma reunião informal do Conselho de Segurança das Nações Unidas. No mês passado, ela e o ditador Vladimir Putin tiveram a prisão decretada pelo Tribunal Penal Internacional pelo sequestro e deportação para a Rússia de crianças ucranianas.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi à Polônia, um dos países que mais o apoiam na guerra contra a Rússia e um modelo de desenvolvimento que a Ucrânia pretende imitar.

Na Califórnia, o presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, deputado republicano Kevin McCarthy, recebeu a presidente de Taiwan, a província que a China considera uma província rebelde. Para aliviar a tensão, o ex-presidente Ma Ying Jeou se tornou o primeiro líder taiwanês a visitar a China.

A Austrália e o Canadá ameaçam processar a empresa Open AI, responsável pelo Chat-GPT. O governo canadense está preocupado com a coleta, o uso e a revelação de informações privadas. Na Austrália, um prefeito exige a mudança no resultado de uma pesquisa que diz que ele foi preso por corrupção. Pode ser o primeiro processo por difamação contra uma inteligência artificial.

A ex-primeira-ministra Jacinda Ardern fez seu último discurso no Parlamento da Nova Zelândia. Estrela no combate à pandemia, vai deixar a política para trabalhar em organizações não governamentais.

O aquecimento global causa um aumento no número de casos de dengue, zika e chicungunha, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Com a guerra e a inflação renitente, o crescimento do comércio internacional deve cair para 1,7% neste ano, prevê a Organização Mundial do Comércio (OMC). Meu comentário:

sábado, 15 de agosto de 2020

Depressão da Pandemia é ameaça secular à economia mundial

Desde a Grande Depressão (1929-39), não havia tantas nações em recessão ao mesmo tempo. O comércio internacional, o desemprego e a desigualdade social dentro dos países e entre os países são indicadores da crise. 

A pandemia do novo coronavírus é uma ameaça secular, comparada à Gripe Espanhola de 1918 e à Grande Depressão de 1929-39, principal causa econômica da Segunda Guerra Mundial. 

Os esforços de mitigação incluíram confinamento e proibições de viagem. Para sustentar a economia, os governos mobilizaram mais de US$ 11 trilhões, cerca de R$ 59 trilhões.

Leia mais em Quarentena News.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Brasil tem 55 mil mortes e EUA batem recorde de casos novos

Com 40 mil casos novos em 24 horas, os Estados Unidos batem pelo segundo dia seguido o recorde de contaminação pela doença do coronavírus de 2019 e o Brasil chega a 55 mil mortes. 

Na Europa, na semana passada, o número de casos novos da pandemia aumentou pela primeira vez depois de meses, observou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No mundo inteiro, o total de casos confirmados passou de 9,71 milhões, com quase 492 mil mortes e 5,28 milhões pacientes curados. Os EUA têm 2,5 milhões casos confirmados e 126.780 mortes. 

Por causa da subnotificação e de ser o vigésimo quinto país em testes por habitante, o diretor do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), dr. Robert Redfield, estima que o número real de casos seja de pelo menos 16 milhões.

O número de casos na América Latina triplicou em um mês, passando de 2 milhões. Com mais 1.180 mortes em 24 horas, o Brasil soma um total de 55.054 mortes e mais de 1,233 milhão de casos confirmados.

O comércio internacional sofreu uma queda recorde de 12,1% em volume em abril, depois de uma queda de 2,4 em março, acumulando uma redução de 16,2%, de acordo com o Instituto Holandês de Análise de Política Econômica.

Mais 1,48 milhão de americanos pediram seguro-desemprego na semana passada, elevando o total desde o início da crise econômica gerada pela covid-19 para mais de 47 milhões.

No Brasil, o governo prorrogou por três meses a ajuda de emergência para pessoas sem renda.

Na Espanha, o governo apresentou um anteprojeto para regulamentar o trabalho em casa. Pela Lei do Trabalho à Distância, será voluntário e as empresas terão de pagar todos os custos diretos e indiretos, e respeitar os limites em horas da jornada de trabalho. 

Os trabalhadores terão o direito de negociar um horário flexível e à desconexão digital, para não ficar 24 horas ligados no ambiente de trabalho. Meu comentário:

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Brasil é o segundo país em novos casos e mortes por dia na pandemia

O Brasil chega a 203 mil casos registrados da covid-19, sendo 31 mil de profissionais de saúde, um recorde mundial. Com mais 13.761 novos casos, abaixo somente dos Estados Unidos, e mais 844 mortes num dia, novo recorde, o total de mortes chegou a 13.999. 

Em comparação, a Argentina, com uma população 4,7 vezes menor, teve um recorde de 23 mortes em 24 horas, elevando o total para 344 óbitos. 

Os Estados Unidos têm o maior número de novos casos. Foram mais 26,4 mil casos nesta quinta-feira. O total chegou a 1.457.593. Com mais 1.104 mortes em 24 horas, o total de óbitos está em 86.912. 

No mundo inteiro, são mais de 4,5 milhões de casos, mais de 303 mil mortes e mais de 1,705 milhão pacientes curados. O segundo país com o maior número de casos confirmados é a Espanha 272 mil. 

A estimativa é que 5% dos espanhóis tenham desenvolvido anticorpos contra o novo coronavírus, o que indica uma contaminação quase nove vezes maior, mas ainda está longe dos 60 por cento necessários para criar a chamada imunidade de rebanho, quando o ritmo de infecção cai porque muita gente criou anticorpos e não pega mais a doença. Meu comentário:

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

China reduz tarifas para amenizar impacto do coronavírus

A China vai cortar pela metade as tarifas sobre produtos importados dos Estados Unidos num valor anual de US$ 75 bilhões a partir de 14 de fevereiro. Nesta data, entra em vigor o acordo preliminar assinado pelos dois países para levar a uma trégua na guerra comercial entre suas economias, as duas maiores do mundo. 

A República Popular da China espera assim diminuir o impacto negativo sobre a economia do país da epidemia do novo coronavírus e se preparar para renegociar os termos do acordo, se o problema de saúde causar prejuízos ainda maiores. 

A medida provocou alta nas bolsas de valores ao reduzir o temor dos investidores de uma desaceleração mais forte da economia mundial. Pelo acordo, a China se comprometeu a comprar mais 200 bilhões de dólares em produtos americanos nos próximos dois anos. Meu comentário:

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Comércio internacional sofreu forte queda em setembro

Uma forte baixa no comércio global em setembro reduz as chances de uma retomada mais forte da economia internacional, abalada pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, parte de uma confrontação estratégica pela supremacia mundial que deve durar décadas.

O volume global do comércio exterior caiu 1,3 por cento em setembro em relação a agosto, depois de uma pequena expansão de meio por cento em agosto. A queda de setembro anulou os ganhos dos dois meses anteriores, quando havia uma expectativa de que as duas maiores economias do mundo chegariam logo a um acordo preliminar.

“Enquanto as negociações permaneceram com perspectivas no máximo mistas, o comércio continuará travado”, comentou o economista Timme Spakman, do banco ING.

Em relação ao ano passado, o comércio em setembro foi 1,1 por cento menor do que em setembro de 2019. Foi o quarto mês seguido em que a comparação anual registrou queda.

Os principais responsáveis foram os Estados Unidos e a China. Em setembro, o volume de importações dos Estados Unidos caiu 2,1 por cento relação a agosto. Na China, a baixa foi de 6,9 por cento.Meu comentário:

terça-feira, 15 de outubro de 2019

FMI alerta para desaceleração da economia global

O Fundo Monetário Internacional adverte: o crescimento mundial neste ano será o menor desde a Grande Recessão, a crise internacional de 2008 e 2009, e atribui a desaceleração às guerras comerciais do presidente Donald Trump e há outros riscos políticos que minam a confiança de empresários, investidores e consumidores.

A nova diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, prevê crescimento menor em 90% do mundo. Ela disse que a economia global está em desaceleração sincronizada. A Brooking Institution, um centro de pesquisas dos Estados Unidos, fala em estagnação sincronizada.

Os tarifaços de Trump e as respostas da China, na base do olho por olho dente por dente, minaram a confiança de empresários, investidores e consumidores, deixando o comércio internacional praticamente estagnado, pressionando os bancos centrais a baixar as taxas de juros para ancorar o crescimento. 

Na sua Perspectiva EconômicaMundial, divulgada duas vezes por ano, o FMI pede hoje o fim urgente das hostilidades para restaurar a confiança na economia global. Meu comentário:

domingo, 12 de maio de 2019

Complexo industrial militar da China resiste a pressões dos EUA

O presidente Donald Trump e o ditador Xi Jinping devem se encontrar durante a reunião de cúpula do Grupo dos 20 em Osaka, no Japão, em 28 e 29 de junho, para tentar acabar com a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, noticiou o jornal inglês Financial Times. A deterioração das negociações fortalece os falcões dos dois lados.

Além de aumento das importações chinesas para reduzir um déficit comercial de US$ 419 bilhões em 2018, os EUA exigem o fim da pirataria industrial, com respeito à propriedade intelectual e o fim da transferência forçada de tecnologia, fim da discriminação a empresas americanas no mercado chinês, cortes de subsídios estatais e fim da manipulação do câmbio. É uma mudança no modelo econômico, do capitalismo de Estado que tornou o país numa superpotência.

Um acordo parecia iminente quando Trump ameaçou, no domingo passado, aumentar de 10% para 25% as tarifas sobre produtos importados da China no valor de US$ 200 bilhões por ano e, se os chineses não cederem, aplicar a mesma alíquota para outras importações, no valor de US$ 325 bilhões. Na sexta-feira, cumpriu a primeira parte da ameaça.

Quando o regime comunista chinês exige "respeito mútuo" diante do tarifaço de Trump, fala a voz da linha dura e do complexo industrial militar. Do outro lado, o ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon escreveu no jornal The Washington Post que "os EUA estão em guerra econômica com a China. É fútil fazer acordo."

"Espero que as negociações fracassem", torce o coronel reformado da Força Aérea da China Dai Xu, professor da Universidade Nacional de Defesa da China, citado pelo jornal inglês Financial Times. "Quando as negociações forem abandonadas, os EUA estarão acabados... Expulsamos todas as empresas americanas e trazemos as nossas de volta... De jeito nenhum, Trump será reeleito."

O professor Dai falava num fórum cívico-militar sobre tecnologias de uso duplo organizado por empresas do setor de defesa, na maioria estatais, para incentivar parcerias no desenvolvimento tecnológico.

As empresas chinesas aproveitam a oportunidade para apresentar numa feira seus últimos lançamentos de alta tecnologia militar, como protótipos de drones, mísseis subaquáticos e robôs tipo tanques em miniatura para escanear a estrutura subterrânea das estradas.

Enquanto é flexível nas negociações comerciais com os EUA para preservar o acesso a um mercado que importou US$ 539 bilhões da China no ano passado, o regime chinês tenta passar para seus cidadãos uma imagem de firmeza.

"Xi está muito preocupado com sua autoridade", observou o comentarista Wu Qiang, ex-professor de ciência política da Universidade Tsinghua, "não quer ser visto como Yuan Shikai", que foi primeiro-ministro no Império e presidente da República, acusado de ter feito concessões demais às potências ocidentais.

O objetivo da linha-dura chinesa é ter um sistema de defesa "autônomo e controlável". Isso significa desenvolver sua própria tecnologia militar e suas cadeias produtivas.

Nos EUA, o representante comercial Robert Lighthizer e o assessor para indústria da Casa Branca, Peter Navarro, vem a China como uma força predadora no comércio internacional que só vai ceder sob pressão máxima. São considerados negociadores linha-dura, em contraste com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o assessor econômica da Casa Branca, Larry Kudlow, mais flexíveis.

"Endurecer com a China para trazer empregos industriais de volta para os EUA estava no centro da marcha eleitoral do presidente Trump pelo Cinturão da Ferrugem em sua vitória em 2016. Hoje, a meta do grupo de radicais que governa a China - o Partido Comunista Chinês - é ser a potência hegemônica global", afirmou Bannon.

"Mas", ressalvou, "enquanto Washington e Beijim concluem um acordo neste mês depois de meses de negociações, o que quer que emerja não será um acordo comercial. Será uma trégua numa guerra econômica e estratégica de muitos anos com a China."

Com este discurso, a linha dura chinesa não tem dúvida: "Os EUA nos veem abertamente como seu maior inimigo", declarou o coronel-aviador Tan Yungang, "Os EUA vão bloquear o desenvolvimento da China mais do que fizeram com a União Soviética." Ele acredita que Washington está impondo uma série de "bloqueios tecnológicos" para manter seu domínio.

O tarifaço seria uma manobra "intencional" forçar as cadeias produtivas a voltarem para os EUA, a Europa e o Japão. Esta impressão foi reforçada por um tuíte de Trump dizendo que quem não quiser pagar impostos de importação deve produzir nos EUA. É o clássico discurso antiglobalização, como se os EUA não se beneficiassem com o comércio internacional.

A prisão no Canadá, com pedido de extradição para os EUA, da diretora financeira e filha do fundador da Huawei, Meng Wanzhou, "foi completamente fabricada para conter" o crescimento da maior companhia fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo, na visão do coronel Tan.

"Os EUA estão descendo ladeira abaixo e berram alto num sinal de declínio", criticou o secretário-geral do Centro de Ciências da China na Academia Internacional de Ciências da Eurásia, Liu Honghai.

Liu a defende a criação de um bloco de nações liderado pela China a partir da Iniciativa Um Cinturão Uma Estrada, um gigantesco programa de obras de infraestrutura ao longo do antigo Caminho da Seda. É um marco do imperialismo econômico chinês.

A China é acusada de fazer uma "diplomacia de talão de cheques" para dominar países em desenvolvimento através do endividamento. No mês passado, Xi assinou contratos com outros países no valor de US$ 64 bilhões.

"Por muito tempo, a China comunista vem trapaceando no comércio com os EUA", argumenta o jornalista Lou Dobbs, da televisão Fox Business, um aliado do tarifaço. "O presidente Trump deixou claro: o fracasso de presidentes anteriores de representar os interesses dos EUA acabou."

Ao atacar a globalização, o sistema multilateral e até mesmo os aliados dos EUA, que seriam úteis no conflito econômico com a China, Trump indica acreditar num mundo dividido em esferas de influência de grandes potências militares: EUA, China e Rússia.

"O mundo em que estamos entrando não será uma era de paz e desenvolvimento, será uma era de separação estratégica", prevê Yu Shiguang, da Associação de Investimentos na China, um órgão governamental. "O trumpismo não é apenas o imperialismo americano, é 'EUA primeiro', mais selvagem, mais sangrento e mais guerreiro."

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Trump ameaça China com tarifas de US$ 100 bilhões

Em uma escalada no conflito com a China capaz de levar a uma guerra comercial, o presidente Donald Trump ameaçou ontem impor tarifas de importação sobre produtos chineses no valor de US$ 100 bilhões (R$ 337 bilhões) por ano. Foi sua resposta ao anúncio chinês de impor tarifas de 25% sobre 106 produtos importados dos Estados Unidos, num valor anual de US$ 50 bilhões (R$ 168 bilhões).

Se esses anúncios eram vistos como instrumentos para negociar, ao dobrar a aposta, Trump não dá sinais de ceder: "Em vez de remediar sua má conduta, a China escolheu prejudicar nossos fazendeiros e industriais", protestou Trump.

"À luz da injusta retaliação chinesa, instruí [o representante comercial dos EUA] a considerar se seriam apropriadas tarifas adicionais de US$100 bilhões e, se tal, identificar os produtos para impor estas tarifas", acrescentou o presidente americano.

O conflito comercial começou quando Trump decidiu impor tarifas de 25% sobre as importações de aço e de 15% sobre as de alumínio e, em seguida, isentou aliados dos EUA, mas não a China. O governo chinês reagiu anunciando aumento de tarifas sobre 128 produtos importados dos EUA, quase todos do setor primário, no valor de US$ 3 bilhões (R$ 10 bilhões) por ano, mas deixou claro que não tem interesse numa guerra comercial que "não interessa à China, nem aos EUA, nem à economia global".

Quando o problema parecia se encaminhar para negociações, Trump anunciou há três dias uma retaliação no valor anual de US$ 50 bilhões sobre 1.333 produtos chineses com foco em setores de alta tecnologia. Parece uma jogada para conter o desenvolvimento tecnológico chinês e manter a supremacia dos EUA como maior potência mundial. O presidente alegou que há décadas a China rouba a propriedade intelectual dos EUA.

A China respondeu rapidamente na mesma moeda. Na quarta-feira, decidiu impor tarifas no valor de US$ 50 bilhões por ano, com foco em produtos agrícolas e industriais de estados onde o Partido Republicano venceu as últimas eleições.

De olho nas eleições no meio de seu mandato, em novembro deste ano, Trump pediu ao Departamento da Agricultura que "implemente um plano para proteger nossos fazendeiros e interesses agrícolas". É uma preparação para um conflito prolongado.

Nesta sexta-feira, o Ministério do Comércio chinês repetiu que "a China não quer uma guerra comercial, mas não tem medo de travar uma guerra comercial". Está pronta a aumentar a aposta e pagar para ver. Já recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC).

O governo Trump está dividido. O secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, defende negociações para reduzir o saldo comercial chinês no comércio bilateral, que no ano passado chegou a US$ 375 bilhões (R$ 1,263 trilhão), enquanto o novo secretário de Estado, Mike Pompeo, e o novo assessor de Segurança Nacional, John Bolton, ambos da linha dura, querem confrontar a China.

A estratégia de Trump visa a reduzir um déficit comercial, que em fevereiro chegou a US$ 57,6 bilhões (R$ 194 bilhões), sendo US$ 34,7 bilhões (R$ 117 bilhões) só no comércio com a China.

No momento, o Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, cai mais de 400 pontos por medo de uma guerra comercial entre as maiores economias do mundo, capaz de levar a economia mundial a uma nova recessão. O mercado já se acostumou com o sobe e desce. Na era Trump, a volatilidade é o normal.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Trump inicia guerra comercial

Ao impor tarifas de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre as importações de alumínio, o presidente Donald Trump deflagrou uma guerra comercial em escala global. Os maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos, a China, a União Europeia e o Canadá ameaçam impor tarifas retaliatórias sobre exportações americanas.

Diante da ameaça de um grande conflito comercial, o Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, caiu 586 pontos. Teve uma recuperação, mas terminou o dia em queda de 380 pontos (1,5%). O índice amplo Standard & Poor's 500 e a bolsa de ações de alta tecnologia Nasdaq fecharam em queda de 1,3%.

O dia começou com boas notícias. O número de novos pedidos de seguro-desemprego caiu na semana encerrada em 24 de fevereiro em 10 mil para 210 mil. É o menor desde 1969. O índice dos gerentes de compras do Institute for Supply Management chegou a 60,8, a maior leitura desde maio de 2004.

Com o anúncio inesperado de Trump impondo tarifas pesadas em nome da "segurança nacional" e da proteção de empregos nos EUA, repudiadas pelos deputados e senadores liberais economicamente do Partido Republicano e pelas grandes empresas transnacionais americanas, o mercado desandou.

Em consequência, o Índice Dow Jones voltou a ficar negativo para o ano. A Nasdaq registra alta de 4%. "Os comerciantes estão focando na questão das tarifas, enquanto os investidores estão olhando para o aumento dos lucros, a inflação baixa e as taxas de juros bastante baixas."

O Brasil, onde o aço representa 3% das exportações, ameaça recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) junto com outros países prejudicados. Mas Trump pode rejeitar a decisão e romper com a OMC, uma criação americana para promover o livre comércio e resolver conflitos comerciais, como ameaçou fazer tantas vezes, sob a alegação de que diminui a soberania dos EUA para negociar acordos internacionais.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Economia e comércio internacionais devem crescer em 2018

De acordo com a última Perspectiva Econômica Mundial do Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia mundial deve crescer 3,7% em 2018, com notáveis altas no investimento, no comércio internacional e na produção industrial. 

O Brasil tem boas oportunidades para participar neste novo ciclo de expansão se o próximo governo equilibrar as contas públicas, avalia o economista Paulo Sérgio Wrobel, professor do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

"A economia mundial deve crescer e também o comércio internacional. A China deve continuar crescendo quase 7% ao ano, os Estados Unidos devem crescer 2,5% a 3%, a Europa está crescendo, assim como o Japão", prevê o professor. O próximo teste para a Zona do Euro serão as eleições de março na Itália.

Com o mercantilismo do presidente Donald Trump, "a agenda comercial ficou mais difícil", acrescenta o pesquisador, "mas há razoáveis perspectivas de sucesso nas negociações do Mercosul com a União Europeia. Também negocia com o Canadá."

As negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) devem avançar, sem qualquer concessão importante aos retirantes. Se os britânicos quiserem um acordo como o da Noruega, terão de obedecer a todas as regras do mercado comum europeu. Se optarem pela fórmula do Canadá, terão livre comércio de mercadorias, mas não de serviços, o setor mais forte da economia britânica.

Na América Latina, "haverá eleições de extrema importância no Brasil e no México. Bem ou mal, com este governo atual, o país deve ter um crescimento de 3%. O Brasil tem chance de pegar a nova maré positiva da economia internacional. Para isso, é preciso eleger um presidente minimamente razoável. O ministro Henrique Meirelles é um craque. Talvez fosse o caso de mantê-lo na Fazenda", raciocina o professor Wrobel.

"A principal eleição é no México. O poder do tráfico assusta e é um alerta para o Brasil. Há uma chance para o populista Andrés Manuel López Obrador", comenta o pesquisador. O eterno candidato da esquerda pode ser beneficiado por uma decisão do presidente Trump de retirar os EUA do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

"Tanto o México quanto o Canadá mandaram seus melhores negociadores", nota Wrobel. "Não vão aceitar mudanças só no sentido que os EUA queiram. Tudo depende da posição americana. Ainda é uma incógnita."

Em Cuba, "chega ao fim o governo dos irmãos castro (1959-2018), mas não é o fim do castrismo nem da ditadura. Todos os nomes mais moderados foram afastados. É uma tentativa de consolidação do castrismo sem Castro", afirma o professor do IRI. O mais provável sucessor é o vice-presidente Miguel Díaz-Canel.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Trump baixa decretos para combater déficit comercial

Para combater o déficit comercial dos Estados Unidos, de mais meio trilhão de dólares, o presidente Donald Trump assinou hoje dois decretos anunciados ontem o secretário do Comércio, Wilbur Ross, e o diretor do Conselho Nacional de Comércio, Peter Navarro, confirmou há pouco o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer.

O comércio desleal foi um dos principais temas da campanha eleitoral de Trump. Ele prometeu combater a transferência da produção para outros países e renegociar acordos comerciais que considera injustos e lesivos aos interesses dos EUA.

O primeiro decreto autoria do Departamento de Comércio a investigar as causas do déficit comercial com vários países: China, Japão, Alemanha, México, Irlanda, Vietnã, Itália, Coreia do Sul, Malásia, Índia, Tailândia, França, Suíça, Taiwan, Indonésia e Canadá. O objetivo é identificar práticas desleais que possam justificar medidas retaliatórias como aumento do imposto de importação ou outras barreiras.

A segunda medida visa a fortalecer a capacidade das alfândegas de cobrar tarifas antidumping e direitos compensatórios. Pelos cálculos de Navarro, um dos grandes inimigos do livre comércio no governo Trump, cerca de US$ 2,8 bilhões deixaram de ser recolhidos desde 2001 por avaliações insuficientes e falta de obrigação de recolher o imposto de importação na fronteira.

Trump baixou os decretos uma semana antes de seu primeiro encontro de cúpula com o presidente da China, Xi Jinping, marcado para 6 e 7 de abril na residência de verão de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida. Ross e Navarro insistiram que Trump cumpre uma promessa de campanha, por isso as medidas não teriam como alvo específico a China, informou a televisão americana CNN.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Globalização recua com a crise no Ocidente

Diante da aprovação da saída do Reino Unido na União Europeia no plebiscito de 23 de junho de 2016 e da vitória do nacionalismo de Donald Trump na eleição presidencial nos Estados Unidos, fica evidente a reação negativa das classes média e baixa com as perdas sofridas pelo processo de globalização econômica.

Enquanto a renda dos ricos que vendem para o mercado mundial cresce exponencialmente, a renda dos trabalhadores não registra aumentos significativos há décadas nos países ocidentais, fomentando reações nacionalistas e protecionistas que ameaçam a ordem internacional liberal construída sob a liderança dos EUA desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Desde a Grande Recessão, o crescimento do comércio internacional caiu sensivelmente. O valor das transações de bens e serviços subiu cerca de 60% de 2005 a 2015, mas sofreu uma forte queda no ano passado, depois de avanços medíocres de 2011, quando se agrava a crise da UE, a 2014, indicam dados da OMC (Organização Mundial do Comércio).

A principal causa da queda no ano passado foi a redução de 45% nos preços de energia. O comércio exterior sofreu uma baixa de quase 20% em 2009, no auge da crise econômica e financeira internacional. Recuperou-se nos anos seguintes, com avanços de 20% em 2010 e de mais de 15% em 2011. Ficou praticamente estagnado em 2012 e cresceu em média 2,2% em 2013 e 2014.

No ano passado, o valor das exportações caiu em mais de 10% e as importações um pouco abaixo disso.

A América do Norte, a Ásia e a Europa foram responsáveis por mais de 88% do comércio de bens entre os agora 164 países-membros da OMC nos últimos dez anos. As dez maiores potências comerciais são responsáveis por 52% do comércio internacional.

Mesmo assim, a participação dos países em desenvolvimento subiu de 33% em 2005 para 42% em 2015. O comércio entre países em desenvolvimento passou de 41% para 52% de seu comércio total. E a participação das economias em desenvolvimento chegou a 42% do comércio internacional de bens em 2015.

No setor de serviços, as dez maiores potências fizeram 53% das transações internacionais e os países em desenvolvimento 36%. A exportação de serviços somou US$ 4,68 trilhões em 2015.

Por ironia da história, com o sucesso da campanha nacionalista e protecionista do presidente eleito Donald Trump nos EUA, coube ao líder da China comunista, Xi Jinping, a defesa do livre comércio durante a reunião de cúpula anual do fórum Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC), realizada no fim de semana em Lima, no Peru.

As reuniões de cúpula da APEC começaram no governo Bill Clinton, em 1993, marcando uma virada dos EUA para o Oceano Pacífico, onde estão hoje as economias mais dinâmicas do mundo. O presidente Barack Obama tentou institucionalizar as regras do comércio na região com a Parceria Transpacífica (TTP). Diante da rejeição de Trump, o atual governo parou o processo de ratificação no Congresso dos EUA.

Trump promete renegociar os acordos comerciais dos EUA, que considera lesivos, e ameaça impor tarifas pesadas às importações da China, responsáveis pela maior parte do déficit comercial americano, que no ano passado foi de US$ 532 bilhões. Corre o risco de deflagrar uma guerra comercial de consequências negativas e imprevisíveis.

O presidente eleito ignora as lições da história. Ao mesmo tempo, a integração europeia, um projeto para suplantar os nacionalismos culpados por duas guerras mundiais, um modelo para uma globalização social-democrata em que os ricos financiem o desenvolvimento das regiões mais pobres, enfrenta sua pior crise.

No fim da Segunda Guerra Mundial, o presidente Franklin Delano Roosevelt lançou as bases da ordem internacional econômica liberal do pós-guerra na Conferência de Bretton Woods, em 1944, criando o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e o sistema multilateral de comércio.

Roosevelt sabia que o esforço de guerra havia sido decisivo para acabar com a Grande Depressão (1929-39), a maior crise da história do capitalismo. Temia a volta da depressão e conflitos comerciais capazes de deflagrar uma nova guerra mundial.

Assim, o FMI socorreria países em dificuldades com o balanço de pagamentos para que não abandonassem o comércio internacional. O Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, hoje mais conhecido como Banco Mundial, financiou a recuperação no pós-guerra e depois passou a financiar o desenvolvimento.

A globalização não vai acabar porque é consequência do desenvolvimento das tecnologias de comunicações e de transportes. Só pode ser destruída por uma guerra nuclear de grandes proporções. Na era da Internet, o mundo está cada vez mais conectado.

Mas a volta do nacionalismo nos EUA de Trump, na China de Xi, na Rússia de Vladimir Putin, na Índia de Narendra Modi, no Reino Unido de saída da UE e a ascensão da extrema direita na Europa criam um mundo menos solidário, mais instável e perigoso.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Banco Mundial reduz previsão de crescimento para 2016

O Banco Mundial reduziu hoje para baixo sua previsão para o crescimento da economia mundial em 2016, de 2,9% para 2,4%, por causa da queda nos preços das matérias-primas, do esfriamento da demanda nos países ricos, da fraqueza do comércio internacional e da diminuição dos fluxos de capital.

"A economia mundial está sujeita a sérios riscos", adverte um relatório semestral Prospectos para a Economia Mundial citando ameaças geopolíticas e a volatilidade financeira. A expectativa para 2017 foi cortada em 0,3 ponto percentual para 2,8%.

Na análise do banco, um problema central é a queda nos preços das matérias-primas, principais fontes de renda dos países em desenvolvimento: "Os mercados emergentes e os países em desenvolvimento exportadores de produtos primários não conseguiram se adaptar à fraqueza nos preços do petróleo e de outros produtos essenciais."

Os países emergentes devem crescer 3,5%, com destaque para a Índia (7,6%) e a China (6,7%). Já o Brasil e a Rússia terão recessões mais profundas do que previsto anteriormente pelo Banco Mundial. A previsão para os Estados Unidos foi reduzida em 0,8 ponto percentual para 1,9%.

Para o Brasil, a expectativa é de -4% (-1,5 em relação à previsão anterior, seis meses atrás) em 2016, -0,2% (-1,6) em 2017 e 0,8% (-0,7) em 2018.

"Em 2015, a América Latina e o Caribe viram sua primeira contração desde a crise financeira. Em 2016, esta recessão deve se aprofundar. O produto interno bruto regional deve declinar 1,3% em 2016 depois de encolher 0,7%. Mas há uma grande heterogeneidade entre suas três sub-regiões", observa o relatório.

"Na América do Sul, grande exportadora de petróleo e metais, que estão em baixa, a incerteza política, a crescente aversão global ao risco e políticas de juros altos contribuíram para a contração da atividade econômica em 2015", acrescenta o Banco Mundial.

"No Brasil, a maior economia da América Latina e do Caribe, o PIB encolheu cerca de 3,8% em 2015 na pior recessão em décadas. A confiança do investidor desabou em parte devido às incertezas cercando as investigações da Lava Jato e o processo de impeachment contra a presidente.

"A depreciação substancial do real em relação ao dólar de mais de 30% em 2015 e a remoção dos subsídios à energia elevaram a inflação para cerca de 10%. Para reancorar as expectativas de inflação, o Banco Central mantém uma política monetária apertada apesar da queda na produção, e a expectativa é que daqui a um a inflação volte para a banda de flutuação da meta.

"A inflação elevada e o aumento do desemprego erodiram a renda real e pesaram sobre o consumo doméstico, enquanto o investimento em capital fixo está em declínio acentuado desde 2014", concluem os analistas do banco.

terça-feira, 3 de maio de 2016

FMI reduz previsão de crescimento para China e Japão

A China e o Japão, segunda e terceira maiores economias do mundo, devem crescer menos neste ano e no próximo, mas a expansão da Ásia vai continuar forte, com o consumo interno compensando a desaceleração do comércio mundial, previu hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em 2016, a expectativa do FMI é de um avanço de 6,5% na China e de 0,5% no Japão. No próximo ano, a China deve crescer 6,2% e o Japão recuar 0,1%. As políticas de estímulo, a queda nos preços das matérias-primas e o desemprego baixo vão manter o crescimento no resto da região.

Os maiores problemas são o fraco desempenho dos países ricos, a desaceleração do comércio internacional e a volatilidade nos mercados financeiros. Mesmo assim, o Fundo espera um crescimento de 5,3% para a Ásia, uma pequena redução dos 5,4% previstos na estimativa anterior.

"A Ásia continua sendo a região mais dinâmica do mundo, mas ela encara fortes ventos contrários devidos à fraqueza da recuperação mundial, à desaceleração do comércio internacional e ao impacto em curto prazo da transição econômica chinesa", diz o relatório do FMI. "Para aumentar a resistência aos riscos globais e manter o dinamismo, os tomadores de decisões devem fazer reformas estruturais para aumentar a produtividade e usar a fiscalidade para sustentar a demanda."

Na China, o maior desafio é a transição do modelo baseados no investimento e na importação para uma economia sustentada pelo consumo no mercado interno. O Japão voltará a recuar por causa do esperado aumento do imposto sobre consumo para tentar equilibrar as contas públicas. A dívida interna japonesa chegou a 246% do produto interno bruto. O envelhecimento da população é outro problema de longo prazo para o Japão.

Com a notícia da desaceleração das grandes potências econômicas da Ásia, o dólar está em alta hoje no mercado internacional. No Brasil, sobe mais de 2% para R$ 3,57.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Comércio internacional sofre maior queda desde auge da crise

Com a queda na demanda nos países emergentes, abalados pela queda nos preços dos produtos primários, o comércio internacional sofreu em 2015 sua maior queda desde o auge da Grande Recessão, em 2009. O valor dos bens negociados no ano passado caiu 13,8% em dólares, informou o Monitor do Comércio Mundial do Escritório de Análises de Política Econômica da Holanda.

Os dados divulgados ontem são a primeira radiografia do comércio em 2015. A maior parte da queda se deve à desaceleração na China e à crise em outros países emergentes, como o Brasil. Ao mesmo tempo, os números são um alerta para riscos da economia mundial em 2016, quando a situação está se deteriorando ainda mais.

As exportações da China para o Brasil em contêineres caíram 60% em janeiro de 2016 em relação a janeiro de 2015, enquanto o volume total de importações chinesas do Brasil foi reduzido à metade, pelos cálculos da empresa Maersk Line, maior empresa de transporte marítimo de cargas do mundo.

Em volume, o comércio internacional cresceu 2,5% no ano passado. Mesmo assim, ficou abaixo do crescimento mundial, de 3,1%. Antes da crise de 2008, o comércio avançava num ritmo duas vezes mais forte do que o crescimento.

Essas preocupações estão no centro da reunião de dois dias de ministros das Finanças e diretores de bancos centrais dos países do Grupo dos Vinte (G-20), que reúne os 19 países mais ricos do mundo e a União Europeia (UE). O presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, adverte para o risco da economia mundial "ficar presa numa armadilha de baixo crescimento, inflação baixa e taxas de juros baixas".

Há um consenso de que a ação dos bancos centrais não basta para superar a crise. Isso depende de uma ação mais decidida das autoridades políticas para mobilizar recursos para estimular o crescimento.

A boa notícia para o Brasil é o aumento das exportações para a Ásia, beneficiadas pela baixa de 40% na cotação do real em relação ao dólar nos últimos 12 meses.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Câmara aprova Lei Agrícola dos EUA e mantém subsídios

Por 251 votos contra 166, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou hoje uma nova Lei Agrícola que vai custar US$ 100 bilhões por ano ao governo federal americano. Os cortes de gastos, que deveriam somar US$ 2,3 bilhões por ano, foram limitados a US$ 1,65 bilhão.

Houve um corte de US$ 800 milhões na verba para cupons de alimentação, mas foram mantidos os generosos subsídios aos produtores rurais que o Brasil e outros países em desenvolvimento acusam de distorcer o comércio internacional. O projeto vai agora para o Senado. A Casa Branca antecipa que o presidente Barack Obama não vai vetá-lo nos termos atuais, noticiou o jornal The Washington Post.

A nova lei corta US$ 4,5 bilhões em subsídios dados como pagamento direto aos agricultores e fazendeiros quer eles produzam ou não. Os produtores rurais precisarão ter prejuízo e pedir indenizações. As principais colheitas - milho, soja, trigo, arroz e algodão - continuarão a ser fortemente subsidiadas, apesar do déficit orçamentário dos EUA.

sábado, 11 de junho de 2011

Comércio Sul-Sul tem espaço para crescer

O desenvolvimento sustentado de grandes países em desenvolvimento está criando uma nova economia mundial onde há grande potencial da expansão do comércio porque as barreiras alfandegárias entre os chamados países do Sul ainda são muito altas, avaliou ontem o economista Regis Avanthay, do Centro de Desenvolvimento da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

As transações entre economias em desenvolvimento passaram de 7% para 19% do comércio internacional, disse ele no seminário A agenda econômica internacional do Brasil - desafios para os próximos anos, realizado no Rio de Janeiro para comemorar o quinto aniversário do Cindes (Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento).

Esses países devem crescer mais nos próximos anos, e não apenas porque estão num estágio mais atrasado, observa Avanthay: "As dívidas públicas dos países em desenvolvimento estão estáveis, em menos de 40% do PIB, enquanto nos países ricos cresce para mais de 100%" de toda a riqueza que o país produz num ano.

"Há uma nova geografia do desenvolvimento", observou, com a ressalva de que "o investimento estrangeiro direto ainda vai para um número limitado de países."

Em suas pesquisas, ele não conseguiu chegar a uma conclusão definitiva sobre a relação entre desvalorização da moeda e aumento do investimento externo, sugerindo que há outros fatores importantes que pesam na competitividade de um país.

Outra questão é se a formação de blocos regionais é uma ajuda ou empecilho ao comércio internacional. O economista da OCDE acredita que eles são úteis ao impor uma disciplina que melhore o ambiente econômico doméstico, leve ao desenvolvimento de estratégias regionais conjuntas e aumente o poder de barganha em negociações internacionais.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Protecionismo cresce no G-20

Apesar das promessas em contrário no auge da crise, o protecionismo está em alta no Grupo dos 20 (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia). O relatório Global Trade Alert adverte que seus países são responsáveis por 101 das 141 medidas protecionistas que prejudicam os países menos desenvolvidos.

Os principais responsáveis são os países em desenvolvimento do G-20.