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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Governo Trump revoga visto de embaixadora em apoio ao neofascismo

Ao revogar o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, o governo Donald Trump ataca o Brasil mais uma vez, numa interferência direta no processo eleitoral para ajudar o candidato da extrema direita.

A medida vem depois da visita do candidato Flávio Bolsonaro à Casa Branca, do enquadramento do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas, dos novos tarifaços que deixam o Brasil atrás apenas da China na guerra comercial de Trump e da tentativa de enviar representantes do Departamento de Estado norte-americano para questionar o sistema eleitoral brasileiro.

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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Trump amplia guerra comercial contra Brasil e outros países

Um novo tarifaço de 10% a 12,5% entrou em vigor hoje contra 59 países, inclusive o Brasil, e a União Europeia sob a alegação de que exportam para os Estados Unidos produtos feitos com trabalhos forçados. Somando com o tarifaço de 25% anunciado na semana passada, muitos produtos brasileiros vão ser taxados em 37,5% para entrar no mercado norte-americano.

Sob a alegação de combater o trabalho escravo, na verdade, Trump tenta recompor o caixa do Tesouro depois que a Suprema Corte dos EUA considerou ilegais tarifas que arrecadaram US$ 166 bilhões no ano passado.

Como Trump só respeita quem o desafia e nunca quem se submete, o Brasil tem a obrigação de retaliar, mas deve agir com inteligência, com foco nas isenções, que são produtos que os EUA não fabricam e que dependem da importação.

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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Tarifaço de Trump é interferência direta nas eleições no Brasil

Ao aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil a partir de 22 de julho, o governo Donald Trump toma mais uma medida para interferir diretamente no resultado das eleições. Como os Estados Unidos têm saldo positivo no comércio com o Brasil, não há razões econômicas para o tarifaço. É uma jogada política para ajudar candidatura de extrema direita do senador Flávio Bolsonaro, o tariflávio.


Há mais de 2.100 produtos isentos, especialmente o que os EUA não produzem ou não produzem em quantidade suficiente para suprir o consumo interno, entre eles carnes, café, suco de laranja e partes para fabricar aviões. Serão atingidos mais de 4 mil produtos, 18% das exportações brasileiras para os EUA, inclusive calçados, móveis e máquinas.

Desde o início da guerra comercial de Trump no ano passado, as exportações para os EUA caíram de 11% para 9% das vendas ao exterior do Brasil, enquanto subiram 17% as vendas para a China. 

Assim, se o objetivo central de Trump é reduzir a influência chinesa na América Latina, o tarifaço é totalmente contraproducente. Mesmo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ganhe as eleições, os empresários que fazem negócios com a China vão continuar fazendo negócios com o Brasil.

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domingo, 17 de maio de 2026

Xi Jinping chama EUA de império decadente

A primeira viagem do presidente Donald Trump à China no segundo mandato foi adiada em um mês por causa da guerra no Irã. Os Estados Unidos chegaram enfraquecidos pelo fracasso da guerra contra o Irã e da guerra comercial. O ditador Xi Jinping colocou a questão de Taiwan, a ilha que a China considera uma província rebelde como o maior problema entre os dois países e chamou os EUA de império decadente.

O diálogo dos líderes mais poderosos do mundo em si é importante, mas não houve avanços significativos nos problemas que dividem as grandes potências. Há uma trégua na guerra comercial. Trump pediu ajuda para acabar com a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã e reabrir o Estreito de Ormuz. 

A China tem interesse no fim da guerra e na liberação do estreito, mas não em livrar o rival estratégico de problemas. Xi cobrou em troca um compromisso dos EUA de que não vão interferir na reintegração de Taiwan mesmo se Beijim usar a força.

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Suprema Corte impõe primeira grande derrota a Trump

Por 6 a 3, a Suprema Corte dos Estados Unidos restaurou em parte na sexta-feira a ordem constitucional e o equilíbrio entre os poderes ao decidir que o presidente Donald Trump não poderia deflagrar sua guerra comercial com base na Lei de Poderes de Emergência Econômica Internacional. Criar impostos e impor tarifas de importação são da competência do Congresso.

Ao reagir à decisão do supremo tribunal dos EUA, Trump insultou os ministros, falou em "desgraça para a nação" e anunciou um aumento da tarifa mínima para importações para o país de 10% para 15%. Sua política econômica foi derrubada e ele usava as tarifas como instrumento de política externa para outras questões.

Trump deflagrou sua guerra comercial contra o resto do mundo (foto), inclusive ilhas habitadas só por focas e pinguins, em 2 de abril, que chamou de Dia da Libertação. Agora, terá de renegociar os acordos fechados nos últimos meses e possivelmente devolver o dinheiro a empresas e consumidores norte-americanos.

Um estudo publicado no jornal inglês Financial Times aponta o Brasil como maior beneficiário da decisão da Suprema. Calcula que a tarifa média sobre importações brasileiras vai cair 13,6 pontos percentuais.

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Trump ataca democracia e destrói ordem mundial

Em um ano de desgoverno, com ataques sem precedentes às instituições nacionais e internacionais, o presidente Donald Trump desafiou a democracia nos Estados Unidos e bombardeou a ordem internacional liberal, o sistema multilateral de comércio e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), considera a aliança militar mais bem-sucedida da história.

Do perdão a mais de 1,5 mil criminosos que participaram do assalto ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 numa tentativa de golpe de Estado ao envio de tropas federais e da polícia de imigração para aterrorizar imigrantes e às ameaças de anexar o Canadá, ocupar a Groenlândia e retomar o Canal do Panamá, Trump extrapolou todos os limites do poder presidencial.

Além de hostilizar aliados históricos que ampliam o poder dos EUA no mundo, Trump declarou uma guerra comercial contra todos, inclusive ilhas habitadas apenas por focas e penguins. A China, a principal inimiga, resistiu e teve um saldo comercial recorde de US$ 1,2 trilhão.

Trump alega que merece o Prêmio Nobel da Paz por ter acabado com oito guerras. Até agora, só num caso chegou a um acordo capaz de levar a uma paz duradoura. Infantil emocionalmente, escreveu ao primeiro-ministro da Noruega para dizer que não pensa mais só na paz porque não ganhou o prêmio. É uma desgraça para os EUA e para o mundo.

Depois da gravação, Trump anunciou um acordo negociado pelo secretário-geral da OTAN para que os EUA tenham mais bases militares na Groenlândia. Já tiveram 17 durante a Guerra Fria, com base num tratado firmado em 1951 com a Dinamarca. Com o fim da União Soviética, deixaram só uma.

As empresas norte-americanas podem negociar acordos de exploração dos recursos naturais. Assim, não existe a menor necessidade de que os EUA tenham soberania para garantir a segurança nacional e o acesso aos recursos.

O que Trump quer mesmo é entrar para a história como um presidente que ampliou o território dos EUA como os czares russos Ivã o Terrível, Pedro o Grande, Catarina a Grande e o ditador soviético Josef Stalin, ídolos de seu amigo Vladimir Putin, numa volta ao imperialismo do século 19.

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terça-feira, 4 de novembro de 2025

Trump cede a liderança global à China

Com sua guerra comercial contra o resto do mundo, o boicote ao multilateralismo, à promoção do desenvolvimento sustentável e ao combate ao aquecimento global, o presidente Donald Trump cede à China espaços importantes do poderio dos Estados Unidos. Basta à China entrar no vácuo da retirada norte-americana para afirmar sua liderança.

Depois do encontro na semana passada na Coreia do Sul, ao qual Trump deu nota 12, as duas superpotências anunciaram uma trégua na guerra comercial. Agora, negociam um acordo. A China adiou por um ano o controle das exportações de terras raras, minerais estratégicos sobre os quais tem um virtual monopólio, e prometeu aumentar a compra de produtos agrícolas dos EUA. Ficou de comprar mais soja num acordo em 2020, no primeiro governo Trump, e não cumpriu a promessa.

A China mostrou ser o único país do mundo capaz de resistir à chantagem de Trump. Colocou-se em pé de igualdade com os EUA e usou as terras raras para obrigar Trump a ceder. Ao chamar o encontro de uma reunião do Grupo dos Dois, o presidente norte-americano reconhece implicitamente o fim da hegemonia dos EUA. 

Por ironia da história, Trump está tornando a China, que foi a potência dominante na Ásia da Antiguidade até o início do século 19, grande de novo.

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terça-feira, 2 de setembro de 2025

Trump joga Índia e Rússia nos braços da China

 Se o maior objetivo do presidente Donald Trump era isolar a China, o efeito foi exatamente o contrário. Ao declarar guerra comercial a praticamente todo o mundo, Trump provoca um realinhamento da política internacional e isola os Estados Unidos.

A reaproximação entre China, Índia e Rússia que se viu na reunião de cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), realizada em 31 de agosto e 1º de setembro na cidade chinesa de Tianjin é exemplar. Deu ao ditador chinês, Xi Jinping, a oportunidade de posar como líder mundial, defensor do multilateralismo e da cooperação internacional.

Há duas décadas, os EUA cultivavam as relações com a Índia por ser rival histórica da China. Criaram até o conceito político de Indo-Pacífico para incluir a Índia numa aliança para contrabalançar o crescente poderio chinês. Trump joga fora esse esforço diplomático.

sábado, 2 de agosto de 2025

Trump aceita falar com Lula mas o diálogo é difícil

Pela primeira vez desde que anunciou um tarifaço de 50% sobre importações do Brasil, a maior alíquota de sua guerra comercial, o presidente Donald Trump admitiu ontem estar disposto a conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É um diálogo difícil porque Trump exige o fim do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os Estados Unidos anunciaram há dois dias as tarifas que serão impostas a partir de 7 de agosto pela guerra comercial de Trump aos países que não fecharam acordos. Até agora, só fizeram acordos países que dependem de Washington para segurança e defesa. É um sinal de que essas negociações nunca são só sobre comércio para equilibrar a balança comercial norte-americanas.

Há tarifas punitivas. É o caso do Brasil, que tem déficit comercial com os EUA. O país conseguiu isenção do tarifaço para 694 produtos, mais de 40% das exportações para os EUA, que serão taxados em 10%, a alíquota anunciada em 2 de abril. Ficaram de fora desta isenção itens importantes da pauta de exportações como carne e café. O governo brasileiro vai continuar negociando a questão comercial, mas rejeita a interferência política.

Trump parece determinado a apostar na eleição no próximo ano de um presidente brasileiro que seja seu aliado e afaste o Brasil da China numa nova guerra entre os EUA e a China.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Trump ameaça impor tarifas de 50% para defender Bolsonaro

Na sua guerra comercial contra o mundo inteiro, o presidente Donald Trump fez ontem um ataque sem precedentes ao Brasil, anunciando a imposição de tarifas de importação de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto se o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que chamou de "vergonha internacional" e "caça às bruxas", não acabar imediatamente.


Em carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump também citou as medidas contra as empresas norte-americanas de alta tecnologia donas de redes sociais para impedir a divulgação de notícias falsas e ataques à democracia. Só no terceiro parágrafo entrou na questão comercial. Trump acusou o Brasil de impor barreiras tarifárias e não tarifárias que prejudicam a economia dos Estados Unidos, embora o país tenha saldo positivo no comércio bilateral.

Depois de uma reunião em Brasília, o presidente Lula rejeitou categoricamente a chantagem: "O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém." E avisou que vai reagir na mesma medida se a ameaça se concretizar.

Mais do que uma questão econômica, o tarifaço de Trump é uma tentativa de interferência no Poder Judiciário e na política nacional para influenciar as eleições de 2026. As entidades empresarias pediram negociações, mas a intervenção estrangeira na política e nos processos criminais pela tentativa de golpe de Estado é totalmente inaceitável e inegociável. 

O Brasil tem uma economia bastante fechada. Pode negociar uma abertura comercial. Mas, neste caso, Trump ameaça reduzir as tarifas apenas parcialmente. O que quer mesmo é a eleição de um presidente brasileiro que lhe seja subserviente.

terça-feira, 13 de maio de 2025

EUA e China têm trégua temporária na guerra comercial

Os Estados Unidos e a China concordaram ontem em negociações em Genebra, na Suíça, em reduzir as tarifas de importação em 115 pontos percentuais. A trégua de 90 dias na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo traz um alívio para a economia mundial. 

As bolsas de valores voltaram ao nível de 2 de abril, o dia do anúncio do tarifaço, mas as questões de fundo permanecem: o déficit comercial dos EUA, as restrições à venda de microprocessadores à China, a competição tecnológica em torno da inteligência artificial.

A alíquota de 145% imposta pelo presidente Donald Trump à China e a retaliação chinesa de 125% inviabilizavam o comércio bilateral. As negociações começaram há três semanas. Durante uma reunião do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, encontrou-se com o ministro das Finanças da China, Lan Fo'an. No fim de semana, Bessent esteve em Genebra com o vice-primeiro-ministro chinês para questões econômicas, He Lifeng.

A rapidez do acordo indica que as duas partes estavam interessadas num recuo. Ambas cantaram vitória. Na prática, quem cedeu foi Trump, ao pressupor que poderia aumentar as tarifas impunemente. Depois, ameaçou não negociar com quem retaliasse.

A trégua dá um respiro à economia mundial, mas um acordo comercial entre as duas maiores economias ainda está distante e é apenas um aspecto da competição econômica, política, científica, tecnológica e militar entre os EUA e a China pela supremacia mundial.

segunda-feira, 28 de abril de 2025

Canadá elege ex-presidente do banco central para enfrentar Trump

O primeiro-ministro Mark Carney, do Partido Liberal, ex-presidente do Banco do Canadá e do Banco da Inglaterra, foi eleito hoje para um novo mandato com a missão principal de resistir aos ataques do presidente Donald Trump, indicam as projeções da televisão pública CBC (Canadian Broadcasting Corporation), que o candidato da oposição quer fechar.

Depois de quase 10 anos de governo do primeiro-ministro liberal Justin Trudeau, o Partido Conservador tinha uma vantagem de 25 pontos percentuais nas pesquisas, mas perdeu a liderança depois que Trump impôs tarifas de importação aos produtos canadenses, passou a chamar o primeiro-ministro canadense de governador e a declarar insistentemente que o Canadá deve ser o 51º estado dos EUA.

Será o quarto governo liberal consecutivo. Ainda não está claro se Carney terá maioria absoluta. No Câmara dos Comuns do Canadá, de 343 cadeiras, a maioria é de 172 deputados.

A Rádio Canadá prevê 167 cadeiras para os liberais, 145 para os conservadores 23 do Bloco Quebequense, o Canadá francês, onde há um forte movimento pela independência, 7 para o Novo Partido Democrático e 1 para o Partido Verde. 

Os canadenses preferiram eleger um economista moderado e liberal politicamente em vez do líder conservador Pierre Poilievre, que defende políticas de Primeiro, o Canadá, na linha do ultranacionalismo do presidente Trump, que se revelou nocivo às relações bilaterais e ao comércio internacional, com sérios prejuízos para o Canadá.

Carney era presidente do Banco do Canadá na crise financeira internacional de 2008 e presideiu o Banco da Inglaterra quando o Reino Unido estava saindo da União Europeia. É visto como um líder para grandes crises.

No discurso da vitória, Carney transmitiu uma mensagem de união nacional, cumprimentando todos os candidatos de todos os partidos, inclusive o líder da oposição, por querer servir ao país neste momento difícil. 

"Uma das responsabilidades do governo é preparar para o pior e não esperar o melhor", declarou o líder liberal. "O presidente Trump quer quebrar o Canadá para nos conquistar. Isso não vai acontecer nunca, mas temos de reconhecer que o mundo mudou." Em outro momento, disparou: Trump "quer nossa terra, nossos recursos, nossa água".

O país está em choque porque é talvez o melhor vizinho do mundo e tinha excelentes relações com os EUA. Trump acusa o Canadá de viver sob a proteção dos EUA como aliado na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Afirma que os EUA subsidiam o Canadá em US$ 200 bilhões por ano sem explicar de onde tirou esse valor. 

O Canadá é o segundo maior parceiro comercial dos EUA, depois do México e à frente da China, com uma corrente de comércio de US$ 762 bilhões em 2024. Cerca de 75% das exportações canadenses vão para os EUA. No ano passado, os EUA tiveram um déficit comercial de US$ 45 bilhões.

Trump impôs tarifas de 25% sobre produtos importados do Canadá e do México, e de 10% para produtos de energia canadenses. Assim, rompeu o acordo de livre comércio da América do Norte que ele mesmo renegociou no primeiro governo. Depois, deu algumas isenções.

Aos quebequenses, falando em francês, Carney afirmou que "a língua e a cultura quebequenses são parte da identidade nacional canadense", numa tentativa de neutralizar o movimento pela independência do Quebec.

Carney era primeiro-ministro porque Trudeau renunciou em março à liderança do partido e do governo sob pressão dos liberais diante da expectativa de uma grande derrota eleitoral nas eleições parlamentares que deveriam ser realizadas antes do fim do ano. Com a saída de Trudeau, foram antecipadas para hoje.

"Vamos construir um grande futuro independente para o Canadá. Um Canadá forte, um Canadá livre e um Canadá independente", concluiu o primeiro-ministro, depois de dizer que o país vai procurar outros parceiros na Europa e na Ásia para diminuir a dependência dos EUA e manter a prosperidade.

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Trump recua diante da ameaça de recessão

 O tarifaço global do presidente Donald Trump durou menos de 24 horas. Diante da perda de mais de US$ 10 trilhões nas bolsas de valores e de uma grande venda de títulos de 10 anos da dívida pública dos Estados Unidos, Trump suspendeu por 90 dias as tarifas que chama de "recíprocas" com a desculpa de mais de 75 países querem negociar.


As bolsas tiveram forte alta, sem recuperar todas as perdas, mas a guerra comercial não acabou. A tarifa básica de 10% sobre todas as importações dos EUA está mantida, assim como a de 25% sobre aço, alumínio, automóveis e autopeças. E a alíquota para a China, que retaliou e não propôs negociação, subiu para 125%.

A China, maior detentora de títulos da dívida pública dos EUA, vendeu US$ 50 bilhões em bônus de 10 anos, mostrando que tem munição para a guerra comercial. Essa manobra foi decisiva para o recuo de Trump.

Uma briga entre Peter Navarro, o ideólogo do tarifaço, e o bilionário Elon Musk, que chamou Navarro de "verdadeiro imbecil", "mais burro do que um saco de tijolos", revela uma divisão interna no governo norte-americano.

É uma derrota humilhante, mas Trump vai cantar vitória. O estrago está feito. Para o ex-secretário do Tesouro Lawrence Summers, a guerra comercial de Trump é "a maior ferida auto-infligida desde a Segunda Guerra Mundial".

sábado, 5 de abril de 2025

Guerra comercial acelera declínio relativo dos EUA

Ao deflagrar uma guerra comercial em escala global, aplicando um tarifaço a mais de 180 países e territórios, o presidente Donald Trump faz a maior mudança de política econômica dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45) e atinge principalmente a economia e a liderança do país no mundo.

Trump quer equilibrar a balança comercial dos EUA, que teve um déficit de US$ 918 bilhões no comércio de bens no ano passado, reindustrializar o país e aumentar a arrecadação para viabilizar cortes no imposto de renda das grandes empresas e dos ricos. Os resultados devem ser mais inflação, menos crescimento e uma perda de prestígio para o país.

Quem mais ganha é a China, que já é a maior potência industrial do planeta e a maior parceira comercial da maioria dos países. O Brasil pode ter mais oportunidades no comércio com a China e o acordo de liberalização de comércio entre o Mercosul e a União Europeia tem mais chance de ser aprovado. Mas todos perdem numa guerra comercial e o risco de conflitos aumenta.

quarta-feira, 5 de março de 2025

Trump marca data para tarifaço e ameaça tomar Groenlândia à força

No mais longo discurso de um presidente dos Estados Unidos no Congresso, em 99 minutos, Donald Trump mentiu, se autoelogiou, exaltou o ataque do bilionário Elon Musk à máquina do Estado e falou para sua base. Num sectarismo que aprofunda a divisão do país em que apostou para se reeleger, descreveu um cenário de violência, decadência e catástrofe econômica no governo Joe Biden. O deputado democrata Al Green foi expulso do plenário por protestar contra o discurso, algo inédito.

De concreto, prometeu um novo tarifaço para 2 de abril, citando o Brasil entre os alvos, prometeu mais uma vez retomar o Canal do Panamá, sem dizer se basta uma empresa dos EUA assumir o controle dos portos de entrada e saída, ameaçou dominar a Groenlândia "de um jeito ou de outro" e anunciou que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, enviou mensagem dizendo estar pronto para negociar a paz depois de ser humilhado na Casa Branca na sexta-feira passada.

A popularidade ds presidente dos EUA está em queda: 59% dos eleitores independentes não aprovam o governo; 45% acreditam que o país não está na direção correta e 39% acham que sim; e 52% entendem que Trump não está se dedicando aos maiores problemas do país, especialmente a alta no custo de vida.

Trump repetiu os temas de sempre: imigração, cortar "desperdício, fraude e abuso", guerras culturais contra o politicamente correto e ataques a Joe Biden. Falou que o Departamento de Eficiência Governamental (Doge) chefiado por Musk encontrou problemas de "centenas de bilhões de dólares" sem mencionar provas. Musk fala em US$ 105 bilhões, mas a página do Doge registra apenas US$ 18,6 bilhões.

O presidente também defendeu a pena de morte para assassinos de policiais e a criação de um sistema de defesa antimísseis. Pouco disse sobre o que mais preocupa os eleitores, a inflação e o custo de vida.

"Os EUA estão de volta. Seis semanas atrás, proclamei o início de uma idade de ouro" e disse que desde então fez "um esforço rápido e incansável para criar essa nova era", arrancando os primeiros protestos dos democratas, que levantaram discos dizendo "Falso", "Trump mente" e "Musk rouba". Os líderes democratas se negaram a participar do cortejo na entrada do presidente.

No seu estilo hiperbólico, grandiloquente e mentiroso, Trump afirmou que recebeu um mandato como não se via há décadas. Em realidade, não teve maioria absoluta.

Em 43 dias, Trump baixou mais de 100 decretos e mais de 400 iniciativas. Declarou que é o governo mais bem-sucedido, à frente de George Washington (1789-97), ignorando os 100 primeiros dias de Franklin Roosevelt (1933-45) na luta contra a Grande Depressão (1929-39).

ATAQUE À MAQUINA PÚBLICA

Trump se vangloriou de congelar as contratações, as regulamentações e a ajuda externa do governo federal dos EUA. "Acabei com o Novo Pacto Social Verde e com o Acordo de Paris, que nos custa trilhões de dólares. Saí da corrupta Organização Mundial da Saúde (OMS) e do antinorte-americano Conselho de Direitos Humanos da ONU."

Quando voltou ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, em 2021, Biden prometeu US$ 11,4 bilhões. Ao falar em trilhões, Trump mostra mais uma vez que não tem o menor compromisso com a verdade.

Depois de atacar as ambiciosas políticas ambientais de Biden, Trump partiu para as guerras culturais tão a gosto da extrema direita: "Acabei com toda a censura e trouxe a liberdade de expressão de volta", enquanto ameaça prender jornalistas Ele foi excluído do Twitter e do Facebook por fomentar o assalto ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, numa tentativa de golpe de Estado sem precedentes na história dos EUA.

"Renomeei o Golfo do México como Golfo da América. Renomeei o Monte McKinley. Acabei com a tirania da diversidade, equidade e inclusão no governo e no setor privado. (...) Removi a teoria crítica sobre raça das escolas. Decidi que só existem dois gêneros: masculino e feminino. Proibi homens de disputar esportes femininos." Trump proibiu os tratamentos para mudança de gênero antes dos 19 anos.

É o que ele chama de "revolução do senso comum". Não há mais nenhum negro e nenhuma mulher no Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, só generais brancos.

Por causa das campanhas antivacinas, das quais o secretário da Saúde, Robert Kennedy Jr., é um dos principais responsáveis, há hoje mais casos de sarampo no Texas do que atletas transgêneros no país inteiro.

Ao prometer reduzir o custo de vida, se limitou a acenar com uma redução nos preços de energia com maior exploração de gás e petróleo.

Para defender a devassa e virtual destruição da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Trump chegou a dizer que financiava camundongos transgêneros. Com menos de 0,7% do orçamento federal, a agência era responsável por 40% da ajuda humanitária no mundo.

Numa das grandes mentiras da noite, Trump teve a cara de pau de dizer que há mais de 4,7 milhões pessoas de mais de 100 anos recebendo benefícios previdenciários, inclusive um de 360 anos. Na verdade, a Previdência Social paga benefícios a 89 mil centenários.

"Vamos equilibrar o orçamento federal, o que não se faz há 24 anos", prometeu o presidente. Na campanha eleitoral de 2000, a discussão era o que fazer com o superávit de US$ 100 bilhões. O então vice-presidente Albert Gore Jr. queria fortalecer a Previdência Social. O candidato vencedor, George Walker Bush, preferiu dar cortes de impostos para os ricos.

O que Trump pretende fazer? Dar mais cortes de impostos para bilionários e multimilionários. A estimativa é que reduzam a arrecadação em pelo menos US$ 5 trilhões em 10 anos. Assim, a dívida pública dos EUA, que está hoje em US$ 36 trilhões, vai aumentar. 

Musk calculou que o país gaste US$ 1 trilhão por ano com os juros da dívida, mais do que o orçamento do Departamento da Defesa (Pentágono) para 2025, que é de US$ 850 bilhões. Trump ameaçou perseguir deputados e senadores que votarem contra os cortes de impostos para que não se reelejam.

"Há 100 anos a burocracia federal cresce e atrapalha os negócios. Centenas de milhares não aparecem para trabalhar. O governo dos burocratas não eleitos acabou", continuou Trump. A Casa Branca diz que só 6% dos funcionários federais se apresentam para trabalhar, o que é uma mentira. Paralisaria a máquina pública.

REINDUSTRIALIZAÇÃO

Outra proposta é reindustrializar os EUA com energia barata e altas tarifas sobre produtos importados enquanto oferece isenções de impostos para quem abrir fábricas no país: "É nossa hora de impor tarifas", anunciou citando como alvos, além do México, do Canadá e da China, já supertarifados, a União Europeia, o Brasil e a Índia. A ideia é usar a reciprocidade, cobrando as mesmas tarifas que outros países cobram sobre importações dos EUA.

Em relação ao México e ao Canadá, que prometeram na terça-feira retaliar o tarifaço de Trump, o presidente acusou-os pela imigração ilegal e o tráfico de droga fentanil. A imigração ilegal através da fronteira do Canadá é mínima e lá só foram aprendidos 20 quilos de fentanil no ano passado, 500 vezes menos do que na fronteira com o México. Isto indica que o objetivo dos tarifaços é equilibrar a balança comercial, que registrou um déficit de US$ 918,4 bilhões no ano passado.

Ele admitiu que a guerra comercial vai trazer "alguns distúrbios", mas alegou que a estratégia protecionista já resultou em promessas de investimentos de US$ 1,3 trilhão. Pelo discurso de Trump, os tarifaços não são apenas uma jogada para negociar, como sugeriu  o secretário do Comércio, Howard Lutnick. Devem ser de longo prazo.

SEGURANÇA

Ao abordar a imigração ilegal, outro tema favorito do presidente fascistoide, começou com uma grande mentira: "21 milhões entraram no país nos últimos quatro anos", descritos mais uma vez como traficantes, estupradores e assassinos. A estimativa é que haja 11 milhões de imigrantes ilegais nos EUA. Trump levou a mãe e a irmã de uma joven assassinada para dizer que "a morte de Laken Riley não foi em vão." A mãe foi aplaudida e chorou. Faz parte do circo desses discursos presidenciais.

"Não precisávamos de uma nova lei para garantir a segurança na fronteira. Tudo o que precisávamos era de um novo presidente. A invasão de imigrantes destruiu várias cidades." Citou como exemplo Springfield, no estado de Ohio. Durante a campanha, acusou refugiados haitianos de comer cães e gatos de estimação na cidade, uma mentira.

Trump prometeu ir à guerra contra os cartéis mexicanos do tráfico de drogas e atribuiu à guerra comercial a deportação de 29 traficantes entregues pelo México ao governo norte-americano. Insistiu que está fazendo a maior deportação de ilegais da história, mas os números são muito inferiores ao que pretendia.

A fim de aumentar a segurança nas cidades, acenou com uma reforma do sistema de justiça que na verdade tenta blindá-los de futuros processos: "Nosso sistema de justiça foi virado de cabeça para baixo por lunáticos para instrumentalizar a Justiça contra adversários políticos como eu", um criminoso condenado por forjar documentos de suas empresas para encobrir a compra do silêncio de uma atriz pornô com quem teve um caso. 

Outros três processos, dois por tentar fraudar a eleição de 2020 e tentar um golpe, e o terceiro por levar para casa documentos secretos e ultrassecretos, foram extintos pela reeleição.

"Para aumentar a segurança nacional, vamos retomar o Canal do Panamá", reiterou Trump. Não explicou se basta uma empresa norte-americana assumir o controle dos portos de entrada e saída do canal, que estavam com chineses, ou se planeja reassumir o controle total.

"Também tenho uma mensagem para o povo da Groenlândia. Vocês têm o direito de escolher seu futuro e se quiserem se unir a nós", prometeu um futuro de segurança e riqueza, mas acrescentou uma ameaça: "De um jeito ou de outro, vamos conseguir. Vamos proteger vocês e torná-los ricos. É fundamental para a segurança do mundo."

O presidente anunciou que o terrorista do Estado Islâmico que atacou a retirada norte-americana do Afeganistão foi preso com a ajuda do Paquistão e está sendo enviado para responder processo nos EUA. Cerca de 170 civis e 13 militares norte-americanos morreram no ataque. Trump negociou a paz com a Milícia dos Taleban sem exigir desarmamento nem acordo com o governo afegão apoiado pelos EUA.

Sobre o Oriente Médio, elogiou os Acordos de Abraão de reconhecimento de Israel por quatro países árabes (Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Marrocos e Sudão). Nenhum deles estava em guerra com Israel. Não falou no projeto para expulsar os palestinos e transformar a Faixa de Gaza num empreendimento imobiliário. Os aliados árabes já apresentaram um plano alternativo.

Trump insistiu na mentira de que os EUA deram mais ajuda à Ucrânia do que a Europa, no valor de US$ 350 bilhões, mesmo depois de ser corrigido na Casa Branca pelo presidente da França, Emmanuel Macron, que esclareceu que a Europa deu 60% do total da ajuda. Os EUA deram pouco mais de US$ 100 bilhões.

"Hoje recebi uma carta do presidente [Volodymyr] Zelensky dizendo que a Ucrânia está pronta para negociar a paz", anunciou Trump. Na verdade, só repetiu uma mensagem publicada na rede social X pelo líder ucraniano, humilhado na sexta-feira passada na Casa Branca por não querer assinar um acordo para ceder a metade da riqueza mineral do país sem garantias de segurança contra um possível futuro ataque da Rússia.

Aliás, ele praticamente não falou da China e da Rússia, maiores inimigas dos EUA.

REAÇÃO DEMOCRATA

A resposta do Partido Democrata, feita pela senadora por Michigan Elissa Slotkin, se concentrou em três pontos: a economia, a classe média e a democracia – ameaçadas por Trump.

"Seus planos não ajudam a maioria dos norte-americanos a avançar. Ele está cortando impostos para os bilionários. As tarifas vão aumentar os preços. A dívida pública vai aumentar. Ele pode provocar uma recessão, advertiu a senadora.

Ela acusou Musk de citar a Previdência Social como grande fonte de fraudes, enquanto demite quem cuida das armas nucleares, controladores de voo e pesquisadores do combate ao câncer. Slotkin acrescentou que de nada adianta reforçar a segurança na fronteira sem mudar o sistema de imigração e alertou que a democracia está ameaçada.

Ao concluir, disse que "é fácil ficar exausto, mas não dá". Propôs que os cidadãos se organizem cobrem mais dos políticos e ajam. "Os maiores movimentos vêm de baixo para cima. Vivemos momentos de instabilidade o passado. Precisamos de cidadãos engajados e líderes com princípios."

O grande desafio dos democratas é resistir como possível até as eleições de 2026, quando Trump deve perder a maioria na Câmara e virar um "pato manco", expressão que os norte-americanos usam para se referir a políticos em fim de mandato. Será uma longa travessia para os EUA e o resto do mundo.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Neofascismo de Trump abala o mundo em um mês

Em 31 dias, o presidente Donald Trump abusou do poder, atacou a democracia em todas as frentes, exorbitou de seus poderes, nomeou um tecnofascista para depredar a máquina do Estado, acabou com o combate à corrupção e ao aquecimento global, desafiou a Justiça e a Constituição, perdoou os criminosos que atacaram o Congresso, perseguiu imigrantes, adversários políticos e jornalistas independentes, desrespeitou e insultou aliados dos EUA, conchavou com o maior inimigo do país, iniciou uma guerra comercial, ameaçou anexar o Canadá, comprar a Groenlândia, retomar o Canal do Panamá e ocupar a Faixa de Gaza, se autoproclamou rei e anunciou a intenção de concorrer a um terceiro mandato, o que é inconstitucional. 


 
No plano interno, a demolição do Estado está a cargo do homem mais rico do mundo. Elon Musk comanda um exército de tecnofascistas que querem substituir funcionários públicos estáveis por máquinas, eliminar agências independentes e tirar a comida, os medicamentos e as vacinas das crianças mais pobres do mundo.

Em desafio à Justiça, todos os condenados pelo assalto ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 foram perdoados. Um miliciano sentenciado a 22 anos quer ser candidato. Numa violação à Constituição, Trump tenta negar cidadania a filhos de imigrantes nascidos

O combate à corrupção acaba para não prejudicar os "negócios" das empresas norte-americanas no exterior. O aquecimento global é ignorado para baratear a energia com a intenção de reindustrializar o país. Outro elemento dessa estratégia é a guerra comercial com tarifaços para pressionar as empresas a abrir fábricas nos EUA.

A Rússia, inimiga histórica, está sendo bajulada com todas as concessões que o ditador Vladimir Putin sonhava, a ponto dos EUA vetarem uma condenação à invasão da Ucrânia numa declaração conjunto do Grupo dos Sete (maiores potências industrias do Ocidente e Japão).

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Guerra comercial de Trump abala economia mundial

 O presidente Donald Trump deflagrou a guerra comercial prometida durante a campanha eleitoral. No fim de semana, anunciou tarifaços sobre as importações vindas dos três maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos: México, Canadá e China. Nesta segunda-feira, recuou e cantou vitória diante de promessas dos países vizinhos de colaboração no combate à imigração ilegal e ao tráfico de drogas. Mas não eliminou a ameaça de medidas destemperadas que certamente vão abalar a economia mundial.

Nesta terça-feira, Trump vai falar por telefone com o ditador da China, Xi Jinping, que impôs tarifas retaliatórias de 10% a 15% sobre carvão, petróleo, gás natural liquefeito e equipamentos agrícolas dos EUA.

Ao atacar aliados para barganhar uma redução do déficit comercial dos EUA, Trump rompe com duas políticas adotadas pelo país desde a Segunda Guerra Mundial: atuar internacionalmente em conjunto com aliados e promover o livre comércio como maneira de promover a prosperidade internacional e evitar novos conflitos globais.

Em outro ataque ao poder e ao prestígio internacional dos EUA, o multibilionário Elon Musk anunciou o fechamento da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), responsável por 40% de toda a ajuda humanitária no mundo. Em 100 países, milhões de pessoas correm risco de vida por causa desta medida mesquinha e desumana.

sábado, 7 de dezembro de 2024

UE e Mercosul fecham acordo de liberalização comercial

A União Europeia e o Mercado Comum do Sul (Mercosul) fecharam ontem um acordo de liberalização comercial em Montevidéu, no Uruguai, criando um mercado com mais de 740 milhões de consumidores e países responsáveis por quase um quinto do produto mundial bruto.

O acordo chega num momento de fragilidade dos dois blocos comerciais. A Europa tem crescimento baixo e perda de competitividade diante da ascensão da Ásia, da saída do Reino Unido, da invasão da Ucrânia pela Rússia e do risco de guerras comerciais com a volta do presidente Donald Trump à Casa Branca. O Mercosul vem de uma longa estagnação do bloco, que até agora só tinha acordos comerciais com Cingapura, Egito e Israel, com risco de dissolução por causa de países interessados em fazer acordos fora do bloco.

É um acordo que vai na contramão da tendência crescente de protecionismo econômico. Apresenta uma alternativa diante da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e de uma nova guerra fria entre esses dois países que parece cada vez mais inevitável.

Os dois blocos têm cláusulas democráticas, uma defesa contra o ascensão de um populismo de extrema direita que ameaça a democracia dos dois lados do Oceano Atlântico. Todos os países se comprometem a seguir o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, de que Trump pode retirar os EUA mais uma vez.

A Europa é mais competitiva no setor industrial. O Mercosul é mais forte em agricultura e pecuária. Aí mora o perigo de não ratificação, por causa do protecionismo dos agricultores da França, da Polônia, da Irlanda e da Itália, temerosos da concorrência do Mercosul. Será um processo longo. Mas há salvaguardas para impedir a exportação de produtos vindos de áreas de desmatamento ou cultivados com agrotóxicos proibidos na UE.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

China retalia com moderação na Guerra dos Consulados

Consulado dos EUA em Chengdu será fechado como o chinês em Houston

Em represália pelo encerramento das atividades do consulado chinês em Houston, no Texas, a China mandou fechar na sexta-feira, 24 de julho, o consulado dos Estados Unidos em Chengdu, capital da província de Sichuã. Foi uma retaliação moderada no momento em que o país mais poderoso do mundo e a superpotência em ascensão estão à beira de uma nova guerra fria.

Leia mais em QuarentenaNews.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

China reduz tarifas para amenizar impacto do coronavírus

A China vai cortar pela metade as tarifas sobre produtos importados dos Estados Unidos num valor anual de US$ 75 bilhões a partir de 14 de fevereiro. Nesta data, entra em vigor o acordo preliminar assinado pelos dois países para levar a uma trégua na guerra comercial entre suas economias, as duas maiores do mundo. 

A República Popular da China espera assim diminuir o impacto negativo sobre a economia do país da epidemia do novo coronavírus e se preparar para renegociar os termos do acordo, se o problema de saúde causar prejuízos ainda maiores. 

A medida provocou alta nas bolsas de valores ao reduzir o temor dos investidores de uma desaceleração mais forte da economia mundial. Pelo acordo, a China se comprometeu a comprar mais 200 bilhões de dólares em produtos americanos nos próximos dois anos. Meu comentário: