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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de Julho

CAMINHO DAS ÍNDIAS

    Em 1497, o navegador português Vasco da Gama zarpa de Lisboa com uma frota de quatro navios em busca do caminho marítimo para a Índia contornando o Sul da África.

A frota de Vasco da Gama dá a volta no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, dobrado por Bartolomeu Dias, em 1488. Em Malinde, na costa oriental da África, encontra um mercador indiano que a guia até a Índia, onde chega em 20 de maio de 1498. 

Durante a viagem, ao se afastar da costa da África para evitar as calmarias, Vasco da Gama teria visto aves e plantas aquáticas num sinal de que haveria terra por perto e teria dito isto a Pedro Álvares Cabral, que em 1500 descobre o Brasil para os portugueses.

Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.

ALMIRANTE PERRY AMEAÇA O JAPÃO

    Em 1853, o almirante norte-americano Matthew Perry entra na Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios e ameaça bombardear a cidade para abrir o Japão ao comércio internacional.


 
Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em março de 1854 com nove navios.

Sem condições de reagir, os japoneses aceitam certas exigências do presidente Millard Fillmore (1853-50). Os Estados Unidos se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fecha para estrangeiros.

Desde 1639, só a China e a Holanda comerciavam com o Japão e apenas na ilha de Dejima, em Nagasáki, a segunda cidade bombardeada com uma bomba atômica, em 9 de agosto de 1945.

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a instalação de um consulado norte-americano no país.

A pressão dos EUA acaba com o xogunato. É o fim da Idade Média japonesa, em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador. 

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrenta os EUA e o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

MacARTHUR COMANDA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman nomeia o general Douglas MacArthur comandante militar dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53), um dia depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomenda que as forças internacionais sejam colocadas sob o comando militar norte-americano.

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os EUA ocupam o Sul da Península Coreana. A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Nagasáki, e invade o Norte da Coreia.

A península é dividida oficialmente em 1948, quando nascem a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em 25 de junho de 1950, o Norte, comunista, invade o Sul para tentar reunificar a Coreia. Como a União Soviética está boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, os EUA obtêm um mandato do Conselho de Segurança valido até hoje para reunificar a Península Coreana.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz. Desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares.

GOLPE NA GUATEMALA

    Em 1954, o coronel Carlos Castillo Armas toma o poder na Guatemala no segundo golpe de Estado articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria, o primeiro na América Latina. 

A história é contada no livro de ficção Weekend in Guatemala, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1967.

O golpe derruba o presidente nacionalista Jacobo Árbenz, que faz uma reforma agrária e estatiza propriedades da companhia bananeira United Fruit, que muda de nome para Chiquita Brands para tentar apagar a imagem associada a golpes de Estado.

Depois da Colômbia, a Guatemala é o país com o maior número de mortos na América Latina durante a Guerra Fria, entre 150 e 200 mil. A democracia só é restaurada plenamente no país em 1984, mas a corrupção é endêmica até hoje.

O primeiro golpe militar apoiado pelos EUA na Guerra Fria é em 1953, no Irã, contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano.

Ao falar sobre o golpe militar de 1964 no Brasil num curso sobre a história da política externa brasileira no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o embaixador Gélson Fonseca disse acreditar que a principal causa do apoio dos EUA foi econômica. Os EUA temeriam especialmente Leonel Brizola, que havia estatizado empresas transnacionais quando era governador do Rio Grande do Sul.

MORTE DO GRANDE LÍDER

    Em 1994, morre o Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.


Kim luta nos anos 1930 contra a ocupação japonesa e é escolhido pela União Soviética, onde faz treinamento político e militar. Ele luta pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial (1939-45), funda a Coreia do Norte em 1948 e inicia a Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, tentando reunificar o país sob o regime comunista.

Com a intervenção militar dos Estados Unidos e depois da China, a guerra termina num impasse, sem mudar a divisão da Coreia. Nas próximas quatro décadas, Kim isola o país com sua política de autossuficiência (Juche), causando fome e falta de energia, problemas que o país tem até hoje.

Depois da morte, numa sucessão dinástica num regime comunista, é sucedido pelo filho e Querido Líder Kim Jong Il, que explode a primeira bomba atômica do país em 2006. Ao morrer, em 2011, ascende ao poder seu filho Kim Jong Un, neto do Grande Líder, que acelera os programas de mísseis e de armas nucleares – e ameaça bombardear os EUA.

O presidente Donald Trump faz três encontros de cúpula com o jovem Kim. Legitima o ditador na expectativa de desnuclearizar a Península Coreana, mas as negociações não avançam. 

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quinta-feira, 10 de julho de 2025

Trump ameaça impor tarifas de 50% para defender Bolsonaro

Na sua guerra comercial contra o mundo inteiro, o presidente Donald Trump fez ontem um ataque sem precedentes ao Brasil, anunciando a imposição de tarifas de importação de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto se o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que chamou de "vergonha internacional" e "caça às bruxas", não acabar imediatamente.


Em carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump também citou as medidas contra as empresas norte-americanas de alta tecnologia donas de redes sociais para impedir a divulgação de notícias falsas e ataques à democracia. Só no terceiro parágrafo entrou na questão comercial. Trump acusou o Brasil de impor barreiras tarifárias e não tarifárias que prejudicam a economia dos Estados Unidos, embora o país tenha saldo positivo no comércio bilateral.

Depois de uma reunião em Brasília, o presidente Lula rejeitou categoricamente a chantagem: "O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém." E avisou que vai reagir na mesma medida se a ameaça se concretizar.

Mais do que uma questão econômica, o tarifaço de Trump é uma tentativa de interferência no Poder Judiciário e na política nacional para influenciar as eleições de 2026. As entidades empresarias pediram negociações, mas a intervenção estrangeira na política e nos processos criminais pela tentativa de golpe de Estado é totalmente inaceitável e inegociável. 

O Brasil tem uma economia bastante fechada. Pode negociar uma abertura comercial. Mas, neste caso, Trump ameaça reduzir as tarifas apenas parcialmente. O que quer mesmo é a eleição de um presidente brasileiro que lhe seja subserviente.

terça-feira, 8 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 8 de Julho

 CAMINHO DAS ÍNDIAS

    Em 1497, o navegador português Vasco da Gama zarpa de Lisboa com uma frota de quatro navios em busca do caminho marítimo para a Índia contornando o Sul da África.

A frota de Vasco da Gama dá a volta no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, dobrado por Bartolomeu Dias, em 1488. Em Malinde, na costa oriental da África, encontra um mercador indiano que a guia até a Índia, onde chega em 20 de maio de 1498. 

Durante a viagem, ao se afastar da costa da África para evitar as calmarias, Vasco da Gama teria visto aves e plantas aquáticas num sinal de que haveria terra por perto e teria dito isto a Pedro Álvares Cabral, que em 1500 descobre o Brasil para os portugueses.

Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.

ALMIRANTE PERRY AMEAÇA O JAPÃO

    Em 1853, o almirante Matthew Perry entra na Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios e ameaça bombardear a cidade para abrir o Japão ao comércio internacional.


 
Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em março de 1854 com nove navios.

Sem condições de reagir, os japoneses aceitam certas exigências do presidente Millard Fillmore (1853-50). Os Estados Unidos se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fecha para estrangeiros.

Desde 1639, só a China e a Holanda comerciavam com o Japão e apenas na ilha de Dejima, em Nagasáki, a segunda cidade bombardeada com uma bomba atômica, em 9 de agosto de 1945.

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a instalação de um consulado norte-americano no país.

A pressão dos EUA acaba com o xogunato. É o fim da Idade Média japonesa, em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador. 

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrenta o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

MacARTHUR COMANDA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman nomeia o general Douglas MacArthur comandante militar dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53), um dia depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomenda que as forças internacionais sejam colocadas sob o comando militar norte-americano.

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os EUA ocupam o Sul da Península Coreana. A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Nagasaki, e invade o Norte da Coreia.

A península é dividida oficialmente em 1948, quando nascem a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em 25 de junho de 1950, o Norte, comunista, invade o Sul para tentar reunificar a Coreia. Como a União Soviética estava boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, os EUA obtêm um mandato do Conselho de Segurança, que têm até hoje, para reunificar a Península Coreana.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz.

GOLPE NA GUATEMALA

    Em 1954, o coronel Carlos Castillo Armas toma o poder na Guatemala no segundo golpe de Estado articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria, o primeiro na América Latina. 

A história é contada no livro de ficção Weekend in Guatemala, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1967.

O golpe derruba o presidente nacionalista Jacobo Árbenz, que fizera uma reforma agrária e estatizara propriedades da companhia bananeira United Fruit, que muda de nome para Chiquita Brands para tentar apagar a imagem associada a golpes de Estado.

Depois da Colômbia, a Guatemala é o país com o maior número de mortos na América Latina durante a Guerra Fria, entre 150 e 200 mil. A democracia só é restaurada plenamente no país em 1984, mas a corrupção é endêmica até hoje.

O primeiro golpe militar apoiado pelos EUA na Guerra Fria é em 1953, no Irã, contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano.

Ao falar sobre o golpe militar de 1964 no Brasil num curso sobre a história da política externa brasileira, o embaixador Gélson Fonseca disse acreditar que a principal causa do apoio dos EUA foi econômica. Os EUA temeriam especialmente Leonel Brizola, que havia estatizado empresas transnacionais quando era governador do Rio Grande do Sul.

MORTE DO GRANDE LÍDER

    Em 1994, morre o Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.


 Kim luta nos anos 1930 contra a ocupação japonesa e é escolhido pela União Soviética, onde faz treinamento político e militar. Ele luta pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial (1939-45), funda a Coreia do Norte em 1948 e inicia a Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, tentando reunificar o país sob o regime comunista.

Com a intervenção militar dos Estados Unidos e depois da China, a guerra termina num impasse, sem mudar a divisão da Coreia. Nas próximas quatro décadas, Kim isola o país com sua política de autossuficiência (Juche), causando fome e falta de energia, problemas que o país tem até hoje.

Depois da morte, numa sucessão dinástica num regime comunista, é sucedido pelo filho e Querido Líder Kim Jong Il, que explode a primeira bomba atômica do país em 2006. Ao morrer, em 2011, ascende ao poder seu filho Kim Jong Un, neto do Grande Líder, que acelera os programas de mísseis e de armas nucleares – e ameaça bombardear os EUA.

O presidente Donald Trump faz três encontros de cúpula com o jovem Kim. Legitima o ditador na expectativa de desnuclearizar a Península Coreana, mas as negociações não avançam. 

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Hoje na História do Mundo: 8 de Julho

CAMINHO DAS ÍNDIAS

    Em 1497, o navegador português Vasco da Gama zarpa de Lisboa com uma frota de quatro navios em busca do caminho marítimo para a Índia contornando o Sul da África.

A frota de Vasco da Gama dá a volta no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, dobrado por Bartolomeu Dias, em 1488. Em Malinde, na costa oriental da África, encontra um mercador indiano que a guia até a Índia, onde chega em 20 de maio de 1498. 

Durante a viagem, ao se afastar da costa da África para evitar as calmarias, Vasco da Gama teria visto aves e plantas aquáticas num sinal de que haveria terra por perto e teria dito isto a Pedro Álvares Cabral, que em 1500 descobre o Brasil para os portugueses.

Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.

ALMIRANTE PERRY AMEAÇA O JAPÃO

    Em 1853, o almirante Matthew Perry entra na Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios e ameaça bombardear a cidade para abrir o Japão ao comércio internacional.


 
Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em março de 1854 com nove navios.

Sem condições de reagir, os japoneses aceitam certas exigências do presidente Millard Fillmore (1853-50). Os Estados Unidos se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fechou para estrangeiros.

Desde 1639, só a China e a Holanda comerciavam com o Japão e apenas da ilha de Dejima, em Nagasaki, a segunda cidade bombardeada com uma bomba atômica, em 9 de agosto de 1945.

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a instalação de um consulado norte-americano no país.

A pressão dos EUA acaba com o xogunato. É o fim da Idade Média japonesa em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador. 

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrenta o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

MacARTHUR COMANDA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman nomeia o general Douglas MacArthur comandante militar dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53), um dia depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomenda que as forças internacionais sejam colocadas sob o comando militar norte-americano.

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os EUA ocupam o Sul da Península Coreana. A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Nagasaki, e invade o Norte da Coreia.

A península é dividida oficialmente em 1948, quando nascem a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em 25 de junho de 1950, o Norte, comunista, invade o Sul para tentar reunificar a Coreia. Como a União Soviética estava boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, os EUA obtiveram um mandato do Conselho de Segurança, que têm até hoje, para reunificar a Península Coreana.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz.

GOLPE NA GUATEMALA

    Em 1954, o coronel Carlos Castillo Armas toma o poder na Guatemala no segundo golpe de Estado articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria, o primeiro na América Latina. 

A história é contada no livro de ficção Weekend in Guatemala, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1967.

O golpe derruba o presidente nacionalista Jacobo Árbenz, que fizera uma reforma agrária e estatizara propriedades da companhia bananeira United Fruit, que muda de nome para Chiquita Brands para tentar apagar a imagem associada a golpes de Estado.

Depois da Colômbia, a Guatemala foi o país com o maior número de mortos na América Latina durante a Guerra Fria, entre 150 e 200 mil. A democracia só é restaurada plenamente no país em 1984, mas a corrupção é endêmica até hoje.

O primeiro golpe militar apoiado pelos EUA na Guerra Fria é em 1953, no Irã, contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano.

Ao falar sobre o golpe militar de 1964 no Brasil num curso sobre a história da política externa brasileira, o embaixador Gélson Fonseca disse acreditar que a principal causa do apoio dos EUA foi econômica. Os EUA temeriam especialmente Leonel Brizola, que havia estatizado empresas transnacionais quando era governador do Rio Grande do Sul.

MORTE DO GRANDE LÍDER

    Em 1994, morre o Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.


 Kim luta nos anos 1930 contra a ocupação japonesa e é escolhido pela União Soviética, onde faz treinamento político e militar. Ele luta pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial (1939-45), funda a Coreia do Norte em 1948 e inicia a Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, tentando reunificar o país sob o regime comunista.

Com a intervenção militar dos Estados Unidos e depois a China, a guerra termina num impasse, sem mudar a divisão da Coreia. Nas próximas quatro décadas, Kim isola o país com sua política de autossuficiência (Juche), causando fome e falta de energia, problemas que o país tem até hoje.

Depois da morte, numa sucessão dinástica num regime comunista, é sucedido pelo filho e Querido Líder Kim Jong Il, que explode a primeira bomba atômica do país em 2006. Ao morrer, em 2011, ascende ao poder seu filho Kim Jong Un, neto do Grande Líder, que acelera os programas de mísseis e de armas nucleares - e ameaça bombardear os EUA.

O presidente Donald Trump faz três encontros de cúpula com o jovem Kim. Legitima o ditador na expectativa de desnuclearizar a Península Coreana, mas as negociações não avançam. 

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Trump se apresenta à Justiça e declara inocência na tentativa de golpe

 O ex-presidente Donald Trump se apresentou nesta quinta-feira no tribunal federal de Washington e se declarou inocente das quatro acusações por tentativa fraudar o resultado da eleição de 2020 para ficar no poder, num golpe de Estado sem precedentes na história dos Estados Unidos, onde há mais de 130 anos há uma transição pacífica quando é eleito um novo presidente. Trump se declarou vítima de uma perseguição política por ser candidato à Casa Branca em 2024.

A juíza Moxila Upadhyaya chegou com 15 minutos de atraso à sala de sessões, onde Donald Trump aguardava nervoso ao lado dos advogados Todd Blanche e John Lauro. Na mesma sala onde o presidente Richard Nixon foi intimado a entregar as fitas com as gravações das conversas secretas na Casa Branca, o ex-presidente deu seu nome: Donald John Trump. Idade: 77 anos.

Depois de dizer a Trump que ele tinha o direito de ficar calado para não se incriminar, a juíza citou as principais acusações e a pena máxima para cada uma. Conspiração contra as instituições: 5 anos. Obstrução de procedimento oficial (certificação da vitória de Joe Biden): 20 anos. Conspiração para impedir um procedimento oficial: 25 anos. Conspiração para violar os direitos (ao negar o direito de votar e de ter o voto contado honestamente em sete estados onde tentaram mudar o resultado da eleição presidencial).

Na denúncia, o procurador especial Jack Smith alegou que Trump mentiu deliberadamente durante mais de dois meses dizendo que houve fraude e ele era o legítimo vencedor da eleição. Assim, o presidente derrotado incitou seus seguidores a atacar o Congresso em 6 de janeiro de 2021 para impedir a confirmação da vitória de Biden.

A audiência durou 27 minutos. "Hoje é um dia triste para os EUA, a perseguição de um adversários políticos...algo que nunca deveria acontecer", declarou pouco tempo depois o ex-presidente, tentando fazer dos processos algo positivo para sua campanha eleitoral nas primárias do Partido Republicano. Trump e franco favorito, com 54% das preferências, mais de três vezes mais do que o segundo colocado. Nas pesquisas para a eleição nacional, Biden e Trump estão empatados em 43%.. 

Se for condenado pelas quatro acusações, Trump está sujeito a uma pena máxima de 55 anos de reclusão. 

Ele já era réu em dois processos criminais, por levar para casa documentos secretos capazes de comprometer a segurança nacional dos EUA e por falsificar documentos para encobrir, durante a campanha eleitoral de 2016, um pagamento para comprar o silêncio de uma atriz pornô com que teve um caso. 

Ao todo, são três processos com 78 acusações. Também deve ser denunciado em breve por pressionar autoridades do estado da Geórgia a mudar o resultado da eleição de 2020 para lhe dar a vitória.

sábado, 8 de julho de 2023

Hoje na História do Mundo: 8 de Julho

ALMIRANTE PERRY AMEAÇA O JAPÃO

    Em 1853, o almirante Matthew Perry entra na Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios e ameaça bombardear a cidade para abrir o Japão ao comércio internacional.


 
Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em março de 1854 com nove navios.

Sem condições de reagir, os japoneses aceitam certas do presidente Millard Fillmore. Os Estados Unidos se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fechou para estrangeiros.

Desde 1639, só a China e a Holanda comerciavam com o Japão e apenas da ilha de Dejima, em Nagasaki, a segunda cidade bombardeada com uma bomba atômica, em 9 de agosto de 1945.

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a abertura de um consulado norte-americano no país.

A pressão dos EUA acaba com  o xogunato, terminando com a Idade Média japonesa em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador. 

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrenta o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial.

MacARTHUR COMANDA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman nomeia o general Douglas MacArthur comandante militar dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53), um dia depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomenda que as forças internacionais sejam colocadas sob o comando militar norte-americano.

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os EUA ocupam o Sul da Península Coreana. A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Nagasaki, e invade o Norte da Coreia.

A península é dividida oficialmente em 1948, quando nascem a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em 25 de junho de 1950, o Norte, comunista, invade o Sul para tentar reunificar a Coreia. Como a União Soviética estava boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, os EUA obtiveram um mandato do Conselho de Segurança, que têm até hoje, para reunificar a Península Coreana.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz.

GOLPE NA GUATEMALA

    Em 1954, o coronel Carlos Castillo Armas toma o poder na Guatemala no segundo golpe de Estado articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria, o primeiro na América Latina. 

A história é contada no livro de ficção Weekend in Guatemala, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1967.

O golpe derruba o presidente nacionalista Jacobo Árbenz, que fizera uma reforma agrária e estatizara propriedades da companhia bananeira United Fruit, que muda de nome para Chiquita Brands para tentar apagar a imagem associada a golpes de Estado.

Depois da Colômbia, a Guatemala foi o país com o maior número de mortos na América Latina durante a Guerra Fria, entre 150 e 200 mil. A democracia só é restaurada plenamente no país em 1984, mas a corrupção é endêmica até hoje.

O primeiro golpe militar apoiado pelos EUA na Guerra Fria é em 1953, no Irã, contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano.

Ao falar sobre o golpe militar de 1964 no Brasil num curso sobre a história da política externa brasileira, o embaixador Gélson Fonseca disse acreditar que a principal causa do apoio dos EUA foi econômica. Os EUA temeriam especialmente Leonel Brizola, que havia estatizado empresas transnacionais quando era governador do Rio Grande do Sul.

MORTE DO GRANDE LÍDER

    Em 1994, morre o Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.


 Kim luta nos anos 1930 contra a ocupação japonesa e é escolhido pela União Soviética, onde faz treinamento político e militar. Ele luta pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial (1939-45), funda a Coreia do Norte em 1948 e inicia a Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, tentando reunificar o país sob o regime comunista.

Com a intervenção militar dos Estados Unidos e depois a China, a guerra termina num impasse, sem mudar a divisão da Coreia. Nas próximas quatro décadas, Kim isola o país com sua política de autossuficiência (Juche), causando fome e falta de energia, problemas que o país tem até hoje.

Depois da morte, numa sucessão dinástica num regime comunista, é sucedido pelo filho e Querido Líder Kim Jong Il, que explode a primeira bomba atômica do país em 2006. Ao morrer, em 2011, ascende ao poder seu filho Kim Jong Un, neto do Grande Líder, que acelera os programas de mísseis e de armas nucleares - e ameaça bombardear os EUA.

O presidente Donald Trump faz três encontros de cúpula com o jovem Kim. Legitima o ditador na expectativa de desnuclearizar a Península Coreana, mas as negociações não avançam. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 10 de Novembro

 FUZILEIROS NAVAIS

    Em 1775, durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83), o Congresso Continental aprova uma resolução para criar "dois batalhões de fuzileiros navais", soldados de infantaria embarcados na recém-criada Marinha para desembarcar em operações de assalto anfíbio.

A data é comemorada como o nascimento do Corpo dos Fuzileiros Navais, uma das armas das Forças Armadas dos EUA. 

Depois do fim da guerra, tanto a Marinha quanto os batalhões de fuzileiros navais são desmobilizados. Mas os conflitos no mar com a França revolucionária levaram à recriação da Marinha em maio de 1798. Dois meses depois, em 11 de julho, o Corpo de Fuzileiros Navais torna-se uma força permanente, sob o controle do Departamento da Marinha.

Além da quase guerra com a França, os fuzileiros navais combatem a pirataria no Oceano Atlântico e invadem o Marrocos. Até hoje, os marines participaram de mais de 300 invasões norte-americanas. Os EUA têm hoje 181,2 mil fuzileiros navais.

ESTADO NOVO

    Em 1937, o presidente Getúlio Vargas dá um golpe de Estado, impõe uma Constituição outorgada, fecha o Congresso e instaura a ditadura do Estado Novo, um período marcado pelo autoritarismo, o nacionalismo, a censura, a tortura e o anticomunismo, sob inspiração do nazifascismo europeu.

A desculpa para o golpe é o Plano Cohen, uma suposta conspiração comunista para tomar o poder no Brasil. Mais tarde, sabe-se que foi forjado pelo capitão Olímpio Mourão Filho, o mesmo que, como coronel, deflagra o golpe militar de 1964 ao marchar da guarnição de Juiz de Fora rumo ao Rio de Janeiro.

Em manifesto à nação, Vargas alega que o golpe visa a "ajustar o organismo político às necessidades econômicas do país".

A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1939-45) ao lado dos Estados Unidos e os ataques de submarinos alemães a navios brasileiros no Oceano Atlântico afastam o Brasil do nazifascismo. 

Com o fim da guerra, Vargas cai e o país vive seu primeiro período democrático, sob a Constituição de 1946, até o golpe militar de 31 de março de 1964, início de uma ditadura de 21 anos.

SARO-WIWA ENFORCADO

    Em 1995, a ditadura do general Sani Abacha enforca o escritor e ativista nigeriano Ken Saro-Wiwa e outros oito militantes do Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogôni.

O escritor pretexta inocência e afirma estar sendo condenado por criticar a exploração de petróleo nas terras da etnia ogôni pela empresa multinacional Shell, mas Abacha rejeita os pedidos de clemência e até mesmo de adiar a execução.

A ditadura acaba com a morte de Abacha, em 8 de junho de 1998, envenenado, possivelmente com Viagra falsificado, quando fazia festa com duas prostitutas. Desde então, a Nigéria vive um período democrático.

sábado, 8 de junho de 2019

Sudão prende líderes da oposição apesar da tentativa de mediação da Etiópia

Dois líderes da oposição que resiste a um golpe militar no Sudão foram presos ontem, pouco depois de se encontrar com o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, que tenta mediar o conflito, noticiou hoje a agência Reuters.

Em Cartum, Abiy se reuniu separadamente com a junta militar que derrubou em abril o ditador Omar Bachir e com a oposição que luta pela democratização do país. A oposição descreveu as prisões como uma recusa à mediação etíope e uma ameaça à prometida transição para a democracia.

A Etiópia, país com a segunda maior população da África, é hoje dos que mais crescem no mundo. O primeiro-ministro etíope a grande esperança para a democratização e a pacificação da região do Chifre da África.

No poder desde 2 de abril de 2018, Abiy mandou libertar milhares de presos políticos, acabou com o estado de emergência e reformou a lei antiterrorismo, usada para a repressão política. Também reatou relações diplomáticas com a vizinha Eritreia.

Abiy foi ao Sudão depois de um ataque dos militares e um acampamento de manifestantes da oposição, em 3 de junho, quando mais de 100 pessoas, talvez 200, foram mortas.

Em resposta, a oposição suspendeu o diálogo com a junta militar que derrubou Omar Bachir, que estava no poder desde 1989 e foi acusado por diversos massacres, inclusive o Genocídio de Darfur.

domingo, 18 de março de 2018

Descontentamento militar aumenta ameaça de golpe contra Maduro

Com a economia em colapso, cresce a ameaça de um golpe militar contra o ditador Nicolás Maduro na Venezuela. Há um expurgo silencioso em andamento dos oficiais que participaram da tentativa de golpe liderada pelo coronel Hugo Chávez contra o presidente Carlos Andrés Pérez, em 4 de fevereiro de 1992.

Mais de cem militares foram presos desde o início do ano, inclusive comandantes de batalhão, sargentos, tenentes e até mesmo generais. Na quinta-feira, foi detido o general Alexis López Ramírez, ex-secretário do Conselho de Defesa da Nação (Codena). As autoridades não confirmaram a prisão e a família não sabe onde ele está.

As casas dos coronéis Erik Peña e Igber José Marín Chaparro, comandante do Batalhão de Infantaria Motorizada Juan Pablo Ayala, foram revistadas por agentes da Direção Geral de Contrainteligência Militar na mesma quinta-feira. Eles foram detidos em 2 de março sob a suspeita de pertencerem ao Movimento de Transição para a Dignidade do Povo, de oposição a Maduro.

Em 14 de fevereiro, foram presos o ex-ministro do Interior general da reserva Miguel Rodríguez Torres e 19 oficiais da ativa da Força Armada Nacional Bolivarista (FANB), entre eles comandantes de unidades com alto poder de fogo.

Antes de sua prisão, o general López Ramírez manifestou solidariedade ao companheiro: "Minha solidariedade ao companheiro RodTor, suas filhas e toda a sua família. Tudo passará e a Venezuela recuperará o caráter republicano que nos legou Bolívar e a democracia que tanto esforço, sofrimento e sangue nos custou no século passado. Viva Bolívar! Viva a Venezuela!"

Um mês antes da prisão de Rodríguez, em 15 de janeiro, o policial e piloto de helicóptero rebelde Óscar Pérez foi sumariamente fuzilado quando tentava se entregar ao ser encurralado, meses depois de atacar o Ministério do Interior no ano passado.

Ao liquidar o Rambo venezuelano, o policial era dublê de personagem do cinema e da televisão, Maduro mandou um recado claro: nenhuma dissidência militar será tolerada. Com a oposição desarmada, o ditador sabe que qualquer desafio à sua autoridade virá dos homens em armas. O fim da ditadura depende de uma cisão interna.

Agora, o próximo preso seria o general Clíver Alcalá Cordones.

"Não tenho dúvidas em assinalar que a Venezuela enfrenta a pior crise militar desde 1992. A de 2002 foi palaciana, daí a diferença", alertou a advogada venezuelana Rocío San Miguel, diretora da organização não governamental Controle Cidadão, comparando a situação atual com o golpe contra o então presidente Hugo Chávez 16 anos atrás.

"Pela primeira vez em seis anos, incluo o golpe de Estado entre minhas hipóteses, não com alta probabilidade, mas sim como uma variável em crescimento sustentado. E não necessariamente violento, mas como um produto de um acordo do chavismo militar dentro da FANB", acrescentou a advogada.

Com o colapso da economia, 40% menor do que em 2013, quando Chávez morreu, uma inflação de 13.000% ao ano, dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), e desabastecimento generalizado, os venezuelanos estão passando fome. Cada cidadão perdeu em média oito quilos nos últimos anos.

O governo Maduro distribui cestas básicas na periferia na campanha para a eleição presidencial de 20 de maio, mas policiais e militares de baixas patentes estão excluídos das mordomias do fracassado "socialismo do século 21". Suas famílias também passam fome e outras necessidades, como a falta de medicamentos básicos. A inquietação nos quartéis mina o regime. A fome tem um poder revolucionário.

Entre os presos, "não há militares oposicionistas", observa a analista Sebastiana Barráez. "Tinham comando e só aos mais testados dão poder de fogo." Ela entende que Maduro "pôs toda a FANB sob suspeita porque acabam de cair os 'incondicionais', os 'profundamente chavistas' e do componente mais determinante, o Exército. Está justificado o alarme."

O expurgo dos "profundamente chavistas", os aliados de primeira hora da tentativa de golpe de 1992, com a prisão do ex-ministro Rodríguez Torres, na opinião da advogada Rocío San Miguel, "é apenas uma mostra da ruptura em marcha entre o chavismo e o madurismo nas FANB. São previsíveis novas prisões nas próximas horas", previu, antes da detenção de López Ramírez.

"Aqui não pode haver golpe de Estado. Estamos no século 21", declarou à televisão estatal TeleSur o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, homem-forte do regime. Mas admitiu: "Agora, há tentativas e conspirações, e do império estão movimentando suas marionetes aqui na Venezuela, tentando fazer o que é impossível, usar a FANB com propósitos obscuros. A FANB está curada, tem maturidade política suficiente, tem integridade constitucional suficiente."

Por outro lado, a oposição formou a Frente Ampla Venezuela Livre para protestar contra a eleição presidencial antecipada por Maduro. Durante várias reuniões durante o fim de semana, uma nota foi lida na Universidade Andrés Bello: "Ratificamos a Assembleia Nacional como único órgão legislativo e desconhecemos a assembleia nacional constituinte que, sem tempo nem condições, convocou um evento presidencial, legislativo, regional e municipal que deveria ser feito de forma separada por ordem constitucional. Propomos uma ampla aliança em que esteja incorporada a FANB para dizer não à farsa eleitoral. Queremos votar, mas sem repressão, perseguição e inabilitação."

domingo, 19 de novembro de 2017

Partido tira Mugabe da liderança e o pressiona a renunciar

Depois de uma manifestação de massa organizada ontem pelos militares golpistas, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF) destituiu hoje o ditador Robert Mugabe da liderança do partido e expulsou sua mulher, Grace Mugabe, que pretendia sucedê-lo. O novo líder do partido é o vice-presidente Emmerson Mnangagwa, afastado na semana passada por Mugabe, o que deflagrou o golpe de Estado.

Mugabe, de 93 anos, estava no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980. Em prisão domiciliar desde quarta-feira, lee negocia seu destino com a mediação da Igreja Católica. Depois de 37 anos no poder, é um líder sem partido e seus principais assessores foram presos pelos militares. Ele faz um pronunciamento pela televisão hoje à noite. A agência Reuters noticiou que ele vai renunciar.

"O partido não pode tirá-lo da Presidência, então o efeito legal da votação é limitado", observou o advogado constitucionalista Fadzayi Mahere.

Se as milhares de pessoas que saíram ontem às ruas de Harare protestassem semanas atrás, provavelmente o Exército abriria fogo contra a multidão. A oposição exige a renúncia de Mugabe e a convocação de eleições antecipadas.

Em 2000, num memorando interno do Departamento de Estado americano vazado posteriormente pelo sítio de pirataria cibernética WikiLeaks, o vice-presidente Mnangagwa foi descrito como "amplamente temido e desprezado através do país", que "pode ser um líder ainda mais repressivo do que Mugabe".

O outro homem-forte do Zimbábue é o ministro da Defesa, general Constantino Chiwenga, que foi a Beijim pedir o apoio da China, maior investidor estrangeiro no país, que sofre boicote das potências ocidentais por causa das violações aos direitos humanos cometidas pela ditadura de Mugabe.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Golpe militar derruba ditador do Zimbábue

O Exército do Zimbábue, no Sul da África, ocupou hoje a televisão estatal e mantém o ditador Robert Mugabe, de 93 anos, que estava no poder desde 1980, sob prisão domiciliar, informou o jornal britânico The Guardian. Na semana passada, Mugabe destituiu o vice-presidente Emmerson Mnangagwa, abrindo caminho para ser substituído por sua mulher, Grace Mugabe, 41 anos mais jovem do que ele.

Em pronunciamento na TV, os militares afirmaram que não se trata de um golpe de Estado. Eles estariam apenas afastando "criminosos" que cercam o presidente e seriam responsáveis pela manobra. Grace Mugabe teria fugido do país. A primeira-dama, conhecida como Gucci Grace por seu consumo de marcas de luxo, estaria na Namíbia.

Pelo telefone, o ditador falou com o presidente da África do Sul, Jacob Zuma. Mugabe disse que está bem, mas não pode sair de casa.

Herói da independência, conquistada em 1980, com o fim do governo supremacista branco da antiga Rodésia do Sul, Mugabe derrotou os outros líderes da independência para se tornar chefe supremo de um país que chegou a ser conhecido como o "celeiro da África".

A oposição só teve força para desafiar o governo nas urnas no fim do século passado. Mugabe acusou os Estados Unidos e o Reino Unido, a antiga potência colonial, e lançou um movimento para tomar as terras dos brancos, causando uma profunda crise econômica, com queda de um terço no produto interno bruto, o que levou o Zimbábue à hiperinflação de 500 bilhões por cento ao ano.

Sob pressão das potências ocidentais, Mugabe recorreu à China, que vem fortalecendo seus laços com a África para garantir o suprimento de matérias-primas. O golpe veio depois de uma visita do comandante das Forças Armadas, general Constantino Chiwenga, a Beijim na semana passada.

Chiwenga foi para a China em 5 de novembro. Seu alerta era que um dos expurgo nas Forças Armadas liderado pela facção G40 da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF), liderada por Grace Mugabe, prejudicaria os interesses chineses no país. O presidente acusou o vice de acirrar a divisão do partido do governo e Grace Mugage o chamou de "golpista" e "covarde".

Mugabe aproveitou a ocasião a viagem do general à China para derrubar Mnangagwa por carta, em 6 de novembro. O ministro da Informação, Simon Khaya Moyo, acusou o vice-presidente de "deslealdade, desrespeito e inconfiabilidade".

Em 7 de novembro, Mugabe demitiu três aliados do vice-presidente afastado: os ministros da Segurança Cibernética, Patrick Chinamasa; do Meio Ambiente, Oppah Muchinguri; e o chefe da Casa Civil, Chris Mushohwe. Com a ajuda do filho, Mnangagwa cruzou a fronteira com Moçambique e de lá foi para a África do Sul.

Do exterior, em 8 de novembro, o ex-vice-presidente fez pesadas críticas a Mugabe e seu grupo, acusando-o pela crise econômica e de tratar o partido e o país como propriedades de sua família.

O aeroporto internacional de Harare foi rebatizado como Aeroporto Robert Mugabe em 9 de novembro. Vai passar por obras de ampliação e modernização no valor de US$ 153 milhões financiados pelo Banco de Exportações e Importações da China. No mesmo dia, o ministro das Finanças, Ignatius Chombo, estimou o déficit orçamentário para este ano em US$ 1,82 bilhão, 11,2% do produto interno bruto.

O general Chiwenga voltou no domingo, dia 12, da China via África do Sul, outro aliado importante a ser avisado da conspiração golpista. Quando soube que o chefe de polícia, Augustine Chinuri, tinha ordens para prendê-lo, preparou uma recepção com muitos soldados e resistiu às pressões de Mugabe para deixar o comando das Forças Armadas.

Em 13 de novembro, o general convocou uma entrevista coletiva em que responsabilizou o faccionalismo dentro do partido nos últimos cinco anos pela crise econômica.  Chiwenga atribuiu os problemas do Zimbábue a "elementos que não participaram como nós da guerra da libertação", referindo-se ao grupo de Grace Mugabe, e pediu o fim do expurgo dos "veteranos de guerra".

A declaração de Chiwenga foi divulgada na versão digital do jornal The Herald, mas logo a notícia foi retirada e não saiu na edição impressa no dia 14.

O presidente do setor jovem do ZANU-PF, Kudzanai Chipanga, entrou em cena no dia 14 denunciando os militares pelos "15 bilhões desaparecidos", a renda do comércio de diamantes. Chipanga prometeu defender a revolução. Seu discurso foi transmitido pela mídia oficial.

Enquanto o ministro da Informação declarava que "o governo quer reafirmar a primazia da política sobre as armas", os militares se mobilizavam sob a chefia de Chiwenga para tomar o poder. No telejornal das oito da noite, a televisão estatal Zimbabwe Broadcasting Corporation (ZBC) não divulgou a mensagem do comandante das Forças Armadas. Os militares ocuparam a emissora. O noticiário das 23h não foi ao ar.

Às duas da madrugada de 15 de novembro, houve tiros e explosões em Harare, confundidos com os trovões de uma forte tempestade tropical. Os militares cercavam o palácio presidencial. Às quatro da madrugada, o general Sibusiso Moyo leu uma declaração na TV dizendo que o ditador e a família estavam em segurança.

"Estamos alvejando apenas os criminosos ao redor dele que estão cometendo crimes e causando sofrimento econômico e social ao país", disse a nota do comando das Forças Armadas. "Pedimos a vocês que permaneçam em calma e evitem movimentações desncessárias."

Os militares prometeram proteger os funcionários públicos de expurgos que o governo estaria planejando e insistiu que não estavam dando um golpe. Isso obrigaria a União Africana a adotar sanções contra o Zimbábue.

"O que as Forças Armadas estão fazendo a pacificar uma situação econômica, política e social degenerada em nosso país que, se não resolvida, pode resultar num conflito violento", acrescentou o pronunciamento, advertindo "as outras forças de segurança" a aderir ao golpe.

ÀS 5h30 (1h30 em Brasília), tanques e soldados em uniforme de combate bloqueavam os acessos ao centro financeiro de Harare. A chuva parou. Uma forte neblina caiu sobre a cidade. As entradas e saídas, o aeroporto da capital, o jornal The Herald e a TV ZBC estavam sob controle militar.

Durante toda a manhã, a ZBC repetiu as declarações do comandante das Forças Armadas e o pronunciamento do porta-voz do golpe, entremeados por clipes de músicas da luta pela libertação.

Na prática, o golpe desnuda a luta pela poder dentro do partido do governo (ZANU-PF), na sucessão do envelhecido, corrupto e decadente pai da pátria. A oposição, liderada pelo Movimento pela Mudança Democrática (MDC), exige o "retorno à democracia".

sábado, 1 de julho de 2017

Vice-presidente acusa procuradora-geral da Venezuela de articular golpe

Depois de três meses de protestos diários contra a ditadura de Nicolás Maduro, com 83 mortos e cerca de 1,5 mil feridos, o vice-presidente Tareck El Aissami acusou a procuradora-geral Luisa Díaz Ortega de articular um golpe de Estado na Venezuela.

Em entrevista ao vivo por telefone na televisão estatal, o vice-presidente afirmou que Luisa Ortega e seus assessores diretos "fazem parte do golpe". A acusação foi feita horas depois que a procuradora-geral convocou o chefe dos serviços secretos e o ex-comandante recém-demitido da Guarda Nacional Bolivarista para responder sobre as violações de direitos humanos na repressão aos protestos populares.

Ortega, nomeada em 2007 pelo então presidente Hugo Chávez, mentor de Maduro, repudiou a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte eleita por movimentos populares subservientes ao regime chavista, numa manobra do ditador para cassar a Assembleia Nacional, hoje dominada pela oposição.

A procuradora-geral considera a medida uma traição à memória de Chávez, principal responsável pela atual Constituição da República Bolivarista da Venezuela. Ela também foi contra a tentativa de Maduro de transferir o Poder Legislativo para o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), igualmente subserviente ao Executivo.

Dias atrás, o TSJ retirou os poderes da procuradora-geral, transferindo-os para o "ouvidor" do governo para direitos humanos, congelou seus bens e contas bancárias e a proibiu de sair do país. O Supremo inicia na próxima semana o julgamento de Ortega, que não reconhece a autoridade do tribunal, acusando-o de "desmantelar o Estado".

Também nessa semana, um helicóptero pilotado por um chefe do serviço de inteligência policial sobrevoou Caracas e divulgou mensagem contra o governo em nome de militares, policiais e funcionários públicos.

A aeronave sobrevoou a capital venezuelana durante meia hora. Há quem suspeite que foi uma jogada de Maduro para denunciar uma tentativa de golpe. De outra forma, aviões de caça da Força Aérea o teriam interceptado.

O país vive a pior crise de sua história republicana, com inflação de 900% ao ano, queda de mais de 20% do produto interno bruto em dois anos e desabastecimento de mais de 80% dos produtos básicos, o que tem provocado sucessivos saques.

sábado, 1 de abril de 2017

Supremo recua e anula golpe na Venezuela

Diante da forte reação externa e interna, inclusive dos militares e dentro do regime chavista, o presidente Nicolás Maduro recuou e pediu ao Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela que anule a decisão que usurpava os poderes da Assembleia Nacional, dominada pela oposição, num golpe de Estado.

Em 29 de março, o Supremo venezuelano decidiu que a Assembleia Nacional desacatou a Justiça ao dar posse a três deputados acusados de compra de votos e anunciou que assumiria os poderes legislativos.

Ontem a procuradora-geral Luisa Ortega Díaz, responsável por vários processos políticos contra oposicionistas, denunciou a medida como uma "violação da ordem constitucional", um golpe de Estado.

Sob pressão, Maduro foi à televisão e convocou o Conselho de Segurança da Nação para mediar o que chamou de "impasse entre o Ministério Público e o Tribunal Supremo de Justiça". Pouco depois da meia-noite pela hora local (1h em Brasília), o presidente reapareceu na TV para pedir ao tribunal para rever sua decisão e declarou: "A Constituição venceu."

Com uma ampla vitória nas eleições parlamentares de 6 de dezembro de 2015, a primeira da oposição em 17 anos, a aliança Mesa da Unidade Democrática (MUD) obteve uma maioria de dois terços na
Assembleia Nacional. Isso lhe permitiria mudar a Constituição.

Dias antes da posse, a Justiça, dominada pelo regime chavista, impugnou os mandatos de três deputados alegando fraude eleitoral e compra de votos. Desde então, o Supremo anula a maioria das decisões da Assembleia.

No ano passado, a oposição tentou convocar um referendo para revogar o mandato de Maduro, como prevê a Constituição da República Bolivarista da Venezuela. Mais uma vez, a Justiça bloqueou a iniciativa oposicionista demorando a validar as assinaturas dos abaixo-assinados a favor da consulta popular.

Se o mandato fosse revogado na primeira metade, haveria nova eleição presidencial. Depois disso, assumiria o vice-presidente nomeado por Maduro.

Além da procuradora-geral, a Frente Institucional Militar (FIM), formada por mais de 200 militares da reserva, pediu a intervenção das Forças Armadas para restaurar a democracia e a liberdade.

Por causa do fracasso das políticas chavistas do "socialismo do século 21" e da queda dos preços internacionais do petróleo desde 2014, a Venezuela vive a pior crise econômica de sua história, com inflação de 720% ao ano e queda estimada de 15% no produto interno bruto (o governo não divulga estatísticas oficiais), desabastecimento generalizado e cerca de 70% da população vive na miséria.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Procuradora-geral rompe com chavismo e denuncia golpe na Venezuela

A decisão do Tribunal Supremo de Justiça de cassar os poderes da Assembleia Nacional da Venezuela foi uma "violação da ordem constitucional", protestou hoje a procuradora-geral, Luisa Ortega Díaz. Ela rompe com o governo Nicolás Maduro depois de uma longa história de lealdade ao chavismo, noticiou o jornal venezuelano El Nacional.

Ao fazer hoje um balanço anual do desempenho do Ministério Público, Luisa Ortega listou as várias maneiras pelas quais o Supremo usurpou os poderes da Assembleia Nacional, dominada pela oposição desde o início de 2016. É a primeira dissidência aberta no alto escalão do regime desde que Maduro substituiu Hugo Chávez depois da morte do caudilho, em 2013.

Ortega afirmou ser sua "missão histórica incontornável" denunciar a "ruptura da ordem constitucional": "Pedimos uma reflexão para que o caminho democrático seja retomado", declarou a procuradora-geral responsável pelos processos políticos contra os líderes oposicionistas Antonio Ledezma e Leopoldo López.

O Supremo tomou essa decisão há dois dias. Alegou que a Assembleia Nacional havia desacatado a Justiça ao dar posse a três deputados que tiveram as eleições impugnadas por suposta compra de votos, numa manobra do regime chavista para negar à oposição a maioria de dois terços no Parlamento que permitiria mudar a Constituição.

Como se não tivesse nada a ver com o golpe, Maduro prometeu assumir "através do diálogo e da Constituição a tarefa de resolver o impasse surgido entre o Ministério Público e o Tribunal Supremo de Justiça, e convoco o Conselho de Segurança da Nação para esta noite mesmo para deliberar e tomar uma resolução que fortaleça a Constituição e dê paz e tranquilidade à Venezuela."

A Organização dos Estados Americanos (OEA), os Estados Unidos, a União Europeia e vários governos repudiaram o golpe de Maduro. A aliança oposicionista Mesa da Unidade Democrática acusou o Serviço de Inteligência Bolivarista (Sebin) de impedir a realização de uma entrevista coletiva para denunciar o golpe.

Neste sábado, o Mercosul faz uma reunião de emergência a pedido da Argentina e deve acionar a cláusula democrática, que já está afastada do bloco por não ter adotado as normas a que se comprometeu ao ingressar na organização regional.

Durante o dia de hoje, estudantes protestaram nas ruas de Caracas e enfrentaram a dura repressão da Guarda Nacional Bolivarista. Pelo menos dois estudantes foram presos e dois jornalistas foram agredidos pela polícia chavista.

A Frente Institucional Militar, formada por cerca de 200 oficiais da reserva, fez um apelo às Forças Armadas Nacionais Bolivaristas (FANB) para que derrubem o governo golpista e restabeleçam a democracia e a liberdade na Venezuela.

"As atuações triangulares dos poderes Executivo, Legislativo e Eleitoral, com o propósito avesso de anular as ações legais dos representantes do povo que conformam a soberana Assembleia Nacional, evidenciaram que o regime de Nicolás Maduro decidiu definitivamente tomar o rumo da ditadura", avaliam os militares da reserva.

Eles cobram medidas contra o golpe: "Todo país democrático e sua Força Armada Nacional, em especial, estão obrigados a tomar as medidas que estimem necessárias e convenientes para restabelecer a ordem constitucional conspurcada por sentenças aberrantes e inconstitucionais de um Tribunal Supremo de Justiça espúrio."

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Exército da Gâmbia ocupa comissão eleitoral em golpe militar

A vitória do empresário oposicionista Adama Barrow na eleição presidencial da Gâmbia foi saudada como um exemplo de alternância democrática na África. Durou pouco. Na semana passada, o ditador Yahya Jammeh, repudiou o resultado. Hoje o Exército tomou a sede da comissão eleitoral, num golpe de Estado, noticiou a agência Reuters.

Logo após o anúncio da derrota, Jammeh, no poder desde 1994, prometeu aceitar o resultado das urnas, mas voltou atrás e exigiu a realização de uma nova eleição. Para evitar o agravamento da situação, uma delegação de alto nível de países da África Ocidental chegou ontem à Gâmbia a fim de tentar convencer o presidente a acatar a vontade popular.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Assembleia Nacional da Venezuela decide processar Maduro

Depois que o Conselho Nacional Eleitoral, submisso ao regime chavista, suspendeu a coleta de assinaturas para convocar um referendo revogatório do presidente Nicolás Maduro, a Assembleia Nacional, de maioria oposicionista, denunciou um "golpe de Estado" e hoje abriu um processo "político e penal", acusando o presidente de "ruptura da ordem constitucional".

Como existe o referendo revogatório, a Constituição da República Bolivarista da Venezuela não prevê o processo de impeachment. A oposição alega que houve um "abandono do cargo" por Maduro ao rejeitar o referendo.

O presidente foi convocado para comparecer à Assembleia Nacional em 1º de novembro. Ele respondeu acusando a oposição de planejar um "golpe parlamentar" e prometeu comparecer à reunião de conciliação mediada pelo Vaticano marcada para 30 de outubro na Ilha Margarida.

Mesmo que o Parlamento condene Maduro, isso não será suficiente para destituí-lo. O Conselho Moral Republicano e o Tribunal Supremo de Justiça, ambos subservientes ao regime, podem barrar seu afastamento.

A oposição busca apoio externo para pressionar Maduro a aceitar o referendo revogatório, apelando a instituições internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA), o Mercosul e a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) para que acionem suas cláusulas democráticas contra o regime fascistoide venezuelano.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Presidente da Mauritânia manobra para ficar no poder

O presidente Mohamed Ould Abdelaziz convocou um diálogo nacional na Mauritânia sob o pretexto de reformar a Constituição, a ser concluído em 18 de outubro. Vários grupos de oposição o acusam de dar "um golpe de Estado institucional".

Abdelaziz ainda tem mais três anos de mandato. As oposições denunciam o diálogo e a reforma constitucional como jogadas para prorrogar o mandato ou acabar com os limites à reeleição presidencial.

Esse impasse político pode aumentar a instabilidade em mais um país muçulmano da África Ocidental.

sábado, 16 de julho de 2016

Turquia prende 754 militares golpistas

O governo da Turquia anunciou há pouco a prisão de 754 militares suspeitos de envolvimento na tentativa de golpe de Estado contra o presidente Recep Tayyip Erdogan e o governo do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), islamista moderado. 

Pelo menos 60 pessoas morreram e 150 saíram feridas dos combates entre os militares golpistas e as forças legalistas, a maioria na capital, Ancara.

Cerca de 50 soldados que haviam tomado a Ponte do Bósforo se renderam depois de matar três civis e disparar jatos d'água contra a polícia.

Depois de ficar horas desaparecido, o presidente Erdogan reapareceu no aeroporto de Istambul, que chegou a ser tomado pelos golpistas, e prometeu processar e punir os responsáveis.

Os tanques rebeldes chegaram a bombardear a Assembleia Nacional e a cercar o palácio presidencial, em Ancara, mas foram atacados por caças-bombardeiros da Força Aérea leais ao governo.

A Força Aérea também derrubou um helicóptero usado por golpistas. Pelo menos 17 policiais de forças especiais foram mortos pelos militares rebeldes, assim como três civis que desafiaram o bloqueio de uma das pontes que ligam a Europa à Ásia.