O Movimento ao Socialismo, partido do ex-presidente Evo Morales, quer cercar a cidade de La Paz impedindo a chegada de combustíveis e alimentos para forçar a população e as Forças Armadas a pedir a renúncia da presidente interina, Jeanine Áñez, e a volta do seu líder ao poder, noticiou o jornal boliviano Página Siete.
"Queremos que os ricos morram de fome", "que a presidente autoproclamada peça perdão de joelhos" e "queremos a cabeça de Mesa e Camacho" são os gritos de guerra do movimento indígena, principal base eleitoral de Morales. O ex-vice-presidente Carlos Mesa e o presidente do Centro Cívico pró-Santa Cruz, Luis Fernando Macho Camacho, são os principais líderes da oposição.
Esta estratégia estava traçada desde a renúncia coletiva do presidente, do vice-presidente e dos presidentes e primeiros vice-presidentes da Câmara e do Senado. Ao anunciar a renúncia, o vice Álvaro García Linera, citou uma frase do líder indígena Túpac Katari, que chefiou uma revolta contra o Império Espanhol no século 18: "Voltaremos e seremos milhões."
Em 13 de março de 1871, Túpac Katari iniciou um cerco de 11 meses. Agora, os agricultores de Río Abajo, Achocalla, Luribay, Sapahaqui e Patacamaya estão bloqueando estradas para impedir o abastecimento de comida às cidades de La Paz e El Alto.
"A La Paz, não vai chegar um grão de comida. Os produtores estão proibidos de tirar comida de suas granjas. É preferível que a comida apodreça do que ser dada aos brancos", declarou um dos líderes do movimento.
Os rebeldes liderados por Evo Morales, asilo no México, querem deixar a Polícia e as Forças Armadas sem combustível para que não possam reprimir o movimento. O terceiro passo será tomar a Praça Murillo e cercar a "Casa Grande do Povo", o palácio presidencial.
"O povo derrotará este golpe", declarou um dos entrevistados. "Não importa que haja mortes. É preciso recuperar a democracia." Outro dirigente do MaS conclamou os soldados e policiais e se amotinarem e não cumprirem as ordens de seus comandantes.
É uma receita para a guerra civil.
Morales renunciou sob pressão das Forças Armadas, da Polícia e da Central Operária Boliviana (COB) depois de concorrer a um quarto mandato, violando a norma constitucional que só permite uma reeleição, e de fraudar a eleição presidencial de 20 de outubro, como foi constatado pela missão observadora da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 17 de novembro de 2019
segunda-feira, 2 de abril de 2018
Exército da Índia enfrenta rebeldes da Caxemira em confronto mortal
Pelo menos 13 militantes islamistas, três soldados e quatro civis morreram numa operação do Exército da Índia no Vale da Caxemira contra grupos que lutam para que a região seja integrada ao Paquistão por ter maioria muçulmana. Foi o maior número de mortos no conflito num dia nos últimos anos.
Outras 70 pessoas saíram feridas na ação militar no distrito de Shopian. O Exército declarou que foi um sucesso: "É um dia especial para nossas forças", festejou o general A. K. Bhatt.
A Caxemira é uma região disputada entre a Índia e o Paquistão, inimigos históricos. Quando os dois países se tornaram independentes do Império Britânico, em agosto de 1947, os líderes das diversas regiões tiveram o direito de escolher onde ficariam.
Com uma exceção, as regiões de maioria muçulmana formaram o Paquistão e as de maioria hindu ficaram na Índia. O marajá Hari Singh, príncipe do estado de Jamu e Caxemira, preferiu se integrar à Índia.
Desde a independência, o Paquistão defende a realização de um plebiscito para que a população legal decida se gostaria de sair da Índia. Hoje uma parte da população defende a independência total da Caxemira. A Índia considera uma questão interna. Nega-se a internacionalizar o problema e levar para foros internacionais como a ONU.
Duas das três guerras indo-paquistanesas, em 1947 e 1965, foram causadas pela disputa pela Caxemira. A terceira, em 1971, foi a Guerra da Independência de Bangladesh ou República de Bengala.
Os dois inimigos históricos são potências nucleares assumidas oficialmente desde maio de 1998, mas fizeram seus primeiros testes nucleares décadas antes, a Índia em 1974, com ajuda da União Soviética, e o Paquistão em 1975, com apoio da aliada China.
As armas nucleares tiveram um efeito dissuasório. Desde que dominaram a bomba atômica, Índia e Paquistão não entraram mais em guerra, mas também não chegaram a um acordo de paz. A partir de 1989, grupos armados muçulmanos entraram na luta contra o que chamam de "ocupação indiana".
Quando começa o degelo, na primavera no Hemisfério Norte, os dois países se enfrentam ao longo de sua fronteira disputada. O conflito mais sério foi em 1999 em Kargil, situada a 205 quilômetros de Srinagar, a capital da Caxemira. É uma região gelada de 160 km de extensão, com postos militares a altitudes de até 5.485 metros. Pelo menos 1,2 mil pessoas morreram.
Em 2016, a insurgência se inflamou com a morte de Burhan Muzaffar Wani, um líder carismático. No domingo, houve um tiroteio na vila de Draged-Sugan. Sete milicianos foram mortos. Uma multidão saiu às ruas para protestar e dar cobertura à fuga dos rebeldes, pertencentes aos grupos Hizbul Mujahedin (Partido dos Guerreiros Santos) e Lashkar e-Taiba (Exército dos Puros).
O Exército da Índia atirou contra a multidão com balas de borracha, munição letal e gás lacrimogênio. A Internet foi desligada para impedir maior articulação dos manifestantes. Também houve um tiroteio ao redor da vila de Kachdora.
"Enquanto um caxemira estiver vivo, vamos apoiar os militantes", afirmou no hospital o estudante Numaan Ahmad Malik, de 27 anos, ferido no protesto.
No ano passado, de acordo com as autoridades indianas, 213 milicianos foram mortos, o maior número em sete anos.
"Para cada dez mortos, mais 20 pessoas vão aderir à luta até que esta terra seja libertada da ocupação indiana", desafiou Imtiyaz Ahmad, um manifestante de Kachdora.
Outras 70 pessoas saíram feridas na ação militar no distrito de Shopian. O Exército declarou que foi um sucesso: "É um dia especial para nossas forças", festejou o general A. K. Bhatt.
A Caxemira é uma região disputada entre a Índia e o Paquistão, inimigos históricos. Quando os dois países se tornaram independentes do Império Britânico, em agosto de 1947, os líderes das diversas regiões tiveram o direito de escolher onde ficariam.
Com uma exceção, as regiões de maioria muçulmana formaram o Paquistão e as de maioria hindu ficaram na Índia. O marajá Hari Singh, príncipe do estado de Jamu e Caxemira, preferiu se integrar à Índia.
Desde a independência, o Paquistão defende a realização de um plebiscito para que a população legal decida se gostaria de sair da Índia. Hoje uma parte da população defende a independência total da Caxemira. A Índia considera uma questão interna. Nega-se a internacionalizar o problema e levar para foros internacionais como a ONU.
Duas das três guerras indo-paquistanesas, em 1947 e 1965, foram causadas pela disputa pela Caxemira. A terceira, em 1971, foi a Guerra da Independência de Bangladesh ou República de Bengala.
Os dois inimigos históricos são potências nucleares assumidas oficialmente desde maio de 1998, mas fizeram seus primeiros testes nucleares décadas antes, a Índia em 1974, com ajuda da União Soviética, e o Paquistão em 1975, com apoio da aliada China.
As armas nucleares tiveram um efeito dissuasório. Desde que dominaram a bomba atômica, Índia e Paquistão não entraram mais em guerra, mas também não chegaram a um acordo de paz. A partir de 1989, grupos armados muçulmanos entraram na luta contra o que chamam de "ocupação indiana".
Quando começa o degelo, na primavera no Hemisfério Norte, os dois países se enfrentam ao longo de sua fronteira disputada. O conflito mais sério foi em 1999 em Kargil, situada a 205 quilômetros de Srinagar, a capital da Caxemira. É uma região gelada de 160 km de extensão, com postos militares a altitudes de até 5.485 metros. Pelo menos 1,2 mil pessoas morreram.
Em 2016, a insurgência se inflamou com a morte de Burhan Muzaffar Wani, um líder carismático. No domingo, houve um tiroteio na vila de Draged-Sugan. Sete milicianos foram mortos. Uma multidão saiu às ruas para protestar e dar cobertura à fuga dos rebeldes, pertencentes aos grupos Hizbul Mujahedin (Partido dos Guerreiros Santos) e Lashkar e-Taiba (Exército dos Puros).
O Exército da Índia atirou contra a multidão com balas de borracha, munição letal e gás lacrimogênio. A Internet foi desligada para impedir maior articulação dos manifestantes. Também houve um tiroteio ao redor da vila de Kachdora.
"Enquanto um caxemira estiver vivo, vamos apoiar os militantes", afirmou no hospital o estudante Numaan Ahmad Malik, de 27 anos, ferido no protesto.
No ano passado, de acordo com as autoridades indianas, 213 milicianos foram mortos, o maior número em sete anos.
"Para cada dez mortos, mais 20 pessoas vão aderir à luta até que esta terra seja libertada da ocupação indiana", desafiou Imtiyaz Ahmad, um manifestante de Kachdora.
domingo, 18 de março de 2018
Descontentamento militar aumenta ameaça de golpe contra Maduro
Com a economia em colapso, cresce a ameaça de um golpe militar contra o ditador Nicolás Maduro na Venezuela. Há um expurgo silencioso em andamento dos oficiais que participaram da tentativa de golpe liderada pelo coronel Hugo Chávez contra o presidente Carlos Andrés Pérez, em 4 de fevereiro de 1992.
Mais de cem militares foram presos desde o início do ano, inclusive comandantes de batalhão, sargentos, tenentes e até mesmo generais. Na quinta-feira, foi detido o general Alexis López Ramírez, ex-secretário do Conselho de Defesa da Nação (Codena). As autoridades não confirmaram a prisão e a família não sabe onde ele está.
As casas dos coronéis Erik Peña e Igber José Marín Chaparro, comandante do Batalhão de Infantaria Motorizada Juan Pablo Ayala, foram revistadas por agentes da Direção Geral de Contrainteligência Militar na mesma quinta-feira. Eles foram detidos em 2 de março sob a suspeita de pertencerem ao Movimento de Transição para a Dignidade do Povo, de oposição a Maduro.
Em 14 de fevereiro, foram presos o ex-ministro do Interior general da reserva Miguel Rodríguez Torres e 19 oficiais da ativa da Força Armada Nacional Bolivarista (FANB), entre eles comandantes de unidades com alto poder de fogo.
Antes de sua prisão, o general López Ramírez manifestou solidariedade ao companheiro: "Minha solidariedade ao companheiro RodTor, suas filhas e toda a sua família. Tudo passará e a Venezuela recuperará o caráter republicano que nos legou Bolívar e a democracia que tanto esforço, sofrimento e sangue nos custou no século passado. Viva Bolívar! Viva a Venezuela!"
Um mês antes da prisão de Rodríguez, em 15 de janeiro, o policial e piloto de helicóptero rebelde Óscar Pérez foi sumariamente fuzilado quando tentava se entregar ao ser encurralado, meses depois de atacar o Ministério do Interior no ano passado.
Ao liquidar o Rambo venezuelano, o policial era dublê de personagem do cinema e da televisão, Maduro mandou um recado claro: nenhuma dissidência militar será tolerada. Com a oposição desarmada, o ditador sabe que qualquer desafio à sua autoridade virá dos homens em armas. O fim da ditadura depende de uma cisão interna.
Agora, o próximo preso seria o general Clíver Alcalá Cordones.
"Não tenho dúvidas em assinalar que a Venezuela enfrenta a pior crise militar desde 1992. A de 2002 foi palaciana, daí a diferença", alertou a advogada venezuelana Rocío San Miguel, diretora da organização não governamental Controle Cidadão, comparando a situação atual com o golpe contra o então presidente Hugo Chávez 16 anos atrás.
"Pela primeira vez em seis anos, incluo o golpe de Estado entre minhas hipóteses, não com alta probabilidade, mas sim como uma variável em crescimento sustentado. E não necessariamente violento, mas como um produto de um acordo do chavismo militar dentro da FANB", acrescentou a advogada.
Com o colapso da economia, 40% menor do que em 2013, quando Chávez morreu, uma inflação de 13.000% ao ano, dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), e desabastecimento generalizado, os venezuelanos estão passando fome. Cada cidadão perdeu em média oito quilos nos últimos anos.
O governo Maduro distribui cestas básicas na periferia na campanha para a eleição presidencial de 20 de maio, mas policiais e militares de baixas patentes estão excluídos das mordomias do fracassado "socialismo do século 21". Suas famílias também passam fome e outras necessidades, como a falta de medicamentos básicos. A inquietação nos quartéis mina o regime. A fome tem um poder revolucionário.
Entre os presos, "não há militares oposicionistas", observa a analista Sebastiana Barráez. "Tinham comando e só aos mais testados dão poder de fogo." Ela entende que Maduro "pôs toda a FANB sob suspeita porque acabam de cair os 'incondicionais', os 'profundamente chavistas' e do componente mais determinante, o Exército. Está justificado o alarme."
O expurgo dos "profundamente chavistas", os aliados de primeira hora da tentativa de golpe de 1992, com a prisão do ex-ministro Rodríguez Torres, na opinião da advogada Rocío San Miguel, "é apenas uma mostra da ruptura em marcha entre o chavismo e o madurismo nas FANB. São previsíveis novas prisões nas próximas horas", previu, antes da detenção de López Ramírez.
"Aqui não pode haver golpe de Estado. Estamos no século 21", declarou à televisão estatal TeleSur o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, homem-forte do regime. Mas admitiu: "Agora, há tentativas e conspirações, e do império estão movimentando suas marionetes aqui na Venezuela, tentando fazer o que é impossível, usar a FANB com propósitos obscuros. A FANB está curada, tem maturidade política suficiente, tem integridade constitucional suficiente."
Por outro lado, a oposição formou a Frente Ampla Venezuela Livre para protestar contra a eleição presidencial antecipada por Maduro. Durante várias reuniões durante o fim de semana, uma nota foi lida na Universidade Andrés Bello: "Ratificamos a Assembleia Nacional como único órgão legislativo e desconhecemos a assembleia nacional constituinte que, sem tempo nem condições, convocou um evento presidencial, legislativo, regional e municipal que deveria ser feito de forma separada por ordem constitucional. Propomos uma ampla aliança em que esteja incorporada a FANB para dizer não à farsa eleitoral. Queremos votar, mas sem repressão, perseguição e inabilitação."
Mais de cem militares foram presos desde o início do ano, inclusive comandantes de batalhão, sargentos, tenentes e até mesmo generais. Na quinta-feira, foi detido o general Alexis López Ramírez, ex-secretário do Conselho de Defesa da Nação (Codena). As autoridades não confirmaram a prisão e a família não sabe onde ele está.
As casas dos coronéis Erik Peña e Igber José Marín Chaparro, comandante do Batalhão de Infantaria Motorizada Juan Pablo Ayala, foram revistadas por agentes da Direção Geral de Contrainteligência Militar na mesma quinta-feira. Eles foram detidos em 2 de março sob a suspeita de pertencerem ao Movimento de Transição para a Dignidade do Povo, de oposição a Maduro.
Em 14 de fevereiro, foram presos o ex-ministro do Interior general da reserva Miguel Rodríguez Torres e 19 oficiais da ativa da Força Armada Nacional Bolivarista (FANB), entre eles comandantes de unidades com alto poder de fogo.
Antes de sua prisão, o general López Ramírez manifestou solidariedade ao companheiro: "Minha solidariedade ao companheiro RodTor, suas filhas e toda a sua família. Tudo passará e a Venezuela recuperará o caráter republicano que nos legou Bolívar e a democracia que tanto esforço, sofrimento e sangue nos custou no século passado. Viva Bolívar! Viva a Venezuela!"
Um mês antes da prisão de Rodríguez, em 15 de janeiro, o policial e piloto de helicóptero rebelde Óscar Pérez foi sumariamente fuzilado quando tentava se entregar ao ser encurralado, meses depois de atacar o Ministério do Interior no ano passado.
Ao liquidar o Rambo venezuelano, o policial era dublê de personagem do cinema e da televisão, Maduro mandou um recado claro: nenhuma dissidência militar será tolerada. Com a oposição desarmada, o ditador sabe que qualquer desafio à sua autoridade virá dos homens em armas. O fim da ditadura depende de uma cisão interna.
Agora, o próximo preso seria o general Clíver Alcalá Cordones.
"Não tenho dúvidas em assinalar que a Venezuela enfrenta a pior crise militar desde 1992. A de 2002 foi palaciana, daí a diferença", alertou a advogada venezuelana Rocío San Miguel, diretora da organização não governamental Controle Cidadão, comparando a situação atual com o golpe contra o então presidente Hugo Chávez 16 anos atrás.
"Pela primeira vez em seis anos, incluo o golpe de Estado entre minhas hipóteses, não com alta probabilidade, mas sim como uma variável em crescimento sustentado. E não necessariamente violento, mas como um produto de um acordo do chavismo militar dentro da FANB", acrescentou a advogada.
Com o colapso da economia, 40% menor do que em 2013, quando Chávez morreu, uma inflação de 13.000% ao ano, dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), e desabastecimento generalizado, os venezuelanos estão passando fome. Cada cidadão perdeu em média oito quilos nos últimos anos.
O governo Maduro distribui cestas básicas na periferia na campanha para a eleição presidencial de 20 de maio, mas policiais e militares de baixas patentes estão excluídos das mordomias do fracassado "socialismo do século 21". Suas famílias também passam fome e outras necessidades, como a falta de medicamentos básicos. A inquietação nos quartéis mina o regime. A fome tem um poder revolucionário.
Entre os presos, "não há militares oposicionistas", observa a analista Sebastiana Barráez. "Tinham comando e só aos mais testados dão poder de fogo." Ela entende que Maduro "pôs toda a FANB sob suspeita porque acabam de cair os 'incondicionais', os 'profundamente chavistas' e do componente mais determinante, o Exército. Está justificado o alarme."
O expurgo dos "profundamente chavistas", os aliados de primeira hora da tentativa de golpe de 1992, com a prisão do ex-ministro Rodríguez Torres, na opinião da advogada Rocío San Miguel, "é apenas uma mostra da ruptura em marcha entre o chavismo e o madurismo nas FANB. São previsíveis novas prisões nas próximas horas", previu, antes da detenção de López Ramírez.
"Aqui não pode haver golpe de Estado. Estamos no século 21", declarou à televisão estatal TeleSur o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, homem-forte do regime. Mas admitiu: "Agora, há tentativas e conspirações, e do império estão movimentando suas marionetes aqui na Venezuela, tentando fazer o que é impossível, usar a FANB com propósitos obscuros. A FANB está curada, tem maturidade política suficiente, tem integridade constitucional suficiente."
Por outro lado, a oposição formou a Frente Ampla Venezuela Livre para protestar contra a eleição presidencial antecipada por Maduro. Durante várias reuniões durante o fim de semana, uma nota foi lida na Universidade Andrés Bello: "Ratificamos a Assembleia Nacional como único órgão legislativo e desconhecemos a assembleia nacional constituinte que, sem tempo nem condições, convocou um evento presidencial, legislativo, regional e municipal que deveria ser feito de forma separada por ordem constitucional. Propomos uma ampla aliança em que esteja incorporada a FANB para dizer não à farsa eleitoral. Queremos votar, mas sem repressão, perseguição e inabilitação."
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Manifestantes tocam fogo na Assembleia Nacional do Gabão
O anúncio da reeleição do presidente Ali Bongo tocou fogo hoje no Gabão. O candidato derrotado na eleição do último domingo, Jean Ping, contestou o resultado. Seus partidários saíram às ruas, enfrentaram a polícia e tentaram incendiar a Assembleia Nacional.
Houve confrontos violentos em Libreville, a capital do país. Em mensagem no Twitter, Ping acusou Bongo de mandar a guarda presidencial "atirar contra a população".
O resultado provisório dá a vitória ao presidente por 49,8% a 48,23%, com uma vantagem de 6 mil votos. Na província de Alto Ogoué, berço da família Bongo, no poder desde 1967, o comparecimento às urnas foi de 99,93% e 95% dos votos foram para o atual chefe de Estado, que sucedeu o pai em 2009.
A França, potência colonial que dominava o Gabão até 1960, a União Europeia e os Estados Unidos pediram uma recontagem dos votos urna a urna.
Rico em petróleo, este país do litoral atlântico da região Central da África tem a terceira maior renda média por habitante da África subsaariana pelo critério de paridade do poder de compra, depois da Guiné Equatorial e de Botsuana, equivalente a US$ 22,4 mil em 2014 pelos cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Houve confrontos violentos em Libreville, a capital do país. Em mensagem no Twitter, Ping acusou Bongo de mandar a guarda presidencial "atirar contra a população".
O resultado provisório dá a vitória ao presidente por 49,8% a 48,23%, com uma vantagem de 6 mil votos. Na província de Alto Ogoué, berço da família Bongo, no poder desde 1967, o comparecimento às urnas foi de 99,93% e 95% dos votos foram para o atual chefe de Estado, que sucedeu o pai em 2009.
A França, potência colonial que dominava o Gabão até 1960, a União Europeia e os Estados Unidos pediram uma recontagem dos votos urna a urna.
Rico em petróleo, este país do litoral atlântico da região Central da África tem a terceira maior renda média por habitante da África subsaariana pelo critério de paridade do poder de compra, depois da Guiné Equatorial e de Botsuana, equivalente a US$ 22,4 mil em 2014 pelos cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI).
domingo, 26 de junho de 2016
Partido Trabalhista britânico se rebela com derrota no plebiscito
O líder da "leal oposição ao governo de Sua Majestade", Jeremy Corbyn, enfrenta uma revolta do Partido Trabalhista depois do fracasso em mobilizar a esquerda para votar a favor da permanência do Reino Unido na União Europeia no plebiscito da quinta-feira passada.
Corbyn foi criticado pelo více-líder, Tom Watson, depois de afastar na madrugada de hoje o ministro ou porta-voz de Exterior do governo paralelo da oposição, Hilary Benn, ao saber pelo jornal The Observer deste domingo de uma conspiração para derrubá-lo da liderança trabalhista.
"Ele é um homem bom e decente", afirmou hoje Benn em entrevista a Andrew Marr, na BBC, "mas não é um líder."
Em reação contrária ao afastamento de Benn, oito ministros do governo paralelo pediram demissão. Antes de sair, numa conversa áspera com Corbyn, Benn disse que a bancada não acredita que o atual líder seja capaz de vencer as próximas eleições, que podem ser antecipadas diante da queda do primeiro-ministro derrotado David Cameron e da luta pela liderança do Partido Conservador.
Na manhã deste domingo, o ministro da Justiça, Michael Dove, apoiou o ex-prefeito de Londres Boris Johnson na disputa pela sucessão de Cameron como líder conservador e futuro chefe de governo.
O atual líder trabalhista é um político da velha esquerda eleito com o apoio dos sindicatos, uma base importante do partido, em oposição ao neotrabalhismo dos ex-primeiros-ministros Tony Blair e Gordon Brown. Em 1975, votou contra a adesão à Comunidade Econômica Europeia, que via como um projeto capitalista.
Sob pressão, nos últimos dias, Corbyn alegou que dois terços dos eleitores trabalhistas votaram a favor de ficar na UE, mas o comparecimento às urnas foi baixo, enquanto a direita e a extrema direita se mobilizaram.
A Europa garante vários direitos sociais aos trabalhadores. Apesar das promessas dos defensores da Brexit (Britain exit, saída britânica, em inglês) para seduzir os deserdados da globalização, o inevitável declínio econômico do país vai erodir ainda mais as conquistas da social-democracia europeia.
Corbyn foi criticado pelo více-líder, Tom Watson, depois de afastar na madrugada de hoje o ministro ou porta-voz de Exterior do governo paralelo da oposição, Hilary Benn, ao saber pelo jornal The Observer deste domingo de uma conspiração para derrubá-lo da liderança trabalhista.
"Ele é um homem bom e decente", afirmou hoje Benn em entrevista a Andrew Marr, na BBC, "mas não é um líder."
Em reação contrária ao afastamento de Benn, oito ministros do governo paralelo pediram demissão. Antes de sair, numa conversa áspera com Corbyn, Benn disse que a bancada não acredita que o atual líder seja capaz de vencer as próximas eleições, que podem ser antecipadas diante da queda do primeiro-ministro derrotado David Cameron e da luta pela liderança do Partido Conservador.
Na manhã deste domingo, o ministro da Justiça, Michael Dove, apoiou o ex-prefeito de Londres Boris Johnson na disputa pela sucessão de Cameron como líder conservador e futuro chefe de governo.
O atual líder trabalhista é um político da velha esquerda eleito com o apoio dos sindicatos, uma base importante do partido, em oposição ao neotrabalhismo dos ex-primeiros-ministros Tony Blair e Gordon Brown. Em 1975, votou contra a adesão à Comunidade Econômica Europeia, que via como um projeto capitalista.
Sob pressão, nos últimos dias, Corbyn alegou que dois terços dos eleitores trabalhistas votaram a favor de ficar na UE, mas o comparecimento às urnas foi baixo, enquanto a direita e a extrema direita se mobilizaram.
A Europa garante vários direitos sociais aos trabalhadores. Apesar das promessas dos defensores da Brexit (Britain exit, saída britânica, em inglês) para seduzir os deserdados da globalização, o inevitável declínio econômico do país vai erodir ainda mais as conquistas da social-democracia europeia.
domingo, 29 de maio de 2016
Rebeldes apoiados pela Rússia matam cinco soldados da Ucrânia
Nas últimas 24 horas, os rebeldes apoiados pela Rússia mataram cinco soldados do Exército da Ucrânia e feriram outros quatro nas províncias separatistas do Leste do país, afirmou um porta-voz militar ucraniano citado pela agência Reuters. Outros sete soldados da Ucrânia haviam sido mortos em 24 de maio.
O atual foco dos combates é cidade de Avdiikva, controlada pelo governo, que fica ao norte da cidade de Donetsk, dominada pelos rebeldes. Eles usaram armas leves e artilharia pesada, inclusive mosteiros.
A Rússia fomentou uma rebelião na Ucrânia depois da revolução da Praça Maidan, em Kiev. Uma onda de protestos de novembro de 2013 a fevereiro de 2014 derrubou o presidente Viktor Yanukovich, que sob pressão do Kremlin, havia rejeitado um acordo de associação com a União Europeia.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, denunciou um golpe de Estado e anexou em 17 de março de 2014 a península da Crimeia, uma região da Ucrânia de maioria russa onde fica a base naval da Frota do Mar Negro, que forneceu os soldados necessários.
Em abril daquele ano, começou a rebelião da população étnica e linguisticamente russa do Leste da Ucrânia. Um cessar-fogo anunciado em fevereiro de 2015 reduziu as hostilidades, mas não acabou com a guerra civil que causou mais de 7 mil mortes desde abril de 2014.
O reinício dos combates acontece no momento em que a UE decide se mantém as sanções econômicas impostas à Rússia junto com os EUA em resposta contra a intervenção militar russa na ex-república soviética da Ucrânia, que Moscou considera sua área de influência.
O atual foco dos combates é cidade de Avdiikva, controlada pelo governo, que fica ao norte da cidade de Donetsk, dominada pelos rebeldes. Eles usaram armas leves e artilharia pesada, inclusive mosteiros.
A Rússia fomentou uma rebelião na Ucrânia depois da revolução da Praça Maidan, em Kiev. Uma onda de protestos de novembro de 2013 a fevereiro de 2014 derrubou o presidente Viktor Yanukovich, que sob pressão do Kremlin, havia rejeitado um acordo de associação com a União Europeia.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, denunciou um golpe de Estado e anexou em 17 de março de 2014 a península da Crimeia, uma região da Ucrânia de maioria russa onde fica a base naval da Frota do Mar Negro, que forneceu os soldados necessários.
Em abril daquele ano, começou a rebelião da população étnica e linguisticamente russa do Leste da Ucrânia. Um cessar-fogo anunciado em fevereiro de 2015 reduziu as hostilidades, mas não acabou com a guerra civil que causou mais de 7 mil mortes desde abril de 2014.
O reinício dos combates acontece no momento em que a UE decide se mantém as sanções econômicas impostas à Rússia junto com os EUA em resposta contra a intervenção militar russa na ex-república soviética da Ucrânia, que Moscou considera sua área de influência.
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Hutis rejeitam pressão da ONU para ceder poder no Iêmen
Os rebeldes hutis, da minoria xiita zaidita, que no mês passado tomaram o poder no Iêmen, rejeitaram hoje as pressões das Nações Unidas para dividir o poder, noticiou a Agência France Presse.
As monarquias petroleiras do Golfo Pérsico, lideradas pela Arábia Saudita, querem que a ONU imponha sanções para forçar os rebeldes a ceder.
Nos últimos dias, os sutis tomaram três aviões de caça russos Shukoi e os levaram para uma de suas bases.
Mais pobre entre os países árabes, o Iêmen está à beira de uma nova guerra civil. Várias potências ocidentais (EUA, Alemanha, França, Itália e Reino Unido) fecharam suas embaixadas em Saná
Os hutis representam os grupos que dominavam o antigo Iêmen do Norte. Os sunitas são maioria no Sul. A divisão, que vem do período colonial, se mantém apesar da unificação do país, em 1990.
Para agravar a situação, a rede terrorista Al Caeda na Península Arábica se instalou no Iêmen para fugir da repressão na Arábia Saudita. É alvo frequente dos ataques de drones dos Estados Unidos.
As monarquias petroleiras do Golfo Pérsico, lideradas pela Arábia Saudita, querem que a ONU imponha sanções para forçar os rebeldes a ceder.
Nos últimos dias, os sutis tomaram três aviões de caça russos Shukoi e os levaram para uma de suas bases.
Mais pobre entre os países árabes, o Iêmen está à beira de uma nova guerra civil. Várias potências ocidentais (EUA, Alemanha, França, Itália e Reino Unido) fecharam suas embaixadas em Saná
Os hutis representam os grupos que dominavam o antigo Iêmen do Norte. Os sunitas são maioria no Sul. A divisão, que vem do período colonial, se mantém apesar da unificação do país, em 1990.
Para agravar a situação, a rede terrorista Al Caeda na Península Arábica se instalou no Iêmen para fugir da repressão na Arábia Saudita. É alvo frequente dos ataques de drones dos Estados Unidos.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Presidente de Burkina Fasso renuncia
Depois de um dia de revolta em que a sede do Parlamento foi incendiada e os militares dissolveram o governo e a Assembleia Nacional de Burkina Fasso, um país da África Ocidental, o presidente Blaise Compaoré renunciou ao cargo oficialmente hoje.
O comandante das Forças Armadas, general Nabéré Honoré Traoré, prometeu formar um governo provisório para devolver o poder aos civis em no máximo 12 meses.
Compaoré, no poder desde um sangrento golpe de Estado em que o então presidente foi morto, em 1987, era o principal aliado dos Estados Unidos e da França na luta contra extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.
Sua queda foi provocada por uma revolta popular contra uma proposta de emenda constitucional para autorizar Compaoré a concorrer a um quinto mandato. A multidão festejou hoje nas ruas da capital, Uagadugu. Agora, há uma expectativa de que a revolta inspire outros países africanos onde os presidentes se negam a deixar o cargo.
Burkina Fasso é um dos países mais pobres do mundo, o 181º no ranking de desenvolvimento humano das Nações Unidas, que prometeram enviar uma força de paz em conjunto com a União Africana.
O comandante das Forças Armadas, general Nabéré Honoré Traoré, prometeu formar um governo provisório para devolver o poder aos civis em no máximo 12 meses.
Compaoré, no poder desde um sangrento golpe de Estado em que o então presidente foi morto, em 1987, era o principal aliado dos Estados Unidos e da França na luta contra extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.
Sua queda foi provocada por uma revolta popular contra uma proposta de emenda constitucional para autorizar Compaoré a concorrer a um quinto mandato. A multidão festejou hoje nas ruas da capital, Uagadugu. Agora, há uma expectativa de que a revolta inspire outros países africanos onde os presidentes se negam a deixar o cargo.
Burkina Fasso é um dos países mais pobres do mundo, o 181º no ranking de desenvolvimento humano das Nações Unidas, que prometeram enviar uma força de paz em conjunto com a União Africana.
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sábado, 10 de maio de 2014
Alemanha e França advertem Rússia sobre Ucrânia
Em declaração conjunta, os principais líderes da União Europeia, o presidente da França, François Hollande, e a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, advertiram o presidente Vladimir Putin que os referendos sobre a independência de partes da Ucrânia são "ilegais". Eles ameaçaram impor novas sanções à Rússia se os aliados do Kremlin impedirem a realização de eleições parlamentares e presidencial em 25 de maio de 2014.
Na autoproclamada República Popular de Donetsk, os preparativos para o referendo continuam, apesar de terem sido desautorizados por Putin, num recuo tático do homem-forte da Rússia.
Na autoproclamada República Popular de Donetsk, os preparativos para o referendo continuam, apesar de terem sido desautorizados por Putin, num recuo tático do homem-forte da Rússia.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Total de mortos em Kiev sobe para 25
O total de mortos no dia mais violento na Ucrânia desde a independência da União Soviética, em dezembro de 1991, subiu para 25, com outras 256 pessoas feridas. Hoje o Ministério da Defesa negou ter convocado o Exército para dispersar os manifestantes, o que poderia agravar ainda mais a situação. A União Europeia ameaça impor sanções ao país.
Sob pressão das ruas para renunciar, o presidente Viktor Yanukovitch pediu aos oposicionistas que isolem os radicais. Ele é aliado ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, o que afastou a Ucrânia de negociações para se associar à União Europeia, em novembro de 2013, gerando a crise.
As Nações Unidas pediram uma investigação independente sobre o conflito de ontem, quando a tropa de choque tentou desalojar os manifestantes acampados na Praça da Independência, no centro da capital.
Sob pressão das ruas para renunciar, o presidente Viktor Yanukovitch pediu aos oposicionistas que isolem os radicais. Ele é aliado ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, o que afastou a Ucrânia de negociações para se associar à União Europeia, em novembro de 2013, gerando a crise.
As Nações Unidas pediram uma investigação independente sobre o conflito de ontem, quando a tropa de choque tentou desalojar os manifestantes acampados na Praça da Independência, no centro da capital.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Líder da oposição se entrega na Venezuela
O líder do partido oposicionista Vontade Popular, Leopoldo López, entregou-se hoje à Guarda Nacional da Venezuela depois de ser acusado pelo governo de incitar à violência política que causou quatro mortes em manifestações contra e a favor do regime chavista. A quarta morte, de um estudante de 17 anos que foi atropelado, foi confirmada hoje.
"Não tenho nada a esconder", declarou López, um economista de 42 anos formado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, citado pela agência Reuters. "Estou me entregando a uma Justiça injusta... Que a minha prisão sirva como um alerta para o povo."
A tensão é cada vez maior na Venezuela. Milhares de oposicionistas bloqueiam neste momento importantes avenidas de Caracas. O presidente Nicolás Maduro expulsou do país três diplomatas dos EUA acusando-os de fomentar a revolta nas universidades e articular um golpe de Estado.
López faz parte de setores mais radicais da oposição, que se opõe à estratégia do governador Henrique Capriles, derrotado nas duas últimas eleições presidenciais, de dialogar com os chavistas. O governo parece mais interessado no confronto, para justificar medidas repressivas.
Com a inflação em 56% e 26% dos produtos em falta nos supermercados, apagões, um dos maiores índices de homicídios do mundo e o dólar valendo 13 vezes mais no mercado paralelo do que no câmbio oficial, setores da oposição acreditam que chegou o momento de forçar a renúncia de Maduro, sucessor indicado por Chávez em dezembro de 2012, quando o caudilho venezuelano foi pela última vez a Cuba fazer tratamento para um câncer que o matou em 5 de março de 2013.
Sem o carisma de Chávez, Maduro tenta se sustentar como líder de um movimento cada vez mais dividido por sua própria incompetência em resolver os problemas da Venezuela. Como o ex-motorista de ônibus e líder sindical convertido em presidente pela morte do chefe insiste no discurso antiamericano e na denúncia da oposição como golpista, não há a menor indicação de que o regime esteja disposto a mudar a fracassada política econômica do "socialismo do século 21".
"Não tenho nada a esconder", declarou López, um economista de 42 anos formado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, citado pela agência Reuters. "Estou me entregando a uma Justiça injusta... Que a minha prisão sirva como um alerta para o povo."
A tensão é cada vez maior na Venezuela. Milhares de oposicionistas bloqueiam neste momento importantes avenidas de Caracas. O presidente Nicolás Maduro expulsou do país três diplomatas dos EUA acusando-os de fomentar a revolta nas universidades e articular um golpe de Estado.
López faz parte de setores mais radicais da oposição, que se opõe à estratégia do governador Henrique Capriles, derrotado nas duas últimas eleições presidenciais, de dialogar com os chavistas. O governo parece mais interessado no confronto, para justificar medidas repressivas.
Com a inflação em 56% e 26% dos produtos em falta nos supermercados, apagões, um dos maiores índices de homicídios do mundo e o dólar valendo 13 vezes mais no mercado paralelo do que no câmbio oficial, setores da oposição acreditam que chegou o momento de forçar a renúncia de Maduro, sucessor indicado por Chávez em dezembro de 2012, quando o caudilho venezuelano foi pela última vez a Cuba fazer tratamento para um câncer que o matou em 5 de março de 2013.
Sem o carisma de Chávez, Maduro tenta se sustentar como líder de um movimento cada vez mais dividido por sua própria incompetência em resolver os problemas da Venezuela. Como o ex-motorista de ônibus e líder sindical convertido em presidente pela morte do chefe insiste no discurso antiamericano e na denúncia da oposição como golpista, não há a menor indicação de que o regime esteja disposto a mudar a fracassada política econômica do "socialismo do século 21".
sábado, 29 de junho de 2013
Uigures atacam delegacia no Noroeste da China
De moto, com facas e canivetes, cerca de 200 pessoas atacaram hoje a delegacia de polícia de Hotã, na província de Xinjiang, no Noroeste da China, onde a polícia matou 35 manifestantes de minoria étnica uigur há poucos dias.
Em outros incidente, cerca de 200 pessoas foram acusadas pelo jornal estatal publicado em inglês The Global Times, de orientação comunista linha-dura, de "tentar criar problemas" numa zona comercial importante de Hotã.
Há um grupo rebelde na região, o Movimento pela Independênia do Turquestão Oriental, denunciado pelo governo central de Beijim como islamita e extremista.
Em outros incidente, cerca de 200 pessoas foram acusadas pelo jornal estatal publicado em inglês The Global Times, de orientação comunista linha-dura, de "tentar criar problemas" numa zona comercial importante de Hotã.
Há um grupo rebelde na região, o Movimento pela Independênia do Turquestão Oriental, denunciado pelo governo central de Beijim como islamita e extremista.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Líbia já matou 84 e bloqueia Internet
Em uma violenta reação contra a onda de manifestações que exige a queda do ditador Muamar Kadafi, as forças de segurança da Líbia já mataram 84, denunciou hoje a organização não governamental Human Rights Watch (Vigília dos Direitos Humanos). O governo cortou o acesso à Internet.
É a maior rebelião em 41 anos de ditadura do coronel Kadafi.
É a maior rebelião em 41 anos de ditadura do coronel Kadafi.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Conflitos matam mais quatro no Egito
Pelo menos quatro pessoas morreram quando a polícia atirou contra cerca de 3 mil manifestantes que exigiam a queda do presidente Hosni Mubarak na cidade de Kharga, na província do Vale Novo, que fica a 500 quilômetros ao sul do Cairo, no Oeste do Egito.
Em Porto Said, na orla do Mar Mediterrâno, uma multidão tocou fogo na sede do governo provincial.
No Cairo, além de manter a ocupação da Praça da Libertação, os manifestantes marcharam até o parlamento pelo segundo dia seguido para exigir a dissolução da Assembleia Nacional e o julgamento político do ditador.
O movimento pela democracia tenta manter o foco em questões para manter a mobilização pelo tempo que for necessário, enquanto o regime militar manobra claramente para esvaziar as manifestações e reduzir as concessões ao mínimo.
Chorando, em vídeo publicado na Internet, o ator e cantor popular Tamer Hosny pediu desculpas por ter pedido para o povo abandonar a praça e por não ter participado das manifestações desde o primeiro dia, 25 de janeiro. Ele disse que tinha sido convencido pelo governo de que assim salvaria vidas.
Em Porto Said, na orla do Mar Mediterrâno, uma multidão tocou fogo na sede do governo provincial.
No Cairo, além de manter a ocupação da Praça da Libertação, os manifestantes marcharam até o parlamento pelo segundo dia seguido para exigir a dissolução da Assembleia Nacional e o julgamento político do ditador.
O movimento pela democracia tenta manter o foco em questões para manter a mobilização pelo tempo que for necessário, enquanto o regime militar manobra claramente para esvaziar as manifestações e reduzir as concessões ao mínimo.
Chorando, em vídeo publicado na Internet, o ator e cantor popular Tamer Hosny pediu desculpas por ter pedido para o povo abandonar a praça e por não ter participado das manifestações desde o primeiro dia, 25 de janeiro. Ele disse que tinha sido convencido pelo governo de que assim salvaria vidas.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Aliados dos EUA pedem menos pressão sobre Egito
Os Estados Unidos estão sob pressão de Israel, da Arábia Saudita, da Jordânia e dos Emirados Árabes Unidos para pegar leve com o Egito a fim de evitar a desestabilização do regime militar, revela hoje o jornal NY Times.
Em telefonema ao vice-presidente Omar Suleiman, o vice-presidente americano Joe Biden pediu ontem o fim do estado de emergência; o fim das prisões arbitrárias de ativistas e jornalistas; um convite à oposição para formar um grupo de trabalho para preparar em conjunto com o governo um cronograma de transição; e ampla liberdade de expressão e de associação para fins pacíficos.
No 16º dia seguido de protestos para exigir a renúncia do presidente Hosni Mubarak, os manifestantes decidiram focar os protestos para não desmobilizar o movimento pela democracia. Pelo segundo dia seguido, foram até o parlamento exigir sua dissolução.
Na Praça da Libertação, a atração do dia na praça foi o popstar Tamer Hosny, que chegou a fazer um apelo contra as manifestações a pedido do governo. Ele chorou e pediu desculpas por não ter aderido ao movimento pela democracia no primeiro momento.
Também houve protestos em Alexandria.
Alguns sindicatos estão aderindo ao movimento e fazendo greves que podem atingir o Canal de Suez. Um manifestante foi morto em choque com a polícia a 500 km ao sul do Cairo.
• Um enviado especial da Rússia se encontrou com o presidente Mubarak e declarou apoio às aspirações do povo egípcio.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Oposição do Egito considera promessas insuficientes
Numa saída honrosa negociada pelo regime militar egípcio com os Estados Unidos, Mubarak pode ir fazer tratamento médico numa clínica em Baden Baden, na Alemanha, afirmou a revista alemã Der Spiegel.
Ao apoiar a negociação conduzida pelo vice-presidente Omar Suleiman, ex-chefe do serviço secreto egípcio, os EUA correm o risco de alienar o movimento pela democracia, comenta o jornal The New York Times, observando que o regime militar resiste há anos a fazer qualquer reforma democratizante.
A Irmandade Muçulmana, o maior grupo de oposição, que é ileral, declarou que só volta a negociar se as reivindicações populares de renúncia de Mubarak e dissolução do parlamento estiverem na mesa.
Ontem à noite, houve tiros na Praça da Libertação, disparados por soldados do Exército que gostariam de dispersar a multidão. Não adiantaram.
Quando raiou o dia, o acampamento rebelde estava lá, sendo engrossado por mais militantes com malas e barracas para resistir enquanto for preciso.
Em uma reunião ministerial presidida por Mubarak, o governo anunciou um reajuste de 15% nos salários e pensões do setor público.
Apesar do diálogo, o governo prendeu nos útimos dias ativistas dos direitos humanos, organizadores dos protestos e jornalistas sem ordem judicial, mostrando que o regime trata ao mesmo tempo de esvaziar os protestos, fazer promessas vagas e manter a repressão.
Os bancos voltaram a funcionar, mas a Bolsa do Cairo fica fechada mais uma semana. As autoridades temem um colapso do mercado, com fuga em massa de capital. O país estaria perdendo US$ 300 milhões por dia com a crise.
Outras reportagens sugerem que a família Mubarak teria um patrimônio de US$ 40 bilhões a 70 bilhões. Não é impossível, mas ele seria mais rico do que Bill Gates, o fundador da Microsoft. Parece-me um exagero.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Egito rejeita pressões por transição imediata
O Ministério das Relações Exteriores do Egito divulgou comunicado hoje rejeitando as pressões internacionais por uma transição imediata para a democracia.
Pouco depois do discurso do ditador do Egito, Hosni Mubarak, anunciando que deixa o cargo em setembro, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ligou para ele e fez um pronunciamento pela televisão.
Publicamente, Obama repudiou o uso da força contra os manifestantes, declarou que os EUA defendem direitos universais e pediu que a transição para a democracia começasse imediatamente. É claro que isso não está nos planos da ditadura militar egípcia.
Pelo menos três pessoas morreram e 600 saíram feridas dos confrontos entre partidários de Mubarak e os manifestantes. A violência seguiu durante a noite.
Vários jornalistas foram atacados, inclusive enviados especiais da imprensa brasileira, que tiveram seus quartos invadidos e foram intimidados para não gravar imagens do conflito das janelas.
Pouco depois do discurso do ditador do Egito, Hosni Mubarak, anunciando que deixa o cargo em setembro, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ligou para ele e fez um pronunciamento pela televisão.
Publicamente, Obama repudiou o uso da força contra os manifestantes, declarou que os EUA defendem direitos universais e pediu que a transição para a democracia começasse imediatamente. É claro que isso não está nos planos da ditadura militar egípcia.
Pelo menos três pessoas morreram e 600 saíram feridas dos confrontos entre partidários de Mubarak e os manifestantes. A violência seguiu durante a noite.
Vários jornalistas foram atacados, inclusive enviados especiais da imprensa brasileira, que tiveram seus quartos invadidos e foram intimidados para não gravar imagens do conflito das janelas.
Partidários de Mubarak atacam multidão no Egito
Milhares de partidários do presidente Hosni Mubarak, provavelmente gente contratada pelo partido do governo ou recrutada na polícia, entraram na praça central da capital do Egito e atacaram os manifestantes que pedem a queda do ditador, com paus, pedras e bombas incendiárias, cavalos e até camelos.
O toque de recolher noturno foi suspenso e a Internet voltou a funcionar precariamente.
Mais cedo, o Exército mandou evacuar a praça, dizendo para o povo voltar à vida normal, mas a maioria dos oposicionistas não sabe. Há menos soldados e blindados nas ruas e eles não intervieram, deixando o pau quebrar. É uma provocação para sugerir que os manifestantes não representam o povo, mas são uma minoria.
Depois, bombas incendiárias foram jogadas na multidão. O Exército tentou apagar o fogo, mas deixou a tropa de choque do regime atacar. Alguns partidários de Mubarak foram presos pelos soldados. A violência seguiu pela noite.
Em depoimento à BBC, um oposicionista acusa os partidários de Mubarak de levar armas para a praça com a conivência do Exército.
Ontem à noite, depois do pronunciamento de Mubarak prometendo deixar o poder em setembro, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que a transição deve começar já. Hoje, o Ministério do Exterior rejeitou as “pressões internacionais” por uma transição imediata.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon considerou inaceitável qualquer ataque contra manifestantes pacíficos.
A Rússia, o Reino Unido e a Turquia pedem uma transição pacífica.
O poder de fato já teria sido transferido para o vice-presidente. Há dois dias, Mubarak mandou o primeiro-ministro iniciar um diálogo com todos os partidos, mas quem apareceu na TV foi o vice, Omar Suleiman. Ex-chefe do serviço secreto, é uma figura odiada publicamente, além de ser acusado de ser favorável a Israel porque os serviços secretos dos dois países trocam informações, sobretudo a respeito das atividades dos fundamentalistas do Hamas e da Irmandade Muçulmana, que é a mãe do Hamas.
Israel e a ANP torcem pelo regime militar egípcio, temendo a influência da Irmandade Muçulmana num Egito democratizado.
No Financial Times, a especialista em Oriente Médio Roula Khalaf analisa as hipóteses sobre o futuro do país líder do mundo árabe.
O economista Nouriel Roubini adverte que uma alta nos preços do petróleo por causa da crise no Egito ameaça a frágil recuperação mundial.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Exército prometeu não usar a força no Egito
O Exército do Egito prometeu hoje à tarde não usar a força contra os manifestantes. A oposição do Egito está convocando uma passeata para reunir um milhão de pessoas amanhã e uma greve geral por tempo indeterminado para derrubar o ditador Hosni Mubarak, no poder há 30 anos. Mais de 140 pessoas foram mortas em sete dias de revolta popular.
Em uma tentativa de se manter no cargo, Mubarak deu posse ao novo ministério hoje e pediu ao novo vice-presidente, Omar Suleiman, que inicie um diálogo com os manifestantes.
Hoje, o Cairo amanhaceu calmo, mas logo a multidão começou a se concentrar na Praça Tahrir, no centro da capital egípcia.
A polícia voltou às ruas, de onde tinha saído na sexta-feira, abrindo espaço para uma onda de saques que a oposição atribuiu a uma tentativa do governo de gerar anarquia para jogar a população contra os manifestantes.
Com os bancos fechados pelo terceiro dia seguido, complicando ainda mais a vida cotidiana, os moradores do Cairo já tem dificuldade até para comprar comida.
Diante do caos nas ruas e do fechamento das pirâmides de Gizé, a maior atração turística do país, milhares de estrangeiros enfrentam longos engarrafamentos e longas filas no aeroporto para sair do Egito.
No fim da tarde, pela terceira noite seguida, os manifestantes desafiaram o toque de recolher e se concentraram na Praça Tahrir exigindo a queda do ditador. A massa cercou os 14 tanques de fabricação americana estacionados na praça.
Cabe ao Exército, que domina a política do Egito desde a queda do rei Faruk, em 1952, decidir o futuro da rebelião: já desistiu de esmagar a revolta, mas ainda não retirou o apoio a Mubarak.
Em uma tentativa de se manter no cargo, Mubarak deu posse ao novo ministério hoje e pediu ao novo vice-presidente, Omar Suleiman, que inicie um diálogo com os manifestantes.
Hoje, o Cairo amanhaceu calmo, mas logo a multidão começou a se concentrar na Praça Tahrir, no centro da capital egípcia.
A polícia voltou às ruas, de onde tinha saído na sexta-feira, abrindo espaço para uma onda de saques que a oposição atribuiu a uma tentativa do governo de gerar anarquia para jogar a população contra os manifestantes.
Com os bancos fechados pelo terceiro dia seguido, complicando ainda mais a vida cotidiana, os moradores do Cairo já tem dificuldade até para comprar comida.
Diante do caos nas ruas e do fechamento das pirâmides de Gizé, a maior atração turística do país, milhares de estrangeiros enfrentam longos engarrafamentos e longas filas no aeroporto para sair do Egito.
O governo egípcio fechou o escritório da TV Al Jazira no Cairo. Vários jornalistas árabes disseram ter sido atacados por suspeita de pertencerem ao canal de notícias do Catar.
No fim da tarde, pela terceira noite seguida, os manifestantes desafiaram o toque de recolher e se concentraram na Praça Tahrir exigindo a queda do ditador. A massa cercou os 14 tanques de fabricação americana estacionados na praça.
Cabe ao Exército, que domina a política do Egito desde a queda do rei Faruk, em 1952, decidir o futuro da rebelião: já desistiu de esmagar a revolta, mas ainda não retirou o apoio a Mubarak.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Oposição autoriza ElBaradei a negociar
Diante do perigoso impasse no sexto dia seguido de manifestações pedindo a queda do presidente Hosni Mubarak, a oposição do Egito autorizou o ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) Mohamed ElBaradei, ganhador do Prêmio Nobel de Paz 2005, a negociar com o regime, que se fortalece para resistir às pressões.
ElBaradei discursou hoje para a multidão na Praça Tahrir, no centro do Cairo. Em entrevista à rede de televisão americana CNN, ele advertiu: "Se Mubarak quiser salvar sua pele, se tiver um pingo de patriotismo, deve ir embora hoje e salvar o país".
ElBaradei discursou hoje para a multidão na Praça Tahrir, no centro do Cairo. Em entrevista à rede de televisão americana CNN, ele advertiu: "Se Mubarak quiser salvar sua pele, se tiver um pingo de patriotismo, deve ir embora hoje e salvar o país".
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