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quarta-feira, 7 de maio de 2025

Índia e Paquistão se atacam com risco de guerra nuclear

Duas semanas depois de um ataque terrorista que matou 26 turistas indianos perto de Pahalgam, na região indiana da Caxemira, a Índia bombardeou o Paquistão na madrugada de hoje e alegou que os nove alvos fazem parte da infraestrutura do terrorismo. O Paquistão anunciou o abate de cinco aviões de guerra inimigos. A Índia não confirmou. Pelo menos 31 paquistaneses e 12 indianos foram mortos. Há risco de uma escalada entre os dois inimigos históricos, que são potências nucleares.

O bombardeio indiano atingiu cinco alvos na região paquistanesa da Caxemira e quatro na província do Punjab. Foi o maior ataque da Índia ao Paquistão desde a Guerra da Independência de Bangladesh, o antigo Paquistão Oriental, em 1971. Nenhuma instalação militar foi alvejada. O ministro do Exterior indiano, Vikram Misri, declarou que "as ações foram comedidas, não escalatórias, proporcionais e responsáveis."

Em um pronunciamento emocionado à nação, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif denunciou a "violação da soberania do Paquistão" e anunciou ter autorizado as Forças Armadas a tomar as "ações correspondentes".

Um total de 125 aviões participaram da batalha aérea de mais de uma hora em que o Paquistão alega ter abatido cinco caças indianos. Cada esquadra aérea ficou de seu lado da fronteira ou linha de controle disparando mísseis contra o inimigo. Em 2019, um piloto indiano capturado em território paquistanês foi alvo de exposição pública.

A Índia acusa o serviço secreto militar do Paquistão de estar por trás dos grupos que lutam pela da Caxemira, de maioria muçulmana. É um conflito que vem desde que os países se tornaram independentes do Império Britânico, em agosto de 1947. Os dois países travaram quatro guerras, três em torno da Caxemira. Desde 1989, há um movimento armado na luta contra a Índia. Cerca de 50 mil pessoas foram mortas no conflito desde então.

sábado, 18 de março de 2023

Ucrânia é o início de uma grande guerra

Nesta guerra, todos os analistas erraram. Ninguém imaginou que a Ucrânia pudesse resistir, muito menos durante um ano. E a situação está piorando porque os dois lados acham que podem vencer. A guerra é antes de tudo imprevisível. Mas dá para pensar em como vai acabar, provavelmente sem uma vitória total de nenhum lado. O jornal francês Le Monde ouviu especialistas para dar uma perspectiva sobre o conflito.

GUERRA DE POSIÇÕES E ARTILHARIA 
O ex-comandante militar da França na Guerra do Kosovo (1979), Jean-Claude Allard, não vê condições para a Rússia fazer nova tentativa de tomar Kiev: “Se houver uma nova ofensiva, será para tomar Bakhmut e depois dois polos urbanos de resistência, Kromatorsk e Sloviansk, para garantir a conquista da região de Donbass”, no Leste da Ucrânia, e manter suas posições numa linha que vai de Zaporíjia a Lugansk para manter um corredor de acesso à Crimeia. 

“Os ucranianos não têm interesse em defender cada metro quadrado de território custe o que custar”, raciocina Allard, “mas em retomar a iniciativa graças aos tanques e blindados de transporte de tropas que o Ocidente lhes prometeu."

Leia mais em Quarentena News e veja meu comentário no YouTube.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Ultranacionalismo hindu aumenta risco de guerra nuclear

O risco de uma guerra nuclear parecia inimaginável com o fim da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, em 1991. Está de volta. Não só os acordos de desarmamento e controle de armas não estão sendo renovados. Um governo fundamentalista hindu de caráter fascistoide alimenta a tensão entre a Índia e o Paquistão. 

Os Estados Unidos abandonaram no ano passado o Acordo sobre Forças Nucleares Intermediárias, assinado em 1987 pelo presidente americano Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev. Foi o primeiro a eliminar toda uma classe de armas nucleares, os mísseis de curto e médio alcances baseados em terra. 

Em 2021, expira o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, assinado em 2010 pelos Estados Unidos e a Rússia. O presidente Donald Trump só aceita renegociar e a China também for incluída. Mas a China tem muito menos armas atômicas do que Estados Unidos e Rússia. Não vai aceitar um status inferior e Washington e Moscou não vão querer dar paridade. Há um impasse. 

O risco de guerra nuclear entre superpotências é menor porque seria a destruição mutuamente assegurada. É uma guerra que não podem ganhar. 

Ao mesmo tempo, o Irã poderá ter em meses a quantidade de urânio enriquecido necessária para uma bomba atômica. Se os Estados Unidos e Israel não bombardearem preventivamente como ameaçam, e o Irã tiver armas nucleares, outras potências regionais do Oriente Médio como a Arábia Saudita e a Turquia não vão querer ficar atrás. 

A Coreia do Norte virou uma potência nuclear. Diante da relutância do governo Trump de garantir a proteção de aliados, a Coreia do Sul pode fazer armas atômicas e quem sabe até o Japão, que teria de mudar a Constituição. 

Mas a ameaça mais imediata é de uma guerra nuclear entre a Índia e o Paquistão depois que o governo ultranacionalista hindu do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, intensificou a discriminação aos muçulmanos. Meu comentário:

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Índia aprova nova lei de nacionalidade de caráter fascistoide

Em mais uma jogada do governo nacionalista hindu para acabar com a Índia pluralista, secular e multicultural criada pelos heróis da independência, até agora um exemplo de democracia para o mundo, o Parlamento indiano aprovou hoje uma lei de nacionalidade que facilita a naturalização de estrangeiros de seis religiões, mas exclui os muçulmanos.

O primeiro-ministro Narendra Modi leva adiante o projeto de transformar a Índia na pátria dos hindus, no Hindustão contrariando a proposta original dos fundadores do país, Mohandas Gandhi, o Mahatma, e Jawaharlal Nehru.

É a primeira vez que a Índia estabelece critérios religiosos para cidadania. O processo de naturalização dará preferência a hindus e a outros religiões do chamado Sul da Ásia. É um claro sinal de marginalização dos muçulmanos, uma minoria de 201 milhões de pessoas.

A lei reabre as feridas e os traumas da independência da Índia do Império Britânico, em 1947, quando o país se dividiu em dois, a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana. Na época, mais de 10 milhões migraram e cerca de dois milhões de pessoas foram mortas. Meu comentário:

sábado, 9 de novembro de 2019

Justiça da Índia autoriza construção de templo onde havia mesquita

Numa decisão capaz de deflagrar uma onda de violência, por unanimidade, a Suprema Corte da Índia autorizou a construção de um templo hindu no local onde havia uma mesquita do século 16 destruída em 6 de dezembro de 1992, na cidade de Ayodhya, no estado de Uttar Predesh, reverenciada como lugar de nascimento do deus Rama.

A destruição da Mesquita de Babri por uma multidão, em 1992, provocou uma onda de violência em que cerca de 2 mil pessoas foram mortas. Agora, o tribunal autorizou a construção da mesquita em outro local da cidade. Para garantir a calma, 4 mil policiais foram enviados à região.

Foi mais uma vitória para o primeiro-ministro Narendra Modi e seu projeto de reconstruir a Índia com base no nacionalismo hindu, minando o secularismo dos líderes da independência do país, Mohandas Gandhi e Jawaharlal Nehru.

Modi e o Partido Bharatiya Janata (BJP) venceram as eleições parlamentares de abril e maio com uma plataforma nacionalista hindu. Reeleito para um segundo mandato, Modi acabou com a autonomia regional que a região da Caxemira, de maioria muçulmana, tinha desde a independência da Índia do Império Britânico e da divisão do país entre Índia e Paquistão, em 1947.

O fim da autonomia da Caxemira provocou grandes protestos do Paquistão, que defende a realização de um plebiscito para que a população local decida se quer ficar na Índia ou aderir ao Paquistão. A questão da Caxemira é a mais explosiva entre os dois inimigos históricos, que possuem armas nucleares e já travaram quatro guerras, três delas pela Caxemira.

A ala mais extremista do movimento nacionalista hindu considera a construção do templo no local de nascimento do deus Rama uma etapa fundamental da conversão da Índia num país hindu depois do que descrevem como séculos de opressão do Império Mughal e do Império Britânico. O Império Mughal destruiu um templo que havia no local para construir a Mesquita de Babri em 1528-29.

O processo judicial estava em andamento desde os anos 1950. Em 2010, chegou à Suprema Corte.

Para a minoria de mais de 200 milhões de muçulmanos (14%), a mudança de status da Caxemira e a decisão da Suprema Corte indicam que eles estão sendo rebaixados a cidadãos de segunda classe na Índia. Os indus são 80% da população do país, que tem 1,371 milhões de habitantes.

"Hoje é mensagem é unir, se associar e viver junto", declarou o primeiro-ministro, tentando acalmar a situação. "Na nova Índia, o medo, a animosidade e a negatividade não têm lugar."

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Ultranacionalismo ameaça a maior democracia do mundo

A República da Índia, multiétnica, plurirreligosa e multicultural, é a maior democracia da Terra. O país realiza as maiores eleições do planeta. Em sete dias, durante sete semanas, cerca de 900 milhões de eleitores estão aptos a votar. Um em cada oito seres humanos. O Exército da Índia se desloca pelo país para garantir a segurança do pleito. Não teria condições se todos votassem no mesmo dia.

A Índia culturalmente diversa e plural é a obra do grande herói da independência, Mohandas Gandhi, o Mahatma, líder da luta pacífica contra o império, e do primeiro chefe de governo do país, Jawaharlal Nehru. Os fatos das últimas duas semanas abalam esta experiência formidável, que completou 72 anos no dia 15.

Ao acabar com a autonomia da Caxemira, o primeiro-ministro ultranacionalista hindu Narendra Modi rebaixa esta democracia, um verdadeiro milagre do pluralismo, observa o historiador Ramachandra Guha, em artigo publicado no jornal americano The New York Times. Meu comentário:

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Atual conflito na Caxemira tem primeiras mortes, a serem confirmadas

A anexação da Caxemira pode provocar uma nova guerra no Sul da Ásia. Oito soldados morreram no conflito entre Índia e Paquistão, que são potências nucleares. Uma troca de tiros ao longo da linha de controle deixou cinco soldados indianos e três paquistaneses mortos, afirmou hoje o porta-voz do Exército do Paquistão, general Assif Ghafoor. A Índia nega que suas forças tenham sofrido qualquer baixa. 

Já houve trocas de tiros desde que o governo nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi anunciou o fim da autonomia da Caxemira e tomou medidas para integrá-la à união indiana.

As escaramuças ao longo da fronteira, chamada de linha de controle porque não é reconhecida, são comuns. Mas uma escalada na violência pode levar a retaliações mais fortes e a ataques de militantes muçulmanos ligados ao Paquistão, aumentando o risco de guerra entre as duas potências nucleares.Meu comentário:

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Paquistão reage ao fim da autonomia da Caxemira

O Conselho de Segurança Nacional do Paquistão decidiu hoje expulsar o embaixador da Índia, suspender todo o comércio bilateral e revisar os acordos bilaterais. E a resposta inicial à decisão do governo nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi de acabar com o estado de Jamu e Caxemira, que foi dividido em duas unidades federativas rebaixadas a territórios, passando para a administração direta do governo central em Nova Déli.

Desde que os dois países se tornaram independentes do Império Britânico, em 1947, o Paquistão reivindica a soberania sobre a Caxemira. O primeiro-ministro Imran promete recorrer ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e ao Tribunal Internacional de Justiça. 

Ao revogar o artigo 370 da Constituição da Índia, que dava autonomia regional à Caxemira, o governo Modi tira da região o direito de fazer suas próprias leis e permite que indianos não residentes possam comprar propriedades, se candidatar a empregos e bolsas de estudos na Caxemira. Isto pode mudar a composição demográfica do que era o único estado da Índia de maioria muçulmana. 

O primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, denunciou a manobra como uma tentativa de fazer uma “purificação étnica”. A China, que domina 20% da Caxemira, também protestou. O Ministério do Exterior da Índia alegou que é uma questão interna da Índia. Meu comentário:

Índia aprova divisão de Jamu e Caxemira em dois territórios

A Lok Sabha, a Câmara dos Deputados da Índia, aprovou ontem a divisão do estado de Jamu e Caxemira em dois territórios federais, rebaixando-os e colocando-os sob administração direta do governo central. O Senado havia aprovado o projeto na véspera.

Depois de uma vitória esmagadora nas eleições de abril e maio passados, o primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi e o Partido Bharatiya Janata (BJP) decidiram levar adiante o antigo projeto de integrar totalmente a região da Caxemira na união federal da Índia.

Na segunda-feira, o governo indiano havia revogado a autonomia regional do estado de Jamu e Caxemira, sob protestos do vizinho Paquistão, que reivindica a soberania sobre a região, onde a maioria da população é muçulmana.

Desde a independência do Império Britânico e da divisão do país, Índia e Paquistão disputam a região da Caxemira, objeto de três guerras entre os inimigos históricos, em 1947, 1965 e 1999. Na separação, as regiões de maioria hindu formaram a Índia e as áreas de maioria muçulmana, o Paquistão.

Na Caxemira, apesar da maioria muçulmana, o último governador imperial, marajá Hari Singh, optou por aderir à Índia, gerando esta guerra sem fim entre dois vizinhos que hoje têm armas nucleares. O Paquistão cobra a realização de um plebiscito, mas a Índia não admite a possibilidade de ceder parte de seu território.

Antes do anúncio, Modi enviou 35 mil policiais militares a Jamu e Caxemira. Vários líderes políticos locais foram colocados em prisão domiciliar. Muita gente hoje na região defende a independência da Caxemira para sair do fogo cruzado deste conflito indo-paquistanês. A situação é tensa e o Paquistão vai reagir.

Desde 1989, uma facção do movimento muçulmano para tirar a Caxemira da Índia aderiu à luta armada. O poderoso Serviço de Inteligência das Forças Armadas do Paquistão arma vários grupos armados extremistas numa guerra indireta com a Índia.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Índia revoga a autonomia da Caxemira e aumenta tensão com o Paquistão

O governo nacionalista hindu da Índia suprimiu ontem a autonomia do estado de Jamu e Caxemira, onde a população de maioria muçulmana gostaria de anexar a região, disputada desde a independência do Império Britânico, em 1947, com o vizinho Paquistão.

"A Constituição será aplicada integralmente em Jamu e Caxemira", anunciou o ministro do Interior, Amit Shah, privando o estado de fazer suas próprias leis. A medida foi tomada depois que a Índia mandou 35 mil policiais militares para a região, descrevendo este envio como uma "operação normal".

Ontem, para evitar uma reação, a Índia cortou a internet e os telefones em Jamu e Caxemira e colocou líderes políticos locais em prisão domiciliar.

A iniciativa do governo Narendra Modi indignou o Paquistão: "Como parte deste contencioso internacional, o Paquistão empregará todos os meios possíveis para ir contra este decisão ilegal", deplorou em nota o Ministério do Exterior paquistanês.

Centenas de pessoas protestaram em Lahore, a grande cidade do Leste do Paquistão. Desde 1947, Índia e Paquistão travaram quatro guerras, sendo três sobre a Caxemira, o principal motivo da discórdia.

Quando os dois países se tornaram independentes, as regiões de maioria hindu formaram a Índia e as regiões de maioria muçulmana, o Paquistão. Pelo menos 2 milhões de pessoas morreram e 10 milhões emigraram para ficar do lado certo da fronteira.

Na Caxemira, o governador colonial, o marajá Hari Singh, optou pela Índia, apesar da maioria muçulmana, origem do conflito que se arrasta até hoje entre dois países que têm armas nucleares.

Analistas internacionais acreditam que a decisão da Índia de revogar a autonomia da Caxemira foi tomada depois da oferta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de mediar o conflito. A Índia se nega internacionalizar o que considera um problema interno. Só admite negociar bilateralmente com o Paquistão, sem qualquer interferência externa.

sábado, 3 de agosto de 2019

Índia envia 35 mil policiais militares para Jamu e Caxemira

O governo nacionalista hindu da Índia mandou 35 mil policiais militares para Jamu e Caxemira, o estado mais ao norte do país, onde desde 1989 há uma rebelião armada da maioria muçulmana, que gostaria de anexar a região ao Paquistão. O Ministério do Interior indiano descreveu o envio das forças como uma "operação normal".

Mesmo que a Índia declare que o movimento de tropas é uma "operação normal", o Paquistão, inimigo histórico, deve dar uma resposta aumentando seu contingente do outro lado da fronteira.

A Caxemira está no centro do conflito histórico entre a Índia e o Paquistão, que travaram três guerras desde a independência do Império Britânico, em 1947, duas em torno da Caxemira, em 1947 e 1962.

A guerra de 1971 levou à independência de Bangladesh, a República de Bengala, antes chamada de Paquistão Oriental, e ainda houve o conflito de Kargil, em 1999, que alguns consideram uma guerra, mas limitada àquela região.

Quando a Índia se dividiu, os estados de maioria muçulmana formaram o Paquistão e as regiões de maioria hindu formaram a Índia. Entre 10 a 12 milhões de pessoas foram desalojadas e se mudaram. Ao todo, estima-se que 2 milhões de pessoas tenham morrido na divisão da Índia.

Os dois inimigos históricos têm a bomba atômica. A Índia fez seu primeiro teste nuclear em 1974 e o Paquistão em 1975. Em maio de 1998, ambos assumiram o status de potência nuclear testando bombas e mísseis na corrida armamentista no Sul da Ásia.

Como uma guerra total hoje seria devastadora, a dissuasão nuclear evita uma escalada nos conflitos. A Índia reclama que o Paquistão apoia grupos extremistas muçulmanos que travam uma guerra indireta, especialmente na Caxemira, onde há uma insurgência muçulmana desde 1989. O Paquistão cobra a realização de um plebiscito sobre o futuro da região.

Ao receber o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, na Casa Branca, o presidente Donald Trump ofereceu a mediação dos Estados Unidos para resolver o conflito. Como parte mais forte, a Índia se recusa a internacionalizar a questão. Só aceitar discutir bilateralmente com o Paquistão e rejeita qualquer possibilidade de ceder parte de seu território.

Em fevereiro deste ano, um atentado terrorista de um grupo baseado no Paquistão matou 40 policiais indianos em Pulwama, em Jamu e Caxemira. A poucos meses das eleições, o primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi ordenou um bombardeio aéreo, supostamente nos acampamentos da milícia Jaish-e-Mohamed, o Exército de Maomé, responsável pelo ataque.

O Paquistão retaliou, derrubou um avião indiano e capturou o piloto. Mas não passou disso. Logo o conflito foi desarmado. Mas a tensão entre os dois inimigos históricos armados com bombas atômicas é uma ameaça permanente.

sexta-feira, 1 de março de 2019

Paquistão liberta piloto indiano capturado

Depois de 58 horas, o Paquistão entregou à Índia o comandante Abhinandan Varthaman, capturado quando seu avião foi abatido durante uma batalha aérea na região da Caxemira, noticiou o jornal indiano Hindustan Times. A libertação aliviou a tensão entre os dois países, que são potências nucleares. 

Centenas de pessoas o esperavam do outro lado da fronteira 11 horas atrás, por volta das 21h pelo horário local. O piloto de 38 anos, comandante de um esquadrão aéreo, foi submetido a exames médicos. Ele foi obrigado a ejetar o assento quando seu caça MiG-21, de fabricação russa, foi atingido perto de "linha de controle" entre os dois países.

Ao anunciar a libertação ontem, o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, descreveu sua decisão como "um gesto de paz".

A Força Aérea da Índia invadiu o espaço aéreo do Paquistão pela primeira vez desde 1971, 48 anos atrás, em retaliação a um atentado terrorista que matou 49 policiais militares indianos na Caxemira em 14 de fevereiro. O alvo do bombardeio aéreo foi um acampamento do grupo terrorista Jaish-e-Mohamed (Exército de Maomé), que assumiu a responsabilidade pelo ataque.

Desde a independência do Império Britânico e da divisão do país, a Índia e o Paquistão disputam a soberania sobre a região da Caxemira. Em 1947, o marajá que a governava, Hari Singh, decidiu aderir à Índia, apesar da maioria da população ser muçulmana.

O Paquistão nunca aceitou isso. Reivindica a realização de um plebiscito sob supervisão internacional. A Índia rejeita o pedido e trata a questão como um assunto interno. Desde 1989, uma revolta muçulmana iniciou um conflito armado contra a dominação indiana. O atentado de 14 de fevereiro foi o pior contra as forças de segurança da Índia nesses 30 anos de luta.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Paquistão liberta piloto da Força Aérea da Índia como gesto de paz

Num "gesto de paz", o primeiro-ministro Imran Khan anunciou hoje que o Paquistão vai libertar amanhã o piloto indiano Abhinandan Varthaman, de um avião abatido ontem numa batalha aérea na região da Caxemira. A Índia exige uma atitude mais firme contra os grupos terroristas muçulmanos paquistaneses.

Depois de contra-atacar ontem, o primeiro-ministro paquistanês pediu a abertura de diálogo. A Índia bombardeou no dia 26 um acampamento da milícia extremista muçulmana Jaish-e-Mohamed (Exército de Maomé), em retaliação ao atentado terrorista que matou 49 policiais militares indianos na Caxemira indiana em 14 de fevereiro.

Em discurso no Parlamento, em Islamabade, Khan pediu à Índia para "não levar adiante a crise. O que quer que façam nos forçará a retaliar", declarou, lembrando que os dois países têm armas nucleares.

O governo indiano disse estar satisfeito com a libertação do piloto, ressalvando que o Paquistão simplesmente cumpriu as determinações das Convenções de Genebra.

Desde que se tornaram independentes do Império Britânico e se dividiram, os dois países travaram quatro guerras e desenvolveram armas atômicas. A principal causa do conflito é a região da Caxemira. Apesar da maioria muçulmana, o marajá Hari Singh optou por aderir à Índia, gerando este conflito que se arrasta até hoje.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Primeiro-ministro do Paquistão propõe diálogo depois de contra-atacar a Índia

O primeiro-ministro Imran Khan propôs diálogo hoje, horas depois que a Força Aérea do Paquistão atacou alvos militares em território indiano. Foi uma resposta a um bombardeio aéreo da Índia contra um acampamento do grupo terrorista Jaish-e-Mohamed (Exército de Maomé), responsável por um atentado terrorista que matou 49 policiais militares indianos na região da Caxemira em 14 de fevereiro.

As Forças Armadas do Paquistão derrubaram dois aviões de guerra da Índia e capturaram um piloto. Dois caças-bombardeiros paquistaneses alvejaram um arsenal indiano perto da "linha de controle", o nome da fronteira entre os dois países.

Na primeira batalha aérea entre os dois países desde a guerra de 1971, os dois caças-bombardeiros MiG-21 mandados pela Força Aérea da Índia para interceptar os aviões do Paquistão foram abatidos.

"Todas as grandes guerras começam por erro de cálculo. Ninguém sabe como a guerra pode acabar. Minha pergunta para a Índia é, dadas as armas que temos, podemos correr o risco de um erro de cálculo?", declarou o primeiro-ministro Khan. Os dois países são potências nucleares.

A Índia deplorou a "exposição vulgar de um soldado ferido", acusando o Paquistão de violar "o direito internacional humanitário e as Convenções de Genebra". O comandante Abhinandan Varthaman, piloto de aviões de combate há 16 anos, deu entrevista à televisão dizendo estar sendo bem tratado pelo Exército do Paquistão. Ele é filho de um marechal da reserva da Força Aérea, informou o jornal Hindustan Times.

"Apertem as mãos, sentem-se e resolvam isso", disse a mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, a estudante paquistanesa Malala Youssafzai, citada pelo jornal paquistanês Dawn, ao fazer um apelo no Twitter aos primeiros ministros Imran Khan e Narendra Modi.

A escritora paquistanesa Fatima Bhutto, neta do primeiro-ministro Ali Bhutto e sobrinha da primeira-ministra Benazir Bhutto, ambos falecidos, pediu a libertação do piloto como um gesto de paz.

O ministro do Exterior do Irã, Mohamad Javad Zarif, reconduzido ao cargo depois de pedir demissão, se ofereceu como mediador. A União Europeia e o Reino Unido pediram contenção às duas partes.

Desde que se tornaram independentes do Império Britânico e se dividiram, a Índia e o Paquistão disputam a região da Caxemira, de maioria muçulmana. Em 1947, as províncias de maioria hindu formaram a Índia e as de maioria muçulmana, o Paquistão. Houve uma migração em massa, de 14 milhões de pessoas, e 2 milhões morreram.

Na Caxemira, o marajá Hari Singh optou por aderir à Índia, gerando este conflito histórico. Desde então, os dois países travaram três guerras, em 1947, 1965 e 1971, antes de desenvolveram armas nucleares.

A Índia tem a bomba atômica desde 1974 e o Paquistão desde 1975. Em maio de 1998, os dois países realizaram testes nucleares e assumiram oficialmente o status de potências nucleares. Outra guerra, em Cargil, em 1999, ficou limitada à região das montanhas do Himalaia.

Para o vice-presidente do Centro de Ásia do Instituto da Paz dos Estados Unidos, Moeed Yussuf, é preciso criar com urgência uma ponte aérea diplomática. Ele adverte que esta é a maior ameaça de guerra nuclear desde a Crise dos Mísseis em Cuba, entre EUA e União Soviética, em 1962.

O Paquistão reivindica a realização de um plebiscito sob supervisão internacional. A Índia considera o conflito na Caxemira uma questão interna.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Índia bombardeia área remota do Paquistão em resposta a terrorismo

A Força Aérea da Índia anunciou hoje ter destruído o maior acampamento do grupo terrorista muçulmano Jaish-e-Mohamed (Exército de Maomé) na região da Caxemira sob controle do Paquistão. 

O governo paquistanês afirmou ter repelido o ataque, uma resposta a um atentado suicida que matou 49 policiais indianos em 14 de fevereiro na Caxemira indiana.

Como os dois países são potências nucleares, qualquer ação militar cria o risco de um conflito muito mais sério. O atentado do dia 14 foi o mais mortífero contra as forças de segurança da Índia em 30 anos de conflito de rebeldes muçulmanos contra o domínio indiano sobre a Caxemira.

Quando os dois países se tornaram independentes do Império Britânico, em agosto de 1947, as províncias de maioria hindu formaram a Índia e onde os muçulmanos eram maioria surgiu o Paquistão. A exceção foi a Caxemira, de maioria muçulmana, onde o marajá Hari Singh optou por aderir à Índia.

Desde então, os dois países travaram três guerras, antes de virarem potências nucleares. O Paquistão reivindica a realização de um plebiscito sob a supervisão das Nações Unidas para que a população local decida seu futuro. A Índia rejeita qualquer interferência externa.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Índia retira Paquistão da lista de parceiros comerciais

O ministro das Finanças da Índia, Arun Jaitley, confirmou que o governo indiano vai notificar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para retirar o Paquistão da lista de nações mais favorecidas no comércio exterior, por razões de segurança nacional, noticiou ontem o jornal The Economic Times.

A decisão foi tomada um dia depois do um atentado terrorista com carro-bomba que matou 46 policiais e deixou outros 38 feridos em Pulwana, na região indiana da Caxemira, disputada pelo Paquistão desde a independência dos dois países do Império Britânico, em 1947. Foi o pior ataque a forças da Índia em 30 anos de insurgência muçulmana na região.

O terrorista suicida era um extremista muçulmano da Caxemira, mas o grupo responsável, Jaish-e-Mohamed (Exército de Maomé), tem sede no Paquistão. Daí a resposta da Índia, atacada meses antes das eleições gerais de abril e maio. Na Índia, a maior democracia do mundo, as eleições são realizadas em cinco dias diferentes.

Esta resposta indiana não terá grande impacto econômico. Os dois países, inimigos históricos, não têm um grande comércio bilateral. Mas a Índia está pressionando o Paquistão a punir do Exército de Maomé e seu líder, Massoud Azhar.

O jornal Economic Times aponta como mandante o novo chefe do poderoso serviço secreto militar do Paquistão (ISI), que usa grupos terroristas muçulmanos numa guerra indireta, general Assim Munir, ex-comandante e diretor de inteligência do Comando Norte das Forças Armadas paquistanesas.

O governo indiano pediu ao comitê de sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas que Azhar seja incluído na lista de terroristas internacionais.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Atentado terrorista mata 46 policiais indianos na Caxemira

Um terrorista suicida jogou hoje um veículo utilitário esportivo carregado de explosivos contra um ônibus de um comboio de policiais na região indiana da Caxemira, reivindicada pelo Paquistão. 

Foi o pior atentado em 30 anos de rebelião de grupos muçulmanos que lutam para integrar a Caxemira ao Paquistão. Pelo menos 46 policiais morreram e outros 38 saíram feridos, noticiou o jornal indiano Hindustan Times.

A Índia acusa o Paquistão de apoiar o grupo terrorista muçulmano Jaish-e-Mohamed, o Exército de Maomé. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, candidato à reeleição nas próximas eleições, previstas para abril e maio, condenou o atentado "abjeto" e "degradante", e advertiu que os responsáveis vão pagar "um preço alto". O Ministério do Exterior da Índia apelou ao vizinho Paquistão para "parar de apoiar terroristas".

O comboio de 78 ônibus levava 2,5 mil pessoas de Jamu para Srinagar, a capital do estado indiano de Jamu e Caxemira. O ataque contra a Força Policial Central da Reserva (CRPF, em inglês) aconteceu na localidade de Lethpora, a 30 quilômetros de Srinagar.

Ao reivindicar a autoria do atentado, o Exército de Maomé identificou o "mártir" como Adil Ahmad Dar, do distrito de Pulwana, onde ocorreu o atentado. O fato de ser da região pode indicar que o conflito se tornou mais local. Ele aderiu ao grupo terrorista no ano passado. O carro levava 350 quilos de explosivos.

"O sacrifício de nosso bravo pessoal de segurança não será em vão", afirmou o primeiro-ministro Modi. "A nação inteira está unida ombro a ombro com as famílias de nossos corajosos mártires. Que os feridos se recuperem rapidamente."

Seu maior adversário nas eleições, o líder do Partido do Congresso, Rahul Gandhi, declarou no Twitter: "Estou profundamente perturbado por um ataque covarde a um comboio da CRPF em Jamu e Caxemira no qual muitos de nossos bravos homens da CRPF foram martirizados e um grande número saiu ferido, alguns gravemente."

Em plena campanha, o porta-voz do Partido do Congresso acusou Modi, alegando que o terrorismo não diminuiu durante seu governo.

O maior impacto será nas relações entre Índia e Paquistão, inimigos históricos que têm a região da Caxemira como fogo principal do conflito.

Quando a Índia se tornou independente do Império Britânico, em 1947, e foi dividida em Índia e Paquistão, os governadores das províncias tiveram o direito de optar a que país queriam pertencer. Houve uma migração em massa de 10 milhões de pessoas, a maior da história, e cerca de 1 milhão de pessoas morreram, conta a televisão pública britânica BBC.

Todos os estados de maioria muçulmana ficaram no Paquistão, menos a Caxemira, onde o marajá Hari Singh optou pela Índia, semeando um conflito histórico que se arrasta até hoje. O Paquistão exige a realização de um plebiscito sob supervisão das Nações Unidas para que a população local decida seu futuro, mas a Índia se nega a internacionalizar o conflito.

Desde a independência, os dois países já travaram três guerras, em 1947, 1965 e 1971, quando a Índia apoiou a independência do antigo Paquistão Oriental, Bengala Oriental no período imperial, hoje a República de Bengala ou Bangladesh.

Em maio de 1998, os dois países assumiram oficialmente o status de potências nucleares. Provavelmente, já tivessem a bomba atômica desde os anos 1970s. A dissuasão nuclear evitou novas guerras abertas que hoje seriam arrasadoras. Em 1999, houve um conflito armado em Kargil, um distrito da Caxemira onde soldados paquistaneses se infiltraram disfarçados de guerrilheiros, com mais de mil mortes, mas foi contido na região.

Como a Índia é mais rica e mais poderosa, o Exército do Paquistão, que governou o país durante metade de sua existência, apoia milícias extremistas muçulmanas como o Exército de Maomé. O governador de Jamu e Caxemira, Satya Pal Malik, acusou o Paquistão, argumentando que o grupo terrorista baseado no país vizinho não assumiria a responsabilidade pelo ataque sem o apoio dos militares paquistaneses.

Foi muito pior do que o ataque à cidade de Uri, na Caxemira, em 18 de setembro de 2016, atribuído ao Exército de Maomé, em que 19 soldados e quatro rebeldes morreram.

"Isto é muito maior do que Uri", observou o general Deependra Singh Hooda, ex-comandante-em-chefe do Comando Norte do Exército da Índia, responsável pela região da Caxemira.

"Ao contrário de Uri, um grupo terrorista baseado no Paquistão assumiu a responsabilidade. Vai haver uma enorme pressão sobre o Paquistão. Mas", destacou, "como um grupo baseado no Paquistão assumiu a responsabilidade, Nova Déli terá de agir. A forma e o conteúdo da retaliação são prerrogativa do governo."

Nesta sexta-feira, o primeiro-ministro Modi preside a uma reunião de seu gabinete de segurança para decidir como será a reação oficial da Índia. O Ministério do Exterior indiano repudiou "o ataque odioso e degradante perpetrado pelo Exército de Maomé, uma organização terrorista proscrita pela ONU e vários países baseada no Paquistão e apoiada pelo Paquistão".

A declaração oficial do governo indiano pediu que o líder do grupo, Massud Azhar, tenha seu nome lançado na lista de terroristas do comitê de sanções do Conselho de Segurança da ONU.

O pior atentado em 30 anos de insurgência muçulmana na Caxemira indiana apoiada pelo Paquistão marca uma mudança de tática dos rebeldes, que geralmente faziam ataques coordenados a quartéis da Índia. Com carros-bomba, podem fazer mais ações surpreendentes com grande poder de destruição.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Exército da Índia enfrenta rebeldes da Caxemira em confronto mortal

Pelo menos 13 militantes islamistas, três soldados e quatro civis morreram numa operação do Exército da Índia no Vale da Caxemira contra grupos que lutam para que a região seja integrada ao Paquistão por ter maioria muçulmana. Foi o maior número de mortos no conflito num dia nos últimos anos.

Outras 70 pessoas saíram feridas na ação militar no distrito de Shopian. O Exército declarou que foi um sucesso: "É um dia especial para nossas forças", festejou o general A. K. Bhatt.

A Caxemira é uma região disputada entre a Índia e o Paquistão, inimigos históricos. Quando os dois países se tornaram independentes do Império Britânico, em agosto de 1947, os líderes das diversas regiões tiveram o direito de escolher onde ficariam.

Com uma exceção, as regiões de maioria muçulmana formaram o Paquistão e as de maioria hindu ficaram na Índia. O marajá Hari Singh, príncipe do estado de Jamu e Caxemira, preferiu se integrar à Índia.

Desde a independência, o Paquistão defende a realização de um plebiscito para que a população legal decida se gostaria de sair da Índia. Hoje uma parte da população defende a independência total da Caxemira. A Índia considera uma questão interna. Nega-se a internacionalizar o problema e levar para foros internacionais como a ONU.

Duas das três guerras indo-paquistanesas, em 1947 e 1965, foram causadas pela disputa pela Caxemira. A terceira, em 1971, foi a Guerra da Independência de Bangladesh ou República de Bengala.

Os dois inimigos históricos são potências nucleares assumidas oficialmente desde maio de 1998, mas fizeram seus primeiros testes nucleares décadas antes, a Índia em 1974, com ajuda da União Soviética, e o Paquistão em 1975, com apoio da aliada China.

As armas nucleares tiveram um efeito dissuasório. Desde que dominaram a bomba atômica, Índia e Paquistão não entraram mais em guerra, mas também não chegaram a um acordo de paz. A partir de 1989, grupos armados muçulmanos entraram na luta contra o que chamam de "ocupação indiana".

Quando começa o degelo, na primavera no Hemisfério Norte, os dois países se enfrentam ao longo de sua fronteira disputada. O conflito mais sério foi em 1999 em Kargil, situada a 205 quilômetros de Srinagar, a capital da Caxemira. É uma região gelada de 160 km de extensão, com postos militares a altitudes de até 5.485 metros. Pelo menos 1,2 mil pessoas morreram.

Em  2016, a insurgência se inflamou com a morte de Burhan Muzaffar Wani, um líder carismático. No domingo, houve um tiroteio na vila de Draged-Sugan. Sete milicianos foram mortos. Uma multidão saiu às ruas para protestar e dar cobertura à fuga dos rebeldes, pertencentes aos grupos Hizbul Mujahedin (Partido dos Guerreiros Santos) e Lashkar e-Taiba (Exército dos Puros).

O Exército da Índia atirou contra a multidão com balas de borracha, munição letal e gás lacrimogênio. A Internet foi desligada para impedir maior articulação dos manifestantes. Também houve um tiroteio ao redor da vila de Kachdora.

"Enquanto um caxemira estiver vivo, vamos apoiar os militantes", afirmou no hospital o estudante Numaan Ahmad Malik, de 27 anos, ferido no protesto.

No ano passado, de acordo com as autoridades indianas, 213 milicianos foram mortos, o maior número em sete anos.

"Para cada dez mortos, mais 20 pessoas vão aderir à luta até que esta terra seja libertada da ocupação indiana", desafiou Imtiyaz Ahmad, um manifestante de Kachdora.

sábado, 7 de abril de 2012

Avalanche em geleira enterra 130 soldados paquistaneses

Cento e trinta soldados do Exército do Paquistão foram enterrados vivos por uma avalanche na geleira de Siachen, na cordilheira do Himalaia, perto da fronteira da Índia. Helicópteros e equipes de resgate com cães tentam encontrar sobreviventes.

Os dois países, inimigos históricos, disputam a região da Caxemira e mantêm milhares de soldados em regiões remotas da mais alta cordilheira da Terra, a até 6,7 mil metros de altitude. É campo de batalha mais elevado do planeta.

Desde 1984, Índia e Paquistão travam escaramuças na região quando o tempo permite. O clima mata mais do que os combates, observa o jornal The Washington Post.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Índia libera documentos da visita do Che

As aventuras guerrilheiras de Ernesto Che Guevara no Congo e na Bolívia são conhecidas. Agora, a Índia  desclassifica documentos sobre a visita que o médico argentino fez ao país em 1959, depois da vitória da Revolução Cubana, informa o jornal The Times of India.

Depois de se encontrar com o primeiro-ministro Jawaharlal Nehru, um dos fundadores do Movimento dos Países Não Alinhados (nem com os EUA nem com a URSS, durante a Guerra Fria), o Che visitou a Índia por duas semanas. Antes dele partir, houve um forte terremoto na província da Caxemira.

Do hotel onde estava Guevara mandou uma carta oferecendo ajuda a Nehru: "Tomando ciência do terrível devastação na Caxemira, e desejando oferecer a solidariedade a um povo irmão e ao governo da Índia, queremos colocar à sua disposição a cooperação do nosso povo, na medida do possível, para aliviar o sofrimento do povo da Caxemira". Assinado: Che.