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domingo, 21 de junho de 2026

Extrema direita vence por um ponto na Colômbia

Por menos de um ponto percentual, o candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella, apoiado pelo governo Donald Trump, venceu o segundo turno da eleição presidencial na Colômbia ao derrotar o senador Iván Cepeda, apadrinhado pelo presidente esquerdista Gustavo Petro. Se o resultado oficial confirmar a vitória, vai governar o país por quatro anos a partir de 7 de agosto.


Com 99,99% das urnas apuradas, de acordo com a contagem preliminar, De la Espriella (na foto indo para a festa da vitória em veículo blindado) soma 12.959.515 votos (49,66%) contra 12.708.695 (48,70%) de Cepeda, pouco mais de 250 mil. É o segundo resultado mais apertado da história da Colômbia. O comparecimento às urnas foi de 63,6%, o maior desde 1998.

O presidente e seu candidato não reconheceram a derrota. Querem esperar o resultado oficial a ser divulgado nesta semana e tentam impugnar 33 mil urnas. O Ministério do Interior recebeu mais de 2,6 mil denúncias de irregularidades

No discurso da vitória, De la Espriella, do movimento Defensores da Pátria, declarou, em tom ultranacionalista: "A Colômbia nunca esteve vencida, a Colômbia estava apenas esperar o movimento de se levantar e esse momento chegou hoje para toda a pátria. Queridos reservistas e militares e da polícia, de suas casas, me ajudem a recitar a oração pátria: Colômbia, minha pátria, te levo com amor, Colômbia no meu coração, creio em teu destino e esperar te er sempre grande, respeitada e livre. Em ti, Colômbia, amo todo o que me é querido, tuas glórias, tua beleza, meu lar, a tumba dos meus antepassados, o fruto de meus esforços e a realização de meus sonhos."

Também bateu no peito e estendeu o braço direito numa saudação militar nazifascistoide. Ao mesmo tempo em que defendeu a reconciliação, De la Espriella fez uma advertência à oposição: "Terá todas as garantias para fazer oposição, sempre que for pelo marco constitucional e legal. Mas deixo muito claro, senador Iván Cepeda, que não lhe ocorra estimular a violência. Abstenha-se de semear o terror."

A esquerda defende uma política de pacificação com os últimos grupos guerrilheiros e inclusive com os cartéis do tráfico de drogas, enquanto a ultradireita aposta no uso da força contra guerrilheiros e criminosos comuns. A segurança pública foi tema central da campanha de De la Espriella, que promete construir dez prisões de segurança máxima sob a inspiração do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, liberalizar a economia e se aproximar dos Estados Unidos.

Na campanha do Pacto Histórico, a frase mais ouvida é: "Aqui ninguém se rende." Como outros países do continente, a Colômbia está dividida. Petro, o primeiro presidente de esquerda da história do país, termina o mandato com 50% de aprovação e 44,5% de reprovação. Mas não conseguiu eleger o sucessor.

A questão é se a onda de direita e extrema direita é uma guinada ideológica baseada no conservadorismo social da América Latina ou apenas um reflexo do descontentamento popular  com os governos do dia que leva a uma alternância no poder entre direita e esquerda.

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quinta-feira, 22 de maio de 2025

Trump proíbe Harvard de matricular estrangeiros

 Em sua guerra contra a ciência, a cultura e as universidades, o governo Donald Trump proibiu hoje a Universidade de Harvard, uma das mais prestigiadas do Brasil e do mundo, de matricular estudantes estrangeiros. Os que já estão lá seriam obrigados a pedir transferência para não perder o visto de residência temporária nos EUA, mas acredito que a Justiça anule a medida absurda.

Trump quer controlar as admissões, contratações, currículos e convênios das universidades numa guerra ideológica de caráter fascistoide por considerá-las antros do progressismo e do globalismo que contrariam o ultranacionalismo do movimento MAGA (Torne a América Grande de Novo). Na verdade, é uma guerra contra o pensamento independente.

A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, acusou hoje Harvard de permitir agitação e antissemitismo no campus em apoio à violência e ao terrorismo, e até mesmo de conluio com o Partido Comunista da China. É patético.

No dia seguinte, um juiz anulou a decisão do governo. A batalha judicial deve ir até a Suprema Corte.

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Extrema direita vence primeira eleição na Alemanha no pós-guerra

 Como era temido, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) ficou em primeiro lugar nas eleições no estado da Turíngia e em segundo lugar na Saxônia. Este resultado é consequência dos problemas da reintegração da antiga Alemanha Oriental, da Crise de Refugiados e da impopularidade do atual governo federal do país. É improvável que os neonazistas consigam formar governo. O chanceler (primeiro-ministro) social-democrata Olaf Scholz pediu aos outros partidos que não formem governo com a ultradireita.

Na Turíngia, um pequeno estado de apenas 2 milhões de habitantes, a extrema direita conquistou 32,8% dos votos, batendo a União Democrata-Cristã (CDU), o maior partido de oposição da direita conservadora, que teve 23,6%

Na Saxônia, a AfD (30,6%) ficou logo atrás da CDU (31,9%). Em ambos estados, a Aliança Sarah Wagennecht (BSW) ficou em terceiro lugar, com 15,8% na Turíngia e 11,8% na Saxônia. É um partido nacionalista e populista de extrema esquerda, eurocético e socialmente conservador, mas a favor do Estado do bem-estar social. A CDU terá problemas para formar governo com a BSW porque discordam em quase tudo, da questão social ao apoio à Ucrânia.

O comparecimento às urnas, de 74% na média dos dois estados, é um sinal que os alemães do Leste queriam punir o governo federal.

A coalizão de governo, chamada de sinal de trânsito, vermelho do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), amarelo do Partido Democrático Liberal (FDP) e Os Verdes, foi fragorosamente derrotada. Os três partidos do governo vivem brigando entre si. Raramente chegam a consensos. Scholz é um líder fraco. Deve cair nas próximas eleições gerais, daqui a um ano.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Neofascismo americano é alerta para o Brasil

 Presidente Jair Bolsonaro e seguidores apoiam o golpismo de Donald Trump

As cenas de quarta-feira em Washington foram um assalto ao Congresso dos Estados Unidos e à democracia - e um alerta para o Brasil. 

O presidente brasileiro deixou claro mais uma vez que acredita nas falsas alegações de fraude feitas pelo presidente americano, rejeitadas na Justiça, e até mesmo na sua própria eleição, em 2018, que afirma ter ganho no primeiro turno.

Leia mais em Quarentena News

sábado, 22 de agosto de 2020

Ex-marqueteiro de Trump foi preso por desviar dinheiro do muro

Líder de movimento internacional de extrema direita, tem relações com os Bolsonaro

De marqueteiro, chefe da campanha de Donald Trump em 2016, estrategista da Casa Branca, guru do neopopulismo de extrema direita e líder de uma internacional do neofascismo a acusado de roubar US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,61 milhões, de uma vaquinha de eleitores de Trump para construir um muro na fronteira com o México. Este é Steve Bannon, amigo do deputado Eduardo Bolsonaro, a quem nomeou representante do movimento no Brasil.

Leia mais em Quarentena News.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Tribunal Constitucional da Alemanha ameaça a União Europeia

Ao decidir que o banco central alemão (Bundesbank) não deve seguir a determinação da presidente do Banco Central Europeu (BCE) de comprar tantos títulos de divida pública de países da Zona do Euro quanto for necessário para sustentar a economia em tempos de pandemia, o Tribunal Constitucional da Alemanha ameaça o projeto de integração da Europa.

Em 1963, uma sentença da Corte Europeia de Justiça estabeleceu que a legislação europeia tem precedência sobre as leis nacionais. Ao contrariar esta decisão, o tribunal de Karlsruhe ameaça derrubar um dos pilares da União Europeia, que nasceu em 1958 como Comunidade Econômica Europeia, criada pelo Tratado de Roma, de 1957.

A Polônia, um dos países que mais se beneficiou da integração à UE depois da queda dos regimes comunistas na Europa Oriental, tem hoje um governo extremista de direita que mina a independência do Poder Judiciario. Aplaudiu a posição do Tribunal Constitucional da Alemanha.

Se outros países fizerem o mesmo em meio a uma emergência de saúde pública e uma crise econômica como não se vê desde a Grande Depressão (1929-39), todo o projeto construído no pós-guerra para garantir a paz e a prosperidade na Europa corre o risco de desabar.

Em entrevista ao jornal francês Libération, o franco-alemão Daniel Cohn-Bendit, Dani Le Rouge, líder da Revolução dos Estudantes de maio de 1968, hoje um deputado da bancada verde do Parlamento Europeu, declarou que, "se a Europa desabar, será um suicídio alemão." O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, já advertiu que a falta de solidariedade nesta hora será um golpe fatal na UE.

Maior economia do continente e quarta do mundo, a Alemanha é o país que mais se beneficia do mercado único europeu. Ao reafirmar a primazia das leis nacionais, o tribunal coloca em risco a reconstrução econômica da Europa depois da pandemia.

A Itália e a Espanha, os países da UE mais abalados pelo novo coronavírus, pediram a demissão de um bônus pan-europeu para o financiamento conjunto da retomada do crescimento. Como aconteceu na Crise do Euro, depois da Grande Recessão, quando Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda não conseguiram honrar suas dívidas, países ricos do Norte da Europa, como a Alemanha, a Finlândia e a Holanda, se negaram a mutualizar a dívida.

Nessa crise anterior, com o veto à emissão de bônus pan-europeus, o então presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, prometeu em 2015 comprar tantos títulos de dívida pública dos países da Eurozona quantos fossem necessários para sustentar as economias endividadas e a união monetária europeia.

Agora, a nova presidente do BCE, Christine Lagarde, ex-ministra das Finanças da França e ex-diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), tomou a mesma decisão e promete mantê-la apesar da decisão da Justiça alemã. Mas os ministros do tribunal de Karlsruhe vetaram a participação do Bundesbank.

Mais uma vez, a solidariedade econômica e financeira é fundamental para manter em pé o projeto de integração da Europa, ameaçado pelo ultranacionalismo de extrema direita dos governos periféricos da Hungria e da Polônia e de partidos como a Reunião Nacional, na França, a Liga, na Itália, a Alternativa para a Alemanha e a pequena Vox, na Espanha.

Se a Alemanha se recusar a contribuir para superar o impacto econômico do Grande Confinamento, as consequências serão terríveis. No início do ano, a Comissão Europeia esperava um crescimento de 1,1% para a Eurozona em 2020. Com a pandemia, a expectativa é de uma recessão de 7,4% na UE e de 7,75% na Europa. O BCE admite que possa chegar a uma queda de 12%.

O risco é que os países do Sul da Europa, a Grécia, a Itália e a Espanha, que devem perder perto de 10% do produto interno bruto, e também Portugal e até a França não consigam arcar com as despesas de reconstrução, aprofundando o fosso com os países do Norte.

A união monetária e o mercado único, que pressupõem uma convergência econômica, sofreriam um golpe potencialmente fatal. A França e uma dezena de países propuseram criar um fundo de recuperação de um a um trilhão e meio de euros com um grande empréstimo tomado pela Comissão Europeia com o aval dos 27 países-membros da UE. Isto permitiria obter taxas de juros muito inferiores às que seriam cobradas dos países em maiores dificuldades.

Diante desta bomba jurídica, a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, está entre o dilema de enfrentar a "bomba jurídica" dos juízes de Karlsruhe, o que deflagaria uma crise política e institucional na Alemanha, ou recusar a solidariedade. Nesta hipótese, o sonho de uma Europa unida pode virar pesadelo e fragmentar o continente.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Espanha passa a China e é segundo país em mortes pelo coronavírus

Com mais 738 óbitos, a Espanha ultrapassa a China. Já é o segundo país em número de mortes pela pandemia do novo coronavírus. Os Estados Unidos têm mais de 66 mil casos e pelo menos 944 mortes. A Casa Branca e o Congresso americano chegam a um acordo para aprovar um plano de US$ 2 trilhões, mais de R$ 10 trilhões de reais, para atacar a epidemia e sustentar a economia.

O presidente Jair Bolsonaro insiste em atacar as medidas de isolamento social. A embaixada dos EUA pede a todos os americanos que deixem o Brasil, que tem 2.554 casos e 59 mortes. No mundo inteiro, são 467.594 casos e 21.181 mortes. Mais de 113 mil pessoas foram curadas.

A Europa já tem conta mais de 13 mil mortes. Com quase 50 mil casas e 3 mil 647 mortes, a Espanha superou a China. É o segundo país com o maior número de mortes. A letalidade está em 7,4 por cento. O total de óbitos foi o maior num dia: 738 mortes. 

Na Itália, o país com maior número de mortes, mais 683 pessoas morreram em 24 horas, a Itália tem mais de 74 mil casos e 7 mil 503 mortes. A mortalidade chegou a 10 por cento.

Os Estados Unidos estão em terceiro lugar no número de casos, com mais de 66 mil casos, 11 mil a mais num dia, e pelo menos 944 mortes, com mortalidade de 1,4 por cento. 

A China, onde foi registrado o primeiro caso, em 17 de novembro, tem mais de 81 mil casos e 3 mil 287 mortes. Hoje, teve 67 casos novos, oficialmente todos importados, e 6 mortes. Meu comentário:

sexta-feira, 6 de março de 2020

Ultranacionalismo hindu aumenta risco de guerra nuclear

O risco de uma guerra nuclear parecia inimaginável com o fim da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, em 1991. Está de volta. Não só os acordos de desarmamento e controle de armas não estão sendo renovados. Um governo fundamentalista hindu de caráter fascistoide alimenta a tensão entre a Índia e o Paquistão. 

Os Estados Unidos abandonaram no ano passado o Acordo sobre Forças Nucleares Intermediárias, assinado em 1987 pelo presidente americano Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev. Foi o primeiro a eliminar toda uma classe de armas nucleares, os mísseis de curto e médio alcances baseados em terra. 

Em 2021, expira o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, assinado em 2010 pelos Estados Unidos e a Rússia. O presidente Donald Trump só aceita renegociar e a China também for incluída. Mas a China tem muito menos armas atômicas do que Estados Unidos e Rússia. Não vai aceitar um status inferior e Washington e Moscou não vão querer dar paridade. Há um impasse. 

O risco de guerra nuclear entre superpotências é menor porque seria a destruição mutuamente assegurada. É uma guerra que não podem ganhar. 

Ao mesmo tempo, o Irã poderá ter em meses a quantidade de urânio enriquecido necessária para uma bomba atômica. Se os Estados Unidos e Israel não bombardearem preventivamente como ameaçam, e o Irã tiver armas nucleares, outras potências regionais do Oriente Médio como a Arábia Saudita e a Turquia não vão querer ficar atrás. 

A Coreia do Norte virou uma potência nuclear. Diante da relutância do governo Trump de garantir a proteção de aliados, a Coreia do Sul pode fazer armas atômicas e quem sabe até o Japão, que teria de mudar a Constituição. 

Mas a ameaça mais imediata é de uma guerra nuclear entre a Índia e o Paquistão depois que o governo ultranacionalista hindu do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, intensificou a discriminação aos muçulmanos. Meu comentário:

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Pressões variadas revelam limites da globalização

Depois de décadas de abertura comercial, com queda de tarifas e outras barreiras à movimentação de bens e serviços pressões políticas, econômicas, demográficas e tecnológicas estão reformatando a globalização da economia. Esta tendência deve se acentuar ao longo da década. 

A globalização veio para ficar, a não ser que haja uma catástrofe em grande escala. A complexidade das cadeias produtivas vai continuar, mas vai haver movimentos para fortalecer as cadeias produtivas locais e regionais, e um aumento do comércio intrarregional. 

Os grandes acordos comerciais são complexos e inflexíveis. Estão sendo substituídos por acordos bilaterais ou com poucos países. 

Durante décadas, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos construíram o sistema multilateral de comércio para promover a abertura comercial, inicialmente para evitar a volta da Grande Depressão dos anos 1930. 

Com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio, a OMC, em 2001, entrou no jogo um concorrente fortíssimo, com baixo custo de produção. Isso ajudou a manter os juros e a inflação baixos, mas provocou forte erosão na renda dos trabalhadores dos países ricos que viram suas fábricas migrar para a China e outros países. Meu comentário:

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Mundo esquece lições das grandes guerras do século 20

Oitenta anos depois do início da Segunda Guerra Mundial com a invasão da Polônia pela Alemanha nazista, em 1º de setembro de 1939, o mundo parece ter esquecido as lições dos grandes conflitos do século passado. 

A democracia liberal está em crise. Há uma ascensão do nacionalismo de extrema direita como não se via desde os anos 1930s. O sistema multilateral e a ordem mundial do pós-guerra estão sob ameaça. 

Os acordos de controle de armas e desarmamento estão sendo abandonados justamente no momento da transição hegemônica entre os Estados Unidos e a China.

Mais uma vez, o mundo corre o risco de cair na armadilha de Tucídides. A expressão foi criada pelo professor de relações internacionais Graham Allison, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. 

Na História da Guerra do Peloponeso, um conflito que aconteceu há quase 2 mil e 500 anos, na Grécia, Tucídides diz que “foi a ascensão de Atenas que instilou o medo em Esparta que tornou a guerra inevitável."

Quando uma grande potência em ascensão, ameaça a supremacia da potência dominante, na transição hegemônica, o resultado na maior parte das vezes é a guerra. Nos últimos 500 anos, houve 16 casos e 12 guerras. 

Não houve guerra na transição de Portugal para a Espanha, no fim do século 15, do Império Britânico para os Estados Unidos, no início do século 20, na Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética e na ascensão da Alemanha reunificada para se tornar a maior potência europeia. Meu comentário:

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Ultranacionalismo ameaça a maior democracia do mundo

A República da Índia, multiétnica, plurirreligosa e multicultural, é a maior democracia da Terra. O país realiza as maiores eleições do planeta. Em sete dias, durante sete semanas, cerca de 900 milhões de eleitores estão aptos a votar. Um em cada oito seres humanos. O Exército da Índia se desloca pelo país para garantir a segurança do pleito. Não teria condições se todos votassem no mesmo dia.

A Índia culturalmente diversa e plural é a obra do grande herói da independência, Mohandas Gandhi, o Mahatma, líder da luta pacífica contra o império, e do primeiro chefe de governo do país, Jawaharlal Nehru. Os fatos das últimas duas semanas abalam esta experiência formidável, que completou 72 anos no dia 15.

Ao acabar com a autonomia da Caxemira, o primeiro-ministro ultranacionalista hindu Narendra Modi rebaixa esta democracia, um verdadeiro milagre do pluralismo, observa o historiador Ramachandra Guha, em artigo publicado no jornal americano The New York Times. Meu comentário:

terça-feira, 16 de julho de 2019

Parlamento Europeu aprova nova presidente da Comissão Europeia

Por 383 a 327, apenas nove votos a mais do que necessário, o Parlamento Europeu aprovou hoje a indicação da ministra da Defesa da Alemanha, Ursula von der Leyen, para ser a próxima presidente da Comissão Europeia, o órgão executivo da União Europeia (UE), por um período de cinco anos, a partir de outubro. Será a primeira mulher a ocupar o cargo.

Aliada da chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, na União Democrata-Cristão (CDU), Von der Leyen é conservadora. Enfrentou forte resistência das bancadas de centro-esquerda (socialista, social-democrata e verdes) no Parlamento Europeu.

Filha de um embaixador alemão junto à UE, Ernst Albrecht, Ursula Gertrud Albrecht, seu nome de soltleira, nasceu em Ixelles, na Grande Bruxelas, em 8 de outubro de 1958. Aos 13 anos, voltou para a Alemanha, onde o pai foi governador da Baixa Saxônia.

Ursula Albrecht, estudou economia na Universidade de Göttingen, na Alemanha. No auge do terrorismo de grupos de extrema esquerda, o pai esteve sob ameaça da Facção do Exército Vermelho.

Em 1978, ela foi para o Reino Unido, onde viveu mais de um ano com o nome falso de Rose Laden, sobrenome da família de uma bisavó americana com origem no condado de Northampton, na Inglaterra, e estudou na London School of Economics.

Londres foi para ela "a epítome da modernidade: liberdade, alegria de viver e de experimentar tudo". Deu-lhe "a liberdade interior que tenho até hoje".

De volta à Alemanha em 1979, Ursula Albrecht se casou em 1986 com Heiko von der Leyen, de uma família aristocrática, comerciante de seda no tempo da Liga Hanseática. Ela mudou de carreira e estudou medicina na Universidade de Hanôver, onde concluiu o doutorado em 1991. Acusada de plágio, a Comissão de Ensino Superior da Alemanha encontrou apenas três erros graves em sua tese.

Filiada à CDU desde 1990, Ursula von der Lyen foi eleita em 2003 deputada na assembleia legislativa estadual da Baixa Saxônia. Foi ministra do Trabalho do governo Merkel antes de se tornar a primeira mulher a comandar o Ministério da Defesa.

Sua nomeação foi fruto de um acordo entre as duas potências que formam o eixo central da UE: Alemanha e França. Em troca, a ex-ministra das  Finanças francesa Christine Lagarde, hoje diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), será presidente do Banco Central Europeu (BCE).

Desde a Crise do Euro, a UE enfrenta a pior crise de sua história, com a decisão do Reino Unido de deixar o bloco, a crise dos refugiados e a volta de um ultranacionalismo de extrema direita que lembra a ascensão do fascismo nos anos 1930s e gostaria de implodir o projeto de integração da Europa.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Dois terços do terrorismo nos EUA vêm da extrema direita

Cerca de dois terços dos atentados terroristas registrados nos Estados Unidos no ano passado foram cometidos por extremistas de direita, revela uma nova análise feita por jornalistas e pesquisadores do sítio de notícias Quartz, com base em informações do Banco de Dados sobre o Terrorismo Global, que monitora ataques terroristas desde 1970.

O banco de dados tem o apoio da Consórcio Nacional para o Estudo do Terrorismo e das Respostas ao Terrorismo, ligado à Universidade de Maryland.

Globalmente, o número de atentados caiu de um pico de 17 mil em 2015 para 11 mil em 2017, com queda de 40% no Oriente Médio.

Nos Estados Unidos, houve um aumento nos últimos onze anos, de seis em 2006 para 65 em 2017. Só sete foram cometidos por extremistas muçulmanos.

Dois terços dos atentados do ano passado tiveram como motivo o racismo, o antissemitismo, o fascismo, a homofobia, o ódio a muçulmanos ou o ultranacionalismo. Os outros ataques foram atribuídos à esquerda radical e a extremistas muçulmanos.

domingo, 8 de abril de 2018

Primeiro-ministro antiliberal é reeleito na Hungria

Antiliberal, antieuropeu, antissemita e anti-imigrantes, Viktor Orban é o protótipo de líder do neopopulismo nacionalista que ressuscita o fantasma do fascismo na Europa Oriental pós-comunista. Acaba de ser reeleito para um terceiro mandado consecutivo de primeiro-ministro da Hungria. 

Com 93% dos votos apurados, a aliança de seu partido, a União Cívica Húngara (Fidesz), com o Partido Popular Democrata-Cristão (KDNP) deve eleger mais de 133 dos 199 deputados da Assembleia Nacional, garantindo a maioria de dois terços necessárias para mudar a Constituição. 

No discurso da vitória, Orban afirmou que o resultado dava aos húngaros "a oportunidade de se defender e de defender a Hungria". Os inimigos? Estrangeiros, muçulmanos, a burocracia de Bruxelas, o liberalismo ocidental e o bilionário húngaro naturalizado americano George Soros.

O Fidesz nasceu em 1988, fundado por jovens estudantes na época da abertura dos regimes comunistas da Europa Oriental promovida pelo líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev. A Hungria tinha o regime mais liberal e a economia mais aberta do Bloco Soviético. Foi o país que abriu a cortina de ferro, em 2 de maio de 1989, meses antes da queda do Muro de Berlim.

Depois da derrota nas eleições de 1994, Orban assumiu a liderança do partido e o levou para uma linha mais conservadora, nacionalista e populista. No último comício, na sexta-feira passada, o tema central foi o fantasma do estrangeiros: "A imigração é como uma ferrugem que lenta mas seguramente vai consumir a Hungria."

Nos últimos anos, ele não aceitou receber uma parcela dos refugiados que entraram na União Europeia proporcional à população. É contra o aprofundamento da integração europeia e se aproximar do ditador da Rússia, Vladimir Putin, que tentou fazer um acordo comercial bilateral para romper com as regras da UE.

Em segundo lugar, com 20% dos votos, ficou o partido nacionalista Jobbik, que marchou para o centro e formaria governo com o Partido Socialista, que teve 12%, e o partido verde, quarto colocado com 7%, se Orban não tivesse maioria.

O governo ganhou nas zonas rurais e nas pequenas cidades, enquanto as oposições conquistaram a maioria das cadeiras da capital, Budapeste.

Tanto o líder do Jobbik, Gabor Vona, quanto o socialista, Gyula Molnar, renunciaram. "O objetivo do Jobbik, ganhar as eleições e forçar uma mudança no governo, não foi atingido. A Fidesz ganhou. Ganhou de novo", lamentou Vona. "Nós nos consideramos responsáveis pelo que aconteceu e entendemos a decisão dos eleitores", declarou Molnar.

A vitória de Orban é uma derrota para a sociedade civil, grupos de defesa dos direitos humanos, a luta contra a corrupção e os meios de comunicação independentes. O primeiro-ministro promete "acertar as contas morais, políticas e legais" com seus adversários.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Ultradireita reconhece derrota na eleição presidencial da Áustria

Apesar da Brexit e de Donald Trump, a Áustria não se rendeu ao ultranacionalismo de direita. Com a televisão projetando uma vitória do candidato verde e independente Alexander Van der Bellen com 53,6% dos votos, o Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), neonazista, reconheceu há pouco a derrota no segundo turno da eleição presidencial, informou o jornal francês Le Monde.

"Eu gostaria de felicitar o Sr. Van der Bellen por seu sucesso", declarou o secretário-geral do FPÖ, Herbert Kickl, à televisão estatal ÖRF.

Uma vitória de Norbert Hofer seria a primeira de um neonazista para a presidência de um país da Europa desde 1945. O próprio Hofer cumprimentou o adversário nas redes sociais e pediu aos austríacos que "fiquem juntos e trabalhem juntos".

O primeiro turno da eleição presidencial austríaca, realizado em 24 de abril de 2016, sob o impacto da crise dos refugiados que tentavam desesperadamente asilo na União Europeia, tirou da disputa os partidos tradicionais liberal e social-democrata que dominaram a política austríaca no pós-guerra.

No segundo turno, em 22 de maio, Van der Vellen ganhou por 50,3% a 49,7% depois de dias de apuração. O Tribunal Constitucional da Áustria anulou o resultado por irregularidades em algumas secções eleitorais e nova votação foi realizada hoje.

domingo, 20 de novembro de 2016

Merkel é candidata a um quarto mandato na Alemanha

Doze dias depois da eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos, a primeira-ministra conservadora Angela Merkel anunciou hoje em Berlim sua candidatura a um quarto mandado como chefe de governo da Alemanha, preparando-se para ser a principal líder a favor do internacionalismo liberal pós-1945.

Ao manter o compromisso histórico da Alemanha e da União Europeia de acolher refugiados de guerra, Merkel, no poder desde 2005, perdeu popularidade, mas não se rendeu ao discurso populista antiestrageiros alimentando pelo ressurgimento da extrema direita no continente.

Seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), sofreu uma derrota humilhante, ficando em terceiro lugar nas eleições de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, um dos estados mais pobres do país e da antiga Alemanha Oriental, base eleitoral da primeir,a-ministra.

A vitória, em 6 de setembro de 2016, foi do Partido Social-Democrata (SPD), com 30,5%, seguido pelo novo partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), com 20,9%, deixando a CDU em terceiro com 19% numa clara rejeição à política de refugiados de Merkel.

O detalhe é que o estado, por ser pobre, é um dos que menos atraem imigrantes na Alemanha. Numa concessão aos partidos de ultradireita, a chanceler declarou hoje ser contra os trajes muçulmanos que cobrem o rosto inteiro, como o nicabe e a burca.

A AfD está roubando votos dos partidos tradicionais. Sua fatia do eleitorado encolhe a cada eleição geral. Em 2013, a CDU e o SPD tiveram 67% dos votos. Nas pesquisas para as eleições gerais de setembro de 2017, têm em média 55% das preferências do eleitorado.

Merkel assumiu a responsabilidade pelas derrotas da CDU, mas não abriu mão dos princípios da democracia e da liberdade, base da ordem internacional pós-Segunda Guerra Mundial  liderada pelos EUA em aliança com a Europa Ocidental.

Esta visão de mundo é ameaçada pelo ressurgimento de um nacionalismo hostil nos EUA com Donald Trump,a crescente agressividade militar da China ao intimidar países vizinhos, as intervenções militares da Rússia de Vladimir Putin, no Reino Unido com o movimento para sair da UE e no resto da Europa com a ascensão de partidos neofascistas como a Frente Nacional, na França.

Os cinco países citados acima são as grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, responsáveis em última análise pela paz e segurança internacionais. Se não chegarem a acordos básicos e reavivarem o nacionalismo, o risco de guerras aumenta exponencialmente.

Por ironia do destino, cabe a uma mulher, líder da Alemanha, país que iniciou as duas guerras mundiais que acabaram com a ordem mundial eurocêntrica, a defesa da ordem internacional liberal construída para acabar com o mundo nefasto das guerras nacionalistas. Outros líderes, como Trump e Putin parecem não ter aprendido as lições da história.