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domingo, 23 de fevereiro de 2025

Direita vence e extrema direita avança nas eleições na Alemanha

Com 28,5% dos votos, a aliança da União Democrata-Cristã com a União Social-Cristã (CDU-CSU) venceu as eleições parlamentares deste domingo na Alemanha, mas seu líder, Friedrich Merz (foto), terá de formar uma coalizão para governar, provavelmente com o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), que ficou em terceiro lugar com 16,4%, e talvez também com Os Verdes, que tiveram 11,6%.
A neonazista Alternativa para a Alemanha (AfD) dobrou seu percentual de votação para 20,8% e será o maior partido da oposição, com 151 deputados. Foi o melhor resultado da extrema direita depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Na faixa etária de 35 a 44 anos, foi o partido mais votado, com 26% contra 24% da direita republicana (CDU-CSU). Sua líder, Alice Weidel, declarou que será um governo frágil que não vai até o fim do mandato de quatro anos.

Três ataques terroristas recentes cometidos por imigrantes fortaleceram a extrema direita. Em dezembro, um médico saudita atropelou e matou seis pessoas e feriu 229 numa feira de Natal em Magdeburgo. Em 13 de fevereiro, um afegão que teve o pedido de asilo negado matou uma mulher e sua filha, e feriu outras 30 pessoas num atropelamento em Munique. No sábado, um refugiado sírio esfaqueou uma pessoa perto do Memorial do Holocausto em Berlim aos gritos de "morte aos judeus".

As eleições previstas para setembro foram antecipadas pelo colapso da coligação sinal de trânsito, vermelho do SPD, amarelo do Partido Democrático Livre (FDP) e os Verdes, em 6 de novembro do ano passado, depois que o FDP rejeitou a proposta orçamentária do chanceler (primeiro-ministro) Olaf Scholz cobrando austeridade fiscal para combater a crise econômica. Com apenas 4,4% dos votos, o FDP não superou a cláusula de barreira de 5%. Fica fora do Parlamento. Seu líder, Christian Linder, renunciou.

A participação de 83% do eleitorado foi a maior desde a reunificação do país, em 3 de outubro de 1990, mas a Alemanha ainda está dividida. Com 29,7% da votação, a extrema direita ganhou em toda a antiga Alemanha Oriental, a não ser em Berlim. Ficou em quarto lugar na antiga Alemanha Ocidental, com 13%.

No fim, a União (CDU-CSU) elegeu 208 dos 630 deputados da Câmara Federal, dos quais 299 são eleitos pelo voto distrital e os outros 331 pelo voto proporcional em listas partidárias. A AfD terá 151 cadeiras. 

Os sociais-democratas tiveram o pior resultado desde 1949, quando foi fundada a Alemanha Ocidental, depois da divisão do país no fim da Segunda Guerra Mundial. Ficaram com 121 deputados. Junto com a União, somam 329 cadeiras, suficientes para a maioria.

Os Verdes elegeram 85 deputados. Se entrarem no governo, a coalizão terá uma maioria folgada de 414 cadeiras, mas é improvável por causa da linha dura adotada por Merz contra a imigração. O futuro chanceler quer suspender o Acordo de Schengen, que aboliu as fronteiras internas da União Europeia, e voltar a fazer controle de fronteiras para impedir a entrada de imigrantes ilegais.

A Aliança Sarah Wagenknecht (BSW), de esquerda radical, chegou a 4,9% e também ficou fora. Se superasse a cláusula de barreira, como a televisão ZDF chegou a anunciar, Os Verdes teriam de entrar para o governo.

Nacionalista de esquerda, conservadora em questões sociais, a BSW é antieuropeia e contra a participação da Alemanha na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos. É uma dissidência do partido A Esquerda, que conquistou 8,8% dos votos e terá 64 parlamentares.

Uma cadeira foi conquistada pelo voto distrital pela Associação dos Eleitores de Schleswig do Sul.  

Maior economia da Europa e terceira do mundo, com produto interno bruto de US$ 4,9 trilhões, a Alemanha está em recessão há dois anos por causa do aumento da concorrência da indústria da China e do fim da energia barata da Rússia por causa das sanções à ditadura de Vladimir Putin em razão da invasão da Ucrânia. O modelo econômico alemão está em crise e não há solução fácil.

O maior desafio é a mudança de posição dos EUA no governo Donald Trump em relação à OTAN e à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia. Isto obriga a Europa a aumentar os gastos militares tratar de garantir a segurança do continente sem depender de Washington. No momento, a Alemanha gasta 1,7% do PIB em defesa. A meta da OTAN era 2%. Trump quer um aumento para 5% para manter a aliança atlântica.

Diante dos problemas do país e da Europa, Merz pediu pressa nas negociações: "O mundo lá fora não está esperando por nós." Ele defende uma política mais dura com a Rússia. Quer dar mais armas à Ucrânia, enquanto o presidente dos EUA se aproxima de Putin e "fortalecer a Europa tão rapidamente quanto possível para que seja independente dos EUA."

Trump está chantageando a Ucrânia. Se o presidente Volodymyr Zelensky não concordar em ceder 50% das riquezas minerais da Ucrânia, no valor de US$ 500 bilhões, Trump ameaça suspender a ajuda ao país.

Nesta caso, a Europa terá de aumentar a ajuda militar à Ucrânia para evitar a vitória de Putin, que seria extremamente negativa para a segurança do continente.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Alemanha dissolve Parlamento e antecipa eleições em plena crise

 O presidente Frank-Walter Steinmeier dissolveu hoje o Parlamento Federal da Alemanha. As eleições gerais foram antecipadas em sete meses depois da queda do chanceler (primeiro-ministro) social-democrata Olaf Scholz. Serão realizadas em 23 de fevereiro de 2025, em meio a uma crise do modelo econômico alemão e de ascensão da extrema direita. A favorita é a União Democrata-Cristão (CDU), o partido tradicional da direita conservadora, liderado por Friedrich Merz, que deve ser o próximo chefe de governo.

Maior economia da Europa e terceira do mundo, a Alemanha enfrenta uma crise de seu modelo econômico por causa da concorrência dos países da Ásia, especialmente da China, e do fim da energia barata da Rússia. O governo Scholz caiu por causa da discordância dos liberais-democratas sobre a recuperação da economia.

A CDU de Merz faz campanha com a defesa do neoliberalismo econômico, com cortes de impostos e gastos públicos, e contra a imigração. A onda de refugiados que entrou no governo Angela Merkel (2005-21) é a principal causa do surgimento e ascensão do partido neonazista Alternativa para a Alemanha (AfD), que está em segundo lugar nas pesquisas.

Com o fragmentação do sistema política e a recusa dos partidos tradicionais de formar governo com a extrema direita, há uma expectativa de que sejam necessários meses após as eleições até a Alemanha ter um novo governo. Como a França também está em crise, com um governo sem maioria na Assembleia Nacional, o eixo central da União Europeia está enfraquecido no momento da volta do presidente Donald Trump à Casa Branca.

domingo, 26 de setembro de 2021

Social-democracia vence na Alemanha por margem estreita

A Era Angela Merkel termina com o pior resultado nas urnas da direita conservadora da Alemanha no pós-guerra. A aliança da União Democrata-Cristã (CDU) com a União Social-Cristã (CSU), de Merkel, conquistou apenas 24,1% dos votos nas eleições parlamentares deste domingo contra 25,7% do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD). Os extremistas perderam.

Os líderes dos dois grandes partidos, Olaf Scholz (SPD) e Armin Laschet (CDU), se declararam vencedores e prontos para formar o novo governo. Como a lei alemã permite, ambos tentarão articular uma coalizão. 

Seus partidos recebiam 90% dos votos no passado. Hoje, ficam com 50%. Vão precisar do apoio de mais dois partidos, Os Verdes, que receberam 14,8% dos votos e o Partido Liberal-Democrata (FDP), que teve 11,5%. Os ecologistas querem mais impostos e mais gastos públicos. Os liberais-democratas defendem o liberalismo econômico. As negociações podem se arrastar por semanas por semanas ou até meses.

Com o SPD na chefia do governo, seria a coalizão sinal de trânsito: vermelha (SPD), amarela (FDP) e verde (Verdes). A alternativa é a coalizão Jamaica: preta (CDU-CSU), amarela (FDP) e verde (Verdes). Mas não se pode descartar a chance de uma grande coalizão entre CDU-CSU e SPD, como a do atual governo Merkel.

Scholz argumentou que a maioria relativa votou no SPD porque "quer uma mudança no governo", embora seja vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças desde 14 de março de 2018 na grande aliança entre CDU-CSU e SPD. Os alemães votaram para mudar, mas não muito. O próprio Scholz acenou com uma certa continuidade.

Apesar da derrota, Laschet reivindica o direito de tentar formar um governo. Enquanto os partidos não se entendem, Angela Merkel (2005-21) continua no poder como chanceler (primeira-ministra) interina.

ESTADISTA

Num mundo carente de líderes internacionais visionários, a chanceler alemã deixa o poder depois de 16 anos exaltada, com ampla aprovação dentro e fora da Alemanha como a "última estadista", a "mulher mais poderosa do mundo" (é mesmo) e elegias do gênero. Foi uma líder racional, forte e decidida numa era de populistas inconsequentes e temerários como o ex-presidente americano Donald Trump e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

A menina criada sob o regime comunista da Alemanha Oriental se destacou depois da queda do Muro de Berlim. Chamou a atenção do chanceler Helmut Kohl, que a nomeou para ministra da Família e da Mulher em 1991 e ministra do Meio Ambiente em 1994.

Líder da CDU desde o ano 2000, Merkel comandou a oposição na Bundestag (Câmara Federal) ao governo Gerhard Schröder (1998-2005), que derrotou nas eleições de 2005. 

Doutora em química, Merkel soube enfrentar a pandemia com a ciência. Teve um sucesso inicial ao impor o confinamento. Sob pressão de governadores estaduais e empresários, reabriu a economia cedo demais. A Alemanha soma 4,2 milhões de casos confirmados e pouco menos de 94 mil mortes na pandemia. É o 14º país do mundo em número absoluto de mortes e 52º em mortes por habitante.

Sob Merkel, a Alemanha cresceu 34%, mais do que o dobro do Reino Unido e da França, firmando o país como maior economia da Europa e a quarta do mundo, com um produto interno bruto de US$ 4,3 trilhões, quase R$ 23 trilhões.

REFUGIADOS

Quando os refugiados das guerras no Grande Oriente Médio correram para as fronteiras da União Europeia (UE), Merkel honrou o compromisso histórico da Alemanha no pós-guerra para purgar os crimes do passado nazista. Acolheu mais de 1 milhão de refugiados, uma medida correta, mas que levou ao ressurgimento da extrema direita no partido Alternativa para a Alemanha (AfD), que conquistou 10,5% dos votos hoje, enquanto a Esquerda radical ficou com 4,9%.

A votação do AfD explica o pior resultado da aliança da direita conservadora CDU-CSU. Para evitar a presença de comunistas e nazistas no Parlamento no pós-guerra, a então Alemanha Ocidental introduziu uma cláusula de barreira. Para ter representação na Câmara Federal, um partido precisa de no mínimo 5% dos votos.

Até 2017, quando a crise dos refugiados estourou nas urnas e tornou a AfD o terceiro maior partido no Parlamento, com 12,6% dos votos, a direita republicana da CDU-CSU ia o suficiente para a direita para evitar o crescimento de partidos neonazistas. A crise dos refugiados rompeu esta barreira. A extrema direita voltou ao Parlamento da Alemanha pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

LEGADO

Depois de Adolf Hitler (1933-45), os alemães preferem líderes chatos e metódicos com o estilo de governanta alemã de Angela Merkel, sem drama nem estridência. Ela soube desdramatizar crises como na anexação da Crimeia pela Rússia e na intervenção militar russa no Leste da Ucrânia, em 2014, quando foi uma ponte entre o presidente americano, Barack Obama, e o ditador russo, Vladimir Putin. Também enquadrou o Reino Unido nas negociações para a saída da UE de modo a preservar o bloco.

Só Otto von Bismarck (1871-90), o Marechal de Ferro, chanceler da unificação da Alemanha, em 1871, e Helmut Kohl (1982-98), o chanceler da reunificação, em 1990, governaram mais tempo do que ela. Se o novo governo não tomar posse até 17 de dezembro, Merkel ultrapassa seu padrinho.

Bismarck fundou um império e criou o primeiro sistema de previdência social da Europa. É o pioneiro do modelo social-democrata europeu, adotado nos países com o maior índice de desenvolvimento humano. 

Kohl reunificou o país, liderou a criação da União Europeia e concordou com a substituição do marco alemão, símbolo da estabilidade econômica do pós-guerra, na união monetária que criou o euro.

ORDOLIBERALISMO

As realizações de Merkel são bem mais modestas, comenta a revista inglesa The Economist. Faltou uma visão estratégica para construir o futuro da Alemanha e da Europa. O ordoliberalismo, o neoliberalismo alemão, e sua obsessão com o equilíbrio fiscal levou à aprovação de uma lei, em 2009, para zerar o déficit orçamentário, quando o governo poderia aproveitar os juros historicamente baixos para investir.

Isto não só impediu investimentos públicos em infraestrutura em geral e, em especial, para acelerar a transição digital e a descarbonização da economia para mitigar o aquecimento global. Prejudicou o projeto europeu reduzindo os ganhos da Alemanha com a integração econômica.

Na questão do clima, apesar da alta consciência ecológica do povo alemão, com o fechamento das usinas nucleares depois do acidente nuclear de Fukushima, no Japão, em 11 de março de 2011, a Alemanha tem o maior consumo de combustíveis fósseis por habitante entre as grandes economias da Europa. Com 44% da energia elétrica gerada por carvão, gás ou petróleo, está atrasada na descarbonização e na construção da economia do futuro.

CRISE DO EURO

Quando a Grande Recessão (2008-9) se transformou na Crise do Euro (2009-14), a Grécia, a Irlanda, Portugal, a Espanha e Chipre não conseguiram honrar suas dívidas e precisaram de ajuda do Grupo do Euro, do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). A Itália, terceira maior economia da Zona do Euro, correu risco de dar calote.

A Alemanha foi inflexível ao rejeitar a mutualização da dívida, a emissão de bônus lastreados por todos os países da Eurozona, o que só aceitou agora para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. Na Grécia, submetida a uma austeridade fiscal punitiva, Merkel chegou a ser pintada na imprensa com o bigodinho de Hitler.

Para o contribuinte alemão, não cabe a si bancar as dívidas de povos do Sul da Europa que considera indisciplinados, como gregos, português, espanhóis e italianos. Faltou uma visão estratégia para entender que a economia alemã é a maior beneficiária da integração econômica do continente no mercado comum europeu.

Merkel foi uma líder indispensável para debelar as crises da UE. Mas deixa um vácuo de liderança, não avançou na construção da arquitetura do bloco europeu, é acusada de ser leniente com o autoritarismo da China e da Rússia, com que prefere conseguir negócios para as empresas alemãs, e até mesmo com o autoritarismo interno da Hungria e da Polônia na UE.

O mundo precisa muito mais do que uma governanta alemã.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Primeira-ministra Angela Merkel anuncia retirada da vida pública

Diante de mais uma grande perda da União Democrata-Cristã ontem nas eleições do estado de Hesse, no centro da Alemanha, a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel anunciou hoje que este será seu último mandato como chefe de governo. Ela deixa o cargo em 2021 e não vai concorrer à reeleição como líder do partido em dezembro de 2018, informou a televisão pública britânica BBC.

"Não vou mais postular nenhum cargo político quando meu mandato acabar", declarou Merkel hoje em Berlim. "Como chanceler e líder da CDU, sou responsável por tudo, por seus fracassos e seus sucessos."

Tanto a CDU como o Partido Social-Democrata (SPD), seu parceiro na grande coalizão que governo a Alemanha, perderam dez pontos percentuais em relação às eleições anteriores em Hesse, onde fica Frankfurt, principal centro financeiro da Alemanha e sede do Banco Central Europeu (BCE).

Duas semanas antes, a União Social-Cristã (CSU), aliada da CDU na Baviera, sofrera uma perda semelhante e também o SPD nas eleições estaduais bávaras. Nos dois casos, os grandes beneficiários foram os Verdes à esquerda e o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

Merkel sofre um desgaste por ter acolhido 1,1 milhão de refugiados das guerras no Oriente Médio  por causa das leis de asilo político generosas adotadas pela Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) para expiar a culpa pelos crimes do Nazismo.

A inesperada ascensão da AfD a partir das eleições gerais de 2017, quando a extrema direita voltou ao Parlamento alemão pela primeira vez desde o fim da guerra, foi um sinal claro de insatisfação. Agora, depois das eleições na Baviera e em Hesse, a AfD tem deputados em todas as assembleias legislativas regionais.

Com a forte queda dos dois partidos de centro, a grande coalizão é abalada. Se o SPD retirar o apoio, a aliança CDU-CSU terá de decidir se tenta governar em minoria ou se convoca novas eleições em que Merkel não seria candidato.

Neste clima, eleições gerais antecipadas tendem a produzir um Parlamento fragmentado, com negociações difíceis para formar um governo de maioria, provavelmente frágil. Como a Alemanha é a maior economia da Europa e a líder da União Europeia, a integração europeia também fragilizada no momento das negociações para a saúda do Reino Unido e de desafios dos governos de extrema direita da Itália, da Hungria e da Polônia.

domingo, 28 de outubro de 2018

Partido de Merkel sofre nova derrota na Alemanha

Num resultado capaz de abalar a grande coalizão governista da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, a União Democrata-Cristã (CDU) sofreu uma forte queda nas eleições do estado de Hesse, no centro da Alemanha, onde fica Frankfurt, a capital financeira do país. O Partido Social-Democrata, sócio na grande aliança,  também caiu muito.

Com 27,2%, a CDU continua sendo o maior partido em Hesse, mas perdeu 10 pontos percentuais em relação às eleições anteriores, cinco anos atrás. O SPD ficou em segundo com 19,6%. Em 2013, tivera 30,7% dos votos. Perdeu espaço para um extraordinário crescimento dos Verdes, que devem ficar com 19%.

O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 13% dos votos. Agora, tem representantes em todas as assembleias legislativas estaduais.

Para o secretário-geral do SPD, o resultado indica que "a grande coalizão não pode continuar deste jeito".

A CDU governa Hesse há 19 anos, nos últimos cinco numa aliança improvável com os Verdes. Como esses dois partidos podem não ter maioria no parlamento regional, um novo arranjo deve incluir o Partido Liberal-Democrata (FDP).

domingo, 4 de março de 2018

Partido Social-Democrata da Alemanha aprova aliança com Merkel

Por uma maioria de 66%, os 643 mil membros do Partido Social-Democrata (SPD) aprovaram hoje a aliança com a União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, e sua aliada União Social-Cristã (CSU) para formar o governo da Alemanha cinco meses depois das eleições parlamentares que marcaram a volta da extrema direita ao Parlamento alemão depois da Segunda Guerra Mundial. Será o quarto governo Merkel, o terceiro com a grande coalizão dos partidos tradicionais que governaram o país no pós-guerra.

Com o avanço da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), que criticou Merkel por acolher um milhão de refugiados, a chanceler perdeu o brilho e a aura de líder do mundo ocidental e defensora da democracia liberal na era Donald Trump, um presidente dos Estados Unidos autoritário e antidemocrático.

Se não houvesse acordo, as alternativas seriam um governo fraco de centro-direita sem maioria no Bundestag (Câmara Federal) ou a realização de novas eleições em que os partidos tradicionais deveriam perder ainda mais deputados.

Merkel governou de 2005-9 e 2013-17 com o SPD e em aliança com o Partido Liberal-Democrata (FDP) de 2009-13. Mesmo fraco, o quarto governo Merkel é uma boa notícia para a economia da Europa e para a tentativa do presidente da França, Emmanuel Macron, de reformar e revigorar a União Europeia.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Justiça da Alemanha autoriza cidades a proibir veículos a diesel

O superior tribunal de justiça da Alemanha autorizou hoje os governos municipais a proibir o trânsito de veículos movidos a óleo diesel para combater a poluição e melhorar a qualidade do ar. Milhões de veículos podem sair de circulação, noticiou o jornal inglês The Guardian.

A decisão histórica revoluciona o maior mercado de automóveis da Europa. Cerca de 15 milhões de veículos são movidos a diesel na Alemanha. É um problema para a frágil coalizão liderada pela primeira-ministra conservadora Angela Merkel com o Partido Social-Democrata (SPD).

"O tribunal não impôs nenhuma proibição, mas trouxe clareza sobre a lei", declarou a ministra do Meio Ambiente, Barbara Hendricks. "As proibições podem ser evitadas. É minha meta e meu desejo que não entrem em vigor."

Em seu julgamento, o Tribunal Administrativo Federal, com sede na cidade de Leipzig, manteve a decisão de instâncias inferiores sobre o veto a veículos a diesel em Stuttgart e Düsseldorf, duas das cidades mais poluídas do país.

"É um grande dia para o ar puro na Alemanha", festejou Jürgen Resch, da Ajuda Ambiental Alemã, uma organização não governamental de proteção à natureza.

Ao criticar a decisão, o presidente da Associação da Indústria Automobilística da Alemanha, Matthias Wissmann, afirmou que "os padrões ambiciosos de qualidade do ar nas cidades alemãs podem ser atingidos sem proibições."

O excesso de óxidos de nitrogênio no ar causa uma série de problemas de saúde, de asma a derrame, matando entre 6 e 10 mil pessoas por ano na Alemanha. É um problema do óleo diesel, observou a televisão pública britânica BBC.

A norma da União Europeia é de no máximo 40 microgramas de óxidos de nitrogênio por metro cúbico de ar. Várias cidades alemãs, como Colônia, Düsseldorf, Munique e Stuttgart, várias vezes passam de 70 microgramas.

Mas o diretor da Associação de Municípios da Alemanha, Gerd Landsberg, considera difícil implantar e fiscalizar um veto a veículos a diesel com eficiência: "As prefeituras simplesmente não estão em posição de realizar em curto prazo a montanha burocrática necessária para aplicar uma proibição de dirigir" veículos a diesel.

Nem todos pensam assim. Em Hamburgo, o maior porto da Alemanha, situado no Norte do país, o senador verde Jens Kerstan promete banir o óleo diesel "em semanas" se a Câmara Municipal assim o decidir.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Merkel fracassa ao formar governo e Alemanha pode ter novas eleições

Com a retirada dos liberais-democratas (FDP) das negociações para formar um novo governo na Alemanha, a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel enfrenta sua crise política mais grave em 12 anos no poder. Depois de um mês, ela não conseguiu promover um acordo entre a aliança da União Democrata-Cristã e com a União Social-Cristã (CDU-CSU), que lidera, o FDP e os Verdes.

Os principais pontos de discórdia foram refugiados, migração e mudança do clima. Sem avanços até sexta-feira passada, prazo fixado pela chanceler para chegar um acerto, o líder do FDP, Christian Lindner, abandonou as negociações.

 "É melhor não governar do que governar insinceramente", declarou Lindner. Na sua opinião, o processo "demonstrou que os quatro parceiros não têm uma visão comum do nosso país nem uma base comum de confiança".

Merkel foi obrigada a formar um governo de coalizão depois que a CDU obteve nas eleições de 24 de setembro seu pior resultado desde 1949, nas primeiras eleições da Alemanha Ocidental. Sob pressão do novo partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), a aliança CDU-CSU teve apenas 30,2% dos votos.

No domingo, o presidente da Alemanha, o ex-líder do Partido Social-Democrata (PSD) e ex-ministro do Exterior Frank-Walter Steinmeier advertiu para os ricos de novas eleições, que podem fortalecer ainda mais a extrema direita.

Agora, a primeira-ministra pode formar um governo sem maioria parlamentar, que seria frágil, precisando barganhar apoio a cada votação, tentar rearticular a grande coalizão com o SPD ou convocar novas eleições no início de 2018.

No seu primeiro governo (2005-9) e no terceiro (2013-17), Merkel fez alianças com o SPD para ter maioria no Parlamento. Mas aparentemente o SPD prefere novas eleições. Pode ser o fim melancólico da carreira política da mulher apontada como líder do mundo livre depois da ascensão de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos.

domingo, 22 de outubro de 2017

Bilionário populista e antieuropeu vai governar a República Tcheca

O partido populista de centro-direita Ação de Cidadãos Insatisfeitos (ANO) venceu as eleições parlamentares de ontem na República Tcheca com cerca de 30% dos votos. Seu líder, o bilionário Andrej Babis, apelidado de Trump tcheco, será o próximo primeiro-ministro, informou hoje o jornal Latin American Herald Tribune.

Aos 63 anos, o Trump tcheco está sob investigação por uso fraudulento de fundos da União Europeia (UE) no valor de US$ 2 milhões. Mesmo assim, seu partido subiu 11 pontos percentuais em relação às eleições de 2013 para 29,6%. Elegeu 78 dos 200 deputados da Câmara dos Deputados. Terá de fazer alianças para formar um governo de maioria.

Com fortuna feita nos setores alimentício, químico e de meios de comunicação, ele promete dirigir o país como uma empresa e reduzir drasticamente a imigração.

Em segundo lugar, ficou o partido conservador ODS (11,3%, 25 deputados), seguido pelo anarquista Piratas (10,8%, 22 deputados) e pelo estreante, ultranacionalista e antieuropeu SPD (10,6%, 22 deputados), que chegou a aparecer em segundo lugar em pesquisas de boca de urna.

Os dois partidos tradicionais de esquerda sofreram fortes perdas. O Partido Comunista da Boêmia e da Morávia (KSCM) baixou de 15% para 7,8% do eleitorado, enquanto o Partido Social-Democrata Tcheco (CSSD) desabou de 20,4% para 7,3%, caindo de maior partido político tcheco para o sexto lugar. Ambos elegeram 15 deputados cada.

Pela primeira vez, nem o ODS nem o CSSD ganhou. Será o parlamento mais fragmentado desde a independência da República Tcheca, em 1993.

domingo, 24 de setembro de 2017

Merkel é reeleita e ultradireita volta ao Parlamento da Alemanha

Com cerca de 33% dos votos, a aliança entre a União Democrata-Cristã (CDU) e a União Social-Cristã (CSU) garantiu a esperada reeleição da chanceler (primeira-ministra) conservadora Angela Merkel para um quarto mandato como chefe de governo da Alemanha. 

A grande novidade das eleições de 2017 foi a volta ao Parlamento alemão de um partido de extrema direita pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

A Alternativa para a Alemanha (AfD), surgida em reação à política de Merkel de acolher os refugiados de guerras no Oriente Médio e à crise do euro, ficou em terceiro lugar, com 12,6% dos votos e 94 deputados, atrás do Partido Social-Democrata (SPD), que teve 20,5% da votação e elegeu 153 deputados.

Também conquistaram assentos na Câmara Federal da Alemanha o Partido Liberal-Democrata (FDP),  com 10,7% dos votos, terá 80 deputados; a Esquerda, com 9,2%, elegeu 69 deputados; e os Verdes, com 8,9% da votação, terão 67 deputados.

Apesar da vitória, com 246 deputados na Câmara Federal (Bundestag) de 709 cadeiras, a aliança CDU-CSU obteve seu pior resultado desde 1949, nas primeiras eleições da Alemanha Ocidental.

Merkel pode tentar a aliança com os liberais-democratas, um antigo aliado de governos democratas-cristãos, mas não basta para ter maioria absoluta. Ela também precisaria do apoio da bancada verde para formar um governo de maioria, com 393 deputados.

Outra opção é manter a grande aliança com o SPD. Os sociais-democratas sofreram o desgaste de ser o parceiro menor na coalizão de governo. Devem preferir a oposição para reconstruir sua base de apoio. De qualquer maneira, Merkel sai enfraquecida das eleições.

Pela Constituição da República Federal da Alemanha, do pós-guerra, há uma cláusula de barreira. Para entrar na Câmara, um partido precisa de no mínimo 5% dos votos nacionalmente. Foi uma fórmula usada evitar o acesso de nazista e comunistas ao Parlamento.

É a primeira vez desde Hitler e do partido nazista que a extrema direita estará no Parlamento Alemão. Ao celebrar como vitória, os ultranacionalistas prometeram fazer uma oposição feroz a Merkel e investigar os últimos governos. Do lado de fora, manifestantes liberais e de esquerda gritavam: "Fora, nazistas!"

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Merkel vence único debate antes das eleições na Alemanha

Em campanha por um quarto mandato consecutivo, a chanceler (primeira-ministra) conservadora da Alemanha, Angela Merkel, levou a melhor no único debate televisivo da campanha, realizado ontem à noite. Ao responder sobre relações com a Turquia, ela descartou a possibilidade do país entrar na União Europeia.

O candidato social-democrata Martin Schulz atacou a política de refugiados, as relações com a Turquia e com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Merkel usou sua experiência internacional e foi considerada vencedora.

Antes do debate, a aliança entre a União Democrata-Cristã (CDU) de Merkel e a União Social-Cristã (CSU) tinha uma vantagem de 14 pontos nas pesquisas sobre o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD). Depois de debate, 55% deram vitória à chanceler e apenas 35% ao líder social-democrata.

Sob pressão de Schulz, Merkel declarou: "É claro que a Turquia não deve se tornar um membro da UE. Vou falar com meus colegas para ver se podemos chegar a uma posição conjunta e encerrar as negociações de acesso."

O governo turco reagiu com indignação. Merkel defendeu o acordo da UE com a Turquia para tentar conter a onda de refugiados da guerra civil na Síria.

Schulz também cobrou uma posição mais dura em relação a Trump por "colocar o mundo à beira de crises com seus tuítes" e prometeu trabalhar com seus parceiros europeus, o Canadá, o México e a oposição americana.

Merkel alegou "não acreditar que a crise na Coreia do Norte possa ser resolvida sem o presidente americano, mas penso que devemos dizer nos termos mais claros possíveis que só pode haver uma solução pacífica e diplomática."

No poder desde 2005, Merkel é a líder da Europa e uma das maiores lideranças mundiais. Diante do recuo do papel internacional dos EUA de Trump, ela está sendo pressionada a assumir o papel de líder do mundo ocidental.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Parlamento da Alemanha aprova o casamento homossexual

Por 393 a 226 votos, a Câmara Federal da Alemanha aprovou hoje a lei que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo, depois que a chanceler (primeira-ministra) conservadora abandonou sua oposição diante da pressão da opinião pública a menos de três meses das eleições parlamentares.

A Alemanha é o 14º país europeu a aprovar o casamento gay. O debate na Câmara durou apenas  38 minutos.

O Partido Social-Democratas (SPD), os Verdes e a Esquerda votaram em massa a favor do projeto, enquanto a coalizão conservadora formada pela União Democrata-Cristã (CDU) e a União Social-Cristã (CSU) se dividiu. A CSU, aliada da Baviera, foi contra, mas apresentou críticas moderadas.

A própria Merkel votou contra usando um argumento jurídico: "O casamento, segundo a Constituição, é a união de um homem e uma mulher." Ela aceitou a mudança para tirar uma bandeira da esquerda nas eleições. Também declarou ser favorável a que casais gays tenham o direito de adotar filhos.

"É um dia histórico para nossa minoria", declarou o deputado verde Volker Beck, aplaudido de pé num de seus últimos discursos na Câmara.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Partido de Merkel ganha eleições no maior estado da Alemanha

A reeleição de Angela Merkel em 22 de setembro de 2017 para um quarto mandato como chanceler (primeira-ministra) da Alemanha é cada vez mais provável. Seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), ganhou ontem as eleições na Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso da Alemanha, reduto tradicional do Partido Social-Democrata (SPD).

Pelas projeções da televisão alemã ZDF, a direitista CDU venceu com 33,3% dos votos contra 31% do SPD, de centro-esquerda que caiu oito pontos percentuais em relação às eleições anteriores. O Partido Liberal-Democrata (FDP), de centro-direita, ficou em terceiro com 12%. É um possível parceiro numa aliança com a CDU para formar um governo de coalizão.

A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita anti-imigração e antieuro, entrou no parlamento regional com 8% dos votos. Já está presente em 13 dos 16 estados alemães.

Os sociais-democratas também perderam nos últimos dois meses as eleições nos estados do Sarre e de Schleswig-Holstein. A quatro meses e meio das eleições, um atentado terrorista, um agravamento da crise de refugiados ou problemas na Zona do Euro podem abalar a opinião pública e alterar as pesquisas. Mas, num mundo conturbado, Merkel é uma garantia de estabilidade.

Seu maior rival, Martin Schulz, do SPD, ex-presidente do Parlamento Europeu, não desiste e cita o novo presidente da França, Emmanuel Macron, que amanhã se encontra com Merkel na sua primeira viagem ao exterior como chefe de Estado.

"Meu amigo Macron estava mal nas pesquisas há cinco meses e agora é presidente", declarou Schulz ao saber da derrota tentando animar a militância para as eleições de setembro.

Com dívida pública elevada e desemprego de 7,5%, acima de média nacional de 5,8%, a Renânia do Norte-Vestfália é chamada pejorativamente de "Grécia da Alemanha", em referência à crise da dívida grega, que ameaçou a própria existência do euro anos atrás.

Nas eleições parlamentares de 2013, a aliança CDU-CSU (União Social-Cristã) recebeu 42% dos votos e elegeu 311 deputados, cinco a menos do que a maioria absoluta. Como o FDU não atingiu o mínimo legal de 5% para entrar na Câmara Federal, Merkel acabou fazendo uma grande coalizão para governar com o SPD.

domingo, 26 de março de 2017

Partido de Merkel vence eleições estaduais na Alemanha

A União Democrata-Cristã (CDU), o partido conservador da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, venceu as eleições no estado do Sarre, com 40,7% dos votos, um bom avanço em relação aos 35,% das eleições anteriores, noticiou a agência Reuters.

O Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) ficou em segundo, com uma pequena queda de 30,6% para 29,6%, numa derrota para o novo líder do partido. Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, é o principal adversário de Merkel, que tenta o quarto mandato consecutivo nas eleições nacionais de 24 de setembro de 2017.

Em terceiro lugar, com 12,9%, ficou o partido A Esquerda, uma fusão da ala mais esquerdista do SPD, que rejeitou as reformas econômicas liberalizantes do então chanceler Gerhard Schröder (1998-2005), com o antigo partido comunista da Alemanha Oriental.

À ultradireita, o novo partido Alternativa para a Alemanha (AfD), anti-imigração e antimuçulmano, conseguiu 6,2% dos votos. Os Verdes não superaram a cláusula de barreira, que exige um mínimo de 5% dos votos. Ficam fora da Assembleia Legislativa Estadual do Sarre.

Até 24 de setembro, haverá mais duas eleições estaduais. Servirão como prévias das eleições federais.

domingo, 20 de novembro de 2016

Merkel é candidata a um quarto mandato na Alemanha

Doze dias depois da eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos, a primeira-ministra conservadora Angela Merkel anunciou hoje em Berlim sua candidatura a um quarto mandado como chefe de governo da Alemanha, preparando-se para ser a principal líder a favor do internacionalismo liberal pós-1945.

Ao manter o compromisso histórico da Alemanha e da União Europeia de acolher refugiados de guerra, Merkel, no poder desde 2005, perdeu popularidade, mas não se rendeu ao discurso populista antiestrageiros alimentando pelo ressurgimento da extrema direita no continente.

Seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), sofreu uma derrota humilhante, ficando em terceiro lugar nas eleições de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, um dos estados mais pobres do país e da antiga Alemanha Oriental, base eleitoral da primeir,a-ministra.

A vitória, em 6 de setembro de 2016, foi do Partido Social-Democrata (SPD), com 30,5%, seguido pelo novo partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), com 20,9%, deixando a CDU em terceiro com 19% numa clara rejeição à política de refugiados de Merkel.

O detalhe é que o estado, por ser pobre, é um dos que menos atraem imigrantes na Alemanha. Numa concessão aos partidos de ultradireita, a chanceler declarou hoje ser contra os trajes muçulmanos que cobrem o rosto inteiro, como o nicabe e a burca.

A AfD está roubando votos dos partidos tradicionais. Sua fatia do eleitorado encolhe a cada eleição geral. Em 2013, a CDU e o SPD tiveram 67% dos votos. Nas pesquisas para as eleições gerais de setembro de 2017, têm em média 55% das preferências do eleitorado.

Merkel assumiu a responsabilidade pelas derrotas da CDU, mas não abriu mão dos princípios da democracia e da liberdade, base da ordem internacional pós-Segunda Guerra Mundial  liderada pelos EUA em aliança com a Europa Ocidental.

Esta visão de mundo é ameaçada pelo ressurgimento de um nacionalismo hostil nos EUA com Donald Trump,a crescente agressividade militar da China ao intimidar países vizinhos, as intervenções militares da Rússia de Vladimir Putin, no Reino Unido com o movimento para sair da UE e no resto da Europa com a ascensão de partidos neofascistas como a Frente Nacional, na França.

Os cinco países citados acima são as grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, responsáveis em última análise pela paz e segurança internacionais. Se não chegarem a acordos básicos e reavivarem o nacionalismo, o risco de guerras aumenta exponencialmente.

Por ironia do destino, cabe a uma mulher, líder da Alemanha, país que iniciou as duas guerras mundiais que acabaram com a ordem mundial eurocêntrica, a defesa da ordem internacional liberal construída para acabar com o mundo nefasto das guerras nacionalistas. Outros líderes, como Trump e Putin parecem não ter aprendido as lições da história.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Extrema direita avança em eleições estaduais na Alemanha

O partido anti-imigrantes Alternativa para a Alemanha (AfD) tornou-se o primeiro a vencer a União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, pela direita. Nas eleições de domingo no estado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD obteve 20,8% dos votos contra 19% para a CDU.

A vitória ficou com o Partido Social-Democrata (SPD), com queda de 35,6% para 30,6% em relação às eleições anteriores no estado da antiga Alemanha Oriental, que tem o menor eleitorado do país, apenas cerca de 1,6 milhão de eleitores. O SPD deve manter a grande aliança com a CDU que já domina o governo federal alemão.

Com apenas três anos de idade, o desempenho da AfD típico do voto de protesto: roubou votos de todos os partidos da ultradireita à extrema esquerda e mobilizou mais eleitores, diminuindo a abstenção.

A maior consolação foi que o Partido Nacional da Alemanha, de inspiração neonazista, não atingiu o mínimo de 5% dos votos e ficou fora de Assembleia Legislativa de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental. Os Verdes também não superaram a cláusula de barreira.

"Daqui para a frente, a Alemanha tem o que não tinha desde o fim da Segunda Guerra Mundial", em 1945, lamentou o jornal Die Welt.

O estado recebeu apenas 23 mil refugiados. Mesmo assim, o tema central foi a rejeição à política braços abertos para refugiados adotada por Merkel, que resolveu honrar a tradição alemã e europeia de oferecer asilo a refugiados. Esse repúdio não deve mudar antes das eleições federais de 2017.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Partido nacionalista ganha força na Alemanha

Enquanto os partidos tradicionais caem nas pesquisas, o novo partido nacionalista Alternativa para a Alemanha (AfD) está ganhando força com a crise da Zona do Euro e principalmente a onda de refugiados vindos do Oriente Médio, infomrou joje o jornal Die Welt.

De acordo com uma nova pesquisa do instituto Deutschland Trend para a televisão ARD, a coalizão conservadora entre a União Democrata-Cristã (CDU) e a União Social-Cristã (CSU) liderada pela chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel caiu dois pontos para 34%. 

O Partido Social-Democrata (SPD) tem o apoio de apenas 21% do eleitorado, a menor parcela em quase 20 anos de pesquisas da ARD.

A AfD subiu três pontos para 14%. É um partido conservador e eurocético formado em 2013, inicialmente para contestar os programas de resgate  financeiros dos países da Eurozona envididados pela crise além da capacidade de pagar (Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha). É contra o euro, a favor da volta do marco ou de uma união monetária menor. 

Como a Alemanha lidera a União Europeia, mudanças políticas no país terão impacto em todo o continente.

Para manter os princípios fundamentais do projeto europeu, Merkel decidiu acolher os refugiados, ressuscitando o fantasma do nacionalismo alemão. O movimento Peguida contra uma suposta islamização da Europa foi um sinal do renascimento do autoritarismo alemão. A ascensão da AfD é mais um.

domingo, 8 de março de 2015

Alemanha exige que 30% das diretoras de empresas sejam mulheres

Neste Dia Internacional da Mulher, menos de 20% dos cargos de direção de grandes empresas na Alemanha são ocupados por mulheres. Mas uma lei aprovada na sexta-feira passada exige que elas ocupem pelo menos 30% das cadeiras de companhias como Volkswagen, BMW, Daimler-Benz, Siemens, Basf, Bayer e Merck, informa o jornal The New York Times.

O projeto foi defendido pela chanceler (primeira-ministra) conservadora Angela Merkel e sua grande coalizão de governo, que inclui a União Democrata-Cristã (CDU) e o Partido Social-Democrata (SPD). A Esquerda e Os Verdes, de oposição, votaram contra, alegando que o projeto é muito tímido; queriam 40% das vagas para mulheres.

Para o ministro da Justiça, Heiko Maas, é "a maior contribuição à igualdade de gêneros desde que as mulheres conquistaram o direito de voto" na Alemanha, em 1918. No ano passado, as mulheres eram 18,6% das diretorias das 100 maiores companhias alemãs.

No Reino Unido, não há lei, mas um movimento conhecido como Clube dos 30%, liderado por Helena Morrisey, conseguiu dobrar desde 2010 o número de mulheres diretoras nas empresas britânicas para 23%.

Nos EUA, não há lei e as mulheres ocupam 17% dos assentos nas diretorias de empresas.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Alemanha: da história trágica a líder da Europa

A Alemanha, líder da União Europeia, é a maior economia da Europa e a quarta do mundo, segunda maior exportadora de produtos industriais, superada pela China por causa da crise internacional iniciada em 2008. A excelência de sua engenharia compensa os altos custos de produção.

Apesar de sua trágica história marcada por guerras e pelo Holocausto, é um país moderno, pacífico e desenvolvido, berço de grandes músicos, poetas e filósofos – e uma potência do esporte. O Brasil tem a maior população de origem alemã fora da Alemanha.

GEOGRAFIA
Com 80,5 milhões de habitantes (censo de 2011) e 357 mil quilômetros quadrados, é o maior país da Europa depois da Rússia em população. Situada na Europa Central, não tem fronteiras naturais, a não ser nos pequenos trechos de costa. É cercada pelos mares do Norte e Báltico, e pela Dinamarca, ao norte; pela Polônia e a República Tcheca, a leste; pela Suíça e Áustria, ao sul; e pela França, Bélgica, Holanda e Luxemburgo, a oeste.

POPULAÇÃO
A população alemã diminui desde 2003. Em 2012, morreram 196 mil pessoas a mais do que nasceram na Alemanha, menos do que os 273 mil migrantes. Mas a expectativa é de que o déficit de nascimentos supere a imigração. A projeção oficial é de uma população de 65 a 70 milhões em 2060.

Cerca de 81% têm origem étnica alemã e 7% de outros países europeus; 4% são turcos, o segundo maior grupo étnico. Mais de 19% têm algum antepassado imigrante.

ECONOMIA
Antes do final do século 19, a Alemanha era a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos EUA, maiores e mais ricos em recursos naturais.

Proibida de se rearmar depois da Segunda Guerra Mundial, sob a proteção do guarda-chuva nuclear dos EUA, a Alemanha Ocidental aproveitou a Guerra Fria para se desenvolver economicamente. Tornou-se a terceira maior economia do mundo nos anos 1960s. Ultrapassada pela China, é hoje a quarta maior do mundo e a maior da União Europeia.

Sua economia cresceu 0,7% em 2012 e 0,5% em 2013, com inflação de 2%, chegando a US$ 3,64 trilhões. A taxa de desemprego entre os jovens, de 7,8%, é a menor da UE. O índice geral de desemprego estava em 5,1% em maio de 2014. É o segundo menor da UE, abaixo apenas da Áustria (4,6%).

POLÍTICA
A República Federal da Alemanha, criada em 23 de maio de 1949, é uma democracia parlamentarista. Era conhecida como Alemanha Ocidental até se unir à Alemanha Oriental, em 3 de outubro de 1990, depois da abertura do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989. É uma federação de 16 estados.

A chefe de governo é a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, líder da União Democrata-Cristã (CDU), que tem a maior bancada na Câmara Federal (Bundestag) do Parlamento, é aliada da União Social-Cristão (CSU), da Baviera, e forma uma grande coalizão com o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), o segundo maior do país, nascido do movimento operário.

Seu ex-líder Frank-Walter Steinmeier é ministro do Exterior da grande coalizão do governo Merkel. Ocupava o cargo até ser derrotado nas eleições de setembro de 2009 pela CDU de Merkel. Foi a pior derrota do SPD desde as eleições de 1932, em plena Grande Depressão, quando os nazistas chegaram ao poder.

Merkel venceu as eleições de 22 de setembro de 2013, mas os liberais do FDP, que formavam a uma coligação de governo com a aliança CDU-CSU não obtiveram a votação mínima de 5% para ter direito a representação parlamentar. Ela voltou a se aliar ao SPD.

Também merecem destaque Os Verdes, o mais antigo partido ecologista do mundo, que fez aliança com o SPD no governo Gerhard Schröder (1998-2005) e A Esquerda, que reúne dissidentes do SPD com remanescentes do partido comunista da Alemanha Oriental.

O presidente, que exerce as funções cerimoniais de chefe de Estado, é eleito indiretamente pelo Parlamento.

ORIGENS
As tribos germânicas desceram para o Sul da Europa no início da Era Cristã e ajudaram a derrubar o Império Romano do Ocidente, em 476.

Em 25 de dezembro de 800, Carlos Magno foi coroado imperador do Sacro Império Romano-Germânico. O título foi restaurado com a coroação de Oto I, em 2 de fevereiro de 962, e mantido até a dissolução do império por Francisco II em 1806, durante as guerras napoleônicas.

IMPRENSA E REFORMA
Em 1455, Johan Gutenberg inventou a imprensa, uma das revoluções tecnológicas que criaram o mundo moderno, a era das grandes navegações, do Renascimento artístico e cultural, do racionalismo, do humanismo e da Reforma da Igreja.

Sob influência da tecnologia da imprensa, tão revolucionária para a época quanto a Internet é hoje, em 31 de outubro de 1517, o monge alemão Martinho Lutero pregou na porta da Igreja de Wittenberg suas 95 Teses sobre o Poder e a Eficácia das Indulgências, o manifesto inicial da Reforma Protestante.

GUERRAS
A Alemanha reunificada (a Alemanha foi unificada por Bismarck em 1871, no fim da Guerra Franco-Prussiana) é a primeira filha do mundo pós-Guerra Fria, depois de sua ocupação e divisão no fim da Segunda Guerra Mundial.

Toda ascensão de grandes potências provoca tensões e guerras. A China promete não seguir o exemplo da Alemanha e da União Soviética.

A ascensão da Alemanha provocou duas guerras mundiais (1914-18 e 1939-45). Outros países europeus participaram da grande guerra civil europeia, mas a Alemanha esteve no centro de tudo desde a unificação promovida pelo marechal de ferro original, Otto von Bismarck, no fim da Guerra Franco-Prussiana (1870-71). O Brasil também teve seu marechal de ferro, Floriano Peixoto, o segundo presidente da República.

UNIFICAÇÃO
Bismarck observou que estar no centro do continente e não ter fronteiras naturais era a vantagem e a desvantagem da Alemanha, um país vulnerável (a Inglaterra é um navio que Deus na Mancha ancorou, como disse Castro Alves) e expansionista.

A Guerra Franco-Prussiana (1870-71) unificou uma série de reinos e principados como a Prússia, a Renânia e a Baviera, criando o Império Alemão, sob hegemonia da autoritária Prússia. Também tomou as regiões francesas da Alsácia e da Lorena, uma disputa que está na origem da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

SOCIAL-DEMOCRACIA
Como se industrializou depois da Grã-Bretanha, berço do liberalismo econômico, a Alemanha adotou o nacionalismo econômico, pregado por pensadores como Johann Fichte. Bismarck introduziu a social-democracia, os direitos sociais e trabalhistas que estão até hoje no centro da economia social de mercado, o modelo econômico da União Europeia.

Como os alemães eram os grandes pensadores, os grandes filósofos (Immanuel Kant, Georg Hegel, Karl Marx, Friedrich Nietzche, entre outros), desprezavam os americanos. O século 20 seria o século da Alemanha. Seria, se a Alemanha não tivesse se autodestruído em duas guerras mundiais.

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
A ascensão da Alemanha, inclusive como potência colonial, a partir da Conferência de Berlim (1884-85), quando os europeus fizeram a partilha da África, levou ao aumento da tensão e à formação da Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália), em 1882, e da Tríplice Entente (França, Grã-Bretanha e Rússia), em 1907.

Essas alianças travaram a Primeira Guerra Mundial de 28 de julho de 1914 a 11 de novembro de 1918. Essa guerra moldou o século 20. Foi responsável pela entrada dos EUA na cena internacional, a partir de 1917, e pela Revolução Russa, no mesmo ano, das duas superpotências que dominariam a segunda metade do século 21.

Até março de 1918, a Alemanha tinha chance de ganhar, mas a entrada dos EUA e de seus recursos numa Europa arrasada decidiu a guerra.

Derrotada, a Alemanha foi submetida a dívidas de guerra e condições extremamente desfavoráveis na Conferência de Paz de Versalhes.

PAZ DE VERSALHES
Para convencer o povo americano da necessidade de intervenção militar na Europa, o presidente americano Woodrow Wilson dizia que era “a guerra para acabar com todas as guerras”.

Versalhes foi a paz para acabar com todas as pazes. Como o Congresso dos EUA rejeitou a Convenção da Liga das Nações, uma proposta de Wilson, os EUA retomaram sua posição isolacionista.

Humilhada e arrasada, a Alemanha deixou de ser um império (Wilson achava que a culpa da guerra era dos impérios e da aristocracia, da falta de democracia) e fez uma breve experiência liberal.

A República de Weimar fracassou sob o peso de conflitos entre extremistas de direita e de esquerda depois de uma fracassada insurreição comunista, das dívidas da guerra, de uma hiperinflação histórica de 30 mil por cento em 1923 e finalmente da Grande Depressão (1929-39).

ASCENSÃO DO NAZISMO
Neste clima de anarquia e instalabilidade social, com o fantasma da revolução bolchevique, hiperinflação e depois a Grande Depressão, armou-se o cenário para a ascensão de um certo partido que se reunia numa cervejaria de Munique em 1919.

No auge da depressão, em 1932, o índice de desemprego chegou a 25% nos EUA e 30% na Alemanha, o país europeu mais atingido. Com 37% dos votos, o Partido Trabalhista Nacional-Socialista Alemão ganhou as eleições e se tornou o maior partido do país.

Em 27 de fevereiro de 1933, os nazistas incendiaram o Reichstag, o parlamento alemão (hoje aberto com uma cúpula projetada pelo arquiteto britânico Norman Foster para dar transparência), e botaram a culpa nos comunistas. Hitler, que havia sido nomeado chanceler (primeiro-ministro) em 30 de janeiro de 1933, pediu poderes especiais ao presidente, marechal Hindenburg, e iniciou uma caçada aos comunistas e depois aos outros partidos, aos judeus, aos homossexuais.

PODER ABSOLUTO
Nas eleições antecipadas de 5 de março de 1933, o Partido Trabalhista Nacional-Socialista Alemão conquistava 44% das cadeiras e, em aliança com outro partido nacionalista, maioria absoluta de 52%.

Em 19 de agosto de 1934, 17 dias depois da morte do presidente Hindenburg, um referendo fundiu os cargos de presidente e chanceler. Com mais de 38 milhões de votos, 88% do total, Hitler se tornava o Führer, um ditador com poderes absolutos.

Os nazistas rejeitaram as restrições impostas em Versalhes e remilitarizaram na Alemanha, transformando-a mais uma vez numa poderosíssima máquina de guerra que enfrentou a União Soviética na frente oriental e a aliança atlântica no Ocidente. Para um país do tamanho da Alemanha, um feito e um custo terríveis.

GUERRA
Primeiro, Hitler anexou a Áustria e a Tcheco-Eslováquia, e firmou com Stalin o Pacto Germano-Soviético, obrigando os comunistas no mundo inteiro a justificar uma aliança com os nazistas em nome da “capitulação de Munique”. Quando a França e a Grã-Bretanha aceitaram a anexação dos Sudetos, não restaria outra saída, alegavam os comunistas.

Quando a Alemanha invadiu a Polônia, em 1º de setembro de 1939, a guerra começou. A França se rendeu em junho de 1940, deixando a resistência na Europa Ocidental com a Grã-Bretanha, que se livrou da ocupação com a vitória na Batalha de Inglaterra, em outubro de 1940.

Em 22 de junho de 1941, Hitler rompeu o pacto de não agressão com Stalin e invadiu a União Soviética, atacando em três frentes, com um total de 117 divisões. A Operação Barbarroxa foi a maior ofensiva da guerra, com 4,5 milhões de soldados, 3.580 tanques, 7.184 canhões, 1.830 aviões e 750 mil cavalos.

A Alemanha avançou na Frente Leste até ser derrotada na Batalha de Stalingrado, talvez a mais importante da História. De 23 de agosto de 1942 a 2 de fevereiro de 1943, soviéticos e nazistas lutaram pelo controle da cidade à margem do Rio Volga. Lá começou o contra-ataque do Exército Vermelho até a tomada de Berlim, em 8 de maio de 1945, fim da guerra na Europa.

Com a invasão da Itália, em 3 de setembro de 1943, e da Normandia, na França, em 6 de junho de 1944, os aliados fecharam o cerco até a derrota total de Hitler, que teria se suicidado em 30 de abril de 1945.

HOLOCAUSTO
O antissemitismo já estava explícito em Minha Luta (Mein Kampf), o livro escrito por Hitler na prisão enunciando as bases ideológicas do nazismo.

A perseguição aos judeus começou assim que os nazistas chegaram ao poder, em 30 de janeiro de 1933. As Leis de Nurembergue, introduzidas durante o congresso anual do Partido Nazista, em 1935, tiram a cidadania alemã de judeus e não arianos, e proíbem as relações sexuais e os casamentos de alemães com as etnias banidas, que logo incluiriam negros e ciganos.

O boicote aos comerciantes pelos nazistas judeus vinha desde 1933. Um dos episódios marcantes foi a Noite dos Cristais. Em 9 de novembro de 1938, as lojas dos judeus foram depredadas e saqueadas na Alemanha.

Com a invasão da Polônia e o início da guerra, em 1º de setembro de 1939, começou o genocídio, acentuado a partir da invasão da URSS, em junho de 1941.

SOLUÇÃO FINAL
A “solução final”, a decisão de exterminar todo o povo judeu, foi tomada na Conferência de Wannsea, realizada à margem do Lago Wannsea, em Berlim, em 20 de janeiro de 1942.

Ao todo, estima-se que 11 milhões de pessoas morreram em campos de concentração e centros de extermínio nazistas como Auschwitz-Birkenau, Bergen Belsen, Buchenwald, Teresienstadt e Treblinka, sendo 6 milhões de judeus, 1 milhão de ciganos, além de homossexuais, deficientes, esquerdistas e outros adversários políticos dos nazistas.

Essa história foi contada por inúmeros relatos de sobreviventes, com destaque para os livros do escritor italiano Primo Levi, autor de É isto um homem?, que estava preso em Auschwitz quando o campo de concentração foi libertado pelo Exército Vermelho, em 27 de janeiro de 1945.

DUAS ALEMANHAS
No fim da Segunda Guerra Mundial, em maio de 1945, a Alemanha foi ocupada e dividida pelos Estados Unidos, a União Soviética, o Reino Unido e a França. Sua capital, Berlim, ficou no setor soviético e também foi dividida em quatro.

A Alemanha foi ocupada e dividida até a queda do Muro, em 1989. Só depois as potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial abriram mão de todos os seus direitos sobre o território alemão, em 1990. Com a retirada das tropas soviéticas e a manutenção das forças dos aliados ocidentais da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a Alemanha foi reunificada.

De 1949 a 1990, os setores americano, britânico e francês formaram a Alemanha Ocidental, e a parte soviética virou a Alemanha Oriental.

BLOQUEIO DE BERLIM
Em 1948, para pressionar os aliados ocidentais no início da Guerra Fria, o ditador soviético Josef Stalin decretou o Bloqueio de Berlim, a segunda crise do conflito entre as superpotências, depois de problemas entre o Irã e a URSS, em 1946. Foi uma reação à aprovação do Plano Marshall, a ajuda americana para reconstrução da Europa, no valor de US$ 17 bilhões, que Stalin chamou de “imperalismo do dólar”.

De 24 de junho de 1948 a 11 de maio de 1949, a passagem por terra da Alemanha Ocidental para Berlim Ocidental foi fechada por ordem do Kremlin. Neste período, mais de 200 mil voos levaram 13 mil toneladas de comida e outros suprimentos para a cidade sitiada.

Quando ficou evidente que o bloqueio não estava funcionando e que a ponte aérea era instrumento de propaganda do Ocidente, a URSS suspendeu o cerco. O aeroporto de Tempelhof, em Berlim Ocidental, foi transformado em museu da ponte aérea montada para furar o bloqueio.

ALEMANHA ORIENTAL
Em 7 de outubro de 1949, a República Democrática da Alemanha, a Alemanha Oriental, nascia oficialmente, reunindo cinco estados da parte central da antiga Alemanha: Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, Brandemburgo, Saxônia, Alta Saxônia e Turíngia. Os territórios à margem oriental dos rios Oder e Neisse foram entregues à Polônia para compensá-la pelas terras tomadas pela URSS.

Pelo total de mortos na Segunda Guerra Mundial, 27 milhões de soviéticos e 11 milhões de alemães, foi, acima de tudo, uma guerra entre a Alemanha e a URSS. Stalin aproveitou a ocupação para exigir reparações de guerra.

LEVANTE DE 1953
Em 16 de junho de 1953, o regime comunista alemão-oriental decretou um aumento de 10% na cota de produção dos operários que construíam uma nova avenida em Berlim Oriental, a Stalinallee, hoje Karl Marx Allee. No dia seguinte, um movimento sindical de protesto se espalhou pelo país levando a uma grave de mais de um milhão de pessoas.

O governo alemão pediu a ajuda da URSS, que usou tanques contra a multidão. Pelo menos 50 pessoas morreram. Cerca de 10 mil foram presas e condenadas pelo Levante de 1953.

Com a ajuda do Plano Marshall, a República Federal da Alemanha, também fundada em 1949, cresceu e se recuperou, atraindo cada vez mais alemães do Leste. Descontentes com a falta de liberdade e de oportunidades no regime comunista, cada vez mais eles “votavam com os pés”. Cerca de 3,5 milhões fugiram para o Ocidente.

CONSTRUÇÃO DO MURO
Na noite de 12 para 13 de agosto de 1961, a fronteira com Berlim Ocidental foi fechada. Começava a construção do Muro de Berlim. A cidade se tornava um enclave capitalista na Alemanha Oriental.

Durante quase todo o tempo de sua existência, a ordem era atirar para matar em quem tentasse cruzar o Muro de Berlim. Cerca de 200 pessoas morreram tentando fugir (136, segundo um centro de pesquisa de Potsdam que está investigando detalhes dessas mortes). Cerca de 5 mil conseguiram escapar.

A história do Muro está contada no Museu do Check Point Charlie, um dos principais postos de fronteira onde se podia atravessar o Muro. Tem diversos instrumentos usados em tentativas de fuga, inclusive um motor aquático para fugir por baixo da água. Lá, estão as placas do tempo da Guerra Fria, do tipo "Você Está Deixando o Setor Americano".

TENSÃO NA GUERRA FRIA
A construção do Muro coincide com um período de elevada tensão na Guerra Fria. Em 15 de abril de 1961, houve a frustrada tentativa de exilados cubanos apoiados pela Agência Central de Inteligência (CIA), a agência de espionagem dos EUA, de invadir a Baía dos Porcos, em Cuba. Isso levaria à tentativa de instalação de mísseis soviéticos em Cuba.

A Crise dos Mísseis (14 a 27 de outubro de 1962) foi o momento de maior tensão da Era Atômica. O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear. Na época, ficou decidido que uma linha telefônica direta ligaria permanentemente a Casa Branca ao Kremlin para desarmar crises mundiais através da comunicação direta. O telefone vermelho começou a funcionar em 30 de agosto de 1963.

“SOU BERLINENSE”
No mesmo ano, tanques soviéticos e americanos ficaram frente a frente em posição ameaçadora numa rua de Berlim. Em 26 de junho de 1963, Kennedy fez um famoso discurso Eu Sou um Berlinense diante do Muro: “Todos os homens livres, onde quer que vivam, são cidadãos de Berlim. Portanto, como um homem livre, tenho orgulho das palavras: Ich bin ein Berliner.”

OSTPOLITIK
Para aliviar as tensões e evitar que a Alemanha fosse palco da primeira batalha da Guerra Fria, em 1969, o primeiro-ministro social-democrata alemão-ocidental Willy Brandt lançou sua nova Ostpolitik, política para a Alemanha Oriental, numa tentativa de mudar o regime comunista através da reaproximação, do estabelecimento de laços diplomáticos, econômicos e culturais.

Em 1970, Brandt assinou o Tratado de Moscou, renunciando ao uso da força e reconhecendo as fronteiras da Europa, e o Tratado de Varsóvia, reconhecendo a fronteira polonesa nos rios Oder e Neisse. Em 1972, fechou o controvertido Tratado Básico com a Alemanha Oriental, estabelecendo relações diplomáticas entre os dois países.

ERA GORBACHEV
O Muro começou a ruir com a ascensão de Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista da União Soviética, em 11 de marco de 1985. Sua abertura democrática (glasnost) e sua reestruturação econômica (perestroika) foram mal recebidas pelos stalinistas da Alemanha Oriental, liderados por Erich Honecker, um entusiasta do Muro.

Dois meses antes do início da construção, em 1961, o então líder do partido comunista alemão-oriental, Walter Ulbricht, negou que seria construído. Aparentemente mudou de ideia ao receber um telefonema do primeiro-ministro soviético, Nikita Kruschev, em 1º de agosto de 1961.

SOLIDARIEDADE
Em discurso diante do muro em 12 de junho de 1987, outro presidente americano, Ronald Reagan, fez um apelo a Gorbachev para derrubar o Muro como o grande teste para sua abertura política.

Em 5 de abril de 1989, na Polônia, o sindicato livre Solidariedade fez um acordo com o regime comunista para participar de eleições, que venceu por maioria esmagadora em 4 e 18 de junho, perdendo apenas duas cadeiras das que pôde disputar.

CORTINA DE FERRO
Em 2 de maio de 1989, a Hungria rompeu a Cortina de Ferro. Começou a demanchar a cerca eletrificada na fronteira com a Áustria. Em 23 de agosto, em plenas férias de verão na Europa, todas as barreiras nas fronteiras da Hungria tinham caído.

Cidadãos dos países comunistas da Europa Oriental iam para a Hungria e cruzavam para o Ocidente. Cerca de 13 mil alemães-orientais fugiram via Áustria.

Quando começaram a ser mandados de volta da fronteira por pressão da Alemanha Oriental, invadiram embaixadas da Alemanha Oriental na Hungria e na Tcheco-Eslováquia. O ministro do Exterior alemão-ocidental, Hans-Dietrich Genscher, foi pessoalmente a Praga. Os fugitivos foram autorizados a emigrar para a Alemanha Ocidental.

QUEDA DO MURO
Em sua quarta geração, com blocos de concreto de 4 m de altura, o Muro de Berlim resistia à avalanche democrática. Mas, a partir de setembro de 1989, as manifestações de massa de tornaram frequentes também na Alemanha Oriental.

Em outubro de 1989, a Alemanha Oriental celebrou seus 40 anos com a presença de delegações de partidos da esquerda brasileira como o PT e o PCdoB. Mas o veterano líder linha-dura Honecker, que previra em janeiro que o Muro duraria mais cem anos, foi substituído por Egon Krenz, mais tolerante com a fuga dos alemães-orientais através dos países vizinhos.

Em 4 de novembro, um milhão de pessoas se reuniram na Alexanderplatz, no coração de Berlim Oriental, para pedir a abertura do regime.

ESQUERDA
Em 1998, na primeira eleição do Schröder, a praça estava tomada pelos ex-comunistas do antigo Partido Socialista Unificado, o partido comunista da Alemanha Oriental, que mudou de nome para Partido Democrático Socialista e se fundiu com dissidentes do Partido Social-Democrata para formar um novo partido, A Esquerda.

O pessoal que realmente iniciou o movimento da sociedade civil pelo fim do comunismo formou a Aliança 90, aliada dos Verdes no Leste. O partido verde alemão é o mais importante do mundo. Esteve no poder em aliança com o Partido Social-Democrata SPD na coligação verde-rosa, sob Schröder.

NOITE HISTÓRICA
Sob pressão da fuga em massa que importunava outros países e dos protestos de rua, em 9 de novembro de 1989, o Politburo do partido comunista decidiu permitir que os alemães-orientais saíssem do país para visitar a Alemanha Ocidental através das fronteiras do país.

Com pouco mais do que uma nota em mãos, o encarregado de dar a notícia, o secretário de Propaganda do partido, Günter Schabowski, foi para uma entrevista coletiva fazer o anúncio. Ele disse que, pelas novas regras, os alemães-orientais poderiam viajar ao exterior. Bastava apresentar o passaporte na fronteira.

Diante de uma pergunta inesperada de um jornalista italiano, acrescentou que a medida entraria em vigor imediatamente.

Dezenas de milhares de alemães-orientais foram para os postos de fronteira em Berlim para cruzar o Muro. Os guardas não sabiam o que fazer. Ligaram para seus superiores, que não tinham sido informados da decisão confusa do Politburo. Cederam para evitar um banho de sangue como o que acontecera na Praça da Paz Celestial, em Beijim, na China, na noite de 3 para 4 de junho de junho de 1989.

Os alemães cruzaram e pularam o Muro em diversos pontos. Quando voltaram, no meio da madrugada, jovens alemães-ocidentais se depararam soldados postados ao longo de todo o lado oriental, o que foi interpretado como sinal de que o regime ainda estava em dúvida quanto à abertura.

ABERTURA DO MURO
No dia seguinte, foi anunciada a abertura de mais 10 pontos de passagem. Antes do Natal, os cidadãos das duas Alemanhas podiam viajar livremente entre os dois países.

Em 22 de dezembro, foi aberta a Porta de Brandemburgo, um dos principais pontos de Berlim, local das grandes celebrações de Ano Novo. Do lado oriental, leva à Unter den Linden (Avenida das Tílias), um dos lugares bonitos da antiga Berlim Oriental, onde as paredes dos prédios históricos ainda estão cravejadas pelas balas da Segunda Guerra Mundial.

LOCAIS HISTÓRICOS
Ao lado do Reichtstag, sede do Parlamento Alemão, a Porta de Brandemburgo é o principal símbolo de Berlim. Há também a igreja da avenida Kurfurtensdam, que foi bombardeada e é mantida em ruínas como memória histórica, e a Coluna da Vitória.

O Mitte (Centro) da antiga Berlim Oriental se tornou um dos bairros mais agitados da festiva noite berlinense, para onde foram os artistas plásticos em busca de aluguéis mais baratos e espaço.

Um dos grandes marcos da reunificação da cidade é a Potzdamerplatz, onde em 1928, foi instalado o primeiro sinal de trânsito na Europa. Durante a Guerra Fria, a Potzdamer Platz sumiu. Ficava na terra de ninguém entre os dois lados do Muro. Ali, foi construído um grande centro comercial, com lojas, cinemas, teatros, restaurantes e galerias de arte para celebrar a Alemanha moderna.

REUNIFICAÇÃO
A queda do Muro foi uma bênção para o chanceler (primeiro-ministro) conservador Helmut Kohl, que governava a Alemanha Ocidental desde 1982, depois de romper uma longa hegemonia do SPD que vinha desde 1969.

Kohl estava mal nas pesquisas, mas o trem da História passou e ele pegou uma carona. Em 1990, as potências ocupantes renunciaram a todos os seus direitos sobre o território alemão. A URSS saiu fora, e os ocidentais ficaram por causa da OTAN.

Em 3 de outubro de 1990, a Alemanha estava reunificada sob a liderança de Kohl que venceu mais uma eleição. A atual chanceler, Angela Merkel, é do Leste e lidera o partido de Kohl, a União Democrata-Cristã (CDU), que venceu as eleições de 2005, 2009 e 2013.

PARIDADE CAMBIAL
Para conquistar o apoio politico dos alemães-orientais, Kohl cometeu o que é considerado o grande erro econômico da reunificação. No mercado, o marco oriental valia seis vezes menos do que o marco alemão-ocidental.

Numa decisão política, Kohl resolveu converter poupanças, salários e pensões na cotação de um por um. Isso aumentou artificialmente os custos e preços do lado oriental e acabou sendo um obstáculo à absorção do Leste pela Alemanha Ocidental.

A nova Alemanha investiu trilhões de euros na antiga Alemanha Oriental. A taxa de juros subiu para financiar tudo isso, pressionando moedas europeias mais fracas, como a lira e a libra, que sofreram fortes desvalorizações em 1992.

ÚLTIMAS ELEIÇÕES
Kohl ainda se reelegeu em 1994 e completou 16 anos no poder. A esquerda só voltou ao poder em 1998 com Gerhard Schröder, cujo slogan de campanha era Neue Mitte (Novo Centro). Ele se apresentava como uma espécie de Tony Blair alemão, um modernizador que traria a social-democracia mais para o centro para ganhar eleições.

Schröder era um politico pragmático que fechou diversos acordos de bastidores. Nunca teve uma visão programática e ideológica capaz de relançar o SPD a seus momentos de glória. Na verdade, os grandes partidos, o SPD e a CDU, perderam muito espaço para partidos menores nas últimas décadas.

REFORMAS
Com algumas reformas liberalizantes, Schröder conseguiu acelerar o crescimento da estagnada economia alemã e reduzir o desemprego, que atingia 4 milhões quando ele se elegeu, em setembro de 1998.

O crescimento e a oposição à invasão do Iraque pelos EUA lhe valeram a reeleição em 2002. Em 2005, ele perdeu por pequena margem para a atual chanceler, Angela Merkel, que passou a governar numa grande aliança com o SPD até vencer as eleições de setembro de 2009 e voltou a formar a grande coalizão em 2013.

Schröder governou em aliança com Os Verdes, com Joschka Fischer, um ex-líder estudantil e radical dos anos 60 que virou estadista, como ministro do Exterior. Fischer desafiou o então secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, quando a Alemanha, como membro temporário do Conselho de Segurança da ONU, foi contra a invasão do Iraque, provocando um grande racha na aliança transatlântica, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Depois de deixar o poder, Schröder intermediou negócios da empresa estatal russa Gazprom, da qual se tornou diretor. Em plena crise da Ucrânia, foi ao Kremlin, o que foi interpretado como apoio ao presidente da Rússia, Vladimir Putin.

EM GUERRA
No Kossovo, em 1999, a Alemanha foi à guerra pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Em uma convenção dOs Verdes, militantes e Fischer, na mesa, se acusavam mutuamente de Hitler porque a Alemanha voltaria a entrar em combate, na Guerra do Kossovo.

A Alemanha quer mudar, mas é um pais maior e mais desigual, mais desequilibrado depois da reunificação, maior do que a aliada França. Isso abalou o eixo central da integração europeia, sob tremendas pressões da globalização,

MODELO EM CHEQUE
O modelo social-democrata, símbolo da estabilidade, da paz e da prosperidade do pós-guerra, está ameaçado, entre outras razões, pelo envelhecimento da população e pela globalização econômica.

Uma crise que a Alemanha não esperava e acredita que não criou abalou inclusive o sistema financeiro alemão, que tinha excesso de poupança para aplicar, então investiu nos papéis que micaram.

As exportações desabaram. No primeiro semestre de 2009, a China superou a Alemanha e se tornou a maior exportadora mundial de produtos industriais.

A Alemanha compete com sua engenharia de ponta, mas seus custos são muito superiores aos da China, Índia, Sudeste Asiático, América Latina e Europa Oriental. A maior cidade industrial da Alemanha hoje é São Paulo, onde as empresas alemães criam mais valor.

CRISE DO EURO
Com a crise das dívidas públicas de países da periferia da Zona do Euro, Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha, a Alemanha impôs políticas de austeridade fiscal, com cortes em gastos públicos, empregos, aposentadorias e salários extremamente impopulares. Merkel foi caricaturada na Grécia com bigodinho de Hitler.

Só agora a Europa está saindo da crise. É a última região do planeta, e a rígida disciplina imposta pela Alemanha é uma das razões.

IDENTIDADE
A Alemanha é uma sociedade complexa, em larga medida introvertida e insegura quanto ao futuro, em crise de identidade, com dificuldades para manter a estabilidade, a harmonia e a paz social conquistadas com a economia social de mercado do modelo social-democrata. Sua saída é a Europa, mas a UE dos 28 se tornou grande demais e também vive sua crise de identidade.

De qualquer maneira, é um país rico, moderno e bem-sucedido, que está na vanguarda da ciência, da cultura e das artes, berço de poetas e filósofos - e vai continuar sendo um dos mais importantes do mundo.

ALEMANHA EUROPEIA
Desde que os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial, depois do bombardeio japonês a Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, o presidente Franklin Delano Roosevelt preparava a ordem mundial do pós-guerra. Na Europa, mais uma vez, o desafio era impedir a remilitarização da Alemanha.

É melhor uma Alemanha europeia do que uma Europa alemã.

A maneira de evitar novas guerras na Europa era integrar os povos europeus numa comunidade de modo que eles pudessem resolver pacificamente seus conflitos. Em larga medida, a União das Comunidades Europeias conseguiu transcender à guerra.

Os europeus vão à guerra ocasionalmente, como no Golfo, no Kossovo, no Afeganistão e no Iraque, geralmente com os EUA. Mas não há apoio popular para isso, e os orçamentos militares são pequenos.

OTAN
Na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte, criada em 1949 para defender a Europa Ocidental e a América do Norte de uma invasão soviética), as decisões são tomadas por consenso, mas 90% das armas de ponta são americanas.

A aliança ficou desequilibrada e pesada. É usada hoje pelos EUA muito mais como um instrumento político do que militar, ou como força subsidiária, de apoio.

PAZ ETERNA
O importante aqui é a paz eterna, sonhada pelo filósofo alemão Immanuel Kant em 1795 no ensaio Paz Perpétua e antes dele pelo Abade St.-Pierre, talvez o primeiro a propor a criação de uma organização internacional para proteger a paz mundial. Para brasileiros e latino-americanos, a guerra é uma realidade distante.

Em alguns lugares de Berlim, a destruição foi preservada, como na Anhalter Banhof, uma estação de trem onde só sobrou a fachada. As cicatrizes da guerra estão presentes na Alemanha.

COMUNIDADE EUROPEIA
A integração europeia nasce com o Plano Schuman, numa referência ao ministro das Relações Exteriores da França na época, Robert Schuman.

O Plano Schuman foi lançado em 9 de maio de 1950, Dia da Europa, cinco anos depois do fim da guerra, com o objetivo central de acabar com o conflito franco-alemão. O projeto era de seu assessor Jean Monnet.

Robert Schuman e Jean Monnet são considerados os pais da UE, que é o modelo de integração para o Mercosul (Mercado Comum do Sul) e a Unasul (União das Nações Sul-Americanas).

Foi o marco do início da cooperação entre a França e a Alemanha, inimigas históricas, para construir uma paz duradoura. O primeiro resultado prático foi a criação, em 18 de abril de 1951, da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Controlando a produção de carvão e aço, seria possível evitar uma nova corrida armamentista no continente.

RENASCIMENTO
A Alemanha se reconstroi com a ajuda do Plano Marshall e volta a ser uma economia importante. Há um filme do Rainer Werner Fassbinder, O Casamento de Maria Braun, que apresenta a recuperação como uma prostituição do país ao capitalismo americano, uma alegoria da Alemanha dos anos 50.

A vitória na Copa de 1954 é apresentada ironicamente por Fassbinder como um marco do renascimento, do milagre econômico alemão, que segue pelos anos 60 e vai até a crise do petróleo de 1973.

Ao mesmo tempo, os EUA saíam da guerra como superpotência econômica do mundo capitalista, com quase a metade da produção industrial e da riqueza.

LIBERALISMO ECONÔMICO
A nova ordem econômica mundial proposta pelo governo Franklin Roosevelt na Conferência de Bretton Woods, em 1944, que criou o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), depois Banco Mundial, visava a evitar a volta da Grande Depressão nos EUA.

Para isso, seria necessário um comércio internacional aberto. Os EUA boicotavam assim todas as tentativas de integração regional porque elas sempre implicariam o surgimento de barreiras aos produtos americanos - e hegemonia é isso, impor sua vontade.

AMEAÇA COMUNISTA
No caso da Europa, era diferente. O Exército Vermelho tinha se mostrado o melhor do mundo. Mais de 80% das tropas alemãs foram derrotadas na frente russa, e a União Soviética ocupou os países que libertou do nazismo na Europa Oriental. Na Guerra Fria, o Ocidente temia que o Exército Vermelho tomasse o resto da Europa.

As diferentes doutrinas de geopolítica sempre discutiram se o mais importante era ter o domínio dos mares ou de grandes massas continentais. Os EUA, com dois oceanos e sem inimigos na vizinhança, são uma potência aeronaval.

Uma tese é que quem domina a Ilha do Mundo (Eurásia e África) domina o mundo. A URSS só precisaria tomar a Europa Ocidental.

Os EUA precisavam de uma Europa capitalista unida e próspera para encarar o desafio comunista. A Europa – e sobretudo a Alemanha – era a primeira fronteira da Guerra Fria. Ali começaria a guerra para acabar com o mundo.

UNIÃO EUROPEIA
A Comunidade Econômica Europeia nasceu em 25 de março de 1957, quando seis países assinaram o Tratado de Roma, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 1958: Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo. Nos anos 70, entrariam Dinamarca, Irlanda e Reino Unido. Nos anos 80, Grécia, Espanha e Portugal. Nos anos 90, Áustria, Finlândia e Suécia.

Em 1991, o Tratado de Maastricht, que demorou algum tempo a ser ratificado porque chegou a ser rejeitado na Dinamarca por causa da moeda única, cria a União das Comunidades Europeias, a União Europeia, com a proposta de união econômica, monetária e política.

AMPLIAÇÃO
A queda do Muro de Berlim trouxe novos candidatos, ampliou a UE e retardou o aprofundamento da integração. Entraram muitos países pobres, com níveis de desenvolvimento muito abaixo da média comunitária.

Em 2004, entraram Hungria, Polônia, República Tcheca, Estônia, Letônia, Lituânia, Chipre, Malta, Eslováquia e Eslovênia. Acabava a divisão da Europa feita por Roosevelt, Stalin e Churchill na Conferência da Yalta.

Ainda entraram, em 2007, a Bulgária e a Romênia; em 2013, a Croácia. Estão na fila a Sérvia e a Turquia, que negocia há mais de 15 anos.

UNIÃO MONETÁRIA
O euro surge como moeda contábil em 1999 e passa a circular em 2002 como moeda ancorado na rígida disciplina do Bundesbank, o banco central alemão, ainda traumatizado pela hiperinflação de 1923.

Diante da crise financeira internacional de 2008, a chanceler (primeira-ministra, o cargo de chefe de governo na Alemanha chama-se Kanzler, Bundeskanzler, Chanceler Federal) Angela Merkel se apavorou com o envididamento público dos EUA e do Reino Unido para combater a crise. Considerava-os irresponsáveis, assim como a própria cultura dos centros financeiros de Nova York e Londres, onde começou a crise.

CRISE DO EURO
Sob pressão da Alemanha e de outros países do Norte que não queriam pagar a conta de gregos, irlandeses, portugueses, espanhóis e italianos, a UE adotou uma política de rígida disciplina fiscal para enfrentar a crise das dívidas públicas surgida com a Grande Recessão de 2008-9.

Com o aprofundamento da recessão e o aumento do desemprego, as opiniões públicas desses países se voltaram contra a Alemanha, acusada de ameaçar o projeto europeu.

ASSIMETRIA
A França e a Alemanha são o eixo central ao redor do qual foi construída a integração. Mas a queda do Muro de Berlim, ao criar uma Alemanha maior, mais populosa e mais poderosa, criou uma assimetria de poder e de interesses que abala esse eixo.

Reunificada, a Alemanha partiu para conquistar o Leste Europeu. Investiu pesadamente na Polônia, na República Tcheca, na Hungria e na Rússia. Os alemães são os maiores investidores estrangeiros na Rússia. Por isso, relutam em impor sanções econômicas. Sofreriam com isso.

Em todos os países do Leste, invadidos pelos nazistas e ocupados por Stalin, há ressentimento contra a Alemanha e contra a Rússia. Eles viveram espremidos por dois gigantes cruéis.

RELAÇÕES COM O BRASIL
Em 25 de julho de 1824, menos de dois anos depois da Independência do Brasil, o primeiro grupo de imigrantes alemães chegou ao vale do Rio dos Sinos, onde hoje fica a cidade de São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Era o início de uma saga narrada em A Ferro e Fogo, do escritor gaúcho Josué Guimarães. A história se passa no Rio Grande do Sul depois das Guerras do Prata, num ambiente hostil, pobre a violento. Outro livro sobre a imigração é Um Rio Imita o Reno, de Clodomiro Viana Moog, descendente de alemães.

No mesmo ano, começou a imigração alemã para o Rio de Janeiro. Cinco anos depois para Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Porto Alegre era uma cidade meio açoriana, meio alemã. Petrópolis e Teresópolis, na serra fluminense, foram fundadas por alemães.

BRASIL ALEMÃO
Hoje, estima-se que pelo menos 5 milhões de brasileiros tenham um ascendente alemão. No Sul do Brasil, são o segundo maior contingente de imigrantes, atrás dos italianos.

Em Santa Catarina, o estado mais branco e mais alemão do país, é possível encontrar pessoas conversando em alemão na fila de um supermercado em Florianópolis. Cidades como Gramado, Canela, Joinville, Blumenau e Pomerode são exemplos vivos desse Brasil alemão.

Blumenau faz a segunda maior Oktoberfest do mundo, atrás apenas de Munique. São Paulo é a maior cidade industrial da Alemanha. O empresário Jörg Gerdau Johannpeter, um dos homens mais ricos do Rio Grande do Sul, é membro do Conselho de Desenvolvimento Social do governo federal.

No porto de Hamburgo, um centro de informações ajuda os descendentes de alemães a descobrir quando e de onde saíram seus ancestrais.

Há um portal de Internet www.brasilalemanha.com.br  dedicado às comunidades alemãs no Brasil, o maior país alemão fora da Alemanha. Pessoas com o mesmo sobrenome, Becker, Fischer, Graeff, Krug, Müller, Schneider, Schultz, Weber e tantas outros, realizam reencontros de famílias para restabelecer seus laços.

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
Quando começou a Primeira Guerra Mundial, o Brasil se declarou neutro, em 4 de agosto de 1914. Isso não impediu que o navio Rio Branco fosse afundado por um submarino alemão em 3 de maio de 1916. Como estava a serviço da Grã-Bretanha, com a maioria da tripulação norueguesa, foi considerado um ataque legal.

A economia brasileira, dependente na época da exportação de café, sofreu com o bloqueio naval determinado pela Alemanha, que em 1917 autorizou seus submarinos a atacar qualquer navio que entrasse em áreas proibidas.

Em 5 de abril de 1917, o navio Paraná foi torpedeado perto da França e três brasileiros morreram. Em 11 de abril, o Brasil rompeu relações diplomáticas com a Alemanha.

Começou uma onda de protestos, depredações e saques a propriedades de alemães, e de retaliações. Pelo menos mais quatro navios brasileiros foram atacados e 42 navios alemães confiscados para cobrir os prejuízos antes da declaração de guerra à Alemanha, em 26 de outubro de 1917.

O Brasil abriu seus portos aos países aliados e enviou a Divisão Naval de Operações de Guerra para se incorporar à esquadra britânica baseada em Gibraltar, mandou médicos militares, oficiais que atuaram com o Exército da França e aviadores que se juntaram à Força Aérea Real britânica. Foi o único país latino-americano a participar da guerra.

BARGANHA NACIONALISTA
Com a ascensão do nazismo, o Brasil, sob a ditadura de Getúlio Vargas, negociou acordos comerciais paralelamente com os EUA e a Alemanha nazista, na expectativa de extrair concessões das duas grandes potências da época.

Quando começou a guerra, sob a ditadura do Estado Novo, de inspiração fascista, o Brasil se declarou neutro.

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
O ataque inesperado do Japão à frota americana do Oceano Pacífico, baseada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, marca a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial.

Em janeiro de 1942, uma conferência pan-americana realizada no Rio de Janeiro articulou o apoio latino-americano ao esforço de guerra dos EUA. O Brasil rompe com as potências do Eixo: Alemanha, Itália e Japão.

BATALHA DO ATLÂNTICO
A principal causa da entrada do Brasil na guerra foi a ação de submarinos alemães, que afundaram 21 navios brasileiros até a declaração de guerra ao Eixo, em 22 de agosto de 1942.

Durante a Batalha do Atlântico, pelo menos 33 navios brasileiros foram torpedeados e outros 35 atacados, diz João Barone, baterista dos Paralamas do Sucesso, no livro 1942: O Brasil e sua Guerra Quase Desconhecida. O total de mortos é de 1.055. Ele examinou caso a caso. Rejeita a teoria conspiratória de que os EUA teriam afundado os navios brasileiros para pressionar o país a entrar na guerra.

FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA
Em janeiro de 1943, o presidente Franklin Delano Roosevelt se encontra com Vargas em Natal, onde havia uma base aérea dos EUA, para acertar a participação brasileira na guerra na Europa.

A FEB é criada em 15 de março de 1943, mas só chega a Nápoles em julho de 1944, quando os aliados já tinham invadido a Normandia, abrindo uma frente de combate mais importante na Europa Ocidental.

Com 25.334 homens ao todo, a FEB entrou em combate em setembro de 1944. Mais de 22 mil brasileiros estiveram em ação. O Brasil perdeu na campanha da Itália 450 soldados, 13 oficiais e oito pilotos da Força Aérea. Outros 12 mil soldados foram feridos.

Essa epopeia está contada em livros como Crônicas da Guerra na Itália, de Rubem Braga, que foi correspondente de guerra, e As Duas Faces da Glória: a FEB vista pelos seus aliados e inimigos, do jornalista William Waack.

No fim da guerra, a FEB tinha capturado mais de 20 mil soldados inimigos, 1,5 mil viaturas e 4 mil cavalos. O regresso da FEB depois da vitória contra o nazifascismo e a pressão dos EUA para formar um bloco democrático na ONU ajudaram a acabar com o Estado Novo e a democratizar o país.

CULTURA
A Alemanha tem uma das culturas mais complexas e refinadas do mundo. A Universidade de Heidelberg, fundada em 1386, é uma das mais antigas da Europa

O país foi berço de alguns dos maiores compositores de todos os tempos como Johann Sebastian Bach e Ludwig van Beethoven, de poetas como Wolfgang Goethe, considerado o maior escritor alemão, e filósofos como Immanuel Kant, Georg Friedrich Hegel, Karl Marx, Friedrich Nietzsche, Martin Heidegger, Walter Benjamin, Herbert Marcuse e Theodor Adorno.

O grande paradoxo da Alemanha é como uma cultura tão sofisticada um Estado terrorista.

CULINÁRIA
Um bom exemplo da culinária alemã está nos fartos cafés coloniais servidas nas cidades turísticas do Brasil alemão, com grande variedade de tortas e bolos de frutas e nozes, pães brancos e integrais, queijos, geleias.

Nas principais refeições, não faltam batata, chucrute, carnes de porco, aves e gado, salsichas, tortas salgadas, sopas e saladas. O livro de receitas do Portal Brasil-Alemanha lista 141 pratos. A culinária alemã vai do cachorro quente com megassalsicha a camarões a Newburg.

ESPORTE
O esporte é uma parte fundamental da cultura e da sociedade na Alemanha. Em 2006, cerca de 27,5 milhões de pessoas eram sócias dos mais de 991 mil clubes esportivos do país.

A educação física foi introduzida como disciplina obrigatória nas escolas já no século 19.

Na História das Olimpíadas, somadas todas as medalhas, incluindo as da Alemanha Ocidental e da Alemanha Oriental, a Alemanha ficaria em terceiro lugar.

O país organizou os Jogos de Verão duas vezes e os de Inverno uma vez. Em 1936, Hitler tentou afirmar a superioridade ariana em Berlim. Foi desmentido pelas quatro medalhas de ouro do negro americano Jesse Owens, que seria discriminado nos EUA. Em 1972, em Munique, 11 atletas de Israel foram mortos pelo grupo palestino Setembro Negro, no maior ataque terrorista contra uma Olimpíada.

A Alemanha também é uma potência em esportes de inverno. A alemã-oriental Katarina Witt foi bicampeã olímpica em patinação artística em 1984 e 1988. Mas várias atletas da Alemanha Oriental, especialmente de natação e atletismo, tiveram seus títulos cassados por doping.

No tênis, deu dois grandes campeões, Steffi Graf e Boris Becker.

O país que inventou o automóvel tem dois grandes campeões de Fórmula 1. Michael Schumacher ganhou 91 corridas e sete títulos mundiais. Aos 26 anos, Sebastian Vettel se tornou em 2013 o mais jovem tetracampeão da F1.


OLIMPÍADA NAZISTA
Os EUA quase não participaram da Olimpíada de 1936 por causa da propaganda nazista sobre a superioridade ariana e da perseguição aos judeus.

A Alemanha ganhou com 89 medalhas, sendo 33 de ouro, seguida pelos EUA com 56, 24 de ouro. Mas, ao vencer as provas de 100 e 200 metros, o revezamento 4x100 e o salto em distância, o lendário atleta americano Jesse Owens derrubou o mito da superioridade ariana.

Uma das lendas dos Jogos de Berlim é que Hitler se recusou a cumprimentar Owens. Na verdade, Hitler deixou o Estádio Nacional na véspera da consagração de Owens, depois de ser advertido pelos organizadores de que não poderia escolher os atletas que queria receber, no dia em que outro negro americano, Cornelius Johnson, ganhou ouro no salto em altura. E não voltou mais.

Como propaganda nazista, registra João Barone, os Jogos de 1936 tiveram seu auge com o filme Olympia, da cineasta Leni Riefestahl, a favorita do Führer, com técnicas de filmagem, enquadramento, movimentos de câmera e iluminação para destacar a suposta perfeição dos corpos alemães.

FUTEBOL
Com participação em 17 Copas do Mundo, três títulos mundiais (1954, 1974 e 1990) e três da Eurocopa (1072, 1980 e 1996), a Alemanha é uma das grandes potências do futebol mundial. O Bayern de Munique, atual campeão europeu, é um dos clubes mais importantes do mundo.

A Associação (Federação) de Futebol da Alemanha tem 26 mil clubes e 178 mil times filiados.

Entre os grandes ídolos do futebol alemão, estão Fritz Walter, Franz Beckenbauer, Gerd Müller, Wolfgang Overath, Karl-Heinz Rummenigge, Lothar Matthäus, Jürgen Klinsmann e Oliver Kahn.

A seleção feminina alemã ganhou as Copas do Mundo de 2003 e 2007, tornando a Alemanha o único país do mundo a ganhar as copas do Mundo e da Europa de futebol masculinas e femininas.