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domingo, 23 de fevereiro de 2025

Direita vence e extrema direita avança nas eleições na Alemanha

Com 28,5% dos votos, a aliança da União Democrata-Cristã com a União Social-Cristã (CDU-CSU) venceu as eleições parlamentares deste domingo na Alemanha, mas seu líder, Friedrich Merz (foto), terá de formar uma coalizão para governar, provavelmente com o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), que ficou em terceiro lugar com 16,4%, e talvez também com Os Verdes, que tiveram 11,6%.
A neonazista Alternativa para a Alemanha (AfD) dobrou seu percentual de votação para 20,8% e será o maior partido da oposição, com 151 deputados. Foi o melhor resultado da extrema direita depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Na faixa etária de 35 a 44 anos, foi o partido mais votado, com 26% contra 24% da direita republicana (CDU-CSU). Sua líder, Alice Weidel, declarou que será um governo frágil que não vai até o fim do mandato de quatro anos.

Três ataques terroristas recentes cometidos por imigrantes fortaleceram a extrema direita. Em dezembro, um médico saudita atropelou e matou seis pessoas e feriu 229 numa feira de Natal em Magdeburgo. Em 13 de fevereiro, um afegão que teve o pedido de asilo negado matou uma mulher e sua filha, e feriu outras 30 pessoas num atropelamento em Munique. No sábado, um refugiado sírio esfaqueou uma pessoa perto do Memorial do Holocausto em Berlim aos gritos de "morte aos judeus".

As eleições previstas para setembro foram antecipadas pelo colapso da coligação sinal de trânsito, vermelho do SPD, amarelo do Partido Democrático Livre (FDP) e os Verdes, em 6 de novembro do ano passado, depois que o FDP rejeitou a proposta orçamentária do chanceler (primeiro-ministro) Olaf Scholz cobrando austeridade fiscal para combater a crise econômica. Com apenas 4,4% dos votos, o FDP não superou a cláusula de barreira de 5%. Fica fora do Parlamento. Seu líder, Christian Linder, renunciou.

A participação de 83% do eleitorado foi a maior desde a reunificação do país, em 3 de outubro de 1990, mas a Alemanha ainda está dividida. Com 29,7% da votação, a extrema direita ganhou em toda a antiga Alemanha Oriental, a não ser em Berlim. Ficou em quarto lugar na antiga Alemanha Ocidental, com 13%.

No fim, a União (CDU-CSU) elegeu 208 dos 630 deputados da Câmara Federal, dos quais 299 são eleitos pelo voto distrital e os outros 331 pelo voto proporcional em listas partidárias. A AfD terá 151 cadeiras. 

Os sociais-democratas tiveram o pior resultado desde 1949, quando foi fundada a Alemanha Ocidental, depois da divisão do país no fim da Segunda Guerra Mundial. Ficaram com 121 deputados. Junto com a União, somam 329 cadeiras, suficientes para a maioria.

Os Verdes elegeram 85 deputados. Se entrarem no governo, a coalizão terá uma maioria folgada de 414 cadeiras, mas é improvável por causa da linha dura adotada por Merz contra a imigração. O futuro chanceler quer suspender o Acordo de Schengen, que aboliu as fronteiras internas da União Europeia, e voltar a fazer controle de fronteiras para impedir a entrada de imigrantes ilegais.

A Aliança Sarah Wagenknecht (BSW), de esquerda radical, chegou a 4,9% e também ficou fora. Se superasse a cláusula de barreira, como a televisão ZDF chegou a anunciar, Os Verdes teriam de entrar para o governo.

Nacionalista de esquerda, conservadora em questões sociais, a BSW é antieuropeia e contra a participação da Alemanha na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos. É uma dissidência do partido A Esquerda, que conquistou 8,8% dos votos e terá 64 parlamentares.

Uma cadeira foi conquistada pelo voto distrital pela Associação dos Eleitores de Schleswig do Sul.  

Maior economia da Europa e terceira do mundo, com produto interno bruto de US$ 4,9 trilhões, a Alemanha está em recessão há dois anos por causa do aumento da concorrência da indústria da China e do fim da energia barata da Rússia por causa das sanções à ditadura de Vladimir Putin em razão da invasão da Ucrânia. O modelo econômico alemão está em crise e não há solução fácil.

O maior desafio é a mudança de posição dos EUA no governo Donald Trump em relação à OTAN e à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia. Isto obriga a Europa a aumentar os gastos militares tratar de garantir a segurança do continente sem depender de Washington. No momento, a Alemanha gasta 1,7% do PIB em defesa. A meta da OTAN era 2%. Trump quer um aumento para 5% para manter a aliança atlântica.

Diante dos problemas do país e da Europa, Merz pediu pressa nas negociações: "O mundo lá fora não está esperando por nós." Ele defende uma política mais dura com a Rússia. Quer dar mais armas à Ucrânia, enquanto o presidente dos EUA se aproxima de Putin e "fortalecer a Europa tão rapidamente quanto possível para que seja independente dos EUA."

Trump está chantageando a Ucrânia. Se o presidente Volodymyr Zelensky não concordar em ceder 50% das riquezas minerais da Ucrânia, no valor de US$ 500 bilhões, Trump ameaça suspender a ajuda ao país.

Nesta caso, a Europa terá de aumentar a ajuda militar à Ucrânia para evitar a vitória de Putin, que seria extremamente negativa para a segurança do continente.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Alemanha dissolve Parlamento e antecipa eleições em plena crise

 O presidente Frank-Walter Steinmeier dissolveu hoje o Parlamento Federal da Alemanha. As eleições gerais foram antecipadas em sete meses depois da queda do chanceler (primeiro-ministro) social-democrata Olaf Scholz. Serão realizadas em 23 de fevereiro de 2025, em meio a uma crise do modelo econômico alemão e de ascensão da extrema direita. A favorita é a União Democrata-Cristão (CDU), o partido tradicional da direita conservadora, liderado por Friedrich Merz, que deve ser o próximo chefe de governo.

Maior economia da Europa e terceira do mundo, a Alemanha enfrenta uma crise de seu modelo econômico por causa da concorrência dos países da Ásia, especialmente da China, e do fim da energia barata da Rússia. O governo Scholz caiu por causa da discordância dos liberais-democratas sobre a recuperação da economia.

A CDU de Merz faz campanha com a defesa do neoliberalismo econômico, com cortes de impostos e gastos públicos, e contra a imigração. A onda de refugiados que entrou no governo Angela Merkel (2005-21) é a principal causa do surgimento e ascensão do partido neonazista Alternativa para a Alemanha (AfD), que está em segundo lugar nas pesquisas.

Com o fragmentação do sistema política e a recusa dos partidos tradicionais de formar governo com a extrema direita, há uma expectativa de que sejam necessários meses após as eleições até a Alemanha ter um novo governo. Como a França também está em crise, com um governo sem maioria na Assembleia Nacional, o eixo central da União Europeia está enfraquecido no momento da volta do presidente Donald Trump à Casa Branca.

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 22 de Novembro

SOVIÉTICOS CERCAM NAZISTAS

    Em 1942, durante a Batalha de Stalingrado, um momento decisivo da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a contraofensiva do Exército Vermelho cerca de 250 mil soldados da Alemanha Nazista ao sul de Kalach, no Rio Dom. O general Friedrich Paulus pede autorização a Berlim para se retirar.

A Batalha de Stalingrado é a mais mortal da guerra e uma das mais violentas da história da humanidade, com 2 milhões de baixas e pelo menos 40 mil civis mortos. Começa em 23 de agosto de 1942.

Stalingrado, hoje Volgogrado, depois que o ditador Josef Stalin caiu em desgraça, é um porto importante no Rio Volga. Seu controle dá acesso à região do Cáucaso e ao Vale do Volga, o maior rio da Rússia. Tomar a cidade com o nome de Stalin seria uma vitória da propaganda de Adolf Hitler

Mesmo com apoio aéreo da Luftwaffe, a Força Aérea nazista, o 6º Exército da Alemanha, sob o comando do gen. Paulus, e o 4º Exército Panzer, sob o comando do gen. Edwald von Kleist, não conseguem vencer a defesa posta pelo 62º Exército da URSS, comandado pelo gen. Vassili Chuikov.

Os alemães cercam Stalingrado e pressionam os soviéticos contra o Rio Volga. A batalha vira um combate casa a casa.

Em 19 de novembro, a URSS lança a contra ofensiva com a Operação Urano, um ataque em duas frentes que cerca forças romenas que protegem os flancos do 6º Exército da Alemanha. Dois dias depois, 250 mil alemães estão cercados, sem acesso a suprimentos. Ainda assim, resistem durante dois meses e tentam avançar até capitular em 2 de fevereiro de 1943 por falta de munição e de comida.

JFK ASSASSINADO

    Em 1963, o presidente John Fitzgerald Kennedy é morto a tiros durante visita a Dallas, no Texas, no Sul dos Estados Unidos, de acordo com as investigações oficiais por um único atirador, Lee Harvey Oswald, o que é discutido até hoje.

Mais jovem presidente da história dos EUA, Kennedy é o primeiro católico a chegar à Casa Branca (Joe Biden é o segundo). Herói na Segunda Guerra Mundial (1939-45), JFK é também o primeiro presidente da era da televisão. 

Os primeiros debates presidenciais da história são decisivos para a imagem de jovem carismático e confiável, o xerife que protege a cidadezinha, na descrição do sociólogo canadense e papa das comunicações Marshall McLuhan, enquanto seu adversário, o vice-presidente parece o advogado espertalhão a convite da companhia da estrada de ferro.

No início de seu governo, três meses depois da posse, acontece a fracassada invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, por exilados cubanos apoiados pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), causa da Crise dos Mísseis (1962). quando enfrenta a União Soviética e obtém uma vitória diplomática.

Kennedy apoia o movimento pelos direitos civis dos negros liderado pelo reverendo Martin Luther King Jr. e decide enviar um homem à Lua até o fim dos anos 1960. Ao mesmo tempo, manda mais de 2,8 mil assessores militares para a Guerra do Vietnã (1955-75). Alguns entram em combate. Os EUA só declaram guerra ao Vietnã do Norte em 1964, depois de sua morte.

O atentado de Dallas, o terceiro assassinato de um presidente dos EUA no exercício do cargo, é objeto de debates até hoje. As investigações oficiais, inclusive o Relatório Warren, com o nome do presidente da Suprema Corte na época, Earl Warren, concluem que Oswald agiu sozinho.

Dois dias depois, Jacob Rubinstein, ou Jack Ruby, dono de uma boate em Dallas, supostamente ligado à máfia, mata Oswald à queima-roupa e alega ter sido um gesto patriótico de vingança pela morte do presidente, mas há fortes suspeitas de queima de arquivo.

B-52 ABATIDO NO VIETNÃ

    Em 1972, os Estados Unidos perdem sua primeira fortaleza voadora Boeing B-52, um bombardeiro de oito turbinas, na Guerra do Vietnã (1955-75).

Num dos dias de bombardeio aéreo mais intenso dos EUA, um míssil terra-ar disparado pelo Vietnã do Norte derruba o B-52 perto de Vinh.

QUEDA DE THATCHER

    Em 1990, a primeira primeira-ministra da história do Reino Unido, Margaret Thatcher, anuncia sua demissão depois de 11 anos no poder.

Margaret Hilda Roberts nasce em Grantham, na Inglaterra, em 13 de outubro de 1925, filha de um dono de armazém. Ela se forma em química na Universidade de Oxford, casa com o empresário Denis Thatcher e tem um casal de filhos antes de se eleger deputado pelo distrito conservador de Finchley, no Norte de Londres.

Em 1967, Thatcher entra para o governo paralelo do Partido Conservador, que faz oposição ao governo trabalhista de Harold Wilson (1964-70). Com a vitória de Edward Heath, em 1970, ela se torna ministra da Educação e da Ciência.

Quando os trabalhistas voltam ao poder, em 1974, Thatcher vira ministra das Finanças do gabinete paralelo até conquistar a liderança do partido, em fevereiro de 1975, com uma plataforma claramente direitista, prometendo cortar subsídios, privatizar as empresas públicas, prestigiar a polícia e defender vigorosamente os interesses britânicos no exterior com uma visão de mundo anticomunista.

Em 1976, depois de acusar a União Soviética de querer dominar o mundo, ganha a alcunha de Dama de Ferro, que marcará sua carreira política visceralmente conservadora.

O fracasso do governo trabalhista de James Gallaghan (1976-79), que substitui Harold Wilson (1974-76), causa uma onda de greves, inclusive de lixeiros e coveiros, no chamado inverno do descontentamento, em 1978-9.

A situação caótica leva à vitória de Thatcher, que se torna primeira-ministra em 4 de maio. As privatizações começam logo e o governo adota a linha dura no combate ao Exército Republicano Irlandês (IRA), mas as grandes reformas que reduzem o poder dos sindicatos vêm depois da Guerra das Malvinas, invadidas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982.

Thatcher envia uma força-tarefa ao Atlântico Sul. Os argentinos, inclusive vários assassinos da ditadura militar, se rendem em 14 de junho, depois das mortes de 255 britânicos e 649 argentinos.

Com a vitória na guerra, Thatcher obtém sua segunda e maior vitória eleitoral em 1983, parte para o confronto com os sindicatos e enfrenta uma greve de mineiros de um ano, de 6 de março de 1984 a 3 de março de 1985.

Em 1987, Thatcher vence as terceiras eleições. Sua oposição a uma maior integração europeia, seu eurocetismo, criou a guerra civil interna do Partido Conservador que está na origem da saída do Reino Unido da União Europeia.

A questão europeia e um imposto comunitário cobrado por pessoa, sem considerar o valor da propriedade onde o cidadão vivia, derrubam Thatcher. O partido não se recuperou até hoje do regicídio. O desafiante Michael Heseltine não chegou ao poder, seguindo a máxima da política britânica de que "quem mata o rei não ascende ao trono".

Seis dias depois, Thatcher é substituída por John Major (1990-97), que seria reeleito em 1992 prorrogando para 18 anos o domínio conservador sobre o Reino Unido, que seria quebrado pelo neotrabalhismo de Tony Blair em 1997. 

MULHER NO PODER

    Em 2005, a líder da conservadora União Democrata-Cristã (CDU), Angela Merkel, se torna a primeira mulher a governar a Alemanha.

Merkel nasce em Hamburgo, na Alemanha Ocidental, em 17 de julho 1954, mas vai para a Alemanha  Oriental quando o pai, um pastor luterano, é enviado para Perleberg. Ela se forma em química quântica e faz pesquisa científica até 1989, ano da queda dos regimes comunistas da Europa Oriental. Entra na política como porta-voz do primeiro governo democrático da Alemanha Oriental.

Com a reunificação da Alemanha, em 3 de outubro de 1990, é eleita deputada do Parlamento Federal e vira ministra da Mulher e da Juventude e depois ministra do Meio Ambiente do chanceler (primeiro-ministro) Helmut Kohl.

Depois da derrota de Kohl para o social-democrata Gerhard Schröder em setembro de 1998, nas últimas eleições de um século trágico e de renascimento para a Alemanha, em 10 de abril de 2000, Merkel se torna líder da CDU. 

Em 2005, Merkel vence as eleições a se tornar a primeira mulher a governar o país. Ela lidera governos estáveis e a União Europeia em seus piores momentos: a Crise do Euro (2009-14), a saída do Reino Unido e a onda de refugiados da África e do Grande Oriente Médio. É substituída pelo social-democrata Olaf Scholz, que era vice-chanceler e se apresenta nas eleições como continuador da obra de Merkel.

domingo, 26 de setembro de 2021

Social-democracia vence na Alemanha por margem estreita

A Era Angela Merkel termina com o pior resultado nas urnas da direita conservadora da Alemanha no pós-guerra. A aliança da União Democrata-Cristã (CDU) com a União Social-Cristã (CSU), de Merkel, conquistou apenas 24,1% dos votos nas eleições parlamentares deste domingo contra 25,7% do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD). Os extremistas perderam.

Os líderes dos dois grandes partidos, Olaf Scholz (SPD) e Armin Laschet (CDU), se declararam vencedores e prontos para formar o novo governo. Como a lei alemã permite, ambos tentarão articular uma coalizão. 

Seus partidos recebiam 90% dos votos no passado. Hoje, ficam com 50%. Vão precisar do apoio de mais dois partidos, Os Verdes, que receberam 14,8% dos votos e o Partido Liberal-Democrata (FDP), que teve 11,5%. Os ecologistas querem mais impostos e mais gastos públicos. Os liberais-democratas defendem o liberalismo econômico. As negociações podem se arrastar por semanas por semanas ou até meses.

Com o SPD na chefia do governo, seria a coalizão sinal de trânsito: vermelha (SPD), amarela (FDP) e verde (Verdes). A alternativa é a coalizão Jamaica: preta (CDU-CSU), amarela (FDP) e verde (Verdes). Mas não se pode descartar a chance de uma grande coalizão entre CDU-CSU e SPD, como a do atual governo Merkel.

Scholz argumentou que a maioria relativa votou no SPD porque "quer uma mudança no governo", embora seja vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças desde 14 de março de 2018 na grande aliança entre CDU-CSU e SPD. Os alemães votaram para mudar, mas não muito. O próprio Scholz acenou com uma certa continuidade.

Apesar da derrota, Laschet reivindica o direito de tentar formar um governo. Enquanto os partidos não se entendem, Angela Merkel (2005-21) continua no poder como chanceler (primeira-ministra) interina.

ESTADISTA

Num mundo carente de líderes internacionais visionários, a chanceler alemã deixa o poder depois de 16 anos exaltada, com ampla aprovação dentro e fora da Alemanha como a "última estadista", a "mulher mais poderosa do mundo" (é mesmo) e elegias do gênero. Foi uma líder racional, forte e decidida numa era de populistas inconsequentes e temerários como o ex-presidente americano Donald Trump e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

A menina criada sob o regime comunista da Alemanha Oriental se destacou depois da queda do Muro de Berlim. Chamou a atenção do chanceler Helmut Kohl, que a nomeou para ministra da Família e da Mulher em 1991 e ministra do Meio Ambiente em 1994.

Líder da CDU desde o ano 2000, Merkel comandou a oposição na Bundestag (Câmara Federal) ao governo Gerhard Schröder (1998-2005), que derrotou nas eleições de 2005. 

Doutora em química, Merkel soube enfrentar a pandemia com a ciência. Teve um sucesso inicial ao impor o confinamento. Sob pressão de governadores estaduais e empresários, reabriu a economia cedo demais. A Alemanha soma 4,2 milhões de casos confirmados e pouco menos de 94 mil mortes na pandemia. É o 14º país do mundo em número absoluto de mortes e 52º em mortes por habitante.

Sob Merkel, a Alemanha cresceu 34%, mais do que o dobro do Reino Unido e da França, firmando o país como maior economia da Europa e a quarta do mundo, com um produto interno bruto de US$ 4,3 trilhões, quase R$ 23 trilhões.

REFUGIADOS

Quando os refugiados das guerras no Grande Oriente Médio correram para as fronteiras da União Europeia (UE), Merkel honrou o compromisso histórico da Alemanha no pós-guerra para purgar os crimes do passado nazista. Acolheu mais de 1 milhão de refugiados, uma medida correta, mas que levou ao ressurgimento da extrema direita no partido Alternativa para a Alemanha (AfD), que conquistou 10,5% dos votos hoje, enquanto a Esquerda radical ficou com 4,9%.

A votação do AfD explica o pior resultado da aliança da direita conservadora CDU-CSU. Para evitar a presença de comunistas e nazistas no Parlamento no pós-guerra, a então Alemanha Ocidental introduziu uma cláusula de barreira. Para ter representação na Câmara Federal, um partido precisa de no mínimo 5% dos votos.

Até 2017, quando a crise dos refugiados estourou nas urnas e tornou a AfD o terceiro maior partido no Parlamento, com 12,6% dos votos, a direita republicana da CDU-CSU ia o suficiente para a direita para evitar o crescimento de partidos neonazistas. A crise dos refugiados rompeu esta barreira. A extrema direita voltou ao Parlamento da Alemanha pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

LEGADO

Depois de Adolf Hitler (1933-45), os alemães preferem líderes chatos e metódicos com o estilo de governanta alemã de Angela Merkel, sem drama nem estridência. Ela soube desdramatizar crises como na anexação da Crimeia pela Rússia e na intervenção militar russa no Leste da Ucrânia, em 2014, quando foi uma ponte entre o presidente americano, Barack Obama, e o ditador russo, Vladimir Putin. Também enquadrou o Reino Unido nas negociações para a saída da UE de modo a preservar o bloco.

Só Otto von Bismarck (1871-90), o Marechal de Ferro, chanceler da unificação da Alemanha, em 1871, e Helmut Kohl (1982-98), o chanceler da reunificação, em 1990, governaram mais tempo do que ela. Se o novo governo não tomar posse até 17 de dezembro, Merkel ultrapassa seu padrinho.

Bismarck fundou um império e criou o primeiro sistema de previdência social da Europa. É o pioneiro do modelo social-democrata europeu, adotado nos países com o maior índice de desenvolvimento humano. 

Kohl reunificou o país, liderou a criação da União Europeia e concordou com a substituição do marco alemão, símbolo da estabilidade econômica do pós-guerra, na união monetária que criou o euro.

ORDOLIBERALISMO

As realizações de Merkel são bem mais modestas, comenta a revista inglesa The Economist. Faltou uma visão estratégica para construir o futuro da Alemanha e da Europa. O ordoliberalismo, o neoliberalismo alemão, e sua obsessão com o equilíbrio fiscal levou à aprovação de uma lei, em 2009, para zerar o déficit orçamentário, quando o governo poderia aproveitar os juros historicamente baixos para investir.

Isto não só impediu investimentos públicos em infraestrutura em geral e, em especial, para acelerar a transição digital e a descarbonização da economia para mitigar o aquecimento global. Prejudicou o projeto europeu reduzindo os ganhos da Alemanha com a integração econômica.

Na questão do clima, apesar da alta consciência ecológica do povo alemão, com o fechamento das usinas nucleares depois do acidente nuclear de Fukushima, no Japão, em 11 de março de 2011, a Alemanha tem o maior consumo de combustíveis fósseis por habitante entre as grandes economias da Europa. Com 44% da energia elétrica gerada por carvão, gás ou petróleo, está atrasada na descarbonização e na construção da economia do futuro.

CRISE DO EURO

Quando a Grande Recessão (2008-9) se transformou na Crise do Euro (2009-14), a Grécia, a Irlanda, Portugal, a Espanha e Chipre não conseguiram honrar suas dívidas e precisaram de ajuda do Grupo do Euro, do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). A Itália, terceira maior economia da Zona do Euro, correu risco de dar calote.

A Alemanha foi inflexível ao rejeitar a mutualização da dívida, a emissão de bônus lastreados por todos os países da Eurozona, o que só aceitou agora para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. Na Grécia, submetida a uma austeridade fiscal punitiva, Merkel chegou a ser pintada na imprensa com o bigodinho de Hitler.

Para o contribuinte alemão, não cabe a si bancar as dívidas de povos do Sul da Europa que considera indisciplinados, como gregos, português, espanhóis e italianos. Faltou uma visão estratégia para entender que a economia alemã é a maior beneficiária da integração econômica do continente no mercado comum europeu.

Merkel foi uma líder indispensável para debelar as crises da UE. Mas deixa um vácuo de liderança, não avançou na construção da arquitetura do bloco europeu, é acusada de ser leniente com o autoritarismo da China e da Rússia, com que prefere conseguir negócios para as empresas alemãs, e até mesmo com o autoritarismo interno da Hungria e da Polônia na UE.

O mundo precisa muito mais do que uma governanta alemã.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Primeira-ministra Angela Merkel anuncia retirada da vida pública

Diante de mais uma grande perda da União Democrata-Cristã ontem nas eleições do estado de Hesse, no centro da Alemanha, a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel anunciou hoje que este será seu último mandato como chefe de governo. Ela deixa o cargo em 2021 e não vai concorrer à reeleição como líder do partido em dezembro de 2018, informou a televisão pública britânica BBC.

"Não vou mais postular nenhum cargo político quando meu mandato acabar", declarou Merkel hoje em Berlim. "Como chanceler e líder da CDU, sou responsável por tudo, por seus fracassos e seus sucessos."

Tanto a CDU como o Partido Social-Democrata (SPD), seu parceiro na grande coalizão que governo a Alemanha, perderam dez pontos percentuais em relação às eleições anteriores em Hesse, onde fica Frankfurt, principal centro financeiro da Alemanha e sede do Banco Central Europeu (BCE).

Duas semanas antes, a União Social-Cristã (CSU), aliada da CDU na Baviera, sofrera uma perda semelhante e também o SPD nas eleições estaduais bávaras. Nos dois casos, os grandes beneficiários foram os Verdes à esquerda e o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

Merkel sofre um desgaste por ter acolhido 1,1 milhão de refugiados das guerras no Oriente Médio  por causa das leis de asilo político generosas adotadas pela Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) para expiar a culpa pelos crimes do Nazismo.

A inesperada ascensão da AfD a partir das eleições gerais de 2017, quando a extrema direita voltou ao Parlamento alemão pela primeira vez desde o fim da guerra, foi um sinal claro de insatisfação. Agora, depois das eleições na Baviera e em Hesse, a AfD tem deputados em todas as assembleias legislativas regionais.

Com a forte queda dos dois partidos de centro, a grande coalizão é abalada. Se o SPD retirar o apoio, a aliança CDU-CSU terá de decidir se tenta governar em minoria ou se convoca novas eleições em que Merkel não seria candidato.

Neste clima, eleições gerais antecipadas tendem a produzir um Parlamento fragmentado, com negociações difíceis para formar um governo de maioria, provavelmente frágil. Como a Alemanha é a maior economia da Europa e a líder da União Europeia, a integração europeia também fragilizada no momento das negociações para a saúda do Reino Unido e de desafios dos governos de extrema direita da Itália, da Hungria e da Polônia.

domingo, 28 de outubro de 2018

Partido de Merkel sofre nova derrota na Alemanha

Num resultado capaz de abalar a grande coalizão governista da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, a União Democrata-Cristã (CDU) sofreu uma forte queda nas eleições do estado de Hesse, no centro da Alemanha, onde fica Frankfurt, a capital financeira do país. O Partido Social-Democrata, sócio na grande aliança,  também caiu muito.

Com 27,2%, a CDU continua sendo o maior partido em Hesse, mas perdeu 10 pontos percentuais em relação às eleições anteriores, cinco anos atrás. O SPD ficou em segundo com 19,6%. Em 2013, tivera 30,7% dos votos. Perdeu espaço para um extraordinário crescimento dos Verdes, que devem ficar com 19%.

O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 13% dos votos. Agora, tem representantes em todas as assembleias legislativas estaduais.

Para o secretário-geral do SPD, o resultado indica que "a grande coalizão não pode continuar deste jeito".

A CDU governa Hesse há 19 anos, nos últimos cinco numa aliança improvável com os Verdes. Como esses dois partidos podem não ter maioria no parlamento regional, um novo arranjo deve incluir o Partido Liberal-Democrata (FDP).

domingo, 4 de março de 2018

Partido Social-Democrata da Alemanha aprova aliança com Merkel

Por uma maioria de 66%, os 643 mil membros do Partido Social-Democrata (SPD) aprovaram hoje a aliança com a União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, e sua aliada União Social-Cristã (CSU) para formar o governo da Alemanha cinco meses depois das eleições parlamentares que marcaram a volta da extrema direita ao Parlamento alemão depois da Segunda Guerra Mundial. Será o quarto governo Merkel, o terceiro com a grande coalizão dos partidos tradicionais que governaram o país no pós-guerra.

Com o avanço da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), que criticou Merkel por acolher um milhão de refugiados, a chanceler perdeu o brilho e a aura de líder do mundo ocidental e defensora da democracia liberal na era Donald Trump, um presidente dos Estados Unidos autoritário e antidemocrático.

Se não houvesse acordo, as alternativas seriam um governo fraco de centro-direita sem maioria no Bundestag (Câmara Federal) ou a realização de novas eleições em que os partidos tradicionais deveriam perder ainda mais deputados.

Merkel governou de 2005-9 e 2013-17 com o SPD e em aliança com o Partido Liberal-Democrata (FDP) de 2009-13. Mesmo fraco, o quarto governo Merkel é uma boa notícia para a economia da Europa e para a tentativa do presidente da França, Emmanuel Macron, de reformar e revigorar a União Europeia.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Merkel fracassa ao formar governo e Alemanha pode ter novas eleições

Com a retirada dos liberais-democratas (FDP) das negociações para formar um novo governo na Alemanha, a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel enfrenta sua crise política mais grave em 12 anos no poder. Depois de um mês, ela não conseguiu promover um acordo entre a aliança da União Democrata-Cristã e com a União Social-Cristã (CDU-CSU), que lidera, o FDP e os Verdes.

Os principais pontos de discórdia foram refugiados, migração e mudança do clima. Sem avanços até sexta-feira passada, prazo fixado pela chanceler para chegar um acerto, o líder do FDP, Christian Lindner, abandonou as negociações.

 "É melhor não governar do que governar insinceramente", declarou Lindner. Na sua opinião, o processo "demonstrou que os quatro parceiros não têm uma visão comum do nosso país nem uma base comum de confiança".

Merkel foi obrigada a formar um governo de coalizão depois que a CDU obteve nas eleições de 24 de setembro seu pior resultado desde 1949, nas primeiras eleições da Alemanha Ocidental. Sob pressão do novo partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), a aliança CDU-CSU teve apenas 30,2% dos votos.

No domingo, o presidente da Alemanha, o ex-líder do Partido Social-Democrata (PSD) e ex-ministro do Exterior Frank-Walter Steinmeier advertiu para os ricos de novas eleições, que podem fortalecer ainda mais a extrema direita.

Agora, a primeira-ministra pode formar um governo sem maioria parlamentar, que seria frágil, precisando barganhar apoio a cada votação, tentar rearticular a grande coalizão com o SPD ou convocar novas eleições no início de 2018.

No seu primeiro governo (2005-9) e no terceiro (2013-17), Merkel fez alianças com o SPD para ter maioria no Parlamento. Mas aparentemente o SPD prefere novas eleições. Pode ser o fim melancólico da carreira política da mulher apontada como líder do mundo livre depois da ascensão de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos.

domingo, 24 de setembro de 2017

Merkel é reeleita e ultradireita volta ao Parlamento da Alemanha

Com cerca de 33% dos votos, a aliança entre a União Democrata-Cristã (CDU) e a União Social-Cristã (CSU) garantiu a esperada reeleição da chanceler (primeira-ministra) conservadora Angela Merkel para um quarto mandato como chefe de governo da Alemanha. 

A grande novidade das eleições de 2017 foi a volta ao Parlamento alemão de um partido de extrema direita pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

A Alternativa para a Alemanha (AfD), surgida em reação à política de Merkel de acolher os refugiados de guerras no Oriente Médio e à crise do euro, ficou em terceiro lugar, com 12,6% dos votos e 94 deputados, atrás do Partido Social-Democrata (SPD), que teve 20,5% da votação e elegeu 153 deputados.

Também conquistaram assentos na Câmara Federal da Alemanha o Partido Liberal-Democrata (FDP),  com 10,7% dos votos, terá 80 deputados; a Esquerda, com 9,2%, elegeu 69 deputados; e os Verdes, com 8,9% da votação, terão 67 deputados.

Apesar da vitória, com 246 deputados na Câmara Federal (Bundestag) de 709 cadeiras, a aliança CDU-CSU obteve seu pior resultado desde 1949, nas primeiras eleições da Alemanha Ocidental.

Merkel pode tentar a aliança com os liberais-democratas, um antigo aliado de governos democratas-cristãos, mas não basta para ter maioria absoluta. Ela também precisaria do apoio da bancada verde para formar um governo de maioria, com 393 deputados.

Outra opção é manter a grande aliança com o SPD. Os sociais-democratas sofreram o desgaste de ser o parceiro menor na coalizão de governo. Devem preferir a oposição para reconstruir sua base de apoio. De qualquer maneira, Merkel sai enfraquecida das eleições.

Pela Constituição da República Federal da Alemanha, do pós-guerra, há uma cláusula de barreira. Para entrar na Câmara, um partido precisa de no mínimo 5% dos votos nacionalmente. Foi uma fórmula usada evitar o acesso de nazista e comunistas ao Parlamento.

É a primeira vez desde Hitler e do partido nazista que a extrema direita estará no Parlamento Alemão. Ao celebrar como vitória, os ultranacionalistas prometeram fazer uma oposição feroz a Merkel e investigar os últimos governos. Do lado de fora, manifestantes liberais e de esquerda gritavam: "Fora, nazistas!"

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Merkel vence único debate antes das eleições na Alemanha

Em campanha por um quarto mandato consecutivo, a chanceler (primeira-ministra) conservadora da Alemanha, Angela Merkel, levou a melhor no único debate televisivo da campanha, realizado ontem à noite. Ao responder sobre relações com a Turquia, ela descartou a possibilidade do país entrar na União Europeia.

O candidato social-democrata Martin Schulz atacou a política de refugiados, as relações com a Turquia e com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Merkel usou sua experiência internacional e foi considerada vencedora.

Antes do debate, a aliança entre a União Democrata-Cristã (CDU) de Merkel e a União Social-Cristã (CSU) tinha uma vantagem de 14 pontos nas pesquisas sobre o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD). Depois de debate, 55% deram vitória à chanceler e apenas 35% ao líder social-democrata.

Sob pressão de Schulz, Merkel declarou: "É claro que a Turquia não deve se tornar um membro da UE. Vou falar com meus colegas para ver se podemos chegar a uma posição conjunta e encerrar as negociações de acesso."

O governo turco reagiu com indignação. Merkel defendeu o acordo da UE com a Turquia para tentar conter a onda de refugiados da guerra civil na Síria.

Schulz também cobrou uma posição mais dura em relação a Trump por "colocar o mundo à beira de crises com seus tuítes" e prometeu trabalhar com seus parceiros europeus, o Canadá, o México e a oposição americana.

Merkel alegou "não acreditar que a crise na Coreia do Norte possa ser resolvida sem o presidente americano, mas penso que devemos dizer nos termos mais claros possíveis que só pode haver uma solução pacífica e diplomática."

No poder desde 2005, Merkel é a líder da Europa e uma das maiores lideranças mundiais. Diante do recuo do papel internacional dos EUA de Trump, ela está sendo pressionada a assumir o papel de líder do mundo ocidental.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Parlamento da Alemanha aprova o casamento homossexual

Por 393 a 226 votos, a Câmara Federal da Alemanha aprovou hoje a lei que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo, depois que a chanceler (primeira-ministra) conservadora abandonou sua oposição diante da pressão da opinião pública a menos de três meses das eleições parlamentares.

A Alemanha é o 14º país europeu a aprovar o casamento gay. O debate na Câmara durou apenas  38 minutos.

O Partido Social-Democratas (SPD), os Verdes e a Esquerda votaram em massa a favor do projeto, enquanto a coalizão conservadora formada pela União Democrata-Cristã (CDU) e a União Social-Cristã (CSU) se dividiu. A CSU, aliada da Baviera, foi contra, mas apresentou críticas moderadas.

A própria Merkel votou contra usando um argumento jurídico: "O casamento, segundo a Constituição, é a união de um homem e uma mulher." Ela aceitou a mudança para tirar uma bandeira da esquerda nas eleições. Também declarou ser favorável a que casais gays tenham o direito de adotar filhos.

"É um dia histórico para nossa minoria", declarou o deputado verde Volker Beck, aplaudido de pé num de seus últimos discursos na Câmara.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Partido de Merkel ganha eleições no maior estado da Alemanha

A reeleição de Angela Merkel em 22 de setembro de 2017 para um quarto mandato como chanceler (primeira-ministra) da Alemanha é cada vez mais provável. Seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), ganhou ontem as eleições na Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso da Alemanha, reduto tradicional do Partido Social-Democrata (SPD).

Pelas projeções da televisão alemã ZDF, a direitista CDU venceu com 33,3% dos votos contra 31% do SPD, de centro-esquerda que caiu oito pontos percentuais em relação às eleições anteriores. O Partido Liberal-Democrata (FDP), de centro-direita, ficou em terceiro com 12%. É um possível parceiro numa aliança com a CDU para formar um governo de coalizão.

A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita anti-imigração e antieuro, entrou no parlamento regional com 8% dos votos. Já está presente em 13 dos 16 estados alemães.

Os sociais-democratas também perderam nos últimos dois meses as eleições nos estados do Sarre e de Schleswig-Holstein. A quatro meses e meio das eleições, um atentado terrorista, um agravamento da crise de refugiados ou problemas na Zona do Euro podem abalar a opinião pública e alterar as pesquisas. Mas, num mundo conturbado, Merkel é uma garantia de estabilidade.

Seu maior rival, Martin Schulz, do SPD, ex-presidente do Parlamento Europeu, não desiste e cita o novo presidente da França, Emmanuel Macron, que amanhã se encontra com Merkel na sua primeira viagem ao exterior como chefe de Estado.

"Meu amigo Macron estava mal nas pesquisas há cinco meses e agora é presidente", declarou Schulz ao saber da derrota tentando animar a militância para as eleições de setembro.

Com dívida pública elevada e desemprego de 7,5%, acima de média nacional de 5,8%, a Renânia do Norte-Vestfália é chamada pejorativamente de "Grécia da Alemanha", em referência à crise da dívida grega, que ameaçou a própria existência do euro anos atrás.

Nas eleições parlamentares de 2013, a aliança CDU-CSU (União Social-Cristã) recebeu 42% dos votos e elegeu 311 deputados, cinco a menos do que a maioria absoluta. Como o FDU não atingiu o mínimo legal de 5% para entrar na Câmara Federal, Merkel acabou fazendo uma grande coalizão para governar com o SPD.

domingo, 26 de março de 2017

Partido de Merkel vence eleições estaduais na Alemanha

A União Democrata-Cristã (CDU), o partido conservador da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, venceu as eleições no estado do Sarre, com 40,7% dos votos, um bom avanço em relação aos 35,% das eleições anteriores, noticiou a agência Reuters.

O Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) ficou em segundo, com uma pequena queda de 30,6% para 29,6%, numa derrota para o novo líder do partido. Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, é o principal adversário de Merkel, que tenta o quarto mandato consecutivo nas eleições nacionais de 24 de setembro de 2017.

Em terceiro lugar, com 12,9%, ficou o partido A Esquerda, uma fusão da ala mais esquerdista do SPD, que rejeitou as reformas econômicas liberalizantes do então chanceler Gerhard Schröder (1998-2005), com o antigo partido comunista da Alemanha Oriental.

À ultradireita, o novo partido Alternativa para a Alemanha (AfD), anti-imigração e antimuçulmano, conseguiu 6,2% dos votos. Os Verdes não superaram a cláusula de barreira, que exige um mínimo de 5% dos votos. Ficam fora da Assembleia Legislativa Estadual do Sarre.

Até 24 de setembro, haverá mais duas eleições estaduais. Servirão como prévias das eleições federais.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Merkel é reeleita líder do partido com 89,5% dos votos

Candidata única, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, foi reeleita hoje líder da União Democrata-Cristã, um partido conservador de centro-direita, com 89,5% dos votos. Em 20 de novembro, ela anunciou a intenção de concorrer a um quarto mandato nas eleições parlamentares de setembro de 2017.

Sua popularidade foi arranhada por honrar a tradição de conceder asilo da Alemanha e da Europa no pós-guerra. Cerca de 1 milhão de refugiados entraram no país no ano passado, alimentando o discurso anti-imigração do novo partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD).

Merkel começou seu discurso de uma hora e um quarto prometendo que não haverá um influxo de refugiados como em 2015. Ela criticou o bombardeio aéreo a Alepo pela Rússia e a Síria, e advertiu o Reino Unido de que não vai haver uma Brexit à la carte, em que os britânicos possam escolher apenas os aspectos do mercado comum europeu que lhe interessem.

Com a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, aumenta a responsabilidade de Merkel como líder do mundo ocidental e defensora da ordem internacional liberal pós-1945.

domingo, 20 de novembro de 2016

Merkel é candidata a um quarto mandato na Alemanha

Doze dias depois da eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos, a primeira-ministra conservadora Angela Merkel anunciou hoje em Berlim sua candidatura a um quarto mandado como chefe de governo da Alemanha, preparando-se para ser a principal líder a favor do internacionalismo liberal pós-1945.

Ao manter o compromisso histórico da Alemanha e da União Europeia de acolher refugiados de guerra, Merkel, no poder desde 2005, perdeu popularidade, mas não se rendeu ao discurso populista antiestrageiros alimentando pelo ressurgimento da extrema direita no continente.

Seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), sofreu uma derrota humilhante, ficando em terceiro lugar nas eleições de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, um dos estados mais pobres do país e da antiga Alemanha Oriental, base eleitoral da primeir,a-ministra.

A vitória, em 6 de setembro de 2016, foi do Partido Social-Democrata (SPD), com 30,5%, seguido pelo novo partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), com 20,9%, deixando a CDU em terceiro com 19% numa clara rejeição à política de refugiados de Merkel.

O detalhe é que o estado, por ser pobre, é um dos que menos atraem imigrantes na Alemanha. Numa concessão aos partidos de ultradireita, a chanceler declarou hoje ser contra os trajes muçulmanos que cobrem o rosto inteiro, como o nicabe e a burca.

A AfD está roubando votos dos partidos tradicionais. Sua fatia do eleitorado encolhe a cada eleição geral. Em 2013, a CDU e o SPD tiveram 67% dos votos. Nas pesquisas para as eleições gerais de setembro de 2017, têm em média 55% das preferências do eleitorado.

Merkel assumiu a responsabilidade pelas derrotas da CDU, mas não abriu mão dos princípios da democracia e da liberdade, base da ordem internacional pós-Segunda Guerra Mundial  liderada pelos EUA em aliança com a Europa Ocidental.

Esta visão de mundo é ameaçada pelo ressurgimento de um nacionalismo hostil nos EUA com Donald Trump,a crescente agressividade militar da China ao intimidar países vizinhos, as intervenções militares da Rússia de Vladimir Putin, no Reino Unido com o movimento para sair da UE e no resto da Europa com a ascensão de partidos neofascistas como a Frente Nacional, na França.

Os cinco países citados acima são as grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, responsáveis em última análise pela paz e segurança internacionais. Se não chegarem a acordos básicos e reavivarem o nacionalismo, o risco de guerras aumenta exponencialmente.

Por ironia do destino, cabe a uma mulher, líder da Alemanha, país que iniciou as duas guerras mundiais que acabaram com a ordem mundial eurocêntrica, a defesa da ordem internacional liberal construída para acabar com o mundo nefasto das guerras nacionalistas. Outros líderes, como Trump e Putin parecem não ter aprendido as lições da história.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Extrema direita avança em eleições estaduais na Alemanha

O partido anti-imigrantes Alternativa para a Alemanha (AfD) tornou-se o primeiro a vencer a União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, pela direita. Nas eleições de domingo no estado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD obteve 20,8% dos votos contra 19% para a CDU.

A vitória ficou com o Partido Social-Democrata (SPD), com queda de 35,6% para 30,6% em relação às eleições anteriores no estado da antiga Alemanha Oriental, que tem o menor eleitorado do país, apenas cerca de 1,6 milhão de eleitores. O SPD deve manter a grande aliança com a CDU que já domina o governo federal alemão.

Com apenas três anos de idade, o desempenho da AfD típico do voto de protesto: roubou votos de todos os partidos da ultradireita à extrema esquerda e mobilizou mais eleitores, diminuindo a abstenção.

A maior consolação foi que o Partido Nacional da Alemanha, de inspiração neonazista, não atingiu o mínimo de 5% dos votos e ficou fora de Assembleia Legislativa de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental. Os Verdes também não superaram a cláusula de barreira.

"Daqui para a frente, a Alemanha tem o que não tinha desde o fim da Segunda Guerra Mundial", em 1945, lamentou o jornal Die Welt.

O estado recebeu apenas 23 mil refugiados. Mesmo assim, o tema central foi a rejeição à política braços abertos para refugiados adotada por Merkel, que resolveu honrar a tradição alemã e europeia de oferecer asilo a refugiados. Esse repúdio não deve mudar antes das eleições federais de 2017.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Partido nacionalista ganha força na Alemanha

Enquanto os partidos tradicionais caem nas pesquisas, o novo partido nacionalista Alternativa para a Alemanha (AfD) está ganhando força com a crise da Zona do Euro e principalmente a onda de refugiados vindos do Oriente Médio, infomrou joje o jornal Die Welt.

De acordo com uma nova pesquisa do instituto Deutschland Trend para a televisão ARD, a coalizão conservadora entre a União Democrata-Cristã (CDU) e a União Social-Cristã (CSU) liderada pela chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel caiu dois pontos para 34%. 

O Partido Social-Democrata (SPD) tem o apoio de apenas 21% do eleitorado, a menor parcela em quase 20 anos de pesquisas da ARD.

A AfD subiu três pontos para 14%. É um partido conservador e eurocético formado em 2013, inicialmente para contestar os programas de resgate  financeiros dos países da Eurozona envididados pela crise além da capacidade de pagar (Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha). É contra o euro, a favor da volta do marco ou de uma união monetária menor. 

Como a Alemanha lidera a União Europeia, mudanças políticas no país terão impacto em todo o continente.

Para manter os princípios fundamentais do projeto europeu, Merkel decidiu acolher os refugiados, ressuscitando o fantasma do nacionalismo alemão. O movimento Peguida contra uma suposta islamização da Europa foi um sinal do renascimento do autoritarismo alemão. A ascensão da AfD é mais um.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Governo de Portugal perde maioria em eleições parlamentares

A coalizão de centro-direita do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho venceu as eleições parlamentares de domingo, mas elegeu apenas 104 dos 230 deputados, perdendo a maioria na Assembleia da República.

Sob a liderança do ex-prefeito de Lisboa António Costa, o Partido Socialista (PS) elegeu 85 deputados com uma campanha denunciado o programa de ajuste fiscal imposto pelos credores em troca de um empréstimo de 78 bilhões de euros. A liderança de Costa pode ser desafiada, noticiou o jornal português Público, que observou um avanço de alianças mais à esquerda.

O Bloco de Esquerda e a Coligação Democrática Unitária (CDU), formada pelo Partido Comunista Português (PCP) e os Verdes, conquistaram 36 cadeiras. Se as esquerdas se unirem, podem barrar a coalizão de Passos Coelho, entre o Partido Social-Democrata (PSD) e o Centro Democrático-Social (CDS).

No fim da noite de ontem, o primeiro-ministro anunciou que pretende chegar a um acordo com o PS para formar um governo minoritário e obter apoio da oposição mais moderada para ajudar Portugal a sair da crise.

"Nossas obrigações como governo nos obrigam a deixar de lado as bandeiras partidárias e nos unir a todos que querem construir um país melhor", declarou Passos Coelho.

Depois do acordo com os credores, em 2011, Portugal voltou a crescer, mas ainda não chegou ao nível anterior à crise. A economia avança hoje num ritmo de 1,5% ao ano. O desemprego caiu de 17,5% para 11,9%.

domingo, 4 de outubro de 2015

Direita vence eleições e pode ter maioria absoluta em Portugal

A coligação Portugal à Frente, do primeiro-ministro conservador Pedro Passos Coelho, venceu as eleições parlamentares deste domingo em Portugal e pode conquistar a maioria absoluta na Assembleia da República, informa o jornal Público.

De acordo com a pesquisa de boca de urna da empresa Intercampus, a aliança entre o Partido Social-Democrata (PSD) e o Centro Democrático-Social (CDS) obteve de 36,8% a 41,6% e deve eleger de 106 a 118 deputados, o que lhe daria a maioria absoluta no parlamento.

Sob a liderança de António Costa, o Partido Socialista (PS) conquistou entre 29,5% a 33,9% dos votos e deve ter de 77 a 89 deputados.

A grande surpresa foi o Bloco de Esquerda (BE), que pode chegar a 12% e eleger de 15 a 23 deputados, superando a Coligação Democrática Unitária (CDU), formada pelo Partido Comunista Português (PCP) e os Verdes. A CDU deve ter no máximo 10% dos votos e de 12 a 20 deputados.

Quarenta anos depois das eleições para a Assembleia Constituinte que consolidaram a transição de Portugal para a democracia, os portugueses elegeram o 15º parlamento. A abstenção foi de 44,7%.

O grande tema da campanha foi o programa de austeridade fiscal imposto pelos sócios da Zona do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) em troca de um empréstimo de 78 bilhões de euros.

Com déficit orçamentário de 9,4% do produto interno bruto, em setembro de 2010, o então primeiro-ministro socialista José Sócrates, hoje preso por corrupção, anunciou um plano de ajuste fiscal com aumentos de impostos e cortes de salários do setor público.

Em maio de 2011, com Sócrates demissionário, foi anunciado o acordo com os credores. Desde então, Portugal voltou a crescer. O último trimestre de contração foi o primeiro de 2014. No momento, avança num ritmo de 1,5% ao ano.

O PIB projetado para 2015 é de 229,6 bilhões de euros (R$ 1,014 trilhão), abaixo do recorde de 262 bilhões de euros, em 2009.

A taxa de desemprego caiu do pico de 17,5% em 2013 para 11,9% em julho deste ano, mas ainda não voltou aos índices pré-crise.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Deputados alemães criticam Grécia por pedir ajuda à Rússia

Deputados da União Democrata-Cristã (CDU), partido liderado pela chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, advertiram o governo esquerdista da Grécia a fazer as reformas econômicas necessárias em vez de pedir ajuda à Rússia para pagar a dívida pública, reportou hoje a revista alemã Der Spiegel.

O deputado Günther Kirchbaum, um dos principais porta-vozes da CDU para questões europeias, cobrou do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, um plano concreto de reformas para equilibrar a economia do país, onde a corrupção e a sonegação fiscal sabotam a máquina pública.

Durante visita oficial a Moscou, o ministro da Energia da Grécia, Panagiotis Lafazanis, negocia hoje cooperação energética e ajuda financeira, revelou a agência de notícias russa Sputnik.

Por causa do impacto econômico diferente em cada país, a União Europeia está dividida em relação às sanções à Rússia para punir o Kremlin pela intervenção militar na Ucrânia. O governo Vladimir Putin corteja Chipre, a Grécia e a Hungria para que votem contra novas sanções.

Depois de seis anos de crise e depressão econômica, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza) ganhou as eleições parlamentares de 25 de janeiro de 2015 prometendo acabar com o rigoroso programa de ajuste fiscal imposto pela UE, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), e renegociar a dívida grega. Sob pressão da Alemanha e dos outros 17 países-membros da Zona do Euro, está sendo obrigada a encarar a realidade.