Com a promessa de cortar impostos e estimular o crescimento econômico, o partido conservador Nova Democracia venceu hoje as primeiras eleições pós-crise na Grécia. O novo primeiro-ministro será Kyriakos Mitsotakis.
De acordo com a pesquisa de boca de urna, os conservadores receberam entre 38% e 42% dos votos, superando o partido Syriza (Coligação da Esquerda Radical), do primeiro-ministro Alexis Tsipras, que ficou com 26,5% a 30,5% dos votos.
Tsipas chegou ao poder em 2015 com uma proposta radical de enfrentar os credores e a chama troika formada pelo Grupo do Euro, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que impuseram um duríssimo programa de ajuste fiscal à Grécia.
A crise grega estourou em 2009, durante a Grande Recessão, quando foi revelado que o governo havia mentido sobre os verdadeiros dados sobre déficit e a dívida pública, e o país não teve mais condições de renegociar seus títulos da dívida no mercado. A dívida, de quase 300 bilhões de euros, era 11% maior do que admitira o governo.
Entre 2004 e 2009, o produto interno bruto cresceu cerca de 40% e a arrecadação de impostos 31%, enquanto as despesas públicas aumentaram 87%, gerando o problema fiscal que explodiu com a crise internacional. De 2010 a 2016, a Grécia aumentou impostos e cortou gastos públicos 12 vezes e renegociou um corte de 50% na dívida em mãos de bancos privados.
O PIB da Grécia caiu 26% de 2008 a 2014 e a renda média por habitante, 24%. A dívida pública chegou a 177% do PIB. O desemprego subiu de 10% para 25%, jogando 44% da população na miséria.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 7 de julho de 2019
segunda-feira, 20 de agosto de 2018
Grécia volta ao mercado após maior programa de resgate da história
A Grécia saiu oficialmente hoje do terceiro programa de ajuste das contas públicas adotado desde que o país quebrou em 2010, em troca de empréstimos de mais de US$ 300 bilhões de seus aliados na Zona do Euro, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE).
Oito anos depois do remédio amargo imposto pela troika, o produto interno bruto recuou 25%. O desemprego chegou a um pico de 27,5% em 2013 e está um pouco abaixo de 20%.
"Esta enorme perda do PIB poderia ter sido evitada", escreveu Larry Elliott, editor de economia do jornal britânico The Guardian, se "a prioridade, no quadro da mais grave crise financeira do século, não fosse equilibrar as contas públicas em meio a uma deflação." Na sua opinião, a ajuda foi um fracasso.
O problema é que a Alemanha, a Holanda, a Finlândia e outros países ricos da União Europeia não quiseram bancar a irresponsabilidade financeira dos governos gregos. A crise das dívidas públicas contaminou a Irlanda, Portugal e a Espanha, mas a situação mais grave foi a da Grécia.
"A Grécia saiu do respirador artificial, mas ainda está longe de uma recuperação", comentou o jornalista Mark Lowen na televisão pública britânica BBC. "Segundo o FMI, só quatro países tiveram uma retração econômica maior do que a Grécia nos últimos dez anos: Iêmen, Líbia, Venezuela e Guiné Equatorial."
Em entrevista publicada ontem, o presidente do Banco Central da Grécia, Yannis Stournaras, advertiu: "Se não cumprirmos o que foi acertado, agora e no futuro, os mercados nos abandonarão e não teremos como refinanciar os empréstimos em condições viáveis quando chegar a hora."
As sopas populares continuam sendo a salvação de quem perdeu o emprego. Muitos perderam suas casas.
Ao mesmo tempo, os mais qualificados deixam o país, numa fuga de cérebros: "Mais de 500 mi pessoas, entre elas os mais brilhantes engenheiros, doutores e quadro jovens da Grécia, continuam deixando o país a cada ano, como acontece desde o início da crise", observou o jornalista grego Yannis Palaiologos no jornal americano The Wall Street Journal.
O primeiro-ministro Alexis Tsipras, um radical de esquerda que chegou ao poder no auge da crise, fará um pronunciamento em cadeia nacional de televisão nesta terça-feira. Seu sonho de "justiça social" fica adiado, alerta o jornal grego To Vima: "Nada parece poder nos assegurar que a saída do plano de resgate será suave nem que ele possa ser um porta-voz da esperança."
Oito anos depois do remédio amargo imposto pela troika, o produto interno bruto recuou 25%. O desemprego chegou a um pico de 27,5% em 2013 e está um pouco abaixo de 20%.
"Esta enorme perda do PIB poderia ter sido evitada", escreveu Larry Elliott, editor de economia do jornal britânico The Guardian, se "a prioridade, no quadro da mais grave crise financeira do século, não fosse equilibrar as contas públicas em meio a uma deflação." Na sua opinião, a ajuda foi um fracasso.
O problema é que a Alemanha, a Holanda, a Finlândia e outros países ricos da União Europeia não quiseram bancar a irresponsabilidade financeira dos governos gregos. A crise das dívidas públicas contaminou a Irlanda, Portugal e a Espanha, mas a situação mais grave foi a da Grécia.
"A Grécia saiu do respirador artificial, mas ainda está longe de uma recuperação", comentou o jornalista Mark Lowen na televisão pública britânica BBC. "Segundo o FMI, só quatro países tiveram uma retração econômica maior do que a Grécia nos últimos dez anos: Iêmen, Líbia, Venezuela e Guiné Equatorial."
Em entrevista publicada ontem, o presidente do Banco Central da Grécia, Yannis Stournaras, advertiu: "Se não cumprirmos o que foi acertado, agora e no futuro, os mercados nos abandonarão e não teremos como refinanciar os empréstimos em condições viáveis quando chegar a hora."
As sopas populares continuam sendo a salvação de quem perdeu o emprego. Muitos perderam suas casas.
Ao mesmo tempo, os mais qualificados deixam o país, numa fuga de cérebros: "Mais de 500 mi pessoas, entre elas os mais brilhantes engenheiros, doutores e quadro jovens da Grécia, continuam deixando o país a cada ano, como acontece desde o início da crise", observou o jornalista grego Yannis Palaiologos no jornal americano The Wall Street Journal.
O primeiro-ministro Alexis Tsipras, um radical de esquerda que chegou ao poder no auge da crise, fará um pronunciamento em cadeia nacional de televisão nesta terça-feira. Seu sonho de "justiça social" fica adiado, alerta o jornal grego To Vima: "Nada parece poder nos assegurar que a saída do plano de resgate será suave nem que ele possa ser um porta-voz da esperança."
domingo, 20 de setembro de 2015
Direita reconhece derrota para Syriza nas eleições da Grécia
Com 33% a 35% dos votos, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza) venceu as eleições parlamentares realizadas hoje na Grécia. O líder do partido conservador Nova Democracia, Vangelis Meïmarakis, reconheceu a derrota 15 minutos atrás.
Apesar de uma grande abstenção de 40%, os gregos deram uma segunda chance ao primeiro-ministro Alexis Tsipras, vencedor das eleições anteriores, em 25 de janeiro. A ND recebeu 28% dos votos e o partido neofascista Aurora Dourada, 7%.
A Syriza deve eleger cerca de 145 deputados. Vai precisar de uma coalizão para ter maioria no Parlamento da Grécia, de 300 cadeiras. Com 3,7% dos votos, o partido Gregos Independentes, parceiro menor da coligação de governo, deve eleger uns 10 deputados. Será suficiente.
No poder, Tsipras chegou a romper as negociações com os credores da dívida pública da Grécia e a convocar um plebiscito para legitimar a decisão. Quando voltou atrás, o partido se dividiu e o governo perdeu a maioria no Parlamento. Isso levou Tsipras a pedir demissão em agosto e à convocação de eleições antecipadas.
A Grécia enfrenta uma depressão que reduziu o produto interno bruto do país em 25% nos últimos seis anos e elevou o desemprego a 27% da população em idade de trabalhar. Tsipras se elegeu em janeiro como o candidato contra a austeridade fiscal. Foi obrigado a recuar para manter o país na união monetária europeia.
Com o novo acordo, a dívida pública grega subiu para 200% do PIB. O país precisa de uma renegociação que reduza o total da dívida, adverte o Fundo Monetário Internacional, mas os sócios da Grécia na Zona do Euro não querem arcar com o prejuízo.
Apesar de uma grande abstenção de 40%, os gregos deram uma segunda chance ao primeiro-ministro Alexis Tsipras, vencedor das eleições anteriores, em 25 de janeiro. A ND recebeu 28% dos votos e o partido neofascista Aurora Dourada, 7%.
A Syriza deve eleger cerca de 145 deputados. Vai precisar de uma coalizão para ter maioria no Parlamento da Grécia, de 300 cadeiras. Com 3,7% dos votos, o partido Gregos Independentes, parceiro menor da coligação de governo, deve eleger uns 10 deputados. Será suficiente.
No poder, Tsipras chegou a romper as negociações com os credores da dívida pública da Grécia e a convocar um plebiscito para legitimar a decisão. Quando voltou atrás, o partido se dividiu e o governo perdeu a maioria no Parlamento. Isso levou Tsipras a pedir demissão em agosto e à convocação de eleições antecipadas.
A Grécia enfrenta uma depressão que reduziu o produto interno bruto do país em 25% nos últimos seis anos e elevou o desemprego a 27% da população em idade de trabalhar. Tsipras se elegeu em janeiro como o candidato contra a austeridade fiscal. Foi obrigado a recuar para manter o país na união monetária europeia.
Com o novo acordo, a dívida pública grega subiu para 200% do PIB. O país precisa de uma renegociação que reduza o total da dívida, adverte o Fundo Monetário Internacional, mas os sócios da Grécia na Zona do Euro não querem arcar com o prejuízo.
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sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Grécia cresceu 0,9% no segundo trimestre de 2015
O crescimento da Grécia de abril a junho deste ano foi revisado para cima, com alta de 0,9%, anunciou hoje Agência Nacional de Estatísticas (Elstat). Isso indica que dificilmente haverá a queda de 2,3% do produto interno bruto prevista pela Comissão Europeia.
A Grécia volta às urnas em 20 de setembro depois da divisão da Coligação de Esquerda Radical, partido do primeiro-ministro Alexis Tsipras. A ala mais à esquerda rejeitou o acordo com os credores da Zona do Euro. Quer abandonar o euro e deixar a União Europeia.
Depois de uma depressão econômica que reduziu o produto interno bruto grego em 25% desde 2009 e elevou o desemprego para 28% da população ativa, a economia grega voltou a crescer no ano passado. Com a crise política causada pelas eleições antecipadas e a resistência do governo esquerdista de fechar o acordo, havia o temor da volta da recessão.
A Grécia volta às urnas em 20 de setembro depois da divisão da Coligação de Esquerda Radical, partido do primeiro-ministro Alexis Tsipras. A ala mais à esquerda rejeitou o acordo com os credores da Zona do Euro. Quer abandonar o euro e deixar a União Europeia.
Depois de uma depressão econômica que reduziu o produto interno bruto grego em 25% desde 2009 e elevou o desemprego para 28% da população ativa, a economia grega voltou a crescer no ano passado. Com a crise política causada pelas eleições antecipadas e a resistência do governo esquerdista de fechar o acordo, havia o temor da volta da recessão.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Primeiro-ministro da Grécia pede demissão e convoca eleições
Em pronunciamento na televisão, o primeiro-ministro Alexis Tsipras anunciou sua demissão agora há pouco para provocar a realização de eleições parlamentares antecipadas na Grécia. É uma manobra para reforçar seu poder para implementar o programa de recuperação da economia.
Tsipras disse à nação e ao presidente Prokopis Pavlopoulos que não tem mais condições de ficar na chefia do governo por falta de uma maioria parlamentar estável e propôs a convocação de eleições para 20 de setembro, daqui a exatamente um mês.
A Coligação de Esquerda Radical (Syriza), partido de Tsipras, chegou ao poder nas eleições de 25 de janeiro de 2015, depois de seis anos de uma crise econômica que reduziu a produção de riqueza em 25% e deixou um quarto da população em idade de trabalhar sem emprego.
Depois de romper as negociações com os sócios da Zona do Euro e convocar um plebiscito contra o acordo, Tsipras recuou, mas 40 deputados de seu próprio partido rejeitaram o resultado das negociações com os credores. O terceiro empréstimo de emergência só foi aprovado com votos da oposição.
Pela lei grega, como Tsipras foi eleito neste ano, a oposição teria o direito de tentar formar um governo. Como a Syriza e um pequeno partido aliado tem maioria absoluta, apesar da divisão no partido do govervo, a formação de um novo governo é improvável antes das eleições e uma incógnita depois.
A Grécia devia 320 bilhões de euros. Com o novo empréstimo de 86 bilhões, a dívida pública sobe para 200% do produto interno bruto. A antecipação das eleições em momento tão difícil pode criar mais instabilidade política e prejudicar o programa de recuperação.
Tsipras disse à nação e ao presidente Prokopis Pavlopoulos que não tem mais condições de ficar na chefia do governo por falta de uma maioria parlamentar estável e propôs a convocação de eleições para 20 de setembro, daqui a exatamente um mês.
A Coligação de Esquerda Radical (Syriza), partido de Tsipras, chegou ao poder nas eleições de 25 de janeiro de 2015, depois de seis anos de uma crise econômica que reduziu a produção de riqueza em 25% e deixou um quarto da população em idade de trabalhar sem emprego.
Depois de romper as negociações com os sócios da Zona do Euro e convocar um plebiscito contra o acordo, Tsipras recuou, mas 40 deputados de seu próprio partido rejeitaram o resultado das negociações com os credores. O terceiro empréstimo de emergência só foi aprovado com votos da oposição.
Pela lei grega, como Tsipras foi eleito neste ano, a oposição teria o direito de tentar formar um governo. Como a Syriza e um pequeno partido aliado tem maioria absoluta, apesar da divisão no partido do govervo, a formação de um novo governo é improvável antes das eleições e uma incógnita depois.
A Grécia devia 320 bilhões de euros. Com o novo empréstimo de 86 bilhões, a dívida pública sobe para 200% do produto interno bruto. A antecipação das eleições em momento tão difícil pode criar mais instabilidade política e prejudicar o programa de recuperação.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Parlamento da Grécia discute proposta de acordo com credores
O projeto de lei sobre o terceiro programa de ajuda internacional, apresentado ontem, começa a ser discutido hoje no Parlamento da Grécia e deve ser votado até amanhã. Hoje sai o resultado do produto interno bruto do segundo trimestre. A expectativa é de forte contração.
Amanhã, os ministros das Finanças do Grupo do Euro voltam a debater o acordo anunciado em 11 de agosto para a Grécia receber 86 bilhões de euros ao longo de três anos. Em troca, o governo grego se comprometeu a realizar reformas que incluem 35 medidas acertadas com os parceiros da Zona do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), a mal afamada troika.
A Grécia teme que a Alemanha decida dar um empréstimo-ponte em vez de liberar logo os fundos do novo programa de ajuda, com o objetivo de impor novas exigências. E o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) enfrenta problemas internos.
Uma parte do partido não concorda com o acordo. Gostaria de romper com a Eurozona e até com a União Europeia, ao contrário do que quer a maioria dos gregos. O primeiro-ministro Alexis Tsipras depende de votos dos partidos tradicionais, Nova Democracia, de direita, e o Partido Socialista Pan-Helênico (Pasok), para aprovar os acordos internacionais.
A votação do acordo será um bom teste para a coesão do governo em Atenas.
Amanhã, os ministros das Finanças do Grupo do Euro voltam a debater o acordo anunciado em 11 de agosto para a Grécia receber 86 bilhões de euros ao longo de três anos. Em troca, o governo grego se comprometeu a realizar reformas que incluem 35 medidas acertadas com os parceiros da Zona do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), a mal afamada troika.
A Grécia teme que a Alemanha decida dar um empréstimo-ponte em vez de liberar logo os fundos do novo programa de ajuda, com o objetivo de impor novas exigências. E o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) enfrenta problemas internos.
Uma parte do partido não concorda com o acordo. Gostaria de romper com a Eurozona e até com a União Europeia, ao contrário do que quer a maioria dos gregos. O primeiro-ministro Alexis Tsipras depende de votos dos partidos tradicionais, Nova Democracia, de direita, e o Partido Socialista Pan-Helênico (Pasok), para aprovar os acordos internacionais.
A votação do acordo será um bom teste para a coesão do governo em Atenas.
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sábado, 18 de julho de 2015
Bancos de Grécia reabrem na segunda-feira com restrições
A Grécia vai autorizar a reabertura em 20 de julho de 2015 dos bancos, fechados desde 29 de junho, mas vão continuar proibidas as remessas de dinheiro para o exterior. A abertura de novas contas será restrita e os saques serão limitados a 420 euros por semana, informou a agência Reuters.
Hoje o governo grego deu posse a novos ministros, depois de sofrer demissões e defecções de deputados e ministros do partido Syriza (Coligação de Esquerda Radical) descontentes com o acordo fechado no domingo passado com os credores internacionais.
O primeiro-ministro Alexis Tsipras começa a negociar na próxima semana os termos de terceiro programa de resgate da dívida pública do país, de 86 bilhões de euros. Ontem, por 119 a 40, a Câmara Federal da Alemanha aprovou o novo plano de ajuda à Grécia.
A reabertura dos bancos só será possível porque o Banco Central Europeu ampliou há dois dias uma linha de crédito de emergência para garantir a liquidez e evitar o colapso do sistema financeiro grego.
Hoje o governo grego deu posse a novos ministros, depois de sofrer demissões e defecções de deputados e ministros do partido Syriza (Coligação de Esquerda Radical) descontentes com o acordo fechado no domingo passado com os credores internacionais.
O primeiro-ministro Alexis Tsipras começa a negociar na próxima semana os termos de terceiro programa de resgate da dívida pública do país, de 86 bilhões de euros. Ontem, por 119 a 40, a Câmara Federal da Alemanha aprovou o novo plano de ajuda à Grécia.
A reabertura dos bancos só será possível porque o Banco Central Europeu ampliou há dois dias uma linha de crédito de emergência para garantir a liquidez e evitar o colapso do sistema financeiro grego.
segunda-feira, 13 de julho de 2015
Grupo do Euro concorda em emprestar 86 bilhões de euros à Grécia
Depois de 16 horas de reunião, os ministros das Finanças do Grupo do Euro aprovaram na manhã de hoje um novo empréstimo de 86 bilhões de euros (R$ 296 bilhões) à Grécia em troca de um plano de reformas para equilibrar as contas públicas do país.
O primeiro-ministro Alexis Tsipras declarou que o risco de saída da Grécia da união monetária europeia pertenceu ao passado.
Durante as tensas negociações do fim de semana, a Alemanha chegou a propor que a Grécia deixasse o euro durante cinco anos, até renegociar a dívida pública e equilibrar as receitas e despesas do governo.
O acordo ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos vários países. Deve haver resistência na Alemanha, na Finlândia e na Holanda, que pareciam dispostos a aceitar a saída da Grécia da Zona do Euro.
A palavra decisiva de conciliação teria partido do ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk, atual presidente do Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado e de governo dos países da União Europeia.
O primeiro-ministro Alexis Tsipras declarou que o risco de saída da Grécia da união monetária europeia pertenceu ao passado.
Durante as tensas negociações do fim de semana, a Alemanha chegou a propor que a Grécia deixasse o euro durante cinco anos, até renegociar a dívida pública e equilibrar as receitas e despesas do governo.
O acordo ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos vários países. Deve haver resistência na Alemanha, na Finlândia e na Holanda, que pareciam dispostos a aceitar a saída da Grécia da Zona do Euro.
A palavra decisiva de conciliação teria partido do ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk, atual presidente do Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado e de governo dos países da União Europeia.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Grécia aceita imposições do Eurogrupo com poucas exceções
O primeiro-ministro radical da Grécia, Alexis Tsipras, apresentou ontem um plano de reformas e ajuste fiscal para fechar um terceiro acordo com os sócios do Grupo do Euro. Tanto o Parlamento da Grécia quanto os outros países da Zona do Euro devem aceitar a proposta, previu o jornal espanhol El País.
O presidente da França, François Hollande, um dos principais defensores da permanência da Grécia na união monetária europeu, elogiou a proposta, descrevendo-a como "séria e com credibilidade".
A Grécia caloteou uma dívida de 1,55 bilhão de euros junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Sob pressão interna e externa, Tsipras convocou um referendo que rejeitou, no domingo passado, a proposta anterior do Grupo do Euro, do FMI e do Banco Central Europeu (BCE). Agora, aceitou praticamente a mesma coisa.
O presidente da França, François Hollande, um dos principais defensores da permanência da Grécia na união monetária europeu, elogiou a proposta, descrevendo-a como "séria e com credibilidade".
A Grécia caloteou uma dívida de 1,55 bilhão de euros junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Sob pressão interna e externa, Tsipras convocou um referendo que rejeitou, no domingo passado, a proposta anterior do Grupo do Euro, do FMI e do Banco Central Europeu (BCE). Agora, aceitou praticamente a mesma coisa.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
Bancos da Grécia não abrem antes de segunda-feira
As agências bancárias da Grécia, fechadas há dez dias para evitar um colapso do sistema financeiro, não vão abrir até segunda-feira. Os saques em caixas automáticos estão limitados a 60 euros por conta bancária por dia. Os aposentados podem sacar até 120 euros.
O governo do primeiro-ministro esquerdista Alexis Tsipras apresentou hoje um novo pedido de ajuda de três anos aos sócios da Zona do Euro. Em troca, prometeu iniciar reformas estruturais na próxima semana. Os detalhes devem ser revelados amanhã. Um acordo precisa ser fechado até domingo.
Em discurso no Parlamento Europeu, o líder esquerdista grego reafirmou que o programa de austeridade fiscal imposto pela chamada troika, o Grupo do Euro, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE), em troca de 240 bilhões de euros em empréstimos de emergência. Ele foi eleito em janeiro de 2015 prometendo acabar com esse ajuste fiscal rigoroso.
Se não houver um acordo até domingo, o BCE pode não manter a linha de crédito de emergência para garantir a liquidez dos bancos da Grécia, que entrariam em colapso.
O governo do primeiro-ministro esquerdista Alexis Tsipras apresentou hoje um novo pedido de ajuda de três anos aos sócios da Zona do Euro. Em troca, prometeu iniciar reformas estruturais na próxima semana. Os detalhes devem ser revelados amanhã. Um acordo precisa ser fechado até domingo.
Em discurso no Parlamento Europeu, o líder esquerdista grego reafirmou que o programa de austeridade fiscal imposto pela chamada troika, o Grupo do Euro, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE), em troca de 240 bilhões de euros em empréstimos de emergência. Ele foi eleito em janeiro de 2015 prometendo acabar com esse ajuste fiscal rigoroso.
Se não houver um acordo até domingo, o BCE pode não manter a linha de crédito de emergência para garantir a liquidez dos bancos da Grécia, que entrariam em colapso.
terça-feira, 7 de julho de 2015
Maior parte dos países da Zona do Euro quer saída da Grécia
Dos 18 outros sócios da Zona do Euro, 16 são a favor da saída da Grécia da união monetária europeia, afirmou hoje o jornal grego Ekathimerini, citando fontes não identificadas ouvidas hoje em Bruxelas antes de uma reunião de emergência do Grupo do Euro.
Só a Itália e a França, que também têm problemas com déficit e dívida e resistem a fazer reformas econômicas liberais, estariam decididas a manter a Grécia na Eurozona. Além dos países ricos do Norte da Europa, os antigos países comunistas da Europa Oriental, que fizeram grandes sacrifícios para aderir ao euro, são contra novas concessões à Grecia.
Na Eslováquia, que era a metade mais pobre da antiga Tcheco-Eslováquia e herdou uma indústria pesada obsoleta do regime comunista, o salário mínimo é de 380 euros, assim como a pensão mínima paga a aposentados. Na Grécia, a menor pensão é de 580 euros e o salário mínimo de 880 euros. Os eslovacos entendem que não devem bancar a Grécia.
Ontem, o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, e seu novo ministro das Finanças, Euclid Tsakalotos, receberam o apoio de quase todos os partidos do país para a nova etapa de negociações com os credores internacionais. O governo radical de esquerda grego tenta polarizar com a Alemanha, mas está quase isolado.
A nova proposta da Grécia vai partir dos textos discutidos nos últimos encontros antes do referendo do domingo passado, quando 61,3% recusaram o plano apresentado pela chamada troika o Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).
Tsipras deve pedir mais tempo para implementar algumas medidas gradualmente. Mas o que os ministros das Finanças da Eurozona viram até agora não impressionou muito.
Se não fizer acordo com os credores, a Grécia não vai receber mais dinheiro. Sem dinheiro nos próximos dias, os bancos gregos vão quebrar e o país provavelmente terá de abandonar a união monetária. Ninguém acredita que os bancos reabram daqui a dois dias.
É necessária uma solução urgente e nenhum lado parece disposto a ceder.
Só a Itália e a França, que também têm problemas com déficit e dívida e resistem a fazer reformas econômicas liberais, estariam decididas a manter a Grécia na Eurozona. Além dos países ricos do Norte da Europa, os antigos países comunistas da Europa Oriental, que fizeram grandes sacrifícios para aderir ao euro, são contra novas concessões à Grecia.
Na Eslováquia, que era a metade mais pobre da antiga Tcheco-Eslováquia e herdou uma indústria pesada obsoleta do regime comunista, o salário mínimo é de 380 euros, assim como a pensão mínima paga a aposentados. Na Grécia, a menor pensão é de 580 euros e o salário mínimo de 880 euros. Os eslovacos entendem que não devem bancar a Grécia.
Ontem, o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, e seu novo ministro das Finanças, Euclid Tsakalotos, receberam o apoio de quase todos os partidos do país para a nova etapa de negociações com os credores internacionais. O governo radical de esquerda grego tenta polarizar com a Alemanha, mas está quase isolado.
A nova proposta da Grécia vai partir dos textos discutidos nos últimos encontros antes do referendo do domingo passado, quando 61,3% recusaram o plano apresentado pela chamada troika o Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).
Tsipras deve pedir mais tempo para implementar algumas medidas gradualmente. Mas o que os ministros das Finanças da Eurozona viram até agora não impressionou muito.
Se não fizer acordo com os credores, a Grécia não vai receber mais dinheiro. Sem dinheiro nos próximos dias, os bancos gregos vão quebrar e o país provavelmente terá de abandonar a união monetária. Ninguém acredita que os bancos reabram daqui a dois dias.
É necessária uma solução urgente e nenhum lado parece disposto a ceder.
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Ministro das Finanças da Grécia pede demissão
Um dia depois da vitória do governo no referendo em que a Grécia rejeitou a proposta dos credores internacionais, o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, nas suas próprias palavras, para "facilitar as negociações" sobre a dívida pública do país.
Em telefonema à chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, o primeiro-ministro Alexis Tsipras avisou que a Grécia apresenta uma nova proposta amanhã, numa reunião de cúpula de emergência do Grupo do Euro, mas não antecipou os detalhes.
"Se a Grécia quer ficar na Zona do Euro, o governo grego tem de fazer rapidamente uma proposta substancial que vá além do que fez até agora", declarou o vice-primeiro-ministro e ministro da Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel.
Na mesa de negociações, a situação não muda muito. O novo ministro das Finanças da Grécia, Euclid Tsakalotos, já era o principal negociador grego antes do referendo em que 61,3% disseram não à chamada troika, formada pelo Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).
Depois de fazer discurso em tom de aulas aos outros ministros das Finanças da União Europeia, Varoufakis já estava marginalizado. Com seu estilo franco e rude, acusou os líderes europeus de fazerem "terrorismo" antes da votação.
Em telefonema à chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, o primeiro-ministro Alexis Tsipras avisou que a Grécia apresenta uma nova proposta amanhã, numa reunião de cúpula de emergência do Grupo do Euro, mas não antecipou os detalhes.
"Se a Grécia quer ficar na Zona do Euro, o governo grego tem de fazer rapidamente uma proposta substancial que vá além do que fez até agora", declarou o vice-primeiro-ministro e ministro da Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel.
Na mesa de negociações, a situação não muda muito. O novo ministro das Finanças da Grécia, Euclid Tsakalotos, já era o principal negociador grego antes do referendo em que 61,3% disseram não à chamada troika, formada pelo Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).
Depois de fazer discurso em tom de aulas aos outros ministros das Finanças da União Europeia, Varoufakis já estava marginalizado. Com seu estilo franco e rude, acusou os líderes europeus de fazerem "terrorismo" antes da votação.
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domingo, 5 de julho de 2015
Alemanha e França convocam reunião de cúpula de emergência da UE
Diante da rejeição da Grécia à proposta dos credores internacionais num referendo sobre a dívida pública do país, o presidente da França, François Hollande, e a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, convocaram uma reunião de cúpula de emergência dos países do Zona do Euro para a próxima terça-feira
Por 61,3% a 38,7%, seguindo a orientação do governo da Coligação de Esquerda Radical, a maioria do eleitorado grego rejeitou o plano de ajuste fiscal imposto pelo Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).
Amanhã, Merkel vai a Paris discutir uma posição conjunta com Hollande. Até agora, o socialista Hollande defende o reinício das negociações, mas a líder conservadora alemã se mostra inflexível, recusando-se a reabrir as negociações. Se mantiver esta posição, só restará à Grécia abandonar o euro.
Confiante, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras declarou a vitória do não "não é uma ruptura com a Europa", mas um reforço a seu poder de negociação.
A situação mais crítca é dos bancos gregos, que não terão dinheiro para abrir na terça-feira se o BCE não ampliar uma linha de crédito de emergência.
Por 61,3% a 38,7%, seguindo a orientação do governo da Coligação de Esquerda Radical, a maioria do eleitorado grego rejeitou o plano de ajuste fiscal imposto pelo Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).
Amanhã, Merkel vai a Paris discutir uma posição conjunta com Hollande. Até agora, o socialista Hollande defende o reinício das negociações, mas a líder conservadora alemã se mostra inflexível, recusando-se a reabrir as negociações. Se mantiver esta posição, só restará à Grécia abandonar o euro.
Confiante, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras declarou a vitória do não "não é uma ruptura com a Europa", mas um reforço a seu poder de negociação.
A situação mais crítca é dos bancos gregos, que não terão dinheiro para abrir na terça-feira se o BCE não ampliar uma linha de crédito de emergência.
Não lidera com 60% após apuração de 11,5% dos votos na Grécia
Depois da contagem de cerca de 11,5% do total de votos, o não tem 60% contra 40% para o sim no referendo sobre a proposta feita pelos credores para manter o programa de resgate financeiro à Grécia.
O governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) defendeu o voto contra o acordo, denunciando uma "chantagem" dos sócios da União Europeia para impor mais sacrifícios ao povo grego. Sob a alegação de não ter um mandato para aplicar mais medidas de austeridade, o primeiro-ministro Alexis Tsipras convocou o referendo.
A liderança da UE advertiu que um voto não pode levar à saída da Grécia da Zona do Euro e talvez até mesmo do bloco europeu. Amanhã, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, vai a Paris discutir a crise com o presidente da França, François Hollande.
Hollande, um socialista, é a favor de uma manobra política para não excluir a Grécia. Merkel e outros líderes conservadores europeus são contra fazer mais concessões a Tsipras.
O governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) defendeu o voto contra o acordo, denunciando uma "chantagem" dos sócios da União Europeia para impor mais sacrifícios ao povo grego. Sob a alegação de não ter um mandato para aplicar mais medidas de austeridade, o primeiro-ministro Alexis Tsipras convocou o referendo.
A liderança da UE advertiu que um voto não pode levar à saída da Grécia da Zona do Euro e talvez até mesmo do bloco europeu. Amanhã, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, vai a Paris discutir a crise com o presidente da França, François Hollande.
Hollande, um socialista, é a favor de uma manobra política para não excluir a Grécia. Merkel e outros líderes conservadores europeus são contra fazer mais concessões a Tsipras.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Justiça da Grécia confirma referendo para domingo
O Conselho de Estado da Grécia rejeitou um pedido para declarar inconstitucional o referendo convocado pelo governo radical de esquerda para decidir se o país aceita as exigências dos credores para fazer um novo acordo sobre o refinanciamento da dívida pública grega. A consulta popular será realizada no domingo.
No comício de encerramento da campanha do não, na Praça Sintagma, diante do Parlamento, em Atenas, o primeiro-ministro Alexis Tsipras insistiu diante de 40 mil pessoas que não cedam diante do que chamou de "chantage" dos credores porque a Grécia não correria risco de sair da Zona do Euro. Ele vende a ideia de que, se vencer, volta à mesa de negociações fortalecido na segunda-feira.
Por outro lado, os líderes da União Europeia deixaram claro que uma vitória do não levará a Grécia a sair da Zona do Euro, com consequências desastrosas. Dentro da Grécia, os prefeitos das duas maiores cidades, Atenas e Tessalônica, lideram a campanha do sim. O comício final do sim foi no Estádio de Atenas.
Se o governo radical de esquerda perder, Tsipras será pressionado a pedir demissão. De qualquer forma, uma semana de feriado bancário, a indefinição política com qualquer resultado e a necessidade de renegociar um novo acordo ao longo de meses já causaram fortes danos adicionais à combalida economia grega.
Ontem, o FMI considerou a dívida pública, hoje em 325 bilhões de euros, impagável e previu que a Grécia precisará de mais 60 bilhões de euros nos próximos três anos.
As pesquisas de opinião indicam um resultado apertado.
No comício de encerramento da campanha do não, na Praça Sintagma, diante do Parlamento, em Atenas, o primeiro-ministro Alexis Tsipras insistiu diante de 40 mil pessoas que não cedam diante do que chamou de "chantage" dos credores porque a Grécia não correria risco de sair da Zona do Euro. Ele vende a ideia de que, se vencer, volta à mesa de negociações fortalecido na segunda-feira.
Por outro lado, os líderes da União Europeia deixaram claro que uma vitória do não levará a Grécia a sair da Zona do Euro, com consequências desastrosas. Dentro da Grécia, os prefeitos das duas maiores cidades, Atenas e Tessalônica, lideram a campanha do sim. O comício final do sim foi no Estádio de Atenas.
Se o governo radical de esquerda perder, Tsipras será pressionado a pedir demissão. De qualquer forma, uma semana de feriado bancário, a indefinição política com qualquer resultado e a necessidade de renegociar um novo acordo ao longo de meses já causaram fortes danos adicionais à combalida economia grega.
Ontem, o FMI considerou a dívida pública, hoje em 325 bilhões de euros, impagável e previu que a Grécia precisará de mais 60 bilhões de euros nos próximos três anos.
As pesquisas de opinião indicam um resultado apertado.
FMI: Grécia precisa de mais 60 bilhões de euros
Com o agravamento da crise por indefinição política, a economia da Grécia vai ficar estagnada em 2015 e o país vai precisar de novos empréstmos de 60 bilhões de euros para pagar suas contas nos próximos três anos, previu ontem o Fundo Monetário Internacional (FMI), que defende ainda uma redução da dívida pelos credores, hoje na maior parte bancos estatais e organizações internacionais.
Na Praça Sintagma, diante do Parlamento, em Atenas, uma multidão se concentra para participar de um comício da campanha do não a um acordo com a União Europeia (UE), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) no referendo convocado pelo governo grego para domingo, 5 de julho.
Uma vitória do não deve levar à saída da Grécia da união monetária europeia, embora o primeiro-ministro esquerdista Alexis Tsipras alegue que lhe dará mais força para voltar à mesa de negociação. Mas a Europa, sob a liderança da chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, vetou qualquer negociação antes do resultado. Aposta na queda do governo grego.
Ontem, o ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, declarou que vai renunciar se prevalecer o sim à proposta dos credores, argumentando que não vai aplicar um programa econômico em que não acredita.
O governo grego afirma que não será excluído porque não existe um mecanismo previsto para a saída de países da Zona do Euro. Aparentemente, Varoufakis, especialista em Teoria dos Jogos, apostou no blefe e na ameaça de ruptura para barganhar concessões.
Na Praça Sintagma, diante do Parlamento, em Atenas, uma multidão se concentra para participar de um comício da campanha do não a um acordo com a União Europeia (UE), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) no referendo convocado pelo governo grego para domingo, 5 de julho.
Uma vitória do não deve levar à saída da Grécia da união monetária europeia, embora o primeiro-ministro esquerdista Alexis Tsipras alegue que lhe dará mais força para voltar à mesa de negociação. Mas a Europa, sob a liderança da chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, vetou qualquer negociação antes do resultado. Aposta na queda do governo grego.
Ontem, o ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, declarou que vai renunciar se prevalecer o sim à proposta dos credores, argumentando que não vai aplicar um programa econômico em que não acredita.
O governo grego afirma que não será excluído porque não existe um mecanismo previsto para a saída de países da Zona do Euro. Aparentemente, Varoufakis, especialista em Teoria dos Jogos, apostou no blefe e na ameaça de ruptura para barganhar concessões.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Tsipras promete ceder aos credores mas pede não a eleitores
Horas depois de enviar uma carta aos credores fazendo concessões e pedindo a liberação de 29,1 bilhões de euros nos próximos meses, o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, voltou à televisão para pedir ao eleitorado que vote contra o acordo para fortalecer sua posição nas negociações.
A chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, e os ministros das Finanças do Grupo do Euro deixaram claro que não haverá negociações antes do referendo convocado por Tsipras para domingo, 5 de julho de 2015.
Em seu estilo agressivo de líder da Coligação de Esquerda Radical (Syriza), Tsipras denunciou na TV uma "chantagem" contra o eleitorado grego, pressionado a votar sim pelos líderes da União Europeia, de parte de "forças conservadoras extremistas" que teriam forçado o fechamento dos bancos "porque o governo decidiu dar a palavra ao povo".
Para evitar um colapso financeiro, os bancos da Grécia e a Bolsa de Valores de Atenas estão fechados até 7 de julho, depois do resultado do referendo. Os saques estão limitados a 60 euros por dia. Hoje o Banco Central Europeu decidiu manter congelada em 89 bilhões de euros a linha de crédito de emergência para os bancos gregos enfrentarem a corrida bancária. Em algum momento, o dinheiro vai acabar.
"As sereias da destruição estão chantageando vocês a dizerem sim a tudo sem qualquer prospecto de sair da crise", argumentou o primeiro-ministro grego, numa referência ao poema épico Odisseia, de Homero. Só conseguiu enfurecer ainda mais os sócios da Zona do Euro, que rejeitaram todas as propostas da Grécia para resolver a crise de sua dívida pública.
Ao não pagar ontem uma parcela de 1,55 bilhão de euros, a Grécia se tornou o primeiro país desenvolvido a dar calote no Fundo Monetário Internacional, criado depois da Segunda Guerra Mundial para evitar que países em crise não pagassem suas dívidas e reduzissem o comércio internacional.
Tsipras se elegeu em janeiro de 2015 depois de seis anos de crise, sob uma depressão econômica de 25% do produto interno bruto, com 27% de desemprego, prometendo acabar com o rigoroso plano de ajuste fiscal imposto pelos sócios europeus. A ruptura com a Europa será muito pior.
A chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, e os ministros das Finanças do Grupo do Euro deixaram claro que não haverá negociações antes do referendo convocado por Tsipras para domingo, 5 de julho de 2015.
Em seu estilo agressivo de líder da Coligação de Esquerda Radical (Syriza), Tsipras denunciou na TV uma "chantagem" contra o eleitorado grego, pressionado a votar sim pelos líderes da União Europeia, de parte de "forças conservadoras extremistas" que teriam forçado o fechamento dos bancos "porque o governo decidiu dar a palavra ao povo".
Para evitar um colapso financeiro, os bancos da Grécia e a Bolsa de Valores de Atenas estão fechados até 7 de julho, depois do resultado do referendo. Os saques estão limitados a 60 euros por dia. Hoje o Banco Central Europeu decidiu manter congelada em 89 bilhões de euros a linha de crédito de emergência para os bancos gregos enfrentarem a corrida bancária. Em algum momento, o dinheiro vai acabar.
"As sereias da destruição estão chantageando vocês a dizerem sim a tudo sem qualquer prospecto de sair da crise", argumentou o primeiro-ministro grego, numa referência ao poema épico Odisseia, de Homero. Só conseguiu enfurecer ainda mais os sócios da Zona do Euro, que rejeitaram todas as propostas da Grécia para resolver a crise de sua dívida pública.
Ao não pagar ontem uma parcela de 1,55 bilhão de euros, a Grécia se tornou o primeiro país desenvolvido a dar calote no Fundo Monetário Internacional, criado depois da Segunda Guerra Mundial para evitar que países em crise não pagassem suas dívidas e reduzissem o comércio internacional.
Tsipras se elegeu em janeiro de 2015 depois de seis anos de crise, sob uma depressão econômica de 25% do produto interno bruto, com 27% de desemprego, prometendo acabar com o rigoroso plano de ajuste fiscal imposto pelos sócios europeus. A ruptura com a Europa será muito pior.
terça-feira, 30 de junho de 2015
Grécia é primeiro país desenvolvido a calotear o FMI
Ao não pagar uma dívida de 1,55 bilhão de euros com vencimento hoje, a Grécia se tornou o primeiro país desenvolvido a dar calote no Fundo Monetário Internacional (FMI), criado depois da Segunda Guerra Mundial para socorrer países com problemas financeiros, evitando que deixassem de pagar suas dívidas e reduzissem o comércio internacional.
Horas antes, os ministros das Finanças da Zona do Euro rejeitaram um último apelo da Grécia por uma prorrogação do atual programa de ajuda financeira ao país.
Com seu blefe, o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) rebaixa a Grécia ao nível da Somália, do Sudão e do Zimbábue, países que não honraram suas dívidas com o FMI.
Depois de várias tentativas frustradas de chegar a um acordo com o Grupo do Euro, o FMI e o Banco Central Europeu, o primeiro-ministro Alexis Tsipras alegou não ter mandato para impor mais cortes de gastos públicos e sacrifícios ao povo grego. Preferiu convocar um referendo sobre o acordo com os credores para 5 de julho de 2015.
Enquanto a Syriza defende o não no referendo, os partidos tradicionais, Socialista e Nova Democracia, pedem ao eleitorado que diga sim para continuar usando o euro como moeda. O governo alega que o não lhe dará mais forças para voltar à mesa de negociações.
Mas as autoridades europeias já deixaram claro que não pretendem renegociar os termos do acordo e Tsipras afirma que não vai aplicar um plano de austeridade. Depois do referendo, a Grécia terá pela frente o colapso financeiro ou a perspectiva de eleições num cenário de terra arrasada.
Horas antes, os ministros das Finanças da Zona do Euro rejeitaram um último apelo da Grécia por uma prorrogação do atual programa de ajuda financeira ao país.
Com seu blefe, o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) rebaixa a Grécia ao nível da Somália, do Sudão e do Zimbábue, países que não honraram suas dívidas com o FMI.
Depois de várias tentativas frustradas de chegar a um acordo com o Grupo do Euro, o FMI e o Banco Central Europeu, o primeiro-ministro Alexis Tsipras alegou não ter mandato para impor mais cortes de gastos públicos e sacrifícios ao povo grego. Preferiu convocar um referendo sobre o acordo com os credores para 5 de julho de 2015.
Enquanto a Syriza defende o não no referendo, os partidos tradicionais, Socialista e Nova Democracia, pedem ao eleitorado que diga sim para continuar usando o euro como moeda. O governo alega que o não lhe dará mais forças para voltar à mesa de negociações.
Mas as autoridades europeias já deixaram claro que não pretendem renegociar os termos do acordo e Tsipras afirma que não vai aplicar um plano de austeridade. Depois do referendo, a Grécia terá pela frente o colapso financeiro ou a perspectiva de eleições num cenário de terra arrasada.
sábado, 27 de junho de 2015
Parlamento da Grécia aprova referendo sobre negociação da dívida
Por 178 a 120 com duas abstenções, o Parlamento da Grécia aprovou hoje a convocação de uma consulta popular em 5 de julho de 2015 para decidir se o país deve aceitar as imposições dos credores internacionais e manter o rigoroso programa de ajuste fiscal que levou a uma queda de 25% no produto interno bruto nos últimos seis anos. O governo radical de esquerda vai defender o voto não.
Durante 14 horas de um debate inflamado, os deputados da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) argumentaram que a rejeição do acordo não significa que a Grécia terá de sair da Zona do Euro e da União Europeia. O primeiro-ministro Alexis Tsipras disse esperar o fortalecimento de sua posição negociadora com o referendo.
A Syriza foi eleita nas eleições de 25 de janeiro de 2015 prometendo acabar com o programa de austeridade fiscal imposto pela chamada troika formada pela Eurozona, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), em troca de empréstimos de 240 bilhões de euros.
Horas antes, em Bruxelas, os ministros das Finanças do Grupo do Euro rejeitaram um pedido da Grécia para estender o atual programa de resgate por mais um mês e excluíram a Grécia da segunda parte da reunião, em que discutiram a possibilidade de saída do país da união monetária europeia.
O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, alegou hoje não ter um mandato para assinar um acordo com novos cortes de gastos públicos. Daí a necessidade de convocar um referendo.
A Grécia depende da liberação de uma parcela de 7,2 bilhões de euros para pagar 1,6 bilhão de euros ao FMI em 30 de junho, além dos salários, aposentadorias e pensões de seus cidadãos. Como o referendo foi marcado para depois desta data, a Grécia já estará em calote.
No fim da reunião ministerial em Bruxelas, o ministro das Finanças da França, Michel Sapin, criticou o referendo, mas insistiu em que seu país quer manter a Grécia na Eurozona, mantendo a esperança de um acordo de última hora.
Durante 14 horas de um debate inflamado, os deputados da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) argumentaram que a rejeição do acordo não significa que a Grécia terá de sair da Zona do Euro e da União Europeia. O primeiro-ministro Alexis Tsipras disse esperar o fortalecimento de sua posição negociadora com o referendo.
A Syriza foi eleita nas eleições de 25 de janeiro de 2015 prometendo acabar com o programa de austeridade fiscal imposto pela chamada troika formada pela Eurozona, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), em troca de empréstimos de 240 bilhões de euros.
Horas antes, em Bruxelas, os ministros das Finanças do Grupo do Euro rejeitaram um pedido da Grécia para estender o atual programa de resgate por mais um mês e excluíram a Grécia da segunda parte da reunião, em que discutiram a possibilidade de saída do país da união monetária europeia.
O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, alegou hoje não ter um mandato para assinar um acordo com novos cortes de gastos públicos. Daí a necessidade de convocar um referendo.
A Grécia depende da liberação de uma parcela de 7,2 bilhões de euros para pagar 1,6 bilhão de euros ao FMI em 30 de junho, além dos salários, aposentadorias e pensões de seus cidadãos. Como o referendo foi marcado para depois desta data, a Grécia já estará em calote.
No fim da reunião ministerial em Bruxelas, o ministro das Finanças da França, Michel Sapin, criticou o referendo, mas insistiu em que seu país quer manter a Grécia na Eurozona, mantendo a esperança de um acordo de última hora.
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Grécia convoca referendo sobre o acordo da dívida
Em pronunciamento ontem à noite na televisão, o primeiro-ministro Alexis Tsipras convocou um referendo para 5 de julho de 2015, quando os gregos terão de decidir se querem se submeter a sacrifícios ainda maiores para a Grécia continuar recebendo ajuda financeira dos outros países da Zona do Euro e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Sob pressão da ala mais à esquerda da Coligação de Esquerda Radical (Syriza), que o levou ao poder em 25 de janeiro com a promessa de combater as políticas de austeridade fiscal impostas pelos sócios da União Europeia, Tsipras chegou ao limite. Seu mandato é para se opor a novos cortes de gastos, inclusive redução de aposentadorias, pensões e outros benefícios da Previdência Social.
Nas pesquisas, 69% manifestam a intenção de permanecer na Eurozona e na UE. Deixar a união monetária europeia levaria ao colapso da economia e a mais anos e anos de sofrimento para um país onde o produto interno bruto caiu 25% nos últimos seis anos.
A Grécia deve pagar 1,6 milhão de euros em 30 de junho ao FMI. Para isso, precisaria receber uma parcela de 7,2 bilhões de euros de um total de 240 bilhões de euros em empréstimos que recebeu desde 2009. Sem acordo com os credores, não vai levar. Cabe aos gregos decidir nas urnas.
Sob pressão da ala mais à esquerda da Coligação de Esquerda Radical (Syriza), que o levou ao poder em 25 de janeiro com a promessa de combater as políticas de austeridade fiscal impostas pelos sócios da União Europeia, Tsipras chegou ao limite. Seu mandato é para se opor a novos cortes de gastos, inclusive redução de aposentadorias, pensões e outros benefícios da Previdência Social.
Nas pesquisas, 69% manifestam a intenção de permanecer na Eurozona e na UE. Deixar a união monetária europeia levaria ao colapso da economia e a mais anos e anos de sofrimento para um país onde o produto interno bruto caiu 25% nos últimos seis anos.
A Grécia deve pagar 1,6 milhão de euros em 30 de junho ao FMI. Para isso, precisaria receber uma parcela de 7,2 bilhões de euros de um total de 240 bilhões de euros em empréstimos que recebeu desde 2009. Sem acordo com os credores, não vai levar. Cabe aos gregos decidir nas urnas.
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