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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Ministro das Finanças da Grécia pede demissão

Um dia depois da vitória do governo no referendo em que a Grécia rejeitou a proposta dos credores internacionais, o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, nas suas próprias palavras, para "facilitar as negociações" sobre a dívida pública do país.

Em telefonema à chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, o primeiro-ministro Alexis Tsipras avisou que a Grécia apresenta uma nova proposta amanhã, numa reunião de cúpula de emergência do Grupo do Euro, mas não antecipou os detalhes.

"Se a Grécia quer ficar na Zona do Euro, o governo grego tem de fazer rapidamente uma proposta substancial que vá além do que fez até agora", declarou o vice-primeiro-ministro e ministro da Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel.

Na mesa de negociações, a situação não muda muito. O novo ministro das Finanças da Grécia, Euclid Tsakalotos, já era o principal negociador grego antes do referendo em que 61,3% disseram não à chamada troika, formada pelo Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).

Depois de fazer discurso em tom de aulas aos outros ministros das Finanças da União Europeia, Varoufakis já estava marginalizado. Com seu estilo franco e rude, acusou os líderes europeus de fazerem "terrorismo" antes da votação.

sábado, 27 de junho de 2015

Parlamento da Grécia aprova referendo sobre negociação da dívida

Por 178 a 120 com duas abstenções, o Parlamento da Grécia aprovou hoje a convocação de uma consulta popular em 5 de julho de 2015 para decidir se o país deve aceitar as imposições dos credores internacionais e manter o rigoroso programa de ajuste fiscal que levou a uma queda de 25% no produto interno bruto nos últimos seis anos. O governo radical de esquerda vai defender o voto não.

Durante 14 horas de um debate inflamado, os deputados da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) argumentaram que a rejeição do acordo não significa que a Grécia terá de sair da Zona do Euro e da União Europeia. O primeiro-ministro Alexis Tsipras disse esperar o fortalecimento de sua posição negociadora com o referendo.

A Syriza foi eleita nas eleições de 25 de janeiro de 2015 prometendo acabar com o programa de austeridade fiscal imposto pela chamada troika formada pela Eurozona, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), em troca de empréstimos de 240 bilhões de euros.

Horas antes, em Bruxelas, os ministros das Finanças do Grupo do Euro rejeitaram um pedido da Grécia para estender o atual programa de resgate por mais um mês e excluíram a Grécia da segunda parte da reunião, em que discutiram a possibilidade de saída do país da união monetária europeia.

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, alegou hoje não ter um mandato para assinar um acordo com novos cortes de gastos públicos. Daí a necessidade de convocar um referendo.

A Grécia depende da liberação de uma parcela de 7,2 bilhões de euros para pagar 1,6 bilhão de euros ao FMI em 30 de junho, além dos salários, aposentadorias e pensões de seus cidadãos. Como o referendo foi marcado para depois desta data, a Grécia já estará em calote.

No fim da reunião ministerial em Bruxelas, o ministro das Finanças da França, Michel Sapin, criticou o referendo, mas insistiu em que seu país quer manter a Grécia na Eurozona, mantendo a esperança de um acordo de última hora.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Grécia e credores prorrogam negociações até sábado

Mais uma vez, não houve acordo entre os ministros das Finanças da Zona do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Central Europeu (BCE) e o governo radical de esquerda da Grécia para que o país receba uma parcela de 7,2 bilhões de euros e possa pagar 1,6 bilhão de euros ao FMI no dia 30 de junho de 2015. A última chance de evitar o calote será uma nova reunião de emergência dos ministros das Finanças da Eurozona marcada para sábado, 27 de junho de 2015.

As negociações entraram em colapso pela quarta vez em uma semana no fim da manhã de hoje, quando a nova proposta apresentada pelo ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, foi considerada insuficiente pela troika. O plano foi considerado praticamente igual ao anterior, sem cortar mais gastos.

Diante do fracasso, a União Europeia já prepara um plano alternativo para evitar o contágio de um calote e de uma saída da Grécia da Eurozona. Como está, a proposta grega é considerava inaceitável. O Plano B prevê controle de capitais e até mesmo ajuda humanitária.

Na análise mais pessimista, um calote da Grécia seguido de uma saída da união monetária e talvez até mesmo da UE seria muito pior do que o colapso da economia da Argentina com o fim da dolarização da era Carlos Menem (1989-99), em 2001 e 2002, quando 58% dos argentinos caíram abaixo da linha de pobreza.

A Grécia entrou em crise em 2009. Sob o impacto da crise internacional iniciada em 2008 nos Estados Unidos, com o recuo dos investidores, que refizeram seus cálculos, o país não conseguiu mais rolar sua dívida pública. Desde então, a Grécia recebeu empréstimos de 240 bilhões de euros e teve parte da dívida perdoada, mas o total está hoje em 320 bilhões de euros.

Ao mesmo tempo, o país foi submetido a um rigoroso programa de ajuste das contas públicas imposto pela UE, o FMI e o BCE que resultou numa queda de 25% no produto interno bruto e desemprego de 27% para a população em geral e de 58% entre os jovens.

Essa situação social insuportável acabou com o apoio aos partidos tradicionais e levou a Coligação de Esquerda Radical (Syriza) ao poder nas eleições de 25 de janeiro de 2015. O primeiro-ministro Alexis Tsipras insiste em que a Grécia não vai sair da Eurozona, mas está esticando a corda perigosamente até o último minuto.

Os credores exigem, por exemplo, um corte ainda maior nas pensões e aposentadorias, o que é extremamente impopular. Nas ruas de Atenas, manifestantes mobilizados pela esquerda pressionam o governo para que não ceda. Os deputados mais à esquerda da Syriza acusam Tsipras de já ter feito concessões demais.

Mas a alternativa é muito pior para todos, especialmente para os gregos. Eles enfrentariam uma crise sem precedentes numa economia moderna. O euro e o projeto de integração da Europa, o sonho de um continente pacífico, unido e próspero alimentado desde o fim da Segunda Guerra Mundial, também seriam abalados.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

UE prorroga programa de apoio à Grécia por quatro meses

A Grupo do Euro da União Europeia está anunciando neste momento em Bruxelas, na Bélgica, uma extensão de quatro meses no programa de ajuda financeira o governo esquerdista da Grécia, que terá de apresentar na segunda-feira um novo plano de recuperação econômica do país.

Os detalhes ainda estão sendo negociados, acrescentou o porta-voz europeu.

"Fomos racionais", declarou o comissário europeu para economia, Pierre Moscovici, ex-ministro da Economia da França. "Estou certo de que chegaremos a um resultado positivo."

Em 2009, na onda da Grande Recessão (2008-9), a Grécia começou a ter dificuldades para honrar sua dívida pública. Para dar dois empréstimos de emergência no valor total de 240 bilhões de euros, a UE, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) impuseram um programa rígido de cortes de gastos públicos e aumentos de impostos.

Seis anos depois, a economia grega encolheu 25%. O desemprego chegou a 26% e a 55% entre os jovens, provocando uma revolta popular contra a chamada troika que culminou com a eleição, no mês passado, de um governo liderado pela Coligação de Esquerda Radical (Syriza).

O novo ministro das Finanças gregos, Yanis Varoufakis, se negou a manter o programa acertado por governos anteriores sob a alegação de que o país não cresce e a relação entre a dívida e o produto interno bruto se agravou, passando de 120% para 175% do PIB.

A Alemanha rejeitou a proposta inicial de renegociação da Grécia. Com o apoio da Holanda, Finlândia, Áustria e até mesmo dos governos da Espanha e de Portugal, que impuseram o remédio amargo a seus povos, o governo alemão conseguiu isolar a Grécia.

No último momento, a UE concordou em revisar o programa, na expectativa de que o novo governo grego apresente um plano capaz de sanear as finanças do país. Só assim voltará a receber ajuda. O próximo prazo fatal é na segunda-feira.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Tsipras: Grécia quer pagar mas não tem como

Em seu discurso de posse hoje como chefe de governo no Parlamento da Grécia, o primeiro-ministro Alexis Tsipras, da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) reafirmou que o país quer pagar sua dívida pública, mas não nas condições negociadas pelos governos anteriores com a União Europeia (UE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a chamada troika.

Ao eleitorado mais pobre, duramente atingido pela depressão econômica que encolheu a economia grega em 25% nos últimos seis anos, deixando um quarto da população ativa e a metade dos jovens sem emprego, Tsipras prometeu casa, comida, energia e saúde, noticia o jornal espanhol El País. Sua proposta é aumentar progressivamente o salário mínimo, reduzido, assim como as aposentadorias e pensões, pelos acordos com a troika.

Nos últimos seis anos, a dívida grega pulou de 120% para 175% do produto interno bruto, diminuído pela depressão. A maioria do dinheiro recebido nos empréstimos de emergência de 240 bilhões foi usada para pagar a dívida e não para investir na recuperação econômica do país.

Cerca de 72% dos gregos apoiam a postura afirmativa de Tsipras diante das sócios europeus, especialmente da Alemanha, que tem a chave do cofre, indica uma pesquisa divulgada no último sábado. Mas a Grécia precisa de dinheiro. Caso contrário, o governo vai frustrar seu eleitorado mais uma vez.

Diante da exigência do ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, de que a Grécia cumpra os acordos assumidos, seu colega grego, Yanis Varoufakis, declarou na sexta-feira passada em Frankfurt que seu país precisa de um empréstimo-ponte de três meses para apresentar, em maio de 2015, uma nova proposta de renegociação da dívida.

A Alemanha, por princípio, é contra a renegociação porque abriria um precedente para outros países em dificuldades para honrar suas dívidas e desestimularia as reformas que Berlim e Frankfurt consideram essenciais para a estabilidade financeira da Zona do Euro, inclusive em grandes economia como a França e a Itália.

Por outro lado, a saída da Grécia da união monetária também abriria um precedente perigoso, enfraquecendo a moeda única. Hoje o ex-presidente do banco central dos Estados Unidos Alan Greenspan, que já foi considerado um oráculo para o mercado, mas ficou um tanto desmoralizado pelo colapso do sistema financeiro americano em setembro de 2008, previu que a Grécia vai abandonar o euro.

O mais provável é um acordo provisório. A Grécia pode levar seu empréstimo-ponte, mas terá de reciclar suas ambições a médio prazo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Alemanha endurece renegociação com a Grécia

O Banco Central Europeu (BCE) parou hoje de aceitar títulos da dívida pública grega como garantia de empréstimos, e os ministros das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, e da Grécia, Yanis Varoufakis, não chegaram a um acordo em Berlim para renegociá-la.

"Temos de respeitar os eleitores gregos, mas temos de respeitar também os eleitores dos outros países europeus", argumentou o ministro alemão.

Em consequência, a Bolsa de Atenas caiu 9% por temor de que o novo governo esquerdista grego não chegue a um acordo com os outros países-membros da União Europeia e seja obrigado a deixar a Zona do Euro.

Os bancos gregos ainda podem pedir socorro ao Banco Central da Grécia e ter acesso ao fundo de liquidez de emergência criado pela UE depois da crise das dívidas públicas dos países da periferia da Eurozona, mas o BCE, que revisa a situação a cada duas semanas, pode cortar o financiamento.

Apesar da ajuda de 240 bilhões euros concedida em dois pacotes pelo UE, o BCE e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a chamada troika, de que a Grécia quer se livrar, a dívida pública grega subiu de 120% do produto interno bruto em 2009 para 175% hoje, em parte porque o PIB caiu 25% nos últimos seis anos.

Desde a vitória da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) nas eleições parlamentares da Grécia, o novo ministro das Finanças propôs a troca dos títulos da dívida grega por bônus de prazo mais longos atrelados ao crescimento econômico do país. Quanto mais crescer, mais paga.

A Alemanha não quer abrir um precedente que considera perigoso, ceder diante de governos radicais. Na prática, tem duas alternativas: deixar os países saírem da Eurozona ou renegociar as dívidas.

No final do encontro, Schäuble declarou: "Concordamos em discordar", admitindo que as propostas da Syriza vão contra a orientação dada pela Alemanha desde o início da crise. Varoufakis afirmou que  "não concordamos em nada" e pediu um prazo de três meses para discutir um plano de longo prazo para recuperar a Grécia.