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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Ministro liberal deixa governo socialista de olho na Presidência da França

Sob a alegação de se "dedicar inteiramente" a seu movimento político Em Marcha, o ministro da Economia, Emmanuel Macron, pediu demissão hoje ao presidente François Hollande de olho numa candidatura à Presidência da França em 2017. Será substituído por Michel Sapin, que vai acumular o cargo com o de ministro das Finanças.

Desde que lançou o movimento a favor da liberalização da economia, Macron era visto com suspeita, sobretudo pela ala mais à esquerda do Partido Socialista. Ele é considerado a "direita da esquerda", mas tem problemas para conseguir apoio eleitoral à esquerda.

Com aprovação popular de apenas 12%, o presidente Hollande é candidato à reeleição, mas corre sério risco de não chegar ao segundo turno, como aconteceu com o PS em 2002, por causa do avanço da Frente Nacional, de extrema direita, e da maior popularidade do partido de centro-direita Os Republicanos.

Nas pesquisas de opinião, Macron era o terceiro ministro mais popular do governo, depois dos ministros da Defesa, Jean-Yves Le Drian, e do Interior, Bernard Cazeneuve.

A Lei Macron ou Lei do Crescimento, da Atividade e da Igualdade de Oportunidades causou grande divisão interna no PS e foi aprovada por decreto no ano passado, sem votação na Assembleia Nacional. Entre outras medidas, ela facilitou o trabalho noturno e aos domingos, acabou com o monopólio da rede ferroviária estatal e autorizou privatizações parciais no valor de 10 bilhões de euros.

Um dos políticos mais populares da França, Macron dificilmente obteria a candidatura socialista. Se o presidente Hollande desistir por causa da impopularidade, o candidato natural será o primeiro-ministro Manuel Valls. Há uma eleição prévia talhada sob medida para validar a candidatura Hollande.

sábado, 27 de junho de 2015

Parlamento da Grécia aprova referendo sobre negociação da dívida

Por 178 a 120 com duas abstenções, o Parlamento da Grécia aprovou hoje a convocação de uma consulta popular em 5 de julho de 2015 para decidir se o país deve aceitar as imposições dos credores internacionais e manter o rigoroso programa de ajuste fiscal que levou a uma queda de 25% no produto interno bruto nos últimos seis anos. O governo radical de esquerda vai defender o voto não.

Durante 14 horas de um debate inflamado, os deputados da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) argumentaram que a rejeição do acordo não significa que a Grécia terá de sair da Zona do Euro e da União Europeia. O primeiro-ministro Alexis Tsipras disse esperar o fortalecimento de sua posição negociadora com o referendo.

A Syriza foi eleita nas eleições de 25 de janeiro de 2015 prometendo acabar com o programa de austeridade fiscal imposto pela chamada troika formada pela Eurozona, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), em troca de empréstimos de 240 bilhões de euros.

Horas antes, em Bruxelas, os ministros das Finanças do Grupo do Euro rejeitaram um pedido da Grécia para estender o atual programa de resgate por mais um mês e excluíram a Grécia da segunda parte da reunião, em que discutiram a possibilidade de saída do país da união monetária europeia.

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, alegou hoje não ter um mandato para assinar um acordo com novos cortes de gastos públicos. Daí a necessidade de convocar um referendo.

A Grécia depende da liberação de uma parcela de 7,2 bilhões de euros para pagar 1,6 bilhão de euros ao FMI em 30 de junho, além dos salários, aposentadorias e pensões de seus cidadãos. Como o referendo foi marcado para depois desta data, a Grécia já estará em calote.

No fim da reunião ministerial em Bruxelas, o ministro das Finanças da França, Michel Sapin, criticou o referendo, mas insistiu em que seu país quer manter a Grécia na Eurozona, mantendo a esperança de um acordo de última hora.