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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Ministros das Finanças da Eurozona aprovam ajuda à Grécia

Os ministros das Finanças dos países da União Europeia que adotam o euro como moeda comum aprovaram hoje em Bruxelas o terceiro programa de ajuda à Grécia, no valor de 86 bilhões de euros (US$ 95,8 bilhões ou R$ 333 bilhões), com um desembolso inicial de 26 bilhões de euros (R$ 100,6 bilhões). 

Com o acordo, a Grécia fica na Zona do Euro, mas ainda enfrenta enormes obstáculos para voltar a crescer e reduzir o desemprego que atinge um quarto da população em idade de trabalhar.

Em troca, terá de fazer uma profunda reforma do Estado, com mais cortes de gastos e aumentos impostos. O acordo divide o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza), um partido de esquerda eleito em 25 de janeiro de 2015, no auge da crise.

Na madrugada de hoje, quando o Parlamento aprovou o acordo, 40 deputados da Syriza votaram contra, inclusive o ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis. O primeiro-ministro Alexis Tsipras precisou de votos da oposição. É grande a chance de realização de novas eleições ainda neste ano.

A Grécia cresceu 0,8% no segundo trimestre, escapando de uma recessão, depois de perder cerca de 25% do produto interno bruto desde o início da crise da dívida pública, em 2009. Apesar da redução de parte da dívida, o total está hoje em 320 bilhões de euros e deve chegar a 200% do PIB.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está exigindo nova redução do montante total da dívida grega para participar deste terceiro programa. Os governos da Eurozona, que detêm hoje mais de 80% da dívida grega, relutam em aceitar um novo corte da dívida, especialmente Alemanha, Finlândia, Holanda e países da Europa Oriental.

terça-feira, 14 de julho de 2015

FMI adverte que ajuda à Grécia pode ser insuficiente

O Fundo Monetário Internacional (FMI) suscitou hoje dúvidas sobre a capacidade da Grécia de cumprir os compromissos assumidos e advertiu os países da Zona do Euro a iniciar um processo de reestruturação da dívida para garantir que o programa iria funcionar.

Nos últimos dias, o FMI alertou várias vezes que a Grécia precisa de uma redução da dívida, além do acordo de 86 bilhões de euros (R$ 297 bilhões).

A economia grega, deprimida com uma queda de 25% no produto interno bruto nos últimos seis anos, ficou ainda mais fragilizada pela imposição de controle de capitais e o fechamento dos bancos.

Com medo da desvalorização de suas poupanças, os gregos correram às compras de produtos de longa duração, desequilibrando ainda mais a economia do país.

Além da redução da dívida, uma reestruturação poderia alongar os prazos de pagamento da dívida pública da Grécia, mas seus 18 sócios do Grupo do Euro só admitem uma renegociação se o país fizer as reformas, cortar gastos e aumentar impostos para equilibrar as contas do governo.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Grupo do Euro concorda em emprestar 86 bilhões de euros à Grécia

Depois de 16 horas de reunião, os ministros das Finanças do Grupo do Euro aprovaram na manhã de hoje um novo empréstimo de 86 bilhões de euros (R$ 296 bilhões) à Grécia em troca de um plano de reformas para equilibrar as contas públicas do país. 

O primeiro-ministro Alexis Tsipras declarou que o risco de saída da Grécia da união monetária europeia pertenceu ao passado.

Durante as tensas negociações do fim de semana, a Alemanha chegou a propor que a Grécia deixasse o euro durante cinco anos, até renegociar a dívida pública e equilibrar as receitas e despesas do governo.

O acordo ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos vários países. Deve haver resistência na Alemanha, na Finlândia e na Holanda, que pareciam dispostos a aceitar a saída da Grécia da Zona do Euro.

A palavra decisiva de conciliação teria partido do ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk, atual presidente do Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado e de governo dos países da União Europeia.

sábado, 11 de julho de 2015

Grupo do Euro exige mais cortes da Grécia

Os ministros das Finanças dos países da Zona do Euro resistiram hoje diante do plano de ajuste das contas públicas aprovado ontem pelo Parlamento da Grécia, exigindo cortes orçamentários ainda maiores do governo radical de esquerda, noticiou a agência Reuters.

A Grécia foi ameaçada de ser excluída durante cinco anos da Eurozona pelo ministro das Finanças linha-dura da Alemanha, Wolfgang Schäuble, contrário a fazer qualquer concessão aos gregos. Neste período, a Grécia renegociaria a dívida e equilibraria as contas públicas antes de ser readmitida.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou positivamente a nova proposta grega, que não é muito diferente da rejeitada no plebiscito de 5 de julho de 2015, e avaliou que o país precisa de 74 bilhões de euros em novos empréstimos.

A França também se declarou a favor da proposta, que necessita de uma aprovação final em reunião de cúpula da União Europeia marcada para este domingo.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Grécia aceita imposições do Eurogrupo com poucas exceções

O primeiro-ministro radical da Grécia, Alexis Tsipras, apresentou ontem um plano de reformas e ajuste fiscal para fechar um terceiro acordo com os sócios do Grupo do Euro. Tanto o Parlamento da Grécia quanto os outros países da Zona do Euro devem aceitar a proposta, previu o jornal espanhol El País.

O presidente da França, François Hollande, um dos principais defensores da permanência da Grécia na união monetária europeu, elogiou a proposta, descrevendo-a como "séria e com credibilidade".

A Grécia caloteou uma dívida de 1,55 bilhão de euros junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Sob pressão interna e externa, Tsipras convocou um referendo que rejeitou, no domingo passado, a proposta anterior do Grupo do Euro, do FMI e do Banco Central Europeu (BCE). Agora, aceitou praticamente a mesma coisa.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Bancos da Grécia não abrem antes de segunda-feira

As agências bancárias da Grécia, fechadas há dez dias para evitar um colapso do sistema financeiro, não vão abrir até segunda-feira. Os saques em caixas automáticos estão limitados a 60 euros por conta bancária por dia. Os aposentados podem sacar até 120 euros.

O governo do primeiro-ministro esquerdista Alexis Tsipras apresentou hoje um novo pedido de ajuda de três anos aos sócios da Zona do Euro. Em troca, prometeu iniciar reformas estruturais na próxima semana. Os detalhes devem ser revelados amanhã. Um acordo precisa ser fechado até domingo.

Em discurso no Parlamento Europeu, o líder esquerdista grego reafirmou que o programa de austeridade fiscal imposto pela chamada troika, o Grupo do Euro, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE), em troca de 240 bilhões de euros em empréstimos de emergência. Ele foi eleito em janeiro de 2015 prometendo acabar com esse ajuste fiscal rigoroso.

Se não houver um acordo até domingo, o BCE pode não manter a linha de crédito de emergência para garantir a liquidez dos bancos da Grécia, que entrariam em colapso.

terça-feira, 7 de julho de 2015

UE convoca reunião de cúpula sobre a Grécia para domingo

No fim de uma reunião de emergência do Grupo do Euro para analisar o não do referendo da Grécia a um acordo com os credores internacionais, a União Europeia convocou um encontro de cúpula de todo o bloco para domingo. O governo grego tem até quinta-feira para apresentar um novo plano de ajuste fiscal.

Sem flexibilizar sua posição, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, deixou claro há pouco: cabe à Grécia apresentar uma proposta que vá além da anterior, rejeitada no referendo, que não está mais na mesa de negociações.

Enquanto o primeiro-ministro da França, Manuel Valls, ainda considera inadmissível uma saída da Grécia da Zona do Euro, que teria um custo estimado em 1,4 trilhão de euros, uma pesquisa feita por um jornal grego indica que 16 dos 19 países da Eurozona querem a saída da Grécia.

Maior parte dos países da Zona do Euro quer saída da Grécia

Dos 18 outros sócios da Zona do Euro, 16 são a favor da saída da Grécia da união monetária europeia, afirmou hoje o jornal grego Ekathimerini, citando fontes não identificadas ouvidas hoje em Bruxelas antes de uma reunião de emergência do Grupo do Euro.

Só a Itália e a França, que também têm problemas com déficit e dívida e resistem a fazer reformas econômicas liberais, estariam decididas a manter a Grécia na Eurozona. Além dos países ricos do Norte da Europa, os antigos países comunistas da Europa Oriental, que fizeram grandes sacrifícios para aderir ao euro, são contra novas concessões à Grecia.

Na Eslováquia, que era a metade mais pobre da antiga Tcheco-Eslováquia e herdou uma indústria pesada obsoleta do regime comunista, o salário mínimo é de 380 euros, assim como a pensão mínima paga a aposentados. Na Grécia, a menor pensão é de 580 euros e o salário mínimo de 880 euros. Os eslovacos entendem que não devem bancar a Grécia.

Ontem, o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, e seu novo ministro das Finanças, Euclid Tsakalotos, receberam o apoio de quase todos os partidos do país para a nova etapa de negociações com os credores internacionais. O governo radical de esquerda grego tenta polarizar com a Alemanha, mas está quase isolado.

A nova proposta da Grécia vai partir dos textos discutidos nos últimos encontros antes do referendo do domingo passado, quando 61,3% recusaram o plano apresentado pela chamada troika o Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).

Tsipras deve pedir mais tempo para implementar algumas medidas gradualmente. Mas o que os ministros das Finanças da Eurozona viram até agora não impressionou muito.

Se não fizer acordo com os credores, a Grécia não vai receber mais dinheiro. Sem dinheiro nos próximos dias, os bancos gregos vão quebrar e o país provavelmente terá de abandonar a união monetária. Ninguém acredita que os bancos reabram daqui a dois dias.

É necessária uma solução urgente e nenhum lado parece disposto a ceder.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Ministro das Finanças da Grécia pede demissão

Um dia depois da vitória do governo no referendo em que a Grécia rejeitou a proposta dos credores internacionais, o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, nas suas próprias palavras, para "facilitar as negociações" sobre a dívida pública do país.

Em telefonema à chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, o primeiro-ministro Alexis Tsipras avisou que a Grécia apresenta uma nova proposta amanhã, numa reunião de cúpula de emergência do Grupo do Euro, mas não antecipou os detalhes.

"Se a Grécia quer ficar na Zona do Euro, o governo grego tem de fazer rapidamente uma proposta substancial que vá além do que fez até agora", declarou o vice-primeiro-ministro e ministro da Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel.

Na mesa de negociações, a situação não muda muito. O novo ministro das Finanças da Grécia, Euclid Tsakalotos, já era o principal negociador grego antes do referendo em que 61,3% disseram não à chamada troika, formada pelo Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).

Depois de fazer discurso em tom de aulas aos outros ministros das Finanças da União Europeia, Varoufakis já estava marginalizado. Com seu estilo franco e rude, acusou os líderes europeus de fazerem "terrorismo" antes da votação.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Tsipras promete ceder aos credores mas pede não a eleitores

Horas depois de enviar uma carta aos credores fazendo concessões e pedindo a liberação de 29,1 bilhões de euros nos próximos meses, o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, voltou à televisão para pedir ao eleitorado que vote contra o acordo para fortalecer sua posição nas negociações.

A chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, e os ministros das Finanças do Grupo do Euro deixaram claro que não haverá negociações antes do referendo convocado por Tsipras para domingo, 5 de julho de 2015.

Em seu estilo agressivo de líder da Coligação de Esquerda Radical (Syriza), Tsipras denunciou na TV uma "chantagem" contra o eleitorado grego, pressionado a votar sim pelos líderes da União Europeia, de parte de "forças conservadoras extremistas" que teriam forçado o fechamento dos bancos "porque o governo decidiu dar a palavra ao povo".

Para evitar um colapso financeiro, os bancos da Grécia e a Bolsa de Valores de Atenas estão fechados até 7 de julho, depois do resultado do referendo. Os saques estão limitados a 60 euros por dia. Hoje o Banco Central Europeu decidiu manter congelada em 89 bilhões de euros a linha de crédito de emergência para os bancos gregos enfrentarem a corrida bancária. Em algum momento, o dinheiro vai acabar.

"As sereias da destruição estão chantageando vocês a dizerem sim a tudo sem qualquer prospecto de sair da crise", argumentou o primeiro-ministro grego, numa referência ao poema épico Odisseia, de Homero. Só conseguiu enfurecer ainda mais os sócios da Zona do Euro, que rejeitaram todas as propostas da Grécia para resolver a crise de sua dívida pública.

Ao não pagar ontem uma parcela de 1,55 bilhão de euros, a Grécia se tornou o primeiro país desenvolvido a dar calote no Fundo Monetário Internacional, criado depois da Segunda Guerra Mundial para evitar que países em crise não pagassem suas dívidas e reduzissem o comércio internacional.

Tsipras se elegeu em janeiro de 2015 depois de seis anos de crise, sob uma depressão econômica de 25% do produto interno bruto, com 27% de desemprego, prometendo acabar com o rigoroso plano de ajuste fiscal imposto pelos sócios europeus. A ruptura com a Europa será muito pior.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Grécia é primeiro país desenvolvido a calotear o FMI

Ao não pagar uma dívida de 1,55 bilhão de euros com vencimento hoje, a Grécia se tornou o primeiro país desenvolvido a dar calote no Fundo Monetário Internacional (FMI), criado depois da Segunda Guerra Mundial para socorrer países com problemas financeiros, evitando que deixassem de pagar suas dívidas e reduzissem o comércio internacional. 

Horas antes, os ministros das Finanças da Zona do Euro rejeitaram um último apelo da Grécia por uma prorrogação do atual programa de ajuda financeira ao país.

Com seu blefe, o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) rebaixa a Grécia ao nível da Somália, do Sudão e do Zimbábue, países que não honraram suas dívidas com o FMI. 

Depois de várias tentativas frustradas de chegar a um acordo com o Grupo do Euro, o FMI e o Banco Central Europeu, o primeiro-ministro Alexis Tsipras alegou não ter mandato para impor mais cortes de gastos públicos e sacrifícios ao povo grego. Preferiu convocar um referendo sobre o acordo com os credores para 5 de julho de 2015.

Enquanto a Syriza defende o não no referendo, os partidos tradicionais, Socialista e Nova Democracia, pedem ao eleitorado que diga sim para continuar usando o euro como moeda. O governo alega que o não lhe dará mais forças para voltar à mesa de negociações.

Mas as autoridades europeias já deixaram claro que não pretendem renegociar os termos do acordo e Tsipras afirma que não vai aplicar um plano de austeridade. Depois do referendo, a Grécia terá pela frente o colapso financeiro ou a perspectiva de eleições num cenário de terra arrasada.

sábado, 27 de junho de 2015

Parlamento da Grécia aprova referendo sobre negociação da dívida

Por 178 a 120 com duas abstenções, o Parlamento da Grécia aprovou hoje a convocação de uma consulta popular em 5 de julho de 2015 para decidir se o país deve aceitar as imposições dos credores internacionais e manter o rigoroso programa de ajuste fiscal que levou a uma queda de 25% no produto interno bruto nos últimos seis anos. O governo radical de esquerda vai defender o voto não.

Durante 14 horas de um debate inflamado, os deputados da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) argumentaram que a rejeição do acordo não significa que a Grécia terá de sair da Zona do Euro e da União Europeia. O primeiro-ministro Alexis Tsipras disse esperar o fortalecimento de sua posição negociadora com o referendo.

A Syriza foi eleita nas eleições de 25 de janeiro de 2015 prometendo acabar com o programa de austeridade fiscal imposto pela chamada troika formada pela Eurozona, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), em troca de empréstimos de 240 bilhões de euros.

Horas antes, em Bruxelas, os ministros das Finanças do Grupo do Euro rejeitaram um pedido da Grécia para estender o atual programa de resgate por mais um mês e excluíram a Grécia da segunda parte da reunião, em que discutiram a possibilidade de saída do país da união monetária europeia.

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, alegou hoje não ter um mandato para assinar um acordo com novos cortes de gastos públicos. Daí a necessidade de convocar um referendo.

A Grécia depende da liberação de uma parcela de 7,2 bilhões de euros para pagar 1,6 bilhão de euros ao FMI em 30 de junho, além dos salários, aposentadorias e pensões de seus cidadãos. Como o referendo foi marcado para depois desta data, a Grécia já estará em calote.

No fim da reunião ministerial em Bruxelas, o ministro das Finanças da França, Michel Sapin, criticou o referendo, mas insistiu em que seu país quer manter a Grécia na Eurozona, mantendo a esperança de um acordo de última hora.

Eurozona rejeita extensão do programa de ajuda à Grécia

Os ministros das Finanças do Grupo do Euro rejeitaram hoje um pedido para prorrogar por um mês o programa de ajuda econômica à Grécia. O governo esquerdista grego não aceitou as propostas de seus sócios na Zona do Euro, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE), preferindo convocar um referendo em que vai recomendar o voto contrário a um acordo.

A Grécia foi excluída da segunda parte da reunião de hoje, em que os ministros dos outros países da Eurozona estão examinando um plano B para a hipótese de um calote cada vez mais provável no pagamento de uma dívida de 1,6 bilhão de euros com vencimento em 30 de junho de 2015.

O presidente do Grupo do Euro, Jeroen Dijsselbloem, justificou a exclusão alegando que "a Grécia fechou todas as portas para um acordo".

Em pronunciamento na televisão ontem à noite, o primeiro-ministro Alexis Tsipras convocou um referendo para o eleitorado decidir em 5 de julho se aceita se submeter às imposições das instituições internacionais. A alternativa é uma provável saída da Eurozona e talvez até da União Europeia, como advertiu o Banco Central da Grécia na semana passada, com consequências catastróficas como o colapso da economia do país.

Sem condições de refinanciar sua dívida pública no mercado desde 2009, a Grécia recebeu desde então empréstimos de 240 bilhões de euros. Em troca, foi obrigada a aceitar um programa de cortes de gastos públicos e aumentos de impostos que agravou a crise, provocando uma depressão.

Nos últimos seis anos, o produto interno bruto grego caiu 25%, o desemprego está em 27% para a população em geral e em 58% entre os jovens. Milhares de empresas fecham a cada mês. E os gregos correm para os caixas eletrônicos para sacar bilhões de euros com medo de que a moeda se esgote.

Nesse ambiente econômico de terra arrasada, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza) venceu as eleições de 25 de janeiro de 2015 com a promessa de acabar com o programa de austeridade fiscal. Quer negociar uma redução da dívida e um plano de ajuste fiscal baseado no crescimento econômico. Mas não tem dinheiro para isso.

"Não temos um mandato para aceitar esta proposta", alegou hoje o ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis. "Se o povo grego disser que sim, assinamos a linha pontilhada."

Ao defender o voto não, o governo grego praticamente inviabiliza o ajuste fiscal, argumentou o presidente do Grupo do Euro: "É um programa que exige sacrifícios. Se o próprio governo que tem de aplicar o plano é contra, a possibilidade de sucesso é menor."

O governo radical de esquerda da Grécia apostou claramente numa solução política, pressionando sem ceder até o último minuto. Varoufakis manteve o desafio hoje, alertando que o euro e a própria UE serão abalados ao não acatar a decisão democrática do eleitorado grego contra o ajuste fiscal.

Em seu blefe, Varoufakis alegou que os tratados constitucionais da UE não preveem a saída de nenhum país da Eurozona: "É preciso reescrever os tratados antes de expulsar a Grécia." O problema é que os eleitores dos outros países não querem pagar a conta.

Depois da reunião ministerial, o ministro das Finanças da França, Michel Sapin, declarou que quer manter a Grécia na Eurozona, mas no momento as duas partes parecem inflexíveis.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Grécia e credores prorrogam negociações até sábado

Mais uma vez, não houve acordo entre os ministros das Finanças da Zona do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Central Europeu (BCE) e o governo radical de esquerda da Grécia para que o país receba uma parcela de 7,2 bilhões de euros e possa pagar 1,6 bilhão de euros ao FMI no dia 30 de junho de 2015. A última chance de evitar o calote será uma nova reunião de emergência dos ministros das Finanças da Eurozona marcada para sábado, 27 de junho de 2015.

As negociações entraram em colapso pela quarta vez em uma semana no fim da manhã de hoje, quando a nova proposta apresentada pelo ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, foi considerada insuficiente pela troika. O plano foi considerado praticamente igual ao anterior, sem cortar mais gastos.

Diante do fracasso, a União Europeia já prepara um plano alternativo para evitar o contágio de um calote e de uma saída da Grécia da Eurozona. Como está, a proposta grega é considerava inaceitável. O Plano B prevê controle de capitais e até mesmo ajuda humanitária.

Na análise mais pessimista, um calote da Grécia seguido de uma saída da união monetária e talvez até mesmo da UE seria muito pior do que o colapso da economia da Argentina com o fim da dolarização da era Carlos Menem (1989-99), em 2001 e 2002, quando 58% dos argentinos caíram abaixo da linha de pobreza.

A Grécia entrou em crise em 2009. Sob o impacto da crise internacional iniciada em 2008 nos Estados Unidos, com o recuo dos investidores, que refizeram seus cálculos, o país não conseguiu mais rolar sua dívida pública. Desde então, a Grécia recebeu empréstimos de 240 bilhões de euros e teve parte da dívida perdoada, mas o total está hoje em 320 bilhões de euros.

Ao mesmo tempo, o país foi submetido a um rigoroso programa de ajuste das contas públicas imposto pela UE, o FMI e o BCE que resultou numa queda de 25% no produto interno bruto e desemprego de 27% para a população em geral e de 58% entre os jovens.

Essa situação social insuportável acabou com o apoio aos partidos tradicionais e levou a Coligação de Esquerda Radical (Syriza) ao poder nas eleições de 25 de janeiro de 2015. O primeiro-ministro Alexis Tsipras insiste em que a Grécia não vai sair da Eurozona, mas está esticando a corda perigosamente até o último minuto.

Os credores exigem, por exemplo, um corte ainda maior nas pensões e aposentadorias, o que é extremamente impopular. Nas ruas de Atenas, manifestantes mobilizados pela esquerda pressionam o governo para que não ceda. Os deputados mais à esquerda da Syriza acusam Tsipras de já ter feito concessões demais.

Mas a alternativa é muito pior para todos, especialmente para os gregos. Eles enfrentariam uma crise sem precedentes numa economia moderna. O euro e o projeto de integração da Europa, o sonho de um continente pacífico, unido e próspero alimentado desde o fim da Segunda Guerra Mundial, também seriam abalados.

Credores pedem mais cortes de gastos à Grécia

O Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) exigiram ontem novos cortes de gastos da Grécia, especialmente em aposentadorias e pensões, para evitar que o país quebre outra vez no futuro e não consiga honrar suas dívidas.

Sob pressão ala mais à esquerda de sua Coligação de Esquerda Radical (Syriza), o primeiro-ministro esquerdista Alexis Tsipras acusou a chamada troika de não querer chegar a um acordo. Mas a expectativa é de que haja acordo.

"Ainda existem diferenças, mas não são insolúveis", declarou o ministro das Finanças da Espanha, Luis de Guindos.

Quando o acordo político sobre a dívida grega foi anunciado, na segunda-feira, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, deu seu aval: "A proposta da Grécia é uma boa base para a negociação". Mas a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, observou que ainda havia "muito trabalho a fazer".

A crise da Grécia acabou sequestrando a reunião de cúpula de fim de semestre da União Europeia, que em 2015 tem na pauta uma série de problemas: a agressividade da Rússia na crise da Ucrânia, a migração em massa de refugiados e miseráveis no Mar Mediterrâneo e a ameaça de saída do Reino Unido.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Grécia anuncia acordo e bolsas da Europa sobem

Horas antes de uma reunião de cúpula de emergência da União Europeia, o governo radical de esquerda da Grécia apresentou um novo plano para equilibrar as contas públicas criando um clima de otimismo quanto a um acordo para continuar recebendo ajuda internacional e evitar um calote de sua dívida pública no fim de junho de 2015.  As bolsas europeias fecharam em forte alta, com avanços de 9% em Atenas, de 3,8% em Frankfurt e de 2,5% na média.

Desde que entrou em crise por não conseguir rolar sua dívida pública, em 2009, a Grécia recebeu empréstimos de emergência no valor de 240 bilhões de euros (R$ 847 bilhões) e renegociou uma redução da dívida. Mas teve de se submeter a um rigoroso programa de austeridade imposto pela UE, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE). A dívida está hoje em 320 bilhões de euros (R$ 1,12 trilhão).

Em consequência da dureza do ajuste, a economia grega encolheu 25% nesse período e o desemprego superou os 25% entre a população adulta e chegou a 56% entre os jovens. Por esse motivo, em janeiro de 2015, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza) venceu as eleições e Alexis Tsipras virou primeiro-ministro com a promessa de romper com o programa de austeridade.

O governo grego se recusa a promover um amplo programa de privatizações e a reduzir aposentadorias e pensões. Mas precisa fazer uma proposta realista baseada em números para convencer os credores e as instituições que fiscalizam o plano de resgate ao país.

A Grécia deve pagar 1,6 bilhão de euros (R$ 5,6 bilhões) no dia 30 ao FMI. Precisa de uma parcela de 7,2 bilhões de euros (R$ 25,4 bilhões) que só será liberada se houver acordo.

Às 11h de hoje em Bruxelas (6h em Brasília), Tsipras se reuniu com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker; a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde; o presidente do BCE, Mario Draghi; e o presidente do Grupo do Euro, Jeroen Dijsselbloem; para apresentar a nova proposta da Grécia.

domingo, 21 de junho de 2015

Alemanha e França intimam Grécia a apresentar plano de ajuste fiscal

Na véspera de uma reunião de cúpula decisiva para as negociações sobre a dívida pública da Grécia marcada para hoje, os líderes da União Europeia advertiram o primeiro-ministro Alexis Tsipras de que o país não vai receber uma parcela de 7,2 bilhões de euros (R$ 25,4 bilhões) se não fizer acordo com seus sócios do Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).

Em uma série de telefonemas no domingo, líderes europeus, inclusive a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, deixaram claro que não haverá negociações de última hora durante a reunião de cúpula. A Grécia precisa chegar a um acordo com as instituições que fiscalizam o programa de ajuste fiscal adotado em troca de empréstimos de 240 bilhões de euros (R$ 847 bilhões).

Se o governo radical de esquerda grego apresentar um plano de privatizações, cortes de gastos e aumentos de impostos para equilibrar as contas públicas, a Europa já admite negociar uma redução do total da dívida, hoje em 320 bilhões de euros (R$ 1,12 trilhão). Mas as contas precisam fechar.

Tsipras embarcou ontem à noite para a reunião de cúpula em Bruxelas sem que as instituições fiscalizadoras tenham recebido uma nova proposta. O líder grego parece disposto a blefar até o último momento na expectativa de que os credores recuem para evitar um mal maior.

Sem um acordo nesta segunda-feira, a Grécia não terá condições de pagar uma parcela de 1,6 bilhão de euros devida ao FMI no fim deste mês. Vai se juntar a Cuba, Sudão e Zimbábue entre os caloteiros do Fundo.

O medo de que o país não pague a dívida e seja forçado a deixar a união monetária provocou uma corrida aos bancos na semana passada, com um total de saques de mais de 6 bilhões de euros (R$ 21,2 bilhões).

Na sexta-feira, o BCE abriu uma linha de financiamento de emergência de 3,3 bilhões (R$ 11,65 bilhões) para evitar o colapso do sistema financeiro grego. Durante a semana passada, o Banco Central da Grécia divulgou nota alertando para o risco de uma "crise incontrolável" em caso de calote e possível saída do país da Zona do Euro. O governo não se abalou.

A Coligação de Esquerda Radical (Syriza), liderada por Tsipras, venceu as eleições parlamentares de 25 de janeiro de 2015 depois de uma depressão econômica de seis que reduziu o produto interno bruto da Grécia em 25% e elevou o desemprego a mais de 25%, sendo 56% entre os jovens. Sua promessa central de campanha foi romper com as políticas de austeridade fiscal impostas pela troika, que agravaram a crise.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Grécia enfrenta corrida bancária e descontentamento com governo

Cerca de 58% dos gregos acreditam que a Coligação de Esquerda Radical (Syriza) não está cumprindo suas promessas de campanha e 50,5% não estão satisfeitos com as negociações da Grécia com a União Europeia, enquanto os bancos enfrentam uma corrida bancária, com saques de centenas de milhões de euros ontem, noticiou hoje o sítio de notícias Greek Reporter.

As ações dos bancos caíram 8% na Bolsa de Valores de Atenas ontem, quando foram sacados entre 350 a 400 milhões de euros depois que o presidente do Grupo do Euro admitiu a possibilidade de impor controles de capitais à Grécia.

O governo grego aprovou ontem uma lei para dar ajuda humanitária aos mais necessitados, inclusive um auxílio habitacional de 30 mil euros por ano e ajuda alimentar. Seus parceiros da Zona do Euro, especialmente a Alemanha, perguntam de onde vai sair o dinheiro.

A Grécia voltou a crescer no ano passado (0,8%) depois de seis anos de depressão em que sua economia encolheu 25%, sob pressão de medidas de austeridade para equilibrar as contas públicas em troca de empréstimos de 240 bilhões de euros aprovados pela UE, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).

Com a gravidade da crise, os partidos tradicionais foram varridos numa eleição em 25 de janeiro de 2015 e a esquerda radical chegou ao poder. Embora tenha recuado de suas propostas iniciais de renegociação da dívida pública grega, o governo insiste em medidas compensatórias para ajudar os mais prejudicados pelo ajuste fiscal.

O governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras precisa apresentar ao Grupo do Euro uma lista completa de reformar para ajustar a receita e as despesas públicas.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Governo da Grécia propõe dar comida e energia grátis aos pobres

Diante da recusa pelo Grupo do Euro de sua proposta de renegociação da dívida da Grécia, dos primeiros protestos de rua contra o novo governo esquerdista e do início de uma revolta nas alas mais à esquerda de seu partido, o primeiro-ministro Alexis Tsipras anunciou hoje uma série de medidas para favorecer os mais atingidos pela crise.

Na próxima semana, o governo deve apresentar seus projetos ao Parlamento oferecendo comida e eletricidade de graça para 300 mil lares. Os prazos de pagamento de impostos atrasados serão prorrogados.

Tsipras vai propor ainda o congelamento dos despejos por falta de pagamento da casa própria, a recontratação de funcionários da televisão estatal demitidos desde 2009 e a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a crise da dívida grega. Promete cortar gastos em outras áreas para financiar os programas sociais.

Com dificuldades para honrar seus compromissos, a Grécia pediu ajuda à União Europeia (UE), ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Central Europeu (BCE). Desde então, recebeu empréstimos de 240 bilhões de euros, mas foi submetida a um rigoroso programa de ajuste das contas públicas que levou a uma depressão econômica, com uma queda de 25% no produto interno bruto nos últimos seis anos.

Com desemprego de 25% da população e de 55% entre os jovens, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza), liderada por Tsipras, ganhou as eleições parlamentares de janeiro de 2015 com a promessa de romper com o programa de austeridade.

Os outros países do Grupo do Euro rejeitaram as propostas de redução ou alongamento do prazo de pagamento da dívida grega, mas estenderam o programa de ajuda em quatro meses. Neste período, a Grécia tem de apresentar novo plano de reformas para equilibrar as contas públicas.

Em Berlim, a Câmara Federal da Alemanha aprovou hoje a prorrogação do programa de ajuda à Grécia, mas o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, que jogou duro com o novo governo grego, e vários deputados da União Democrata-Cristã, da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, não acreditam na capacidade da Grécia de fazer as reformas e pagar as dívidas.

Hoje o dinheiro acabou nos caixas automáticos do banco grego Piraeus. Com o risco de que a Grécia seja obrigada a deixar a união monetária europeia, há uma corrida bancária para sacar euros. É mais uma ameaça ao sistema financeiro do país.

sábado, 16 de março de 2013

Chipre recebe ajuda de US$ 13 bilhões da UE

A pequena ilha de Chipre, um dos menores países da União Europeia, recebeu hoje uma ajuda de US$ 13 bilhões da União Europeia em troca do compromisso de fazer uma devassa no seu sistema financeiro, suspeito de ser usado para lavagem de dinheiro da máfia russa.

É o quinto país da UE a pedir ajuda, depois da Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha.

Com uma população de apenas 1 milhão de habitantes, Chipre tem agências de 35 bancos internacionais. Os ministros das Finanças do Grupo do Euro projetou que a dívida do país chegue a 100% do produto interno bruto em 2020, noticia a rede de televisão americana CNN.