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quarta-feira, 13 de maio de 2020

Tribunal Constitucional da Alemanha ameaça a União Europeia

Ao decidir que o banco central alemão (Bundesbank) não deve seguir a determinação da presidente do Banco Central Europeu (BCE) de comprar tantos títulos de divida pública de países da Zona do Euro quanto for necessário para sustentar a economia em tempos de pandemia, o Tribunal Constitucional da Alemanha ameaça o projeto de integração da Europa.

Em 1963, uma sentença da Corte Europeia de Justiça estabeleceu que a legislação europeia tem precedência sobre as leis nacionais. Ao contrariar esta decisão, o tribunal de Karlsruhe ameaça derrubar um dos pilares da União Europeia, que nasceu em 1958 como Comunidade Econômica Europeia, criada pelo Tratado de Roma, de 1957.

A Polônia, um dos países que mais se beneficiou da integração à UE depois da queda dos regimes comunistas na Europa Oriental, tem hoje um governo extremista de direita que mina a independência do Poder Judiciario. Aplaudiu a posição do Tribunal Constitucional da Alemanha.

Se outros países fizerem o mesmo em meio a uma emergência de saúde pública e uma crise econômica como não se vê desde a Grande Depressão (1929-39), todo o projeto construído no pós-guerra para garantir a paz e a prosperidade na Europa corre o risco de desabar.

Em entrevista ao jornal francês Libération, o franco-alemão Daniel Cohn-Bendit, Dani Le Rouge, líder da Revolução dos Estudantes de maio de 1968, hoje um deputado da bancada verde do Parlamento Europeu, declarou que, "se a Europa desabar, será um suicídio alemão." O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, já advertiu que a falta de solidariedade nesta hora será um golpe fatal na UE.

Maior economia do continente e quarta do mundo, a Alemanha é o país que mais se beneficia do mercado único europeu. Ao reafirmar a primazia das leis nacionais, o tribunal coloca em risco a reconstrução econômica da Europa depois da pandemia.

A Itália e a Espanha, os países da UE mais abalados pelo novo coronavírus, pediram a demissão de um bônus pan-europeu para o financiamento conjunto da retomada do crescimento. Como aconteceu na Crise do Euro, depois da Grande Recessão, quando Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda não conseguiram honrar suas dívidas, países ricos do Norte da Europa, como a Alemanha, a Finlândia e a Holanda, se negaram a mutualizar a dívida.

Nessa crise anterior, com o veto à emissão de bônus pan-europeus, o então presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, prometeu em 2015 comprar tantos títulos de dívida pública dos países da Eurozona quantos fossem necessários para sustentar as economias endividadas e a união monetária europeia.

Agora, a nova presidente do BCE, Christine Lagarde, ex-ministra das Finanças da França e ex-diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), tomou a mesma decisão e promete mantê-la apesar da decisão da Justiça alemã. Mas os ministros do tribunal de Karlsruhe vetaram a participação do Bundesbank.

Mais uma vez, a solidariedade econômica e financeira é fundamental para manter em pé o projeto de integração da Europa, ameaçado pelo ultranacionalismo de extrema direita dos governos periféricos da Hungria e da Polônia e de partidos como a Reunião Nacional, na França, a Liga, na Itália, a Alternativa para a Alemanha e a pequena Vox, na Espanha.

Se a Alemanha se recusar a contribuir para superar o impacto econômico do Grande Confinamento, as consequências serão terríveis. No início do ano, a Comissão Europeia esperava um crescimento de 1,1% para a Eurozona em 2020. Com a pandemia, a expectativa é de uma recessão de 7,4% na UE e de 7,75% na Europa. O BCE admite que possa chegar a uma queda de 12%.

O risco é que os países do Sul da Europa, a Grécia, a Itália e a Espanha, que devem perder perto de 10% do produto interno bruto, e também Portugal e até a França não consigam arcar com as despesas de reconstrução, aprofundando o fosso com os países do Norte.

A união monetária e o mercado único, que pressupõem uma convergência econômica, sofreriam um golpe potencialmente fatal. A França e uma dezena de países propuseram criar um fundo de recuperação de um a um trilhão e meio de euros com um grande empréstimo tomado pela Comissão Europeia com o aval dos 27 países-membros da UE. Isto permitiria obter taxas de juros muito inferiores às que seriam cobradas dos países em maiores dificuldades.

Diante desta bomba jurídica, a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, está entre o dilema de enfrentar a "bomba jurídica" dos juízes de Karlsruhe, o que deflagaria uma crise política e institucional na Alemanha, ou recusar a solidariedade. Nesta hipótese, o sonho de uma Europa unida pode virar pesadelo e fragmentar o continente.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Exportações da China têm forte queda

A China anunciou hoje a maior queda nas exportações em três anos, mais um sinal da desaceleração da economia mundial e do impacto da guerra comercial deflagrada pelos Estados Unidos, noticiou o jornal inglês Financial Times.

Em fevereiro, as exportações chinesas registraram uma queda de 20,7% na comparação anual, a maior desde fevereiro de 2016. Os economistas ouvidos pela agência Reuters previam baixa de 4,8%. As importações recuaram 5,2%, quando a previsão era de -1,4%.

As exportações haviam crescido em janeiro, mas a maioria dos analistas não acreditou que fosse a tendência.

A China avança menos no momento de desaceleração nos EUA e em que o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, reduz a previsão de crescimento da Zona do Euro para 2019 de 1,7% para 1,1%.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Crescimento da Zona do Euro cai no início de 2018

No primeiro trimestre deste ano, o ritmo da atividade econômica no conjunto dos 19 países da Europa que usam o euro como moeda comum foi o mais fraco em um ano e meio, confirmando uma desaceleração na Zona do Euro depois de uma expansão de 2,5% em 2017. 

Desde o verão de 2016, a Eurozona não andava tão devagar. O crescimento nos três primeiros meses de 2018 foi de apenas 0,4%, depois de um avanço de 0,7% no fim do ano passado.

Uma queda nos indicadores de confiança e o fraco desempenho da produção industrial e das exportações da Alemanha, maior economia da Europa e quarta do mundo, são sinais da estagnação.

Os executivos do setor manufatureiro esperam uma desaceleração do crescimento industrial em abril. Na Alemanha, na Holanda, na Itália, na Espanha e na Grécia, o índice dos gerentes de compra aponta um crescimento menor do que em março.

A França, segunda maior economia da Eurozona, também decepcionou, com alta do produto interno bruto de apenas 0,3% no trimestre passado, em comparação com 0,7% no fim de 2017. As exportações caíram 0,1%, depois de forte alta de 2,5% no fim do ano passado. O investimento das empresas subiu apenas 0,6%, quase metade do 1,1% do fim de 2017.

O ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, disse não estar preocupado, mas economistas já duvidam que a meta de crescimento de 2% neste ano seja atingida. Le Maire admite que "há algumas nuvens escuras no horizonte", como o risco de uma guerra comercial com os Estados Unidos e altas nas taxas básicas de juros.

Uma onda de greves contra as reformas liberais do presidente Emmanuel Macron afeta principalmente os transportes aéreos e ferroviários, prejudicando as viagens de milhões de trabalhadores franceses e a distribuição de mercadorias. As greves devem pesar negativamente no PIB do segundo trimestre.

A questão é se a desaceleração será apenas temporária ou a economia está estagnando. Os dados sobre o segundo semestre divergem.

Na semana passada, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, declarou que o banco analisa os dados com cautela, na expectativa de que o crescimento será suficientemente forte para levar o índice de preços ao consumidor para a meta inflacionária do BCE, de 2% ao ano.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

BCE amplia ajuda de emergência a bancos da Grécia

Um dia depois que o Parlamento da Grécia aprovou o novo programa de ajuda proposto pelos sócios da Zona do Euro, o Banco Central Europeu (BCE) ampliou hoje em 900 milhões de euros a linha de crédito de emergência para evitar a falência dos bancos gregos.

Em entrevista coletiva, o presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, justificou a medida tendo em vista "diversos avanços positivos" nas negociações da Grécia com os credores internacionais para acertar o terceiro programa de resgate financeiro da dívida pública do país.

Os bancos gregos estão fechado desde 29 de junho. Os correntistas só podem sacar 60 euros por dia por conta bancária. A ajuda de liquidez de emergência já era de 89 milhões. Houve um aumento pequeno, mas indica a disposição do BCE de evitar um colapso do sistema financeiro da Grécia.

Com conflitos na rua entre a polícia e manifestantes contrário ao acordo, e apesar dos votos contrários de 39 deputados do partido do governo, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza), o Parlamento da Grécia aprovou ontem o acordo por 229 a 64, com seis abstenções.

Horas antes, a Assembleia Nacional e o Senado da França aprovaram o acordo sem problemas. A maior dificuldade deve ocorrer no Parlamento da Alemanha, onde há forte resistência da opinião pública em emprestar mais dinheiro à Grécia. A votação em Berlim será amanhã.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Grécia anuncia acordo e bolsas da Europa sobem

Horas antes de uma reunião de cúpula de emergência da União Europeia, o governo radical de esquerda da Grécia apresentou um novo plano para equilibrar as contas públicas criando um clima de otimismo quanto a um acordo para continuar recebendo ajuda internacional e evitar um calote de sua dívida pública no fim de junho de 2015.  As bolsas europeias fecharam em forte alta, com avanços de 9% em Atenas, de 3,8% em Frankfurt e de 2,5% na média.

Desde que entrou em crise por não conseguir rolar sua dívida pública, em 2009, a Grécia recebeu empréstimos de emergência no valor de 240 bilhões de euros (R$ 847 bilhões) e renegociou uma redução da dívida. Mas teve de se submeter a um rigoroso programa de austeridade imposto pela UE, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE). A dívida está hoje em 320 bilhões de euros (R$ 1,12 trilhão).

Em consequência da dureza do ajuste, a economia grega encolheu 25% nesse período e o desemprego superou os 25% entre a população adulta e chegou a 56% entre os jovens. Por esse motivo, em janeiro de 2015, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza) venceu as eleições e Alexis Tsipras virou primeiro-ministro com a promessa de romper com o programa de austeridade.

O governo grego se recusa a promover um amplo programa de privatizações e a reduzir aposentadorias e pensões. Mas precisa fazer uma proposta realista baseada em números para convencer os credores e as instituições que fiscalizam o plano de resgate ao país.

A Grécia deve pagar 1,6 bilhão de euros (R$ 5,6 bilhões) no dia 30 ao FMI. Precisa de uma parcela de 7,2 bilhões de euros (R$ 25,4 bilhões) que só será liberada se houver acordo.

Às 11h de hoje em Bruxelas (6h em Brasília), Tsipras se reuniu com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker; a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde; o presidente do BCE, Mario Draghi; e o presidente do Grupo do Euro, Jeroen Dijsselbloem; para apresentar a nova proposta da Grécia.

quinta-feira, 5 de março de 2015

BCE começa a comprar títulos na segunda-feira

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), o italiano Mario Draghi, confirmou hoje que o programa de compra de bônus para aumentar a quantidade de dinheiro em circulação, estimular o crescimento e combater a deflação na Zona do Euro começa na segunda-feira, 9 de março de 2015.

O chamado "alívio quantitativo" foi adotado com sucesso pelos bancos centrais dos Estados Unidos e do Reino Unido. Draghi anunciou em janeiro que o BCE deve comprar títulos no valor total de 1 trilhão de euros durante o período de um ano e meio. Na prática, vai imprimir o dinheiro. Uma consequência será a desvalorização da moeda comum europeia.

A economia da Eurozona apresentou sinais positivos nos úlitmos dias, como o aumento de 1,1% nas vendas no varejo em janeiro, bem acima da expectativa dos economistas. Como importadora de energia, a Europa se beneficia da queda nos preços internacionais do petróleo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

BCE vai comprar 60 bilhões de euros em títulos por mês

Para combater a deflação e estimular a retomada do crescimento nos 19 países da Zona do Euro, o Banco Central Europeu vai comprar títulos públicos e privados no valor de 60 bilhões de euros (R$ 175 bilhões) por mês, mais do que esperado, durante um ano e meio colocando assim mais de 1 trilhão de euros em circulação.

A operação começa em março e vai até setembro de 2016, anunciou hoje em Frankfurt o presidente do BCE, o italiano Mario Draghi. A compra de títulos não poderá passar de um terço da dívida total de um país e 80% das aquisições serão feitas pelos bancos centrais nacionais.

No caso europeu, o objetivo da política de alívio quantitativo, aplicada com sucesso nos Estados Unidos e no Reino Unido, é elevar a inflação para a meta de 2% ao ano. Em 2014, a Eurozona teve deflação de 0,2%. Foi a primeira queda de preços em cinco anos. O desemprego está em 11,5% e o crescimento foi de apenas 0,2% no terceiro trimestre do ano passado.

"A inflação deve continuar muito baixa ou negativa nos próximos meses", declarou Draghi em entrevista coletiva, "por causa da queda acentuada nos preços do petróleo".

Para evitar o impacto de uma possível desvalorização do euro, a Dinamarca, que tem paridade cambial com o euro, reduziu as taxas de juros e o Banco Central da Suíça desvinculou a cotação do frango suíço do euro, levando a uma valorização imediata de sua moeda em 20%.

As bolsas de valores subiram com o anúncio do BCE, mas a moeda comum europeia atingiu sua cotação mais baixa diante do dólar americano em 11 anos: US$ 1,137.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

BCE corta juros para evitar deflação

O Banco Central Europeu baixou para praticamente zero, de 0,15% para 0,05% ao ano, a taxa de refinanciamento que cobra para emprestar dinheiro aos bancos. A taxa para deixar o dinheiro depositado no BCE, que já estava negativa, foi rebaixada para -0,20%.

As novas taxas foram anunciadas hoje de manhã pelo presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, apelidado de Super Mario desde que prometeu fazer tudo o que fosse necessário para manter a estabilidade do euro diante da inação dos governos, paralisados pela determinação da Alemanha de impor políticas de austeridade fiscal e não de estímulo ao crescimento.

O objetivo central do BCE é evitar uma deflação, uma queda de preços, o que desestimula a produção e o consumo. A inflação na Zona do Euro, de 18 países, caiu para 0,3% ao ano em agosto de 2014, muito abaixo da meta de 2% ao ano.

Outra agravante foi a crise na Ucrânia. As sanções econômicas à Rússia atingiram a combalida economia da Eurozona.

O desemprego continua elevado e voltou a aumentar com a fraqueza da recuperação. Cerca de 75% dos que perderam o emprego durante a crise ainda não conseguiram trabalho.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Quem fala pela Europa?

Quando estava no poder, ironizando a desunião europeia, o secretário de Estado americano Henry Kissinger costumava dizer: "Quando eu quiser falar com a Europa, para que número ligo?" O problema não foi resolvido até hoje.

"Cada vez que a UE resolve criar indicar um representante cria um novo cargo. Hoje, são quatro", comentou a professora Vivian Schmidt, diretora do Centro de Estudos de Europa da Universidade de Boston: o presidente do Conselho Europeu (de líderes), no momento o primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras; o presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso; o presidente executivo, o belga Herman van Rompuy; e a supercomissária de Comércio Exterior, a baronesa britânica Catherine Ashton.

Além desses quatro, há os 28 líderes dos governos nacionais, dificultando o processo de tomada de decisão e a expressão de uma voz comum, o que se explica porque a UE não é um Estado nacional. "Quando apresentou sua solução para a crise, [a primeira-ministra] Angela Merkel disse que era uma "solução alemã".

Há boas notícias, como a sobrevivência do euro e da UE à crise, a reforma da comissão, o aumento de poderes do Parlamento Europeu. Por outro lado, não foi aprovada uma nova regulamentação capaz de evitar futuras crises financeiras, os mercados podem entrar em pânico de novo, o crescimento é fraco e o desemprego está em 11,9%; "na Espanha, chega a 67% para mulheres jovens",  acrescentou Vivian Schmidt.

"O Sul da Europa continua em crise. O Norte da Europa acredita que a crise acabou. Além da crise da Ucrânia, o processo de tomada de decisões está em crise. Há um crescente intergovernamentalismo. Os líderes nacionais tomam a maioria das decisões", criticou a professora da Universidade de Boston ao participar da 3ª Conferência do Dia da Europa, realizada hoje no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, pelas fundações Getúlio Vargas (FGV) e Konrad Adenauer (KAS).

Na sua opinião, a crise das dívidas públicas de países da periferia da Zona do Euro (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália) "não precisava ter acontecido". A crise das hipotecas de segunda linha começou em 2007 nos EUA.

"Até 2010, nada foi feito pela Grécia. Em julho de 2012, quando os mercados entraram em pânico, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, interveio" prometendo comprar os títulos que o mercado rejeitava. "A Alemanha, potência hegemônica relutante, deveria ter assumido a liderança", lamentou Schmidt.

Além disso, a União virou uma espécie de bode expiatório dos governos nacionais: "A UE tem um problema terrível para se vender", constatou o professor Kai Enno Lehman, da Universidade de São Paulo. Sob pressão, torna-se reativa.

Ele também vê uma clara divisão Norte-Sul, problemas econômicos causadas pela receita de austeridade usada contra a crise, preconceitos contra imigrantes e avanço dos partidos de extrema direita.

"O Reino Unido tem uma economia diabolicamente desequilibrada. Oito de cada dez empregos gerados desde o ínicio da crise são em Londres e arredores, o que está agravando a crise habitacional. A Itália precisa reformar o sistema de impostos. A França precisa discutir a reforma da Previdência Social", notou Lehman.

Ele concluiu que é preciso ir além da crise e democratizar a UE, evitando "a tomada de decisões de cima para baixo todo o tempo".

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Zona do Euro ficou estagnada no primeiro trimestre

Pelo menos a Zona do Euro conseguiu evitar a leve recessão prevista pelos economistas. Nos primeiros três meses de 2012, a economia do conjunto dos 17 países da União Europeia que usam o euro como moeda ficou estagnada, depois de encolher 0,3% no últimos trimestre de 2011.

Em Frankfurt, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter sua taxa básica de juros inalterada em 1% para estimular a recuperação econômica, especialmente dos países afetados pela crise das dívidas públicas: Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália. A inflação na Eurozona está em 2,4%, acima da meta de 2% adotada pelo BCE, mas contida pelas dificuldades econômicas, o desemprego e o medo do desemprego.

O presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, rejeitou mais uma vez as sugestões de que o banco deveria atuar mais ativamente para combater a crise, por exemplo, socorrendo os bancos espanhóis. Ele disse que o banco não pode substituir a inação dos políticos.

No fim das contas, cabe às autoridades eleitas, que têm um mandato popular, a tomada de decisões difíceis e a aplicação de remédios amargos.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Inflação na Eurozona cai para 2,4% ao ano

O índice de crescimento de preços baixou de 2,6% para 2,4% ao ano em abril no conjunto dos 17 países da União Europeia que usam o euro como moeda, informou hoje a Eurostat, o escritório oficial de estatísticas do bloco. Ainda está abaixo da meta de inflação de 2% perseguida pelo Banco Central Europeu em situações normais.

Para combater a crise econômica, a taxa básica de juros do BCE está em 1% ao ano. A queda da inflação gerou expectativa de que o banco faça mais para ajudar seus países-membros.

O presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, rejeitou hoje mais uma vez as pressões para que o banco seja mais ativo no combate à crise das dívidas públicas. Ele deixou claro que quem precisa fazer mais são as autoridades políticas da Europa.

A crise atual é considerada mais um problema de falta de liderança política. O problema se agravou com a eleição do socialista François Hollande para a Presidência da França, em 6 de maio. 

Hollande insiste na introdução de mecanismos para estimular o crescimento, enquanto a Alemanha defende uma disciplina orçamentária rigorosa para equilibrar as contas públicas. Essa divergência quanto ao caminho a seguir para superar a crise seria responsável pela alta nos juros exigidos pelo mercado para refinanciar a as dívidas públicas da Espanha e da Itália, duas economias grandes demais para terem suas dívidas resgatadas pela Zona do Euro.

Em uma severa advertência, o comissário europeu para Economia, Oli Rehn, alertou hoje que a Eurozona corre o risco de uma "desintegração" que levaria seus países a uma "depressão" econômica. Ele considerou contraproducente o debate atual entre austeridade e crescimento e propôs três ações contra a crise das dívidas públicas:
  1. Manter os programas de ajuste fiscal para cortar déficits e equilibrar orçamentos.
  2. Fazer reformas estruturais para aumentar a competitividade da economia europeia.
  3. Promover investimentos públicos e privados para retomar o crescimento.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Presidente do BCE alerta para risco de colapso do euro

Na sua primeira entrevista exclusive desde que assumiu a Presidência do Banco Central da Europa (BCE), o italiano Mario Draghi adverte para os custos de um possível colapso da união monetária europeia, algo considerado "absurdo" por seu antecessor, o francês Jean-Claude Trichet.

Mais uma vez, ele descartou um envolvimento maior do banco no combate à crise das dívidas públicas, insistindo em que sua ação é limitada pelos tratados constitutivos da União Europeia.

O mercado gostaria que o BCE interviesse comprando títulos dos países em dificuldades para rolar suas dívidas e emitisse bônus pan-europeu, lastreados por todos os 17 países da Zona do Euro. A Alemanha é contra porque teria de arcar com o ônus.

Desde maio de 2010, o BCE já comprou títulos de dívida no valor de 200 bilhões de euros, sob o protesto de Jürgen Stark, seu principal executivo alemão, que renunciou sob protesto. Na entrevista ao jornal inglês Financial Times, Draghi foi cauteloso ao tocar no assunto.

Sem apoio político interno para gastar dinheiro público alemão, a primeira-ministra Angela Merkel exige que os países adotem uma disciplina fiscal rigorosa. O problema é que o remédio é recessivo, aprofundando a crise e minando o apoio político aos governos dos países sob maior risco.

A terapia alemã ameaça matar o paciente.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

BCE reduz taxa básica de juros para 1% ao ano

Para estimular as economias dos 17 países da Zona do Euro, abaladas pela crise das dívidas públicas e ameaçadas pela volta da recessão, o Banco Central da Europa cortou hoje sua taxa básica de juros de 1,25% para 1% ao ano, que volta ao menor nível de sua história, onde ficou de 2009 até o início de 2011.

Desde que o novo presidente do BCE, Mario Draghi, assumiu o cargo, em novembro, deixou claro que pretendia reverter os aumentos de juros adotados em abril e julho deste ano, enquanto os líderes políticos do continente buscam soluções definitivas para a crise.

O novo plano articulado pela França e a Alemanha será apresentado hoje e amanhã numa reunião de cúpula da União Europeia, em Bruxelas, na Bélgica. Deve incluir mudanças nos tratados constitutivos da UE e dar mais poderes ao BCE, a única instituição comum a toda a Eurozona.

Hoje o banco anunciou ainda que suas linhas de crédito para os bancos vão passar a oferecer empréstimos por 24 a 36 meses. Até agora, só emprestavam pelo prazo máximo de 13 meses.

Em Londres, o Banco da Inglaterra deixou sua taxa básica de juros inalterada em 0,5% ao ano, informa o jornal The New York Times.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Itália convoca outro Supermário

Depois de Mario Draghi assumir a presidência do Banco Central da Europa, o ex-comissário europeu antimonopólio Mário Monti foi nomeado ontem senador pelo presidente Giorgio Napolitano. Nos próximos dias, ele deve ser nomeado novo primeiro-ministro da Itália, em substituição ao desmoralizado Silvio Berlusconi.

Como comissário europeu, Monti processou a Microsoft e multou a empresa americana em bilhões de dólares. Era temido dos dois lados do Oceano Atlântico.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

BCE aumenta compra de bônus em 138%

Na primeira semana sob a presidência do italiano Mario Draghi, o Banco Central da Europa aumentou em 138% a compra de títulos das dívidas públicas dos países da Zona do Euro, num total de 9,5 bilhões de euros, informa o sítio de notícias Europa Press.

Supermario, como já está sendo chamado, deu novo impulso à participação do BCE no combate à crise das dívidas públicas da Eurozona. Já está sendo criticado por não fazer mais, já que a autoridade monetária é o único órgão independente da união monetária europeia. Não depende de mudanças de tratado nem de autorização dos parlamentos nacionais.

Em entrevista na última semana, Draghi alegou não pode agir como emprestador de último recurso, uma função normal dos bancos centrais, por causa de limitações impostas pelos tratados constitutivos da União Europeia.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

BCE surpreende e corta taxa de juros

Na primeira reunião sob a presidência do italiano Mario Draghi, o Banco Central da Europa surpreendeu o mercado. Apesar da inflação na Zona do Euro ter chegado a um recorde de 3% ao ano, cortou sua taxa básica de juros de 1,5% para 1,25% para estimular o crescimento de economias ameaçadas pela recessão.

Isso indica uma tendência a tolerar um aumento maior nos preços em troca de crescimento e maior estabilidade econômica, analisa o jornal The New York Times. Draghi substitui o francês Jean-Claude Trichet desde 1º de novembro de 2011.

A meta de inflação do BCE é de 2% ao ano.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

UE nomeia Draghi para o BCE

Durante reunião de cúpula em Bruxelas, os líderes da União Europeia indicaram oficialmente hoje o italiano Mario Draghi para próximo presidente do Banco Central da Europa, autoridade monetária comum dos 17 países que adotam o euro como moeda.

Draghi assume o cargo em 1º de novembro de 2011, substituindo o francês Jean-Claude Trichet num momento crítico para a união monetária europeia por causa da crise das dívidas públicas da Grécia, da Irlanda e de Portugal.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sarkozy apoia italiano para presidente do BCE

O presidente do Banco da Itália, Mario Draghi, recebeu ontem um apoio importante para se tornar o próximo presidente do Banco Central da Europa, substituindo o francês Jean-Claude Trichet. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, endossou publicamente sua candidatura, descrevendo-o como "um homem qualificado", noticia o jornal Financial Times.