Sob o peso do programa de ajuste fiscal imposto pelos credores externos, a economia da Grécia recuou 0,9% no terceiro trimestre de 2015, quase o dobro do 0,5% previsto pelos economistas. Foi a primeira queda desde o último trimestre de 2013.
Depois de seis anos de depressão com queda acumulada de 25% do produto interno bruto por causa da crise da dívida pública, a Grécia avançou 0,4% em 2014 graças ao aumento das exportações e uma pequena recuperação do consumo interno. No segundo trimestre de 2015, a Grécia tinha crescido 0,8%, mais do que Alemanha, França e Itália, as três maiores economias da Zona do Euro.
Mesmo assim, na comparação entre 2008 e 2014, o investimento na formação de capital bruto foi 64% menor. Os gastos públicos caíram 28%. O consumo doméstico baixou 23%. O emprego recuou 20%.
Com PIB de US$ 238 bilhões, a Grécia é a 45ª economia do mundo. A crise da dívida pública, que explodiu em 2009, acabou contaminando Portugal, Irlanda e Espanha. Foi até agora a maior ameaça à união monetária europeia.
No início do ano, os gregos elegeram um governo liderado pela Coligação de Esquerda Radical (Syriza) que chegou a romper as negociações com os credores, mas acabou aceitando as duras medidas de cortes de gastos e aumentos de impostos para equilibrar as contas públicas.
Durante as negociações, o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, chegou a propor a saída da Grécia da Eurozona, mas a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel preferiu manter o país para preservar o projeto europeu.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 27 de novembro de 2015
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Esquerda deve derrubar governo de centro-direita em Portugal
A coalizão entre o Partido Social-Democrático (PSD) e o Centro Democrático Social (CDS) liderada pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho apresenta hoje e amanhã seu projeto de governo à Assembleia da República de Portugal, onde será rejeitado pelos partidos de esquerda.
No sábado, o diretório nacional do Partido Socialista (PS) aprovou um acordo com o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda para formar uma maioria parlamentar e entregar a chefia do governo ao secretário-geral do PS, António Costa. No domingo, o PCP deu seu consentimento.
Seu compromisso central é o repúdio às medidas de austeridade econômica adotadas a partir de 2011 para enfrentar a crise em troca de uma ajuda de 78 bilhões de euros da Zona do Euro, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE).
Durante o debate na Assembleia da República, Passos Coelho acusou a oposição de estar a "jogadas políticas do governo" e defendeu sua administração, alegando que as medidas de austeridade foram impostas "por necessidade".
Em resposta, a deputada Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda, afirmou que "não são jogadas políticas, é a democracia a funcionar".
Entre as medidas negociadas para articular a coligação de esquerda, estão o aumento do salário mínimo para 600 euros por mês até 2019, a reposição em 2016 dos salários dos funcionários públicos que tiveram seus ganhos reduzidos, o aumento de valor de vários benefícios sociais e a redução do imposto sobre valor agregado (IVA) cobrado de restaurantes de 23% para 13%.
Mesmo sem maioria absoluta, a aliança de centro-direita recebeu instruções do presidente conservador Aníbal Cavaco Silva para formar um novo governo. Ele acusa a esquerda de romper compromissos internacionais de Portugal ao repudiar os programas de austeridade fiscal para equilibrar as contas do setor público.
Para o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, o presidente da República não tem "nenhuma razão política ou institucional" para rejeitar um governo de esquerda.
Diante da expectativa de um governo de esquerda, a Bolsa de Valores de Lisboa caiu cerca de 3% e os juros pagos para refinanciamento da dívida pública de Portugal subiram.
No sábado, o diretório nacional do Partido Socialista (PS) aprovou um acordo com o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda para formar uma maioria parlamentar e entregar a chefia do governo ao secretário-geral do PS, António Costa. No domingo, o PCP deu seu consentimento.
Seu compromisso central é o repúdio às medidas de austeridade econômica adotadas a partir de 2011 para enfrentar a crise em troca de uma ajuda de 78 bilhões de euros da Zona do Euro, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE).
Durante o debate na Assembleia da República, Passos Coelho acusou a oposição de estar a "jogadas políticas do governo" e defendeu sua administração, alegando que as medidas de austeridade foram impostas "por necessidade".
Em resposta, a deputada Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda, afirmou que "não são jogadas políticas, é a democracia a funcionar".
Entre as medidas negociadas para articular a coligação de esquerda, estão o aumento do salário mínimo para 600 euros por mês até 2019, a reposição em 2016 dos salários dos funcionários públicos que tiveram seus ganhos reduzidos, o aumento de valor de vários benefícios sociais e a redução do imposto sobre valor agregado (IVA) cobrado de restaurantes de 23% para 13%.
Mesmo sem maioria absoluta, a aliança de centro-direita recebeu instruções do presidente conservador Aníbal Cavaco Silva para formar um novo governo. Ele acusa a esquerda de romper compromissos internacionais de Portugal ao repudiar os programas de austeridade fiscal para equilibrar as contas do setor público.
Para o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, o presidente da República não tem "nenhuma razão política ou institucional" para rejeitar um governo de esquerda.
Diante da expectativa de um governo de esquerda, a Bolsa de Valores de Lisboa caiu cerca de 3% e os juros pagos para refinanciamento da dívida pública de Portugal subiram.
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domingo, 20 de setembro de 2015
Direita reconhece derrota para Syriza nas eleições da Grécia
Com 33% a 35% dos votos, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza) venceu as eleições parlamentares realizadas hoje na Grécia. O líder do partido conservador Nova Democracia, Vangelis Meïmarakis, reconheceu a derrota 15 minutos atrás.
Apesar de uma grande abstenção de 40%, os gregos deram uma segunda chance ao primeiro-ministro Alexis Tsipras, vencedor das eleições anteriores, em 25 de janeiro. A ND recebeu 28% dos votos e o partido neofascista Aurora Dourada, 7%.
A Syriza deve eleger cerca de 145 deputados. Vai precisar de uma coalizão para ter maioria no Parlamento da Grécia, de 300 cadeiras. Com 3,7% dos votos, o partido Gregos Independentes, parceiro menor da coligação de governo, deve eleger uns 10 deputados. Será suficiente.
No poder, Tsipras chegou a romper as negociações com os credores da dívida pública da Grécia e a convocar um plebiscito para legitimar a decisão. Quando voltou atrás, o partido se dividiu e o governo perdeu a maioria no Parlamento. Isso levou Tsipras a pedir demissão em agosto e à convocação de eleições antecipadas.
A Grécia enfrenta uma depressão que reduziu o produto interno bruto do país em 25% nos últimos seis anos e elevou o desemprego a 27% da população em idade de trabalhar. Tsipras se elegeu em janeiro como o candidato contra a austeridade fiscal. Foi obrigado a recuar para manter o país na união monetária europeia.
Com o novo acordo, a dívida pública grega subiu para 200% do PIB. O país precisa de uma renegociação que reduza o total da dívida, adverte o Fundo Monetário Internacional, mas os sócios da Grécia na Zona do Euro não querem arcar com o prejuízo.
Apesar de uma grande abstenção de 40%, os gregos deram uma segunda chance ao primeiro-ministro Alexis Tsipras, vencedor das eleições anteriores, em 25 de janeiro. A ND recebeu 28% dos votos e o partido neofascista Aurora Dourada, 7%.
A Syriza deve eleger cerca de 145 deputados. Vai precisar de uma coalizão para ter maioria no Parlamento da Grécia, de 300 cadeiras. Com 3,7% dos votos, o partido Gregos Independentes, parceiro menor da coligação de governo, deve eleger uns 10 deputados. Será suficiente.
No poder, Tsipras chegou a romper as negociações com os credores da dívida pública da Grécia e a convocar um plebiscito para legitimar a decisão. Quando voltou atrás, o partido se dividiu e o governo perdeu a maioria no Parlamento. Isso levou Tsipras a pedir demissão em agosto e à convocação de eleições antecipadas.
A Grécia enfrenta uma depressão que reduziu o produto interno bruto do país em 25% nos últimos seis anos e elevou o desemprego a 27% da população em idade de trabalhar. Tsipras se elegeu em janeiro como o candidato contra a austeridade fiscal. Foi obrigado a recuar para manter o país na união monetária europeia.
Com o novo acordo, a dívida pública grega subiu para 200% do PIB. O país precisa de uma renegociação que reduza o total da dívida, adverte o Fundo Monetário Internacional, mas os sócios da Grécia na Zona do Euro não querem arcar com o prejuízo.
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sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Grécia cresceu 0,9% no segundo trimestre de 2015
O crescimento da Grécia de abril a junho deste ano foi revisado para cima, com alta de 0,9%, anunciou hoje Agência Nacional de Estatísticas (Elstat). Isso indica que dificilmente haverá a queda de 2,3% do produto interno bruto prevista pela Comissão Europeia.
A Grécia volta às urnas em 20 de setembro depois da divisão da Coligação de Esquerda Radical, partido do primeiro-ministro Alexis Tsipras. A ala mais à esquerda rejeitou o acordo com os credores da Zona do Euro. Quer abandonar o euro e deixar a União Europeia.
Depois de uma depressão econômica que reduziu o produto interno bruto grego em 25% desde 2009 e elevou o desemprego para 28% da população ativa, a economia grega voltou a crescer no ano passado. Com a crise política causada pelas eleições antecipadas e a resistência do governo esquerdista de fechar o acordo, havia o temor da volta da recessão.
A Grécia volta às urnas em 20 de setembro depois da divisão da Coligação de Esquerda Radical, partido do primeiro-ministro Alexis Tsipras. A ala mais à esquerda rejeitou o acordo com os credores da Zona do Euro. Quer abandonar o euro e deixar a União Europeia.
Depois de uma depressão econômica que reduziu o produto interno bruto grego em 25% desde 2009 e elevou o desemprego para 28% da população ativa, a economia grega voltou a crescer no ano passado. Com a crise política causada pelas eleições antecipadas e a resistência do governo esquerdista de fechar o acordo, havia o temor da volta da recessão.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Primeiro-ministro da Grécia pede demissão e convoca eleições
Em pronunciamento na televisão, o primeiro-ministro Alexis Tsipras anunciou sua demissão agora há pouco para provocar a realização de eleições parlamentares antecipadas na Grécia. É uma manobra para reforçar seu poder para implementar o programa de recuperação da economia.
Tsipras disse à nação e ao presidente Prokopis Pavlopoulos que não tem mais condições de ficar na chefia do governo por falta de uma maioria parlamentar estável e propôs a convocação de eleições para 20 de setembro, daqui a exatamente um mês.
A Coligação de Esquerda Radical (Syriza), partido de Tsipras, chegou ao poder nas eleições de 25 de janeiro de 2015, depois de seis anos de uma crise econômica que reduziu a produção de riqueza em 25% e deixou um quarto da população em idade de trabalhar sem emprego.
Depois de romper as negociações com os sócios da Zona do Euro e convocar um plebiscito contra o acordo, Tsipras recuou, mas 40 deputados de seu próprio partido rejeitaram o resultado das negociações com os credores. O terceiro empréstimo de emergência só foi aprovado com votos da oposição.
Pela lei grega, como Tsipras foi eleito neste ano, a oposição teria o direito de tentar formar um governo. Como a Syriza e um pequeno partido aliado tem maioria absoluta, apesar da divisão no partido do govervo, a formação de um novo governo é improvável antes das eleições e uma incógnita depois.
A Grécia devia 320 bilhões de euros. Com o novo empréstimo de 86 bilhões, a dívida pública sobe para 200% do produto interno bruto. A antecipação das eleições em momento tão difícil pode criar mais instabilidade política e prejudicar o programa de recuperação.
Tsipras disse à nação e ao presidente Prokopis Pavlopoulos que não tem mais condições de ficar na chefia do governo por falta de uma maioria parlamentar estável e propôs a convocação de eleições para 20 de setembro, daqui a exatamente um mês.
A Coligação de Esquerda Radical (Syriza), partido de Tsipras, chegou ao poder nas eleições de 25 de janeiro de 2015, depois de seis anos de uma crise econômica que reduziu a produção de riqueza em 25% e deixou um quarto da população em idade de trabalhar sem emprego.
Depois de romper as negociações com os sócios da Zona do Euro e convocar um plebiscito contra o acordo, Tsipras recuou, mas 40 deputados de seu próprio partido rejeitaram o resultado das negociações com os credores. O terceiro empréstimo de emergência só foi aprovado com votos da oposição.
Pela lei grega, como Tsipras foi eleito neste ano, a oposição teria o direito de tentar formar um governo. Como a Syriza e um pequeno partido aliado tem maioria absoluta, apesar da divisão no partido do govervo, a formação de um novo governo é improvável antes das eleições e uma incógnita depois.
A Grécia devia 320 bilhões de euros. Com o novo empréstimo de 86 bilhões, a dívida pública sobe para 200% do produto interno bruto. A antecipação das eleições em momento tão difícil pode criar mais instabilidade política e prejudicar o programa de recuperação.
Câmara Federal da Alemanha aprova ajuda à Grécia
Por 545-113, com 18 abstenções, a Câmara Federal da Alemanha aprovou ontem o terceiro empréstimo à Grécia. A oposição se manteve no mesmo nível desde o início dos programas de ajuda ao governo grego.
Os parlamentos da Áustria, Espanha e Estônia aprovaram a ajuda anteontem. A Grécia precisa de 3,2 bilhões de euros para pagar hoje o Banco Central Europeu. Se calotear, perde o direito à linha de crédito usada pelos bancos gregos como boia de salvação.
Mesmo com a ajuda plenamente ratificada pelos outros 18 países da Zona do Euro, a crise da Grécia continua.
Os parlamentos da Áustria, Espanha e Estônia aprovaram a ajuda anteontem. A Grécia precisa de 3,2 bilhões de euros para pagar hoje o Banco Central Europeu. Se calotear, perde o direito à linha de crédito usada pelos bancos gregos como boia de salvação.
Mesmo com a ajuda plenamente ratificada pelos outros 18 países da Zona do Euro, a crise da Grécia continua.
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Ministros das Finanças da Eurozona aprovam ajuda à Grécia
Os ministros das Finanças dos países da União Europeia que adotam o euro como moeda comum aprovaram hoje em Bruxelas o terceiro programa de ajuda à Grécia, no valor de 86 bilhões de euros (US$ 95,8 bilhões ou R$ 333 bilhões), com um desembolso inicial de 26 bilhões de euros (R$ 100,6 bilhões).
Com o acordo, a Grécia fica na Zona do Euro, mas ainda enfrenta enormes obstáculos para voltar a crescer e reduzir o desemprego que atinge um quarto da população em idade de trabalhar.
Em troca, terá de fazer uma profunda reforma do Estado, com mais cortes de gastos e aumentos impostos. O acordo divide o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza), um partido de esquerda eleito em 25 de janeiro de 2015, no auge da crise.
Na madrugada de hoje, quando o Parlamento aprovou o acordo, 40 deputados da Syriza votaram contra, inclusive o ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis. O primeiro-ministro Alexis Tsipras precisou de votos da oposição. É grande a chance de realização de novas eleições ainda neste ano.
A Grécia cresceu 0,8% no segundo trimestre, escapando de uma recessão, depois de perder cerca de 25% do produto interno bruto desde o início da crise da dívida pública, em 2009. Apesar da redução de parte da dívida, o total está hoje em 320 bilhões de euros e deve chegar a 200% do PIB.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) está exigindo nova redução do montante total da dívida grega para participar deste terceiro programa. Os governos da Eurozona, que detêm hoje mais de 80% da dívida grega, relutam em aceitar um novo corte da dívida, especialmente Alemanha, Finlândia, Holanda e países da Europa Oriental.
Com o acordo, a Grécia fica na Zona do Euro, mas ainda enfrenta enormes obstáculos para voltar a crescer e reduzir o desemprego que atinge um quarto da população em idade de trabalhar.
Em troca, terá de fazer uma profunda reforma do Estado, com mais cortes de gastos e aumentos impostos. O acordo divide o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza), um partido de esquerda eleito em 25 de janeiro de 2015, no auge da crise.
Na madrugada de hoje, quando o Parlamento aprovou o acordo, 40 deputados da Syriza votaram contra, inclusive o ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis. O primeiro-ministro Alexis Tsipras precisou de votos da oposição. É grande a chance de realização de novas eleições ainda neste ano.
A Grécia cresceu 0,8% no segundo trimestre, escapando de uma recessão, depois de perder cerca de 25% do produto interno bruto desde o início da crise da dívida pública, em 2009. Apesar da redução de parte da dívida, o total está hoje em 320 bilhões de euros e deve chegar a 200% do PIB.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) está exigindo nova redução do montante total da dívida grega para participar deste terceiro programa. Os governos da Eurozona, que detêm hoje mais de 80% da dívida grega, relutam em aceitar um novo corte da dívida, especialmente Alemanha, Finlândia, Holanda e países da Europa Oriental.
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quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Parlamento da Grécia discute proposta de acordo com credores
O projeto de lei sobre o terceiro programa de ajuda internacional, apresentado ontem, começa a ser discutido hoje no Parlamento da Grécia e deve ser votado até amanhã. Hoje sai o resultado do produto interno bruto do segundo trimestre. A expectativa é de forte contração.
Amanhã, os ministros das Finanças do Grupo do Euro voltam a debater o acordo anunciado em 11 de agosto para a Grécia receber 86 bilhões de euros ao longo de três anos. Em troca, o governo grego se comprometeu a realizar reformas que incluem 35 medidas acertadas com os parceiros da Zona do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), a mal afamada troika.
A Grécia teme que a Alemanha decida dar um empréstimo-ponte em vez de liberar logo os fundos do novo programa de ajuda, com o objetivo de impor novas exigências. E o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) enfrenta problemas internos.
Uma parte do partido não concorda com o acordo. Gostaria de romper com a Eurozona e até com a União Europeia, ao contrário do que quer a maioria dos gregos. O primeiro-ministro Alexis Tsipras depende de votos dos partidos tradicionais, Nova Democracia, de direita, e o Partido Socialista Pan-Helênico (Pasok), para aprovar os acordos internacionais.
A votação do acordo será um bom teste para a coesão do governo em Atenas.
Amanhã, os ministros das Finanças do Grupo do Euro voltam a debater o acordo anunciado em 11 de agosto para a Grécia receber 86 bilhões de euros ao longo de três anos. Em troca, o governo grego se comprometeu a realizar reformas que incluem 35 medidas acertadas com os parceiros da Zona do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), a mal afamada troika.
A Grécia teme que a Alemanha decida dar um empréstimo-ponte em vez de liberar logo os fundos do novo programa de ajuda, com o objetivo de impor novas exigências. E o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) enfrenta problemas internos.
Uma parte do partido não concorda com o acordo. Gostaria de romper com a Eurozona e até com a União Europeia, ao contrário do que quer a maioria dos gregos. O primeiro-ministro Alexis Tsipras depende de votos dos partidos tradicionais, Nova Democracia, de direita, e o Partido Socialista Pan-Helênico (Pasok), para aprovar os acordos internacionais.
A votação do acordo será um bom teste para a coesão do governo em Atenas.
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terça-feira, 11 de agosto de 2015
Grécia anuncia novo acordo com credores
A Grécia e seus sócios da Zona do Euro chegaram a um acordo preliminar para que o país receba novos empréstimos no valor 86 bilhões de euros nos próximos três anos, anunciou o ministro das Finanças grego, Euclid Tsakalotos.
"Chegamos a um acordo", declarou Tsakalatos. "Alguns pormenores ainda estão em discussão."
Os bancos gregos devem receber imediatamente 10 bilhões de euros para se recapitalizar, mas analistas de mercado estimam que o rombo possa ser de até 120 bilhões de euros.
Depois do rompimento das negociações e de um referendo que rejeitou a proposta da Europa, a Grécia esteve perto de deixar a união monetária. Sua economia ainda está muito fragilizada, com os bancos à beira do colapso.
Será o terceiro plano de ajuda desde que a Grécia quebrou em 2009 e não conseguiu mais refinanciar sua dívida pública no mercado financeiro. Os acordos anteriores somaram 240 bilhões, mas, nos últimos anos, a economia grega entrou em depressão, caindo 25%, e a dívida está em 320 bilhões de euros, quase 200% do produto interno bruto.
"Chegamos a um acordo", declarou Tsakalatos. "Alguns pormenores ainda estão em discussão."
Os bancos gregos devem receber imediatamente 10 bilhões de euros para se recapitalizar, mas analistas de mercado estimam que o rombo possa ser de até 120 bilhões de euros.
Depois do rompimento das negociações e de um referendo que rejeitou a proposta da Europa, a Grécia esteve perto de deixar a união monetária. Sua economia ainda está muito fragilizada, com os bancos à beira do colapso.
Será o terceiro plano de ajuda desde que a Grécia quebrou em 2009 e não conseguiu mais refinanciar sua dívida pública no mercado financeiro. Os acordos anteriores somaram 240 bilhões, mas, nos últimos anos, a economia grega entrou em depressão, caindo 25%, e a dívida está em 320 bilhões de euros, quase 200% do produto interno bruto.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Bolsa de Atenas reabre com queda de 16,23%
Depois de ficar cinco semanas fechada, a Bolsa de Valores de Atenas, na Grécia, registrou uma queda de 16,23%. A última queda desde nível foi de 15,3% em dezembro de 1987.
Na abertura, a queda era de 22,8%. Ao longo do dia, houve alguma recuperação das perdas. O mercado financeiro grego não funcionava desde 26 de junho de 2015.
A forte baixa reflete a queda forte na produção industrial, a redução das encomendas à indústria e a fragilidade dos bancos, observa o jornal inglês Financial Times. As ações dos bancos chegaram perto do limite de queda de 30%, a partir do qual as negociações teriam de parar.
Na abertura, a queda era de 22,8%. Ao longo do dia, houve alguma recuperação das perdas. O mercado financeiro grego não funcionava desde 26 de junho de 2015.
A forte baixa reflete a queda forte na produção industrial, a redução das encomendas à indústria e a fragilidade dos bancos, observa o jornal inglês Financial Times. As ações dos bancos chegaram perto do limite de queda de 30%, a partir do qual as negociações teriam de parar.
segunda-feira, 20 de julho de 2015
Merkel admite reduzir dívida da Grécia
A Grécia poderá negociar uma redução de sua dívida pública nos próximos meses, se os credores confirmarem que o país está fazendo as reformas econômicas prometidas para equilibrar as contas do governo, admitiu ontem a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, em entrevista à TV ARD.
O acordo de ajuda à Grécia desestabilizou o Grupo do Euro, especialmente o eixo Berlim-Paris. Desde a introdução do euro como moeda comum, em 1999, a França defende a criação de um conselho de governo para a Zona do Euro. O presidente francês, François Hollande, voltou a insistir nesta ideia, que não agrada à Alemanha.
O acordo de ajuda à Grécia desestabilizou o Grupo do Euro, especialmente o eixo Berlim-Paris. Desde a introdução do euro como moeda comum, em 1999, a França defende a criação de um conselho de governo para a Zona do Euro. O presidente francês, François Hollande, voltou a insistir nesta ideia, que não agrada à Alemanha.
FMI recebe 2 bilhões de euros da Grécia
O Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmou hoje o recebimento de 2 bilhões de euros (R$ 7 bilhões) devidos pela Grécia, anunciou o canal de televisão americano CNBC, especializado em noticiário econômico.
O Ministério das Finanças da Grécia disse que o governo pagou 470 milhões de euros (R$ 1,64 bilhão) ao Banco da Grécia e 4,24 bilhões de euros (R$ 14,8 bilhões) ao Banco Central Europeu (BCE).
O Ministério das Finanças da Grécia disse que o governo pagou 470 milhões de euros (R$ 1,64 bilhão) ao Banco da Grécia e 4,24 bilhões de euros (R$ 14,8 bilhões) ao Banco Central Europeu (BCE).
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Grupo do Euro ajuda de emergência de 7 bilhões à Grécia
Os outros 18 países da Zona do Euro aprovaram hoje um empréstimo de emergência de 7 bilhões de euros para a economia da Grécia funcionar enquanto conclui as negociações do terceiro programa de resgate financeiro, no valor de 86 bilhões de euros.
Em nota, o Grupo do Euro declarou que, "depois da avaliação positiva das instituições", deu o aval ao empréstimo, que tem prazo de três anos. Esse dinheiro será liberado até segunda-feira, em tempo para o governo grego honrar um pagamento de 3,5 bilhões de euros devido ao Banco Central Europeu (BCE) com vencimento em 20 de julho de 2015.
As instituições são a Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, o BCE e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a chamada troika.
Em nota, o Grupo do Euro declarou que, "depois da avaliação positiva das instituições", deu o aval ao empréstimo, que tem prazo de três anos. Esse dinheiro será liberado até segunda-feira, em tempo para o governo grego honrar um pagamento de 3,5 bilhões de euros devido ao Banco Central Europeu (BCE) com vencimento em 20 de julho de 2015.
As instituições são a Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, o BCE e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a chamada troika.
BCE amplia ajuda de emergência a bancos da Grécia
Um dia depois que o Parlamento da Grécia aprovou o novo programa de ajuda proposto pelos sócios da Zona do Euro, o Banco Central Europeu (BCE) ampliou hoje em 900 milhões de euros a linha de crédito de emergência para evitar a falência dos bancos gregos.
Em entrevista coletiva, o presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, justificou a medida tendo em vista "diversos avanços positivos" nas negociações da Grécia com os credores internacionais para acertar o terceiro programa de resgate financeiro da dívida pública do país.
Os bancos gregos estão fechado desde 29 de junho. Os correntistas só podem sacar 60 euros por dia por conta bancária. A ajuda de liquidez de emergência já era de 89 milhões. Houve um aumento pequeno, mas indica a disposição do BCE de evitar um colapso do sistema financeiro da Grécia.
Com conflitos na rua entre a polícia e manifestantes contrário ao acordo, e apesar dos votos contrários de 39 deputados do partido do governo, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza), o Parlamento da Grécia aprovou ontem o acordo por 229 a 64, com seis abstenções.
Horas antes, a Assembleia Nacional e o Senado da França aprovaram o acordo sem problemas. A maior dificuldade deve ocorrer no Parlamento da Alemanha, onde há forte resistência da opinião pública em emprestar mais dinheiro à Grécia. A votação em Berlim será amanhã.
Em entrevista coletiva, o presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, justificou a medida tendo em vista "diversos avanços positivos" nas negociações da Grécia com os credores internacionais para acertar o terceiro programa de resgate financeiro da dívida pública do país.
Os bancos gregos estão fechado desde 29 de junho. Os correntistas só podem sacar 60 euros por dia por conta bancária. A ajuda de liquidez de emergência já era de 89 milhões. Houve um aumento pequeno, mas indica a disposição do BCE de evitar um colapso do sistema financeiro da Grécia.
Com conflitos na rua entre a polícia e manifestantes contrário ao acordo, e apesar dos votos contrários de 39 deputados do partido do governo, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza), o Parlamento da Grécia aprovou ontem o acordo por 229 a 64, com seis abstenções.
Horas antes, a Assembleia Nacional e o Senado da França aprovaram o acordo sem problemas. A maior dificuldade deve ocorrer no Parlamento da Alemanha, onde há forte resistência da opinião pública em emprestar mais dinheiro à Grécia. A votação em Berlim será amanhã.
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terça-feira, 14 de julho de 2015
FMI adverte que ajuda à Grécia pode ser insuficiente
O Fundo Monetário Internacional (FMI) suscitou hoje dúvidas sobre a capacidade da Grécia de cumprir os compromissos assumidos e advertiu os países da Zona do Euro a iniciar um processo de reestruturação da dívida para garantir que o programa iria funcionar.
Nos últimos dias, o FMI alertou várias vezes que a Grécia precisa de uma redução da dívida, além do acordo de 86 bilhões de euros (R$ 297 bilhões).
A economia grega, deprimida com uma queda de 25% no produto interno bruto nos últimos seis anos, ficou ainda mais fragilizada pela imposição de controle de capitais e o fechamento dos bancos.
Com medo da desvalorização de suas poupanças, os gregos correram às compras de produtos de longa duração, desequilibrando ainda mais a economia do país.
Além da redução da dívida, uma reestruturação poderia alongar os prazos de pagamento da dívida pública da Grécia, mas seus 18 sócios do Grupo do Euro só admitem uma renegociação se o país fizer as reformas, cortar gastos e aumentar impostos para equilibrar as contas do governo.
Nos últimos dias, o FMI alertou várias vezes que a Grécia precisa de uma redução da dívida, além do acordo de 86 bilhões de euros (R$ 297 bilhões).
A economia grega, deprimida com uma queda de 25% no produto interno bruto nos últimos seis anos, ficou ainda mais fragilizada pela imposição de controle de capitais e o fechamento dos bancos.
Com medo da desvalorização de suas poupanças, os gregos correram às compras de produtos de longa duração, desequilibrando ainda mais a economia do país.
Além da redução da dívida, uma reestruturação poderia alongar os prazos de pagamento da dívida pública da Grécia, mas seus 18 sócios do Grupo do Euro só admitem uma renegociação se o país fizer as reformas, cortar gastos e aumentar impostos para equilibrar as contas do governo.
terça-feira, 7 de julho de 2015
UE convoca reunião de cúpula sobre a Grécia para domingo
No fim de uma reunião de emergência do Grupo do Euro para analisar o não do referendo da Grécia a um acordo com os credores internacionais, a União Europeia convocou um encontro de cúpula de todo o bloco para domingo. O governo grego tem até quinta-feira para apresentar um novo plano de ajuste fiscal.
Sem flexibilizar sua posição, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, deixou claro há pouco: cabe à Grécia apresentar uma proposta que vá além da anterior, rejeitada no referendo, que não está mais na mesa de negociações.
Enquanto o primeiro-ministro da França, Manuel Valls, ainda considera inadmissível uma saída da Grécia da Zona do Euro, que teria um custo estimado em 1,4 trilhão de euros, uma pesquisa feita por um jornal grego indica que 16 dos 19 países da Eurozona querem a saída da Grécia.
Sem flexibilizar sua posição, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, deixou claro há pouco: cabe à Grécia apresentar uma proposta que vá além da anterior, rejeitada no referendo, que não está mais na mesa de negociações.
Enquanto o primeiro-ministro da França, Manuel Valls, ainda considera inadmissível uma saída da Grécia da Zona do Euro, que teria um custo estimado em 1,4 trilhão de euros, uma pesquisa feita por um jornal grego indica que 16 dos 19 países da Eurozona querem a saída da Grécia.
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Alemanha e França deixam porta entreaberta para a Grécia
Durante um encontro de cúpula em Paris entre o presidente François Hollande e a primeira-ministra Angela Merkel, o eixo França-Alemanha decidiu dar uma chance ao governo radical de esquerda da Grécia com base na "solidariedade com responsabilidade".
Depois da vitória do não à proposta anterior dos credores internacionais no referendo de domingo passado, a Grécia deve apresentar um plano de ajuste fiscal e renegociação da dívida pública amanhã, na reunião de cúpula de emergência do Grupo do Euro.
Em princípio, o governo grego gostaria de uma redução no valor total da dívida, de 340 bilhões de euros ou 178% do produto interno bruto, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou "impagável" na semana passada, e de uma moratória para permitir a retomada do crescimento sem ter de pagar a dívida ao mesmo tempo.
Enquanto os governos de esquerda da França e da Itália querem flexibilizar as regras da ajuda à Grécia, a Alemanha insiste em manter a disciplina para dar credibilidade à moeda comum europeia, modelada no marco alemão. Merkel deixou escapar que "a proposta anterior era boa".
Por outro lado, a saída da Grécia abalaria o princípio de que a união monetária é irrevogável, enfraquecendo o euro e seu papel de moeda forte de uma economia europeia liderada pela Alemanha.
A avaliação no momento é que não há risco de contágio de outras economias da periferia da Eurozona que tiveram problemas nos últimos anos, como Portugal, Irlanda, Espanha e Itália. Mas a recuperação dessas economias é frágil, baseada na queda dos preços do petróleo e na política de jogar mais dinheiro em circulação do Banco Central Europeu.
Os problemas estruturais, como o desemprego de 24% na Espanha e a dívida de 132% do produto interno bruto da Itália, não foram resolvidos. Se a Grécia sair da união monetária, estes países podem ser alvo de ataques especulativos.
Há também o risco do contágio político. A crise gerou o partido de esquerda espanhol Podemos, que se considera irmão do partido Coligação de Esquerda Radical (Syriza), do primeiro-ministro Alexis Tsipras. Uma vitória da esquerda na Grécia espalharia o modelo antiausteridade fiscal por toda a União Europeia. O problema, no caso, é que a esquerda grega não tem bem-estar social a oferecer, só mais sacrifícios.
A preocupação da Alemanha é manter a união monetária nos seus termos, ou seja, sem uma união fiscal e bancária com transferência de fundos para países em dificuldades. Por isso, exigiu o pacto de sustentabilidade e crescimento que limita o déficit orçamentário em 3% do PIB e o total da dívida pública em 60% do PIB.
Nos Estados Unidos, se um banco de qualquer estado da União falir, o depositante estará segurado pela Corporação Federal de Garantia de Depósitos (FCIC). Na Europa, não existe mecanismo semelhante. Os gregos estão correndo aos bancos para sacar seu dinheiro e o sistema financeiro está à beira do colapso.
O BCE é rigorosamente proibido de realocar fundos de um país-membro para outro. Está mantendo os bancos gregos agonizantes com a assistência de liquidez de emergência. O poder de fato está nos governos nacionais e não nas instituições europeias.
Um risco para Angela Merkel é um acordo que mine a popularidade do seu governo e do próprio projeto de integração da Europa. O eleitorado alemão é contra a transferência do seu dinheiro para outros países, especialmente de um que não se mostra interessado em pagar a conta.
A ascensão de partidos antieuropeus como Alternativa para a Alemanha seria inevitável, a exemplo do que aconteceu com a Frente Nacional na França e o Partido da Independência do Reino Unido. Salvar a Zona do Euro comprometendo sua função de consolidar o mercado europeu e de ser uma moeda forte como o marco não interessa à Alemanha.
O lançamento do euro deu moeda forte, juros baixos e crédito barato a países que nunca haviam tido nada parecido. Uma união monetária entre a Grécia e a Itália não faria sentido. O euro foi construído ao redor do marco alemão e beneficiou principalmente a Alemanha, com sua alta produtividade, diminuindo a competitividade dos países da periferia, que ainda enfrentaram a concorrência das importações da China.
Quando a crise de 2008 estourou, o déficit público grego era de 6% do PIB. A dívida estava em 130% do PIB. Em 2009, o governo admitiu que o déficit chegara a 13%.
Sem conseguir financiamento no mercado a partir de 2009, a Grécia fez dois acordos com a chamada troika, o Grupo do Euro, o FMI e o BCE, em 2010 e 2012, em troca de empréstimos de 240 bilhões de euros.
Na renegociação, a dívida grega foi reduzida e hoje está quase todas nas mãos de bancos estatais e organizações internacionais. Mas o país teve de submeter a um programa rigoroso de cortes nos gastos públicos e aumentos de impostos que agravaram a crise.
Portugal, a Irlanda e a Espanha também receberam ajuda e estão em recuperação. A Grécia, que entrara tardiamente na união monetária, em 2001, numa jogada política, naufragou.
Nos últimos seis anos, o PIB grego caiu 25%. O desemprego está em 25% e em mais de 50% entre os jovens. Nesse cenário de terra arrasada, a Syriza venceu as eleições de 25 de janeiro de 2015 prometendo acabar com a austeridade.
Sem acordo com a troika por rejeitar uma nova rodada de restrições, Tsipras apelou para o referendo de domingo passado. Ganhou o apoio de 61,3% dos gregos. Mas terá de apresentar um plano para tornar as finanças públicas da Grécia sustentáveis a longo prazo. Até agora, não foi capaz.
A queda do performático ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, não significa muito. O novo ministro, Euclid Tsakalotos, já era o principal negociador do governo.
Desde que chegou ao poder, Tsipras manobra para mudar a posição dos credores. O referendo foi sua última cartada. Ele pretende usar o relatório do FMI para alegar que a dívida é impagável, mas é improvável que a França e a Itália queiram flexibilizar as regras a ponto de confrontar a Alemanha, que não parece muito disposta a se mexer.
Depois da vitória do não à proposta anterior dos credores internacionais no referendo de domingo passado, a Grécia deve apresentar um plano de ajuste fiscal e renegociação da dívida pública amanhã, na reunião de cúpula de emergência do Grupo do Euro.
Em princípio, o governo grego gostaria de uma redução no valor total da dívida, de 340 bilhões de euros ou 178% do produto interno bruto, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou "impagável" na semana passada, e de uma moratória para permitir a retomada do crescimento sem ter de pagar a dívida ao mesmo tempo.
Enquanto os governos de esquerda da França e da Itália querem flexibilizar as regras da ajuda à Grécia, a Alemanha insiste em manter a disciplina para dar credibilidade à moeda comum europeia, modelada no marco alemão. Merkel deixou escapar que "a proposta anterior era boa".
Por outro lado, a saída da Grécia abalaria o princípio de que a união monetária é irrevogável, enfraquecendo o euro e seu papel de moeda forte de uma economia europeia liderada pela Alemanha.
A avaliação no momento é que não há risco de contágio de outras economias da periferia da Eurozona que tiveram problemas nos últimos anos, como Portugal, Irlanda, Espanha e Itália. Mas a recuperação dessas economias é frágil, baseada na queda dos preços do petróleo e na política de jogar mais dinheiro em circulação do Banco Central Europeu.
Os problemas estruturais, como o desemprego de 24% na Espanha e a dívida de 132% do produto interno bruto da Itália, não foram resolvidos. Se a Grécia sair da união monetária, estes países podem ser alvo de ataques especulativos.
Há também o risco do contágio político. A crise gerou o partido de esquerda espanhol Podemos, que se considera irmão do partido Coligação de Esquerda Radical (Syriza), do primeiro-ministro Alexis Tsipras. Uma vitória da esquerda na Grécia espalharia o modelo antiausteridade fiscal por toda a União Europeia. O problema, no caso, é que a esquerda grega não tem bem-estar social a oferecer, só mais sacrifícios.
A preocupação da Alemanha é manter a união monetária nos seus termos, ou seja, sem uma união fiscal e bancária com transferência de fundos para países em dificuldades. Por isso, exigiu o pacto de sustentabilidade e crescimento que limita o déficit orçamentário em 3% do PIB e o total da dívida pública em 60% do PIB.
Nos Estados Unidos, se um banco de qualquer estado da União falir, o depositante estará segurado pela Corporação Federal de Garantia de Depósitos (FCIC). Na Europa, não existe mecanismo semelhante. Os gregos estão correndo aos bancos para sacar seu dinheiro e o sistema financeiro está à beira do colapso.
O BCE é rigorosamente proibido de realocar fundos de um país-membro para outro. Está mantendo os bancos gregos agonizantes com a assistência de liquidez de emergência. O poder de fato está nos governos nacionais e não nas instituições europeias.
Um risco para Angela Merkel é um acordo que mine a popularidade do seu governo e do próprio projeto de integração da Europa. O eleitorado alemão é contra a transferência do seu dinheiro para outros países, especialmente de um que não se mostra interessado em pagar a conta.
A ascensão de partidos antieuropeus como Alternativa para a Alemanha seria inevitável, a exemplo do que aconteceu com a Frente Nacional na França e o Partido da Independência do Reino Unido. Salvar a Zona do Euro comprometendo sua função de consolidar o mercado europeu e de ser uma moeda forte como o marco não interessa à Alemanha.
O lançamento do euro deu moeda forte, juros baixos e crédito barato a países que nunca haviam tido nada parecido. Uma união monetária entre a Grécia e a Itália não faria sentido. O euro foi construído ao redor do marco alemão e beneficiou principalmente a Alemanha, com sua alta produtividade, diminuindo a competitividade dos países da periferia, que ainda enfrentaram a concorrência das importações da China.
Quando a crise de 2008 estourou, o déficit público grego era de 6% do PIB. A dívida estava em 130% do PIB. Em 2009, o governo admitiu que o déficit chegara a 13%.
Sem conseguir financiamento no mercado a partir de 2009, a Grécia fez dois acordos com a chamada troika, o Grupo do Euro, o FMI e o BCE, em 2010 e 2012, em troca de empréstimos de 240 bilhões de euros.
Na renegociação, a dívida grega foi reduzida e hoje está quase todas nas mãos de bancos estatais e organizações internacionais. Mas o país teve de submeter a um programa rigoroso de cortes nos gastos públicos e aumentos de impostos que agravaram a crise.
Portugal, a Irlanda e a Espanha também receberam ajuda e estão em recuperação. A Grécia, que entrara tardiamente na união monetária, em 2001, numa jogada política, naufragou.
Nos últimos seis anos, o PIB grego caiu 25%. O desemprego está em 25% e em mais de 50% entre os jovens. Nesse cenário de terra arrasada, a Syriza venceu as eleições de 25 de janeiro de 2015 prometendo acabar com a austeridade.
Sem acordo com a troika por rejeitar uma nova rodada de restrições, Tsipras apelou para o referendo de domingo passado. Ganhou o apoio de 61,3% dos gregos. Mas terá de apresentar um plano para tornar as finanças públicas da Grécia sustentáveis a longo prazo. Até agora, não foi capaz.
A queda do performático ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, não significa muito. O novo ministro, Euclid Tsakalotos, já era o principal negociador do governo.
Desde que chegou ao poder, Tsipras manobra para mudar a posição dos credores. O referendo foi sua última cartada. Ele pretende usar o relatório do FMI para alegar que a dívida é impagável, mas é improvável que a França e a Itália queiram flexibilizar as regras a ponto de confrontar a Alemanha, que não parece muito disposta a se mexer.
Ministro das Finanças da Grécia pede demissão
Um dia depois da vitória do governo no referendo em que a Grécia rejeitou a proposta dos credores internacionais, o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, nas suas próprias palavras, para "facilitar as negociações" sobre a dívida pública do país.
Em telefonema à chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, o primeiro-ministro Alexis Tsipras avisou que a Grécia apresenta uma nova proposta amanhã, numa reunião de cúpula de emergência do Grupo do Euro, mas não antecipou os detalhes.
"Se a Grécia quer ficar na Zona do Euro, o governo grego tem de fazer rapidamente uma proposta substancial que vá além do que fez até agora", declarou o vice-primeiro-ministro e ministro da Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel.
Na mesa de negociações, a situação não muda muito. O novo ministro das Finanças da Grécia, Euclid Tsakalotos, já era o principal negociador grego antes do referendo em que 61,3% disseram não à chamada troika, formada pelo Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).
Depois de fazer discurso em tom de aulas aos outros ministros das Finanças da União Europeia, Varoufakis já estava marginalizado. Com seu estilo franco e rude, acusou os líderes europeus de fazerem "terrorismo" antes da votação.
Em telefonema à chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, o primeiro-ministro Alexis Tsipras avisou que a Grécia apresenta uma nova proposta amanhã, numa reunião de cúpula de emergência do Grupo do Euro, mas não antecipou os detalhes.
"Se a Grécia quer ficar na Zona do Euro, o governo grego tem de fazer rapidamente uma proposta substancial que vá além do que fez até agora", declarou o vice-primeiro-ministro e ministro da Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel.
Na mesa de negociações, a situação não muda muito. O novo ministro das Finanças da Grécia, Euclid Tsakalotos, já era o principal negociador grego antes do referendo em que 61,3% disseram não à chamada troika, formada pelo Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).
Depois de fazer discurso em tom de aulas aos outros ministros das Finanças da União Europeia, Varoufakis já estava marginalizado. Com seu estilo franco e rude, acusou os líderes europeus de fazerem "terrorismo" antes da votação.
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domingo, 5 de julho de 2015
Alemanha e França convocam reunião de cúpula de emergência da UE
Diante da rejeição da Grécia à proposta dos credores internacionais num referendo sobre a dívida pública do país, o presidente da França, François Hollande, e a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, convocaram uma reunião de cúpula de emergência dos países do Zona do Euro para a próxima terça-feira
Por 61,3% a 38,7%, seguindo a orientação do governo da Coligação de Esquerda Radical, a maioria do eleitorado grego rejeitou o plano de ajuste fiscal imposto pelo Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).
Amanhã, Merkel vai a Paris discutir uma posição conjunta com Hollande. Até agora, o socialista Hollande defende o reinício das negociações, mas a líder conservadora alemã se mostra inflexível, recusando-se a reabrir as negociações. Se mantiver esta posição, só restará à Grécia abandonar o euro.
Confiante, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras declarou a vitória do não "não é uma ruptura com a Europa", mas um reforço a seu poder de negociação.
A situação mais crítca é dos bancos gregos, que não terão dinheiro para abrir na terça-feira se o BCE não ampliar uma linha de crédito de emergência.
Por 61,3% a 38,7%, seguindo a orientação do governo da Coligação de Esquerda Radical, a maioria do eleitorado grego rejeitou o plano de ajuste fiscal imposto pelo Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).
Amanhã, Merkel vai a Paris discutir uma posição conjunta com Hollande. Até agora, o socialista Hollande defende o reinício das negociações, mas a líder conservadora alemã se mostra inflexível, recusando-se a reabrir as negociações. Se mantiver esta posição, só restará à Grécia abandonar o euro.
Confiante, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras declarou a vitória do não "não é uma ruptura com a Europa", mas um reforço a seu poder de negociação.
A situação mais crítca é dos bancos gregos, que não terão dinheiro para abrir na terça-feira se o BCE não ampliar uma linha de crédito de emergência.
Projeções dão vitória ao não na Grécia com 61%
Com mais de um terço dos votos apurados, as projeções do Ministério do Interior da Grécia apontam a vitória do não à proposta dos credores internacionais para renegociar a dívida pública do país com mais de 60%, informou o jornal francês Le Monde. Contados 40% dos votos, o não lidera para 61% a 39%.
É uma vitória para o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) e uma derrota para as políticas de austeridade fiscal rigorosas impostas pela Alemanha e outros países ricos do Norte da Europa, entre Holanda, a Finlândia e a Dinamarca, para enfrentar a crise das dívidas públicas dos países da periferia da Zona do Euro. O problema começou na Grécia em 2009 e atingiu Portugal, Irlanda, Espanha e Itália. Hoje, está limitado à Grécia.
Desde 2010, a Grécia recebeu uma ajuda de 240 bilhões de euros e a dívida aumentou percentualmente de 130% para 178% do produto interno bruto. É hoje de 340 bilhões de euros. Sob o impacto dos cortes de gastos e aumentos de impostos, o PIB caiu 25%. O desemprego está em 25% e, entre os jovens, em 55%. Não há democracia que resista.
A multidão que se concentra neste momento para a festa da vitória, na Praça Sintagma, diante do Parlamento da Grécia, é majoritariamente jovem. Votou na esperança.
É uma vitória para o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) e uma derrota para as políticas de austeridade fiscal rigorosas impostas pela Alemanha e outros países ricos do Norte da Europa, entre Holanda, a Finlândia e a Dinamarca, para enfrentar a crise das dívidas públicas dos países da periferia da Zona do Euro. O problema começou na Grécia em 2009 e atingiu Portugal, Irlanda, Espanha e Itália. Hoje, está limitado à Grécia.
Desde 2010, a Grécia recebeu uma ajuda de 240 bilhões de euros e a dívida aumentou percentualmente de 130% para 178% do produto interno bruto. É hoje de 340 bilhões de euros. Sob o impacto dos cortes de gastos e aumentos de impostos, o PIB caiu 25%. O desemprego está em 25% e, entre os jovens, em 55%. Não há democracia que resista.
A multidão que se concentra neste momento para a festa da vitória, na Praça Sintagma, diante do Parlamento da Grécia, é majoritariamente jovem. Votou na esperança.
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