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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Argentina pede moratória de dívidas de US$ 101 bilhões

Em mais uma crise econômica profunda, a Argentina quer mais tempo para pagar as dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os credores privados, num total de US$ 101 bilhões, mais de R$ 400 bilhões.

A proposta era uma bandeira da campanha da oposição peronista. Diante da fragorosa derrota do presidente Mauricio Macri para a chapa kirchnerista nas eleições primárias realizadas em 11 de agosto e da reação negativa dos mercados, o atual governo resolveu partir para a reestruturação da dívida. 

O novo ministro da Fazenda, Hernán Lacunza, justificou o novo pedido de moratória alegando problemas de liquidez em curto prazo e não dificuldades para pagar em longo prazo. Mas o problema mesmo é o fantasma da volta do peronismo kirchnerista. Meu comentário:
Depois de gastar US$ 3 bilhões na quinta e na sexta-feira para sustentar o peso, o governo argentino impôs o controle de capitais. O Banco Central vai exigir dos exportadores que repatriem o dinheiro de vendas ao exterior e todas as empresas, não somente os bancos, terão de pedir autorização para vender pesos em troca de moedas estrangeiras.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Venezuela anuncia calote e pede renegociação da dívida

Com o país falido pelas políticas desastrosas do "socialismo do século 21", o presidente Nicolás Maduro anunciou hoje à noite na televisão que a Venezuela vai honrar o pagamento de US$ 1,1 bilhão a investidores em bônus da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) com vencimento hoje. Mas daqui para a frente pretende renegociar a dívida venezuelana.

Numa economia com inflação de 1.200% ao ano e queda de 15% a 20% no produto interno bruto nos últimos anos, o calote era esperando. A dúvida era quando. O país não tem dinheiro para importar papel higiênico, remédios e alimentos, mas Maduro continuava pagando as dívidas no mercado internacional.

O regime chavista pagou o principal, mas os juros atrasados já somam US$ 826 milhões, de acordo com uma estimativa da corretora Nomura Securities International citada pelo jornal americano The Wall Street Journal.

Sem declarar moratória, o ditador venezuelano avisou que buscar uma "reestruturação voluntária" da dívida do país, estimada em US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões, o que o coloca em conflito direto com os credores num momento em que a Venezuela enfrenta sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos em agosto para a emissão novos títulos que teriam de substituir os atuais.

Maduro nomeou como principal negociador o vice-presidente Tareck El-Aissami. Desde fevereiro, ele está numa lista de pessoas atingidas por sanções, no seu caso, por supostas ligações com o tráfico internacional de drogas.

O presidente da Assembleia Nacional, dominada pela oposição, deputado Julio Borges, declarou no Twitter ser impossível renegociar a dívida porque "ninguém confia no governo".

Borges culpou o ditador e foi citado pelo jornal venezuelano El Nacional: "Maduro é um traidor que endividou a Venezuela e estamos morrendo de fome. Devemos US$ 120 bilhões aproximadamente. Onde está esse dinheiro? Alguém viu? O que se vê é fome, miséria, morte e destruição da indústria nacional."

terça-feira, 14 de julho de 2015

FMI adverte que ajuda à Grécia pode ser insuficiente

O Fundo Monetário Internacional (FMI) suscitou hoje dúvidas sobre a capacidade da Grécia de cumprir os compromissos assumidos e advertiu os países da Zona do Euro a iniciar um processo de reestruturação da dívida para garantir que o programa iria funcionar.

Nos últimos dias, o FMI alertou várias vezes que a Grécia precisa de uma redução da dívida, além do acordo de 86 bilhões de euros (R$ 297 bilhões).

A economia grega, deprimida com uma queda de 25% no produto interno bruto nos últimos seis anos, ficou ainda mais fragilizada pela imposição de controle de capitais e o fechamento dos bancos.

Com medo da desvalorização de suas poupanças, os gregos correram às compras de produtos de longa duração, desequilibrando ainda mais a economia do país.

Além da redução da dívida, uma reestruturação poderia alongar os prazos de pagamento da dívida pública da Grécia, mas seus 18 sócios do Grupo do Euro só admitem uma renegociação se o país fizer as reformas, cortar gastos e aumentar impostos para equilibrar as contas do governo.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Argentina não faz acordo e calote é iminente

A Argentina não chegou a um acordo com os credores que rejeitaram as renegociações da dívida pública do país em 2005 e 2010 e exigem pagamento integral. O mediador das negociações num tribunal federal de Nova York, nos Estados Unidos, Daniel Pollack, declarou há pouco que o calote é iminente, noticiou o jornal The Wall St. Journal. Como tem dinheiro, a Argentina entra numa "moratória técnica".

Em entrevista no consulado argentino em Nova York, o ministro da Economia, Axel Kicillof, não descartou a possibilidade de um acordo entre bancos privados argentinos e os fundos de investimento para evitar um calote que seria ruinoso para a economia do país, informa o jornal Clarín. A tentativa do setor financeiro argentino de comprar os papéis em mãos dos fundos que rejeitam um desconto tem o apoio do presidente do Banco Central, Juan Carlos Fábrega, e a oposição de Kicillof.

Depois de criticar a decisão como "inadequada", o jovem ministro explicou que a Argentina pediu mais tempo para os credores. Kicillof disse que, "se aceitamos o que pedem, esta demanda se multiplica por cem. O juiz Thomas Griesa quer nos obrigar a fazer um acordo que seria um tremendo erro para o governo argentino." Resta ver o que sairá mais caro: um mau acordo ou o calote?

Kicillof esclareceu que "a posição argentina não mudou em relação ao que foi dito por mim e pela presidente sobre o que estamos dispostos a fazer. Em seguida, enumerou os pontos centrais da Argentina:
  1. "Não fazer nenhum acordo lesivo ao país."
  2. "Defender as negociações exitosas de 2005 e 2010."
  3. "Tomar todas as medidas previstas em nossos contratos com base na lei nacional e internacional."
Quase 93% dos cerca de US$ 100 bilhões de títulos caloteados na crise de 2001-2 foram renegociados com desconto em relação ao valor devido pela Argentina. Os outros detentores de bônus não aceitaram, e alguns fundos de investimento especializados em "papéis podres" compraram os títulos argentinos por um valor irrisório e entraram na Justiça exigindo pagamento integral.

Como as renegociações incluem uma cláusula que oferece aos novos credores as mesmas vantagens de negociações posteriores realizadas até o fim de 2014, se a Argentina pagar o US$ 1,3 bilhão, quem aceitou um desconto pode querer os mesmos termos oferecidos aos fundos especulativos.

Hoje é o prazo final, prorrogado por 30 dias, para a Argentina pagar juros aos novos credores com títulos renegociados. O dinheiro foi depositado, mas o juiz Thomas Griesa bloqueou o pagamento para garantir os direitos dos antigos credores, que teriam direito a receber antes.

Desde o início, o governo Cristina Kirchner indicou claramente a intenção de não se render aos fundos que chama de "abutres". A popularidade da presidente, abalada pela péssima situação da economia, com expectativa de 40% de inflação para este ano, subiu, mas os empresários argentinos estão muito preocupados. O país já está em recessão. O calote só pode tornar a crise ainda pior.

O Brasil também será afetado. As exportações para a Argentina despencaram e o governo deve aumentar o controle de câmbio, com impacto direto sobre a indústria automobilística nacional. Atrasada tecnologicamente, só consegue vender suas carroças para países como o vizinho.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Justiça dos EUA rejeita pedido de tempo da Argentina

Treze anos depois do colapso da dolarização, a Argentina está mais uma vez à beira de um calote de sua dívida pública. A Justiça dos Estados Unidos rejeitou hoje um pedido do governo argentino de mais tempo para renegociar com um pequeno grupo de credores que não aceitaram as reestruturações da dívida em 2005 e 2010.

Outro pedido da Argentina, para pagar primeiro os juros devidos aos credores que aceitaram a renegociação, também foi negado. Os pagamentos terão de ser feitos ao mesmo tempo, determinou o juiz Thomas Griesa, na próxima segunda-feira.

O governo argentino depositou hoje US$ 832 milhões para pagar os novos credores. Esse dinheiro pode ser bloqueado pelo juiz para as dívidas mais antigas.

A dívida com os fundos que rejeitaram as propostas anteriores da Argentina soma apenas US$ 1,3 bilhão, mas a decisão judicial abre a possibilidade para que os outros credores peçam o mesmo tratamento, o pagamento integral da dívida sem os descontos da reestruturação.

"Não há dúvida da parcialidade do juiz em favor dos fundos-abutres e sua verdadeira intenção, de levar a Argentina à moratória e desfazer as reestruturações negociadas em 2005 e 2010", protestou o ministro da Economia do país, Axel Kicillof.

A Argentina precisa pagar pelo menos US$ 500 milhões em juros em 30 de junho de 2014. O Fundo Monetário Internacional (FMI) e até mesmo comentaristas conservadores como Martin Wolf, do jornal inglês Financial Times, criticaram a decisão. Observam que será difícil a partir de agora renegociar dívidas porque os credores irão à Justiça para receber o valor integral dos títulos caloteados.