O governo Mauricio Macri assinou hoje um acordo em Nova York para acabar com um conflito de 15 anos com os credores que não aceitaram as renegociações de dívida pública da Argentina de 2005 e 2010, noticiou a agência Reuters.
Pelo acordo anunciado pelo mediador Daniel Pollack, a Argentina vai pagar US$ 4,65 bilhões para o Elliot Management e outros fundos de investimentos que a ex-presidente Cristina Kirchner chamava de "fundos abutres" porque compraram títulos desvalorizados e exigiam receber o valor total.
Para o acordo entrar em vigor, o Congresso da Argentina terá de revogar duas leis aprovadas pelo governo anterior, que ainda tem maioria no parlamento, bloqueando a renegociação da dívida.
Voltar ao mercado internacional é uma prioridade do novo governo argentino. Só agora o país regulariza a situação com todos os credores depois do calote de US$ 100 bilhões em 2001, quando entrou em colapso a dolarização da era Carlos Menem.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Argentina não faz acordo e calote é iminente
A Argentina não chegou a um acordo com os credores que rejeitaram as renegociações da dívida pública do país em 2005 e 2010 e exigem pagamento integral. O mediador das negociações num tribunal federal de Nova York, nos Estados Unidos, Daniel Pollack, declarou há pouco que o calote é iminente, noticiou o jornal The Wall St. Journal. Como tem dinheiro, a Argentina entra numa "moratória técnica".
Em entrevista no consulado argentino em Nova York, o ministro da Economia, Axel Kicillof, não descartou a possibilidade de um acordo entre bancos privados argentinos e os fundos de investimento para evitar um calote que seria ruinoso para a economia do país, informa o jornal Clarín. A tentativa do setor financeiro argentino de comprar os papéis em mãos dos fundos que rejeitam um desconto tem o apoio do presidente do Banco Central, Juan Carlos Fábrega, e a oposição de Kicillof.
Depois de criticar a decisão como "inadequada", o jovem ministro explicou que a Argentina pediu mais tempo para os credores. Kicillof disse que, "se aceitamos o que pedem, esta demanda se multiplica por cem. O juiz Thomas Griesa quer nos obrigar a fazer um acordo que seria um tremendo erro para o governo argentino." Resta ver o que sairá mais caro: um mau acordo ou o calote?
Kicillof esclareceu que "a posição argentina não mudou em relação ao que foi dito por mim e pela presidente sobre o que estamos dispostos a fazer. Em seguida, enumerou os pontos centrais da Argentina:
Como as renegociações incluem uma cláusula que oferece aos novos credores as mesmas vantagens de negociações posteriores realizadas até o fim de 2014, se a Argentina pagar o US$ 1,3 bilhão, quem aceitou um desconto pode querer os mesmos termos oferecidos aos fundos especulativos.
Hoje é o prazo final, prorrogado por 30 dias, para a Argentina pagar juros aos novos credores com títulos renegociados. O dinheiro foi depositado, mas o juiz Thomas Griesa bloqueou o pagamento para garantir os direitos dos antigos credores, que teriam direito a receber antes.
Desde o início, o governo Cristina Kirchner indicou claramente a intenção de não se render aos fundos que chama de "abutres". A popularidade da presidente, abalada pela péssima situação da economia, com expectativa de 40% de inflação para este ano, subiu, mas os empresários argentinos estão muito preocupados. O país já está em recessão. O calote só pode tornar a crise ainda pior.
O Brasil também será afetado. As exportações para a Argentina despencaram e o governo deve aumentar o controle de câmbio, com impacto direto sobre a indústria automobilística nacional. Atrasada tecnologicamente, só consegue vender suas carroças para países como o vizinho.
Em entrevista no consulado argentino em Nova York, o ministro da Economia, Axel Kicillof, não descartou a possibilidade de um acordo entre bancos privados argentinos e os fundos de investimento para evitar um calote que seria ruinoso para a economia do país, informa o jornal Clarín. A tentativa do setor financeiro argentino de comprar os papéis em mãos dos fundos que rejeitam um desconto tem o apoio do presidente do Banco Central, Juan Carlos Fábrega, e a oposição de Kicillof.
Depois de criticar a decisão como "inadequada", o jovem ministro explicou que a Argentina pediu mais tempo para os credores. Kicillof disse que, "se aceitamos o que pedem, esta demanda se multiplica por cem. O juiz Thomas Griesa quer nos obrigar a fazer um acordo que seria um tremendo erro para o governo argentino." Resta ver o que sairá mais caro: um mau acordo ou o calote?
Kicillof esclareceu que "a posição argentina não mudou em relação ao que foi dito por mim e pela presidente sobre o que estamos dispostos a fazer. Em seguida, enumerou os pontos centrais da Argentina:
- "Não fazer nenhum acordo lesivo ao país."
- "Defender as negociações exitosas de 2005 e 2010."
- "Tomar todas as medidas previstas em nossos contratos com base na lei nacional e internacional."
Como as renegociações incluem uma cláusula que oferece aos novos credores as mesmas vantagens de negociações posteriores realizadas até o fim de 2014, se a Argentina pagar o US$ 1,3 bilhão, quem aceitou um desconto pode querer os mesmos termos oferecidos aos fundos especulativos.
Hoje é o prazo final, prorrogado por 30 dias, para a Argentina pagar juros aos novos credores com títulos renegociados. O dinheiro foi depositado, mas o juiz Thomas Griesa bloqueou o pagamento para garantir os direitos dos antigos credores, que teriam direito a receber antes.
Desde o início, o governo Cristina Kirchner indicou claramente a intenção de não se render aos fundos que chama de "abutres". A popularidade da presidente, abalada pela péssima situação da economia, com expectativa de 40% de inflação para este ano, subiu, mas os empresários argentinos estão muito preocupados. O país já está em recessão. O calote só pode tornar a crise ainda pior.
O Brasil também será afetado. As exportações para a Argentina despencaram e o governo deve aumentar o controle de câmbio, com impacto direto sobre a indústria automobilística nacional. Atrasada tecnologicamente, só consegue vender suas carroças para países como o vizinho.
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