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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Argentina está perto de acordo com FMI para renegociar dívida

A Argentina e o Fundo Monetário Internacional (FMI) chegaram a um acordo para reestruturar a dívida do país, anunciou hoje o jornal Clarín. O governo Alberto Fernández não confirmou os detalhes, mas declarou que há avanços nas negociações com a metade dos investidores em títulos da dívida pública argentina. 

De acordo com a reportagem, a Argentina terá um período de carência de quatro anos sem pagar a dívida para permitir a recuperação da economia do país, a dívida será reduzida em 15 por cento do valor de face e o governo peronista vai se comprometer com um programa de responsabilidade fiscal para equilibrar as contas públicas.

Se o acordo com o FMI for confirmado, será uma garantia para a renegociação com os credores privados da Argentina. O governo Fernández ainda precisa convencer os Estados Unidos, principal acionista do Fundo. Ainda está claro se os credores privados vão aceitar a oferta. 

Antes mesmo de tomar posse em 10 de dezembro, o novo presidente prometeu honrar as dívidas, mas pediu um prazo para reorganizar a economia do país e retomar o crescimento econômico para poder pagar. Meu comentário:

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Presidente argentino aposta em diálogo com credores sem abandonar política social

O peronista de esquerda toma posse amanhã, 10 de dezembro, como presidente da Argentina para um mandato de quatro anos com a ex-presidente Cristina Kirchner como vice. Assim, as duas perguntas que os argentinos, os economistas e os analistas internacionais se fizeram nos últimos meses foram: quem vai mandar e qual será a política econômica?


A Argentina vai voltar ao populismo demagógico e fiscal de Cristina ou Fernández será mais pragmático? Terá de ser para enfrentar a crise econômica legada pelo governo Maurício Macri, quando o índice de pobreza entre os argentinos urbanos subiu de 30 para 40,8 por cento. 

O país está em recessão, a inflação anual ronda 70% e os juros, a pedido de Fernández foram reduzidos para 68% ao ano. Meu comentário:

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Volta do peronismo renova dúvidas sobre a economia da Argentina

O peronismo volta ao poder na Argentina num momento de crise econômica e turbulência política na América Latina, com protestos violentos no Chile, no Equador, no Haiti, na Nicarágua e na Venezuela. Em princípio, o governo terá de ser mais pragmático do que ideológico. A grande dúvida é como a esquerda vai enfrentar a situação econômica.

A vitória da chapa peronista, formada por Alberto Fernández e Cristina Fernández de Kirchner, que não são parentes, era mais do que esperada desde as eleições primárias de 11 de agosto. A vantagem de apenas sete pontos percentuais ficou muito abaixo dos 15 pontos da primária.

O presidente Mauricio Macri conseguiu reduzir a dimensão da derrota. Sua aliança elegeu apenas um deputado a menor do que a coalizão vencedora, a Frente para Todos. Isso o qualifica como líder da oposição. 

Mas Macri foi o grande perdedor no último domingo. As reformas que propôs para, nas suas palavras, transformar a Argentina num país normal, fracassaram. O atual presidente entrega o país, em 10 de dezembro, em situação muito pior do que recebeu.

A inflação anual ronda os 60%, a economia recuou 3,8% em 12 meses, a taxa básica de juros está em 70% ao ano, o peso argentino caiu 80% durante o governo Macri, o desemprego passa de 10% ao ano, 35,4% dos argentinos vivem na miséria e agora ainda têm mais uma dívida de 57 bilhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional, o FMI. Com estes números, nenhum governo se reelege em país democrático.

Alberto Fernández recebe uma das piores heranças econômicas do mundo. Em situação pior, só consigo pensar na Venezuela e no Zimbábue. Meu comentário:

domingo, 27 de outubro de 2019

Alberto Fernández é eleito presidente da Argentina no primeiro turno

Com 98% das urnas apuradas, a chapa peronista da Frente para Todos, formada pelo ex-ministro Alberto Fernández e a ex-presidente Cristina Kirchner, ganhou a eleição presidencial deste domingo na Argentina com 48,1% contra 40,38% para o atual presidente, Mauricio Macri e a coalizão Juntos pela Mudança, noticiaram os jornais argentinos Clarín e La Nación.

A margem da vitória ficou bem abaixo dos 49,5% a 33% registrados em 11 de agosto nas eleições primárias abertas, simultâneas a obrigatórias (PASO), que davam poucas esperanças de reeleição de Macri. Pela singular lei eleitoral argentina, ganha no primeiro turno quem obtiver mais de 45% dos votos ou mais de 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Axel Kicillof, ex-ministro da Economia de Cristina Kirchner, venceu a eleição para governador da província de Buenos Aires com 52,07% dos votos contra 38,63% para a governadora María Eugenia Vidal, uma das estrelas do macrismo.

A grande vitória do macrismo foi para a Prefeitura de Buenos Aires, onde Horacio Rodríguez Larreta obteve uma ampla vitória de 55% a 35,46% sobre o peronista Matías Lammens. Sua grande derrota foi na Grande Buenos Aires, na região metropolitana da capital argentina, onde Fernández tirou quase toda sua vantagem.

Com o fracasso de suas propostas políticas liberais, Macri entrega a Argentina em situação pior do que recebeu, com inflação de 60% ao ano, queda no produto interno bruto de 3,8% em 12 meses, desvalorização do peso em 50% neste ano, uma dívida de US$ 57 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e 35,4% dos argentinos vivendo na miséria, 15 milhões a mais do que no ano passado.

A expectativa agora se volta para a reação do mercado. Há uma possibilidade de que amanhã seja feriado bancário para evitar a especulação financeiras em cima dos resultados. Fernández tem fama de ser mais pragmático do que Cristina.

Uma das questões é se Fernández vai conseguir se descolar da liderança da Cristina, se vai usar a cadeira presidencial na Casa Rosada para assumir o controle do peronista.

A história política do país registra várias traições do gênero, inclusive de Néstor Kirchner a Eduardo Duhalde, o presidente interino que bancou a candidatura do marido da Cristina pela ala esquerdista do peronismo, em 2003.

Outra é o que o governo Fernández vai propor para renegociar a dívida sem trair sua promessa de campanha de não infligir mais sacrifícios ao povo argentino nem alienar seu eleitores.

Nos discurso da vitória, Cristina saudou a reeleição de Evo Morales na Bolívia e Fernández pediu "Lula livre", descrevendo-o como um preso político.

Amanhã, Fernández toma o café da manhã com Macri para discutir a transição, especialmente como evitar o agravamento da crise econômica. Cristina não ajudou muito. Há pouco a vice-presidente eleita declarou que os presidentes governam do primeiro ao último dia. Tenta assim se eximir de responsabilidade por uma provável reação negativa do mercado com a volta do kirchnerismo ao poder. Na prática, sabota a transição.

Para evitar a especulação, o Banco Central da República Argentina limitou temporariamente em US$ 200 por mês a quantidade de dólares que se pode comprar legalmente.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Argentina pede moratória de dívidas de US$ 101 bilhões

Em mais uma crise econômica profunda, a Argentina quer mais tempo para pagar as dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os credores privados, num total de US$ 101 bilhões, mais de R$ 400 bilhões.

A proposta era uma bandeira da campanha da oposição peronista. Diante da fragorosa derrota do presidente Mauricio Macri para a chapa kirchnerista nas eleições primárias realizadas em 11 de agosto e da reação negativa dos mercados, o atual governo resolveu partir para a reestruturação da dívida. 

O novo ministro da Fazenda, Hernán Lacunza, justificou o novo pedido de moratória alegando problemas de liquidez em curto prazo e não dificuldades para pagar em longo prazo. Mas o problema mesmo é o fantasma da volta do peronismo kirchnerista. Meu comentário:
Depois de gastar US$ 3 bilhões na quinta e na sexta-feira para sustentar o peso, o governo argentino impôs o controle de capitais. O Banco Central vai exigir dos exportadores que repatriem o dinheiro de vendas ao exterior e todas as empresas, não somente os bancos, terão de pedir autorização para vender pesos em troca de moedas estrangeiras.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Peronismo obtém grande vitória em eleições prévias na Argentina

O candidato peronista Alberto Fernández, da Frente de Todos, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como candidata a vice-presidente, conquistou mais de 47% dos votos na eleição prévia para a Presidência da Argentina realizada ontem, contra apenas 32% para o presidente Mauricio Macri, da aliança Juntos pela Mudança.

Pela lei do país, bastam 45% mais um dos votos válidos para ser eleito em primeiro turno. Fernández é assim o franco favorito para a eleição de 27 de outubro. A meta do kirchnerismo é ganhar no primeiro turno para evitar uma união contra si no segundo turno, previsto para 24 de novembro.

"Não viemos para restaurar nenhum regime e, sim, para criar uma nova Argentina em que se acabarão os rachas, as divisões e as vinganças", declarou Fernández diante de uma multidão eufórica. "Nunca fomos loucos governando. Vamos arrumar o que os outros estropiaram. Nosso objetivo é que os argentinos recuperem a felicidade."

Com a economia em profunda crise, a derrota do macrismo foi total. Na província de Buenos Aires, onde o governo contava com a popularidade da governadora María Eugenia Vidal, ela ficou nos mesmos 32% de Macri, enquanto o ex-ministro da Economia do governo Cristina Kirchner, Axel Kicillof, chegou perto dos 50%.

A grande expectativa é qual será a reação do mercado financeiro nesta segunda-feira. Como as últimas pesquisas se mostraram totalmente erradas e eram favoráveis a Macri, a Bolsa de Valores de Buenos Aires, os índices de confiança e os bônus da dívida pública se valorizaram, na expectativa de reeleição do presidente no segundo turno.

Macri tem o apoio dos Estados Unidos, do governo Jair Bolsonaro e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que emprestou US$ 57 bilhões para conter a queda do peso. As pesquisas davam uma vantagem de 0,5 a 8 pontos percentuais a Fernández, o que colocaria o presidente como favorito no segundo turno.

A crise é brutal. O desemprego passa de 10%, o que não acontecia desde 2006. No ano passado, a inflação ficou em 47,6, a maior em 27 anos, e o produto interno bruto caiu 2,5%. Nos últimos 12 meses até junho, a inflação foi de 55,8%. No fim do primeiro trimestre, o PIB registrava baixa de 5,8%, depois da quatro trimestres em queda. A taxa básica de juros está em 64%.

O peso argentino caiu 51% em relação ao dólar em 2018 e mais 14% no início do ano.

Outra vítima da derrota de Macri pode ser o acordo de livre comércio da União Europeia com o Mercosul, que depende da aprovação pelos parlamentos de todos os países participantes. A oposição a Macri já se pronunciou contra o acordo, considerando-o lesivo aos interesses dos trabalhadores argentinos.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Acordo UE-Mercosul é vitória da globalização e do multilateralismo

O acordo de livre comércio entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE) assinado na sexta-feira é uma vitória da globalização, do multilateralismo e da ala mais pragmática do governo Jair Bolsonaro. 

A aprovação final depende da ratificação pelos 32 países envolvidos e o Parlamento Europeu. Vai haver forte resistência de sindicalistas e ecologistas dos dois lados do Oceano Atlântico e dos agricultores europeus.

O acordo de livre comércio cria um mercado de 780 milhões de pessoas que geram uma riqueza anual de quase 20 trilhões de dólares, 30% do produto mundial bruto. A expectativa é de investimentos diretos no Brasil de mais de 110 bilhões de dólares e aumento do produto interno bruto de 125 bilhões em 15 anos.

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, o embaixador brasileiro Roberto Azevêdo, prevê um “salto de competitividade” para a indústria nacional. 


Vamos ter automóveis, queijos, vinhos e chocolates da melhor qualidade, com padrão europeu, mas o vinho só vai estar totalmente liberado em 12 anos.

É um aviso ao presidente Trump, um apoio às reformas do presidente Mauricio Macri na Argentina e uma tentativa de enquadrar Bolsonaro. O Brasil teve de se comprometer a ficar no Acordo de Paris para tentar conter o aquecimento global. Meu comentário:


Mais de 85% das exportações para a Europa ficarão livres de tarifas imediatamente.

O acordo elimina 93% das tarifas sobre exportações do bloco para o mercado europeu e 99% do comércio agrícola. 81,7% dos produtos agrícolas serão isentos de tarifas e o resto estará sujeito a cotas. 

A cota anual de 99 mil toneladas de carne bovina deve enfrentar resistência dos criadores europeus. A cota de carne de aves ficou em 180 mil toneladas por ano.

Foram excluídos 100 produtos ainda não revelados.

As compras públicas foram preservadas como política de desenvolvimento.

A UE libertou 100% do mercado para produtos industriais; 80% serão liberados imediatamente.

O Mercosul ficou de abrir 80% do mercado de produtos industriais em até 15 anos. Cerca de 60% das reduções de tarifas serão feitas em 10 a 15 anos.

Vão cair os impostos de importação de 35% sobre automóveis, 14% a 18% sobre autopeças, até 18% para produtos químicos, 27% sobre vinhos e de 20% a 35% sobre outras bebidas alcoólicas.

O acordo tem um recorde de 357 produtos tradicionais europeus que não pode receber o mesmo nome quando fabricados em outras regiões como o champanhe, o presunto de Parma, o speck tirolês, o queijo Comté francês e o queijo português São Jorge.

A reação mais forte veio da presidente do principal sindicato agrícola da França, Christine Lambert. Ela declarou que "semanas depois das eleições europeias, a inaceitável assinatura de um acordo União Europeia-Mercosul vai expor os agricultores europeus a uma concorrência desleal e os consumidores a uma fraude total."

O acordo precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais e o Parlamento Europeu. Vai haver forte pressão para o Brasil e o Mercosul se adaptarem aos padrões de qualidade da União Europeia. 

É provável que os produtores da França se aliem aos da Polônia, da Irlanda, da Itália e de outros países europeus para tentar derrubar o acordo. Os nacionalistas de extrema direita também são contra.

Em 17 de junho, cerca de 340 organizações não governamentais pediram a suspensão das negociações até a obtenção de garantias sobre as políticas sociais e ambientais de Bolsonaro. Uma das críticas é que, desde janeiro, o governo brasileiro autorizou o uso de 239 novos pesticidas; 31% são proibidos na União Europeia.

O grupo ecológico Greenpeace acusou Bolsonaro de "desmantelar as proteções ambientais, tolerar incursões de homens armados em terras indígenas e supervisionar um aumento espetacular do desmatamento da Amazônia que mina anos de progresso para proteger a floresta".

Também há obstáculos políticos na América do Sul. O candidato do peronismo kirchnerista à Presidência da Argentina na eleição de outubro e novembro, Alberto Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice e chefe, não vê "benefícios concretos para o país" e fala num "claro prejuízo para a indústria e o emprego na Argentina". Se Macri perder, dificilmente o acordo será aprovado.

Além do Acordo sobre a Mudança do Clima e das questões ambientais, o Brasil e o Mercosul se comprometem a respeitar as normas trabalhistas, os direitos humanos e as comunidades indígenas. É uma tentativa de enquadrar o governo Bolsonaro nas regras e normas europeias, contrariando as visões antiglobalistas, unilateralistas e antieuropeias dos seguidores do astrólogo Olavo de Carvalho, do patético ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do medíocre assessor para assuntos internacionais do Palácio do Planalto, Filipe Martins, da ala de extrema direita do governo.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Macri lidera pesquisas eleitorais na Argentina

Apesar da grave crise econômica, o presidente Mauricio Macri aparece na frente nas últimas pesquisas sobre a eleição presidencial deste ano na Argentina, com com cinco pontos percentuais de vantagem no segundo turno sobre a chapa Alberto Fernández-Cristina Fernández de Kirchner, noticiou o jornal Perfil.

A pesquisa realizada pela empresa Elypsis, única a acertar que o apoio a Macri levaria a um segundo turno em 2015, atribui o avanço do presidente à queda de 18% para 13% do número de indecisos.

Outra sondagem, do instituto Synopsis, aponta um empate técnico com 46,5% para Fernández-Fernández, 46,1% para Macri e 7,4% indecisos. Com a projeção da divisão dos indecisos, Macri ganha por 1,4 ponto percentual: 50,7% a 49,3%.

Com a governadora da província de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, como candidata, a vitória do governo seria maior, fora da margem de erro, por 53,1% a 45,6%.

Se ninguém obtiver 45% dos votos ou 40% e vantagem de mais de dez pontos sobre o segundo colocado  no primeiro turno, em 27 de outubro, haverá segundo turno em 24 de novembro.

Com recessão e inflação que deve chegar a 40% neste ano, a crise abala as chances de reeleição do presidente, mas a volta de Cristina Kirchner não seduz o eleitorado argentino. Em outra pesquisa, apenas 10% disseram que Alberto Fernández mandaria num governo dos dois.

sábado, 18 de maio de 2019

Cristina Kirchner será candidata a vice-presidente da Argentina

Em vídeo de 12 minutos gravado em seu apartamento no aristocrático bairro da Recoleta, em Buenos Aires, a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner anunciou a intenção de se candidatar a vice-presidente na eleição presidencial de 27 de outubro na Argentina. 

O candidato a presidente seria seu ex-chefe de Gabinete, o equivalente a chefe da Casa Civil, Alberto Fernández, que não tem parentesco com sua líder.

O ex-assessor dava aula na Universidade de Buenos Aires na quarta-feira quando o telefone tocou. Cristina pedia para ele passar na casa dela mais tarde. Na noite daquela quarta-feira, o acordo foi selado, noticiou o jornal Clarín.

Num encontro a dois, Cristina fez a proposta: "Tenho um teto. Pode dar para ganhar, mas vai ser muito difícil para governar. Você terá de ser presidente. Eu vou te acompanhar."

Surpreso, Alberto Fernández alegou que tal decisão não poderia ser tomada "a quente". Pediu 24 horas "para meditar". A quinta-feira foi infernal para o kirchnerismo: a Justiça confirmou a audiência de um dos processos contra Cristina e houve panelaço antiperonismo.

Na sexta-feira, a decisão estava tomada. Era irreversível. Cristina estava relaxada "como se tivesse tirado de cima um peso enorme", comentou um alto funcionário do Partido Justicialista, peronista. A ex-presidente chamou Fernández, mostrou-lhe o vídeo e avisou que pretendia divulgá-lo hoje.

Falando como pré-candidato, Alberto Fernández tentou acalmar os mercados, temerosos da volta do kirchnerismo ao poder: "No me assusta o FMI (Fundo Monetário Internacional). Já negociamos com o Fundo. Temos de encontrar uma saída para os compromissos que a Argentina tem com o mundo. Temos de cumpri-los sem que isso represente mais penúria para os argentinos."

Com sua tacada de mestra, Cristina reforça o discurso de "humildade", "grandeza" e "renúncia", tentando sair do foco dos ataques durante a campanha.

A candidatura de Fernández atinge o movimento peronista não kirchnerista, que articulava uma chapa com o ex-ministro da Economia no governo Néstor Kirchner, Roberto Lavagna, e o deputado Sergio Massa, terceiro colocado na eleição presidencial de 2015, quando Mauricio Macri venceu o candidato de Cristina, o governador Daniel Scioli.

Também surpresa, a Casa Rosada reagiu rapidamente. Para o governo Macri, a polarização com o kirchnerismo continua e Fernández não pode ser apresentado como uma "renovação".

Nas últimas pesquisas, Cristina chegou a ter uma vantagem de até sete pontos percentuais para Macri, que perderia para Lavagna num segundo turno, a ser realizado em 24 de novembro. A pesquisa com Fernández ainda não saiu.

De certa forma, observa o chefe de redação do jornal Perfil, Javier Calvo, houve um resgate da fórmula "Cámpora no governo, Perón no poder", usada na eleição de Héctor Cámpora, em março da 1973, que preparou o retorno à Argentina do caudilho Juan Domingo Perón.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Macri propõe acordo de dez pontos para estabilizar economia argentina

Em carta a líderes políticos, inclusive a sua maior rival, a ex-presidente Cristina Kirchner, governadores, empresários e a Confederação Geral do Trabalho (CGT), o presidente Mauricio Macri propôs um acordo nacional em torno de dez pontos para garantir a estabilidade da economia da Argentina independentemente de quem vencer a eleição presidencial de 27 de outubro de 2019.

No texto, transcrito pelo jornal Clarín, Macri admite que o país conseguiu "um consenso democrático que fechou às portas a excperiências autoritárias, a alocação universal por filho, o rechaço à violência política, a aliança estratégica com o Mercosul, para dar alguns exemplos."

Ao mesmo tempo, não conseguiu um acordo sobre questões básicas para o desenvolvimento econômico, acrescentou o presidente argentino, "convertendo nosso país num paradoxo mundial pela falta de desenvolvimento e a pobreza, apesar de nossos recursos e nossas potencialidades."

A seguir, Macri lista dez pontos que considera imprescindíveis, esclarecendo que "não são um plano de governo, nem uma proposta eleitoral, nem um contrato de adesão":

  1. Atingir e manter o equilíbrio fiscal, tanto na nação quanto nas províncias.
  2. Sustentar um central independente no manejo dos instrumentos de política monetária e cambial, em função do seu objetivo principal, que é o combate à inflação até levá-la a índices similares aos dois países vizinhos.
  3. Promover uma integração inteligente com o mundo, trabalho para o crescimento sustentável de nossas exportações.
  4. Respeito à lei, aos contratos e aos direitos adquiridos a fim de consolidar a segurança jurídica, elemento chave para promover o investimento.
  5. Criação de empregos formais através de uma legislação trabalhista moderna, que se adapte às novas realidades do mundo do trabalho sem pôr em risco os direitos dos trabalhadores.
  6. Reduzir a carga de impostos nacional, provincial e municipal, começando pelos impostos distorcivos.
  7. Consolidação do sistema previdenciário sustentável e equitativo que dê segurança aos atuais e futuros aposentados.
  8. Consolidação de um sistema federal transparente que assegure transferências às províncias não sujeitas à discricionariedade do governo nacional do dia.
  9. Assegurar um sistema de estatísticas profissional, confiável e independente.
  10. Cumprimento das obrigações com nossos credores.
A ex-presidente Cristina Kirchner, que aparece à frente de Macri em pesquisas eleitorais, está em El Calafate, no extremo sul da Argentina. Volta a Buenos Aires e reaparece em público na quinta-feira para lançar Sinceramente, seu livro de memórias. 

Sua assessoria antecipou que ela não assinará em baixo de todas as propostas de Macri e de responder por escrito, rejeitando o convite para um diálogo nacional e a criação de uma espécie de seguro contra a instabilidade decorrente da disputa eleitoral.

A recessão econômica de 2,6% no ano passado, que pode chegar a 6% neste ano, e uma inflação prevista em 40% para este ano derrubaram a popularidade do presidente e ameaçam sua reeleição. Nos últimos 12 meses, a construção civil recuou 12,3% e a indústria 13,4%.

O mercado aposta numa candidatura alternativa da governadora da província de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, para evitar a volta de Cristina, que abandonaria o esforço fiscal das reformas de Macri para equilibrar as contas públicas. A governadora já disse que só vai concorrer se Macri pedir.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Senado da Argentina rejeita o aborto

Por 38 a 31 votos, o Senado da Argentina rejeitou há pouco um projeto aprovado na Câmara, por 129 a 125, que legalizaria o aborto no país nas primeiras 14 semanas de gravidez. Agora, a matéria só pode voltar a ser discutida no próximo ano.

A aliança Cambiemos (Mudemos), do presidente Maurício Macri, e o Partido Justicialista (peronista) se dividiram, mas a maioria dos seus senadores votou não. Na aliança kirchnerista Frente para a Vitória, a ala do peronismo liderada pela ex-presidente e possível candidata em 2019 Cristina Kirchner, houve apenas um voto contra o aborto.

Houve duas abstenções e uma ausência. Por gênero, 24 homens votaram contra o aborto e 17. As mulheres se dividiram: 14 votaram a favor e 14 contra.

O presidente Macri é pessoalmente contra o aborto, mas prometeu não vetar a lei, se fosse aprovada.   Com a derrota do projeto, a Casa Rosa cogita incluir a despenalização do aborto na reforma do Código Penal argentino. O aborto continuaria sendo crime, mas as mulheres deixariam de ser punidas com prisão, noticiou o jornal Clarín.

Do lado de fora do Congresso, manifestantes a favor do aborto protestaram e atacaram a polícia, que usou jatos d’água e gás lacrimogênio. Às três da manhã, mesma hora de Brasília, ainda há tumulto nas ruas de Buenos Aires ao redor do Palácio do Congresso.

Na América do Sul, o aborto só é permitido no Uruguai.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

FMI dá empréstimo de US$ 50 bilhões à Argentina

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou hoje um acordo para emprestar até US$ 50 bilhões à Argentina em três anos, mais do que os US$ 30 bilhões previstos inicialmente. O presidente Mauricio Macri considerou "um ponto de partida importantíssimo".

"Este é um plano feito pelo governo argentino, com o objetivo de fortalecer a economia em benefício de todos os argentinos. Tenho satisfação de que possamos contribuir com este esforço oferecendo nosso apoio financeiro, que vai aumentar a confiança do mercado, dando às autoridades tempo de resolver uma série de antigas vulnerabilidades", declarou em nota a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde.

O ajuste fiscal previsto para este ano mantém a meta de déficit primário já estabelecida pelo governo Macri em 2,7% do produto interno bruto. A meta para 2019 cai de 2,2% para 1,3%. Em 2020, as contas públicas da Argentina devem estar equilibradas.

As novas metas de inflação são  17% em 2019, 13% em 2020 e 9% em 2021.

Em uma medida considera "histórica" pelo atual presidente do banco central argentino, Federico Sturzenegger, o BC não poderá mais financiar o déficit público imprimindo dinheiro. Isso reforça a autonomia operacional da autoridade monetária.

As negociações foram rápidas. Em 8 de maio, o presidente argentino avisou que recorreria ao FMI, causando a reação negativa da esquerda peronista, que associa o Fundo à crise deflagrada em 2001 pelo colapso da dolarização do governo Carlos Menem (1989-99).

terça-feira, 8 de maio de 2018

Argentina volta ao FMI em busca de US$ 30 bilhões

Em meio à pior crise em dois anos e meio de governo, o presidente Mauricio Macri anunciou hoje um pedido de empréstimo de US$ 30 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para conter a desvalorização do peso e evitar problemas de financiamento. O ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne, viajou para Washington para discutir as condições e o valor da linha de crédito.

O dólar passava de 23 pesos quando o presidente revelou o acordo de "financiamento preventivo" acertado hoje de manhã num telefonema de Dujovne e Macri à diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, ex-ministra das Finanças da França.

"Isto vai nos permitir avançar neste plano de crescimento e desenvolvimento, dando-nos apoio para enfrentar este cenário global e evitar a crise", declarou Macri na Casa Rosada.

Na noite anterior, diante de nova queda do peso, o ministro das Finanças, Luis Caputo, alertara para a dificuldade de obter financiamento externo neste momento difícil. Com o FMI, pode tomar empréstimo a juros de 4% ao ano, observou a deputada governista Elisa Carrió.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Banco Central da Argentina eleva taxa básica de juros para 40%

O Banco Central da Argentina surpreendeu hoje o mercado financeiro, elevando a taxa básica de juros pela terceira vez em uma semana para 40% ao ano para tentar conter a desvalorização do peso. 

Sob o impacto da medida, a moeda argentina subiu 5% para 21,238 pesos por dólar, mas depois caiu 2,3% e chegou a 22,25 por dólar. A moeda americana terminou o dia valendo 22,17 pesos em Buenos Aires.

Várias economias em desenvolvimento estão sob pressão com a alta do dólar diante da expectativa de mais três altas na taxa básica de juros neste ano nos Estados Unidos: Argentina, Brasil, México, Polônia e Turquia, entre outras. Como aqui, o BC argentino entrou no mercado vendendo US$ 5 bilhões das reservas cambiais do país.

Desde o início do ano, o peso perdeu 15% do valor, o real 13% e a lira turca também caiu mais de 10%. Para o jornal inglês Financial Times, é o primeiro grande teste do mercado à política de reformas do presidente Mauricio Macri, eleito há dois anos e meio com a promessa de tornar a Argentina num país normal depois de 12 anos de governos de Néstor e Cristina Kirchner.

Néstor Kirchner (2003-7) chegou ao poder em meio a uma depressão econômica, depois do fim da dolarização da era Carlos Menem (1989-99), de uma megadesvalorização do peso e de todos os ativos e de um calote de US$ 100 bilhões na dívida do país.

A crise sem precedentes numa economia razoavelmente desenvolvida, superada agora pelo colapso econômico da Venezuela, jogou 58% dos argentinos para baixa da linha de pobreza e levou Kirchner a adotar uma série de subsídios a alimentos, transportes e energia.

Quando veio a Grande Recessão de 2008-9, no início do governo Cristina Kirchner (2007-15), com a escassez de dólares, a saída foi sobretaxar as exportações agrícolas, o que provocou uma greve de produtores rurais. A greve do campo esvaziou as prateleiras dos supermercados e afetou o comércio exterior de uma grande potência agrícola mundial.

Sem o apoio dos ruralistas, Cristina deu uma guinada à esquerda e manteve os subsídios para garantir o apoio de sua base política, sindicalista e peronista, aumentando com isso o déficit orçamentário e a dívida pública.

Hoje o ministro da Economia, Nicolás Dujovne, anunciou uma redução do superávit primário de 3,2% para 2,7% do produto interno bruto e defendeu a alta nos juros: "A convergência para o equilíbrio fiscal não é negociável", declarou, prometendo resistir às "pressões populistas".

Com a redução do superávit primário (saldo nas contas públicas sem computar o pagamento de juros), o governo da Argentina deixará de tomar emprestado US$ 3 bilhões e já garantiu os recursos para 80% de sua necessidade de financiamento em 2018.

Apesar dos problemas econômicos, Macri ainda tem o apoio de mais de 50% dos argentinos.

domingo, 22 de outubro de 2017

Aliados do presidente Macri vencem eleições na Argentina

Sem concorrer, o presidente Mauricio Macri foi o grande vencedor das eleições legislativas de hoje na Argentina para renovar um terço do Senado e a metade da Câmara de Deputados. Ao vencer em 13 das 23 províncias argentinas e nos cinco maiores centros urbanos, o macrismo não terá maioria absoluta, mas terá a maior bancada no Congresso.

Os primeiros números divulgados já apontavam a derrota da presidente Cristina Kirchner na província de Buenos Aires para Esteban Bullrich, da aliança Cambiemos (Mudemos), liderada por Macri. Ela foi eleita para o Senado.

Com 99% das urnas apuradas, Bullrich (41,39%) leva uma vantagem de 388 mil votos sobre a ex-presidente Cristina Kirchner (37,24%), que fica com a segunda das três vagas em jogo. Sem admitir a derrota, Cristina afirmou que sua Unidade Cidadã é a maior força de oposição hoje na Argentina.

Na cidade de Buenos Aires, a deputada Elisa Carrió, do Cambiemos, lidera com 50,93% dos votos, muito à frente do candidato kirchnerista, Daniel Filmus (21,74%), e do ex-ministro da Economia Martín Lousteau (12,33%).

Na província de Santa Fé, Cambiemos tinha 38% contra 25% do kirchnerista Agustín Rossi, da Frente Justicialista. Em Córdoba, Cambiemos ganhava com 48% contra 30% para a União por Córdoba, do governador Juan Schiaretti, peronista que se refugiou no Brasil durante a última ditadura militar argentina (1976-83) e chegou a ser subdiretor da Fiat.

Em Mendoza, a província dos vinhos finos argentinos, junto à Cordilheira dos Andres, o oficialismo batia o peronismo por 45% a 25%. Na província de Entre Ríos, na chamada Mesopotâmia argentina, Cambiemos liderava com 53%. Na vizinha Corrientes, o macrismo tinha 55%.

Até mesmo na província de Santa Cruz, principal reduto do kirchnerismo, com 43% dos votos, Cambiemos superava por mais de dez pontos percentuais a Frente para a Vitória, da governadora Alicia Kirchner, irmã mais velha do falecido presidente Néstor Kirchner, marido de Cristina. Os candidatos de Macri também ganharam no Chaco.

Em San Luis, o peronismo venceu com os irmãos Alberto e Adolfo Rodríguez Saá, que dominam a política da província desde a redemocratização, em 1983. Os peronistas também ganharam em Tucumán, Catamarca, Río Negro e San Juan. Em La Rioja, o ex-presidente Carlos Menem estava em segundo lugar.

Quando assumiu o poder, há pouco menos de dois meses, Macri encontrou uma economia arrasada pelo populismo econômico de Cristina Kirchner, com recessão, inflação e déficit público elevados. Ele liberou o câmbio e reduziu os subsídios a serviços públicos.

No primeiro momento, esse ajuste fiscal gerou uma inflação de 40% ao ano e uma recessão de 2,3% em 2016. Mas a economia cresce desde o terceiro trimestre ao ano passado e isso se refletiu nas urnas. A expectativa para 2017 é de um avanço de 2,45% no produto interno bruto.

sábado, 5 de agosto de 2017

Mercosul suspende Venezuela por "ruptura da ordem democrática"

Em reunião de chanceleres realizada hoje em São Paulo, o Mercado Comum do Sul (Mercosul) decidiu por unanimidade suspender a participação da Venezuela por violar a cláusula democrática do bloco comercial.

A medida tem poucas consequências práticas. A Venezuela estava excluída do Mercosul desde o fim do ano passado por não ter internalizado as regras do bloco onde entrou pela janela em 2012.

Na época, numa manobra oportunista, as então presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da Argentina, Cristina Kirchner, aproveitaram a suspensão do Paraguai por causa do impeachment do presidente Fernando Lugo sem direito de defesa para colocar a Venezuela no Mercosul.

A Venezuela tinha pedido associação em 2006, mas o Congresso do Paraguai nunca ratificou o ingresso. Ao contrário do que acontece em blocos regionais de sucesso como a União Europeia, a Venezuela não negociou previamente a adesão às regras do bloco comercial. Isso foi usado pelos governos direitistas de Mauricio Macri, na Argentina, e Michel Temer, no Brasil, para suspender a Venezuela em 2016.

Agora, houve "ruptura da ordem democrática". A Venezuela só volta ao bloco quando acabar a ditadura imposta pela Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima convocada pelo ditador Nicolás Maduro.

"Na Venezuela, não há democracia e sem democracia não se faz parte do Mercosul", declarou o chanceler argentino, Jorge Faurie. "É uma sanção grave, de natureza política", comentou o ministro brasileiro, Aloysio Nunes Ferreira. "O objetivo é ter uma transição pacífica e a libertação de todos os presos políticos. Queremos que a Venezuela reencontre a democracia."

Aparentemente, o bloco perdeu a capacidade de mediar a crise venezuelana.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Argentina e Uruguai: "Nestas condições, Venezuela não pode ser parte do Mercosul"

Diante do agravamento da crise política venezuelana, com a invasão da Assembleia Nacional pelos chavistas e a denúncia de um golpe de Estado feita pela maioria oposicionista, a Argentina e o Uruguai querem recorrer à cláusula democrática para suspender a Venezuela do Mercosul.

"Nestas condições, a Venezuela não pode ser parte do Mercosul", declarou ontem o presidente argentino, Mauricio Macri, ao receber na residência oficial de Olivos o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, que concordou, noticiou o jornal Clarín.

Na sua primeira reunião do Mercosul como presidente da Argentina, em dezembro de 2015, Macri pediu a libertação de todos os presos políticos venezuelanos, alegando que, "no Mercosul, não pode haver perseguição política por razões ideológicas e por pensar diferentemente."

A situação da Venezuela se agravou na semana passada, quando o regime chavista bloqueou na prática a convocação de um referendo revogatório sobre o mandato do presidente Nicolás Maduro. Em resposta, a Assembleia Nacional denunciou um golpe e pediu o apoio de organizações internacionais para restaurar a democracia no país. No meio da sessão, o plenário foi invadido por manifestantes chavistas

Cada vez mais isolado, Maduro recorreu ao Vaticano, onde foi recebido ontem pelo papa Francisco em audiência de caráter privado. O papa pediu um "diálogo sincero e construtivo" entre o governo e a oposição que parece a cada dia mais difícil.

Ao mesmo tempo, o núncio apostólico, o embaixador da Santa Sé na Argentina, monsenhor Emil Paul Tscherrig, viajou secretamente a Caracas, onde se reuniu com líderes das duas partes para acertar um encontro em 30 de outubro na Ilha Margarida.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Argentina paga hoje US$ 12,5 bilhões a "fundos abutres"

A Argentina deve pagar hoje US$ 12,5 bilhões aos últimos credores que rejeitaram o termo de renegociações anteriores da dívida de quase US$ 100 bilhões caloteado em dezembro de 2001, quando a economia do país entrou em colapso com o fim da dolarização da era Carlos Menem (1989-99).

Com o pagamento, a terceira maior economia da América Latina sai finalmente da moratória decretada em meio à sua pior crise financeira.

"A Argentina está de volta", festejou o ministro das Finanças, Alfonso Prat-Gay. Na semana passada, o país voltou ao mercado financeiro vendendo bônus de sua dívida pública no valor de US$ 15 bilhões. A procura superou a oferta.

Mas a normalização da situação econômica depois de anos de déficit fiscal nos governos de Néstor e Cristina Kirchner ainda é um desafio.

Por causa do fim dos subsídios a energia, transportes e alimentos, a inflação pulou para 40% ao ano e 1,5 milhão de pessoas caíram na miséria. Sob protestos do movimento peronista, o governo Mauricio Macri estuda medida para proteger os mais vulneráveis. A lua de mel com o eleitorado acabou.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Procurador argentino quer investigar negócios offshore de Macri

O procurador federal Federico Delgado pediu à Justiça a abertura de uma investigação sobre as empresas de fachada que os Papéis do Panamá revelaram que havia em nome do presidente Mauricio Macri, noticiou hoje o jornal Buenos Aires Herald. O presidente alegou que eram empresas do pai em que ele aparecia como vice-presidente.

Macri está sob pressão para esclarecer sua participação na empresa offshore Fleg Trading Ltd., registrada nas ilhas Bahamas. Se ele não estiver envolvido diretamente, poderá se livrar do escândalo no momento em que a Justiça argentina investiga o enriquecimento do casal Kirchner e de empresários ligados aos governos anteriores.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Senado aprova renegociação da dívida da Argentina

Depois de 12 horas de debate, por 54 a 16, uma ampla maioria de mais de dois terços, o Senado da Argentina aprovou na madrugada de hoje a autorização para o governo Mauricio Macri renegociar parte da dívida pública caloteada na crise da dolarização do peso, em 2001, com os credores que rejeitaram as negociações de 2005 e 2010.

A lei também autoriza o governo argentino a emitir novos títulos de dívida. O acordo com os últimos credores renitentes, rejeitado pelo governo Cristina Kirchner sob o argumento de que são "fundos abutres", reabre o acesso da Argentina ao mercado financeiro internacional.

O governo obteve uma vitória fácil porque a Frente para a Vitória, a aliança kirchnerista se dividiu: de seus 43 senadores, só 16 votaram contra a renegociação com os fundos especulativos, os únicos votos contra a medida.

"Que fique claro que com esta votação que a Argentina é cumpridora dos seus deveres, vai honrar suas obrigações e merece crédito como qualquer país sério", declarou o senador Federico Pinedo, um dos líderes da bancada governista, citado pelo jornal Clarín.

Entre os 27 senadores kirchneristas que votaram a favor, Omar Perotti declarou que fez campanha para Daniel Scioli, o candidato de Cristina, e que sua equipe econômica também pretendia renegociar o que restava da dívida.

Quando a dolarização do peso da era Carlos Menem (1989-99) entrou em colapso, em dezembro de 2001, a Argentina declarou a moratória de uma dívida de US$ 100 bilhões. Depois de duas negociações, em 2005 e 2010, 93% aceitaram trocar os bônus caloteados por outros títulos com redução do valor nominal.

Os outros 7% acabaram sendo comprados por fundos especulativos que entraram na Justiça dos Estados Unidos para exigir pagamento integral. Como ganharam, o governo Cristina Kirchner entrou em moratória ao num cumprir a decisão de um juiz de Nova York.

Macri toma mais uma medida para a Argentina voltar a ser um país normal, mas é alvo de várias críticas por causa dos cortes de subsídios e da demissão de funcionários públicos contratados pelo kirchnerismo. Só no ano passado, teriam sido admitidos 25 mil funcionários que os macristas acusam de não trabalhar.

Em 8 de abril, entra em vigor um reajuste de 100% nas passagens de trens e ônibus na região metropolitana de Buenos Aires. A tarifa de ônibus passa para 6 pesos, mas haverá um tarifa social de 2,70 pesos, enquanto os trens custarão 2 ou 4 pesos, dependendo da linha, com tarifas sociais em 0,90 e 1,80. Daqui a dois meses, o metrô sobe para 7,50 pesos.

Tem direito à tarifa social aposentados, pensionistas, beneficiários de programas sociais, trabalhadores domésticos e ex-combatentes na Guerra das Malvinas.