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quinta-feira, 26 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 26 de Março

LEI DO ASSASSINATO

     Em 1752, entra em vigor no Reino Unido a Lei do Assassinato, que impõe penas rigorosas para condenados por homicídio, inclusive o uso de seus cadáveres para dissecação.

Os legisladores esperam que isto ajude a atender à necessidade de cadáveres para estudo e treinamento de cirurgiões. Na época, ladrões roubavam corpos para vender.

A Lei do Assassinato fracassa e é substituída em 1832 pela Lei da Anatomia,

VACINA CONTRA PÓLIO

    Em 1953, o médico norte-americano Jonas Salk anuncia que testou com sucesso uma vacina contra a poliomielite, doença causadora da paralisia infantil.

No ano anterior, uma epidemia de pólio atinge 58 mil pessoas e causa 3 mil mortes nos Estados Unidos.

O primeiro grande surto de poliomielite nos EUA é registrado no estado de Vermont, em 1894. No início do século 20, há milhares de casos por ano, principalmente em crianças, mas também em adultos.

O futuro presidente Franklin Delano Roosevelt teve pólio aos 39 anos, em 1921, e ficou parcialmente paralítico.

Depois, o dr. Albert Sabin cria a vacina oral contra a poliomielite e campanhas de vacinação erradicam a doença em praticamente todo o mundo. Os únicos países onde há focos importantes da doença são o Afeganistão e o Paquistão, onde os Estados Unidos usaram campanhas de vacinação para descobrir o esconderijo do terrorista Ossama ben Laden.

Com as campanhas antivacinas, hoje há um sério risco de volta da doença.

INDEPENDÊNCIA DE BANGLADESH

    Em 1971, a Liga Awami forma um governo no exílio em Calcutá, hoje Kolkota, na Índia, e proclama a independência de Bangladesh, na época conhecido como Paquistão Oriental.

O futuro país passa a fazer parte do Império Britânico em 1858, quando este assume o controle da Índia. Quando a Índia e o Paquistão conquistam a independência, em 1947, vira o Paquistão Oriental. 

A declaração de independência marca o início de uma guerra civil de nove meses em que recebe o apoio da Índia, inimiga histórica do Paquistão, o que deflagra a Guerra Indo-Paquistanesa de 1971. A vitória vem em 16 de dezembro, depois de 3 milhões de mortes, da fuga de 8 a 10 milhões de pessoas para a Índia e do estupro de 200 mil mulheres.

A guerra leva à fome de grande parte da população de um dos países mais pobres do mundo, levando o ex-beatle George Harrison a organizar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para as vítimas da guerra.

Com cerca de 171,5 milhões de habitantes, Bangladesh é o oitavo maior país do mundo em população e o quarto com maior número de muçulmanos depois da Indonésia, do Paquistão e da Índia.

ACORDOS DE CAMP DAVID

    Em 1979, o presidente do Egito, Anuar Sadat, e o primeiro-ministro de Israel, Menachem Begin, assinam os Acordos de Camp David, mediados pelo presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter.

Quando as Nações Unidas aprovam a criação do Estado de Israel, em 29 de novembro de 1947, e o país é fundado, em 14 de maio de 1948, os países árabes não aceitam. A Guerra da Independência de Israel vai até 10 março de 1949.

A derrota árabe humilhante causa a Revolução dos Coronéis e a queda do rei Faruk no Egito. Ascende ao poder no Cairo o coronel Gamal Abdel Nasser, que se torna o grande líder do nacionalismo pan-árabe ao enfrentar as potências coloniais europeias e nacionalizar o Canal de Suez.

Com o apoio da França e do Reino Unido, em 19 de outubro de 1956, Israel declara guerra ao Egito. Em plena crise internacional porque a União Soviética ataca a Hungria para acabar com uma revolta contra o regime stalinista, os Estados Unidos suspendem o apoio do Fundo Monetário Internacional às economias britânica e francesa, ainda abaladas pela Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Os invasores se retiram. O Egito fica com o Canal de Suez e Nasser sai fortalecido.

Em 1967, Nasser fecha o Estreito de Tiran aos navios israelenses. Quando manda a força de paz da ONU sair da Península do Sinai, Israel vê o risco de uma guerra iminente e ataca as forças aéreas do Egito, da Jordânia e da Síria em terra, deflagrando a Guerra dos Seis Dias.

De 5 a 10 de junho de 1967, Israel obtém uma vitória esmagadora e ocupa a Faixa de Gaza e a Península o Sinai, que pertenciam ao Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, que eram parte da Jordânia.

Para tentar retomar os territórios ocupados, a Guerra do Yom Kippur começa, em 6 de outubro de 1973, com a maior empreitada militar árabe da era moderna. Mais de 100 mil soldados egípcios cruzam o Canal de Suez para entrar no Sinai.

Na época, Israel tem o apoio incondicional dos EUA, que fazem a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22,325 mil toneladas de equpamento militar, armas e munições a Israel diretamente no campo de batalha.

Quando Israel cerca o 3º Exército do Egito no Sinai e está prestes a destruí-lo, a URSS ameaça entrar na guerra e entra em alerta nuclear.

Mesmo assim, a conselho do secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, para recuperar o Sinai, Sadat abandona a aliança com a URSS, que deixa de ser uma grande potência no Oriente Médio. O líder egípcio se aproxima dos EUA e faz uma visita de surpresa a Israel de 19 a 21 de novembro da 1977, a primeira de um líder árabe, e discursa no Parlamento para promover a paz.

Os acordos de paz são negociados em Camp David, na casa de campo da Presidência dos EUA, de 5 a 17 de setembro de 1978. O tratado de paz entre Israel e o Egito é assinado formalmente em Washington em 26 de março de 1979.

NASCE O MERCOSUL

    Em 1991, os presidentes do Brasil, Fernando Collor de Mello; do Paraguai, general Andrés Rodríguez; da Argentina, Carlos Menem; e do Uruguai, Luis Alberto Lacalle; assinam o Tratado de Assunção, que cria o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

A reaproximação entre Brasil e Argentina começa antes mesmo da redemocratização dos países. Durante o governo do general João Figueiredo, os dois países chegam a um acordo sobre a exploração energética da Bacia do Prata. Os argentinos temem que a Hidrelétrica de Itaipu esgote o potencial energético do Rio Paraná.

A integração regional do Cone Sul da América Latina avança com os encontros de cúpula dos presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín depois da redemocratização do Brasil e da Argentina. Em 1985, eles assinam o Tratado de Iguaçu. 

O diálogo leva a um acordo nuclear para evitar uma corrida armamentista na região. Em 18 de julho de 1991, é assinado o Acordo de Guadalajara, pelo qual Brasil e Argentina se comprometem a usar a energia nuclear somente para fins pacíficos.

Com a crise da dívida externa e a hiperinflação que atinge os dois países nos anos 1980, quando a Argentina lança o Plano Austral e o Brasil o Plano Cruzado, a integração regional é vista como uma maneira de aumentar o poder de barganha em negociações internacionais. Não melhora as condições de renegociação das dívidas, mas fortalece o comércio regional, que sobe em cinco anos de US$ 1 bilhão para US$ 20 bilhões. Os presidentes Fernando Collor de Mello e Carlos Menem aproveitam o acordo para baixar tarifas de importação e promover a abertura comercial.

A meta de zerar as tarifas de importações e eliminar as barreiras não tarifárias até 31 de dezembro de 1994 nunca foi atingida. A Bolívia (1996), o Chile (1996), o Peru (2003), a Colômbia (2004), o Equador (2004), a Guiana (2013), e o Suriname (2013) são países associados. Fazem parte da zona de livre comércio, mas não da união aduaneira, que pressupõe a aplicação de uma tarifa externa comum na compra de produtos de fora do bloco.

A entrada da Venezuela como membro pleno em 31 de julho de 2012, sem adotar previamente as regras do bloco, criou um Mercosul mais político, menos voltado para a integração econômica. Em dezembro de 2016, a Venezuela é suspensa sob a acusação de violar a cláusula democrática do bloco.

Em julho de 2024, a Bolívia passa a ser membro pleno. Tem um prazo de quatro anos para se adequar à legislação do Mercosul.

MIKE TYSON SENTENCIADO

    Em 1992, o boxeador peso-pesado Mike Tyson é sentenciado a seis anos de prisão após ser condenado por crime de estupro em Indianápolis, no estado de Indiana.

Tyson nasce no Brooklyn, em Nova York, em 30 de junho de 1966, e desde muito cedo passa a fazer parte de gangues de rua. Em 1978, com 12 anos, 80 quilos e uma musculatura formidável, é enviado para o reformatório, onde o aficcionado de boxe Bobby Stewart vê potencial para uma carreira no boxe. 

Aos 20 anos, em 22 de novembro de 1986, ele se torna o mais jovem campeão mundial da categoria peso-pesado com um estilo extremamente agressivo em que avança em linha reta e tenta demolir o adversário no primeiro assalto.

Em 1988, Tyson casa com a atriz Robin Givens. Ela o acusa de abuso e o casal se divorcia no ano seguinte. Uma série de acusações de assédio e violência sexual é apresentada contra o boxeador.

Contra todas as expectativas, em 11 de fevereiro de 1990, ele perde o título mundial para James Buster Douglas. Em 1991, Tyson é acusado de estuprar uma candidata a miss. É condenado e preso em 1992.

Três anos depois, Tyson sai da prisão e recupera dois títulos de campeão mundial com vitórias fáceis sobre Frank Bruno e Bruce Seldon. Em 9 de novembro de 1996, sofre sua segunda derrota, desta vez para Evander Holyfield, duas vezes campeão mundial, por nocaute técnico no 11º assalto. 

Na revanche, em 28 de junho de 1997, Tyson é desclassificado depois de morder duas vezes a orelha  de Holyfield e perde a licença para boxear. Ele volta a lutar e a vencer em 16 de janeiro de 1999. Em 7 de fevereiro do mesmo ano, é condenado a um ano de prisão, dois de liberdade condicional, 200 horas de serviço comunitário e multa de US$ 2,5 mil por agredir dois idosos depois de um acidente de automóvel em 1998.

Sua última vitória como lutador profissional acontece em 2003 em apenas 49 segundos. No fim daquele ano, Tyson declara falência com dívidas de US$ 34 milhões depois de ganhar US$ 400 milhões na carreira.

PUTIN ELEITO PRESIDENTE

    Em 2000, Vladimir Putin é eleito presidente da Rússia pela primeira vez, depois de se tornar primeiro-ministro de Boris Yeltsin em 9 de agosto de 1999 e de substituir Yeltsin, que renuncia em 31 de dezembro do mesmo ano.

Putin nasce em Leningrado, hoje São Petersburgo, em 7 de outubro de 1952. Ele estuda direito na Universidade de Leningrado e trabalha durante 15 anos como agente da polícia política soviética KGB (Comitê de Defesa do Estado). Serve 6 anos em Dresden, na Alemanha Oriental.

Quando as revoluções democráticas acabam com o comunismo na Europa Oriental, a sede do escritório em Dresden é cercada. Putin ameaça atirar nos manifestantes e pede ajuda ao governo alemão-oriental, que responde: "Só podemos agir com autorização de Moscou, e Moscou está em silêncio."

Mais tarde, no poder, faz questão de que Moscou nunca fique em silêncio.

Essa frase marca sua vida política. De volta a Leningrado, Putin trabalha com Anatoly Sobchak, prefeito de São Petersburgo. Em 1994, numa conferência internacional, declara que o fim da União Soviética é "a maior tragédia geopolítica da segunda metade do século 20."

Quando Sobchak perde a reeleição, em 1996, Putin profere outra de suas máximas: "Não se deve realizar uma eleição sem antes saber o resultado."

Putin vai então para Moscou e trabalha com Anatoli Chubais, vice-primeiro-ministro responsável pelas privatizações. De 25 de julho de 1998 a 29 de março de 1999, dirige o Serviço Federal de Segurança, herdeiro do KGB, seu último trampolim para o poder.

Assim que ascende ao poder, ainda como primeiro-ministro, depois de ações de extremistas muçulmanos na república russa do Daguestão e de atentados terroristas mal esclarecidos atribuídos a rebeldes chechenos. Putin inicia a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2009) para consolidar o poder.

O presidente russo começa a se afastar do Ocidente na Conferência de Segurança de Munique, em 2007. No ano seguinte, invade a ex-república soviética da Geórgia e assume o controle das regiões da Abecásia e da Ossétia do Sul, anexações não reconhecidas internacionalmente.

Depois de ser primeiro-ministro de Dimitri Medvedev (2008-12), Putin volta à Presidência com a convicção de que as revoluções coloridas na antiga URSS e a Primavera Árabe são conspirações do Ocidente das quais pode ser o próximo alvo.

Quando o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, cai numa revolta popular contra o rompimento de negociações com a União Europeia, em fevereiro de 2014, a Rússia ocupa a Península da Crimeia, anexada ilegalmente no mês seguinte.

Em 6 de abril de 2014, começa uma revolta fomentada pelo Kremlin no Leste da Ucrânia. Após anos de impasse, em 24 de fevereiro de 2022, Putin inicia uma guerra total contra a Ucrânia que espera ganhar em uma semana e já tem mais de 4 anos. A estimativa é que 1,8 milhão de pessoas tenham sido mortas ou feridas nesta guerra.

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quarta-feira, 26 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 26 de Março

  VACINA CONTRA PÓLIO

    Em 1953, o médico norte-americano Jonas Salk anuncia que testou com sucesso uma vacina contra a poliomielite, doença causadora da paralisia infantil.

No ano anterior, uma epidemia de pólio atinge 58 mil pessoas e causa 3 mil mortes nos Estados Unidos.

O primeiro grande surto de poliomielite nos EUA é registrado no estado de Vermont, em 1894. No início do século 20, há milhares de casos por ano, principalmente em crianças, mas também em adultos.

O futuro presidente Franklin Delano Roosevelt teve pólio aos 39 anos, em 1921, e ficou parcialmente paralítico.

Depois, o dr. Albert Sabin cria a vacina oral contra a poliomielite e campanhas de vacinação erradicam a doença em praticamente todo o mundo. Os únicos países onde há focos importantes da doença são o Afeganistão e o Paquistão, onde os Estados Unidos usaram campanhas de vacinação para descobrir o esconderijo do terrorista Ossama ben Laden.

Com as campanhas antivacinas, hoje há um sério risco de volta da doença.

INDEPENDÊNCIA DE BANGLADESH

    Em 1971, a Liga Awami forma um governo no exílio em Calcutá, hoje Kolkota, na Índia, e proclama a independência de Bangladesh, na época conhecido como Paquistão Oriental.

O futuro país passa a fazer parte do Império Britânico em 1858, quando este assume o controle da Índia. Quando a Índia e o Paquistão conquistam a independência, em 1947, vira o Paquistão Oriental. 

A declaração de independência marca o início de uma guerra civil de nove meses em que recebe o apoio da Índia, inimiga histórica do Paquistão, o que deflagra a Guerra Indo-Paquistanesa de 1971. A vitória vem em 16 de dezembro, depois de 3 milhões de mortes, da fuga de 8 a 10 milhões de pessoas para a Índia e do estupro de 200 mil mulheres.

A guerra leva à fome de grande parte da população de um dos países mais pobres do mundo, levando o ex-beatle George Harrison a organizar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para as vítimas da guerra.

Com cerca de 171,5 milhões de habitantes, Bangladesh é o oitavo maior país do mundo em população e o quarto com maior número de muçulmanos depois da Indonésia, do Paquistão e da Índia.

NASCE O MERCOSUL

    Em 1991, os presidentes do Brasil, Fernando Collor de Mello; do Paraguai, general Andrés Rodríguez; da Argentina, Carlos Menem; e do Uruguai, Luis Alberto Lacalle; assinam o Tratado de Assunção, que cria o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

A reaproximação entre Brasil e Argentina começa antes mesmo da redemocratização dos países. Durante o governo do general João Figueiredo, os dois países chegam a um acordo sobre a exploração energética da Bacia do Prata. Os argentinos temem que a Hidrelétrica de Itaipu esgote o potencial energético do Rio Paraná.

A integração regional do Cone Sul da América Latina avança com os encontros de cúpula dos presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín depois da redemocratização do Brasil e da Argentina. Em 1985, eles assinam o Tratado de Iguaçu. 

O diálogo leva a um acordo nuclear para evitar uma corrida armamentista na região. Em 18 de julho de 1991, é assinado o Acordo de Guadalajara, pelo qual Brasil e Argentina se comprometem a usar a energia nuclear somente para fins pacíficos.

Com a crise da dívida externa e a hiperinflação que atinge os dois países nos anos 1980, quando a Argentina lança o Plano Austral e o Brasil o Plano Cruzado, a integração regional é vista como uma maneira de aumentar o poder de barganha em negociações internacionais. Não melhora as condições de renegociação das dívidas, mas fortalece o comércio regional, que sobe em cinco anos de US$ 1 bilhão para US$ 20 bilhões. Os presidentes Fernando Collor de Mello e Carlos Menem aproveitam o acordo para baixar tarifas de importação e promover a abertura comercial.

A meta de zerar as tarifas de importações e eliminar as barreiras não tarifárias até 31 de dezembro de 1994 nunca foi atingida. A Bolívia (1996), o Chile (1996), o Peru (2003), a Colômbia (2004), o Equador (2004), a Guiana (2013), e o Suriname (2013) são países associados. Fazem parte da zona de livre comércio, mas não da união aduaneira, que pressupõe a aplicação de uma tarifa externa comum na compra de produtos de fora do bloco.

A entrada da Venezuela como membro pleno em 31 de julho de 2012, sem adotar previamente as regras do bloco, criou um Mercosul mais político, menos voltado para a integração econômica. Em dezembro de 2016, a Venezuela é suspensa sob a acusação de violar a cláusula democrática do bloco.

Em julho de 2024, a Bolívia passa a ser membro pleno. Tem um prazo de quatro anos para se adequar à legislação do Mercosul.

MIKE TYSON SENTENCIADO

    Em 1992, o boxeador peso-pesado Mike Tyson é sentenciado a seis anos de prisão após ser condenado por crime de estupro em Indianápolis, no estado de Indiana.

Tyson nasce no Brooklyn, em Nova York, em 30 de junho de 1966, e desde muito cedo passa a fazer parte de gangues de rua. Em 1978, com 12 anos, 80 quilos e uma musculatura formidável, é enviado para o reformatório, onde o aficcionado de boxe Bobby Stewart vê potencial para uma carreira no boxe. 

Aos 20 anos, em 22 de novembro de 1986, ele se torna o mais jovem campeão mundial da categoria peso-pesado com um estilo extremamente agressivo em que avança em linha reta e tenta demolir o adversário no primeiro assalto.

Em 1988, Tyson casa com a atriz Robin Givens. Ela o acusa de abuso e o casal se divorcia no ano seguinte. Uma série de acusações de assédio e violência sexual é apresentada contra o boxeador.

Contra todas as expectativas, em 11 de fevereiro de 1990, ele perde o título mundial para James Buster Douglas. Em 1991, Tyson é acusado de estuprar uma candidata a miss. É condenado e preso em 1992.

Três anos depois, Tyson sai da prisão e recupera dois títulos de campeão mundial com vitórias fáceis sobre Frank Bruno e Bruce Seldon. Em 9 de novembro de 1996, sofre sua segunda derrota, desta vez para Evander Holyfield, duas vezes campeão mundial, por nocaute técnico no 11º assalto. 

Na revanche, em 28 de junho de 1997, Tyson é desclassificado depois de morder duas vezes a orelha  de Holyfield e perde a licença para boxear. Ele volta a lutar e a vencer em 16 de janeiro de 1999. Em 7 de fevereiro do mesmo ano, é condenado a um ano de prisão, dois de liberdade condicional, 200 horas de serviço comunitário e multa de US$ 2,5 mil por agredir dois idosos depois de um acidente de automóvel em 1998.

Sua última vitória como lutador profissional acontece em 2003 em apenas 49 segundos. No fim daquele ano, Tyson declara falência com dívidas de US$ 34 milhões depois de ganhar US$ 400 milhões na carreira.

terça-feira, 26 de março de 2024

Hoje na História do Mundo: 26 de Março

 VACINA CONTRA PÓLIO

    Em 1953, o médico norte-americano Jonas Salk anuncia que testou com sucesso uma vacina contra a poliomielite, doença causadora da paralisia infantil.

No ano anterior, uma epidemia de pólio atinge 58 mil pessoas e causa 3 mil mortes nos Estados Unidos.

O primeiro grande surto de poliomielite nos EUA é registrado no estado de Vermont, em 1894. No início do século 20, há milhares de casos por ano, principalmente em crianças, mas também em adultos.

O futuro presidente Franklin Delano Roosevelt teve pólio aos 39 anos, em 1921, e ficou parcialmente paralítico.

INDEPENDÊNCIA DE BANGLADESH

    Em 1971, a Liga Awami forma um governo no exílio em Calcutá, hoje Kolkota, na Índia, e proclama a independência de Bangladesh, na época conhecido como Paquistão Oriental.

O futuro país passa a fazer parte do Império Britânico em 1858, quando este assume o controle da Índia. Quando a Índia e o Paquistão conquistam a independência, em 1947, vira o Paquistão Oriental. 

A declaração de independência marca o início de uma guerra civil de nove meses em que recebe o apoio da Índia, inimiga histórica do Paquistão, o que deflagra a Terceira Guerra Indo-Paquistanesa, em 1971. A vitória vem em 16 de dezembro, depois de 3 milhões de mortes, da fuga de 8 a 10 milhões de pessoas para a Índia e do estupro de 200 mil mulheres.

A guerra causa a fome em massa de grande parte da população de um dos países mais pobres do mundo, levando o ex-beatle George Harrison a organizar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para as vítimas da guerra.

Com cerca de 170 milhões de habitantes, Bangladesh é o oitavo maior país do mundo em população e o quarto com maior número de muçulmanos depois da Indonésia, do Paquistão e da Índia.

NASCE O MERCOSUL

    Em 1991, os presidente do Brasil, Fernando Collor de Mello; do Paraguai, general Andrés Rodríguez; da Argentina, Carlos Menem; e do Uruguai, Luis Alberto Lacalle; assinam o Tratado de Assunção, que cria o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

A reaproximação entre Brasil e Argentina começa antes mesmo da redemocratização dos países. Durante o governo do general João Figueiredo, os dois países chegaram a um acordo sobre a exploração energética da Bacia do Prata. Os argentinos temiam que a Hidrelétrica de Itaipu esgotasse o potencial energético do Rio Paraná.

A integração regional do Cone Sul da América Latina avança com os encontros de cúpula dos presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín depois da redemocratização do Brasil e da Argentina. Em 1985, eles assinam o Tratado de Iguaçu. 

O diálogo leva a um acordo nuclear para evitar uma corrida armamentista na região. Em 18 de julho de 1991, é assinado o Acordo de Guadalajara, pelo qual Brasil e Argentina se comprometem a usar a energia nuclear somente para fins pacíficos.

Com a crise da dívida externa e a hiperinflação que atinge os dois países nos anos 1980, quando a Argentina lança o Plano Austral e o Brasil o Plano Cruzado, a integração regional é vista como uma maneira de aumentar o poder de barganha em negociações internacionais. Não melhora as condições de renegociação das dívidas, mas fortalece o comércio regional, que sobe de US$ 1 bilhão para US$ 20 bilhões. Os presidentes Fernando Collor de Mello e Carlos Menem aproveitam o acordo para baixar tarifas de importação e promover a abertura comercial.

A meta de zerar as tarifas de importações e eliminar as barreiras não tarifárias até 31 de dezembro de 1994 nunca foi atingida. A Bolívia (1996), o Chile (1996), o Peru (2003), a Colômbia (2004), o Equador (2004), a Guiana (2013), e o Suriname (2013) são países associados. Fazem parte da zona de livre comércio, mas não da união aduaneira, que pressupõe a aplicação de uma tarifa externa comum na compra de produtos de fora do bloco.

A entrada da Venezuela como membro pleno em 31 de julho de 2012, sem adotar previamente as regras do bloco, criou um Mercosul mais político, menos voltado para a integração econômica. Em dezembro de 2016, a Venezuela é suspensa sob a acusação de violar a cláusula democrática do bloco.

MIKE TYSON SENTENCIADO

    Em 1992, o boxeador peso-pesado Mike Tyson é sentenciado a seis anos de prisão após ser condenado por crime de estupro em Indianápolis, no estado de Indiana.

Tyson nasce no Brooklyn, em Nova York, em 30 de junho de 1966, e desde muito cedo passa a fazer parte de gangues de rua. Em 1978, é enviado para o reformatório, onde o aficcionado de boxe Bobby Stewart vê potencial para uma carreira no boxe. 

Aos 20 anos, em 22 de novembro de 1986, ele se torna o mais jovem campeão mundial da categoria peso-pesado com um estilo extremamente agressivo em que avança em linha reta e tenta demolir o adversário no primeiro assalto.

Em 1988, Tyson casa com a atriz Robin Givens. Ela o acusa de abuso e o casal se divorcia no ano seguinte. Uma série de acusações de assédio e violência sexual é apresentada contra o boxeador.

Contra todas as expectativas, em 11 de fevereiro de 1990, ele perde o título mundial para James Buster Douglas. Em 1991, Tyson é acusado de estuprar uma candidata a miss. É condenado e preso em 1992.

Três anos depois, Tyson sai da prisão e recupera dois títulos de campeão mundial com vitórias fáceis sobre Frank Bruno e Bruce Seldon. Em 9 de novembro de 1996, sofre sua segunda derrota, desta vez para Evander Holyfield, duas vezes campeão mundial, por nocaute técnico no 11º assalto. 

Na revanche, em 28 de junho de 1997, Tyson é desclassificado depois de morder duas vezes a orelha  de Holyfield e perde a licença para boxear. Ele volta a lutar e a vencer em 16 de janeiro de 1999. Em 7 de fevereiro do mesmo ano, é condenado a um ano de prisão, dois de liberdade condicional, 200 horas de serviço comunitário e multa de US$ 2,5 mil por agredir dois idosos depois de um acidente de automóvel em 1998.

Sua última vitória como lutador profissional acontece em 2003 em apenas 49 segundos. No fim daquele ano, Tyson declara falência com dívidas de US$ 34 milhões depois de ganhar US$ 400 milhões na carreira.

domingo, 30 de abril de 2023

Partido Colorado vence mais uma eleição no Paraguai

A Associação Nacional Republicana, mais conhecida como Partido Colorado, que está no poder desde 1947 no Paraguai, com uma breve interrupção, vence mais uma eleição presidencial, a oitava realizada desde a queda do ditador Alfredo Stroessner, em 14 de fevereiro de 1989. 

Com 99,82% das urnas apuradas, o candidato governista, Santiago Peña, ganha com mais de 1,2 milhão de votos, 42,74% do total, contra 27,48% de Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) e da Concertação, uma ampla aliança de 40 partidos da esquerda à centro-direita. O Paraguai é o único país da América do Sul com eleição presidencial em turno único.

Nos últimos 75 anos, o Partido Colorado só não governou o país de 2008 a 2012, da eleição ao impeachment do padre Fernando Lugo, um candidato de esquerda que conseguiu galvanizar a oposição, mas depois foi abandonado, inclusive pelo PLRA, e foi alvo de um processo de impeachment de pouco mais de 24 horas, sem o menor direito de defesa. 

Depois da ocupação de uma fazenda de um ex-senador do Partido Colorado por cerca de 100 agricultores sem terra para pedir uma reforma agrária, em maio de 2012, em Curuguaty, a 240 quilômetros de Assunção, a polícia enfrentou os manifestantes para fazer a reintegração de posse. Dezessete pessoas morreram, 11 sem-terra e 6 policiais.

Os policiais alegaram que foram alvos de uma emboscada e acusaram o Exército do Povo Paraguaio, um movimento guerrilheiro, de infiltrar o movimento camponês e o então presidente de apoiar os sem-terra. Em 21 de junho de 2012, o Câmara dos Deputados do Paraguai autorizou a abertura de um julgamento político de Lugo por "mau desempenho de suas funções".

Não houve nenhum inquérito parlamentar sobre o confronto nebuloso na fazenda do ex-senador Blas Riquelme. No dia seguinte, o Senado destituiu Lugo por 39 a 4. Para o ex-ministro da Ação Social Hugo Richert, "o episódio pode ter sido preparado para contar com um motivo perfeito para destituir o presidente."

Então, a grande questão hoje era se o Partido Colorado manteria seu monopólio de poder. Todas as pesquisas recentes previam a vitória de Peña, menos a da AtlasIntel, que dava um empate técnico com pequena vantagem para a Alegre. Era considerada mais confiável porque os outros institutos são de empresários ligados aos colorados.

O presidente eleito, Santiago Peña, de 44 anos, foi ministro da Fazenda no governo de Horácio Cartes (2013-18), o homem mais rico do Paraguai, atualmente presidente do Partido Colorado. Cartes foi acusado pelos Estados Unidos em julho do ano passado de ser "significativamente corrupto".

Durante a campanha, Alegre acusou o grupo de Cartes de governar o país como "uma máfia" e descreveu Peña como seu representante. Cinco empresas de Cartes são alvos de sanções dos EUA, que proibiram sua entrada no país. 

Alegre também acenou com a possibilidade de romper com Taiwan e estabelecer relações com a China para atrair comércio e investimentos. O Paraguai é um dos 13 países que ainda reconhecem Taiwan, o único da América do Sul. Não bastou para derrotar os colorados.

Um terceiro candidato, Paraguayo Cubas, de extrema direita, conquistou quase 23% dos votos, esvaziando a candidatura de oposição. O chamado Bolsonaro paraguaio defende ideias ultranacionalistas, mas não tem apoio nas Forças Armadas, fortemente ancoradas ao Partido Colorado. Durante a ditadura do general Stroessner, para entrar na universidade, no serviço público ou nas Forças Armadas, era preciso ser filiado ao partido do governo.

Cubas era senador. Perdeu o mandato em 2019 por agredir um policial. Chegou a defender a morte de "100 mil bandidos brasileiros", de um total de 2 milhões que disse que vivem no Paraguai.

Este número está errado. O país com mais brasileiros é os EUA (1,9 milhões), seguido por Portugal (275 mil) e Paraguai (246 mil). Os números reais podem ser maiores porque muitos imigrantes não se registram nos consulados brasileiros. Só para comparar, na Argentina, há 90 mil residentes brasileiros.

No discurso da vitória, Peña prometeu combater "a pobreza, a corrupção e a impunidade". Ele toma posse em 15 de agosto para um cumprir um mandato de cinco anos sem direito a reeleição. Alegre reconheceu a derrota terceira derrota consecutiva e pediu à oposição que mantenha a unidade para as próximas eleições.

Em relação ao Mercosul, a posição dos dois candidatos é semelhante. Ambos disseram que os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram bons para o Paraguai.

Por considerar o impeachment de Lugo um golpe, Brasil, Argentina e Uruguai suspenderam a participação do Paraguai no Mercosul. Isto permitiu a entrada da Venezuela sem se adaptar a todas as normas do bloco, que passou a ter caráter mais político do que econômico. A ideia agora é retomar a integração como alavanca para o desenvolvimento.

O Uruguai quer fechar um acordo de livre comércio com a China. Isto não interessa a Brasil e Argentina, que tentam se reindustrializar. Nem ao Paraguai, que também tem a ambição de se industrializar, com a energia abundante das usinas hidrelétricas de Itaipu e Yaciretá, mão de obra barata e um sistema de impostos muito mais simples do que o brasileiro.

Isto tem atraído empresários brasileiros. Inicialmente, eram sobretudo fazendeiros produtores de carne e grãos, os brasiguaios. Hoje há fábricas brasileiras de tecidos e autopeças comparadas às maquiadoras, as empresas norte-americanas instaladas no Norte do México para atuar como montadoras e vender para o mercado dos EUA.

A Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) arrasou o país na Guerra do Paraguai (1864-70), que eles chamam de Guerra Grande, quando 90% da população adulta masculina foi morta. A dívida de guerra só foi perdoada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas.

Com população de 7,3 milhões de habitantes e produto interno bruto estimado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em US$ 42,8 bilhões em 2023, o Paraguai é o 100º país mais rico do mundo. A expectativa do FMI de crescimento para este ano é de 4,5%, acima das médias mundial (2,8%) e latino-americana (1,6%).

Historicamente, o Brasil tinha saldo comercial positivo no comércio bilateral. Em 2022, as exportações brasileiras para o Paraguai somaram US$ 3,519 bilhões e as importações do país vizinho, US$ 3,636 bilhões, numa corrente de comércio de US$ 7,155 bilhões com saldo negativo para o Brasil de US$ 117,2 milhões.

Neste ano, de janeiro a março, as exportações brasileiras somam US$ 797,8 milhões e as paraguaias, US$ 753,3 milhões, com superávit de US$ 44,5 milhões para o Brasil.

A exportação de energia elétrica representa 37% do que o Paraguai vende ao Brasil, seguida por arroz (9,3%), equipamentos para distribuição de energia elétrica (6,4%), milho (5,7%) e soja (5,5%). O Paraguai importa principalmente máquinas agrícolas e peças (10,1%), veículos (5,4%), adubos e fertilizantes (5,3%) e outros produtos industriais (4,8%).

Daí a importância para o Paraguai da energia gerada por grandes hidrelétricas. O acordo de Itaipu, assinado quando os dois países eram ditaduras militares, faz 50 anos neste ano e deve ser renegociado. O Paraguai ficou anos devendo pela obra e tem direito à metade da energia gerada, mas só pode vendê-la para o Brasil.

Em 2009, no governo Lugo, o presidente Lula concordou em triplicar de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões a taxa anual paga ao Paraguai pela energia que o país vizinho não utiliza. Na época, o Paraguai consumia apenas 5% da energia a que tinha direito.

Lula cumprimentou o vencedor e prometeu trabalhar em conjunto por uma América do Sul "com mais união e desenvolvimento".

domingo, 26 de março de 2023

Hoje na História do Mundo: 26 de Março

VACINA CONTRA PÓLIO

    Em 1953, o médico norte-americano Jonas Salk anuncia que testou com sucesso uma vacina contra a poliomielite, doença causadora da paralisia infantil.

No ano anterior, uma epidemia de pólio atinge 58 mil pessoas e causa 3 mil mortes nos Estados Unidos.

O primeiro grande surto de poliomielite nos EUA é registrado no estado de Vermont, em 1894. No início do século 20, há milhares de casos por ano, principalmente em crianças, mas também em adultos.

O futuro presidente Franklin Delano Roosevelt teve pólio aos 39 anos, em 1921, e ficou parcialmente paralítico.

NASCE O MERCOSUL

    Em 1991, os presidente do Brasil, Fernando Collor de Mello; do Paraguai, general Andrés Rodríguez; da Argentina, Carlos Menem; e do Uruguai, Luis Alberto Lacalle; assinam o Tratado de Assunção, que cria o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

A reaproximação entre Brasil e Argentina começa antes mesmo da redemocratização dos países. Durante o governo do general João Figueiredo, os dois países chegaram a um acordo sobre a exploração energética da Bacia do Prata. Os argentinos temiam que a Hidrelétrica de Itaipu esgotasse o potencial energético do Rio Paraná.

A integração regional do Cone Sul da América Latina avança com os encontros de cúpula dos presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín depois da redemocratização do Brasil e da Argentina. Em 1985, eles assinam o Tratado de Iguaçu. 

O diálogo leva a um acordo nuclear para evitar uma corrida armamentista na região. Em 18 de julho de 1991, é assinado o Acordo de Guadalajara, pelo qual Brasil e Argentina se comprometem a usar a energia nuclear somente para fins pacíficos.

Com a crise da dívida externa e a hiperinflação que atinge os dois países nos anos 1980, quando a Argentina lança o Plano Austral e o Brasil o Plano Cruzado, a integração regional é vista como uma maneira de aumentar o poder de barganha em negociações internacionais. Não melhora as condições de renegociação das dívidas, mas fortalece o comércio regional, que sobe de US$ 1 bilhão para US$ 20 bilhões. Os presidentes Fernando Collor de Mello e Carlos Menem aproveitam o acordo para baixar tarifas de importação e promover a abertura comercial.

A meta de zerar as tarifas de importações e eliminar as barreiras não tarifárias até 31 de dezembro de 1994 nunca foi atingida. A Bolívia (1996), o Chile (1996), o Peru (2003), a Colômbia (2004), o Equador (2004), a Guiana (2013), e o Suriname (2013) são países associados. Fazem parte da zona de livre comércio, mas não da união aduaneira, que pressupõe a aplicação de uma tarifa externa comum na compra de produtos de fora do bloco.

A entrada da Venezuela como membro pleno em 31 de julho de 2012, sem adotar previamente as regras do bloco, criou um Mercosul mais político, menos voltado para a integração econômica. Em dezembro de 2016, a Venezuela é suspensa sob a acusação de violar a cláusula democrática do bloco.

domingo, 14 de abril de 2019

Paraguai defende isolamento total da Venezuela para derrubar Maduro

O ministro do Exterior do Paraguai, Luis Alberto Castiglioni, declarou ontem ser a favor de uma política de total isolamento da Venezuela para forçar a queda do ditador Nicolás Maduro. Mais de 50 países, inclusive o Brasil e o Paraguai, reconheceram o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como o presidente legítimo da Venezuela.

"Nossa intenção é continuar com o trabalho de isolar o regime tão completamente para que não tenha nenhum oxigênio sobrando", afirmou Castiglioni, depois de receber o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, em Assunção.

Para o chanceler paraguaio, Maduro usa o pouco oxigênio que lhe resta para "consolidar a repressão política" e "fazer as pessoas sofrerem".

Com a economia venezuelana em colapso e a queda na produção de petróleo, surpreende que Maduro ainda esteja no Palácio de Miraflores: "Ele não será capaz de se sustentar por muito tempo e vai cair inevitavelmente. Aquele regime vai ciar porque será impossível se manter", previu Castiglioni.

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos esteve ontem com o presidente Mario Abdo Benítez e seu chanceler numa gira pela América do Sul que incluiu também visitas à Colômbia, ao Peru e ao Chile. O tema central da viagem foi a Venezuela.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Hamas admite que 50 dos 62 mortos em Gaza eram militantes

O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), principal partido fundamentalista palestino, reconheceu hoje que 50 dos 62 mortos em conflitos com Israel na fronteira da Faixa de Gaza eram militantes do grupo. Israel afirma que eram 53, informou o jornal The Times of Israel.

"Nos últimos confrontos, se 62 pessoas foram martirizadas, 50 mártires eram do Hamas e 12 do povo. Como o Hamas pode colher os frutos, se paga um preço tão alto?", questionou o dirigente Salah Bardawil em entrevista a um meio de comunicação palestino.

Sem confirmar a alegação, o porta-voz do Hamas, Fawzy Barhoum, declarou que o grupo pagou os enterros dos 50, "fossem eles membros ou simpatizantes do Hamas, ou mesmo se não tivessem relação".

Outro alto dirigente do Hamas, Bassem Naim, também não desmentiu nem confirmou a notícia, alegando que o Hamas é "um grande movimento, com amplo apoio popular". Assim, seria "natural ver membros ou simpatizantes do Hamas em grande número" num protesto. Naim afirmou que ele foram mortos quando "participavam pacificamente" das manifestações.

"Isto prova o que tantos tentam ignorar: o Hamas está por trás dos tumultos e chamar as manifestações de 'protestos pacíficos' está longe da verdade", declarou o porta-voz das Forças de Defesa de Israel, tenente-coronel Jonathan Conricus.

Israel acusa o Hamas de organizar as chamadas Marchas do Retorno para reivindicar o direito de retorno dos palestinos expulsos de suas casas e terras quando da criação de Israel há 70 anos, e de estimular os manifestantes a atacar a cerca na fronteira de Gaza. O objetivo é questionar a legitimidade do Estado de Israel, que o Hamas quer destruir.

A grande manifestação de segunda-feira coincidiu com a transferência da Embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém. Implica o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, o que nenhum país havia feito porque o setor árabe (oriental) é um território ocupado na Guerra dos Seis Dias, em 1967. O movimento nacional palestino pretende instalar sua capital no setor oeste de Jerusalém.

Hoje, a Guatemala se tornou o segundo país a transferir sua embaixada para Jerusalém. O Paraguai anunciou a intenção de fazer o mesmo.

sábado, 5 de agosto de 2017

Mercosul suspende Venezuela por "ruptura da ordem democrática"

Em reunião de chanceleres realizada hoje em São Paulo, o Mercado Comum do Sul (Mercosul) decidiu por unanimidade suspender a participação da Venezuela por violar a cláusula democrática do bloco comercial.

A medida tem poucas consequências práticas. A Venezuela estava excluída do Mercosul desde o fim do ano passado por não ter internalizado as regras do bloco onde entrou pela janela em 2012.

Na época, numa manobra oportunista, as então presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da Argentina, Cristina Kirchner, aproveitaram a suspensão do Paraguai por causa do impeachment do presidente Fernando Lugo sem direito de defesa para colocar a Venezuela no Mercosul.

A Venezuela tinha pedido associação em 2006, mas o Congresso do Paraguai nunca ratificou o ingresso. Ao contrário do que acontece em blocos regionais de sucesso como a União Europeia, a Venezuela não negociou previamente a adesão às regras do bloco comercial. Isso foi usado pelos governos direitistas de Mauricio Macri, na Argentina, e Michel Temer, no Brasil, para suspender a Venezuela em 2016.

Agora, houve "ruptura da ordem democrática". A Venezuela só volta ao bloco quando acabar a ditadura imposta pela Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima convocada pelo ditador Nicolás Maduro.

"Na Venezuela, não há democracia e sem democracia não se faz parte do Mercosul", declarou o chanceler argentino, Jorge Faurie. "É uma sanção grave, de natureza política", comentou o ministro brasileiro, Aloysio Nunes Ferreira. "O objetivo é ter uma transição pacífica e a libertação de todos os presos políticos. Queremos que a Venezuela reencontre a democracia."

Aparentemente, o bloco perdeu a capacidade de mediar a crise venezuelana.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Presidente do Paraguai anuncia que não vai concorrer à reeleição

O presidente Horacio Cartes, o homem mais rico do Paraguai, anunciou ontem que não vai disputar a reeleição em 2018 mesmo que o Congresso reforme a Constituição para permitir isso, noticiou a agência Reuters.

A aprovação de emenda constitucional autorizando a reeleição em sessão secreta do Senado provocou uma revolta popular. Em 31 de março de 2017, os manifestantes invadiram a sede do parlamento e tocaram fogo em gabinetes de deputados e senadores.

Diante da revolta, a Câmara adiou a votação do projeto. A expectativa era que fosse arquivado. O anúncio de Cartes tentar desarmar os espíritos. Mas a oposição certamente não confia nas promessas de um presidente do Partido Colorado, que comandou o Paraguai quase ininterruptamente desde 1947.

Outro beneficiário de uma reforma constitucional que autorize a reeleição presidencial seria o padre Fernando Lugo, que governou o país de 2008 a 2012 e foi afastado num processo de impeachment relâmpago em menos de 48 horas, sem pleno direito de defesa, como em qualquer democracia. 

No momento, Lugo lidera as pesquisas. Com a máquina pública trabalhando a seu favor, Cartes talvez seja o único candidato capaz de vencer o padre.

sábado, 1 de abril de 2017

Líder da Juventude Liberal é morto pela polícia no Paraguai

O líder do setor jovem do Partido Liberal Radical Autêntico no distrito de La Colmena, Rodrigo Quintana, foi baleado e morto com um tiro na cabeça durante as manifestações de protesto contra a aprovação da reeleição presidencial pelo Senado do Paraguai. O jornal local ABC Color atribuiu o disparo à polícia.

Quintana, de 25 anos, foi atingido quando a polícia tentava invadir a sede do partido oposicionista em Assunção, a capital paraguaia, depois de manifestantes atacarem o Congresso e tocarem fogo em escritórios de parlamentares. Durante os protestos, a Ponte Internacional da Amizade, que liga Cidade do Leste e Foz do Iguaçu, no Brasil, foi fechada durante cinco horas.

Em nota oficial, o presidente Horacio Cartes responsabilizou a oposição e a mídia pela violência, acusando-as de tentar "destruir a democracia e a estabilidade política e econômica do país", e pediu calma à população. Mas o Agrupamento Montado da Polícia Nacional atacou o jornal ABC Color com tiros de balas de borracha e feriu dois funcionários. O jornal abriu sua redação para a mídia estrangeira reportar o conflito.

A emenda constitucional deve agora ser examinada pela Câmara dos Deputados, mas a sessão de hoje foi adiada. Os principais interessados são Cartes, o homem mais rico do país, e o ex-presidente Fernando Lugo, afastado em 2012 por um impeachment relâmpago, sem o menor direito de defesa.

Como o ditador Alfredo Stroessner foi eleito em 1954 e só deixou o poder em 1989, num golpe de Estado liderado por um de seus principais assessores, a Constituição do Paraguai proíbe a reeleição.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Manifestantes tocam fogo no Congresso do Paraguai

Em revolta contra a aprovação a portas fechadas da reeleição presidencial no Senado, manifestantes invadiram hoje o Congresso do Paraguai, em Assunção, e incendiaram escritórios. Pelo menos 50 pessoas saíram feridas.

Os beneficiários da medida são o presidente Horacio Cartes, o homem mais rico do país, e o ex-presidente Fernando Lugo, deposto em 2012 num processo de impeachment sem o menor direito de defesa, inimigos políticos irmanados na causa da reeleição.

Em nota, o presidente responsabilizou os senadores da oposição e os meios de comunicação críticos do governo pela violência. Até a Ponte Internacional da Amizade, em Cidade do Leste, na fronteira com Foz do Iguaçu, no Brasil, foi fechada pelos manifestantes e depois pela polícia do lado brasileiro.

A Constituição do Paraguai, de 1992, proíbe a reeleição do presidente para evitar ditaduras como a do general Alfredo Stroessner, que assumiu o poder em 1954 e ficou até ser derrubado por um golpe militar em 1989. A emenda agora segue para a Câmara dos Deputados.

NOTA: dias depois, a Câmara abandonou a emenda constitucional da reeleição.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Fundadores do Mercosul afastam Venezuela chavista da presidência

Os países fundadores do Mercado Comum do Sul (Mercosul), Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, decidiram ontem que a Venezuela não vai assumir a presidência rotativa do bloco comercial sem cumprir os compromissos assumidos há quatro anos de adotar todas as regras comuns até 12 de agosto deste ano. A Venezuela tem até 1º de dezembro de 2016 para se adaptar.

Até lá, o Mercosul terá uma presidência colegiada formada por seus membros fundadores. O Uruguai, que havia transferido a presidência à Venezuela no fim de seu mandato, no fim de junho, se absteve. É o único dos fundadores com governo de esquerda hoje.

A oposição à Venezuela não foi apenas por causa das normas técnicas da zona de livre comércio do Mercosul, observou Cloris Rossi hoje na Folha de São Paulo. O Brasil, a Argentina e o Paraguai acusam o regime chavista de desrespeitar a democracia e violar os direitos humanos.

Além de manter presos políticos, o governo Nicolás Maduro tenta bloquear e adiar a convocação de um referendo proposto pela oposição para revogar o mandato do presidente, como prevê a Constituição Bolivarista da Venezuela, que não prevê o julgamento político num processo de impeachment.

Se o referendo for realizado até 10 de janeiro de 2017 e Maduro perder, haverá nova eleição presidencial. Depois desta data, assumiria o vice-presidente, nomeado por Maduro.

Em meio à pior crise econômica de sua história recente, com queda acumulada de 18% do produto interno bruto, desabastecimento generalizado e inflação prevista em 720% neste ano, a Venezuela não vai adotar as regras de abertura comercial de uma zona de livre comércio com pretensões a união aduaneira. Tende a ser cada vez mais marginalizada dentro do Mercosul.

O Mercosul sonha com um acordo de liberalização comercial com a União Europeia que enfrenta forte oposição dos produtores agrícolas europeus. A Venezuela seria um entrave a mais nas negociações.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Paraguai esnoba Brasil na OMC

O Paraguai apoia o candidato mexicano Herminio Blanco contra o embaixador brasileiro Roberto Azevêdo na votação final para escolher o próximo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), a ser realizada nesta terça-feira, 7 de maio, em Genebra, na Suíça.

Mesmo que o governo brasileiro garanta ter mais do que os 80 votos necessários, a decisão revela o descontentamento paraguaio com o Brasil. Desde o golpe contra o presidente Fernando Lugo, no ano passado, o Paraguai está suspenso do Mercosul. Numa manobra oportunista, essa ausência foi usada por Brasil e Argentina para colocar a Venezuela sem a devida aprovação pelo Senado do Paraguai.

Um novo presidente paraguaio, Horacio Cartes, sobre o qual pesam pesadas denúncias de tráfico e contrabando, foi eleito em 21 de abril de 2013. Quando tomar posse, uma normalização da democracia permitiria a volta do país ao bloco. Mas o que se discute é o ingresso do Equador, governado por Rafael Correa, ligado ao grupo bolivarista criado pelo falecido presidente venezuelano Hugo Chávez.

No momento, Bolívia, Chile, Colômbia e Equador são membros associados do Mercosul. Fazem parte da zona de livre comércio, mas não são membros plenos, não participando das decisões mais importantes do bloco.

domingo, 21 de abril de 2013

Partido Colorado retoma poder no Paraguai

O Partido Colorado, que governou o Paraguai de 1947 a 2008, inclusive durante a ditadura do general Alfredo Stroessner, volta ao poder com a vitória do empresário Horacio Cartes, acusado de evasão fiscal, contrabando de cigarros e tráfico de drogas, na eleição presidencial de hoje.

Com 81% das urnas apuradas, Cartes tinha 46% dos votos contra 37% para Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autêntico, que já reconheceu a derrota.

sábado, 20 de abril de 2013

Paraguai vota em meio a denúncias de corrupção

Mesmo para os baixos padrões de moralidade política da América Latina, a eleição presidencial deste domingo no Paraguai é um escândalo, observa o jornal esquerdista britânico The Guardian.

O favorito é Horacio Cartes, do conservador Partido Colorado, que governou o Paraguai por 61 anos, um homofóbico que já foi preso por fraude cambial, é investigado por evasão de impostos e acusado de envolvimento com o tráfico de drogas.

Seu maior adversário é Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autêntico, de centro-direita, acusado de usar milhões de dólares de fundos públicos para comprar aliados políticos e ter alguma chance amanhã.

Uma vitória de Cartes representará tudo o que o Paraguai tem de pior, uma classe política corrupta ligada à criminalidade.

Alegre o descreve como "a expressão máxima do modelo do contrabando, da máfia e pirataria". Mas também não é limpo. O governo comprou uma fazenda do pai do presidente do Congresso, Jorge Oviedo, por US$ 11,5 milhões para selar a aliança que o apoia.

Com o escândalo, Oviedo renunciou à Presidência dos Congresso. Alegre herdou os votos do general golpista Lino Oviedo, que morreu durante a campanha

"Não há ninguém limpo no Paraguai", admite um eleitor envergonhado.

O PLRA governo o país em aliança com os colorados desde o impeachment do presidente Fernando Lugo no ano passado. Como dava o vice de Lugo, ocupa a Presidência, o que lhe permitiu usar dinheiro público na campanha.

Em entrevista ao sítio Terra, Alegre considerou o impeachment de Lugo inevitável. Pois sim. Como disse Clovis Rossi na Folha nove meses atrás, foi uma jogada dos grandes partidos para usar a máquina e os recursos do governo na campanha.

Assim, caiu o primeiro e único governo de esquerda da História do Paraguai. O saque dos recursos públicos para uso privado por uma elite autoritária e corrupta continua. Amanhã, será eleito mais um príncipe da corrupção.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

General golpista morre em acidente aéreo no Paraguai

O general golpista Lino Oviedo, candidato à Presidência do Paraguai em 21 de abril de 2013 pelo partido União Nacional dos Cidadãos Éticos (no estilo Renan Calheiros), morreu na queda de um helicóptero depois de participar de um ato político ontem à noite no Departamento de Concepción, ao norte da capital, Assunção.

Uma comitiva especial de militares e policiais foi ao local do acidente, mas só encontrou o helicóptero caído e três corpos carbonizados.

Oviedo participou da conspiração para derrubar o ditador Alfredo Stroessner, deposto em fevereiro de 1989 depois de governar o Paraguai por 45 anos. Desde então, é uma figura de destaque da política paraguaia, acusada em várias tentativas de golpe. Foi comandante do Exército de 1993 a 1996. Caiu sob acusação de tramar um golpe contra o presidente Juan Carlos Wasmosy.

Em 1999, o general foi acusado de ser o mandante do assassinato do então vice-presidente Luis María Argaña e de massacres contra protestos populares que levaram à renúncia do presidente Raúl Cubas. Ele foge para a Argentina e se exila no Brasil, que se nega a extraditá-lo.

Do exílio, Oviedo teria conspirado contra o presidente interino González Macchi, em 2000. Depois de cinco anos fora do país, ele voltou ao Paraguai. Preso, cumpriu pena até setembro de 2007.

Em 2008, perdeu a eleição presidencial para Fernando Lugo, afastado num golpe branco em 2012 que teve o apoio de Oviedo. Agora, mais uma vez, o general sonhava em chegar à Presidência.

O governo paraguaio prometeu convidar especialistas estrangeiros para participar da investigação a fim de que não pairem dúvida sobre a morte do general Oviedo.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Venezuela entra no Mercosul de forma irregular

LONDRES - A Venezuela passa a ser membro pleno do Mercosul nesta terça-feira graças a uma manobra das presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e do Brasil, Dilma Rousseff. Em uma jogada oportunista, os grandes sócios do bloco aproveitaram a suspensão temporária do Paraguai, punido pelo golpe parlamentar contra o presidente Fernando Lugo, para colocar a Venezuela pela porta dos fundos.

Por sua discordância com o modelo e os métodos de ação política do caudilho e presidente venezuelano Hugo Chávez, o Senado do Paraguai não aprovou a associação plena da Venezuela.

A entrada da Venezuela, rica em petróleo e gás, consolida o eixo central da América do Sul, mas seu ingresso não foi precedido por uma longa negociação em que o país tenha se comprometido a aceitar todas as normas do bloco. Com as políticas antiliberais e anticapitalistas de Chávez, será difícil firmar novos acordos de livre comércio.

O outro sócio menor, o Uruguai, protestou contra a manobra por entender que houve uma violação do princípio básico da integração regional de que todos os países e regras devem ser respeitadas. Se a posição do Paraguai foi atropelada hoje, que garantias tem o Uruguai?

terça-feira, 3 de julho de 2012

Lugo denuncia golpe e quer Paraguai suspenso da OEA

O ex-presidente Fernando Lugo chamou de "golpe 2.0" o processo de impeachment relâmpago de que foi alvo no mês passado e apelou à Organização dos Estados Americanos (OEA) para que suspenda o Paraguai por violar a cláusula democrática adotada pela instituição pan-americana.

Em entrevista a um jornal Correio Braziliense, Lugo considerou o processo "cheio de erros. Não tive tempo de preparar minha defesa. Qualquer pessoa tem oito ou nove dias para preparar sua defesa. Eu tive 27 horas".

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Venezuela entra no Mercosul pela porta dos fundos

Em uma jogada de oportunismo político, Brasil, Argentina e Uruguai aproveitaram a suspensão do Paraguai do Mercosul (Mercado Comum do Sul) para autorizar a entrada da Venezuela como membro pleno do bloco comercial na reunião de cúpula que se realiza ontem e hoje em Mendoza, na Argentina.

O ingresso da Venezuela dependia apenas da ratificação pelo Congresso do Paraguai. Aparentemente, as presidentes Dilma Rousseff e Cristina Kirchner acharam que seria uma boa maneira de punir os deputados e senadores que derrubaram o presidente Fernando Lugo num processo de impeachment-relâmpago, em 36 horas.

Mas, se o Paraguai foi suspenso por ter violado a cláusula democrática do Mercosul e vai voltar depois das eleições de abril de 2013, não seria lógico respeitar a condição de membro pleno do bloco?

A baixa institucionalidade é uma das maiores deficiências políticas da América Latina. Sua consequência natural é o caudilhismo, uma praga histórica. Atropelam-se as regras por puro oportunismo político. Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei, ou nem pão nem água.

Tudo se justifica, inclusive a fraude e a corrupção, em nome da luta por um bem maior: a causa justa.

O Mercosul agora integra o eixo central da América do Sul de Norte a Sul. Incorpora um país importante, com enormes reservas de petróleo e gás. Mas, enquanto Hugo Chávez estiver no poder, o bloco pode dar adeus aos acordos de liberalização comercial que negocia há anos, por exemplo, com a União Europeia (UE).

Quando um país quer entrar para a UE, é obrigado a se adaptar a todas as regras do bloco. A negociação de acesso da Venezuela foi apressada por razões políticas. Também foi uma entrada pela porta dos fundos. Talvez, na América Latina, as normas não interessem mesmo. Só existam para serem violadas pela prepotência de chefes de Estado que se colocam acima da lei.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Mercosul suspende Paraguai politicamente

O Mercado Comum do Sul (Mercosul) vai manter a suspensão do Paraguai politicamente por causa do golpe branco que depôs o presidente Fernando Lugo, mas não vai adotar nenhuma medida econômica contra o governo de Federico Franco, afirmou hoje o ministro das Relações Exteriores, na véspera de uma reunião de cúpula do bloco do Cone Sul da América Latina, em Mendoza, na Argentina.

Patriota explicou que a decisão se baseia no Protocolo de Ushuaia, de 1998, que condiciona a participação no Mercosul à plena vigência das instituições democráticas.

O Paraguai está suspenso desde domingo, quando foram levantadas suspeitas sobre o processo de impeachment que destituiu o presidente Lugo em 36 horas. Só volta depois das próximas eleições, marcadas para daqui a nove meses.

A discussão bizantina sobre se foi ou não golpe continua na imprensa brasileira, onde comentaristas como Arnaldo Jabor, Elio Gasperi e Merval Pereira insistem em que não houve golpe, mas sim um processo constitucional com base na lei paraguaia, enquanto Clovis Rossi, Claudia Antunes e Miriam Leitão, entre outros, entendem que o processo-relâmpago negou a Lugo o direito de defesa.

Para a professora Adrienne Pine, o impeachment-relâmpago de Lugo "segue o modelo do golpe em Honduras. Foi usado o mesmo tipo de retórica e as mesmas figuras oligárquicas estão por trás. Mau desempenho do presidente é um argumento pobre. Isso mostra que deixar o golpe de Honduras passar abriu caminho para este golpe parlamentar. Eles tiverem o cuidado de não envolver os militares para dar uma aparência de legalidade".

O Paraguai, acrescentou, é um dos países com maior concentração de riqueza do mundo. Por trás do conflito, está a luta pela terra: "Cerca de 80% das terras estão nas mãos de 2% da população, e as instituições paraguaias trabalham para estes 2%. Imaginem se nos Estados Unidos o Congresso pudesse depor o presidente em 24 horas toda vez que estivesse insatisfeito. Não é esse o conceito de democracia. Que democracia é essa: para todo o povo paraguaio ou para os 2% representados no Congresso?", questionou Pine.

No mesmo programa, Por dentro de história, da TV árabe especializada em notícias Al Jazira, Michael Shifter, presidente do InterAmerican Dialogue, um instituto de pesquisas com sede em Washington, observou que o impeachment é um abalo para a nascente democracia paraguaia: "Pode-se discutir se foi golpe ou não, mas foi antidemocrático".

Lugo venceu a eleição depois de 61 anos de governos do Partido Colorado. Na opinião de Shifter, teria sido melhor esperar pela eleição, marcada para abril de 2013. O programa também levantou a suspeita de que o pleno direito de defesa, garantido pelo art. 17 da Constituição do Paraguai, não foi observado.

Quem ainda tiver dúvidas sobre o golpe, confira o artigo de Clovis Rossi na Folha de S. Paulo de hoje mostrando que Lugo foi afastado por uma denúncia vaga e sem provas. Perplexo, o colunista se pergunta como é possível se defender sem uma acusação concreta.

O processo alega que "todas as causas são de notoriedade pública, motivo pela qual não precisam ser provadas, conforme a ordenação jurídica vigente".

Esse impeachment é tão falsificado quanto uísque paraguaio.