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quinta-feira, 26 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 26 de Março

LEI DO ASSASSINATO

     Em 1752, entra em vigor no Reino Unido a Lei do Assassinato, que impõe penas rigorosas para condenados por homicídio, inclusive o uso de seus cadáveres para dissecação.

Os legisladores esperam que isto ajude a atender à necessidade de cadáveres para estudo e treinamento de cirurgiões. Na época, ladrões roubavam corpos para vender.

A Lei do Assassinato fracassa e é substituída em 1832 pela Lei da Anatomia,

VACINA CONTRA PÓLIO

    Em 1953, o médico norte-americano Jonas Salk anuncia que testou com sucesso uma vacina contra a poliomielite, doença causadora da paralisia infantil.

No ano anterior, uma epidemia de pólio atinge 58 mil pessoas e causa 3 mil mortes nos Estados Unidos.

O primeiro grande surto de poliomielite nos EUA é registrado no estado de Vermont, em 1894. No início do século 20, há milhares de casos por ano, principalmente em crianças, mas também em adultos.

O futuro presidente Franklin Delano Roosevelt teve pólio aos 39 anos, em 1921, e ficou parcialmente paralítico.

Depois, o dr. Albert Sabin cria a vacina oral contra a poliomielite e campanhas de vacinação erradicam a doença em praticamente todo o mundo. Os únicos países onde há focos importantes da doença são o Afeganistão e o Paquistão, onde os Estados Unidos usaram campanhas de vacinação para descobrir o esconderijo do terrorista Ossama ben Laden.

Com as campanhas antivacinas, hoje há um sério risco de volta da doença.

INDEPENDÊNCIA DE BANGLADESH

    Em 1971, a Liga Awami forma um governo no exílio em Calcutá, hoje Kolkota, na Índia, e proclama a independência de Bangladesh, na época conhecido como Paquistão Oriental.

O futuro país passa a fazer parte do Império Britânico em 1858, quando este assume o controle da Índia. Quando a Índia e o Paquistão conquistam a independência, em 1947, vira o Paquistão Oriental. 

A declaração de independência marca o início de uma guerra civil de nove meses em que recebe o apoio da Índia, inimiga histórica do Paquistão, o que deflagra a Guerra Indo-Paquistanesa de 1971. A vitória vem em 16 de dezembro, depois de 3 milhões de mortes, da fuga de 8 a 10 milhões de pessoas para a Índia e do estupro de 200 mil mulheres.

A guerra leva à fome de grande parte da população de um dos países mais pobres do mundo, levando o ex-beatle George Harrison a organizar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para as vítimas da guerra.

Com cerca de 171,5 milhões de habitantes, Bangladesh é o oitavo maior país do mundo em população e o quarto com maior número de muçulmanos depois da Indonésia, do Paquistão e da Índia.

ACORDOS DE CAMP DAVID

    Em 1979, o presidente do Egito, Anuar Sadat, e o primeiro-ministro de Israel, Menachem Begin, assinam os Acordos de Camp David, mediados pelo presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter.

Quando as Nações Unidas aprovam a criação do Estado de Israel, em 29 de novembro de 1947, e o país é fundado, em 14 de maio de 1948, os países árabes não aceitam. A Guerra da Independência de Israel vai até 10 março de 1949.

A derrota árabe humilhante causa a Revolução dos Coronéis e a queda do rei Faruk no Egito. Ascende ao poder no Cairo o coronel Gamal Abdel Nasser, que se torna o grande líder do nacionalismo pan-árabe ao enfrentar as potências coloniais europeias e nacionalizar o Canal de Suez.

Com o apoio da França e do Reino Unido, em 19 de outubro de 1956, Israel declara guerra ao Egito. Em plena crise internacional porque a União Soviética ataca a Hungria para acabar com uma revolta contra o regime stalinista, os Estados Unidos suspendem o apoio do Fundo Monetário Internacional às economias britânica e francesa, ainda abaladas pela Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Os invasores se retiram. O Egito fica com o Canal de Suez e Nasser sai fortalecido.

Em 1967, Nasser fecha o Estreito de Tiran aos navios israelenses. Quando manda a força de paz da ONU sair da Península do Sinai, Israel vê o risco de uma guerra iminente e ataca as forças aéreas do Egito, da Jordânia e da Síria em terra, deflagrando a Guerra dos Seis Dias.

De 5 a 10 de junho de 1967, Israel obtém uma vitória esmagadora e ocupa a Faixa de Gaza e a Península o Sinai, que pertenciam ao Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, que eram parte da Jordânia.

Para tentar retomar os territórios ocupados, a Guerra do Yom Kippur começa, em 6 de outubro de 1973, com a maior empreitada militar árabe da era moderna. Mais de 100 mil soldados egípcios cruzam o Canal de Suez para entrar no Sinai.

Na época, Israel tem o apoio incondicional dos EUA, que fazem a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22,325 mil toneladas de equpamento militar, armas e munições a Israel diretamente no campo de batalha.

Quando Israel cerca o 3º Exército do Egito no Sinai e está prestes a destruí-lo, a URSS ameaça entrar na guerra e entra em alerta nuclear.

Mesmo assim, a conselho do secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, para recuperar o Sinai, Sadat abandona a aliança com a URSS, que deixa de ser uma grande potência no Oriente Médio. O líder egípcio se aproxima dos EUA e faz uma visita de surpresa a Israel de 19 a 21 de novembro da 1977, a primeira de um líder árabe, e discursa no Parlamento para promover a paz.

Os acordos de paz são negociados em Camp David, na casa de campo da Presidência dos EUA, de 5 a 17 de setembro de 1978. O tratado de paz entre Israel e o Egito é assinado formalmente em Washington em 26 de março de 1979.

NASCE O MERCOSUL

    Em 1991, os presidentes do Brasil, Fernando Collor de Mello; do Paraguai, general Andrés Rodríguez; da Argentina, Carlos Menem; e do Uruguai, Luis Alberto Lacalle; assinam o Tratado de Assunção, que cria o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

A reaproximação entre Brasil e Argentina começa antes mesmo da redemocratização dos países. Durante o governo do general João Figueiredo, os dois países chegam a um acordo sobre a exploração energética da Bacia do Prata. Os argentinos temem que a Hidrelétrica de Itaipu esgote o potencial energético do Rio Paraná.

A integração regional do Cone Sul da América Latina avança com os encontros de cúpula dos presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín depois da redemocratização do Brasil e da Argentina. Em 1985, eles assinam o Tratado de Iguaçu. 

O diálogo leva a um acordo nuclear para evitar uma corrida armamentista na região. Em 18 de julho de 1991, é assinado o Acordo de Guadalajara, pelo qual Brasil e Argentina se comprometem a usar a energia nuclear somente para fins pacíficos.

Com a crise da dívida externa e a hiperinflação que atinge os dois países nos anos 1980, quando a Argentina lança o Plano Austral e o Brasil o Plano Cruzado, a integração regional é vista como uma maneira de aumentar o poder de barganha em negociações internacionais. Não melhora as condições de renegociação das dívidas, mas fortalece o comércio regional, que sobe em cinco anos de US$ 1 bilhão para US$ 20 bilhões. Os presidentes Fernando Collor de Mello e Carlos Menem aproveitam o acordo para baixar tarifas de importação e promover a abertura comercial.

A meta de zerar as tarifas de importações e eliminar as barreiras não tarifárias até 31 de dezembro de 1994 nunca foi atingida. A Bolívia (1996), o Chile (1996), o Peru (2003), a Colômbia (2004), o Equador (2004), a Guiana (2013), e o Suriname (2013) são países associados. Fazem parte da zona de livre comércio, mas não da união aduaneira, que pressupõe a aplicação de uma tarifa externa comum na compra de produtos de fora do bloco.

A entrada da Venezuela como membro pleno em 31 de julho de 2012, sem adotar previamente as regras do bloco, criou um Mercosul mais político, menos voltado para a integração econômica. Em dezembro de 2016, a Venezuela é suspensa sob a acusação de violar a cláusula democrática do bloco.

Em julho de 2024, a Bolívia passa a ser membro pleno. Tem um prazo de quatro anos para se adequar à legislação do Mercosul.

MIKE TYSON SENTENCIADO

    Em 1992, o boxeador peso-pesado Mike Tyson é sentenciado a seis anos de prisão após ser condenado por crime de estupro em Indianápolis, no estado de Indiana.

Tyson nasce no Brooklyn, em Nova York, em 30 de junho de 1966, e desde muito cedo passa a fazer parte de gangues de rua. Em 1978, com 12 anos, 80 quilos e uma musculatura formidável, é enviado para o reformatório, onde o aficcionado de boxe Bobby Stewart vê potencial para uma carreira no boxe. 

Aos 20 anos, em 22 de novembro de 1986, ele se torna o mais jovem campeão mundial da categoria peso-pesado com um estilo extremamente agressivo em que avança em linha reta e tenta demolir o adversário no primeiro assalto.

Em 1988, Tyson casa com a atriz Robin Givens. Ela o acusa de abuso e o casal se divorcia no ano seguinte. Uma série de acusações de assédio e violência sexual é apresentada contra o boxeador.

Contra todas as expectativas, em 11 de fevereiro de 1990, ele perde o título mundial para James Buster Douglas. Em 1991, Tyson é acusado de estuprar uma candidata a miss. É condenado e preso em 1992.

Três anos depois, Tyson sai da prisão e recupera dois títulos de campeão mundial com vitórias fáceis sobre Frank Bruno e Bruce Seldon. Em 9 de novembro de 1996, sofre sua segunda derrota, desta vez para Evander Holyfield, duas vezes campeão mundial, por nocaute técnico no 11º assalto. 

Na revanche, em 28 de junho de 1997, Tyson é desclassificado depois de morder duas vezes a orelha  de Holyfield e perde a licença para boxear. Ele volta a lutar e a vencer em 16 de janeiro de 1999. Em 7 de fevereiro do mesmo ano, é condenado a um ano de prisão, dois de liberdade condicional, 200 horas de serviço comunitário e multa de US$ 2,5 mil por agredir dois idosos depois de um acidente de automóvel em 1998.

Sua última vitória como lutador profissional acontece em 2003 em apenas 49 segundos. No fim daquele ano, Tyson declara falência com dívidas de US$ 34 milhões depois de ganhar US$ 400 milhões na carreira.

PUTIN ELEITO PRESIDENTE

    Em 2000, Vladimir Putin é eleito presidente da Rússia pela primeira vez, depois de se tornar primeiro-ministro de Boris Yeltsin em 9 de agosto de 1999 e de substituir Yeltsin, que renuncia em 31 de dezembro do mesmo ano.

Putin nasce em Leningrado, hoje São Petersburgo, em 7 de outubro de 1952. Ele estuda direito na Universidade de Leningrado e trabalha durante 15 anos como agente da polícia política soviética KGB (Comitê de Defesa do Estado). Serve 6 anos em Dresden, na Alemanha Oriental.

Quando as revoluções democráticas acabam com o comunismo na Europa Oriental, a sede do escritório em Dresden é cercada. Putin ameaça atirar nos manifestantes e pede ajuda ao governo alemão-oriental, que responde: "Só podemos agir com autorização de Moscou, e Moscou está em silêncio."

Mais tarde, no poder, faz questão de que Moscou nunca fique em silêncio.

Essa frase marca sua vida política. De volta a Leningrado, Putin trabalha com Anatoly Sobchak, prefeito de São Petersburgo. Em 1994, numa conferência internacional, declara que o fim da União Soviética é "a maior tragédia geopolítica da segunda metade do século 20."

Quando Sobchak perde a reeleição, em 1996, Putin profere outra de suas máximas: "Não se deve realizar uma eleição sem antes saber o resultado."

Putin vai então para Moscou e trabalha com Anatoli Chubais, vice-primeiro-ministro responsável pelas privatizações. De 25 de julho de 1998 a 29 de março de 1999, dirige o Serviço Federal de Segurança, herdeiro do KGB, seu último trampolim para o poder.

Assim que ascende ao poder, ainda como primeiro-ministro, depois de ações de extremistas muçulmanos na república russa do Daguestão e de atentados terroristas mal esclarecidos atribuídos a rebeldes chechenos. Putin inicia a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2009) para consolidar o poder.

O presidente russo começa a se afastar do Ocidente na Conferência de Segurança de Munique, em 2007. No ano seguinte, invade a ex-república soviética da Geórgia e assume o controle das regiões da Abecásia e da Ossétia do Sul, anexações não reconhecidas internacionalmente.

Depois de ser primeiro-ministro de Dimitri Medvedev (2008-12), Putin volta à Presidência com a convicção de que as revoluções coloridas na antiga URSS e a Primavera Árabe são conspirações do Ocidente das quais pode ser o próximo alvo.

Quando o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, cai numa revolta popular contra o rompimento de negociações com a União Europeia, em fevereiro de 2014, a Rússia ocupa a Península da Crimeia, anexada ilegalmente no mês seguinte.

Em 6 de abril de 2014, começa uma revolta fomentada pelo Kremlin no Leste da Ucrânia. Após anos de impasse, em 24 de fevereiro de 2022, Putin inicia uma guerra total contra a Ucrânia que espera ganhar em uma semana e já tem mais de 4 anos. A estimativa é que 1,8 milhão de pessoas tenham sido mortas ou feridas nesta guerra.

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sábado, 22 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 22 de Novembro

REVOLTA DA CHIBATA 

    Em 1910, há 115 anos, os marinheiros (na sua maioria negros) da Marinha do Brasil  se rebelam, expulsam navios os oficiais dos navios e, sob o comando do negro João Cândido Felisberto, gaúcho de Encruzilhada do Sul, manobram com maestria a esquadra na Baia de Guanabara. Eles ameaçam bombardear o Rio de Janeiro, exigem o fim da chibata e dos castigos físicos na Marinha, condições dignas de trabalho e anistia aos revoltosos.

Impotente, o governo cede e o senador Rui Barbosa apresenta um projeto de anistia, o compromisso de abolir o castigo da chibata e melhores condições de trabalho na Marinha. A anistia é aprovada rapidamente no Senado e na Câmara dos Deputados. 

Vitoriosos, os rebeldes arriam em 26 de novembro a bandeira vermelha e os navios são devolvidos na mais perfeita ordem. Imediatamente, as oligarquias dominantes começam a tramar a repressão aos anistiados. Um decreto autoriza a expulsão de qualquer marinheiro “cuja permanência se tornar inconveniente à disciplina”. Mas, o pior estava para vir. 

Em 9 de dezembro, é instigada uma nova revolta sem qualquer participação de João Cândido e dos líderes da Revolta da Chibata. Rapidamente, os rebeldes são massacrados, o estado de sítio é decretado, as principais lideranças dos marujos são mortas ou enviadas para a Amazônia para serem escravizadas pelos donos de seringais. 

No início de 1911, mil marinheiros são expulsos. João Cândido e outros 17 líderes são encerrados em uma masmorra sem ventilação e asfixiados com cal viva. Dezesseis morrem, só sobrevivem João Cândido e Pau de Lira

João Cândido é internado em um hospício. Quando consegue sair, vai preso. Só 18 meses depois, defendido gratuitamente por Evaristo de Moraes, é absolvido. Com os pulmões tomados pela tuberculose, é expulso da Marinha e impedido de trabalhar como marinheiro. Convidado a trabalhar como informante da polícia, recusa com altivez, e sobrevive como vendedor de peixe no cais do porto. 

Anos depois, sua memória é resgatada pelo escritor comunista Edmar Morel, que relata a história no livro A Revolta da Chibata, publicado em 1963. Por esse "crime", após o golpe de 1964, Morel é punido com a dispensa compulsória e a cassação dos seus direitos políticos.

O presidente João Goulart concede a João Cândido uma humilde pensão retirada pela ditadura militar. O Almirante Negro – como é imortalizado – morre em 1969 aos 89 anos de idade, na miséria. 

Em 2008, o presidente Lula dá anistia póstuma a João Cândido e seus companheiros de rebelião. Em 20 de novembro de 2008, o Almirante Negro tem sua estátua inaugurada na Praça 15 de Novembro, no Rio de Janeiro. Ignorado pela maioria dos historiadores oficiais, a sua luta mudou o Brasil e acabou com a infâmia do chibateamento de negros e brancos pobres no Brasil.

(Com base em texto de Raul Carrion)

SOVIÉTICOS CERCAM NAZISTAS

    Em 1942, durante a Batalha de Stalingrado, um momento decisivo da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a contraofensiva do Exército Vermelho cerca de 250 mil soldados da Alemanha Nazista ao sul de Kalach, no Rio Dom. O general Friedrich Paulus pede autorização a Berlim para se retirar.

A Batalha de Stalingrado é a mais mortal da guerra e uma das mais violentas da história da humanidade, com quase 2 milhões de mortes e pelo menos 40 mil civis mortos. Começa em 23 de agosto de 1942.

Stalingrado, hoje Volgogrado, depois que o ditador Josef Stalin caiu em desgraça, é um porto importante no Rio Volga. Seu controle dá acesso à região do Cáucaso e ao Vale do Volga, o maior rio da Rússia. Tomar a cidade com o nome de Stalin seria uma vitória da propaganda de Adolf Hitler.

Mesmo com apoio aéreo da Luftwaffe, a Força Aérea nazista, o 6º Exército da Alemanha, sob o comando do gen. Paulus, e o 4º Exército Panzer, sob o comando do gen. Edwald von Kleist, não conseguem vencer a defesa posta pelo 62º Exército da URSS, comandado pelo gen. Vassili Chuikov.

Os alemães cercam Stalingrado e pressionam os soviéticos contra o Rio Volga. A batalha vira um combate casa a casa.

Em 19 de novembro, a URSS lança a contra ofensiva com a Operação Urano, um ataque em duas frentes que cerca forças romenas que protegem os flancos do 6º Exército da Alemanha. Dois dias depois, 250 mil alemães estão cercados, sem acesso a suprimentos. Ainda assim, resistem durante dois meses e tentam avançar até capitular em 2 de fevereiro de 1943 por falta de munição e de comida.

INDEPENDÊNCIA DO LÍBANO

    Em 1943, o Líbano declara independência da França, na época ocupada pela Alemanha Nazista, mas só se torna realmente independente em 1946, depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), quando forças francesas e britânicas deixam o país.

Uma estreita faixa de terra no Leste do Mar Mediterrâneo, o Líbano é o local de origem dos fenícios, um povo que domina o Mediterrâneo antes da Era Cristã e funda os portos de Tiro, Sidon e Biblos, algumas das cidades mais antigas do mundo.

O país moderno surge em 1920, depois da derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial (1914-18), quando os impérios Britânico e Francês ganham mandatos da Liga das Nações para administrar o Oriente Médio. O Líbano e a Síria ficam sob administração da França.

Em 1942, o Líbano cria um sistema político confessional único no mundo para dividir o poder entre diferentes grupos religiosos: o presidente e o comandante do Exército são cristãos maronitas, o primeiro-ministro é muçulmano sunita e o presidente do Parlamento é muçulmano xiita.

Com a Guerra da Independência de Israel (1948-49), refugiados palestinos fogem para o Líbano e começam a abalar o equilíbrio entre cristãos e muçulmanos. A situação se agrava com a Guerra dos Seis (1967), quando Israel ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza; do Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém.

Em 1970, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tenta dar um golpe na Jordânia para transformar o país na pátria do povo palestino. É massacrada pelas forças do rei Hussein no Setembro Negro.

Mais refugiados palestinos vão para o Líbano, de onde lançam ataques contra Israel. Combates entre guerrilheiros palestinos e o Exército deflagram a Guerra Civil Libanesa (1975-90) entre cristãos e muçulmanos. A Síria intervém militarmente no Líbano em 1976 e fica no país até 2005.

Em 1982, Israel invade o país na Primeira Guerra do Líbano para expulsar a OLP, que foge para a Tunísia. Naquele ano, com o patrocínio do Irã, onde há uma Revolução Islâmica em 1979, nasce a milícia extremista xiita Hesbolá (Partido de Deus), atualmente em guerra com Israel.

Israel sai do Líbano em 1985, mas apoia uma milícia aliada, o Exército do Sul do Líbano (ESL), para controlar a região da fronteira. No ano 2000, o Hesbolá derrota o ESL e assume o controle da região da fronteira.

Em 2006, depois de uma invasão e sequestro de soldados em território israelense, Israel inicia a Segunda Guerra do Líbano, que dura pouco mais de um mês. As escaramuças na fronteira continuam, especialmente na região das Fazendas de Chebá, um território disputado.

A atual guerra começa em 8 de outubro de 2023. Um dia depois do ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) a Israel, o Hesbolá intensifica os ataques, abrindo uma segunda frente na guerra. De início, Israel concentra seus esforços contra o Hamas. No ano passado, intensifica os bombardeios, invade por terra e mata vários líderes do Hesbolá, inclusive o líder supremo, xeique Hassan Nasrallah. Os Estados Unidos negociam uma trégua instável, mas o Hesbolá resiste a se desarmar.

JFK ASSASSINADO

    Em 1963, o presidente John Fitzgerald Kennedy é morto a tiros durante visita a Dallas, no Texas, no Sul dos Estados Unidos, de acordo com as investigações oficiais por um único atirador, Lee Harvey Oswald, o que é discutido até hoje.

Mais jovem presidente da história dos EUA, Kennedy é o primeiro católico a chegar à Casa Branca (Joe Biden é o segundo). Herói na Segunda Guerra Mundial (1939-45), JFK é também o primeiro presidente da era da televisão. 

Os primeiros debates presidenciais da história são decisivos para a imagem de jovem carismático e confiável, o xerife que protege a cidadezinha, na descrição do sociólogo canadense e papa das comunicações Marshall McLuhan, enquanto seu adversário, o vice-presidente Richard Nixon, parece o advogado espertalhão a convite da companhia da estrada de ferro.

No início de seu governo, três meses depois da posse, acontece a fracassada invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, por exilados cubanos apoiados pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), causa da Crise dos Mísseis (1962). quando Kennedy enfrenta a União Soviética e obtém uma vitória diplomática.

Kennedy apoia o movimento pelos direitos civis dos negros liderado pelo reverendo Martin Luther King Jr. e decide enviar um homem à Lua até o fim dos anos 1960. Ao mesmo tempo, manda mais de 2,8 mil assessores militares para a Guerra do Vietnã (1955-75). Alguns entram em combate. Os EUA só declaram guerra ao Vietnã do Norte em 1964, depois de sua morte.

O atentado de Dallas, o quarto assassinato de um presidente dos EUA no exercício do cargo, é objeto de debates até hoje. As investigações oficiais, inclusive o Relatório Warren, com o nome do presidente da Suprema Corte na época, Earl Warren, concluem que Oswald agiu sozinho.

Dois dias depois, Jacob Rubinstein, ou Jack Ruby, dono de uma boate em Dallas supostamente ligado à máfia, mata Oswald à queima-roupa e alega ter sido um gesto patriótico de vingança pela morte do presidente, mas há fortes suspeitas de queima de arquivo.

B-52 ABATIDO NO VIETNÃ

    Em 1972, os Estados Unidos perdem sua primeira fortaleza voadora Boeing B-52, um bombardeiro de oito turbinas, na Guerra do Vietnã (1955-75).

Num dos dias de bombardeio aéreo mais intenso dos EUA, um míssil terra-ar disparado pelo Vietnã do Norte derruba o B-52 perto de Vinh.

Durante a Guerra do Vietnã, os EUA jogaram mais de 7,5 milhões de toneladas de bombas no Vietnã, no Camboja e no Laos.

REI DA ESPANHA

    Em 1975, dois dias depois da morte do ditador Francisco Franco, o rei Juan Carlos se torna chefe de Estado da Espanha.
Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Bordón-Dos Sicilias nasce em 5 de janeiro de 1938 em Roma, onde seu avô, Alfonso XIII, vive no exílio desde que sai da Espanha em 1931, quando é deposto e começa a Segunda República.

A Espanha está em Guerra Civil (1936-39), vencida pelo generalíssimo Francisco Franco, que impõe uma ditadura. Para que a Espanha não volte a ser uma república, em 1969, Franco nomeia o príncipe Juan Carlos como sucessor.

No poder, o rei Juan Carlos resiste à tentativa de golpe do coronel Antonio Tejero Molina, em 23 de fevereiro de 1981, e consolida a democracia espanhola. Mas uma série de escândalos, caçadas de elefantes na África, um caso extraconjugal e denúncias de corrupção, abalam seu prestígio. Em 2 de junho de 2014, Juan Carlos abdica em favor de seu filho, o atual rei Felipe VI.

MAIS JOVEM CAMPEÃO PESO-PESADO

    Em 1986, ao nocautear Trevor Berbick no segundo assalto, aos 20 anos, Mike Tyson, se torna o mais jovem campeão mundial de boxe na categoria peso-pesado.

Filho de pai jamaicano, Michael Gerard Tyson nasce no bairro do Brooklyn, em Nova York, em 30 de junho de 1966 e vira um dos maiores boxeadores da história, mas tem uma vida pessoal conturbada. Ele tem uma infância difícil depois que o pai adotivo abandona a filha quando ele tem dois anos.

Tyson sofre de transtorno de personalidade limítrofe. Aos 11 anos, é internado num reformatório para jovens delinquentes. Aos 12 anos, tem 80 quilos e uma musculatura formidável. O diretor do reformatório, um antigo pugilista, o aconselha a lutar boxe.

Em 1981, aos 15 anos, Tyson é campeão juvenil dos Estados Unidos. Quando vira profissional, em 1985, ganha todas as 15 lutas de que participa, 11 por nocaute no primeiro assalto. No ano seguinte, ganha mais 13 lutas e conquista o título do Conselho Mundial de Boxe. Em 1987, ganha também os títulos da Federação Internacional de Boxe e da Associação Mundial de Boxe e unifica o título.

Em 1988, Tyson se casa com a modelo a atriz Robin Givens, que pede o divórcio no ano seguinte alegando que ele é maníaco-depressivo, o que hoje se chama de bipolaridade. Ele só luta duas vezes em 1989. Em 11 de fevereiro de 1990, Tyson perde os três títulos mundiais para Buster Douglas, no Japão, ao ser nocauteado no 10º assalto.

Famoso, polêmico e rebelde, Tyson faz parte do júri de Miss America e é acusado de estupro por uma das participantes. É condenado a seis meses de prisão em março de 1992. Com bom comportamento, sai depois de cumprir a metade da pena.

De volta ao boxe, desafia o campeão mundial, Evander Holyfield. Em 9 de novembro de 1996, Holyfield vence e Tyson pede revanche. No novo combate, em 28 de junho de 1997, 40 segundos antes do fim do terceiro assalto, Tyson morde a orelha de Holyfield. A luta continua. Ele morde de novo a orelha do adversário e é desclassificado. Declara que a mordida uma resposta às cabeçadas que disse sofrer. É banido do esporte por um ano.

QUEDA DE THATCHER

    Em 1990, a primeira primeira-ministra da história do Reino Unido, Margaret Thatcher, anuncia sua demissão depois de 11 anos no poder.

Margaret Hilda Roberts nasce em Grantham, na Inglaterra, em 13 de outubro de 1925, filha de um dono de armazém. Ela se forma em química na Universidade de Oxford, casa com o empresário Denis Thatcher e tem um casal de filhos antes de se eleger deputada pelo distrito conservador de Finchley, no Norte de Londres.

Em 1967, Thatcher entra para o governo paralelo do Partido Conservador, que faz oposição ao governo trabalhista de Harold Wilson (1964-70). Com a vitória de Edward Heath, em 1970, ela se torna ministra da Educação e da Ciência.

Quando os trabalhistas voltam ao poder, em 1974, Thatcher vira ministra das Finanças do gabinete paralelo até conquistar a liderança do partido, em fevereiro de 1975, com uma plataforma claramente direitista, prometendo cortar subsídios, privatizar as empresas públicas, prestigiar a polícia e defender vigorosamente os interesses britânicos no exterior com uma visão de mundo anticomunista.

Em 1976, depois de acusar a União Soviética de querer dominar o mundo, ganha da imprensa soviética a alcunha de Dama de Ferro, que marcará sua carreira política visceralmente conservadora.

O fracasso do governo trabalhista de James Gallaghan (1976-79), que substitui Harold Wilson (1974-76), causa uma onda de greves, inclusive de lixeiros e coveiros, no chamado inverno do descontentamento, em 1978-9.

A situação caótica leva à vitória de Thatcher, que se torna primeira-ministra em 4 de maio de 1979. As privatizações começam logo e o governo adota a linha dura no combate ao Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte. Mas as grandes reformas que reduzem o poder dos sindicatos vêm depois da Guerra das Malvinas, invadidas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982.

Thatcher envia uma força-tarefa ao Atlântico Sul. Os argentinos, inclusive vários assassinos da ditadura militar, se rendem em 14 de junho, depois das mortes de 255 britânicos e 649 argentinos.

Com a vitória na guerra, Thatcher obtém sua segunda e maior vitória eleitoral em 1983, parte para o confronto com os sindicatos e enfrenta uma greve de mineiros de um ano, de 6 de março de 1984 a 3 de março de 1985.

Em 1987, Thatcher vence as terceiras eleições. Sua oposição a uma maior integração europeia, seu eurocetismo, gera a guerra civil interna do Partido Conservador que está na origem da saída do Reino Unido da União Europeia.

A questão europeia e um imposto comunitário cobrado por pessoa, sem considerar o valor da propriedade onde o cidadão vive, derrubam Thatcher. O partido não se recupera até hoje do regicídio. O desafiante Michael Heseltine não chega ao poder, seguindo a máxima da política britânica de que "quem mata o rei não ascende ao trono".

Seis dias depois, Thatcher é substituída por John Major (1990-97), que é reeleito em 1992 prorrogando para 18 anos o domínio conservador sobre o Reino Unido, que seria quebrado pela vitória do neotrabalhismo de Tony Blair em maio de 1997. 

MULHER NO PODER

    Em 2005, a líder da conservadora União Democrata-Cristã (CDU), Angela Merkel, se torna a primeira mulher a governar a Alemanha.

Merkel nasce em Hamburgo, na Alemanha Ocidental, em 17 de julho 1954, mas vai para a Alemanha  Oriental quando o pai, um pastor luterano, é enviado para Perleberg. Ela se forma em química quântica e faz pesquisa científica até 1989, ano da queda dos regimes comunistas da Europa Oriental. Entra na política como porta-voz do primeiro governo democrático da Alemanha Oriental.

Com a reunificação da Alemanha, em 3 de outubro de 1990, é eleita deputada do Parlamento Federal e vira ministra da Mulher e da Juventude e depois ministra do Meio Ambiente do chanceler (primeiro-ministro) Helmut Kohl (1982-98).

Depois da derrota de Kohl para o social-democrata Gerhard Schröder em setembro de 1998, nas últimas eleições de um século trágico e de renascimento da Alemanha, em 10 de abril de 2000, Merkel se torna líder da CDU. 

Em 2005, Merkel vence as eleições a se torna a primeira mulher a governar o país. É chamada de Mutti, uma forma familiar de chamar a mãe e Chanceler de Ferro, numa comparação com o Chanceler de Ferro, Otto von Bismarck, líder da unificação da Alemanha, em 1871. Ela lidera governos estáveis e a União Europeia em seus piores momentos: a Crise do Euro (2009-14), a saída do Reino Unido e a onda de refugiados da África e do Grande Oriente Médio. 

Ao permitir a entrada de 1,1 milhão de imigrantes, honrando a tradição da Alemanha do pós-guerra para compensar os horrores do nazis, abre espaço para um partido de extrema direita, a Alternativa para a Alemanha, hoje o segundo nas pesquisas.

Ela é substituída pelo social-democrata Olaf Scholz, que era vice-chanceler e se apresenta nas eleições como continuador da obra de Merkel. Scholz faz aliança sinal de trânsito com o partido ecologista Os Verdes e o Partido Liberal-Democrata (FDP). 

A coalizão entra em colapso neste mês, forçando Scholz a antecipar as eleições previstas para 28 de setembro para 23 de fevereiro. Ele está sob pressão para renunciar à liderança do SPD e passar o cargo ao ministro da Defesa, Boris Pistorius, muito mais popular. A CDU vence as eleições sem maioria absoluta. Seu líder, Friedrich Merz é forçado a formar uma grande aliança com o SPD para ter maioria no Bundestag.

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quarta-feira, 26 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 26 de Março

  VACINA CONTRA PÓLIO

    Em 1953, o médico norte-americano Jonas Salk anuncia que testou com sucesso uma vacina contra a poliomielite, doença causadora da paralisia infantil.

No ano anterior, uma epidemia de pólio atinge 58 mil pessoas e causa 3 mil mortes nos Estados Unidos.

O primeiro grande surto de poliomielite nos EUA é registrado no estado de Vermont, em 1894. No início do século 20, há milhares de casos por ano, principalmente em crianças, mas também em adultos.

O futuro presidente Franklin Delano Roosevelt teve pólio aos 39 anos, em 1921, e ficou parcialmente paralítico.

Depois, o dr. Albert Sabin cria a vacina oral contra a poliomielite e campanhas de vacinação erradicam a doença em praticamente todo o mundo. Os únicos países onde há focos importantes da doença são o Afeganistão e o Paquistão, onde os Estados Unidos usaram campanhas de vacinação para descobrir o esconderijo do terrorista Ossama ben Laden.

Com as campanhas antivacinas, hoje há um sério risco de volta da doença.

INDEPENDÊNCIA DE BANGLADESH

    Em 1971, a Liga Awami forma um governo no exílio em Calcutá, hoje Kolkota, na Índia, e proclama a independência de Bangladesh, na época conhecido como Paquistão Oriental.

O futuro país passa a fazer parte do Império Britânico em 1858, quando este assume o controle da Índia. Quando a Índia e o Paquistão conquistam a independência, em 1947, vira o Paquistão Oriental. 

A declaração de independência marca o início de uma guerra civil de nove meses em que recebe o apoio da Índia, inimiga histórica do Paquistão, o que deflagra a Guerra Indo-Paquistanesa de 1971. A vitória vem em 16 de dezembro, depois de 3 milhões de mortes, da fuga de 8 a 10 milhões de pessoas para a Índia e do estupro de 200 mil mulheres.

A guerra leva à fome de grande parte da população de um dos países mais pobres do mundo, levando o ex-beatle George Harrison a organizar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para as vítimas da guerra.

Com cerca de 171,5 milhões de habitantes, Bangladesh é o oitavo maior país do mundo em população e o quarto com maior número de muçulmanos depois da Indonésia, do Paquistão e da Índia.

NASCE O MERCOSUL

    Em 1991, os presidentes do Brasil, Fernando Collor de Mello; do Paraguai, general Andrés Rodríguez; da Argentina, Carlos Menem; e do Uruguai, Luis Alberto Lacalle; assinam o Tratado de Assunção, que cria o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

A reaproximação entre Brasil e Argentina começa antes mesmo da redemocratização dos países. Durante o governo do general João Figueiredo, os dois países chegam a um acordo sobre a exploração energética da Bacia do Prata. Os argentinos temem que a Hidrelétrica de Itaipu esgote o potencial energético do Rio Paraná.

A integração regional do Cone Sul da América Latina avança com os encontros de cúpula dos presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín depois da redemocratização do Brasil e da Argentina. Em 1985, eles assinam o Tratado de Iguaçu. 

O diálogo leva a um acordo nuclear para evitar uma corrida armamentista na região. Em 18 de julho de 1991, é assinado o Acordo de Guadalajara, pelo qual Brasil e Argentina se comprometem a usar a energia nuclear somente para fins pacíficos.

Com a crise da dívida externa e a hiperinflação que atinge os dois países nos anos 1980, quando a Argentina lança o Plano Austral e o Brasil o Plano Cruzado, a integração regional é vista como uma maneira de aumentar o poder de barganha em negociações internacionais. Não melhora as condições de renegociação das dívidas, mas fortalece o comércio regional, que sobe em cinco anos de US$ 1 bilhão para US$ 20 bilhões. Os presidentes Fernando Collor de Mello e Carlos Menem aproveitam o acordo para baixar tarifas de importação e promover a abertura comercial.

A meta de zerar as tarifas de importações e eliminar as barreiras não tarifárias até 31 de dezembro de 1994 nunca foi atingida. A Bolívia (1996), o Chile (1996), o Peru (2003), a Colômbia (2004), o Equador (2004), a Guiana (2013), e o Suriname (2013) são países associados. Fazem parte da zona de livre comércio, mas não da união aduaneira, que pressupõe a aplicação de uma tarifa externa comum na compra de produtos de fora do bloco.

A entrada da Venezuela como membro pleno em 31 de julho de 2012, sem adotar previamente as regras do bloco, criou um Mercosul mais político, menos voltado para a integração econômica. Em dezembro de 2016, a Venezuela é suspensa sob a acusação de violar a cláusula democrática do bloco.

Em julho de 2024, a Bolívia passa a ser membro pleno. Tem um prazo de quatro anos para se adequar à legislação do Mercosul.

MIKE TYSON SENTENCIADO

    Em 1992, o boxeador peso-pesado Mike Tyson é sentenciado a seis anos de prisão após ser condenado por crime de estupro em Indianápolis, no estado de Indiana.

Tyson nasce no Brooklyn, em Nova York, em 30 de junho de 1966, e desde muito cedo passa a fazer parte de gangues de rua. Em 1978, com 12 anos, 80 quilos e uma musculatura formidável, é enviado para o reformatório, onde o aficcionado de boxe Bobby Stewart vê potencial para uma carreira no boxe. 

Aos 20 anos, em 22 de novembro de 1986, ele se torna o mais jovem campeão mundial da categoria peso-pesado com um estilo extremamente agressivo em que avança em linha reta e tenta demolir o adversário no primeiro assalto.

Em 1988, Tyson casa com a atriz Robin Givens. Ela o acusa de abuso e o casal se divorcia no ano seguinte. Uma série de acusações de assédio e violência sexual é apresentada contra o boxeador.

Contra todas as expectativas, em 11 de fevereiro de 1990, ele perde o título mundial para James Buster Douglas. Em 1991, Tyson é acusado de estuprar uma candidata a miss. É condenado e preso em 1992.

Três anos depois, Tyson sai da prisão e recupera dois títulos de campeão mundial com vitórias fáceis sobre Frank Bruno e Bruce Seldon. Em 9 de novembro de 1996, sofre sua segunda derrota, desta vez para Evander Holyfield, duas vezes campeão mundial, por nocaute técnico no 11º assalto. 

Na revanche, em 28 de junho de 1997, Tyson é desclassificado depois de morder duas vezes a orelha  de Holyfield e perde a licença para boxear. Ele volta a lutar e a vencer em 16 de janeiro de 1999. Em 7 de fevereiro do mesmo ano, é condenado a um ano de prisão, dois de liberdade condicional, 200 horas de serviço comunitário e multa de US$ 2,5 mil por agredir dois idosos depois de um acidente de automóvel em 1998.

Sua última vitória como lutador profissional acontece em 2003 em apenas 49 segundos. No fim daquele ano, Tyson declara falência com dívidas de US$ 34 milhões depois de ganhar US$ 400 milhões na carreira.

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 22 de Novembro

 SOVIÉTICOS CERCAM NAZISTAS

    Em 1942, durante a Batalha de Stalingrado, um momento decisivo da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a contraofensiva do Exército Vermelho cerca de 250 mil soldados da Alemanha Nazista ao sul de Kalach, no Rio Dom. O general Friedrich Paulus pede autorização a Berlim para se retirar.

A Batalha de Stalingrado é a mais mortal da guerra e uma das mais violentas da história da humanidade, com quase 2 milhões de mortes e pelo menos 40 mil civis mortos. Começa em 23 de agosto de 1942.

Stalingrado, hoje Volgogrado, depois que o ditador Josef Stalin caiu em desgraça, é um porto importante no Rio Volga. Seu controle dá acesso à região do Cáucaso e ao Vale do Volga, o maior rio da Rússia. Tomar a cidade com o nome de Stalin seria uma vitória da propaganda de Adolf Hitler.

Mesmo com apoio aéreo da Luftwaffe, a Força Aérea nazista, o 6º Exército da Alemanha, sob o comando do gen. Paulus, e o 4º Exército Panzer, sob o comando do gen. Edwald von Kleist, não conseguem vencer a defesa posta pelo 62º Exército da URSS, comandado pelo gen. Vassili Chuikov.

Os alemães cercam Stalingrado e pressionam os soviéticos contra o Rio Volga. A batalha vira um combate casa a casa.

Em 19 de novembro, a URSS lança a contra ofensiva com a Operação Urano, um ataque em duas frentes que cerca forças romenas que protegem os flancos do 6º Exército da Alemanha. Dois dias depois, 250 mil alemães estão cercados, sem acesso a suprimentos. Ainda assim, resistem durante dois meses e tentam avançar até capitular em 2 de fevereiro de 1943 por falta de munição e de comida.

INDEPENDÊNCIA DO LÍBANO

    Em 1943, o Líbano declara independência da França, na época ocupada pela Alemanha Nazista, mas só se torna realmente independente em 1946, depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), quando forças francesas e britânicas deixam o país.

Uma estreita faixa de terra no Leste do Mar Mediterrâneo, é o local de origem dos fenícios, um povo que domina o Mediterrâneo antes da Era Cristão e funda os portos de Tiro, Sidon e Biblos, algumas das cidades mais antigas do mundo.

O país moderno surge em 1920, depois da derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial (1914-18), quando os impérios Britânico e Francês ganham mandatos da Liga das Nações para administrar o Oriente Médio. O Líbano e a Síria ficam sob administração da França.

Em 1942, o Líbano cria um sistema político confessional único no mundo para dividir o poder entre diferentes grupos religiosos: o presidente e o comandante do Exército são cristãos maronitas, o primeiro-ministro é muçulmano sunita.

Com a Guerra da Independência de Israel (1948-49), refugiados palestinos fogem para o Líbano e começam a abalar o equilíbrio entre cristãos e muçulmanos. A situação se agrava com a Guerra dos Seis (1967), quando Israel ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza; do Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém.

Em 1970, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tenta dar um golpe na Jordânia para transformar o país na pátria do povo palestino. É massacrada pelas forças do rei Hussein no Setembro Negro.

Mais refugiados palestinos vão para o Líbano, de onde lançam ataques contra Israel. Combates entre guerrilheiros palestinos e o Exército deflagram a Guerra Civil Libanesa (1975-90) entre cristãos e muçulmanos. A Síria intervém militarmente no Líbano em 1976 e fica no país até 2005.

Em 1982, Israel invade o país na Primeira Guerra do Líbano para expulsar a OLP, que foge para a Tunísia. Naquele ano, com o patrocínio do Irã, onde há uma Revolução Islâmica em 1979, nasce a milícia extremista xiita Hesbolá (Partido de Deus), atualmente em guerra com Israel.

Israel sai do Líbano em 1985, mas apoia uma milícia aliada, o Exército do Sul do Líbano (ESL), para controlar a região da fronteira. No ano 2000, o Hesbolá derrota o ESL e assume o controle da região da fronteira.

Em 2006, depois de uma invasão e sequestro de soldados em território israelense, Israel inicia a Segunda Guerra do Líbano, que dura pouco mais de um mês. As escaramuças na fronteira continua, especialmente na região das Fazendas de Chebá, um território disputado.

A atual guerra começa em 8 de outubro de 2023. Um dia depois do ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) a Israel, o Hesbolá intensifica os ataques, abrindo uma segunda frente na guerra. De início, Israel concentra seus esforços contra o Hamas. Neste ano, intensifica os bombardeios, invade por terra e mata vários líderes do Hesbolá, inclusive o líder supremo, xeique Hassan Nasrallah.

JFK ASSASSINADO

    Em 1963, o presidente John Fitzgerald Kennedy é morto a tiros durante visita a Dallas, no Texas, no Sul dos Estados Unidos, de acordo com as investigações oficiais por um único atirador, Lee Harvey Oswald, o que é discutido até hoje.

Mais jovem presidente da história dos EUA, Kennedy é o primeiro católico a chegar à Casa Branca (Joe Biden é o segundo). Herói na Segunda Guerra Mundial (1939-45), JFK é também o primeiro presidente da era da televisão. 

Os primeiros debates presidenciais da história são decisivos para a imagem de jovem carismático e confiável, o xerife que protege a cidadezinha, na descrição do sociólogo canadense e papa das comunicações Marshall McLuhan, enquanto seu adversário, o vice-presidente Richard Nixon, parece o advogado espertalhão a convite da companhia da estrada de ferro.

No início de seu governo, três meses depois da posse, acontece a fracassada invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, por exilados cubanos apoiados pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), causa da Crise dos Mísseis (1962). quando Kennedy enfrenta a União Soviética e obtém uma vitória diplomática.

Kennedy apoia o movimento pelos direitos civis dos negros liderado pelo reverendo Martin Luther King Jr. e decide enviar um homem à Lua até o fim dos anos 1960. Ao mesmo tempo, manda mais de 2,8 mil assessores militares para a Guerra do Vietnã (1955-75). Alguns entram em combate. Os EUA só declaram guerra ao Vietnã do Norte em 1964, depois de sua morte.

O atentado de Dallas, o quarto assassinato de um presidente dos EUA no exercício do cargo, é objeto de debates até hoje. As investigações oficiais, inclusive o Relatório Warren, com o nome do presidente da Suprema Corte na época, Earl Warren, concluem que Oswald agiu sozinho.

Dois dias depois, Jacob Rubinstein, ou Jack Ruby, dono de uma boate em Dallas supostamente ligado à máfia, mata Oswald à queima-roupa e alega ter sido um gesto patriótico de vingança pela morte do presidente, mas há fortes suspeitas de queima de arquivo.

B-52 ABATIDO NO VIETNÃ

    Em 1972, os Estados Unidos perdem sua primeira fortaleza voadora Boeing B-52, um bombardeiro de oito turbinas, na Guerra do Vietnã (1955-75).

Num dos dias de bombardeio aéreo mais intenso dos EUA, um míssil terra-ar disparado pelo Vietnã do Norte derruba o B-52 perto de Vinh.

Durante a Guerra do Vietnã, os EUA jogaram mais de 7,5 milhões de toneladas de bombas no Vietnã, no Camboja e no Laos.

REI DA ESPANHA

    Em 1975, dois dias depois da morte do ditador Francisco Franco, o rei Juan Carlos se torna chefe de Estado da Espanha.
Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Bordón-Dos Sicilias nasce em 5 de janeiro de 1938 em Roma, onde seu avô, Alfonso XIII, vive no exílio desde que sai da Espanha em 1931, quando é deposto e começa a Segunda República.

A Espanha está em Guerra Civil (1936-39), vencida pelo generalíssimo Francisco Franco, que impõe uma ditadura. Para que a Espanha não volte a ser uma república, em 1969, Franco nomeia o príncipe Juan Carlos como sucessor.

No poder, o rei Juan Carlos resiste à tentativa de golpe do coronel Antonio Tejero Molina, em 23 de fevereiro de 1981, e consolida a democracia espanhola. Mas uma série de escândalos, caçadas de elefantes na África, um caso extraconjugal e denúncias de corrupção, abalam seu prestígio. Em 2 de junho de 2014, Juan Carlos abdica em favor de seu filho, o atual rei Felipe VI.

MAIS JOVEM CAMPEÃO PESO-PESADO

    Em 1986, ao nocautear Trevor Berbick no segundo assalto, aos 20 anos, Mike Tyson, se torna o mais jovem campeão mundial de boxe na categoria peso-pesado.

Filho de pai jamaicano, Michael Gerard Tyson nasce no bairro do Brooklyn, em Nova York, em 30 de junho de 1966 e vira um dos maiores boxeadores da história, mas tem uma vida pessoal conturbada. Ele tem uma infância difícil depois que o pai adotivo abandona a filha quando ele tem dois anos.

Tyson sofre de transtorno de personalidade limítrofe. Aos 11 anos, é internado num reformatório para jovens delinquentes. Aos 12 anos, tem 80 quilos e uma musculatura formidável. O diretor do reformatório, um antigo pugilista, o aconselha a lutar boxe.

Em 1981, aos 15 anos, Tyson é campeão juvenil dos Estados Unidos. Quando vira profissional, em 1985, ganha todas as 15 lutas de que participa, 11 por nocaute no primeiro assalto. No ano seguinte, ganha mais 13 lutas e conquista o título do Conselho Mundial de Boxe. Em 1987, ganha também os títulos da Federação Internacional de Boxe e da Associação Mundial de Boxe e unifica o título.

Em 1988, Tyson se casa com a modelo a atriz Robin Givens, que pede o divórcio no ano seguinte alegando que ele é maníaco-depressivo, o que hoje se chama de bipolaridade. Ele só luta duas vezes em 1989. Em 11 de fevereiro de 1990, Tyson perde os três títulos mundiais para Buster Douglas, no Japão, ao ser nocauteado no 10º assalto.

Famoso, polêmico e rebelde, Tyson faz parte do júri de Miss America e é acusado de estupro por uma das participantes. É condenado a seis meses de prisão em março de 1992. Com bom comportamento, sai depois de cumprir a metade da pena.

De volta ao boxe, desafia o campeão mundial, Evander Holyfield. Em 9 de novembro de 1996, Holyfield vence e Tyson pede revanche. No novo combate, em 28 de junho de 1997, 40 segundos antes do fim do terceiro assalto, Tyson morde a orelha de Holyfield. A luta continua. Ele morde de novo a orelha do adversário e é desclassificado. Declara que a mordida uma resposta às cabeçadas que disse sofrer. É banido do esporte por um ano.

QUEDA DE THATCHER

    Em 1990, a primeira primeira-ministra da história do Reino Unido, Margaret Thatcher, anuncia sua demissão depois de 11 anos no poder.

Margaret Hilda Roberts nasce em Grantham, na Inglaterra, em 13 de outubro de 1925, filha de um dono de armazém. Ela se forma em química na Universidade de Oxford, casa com o empresário Denis Thatcher e tem um casal de filhos antes de se eleger deputada pelo distrito conservador de Finchley, no Norte de Londres.

Em 1967, Thatcher entra para o governo paralelo do Partido Conservador, que faz oposição ao governo trabalhista de Harold Wilson (1964-70). Com a vitória de Edward Heath, em 1970, ela se torna ministra da Educação e da Ciência.

Quando os trabalhistas voltam ao poder, em 1974, Thatcher vira ministra das Finanças do gabinete paralelo até conquistar a liderança do partido, em fevereiro de 1975, com uma plataforma claramente direitista, prometendo cortar subsídios, privatizar as empresas públicas, prestigiar a polícia e defender vigorosamente os interesses britânicos no exterior com uma visão de mundo anticomunista.

Em 1976, depois de acusar a União Soviética de querer dominar o mundo, ganha da imprensa soviética a alcunha de Dama de Ferro, que marcará sua carreira política visceralmente conservadora.

O fracasso do governo trabalhista de James Gallaghan (1976-79), que substitui Harold Wilson (1974-76), causa uma onda de greves, inclusive de lixeiros e coveiros, no chamado inverno do descontentamento, em 1978-9.

A situação caótica leva à vitória de Thatcher, que se torna primeira-ministra em 4 de maio de 1979. As privatizações começam logo e o governo adota a linha dura no combate ao Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte. Mas as grandes reformas que reduzem o poder dos sindicatos vêm depois da Guerra das Malvinas, invadidas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982.

Thatcher envia uma força-tarefa ao Atlântico Sul. Os argentinos, inclusive vários assassinos da ditadura militar, se rendem em 14 de junho, depois das mortes de 255 britânicos e 649 argentinos.

Com a vitória na guerra, Thatcher obtém sua segunda e maior vitória eleitoral em 1983, parte para o confronto com os sindicatos e enfrenta uma greve de mineiros de um ano, de 6 de março de 1984 a 3 de março de 1985.

Em 1987, Thatcher vence as terceiras eleições. Sua oposição a uma maior integração europeia, seu eurocetismo, gera a guerra civil interna do Partido Conservador que está na origem da saída do Reino Unido da União Europeia.

A questão europeia e um imposto comunitário cobrado por pessoa, sem considerar o valor da propriedade onde o cidadão vive, derrubam Thatcher. O partido não se recupera até hoje do regicídio. O desafiante Michael Heseltine não chega ao poder, seguindo a máxima da política britânica de que "quem mata o rei não ascende ao trono".

Seis dias depois, Thatcher é substituída por John Major (1990-97), que é reeleito em 1992 prorrogando para 18 anos o domínio conservador sobre o Reino Unido, que seria quebrado pela vitória do neotrabalhismo de Tony Blair em maio de 1997. 

MULHER NO PODER

    Em 2005, a líder da conservadora União Democrata-Cristã (CDU), Angela Merkel, se torna a primeira mulher a governar a Alemanha.

Merkel nasce em Hamburgo, na Alemanha Ocidental, em 17 de julho 1954, mas vai para a Alemanha  Oriental quando o pai, um pastor luterano, é enviado para Perleberg. Ela se forma em química quântica e faz pesquisa científica até 1989, ano da queda dos regimes comunistas da Europa Oriental. Entra na política como porta-voz do primeiro governo democrático da Alemanha Oriental.

Com a reunificação da Alemanha, em 3 de outubro de 1990, é eleita deputada do Parlamento Federal e vira ministra da Mulher e da Juventude e depois ministra do Meio Ambiente do chanceler (primeiro-ministro) Helmut Kohl (1982-98).

Depois da derrota de Kohl para o social-democrata Gerhard Schröder em setembro de 1998, nas últimas eleições de um século trágico e de renascimento da Alemanha, em 10 de abril de 2000, Merkel se torna líder da CDU. 

Em 2005, Merkel vence as eleições a se torna a primeira mulher a governar o país. É chamada de Mutti, uma forma familiar de chamar a mãe e Chanceler de Ferro, numa comparação com o Chanceler de Ferro, Otto von Bismarck, líder da unificação da Alemanha, em 1871. Ela lidera governos estáveis e a União Europeia em seus piores momentos: a Crise do Euro (2009-14), a saída do Reino Unido e a onda de refugiados da África e do Grande Oriente Médio. 

Ao permitir a entrada de 1,1 milhão de imigrantes, honrando a tradição da Alemanha do pós-guerra para compensar os horrores do nazis, abre espaço para um partido de extrema direita, a Alternativa para a Alemanha, hoje o segundo nas pesquisas.

Ela é substituída pelo social-democrata Olaf Scholz, que era vice-chanceler e se apresenta nas eleições como continuador da obra de Merkel. Scholz faz aliança sinal de trânsito com o partido ecologista Os Verdes e o Partido Liberal-Democrata (FDP). 

A coalizão entra em colapso neste mês, forçando Scholz a antecipar as eleições previstas para 28 de setembro para 23 de fevereiro. Ele está sob pressão para renunciar à liderança do SPD e passar o cargo ao ministro da Defesa, Boris Pistorius, muito mais popular. A CDU é favorita nas pesquisas.