Mostrando postagens com marcador Batalha de Stalingrado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Batalha de Stalingrado. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 2 de Fevereiro

 TRATADO DE GUADALUPE HIDALGO

    Em 1848, os Estados Unidos e o México assinam um acordo de paz que acaba com a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), que traça a fronteira entre os dois países no Rio Grande. Com um pagamento de US$ 15 milhões, os EUA tomam 1,36 milhão de quilômetros quadrados, 41% do território mexicano, onde ficam os estados da Califórnia, do Arizona, do Colorado, de Nevada, do Novo México, do Texas e de Utah.

Esta anexação praticamente completa a expansão territorial dos EUA e deflagra guerras civis nos dois países, no México em 1857 e nos EUA a Guerra da Secessão (1861-65).

O conflito começa com a Guerra da Independência do Texas ou Revolução Texana (1835-36) e com a disputa sobre onde fica a fronteira dos dois países, no Rio das Nozes, como queria o México, ou no Rio Grande, como reivindicam os EUA.

Pouco depois da anexação oficial do Texas, em 1845, o México corta relações com os EUA. Em setembro, o presidente James Polk manda John Slidell em missão secreta à Cidade do México para negociar a questão da fronteira e propor a compra da Califórnia e do Novo México por US$ 30 milhões.

Quando o presidente mexicano, José Joaquín Herrera, se nega a receber Slidell, o presidente Polk manda o general Zacharias Taylor ocupar o território entre os rios Grande e das Nozes.

Polk se prepara em 9 de maio para pedir autorização ao Congresso para declarar guerra sob a alegação de que o México se recusa a aceitar as reivindicações dos EUA, quando recebe a notícia de que o México cruzou o Rio Grande en 25 de abril e atacou as forças de Zacharias, matando ou ferindo 16 norte-americanos.

Em 11 de maio, o presidente pede que o Congresso aprove a guerra sob a alegação de que o México "invadiu nosso território e derramou sangue de norte-americanos em solo dos EUA." O Congresso autoriza a guerra em 13 de maio, mas o país se divide. Entre os mais agressivos desafiantes de Polk está o deputado e futuro presidente Abraham Lincoln.

Os abolicionistas veem na guerra uma tentativa dos estados escravagistas de ampliar a escravidão. Um dos abolicionistas é o escritor e naturalista Henry David Thoreau, preso em julho de 1846 por se negar a pagar impostos com o argumento de não querer financiar a guerra. Uma tia paga a dívida e ele é solto. Thoreau escreve o livro Desobediência Civil, em que propõe a legitimidade de revoltas pacíficas contra injustiças do governo.

No início da guerra, o general e ex-presidente mexicano Antonio López de Santa Anna entra em contato com Polk. O presidente dos EUA manda resgatá-lo do exílio em Cuba para negociar a paz. Santa Anna assume o comando militar mexicano.

As doenças matam pelo menos 10 mil soldados dos EUA, mais do que os 1,5 mil mortos em combate. Em 14 de setembro de 1847, as tropas do general Winfield Scott entram na Cidade do México. É o fim da fase militar da guerra.

FIM DA BATALHA DE STALINGRADO

    Em 1943, os últimos soldados da Alemanha Nazista se rendem em Stalingrado, na União Soviética, depois de cinco meses de uma batalha decisiva da Segunda Guerra Mundial (1939-45) e das mais sangrentas da história, com quase 2 milhões de mortos e feridos.

Nove dias antes do início da guerra, Alemanha e URSS assinam o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão que os nazistas precisam para invadir a Polônia e a Europa Ocidental. A URSS ocupa as repúblicas bálticas e o Leste da Polônia.

Depois da tomar a Europa Ocidental e não conseguir invadir o Reino Unido ao perder a Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea, em outubro de 1940, a Alemanha invade a URSS em 22 de junho de 1941, no início do verão.

Os alemães atacaram em três frente, no Norte, rumo a Leningrado; no Centro, em direção a Moscou; e no Sul, em direção à Ucrânia e além, chegando a Stalingrado (hoje Volgogrado).

A Batalha de Stalingrado começa em 23 de agosto de 1942. É um momento de virada na guerra. A partir daí, o Exército Vermelho contra-ataca e inicia sua ofensiva rumo a Berlim, que cai em 8 de maio 1945, fim da Segunda Guerra Mundial na Europa.

CARNICEIRO DE UGANDA

    Em 1971, Idi Amin Dada se declara presidente de Uganda e impõe uma ditadura brutal pelos próximos oito anos.

Idi Amin nasce em 1924 ou 1925 e tem pouca educação formal. Em 1946, entra para o exército colonial britânico como auxiliar de cozinheiro. Ele alega ter lutado na Birmânia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas só entra para o exército depois do fim da guerra. Luta contra a Revolta dos Mau Mau (1952-56) no Quênia, um episódio trágico da descolonização da África.

Quando Uganda se torna independente, em 1962, Idi Amin se aproxima do primeiro-ministro e presidente Milton Obote. Ele se torna comandante do Exército e da Força Aérea. Dá um golpe em 25 de janeiro de 1971 e impõe uma tirania.

Em 1972, expulsa os asiáticos de Uganda, na maioria indianos, o que tem forte impacto negativo na economia. Muçulmano, hostiliza Israel, se aproxima da Líbia e dos palestinos. Envolve-se diretamente no sequestro de um avião francês desviado para Entebe, em 1976, quando comandos israelenses invadem o país para resgatar os reféns.

Cerca de 300 mil pessoas morrem sob a ditadura de Idi Amin, comparado pelo senador Paulo Brossard ao ditador brasileiro Ernesto Geisel (1974-79) no discurso Carranca não é autoridade.

Em outubro de 1978, Idi Amin ordena um ataque à vizinha Tanzânia. Com o apoio da oposição em Uganda, o Exército da Tanzânia vence a guerra. Quando as forças tanzanianas se aproximam de Kampala, a capital de Uganda, em 11 de abril de 1979, Idi Amin foge para a Líbia e depois para a Arábia Saudita, onde morre em 16 de agosto de 2003.

MORTE DE SID VICIOUS

    Em 1979, o baixista Sid Vicious, da banda Sex Pistols, pioneira do punk rock na Inglaterra, morre em Nova York de dose excessiva de heroína.

John Simon Ritchie nasce em Lewisham, na Inglaterra, em 10 de maio de 1957. Começa a carreira musical em 1976. No ano seguinte, com a saída de Glen Matlock dos Sex Pistols, ele vira baixista da banda, posição que ocupa até o fim da banda, em janeiro de 1978.

Durante sua experiência caótica nos Sex Pistols, Sid conhece Nancy Spungen, que se torna sua namorada e empresária. Os dois têm uma relação destrutiva com uso e abuso de heroína que termina com a morte de Nancy em 12 de outubro de 1978. Ele é preso sob a acusação de assassinato e solto em liberdade condicional.

Sua mãe dá uma festa para festejar a libertação. Ele usa heroína e é encontrado morto no dia seguinte.


LEGALIZAÇÃO DO CNA

    Em 1990, o último presidente branco da África do Sul, Frederik de Klerk, acaba com a proscrição do Congresso Nacional Africano (CNA), o principal partido da maioria negra, abrindo caminho para a libertação de Nelson Mandela em 11 de fevereiro daquele ano.

O CNA nasce em 1912 como Congresso Nacional dos Nativos Sul-Africanos. Em 1923, é rebatizado como Congresso Nacional Africano. Desde os anos 1940, é a ponta de lança da luta da maioria negra contra o regime do apartheid, a política de segregação racial da ditadura da minoria branca.

Sob a inspiração do naturalista norte-americano Henry David Thoreau, do escritor russo Leon Tolstoy e do líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, Mandela defende a luta pacífica. Depois da morte de 69 negros no Massacre de Sharpeville, em 21 de março de 1960, o CNA adere à luta armada e é proscrito.

Comandante do braço armado do CNA, Umkhonto we sizwe (Lança da Nação), Mandela é preso em 1962 e condenado à morte em 1964, pena comutada para prisão perpétua. Depois de 27 anos, sai da prisão para negociar o fim do apartheid e levar a maioria negra ao poder nas primeiras eleições democráticas, em 1994.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 24 de Janeiro

ASSASSINATO DE CALÍGULA

    Em 41, o imperador romano Calígula é assassinado por Cássio Quereia, Cornélio Sabino e outros membros da guarda pretoriana.

Caio Júlio César Augusto Germânico Calígula nasce em 31 de agosto de 12. É filho mais moço de Germânico, um dos maiores generais da história do Império Romano, sobrinho e filho adotivo do imperador Tibério. Antes de morrer, Tibério indica Calígula e o neto Tibério Gêmelo como sucessores.

Em 18 de março de 37, Calígula torna-se o terceiro imperador romano, depois de Augusto e Tibério. No poder, é despótico e cruel. Entre outros, manda matar Tibério Gêmelo, neto de Tibério, rival na sucessão.

Depois de gastar a grande soma em dinheiro que Tibério deixa no Tesouro, passa a extorquir cidadãos de Roma e confiscar suas propriedades.

Durante seu reinado, o Império Romano conquista a Mauritânia, cujo imperador ele assassina durante uma visita a Roma. Em sua megalomania, manda construir estátua em sua homenagem no Templo de Jerusalém. Quer nomear seu cavalo, Incitatus, para o Senado, mas é morto antes.

Seus assassinos sonhavam em restaurar a República, mas, no dia de sua morte, seu tio Tibério Cláudio César Augusto Germânico é aclamado imperador. Cláudio manda executar os assassinos do sobrinho.

CORRIDA DO OURO NA CALIFÓRNIA

    Em 1848, o carpinteiro James Wilson Marshall descobre pepitas de ouro no Rio Americano, na Califórnia, perto de uma serraria que está construindo para John Sutter. Quando a notícia se espalha, 300 mil pessoas vão atrás da fortuna numa corrida do ouro. O pico é em 1852.

A corrida do ouro tem forte impacto demográfico. Antes da descoberta do ouro, a população da Califórnia era de 160 mil pessoas, na maioria indígenas. Em agosto de 1848, há 4 mil garimpeiros na região. Um ano depois, são 80 mil. São Francisco, um povoado de 200 habitantes em 1846, vira uma cidade rica com 36 mil habitantes em 1852. A, mas a maior causa de mortes entre os garimpeiros é a cólera. A Califórnia é admitida como estado da União em 1850.

São construídas estradas de ferro e começa a agricultura em grande escala, que seria o próximo grande impulso ao desenvolvimento econômico do estado. A população indígena é dizimada. Há sérios danos ao meio ambiente.

A Corrida do Ouro vai até 1855 e suas minas se esgotam no fim da década. Várias cidades são abandonas e viram cidades-fantasma.

HITLER REJEITA RENDIÇÃO EM STALINGRADO

    Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), com a derrota iminente numa das batalhas mais importantes da história, o general Friedrich Paulus, comandante do 6º Exército da Alemanha, pede licença a Adolf Hitler para se render em Stalingrado, na União Soviética, mas o ditador nazista não aceita.

Antes da guerra, a Alemanha Nazista e a URSS firmam o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão. Quando Hitler invade, em 22 de junho de 1941, a URSS entra na guerra. O Exército alemão avança em três frente: no norte, rumo a Leningrado, hoje São Petersburgo; no centro, rumo a Moscou; e no sul rumo à Ucrânia e ao Vale do Rio Volga.

A Batalha de Stalingrado começa em 23 de agosto de 1942 e termina em 2 de fevereiro de 1943 com 2 milhões de baixas. É o momento em que os nazistas param de avançar e o Exército Vermelho inicia sua marcha até a vitória em Berlim em 8 de maio de 1945.

MORTE DE CHURCHILL

    Em 1965, morre Winston Churchill, o primeiro-ministro britânico que resiste ao ditador nazista Adolf Hitler e se torna um dos heróis da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Winston Leonard Spencer Churchill nasce no Palácio de Blenheim, em Woodstock, no Condado de Oxford, na Inglaterra, em 30 de novembro de 1874 numa família aristocrática. Militar, estadista e escritor, entra para o Exército Real em 1895 e atua na Índia britânica, na Guerra Anglo-Sudanesa e na Segunda Guerra dos Bôeres, na África do Sul. Faz fama como correspondente de guerra.

Eleito para o Parlamento Britânico em 1900 pelo Partido Conservador, vai para o Partido Liberal em 1904. Secretário do Interior do governo Herbert Asquith, defende a reforma do sistema prisional e previdêncial social para os trabalhadores.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), como Primeiro Lorde do Almirantado, dirige a desastrosa Campanha de Galípoli. É rebaixado a Chanceler do Ducado de Lancaster, o ministério do funcionalismo público. Renuncia em novembro de 1915 e se junta aos Fuzileiros Reais Escoceses na frente ocidental.

Churchill volta ao governo sob o primeiro-ministro David Lloyd George como secretário de Estado (ministro) da Guerra e depois das Colônias. Supervisiona o Tratado Anglo-Irlandês, que dá independência à Irlanda, e a polícia externa para o Oriente Médio. Para conter o Irã, cria artificialmente o Iraque, juntando as províncias do antigo Império Otomano (turco) de Bagdá e Bássora à província curda de Kirkuk, enterrando o sonho de independência do Curdistão.

Depois de ficar dois anos fora da Câmara dos Comuns, volta e é nomeado Chanceler do Tesouro (ministro das finanças) do governo conservador de Stanley Baldwin, quando reintroduz o padrão-ouro, medida considerada deflacionária que deprime a economia britânica.

Com a ascensão do nazismo na Alemanha, Churchill defende o rearmamento e se opõe ao Acordo de Munique, negociado pelo primeiro-ministro Neville Chamberlain, entregando a região dos Sudetos, na Tcheco-Eslováquia, numa tentativa de apaziguar Adolf Hitler.

No início da Segunda Guerra Mundial, (1939-45) é renomeado Primeiro Lorde do Almirantado. Em maio de 1940, quando a Alemanha Nazista invade a França, vira primeiro-ministro. Com a vitória britânica na Batalha da Inglaterra, em outubro de 1940, passa a liderar a resistência ao nazifascismo na Europa. 

Depois que a União Soviética e os Estados Unidos entram na guerra, em 1941, forma com o presidente norte-americano Franklin Roosevelt e o ditador soviético Josef Stalin o grupo dos três grandes aliados na luta contra as potências do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

Com a derrota dos conservadores depois da guerra, nas eleições de 1945, vira líder da oposição. No início da Guerra Fria, adverte, em discurso no Westminster College, em Fulton, no Mississípi, nos EUA, que, "de Stettin, no Mar Báltico, a Triestre, no Mar Adriático, uma cortina de ferro desce através do continente."

Ele volta ao poder com a vitória nas eleições de outubro de 1951. Com a saúde abalada, renuncia à chefia do governo em 5 de abril de 1955, quando é grande conselheiro da jovem rainha Elizabeth II. Continua como deputado até 1964.

Grande frasista, tinha presença de espírito para tiradas espetaculares. Quando uma deputada lhe disse, "se eu fosse sua mulher, lhe faria um chá de cicuta", o veneno que matou o filósofo grego Sócrates, respondeu: "Se eu fosse seu marido, eu tomaria esse chá."

Para defender a guerra contra a Alemanha Nazista, disse: "Se Hitler invadisse o inferno, eu diria alguma coisa a favor do demônio na Câmara dos Comuns", frase que foi mudada para "eu lutaria ao lado do demônio", o que ele não disse.

Visto como um dos grandes heróis da história da Inglaterra e do Reino Unido pela resistência ao nazifascismo e a liderança na Segunda Guerra Mundial, Churchill é acusado de racismo e de crimes de guerra pelo bombardeio com bombas incendiárias a Dresden, na Alemanha, de 13 a 15 de fevereiro de 1945, quando a guerra estava praticamente ganha, e pela repressão à Revolta dos Mau Mau (1952-60), durante a luta pela independência do Quênia.

DEPARTAMENTO DE SEGURANÇA INTERNA

    Em 2003, os Estados Unidos instalam o Departamento de Segurança Interna, um novo ministério do governo federal responsável por proteger o país contra ataques terroristas e por preparar a resposta a catástrofes naturais e outras emergências. O primeiro secretário é Tom Ridge.

O presidente George Walker Bush cria o Conselho de Segurança Interna e o Escritório de Segurança Interna depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 para coordenar os esforços antiterrorismo da União, dos estados, dos municípios e de diferentes agências governamentais. Em 2003, os dois órgãos se juntam para formar um ministério.

A Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA), a Patrulha de Fronteiras e Aduanas, a Guarda Costeira e o Serviço Secreto passam a fazer parte do novo ministério.

No segundo governo Donald Trump, o Departamento de Segurança Interna é o principal instrumento no combate à imigração legal e ilegal, uma polícia fascistoide que prende e ataca até cidadãos norte-americanos com agentes mascarados que andam em carros sem identificação sem mandado judicial.

sábado, 22 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 22 de Novembro

REVOLTA DA CHIBATA 

    Em 1910, há 115 anos, os marinheiros (na sua maioria negros) da Marinha do Brasil  se rebelam, expulsam navios os oficiais dos navios e, sob o comando do negro João Cândido Felisberto, gaúcho de Encruzilhada do Sul, manobram com maestria a esquadra na Baia de Guanabara. Eles ameaçam bombardear o Rio de Janeiro, exigem o fim da chibata e dos castigos físicos na Marinha, condições dignas de trabalho e anistia aos revoltosos.

Impotente, o governo cede e o senador Rui Barbosa apresenta um projeto de anistia, o compromisso de abolir o castigo da chibata e melhores condições de trabalho na Marinha. A anistia é aprovada rapidamente no Senado e na Câmara dos Deputados. 

Vitoriosos, os rebeldes arriam em 26 de novembro a bandeira vermelha e os navios são devolvidos na mais perfeita ordem. Imediatamente, as oligarquias dominantes começam a tramar a repressão aos anistiados. Um decreto autoriza a expulsão de qualquer marinheiro “cuja permanência se tornar inconveniente à disciplina”. Mas, o pior estava para vir. 

Em 9 de dezembro, é instigada uma nova revolta sem qualquer participação de João Cândido e dos líderes da Revolta da Chibata. Rapidamente, os rebeldes são massacrados, o estado de sítio é decretado, as principais lideranças dos marujos são mortas ou enviadas para a Amazônia para serem escravizadas pelos donos de seringais. 

No início de 1911, mil marinheiros são expulsos. João Cândido e outros 17 líderes são encerrados em uma masmorra sem ventilação e asfixiados com cal viva. Dezesseis morrem, só sobrevivem João Cândido e Pau de Lira

João Cândido é internado em um hospício. Quando consegue sair, vai preso. Só 18 meses depois, defendido gratuitamente por Evaristo de Moraes, é absolvido. Com os pulmões tomados pela tuberculose, é expulso da Marinha e impedido de trabalhar como marinheiro. Convidado a trabalhar como informante da polícia, recusa com altivez, e sobrevive como vendedor de peixe no cais do porto. 

Anos depois, sua memória é resgatada pelo escritor comunista Edmar Morel, que relata a história no livro A Revolta da Chibata, publicado em 1963. Por esse "crime", após o golpe de 1964, Morel é punido com a dispensa compulsória e a cassação dos seus direitos políticos.

O presidente João Goulart concede a João Cândido uma humilde pensão retirada pela ditadura militar. O Almirante Negro – como é imortalizado – morre em 1969 aos 89 anos de idade, na miséria. 

Em 2008, o presidente Lula dá anistia póstuma a João Cândido e seus companheiros de rebelião. Em 20 de novembro de 2008, o Almirante Negro tem sua estátua inaugurada na Praça 15 de Novembro, no Rio de Janeiro. Ignorado pela maioria dos historiadores oficiais, a sua luta mudou o Brasil e acabou com a infâmia do chibateamento de negros e brancos pobres no Brasil.

(Com base em texto de Raul Carrion)

SOVIÉTICOS CERCAM NAZISTAS

    Em 1942, durante a Batalha de Stalingrado, um momento decisivo da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a contraofensiva do Exército Vermelho cerca de 250 mil soldados da Alemanha Nazista ao sul de Kalach, no Rio Dom. O general Friedrich Paulus pede autorização a Berlim para se retirar.

A Batalha de Stalingrado é a mais mortal da guerra e uma das mais violentas da história da humanidade, com quase 2 milhões de mortes e pelo menos 40 mil civis mortos. Começa em 23 de agosto de 1942.

Stalingrado, hoje Volgogrado, depois que o ditador Josef Stalin caiu em desgraça, é um porto importante no Rio Volga. Seu controle dá acesso à região do Cáucaso e ao Vale do Volga, o maior rio da Rússia. Tomar a cidade com o nome de Stalin seria uma vitória da propaganda de Adolf Hitler.

Mesmo com apoio aéreo da Luftwaffe, a Força Aérea nazista, o 6º Exército da Alemanha, sob o comando do gen. Paulus, e o 4º Exército Panzer, sob o comando do gen. Edwald von Kleist, não conseguem vencer a defesa posta pelo 62º Exército da URSS, comandado pelo gen. Vassili Chuikov.

Os alemães cercam Stalingrado e pressionam os soviéticos contra o Rio Volga. A batalha vira um combate casa a casa.

Em 19 de novembro, a URSS lança a contra ofensiva com a Operação Urano, um ataque em duas frentes que cerca forças romenas que protegem os flancos do 6º Exército da Alemanha. Dois dias depois, 250 mil alemães estão cercados, sem acesso a suprimentos. Ainda assim, resistem durante dois meses e tentam avançar até capitular em 2 de fevereiro de 1943 por falta de munição e de comida.

INDEPENDÊNCIA DO LÍBANO

    Em 1943, o Líbano declara independência da França, na época ocupada pela Alemanha Nazista, mas só se torna realmente independente em 1946, depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), quando forças francesas e britânicas deixam o país.

Uma estreita faixa de terra no Leste do Mar Mediterrâneo, o Líbano é o local de origem dos fenícios, um povo que domina o Mediterrâneo antes da Era Cristã e funda os portos de Tiro, Sidon e Biblos, algumas das cidades mais antigas do mundo.

O país moderno surge em 1920, depois da derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial (1914-18), quando os impérios Britânico e Francês ganham mandatos da Liga das Nações para administrar o Oriente Médio. O Líbano e a Síria ficam sob administração da França.

Em 1942, o Líbano cria um sistema político confessional único no mundo para dividir o poder entre diferentes grupos religiosos: o presidente e o comandante do Exército são cristãos maronitas, o primeiro-ministro é muçulmano sunita e o presidente do Parlamento é muçulmano xiita.

Com a Guerra da Independência de Israel (1948-49), refugiados palestinos fogem para o Líbano e começam a abalar o equilíbrio entre cristãos e muçulmanos. A situação se agrava com a Guerra dos Seis (1967), quando Israel ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza; do Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém.

Em 1970, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tenta dar um golpe na Jordânia para transformar o país na pátria do povo palestino. É massacrada pelas forças do rei Hussein no Setembro Negro.

Mais refugiados palestinos vão para o Líbano, de onde lançam ataques contra Israel. Combates entre guerrilheiros palestinos e o Exército deflagram a Guerra Civil Libanesa (1975-90) entre cristãos e muçulmanos. A Síria intervém militarmente no Líbano em 1976 e fica no país até 2005.

Em 1982, Israel invade o país na Primeira Guerra do Líbano para expulsar a OLP, que foge para a Tunísia. Naquele ano, com o patrocínio do Irã, onde há uma Revolução Islâmica em 1979, nasce a milícia extremista xiita Hesbolá (Partido de Deus), atualmente em guerra com Israel.

Israel sai do Líbano em 1985, mas apoia uma milícia aliada, o Exército do Sul do Líbano (ESL), para controlar a região da fronteira. No ano 2000, o Hesbolá derrota o ESL e assume o controle da região da fronteira.

Em 2006, depois de uma invasão e sequestro de soldados em território israelense, Israel inicia a Segunda Guerra do Líbano, que dura pouco mais de um mês. As escaramuças na fronteira continuam, especialmente na região das Fazendas de Chebá, um território disputado.

A atual guerra começa em 8 de outubro de 2023. Um dia depois do ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) a Israel, o Hesbolá intensifica os ataques, abrindo uma segunda frente na guerra. De início, Israel concentra seus esforços contra o Hamas. No ano passado, intensifica os bombardeios, invade por terra e mata vários líderes do Hesbolá, inclusive o líder supremo, xeique Hassan Nasrallah. Os Estados Unidos negociam uma trégua instável, mas o Hesbolá resiste a se desarmar.

JFK ASSASSINADO

    Em 1963, o presidente John Fitzgerald Kennedy é morto a tiros durante visita a Dallas, no Texas, no Sul dos Estados Unidos, de acordo com as investigações oficiais por um único atirador, Lee Harvey Oswald, o que é discutido até hoje.

Mais jovem presidente da história dos EUA, Kennedy é o primeiro católico a chegar à Casa Branca (Joe Biden é o segundo). Herói na Segunda Guerra Mundial (1939-45), JFK é também o primeiro presidente da era da televisão. 

Os primeiros debates presidenciais da história são decisivos para a imagem de jovem carismático e confiável, o xerife que protege a cidadezinha, na descrição do sociólogo canadense e papa das comunicações Marshall McLuhan, enquanto seu adversário, o vice-presidente Richard Nixon, parece o advogado espertalhão a convite da companhia da estrada de ferro.

No início de seu governo, três meses depois da posse, acontece a fracassada invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, por exilados cubanos apoiados pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), causa da Crise dos Mísseis (1962). quando Kennedy enfrenta a União Soviética e obtém uma vitória diplomática.

Kennedy apoia o movimento pelos direitos civis dos negros liderado pelo reverendo Martin Luther King Jr. e decide enviar um homem à Lua até o fim dos anos 1960. Ao mesmo tempo, manda mais de 2,8 mil assessores militares para a Guerra do Vietnã (1955-75). Alguns entram em combate. Os EUA só declaram guerra ao Vietnã do Norte em 1964, depois de sua morte.

O atentado de Dallas, o quarto assassinato de um presidente dos EUA no exercício do cargo, é objeto de debates até hoje. As investigações oficiais, inclusive o Relatório Warren, com o nome do presidente da Suprema Corte na época, Earl Warren, concluem que Oswald agiu sozinho.

Dois dias depois, Jacob Rubinstein, ou Jack Ruby, dono de uma boate em Dallas supostamente ligado à máfia, mata Oswald à queima-roupa e alega ter sido um gesto patriótico de vingança pela morte do presidente, mas há fortes suspeitas de queima de arquivo.

B-52 ABATIDO NO VIETNÃ

    Em 1972, os Estados Unidos perdem sua primeira fortaleza voadora Boeing B-52, um bombardeiro de oito turbinas, na Guerra do Vietnã (1955-75).

Num dos dias de bombardeio aéreo mais intenso dos EUA, um míssil terra-ar disparado pelo Vietnã do Norte derruba o B-52 perto de Vinh.

Durante a Guerra do Vietnã, os EUA jogaram mais de 7,5 milhões de toneladas de bombas no Vietnã, no Camboja e no Laos.

REI DA ESPANHA

    Em 1975, dois dias depois da morte do ditador Francisco Franco, o rei Juan Carlos se torna chefe de Estado da Espanha.
Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Bordón-Dos Sicilias nasce em 5 de janeiro de 1938 em Roma, onde seu avô, Alfonso XIII, vive no exílio desde que sai da Espanha em 1931, quando é deposto e começa a Segunda República.

A Espanha está em Guerra Civil (1936-39), vencida pelo generalíssimo Francisco Franco, que impõe uma ditadura. Para que a Espanha não volte a ser uma república, em 1969, Franco nomeia o príncipe Juan Carlos como sucessor.

No poder, o rei Juan Carlos resiste à tentativa de golpe do coronel Antonio Tejero Molina, em 23 de fevereiro de 1981, e consolida a democracia espanhola. Mas uma série de escândalos, caçadas de elefantes na África, um caso extraconjugal e denúncias de corrupção, abalam seu prestígio. Em 2 de junho de 2014, Juan Carlos abdica em favor de seu filho, o atual rei Felipe VI.

MAIS JOVEM CAMPEÃO PESO-PESADO

    Em 1986, ao nocautear Trevor Berbick no segundo assalto, aos 20 anos, Mike Tyson, se torna o mais jovem campeão mundial de boxe na categoria peso-pesado.

Filho de pai jamaicano, Michael Gerard Tyson nasce no bairro do Brooklyn, em Nova York, em 30 de junho de 1966 e vira um dos maiores boxeadores da história, mas tem uma vida pessoal conturbada. Ele tem uma infância difícil depois que o pai adotivo abandona a filha quando ele tem dois anos.

Tyson sofre de transtorno de personalidade limítrofe. Aos 11 anos, é internado num reformatório para jovens delinquentes. Aos 12 anos, tem 80 quilos e uma musculatura formidável. O diretor do reformatório, um antigo pugilista, o aconselha a lutar boxe.

Em 1981, aos 15 anos, Tyson é campeão juvenil dos Estados Unidos. Quando vira profissional, em 1985, ganha todas as 15 lutas de que participa, 11 por nocaute no primeiro assalto. No ano seguinte, ganha mais 13 lutas e conquista o título do Conselho Mundial de Boxe. Em 1987, ganha também os títulos da Federação Internacional de Boxe e da Associação Mundial de Boxe e unifica o título.

Em 1988, Tyson se casa com a modelo a atriz Robin Givens, que pede o divórcio no ano seguinte alegando que ele é maníaco-depressivo, o que hoje se chama de bipolaridade. Ele só luta duas vezes em 1989. Em 11 de fevereiro de 1990, Tyson perde os três títulos mundiais para Buster Douglas, no Japão, ao ser nocauteado no 10º assalto.

Famoso, polêmico e rebelde, Tyson faz parte do júri de Miss America e é acusado de estupro por uma das participantes. É condenado a seis meses de prisão em março de 1992. Com bom comportamento, sai depois de cumprir a metade da pena.

De volta ao boxe, desafia o campeão mundial, Evander Holyfield. Em 9 de novembro de 1996, Holyfield vence e Tyson pede revanche. No novo combate, em 28 de junho de 1997, 40 segundos antes do fim do terceiro assalto, Tyson morde a orelha de Holyfield. A luta continua. Ele morde de novo a orelha do adversário e é desclassificado. Declara que a mordida uma resposta às cabeçadas que disse sofrer. É banido do esporte por um ano.

QUEDA DE THATCHER

    Em 1990, a primeira primeira-ministra da história do Reino Unido, Margaret Thatcher, anuncia sua demissão depois de 11 anos no poder.

Margaret Hilda Roberts nasce em Grantham, na Inglaterra, em 13 de outubro de 1925, filha de um dono de armazém. Ela se forma em química na Universidade de Oxford, casa com o empresário Denis Thatcher e tem um casal de filhos antes de se eleger deputada pelo distrito conservador de Finchley, no Norte de Londres.

Em 1967, Thatcher entra para o governo paralelo do Partido Conservador, que faz oposição ao governo trabalhista de Harold Wilson (1964-70). Com a vitória de Edward Heath, em 1970, ela se torna ministra da Educação e da Ciência.

Quando os trabalhistas voltam ao poder, em 1974, Thatcher vira ministra das Finanças do gabinete paralelo até conquistar a liderança do partido, em fevereiro de 1975, com uma plataforma claramente direitista, prometendo cortar subsídios, privatizar as empresas públicas, prestigiar a polícia e defender vigorosamente os interesses britânicos no exterior com uma visão de mundo anticomunista.

Em 1976, depois de acusar a União Soviética de querer dominar o mundo, ganha da imprensa soviética a alcunha de Dama de Ferro, que marcará sua carreira política visceralmente conservadora.

O fracasso do governo trabalhista de James Gallaghan (1976-79), que substitui Harold Wilson (1974-76), causa uma onda de greves, inclusive de lixeiros e coveiros, no chamado inverno do descontentamento, em 1978-9.

A situação caótica leva à vitória de Thatcher, que se torna primeira-ministra em 4 de maio de 1979. As privatizações começam logo e o governo adota a linha dura no combate ao Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte. Mas as grandes reformas que reduzem o poder dos sindicatos vêm depois da Guerra das Malvinas, invadidas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982.

Thatcher envia uma força-tarefa ao Atlântico Sul. Os argentinos, inclusive vários assassinos da ditadura militar, se rendem em 14 de junho, depois das mortes de 255 britânicos e 649 argentinos.

Com a vitória na guerra, Thatcher obtém sua segunda e maior vitória eleitoral em 1983, parte para o confronto com os sindicatos e enfrenta uma greve de mineiros de um ano, de 6 de março de 1984 a 3 de março de 1985.

Em 1987, Thatcher vence as terceiras eleições. Sua oposição a uma maior integração europeia, seu eurocetismo, gera a guerra civil interna do Partido Conservador que está na origem da saída do Reino Unido da União Europeia.

A questão europeia e um imposto comunitário cobrado por pessoa, sem considerar o valor da propriedade onde o cidadão vive, derrubam Thatcher. O partido não se recupera até hoje do regicídio. O desafiante Michael Heseltine não chega ao poder, seguindo a máxima da política britânica de que "quem mata o rei não ascende ao trono".

Seis dias depois, Thatcher é substituída por John Major (1990-97), que é reeleito em 1992 prorrogando para 18 anos o domínio conservador sobre o Reino Unido, que seria quebrado pela vitória do neotrabalhismo de Tony Blair em maio de 1997. 

MULHER NO PODER

    Em 2005, a líder da conservadora União Democrata-Cristã (CDU), Angela Merkel, se torna a primeira mulher a governar a Alemanha.

Merkel nasce em Hamburgo, na Alemanha Ocidental, em 17 de julho 1954, mas vai para a Alemanha  Oriental quando o pai, um pastor luterano, é enviado para Perleberg. Ela se forma em química quântica e faz pesquisa científica até 1989, ano da queda dos regimes comunistas da Europa Oriental. Entra na política como porta-voz do primeiro governo democrático da Alemanha Oriental.

Com a reunificação da Alemanha, em 3 de outubro de 1990, é eleita deputada do Parlamento Federal e vira ministra da Mulher e da Juventude e depois ministra do Meio Ambiente do chanceler (primeiro-ministro) Helmut Kohl (1982-98).

Depois da derrota de Kohl para o social-democrata Gerhard Schröder em setembro de 1998, nas últimas eleições de um século trágico e de renascimento da Alemanha, em 10 de abril de 2000, Merkel se torna líder da CDU. 

Em 2005, Merkel vence as eleições a se torna a primeira mulher a governar o país. É chamada de Mutti, uma forma familiar de chamar a mãe e Chanceler de Ferro, numa comparação com o Chanceler de Ferro, Otto von Bismarck, líder da unificação da Alemanha, em 1871. Ela lidera governos estáveis e a União Europeia em seus piores momentos: a Crise do Euro (2009-14), a saída do Reino Unido e a onda de refugiados da África e do Grande Oriente Médio. 

Ao permitir a entrada de 1,1 milhão de imigrantes, honrando a tradição da Alemanha do pós-guerra para compensar os horrores do nazis, abre espaço para um partido de extrema direita, a Alternativa para a Alemanha, hoje o segundo nas pesquisas.

Ela é substituída pelo social-democrata Olaf Scholz, que era vice-chanceler e se apresenta nas eleições como continuador da obra de Merkel. Scholz faz aliança sinal de trânsito com o partido ecologista Os Verdes e o Partido Liberal-Democrata (FDP). 

A coalizão entra em colapso neste mês, forçando Scholz a antecipar as eleições previstas para 28 de setembro para 23 de fevereiro. Ele está sob pressão para renunciar à liderança do SPD e passar o cargo ao ministro da Defesa, Boris Pistorius, muito mais popular. A CDU vence as eleições sem maioria absoluta. Seu líder, Friedrich Merz é forçado a formar uma grande aliança com o SPD para ter maioria no Bundestag.

ESTE BLOG DEPENDE DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37 

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 19 de Novembro

 DISCURSO DE GETTYSBURG

    Em 1863, ao inaugurar um cemitério no local da batalhas mais sangrenta da Guerra da Secessão ou Guerra Civll Americana (1861-65), o presidente Abraham Lincoln faz em Gettysburg, na Pensilvânia, o discurso político mais importante da história dos Estados Unidos.


Cerca de 45 mil homens morrem ou saem feridos da Batalha de Gettysburg, um ponto de virada na guerra. É a última tentativa de invasão do Norte pela forças do Sul, comandadas pelo general Robert Lee. Veja a íntegra do discurso:

 “Há 87 anos, nossos país criaram neste continente uma nova nação, concebida na liberdade e dedicada à proposição de que todos os homens são iguais. 

 “Agora, nós estamos engajados numa grande guerra civil, testando se aquela nação, ou qualquer nação assim concebida e dedicada, pode ter longa duração. Nós estamos num grande campo de batalha desta guerra. Viemos dedicar uma parte desta terra como local de repouso eterno para os que deram suas vidas para que esta nação viva. É totalmente adequado e apropriado que façamos isso. 

 “Mas, num sentido mais amplo, nós não podemos dedicar... não podemos consagrar... não podemos santificar... este solo. Os homens corajosos, vivos e mortos, que lutaram aqui o consagraram muito além do nosso poder de acrescentar ou diminuir algo. 

"O mundo dará pouca atenção e não vai se lembrar por muito tempo do que dissermos aqui, mas não pode se esquecer nunca do que eles fizeram aqui. Cabe a nós, os vivos, nos dedicarmos ao trabalho inacabado daqueles que lutaram até aqui para adiantá-lo. Cabe a nós aqui nos dedicarmos à grande tarefa deixada diante de nós... que daquelas mortes honradas tiremos uma devoção crescente à causa pela qual eles deram a última medida de sua devoção; que decidamos aqui que aquelas mortes não foram em vão; que esta nação, sob Deus, tenha um novo nascimento da liberdade; e que o governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareça da face da Terra.”

VIRADA EM STALINGRADO

    Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o Exército Vermelho, sob o comando do general Gueorgui Jucov, lança a Operação Urano, a grande contraofensiva da União Soviética que vira a Batalha de Stalingrado e inicia a marcha até Berlim, tomada em 8 de maio de 1945, o Dia da Vitória na Europa.
Nove dias antes do início da guerra, em 23 de agosto de 1939, os ditadores Adolf Hitler e Josef Stalin firmam o Pacto Germano-Soviético. A Alemanha e a URSS dividem a Polônia. Hitler precisa de paz na frente oriental para conquistar a Europa Ocidental. Ocupa a França, mas perde a Batalha da Inglaterra (1940) e não consegue invadir o Reino Unido.

Com o resto da Europa Ocidental dominada, os nazistas iniciam em 22 de junho de 1941 a Operação Barbarossa, uma invasão em grande escala da URSS. O Exército da Alemanha avança em três frentes: em direção de Leningrado, ao norte; rumo a Moscou, no centro; e pela Ucrânia e o Vale do Rio Volga, ao Sul.

No verão de 1942, Hitler manda o general Friedrich Paulus tomar Stalingrado, um centro industrial à margem do Rio Volga e um obstáculo na marcha dos nazistas rumo ao petróleo do Cáucaso. 

A Batalha de Stalingrado, a mais importante da história, começa em 23 de agosto com o avanço do 6º Exército e de uma divisão de tanques Panzer do Exército nazista e um bombardeio maciço da Luftwaffe, a força aérea da Alemanha. Mais de 40 mil civis morrem nos ataques aéreos.

A Operação Urano ataca pelos flancos, visando os exércitos húngaro e romeno que protegiam o 6º Exército da Alemanha. O Exército Vermelho cerca e isola os nazistas. Hitler manda tomar a cidade a qualquer custo. Os alemães enviam suprimentos por via aérea e reforços para tentar romper o cerco pelo lado de fora.

Os combates ferozes duram mais dois meses, até a rendição das forças do Eixo, em 2 de fevereiro de 1943, depois de cinco meses, uma semana e três dias de luta, com total de mortes estimado em 1 a 1,9 milhão de pessoas.

MIL GOLS

        Em 1969, Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos, marca seu milésimo gol na cobrança de um pênalti do Santos contra o Vasco da Gama, no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, nasce em Três Corações, no estado de Minas Gerais, em 23 de outubro de 1940, e começa a carreira profissional no Santos em 1956. É três vezes campeão do mundo pelo Brasil (1958, 1962 e 1970) e duas vezes pelo Santos (1962 e 1963). Ao todo, marca 1.282 gols.

PAZ NO ORIENTE MÉDIO

    Em 1977, o ditador do Egito, Anuar Sadat, começa uma visita histórica a Israel em que faz uma proposta de paz em discurso na Knesset, o parlamento israelense.

Na Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, Israel ataca primeiro, destrói as forças aéreas do Egito, da Síria e da Jordânia, obtém uma vitória rápida e ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém.

O ditador egípcio Gamal Abdel Nasser, que deflagrara a guerra ao fechar o Estreito de Tiran, é substituído em 1970 por Sadat.

Para tentar recuperar os territórios ocupados, em 6 de outubro de 1973, o Egito, a Síria e a Jordânia lançam a maior empreitada militar árabe da era moderna. É o início da Guerra do Yom Kippur (Dia do Perdão).

Mais de 100 mil soldados egípcios cruzam o Canal de Suez a invadem o Sinai. Os Estados Unidos fazem a maior ponte aérea militar da história. Entregam mais de 22 mil toneladas de armas, munições e outros equipamentos militares a Israel no campo de batalha.

Quando Israel cerca o 3º Exército do Egito no Sinai, a União Soviética, aliada do Egito e da Síria, ameaça entrar na guerra, e entra em alerta nuclear. É o único alerta nuclear da URSS durante a Guerra Fria. Houve pelo menos 21 dos EUA.

Depois da guerra, o então secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, aconselha Sadat a sair da órbita da URSS e se aliar aos EUA para recuperar o Sinai.

No discurso na Knesset, Sadat oferece a fórmula de trocar terra por paz, seria um modelo para as negociações de paz no Oriente Médio. Sadat e o primeiro-ministro linha-dura israelense Menachem Begin ganham o Prêmio Nobel da Paz em 1978 e assinaram os Acordos de Camp David, mediados pelo presidente norte-americano Jimmy Carter, em 1979.

Sadat paga com a vida. É assassinado em 6 de outubro de 1981 por extremistas infiltrados du grupo Jihad (Guerra Santa) Islâmica no Exército do Egito durante uma solenidade militar para marcar quatro anos do início da Guerra do Yom Kippur.

DEGELO NA GUERRA FRIA

    Em 1985, o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, e o líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, iniciam em Genebra, na Suíça, seu primeiro encontro de cúpula, oito anos depois do anterior entre os dirigentes das duas superpotências da Guerra Fria.

Seis acordos sem grande importância são assinados, de intercâmbio científico e cultural a questões ambientes. Os dois líderes conversam longamente até 21 de novembro e criam uma relação pessoal importante para acabar com o conflito Leste-Oeste.

O encontro surpreende porque Reagan usava uma linguagem incendiária e chamara a URSS de "império do mal". Do lado soviético, é evidente a intenção de Gorbachev de melhorar as relações com os EUA para tocar suas reformas internas destinadas a revitalizar a economia da URSS.

A segunda reunião de cúpula é realizada em outubro de 1986 em Reikjavik, na Islândia. Termina em fracasso porque Reagan se nega a acabar com a Iniciativa de Defesa Estratégica, mais conhecida como programa Guerra nas Estrelas. 

O projeto visa a instalar armas defensivas no espaço para abater os mísseis nucleares inimigos. Viola o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), que proibia o desenvolvimento de armas antimísseis balísticos, garantindo a destruição mútua em caso de guerra nuclear. É o equilíbrio do terror nuclear.

No terceiro encontro, em 8 de dezembro de 1987, Gorbachev e Reagan assinam o Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias (INF), o primeiro a abolir toda uma classe de armas atômicas, os mísseis nucleares baseados em terra de curto e médio alcances (500 a 5,5 mil km).

ESTE BLOG DEPENDE DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37 

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 2 de Fevereiro

TRATADO DE GUADALUPE HIDALGO

    Em 1848, os Estados Unidos e o México assinam um acordo de paz que acaba com a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), que traça a fronteira entre os dois países no Rio Grande. Com um pagamento de US$ 15 milhões, os EUA tomam 1,36 milhão de quilômetros quadrados, 41% do território mexicano, onde ficam os estados da Califórnia, do Arizona, do Colorado, de Nevada, do Novo México, do Texas e de Utah.

Esta anexação praticamente completa a expansão territorial dos EUA e deflagra guerras civis nos dois países, no México em 1857 e nos EUA a Guerra da Secessão (1861-65).

O conflito começa com a Guerra da Independência do Texas ou Revolução Texana (1835-36) e com a disputa sobre onde fica a fronteira dos dois países, no Rio das Nozes, como queria o México, ou no Rio Grande, como reivindicam os EUA.

Pouco depois da anexação oficial do Texas, em 1845, o México corta relações com os EUA. Em setembro, o presidente James Polk manda John Slidell em missão secreta à Cidade do México para negociar a questão da fronteira e propor a compra da Califórnia e do Novo México por US$ 30 milhões.

Quando o presidente mexicano, José Joaquín Herrera, se nega a receber Slidell, o presidente Polk manda o general Zacharias Taylor ocupar o território entre os rios Grande e das Nozes.

Polk se prepara em 9 de maio para pedir autorização ao Congresso para declarar guerra sob a alegação de que o México se recusa a aceitar as reivindicações dos EUA, quando recebe a notícia de que o México cruzou o Rio Grande en 25 de abril e atacou as forças de Zacharias, matando ou ferindo 16 norte-americanos.

Em 11 de maio, pede que o Congresso aprove a guerra sob a alegação de que o México "invadiu nosso território e derramou sangue de norte-americanos em solo dos EUA. O Congresso autoriza a guerra em 13 de maio, mas o país se divide. Entre os mais agressivos desafiantes de Polk está o deputado e futuro presidente Abraham Lincoln.

Os abolicionistas veem na guerra uma tentativa dos estados escravagistas de ampliar a escravidão. Um dos abolicionistas é o escritor e naturalista Henry David Thoreau, preso em julho de 1846 por se negar a pagar impostos com o argumento de não querer financiar a guerra. Ele escreve o livro Desobediência Civil, em que propõe a legitimidade de revoltas pacíficas contra injustiças do governo.

No início da guerra, o general e ex-presidente mexicano Antonio López de Santa Anna entra em contato com Polk. O presidente dos EUA manda resgatá-lo do exílio em Cuba para negociar a paz. Santa Anna assume o comando militar mexicano.

As doenças matam pelo menos 10 mil soldados dos EUA, mais do que os 1,5 mil mortos em combate. Em 14 de setembro de 1847, as tropas do general Winfield Scott entram na Cidade do México. É o fim da fase militar da guerra.

FIM DA BATALHA DE STALINGRADO

    Em 1943, os últimos soldados da Alemanha Nazista se rendem em Stalingrado, na União Soviética, depois de cinco meses de uma batalha decisiva da Segunda Guerra Mundial (1939-45) e das mais sangrentas da história, com quase 2 milhões de mortos e feridos.

Nove dias antes do início da guerra, Alemanha e URSS assinam o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão que os nazistas precisam para invadir a Polônia e a Europa Ocidental. A URSS ocupa as repúblicas bálticas e o Leste da Polônia.

Depois da tomar a Europa Ocidental e não conseguir invadir o Reino Unido ao perder a Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea, em outubro de 1940, a Alemanha invade a URSS em 22 de junho de 1941, no início do verão.

Os alemães atacaram em três frente, no Norte, rumo a Leningrado; no Centro, em direção a Moscou; e no Sul, em direção à Ucrânia e além, chegando a Stalingrado (hoje Volgogrado).

A Batalha de Stalingrado começa em 23 de agosto de 1942 e é um momento de virada na guerra. A partir daí, o Exército Vermelho contra-ataca e inicia sua ofensiva rumo a Berlim, que cai em 8 de maio 1945, fim da Segunda Guerra Mundial na Europa.

CARNICEIRO DE UGANDA

    Em 1971, Idi Amin Dada se declara presidente de Uganda e impõe uma ditadura brutal pelos próximos oito anos.

Idi Amin nasce em 1924 ou 1925 e tem pouca educação formal. Em 1946, entra para o exército colonial britânico como auxiliar de cozinheiro. Ele alega ter lutado na Birmânia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas só entra para o exército depois do fim da guerra. Luta contra a Revolta dos Mau Mau (1952-56) no Quênia, um episódio trágico da descolonização da África.

Quando Uganda se torna independente, em 1962, Idi Amin se aproxima do primeiro-ministro e presidente Milton Obote. Ele se torna comandante do Exército e da Força Aérea. Dá um golpe em 25 de janeiro de 1971 e impõe uma tirania.

Em 1972, expulsa os asiáticos de Uganda, na maioria indianos, o que tem forte impacto negativo na economia. Muçulmano, hostiliza Israel, se aproxima da Líbia e dos palestinos. Envolve-se diretamente no sequestro de um avião francês desviado para Entebe, em 1976, quando comandos israelenses invadem o país para resgatar os reféns.

Cerca de 300 mil pessoas morrem sob a ditadura de Idi Amin, comparado pelo senador Paulo Brossard ao ditador brasileiro Ernesto Geisel (1974-79) no discurso Carranca não é autoridade.

Em outubro de 1978, Idi Amin ordena um ataque à vizinha Tanzânia. Com o apoio da oposição em Uganda, o Exército da Tanzânia vence a guerra. Quando as forças tanzanianas se aproximam de Kampala, a capital de Uganda, em 11 de abril de 1979, Idi Amin foge para a Líbia e depois para a Arábia Saudita, onde morre em 16 de agosto de 2003.

MORTE DE SID VICIOUS

    Em 1979, o baixista Sid Vicious, da banda Sex Pistols, pioneira do punk rock na Inglaterra, morre em Nova York de dose excessiva de heroína.

John Simon Ritchie nasce em Lewisham, na Inglaterra, em 10 de maio de 1957. Começa a carreira musical em 1976. No ano seguinte, com a saída de Glen Matlock dos Sex Pistols, ele vira baixista da banda, posição que ocupa até o fim da banda, em janeiro de 1978.

Durante sua experiência caótica nos Sex Pistols, Sid conhece Nancy Spungen, que se torna sua namorada e empresária. Os dois têm uma relação destrutiva com uso e abuso de heroína que termina com a morte de Nancy em 12 de outubro de 1978. Ele é preso sob a acusação de assassinato e solto em liberdade condicional.

Sua mãe dá uma festa para festejar a libertação. Ele usa heroína e é encontrado morto no dia seguinte.


LEGALIZAÇÃO DO CNA

    Em 1990, o último presidente branco da África do Sul, Frederik de Klerk, acaba com a proscrição do Congresso Nacional Africano (CNA), o principal partido da maioria negra, abrindo caminho para a libertação de Nelson Mandela em 11 de fevereiro daquele ano.

O CNA nasce em 1912 como Congresso Nacional dos Nativos Sul-Africanos. Em 1923, é rebatizado como Congresso Nacional Africano. Desde os anos 1940, é a ponta de lança da luta da maioria negra contra o regime do apartheid, a política de segregação racial da ditadura da minoria branca.

Sob a inspiração do naturalista norte-americano Henry David Thoreau, do escritor russo Leon Tolstoy e do líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, Mandela defende a luta pacífica. Depois da morte de 69 negros no Massacre de Sharpeville, em 21 de março de 1960, o CNA adere à luta armada e é proscrito.

Comandante do braço armado do CNA, Umkhonto we sizwe (Lança da Nação), Mandela é preso em 1962 e condenado à morte em 1964, pena comutada para prisão perpétua. Depois de 27 anos, sai da prisão para negociar o fim do apartheid e levar a maioria negra ao poder nas primeiras eleições democráticas, em 1994.