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sábado, 19 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Setembro

DUCADO DA PRÚSSIA

    Em 1657, João II Casimiro Vasa, rei da Polônia e Grão-Duque da Lituânia, renuncia no Tratado de Wehlau à suserania sobre o Ducado da Prússia e nomeia Frederico Guilherme, Grande Eleitor de Brandemburgo desde 1640, como governante soberano do ducado, que fica na Prússia Oriental, hoje dividida entre Polônia, Lituânia e Rússia.

As partes no tratado são a Suécia, de um lado, e a Comunidade Polaco-Lituânia, do outro. Em troca da ajuda militar na Segunda Guerra Nórdica (1655-60) e da devolução de Vármia à Polônia, o rei polonês dá à Dinastina Hohenzollern de Brandemburgo a soberania hereditária sobre o Ducado da Prússia.

A dinastia reconstrói Brandemburgo depois da Guerra dos Trinta Anos (1618-48), mas não tem como manter um exército capaz de garantir a independência. Precisa de aliados, no caso, da Polônia. No fim da guerra, a Polônia conserva Elbing, mas Lauemburgo, Bütow e Draheim vão para Brandemburgo-Prússia.

O Tratado de Wehlau fica em vigor até 18 de setembro de 1773, quando é substituído pelo Tratado de Varsóvia, depois da primeira divisão da Polônia. É um dos maiores erros de política externa da história polonesa. 

Em 5 de agosto de 1772, a Áustria, a Prússia e a Rússia tomam um terço do território e a metade da população da Polônia. A segunda divisão da Polônia acontece em 1793. A terceira divisão, em 1795, acaba com a Comunidade Polaco-Lituana, que foi um dos maiores países da Europa em área. 

Com a unificação da Alemanha, sob o primeiro-minnistro Otto von Bismarck, o Marechal de Ferro, em 1871, depois de vitórias militares sobre a Áustria, a Dinamarca e a França, a Prússia é o estado mais poderoso do Império Alemão.

A Polônia só recupera a independência no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), em 1918. A Segunda Guerra Mundial (1939-45) começa com a invasão da Alemanha Nazista na Polônia, em 1º de setembro de 1939. 

A União Soviética mata todo o oficialato polonês no Massacre da Floresta de Katyn, cerca de 22 mil pessoas, em abril de 1940, ocupa a Europa Oriental no fim da guerra e impõe regimes comunistas que duram até 1989, quando abrem-se a Cortina de Ferro e o Muro de Berlim, marcos da divisão do mundo na Guerra Fria. 

DESPEDIDA DE WASHINGTON

    Em 1796, o jornal American Daily Advertiser, publica na Filadélfia o Discurso de Despedida do primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington (1789-97). Num dos documentos fundadores da política externa do país, Washington recusa uma segunda reeleição e apela a seus compatriotas para manter a neutralidade e evitar o envolvimento em conflitos e alianças com a Europa.

O texto é atribuído a três país da pátria; além de Washington, a James Madison e Alexander Hamilton. Madison prepara a versão inicial em 1792, no fim do primeiro mandato de Washington. Hamilton aproveita os primeiros parágrafos de Madison, reescreve e amplia o discurso. Washington revisa e faz a edição final.

No início, o presidente explica a decisão de não concorrer a um terceiro mandato. Diz que queria ter saído no fim do primeiro mandato, mas a conjuntura internacional era perigosa, com a tensão com o Reino Unido, a Revolução Francesa e as guerras na Europa.

Ao futuro presidente, que ainda não está eleito, e à população em geral, Washington lembra que a liberdade e a prosperidade dos EUA dependem da União. Para manter a república e a federação, o país precisa se manter unido.

Em seguida, Washington chama a atenção para as forças capazes de destruir aos EUA: regionalismo, partidarismo e engajamentos no exterior. Ele teme que partidos regionais fortes destruam o país, que o faccionalismo leve os eleitores a votar com base na lealdade a um partido e não ao bem comum, e que o partidarismo alimente um "espírito de vingança" entre os derrotados. Note-se que estes problemas estão presentes hoje na política dos EUA e de outros países democráticos.

George Washington adverte o povo estar alerta contra déspotas em potencial capazes de usar os partidos como "máquinas poderosas para subverter o poder popular e usurpar para si as rédeas do governo".

A maior ameaça é o faccionalismo, a divisão interna, combinada com uma invasão estrangeira, que o partidarismo "abra a porta para a influência externa e a corrupção". Em vez de escolher o melhor candidato, os eleitores tomam suas decisões com base em "ciúmes infundados e alarmes falsos". A difusão de notícias falsas e mentirosas é antiga.

Para evitar intervenções militares estrangeiras, Washington defende uma política externa baseada na neutralidade e no comércio com todos os países, sem aliados nem inimigos permanentes

Washington também destaca a importância da educação para a democracia ao alertar que são "objeto de uma importância primária instituições para a difusão geral do conhecimento. Na proporção em que a estrutura do governo dá força à opinião pública, é essencial que a opinião pública seja iluminada."

No fim, ao falar de seu legado, menciona "a influência benigna de boas leis sob um governo livre".

PIONEIRISMO DO VOTO FEMININO

    Em 1893, com a assinatura da Lei Eleitoral pelo governador-geral, Lorde Glasgow, representante da rainha Vitória, a Nova Zelândia se torna o primeiro país do mundo a dar o direito de voto para as mulheres, depois de anos de movimento sufragista.

As neozelandesas votam e podem ser candidatas pela primeira vez nas eleições de 28 de novembro de 1893. Elizabeth Yates é eleita prefeita de Onehunga. É a primeira mulher a ocupar este cargo no Império Britânico, cuja rainha era mulher, Vitória, e começa no reinado de Elizabeth I (1558-1603).

Nos Estados Unidos, as mulheres conquistam o direito de voto em 1920, no Reino Unido em 1928 e no Brasil em 1934.

NAZISTAS BOMBARDEIAM LENINGRADO

    Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha Nazista rompe o Pacto Germano-Soviético, assinado em 23 de agosto de 1939, nove dias antes do início da guerra, e invade a União Soviética em 22 de junho, cerca Leningrado a partir de 8 de setembro e bombardeia a cidade no dia 19, matando mais de mil russos.

Ao entrar na URSS, o Exército nazista avança em três direções: no Sul, rumo à Ucrânia e ao Vale do Rio Volga; no Centro, em direção a Moscou: e no Norte, rumo a Leningrado (hoje São Petersburgo). O ditador Adolf Hitler pretende arrasar a cidade e entregá-la à Finlândia, que era aliada e atacava a URSS pelo norte.

"O Führer decidiu varrer São Petersburgo da face da Terra", declarou Hitler a seus generais.

Uma tentativa de tomar a cidade com divisões de tanques fracassa em agosto. O Cerco de Leningrado é um dos episódios mais brutais da Segunda Guerra Mundial. Dura 872 dias, até 27 de janeiro de 1944, mata cerca de 800 mil e tenta submeter a cidade pela fome. Os pais proíbem os filhos jovens de sair de casa porque há um mercado negro de carne humana.

TERREMOTO ABALA MÉXICO

    Em 1985, um terremoto de 8,1 graus na escala aberta de Richter atinge a Cidade do México às 7h18min, mata 10 mil pessoas, fere outras 30 mil e deixa dezenas de milhares sem casa.

A capital do México fica num planalto cercado de montanhas e vulcões que antigamente era coberto de lagos. Fica em cima de um aquífero e de areia muito menos estável do que uma rocha que pode se mover rapidamente durante um tremor de terra.

Três mil prédios têm de ser demolidos e 100 mil sofrem danos graves. 

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 16 de Setembro

GRANDE INQUISIDOR

    Em 1498, morre em Ávila, na Espanha, aos 78 anos o Grande Inquisidor espanhol Tomás de Torquemada, o maior símbolo do fanatismo religioso e do terror do Santo Ofício.

Torquemada nasce em Valladolid, no reino de Castela, em 14 de outubro de 1420. Sobrinho de Juan de Torquemada, um cardeal e teólogo dominicano, Tomás entra para a ordem dominicana. Em 1452, ele se torna prior do Convento de Santa Cruz, em Segóvia.

Na época, a Península Ibérica tem mais cristãos novos, judeus convertidos, do que qualquer outra região, fruto da relativa tolerância do Império Andaluz, que durou mais de 700 anos.

Aliado da polícia religiosa dos reis católicos, Fernando II, de Aragão, e Isabel I, de Castela, de quem é confessor, e convencido de que judeus e muçulmanos, mesmo convertidos, são uma ameaça à fé cristã, Torquemada os persegue e influencia políticas públicas discriminatórias.

É "o martelo dos hereges, a luz da Espanha, o salvador do seu país, a honra de sua ordem", nas palavras do cronista espanhol da época Sebastián de Olmedo.

Em agosto de 1483, Torquemada é nomeado Grande Inquisidor de Castela e Leão e, a partir de 17 de outubro, também em Aragão, na Catalunha, em Valência e em Mayorca. Nesta função, ele reorganiza a Inquisição na Espanha, instalada em 1478 em Castela, e cria tribunais em Sevilha, Cidade Real, Córdoba, Jaén e Saragoça.

O Grande Inquisidor promulga, em 1484, 28 artigos de orientação aos inquisidores, que deveriam investigar não apenas crimes de heresia e apostasia, mas também bruxaria, sodomia, poligamia, blasfêmia, usura e outras ofensas. Outros artigos são acrescentados até 1498. A tortura é usada para obter confissões. Tudo em nome de Deus.

Cerca de 2 mil pessoas são queimadas na fogueira durante o reino do terror de Torquemada. Sua hostilidade aos judeus certamente influencia na decisão dos reis católicos de expulsar os judeus da Espanha, em 31 de março de 1492. Em junho de 1494, o papa Alexandre VI nomeia quatro inquisidores assistentes para controlar o Grande Inquisidor.

PEREGRINOS DO MAYFLOWER

    Em 1620, o navio Mayflower sai de Plymouth, na Inglaterra, rumo à colônia da Virgínia, fundada em 1607, com 102 pessoas a bordo, mas tempestades e erros de navegação desviam a embarcação para a costa de Massachusetts, onde eles chegam no Cabo Cod em 21 de novembro.

Os peregrinos do Mayflower, puritanos que fogem das guerras religiosas na Europa, estão entre os fundadores dos Estados Unidos. Na véspera do Natal, desembarcam na baía que batizam de Plymouth, mesmo nome da cidade inglesa de onde zarparam.

Antes de descer em terra firme para se estabelecer na América, os colonos assinam um documento de 200 palavras, o Compacto Mayflower, um dos primeiros instrumentos de governança do que seriam os EUA.

O Mayflower fica na América até abril de 1621, quando volta para a Inglaterra. Depois de outras viagens, é desmantelado. Em 1957, uma réplica do Mayflower fabricada na Inglaterra refaz a viagem em 53 dias.

Depois de resistir durante um ao inverno rigoroso e aos indígenas, com quem a início têm boa relação, os colonos festejam e agradecem a Deus no que é hoje o Dia Nacional de Ação de Graças, uma das datas mais importantes do país.

GRITO DE DOLORES

    Em 1810, o padre católico Miguel Higaldo y Costilla dá o Grito de Dolores, uma declaração lida na cidade de Dolores, hoje parte do estado de Guanajuato, pedindo o fim de 300 anos de dominação espanhola, marco do início da Guerra da Independência do México.

Miguel Hidaldo participa de uma conspiração contra a coroa espanhola durante a ocupação da Espanha por Napoleão Bonaparte na Guerra Peninsular (1807-14). Com o colapso da administração central do Império Espanhol, as colônias latino-americanas proclamam a independência.

Quando a conspiração é traída, ele decide agir imediatamente. Depois de armar populares, ao lado de Ignacio Allende e Juan Aldama, o padre Miguel Hidalgo convoca à rebelião armada contra o Vice-Reino da Nova Espanha, que era o nome da administração colonial do México. 

O texto exato do Grito de Hidalgo não é preservado para a história. Há várias reconstruções. Com certeza, diz: "Longa vida a Nossa Senhora de Guadalupe!", a padroeira do México. "Morte ao mau governo! Morte aos gapuchines!" (espanhóis).

HIdalgo consegue formar um exército popular. Depois de saques, pilhagens e derramamento de sangue, a revolta é derrotada e Higaldo é executado em 30 de julho de 1811. Mas o Grito de Dolores é a faísca que deflagra a Guerra da Independência do México, que vai até 27 de setembro de 1821.

GANDHI INICIA GREVE DE FOME

    Em 1932, preso na cadeia de Yerwada, em Pune, Mohandas Gandhi, o Mahatma (Grande Espírito), o grande herói da independência da Índia, começa uma greve de fome em protesto contra a decisão do Império Britânico de separar o sistema eleitoral por castas.

Sob influências das ideias do escritor e naturalista norte-americano Henry David Thoreau, pioneiro da desobediência civil, e do escritor russo Leon Tolstói, Gandhi lança nos anos 1920 campanhas de resistência pacífica na luta contra o imperialismo, a satiagraha (insistência na verdade).

É preso, solto e convidado para representar o Partido do Congresso numa conferência em Londres. Ao voltar à Índia, em janeiro de 1932, começa nova campanha de desobediência civil.

Com a "greve de fome até a morte", Gandhi repudia a Constituição imposta pelo império, que dá às castas inferiores, aos intocáveis, uma representação política separada por 70 anos. Gandhi alega que a medida consolida a discriminação social no país.

Gandhi vem de uma casta superior, de mercadores, mas defende a emancipação dos harijans (filhos de Deus).

A Índia conquista a independência em 15 de agosto de 1947 e se separa do Paquistão. Gandhi inicia sua última greve de fome em 12 de janeiro de 1948 para pressionar hindus e muçulmanos a cessarem a violência em Nova Déli, a capital do país. 

Menos de duas semanas depois de encerrar o jejum, o extremista hindu Nathuram Godse mata Gandhi com três tiros no peito. Godse era membro do grupo extremista Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), ao qual é ligado o atual primeiro-ministro ultranacionalista hindu Narendra Modi, um neofascista que persegue muçulmanos e ameaça a maior democracia do mundo.

GOLPE DERRUBA PERÓN

    Em 1955, um golpe militar liderado pelo general Eduardo Lonardi, chamado de Revolução Libertadora, derruba o presidente e general Juan Domingo Perón, um líder populista que até hoje domina a política argentina.

Reeleito com 62,5% dos votos em 11 de novembro de 1951, Perón tem um segundo governo muito mais difícil do que o primeiro, quando se beneficia da riqueza acumulada exportando lã e alimentos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Com a crise econômica e sem a carismática e angelical María Eva Duarte de Perón, a Evita, sua segunda mulher, que morre de câncer em 26 de julho de 1952, o caudilho enfrenta a oposição crescente de estudantes, do empresariado e da Igreja Católica.

Depois do golpe, Lonardi, reconhecendo a força do peronismo, tenta fazer um acordo. É afastado e substituído pelo general linha-dura Pedro Aramburu por adiar a desperonização. O Partido Justicialista (peronista) é dissolvido e há intervenção nos sindicatos. É proibido até ter fotos de Perón e Evita em casa.

Perón volta em 1973, é reeleito presidente e governa até a morte, em 1º de maio de 1974. É substituído pela vice-presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. Sem o carisma de Evita, com aumento da atividade das guerrilhas de esquerda e dos grupos paramilitares de direita, o país afunda no caos.

Um novo golpe militar, em 24 de março de 1976, derruba Isabelita e leva à mais sangrenta ditadura da história argentina, com pelo menos 12 mil mortes, que só acaba em 1983, depois da humilhante derrota para o Reino Unido na Guerra das Malvinas (1982).

MORRE MARIA CALLAS

    Em 1977, a soprano norte-americana de origem grega Maria Callas, uma das maiores cantoras de ópera da história, morre do coração em Paris aos 53 anos. Suas cinzas são jogadas no Mar Egeu.

Soprano absoluta, Callas é chamada de Divina pela voz, pela técnica musical e pela interpretação dramática.

Maria Cecilia Sofia Anna Kalogeropoulus nasce em Nova York em 2 de dezembro de 1923, filha de imigrantes. Em dificuldades econômicas, a mãe volta em 1937 para a Grécia, onde Maria estuda canto no Conservatório de Atenas com Elvira de Hidalgo.

Ela se apresenta na Ópera de Atenas na peça Tosca, de Puccini, em 1941. Nos anos 1950, canta regularmente nos grandes teatros de ópera, o Scala, de Milão; o Metropolitan, de Nova York; e a Ópera Real de Covent Garden, no centro de Londres.

A grande diva é temperamental em seu perfeccionismo. Suas brigas públicas ganham tanto espaço no jornal quanto os sucessos operísticos.

 

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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 24 de Agosto

ERUPÇÃO DO VESÚVIO

    No ano 79 da era cristã, o vulcão Vesúvio entra em erupção no que hoje é o Sul da Itália, na época parte do Império Romano, e arrasa as cidades de Herculano e Pompeia, matando milhares de pessoas.

Em 17 minutos, o Vesúvio mata toda a população de Pompeia. As duas cidades são cobertas por uma grossa camada de lava e poeira vulcânica e não são reconstruídas. Ficam praticamente esquecidas até serem redescobertas no século 18.

O Vesúvio é o único vulcão ativo da Europa. A última grande erupção foi em 1631 e a mais recente em 1944. Cerca de 700 mil pessoas vivem em áreas próximas, que seriam atingidas numa grande erupção.

VISIGODOS SAQUEIAM ROMA

    Em 410, Alarico I, rei dos visigodos, é o primeiro líder germânico a tomar Roma, num dos marcos da queda do Império Romano do Ocidente. Depois de três dias de saques, os visigodos deixam a cidade e rumam para o Sul da Itália levando como refém Galla Placidia, irmã do imperador Honório.


Na época, Roma não é mais capital do Império Romano do Ocidente, transferida pela Mediolano (hoje Milão) em 286 e Ravena em 402. É a primeira vez que a Cidade Eterna cai sob o poder de um estrangeiro, desde que o líder gaulês Breno a tomou, em 390 antes de Cristo. 

O imperador Teodósio II, do Império Romano do Oriente, decreta três dias de luto em Constantinopla. São Jerônimo, que vive em Belém, comenta: "A cidade que conquistou o mundo inteiro foi conquistada."

Alguns romanos atribuem o saque à ira dos deuses pagãos tradicionais, abandonados desde que o imperador Constantino acaba com a perseguição aos cristãos, em 313, e o imperador Teodósio I adota o cristianismo como religião oficial do império, em 380.

Os ataques ao cristianismo levam Santo Agostinho a escrever o livro A Cidade de Deus, uma das obras fundamentais do catolicismo.

Um saque ainda mais violento de Roma é feito pelos vândalos, em 455. O Império Romano do Ocidente acaba em 4 de setembro de 476, quando Flávio Odoacro, filho de um príncipe da corte de Átila, o reino dos hunos, depõe o imperador Rômulo Augusto, mais conhecido Augústulo, que significa pequeno Augusto. Odoacro se torna o primeiro rei da Itália.

MASSACRE DA NOITE DE SÃO BARTOLOMEU

    Em 1572, sob pressão da rainha-mãe, Catarina de Medici, o rei Carlos IX da França manda matar os líderes dos protestantes huguenotes em Paris, deflagrando o massacre de dezenas de milhares de huguenotes na noite do Dia de São Bartolomeu.

Dois dias antes, a rainha-mãe ordena o assassinato do almirante Gaspard de Coligny, um líder huguenote, temendo que leve o filho a uma guerra com a Espanha. O almirante, que tem um forte com seu nome na França Antártida, criada pela Invasão Francesa ao Rio de Janeiro em 1555, sai ferido. O rei promete investigar para acalmar os huguenotes. A mãe o convence de que eles estão prestes a se rebelar.

Com o beneplácito da coroa, hordas de católicos sedentos de sangue atacam os huguenotes, primeiro em Paris, depois por toda a França. O rei baixa um decreto no dia 25, mas a matança continua até outubro. Pelo menos 3 mil huguenotes são mortos em Paris e 70 mil em toda a França.

WASHINGTON EM CHAMAS

    Em 1814, durante a Guerra Anglo-Americana de 1812, os britânicos tomam a capital dos Estados Unidos e incendeiam vários prédios públicos, inclusive o Capitólio e a sede do governo, que ainda não se chama Casa Branca.

A Revolução Francesa de 1789 e as guerras napoleônicas (1799-1815) geram instabilidade política nos EUA. Os federalistas admiram o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, e os republicanos simpatizam com a França. O Império Britânico vê uma oportunidade para reconquistar a ex-colônia. Passa a fornecer armas aos indígenas ao sul dos Grandes Lagos e os estimula a atacar os pioneiros que desbravam o Oeste.

Em resposta ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão Bonaparte ao comércio com o Reino Unido, este país, que domina o Oceano Atlântico desde a vitória do almirante Horace Nelson na Batalha de Trafalgar (1805), impede o comércio transatlântico com a França e afunda ou apreende os navios norte-americanos.

Na expectativa de conquistar o Canadá, o presidente James Madison declara guerra ao Reino Unido, aprovada pelo Congresso em 17 de junho de 1812. A guerra começa no dia seguinte. A invasão ao Canadá é repelida. 

Depois da derrota e abdicação de Napoleão em Fontainebleau, em 11 de abril de 1814, o Reino Unido decide lançar uma operação punitiva contra a ex-colônia, sob o comando do general Robert Ross e do almirante George Cochrane.

Uma esquadra de 17 navios leva 4 mil soldados experientes nas guerras da Europa. Eles desembarcam em Benedict, no estado de Maryland, em 19 de agosto de 1814. Sem grande resistência, tomam e incendeiam Washington. A letra do Hino dos EUA é um poema de exaltação à resistência da "terra dos livres e lar dos bravos".

Os britânicos se retiram depois de 26 horas. Menos de quatro dias mais tarde, uma tempestade e um tornado apagam as chamas e causam uma destruição ainda maior. A paz é assinada em Gante, na Bélgica, em 24 de dezembro de 1814, mas os combates só terminam em 24 de maio de 1815 porque alguns generais britânicos não sabem do acordo.

ESPANHA RECONHECE INDEPENDÊNCIA DO MÉXICO

    Em 1821, onze anos depois do início da guerra da independência, o vice-rei espanhol Juan O’Donojú assina o Tratado de Córdoba, um plano para transformar o México em uma monarquia constitucional

A invasão de Napoleão Bonaparte à Espanha, em 1808, na Guerra Peninsular, meses depois de invadir Portugal, deflagra a independência das colônias americanas.

Em 16 de setembro de 1810, o padre Miguel Hidalgo y Costilla dá o Grito de Dolores, proclamando a independência do que até então era a Nova Espanha, com propostas de redistribuição da terra e igualdade racial. Ele é derrotado, capturado e executado, mas a semente da revolta está plantada.

Outros líderes camponeses, José María Morelos y Pavón, Mariano Matamoros e Vicente Guerrero comandam exércitos rebeldes. Por ironia da história, a vitória cabe aos monarquistas, mexicanos conservadores de origem espanhola.

Na falta de uma família real, em 1822, Agustín de Iturbide, o comandante militar rebelde, é proclamado imperador do México. Seu reino é curto. Em 1823, Guadalupe Victoria e Antonio López de Santa Ana o depõe e proclamam a república. Santa Ana perde mais de 40% do território mexicano para os EUA.

SUICÍDIO DE VARGAS

    Em 1954, o presidente Getúlio Vargas se mata com um tiro no peito no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, sob forte pressão da oposição e dos militares desde o atentado da Rua Tonelero contra o deputado Carlos Lacerda, líder da oposição, em 5 de agosto, quando morre o major-aviador Rubens Vaz.

Getúlio Dornelles Vargas nasce em São Borja, no Rio Grande do Sul, em 19 de abril de 1882, e inicia a carreira política como herdeiro de Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros. É eleito deputado estadual em 1909 pelo Partido Republicano Rio-Grandense, deputado federal em 1923 e presidente (assim se chama na época) do Rio Grande do Sul em 1927. Antes, é ministro da Fazenda do presidente Washington Luiz (1926-30) durante um ano.

Em 1930, Vargas disputa a Presidência do Brasil com o paulista Júlio Prestes, candidato da oligarquia café com leite (São Paulo e Minas Gerais), que domina a política na República Velha (1889-1930), e perde. Mas o assassinato de seu candidato a vice-presidente, o governador da Paraíba João Pessoa, um crime passional e não político, em 26 de julho de 1930, leva, em 3 de outubro, à Revolução de 30, Vargas assume a Presidência um mês depois.

São Paulo não aceita a nomeação de um interventor e se rebela. A Revolução Constitucionalista de 1932 não consegue derrubá-lo, mas Getúlio convoca uma Assembleia Constituinte. A Constituição de 1934 introduz o voto feminino e tem vida curta. Em 10 de novembro de 1937, um golpe palaciano cria o Estado Novo, uma ditadura que vai até 29 de outubro de 1945, quando Vargas é deposto sobre pressão dos Estados Unidos.

Getúlio volta eleito pelo povo em 1951 e governa até a morte sob pressão das oligarquias e dos militares. Durante seus governos, além do voto feminino, consolida as leis do trabalho, cria a Companhia Siderúrgica Nacional, a Petrobrás e a Eletrobrás.

Na carta-testamento, Vargas acusa forças ocultas de bloquear o desenvolvimento do Brasil. O suicídio adia por dez anos o golpe militar, que vem em 31 de março de 1964. Antes, há uma tentativa de golpe quando o presidente Jânio Quadros renuncia, em 25 de agosto de 1961, quando o vice-presidente João Goulart está em vista à República Popular da China. O governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, resiste, lança a Campanha da Legalidade e garante a posse de Jango.

Vargas deixa os dois como principais herdeiros políticos, o presidente Goulart (1961-64) e o governador Brizola.

PLUTÃO VIRA ANÃO

    Em 2006, a União Astronômica Internacional decide rebaixar Plutão, até então considerado o nono planeta do sistema solar, para planeta anão.

Plutão é descoberto em 1930 por Clide Tombaugh. Formado por rocha e gelo, tem um quinto da massa da Lua e um terço do volume.

Com a descoberta de vários corpos celestes semelhantes a partir de 1992, sua classificação como planeta passa a ser questionada, especialmente depois da identificação, em 2005, de Éris, outro planeta anão, que tem massa 27% maior.

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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 21 de Agosto

REVOLTA DE ESCRAVOS NOS EUA

    Em 1831, Nat Turner, que se considera enviado por Deus para libertar seu povo, inicia um sangrenta revolta de escravos que mata 60 pessoas no estado da Virgínia.

Com sete aliados, Turner mata seu dono, Joseph Travis, e família. O plano é tomar o arsenal do condado, na cidade de Jerusalém, e fugir por 50 quilômetros até um pântano onde pretendia enganar seus perseguidores.

Durante dois dias e duas noites, os rebeldes atacam fazendas e arregimentam seus escravos para a luta. Cerca de 75 rebeldes matam 60 moradores brancos do Condado de Southampton.

Uma milícia estadual de 3 mil homens esmaga a rebelião quando Turner e os escravos rebelados estão a poucos quilômetros de Jerusalém. O líder escapa. É preso em outubro e enforcado em 11 de novembro em Jerusalém.

Em reação à maior revolta de escravos da história dos EUA, muitos negros inocentes são chacinados e uma série de leis repressivas proíbe o movimento negro, a reunião e a educação de escravos.

ROUBO DA MONA LISA

    Em 1911, um funcionário italiano do Museu do Louvre, em Paris, rouba o quadro mais famoso do mundo, a Gioconda ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, pintado em 1503.

Vincenzo Peruggia aproveita o fechamento do museu numa segunda-feira e o sono de um porteiro para arrancar o quadro da moldura e carregá-lo escondido numa jaqueta. 

Depois de deixar a Mona Lisa escondida debaixo da cama por 28 dias, o ladrão leva o quadro para a Itália por acreditar que a pintura fora roubada numa invasão de Napoleão Bonaparte, que teve a obra pendurada em seu quarto. Na verdade, o rei Francisco I comprou o quadro de Leonardo da Vinci.

Na Itália, Peruggia entra em contato com o florentino Alfredo Geri, dono de um antiquário, e pede 500 mil liras, equivalentes a R$ 440 mil ao câmbio atual, pela pintura célebre. Os dois se encontram no Hotel La Cerratani, hoje Hotel La Gioconda, em Florença. Geri leva junto Giovanni Poggio, diretor da Galeria dos Ofícios, o principal museu da cidade.

Como há muitas falsificações de obras famosas, os dois decidem verificar a autenticidade da obra. Quando veem que é autêntica, denunciam à polícia, que prende Peruggia e recupera o quadro dois anos depois do furto. Antes de voltar a Paris, a Mona Lisa é exposta na Galeria dos Ofícios, em Florença, e no Palácio Farnese e na Galeria Borghese, em Roma.

Desde então, o sorriso da Mona Lisa só saiu do Louvre para ser exposto no Museu de Arte Metropolitano, em Nova York, nos EUA, em 1963, e na Rússia e no Japão, em 1974. Desde 2005, uma caixa de vidro especial protege a obra-prima de Da Vinci, vista por uma média de 30 mil pessoas por dia.

MORTE DE TROTSKY

    Em 1940, morre o líder revolucionário comunista Leon Davidovich Bronstein, mais conhecido como Leon Trotsky, atacado na véspera na sua casa no exílio na Cidade do México pelo agente stalinista espanhol Jaime Ramón Mercader com uma picareta de alpinismo.

Trotsky nasce na Ucrânia numa família judaica. Vira marxista na adolescência e larga a Universidade de Odessa para organizar o Sindicato dos Trabalhadores do Sul da Rússia. Em 1898, é preso por suas atividades políticas. Dois anos depois, é enviado para a Sibéria. Em 1902, foge usando um passaporte falso em nome de Leon Trotsky.

Ele volta à Rússia para participar da Revolução de 1905. É preso e enviado de novo à Sibéria. Em 1907, escapa mais uma vez. Em mais uma década no exílio, Trotsky vive na Suíça, na França, na Espanha e em Nova York antes de voltar à Rússia em 1917, depois que a Revolução de Fevereiro derruba a monarquia.

Como líder do Soviete de Petrogrado, Trotsky tem um papel decisivo na Revolução de Outubro, que leva os bolcheviques ao poder. Nomeado comissário de Relações Exteriores, negocia a paz de Brest-Litovsk com a Alemanha para tirar a Rússia da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Comissário do Povo para Assuntos Militares e Navais, cria e chefia o Exército Vermelho durante a guerra civil que se segue à Revolução Comunista. Também funda o Politburo do Comitê Central do Partido Comunista e se torna um de seus sete membros.

Depois da morte de Lenin, em janeiro de 1924, Trotsky perde a disputa pelo poder com Josef Stalin. Em 1925, deixa de ser comissário da Guerra e, em 1927, é afastado do Politburo.

Expulso da União Soviética em fevereiro de 1929, torna-se o maior crítico do stalinismo até ser morto por Mercader, um agente internacional do Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), a polícia política da URSS no período stalinista. 

HAVAÍ VIRA ESTADO DOS EUA

    Em 1959, o presidente Dwight Eisenhower assina a proclamação que torna o Havaí o 50º estado dos Estados Unidos.

Os primeiros seres humanos chegam ao Arquipélago do Havaí no século 8 da era cristã. Os comerciantes norte-americanos começam a extrair o sândalo, uma madeira muito apreciada na China. A indústria açucareira é introduzida nos anos 1830 e se torna importante na metade do século 19. 

A presença de agricultores e missionários americanos muda a história do Havaí. Em 1893, um grupo de americanos expatriados e plantadores de açúcar depõe a monarquia. No ano seguinte, o Havaí vira protetorado dos EUA.

Depois do uso da base naval de Pearl Harbor durante a Guerra Hispano-Americana, em 1898, quando os EUA tomaram as Filipinas e a ilha de Guam, a anexação formal é aprovada. O ataque do Japão à 7ª Frota Americana em Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941 faz os EUA entrar na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

LÍDER DA INDEPENDÊNCIA DO QUÊNIA SOLTO

    Em 1961, depois de nove anos de prisão, as autoridades coloniais britânicas libertam Jomo Kenyatta, líder do movimento pela independência do Quênia.


 Menos de dois anos depois, em 1º de junho de 1963, o Quênia conquista a independência e Kenyatta se torna primeiro-ministro e, a partir de 1964, presidente até sua morte, em 22 de agosto de 1978.

Sob Kenyatta, o Quênia adere à Organização de Unidade Africana (OUA) e à Comunidade das Nações, a antiga Comunidade Britânica, e se alia ao Ocidente durante a Guerra Fria. 

Seu governo é acusado de ditatorial, autoritário, corrupto e neocolonial ao privilegiar os kikuyos sobre outras etnias, mantendo a hierarquia social imposta pelo Império Britânico.

INDEPENDÊNCIA DA LETÔNIA

    Em 1991, no dia do colapso do golpe da linha-dura contra o presidente Mikhail Gorbachev, a Letônia declara independência da União Soviética.

A República da Letônia proclama a independência em 18 de novembro de 1918, depois da derrota da Rússia para a Alemanha na Primeira Guerra Mundial (1914-18), em meio ao caos da guerra civil deflagrada pela Revolução Bolchevique.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a União Soviética de Josef Stalin invade e anexa a Letônia em 1940 com base no Pacto Germano-Soviético, assinado em 23 de agosto de 1939, dias antes do início do conflito. Milhares de letões são presos, assassinados ou deportados. 

Para consolidar a anexação, a URSS promove uma migração em massa de russos, que são hoje cerca de 27% da população de 1,8 milhão de habitantes, o que gera um risco de invasão da Rússia.

Com a abertura política promovida por Gorbachev na URSS, a Frente Popular da Letônia é fundada em Riga em 8 de outubro de 1988 para lutar pela independência.  

A Letônia entra para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 29 de março de 2004 e para a União Europeia em 1º de maio do mesmo ano. 

É um dos países mais determinados da aliança militar liderada pelos Estados Unidos no apoio contra a invasão da ex-república soviética da Ucrânia pela Rússia.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Agosto

INÍCIO DA ESCRAVIDÃO NOS EUA

     Em 1619, os primeiros escravos africanos são vendidos na colônia de Jamestown, na Virgínia, no início da escravidão no que hoje são os Estados Unidos.


São mais de 20 angolanos capturados por traficantes de escravos portugueses atacados por piratas em busca de ouro. Quando os piratas veem que são escravos, os vendem aos colonos norte-americanos.

A colônia de Jamestown, fundada em 1607 e batizada em homenagem ao rei Jaime I da Inglaterra e Jaime VI na Escócia, tem cerca de 700 habitantes em 1619.

Os escravos são capturados pelos traficantes portugueses nos reinos africanos do Kongo e de Ndongo e embarcados no navio San Juan Bautista, que os levaria a Veracruz, na colônia espanhola da Nova Espanha, hoje México.

Na travessia do Oceano Atlântico, cerca de 150 dos 350 escravos morrem. Dois navios piratas, o Leão Branco e o Tesoureiro, atacam o navio negreiro e tomam 60 escravos. O Leão Branco troca-os por comida em Jamestown.

O tráfico de escravos captura mais de 12 milhões de africanos. A maior parte (5 milhões) vem para o Brasil, outros 3 milhões para a região do Mar do Caribe e 600 mil para os EUA.

DESCOBERTA DO ALASCA

    Em 1741, em viagem a serviço da Rússia, o explorador dinamarquês Vitus Bering encontra  o Alasca.

Bering nasce em Horsens, na Dinamarca, em 1681. Depois de uma viagem às Índias Orientais, ele entra para a frota do czar Pedro I, o Grande, como subtenente.

Em 1724, o czar o nomeia capitão de uma expedição para determinar se a Ásia está ligada à América do Norte ou se existe uma passagem que permita chegar a China contornando os limites da Sibéria.

A expedição parte da Península de Kamchatka em 13 de julho de 1728. Em agosto, passa pelo Estreito de Bering e chega ao Oceano Glacial Ártico. O mau tempo não deixa avistar a América do Norte, mas ele conclui que os dois continentes não estão ligados por terra.

Durante o reinado da imperatriz Ana, Bering integra a Grande Expedição do Norte (1733-43), que mapeia a costa ártica da Sibéria. Em 4 de junho de 1741, ele zarpa de Kamchatka com o navio Saint Peter, enquanto Alexei Chirikov comanda o Saint Paul. Uma tempestade afasta os dois navios. 

Chirikov descobre várias Ilhas Aleutas e Bering chega ao Golfo do Alasca em 20 de agosto. Com escorbuto, Bering perde a capacidade de comandar o navio, destruído durante uma tempestade no porto da Ilha de Bering em novembro. Ele morre em 19 de dezembro de 1741 na Ilha de Bering, batizada em sua homenagem, assim como o estreito por onde se acredita que o homem chegou à America há 24 mil anos. Os sobreviventes conseguem chegar à Sibéria e falar das possibilidades do comércio de peles do Alasca e das Aleutas.

Em 1784, o comerciante de peles russo Grigory Chelikhov funda na ilha de Kodiak a Baía de Três Santos, o primeiro assentamento permanente da Rússia no Alasca. Depois da derrota na Guerra da Crime (1853-56), a Rússia vende o Alasca para os Estados Unidos em 1867.

O negócio é defendido pelo secretário de Estado, William Seward, que enfrenta forte oposição por se tratar de um deserto gelado.

Seward oferece US$ 7,2 milhões e os EUA assumem o controle do território em 18 de outubro de 1867. O negócio é chamado de "loucura de Seward".

A descoberta de ouro no Território de Yukon, no Canadá, em 16 de agosto de 1896 deflagra uma corrida do ouro que inclui o Alasca, a maior da história da América. Cerca de 100 mil garimpeiros vão para a região. A "loucura de Seward" se paga com alto lucro.

QUEDA DE BRUXELAS

    Em 1914, a Alemanha toma Bruxelas, a capital da Bélgica, na invasão inicial da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Com a Europa em crise depois do assassinato do herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando, em Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho, a Bélgica reafirma sua neutralidade em 24 de agosto.

A guerra começa em 28 de julho, quando a Áustria-Hungria ataca a Sérvia. A Alemanha, aliada da Áustria-Hungria, invade Luxemburgo em 2 de agosto e exige passagem livre para suas tropas pelo território belga para atacar a França.

Diante da recusa, a Alemanha declara guerra à Belgica e invade o país em 4 de agosto, Começa a Batalha de Liège, que cai em 7 de agosto. Depois das batalhas de Mons e de Charleroi, os exércitos alemães seguem em marcha rumo à França. 

ASSASSINATO DE TROTSKY

    Em 1940, o agente stalinista Jaime Ramón Mercader ataca com uma picareta de alpinismo o líder revolucionário comunista Leon Davidovich Bronstein, mais conhecido como Leon Trotsky, que morre no dia seguinte, na sua casa no exílio na Cidade do México.

Trotsky nasce em Ianovka, na Ucrânia, numa família judaica em 7 de novembro de 1879. Vira marxista na adolescência e larga a Universidade de Odessa para organizar o Sindicato dos Trabalhadores do Sul da Rússia. 

Em 1898, é preso por suas atividades políticas. Dois anos depois, é enviado para a Sibéria. Em 1902, foge usando um passaporte falso em nome de Leon Trotsky.

Ele volta à Rússia para participar da Revolução de 1905. É preso e enviado de novo à Sibéria. Em 1907, escapa mais uma vez. Em mais uma década no exílio, Trotsky vive na Suíça, na França, na Espanha e em Nova York antes de voltar à Rússia em 1917, depois que a Revolução de Fevereiro derruba a monarquia.

Como líder do Soviete de Petrogrado, Trotsky tem um papel decisivo na Revolução de Outubro, que leva os bolcheviques ao poder. Nomeado comissário de Relações Exteriores, negocia a paz de Brest-Litovsk com a Alemanha para tirar a Rússia da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Comissário do Povo para Assuntos Militares e Navais, cria e chefia o Exército Vermelho durante a guerra civil que se segue à Revolução Comunista. Também funda o Politburo do Comitê Central do Partido Comunista e se torna um de seus sete membros.

Depois da morte de Lenin, em 21 de janeiro de 1924, Trotsky perde a disputa pelo poder com Josef Stalin. Em 1925, deixa de ser comissário da Guerra e, em 1927, é afastado do Politburo.

Expulso da União Soviética em fevereiro de 1929, torna-se o maior crítico do stalinismo até ser morto pelo comunista espanhol Ramón Mercader, um agente internacional do Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), a polícia política da URSS no período stalinista.

INDEPENDÊNCIA DO SENEGAL

    Em 1960, a República do Senegal se separa da Federação do Mali e se torna totalmente independente.

No fim do século 19, o que hoje é o Senegal é integrado à África Ocidental Francesa. Em 1946, o país é elevado à categoria de território ultramarino francês. A antiga colônia se torna uma república autônoma em 1958. 

Um ano depois, adere ao Sudão Francês, hoje Mali, para formar a Federação do Mali, que proclama a independência em junho de 1960. Em 20 de agosto, o Senegal se separa e Leopold Sédar Senghor (foto) se torna seu primeiro presidente.

INVASÃO DA TCHECO-ESLOVÁQUIA

    Em 1968, 200 mil soldados e 5 mil tanques do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela União Soviética, invadem a Tcheco-Eslováquia e acabam com a Primavera de Praga, uma tentativa do líder Alexander Dubcek de humanizar o regime comunista.

Os comunistas tomam o poder na Tcheco-Eslováquia em 1948, num golpe apoiado pelo ditador soviético Josef Stalin, e impõem um regime stalinista, padrão na Europa Oriental, ocupada pelo Exército Vermelho no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A linha dura domina o país até os anos 1960, quando há uma liberalização do regime que atinge o auge sob Dubcek, eleito primeiro-secretário do Partido Comunista em 5 de janeiro de 1968. As tentativas de descentralizar a administração e a economia, e de democratizar o regime criando um "socialismo com face humana" desagradam ao Kremlin.

Os tcheco-eslovacos protestam e resistem à invasão. Vários jovens se autoimolam e morrem queimados na luta pela liberdade, mas são impotentes contra os tanques soviéticos. 

A Tcheco-Eslováquia permanece sob o controle da URSS até a queda do regime comunista na Revolução de Veludo, em novembro de 1989. Os tanques soviéticos só deixam o país em 1991, quando acaba a URSS.

No Divórcio de Veludo, em 1º de janeiro de 1993, o país se divide em República Tcheca e Eslováquia.

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