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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 18 de Dezembro

 MAYFLOWER IN PLYMOUTH

    Em 1620, depois de longa e tempestuosa viagem, os peregrinos do Mayflower ancoram onde hoje fica Plymouth, no estado de Massachusetts, para fundar uma colônia no Novo Mundo.

A história começa em 1606, quando um grupo de protestantes reformistas decide criar sua própria igreja. Acusados de traição, eles fogem para a Holanda. Doze anos depois, recebem ajuda de mercadores britânicos para criar uma colônia na América.

Os 102 peregrinos do Mayflower zarpam em 6 de setembro de 1620 pensando em chegar à colônia da Virgínia, mas o mau tempo desvia o navio para o norte. O nome Peregrinos do Mayflower é dado por William Bradford, primeiro governador da nova colônia.

Em 11 de novembro, o Mayflower chega ao Cabo Cod. Antes de irem para a terra em busca de um porto seguro, 41 peregrinos assinam um documento se comprometendo a criar um governo por consenso e a cumprir as leis da nova colônia.

Era 10 de dezembro quando um grupo descobre uma enseada e volta ao Mayflower. Com o mau tempo, o navio só aporta no dia 18.

Durante um inverno brutal, 50 peregrinos morrem. O Mayflower volta para a Inglaterra em 5 de abril de 1621. Um ano depois da chegada, os peregrinos festejam sua sobrevivência no primeiro Dia Nacional de Ação de Graças.

FIM OFICIAL DA ESCRAVIDÃO NOS EUA

    Em 1865, com a ratificação por três quartos dos estados, como exige a Constituição dos Estados Unidos, entra em vigor a 13ª Emenda, determinando que "nem a escravidão nem a servidão involuntária deve existir nos EUA ou em qualquer lugar submetido a sua jurisdição."

Antes da Guerra da Secessão (1861-65), o presidente Abraham Lincoln e a ala abolicionista do Partido Republicano querem apenas evitar que a escravidão avance para os novos estados e territórios do Oeste. Isto é inaceitável para os estados do Sul.

Em novembro de 1860, quando Lincoln é eleito, sete estados do Sul formam os Estados Confederados da América para sair da União e manter a escravatura. A Guerra Civil começa em 12 abril de 1861, pouco mais de um mês depois da posse do novo presidente, em 4 de março.

A Proclamação de Emancipação, em 1º de janeiro de 1863, transforma a guerra para manter a União numa luta pela abolição da escravatura. Esta mudança desestimula a França e o Reino Unido a apoiar o Sul e permite ao Norte alistar 180 mil soldados negros para a guerra.

Dois terços do Senado aprovam a 13ª Emenda em abril de 1864, mas a Câmara, que tinha uma grande bancada democrata, só faz isso em janeiro de 1865, três meses antes da rendição do comandante militar da Confederação, general Robert Lee, em Appotomax, em 9 de abril.

Em 2 de dezembro, o Alabama torna-se o 27º estado a ratificar a emenda, precondição para voltar à União, completando os três quartos exigidos pela Constituição. No dia 18 de dezembro, 246 anos depois que o primeiro grupo de escravos chegou à colônia de Jamestown, na Virgínia, a 13ª Emenda entra em vigor.

O QUEBRA-NOZES ESTREIA EM SÃO PETERSBURGO

    Em 1892, o balé O Quebra-Nozes, do compositor Peter Tchaikovsky (foto), estreia no Teatro Mariinsky, em São Petersburgo, a capital imperial da Rússia.

 A peça se baseia no livro O Quebra-Nozes e o Rei Camundongo, do escritor alemão Ernest Theodor Amadeus Hoffmann, sobre uma menina que fica amiga de um quebra-nozes que se torna vivo na véspera do Natal e a ajuda a enfrentar o rei malvado. É um livro sombrio. O coreógrafo Marius Petipa, do Balé Imperial da Rússia preferiu seguir uma adaptação mais leve feita pelo francês Alexandre Dumas.

Tchaikovsky começa a compor em fevereiro de 1891 e continua durante uma excursão pelos EUA em que participa da inauguração do Carnegie Hall, em Nova York. Na volta, em Paris, descobre um novo instrumento, a celesta, que será usado em O Quebra-Nozes.

É a terceira peça de Tchaikovsky para balé, depois de O Lago dos Cisnes e A Bela Adormecida. A crítica é feroz. O compositor morre antes de ver o sucesso de O Quebra-Nozes, o balé mais apresentado no mundo, uma introdução à música clássica para muitos jovens. Como é uma história natalina, é muito encenado na época do Natal.


FIM DA BATALHA DE VERDUN

    Em 1916, depois de 10 meses e 1 milhão de baixas, termina a Batalha de Verdun, a mais longa da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

É uma das maiores batalhas da história e uma das mais arrasadoras da guerra. É um símbolo da resistência francesa e dos horrores da guerra industrial da era moderna, conhecida como o "moedor de carne de Verdun",

O combate começa em 21 de fevereiro, quando a Alemanha ataca o Exército da França em Verdun, na margem do Rio Meuse. O comandante militar alemão, general Erich von Falkenhayn, considera o Exército francês mais fraco do que o britânico e acredita que uma derrota levará os aliados a negociar a paz.

LÍDER DA OPOSIÇÃO ELEITO PRESIDENTE DA COREIA DO SUL

    Em 1997, Kim Dae Jung, que chega a ser preso e condenado a morte pela ditadura militar, é o primeiro líder da oposição a se eleger presidente da Coreia do Sul.
Kim nasce em 8 de janeiro de 1924 na ilha de Haui, no condado de Sinã, hoje parte da Coreia do Sul. Ele se forma como melhor aluno num curso comercial de ensino médio. Em 1943, entra para uma empresa japonesa da qual se torna dono em 1945. Durante a Guerra da Coreia (1950-53), é preso e condenado à morte pelos comunistas, mas consegue escapar.

Nos anos 1950, Kim se torna um militante pela democracia. Em 1954, critica as políticas autoritárias do ditador Syngman Rhee. Na quinta tentativa, ele se elege deputado em 1961, mas as eleições são anuladas por um golpe militar do general Park Chung Hee, que governa a Coreia do Sul até ser assassinado em 26 de outubro de 1979.

Durante a ditadura de Park, Kim, um brilhante orador de 40 anos quando perde o mandato, vira o principal líder da oposição. Ele se candidata a presidente contra Park em 1971 e perde com 40% dos votos. Em 1973, é sequestrado num hotel em Tóquio pela Agência Central de Inteligência da Coreia (KCIA) e levado de volta à Coreia do Sul. Em 1976, é preso por ser um ativista pró-democracia. Sai da prisão domiciliar em 1979, dois meses antes da morte de Park.

Kim Dae Jung é preso de novo em maio de 1980 por sedição e conspiração. É condenado à morte, mas o ditador Chun Doo Hwan comuta a pena, inicialmente para prisão perpétua e depois para 20 anos. Ele vai se tratar nos EUA em 1982 e fica exilado.

Ao voltar à Coreia do Sul, em 1985, Kim reassume a posição de líder da oposição. Ele concorre à Presidência e perde em 1987 e 1992. Em 1995, funda um novo partido, o Congresso Nacional por uma Nova Política, e finalmente conquista a vitória em 1997.

No poder, ele faz um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para recuperar a economia sul-coreana depois da Crise da Ásia e melhora as relações com a Coreia do Norte. Sua política do brilho do sol permite que sul-coreanos visitem o Norte e reduz as restrições para investimentos no Norte.

De 13 a 15 de junho de 2000, Kim Dae Jung se encontra com o ditador norte-coreano Kim Jong Il na primeira reunião de cúpula entre os líderes das duas Coreias.

Como a Coreia do Sul não tem reeleição para presidente, Kim deixa o poder em 2003. Ele morre em Seul em 18 de agosto de 2009 aos 85 anos.

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terça-feira, 16 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 16 de Setembro

GRANDE INQUISIDOR

    Em 1498, morre em Ávila, na Espanha, aos 78 anos o Grande Inquisidor espanhol Tomás de Torquemada, o maior símbolo do fanatismo religioso e do terror do Santo Ofício.

Torquemada nasce em Valladolid, no reino de Castela, em 14 de outubro de 1420. Sobrinho de Juan de Torquemada, um cardeal e teólogo dominicano, Tomás entra para a ordem dominicana. Em 1452, ele se torna prior do Convento de Santa Cruz, em Segóvia.

Na época, a Península Ibérica tem mais cristãos novos, judeus convertidos, do que qualquer outra região, fruto da relativa tolerância do Império Andaluz, que durou mais de 700 anos.

Aliado da polícia religiosa dos reis católicos, Fernando II, de Aragão, e Isabel I, de Castela, de quem é confessor, e convencido de que judeus e muçulmanos, mesmo convertidos, são uma ameaça à fé cristã, Torquemada os persegue e influencia políticas públicas discriminatórias.

É "o martelo dos hereges, a luz da Espanha, o salvador do seu país, a honra de sua ordem", nas palavras do cronista espanhol da época Sebastián de Olmedo.

Em agosto de 1483, Torquemada é nomeado Grande Inquisidor de Castela e Leão e, a partir de 17 de outubro, também em Aragão, na Catalunha, em Valência e em Mayorca. Nesta função, ele reorganiza a Inquisição na Espanha, instalada em 1478 em Castela, e cria tribunais em Sevilha, Cidade Real, Córdoba, Jaén e Saragoça.

O Grande Inquisidor promulga, em 1484, 28 artigos de orientação aos inquisidores, que deveriam investigar não apenas crimes de heresia e apostasia, mas também bruxaria, sodomia, poligamia, blasfêmia, usura e outras ofensas. Outros artigos são acrescentados até 1498. A tortura é usada para obter confissões. Tudo em nome de Deus.

Cerca de 2 mil pessoas são queimadas na fogueira durante o reino do terror de Torquemada. Sua hostilidade aos judeus certamente influencia na decisão dos reis católicos de expulsar os judeus da Espanha, em 31 de março de 1492. Em junho de 1494, o papa Alexandre VI nomeia quatro inquisidores assistentes para controlar o Grande Inquisidor.

PEREGRINOS DO MAYFLOWER

    Em 1620, o navio Mayflower sai de Plymouth, na Inglaterra, rumo à colônia da Virgínia, fundada em 1607, com 102 pessoas a bordo, mas tempestades e erros de navegação desviam a embarcação para a costa de Massachusetts, onde eles chegam no Cabo Cod em 21 de novembro.

Os peregrinos do Mayflower, puritanos que fogem das guerras religiosas na Europa, estão entre os fundadores dos Estados Unidos. Na véspera do Natal, desembarcam na baía que batizam de Plymouth, mesmo nome da cidade inglesa de onde zarparam.

Antes de descer em terra firme para se estabelecer na América, os colonos assinam um documento de 200 palavras, o Compacto Mayflower, um dos primeiros instrumentos de governança do que seriam os EUA.

O Mayflower fica na América até abril de 1621, quando volta para a Inglaterra. Depois de outras viagens, é desmantelado. Em 1957, uma réplica do Mayflower fabricada na Inglaterra refaz a viagem em 53 dias.

Depois de resistir durante um ao inverno rigoroso e aos indígenas, com quem a início têm boa relação, os colonos festejam e agradecem a Deus no que é hoje o Dia Nacional de Ação de Graças, uma das datas mais importantes do país.

GRITO DE DOLORES

    Em 1810, o padre católico Miguel Higaldo y Costilla dá o Grito de Dolores, uma declaração lida na cidade de Dolores, hoje parte do estado de Guanajuato, pedindo o fim de 300 anos de dominação espanhola, marco do início da Guerra da Independência do México.

Miguel Hidaldo participa de uma conspiração contra a coroa espanhola durante a ocupação da Espanha por Napoleão Bonaparte na Guerra Peninsular (1807-14). Com o colapso da administração central do Império Espanhol, as colônias latino-americanas proclamam a independência.

Quando a conspiração é traída, ele decide agir imediatamente. Depois de armar populares, ao lado de Ignacio Allende e Juan Aldama, o padre Miguel Hidalgo convoca à rebelião armada contra o Vice-Reino da Nova Espanha, que era o nome da administração colonial do México. 

O texto exato do Grito de Hidalgo não é preservado para a história. Há várias reconstruções. Com certeza, diz: "Longa vida a Nossa Senhora de Guadalupe!", a padroeira do México. "Morte ao mau governo! Morte aos gapuchines!" (espanhóis).

HIdalgo consegue formar um exército popular. Depois de saques, pilhagens e derramamento de sangue, a revolta é derrotada e Higaldo é executado em 30 de julho de 1811. Mas o Grito de Dolores é a faísca que deflagra a Guerra da Independência do México, que vai até 27 de setembro de 1821.

GANDHI INICIA GREVE DE FOME

    Em 1932, preso na cadeia de Yerwada, em Pune, Mohandas Gandhi, o Mahatma (Grande Espírito), o grande herói da independência da Índia, começa greve de fome de protesto contra a decisão do Império Britânico de separar o sistema eleitoral por castas.

Sob influências das ideias do escritor e naturalista norte-americano Henry David Thoreau, pioneiro da desobediência civil, e do escritor russo Leon Tolstói, Gandhi lança nos anos 1920 campanhas de resistência pacífica na luta contra o imperialismo, a satiagraha (insistência na verdade).

É preso, solto e convidado para representar o Partido do Congresso numa conferência em Londres. Ao voltar à Índia, em janeiro de 1932, começa nova campanha de desobediência civil.

Com a "greve de fome até a morte", Gandhi repudia a Constituição imposta pelo império, que dá às castas inferiores, aos intocáveis, uma representação política separada por 70 anos. Gandhi alega que a medida consolida a discriminação social no país.

Gandhi vem de uma casta superior, de mercadores, mas defende a emancipação dos harijans (filhos de Deus).

A Índia conquista a independência em 15 de agosto de 1947 e se separa do Paquistão. Gandhi inicia sua última greve de fome em 12 de janeiro de 1948 para pressionar hindus e muçulmanos a cessarem a violência em Nova Déli, a capital do país. 

Menos de duas semanas depois de encerrar o jejum, o extremista hindu Nathuram Godse mata Gandhi com três tiros no peito. Godse era membro do grupo extremista Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), ao qual é ligado o atual primeiro-ministro ultranacionalista hindu Narendra Modi, um neofascista que persegue muçulmanos e ameaça a maior democracia do mundo.

GOLPE DERRUBA PERÓN

    Em 1955, um golpe militar liderado pelo general Eduardo Lonardi, chamado de Revolução Libertadora, derruba o presidente e general Juan Domingo Perón, um líder populista que até hoje domina a política argentina.

Reeleito com 62,5% dos votos em 11 de novembro de 1951, Perón tem um segundo governo muito mais difícil do que o primeiro, quando se beneficia da riqueza acumulada exportando lã e alimentos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Com a crise econômica e sem a carismática e angelical María Eva Duarte de Perón, a Evita, sua segunda mulher, que morre de câncer em 26 de julho de 1952, o caudilho enfrenta a oposição crescente de estudantes, do empresariado e da Igreja Católica.

Depois do golpe, Lonardi, reconhecendo a força do peronismo, tenta fazer um acordo. É afastado e substituído pelo general linha-dura Pedro Aramburu por adiar a desperonização. O Partido Justicialista (peronista) é dissolvido e há intervenção nos sindicatos. É proibido até ter fotos de Perón e Evita em casa.

Perón volta em 1973, é reeleito presidente e governa até a morte, em 1º de maio de 1974. É substituído pela vice-presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. Sem o carisma de Evita, com aumento da atividade das guerrilhas de esquerda e dos grupos paramilitares de direita, o país afunda no caos.

Um novo golpe militar, em 24 de março de 1976, derruba Isabelita e leva à mais sangrenta ditadura da história argentina, com cerca de 30 mil mortes, que só acaba em 1983, depois da humilhante derrota para o Reino Unido na Guerra das Malvinas (1982).

MORRE MARIA CALLAS

    Em 1977, a soprano norte-americana de origem grega Maria Callas, uma das maiores cantoras de ópera da história, morre do coração em Paris aos 53 anos. Suas cinzas são jogadas no Mar Egeu.

Soprano absoluta, Callas é chamada de Divina pela voz, pela técnica musical e pela interpretação dramática.

Maria Cecilia Sofia Anna Kalogeropoúlus nasce em Nova York em 2 de dezembro de 1923, filha de imigrantes. Em dificuldades econômicas, a mãe volta em 1937 para a Grécia, onde Maria estuda canto no Conservatório de Atenas com Elvira de Hidalgo.

Ela se apresenta na Ópera de Atenas na peça Tosca, de Puccini, em 1941. Nos anos 1950, canta regularmente nos grandes teatros de ópera, o Scala, de Milão; o Metropolitan, de Nova York; e a Ópera Real de Covent Garden, no centro de Londres.

A grande diva é temperamental em seu perfeccionismo. Suas brigas públicas ganham tanto espaço no jornal quanto os sucessos operísticos.

 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 18 de Dezembro

 MAYFLOWER IN PLYMOUTH

    Em 1620, depois de longa e tempestuosa viagem, os peregrinos do Mayflower ancoram onde hoje fica Plymouth, no estado de Massachusetts, para fundar uma colônia no Novo Mundo.

A história começa em 1606, quando um grupo de protestantes reformistas decide criar sua própria igreja. Acusados de traição, eles fogem para a Holanda. Doze anos depois, recebem ajuda de mercadores britânicos para criar uma colônia na América.

Os 102 peregrinos do Mayflower zarpam em 6 de setembro de 1620 pensando em chegar à colônia da Virgínia, mas o mau tempo desvia o navio para o norte. O nome Peregrinos do Mayflower é dado por William Bradford, primeiro governador da nova colônia.

Em 11 de novembro, o Mayflower chega ao Cabo Cod. Antes de irem para a terra em busca de um porto seguro, 41 peregrinos assinam um documento se comprometendo a criar um governo por consenso e a cumprir as leis da nova colônia.

Era 10 de dezembro quando um grupo descobre uma enseada e volta ao Mayflower. Com o mau tempo, o navio só aporta no dia 18.

Durante um inverno brutal, 50 peregrinos morrem. O Mayflower volta para a Inglaterra em 5 de abril de 1621. Um ano depois da chegada, os peregrinos festejam sua sobrevivência no primeiro Dia Nacional de Ação de Graças.

FIM OFICIAL DA ESCRAVIDÃO NOS EUA

    Em 1865, com a ratificação por três quartos dos estados, como exige a Constituição dos Estados Unidos, entra em vigor a 13ª Emenda, determinando que "nem a escravidão nem a servidão involuntária deve existir nos EUA ou em qualquer lugar submetido a sua jurisdição."

Antes da Guerra da Secessão (1861-65), o presidente Abraham Lincoln e a ala abolicionista do Partido Republicano querem apenas evitar que a escravidão avance para os novos estados e territórios do Oeste. Isto é inaceitável para os estados do Sul.

Em novembro de 1860, quando Lincoln é eleito, sete estados do Sul formam os Estados Confederados da América para sair da União e manter a escravatura. A Guerra Civil começa em 12 abril de 1861, pouco mais de um mês depois da posse do novo presidente, em 4 de março.

A Proclamação de Emancipação, em 1º de janeiro de 1863, transforma a guerra para manter a União numa luta pela abolição da escravatura. Esta mudança desestimula a França e o Reino Unido a apoiar o Sul e permite ao Norte alistar 180 mil soldados negros para a guerra.

Dois terços do Senado aprovam a 13ª Emenda em abril de 1864, mas a Câmara, que tinha uma grande bancada democrata, só faz isso em janeiro de 1865, três meses antes da rendição do comandante militar da Confederação, general Robert Lee, em Appotomax, em 9 de abril.

Em 2 de dezembro, o Alabama torna-se o 27º estado a ratificar a emenda, precondição para voltar à União, completando os três quartos exigidos pela Constituição. No dia 18 de dezembro, 246 anos depois que o primeiro grupo de escravos chegou à colônia de Jamestown, na Virgínia, a 13ª Emenda entra em vigor.

FIM DA BATALHA DE VERDUN

    Em 1916, depois de 10 meses e 1 milhão de baixas, termina a Batalha de Verdun, a mais longa da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

É uma das maiores batalhas da história e uma das mais arrasadoras da guerra. É um símbolo da resistência francesa e dos horrores da guerra industrial da era moderna, conhecida como o "moedor de carne de Verdun",

O combate começa em 21 de fevereiro, quando a Alemanha ataca o Exército da França em Verdun, na margem do Rio Meuse. O comandante militar alemão, general Erich von Falkenhayn, considera o Exército francês mais fraco do que o britânico e acredita que uma derrota levará os aliados a negociar a paz.

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 16 de Setembro

 GRANDE INQUISIDOR

    Em 1498, morre em Ávila, na Espanha, aos 78 anos o Grande Inquisidor espanhol Tomás de Torquemada, o maior símbolo do fanatismo religioso e do terror do Santo Ofício.

Torquemada nasce em Valladolid, no reino de Castela, em 14 de outubro de 1420. Sobrinho de Juan de Torquemada, um cardeal e teólogo dominicano, Tomás entra para a ordem dominicana. Em 1452, ele se torna prior do Convento de Santa Cruz, em Segóvia.

Na época, a Península Ibérica tem mais cristãos novos, judeus convertidos, do que qualquer outra região, fruto da relativa tolerância do Império Andaluz, que durou mais de 700 anos.

Aliado da polícia religiosa dos reis católicos, Fernando II, de Aragão, e Isabel I, de Castela, de quem é confessor, e convencido de que judeus e muçulmanos, mesmo convertidos, são uma ameaça à fé cristã, Torquemada os persegue e influencia política públicas discriminatórias.

É "o martelo dos hereges, a luz da Espanha, o salvador do seu país, a honra de sua ordem", nas palavras do cronista espanhol da época Sebastián de Olmedo.

Em agosto de 1483, Torquemada é nomeado Grande Inquisidor de Castela e Leão e, a partir de 17 de outubro, também em Aragão, na Catalunha, em Valência e em Mayorca. Nesta função, ele reorganiza a Inquisição na Espanha, instalada em 1478 em Castela, e cria tribunais em Sevilha, Cidade Real, Córdoba, Jaén e Saragoça.

O Grande Inquisidor promulga, em 1484, 28 artigos de orientação aos inquisidores, que deveriam investigar não apenas crimes de heresia e apostasia, mas também bruxaria, sodomia, poligamia, blasfêmia, usura e outras ofensas. Outros artigos são acrescentados até 1498. A tortura é usada para obter confissões. Tudo em nome de Deus.

Cerca de 2 mil pessoas são queimadas na fogueira durante o reino do terror de Torquemada. Sua hostilidade aos judeus certamente influencia na decisão dos reis católicos de expulsar os judeus da Espanha, em 31 de março de 1492. Em junho de 1494, o papa Alexandre VI nomeia quatro inquisidores assistentes para controlar o Grande Inquisidor.

PEREGRINOS DO MAYFLOWER

    Em 1620, o navio Mayflower sai de Plymouth, na Inglaterra, rumo à colônia da Virgínia, fundada em 1607, com 102 pessoas a bordo, mas tempestades e erros de navegação desviam a embarcação para a costa de Massachusetts, onde chegam no Cabo Cod, em 21 de novembro.

Os peregrinos do Mayflower, puritanos que fogem das guerras religiosas na Europa, estão entre os fundadores dos Estados Unidos. Na véspera do Natal, desembarcam na baía que batizam de Plymouth, mesmo nome da cidade inglesa de onde zaparam.

Antes de descer em terra firme para se estabelecer na América, os colonos assinam um documento de 200 palavras, o Compacto Mayflower, um dos primeiros instrumentos de governança do que seriam os EUA.

O Mayflower fica na América até abril de 1621, quando volta para a Inglaterra. Depois de outras viagens, é desmantelado. Em 1957, uma réplica do Mayflower fabricada na Inglaterra refaz a viagem em 53 dias.

Depois de resistir durante um ao inverno rigoroso e aos índios, com quem a início têm boa relação, os colonos festejam e agradecem a Deus no que é hoje o Dia Nacional de Ação de Graças, uma das datas mais importantes do país.

GRITO DE DOLORES

    Em 1810, o padre católico Miguel Higaldo y Costilla dá o Grito de Dolores, uma declaração lida na cidade de Dolores, hoje parte do estado de Guanajuato, pedindo o fim de 300 anos de dominação espanhola, marco do início da Guerra da Independência do México.

Miguel Hidaldo participa de uma conspiração contra a coroa espanhola durante a ocupação da Espanha por Napoleão Bonaparte na Guerra Peninsular (1807-14). Com o colapso da administração central do Império Espanhol, as colônias latino-americanas proclamam a independência.

Quando a conspiração é traída, ele decide agir imediatamente. Depois de armar populares, ao lado de Ignacio Allende e Juan Aldama, o padre Miguel Hidalgo convoca à rebelião armada contra o Vice-Reino da Nova Espanha, que era o nome da administração colonial do México. 

O texto exato do Grito de Hidalgo não é preservado para a história. Há várias reconstruções. Com certeza, diz: "Longa vida a Nossa Senhora de Guadalupe!", a padroeira do México. "Morte ao mau governo! Morte aos gapuchines!" (espanhóis).

HIdalgo consegue formar um exército popular. Depois de saques, pilhagens e derramamento de sangue, a revolta é derrotada e Higaldo é executado em 30 de julho de 1811. Mas o Grito de Dolores é a faísca que deflagra a Guerra da Independência do México, que vai até 27 de setembro de 1821.

GANDHI INICIA GREVE DE FOME

    Em 1932, preso na cadeia de Yerwada, em Pune, Mohandas Gandhi, o Mahatma (Grande Espírito), o grande herói da independência da Índia, começa greve de fome de protesto contra a decisão do Império Britânico de separar o sistema eleitoral por castas.

Sob influências das ideias do escritor e naturalista norte-americano Henry David Thoreau, pioneiro da desobediência civil, e do escritor russo Leon Tolstói, Gandhi lança nos anos 1920 campanhas de resistência pacífica na luta contra o imperialismo, a satiagraha (insistência na verdade).

É preso, solto e convidado para representar o Partido do Congresso numa conferência em Londres. Ao voltar à Índia, em janeiro de 1932, começa nova campanha de desobediência civil.

Com a "greve de fome até a morte", Gandhi repudia a Constituição imposta pelo império, que dá às castas inferiores, aos intocáveis, uma representação política separada por 70 anos. Gandhi alega que a medida consolida a discriminação social no país.

Gandhi vem de uma casta superior, de mercadores, mas defende a emancipação dos harijans (filhos de Deus).

A Índia conquista a independência em 15 de agosto de 1947 e se separa do Paquistão. Gandhi inicia sua última greve de fome em 12 de janeiro de 1948 para pressionar hindus e muçulmanos a cessarem a violência em Nova Déli, a capital do país. 

Menos de duas semanas depois de encerrar o jejum, o extremista hindu Nathuram Godse mata Gandhi com três tiros no peito. Godse era membro do grupo extremista Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), ao qual é ligado o atual primeiro-ministro ultranacionalista hindu Narendra Modi, um fascista que persegue muçulmanos e ameaça a maior democracia do mundo.

GOLPE DERRUBA PERÓN

    Em 1955, um golpe militar liderado pelo general Eduardo Lonardi, chamado de Revolução Libertadora, derruba o presidente e general Juan Domingo Perón, um líder populista que até hoje domina a política argentina.

Reeleito com 62,5% dos votos em 11 de novembro de 1951, Perón tem um segundo governo muito mais difícil do que o primeiro, quando se beneficia da riqueza acumulada exportando lã e alimentos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Com a crise econômica e sem a carismática e angelical María Eva Duarte de Perón, a Evita, sua segunda mulher, que morre de câncer em 26 de julho de 1952, o caudilho enfrenta a oposição crescente de estudantes, do empresariado e da Igreja Católica.

Depois do golpe, Lonardi, reconhecendo a força do peronismo, tenta fazer um acordo. É afastado e substituído pelo general linha-dura Pedro Aramburu por adiar a desperonização. O Partido Justicialista (peronista) é dissolvido e há intervenção nos sindicatos. É proibido até ter fotos de Perón e Evita em casa.

Perón volta em 1973, é reeleito presidente e governa até a morte, em 1º de maio de 1974. É substituído pela vice-presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. Sem o carisma de Evita, com aumento da atividade das guerrilhas de esquerda e dos grupos paramilitares de direita, o país afunda no caos.

Um novo golpe militar, em 24 de março de 1976, derruba Isabelita e leva à mais sangrenta ditadura da história argentina, com cerca de 30 mil mortes, que só acaba em 1983, depois da humilhante derrota para o Reino Unido na Guerra das Malvinas (1982).

MORRE MARIA CALLAS

    Em 1977, a soprano norte-americana de origem grega Maria Callas, uma das maiores cantoras de ópera da história, morre do coração em Paris aos 53 anos. Suas cinzas são jogadas no Mar Egeu.

Soprano absoluta, Callas é chamada de Divina pela voz, pela técnica musical e pela interpretação dramática.

Maria Cecilia Sofia Anna Kalogeropoúlus nasce em Nova York em 2 de dezembro de 1923, filha de imigrantes. Em dificuldades econômicas, a mãe volta em 1937 para a Grécia, onde Maria estuda canto no Conservatório de Atenas com Elvira de Hidalgo.

Ela se apresenta na Ópera de Atenas na peça Tosca, de Puccini, em 1941. Nos anos 1950, canta regularmente nos grandes teatros de ópera, o Scala, de Milão; o Metropolitan, de Nova York; e a Ópera Real de Covent Garden, no centro de Londres.

A grande diva é temperamental em seu perfeccionismo. Suas brigas públicas ganham tanto espaço no jornal quanto os sucessos operísticos.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 18 de Dezembro

 MAYFLOWER IN PLYMOUTH

    Em 1620, depois de longa e tempestuosa viagem, os peregrinos do Mayflower ancoram onde hoje fica Plymouth, no estado de Massachusetts, para fundar uma colônia no Novo Mundo.

A história começa em 1606, quando um grupo de protestantes reformistas decide criar sua própria igreja. Acusados de traição, eles fogem para a Holanda. Doze anos depois, recebem ajuda de mercadores britânicos para criar uma colônia na América.

Os 102 peregrinos do Mayflower zarpam em 6 de setembro de 1620 pensando em chegar À colônia da Virgínia, mas o mau tempo desviou o navio para o norte. O nome Peregrinos do Mayflower é dado por William Bradford, primeiro governador da nova colônia.

Em 11 de novembro, o Mayflower chega ao Cabo Cod. Antes de irem para a terra em busca de um porto seguro, 41 peregrinos assinam um documento se comprometendo a criar um governo por consenso e a cumprir as leis da nova colônia.

Era 10 de dezembro quando um grupo descobre uma enseada e volta ao Mayflower. Com o mau tempo, o navio só aporta no dia 18.

Durante um inverno brutal, 50 peregrinos morrem. O Mayflower volta para a Inglaterra em 5 de abril de 1621. Um ano depois da chegava os peregrinos festejam sua sobrevivência no primeiro Dia Nacional de Ação de Graças.

FIM OFICIAL DA ESCRAVIDÃO NOS EUA

    Em 1865, com a ratificação por três quartos dos estados, como exige a Constituição dos Estados Unidos, entra em vigor a 13ª Emenda, determinando que "nem a escravidão nem a servidão involuntária deve existir nos EUA ou em qualquer lugar submetido a sua jurisdição."

Antes da Guerra da Secessão (1861-65), o presidente Abraham Lincoln e a ala abolicionista do Partido Republicano querem apenas evitar que a escravidão avance para os novos estados e territórios do Oeste. Isto é inaceitável para os estados do Sul.

Em novembro de 1860, quando Lincoln é eleito, sete estados do Sul formam os Estados Confederados da América para sair da União e manter a escravatura. A Guerra Civil começa em 12 abril de 1861, pouco mais de um mês depois da posse do novo presidente, em 4 de março.

A Proclamação de Emancipação, em 1º de janeiro de 1863, transforma a guerra para manter a União numa luta pela abolição da escravatura. Esta mudança desestimula a França e o Reino Unido a apoiar o Sul e permite ao Norte alistar 180 mil soldados negros para a guerra.

Dois terços do Senado aprovam a 13ª Emenda em abril de 1864, mas a Câmara, que tinha uma grande bancada democrata, só faz isso em janeiro de 1865, três meses antes da rendição do comandante militar da Confederação, general Robert Lee, em Appotomax, em 9 de abril.

Em 2 de dezembro, o Alabama torna-se o 27º estado a ratificar a emenda, precondição para voltar à União, completando os três quartos exigidos pela Constituição. No dia 18, 246 anos depois que o primeiro grupo de escravos chegou à colônia de Jamestown, na Virgínia, a 13ª Emenda entra em vigor.

FIM DA BATALHA DE VERDUN

    Em 1916, depois de 10 meses e 1 milhão de baixas, termina a Batalha de Verdun, a mais longa da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

O combate começa em 21 de fevereiro, quando a Alemanha ataca o Exército da França em Verdun, na margem do Rio Meuse. O comandante militar alemão, general Erich von Falkenhayn, considera o Exército francês mais fraco do que o britânico e acredita que uma derrota levará os aliados a negociar a paz.

sábado, 16 de setembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 16 de Setembro

GRANDE INQUISIDOR

    Em 1498, morre em Ávila, na Espanha, aos 78 anos o Grande Inquisidor espanhol Tomás de Torquemada, o maior símbolo do fanatismo religioso e do terror do Santo Ofício.

Torquemada nasce em Valladolid, no reino de Castela, em 14 de outubro de 1420. Sobrinho de Juan de Torquemada, um cardeal e teólogo dominicano, Tomás entra para a ordem domicana. Em 1452, ele se torna prior do Convento de Santa Cruz, em Segóvia.

Naquela época, a Península Ibérica tinha mais cristãos novos, judeus convertidos, do que qualquer outra região, fruto da relativa tolerância do Império Andaluz, que durou mais de 700 anos.

Aliado da polícia religiosa dos reis católicos, Fernando II, de Aragão, e Isabel I, de Castela, de quem é confessor. Convencido de que judeus e muçulmanos, mesmo convertidos, são uma ameaça à fé cristã, Torquemada os persegue e influencia política públicas discriminatórias.

É "o martelo dos hereges, a luz da Espanha, o salvador do seu país, a honra de sua ordem", nas palavras do cronista espanhol da época Sebastián de Olmedo.

Em agosto de 1483, Torquemada é nomeado Grande Inquisidor de Castela e Leão e, a partir de 17 de outubro, também em Aragão, na Catalunha, em Valência e em Mayorca. Nesta função, ele reorganiza a Inquisição na Espanha, instalada em 1478 em Castela, e cria tribunais em Sevilha, Cidade Real, Córdoba, Jaén e Saragoça.

O Grande Inquisidor promulga em 1484 28 artigos de orientação aos inquisidores, que deveriam investigar não apenas crimes de heresia e apostasia, mas também bruxaria, sodomia, poligamia, blasfema, usura e outras ofensas. Outros artigos são acrescentados até 1498. A tortura é usada para obter confissões. Tudo em nome de Deus.

Cerca de 2 mil pessoas são queimadas na fogueira durante o reino do terror de Torquemada. Sua hostilidade aos judeus certamente influencia na decisão dos reis católicos de expulsar os judeus da Espanha, em 31 de março de 1492. Em junho de 1494, o papa Alexandre VI nomeia quatro inquisidores assistentes para controlar o Grande Inquisidor.

PEREGRINOS DO MAYFLOWER

    Em 1620, o navio Mayflower sai de Plymouth, na Inglaterra, rumo à colônia da Virgínia, fundada em 1607, com 102 pessoas a bordo, mas tempestades e erros de navegação desviam a embarcação para a costa de Massachusetts, onde chegam no Cabo Cod, em 21 de novembro.

Os peregrinos do Mayflower, puritanos que fogem das guerras religiosas na Europa, estão entre os fundadores dos Estados Unidos. Na véspera do Natal, desembarcam na baía que batizam de Plymouth, mesmo nome da cidade inglesa de onde zaparam.

Antes de descer em terra firme para se estabelecer na América, os colonos assinam um documento de 200 palavras, o Compacto Mayflower, um dos primeiros instrumentos de governança do que seriam os EUA.

O Mayflower fica na América até abril de 1621, quando volta para a Inglaterra. Depois de outras viagens, é desmantelado. Em 1957, uma réplica do Mayflower fabricada na Inglaterra refez a viagem em 53 dias.

Depois de resistir durante um ao inverno rigoroso e aos índios, com quem a início tiveram boa relação, os colonos festejam e agradecem a Deus no que é hoje o Dia Nacional de Ação de Graças, uma das datas mais importantes do país.

GRITO DE DOLORES

    Em 1810, o padre católico Miguel Higaldo y Costilla dá o Grito de Dolores, uma declaração lida na cidade de Dolores, hoje parte do estado de Guanajuato, pedindo o fim de 300 anos de dominação espanhola, marco do início da Guerra da Independência do México.

Miguel Hidaldo participa de uma conspiração contra a coroa espanhola durante a ocupação da Espanha por Napoleão Bonaparte na Guerra Peninsular (1807-14). Com o colapso da administração do Império Espanhol, as colônias latino-americanas proclamam a independência.

Quando a conspiração é traída, ele decide agir imediatamente. Depois de armar populares, ao lado de Ignacio Allende e Juan Aldama, o padre Miguel Hidalgo convoca à rebelião armada contra o Vice-Reino da Nova Espanha, que era o nome da administração colonial do México. 

O texto exato do Grito de Hidalgo não é preservado para a história. Há várias reconstruções. Com certeza, diz: "Longa vida a Nossa Senhora de Guadalupe!", a padroeira do México. "Morte ao mau governo! Morte aos gapuchines!" (espanhóis).

HIdalgo consegue formar um exército popular. Depois de saques, pilhagens e derramamento de sangue, a revolta é derrotada e Higaldo é executado em 30 de julho de 1811. Mas o Grito de Dolores é a faísca que deflagra a Guerra da Independência do México, que vai até 27 de setembro de 1821.

GANDHI INICIA GREVE DE FOME

    Em 1932, preso na cadeia de Yerwada, em Pune, Mohandas Gandh, o Mahatma (Grande Espírito), maior herói da independência da Índia, começa greve de fome de protesto contra decisão do Império Britânico de separar o sistema eleitoral por castas.

Sob influências das ideias do escritor e naturalista norte-americano Henry David Thoreau, pioneiro da desobediência civil, e do escritor russo Leon Tolstói, Gandhi lança nos anos 1920 campanhas de resistência pacífica na luta contra o imperialismo, a satiagraha (insistência na verdade).

É preso, solto e convidado para representar o Partido do Congresso numa conferência em Londres. Ao voltar à Índia, em janeiro de 1932, começa nova campanha de desobediência civil.

Com a "greve de fome até a morte", Gandhi repudia a Constituição imposta pelo império, que dá às castas inferiores, aos intocáveis, uma representação política separada por 70 anos. Gandhi alega que a medida consolida a discriminação social no país.

Gandhi vinha de uma casta superior, de mercadores, mas defendia a emancipação dos harijans (filhos de Deus).

A Índia conquista a independência em 15 de agosto de 1947. Gandhi inicia sua última greve de fome em 12 de janeiro de 1948 para pressionar hindus e muçulmanos a cessarem a violência em Nova Déli, a capital do país. 

Menos de duas semanas depois de encerrar o jejum, o extremista hindu Nathuram Godse mata Gandhi com três tiros no peito. Godse era membro do grupo extremista Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), ao qual é ligado o atual primeiro-ministro ultranacionalista hindu Narendra Modi, um fascista que persegue muçulmanos e ameaça a maior democracia do mundo.

GOLPE DERRUBA PERÓN

    Em 1955, um golpe militar liderado pelo general Eduardo Lonardi, chamado de Revolução Libertadora, derruba o presidente e general Juan Domingo Perón, um líder populista que até hoje domina a política argentina.

Reeleito com 62,5% dos votos em 11 de novembro de 1951, Perón tem um segundo governo muito mais difícil do que o primeiro, quando se beneficia da riqueza acumulada exportando lã e alimentos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Com a crise econômica e sem a carismática e angelical María Eva Duarte de Perón, a Evita, sua segunda mulher, que morre de câncer em 26 de julho de 1952, o caudilho enfrenta a oposição crescente de estudantes, do empresariado e da Igreja Católica.

Depois do golpe, Lonardi, reconhecendo a força do peronismo, tenta fazer um acordo. É afastado e substituído pelo general linha-dura Pedro Aramburu por adiar a desperonização. O Partido Justicialista (peronista) é dissolvido e há intervenção nos sindicatos.

Perón volta em 1973, é reeleito presidente e governa até a morte, em 1º de maio de 1974. É substituído pela vice-presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. Sem o carisma de Evita, com aumento da atividade das guerrilhas de esquerda e dos paramilitares de direita, o país afunda no caos.

Um novo golpe militar, em 24 de março de 1976, derruba Isabelita e leva à mais sangrenta ditadura da história argentina, com cerca de 30 mil mortes, que só acaba em 1983, depois da humilhante derrota para o Reino Unido na Guerra das Malvinas (1982).

MORRE MARIA CALLAS

    Em 1977, a soprano norte-americana de origem grega Maria Callas, uma das maiores cantoras de ópera da história, morre do coração em Paris aos 53 anos. Suas cinzas são jogadas no Mar Egeu.

Soprano absoluta, Callas é chamada de Divina pela voz, pela técnica musical e pela interpretação dramática.

Maria Cecilia Sofia Anna Kalogeropoúlus nasce em Nova York em 2 de dezembro de 1923, filha de imigrantes. Em dificuldades econômicas, a mãe volta em 1937 para a Grécia, onde Maria estuda canto no Conservatório de Atenas com Elvira de Hidalgo.

Ela se apresenta na Opera de Atenas na Tosca de Puccini, em 1941. Nos anos 1950, canta regularmente nos grandes teatros de ópera, o Scala, de Milão; o Metropolitan, de Nova York; e a Ópera Real de Covent Garden, no centro de Londres.

A grande diva é temperamental em seu perfeccionismo. Suas brigas públicas ganham tanto espaço no jornal quanto os sucessos operísticos.