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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Setembro

ESPIÃO ENFORCADO

    Em 1776, o revolucionário norte-americano Nathan Hale morre na forca sob a acusação de traição um dia depois de ser preso pelos britânicos durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83).

Hale nasce em 6 de junho de 1755 em Coventry, em Connecticut. Ele estuda na Universidade de Yale e se torna professor. Em 1775, entra para um regimento em Connecticut. Serve no cerco de Boston e é promovido a capitão.

Nathan Hale vai para Nova York com a brigada de William Heath e participa da captura de um navio de suprimentos. Depois de penetrar as linhas britânicas em Long Island, é preso em 21 de setembro de 1776 ao tentar voltar para seu regimento e executado sumariamente no dia seguinte.

Herói e mártir da independência, declara antes de morrer: "Só lamento ter apenas uma vida para dar pelo meu país."

ABOLIÇÃO NOS EUA

    Em 1862, o presidente Abraham Lincoln anuncia que fez um projeto de Declaração de Emancipação para acabar com a escravatura nos Estados Unidos e reorienta a Guerra da Secessão (1861-65) para uma luta contra a escravidão.

O objetivo inicial do presidente é defender a União, a unidade nacional, contra o separatismo dos 11 Estados Confederados da América, que querem dividir o país para manter a escravidão

Lincoln faz a Declaração de Emancipação em 1º de janeiro de 1863, libertando os escravos dos estados do Sul na expectativa de que se juntem às forças da União, o que acontece em grande escala. Mas o Congresso só aprova a Emenda nº 13 à Constituição dos EUA, que acaba com a escravatura, em janeiro de 1865. 

O comandante militar do Sul, general Robert Lee, se rende ao comandante militar do Norte, general Ulysses Grant, em 9 de abril de 1865, mas a notícia só chega a Galveston, no Texas, em 19 de junho, dia em que os norte-americanos comemoram o fim da escravidão. 

Para entrar em vigor, uma emenda constitucional nos EUA  precisa ser aprovada por dois terços da Câmara e do Senado, e ratificada por pelo menos três quartos dos estados. A Emenda nº 13 entra em vigor em 6 de dezembro de 1865. 

Seu texto diz que "nem a escravidão nem a servidão involuntária, exceto como punição por crime pelo qual a parte tenha sido devidamente condenada, deve existir dentro dos EUA ou em qualquer lugar sob sua jurisdição."

FORD ESCAPA DE ATENTADO

    Em 1975, Sara Jane Moore aponta uma arma para o presidente Gerald Ford quando ele sai do Hotel Saint Francis, em São Francisco, mas a arma é desviada por um popular, 17 dias depois que ele escapou de outra tentativa de assassinato, também de uma mulher, Lynette Fromme.

Ambas são perturbadas mentalmente. Logo, o Serviço Secreto prende Sara Moore, que é condenada e cumpre pena até receber liberdade condicional em 31 de dezembro de 2007.

GUERRA IRÃ-IRAQUE

    Em 1980, por ordem do ditador Saddam Hussein, o Iraque invade a província iraniana do Cuzistão, rica em petróleo, dando início à Guerra Irã-Iraque, dura oito anos e mata um milhão de muçulmanos.

Por causa da Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini no Irã, os Estados Unidos, a União Soviética e os países árabes apoiam o Iraque de Saddam Hussein, mas os iranianos resistem e o conflito termina num impasse.

Dentro da Guerra Irã-Iraque, há uma guerra dos petroleiros, quando os dois lados atacavam os navios-tanques do outro, e uma guerra das cidades, com intenso bombardeio de zonas urbanas. Em 20 de agosto de 1988, o aiatolá Khomeini aceita a proposta de cessar-fogo do Iraque. Os últimos prisioneiros de guerra são trocados em 2003.

Com a economia iraquiana arrasada pela guerra, Saddam pressiona os vizinhos Kuwait e Arábia Saudita, acusando-os de roubar petróleo de campos compartilhados, e invade o Kuwait em 2 de agosto de 1990. Os EUA reagem e, à frente de uma aliança militar de mais de 30 países, expulsam os iraquianos do Kuwait na Guerra do Golfo (1991).

SINDICATO SOLIDARIEDADE

    Em 1980, os delegados de 36 sindicatos de trabalhadores fundam, sob a liderança de Lech Walesa, o Solidariedade, o sindicato que virou partido e está no centro da luta pela democracia na Polônia.

O Solidariedade tem origem no Comitê de Defesa dos Trabalhadores (KOR), criado em 1976 depois de milhares de prisões de grevistas, para dar assistência às famílias dos presos, ajuda em saúde e educação e distribuir notícias clandestinamente. Em 1979, o KOR divulga a Carta dos Direitos dos Trabalhadores.

Em 1980, uma onda de greves tem o Estaleiro Lenin, em Gdansk, como centro. Um acordo com o governo, em 31 de agosto, dá o direito de criar sindicatos livres e independentes.

Com o golpe do general Wojciech Jaruzelski, em 13 de dezembro de 1981, o Solidariedade é proscrito até abril de 1989, quando sai da clandestinidade para conquistar a vitória sobre o regime comunista nas primeiras eleições democráticas no Bloco Soviético desde os anos 1940.

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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Julho

LINCOLN PREPARA ABOLIÇÃO

   Em 1862, o presidente Abraham Lincoln anuncia a seus ministros que vai proclamar a abolição da escravatura quando o Exército da União (Norte) tiver obtido uma vitória militar substancial na Guerra da Secessão (1861-65) contra os Estados Confederados da América (Sul).

Mas o momento não é bom para o Norte. Os confederados conquistam grandes vitórias. A França e o Reino Unido estão prestes a reconhecer a independência do Sul.

Lincoln faz a Declaração de Emancipação em 1º de janeiro de 1863 para ver se muda o destino da guerra. Em carta ao editor do jornal New York Tribune, em agosto de 1862, revela que seu principal objetivo na guerra é "salvar a União e não salvar ou abolir a escravidão".

A esperança é que a proclamação leve a uma adesão em massa de escravos ao Exército da União. Mas a Guerra Civil Americana continua até 9 de abril de 1865. A emenda constitucional que acaba com a escravidão é aprovada meses antes, em 31 de janeiro. Com cerca de 620 mil mortes, é o conflito armado mais violento da história dos EUA.

PRIMEIRA VOLTA AO MUNDO DE AVIÃO

    Em 1933, o piloto americano Wiley Post se torna o primeiro aviador a dar a volta ao mundo sozinho.

Post leva sete dias, 18 horas e 49 minutos. Sai de Nova York em 15 de julho e vai direto até Berlim. Depois, cruza a União Soviética e faz escalas no Alasca e no Canadá antes de posar em Nova York.

Seu avião, chamado Winnie Mae, é um monomotor Lockheed Vega. Em agosto de 1935, Post e o humorista Will Rogers morrem num acidente aéreo no Alasca quando tentam ir para a URSS sobrevoando o Polo Norte.

FBI MATA INIMIGO PÚBLICO NÚMERO UM

    Em 1934, agentes do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, matam em Chicago o criminoso John Dillinger, o "inimigo público número um" do país.

Durante uma carreira de crimes de pouco mais de um ano, em meio à Grande Depressão (1929-39), Dillinger e sua gangue assaltam 11 bancos em sete estados, roubam mais de US$ 300 mil, atacam uma prisão e matam 10 policiais. Como só assalta bancos e parte da população norte-americana culpa os bancos pela Grande Depressão (1929-39), é chamado de Robin Hood.

Preso em Tucson, no Arizona, em 25 de janeiro de 1934, é extraditado para Indiana, onde aguarda julgamento pelo assassinato de um policial. Em 3 de março, foge espetacularmente e rouba duas submetralhadoras do arsenal da cadeia. Vai para Chicago, onde se associa a Nelson Cara de Bebê, um assassino psicótico que trabalhara para o mafioso Al Capone.

No seu último assalto, em South Bend, no estado de Indiana, em 30 de junho, a gangue rouba US$ 30 mil, mata um policial e fere quatro civis. Em julho, Anna Sage, uma dona de bordel nascida na Romênia, entrega Dillinger em troca de um acordo de leniência com o FBI.

Eles vão ao cinema ver Manhattan Melodrama. Vinte policiais cercam o prédio. Quando Dillinger sai, às 22h40, recebe ordem de prisão, foge correndo, é baleado e morto. 

DO GUETO DE VARSÓVIA PARA TREBLINKA

    Em 1942, começa a deportação sistemática de judeus do Gueto de Varsóvia para o recém-construído campo de concentração de Treblinka, na Polônia. Milhares de judeus são presos todos os dias e enviados para a morte em centros de extermínio.

A Conferência de Wannsee, nome de um lago em Berlim, aprova em 20 de janeiro a "solução final", a decisão de exterminar os judeus da Europa. 

Em 17 de julho, Heinrich Himmler chega a Auschwitz para assistir à chegada de 2 mil judeus holandeses e à morte nas câmaras de gás de 500, a maioria velhos, doentes e muito jovens. No dia seguinte, Himmler promove o comandante do campo, Rudolph Hess, a major das SS, as tropas de choque do regime nazista, e ordena uma "limpeza total" no Gueto de Varsóvia.

Mais de 250 mil judeus são enviados a Treblinka, a cerca de 100 quilômetros de Varsóvia, e mortos nas câmaras de gás em sete semanas a partir da ordem de Himmler.

Ao todo, estima-se que 11 milhões de pessoas morrem no Holocausto. Além de 6 milhões de judeus, 1,5 milhão de ciganos, comunistas, anarquistas, socialistas, deficientes, resistentes e opositores do regime nazista.

ALIADOS TOMAM PALERMO

    Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), as forças aliadas, sob o comando do general norte-americano George Patton, tomam Palermo, a capital da Sicília, que fica no noroeste da ilha e lhes dá uma cabeça de ponte para invadir a Itália continental.

A Alemanha Nazista teme uma invasão através do Canal da Mancha ou em qualquer ponto da longa costa do Mar Mediterrâneo que dominava, da França à Grécia. A Alemanha está perdendo a guerra para o Exército Vermelho da União Soviética na frente oriental.

No verão europeu de 1943, a Itália tem apenas 10 divisões na Sicília e a Alemanha duas unidades de tanques. Os britânicos e norte-americanos invadem a ilha com 478 mil homens, 150 mil nos primeiros três dias, com o apoio de 4 mil aviões de combate contra 1,5 mil do Eixo.

Em 25 de julho, o ditador Benito Mussolini cai e o rei Vítor Emanuel III ordena sua prisão. Ele seria libertado pelos alemães em setembro de 1943 e instalado num regime chamado de República Social Italiana na região dominada pelos nazifascistas no Norte da Itália.

Inicialmente as forças do Eixo criam uma barreira no centro da Itália. A Força Expedicionária Brasileira (FEB) luta com os aliados para destruir esta barreira e tomar toda a Itália.

DENG XIAOPING REABILITADO

    Em 1977, depois da cair em desgraça durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), Deng Xiaoping é reabilitado pelo Partido Comunista da China e recebe todos seus antigos cargos de volta, inclusive o de vice-primeiro-ministro.


Filho de um proprietário rural, Deng nasce em Guang'an, na província de Sichuã, em 22 de agosto de 1904. Ele estuda na França (1920-24), onde começa a militância comunista, e na União Soviética (1925-27).

De volta à China, entra para a luta armada. É um líder político e militar do Soviete de Jiangxi, um enclave comunista criado por Mao em 1931. Quando os nacionalistas do Kuomintang (KMT) massacram e perseguem os comunistas, Deng participa da Longa Marcha (1934-35), uma fuga de 9 mil quilômetros durante um ano.

Durante a resistência à invasão japonesa (1937-45), Deng é comissário político junto a um dos exércitos guerrilheiros dos comunistas e comissário-chefe do 2º Exército durante a Guerra Civil Chinesa que termina em 1º de outubro de 1949 com a vitória da revolução comunista.

Deng vira líder regional do partido no Sudoeste. Em 1952, é nomeado vice-primeiro-ministro e depois ministro das Finanças (1953-54), membro do Politburo (1955) e secretário-geral do Partido Comunista (1956-67). Como sua visão da economia era considerada liberal demais para o radicalismo maoísta, Deng cai em desgraça durante a Revolução Cultural e é enviado para reeducação no interior.

Reabilitado por Mao em 1975, no mesmo ano é novamente marginalizado por "desviacionismo direitista" em razão de suas críticas à Revolução Cultural.

Depois de uma grande manifestação de massa na Praça da Paz Celestial, em abril de 1976, Deng é reabilitado pela segunda vez. Em 1977, lança a Primavera de Beijim, uma campanha para criticar os crimes e abusos cometidos naquele período, e se insurge contra a política dos Dois Quaisquer, de Hua Guofeng, o sucessor de Mao, considerando-a inaceitável.

Em 13 de dezembro de 1978, Deng Xiaoping lança seu programa de reformas e abertura econômica, que promove o maior e mais rápido desenvolvimento econômico da história. Em 40 anos, mais de 800 milhões de chineses saem da pobreza. A China vira a segunda maior economia do mundo e a maior potência industrial do planeta. Em breve, pode se tornar a primeira economia do mundo.

A reforma leva a um renascimento acadêmico e cultural. Os anos 1980 são a década de mais liberdade na China. Acaba com o Massacre na Praça da Paz contra o movimento pela liberdade e democracia liderado por estudantes em 4 de junho de 1989. A abertura política morre aí.

Deng não tem cargo de presidente ou primeiro-ministro nesta época, em que é o supremo líder. É presidente da Comissão Militar Central. Tem o comando das Forças Armadas. Ele cria um sistema de liderança coletiva sob o princípio de que o presidente e o líder do partido devem servir dois mandatos de cinco anos. O atual ditador, Xi Jinping, quebra esta regra para se eternizar no poder.

ADEUS A ARMA NUCLEARES

  Em 1987, o líder soviético Mikhail Gorbachev aceita negociar o primeiro tratado da história para eliminar toda uma classe de armas atômicas, os mísseis nucleares terrestres de curto e médio alcances (500 a 5,5 mil km).

Desde que se torna secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, em 11 de março de 1985, Gorbachev começa uma abertura política (glasnost) e uma reforma econômica (perestroika). Isto leva a um degelo e a negociações de desarmamento com o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan.

No fim de 1986, as duas superpotências parecem próximas de um acordo, mas Gorbachev exige o fim da Iniciativa de Defesa Estratégica, mais conhecida como Guerra nas Estrelas, a tentativa de instalar um sistema de defesa antimísseis no espaço, violando o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), de 1972, mais conhecido como MAD (destruição mutuamente assegurada), que significa louco em inglês.

Nesta data, Gorbachev aceita negociar sem precondições. Em 8 de dezembro de 1987, num encontro de cúpula em Washington, Reagan e Gorbachev assinam o Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias, abandonado pelo presidente Donald Trump em 2 de agosto de 2019 sob a alegação de que a Rússia o violou.

EUA MATAM FILHOS DE SADDAM

    Em 2004, os filhos do ditador iraquiano Saddam Hussein, Uday e Qusay morrem num tiroteio com forças dos Estados Unidos em Mossul, no Norte do Iraque. 

Ambos são considerados mais cruéis do que o pai e acusados de uma série de atrocidades como sequestro, tortura e morte de dissidentes, estupros e violência sexual. Acumulam grande fortunas com contrabando durante o regime de sanções imposto pelas Nações Unidas depois da invasão do Kuwait, em 2 de agosto de 1990.

Depois da invasão de 2003, os EUA oferecem uma recompensa de US$ 15 milhões por informações sobre cada filho de Saddam. Em 22 de julho, forças especiais dos EUA cercam a casa onde eles se escondem. Com o apoio de helicópteros de combate e 100 paraquedistas da 101ª Divisão Aerotransportada, os americanos liquidam os filhos de Saddam.

Os EUA são muito criticados por divulgar imagens dos cadáveres. Alegam que é a única maneira de convencer os aliados do regime das mortes.

Saddam é preso em 13 de dezembro de 2003. Um tribunal especial iraquiano o condena à morte em 5 e novembro de 2006. O ditador é enforcado em 30 de dezembro do mesmo ano.

NASCE UM HERDEIRO DO TRONO

    Em 2013, nasce o príncipe George, primeiro filho do príncipe William e da princesa Kate Middleton, segundo na linha sucessória do rei Carlos III, da Inglaterra, depois do pai.

Dois dias depois, a família real anuncia o nome completo: Sua Alteza Real Príncipe George Alexander Louis de Cambridge. Seus pais eram o Duque e a Duquesa de Cambridge. Com a morte da rainha Elizabeth II e a ascensão de seu pai ao trono, William e sua mulher, Kate Middleton, se tornaram príncipes de Gales e duque e duquesa da Cornualha e duque e duquesa de Rothesay.

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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Junho

FIM DA ESCRAVIDÃO NOS EUA

    Em 1865, o Exército da União chega a Galveston, no Texas, sob o comando do general Gordon Granger e anuncia o fim da Guerra da Secessão (1861-65) e a Abolição da Escravatura nos Estados Unidos.

A data, conhecida como Juneteenth, é declarada feriado nacional pelo presidente Joe Biden em 2021.

O presidente Abraham Lincoln faz a Proclamação de Emancipação em 1º de janeiro de 1863, quando o país está em guerra civil porque os estados do Sul não aceitam a abolição e querem se separar da União. Nestes estados, a escravidão só acaba com a vitória do Norte.

O comandante militar da Confederação, general Robert Lee, se rende em 9 de abril de 1865, mas algumas forças ainda resistem.

A Guerra da Secessão ou Guerra Civil Americana é o conflito mais sangrento da história dos EUA, com 620 mil mortes.

EXECUÇÃO DO IMPERADOR MAXIMILIANO

   Em 1867, o arquiduque austríaco Ferdinando Maximiliano, coroado imperador do México pelo imperador Napoleão III, da França, em 1864, é executado por ordem de Benito Juárez, presidente da República Mexicana.

Juárez, um liberal, assume a Presidência do México em 1861, com o país falido e declara moratória das dívidas com a Espanha, a França e o Reino Unido. Em resposta, as potências imperiais enviam navios de guerra a Veracruz para cobrar as dívidas.

A Espanha e o Reino Unido negociam com Juárez, mas Napoleão III aproveita a oportunidade criada pela Guerra da Secessão (1861-65) nos EUA para ampliar seu império na América. No fim de 1861, a França invade e toma o México. Maximiliano é proclamado imperador mexicano.

O conceito de América Latina é criado pelos franceses para justificar a intervenção no México.

Seis anos depois, em aliança com os EUA pós-Guerra Civil, Juárez retoma o poder. Abandonado por Napoleão III, Maximiliano é preso e fuzilado.

BATALHA DO MAR DAS FILIPINAS

    Em 1944, os Estados Unidos e o Império do Japão travam um grande confronto aeronaval, a Batalha do Mar das Filipinas, perto das Ilhas Marianas, durante um assalto anfíbio norte-americano à ilha de Saipan. A maior batalha de porta-aviões da Segunda Guerra Mundial (1939-45) termina no dia seguinte com a vitória dos EUA.

A batalha começa quando o almirante Ozawa Jisaburo lança quatro ondas de ataque com 430 aviões contra a esquadra sob o comando do almirante Raymond Spruance. O resultado é desastroso. No primeiro dia, o Japão perde mais de 200 aviões e dois porta-aviões. 

Ao fugir rumo à ilha de Okinawa, no segundo dia, os japoneses perdem mais um porta-aviões e mais 100 aviões. Diante da grande vitória, o almirante Spruance decide não perseguir o inimigo, o que é discutido até hoje. Os EUA perdem 109 homens e 130 aviões, e tem um couraçado avariado. Não perdem nenhum navio.

A Batalha do Mar das Filipinas acaba com a capacidade ofensiva da aviação naval japonesa.

ESPIONAGEM NUCLEAR

    Em 1953, depois da rejeição de vários apelos e pedidos de clemência, o casal Julius e Ethel Rosenberg é executado na cadeira elétrica na prisão Sing Sing, em Ossining, no estado de Nova York após condenação por espionagem por passar segredos nucleares dos Estados Unidos à União Soviética.

Ethel Greenglass nasce em Nova York em 28 de setembro de 1915. Sonha em ser atriz e cantora, mas, depois de concluir o ensino médio, trabalha como secretária numa companhia de navegação.

Julius Rosenberg nasce em Nova York em 12 de maio de 1918. Quando jovem, entra para a Juventude Comunista, onde conhece Ethel, em 1936. Eles se casam em 1939, ano em que ele se forma em engenharia elétrica. No ano seguinte, Julius vai trabalhar no Exército como técnico em radares e o casal começa a procurar segredos militares para passar à URSS.

O irmão de Ethel, David Greenglass, consegue emprego como maquinista do Projeto Manhattan, que desenvolve a bomba atômica, conseguiu informações sobre o projeto nuclear. Os Rosenberg passaram essas informações ao suíço Harry Gold, o pombo-correio deste grupo de espiões, que as entrega a Anatoly Yakovlev, vice-cônsul soviético em Nova York.

Julius é demitido do Exército em 1945 por ter omitido que era membro do Partido Comunista e preso em 23 de maio de 1950 em consequência da prisão de Klaus Fuchs, preso por passar segredos nucleares dos EUA e do Reino Unido à URSS, que faz sua primeira explosão atômica em 29 de agosto de 1949.

O casal vai a julgamento em 6 de março de 1951. É condenado em 29 de março e recebe a pena de morte em 5 de abril. Os dois são executados na cadeira elétrica.

NOVO REI DA ESPANHA

    Em 2014, Felipe VI torna-se rei da Espanha depois de abdicação de seu pai, Juan Carlos I, envolvido em escândalos de corrupção.

Juan Carlos I ascende ao trono em 22 de novembro de 1975, com a morte do ditador Francisco Franco, que estava no poder desde a vitória na Guerra Civil Espanhola (1936-39).

O rei tem um papel importante na consolidação da democracia ao resistir à tentativa de golpe militar do coronal Antonio Tejero Molina, em 23 de fevereiro de 1981. 

Seu prestígio entra em declínio quando os espanhóis ficam sabendo, em 2012, em meio à Grande Recessão (2008-14), que Juan Carlos I fora caçar elefantes na África. Ele também é acusado de ter dinheiro no exterior.

Felipe VI toma atitudes progressistas, como receber defensores dos direitos dos LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) e reduzir seu salário em 20%. Chega a aparecer na capa de uma revista gay e apoia uma lei proibindo a família real de receber presentes.

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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 27 de Abril

 PEDRA DA COROAÇÃO

    Em 1296, o rei Eduardo I, da Inglaterra, na tentativa de submeter a Escócia a sua suserania, rouba a Pedra da Coroação ou Pedra de Scone, usada na coroação dos reis escoceses e a leva para a Abadia de Westminster, em Londres, local da coroação dos reis ingleses.

A pedra, de pedra-sabão, tem 66 cm x 41cm x 28 cm e pesa 152 quilos. Tem uma incisão na forma de uma cruz na parte de cima e duas alças de ferro para facilitar o transporte. De acordo com a tradição celta, a pedra um dia foi o travesseiro onde o patriarca Jacó repousava na cidade bíblica de Betel quando teve visões de anjos.

Da Terra Santa, diz a tradição, a pedra viaja ao Egito, à Sicília e à Espanha. Chega à Irlanda por volta de 700 antes de Cristo e é colocada na colina de Tara, onde os reis da Irlanda são coroados. Depois que os celtas invadem a Escócia, por volta do ano 840 da era cristã, Kenneth MacAlpin leva a pedra para a cidade de Scone, onde é encaixada na trono da coroação.

Em 1292, João Balliol é o último rei da Escócia coroado com a pedra sob o trono. Eduardo I a leva para Londres em 1296. Ela é instalada na Cadeira da Coroação, na Abadia de Westminster, em 1307. É um símbolo de que os reis da Inglaterra seriam também coroados reis da Escócia.

VOLTA AO MUNDO PELA METADE

    Em 1521, o navegador português Fernão de Magalhães, que dava a volta ao mundo a serviço da Espanha, morre em combate com os habitantes da Ilha de Mactã, nas Filipinas, na primeira viagem de circunavegação da Terra.

Fernão de Magalhães zarpa de Sanlúcar de Barrameda, na Espanha, em 20 de setembro de 1519 com cinco navios e 270 homens para procurar uma rota pelo oeste para chegar as Ilhas das Especiarias (Indonésia).

A expedição entra no Rio da Prata. Sem sucesso, segue para o sul. Em março de 1520, a expedição para em Porto de São Julião, na Patagônia, onde Magalhães enfrenta uma revolta dos capitães espanhóis. Controla o motim executando um capitão rebelde e deixando outro em terra.

Em 21 de outubro de 1520, a frota finalmente descobre o Estreito de Magalhães, que separa a Terra do Fogo do continente. Só três navios entram na passagem: um afunda antes e outro deserta. Eles levam 38 dias para atravessar o estreito.

Ao ver o oceano do outro lado, Magalhães chora de alegria. A frota leva 99 dias para cruzar este oceano de águas tão calmas que dão o nome de Pacífico, provavelmente por causa do fenômeno El Niño, um aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. É um contraste com o Oceano Atlântico, que os marinheiros chamam de Mar Tenebroso.

Como o Pacífico é muito maior, a comida acaba. Os marinheiros chegam à Ilha de Guam em 6 de março de 1521 mastigando peças de couro para tentar enganar o estômago.

Dez dias depois, a frota ancora na ilha de Cebu, nas Filipinas, onde o chefe local se converte ao cristianismo e pede ajuda na guerra contra a ilha vizinha de Mactã, onde em 27 de abril Magalhães é ferido mortalmente por uma flecha envenenada e morre.

A expedição vai para as Ilhas Molucas, onde pega um carregamento de especiarias. Com apenas dois navios, sob o comando do espanhol Juan Sebastián Elcano, atravessa o Oceano Índico, dá a volta no Cabo da Boa Esperança (que os marinheiros ainda chamam pelo antigo nome de Cabo das Tormentas) e chega a Sanlúcar de Barrameda em 6 de setembro de 1522, completando a façanha.

ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA NA FRANÇA

    Em 1848, a escravidão é definitivamente abolida na França, um processo que começa na Revolução Francesa de 1789 e leva décadas para se consolidar.

A Convenção Nacional decreta o fim da escravidão nas colônias francesas em 4 de fevereiro de 1794. É uma das primeiras abolições. 

O Comitê de Salvação Pública, um grupo de 12 homens que manda de fato na revolução, sob a liderança de Maximiliano Robespierre, manda uma força de 1.200 homens às colônias do Mar do Caribe para aplicar a lei.

Em 1802, o ditador Napoleão Bonaparte reintroduz a escravidão nas colônias. O Congresso de Viena, que tenta restaurar o status quo na Europa depois da derrota de Napoleão, em 1815, declara oposição ao tráfico de escravizados. Em 1818, o rei Luís XVIII proíbe o tráfico.

A abolição definitiva vem durante a Segunda República Francesa, depois da Revolução de 1848.

FIM DO APARTHEID

    Em 1994, a África do Sul realiza suas primeiras eleições livres para enterrar o regime segregacionista do apartheid, que impunha uma ditadura cruel e brutal da minoria branca. Mais de 22 milhões de pessoas votam e dão ampla maioria de 62,7% dos votos ao Congresso Nacional Africano (CNA). 

Seu líder, Nelson Mandela, torna-se o primeiro presidente negro da África do Sul. Ele forma um governo de coalizão com o Partido Nacional, chefiado pelo ex-presidente Frederik de Klerk, que mandava no tempo do apartheid; e o Partido da Liberdade Inkhata, liderado por Mangosuthu Buthelezi, que alimentava o sonho de ser o primeiro presidente negro.

Mandela nasce em 18 de julho de 1918 em Mzevo, uma pequena aldeia, numa família da nobreza da tribo xhosa. É sobrinho do rei Jongintaba. Estuda direito e, em 1944, entra para o CNA, partido que luta pelos direitos da maioria negra desde 1912.

Em 1952, é eleito vice-presidente nacional. Sob a inspiração do herói da independência da Índia, Mohandas Gandhi, defende uma resistência e uma luta pacífica contra o apartheid. 

Gandhi tem a influência do escritor e pacifista russo Leon Tolstoy, que lhe apresenta as ideias de Henry David Thoreau, o naturalista norte-americano que cria o conceito de desobediência civil ao se negar a pagar impostos para não financiar guerra contra o México (1846-48), quando os EUA tomam cerca de 40% do território mexicano.

Depois do Massacre de Sharpeville, em 1960, quando a polícia atira contra uma multidão de manifestantes e mata 69 pessoas, o CNA abandona o pacifismo e parte para a luta armada. Mandela é o organizador e comandante do braço armado do partido, Umkhonto we sizwe (Lança da Nação).

Preso em 1962, Mandela é condenado à morte, mas tem a pena comutada para prisão perpétua. Junto com outros companheiros, vai para a prisão da ilha Robben e mais tarde para as prisões de Pollsmoor e Victor Verster.

É solto 27 anos depois, em 11 de fevereiro de 1990 para negociar uma transição pacífica para a democracia. Vira presidente, mas não se apega ao cargo. Ao contrário dos líderes autoritários que desgraçaram a África independente, transfere o poder a seu sucessor na liderança do partido, Thabo Mbeki, vai para casa e continua sendo a referência moral da nação até a morte, em 5 de dezembro de 2013.

MORTE DE ROSTROPOVICH

    Em 2007, morre em Moscou aos 80 anos o instrumentista e maestro russo Mstislav Rostropovich, um dos melhores violoncelistas do século 20, diretor da Orquestra Sinfônica Nacional dos Estados Unidos.  

Rostropovich nasce em 27 de março de 1927, em Baku, capital do Azerbaijão, uma das repúblicas da União Soviética. Ainda criança, a família se muda para Moscou. Ele recebe educação musical dos pais, um violoncelista e uma pianista, e estuda no Conservatório de Moscou, onde tem como professores músicos como Dimitri Shostakovich e Serguei Prokofiev, e depois se torna professor.

Nos anos 1950, Rostropovich começa a se apresentar no exterior. Em 1970, quando ele apoia o escritor dissidente Alexander Soljenítsin, o regime comunista reduz as permissões para tocar no exterior. Depois de sair da URSS com a mulher em 1974, Rostropovich anuncia em a decisão de não voltar.

Em 1977, ele se torna diretor musical da Orquestra Sinfônica Nacional dos EUA, em Washington. A URSS cassa a cidadania do casal em 1978 e só a restitui em 1990, na Era Gorbachev (1985-91). Rostropovich morre em Moscou aos 80 anos em 27 de abril de 2007.


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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 18 de Dezembro

 MAYFLOWER IN PLYMOUTH

    Em 1620, depois de longa e tempestuosa viagem, os peregrinos do Mayflower ancoram onde hoje fica Plymouth, no estado de Massachusetts, para fundar uma colônia no Novo Mundo.

A história começa em 1606, quando um grupo de protestantes reformistas decide criar sua própria igreja. Acusados de traição, eles fogem para a Holanda. Doze anos depois, recebem ajuda de mercadores britânicos para criar uma colônia na América.

Os 102 peregrinos do Mayflower zarpam em 6 de setembro de 1620 pensando em chegar à colônia da Virgínia, mas o mau tempo desvia o navio para o norte. O nome Peregrinos do Mayflower é dado por William Bradford, primeiro governador da nova colônia.

Em 11 de novembro, o Mayflower chega ao Cabo Cod. Antes de irem para a terra em busca de um porto seguro, 41 peregrinos assinam um documento se comprometendo a criar um governo por consenso e a cumprir as leis da nova colônia.

Era 10 de dezembro quando um grupo descobre uma enseada e volta ao Mayflower. Com o mau tempo, o navio só aporta no dia 18.

Durante um inverno brutal, 50 peregrinos morrem. O Mayflower volta para a Inglaterra em 5 de abril de 1621. Um ano depois da chegada, os peregrinos festejam sua sobrevivência no primeiro Dia Nacional de Ação de Graças.

FIM OFICIAL DA ESCRAVIDÃO NOS EUA

    Em 1865, com a ratificação por três quartos dos estados, como exige a Constituição dos Estados Unidos, entra em vigor a 13ª Emenda, determinando que "nem a escravidão nem a servidão involuntária deve existir nos EUA ou em qualquer lugar submetido a sua jurisdição."

Antes da Guerra da Secessão (1861-65), o presidente Abraham Lincoln e a ala abolicionista do Partido Republicano querem apenas evitar que a escravidão avance para os novos estados e territórios do Oeste. Isto é inaceitável para os estados do Sul.

Em novembro de 1860, quando Lincoln é eleito, sete estados do Sul formam os Estados Confederados da América para sair da União e manter a escravatura. A Guerra Civil começa em 12 abril de 1861, pouco mais de um mês depois da posse do novo presidente, em 4 de março.

A Proclamação de Emancipação, em 1º de janeiro de 1863, transforma a guerra para manter a União numa luta pela abolição da escravatura. Esta mudança desestimula a França e o Reino Unido a apoiar o Sul e permite ao Norte alistar 180 mil soldados negros para a guerra.

Dois terços do Senado aprovam a 13ª Emenda em abril de 1864, mas a Câmara, que tinha uma grande bancada democrata, só faz isso em janeiro de 1865, três meses antes da rendição do comandante militar da Confederação, general Robert Lee, em Appotomax, em 9 de abril.

Em 2 de dezembro, o Alabama torna-se o 27º estado a ratificar a emenda, precondição para voltar à União, completando os três quartos exigidos pela Constituição. No dia 18 de dezembro, 246 anos depois que o primeiro grupo de escravos chegou à colônia de Jamestown, na Virgínia, a 13ª Emenda entra em vigor.

O QUEBRA-NOZES ESTREIA EM SÃO PETERSBURGO

    Em 1892, o balé O Quebra-Nozes, do compositor Peter Tchaikovsky (foto), estreia no Teatro Mariinsky, em São Petersburgo, a capital imperial da Rússia.

 A peça se baseia no livro O Quebra-Nozes e o Rei Camundongo, do escritor alemão Ernest Theodor Amadeus Hoffmann, sobre uma menina que fica amiga de um quebra-nozes que se torna vivo na véspera do Natal e a ajuda a enfrentar o rei malvado. É um livro sombrio. O coreógrafo Marius Petipa, do Balé Imperial da Rússia preferiu seguir uma adaptação mais leve feita pelo francês Alexandre Dumas.

Tchaikovsky começa a compor em fevereiro de 1891 e continua durante uma excursão pelos EUA em que participa da inauguração do Carnegie Hall, em Nova York. Na volta, em Paris, descobre um novo instrumento, a celesta, que será usado em O Quebra-Nozes.

É a terceira peça de Tchaikovsky para balé, depois de O Lago dos Cisnes e A Bela Adormecida. A crítica é feroz. O compositor morre antes de ver o sucesso de O Quebra-Nozes, o balé mais apresentado no mundo, uma introdução à música clássica para muitos jovens. Como é uma história natalina, é muito encenado na época do Natal.


FIM DA BATALHA DE VERDUN

    Em 1916, depois de 10 meses e 1 milhão de baixas, termina a Batalha de Verdun, a mais longa da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

É uma das maiores batalhas da história e uma das mais arrasadoras da guerra. É um símbolo da resistência francesa e dos horrores da guerra industrial da era moderna, conhecida como o "moedor de carne de Verdun",

O combate começa em 21 de fevereiro, quando a Alemanha ataca o Exército da França em Verdun, na margem do Rio Meuse. O comandante militar alemão, general Erich von Falkenhayn, considera o Exército francês mais fraco do que o britânico e acredita que uma derrota levará os aliados a negociar a paz.

LÍDER DA OPOSIÇÃO ELEITO PRESIDENTE DA COREIA DO SUL

    Em 1997, Kim Dae Jung, que chega a ser preso e condenado a morte pela ditadura militar, é o primeiro líder da oposição a se eleger presidente da Coreia do Sul.
Kim nasce em 8 de janeiro de 1924 na ilha de Haui, no condado de Sinã, hoje parte da Coreia do Sul. Ele se forma como melhor aluno num curso comercial de ensino médio. Em 1943, entra para uma empresa japonesa da qual se torna dono em 1945. Durante a Guerra da Coreia (1950-53), é preso e condenado à morte pelos comunistas, mas consegue escapar.

Nos anos 1950, Kim se torna um militante pela democracia. Em 1954, critica as políticas autoritárias do ditador Syngman Rhee. Na quinta tentativa, ele se elege deputado em 1961, mas as eleições são anuladas por um golpe militar do general Park Chung Hee, que governa a Coreia do Sul até ser assassinado em 26 de outubro de 1979.

Durante a ditadura de Park, Kim, um brilhante orador de 40 anos quando perde o mandato, vira o principal líder da oposição. Ele se candidata a presidente contra Park em 1971 e perde com 40% dos votos. Em 1973, é sequestrado num hotel em Tóquio pela Agência Central de Inteligência da Coreia (KCIA) e levado de volta à Coreia do Sul. Em 1976, é preso por ser um ativista pró-democracia. Sai da prisão domiciliar em 1979, dois meses antes da morte de Park.

Kim Dae Jung é preso de novo em maio de 1980 por sedição e conspiração. É condenado à morte, mas o ditador Chun Doo Hwan comuta a pena, inicialmente para prisão perpétua e depois para 20 anos. Ele vai se tratar nos EUA em 1982 e fica exilado.

Ao voltar à Coreia do Sul, em 1985, Kim reassume a posição de líder da oposição. Ele concorre à Presidência e perde em 1987 e 1992. Em 1995, funda um novo partido, o Congresso Nacional por uma Nova Política, e finalmente conquista a vitória em 1997.

No poder, ele faz um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para recuperar a economia sul-coreana depois da Crise da Ásia e melhora as relações com a Coreia do Norte. Sua política do brilho do sol permite que sul-coreanos visitem o Norte e reduz as restrições para investimentos no Norte.

De 13 a 15 de junho de 2000, Kim Dae Jung se encontra com o ditador norte-coreano Kim Jong Il na primeira reunião de cúpula entre os líderes das duas Coreias.

Como a Coreia do Sul não tem reeleição para presidente, Kim deixa o poder em 2003. Ele morre em Seul em 18 de agosto de 2009 aos 85 anos.

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