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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Julho

LINCOLN PREPARA ABOLIÇÃO

   Em 1862, o presidente Abraham Lincoln anuncia a seus ministros que vai proclamar a abolição da escravatura quando o Exército da União (Norte) tiver obtido uma vitória militar substancial na Guerra da Secessão (1861-65) contra os Estados Confederados da América (Sul).

Mas o momento não é bom para o Norte. Os confederados conquistam grandes vitórias. A França e o Reino Unido estão prestes a reconhecer a independência do Sul.

Lincoln faz a Declaração de Emancipação em 1º de janeiro de 1863 para ver se muda o destino da guerra. Em carta ao editor do jornal New York Tribune, em agosto de 1862, revela que seu principal objetivo na guerra é "salvar a União e não salvar ou abolir a escravidão".

A esperança é que a proclamação leve a uma adesão em massa de escravos ao Exército da União. Mas a Guerra Civil Americana continua até 9 de abril de 1865. A emenda constitucional que acaba com a escravidão é aprovada meses antes, em 31 de janeiro. Com cerca de 620 mil mortes, é o conflito armado mais violento da história dos EUA.

PRIMEIRA VOLTA AO MUNDO DE AVIÃO

    Em 1933, o piloto americano Wiley Post se torna o primeiro aviador a dar a volta ao mundo sozinho.

Post leva sete dias, 18 horas e 49 minutos. Sai de Nova York em 15 de julho e vai direto até Berlim. Depois, cruza a União Soviética e faz escalas no Alasca e no Canadá antes de posar em Nova York.

Seu avião, chamado Winnie Mae, é um monomotor Lockheed Vega. Em agosto de 1935, Post e o humorista Will Rogers morrem num acidente aéreo no Alasca quando tentam ir para a URSS sobrevoando o Polo Norte.

FBI MATA INIMIGO PÚBLICO NÚMERO UM

    Em 1934, agentes do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, matam em Chicago o criminoso John Dillinger, o "inimigo público número um" do país.

Durante uma carreira de crimes de pouco mais de um ano, em meio à Grande Depressão (1929-39), Dillinger e sua gangue assaltam 11 bancos em sete estados, roubam mais de US$ 300 mil, atacam uma prisão e matam 10 policiais. Como só assalta bancos e parte da população norte-americana culpa os bancos pela Grande Depressão (1929-39), é chamado de Robin Hood.

Preso em Tucson, no Arizona, em 25 de janeiro de 1934, é extraditado para Indiana, onde aguarda julgamento pelo assassinato de um policial. Em 3 de março, foge espetacularmente e rouba duas submetralhadoras do arsenal da cadeia. Vai para Chicago, onde se associa a Nelson Cara de Bebê, um assassino psicótico que trabalhara para o mafioso Al Capone.

No seu último assalto, em South Bend, no estado de Indiana, em 30 de junho, a gangue rouba US$ 30 mil, mata um policial e fere quatro civis. Em julho, Anna Sage, uma dona de bordel nascida na Romênia, entrega Dillinger em troca de um acordo de leniência com o FBI.

Eles vão ao cinema ver Manhattan Melodrama. Vinte policiais cercam o prédio. Quando Dillinger sai, às 22h40, recebe ordem de prisão, foge correndo, é baleado e morto. 

DO GUETO DE VARSÓVIA PARA TREBLINKA

    Em 1942, começa a deportação sistemática de judeus do Gueto de Varsóvia para o recém-construído campo de concentração de Treblinka, na Polônia. Milhares de judeus são presos todos os dias e enviados para a morte em centros de extermínio.

A Conferência de Wannsee, nome de um lago em Berlim, aprova em 20 de janeiro a "solução final", a decisão de exterminar os judeus da Europa. 

Em 17 de julho, Heinrich Himmler chega a Auschwitz para assistir à chegada de 2 mil judeus holandeses e à morte nas câmaras de gás de 500, a maioria velhos, doentes e muito jovens. No dia seguinte, Himmler promove o comandante do campo, Rudolph Hess, a major das SS, as tropas de choque do regime nazista, e ordena uma "limpeza total" no Gueto de Varsóvia.

Mais de 250 mil judeus são enviados a Treblinka, a cerca de 100 quilômetros de Varsóvia, e mortos nas câmaras de gás em sete semanas a partir da ordem de Himmler.

Ao todo, estima-se que 11 milhões de pessoas morrem no Holocausto. Além de 6 milhões de judeus, 1,5 milhão de ciganos, comunistas, anarquistas, socialistas, deficientes, resistentes e opositores do regime nazista.

ALIADOS TOMAM PALERMO

    Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), as forças aliadas, sob o comando do general norte-americano George Patton, tomam Palermo, a capital da Sicília, que fica no noroeste da ilha e lhes dá uma cabeça de ponte para invadir a Itália continental.

A Alemanha Nazista teme uma invasão através do Canal da Mancha ou em qualquer ponto da longa costa do Mar Mediterrâneo que dominava, da França à Grécia. A Alemanha está perdendo a guerra para o Exército Vermelho da União Soviética na frente oriental.

No verão europeu de 1943, a Itália tem apenas 10 divisões na Sicília e a Alemanha duas unidades de tanques. Os britânicos e norte-americanos invadem a ilha com 478 mil homens, 150 mil nos primeiros três dias, com o apoio de 4 mil aviões de combate contra 1,5 mil do Eixo.

Em 25 de julho, o ditador Benito Mussolini cai e o rei Vítor Emanuel III ordena sua prisão. Ele seria libertado pelos alemães em setembro de 1943 e instalado num regime chamado de República Social Italiana na região dominada pelos nazifascistas no Norte da Itália.

Inicialmente as forças do Eixo criam uma barreira no centro da Itália. A Força Expedicionária Brasileira (FEB) luta com os aliados para destruir esta barreira e tomar toda a Itália.

DENG XIAOPING REABILITADO

    Em 1977, depois da cair em desgraça durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), Deng Xiaoping é reabilitado pelo Partido Comunista da China e recebe todos seus antigos cargos de volta, inclusive o de vice-primeiro-ministro.


Filho de um proprietário rural, Deng nasce em Guang'an, na província de Sichuã, em 22 de agosto de 1904. Ele estuda na França (1920-24), onde começa a militância comunista, e na União Soviética (1925-27).

De volta à China, entra para a luta armada. É um líder político e militar do Soviete de Jiangxi, um enclave comunista criado por Mao em 1931. Quando os nacionalistas do Kuomintang (KMT) massacram e perseguem os comunistas, Deng participa da Longa Marcha (1934-35), uma fuga de 9 mil quilômetros durante um ano.

Durante a resistência à invasão japonesa (1937-45), Deng é comissário político junto a um dos exércitos guerrilheiros dos comunistas e comissário-chefe do 2º Exército durante a Guerra Civil Chinesa que termina em 1º de outubro de 1949 com a vitória da revolução comunista.

Deng vira líder regional do partido no Sudoeste. Em 1952, é nomeado vice-primeiro-ministro e depois ministro das Finanças (1953-54), membro do Politburo (1955) e secretário-geral do Partido Comunista (1956-67). Como sua visão da economia era considerada liberal demais para o radicalismo maoísta, Deng cai em desgraça durante a Revolução Cultural e é enviado para reeducação no interior.

Reabilitado por Mao em 1975, no mesmo ano é novamente marginalizado por "desviacionismo direitista" em razão de suas críticas à Revolução Cultural.

Depois de uma grande manifestação de massa na Praça da Paz Celestial, em abril de 1976, Deng é reabilitado pela segunda vez. Em 1977, lança a Primavera de Beijim, uma campanha para criticar os crimes e abusos cometidos naquele período, e se insurge contra a política dos Dois Quaisquer, de Hua Guofeng, o sucessor de Mao, considerando-a inaceitável.

Em 13 de dezembro de 1978, Deng Xiaoping lança seu programa de reformas e abertura econômica, que promove o maior e mais rápido desenvolvimento econômico da história. Em 40 anos, mais de 800 milhões de chineses saem da pobreza. A China vira a segunda maior economia do mundo e a maior potência industrial do planeta. Em breve, pode se tornar a primeira economia do mundo.

A reforma leva a um renascimento acadêmico e cultural. Os anos 1980 são a década de mais liberdade na China. Acaba com o Massacre na Praça da Paz contra o movimento pela liberdade e democracia liderado por estudantes em 4 de junho de 1989. A abertura política morre aí.

Deng não tem cargo de presidente ou primeiro-ministro nesta época, em que é o supremo líder. É presidente da Comissão Militar Central. Tem o comando das Forças Armadas. Ele cria um sistema de liderança coletiva sob o princípio de que o presidente e o líder do partido devem servir dois mandatos de cinco anos. O atual ditador, Xi Jinping, quebra esta regra para se eternizar no poder.

ADEUS A ARMA NUCLEARES

  Em 1987, o líder soviético Mikhail Gorbachev aceita negociar o primeiro tratado da história para eliminar toda uma classe de armas atômicas, os mísseis nucleares terrestres de curto e médio alcances (500 a 5,5 mil km).

Desde que se torna secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, em 11 de março de 1985, Gorbachev começa uma abertura política (glasnost) e uma reforma econômica (perestroika). Isto leva a um degelo e a negociações de desarmamento com o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan.

No fim de 1986, as duas superpotências parecem próximas de um acordo, mas Gorbachev exige o fim da Iniciativa de Defesa Estratégica, mais conhecida como Guerra nas Estrelas, a tentativa de instalar um sistema de defesa antimísseis no espaço, violando o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), de 1972, mais conhecido como MAD (destruição mutuamente assegurada), que significa louco em inglês.

Nesta data, Gorbachev aceita negociar sem precondições. Em 8 de dezembro de 1987, num encontro de cúpula em Washington, Reagan e Gorbachev assinam o Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias, abandonado pelo presidente Donald Trump em 2 de agosto de 2019 sob a alegação de que a Rússia o violou.

EUA MATAM FILHOS DE SADDAM

    Em 2004, os filhos do ditador iraquiano Saddam Hussein, Uday e Qusay morrem num tiroteio com forças dos Estados Unidos em Mossul, no Norte do Iraque

Ambos são considerados mais cruéis do que o pai e acusados de uma série de atrocidades como sequestro, tortura e morte de dissidentes, estupros e violência sexual. Acumulam grande fortunas com contrabando durante o regime de sanções imposto pelas Nações Unidas depois da invasão do Kuwait, em 2 de agosto de 1990.

Depois da invasão de 2003, os EUA oferecem uma recompensa de US$ 15 milhões por informações sobre cada filho de Saddam. Em 22 de julho, forças especiais dos EUA cercam a casa onde eles se escondem. Com o apoio de helicópteros de combate e 100 paraquedistas da 101ª Divisão Aerotransportada, os americanos liquidam os filhos de Saddam.

Os EUA são muito criticados por divulgar imagens dos cadáveres. Alegam que é a única maneira de convencer os aliados do regime das mortes.

Saddam é preso em 13 de dezembro de 2003. Um tribunal especial iraquiano o condena à morte em 5 e novembro de 2006. O ditador é enforcado em 30 de dezembro do mesmo ano.

NASCE UM HERDEIRO DO TRONO

    Em 2013, nasce o príncipe George, primeiro filho do príncipe William e da princesa Kate Middleton, segundo na linha sucessória do rei Carlos III, da Inglaterra, depois do pai.

Dois dias depois, a família real anuncia o nome completo: Sua Alteza Real Príncipe George Alexander Louis de Cambridge. Seus pais eram o Duque e a Duquesa de Cambridge. Com a morte da rainha Elizabeth II e a ascensão de seu pai ao trono, William e sua mulher, Kate Middleton, se tornaram príncipes de Gales e duque e duquesa da Cornualha e duque e duquesa de Rothesay.

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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Junho

PRIMEIRA NOTÍCIA DO HOLOCAUSTO

     Em 1942, o jornal clandestino polonês The Liberty Brigade publica os primeiros relatos sobre o Holocausto, o genocídio cometido pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial (1939-45). Milhares de judeus morrem por inalar gás dentro de caminhonetes no campo de concentração nazista de Chelmno, na Polônia.

Mais de 360 mil judeus de 200 comunidades na Polônia são mortos nessas vans. Um mês antes da Conferência de Wannsee, que aprovou a "solução final" para exterminar os judeus da Europa em 20 de janeiro de 1942, as vans e o gás começaram a matar mil judeus por dia em Chelmno.

Cerca de 6 milhões de judeus morrem no Holocausto, 60% da população judaica da Europa, além de 1,5 milhão de ciganos, socialistas, comunistas, anarquistas, resistentes e dissidentes do regime nazista, num total estimado em 11 milhões de pessoas.

TELEJORNALISMO SEM PARAR

    Em 1980, entra no ar nos Estados Unidos a CNN (Cable News Network), o primeiro canal de televisão especializado em jornalismo, uma iniciativa do empresário Ted Turner.

A transmissão é da sede, em Atlanta, na Geórgia. A principal notícia, a tentativa de assassinato do ativista dos direitos civis Vernan Jordan.

É uma revolução. Até então, o noticiário na TV é dominado pelas três grandes redes nacionais, ABC (American Broadcasting Company), CBS (Columbia Broadcasting System) e NBC (National Broadcasting Company), que apresentam um telejornal de meia hora no início da noite.

A CNN chega inicialmente a menos de 2 milhões de casas. Hoje está em 90 milhões de lares americanos e em 370 milhões no mundo, inclusive hotéis. Ganha prestígio com a cobertura ao vivo da Guerra do Golfo de 1991 e se torna obrigatória para jornalistas.

Em 4 de outubro de 1993, assisti ao vivo o bombardeio do presidente Boris Yeltsin contra o Parlamento da Rússia.

GM EM CONCORDATA

    Em 2009, com dívidas de US$ 173 bilhões, a companhia automobilística General Motors (GM), que durante 79 anos foi a maior fabricante de automóveis do mundo, anuncia que está quebrada e pede proteção contra seus credores.

Depois de saneada com o apoio do governo Barack Obama (2009-17), a GM volta ao mercado em 2010 numa das maiores ofertas iniciais de ações da história dos EUA.

A GM é fundada por William Durant em 1908 e se consolida ao produzir carros de várias marcas, Buick, Oldsmobile, Cadillac e caminhões Rapid. 

É pioneira da ignição elétrica, instalada pela primeira vez no Cadillac 1912. Este avanço tecnológico acaba com a manivela, que era usada para dar a partida. 

A empresa expande suas atividades no exterior com a Vaxhall no Reino Unido em 1925 e a Opel na Alemanha em 1929, quando a a GM supera a Ford e se torna a maior fabricante de automóveis nos EUA.

Em 1941, a GM fabrica 44% dos carros vendidos nos EUA. No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), é uma das maiores empresas do mundo e se beneficia do extraordinário crescimento da economia dos EUA no pós-guerra. Nos anos 1950 e 60, mantém uma fatia de de 40% a 45% do mercado norte-americano.

Com a concorrência dos carros japoneses nos anos 1970 e 80, a GM perde mercado e tem grandes perdas. Nos anos 1990, fecha muitas fábricas e demite dezenas de milhares de trabalhadores.

Em 2008, a companhia japonesa Toyota ultrapassa a GM como maior fabricante de automóveis do mundo. Com a reestruturação, a GM é reduzida a quatro divisões: Buick, Cadillac, Chevrolet e GMC.

POLUIÇÃO LUMINOSA

    Em 2002, a República Tcheca é o primeiro país a aprovar uma lei nacional de combate ao excesso de luz, a chamada Lei do Céu Escuro, que entra em vigor neste dia.

Esta lei exige que que a iluminação externa noturna seja mais eficiente e dirigida para baixo para não iluminar o céu. Cidadãos e organizações que a desrespeitem estão sujeitos a multa.

Num país com tradição na astronomia, onde Johannes Kepler e Tycho Brahe trabalharam com patrocínio imperial, os astrônomos reclamam no início do milênio que precisam ir para a Áustria para ter um céu suficientemente escuro para fazer observações.

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sábado, 11 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Abril

NAPOLEÃO VAI PARA O EXÍLIO EM ELBA

    Em 1814, o imperador Napoleão Bonaparte, um dos maiores generais de todos os tempos, abdica ao trono da França e vai para o exílio na Ilha de Elba, no Mar Mediterrâneo.

Napoleão nasce em Ajácio, na Córsega, em 15 de agosto de 1769, dois anos depois que a ilha passa ao domínio da França. Depois de fazer a escola militar, ele ascende nas Forças Armadas com a Revolução Francesa de 1789, que expurga os oficiais de origem aristocrática. Os generais precisavam ter quatro gerações de nobreza. Em 1795, Napoleão é promovido a general e leva o Exército da França a uma série de vitórias militares na Europa.

Ele toma um poder num golpe militar em 12 de dezembro de 1799. Torna-se primeiro cônsul da França, acaba com a revolução e vira ditador.

Em 1804, Napoleão obriga o papa a coroá-lo imperador. Com mais vitórias militares, conquista uma grande parte da Europa e promove reformas de longo impacto, impondo reformas judiciárias, constituições e o direito de voto para todos os homens, acabando com os resquícios de feudalismo.

No Código Napoleônico, até hoje a base do Direito Civil na França e nos países latinos, inclusive no Brasil, consolida as liberdades conquistadas pela Revolução Francesa como a tolerância religiosa.

Em 1812, comete seu maior erro estratégico. Invade a Rússia com o Grande Exército, de mais de 600 mil homens. A França vence a Batalha de Borodino, em 7 de setembro, mas é uma vitória de Pirro. As baixas francesas ficam perto das russas. Uma semana depois, Napoleão entra em Moscou.

Os russos abandonam e incendeiam Moscou, deixando os franceses sem comida e abrigo. A retirada, durante o outono no Hemisfério Norte, é catastrófica. Toda a Europa se une contra Napoleão. Ele se oferece para abdicar em favor de seu filho, mas a proposta é rejeitada.

Com 700 homens, Napoleão foge do exílio em 26 de fevereiro de 1815, volta a Paris, retoma o poder e reina por 110 dias, até a derrota final na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho do mesmo ano. Em 22 de junho, abdica em favor de seu filho, sai de Paris e tenta fugir para os Estados Unidos, mas é capturado pela Marinha Real britânica.

No exílio na Ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico, Napoleão escreve um livro sobre Júlio César, um de seus grandes heróis, e aprende inglês para ler jornais, já que jornais franceses não chegam à ilha. Ele morre em 5 de maio de 1821.

JOSÉ MARTÍ INVADE CUBA

    Em 1895, o poeta e ensaísta cubano José Martí, herói da independência de Cuba, entra em ilha como líder de uma força invasora que luta contra o colonialismo da Espanha.

José Julián Martí y Pérez nasce em Havana em 28 de janeiro de 1853. Cresce na capital cubana. Aos 15 anos, publica vários poemas. Aos 16 anos, funda o jornal La Patria Libre. Durante uma revolta nacionalista em 1868, fica do lado dos patriotas. É preso e condenado a seis meses de trabalhos forçados. Em 1871, é deportado para a Espanha.

Lá, continua seus estudos e se forma em direito na Universidade de Saragoça em 1874. Nos próximos anos, vive na França, no México e na Guatemala, onde escreve e trabalha como professor. Volta a Cuba em 1878.

Por causa das atividades políticas, é exilado mais uma vez na Espanha em 1879. Vai para a França, Nova York e a Venezuela, onde funda a Revista Venezolana em 1881. A publicação provoca a ira do ditador venezuelano Antonio Guzmán Blanco. No mesmo ano, volta para Nova York, onde continua escrevendo artigos, ensaios e poemas.

Sua coluna no jornal argentino La Nación o torna famoso em toda a América Latina. O livro Versos Libres mostra uma poética singular tendo como tema a liberdade. Nos ensaios Nuestra América (1881), Emerson (1882), Whitman (1887) e Bolívar (1893), expressa suas visões sobre a América Latina e os Estados Unidos.

Em 1892, Martí rejeita o título de presidente e é eleito delegado do Partido Revolucionário Cubano. Em Nova York, planeja a invasão de Cuba. Vai para São Domingos, capital da República Dominica, em 31 de janeiro de 1895. Junto com o líder revolucionário Máximo Gómez e outros patriotas, invade Cuba em 11 de abril. 

José Martí morre numa batalha em Dois Rios, na província do Oriente, em 19 de maio, aos 42 anos. Cuba conquista a independência depois da Guerra Hispano-Americana (1898), em que os EUA derrotam a Espanha. É o fim do imperalismo espanhol, que começa com a Descoberta da América em 1492, e um marco do início do imperialismo norte-americano, Os EUA tomam as Filipinas e Porto Rico.

Depois da morte de Martí, são publicadas coletâneas de seus textos políticos: Dentro do Monstro: escritos sobre os EUA e o imperialismo norte-americano (1975), Nossa América: escritos sobre a América Latina e a luta pela independência de Cuba (1978) e Sobre a Educação (1979).

TRUMAN DEMITE GENERAL MacARTHUR

    Em 1951, o presidente Harry Truman afasta o general Douglas MacArthur do comando das forças dos Estados Unidos e das Nações Unidas na Guerra da Coreia (1950-53) por insubordinação e por não querer travar uma guerra limitada. MacArthur queria usar armas nucleares.

MacArthur nasce em Little Rock, no Arkansas, em 26 de janeiro de 1880. Ele se forma na Academia Militar de West Point com distinção e louvor em 1903. Passa vários meses numa força dos EUA que ocupa Veracruz, no México, em 1914, durante a Revolução Mexicana. Comanda brigada e uma divisão em operações de combate na França da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Em 1930, MacArthur é nomeado comandante do Exército. Passa a Grande Depressão tentando evitar o sucateamento das Forças Armadas. Vai para a reserva em dezembro de 1937.

Um pouco antes da entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial, em julho de 1941, MacArthur é convocado. No dia do bombardeio a Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941, o Japão também ataca as Filipinas, na época uma colônia norte-americana. Vai para a Austrália em março de 1942 como comandante das forças aliadas no Sudoeste do Oceano Pacífico.

Os EUA atacam primeiro a Nova Guiné e Papua, também ocupadas pelo Império do Japão. Suas forças invadem as Filipinas no outono de 1944. Com a vitória, MacArthur é governador militar durante a ocupação do Japão pelos EUA (1945-51). 

Quando começa a Guerra da Coreia, ele é nomeado comandante das forças da ONU. Como a União Soviética está boicotando a ONU em protesto contra a não admissão da República Popular da China (Taiwan ocupou a cadeira da China até 1971), não houve veto no Conselho de Segurança. Até hoje, os EUA tem um mandato da ONU para unificar à força a Península da Coreia. Por isso, a Coreia do Norte diz que os EUA são o verdadeiro inimigo e a Coreia do Sul apenas um país-fantoche.

Depois da invasão norte-coreana que dá início à guerra em 25 de junho de 1950, os EUA contra-atacam. As forças de MacArthur invadem o Norte. Aí o 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, cruza o Rei Yalu, entra na guerra e empurra as forças lideradas pelos EUA para o sul do Paralelo 38º Norte, o marco da divisa entre as duas Coreias.

Há uma guerra entre os EUA e a China dentro da Guerra da Coreia, e a China vence no sentido de que obtém seu objetivo político, evitar que os EUA e aliados tenham forças junto a sua fronteira.

A guerra entra num impasse. MacArthur é afastado. Muito popular, em 1944, 1948 e 1952, conservadores do Partido Republicano tentam lançar a candidatura de MacArthur à Casa Branca. Ele Vira presidente do conselho da Remington Rand Corporation em 1952 e passa o resto da vida no setor privado. Morre aos 84 em Washington em 5 de abril de 1964.

JULGAMENTO DE EICHMANN

    Em 1961, começa em Jerusalém o julgamento do carrasco nazista Adolf Eichmann, que dura oito meses e termina com a única sentença de morte imposta até hoje pela Justiça de Israel.

Eichmann nasce em Solingen, na Alemanha, em 19 de março de 1906. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a família se muda para Linz, na Áustria. Ele trabalha como caixeiro viajante para uma companhia de petróleo e perde o emprego durante a Grande Depressão (1929-39).

Em abril de 1932, Eichmann entra para o Partido Nazista. Em novembro, se torna membro da SS, a força paramilitar do partido. De janeiro a outubro de 1934, ele serve na unidade da SS no campo de concentração de Dachau. Depois, vai para o escritório central do serviço secreto da SS, em Berlim, onde trabalha na seção encarregada da questão judaica.

Ele sobe na hierarquia da SS. Quando a Alemanha Nazista anexa a Áustria, em março de 1938, é enviado para livrar Viena de judeus. Um ano depois, com a anexação da Tcheco-Eslováquia, vai a Praga com a mesma missão.

Quando Heinrich Himmler cria o Escritório Central de Segurança do Reich, em 1939, Eichmann é transferido para sua seção de questões judaicas. Na Conferência do Lago Wannsee, em Berlim, em 20 de janeiro de 1942, os líderes nazistas aprovam a "solução final" para os judeus da Alemanha e dos países conquistados, o genocídio cometido no Holocausto. Eichmann é o principal executor.

Cabe a ele identificar, reunir e transportar todos os judeus da Europa ocupada para centros de extermínio como o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Seis milhões, 60% dos judeus da Europa, morrem no Holocausto.

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os Estados Unidos prendem Eichmann, mas em 1946 ele consegue escapar. Depois de alguns anos vivendo na Alemanha com identidade falsa, ele foge para a Argentina em 1958 através da Áustria e da Itália.

Em 11 de maio de 1960, o serviço secreto de Israel sequestra Eichmann perto de Buenos Aires e nove dias depois o leva para Israel. O julgamento por juízes judeus num Estado judeu que não existia na época do Holocausto suscita dúvidas sobre legalidade e legitimidade. Há propostas para que Eichmann seja processado por um tribunal internacional, mas Israel faz questão de realizar o julgamento, inclusive como educação sobre o Holocausto.

No tribunal, ele alega que não é antissemita, mas apenas um burocrata obediente que cumpria rigorosamente as ordens. Em 15 de dezembro de 1961, o julgamento termina com a condenação de Eichmann, que é enforcado em 31 de maio de 1962.

Agora, por iniciativa do governo de extrema direita, a Knesset, o Parlamento de Israel, acaba de aprovar uma lei discriminatória que cria a pena de morte por terrorismo, mas só para palestinos. Israelenses condenados pelos mesmos delitos, como os colonos da Cisjordânia, não estão sujeitos à pena capital.

FUGA DE IDI AMIN

    Em 1979, quando as forças da Tanzânia se aproximam de Kampala, Idi Amin Dada, o protótipo do ditador africano cruel e brutal, que se torna conhecido como o Carniceiro de Uganda, foge.

Idi Amin nasce em 1924 ou 1925 e tem pouca educação formal. Em 1946, ele entra para o exército colonial britânico como auxiliar de cozinheiro. Ele alega ter lutado na Birmânia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas só entra para o exército depois do fim da guerra. Luta contra a Revolta dos Mau Mau (1952-56) no Quênia, um episódio trágico da descolonização da África.

Quando Uganda se torna independente, em 1962, Idi Amin se aproxima do primeiro-ministro e presidente Milton Obote. Ele se torna comandante do Exército e da Força Aérea, dá um golpe em 25 de janeiro de 1971 e impõe uma tirania.

Em 1972, expulsa os asiáticos de Uganda, na maioria indianos, o que tem forte impacto negativo na economia. Muçulmano, hostiliza Israel, se aproxima da Líbia e dos palestinos. Envolve-se diretamente no sequestro de um avião francês desviado para Entebe, em 1976, quando comandos israelenses invadem o país para resgatar os reféns.

Cerca de 300 mil pessoas morrem sob a ditadura de Idi Amin, comparado pelo senador Paulo Brossard ao ditador brasileiro Ernesto Geisel (1974-79) no discurso Carranca não é autoridade.

Em outubro de 1978, Idi Amin ordena um ataque à vizinha Tanzânia. Com o apoio da oposição em Uganda, o Exército da Tanzânia vence a guerra. Quando as forças tanzanianas se aproximam de Kampala, a capital de Uganda, em 11 de abril de 1979, Idi Amin foge para a Líbia e depois para a Arábia Saudita, onde morre em 16 de agosto de 2003.

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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 27 de Janeiro

 DANTE EXILADO

    Em 1302, o poeta Dante Alighieri é expulso de Florença depois de mandar várias pessoas para o exílio quando é um dos governantes da cidade-estado. Ele escreve sua obra-prima, A Divina Comédia, considerado o maior livro da literatura italiana, quando é praticamente um andarilho, indo de cidade em cidade em busca de proteção para sua família.

Há um conflito político em Florença entre duas facções: os brancos e os pretos. Dante vai para o exílio por apoiar os brancos.

De certa, o inferno, purgatório e paraíso da Divina Comédia refletem o jornada do poeta neste mundo. O livro analisa os problemas humanos com profundidade, uma linguagem criativa e rica em imagens,

Ao escolher o italiano e não o latim para escrever seu livro, Dante se torna pioneiro e o maior nome da literatura italiana. Durante séculos, é uma das línguas mais importantes da literatura.

NASCE UM DOS MAIORES GÊNIOS DA HUMANIDADE

    Em 1756, nasce em Salzburgo, na Áustria, Wolfgang Amadeus Mozart, um dos maiores compositores da história da música.

Aos três anos, Mozart faz suas primeiras experiências com instrumentos de cordas. Aos quatro anos, toca peças curtas. Aos cinco anos, Mozart compõe suas primeiras músicas. Aos seis anos, seu pai o leva para tocar na corte da Baviera, em Munique. 

Leopold descreve o filho como "o milagre que Deus deixou nascer em Salzburgo". O menino-prodígio toca nos principais centros de música da Europa, como Munique, Stuttgart, Mainz, Mannheim, Frankfurt, Bruxelas, Paris, Londres, Haia, Amsterdã, Lyon e Viena. 

Junto com Haydn e Ludwig van Beethoven, ele eleva a escola clássica vienense a seus melhores momentos. Mozart compõe músicas de todos os gêneros musicais de sua época e é excelente em todos. No total, compõe mais de 600 músicas entre sinfonias, óperas, concertos, sonatas e música de câmara.

FIM DO CERCO DE LENINGRADO

    Em 1944, o Exército da União Soviética vence as últimas tropas da Alemanha Nazista e da Finlândia que cercam Leningrado, hoje São Petersburgo, por 872 dias durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Cerca de 1 milhão de pessoas morrem na antiga capital da Rússia, berço das revoluções de 1917.

O cerco começa em 8 de setembro de 1941, com a participação da Itália e da Finlândia, dois meses e meio depois da invasão da União Soviética pela Alemanha Nazista, em 22 de junho. A conquista de Leningrado é um dos objetivos da Operação Barbarossa.

Ao invadir a URSS, as forças dos exércitos nazista e aliados atacam em três frentes. Uma marcha para o Norte, rumo a Leningrado, outra para o Centro em direção a Moscou e a terceira para o Sul rumo à Ucrânia.

Como há muita fome na cidade cercada, os pais não deixam os filhos menores e jovens sair de casa. Há um mercado negro de carne humana em Leningrado.

No começo de 1944, os soviéticos mobilizam 1 milhão de soldados, o dobro do número de inimigos. As últimas unidades alemãs se rendem em 27 de janeiro de 1944.

A vitória em Leningrado, depois da ganhar as batalhas de Stalingrado e Kursk, em 1943, são decisivas para o avanço do Exército Vermelho rumo a Berlim até a vitória final, em 8 de maio de 1945.  

LIBERTAÇÃO DE AUSCHWITZ

    Em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45) só restam 7,6 mil prisioneiros quando o Exército Vermelho chega a Auschwitz-Birkenau, na Polônia, o maior centro de extermínio e o maior campo de concentração do regime nazista da Alemanha de Adolf Hitler, onde se estima que 1,5 milhão de pessoas foram mortas, inclusive 1,1 milhão de judeus.

Os sobreviventes estão tão fracos, confusos e desorientados que, no primeiro momento, nem se dão conta de que estão sendo são libertados. A data é comemorada como Dia em Memória do Holocausto. 

Auschwitz, Oswiecim em polonês, fica num importante entroncamento ferroviário da Europa Oriental. O campo de concentração começa a funcionar secretamente num antigo quartel do Exército da Polônia  em 20 de maio de 1940, antes da cúpula do regime nazista aprovar a "solução final para a questão judaica", o genocídio do povo judeu, na Conferência de Wannsee, em Berlim, em 20 de janeiro de 1942.

Em outubro de 1941, a SS, a organização paramilitar do Partido Nazista, cria um complexo centro de extermínio: 300 prédios para prisões, quatro câmaras de gás, chamadas de "casas da banho", e fornos crematórios. Milhares de prisioneiros são submetidos às experiências genéticas do Dr. Josef Mengele, o Anjo da Morte.

Ao todo, estima-se que 11 milhões de pessoas morrem no Holocausto, entre elas 6 milhões de judeus, 1,5 milhão de ciganos, socialistas, comunistas, negros, prisioneiros de guerra e dissidentes do regime nazista.

INCÊNDIO MATA ASTRONAUTAS DA APOLO 1

    Em 1967, a nave Apolo 1 pega fogo durante um teste na plataforma de lançamento, em Cabo Canaveral, na Flórida, e os três astronautas a bordo – Edward White, Roger Chaffee e Virgil Grissom – morrem, no primeiro acidente fatal do programa espacial dos Estados Unidos.

O primeiro lançamento do programa Apolo da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço), que leva o homem à Lua, está marcado para 21 de fevereiro de 1967. O acidente acontece num treinamento. 

White foi o primeiro astronauta norte-americano a sair da nave e passear no espaço, em 3 de junho de 1965.


EUA SAEM DA GUERRA DO VIETNÃ

    Em 1973, os Estados Unidos assinam o Acordo de Paris com o Vietnã do Norte para trocar prisioneiros e sair da Guerra do Vietnã (1955-75).


Quando o Japão se rende na Segunda Guerra Mundial, o líder comunista Ho Chi Minh declara a independência do Vietnã. A França, potência colonial na Indochina antes da ocupação japonesa, não aceita. A Primeira Guerra da Indochina (1946-54) começa no ano seguinte e termina com a vitória do Vietnã.

O país é dividido em Vietnã do Norte (comunista) e Vietnã do Sul (capitalista). Uma conferência de paz em Genebra estabelece que serão realizadas eleições para unificar o país. Em plena Guerra Fria, quando fica evidente que os comunistas de Ho Chi Minh vão vencer, os EUA cancelam as eleições.

A Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã começa em 1º de novembro de 1955, em reação à decisão norte-americana de acabar com as eleições. A União Soviética e a China apoiam o Vietnã do Norte e os EUA o Vietnã do Sul. 

No governo Dwight Eisenhower (1953-61), os EUA começam a mandar assessores militares. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil militares norte-americanos no Vietnã do Sul. Alguns participam de combates.

Os EUA entram oficialmente na guerra no governo Lyndon Johnson (1963-69), que forja o Incidente do Golfo de Tonkin. Em 2 de agosto de 1964, o contratorpedeiro USS Maddox é atacado por três lanchas da Marinha dos EUA. Johnson acusa o Vietnã do Norte e usa o caso como pretexto para pressionar o Congresso a aprovar a guerra.

Ao todo, 2,594 milhões de soldados norte-americanos servem na Guerra do Vietnã. O pico é 543.482, em 30 de abril de 1969. 

As negociações de paz começam em 10 de maio de 1968 em Paris, o mês da Revolução dos Estudantes. Após um impasse inicial, no governo Richard Nixon (1969-74), EUA e Vietnã do Norte chegam a um acordo, depois da morte de 58.220 soldados dos EUA. 

A guerra só acaba em 30 abril de 1975, quando as forças do Vietnã do Norte tomam Saigon, a capital do Vietnã do Sul, hoje Cidade de Ho Chi Minh, com cenas espetaculares de fuga de helicópteros da Embaixada dos EUA. Mais de 3,3 milhões de vietnamitas morrem na guerra. Entre 1,5 milhão e 2 milhões de pessoas, o povo dos barcos, fogem do regime comunista.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 15 de Dezembro

 MORTE DE TOURO SENTADO

    Em 1890, a polícia mata numa reserva do estado de Dakota do Sul o cacique sioux Touro Sentado, um dos maiores símbolos da resistência indígena à colonização dos Estados Unidos por imigrantes europeus e seus descendentes.

Sua recusa em levar a tribo para uma reserva indígena leva à Batalha de Little Big Horn, em 25 de junho de 1876, quando sioux e cheienes liderados por Touro Sentado e Cavalo Doido derrotam o 7º Regimento de Cavalaria, comandado pelo general George Custer. É a última grande vitória dos índios nas Guerras Indígenas dos EUA.

EICHMANN CONDENADO

    Em 1961, o carrasco nazista Adolf Eichmann, um oficial da SS, a milícia do Partido Nazista, encarregado da "solução final da questão judaica" no Holocausto, é condenado à morte em Telavive por um tribunal de crimes de guerra de Israel.

Eichmann nasce em Solingen, na Alemanha, em 19 de março de 1906. Em novembro de 1932, entra para a SS, encarregada de policiamento, inteligência e aplicação das políticas antissemitas. Ele sobe rapidamente na hierarquia.

Com a anexação da Áustria em 12 e 13 de março de 1938, Eichmann vai para Viena com a missão de livrar a cidade de judeus. Cria uma deportação. Em 1939, vai para a Tcheco-Eslováquia ocupada com a mesma missão e é indicado para a seção judaica do escritório central da SS, em Berlim.

Em 20 de janeiro de 1942, Eichmann participa da Conferência de Wannsee, em Berlim, que adota a "solução final" para exterminar os judeus da Europa. Cerca de 6 milhões, 60% dos judeus da Europa, são mortos até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Ele é capturado pelos Estados Unidos, mas consegue fugir de um campo de prisioneiros e escapa do julgamento no Tribunal de Crimes de Guerra de Nurembergue, na Alemanha. Com falsa identidade, viaja pela Europa e o Oriente Médio até chegar em 1950 à Argentina, onde se refugiam vários nazistas.

Em 1957, um procurador alemão informa Israel que Eichmann está na Argentina. O Mossad, serviço secreto de Israel, envia agentes que localizam o genocida em San Fernando, na Grande Buenos Aires. Como Israel supõe que a Argentina não vai aceitar um pedido de extradição, decide sequestrar o carrasco nazista.

Israel aproveita o grande fluxo de turistas para a Argentina em 1960 para a festa dos 150 anos da revolução que leva à independência do país. Em 11 de maio, o Mossad prende Eichmann quando caminha para a casa depois de descer de um ônibus. A família o procura em hospitais, mas não avisa a polícia.

Em 20 de maio, drogado, Eichmann é embarcado num avião disfarçado como um aeronauta israelense que teria sofrido um trauma na cabeça num acidente. Três dias depois, o primeiro-ministro David Ben Gurion revela que Eichmann está sob custódia em Israel.

A Argentina exige a devolução, mas Israel argumenta que é um criminoso de guerra com crimes contra a humanidade. O primeiro julgamento televisionado da história começa em 11 de abril de 1961.

Eichmann é alvo de 15 acusações de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e crimes contra o povo judeu. Em sua defesa, ele alega que apenas cumpria ordens, mas é condenado por todas as acusações em 15 de dezembro e enforcado perto de Telavive em 31 de maio de 1962.

REVOLUÇÃO ROMENA

    Em 1989, a polícia abre fogo contra uma grande manifestação de protesto na cidade de Timissoara, onde a maioria étnica é de húngaros, e deflagra a revolução que derruba a ditadura comunista de Nicolae Ceausescu na Romênia.

Ceausescu é o ditador mais brutal dos regimes comunistas da Europa Oriental. No poder desde 1965,  ele retira a Romênia do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela União Soviética. Condena das invasões de Tcheco-Eslováquia (1968) e do Afeganistão (1979).

Se adota uma política externa independente, internamente não tolera oposição ou qualquer dissenso. Para aumentar a taxa de natalidade, em 1966, proíbe o aborto e os anticoncepcionais. Em 1982, manda exportar grande parte das produções agrícola e industrial, o que causa escassez de alimentos, medicamentos, combustíveis, reduzindo o nível de vida da população. Ele também incentiva um culto da personalidade dele e de sua mulher, Elena.

Quando a polícia atira nos manifestantes em Timissoara, uma pessoa morre, mas um repórter da Agência de Notícias da Alemanha Oriental, que tinha feita sua revolução com a queda do Muro de Berlim em 9 de novembro, reporta que 10 mil morreram.

Em 22 de dezembro, quando Ceausescu faz um comício em Bucareste, é vaiado pela multidão e os militares romenos aderem à rebelião. O ditador e sua mulher são presos. Depois de um julgamento sumário, são executados em 25 de dezembro.

REABERTA TORRE DE PISA

    Em 2001, a Torre Inclinada de Pisa, na Itália, é reaberta ao público depois de 11 anos de obras no valor de US$ 27 milhões para estabilizar a estrutura. Tem 56 metros de altura. É feita de mármore.

A construção da torre do sino começa em 1173 como terceira estrutura da catedral da cidade. Quando a obra está no terceiro dos oito andares, o solo começa a ceder, levando a uma inclinação da torre em 5,5 graus ou 4,5 metros. As obras conseguem reduzir a inclinação para menos de 4 graus.

FIM DA INVASÃO DO IRAQUE

    Em 2011, o presidente Barack Obama, que sempre foi contra a invasão, retira as forças dos Estados Unidos e acaba com a guerra no Iraque.

A invasão do Iraque em 20 de março de 2003 é ordenada pelo presidente George Walker Bush sob o falso pretexto de que a ditadura de Saddam Hussein desenvolve armas de destruição em massa. O ditador cai em 9 de abril e Bush declara "missão cumprida" em 1º de maio de 2003.

Os EUA cometem vários erros, a começar pela invasão em si, inclusive a dissolução das forças de segurança do Iraque e de toda a máquina do Estado, dominada pelo partido Baath. Como o Iraque não resiste, as forças de Saddam vão para a clandestinidade com suas armas.

A alienação da minoria árabe sunita, que mandava no Iraque desde que o Império Otomano toma conta da região séculos atrás, provoca uma revolta contra o invasor, e a infiltração da rede terrorista Al Caeda agrava a situação, levando o presidente Bush a enviar um reforço de tropas em 2007.

Obama se elege em 2009 prometendo acabar com as guerras no Afeganistão e no Iraque. Ao não conseguir apoio do primeiro-ministro Nuri al-Maliki para garantir a impunidade dos soldados dos EUA, Obama decide retirar as forças norte-americanas do Iraque.

No segundo governo Obama (2013-17), a ameaça do grupo terrorista Estado Islâmico, antiga Al Caeda no Iraque, depois Estado Islâmico do Iraque, Estado Islâmico do Iraque e do Levante e Estado Islâmico, leva os militares dos EUA de volta ao Iraque em agosto de 2014.

Os EUA encerram suas missões de combate em 9 de dezembro de 2021, mas ainda mantém 2,5 mil soldados no Iraque. Suas bases militares são alvo de milícias apoiadas pelo Irã desde o início da atual guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

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