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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Hoje na História do Mundo: 14 de Outubro

CONQUISTA NORMANDA

    Em 1066, o exército invasor de Guilherme, Duque da Normandia, vence o rei Haroldo II na Batalha de Hastings e conquista a Inglaterra.

Como não tem filhos, o rei Eduardo o Confessor (1042-66) barganha com a herança do trono. Em 1051, ao se desentender com Goduíno, Conde de Essex, o homem mais poderoso da Inglaterra, provavelmente oferece a coroa a seu primo Guilherme da Normandia.

Quando Goduíno morre, em 1053, seu filho Haroldo, novo Conde de Essex, começa a trabalhar para herdar o trono. Passa uma década consolidando seu poder junto à nobreza e ao clero. Mas seu reinado é curto. Vai de 5 de janeiro a 14 de outubro de 1066.

Guilherme o Conquistador mantém seus domínios na Normandia criando um país que atravessava o Canal da Mancha, o que está na origem de séculos de guerras entre Inglaterra e França até se tornarem aliadas na Entente Cordiale, em 1904.

REVOLTA EM SOBIBOR

    Em 1943, cerca de 300 funcionários judeus do campo de concentração e centro de extermínio de Sobibor, na Polônia ocupada pela Alemanha Nazista, se revoltam e matam vários guardas ucranianos e supervisores da SS, a organização paramilitar do Partido Nazista. Vários prisioneiros morrem ao tentar fugir durante a rebelião.

Sobibor é um dos três campos de concentração da Operação Reinhard, cuja meta é matar todos os judeus da Polônia depois que a Conferência do Lago Wannsee, em Berlim, aprova em 20 de janeiro de 1942 a "solução final" da questão judaica, o extermínio dos judeus da Europa.

De maio a julho de 1942, os nazistas levam para Sobibor judeus da Alemanha, da Áustria, da Eslováquia e da Polônia. 

Todos os presos sobreviventes da revolta são mortos no dia seguinte. Os nazistas desmontam o campo e plantam árvores no local. Só cerca de 50 prisioneiros sobrevivem à guerra. Pelo menos 170 mil pessoas, talvez 250 mil, morrem em Sobibor. É o quarto centro de extermínio nazista em número de mortes, atrás de Auschwitz, Treblinka e Belzec.

SUICÍDIO DA RAPOSA DO DESERTO

    Em 1944, o marechal de campo alemão Erwin Rommel, a Raposa do Deserto, um dos mais qualificados comandantes militares da Alemanha Nazista, ex-comandante do Exército da África, se suicida tomando veneno depois da descoberta de sua ligação com a Operação Walquíria, a conspiração para matar Adolf Hitler.

Johannes Erwin Eugen Rommel nasce em 15 de novembro de 1891 em Herrlingen. Ele serve como oficial na Primeira Guerra Mundial (1914-18). É condecorado por ações na frente italiana. No período entreguerras, escreve livros e progride na carreira militar.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), comanda a 7ª Divisão Panzer da Wehrmacht, o Exército nazista, na invasão à França, em maio e junho de 1940. Sua liderança no comando do Afrika Korps durante a campanha no Norte da África lhe dá o apelido de Raposa do Deserto.

Depois da derrota para forças do Império Britânico na Segunda Batalha de El Alamein, travada de 23 de outubro a 3 de novembro de 1942, ele é transferido para cuidar da Muralha do Atlântico que os nazistas constroem para tentar, sem sucesso, impedir a invasão da Normandia em 6 de junho de 1944.

CRISE DOS MÍSSEIS EM CUBA

    Em 1962, um avião-espião norte-americano U-2 fotografa a construção de silos para mísseis que a União Soviética está erguendo em Cuba, deflagrando a pior crise da Guerra Fria, que deixa o mundo mais perto do que nunca de uma guerra nuclear. 

A tensão entre os EUA e a URSS em torno de Cuba se agrava com a fracassada invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1991, uma operação articulada pela Agência Central Inteligência (CIA) com refugiados cubanos, um projeto do vice-presidente Richard Nixon, um ferrenho anticomunista, no governo Dwight Eisenhower (1953-61). O presidente John Kennedy (1961-63) herda a operação.

Vitorioso, o comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro, pede proteção à URSS. Em um ano, o número de assessores militares soviéticos em Cuba sobe para mais de 20 mil.

Fidel e o líder soviético, Nikita Kruschev, estão certos de que os EUA tentarão invadir de novo. Sob pressão da linha dura, Kruschev pensa em se fortalecer e neutralizar a presença de mísseis nucleares norte-americanos na Turquia, perto do território soviético.

Dois dias depois, devidamente analisadas por oficiais de inteligência, as fotos chegam à mesa do presidente Kennedy no Salão Oval da Casa Branca. Os mísseis dão à URSS a condição de lançar um primeiro ataque de uma distância de 140 quilômetros, podendo atingir quase todo o território dos EUA.

Kennedy cria um gabinete de guerra, onde pombas e falcões travam um duelo entre diplomacia e uso da força, e decide impor um bloqueio aeronaval a Cuba. Em 22 de outubro, Kennedy faz um pronunciamento na televisão comunicando ao povo norte-americano que a URSS está instalando mísseis nucleares em Cuba, o que considera inaceitável, e anuncia o que chamou de "quarentena", na verdade um bloqueio aeronaval.

Todo navio soviético que se aproximar de Cuba está sujeito a abordagem e inspeção dos EUA para não levar mais equipamentos nucleares à ilha. Kennedy exige a retirada dos mísseis e a destruição dos silos.

São os dias mais tensos da Guerra Fria. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear. Diante do impasse, os EUA se preparam para invadir Cuba. Um jornalista soviético, todo jornalista soviético era também agente secreto, estranha a ausência de jornalistas no café do Capitólio e comenta com um atendente que avisa: "Está todo o mundo indo para Cuba porque os EUA vão invadir.”,

Este jornalista liga para Moscou e Kruschev finalmente cede. Em 27 de outubro, a URSS anuncia a retirada dos mísseis de Cuba e os EUA se comprometem a remover os mísseis instalados na Turquia, que eram obsoletos e seriam retirados mesmo. Os dois países fazem um acordo tácito para os EUA não invadirem Cuba.

Depois desta crise, as superpotências instalam o telefone vermelho, uma linha direta entre o Kremlin e a Casa Branca para os líderes resolverem pessoalmente as crises mais graves. Enfraquecido, Kruschev cai dois anos depois por questões internas do regime comunista soviético.

LUTA PACÍFICA

    Em 1964, o pastor Martin Luther King Jr. ganha o Prêmio Nobel da Paz por sua luta pacífica pelos direitos civis e a justiça social para os negros dos Estados Unidos.

Sob a inspiração do líder pacifista da independência da Índia, o Mahatma Gandhi, Luther King adota a luta pacífica, com a desobediência civil criada por Henry David Thoreau, o naturalista e ativista norte-americano que se nega a pagar impostos para não financiar a Guerra Mexicano-Americana (1846-48). Thoreau é lido pelo escritor russo Leon Tolstói e suas ideias influenciam Gandhi, Nelson Mandela e Luther King.

Ele lidera o boicote dos negros ao sistema de ônibus de Montgomery, no estado do Alabama, em 1955, depois que a ativista Rosa Parker se nega a ceder o assento para um branco, e leva o movimento contra as leis de discriminação racial a Albany, na Geórgia, e a Birmingham, no Alabama.

Na Marcha sobre Washington, em 28 de agosto de 1963, Luther King faz no Memorial de Lincoln, na capital dos EUA, seu discurso mais importante, Eu Tenho um Sonho: "Eu tenho um sonho de que um dia meus filhos não sejam julgados pela cor da pele, mas pela nobreza do seu caráter."

O Dr. King, que é chamado nos EUA, é investigado pelo FBI, a polícia federal norte-americana, por supostas ligações com grupos esquerdistas. Em 1964, ganha o Prêmio Nobel da Paz e o governo Lyndon Johnson (1963-69), herdeiro de John Kennedy, aprova a Lei de Direitos Civis, dando finalmente igualdade de direitos aos pretos nos EUA.

Às 18h01 de 4 de abril de 1968, James Earl Ray mata Luther King atirando na varanda do segundo andar do hotel onde está hospedado em Memphis, no Tennessee, onde apoia uma greve dos trabalhadores de serviços sanitários negros discriminados.

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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 28 de Agosto

ÚLTIMOS DIAS DO IMPÉRIO ROMANO DO OCIDENTE

    Em 476, o chefe bárbaro Flávio Odoacro captura e executa Orestes, pai do último imperador romano do Ocidente, Rômulo Augústulo.

Um ano antes, Orestes promete terras a seus mercenários e proclama o filho imperador. Como não cumpre a promessa, é alvo de uma revolta liderada por Odoacro. 

Em 23 de agosto de 476, Orestes foge para Pávia, onde recebe refúgio do arcebispo de cidade. Quando Odoacro invade e saqueia Pávia, Orestes foge para Piacenza, onde é preso e morto. Seu filho Rômulo Augústulo cai em 4 de setembro. Odoacro se torna rei da Itália.

É o fim do Império Romano do Ocidente e da Antiguidade. O Império Romano do Oriente ou Império Bizantino sobrevive por mais dez séculos, até a tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453, marco do fim da Idade Média.

CERCO DE TOULON

    Em 1793, durante as Guerras Revolucionárias da França, começa o Cerco de Toulon, em que o jovem oficial de artilharia Napoleão Bonaparte obtém sua primeira glória ao forçar a retirada de uma frota anglo-espanhola que captura Toulon e suas fortes em apoio à monarquia e ao Antigo Regime.

Na primavera de 1793, uma série de derrotas militares fortalece os extremistas dentro da Revolução Francesa (1789-99). Os girondinos são expulsos da Convenção Nacional e os montanhases tomam o poder com o apoio dos sanculottes (trabalhadores, artesãos e pequenos comerciantes) de Paris.

Os montanheses são tão burgueses quanto os girondinos, mas, para atender às necessidades da defesa, adota políticas econômicas e sociais radicais que provocam reações violentas: a Guerra da Vendeia, os levantes "federalistas" na Normandia e na Provença, os revoltas de Lyon, de Bordeaux e de Chouans, na Bretanha.

Toulon tem uma base naval e um arsenal importantes. Contrarrevolucionários monarquistas se aliam ao vice-almirante britânico Lorde Hood. Concordam em entregar Toulon a Hood se ele se comprometer a preservar a cidade e seus navios.

Em 27 de agosto, uma frota anglo-espanhola sob o comando de Lorde Hood e Juan de Lángara tomam a cidade e seus fortes em nome do rei Luís XVII, filho de Luís XVI, guilhotinado em 21 de janeiro de 1793. O plano é restaurar a Constituição de 1791. A frota britânica captura mais de 70 navios, quase a metade da Marinha da França e a maior parte de sua frota mediterrânea.

Tanto pela importância estratégica da base naval quanto pelo prestígio da Revolução Francesa, Toulon precisa ser retomada.

O cerco de Toulon começa sob o comando do general Jean-François Carteaux sem grande vigor nos primeiros dois meses. Quando o comandante da artilharia francesa é ferido, Napoleão é nomeado por indicação do comissário do Exército, Antoine Saliceti, um deputado montanhês da Córsega amigo da família Bonaparte.

Napoleão é promovido a major em setembro e a general adjunto em outubro. No início de novembro, o general Carteaux é nomeado comandante do Exército francês na Itália. Seu substituto, general Jacques Dugommier logo percebe o talento de Napoleão. Os dois juntos traçam a estratégia para expulsar os invasores de Tulum. 

REI ZULU CAPTURADO

    Em 1879, o Império Britânico captura o rei Cetshwayo kaMpande, último grande líder da Zululândia, no fim da Guerra Britânico-Zulu. Cetshwayo é exilado.

Os britânicos tomam em 1843 a província de Natal dos bôeres, os descendentes dos colonos holandeses que povoam o que hoje é a África do Sul a partir da fundação da Cidade do Cabo por Jan van Riebeeck, em 1652.

Cetshwayo desafia o domínio colonial. Em 1879, os britânicos invadem a Zululândia e sofrem grandes perdas na Batalha de Isandlwana, quando têm 1,3 mil baixas, e na Batalha do Monte Hoblane. São as únicas vitórias militares de um exército armado com lanças e escudos contra um exército moderno com armas de fogo.

Na Batalha de Khambula, em 29 de março, o império vence. Capturado, Cetshwayo vai para o exílio. Volta em 1883 e retoma o controle de parte da Zululândia, mas sua liderança está abalada pela derrota. Cai de novo, volta para o exílio e morre no ano seguinte.

Diante da revolta zulu, em 1887, o Império Britânico anexa a Zululândia, que em 1897 passa a fazer parte da província de Natal, que em 1910 forma a União Sul-Africana junto com a província do Cabo e outras.

"EU TENHO UM SONHO"

    Em 1963, no fim da Marcha sobre Washington, o reverendo Martin Luther King Jr., líder da luta pacífica pelos civis dos negros nos Estados Unidos, faz no Memorial de Lincoln, diante de 250 mil pessoas, seu discurso mais importante, Eu Tenho um Sonho: "Eu tenho um sonho de que um dia meus quatro filhos vão viver num país onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela nobreza de seu caráter."

Os manifestantes se reúnem na luta por liberdade e oportunidades iguais de trabalho para a minoria de origem africana. Nos degraus do monumento em homenagem a Abraham Lincoln, o presidente que aboliu a escravatura, o Dr. King afirma em linguagem direta: "O negro ainda não é livre."

Além do discurso mais importante de Luther King, a Marcha sobre Washington teve música, com Bob Dylan e Joan Baez.

FIM DE UM SONHO

    Em 1996, quatro anos depois da separação, os príncipes de Gales, Charles e Diana, se divorciam oficialmente, pondo fim ao que no primeiro momento parecia um conto de fadas, com o herdeiro da coroa do Reino Unido casando com uma linda princesa na Catedral de São Paulo, em Londres, em 29 de julho de 1981.

Diana Frances Spencer, filha de John e Frances Spencer, Visconde e Viscondessa de Althorp, nasce em 1º de julho de 1961 na nobreza britânica. Está lavando o chão da cozinha do apartamento que ganha da mãe em Earl's Court, em Londres, quando ouve no rádio que é a favorita para casar com Charles, o Príncipe da Gales, filho mais velho da Rainha Elizabeth II e do Príncipe Philip, hoje Rei Carlos III ou Charles III.

Philip está preocupado porque o herdeiro do trono é solteiro. Na época, só mulheres virgens podem casar com o Príncipe de Gales, o que é dispensado da Princesa Kate Middleton, mulher do Príncipe William, o atual herdeiro do trono. Para casar com Charles, Diana é submetida a um exame de virgindade pelo ginecologista da rainha.

O casamento de contos de fada é transmitido ao vivo pela televisão para o mundo inteiro, mas a jovem princesa não se adapta ao rigor e à frieza da vida da família real britânica, que a obriga, por exemplo, a trocar de roupa pelo menos três vezes por dia. Não pode usar o mesmo traje no café da manhã, no almoço ou no jantar.

A relação fracassa pela incompatibilidade de gênios e os casos extraconjugais dos dois. Os dois travam uma verdadeira guerra dos príncipes nas páginas da feroz imprensa sensacionalista briânica.

Em 1992, depois de ter dois filhos, William e Henry, o casal se separa. É o que a rainha chama de "ano horrível" porque o Castelo de Windsor, sua residência favorita, pega fogo. Eles se divorciam em 1996. Diana morre no ano seguinte, num acidente de trânsito em Paris, quando o carro do namorado Jodi Fayed, foge de fotógrafos em Paris, em 31 de agosto de 1997.

Carlos III, agora casado com a ex-amante Camilla Parker-Bowles, ascende ao trono com a morte da mãe, em 8 de setembro de 2022.

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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Julho

LINCOLN PREPARA ABOLIÇÃO

   Em 1862, o presidente Abraham Lincoln anuncia a seus ministros que vai proclamar a abolição da escravatura quando o Exército da União (Norte) tiver obtido uma vitória militar substancial na Guerra da Secessão (1861-65) contra os Estados Confederados da América (Sul).

Mas o momento não é bom para o Norte. Os confederados conquistam grandes vitórias. A França e o Reino Unido estão prestes a reconhecer a independência do Sul.

Lincoln faz a Declaração de Emancipação em 1º de janeiro de 1863 para ver se muda o destino da guerra. Em carta ao editor do jornal New York Tribune, em agosto de 1862, revela que seu principal objetivo na guerra é "salvar a União e não salvar ou abolir a escravidão".

A esperança é que a proclamação leve a uma adesão em massa de escravos ao Exército da União. Mas a Guerra Civil Americana continua até 9 de abril de 1865. A emenda constitucional que acaba com a escravidão é aprovada meses antes, em 31 de janeiro. Com cerca de 620 mil mortes, é o conflito armado mais violento da história dos EUA.

PRIMEIRA VOLTA AO MUNDO DE AVIÃO

    Em 1933, o piloto americano Wiley Post se torna o primeiro aviador a dar a volta ao mundo sozinho.

Post leva sete dias, 18 horas e 49 minutos. Sai de Nova York em 15 de julho e vai direto até Berlim. Depois, cruza a União Soviética e faz escalas no Alasca e no Canadá antes de posar em Nova York.

Seu avião, chamado Winnie Mae, é um monomotor Lockheed Vega. Em agosto de 1935, Post e o humorista Will Rogers morrem num acidente aéreo no Alasca quando tentam ir para a URSS sobrevoando o Polo Norte.

FBI MATA INIMIGO PÚBLICO NÚMERO UM

    Em 1934, agentes do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, matam em Chicago o criminoso John Dillinger, o "inimigo público número um" do país.

Durante uma carreira de crimes de pouco mais de um ano, em meio à Grande Depressão (1929-39), Dillinger e sua gangue assaltam 11 bancos em sete estados, roubam mais de US$ 300 mil, atacam uma prisão e matam 10 policiais. Como só assalta bancos e parte da população norte-americana culpa os bancos pela Grande Depressão (1929-39), é chamado de Robin Hood.

Preso em Tucson, no Arizona, em 25 de janeiro de 1934, é extraditado para Indiana, onde aguarda julgamento pelo assassinato de um policial. Em 3 de março, foge espetacularmente e rouba duas submetralhadoras do arsenal da cadeia. Vai para Chicago, onde se associa a Nelson Cara de Bebê, um assassino psicótico que trabalhara para o mafioso Al Capone.

No seu último assalto, em South Bend, no estado de Indiana, em 30 de junho, a gangue rouba US$ 30 mil, mata um policial e fere quatro civis. Em julho, Anna Sage, uma dona de bordel nascida na Romênia, entrega Dillinger em troca de um acordo de leniência com o FBI.

Eles vão ao cinema ver Manhattan Melodrama. Vinte policiais cercam o prédio. Quando Dillinger sai, às 22h40, recebe ordem de prisão, foge correndo, é baleado e morto. 

DO GUETO DE VARSÓVIA PARA TREBLINKA

    Em 1942, começa a deportação sistemática de judeus do Gueto de Varsóvia para o recém-construído campo de concentração de Treblinka, na Polônia. Milhares de judeus são presos todos os dias e enviados para a morte em centros de extermínio.

A Conferência de Wannsee, nome de um lago em Berlim, aprova em 20 de janeiro a "solução final", a decisão de exterminar os judeus da Europa. 

Em 17 de julho, Heinrich Himmler chega a Auschwitz para assistir à chegada de 2 mil judeus holandeses e à morte nas câmaras de gás de 500, a maioria velhos, doentes e muito jovens. No dia seguinte, Himmler promove o comandante do campo, Rudolph Hess, a major das SS, as tropas de choque do regime nazista, e ordena uma "limpeza total" no Gueto de Varsóvia.

Mais de 250 mil judeus são enviados a Treblinka, a cerca de 100 quilômetros de Varsóvia, e mortos nas câmaras de gás em sete semanas a partir da ordem de Himmler.

Ao todo, estima-se que 11 milhões de pessoas morrem no Holocausto. Além de 6 milhões de judeus, 1,5 milhão de ciganos, comunistas, anarquistas, socialistas, deficientes, resistentes e opositores do regime nazista.

ALIADOS TOMAM PALERMO

    Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), as forças aliadas, sob o comando do general norte-americano George Patton, tomam Palermo, a capital da Sicília, que fica no noroeste da ilha e lhes dá uma cabeça de ponte para invadir a Itália continental.

A Alemanha Nazista teme uma invasão através do Canal da Mancha ou em qualquer ponto da longa costa do Mar Mediterrâneo que dominava, da França à Grécia. A Alemanha está perdendo a guerra para o Exército Vermelho da União Soviética na frente oriental.

No verão europeu de 1943, a Itália tem apenas 10 divisões na Sicília e a Alemanha duas unidades de tanques. Os britânicos e norte-americanos invadem a ilha com 478 mil homens, 150 mil nos primeiros três dias, com o apoio de 4 mil aviões de combate contra 1,5 mil do Eixo.

Em 25 de julho, o ditador Benito Mussolini cai e o rei Vítor Emanuel III ordena sua prisão. Ele seria libertado pelos alemães em setembro de 1943 e instalado num regime chamado de República Social Italiana na região dominada pelos nazifascistas no Norte da Itália.

Inicialmente as forças do Eixo criam uma barreira no centro da Itália. A Força Expedicionária Brasileira (FEB) luta com os aliados para destruir esta barreira e tomar toda a Itália.

DENG XIAOPING REABILITADO

    Em 1977, depois da cair em desgraça durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), Deng Xiaoping é reabilitado pelo Partido Comunista da China e recebe todos seus antigos cargos de volta, inclusive o de vice-primeiro-ministro.


Filho de um proprietário rural, Deng nasce em Guang'an, na província de Sichuã, em 22 de agosto de 1904. Ele estuda na França (1920-24), onde começa a militância comunista, e na União Soviética (1925-27).

De volta à China, entra para a luta armada. É um líder político e militar do Soviete de Jiangxi, um enclave comunista criado por Mao em 1931. Quando os nacionalistas do Kuomintang (KMT) massacram e perseguem os comunistas, Deng participa da Longa Marcha (1934-35), uma fuga de 9 mil quilômetros durante um ano.

Durante a resistência à invasão japonesa (1937-45), Deng é comissário político junto a um dos exércitos guerrilheiros dos comunistas e comissário-chefe do 2º Exército durante a Guerra Civil Chinesa que termina em 1º de outubro de 1949 com a vitória da revolução comunista.

Deng vira líder regional do partido no Sudoeste. Em 1952, é nomeado vice-primeiro-ministro e depois ministro das Finanças (1953-54), membro do Politburo (1955) e secretário-geral do Partido Comunista (1956-67). Como sua visão da economia era considerada liberal demais para o radicalismo maoísta, Deng cai em desgraça durante a Revolução Cultural e é enviado para reeducação no interior.

Reabilitado por Mao em 1975, no mesmo ano é novamente marginalizado por "desviacionismo direitista" em razão de suas críticas à Revolução Cultural.

Depois de uma grande manifestação de massa na Praça da Paz Celestial, em abril de 1976, Deng é reabilitado pela segunda vez. Em 1977, lança a Primavera de Beijim, uma campanha para criticar os crimes e abusos cometidos naquele período, e se insurge contra a política dos Dois Quaisquer, de Hua Guofeng, o sucessor de Mao, considerando-a inaceitável.

Em 13 de dezembro de 1978, Deng Xiaoping lança seu programa de reformas e abertura econômica, que promove o maior e mais rápido desenvolvimento econômico da história. Em 40 anos, mais de 800 milhões de chineses saem da pobreza. A China vira a segunda maior economia do mundo e a maior potência industrial do planeta. Em breve, pode se tornar a primeira economia do mundo.

A reforma leva a um renascimento acadêmico e cultural. Os anos 1980 são a década de mais liberdade na China. Acaba com o Massacre na Praça da Paz contra o movimento pela liberdade e democracia liderado por estudantes em 4 de junho de 1989. A abertura política morre aí.

Deng não tem cargo de presidente ou primeiro-ministro nesta época, em que é o supremo líder. É presidente da Comissão Militar Central. Tem o comando das Forças Armadas. Ele cria um sistema de liderança coletiva sob o princípio de que o presidente e o líder do partido devem servir dois mandatos de cinco anos. O atual ditador, Xi Jinping, quebra esta regra para se eternizar no poder.

ADEUS A ARMA NUCLEARES

  Em 1987, o líder soviético Mikhail Gorbachev aceita negociar o primeiro tratado da história para eliminar toda uma classe de armas atômicas, os mísseis nucleares terrestres de curto e médio alcances (500 a 5,5 mil km).

Desde que se torna secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, em 11 de março de 1985, Gorbachev começa uma abertura política (glasnost) e uma reforma econômica (perestroika). Isto leva a um degelo e a negociações de desarmamento com o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan.

No fim de 1986, as duas superpotências parecem próximas de um acordo, mas Gorbachev exige o fim da Iniciativa de Defesa Estratégica, mais conhecida como Guerra nas Estrelas, a tentativa de instalar um sistema de defesa antimísseis no espaço, violando o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), de 1972, mais conhecido como MAD (destruição mutuamente assegurada), que significa louco em inglês.

Nesta data, Gorbachev aceita negociar sem precondições. Em 8 de dezembro de 1987, num encontro de cúpula em Washington, Reagan e Gorbachev assinam o Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias, abandonado pelo presidente Donald Trump em 2 de agosto de 2019 sob a alegação de que a Rússia o violou.

EUA MATAM FILHOS DE SADDAM

    Em 2004, os filhos do ditador iraquiano Saddam Hussein, Uday e Qusay morrem num tiroteio com forças dos Estados Unidos em Mossul, no Norte do Iraque. 

Ambos são considerados mais cruéis do que o pai e acusados de uma série de atrocidades como sequestro, tortura e morte de dissidentes, estupros e violência sexual. Acumulam grande fortunas com contrabando durante o regime de sanções imposto pelas Nações Unidas depois da invasão do Kuwait, em 2 de agosto de 1990.

Depois da invasão de 2003, os EUA oferecem uma recompensa de US$ 15 milhões por informações sobre cada filho de Saddam. Em 22 de julho, forças especiais dos EUA cercam a casa onde eles se escondem. Com o apoio de helicópteros de combate e 100 paraquedistas da 101ª Divisão Aerotransportada, os americanos liquidam os filhos de Saddam.

Os EUA são muito criticados por divulgar imagens dos cadáveres. Alegam que é a única maneira de convencer os aliados do regime das mortes.

Saddam é preso em 13 de dezembro de 2003. Um tribunal especial iraquiano o condena à morte em 5 e novembro de 2006. O ditador é enforcado em 30 de dezembro do mesmo ano.

NASCE UM HERDEIRO DO TRONO

    Em 2013, nasce o príncipe George, primeiro filho do príncipe William e da princesa Kate Middleton, segundo na linha sucessória do rei Carlos III, da Inglaterra, depois do pai.

Dois dias depois, a família real anuncia o nome completo: Sua Alteza Real Príncipe George Alexander Louis de Cambridge. Seus pais eram o Duque e a Duquesa de Cambridge. Com a morte da rainha Elizabeth II e a ascensão de seu pai ao trono, William e sua mulher, Kate Middleton, se tornaram príncipes de Gales e duque e duquesa da Cornualha e duque e duquesa de Rothesay.

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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Junho

PRIMEIRA NOTÍCIA DO HOLOCAUSTO

     Em 1942, o jornal clandestino polonês The Liberty Brigade publica os primeiros relatos sobre o Holocausto, o genocídio cometido pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial (1939-45). Milhares de judeus morrem por inalar gás dentro de caminhonetes no campo de concentração nazista de Chelmno, na Polônia.

Mais de 360 mil judeus de 200 comunidades na Polônia são mortos nessas vans. Um mês antes da Conferência de Wannsee, que aprovou a "solução final" para exterminar os judeus da Europa em 20 de janeiro de 1942, as vans e o gás começaram a matar mil judeus por dia em Chelmno.

Cerca de 6 milhões de judeus morrem no Holocausto, 60% da população judaica da Europa, além de 1,5 milhão de ciganos, socialistas, comunistas, anarquistas, resistentes e dissidentes do regime nazista, num total estimado em 11 milhões de pessoas.

TELEJORNALISMO SEM PARAR

    Em 1980, entra no ar nos Estados Unidos a CNN (Cable News Network), o primeiro canal de televisão especializado em jornalismo, uma iniciativa do empresário Ted Turner.

A transmissão é da sede, em Atlanta, na Geórgia. A principal notícia, a tentativa de assassinato do ativista dos direitos civis Vernan Jordan.

É uma revolução. Até então, o noticiário na TV é dominado pelas três grandes redes nacionais, ABC (American Broadcasting Company), CBS (Columbia Broadcasting System) e NBC (National Broadcasting Company), que apresentam um telejornal de meia hora no início da noite.

A CNN chega inicialmente a menos de 2 milhões de casas. Hoje está em 90 milhões de lares americanos e em 370 milhões no mundo, inclusive hotéis. Ganha prestígio com a cobertura ao vivo da Guerra do Golfo de 1991 e se torna obrigatória para jornalistas.

Em 4 de outubro de 1993, assisti ao vivo o bombardeio do presidente Boris Yeltsin contra o Parlamento da Rússia.

GM EM CONCORDATA

    Em 2009, com dívidas de US$ 173 bilhões, a companhia automobilística General Motors (GM), que durante 79 anos foi a maior fabricante de automóveis do mundo, anuncia que está quebrada e pede proteção contra seus credores.

Depois de saneada com o apoio do governo Barack Obama (2009-17), a GM volta ao mercado em 2010 numa das maiores ofertas iniciais de ações da história dos EUA.

A GM é fundada por William Durant em 1908 e se consolida ao produzir carros de várias marcas, Buick, Oldsmobile, Cadillac e caminhões Rapid. 

É pioneira da ignição elétrica, instalada pela primeira vez no Cadillac 1912. Este avanço tecnológico acaba com a manivela, que era usada para dar a partida. 

A empresa expande suas atividades no exterior com a Vaxhall no Reino Unido em 1925 e a Opel na Alemanha em 1929, quando a a GM supera a Ford e se torna a maior fabricante de automóveis nos EUA.

Em 1941, a GM fabrica 44% dos carros vendidos nos EUA. No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), é uma das maiores empresas do mundo e se beneficia do extraordinário crescimento da economia dos EUA no pós-guerra. Nos anos 1950 e 60, mantém uma fatia de de 40% a 45% do mercado norte-americano.

Com a concorrência dos carros japoneses nos anos 1970 e 80, a GM perde mercado e tem grandes perdas. Nos anos 1990, fecha muitas fábricas e demite dezenas de milhares de trabalhadores.

Em 2008, a companhia japonesa Toyota ultrapassa a GM como maior fabricante de automóveis do mundo. Com a reestruturação, a GM é reduzida a quatro divisões: Buick, Cadillac, Chevrolet e GMC.

POLUIÇÃO LUMINOSA

    Em 2002, a República Tcheca é o primeiro país a aprovar uma lei nacional de combate ao excesso de luz, a chamada Lei do Céu Escuro, que entra em vigor neste dia.

Esta lei exige que que a iluminação externa noturna seja mais eficiente e dirigida para baixo para não iluminar o céu. Cidadãos e organizações que a desrespeitem estão sujeitos a multa.

Num país com tradição na astronomia, onde Johannes Kepler e Tycho Brahe trabalharam com patrocínio imperial, os astrônomos reclamam no início do milênio que precisam ir para a Áustria para ter um céu suficientemente escuro para fazer observações.

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sábado, 11 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Abril

NAPOLEÃO VAI PARA O EXÍLIO EM ELBA

    Em 1814, o imperador Napoleão Bonaparte, um dos maiores generais de todos os tempos, abdica ao trono da França e vai para o exílio na Ilha de Elba, no Mar Mediterrâneo.

Napoleão nasce em Ajácio, na Córsega, em 15 de agosto de 1769, dois anos depois que a ilha passa ao domínio da França. Depois de fazer a escola militar, ele ascende nas Forças Armadas com a Revolução Francesa de 1789, que expurga os oficiais de origem aristocrática. Os generais precisavam ter quatro gerações de nobreza. Em 1795, Napoleão é promovido a general e leva o Exército da França a uma série de vitórias militares na Europa.

Ele toma um poder num golpe militar em 12 de dezembro de 1799. Torna-se primeiro cônsul da França, acaba com a revolução e vira ditador.

Em 1804, Napoleão obriga o papa a coroá-lo imperador. Com mais vitórias militares, conquista uma grande parte da Europa e promove reformas de longo impacto, impondo reformas judiciárias, constituições e o direito de voto para todos os homens, acabando com os resquícios de feudalismo.

No Código Napoleônico, até hoje a base do Direito Civil na França e nos países latinos, inclusive no Brasil, consolida as liberdades conquistadas pela Revolução Francesa como a tolerância religiosa.

Em 1812, comete seu maior erro estratégico. Invade a Rússia com o Grande Exército, de mais de 600 mil homens. A França vence a Batalha de Borodino, em 7 de setembro, mas é uma vitória de Pirro. As baixas francesas ficam perto das russas. Uma semana depois, Napoleão entra em Moscou.

Os russos abandonam e incendeiam Moscou, deixando os franceses sem comida e abrigo. A retirada, durante o outono no Hemisfério Norte, é catastrófica. Toda a Europa se une contra Napoleão. Ele se oferece para abdicar em favor de seu filho, mas a proposta é rejeitada.

Com 700 homens, Napoleão foge do exílio em 26 de fevereiro de 1815, volta a Paris, retoma o poder e reina por 110 dias, até a derrota final na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho do mesmo ano. Em 22 de junho, abdica em favor de seu filho, sai de Paris e tenta fugir para os Estados Unidos, mas é capturado pela Marinha Real britânica.

No exílio na Ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico, Napoleão escreve um livro sobre Júlio César, um de seus grandes heróis, e aprende inglês para ler jornais, já que jornais franceses não chegam à ilha. Ele morre em 5 de maio de 1821.

JOSÉ MARTÍ INVADE CUBA

    Em 1895, o poeta e ensaísta cubano José Martí, herói da independência de Cuba, entra em ilha como líder de uma força invasora que luta contra o colonialismo da Espanha.

José Julián Martí y Pérez nasce em Havana em 28 de janeiro de 1853. Cresce na capital cubana. Aos 15 anos, publica vários poemas. Aos 16 anos, funda o jornal La Patria Libre. Durante uma revolta nacionalista em 1868, fica do lado dos patriotas. É preso e condenado a seis meses de trabalhos forçados. Em 1871, é deportado para a Espanha.

Lá, continua seus estudos e se forma em direito na Universidade de Saragoça em 1874. Nos próximos anos, vive na França, no México e na Guatemala, onde escreve e trabalha como professor. Volta a Cuba em 1878.

Por causa das atividades políticas, é exilado mais uma vez na Espanha em 1879. Vai para a França, Nova York e a Venezuela, onde funda a Revista Venezolana em 1881. A publicação provoca a ira do ditador venezuelano Antonio Guzmán Blanco. No mesmo ano, volta para Nova York, onde continua escrevendo artigos, ensaios e poemas.

Sua coluna no jornal argentino La Nación o torna famoso em toda a América Latina. O livro Versos Libres mostra uma poética singular tendo como tema a liberdade. Nos ensaios Nuestra América (1881), Emerson (1882), Whitman (1887) e Bolívar (1893), expressa suas visões sobre a América Latina e os Estados Unidos.

Em 1892, Martí rejeita o título de presidente e é eleito delegado do Partido Revolucionário Cubano. Em Nova York, planeja a invasão de Cuba. Vai para São Domingos, capital da República Dominica, em 31 de janeiro de 1895. Junto com o líder revolucionário Máximo Gómez e outros patriotas, invade Cuba em 11 de abril. 

José Martí morre numa batalha em Dois Rios, na província do Oriente, em 19 de maio, aos 42 anos. Cuba conquista a independência depois da Guerra Hispano-Americana (1898), em que os EUA derrotam a Espanha. É o fim do imperalismo espanhol, que começa com a Descoberta da América em 1492, e um marco do início do imperialismo norte-americano, Os EUA tomam as Filipinas e Porto Rico.

Depois da morte de Martí, são publicadas coletâneas de seus textos políticos: Dentro do Monstro: escritos sobre os EUA e o imperialismo norte-americano (1975), Nossa América: escritos sobre a América Latina e a luta pela independência de Cuba (1978) e Sobre a Educação (1979).

TRUMAN DEMITE GENERAL MacARTHUR

    Em 1951, o presidente Harry Truman afasta o general Douglas MacArthur do comando das forças dos Estados Unidos e das Nações Unidas na Guerra da Coreia (1950-53) por insubordinação e por não querer travar uma guerra limitada. MacArthur queria usar armas nucleares.

MacArthur nasce em Little Rock, no Arkansas, em 26 de janeiro de 1880. Ele se forma na Academia Militar de West Point com distinção e louvor em 1903. Passa vários meses numa força dos EUA que ocupa Veracruz, no México, em 1914, durante a Revolução Mexicana. Comanda brigada e uma divisão em operações de combate na França da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Em 1930, MacArthur é nomeado comandante do Exército. Passa a Grande Depressão tentando evitar o sucateamento das Forças Armadas. Vai para a reserva em dezembro de 1937.

Um pouco antes da entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial, em julho de 1941, MacArthur é convocado. No dia do bombardeio a Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941, o Japão também ataca as Filipinas, na época uma colônia norte-americana. Vai para a Austrália em março de 1942 como comandante das forças aliadas no Sudoeste do Oceano Pacífico.

Os EUA atacam primeiro a Nova Guiné e Papua, também ocupadas pelo Império do Japão. Suas forças invadem as Filipinas no outono de 1944. Com a vitória, MacArthur é governador militar durante a ocupação do Japão pelos EUA (1945-51). 

Quando começa a Guerra da Coreia, ele é nomeado comandante das forças da ONU. Como a União Soviética está boicotando a ONU em protesto contra a não admissão da República Popular da China (Taiwan ocupou a cadeira da China até 1971), não houve veto no Conselho de Segurança. Até hoje, os EUA tem um mandato da ONU para unificar à força a Península da Coreia. Por isso, a Coreia do Norte diz que os EUA são o verdadeiro inimigo e a Coreia do Sul apenas um país-fantoche.

Depois da invasão norte-coreana que dá início à guerra em 25 de junho de 1950, os EUA contra-atacam. As forças de MacArthur invadem o Norte. Aí o 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, cruza o Rei Yalu, entra na guerra e empurra as forças lideradas pelos EUA para o sul do Paralelo 38º Norte, o marco da divisa entre as duas Coreias.

Há uma guerra entre os EUA e a China dentro da Guerra da Coreia, e a China vence no sentido de que obtém seu objetivo político, evitar que os EUA e aliados tenham forças junto a sua fronteira.

A guerra entra num impasse. MacArthur é afastado. Muito popular, em 1944, 1948 e 1952, conservadores do Partido Republicano tentam lançar a candidatura de MacArthur à Casa Branca. Ele Vira presidente do conselho da Remington Rand Corporation em 1952 e passa o resto da vida no setor privado. Morre aos 84 em Washington em 5 de abril de 1964.

JULGAMENTO DE EICHMANN

    Em 1961, começa em Jerusalém o julgamento do carrasco nazista Adolf Eichmann, que dura oito meses e termina com a única sentença de morte imposta até hoje pela Justiça de Israel.

Eichmann nasce em Solingen, na Alemanha, em 19 de março de 1906. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a família se muda para Linz, na Áustria. Ele trabalha como caixeiro viajante para uma companhia de petróleo e perde o emprego durante a Grande Depressão (1929-39).

Em abril de 1932, Eichmann entra para o Partido Nazista. Em novembro, se torna membro da SS, a força paramilitar do partido. De janeiro a outubro de 1934, ele serve na unidade da SS no campo de concentração de Dachau. Depois, vai para o escritório central do serviço secreto da SS, em Berlim, onde trabalha na seção encarregada da questão judaica.

Ele sobe na hierarquia da SS. Quando a Alemanha Nazista anexa a Áustria, em março de 1938, é enviado para livrar Viena de judeus. Um ano depois, com a anexação da Tcheco-Eslováquia, vai a Praga com a mesma missão.

Quando Heinrich Himmler cria o Escritório Central de Segurança do Reich, em 1939, Eichmann é transferido para sua seção de questões judaicas. Na Conferência do Lago Wannsee, em Berlim, em 20 de janeiro de 1942, os líderes nazistas aprovam a "solução final" para os judeus da Alemanha e dos países conquistados, o genocídio cometido no Holocausto. Eichmann é o principal executor.

Cabe a ele identificar, reunir e transportar todos os judeus da Europa ocupada para centros de extermínio como o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Seis milhões, 60% dos judeus da Europa, morrem no Holocausto.

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os Estados Unidos prendem Eichmann, mas em 1946 ele consegue escapar. Depois de alguns anos vivendo na Alemanha com identidade falsa, ele foge para a Argentina em 1958 através da Áustria e da Itália.

Em 11 de maio de 1960, o serviço secreto de Israel sequestra Eichmann perto de Buenos Aires e nove dias depois o leva para Israel. O julgamento por juízes judeus num Estado judeu que não existia na época do Holocausto suscita dúvidas sobre legalidade e legitimidade. Há propostas para que Eichmann seja processado por um tribunal internacional, mas Israel faz questão de realizar o julgamento, inclusive como educação sobre o Holocausto.

No tribunal, ele alega que não é antissemita, mas apenas um burocrata obediente que cumpria rigorosamente as ordens. Em 15 de dezembro de 1961, o julgamento termina com a condenação de Eichmann, que é enforcado em 31 de maio de 1962.

Agora, por iniciativa do governo de extrema direita, a Knesset, o Parlamento de Israel, acaba de aprovar uma lei discriminatória que cria a pena de morte por terrorismo, mas só para palestinos. Israelenses condenados pelos mesmos delitos, como os colonos da Cisjordânia, não estão sujeitos à pena capital.

FUGA DE IDI AMIN

    Em 1979, quando as forças da Tanzânia se aproximam de Kampala, Idi Amin Dada, o protótipo do ditador africano cruel e brutal, que se torna conhecido como o Carniceiro de Uganda, foge.

Idi Amin nasce em 1924 ou 1925 e tem pouca educação formal. Em 1946, ele entra para o exército colonial britânico como auxiliar de cozinheiro. Ele alega ter lutado na Birmânia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas só entra para o exército depois do fim da guerra. Luta contra a Revolta dos Mau Mau (1952-56) no Quênia, um episódio trágico da descolonização da África.

Quando Uganda se torna independente, em 1962, Idi Amin se aproxima do primeiro-ministro e presidente Milton Obote. Ele se torna comandante do Exército e da Força Aérea, dá um golpe em 25 de janeiro de 1971 e impõe uma tirania.

Em 1972, expulsa os asiáticos de Uganda, na maioria indianos, o que tem forte impacto negativo na economia. Muçulmano, hostiliza Israel, se aproxima da Líbia e dos palestinos. Envolve-se diretamente no sequestro de um avião francês desviado para Entebe, em 1976, quando comandos israelenses invadem o país para resgatar os reféns.

Cerca de 300 mil pessoas morrem sob a ditadura de Idi Amin, comparado pelo senador Paulo Brossard ao ditador brasileiro Ernesto Geisel (1974-79) no discurso Carranca não é autoridade.

Em outubro de 1978, Idi Amin ordena um ataque à vizinha Tanzânia. Com o apoio da oposição em Uganda, o Exército da Tanzânia vence a guerra. Quando as forças tanzanianas se aproximam de Kampala, a capital de Uganda, em 11 de abril de 1979, Idi Amin foge para a Líbia e depois para a Arábia Saudita, onde morre em 16 de agosto de 2003.

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