Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Em 1808,a 5ª Sinfonia do alemão Ludwig van Beethoven, talvez o maior compositor de todos os tempos, faz sua estreia em Viena, na Áustria, numa noite muito fria, sem aquecimento, para uma plateia pequena, o que atrasa o reconhecimento da grandeza da obra.
É a sinfonia mais popular da história, mas sua magnitude não é reconhecida no primeiro momento. O concerto dura quatro horas sob frio intenso e a 5ª sinfonia começa mais de duas depois do início.
Beethoven é ao mesmo tempo maestro e pianista. A orquestra toca mal. Ele interrompe e recomeça.
Também estreiam naquela noite o Concerto para Piano nº 4 e a 6ª Sinfonia (Pastoral) de Beethoven, mas dentro de pouco tempo é a 5ª Sinfonia que recebe aclamação.
Em 1810, um crítico importante elogia Beethoven por superar Wolfgang Amadeus Mozart e Joseph Haydn com uma música que "abre o reino do colossal e incomensurável... evoca terror, medo e dor, e desperta um anseio que é a essência do romantismo."
DOSTOIÉVSKI SALVO DE FUZILAMENTO
Em 1849, o escritor russo Fiódor Dostoiévski é levado a um pelotão fuzilamento e preparado para execução depois de ter sido condenado em 16 de novembro por atividades antigovernamentais. Na última hora, é poupado e enviado para o exílio interno num campo de trabalhos forçados na Sibéria.
Dostoiévski nasce em 11 de novembro de 1821 em Moscou. O pai é médico do Hospital dos Pobres, em Moscou, onde enriquece e compra terras e servos.
Com a morte do pai, Dostoiévski, que sofre de epilepsia, estuda engenharia militar e se torna funcionário público enquanto escreve secretamente seus livros. Lança os primeiros, Povo Pobre e O Duplo em 1846. O primeiro é um sucesso; o segundo fracassa.
É libertado em 1854 e serve como soldado na fronteira com a Mongólia. De volta à Rússia europeia, em 1859, funda uma revista no ano seguinte e mais tarde viaja pela Europa. Em 1866, publica Crime e Castigo, sua obra mais popular.
Em 1867, casa com uma estenógrafa. O casal foge da Rússia para escapar dos credores. Com o sucesso de O Possesso, o casal volta a São Petersburgo. Em 1879, publica sua obra-prima, Os Irmãos Karamazov, um sucesso imediato. Morre 9 de fevereiro de 1881.
CASO DREYFUS
Em 1894, uma corte marcial da França condena o capitão judeu Alfred Dreyfus à prisão perpétua sob a acusação de espionagem, de passar segredos militares para a Alemanha, num julgamento cheio de vícios processuais.
Quatro meses depois, o capitão de artilharia começa a cumprir pena na prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa. O caso revela o antissemitismo da França.
Quando surgem indícios de que o verdadeiro espião é o major Ferdinand Esterhazy, o Exército tenta esconder as provas. Esterhazy é levado à corte marcial e absolvido em uma hora num julgamento em janeiro de 1898.
Indignado, o escritor Émile Zola publica uma carta aberta chamada Eu Acusono jornal Aurora, acusando os juízes, o Exército e o presidente da França. O jornal vende 200 mil exemplares num dia.
Zola é condenado por calúnia, mas consegue fugir para a Inglaterra. O escândalo divide a França. Enquanto nacionalistas e a Igreja Católica apoiam o Exército, republicanos, socialistas e defensores da liberdade religiosa defendem Dreyfus.
Em 1898, o major Hubert Henry admite ter forjado provas contra Dreyfus e comete suicídio. Pouco depois, Esterhazy foge do país
Dreyfus é levado a novo julgamento em 1899 e condenado a 10 anos de prisão em outro processo forjado. Um novo governo francês o perdoa. Em 1906, o Tribunal Superior de Recursos anula a sentença.
O Caso Dreyfus provoca grande liberalização na França, reduz o poder dos militares e leva à separação formal entre Igreja e Estado.
QUEDA DE CEAUSESCU
Em 1989, o Exército da Romênia adere à revolta anticomunista e derruba o ditador Nicolae Ceausescu, no poder há 42 anos. É o último dos países-satélites da União Soviética a se livrar do comunismo na Europa Oriental, depois de Polônia, Hungria, Alemanha Oriental, Tcheco-Eslováquia e Bulgária.
A derrocada do Gênio dos Cárpatos começa três dias antes, quando as forças de segurança romenas abrem fogo contra uma manifestação de romenos de origem húngara em Timisoara. Morre uma pessoa, mas um repórter da agência de notícias alemã-oriental anuncia a morte de milhares.
Ceausescu tenta se defender com um discurso em Bucareste, mas é vaiado pela multidão. Ele e a mulher, Elena, fogem de helicóptero. São presos, condenados por assassinato em massa num julgamento sumário por um tribunal militar revolucionário e executados no dia de Natal por um pelotão de fuzilamento.
REABERTO O PORTÃO DA BRANDEMBURGO
Em 1989, o Portão de Brandemburgo, um dos símbolos da capital histórica da Alemanha, é reaberto após ficar fechado desde o início da construção do Muro de Berlim em agosto de 1961.
O portão é encomendado pelo rei Frederico Guilherme II para ser a entrada da avenida Unter den Linden rumo ao palácio real da Prússia. É construído de 1788 a 1791 sob a inspiração da Acrópole
Depois da queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro, a reabertura do Portão de Brandemburgo é um passo importante rumo à Reunificação da Alemanha, que acontece em 3 de outubro de 1990.
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Em 1890, a polícia mata numa reserva do estado de Dakota do Sul o cacique sioux Touro Sentado, um dos maiores símbolos da resistência indígena à colonização dos Estados Unidos por imigrantes europeus e seus descendentes.
Sua recusa em levar a tribo para uma reserva indígena leva à Batalha de Little Big Horn, em 25 de junho de 1876, quando sioux e cheienes liderados por Touro Sentado e Cavalo Doido derrotam o 7º Regimento de Cavalaria, comandado pelo general George Custer. É a última grande vitória dos índios nas Guerras Indígenas dos EUA.
EICHMANN CONDENADO
Em 1961, o carrasco nazista Adolf Eichmann, um oficial da SS, a milícia do Partido Nazista, encarregado da "solução final da questão judaica" no Holocausto, é condenado à morte em Telavive por um tribunal de crimes de guerra de Israel.
Eichmann nasce em Solingen, na Alemanha, em 19 de março de 1906. Em novembro de 1932, entra para a SS, encarregada de policiamento, inteligência e aplicação das políticas antissemitas. Ele sobe rapidamente na hierarquia.
Com a anexação da Áustria em 12 e 13 de março de 1938, Eichmann vai para Viena com a missão de livrar a cidade de judeus. Cria uma deportação. Em 1939, vai para a Tcheco-Eslováquia ocupada com a mesma missão e é indicado para a seção judaica do escritório central da SS, em Berlim.
Em 20 de janeiro de 1942, Eichmann participa da Conferência de Wannsee, em Berlim, que adota a "solução final" para exterminar os judeus da Europa. Cerca de 6 milhões, 60% dos judeus da Europa, são mortos até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).
Ele é capturado pelos Estados Unidos, mas consegue fugir de um campo de prisioneiros e escapa do julgamento no Tribunal de Crimes de Guerra de Nurembergue, na Alemanha. Com falsa identidade, viaja pela Europa e o Oriente Médio até chegar em 1950 à Argentina, onde se refugiam vários nazistas.
Em 1957, um procurador alemão informa Israel que Eichmann está na Argentina. O Mossad, serviço secreto de Israel, envia agentes que localizam o genocida em San Fernando, na Grande Buenos Aires. Como Israel supõe que a Argentina não vai aceitar um pedido de extradição, decide sequestrar o carrasco nazista.
Israel aproveita o grande fluxo de turistas para a Argentina em 1960 para a festa dos 150 anos da revolução que leva à independência do país. Em 11 de maio, o Mossad prende Eichmann quando caminha para a casa depois de descer de um ônibus. A família o procura em hospitais, mas não avisa a polícia.
Em 20 de maio, drogado, Eichmann é embarcado num avião disfarçado como um aeronauta israelense que teria sofrido um trauma na cabeça num acidente. Três dias depois, o primeiro-ministro David Ben Gurion revela que Eichmann está sob custódia em Israel.
A Argentina exige a devolução, mas Israel argumenta que é um criminoso de guerra com crimes contra a humanidade. O primeiro julgamento televisionado da história começa em 11 de abril de 1961.
Eichmann é alvo de 15 acusações de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e crimes contra o povo judeu. Em sua defesa, ele alega que apenas cumpria ordens, mas é condenado por todas as acusações em 15 de dezembro e enforcado perto de Telavive em 31 de maio de 1962.
REVOLUÇÃO ROMENA
Em 1989, a polícia abre fogo contra uma grande manifestação de protesto na cidade de Timissoara, onde a maioria étnica é de húngaros, e deflagra a revolução que derruba a ditadura comunista de Nicolae Ceausescu na Romênia.
Ceausescu é o ditador mais brutal dos regimes comunistas da Europa Oriental. No poder desde 1965, ele retira a Romênia do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela União Soviética. Condena das invasões de Tcheco-Eslováquia (1968) e do Afeganistão (1979).
Se adota uma política externa independente, internamente não tolera oposição ou qualquer dissenso. Para aumentar a taxa de natalidade, em 1966, proíbe o aborto e os anticoncepcionais. Em 1982, manda exportar grande parte das produções agrícola e industrial, o que causa escassez de alimentos, medicamentos, combustíveis, reduzindo o nível de vida da população. Ele também incentiva um culto da personalidade dele e de sua mulher, Elena.
Quando a polícia atira nos manifestantes em Timissoara, uma pessoa morre, mas um repórter da Agência de Notícias da Alemanha Oriental, que tinha feita sua revolução com a queda do Muro de Berlim em 9 de novembro, reporta que 10 mil morreram.
Em 22 de dezembro, quando Ceausescu faz um comício em Bucareste, é vaiado pela multidão e os militares romenos aderem à rebelião. O ditador e sua mulher são presos. Depois de um julgamento sumário, são executados em 25 de dezembro.
REABERTA TORRE DE PISA
Em 2001, a Torre Inclinada de Pisa, na Itália, é reaberta ao público depois de 11 anos de obras no valor de US$ 27 milhões para estabilizar a estrutura. Tem 56 metros de altura. É feita de mármore.
A construção da torre do sino começa em 1173 como terceira estrutura da catedral da cidade. Quando a obra está no terceiro dos oito andares, o solo começa a ceder, levando a uma inclinação da torre em 5,5 graus ou 4,5 metros. As obras conseguem reduzir a inclinação para menos de 4 graus.
FIM DA INVASÃO DO IRAQUE
Em 2011, o presidente Barack Obama, que sempre foi contra a invasão, retira as forças dos Estados Unidos e acaba com a guerra no Iraque.
A invasão do Iraque em 20 de março de 2003 é ordenada pelo presidente George Walker Bush sob o falso pretexto de que a ditadura de Saddam Hussein desenvolve armas de destruição em massa. O ditador cai em 9 de abril e Bush declara "missão cumprida" em 1º de maio de 2003.
Os EUA cometem vários erros, a começar pela invasão em si, inclusive a dissolução das forças de segurança do Iraque e de toda a máquina do Estado, dominada pelo partido Baath. Como o Iraque não resiste, as forças de Saddam vão para a clandestinidade com suas armas.
A alienação da minoria árabe sunita, que mandava no Iraque desde que o Império Otomano toma conta da região séculos atrás, provoca uma revolta contra o invasor, e a infiltração da rede terrorista Al Caeda agrava a situação, levando o presidente Bush a enviar um reforço de tropas em 2007.
Obama se elege em 2009 prometendo acabar com as guerras no Afeganistão e no Iraque. Ao não conseguir apoio do primeiro-ministro Nuri al-Maliki para garantir a impunidade dos soldados dos EUA, Obama decide retirar as forças norte-americanas do Iraque.
No segundo governo Obama (2013-17), a ameaça do grupo terrorista Estado Islâmico, antiga Al Caeda no Iraque, depois Estado Islâmico do Iraque, Estado Islâmico do Iraque e do Levante e Estado Islâmico, leva os militares dos EUA de volta ao Iraque em agosto de 2014.
Os EUA encerram suas missões de combate em 9 de dezembro de 2021, mas ainda mantém 2,5 mil soldados no Iraque. Suas bases militares são alvo de milícias apoiadas pelo Irã desde o início da atual guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).
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Em 1855, o México aprova a Lei Suárez para acabar com os tribunais especiais para o clero e os militares, uma iniciativa do ministro da Justiça, Benito Juárez, para eliminar os resquícios do regime colonial e promover a igualdade.
A Reforma (1854-76) é uma revolução política e social liderada por Juárez. Inicia com um pronunciamento pela queda do ditador Antonio López de Santa Ana, que perde 41% do território mexicano em guerras com os Estados Unidos.
Quando ele cai, em 1855, começam as reformas. Primeiro, essa lei que acaba com o foro especial. Em 1856, a Lei Lerdo manda vender todas as propriedades da Igreja não usadas especificamente para fins religiosos.
O Congresso, de maioria liberal, faz em 1857 um projeto de Constituição federalista que limita o poder da Igreja, coloca o Exército sob controle civil, abole os títulos hereditários e a prisão por dívidas. É a primeira lei de direitos civis do México. Em 1858, Juárez se torna o primeiro presidente indígena da América Latina.
A reação dos grandes proprietários de terras, dos militares e do clero conservador deflagra em 1859 a Guerra da Reforma, vencida pelos liberais em 1860. A Lei da Reforma (1859) confisca as propriedades da Igreja, menos os locais de culto, sem qualquer compensação, e introduz o casamento civil.
As terras conquistadas são distribuídas a camponeses sem terra, mas essa reforma agrária fracassa. Os grandes fazendeiros acumulam mais terras, enquanto os pequenos agricultores ficam mais pobres.
No fim de 1861, aproveitando que os EUA estão divididos pela Guerra da Secessão (1861-65), a França do imperador Napoleão III invade o México e instala no poder o imperador Maximiliano de Habsburgo. Quando termina a guerra civil norte-americana, os EUA apoiam as forças de Juárez, que expulsam os franceses e executam Maximiliano em 1867.
Juárez retoma o poder e governa até 1872. No fim do governo, é acusado de autoritarismo pelos liberais. Seu sucessor, Sebastián Lerdo de Tejada, sofre intensa pressão da oposição conservadora, que resulta no golpe que leva o ditador Porfirio Díaz ao poder em 1876.
O Porfiriato (1876-1911) dura até a Revolução Mexicana (1910-20), que luta pela valorização das culturas indígenas e a reforma agrária.
ROMÊNIA ENTRA NO EIXO
Em 1940,durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Romênia adere ao Pacto Tripartite formado pela Alemanha Nazista, a Itália Fascista e o Império do Japão, as potências do Eixo.
Desde 1937, a Romênia tem um governo fascista que se assemelha aos regimes de Adolf Hitler e Benito Mussolini, inclusive no antissemitismo. O rei Carol II dissolve o governo um ano depois e nomeia o patriarca da Igreja Ortodoxa como primeiro-ministro.
A morte do patriarca e uma revolta camponesa provocam novas agitação fascista e de uma organização paramilitar, a Guarda de Ferro. Em junho de 1940, a União Soviética ocupa duas províncias romenas.
Em busca um aliado, em 5 de julho de 1940, o rei faz um acordo com a Alemanha de Adolf Hitler. A Romênia é invadida pelo novo aliado, que quer ampliar a frente oriental contra a URSS.
O rei abdica em 6 de setembro de 1940, deixando o país sob o controle do primeiro-ministro fascista Ion Antonescu e da Guarda de Ferro.
A Hungria se alia ao Eixo em 20 de novembro. No dia 23, é a vez da Romênia.
PRIMEIRA GUERRA DA INDOCHINA
Em 1946, um bombardeio naval da França mata 6 mil vietnamitas na cidade portuária de Haiphong e deflagra a Primeira Guerra da Indochina (1946-54).
Quando o Japão, que ocupava o Sudeste Asiático, se rende formalmente na Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 2 de setembro de 1945, o líder comunista Ho Chi Minh proclama a independência do Vietnã. Ele acusa o Japão e a França pela morte de 2 milhões de vietnamitas.
No fim da guerra, a China, dominada pelos nacionalistas do Kuomintang (KMT), ocupa o Norte do Vietnã e os britânicos o Sul. A antiga potência colonial está determinada a reassumir o controle a partir de dezembro de 1945.
Em resposta ao bombardeio a Haiphong, o Viet Minh, o exército guerrilheiro de Ho Chi Minh, ataca as forças da França em Hanói em 19 de dezembro de 1946, no que é considerado o início da guerra.
Com a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung na China, em 1º de outubro de 1949, os EUA passam a ver o conflito no quadro da Guerra Fria e a apoiar a França. Mesmo assim, o Viet Minh ganha a guerra com a vitória na Batalha de Dien Bien Phu, em 7 de maio de 1954.
Nas negociações de paz em Genebra, na Suíça, fica acertada a realização de eleições para unificar o país, dividido em Vietnã do Norte e Vietnã do Sul. Diante da expectativa de vitória comunista, sob pressão dos EUA, as eleições são suspensas. Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75).
MEMBRO DO IRA CONDENADO POR MATAR LORDE MOUNTBATTEN
Em 1979, Thomas McMahon, miliciano do Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, é condenado à prisão perpétua pelo atentado que matou Lorde Louis Mountbatten (foto), último vice-rei da Índia, e mais três pessoas.
Lorde Mountbatten, herói da Segunda Guerra Mundial (1939-45), Conde Mountbatten da Birmânia e primo em segundo grau da rainha Elizabeth II, morre em 27 de agosto de 1979 com a explosão de uma bomba de pouco menos de 23 quilos no seu barco de pesca na Baía de Donegal, na Irlanda. Um dos mortos é Nicholas, um neto de 14 anos.
Mais tarde no mesmo dia, o IRA mata 18 soldados britânicos num ataque na Irlanda do Norte.
McMahon era um líder lendário do movimento nacionalista e republicano irlandês, comandante da Brigada de Armagh do Sul do IRA, responsável pela morte de mais de 100 soldados britânicos.
A guerra civil na Irlanda do Norte termina com o Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, de abril de 1998, depois de 3,5 mil mortes. McMahon é libertado logo em seguida como parte da pacificação.
REAGAN CRIA OS CONTRAS
Em 1981, durante a Guerra Fria, o presidente Ronald Reagan (1981-89) autoriza a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos a recrutar e financiar uma força de 500 homens para lutar contra o governo no poder na Nicarágua desde a vitória da Revolução Sandinista, em 17 de julho de 1979, com orçamento de US$ 19 milhões.
Com a vitória da revolução nicaraguense e a guerra civil em El Salvador, que Reagan atribuía à URSS, os EUA querem impedir a vitória da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) em El Salvador e derrubar a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Nicarágua.
Os acampamentos e centros de treinamento dos contrarrevolucionários são instalados em Honduras, governada por um regime militar aliado de Washington. Os instrutores são militares da guerra suja argentina contra a esquerda da ditadura cívico-militar de 1976-83. Eles fazem o que está proibido pelo Congresso dos EUA.
Com o apoio dos EUA ao Reino Unido na Guerra das Malvinas (1982), a Argentina para de treinar paramilitares de direita na América Central.
A venda ilegal de armas e peças ao Irã quando está proibida, durante a Guerra Irã-Iraque (1980-88), e o desvio de parte do dinheiro para ajudar os contras da Nicarágua causam o Escândalo Irã-Contras, em 1986, no segundo governo Reagan (1985-89).
Os contras fustigam o governo sandinista da Nicarágua até a derrota de Daniel Ortega para Violeta Chamorro, em 1990.
Ortega volta ao poder em 2007 com o apoio de forças ligadas à ditadura de Anastasio Somoza, que os sandinistas derrubam em 1979. Desde então, está decidido a não entregar o poder. Controla a Assembleia Nacional e o Judiciário. Mudou a lei para acabar com limites à reeleição.
Desde uma revolta popular contra uma reforma da previdência abandonada, em 2018, o governo Ortega se mostra cada vez mais ditatorial. Prende os candidatos da oposição, acabou com todos os jornais independentes, fecha igrejas católicas e persegue padres e bispos.
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Em 1883, na maior erupção vulcânica da história, uma explosão do vulcão da ilha de Krakatoa, na Indonésia, na época Índias Orientais Holandesas, ouvida a 5 mil quilômetros de distância, joga lama e lava a uma altura de 80 km, causa um maremoto com ondas gigantes de 40 metros e mata 36.417 mil pessoas.
Depois de mais de 200 anos adormecido, o vulcão Krakatoa dá os primeiros sinais de atividade em 20 de maio. Tripulantes de um navio alemão relatam ter visto uma coluna de fumaça e poeira vulcânica de mais de 11 km de altura.
Nos dois meses seguintes, navios e habitantes das ilhas vizinhas de Java e Sumatra veem pequenas explosões. A população local festeja até que uma explosão destrói dois terços da ilha no dia 26.
Ao desabar no Estreito de Sunda, que fica entre Java e Sumatra, a montanha causa uma série de catástrofes ambientais sentidas durante anos no mundo inteiro, a começar por um maremoto com ondas gigantescas.
Quatro erupções a partir das 5h30 de 27 de agosto são cataclísmicas, ouvidas a 5 mil km de distância, e projetam uma maré de uma lava vulcânica de gás, cinza e rocha fundida a mais de 60 km do Krakatoa. Dos 36 mil mortos, as tsunames matam 31 mil. Outros 4,5 mil são vítimas da lava incandescente.
Uma nuvem de cinza e poeira vulcânica fina envolve o planeta e reduz a temperatura da Terra durante anos.
Além do Krakatoa, ativo até hoje, a Indonésia tem mais 130 vulcões em atividade, mais do que qualquer outro país. Fica no Círculo de Fogo do Oceano Pacífico.
ROMÊNIA ENTRA NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
Em 1916, depois de declarar guerra ao Império Austro-Húngaro, a Romênia entra na Primeira Guerra Mundial (1914-18) e invade a região da Transilvânia, um território de maioria romena pertencente à Hungria cuja soberania reivindica.
Ao observar o sucesso da Rússia contra a Áustria-Hungria na frente oriental no verão de 1916, a Romênia decide entrar na guerra. Em 18 de agosto, fecha um acordo secreto com os aliados e, no dia 27, lança o ataque.
Enquanto a Romênia invade a Transilvânia, os britânicos pressionam os alemães na Batalha do Somme e a Áustria-Hungria cai diante da Rússia no Leste. O kaiser Guilherme II, da Alemanha, chega a dizer que “a guerra está perdida”.
Numa reunião que incluiu ainda a Turquia e a Bulgária, os Poderes Centrais criam um comando militar supremo entregue ao general Paul Hindenburg, comandante em chefe das Forças Armadas da Alemanha.
O general que deixa o comando geral, Erich von Falkenhayn, assume o comando da guerra contra a Romênia. Junto com o general August von Mackensen, eles derrotam a Romênia e tomam Bucareste em 9 de dezembro de 1916.
A Rússia vem em socorro, mas as revoluções de 1917, a queda do império czarista e a ascensão do comunismo tiram o país da guerra. Com a saída da Rússia, a Ucrânia se rende em maio de 1918. No Tratado de Bucareste (1918), perde parte do litoral para a Bulgária e o controle sobre a Foz do Rio Danúbio. No Tratado de Versalhes (1919), recupera estas perdas e ganha a soberania sobre a Transilvânia.
AVIÃO A JATO
Em 1939, o primeiro avião a jato, o He 178, projetado e construído pelo engenheiro alemão Ernst Heinrich Heinkel, voa pela primeira vez.
Heinkel nasce em 24 de janeiro de 1888 em Grunbach. Seu primeiro avião, construído em 1910, cai e pega fogo. Antes do início da Primeira Guerra Mundial (1914-18), ele se torna projetista chefe da Companhia Aeronáutica Albatros, em Berlim.
Depois da guerra, em 1922, Heinkel cria a empresa Flugzeugwerke (Fábrica de Aeronaves), onde constrói o He 70, que bate oito recordes mundiais de velocidade nos anos 1930. O He 111, o He 162 e o He 178 são usados pela Luftwaffe, a Força Aérea da Alemanha Nazista, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).
LANÇADO O LIVRO DOS RECORDES
Em 1955, sai a primeira edição do Guinness - o Livro dos Recordes, uma publicação anual com feitos da humanidade e do mundo animal.
A ideia nasce em 1951, quando Sir Hugh Beaver, diretor-executivo da Cervejaria Guinness, fundada em 1759 em Dublin, na Irlanda, participa de uma caçada. Depois de não conseguir alvejar uma tarambola dourada, ele quis saber quais eram os pássaros de caça mais rápidos da Europa, mas não encontrou nenhum livro com a resposta.
Pensando que os donos dos pubs britânicos e irlandeses gostariam de ter um livro capaz de dirimir as dúvidas dos clientes, Beaver contratou dois irmãos donos de uma agência que vendia dados estatísticos para jornais e agência de propaganda, Norris e Ross McWhirter.
A proposta inicial é distribuir o livro de graça nos pubs para promover a cerveja Guinness. Diante do sucesso, passa a ser vendido. A primeira edição norte-americana sai em 1956.
Ross trabalha no livro até ser morto pelo Exército Republicano Irlandês (IRA), em 1975. Norris continua sendo editor até 1986.
IRA MATA LORDE MOUNTBATTEN
Em 1979, na luta armada para acabar com o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, o Exército Republicano Irlandês (IRA) mata o lorde Louis Mountbatten, herói de guerra, último vice-rei da Índia e primo segundo da rainha Elizabeth II, com a explosão de uma bomba de pouco mais de 20 quilos no seu barco.
Mountbatten passa o dia com a família na Baía de Donegal, na Irlanda, onde é atacado. Outras três pessoas morrem na explosão, inclusive um neto de 14 anos, Nicholas. No mesmo dia, outro atentado do IRA mata 18 paraquedistas britânicos.
A violência destes ataques leva a primeira-ministra Margaret Thatcher, eleita pela primeira vez em maio de 1979, a endurecer a política em relação ao IRA, radicalizando ainda mais o conflito na Irlanda do Norte.
Em 1981, depois de 66 dias de greve, morre na prisão de Maze o deputado eleito para o Parlamento Britânico Bobby Sands, que nunca tomou posse porque o Sinn Féin, partido político do IRA, sempre se nega a jurar lealdade à coroa britânica.
A própria Thatcher é alvo de um atentado em 1984 num hotel em em Brighton, na Inglaterra, durante a Convenção Anual do Partido Conservador, em que morrem cinco pessoas, inclusive um deputado da Câmara dos Comuns.
A partir daí, o deputado John Hume, do Partido Trabalhista e Social-Democrata, o braço do Partido Trabalhista britânico na Irlanda do Norte, começa um diálogo secreto para tentar atrair o Sinn Féin para a negociação.
Em 1985, o Reino Unido e a Irlanda assinam o Acordo Anglo-Irlandês para encaminhar o fim do conflito. A Declaração de Downing Street, em 1993, estabelece as bases para as negociações, que exigem um cessar-fogo do IRA, anunciado em 6 de abril de 1994.
Diante da estagnação das negociações, o IRA rompe a trégua num atentado na Ilha dos Cães, em Londres, em 9 de fevereiro de 1996. Um novo cessar-fogo, em 1997, permite a retomada das negociações para o Acordo da Sexta-Feira Santa, de abril de 1998, que acaba com quase 30 anos de uma guerra civil em que 3,5 mil pessoas morrem.
Numa grande reviravolta na eleição mais importante na Romênia desde a queda do comunismo, em 1989, com mais de 90% das urnas apuradas, o prefeito centrista de Bucareste, Nicusor Dan, foi eleito presidente hoje no segundo turno.
Por 54% a 46% dos votos válidos, ele venceu o candidato ultranacionalista George Simion, que saiu na frente no primeiro turno e agora denuncia fraude. A participação do eleitorado foi de 65%, em contraste com 53% no primeiro turno duas semanas atrás.
É mais um extremista de direita que perde sob a sombra do presidente dos Estados Unidos. Grande admirador de Donald Trump, Simion ganhou o primeiro turno com 41% dos votos e dava a vitória como certa.
Quando terminou a votação, às 21h (15h em Brasília), os dois candidatos cantaram vitória. Dan atribuiu o resultado "à comunidade de romenos que desejam uma mudança profunda" e prometeu: "A partir de amanhã, vamos reconstruir a Romênia." Seus partidários gritavam "Europa" e "unidade", contra o divisionismo e os discursos de ódio e antieuropeus da extrema direita.
No primeiro momento, Simion também declarou vitória diante de seus partidários dizendo ser "o novo presidente da Romênia". Mais tarde, reconheceu a derrota no Facebook e prometeu "continuar a luta".
Nicosur Dan nasceu em Fagaras, na província de Brasov, em 20 de dezembro de 1969. É matemático. Na juventude, ganhou duas vezes medalha de ouro nas Olimpíadas Internacionais de Matemática com notas perfeitas em 1987 e 1988. Doutor pela Escola Normal Superior de Paris em 1998, fundou uma faculdade de mesmo nome ao voltar à Romênia.
Em 2015, ele fundou a União Salve Bucareste para lutar contra a corrupção e pela preservação da capital romena, o que o lançou na política. Dan foi eleito deputado em 2016 e prefeito de Bucareste em 2020 e 2024. Venceu a eleição presidencial por ser considerado um bom prefeito.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, cumprimentou "calorosamente" o presidente eleito: "Os romenos foram às urnas em massa. Eles escolheram a promessa de uma Romênia aberta e próspera numa Europa forte."
Na vizinha Ucrânia, o presidente Volodymyr Zelensky também festejou o resultado "histórico" e destacou "a importância de ter na Romênia uma parceira confiável". Antieuropeu, o candidato derrotado é contra a ajuda à Ucrânia. Na campanha, defendeu a neutralidade.
Esta eleição presidencial romena foi bastante controvertida. Em 6 de dezembro de 2024, dois dias antes da data marcada para o segundo turno, o Tribunal Constitucional, a corte suprema do país, anulou o primeiro turno vencido pelo ultradireitista Calin Georgescu com 23% votos sob a alegação de que houve interferência externa significativa, principalmente da Rússia, e violação da lei eleitoral.
Além de ataques cibernéticos e notícias falsas atribuídas à Rússia, as investigações descobriram que a campanha Georgescu recebeu pelo menos um milhão de euros de financiamento ilegal.
A anulação do primeiro turno foi uma das razões que levou o vice-presidente dos EUA, James David Vance, a acusar a Europa de retrocesso na democracia ao censurar a liberdade de expressão e de tentar suprimir uma corrente de pensamento ignorando parte de seu eleitorado, em discurso na 61ª Conferência de Segurança de Munique. Estava defendendo a extrema direita em todo o continente e alienando aliados históricos.
Em 1808,a 5ª Sinfonia do alemão Ludwig van Beethoven, talvez o maior compositor de todos os tempos, faz sua estreia em Viena, na Áustria, numa noite muito fria, sem aquecimento, para uma plateia pequena, o que atrasa o reconhecimento da grandeza da obra.
É a sinfonia mais popular da história, mas sua magnitude não é reconhecida no primeiro momento. O concerto dura quatro horas sob frio intenso e a 5ª sinfonia começa mais de duas depois do início.
Beethoven é ao mesmo tempo maestro e pianista. A orquestra toca mal. Ele interrompe e recomeça.
Também estreiam naquela noite o Concerto para Piano nº 4 e a 6ª Sinfonia (Pastoral) de Beethoven, mas dentro de pouco tempo é a 5ª Sinfonia que recebe aclamação.
Em 1810, um crítico importante elogia Beethoven por superar Wolfgang Amadeus Mozart e Joseph Haydn com uma música que "abre o reino do colossal e incomensurável... evoca terror, medo e dor, e desperta um anseio que é a essência do romantismo."
DOSTOIÉVSKI SALVO DE FUZILAMENTO
Em 1849, o escritor russo Fiódor Dostoiévski é levado a um pelotão fuzilamento e preparado para execução depois de ter sido condenado em 16 de novembro por atividades antigovernamentais. Na última hora, é poupado e enviado para o exílio interno num campo de trabalhos forçados na Sibéria.
Dostoiévski nasce em 11 de novembro de 1821 em Moscou. O pai é médico do Hospital dos Pobres, em Moscou, onde enriquece e compra terras e servos.
Com a morte do pai, Dostoiévski, que sofre de epilepsia, estuda engenharia militar e se torna funcionário público enquanto escreve secretamente seus livros. Lança os primeiros, Povo Pobre e O Duplo em 1846. O primeiro é um sucesso; o segundo fracassa.
É libertado em 1854 e serve como soldado na fronteira com a Mongólia. De volta à Rússia europeia, em 1859, funda uma revista no ano seguinte e mais tarde viaja pela Europa. Em 1866, publica Crime e Castigo, sua obra mais popular.
Em 1867, casa com uma estenógrafa. O casal foge da Rússia para escapar dos credores. Com o sucesso de O Possesso, o casal volta a São Petersburgo. Em 1879, publica sua obra-prima, Os Irmãos Karamazov, um sucesso imediato. Morre 9 de fevereiro de 1881.
CASO DREYFUS
Em 1894, uma corte marcial da França condena o capitão judeu Alfred Dreyfus à prisão perpétua sob a acusação de espionagem, de passar segredos militares para a Alemanha, num julgamento cheio de vícios processuais.
Quatro meses depois, o capitão de artilharia começa a cumprir pena na prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa. O caso revela o antissemitismo da França.
Quando surgem indícios de que o verdadeiro espião é o major Ferdinand Esterhazy, o Exército tenta esconder as provas, mas Esterhazy é levado à corte marcial e absolvido em uma hora num julgamento em janeiro de 1898.
Indignado, o escritor Émile Zola publica uma carta aberta chamada Eu Acusono jornal Aurora, acusando os juízes, o Exército e o presidente da França. O jornal vende 200 mil exemplares num dia.
Zola é condenado por calúnia, mas consegue fugir para a Inglaterra. O escândalo divide a França. Enquanto nacionalistas e a Igreja Católica apoiam o Exército, republicanos, socialistas e defensores da liberdade religiosa defendem Dreyfus.
Em 1898, o major Hubert Henry admite ter forjado provas contra Dreyfus e comete suicídio. Pouco depois, Esterhazy foge do país
Dreyfus é levado a novo julgamento em 1899 e condenado a 10 anos de prisão em outro processo forjado. Um novo governo francês o perdoa. Em 1906, o Tribunal Superior de Recursos anula a sentença.
O Caso Dreyfus provoca grande liberalização na França, reduz o poder dos militares e leva à separação formal entre Igreja e Estado.
QUEDA DE CEAUSESCU
Em 1989, o Exército da Romênia adere à revolta anticomunista e derruba o ditador Nicolae Ceausescu, no poder há 42 anos. É o último dos países-satélites da União Soviética a se livrar do comunismo na Europa Oriental, depois de Polônia, Hungria, Alemanha Oriental, Tcheco-Eslováquia e Bulgária.
A derrocada do Gênio dos Cárpatos começa três dias antes, quando as forças de segurança romenas abrem fogo contra uma manifestação de romenos de origem húngara em Timisoara. Morre uma pessoa, mas um repórter da agência de notícias alemã-oriental anuncia a morte de milhares.
Ceausescu tenta se defender com um discurso em Bucareste, mas é vaiado pela multidão. Ele e a mulher, Elena, fogem de helicóptero. São presos, condenados por assassinato em massa num julgamento sumário por um tribunal militar e executados no dia de Natal por um pelotão de fuzilamento.
Em 1890, a polícia mata numa reserva do estado de Dakota do Sul o cacique sioux Touro Sentado, um dos maiores símbolos da resistência indígena à colonização dos Estados Unidos por imigrantes europeus e seus descendentes.
Sua recusa em levar a tribo para uma reserva indígena levou à Batalha de Little Big Horn, em 25 de junho de 1876, quando sioux e cheienes liderados por Touro Sentado e Cavalo Doido derrotam o 7º Regimento de Cavalaria, comandado pelo general George Custer. É a última grande vitória dos índios nas Guerras Indígenas dos EUA.
EICHMANN CONDENADO
Em 1961, o carrasco nazista Adolf Eichmann, um oficial da SS, a milícia do Partido Nazista, encarregado da "solução final da questão judaica" no Holocausto, é condenado à morte em Telavive por um tribunal de crimes de guerra de Israel.
Eichmann nasce em Solingen, na Alemanha, em 19 de março de 1906. Em novembro de 1932, entra para a SS, encarregada de policiamento, inteligência e aplicação das políticas antissemitas. Ele sobe rapidamente na hierarquia.
Com a anexação da Áustria em 12 e 13 de março de 1938, Eichmann vai para Viena com a missão de livrar a cidade de judeus. Cria uma deportação. Em 1939, vai para a Tcheco-Eslováquia ocupada com a mesma missão e é indicado para a seção judaica do escritório central da SS, em Berlim.
Em 20 de janeiro de 1942, Eichmann participa da Conferência de Wannsee, em Berlim, que adota a "solução final" para exterminar os judeus da Europa. Cerca de 6 milhões, 60% dos judeus da Europa, são mortos até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).
Ele é capturado pelos Estados Unidos, mas consegue fugir de um campo de prisioneiros e escapa do julgamento no Tribunal de Crimes de Guerra de Nurembergue, na Alemanha. Com falsa identidade, viaja pela Europa e o Oriente Médio até chegar em 1950 à Argentina, onde se refugiam vários nazistas.
Em 1957, um procurador alemão informa Israel que Eichmann está na Argentina. O Mossad, serviço secreto de Israel, envia agentes que localizam o genocida em San Fernando, na Grande Buenos Aires. Como Israel supõe que a Argentina não vai aceitar um pedido de extradição, decide sequestrar o carrasco nazista.
Israel aproveita o grande fluxo de turistas para a Argentina em 1960 para a festa dos 150 anos da revolução que levou à independência do país. Em 11 de maio, o Mossad prende Eichmann quando caminha para a casa depois de descer de um ônibus. A família o procura em hospitais, mas não avisa a polícia.
Em 20 de maio, drogado, Eichmann é embarcado num avião disfarçado como um aeronauta israelense que teria sofrido um trauma na cabeça num acidente. Três dias depois, o primeiro-ministro David Ben Gurion revela que Eichmann está sob custódia em Israel.
A Argentina exige a devolução, mas Israel argumenta que é um criminoso de guerra com crimes contra a humanidade. O primeiro julgamento televisionado da história começa em 11 de abril de 1961.
Eichmann é alvo de 15 acusações de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e crimes contra o povo judeu. Em sua defesa, ele alega que apenas cumpria ordens, mas é condenado por todas as acusações em 15 de dezembro e enforcado perto de Telavive em 31 de maio de 1962.
REVOLUÇÃO ROMENA
Em 1989, a polícia abre fogo contra uma grande manifestação de protesto na cidade de Timissoara, onde a maioria étnica é de húngaros, e deflagra a revolução que derruba a ditadura comunista de Nicolae Ceausescu na Romênia.
Ceausescu é o ditador mais brutal dos regimes comunistas da Europa Oriental. No poder desde 1965, ele retira a Romênia do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela União Soviética. Condena das invasões de Tcheco-Eslováquia (1968) e do Afeganistão (1979).
Se adota uma política externa independente, internamente no tolerada oposição ou qualquer dissenso. Para aumentar a taxa de natalidade, em 1966, proíbe o aborto e os anticoncepcionais. Em 1982, manda exportar grande parte das produções agrícola e industrial, o que causa escassez de alimentos, medicamentos, combustíveis, reduzindo o nível de vida da população. Ele também incentiva um culto da personalidade dele e de sua mulher, Elena.
Quando a polícia atira nos manifestantes em Timissoara, uma pessoa morre, mas um repórter da Agência de Notícias da Alemanha Oriental, que tinha feita sua revolução com a queda do Muro de Berlim em 9 de novembro, reporta que 10 mil morreram.
Em 22 de dezembro, quando Ceausescu faz um comício, é vaiado pela multidão e os militares romenos aderem à rebelião. O ditador e sua mulher são presos. Depois de um julgamento sumário, são executados em 25 de dezembro.
REABERTA TORRE DE PISA
Em 2001, a Torre Inclinada de Pisa, na Itália, é reaberta ao público depois de 11 anos de obras no valor de US$ 27 milhões para estabilizar a estrutura. Tem 56 metros de altura. É feita de mármore.
A construção da torre do sino começa em 1173 como terceira estrutura da catedral da cidade. Quando a obra está no terceiro dos oito andares, o solo começa a ceder, levando a uma inclinação da torre em 5,5 graus ou 4,5 metros. As obras conseguem reduzir a inclinação para menos de 4 graus.
FIM DA INVASÃO DO IRAQUE
Em 2011, o presidente Barack Obama, que sempre foi contra a invasão, retira as forças dos Estados Unidos e acaba com a guerra no Iraque.
A invasão do Iraque em 20 de março de 2003 é ordenada pelo presidente George Walker Bush sob o falso pretexto de que a ditadura de Saddam Hussein desenvolve armas de destruição em massa. O ditador cai em 9 de abril e Bush declara "missão cumprida" em 1º de maio de 2003.
Os EUA cometem vários erros, a começar pela invasão em si, inclusive a dissolução das forças de segurança do Iraque e de toda a máquina do Estado, dominada pelo partido Baath. Como o Iraque não resiste, as forças de Saddam vão para a clandestinidade com suas armas.
A alienação da minoria árabe sunita, que mandava no Iraque desde que o Império Otomano toma conta da região séculos atrás, provoca uma revolta contra o invasor, e a infiltração da rede terrorista Al Caeda agrava a situação, levando o presidente Bush a enviar um reforço de tropas em 2007.
Obama se elege em 2009 prometendo acabar com as guerras no Afeganistão e no Iraque. Ao não conseguir apoio do primeiro-ministro Nuri al-Maliki para garantir a impunidade dos soldados dos EUA, Obama decide retirar as forças norte-americanas do Iraque.
No segundo governo Obama (2013-17), a ameaça do grupo terrorista Estado Islâmico, antiga Al Caeda no Iraque, depois Estado Islâmico do Iraque, Estado Islâmico do Iraque e do Levante e Estado Islâmico, leva os militares dos EUA de volta ao Iraque em agosto de 2014.
Os EUA encerram suas missões de combate em 9 de dezembro de 2021, mas ainda mantém 2,5 mil soldados no Iraque. Suas bases militares são alvo de milícias apoiadas pelo Irã desde o início da atual guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).