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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 13 de Janeiro

 CAVALEIROS DO TEMPLO

    Em 1128, durante as Cruzadas, o papa Honório II reconhece oficialmente a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecida como Ordem do Templo dos Templários, como um "exército de Deus".

A Ordem dos Cavaleiros do Templo nasce em 1118, fundada pelo francês Hughes de Payens, com a missão de proteger os cristãos que peregrinam à Terra Santa durante as Cruzadas, nove expedições militares para tentar conquistar Jerusalém, que estava em poder de muçulmanos.

De início, a ordem tem apenas nove membros e regras rígidas. Os templários precisam ser nobres e fazem votos de pobreza, obediência e castidade. Até 1127, a ordem cresce em poder e influência. Ganha força enquanto dura a guerra contra os muçulmanos.

Quando as Cruzadas acabam, no início do século 14, o rei Felipe IV, da França, e o papa Clemente V decidem acabar com os Templários. O grão-mestre, Jacques de Molay, é preso sob a acusação de heresia, sacrilégio e satanismo. Ele e outros líderes da ordem fazem confissões sob tortura e são condenados à morte na fogueira.

Clemente V dissolve a ordem em 1312. Hoje a Igreja Católica admite que a ordem foi vítima de uma conspiração de poderes seculares.

Vários mitos e lendas são criadas em torno dos Templários, inclusive que a ordem teria descoberto relíquias no Monte do Templo, em Jerusalém, inclusive o Cálice Sagrado em que Jesus Cristo teria bebido na Última Ceia e onde José de Arimateia teria coletado o sangue de Cristo na cruz.

As façanhas imaginárias dos Templários inspiram vários livros, entre eles o megassucesso Código da Vinci. É ficção.

ÉMILE ZOLA ACUSA

    Em 1898, o escritor e intelectual francês Émile Zola publica uma carta aberta ao presidente da França no jornal L'Aurore acusando o alto comando do Exército pela condenação por traição em 1894 do capitão Alfred Dreyfus, num caso marcado pelo antissemitismo.

Filho de um rico industrial judeu do setor têxtil, Dreyfus nasce em 9 de outubro de 1859 em Mulhouse, na França. Em 1882, entra para a Escola Politécnica e depois decide fazer carreira militar. Promovido a capitão, vai para o Ministério da Guerra, onde, em 1894, é acusado de vender segredos militares à Alemanha.

É preso em 15 de outubro de 1894 e condenado por uma corte marcial à prisão perpétua em 22 de dezembro. Ele entra na colônia penal da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, em 13 de abril de 1895.

Como as provas são suspeitas, jornalistas investigam o caso, inclusive Georges Clemenceau, futuro primeiro-ministro francês durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Quando as evidências apontam a culpabilidade do major Ferdinand Esterhazy, Zola publica a carta aberta Eu acuso:

"Acuso o comandante du Paty de Clam de ter sido o criador diabólico do erro judicial, inconscientemente, quero crer, e de ter saído em defesa de sua obra nefasta, durante três anos, por maquinações as mais estapafúrdias e as mais culposas.

"Acuso o general Mercier de ter se tornado cúmplice, ainda que por fraqueza de caráter, de uma das maiores iniqüidades do século.

"Acuso o general Billot de ter tido entre as mãos as provas indubitáveis da inocência de Dreyfus e de tê-las ocultado, tornando-se, pois, culpado de crime de lesa-humanidade e lesa–justiça, por motivos políticos e para livrar um Estado-Maior comprometido. 

"Acuso o general de Boisdeffre e o general Gonse de tornarem-se cúmplices do mesmo crime, um sem dúvida por paixão clerical, o outro por esse corporativismo que faz do Ministério da Guerra uma arca santa inatacável. 

"Acuso o general de Pellieux e o comandante Ravary de terem feito uma investigação criminosa, um inquérito da mais monstruosa parcialidade e do qual temos, no relatório do segundo, um monumento perene da mais ingênua audácia. 

"Acuso os três especialistas em grafologia, os senhores Belhomme, Varinard e Couard de terem emitido pareceres mentirosos e fraudulentos, a menos que um laudo médico os declare tomados por alguma patologia da vista e do juízo. 

"Acuso o Ministério da Guerra de ter promovido na imprensa, particularmente no L’éclair e no L’Écho de Paris, uma campanha abominável, para manipular a opinião pública e acobertar sua falha. 

"Acuso por fim o primeiro Conselho de Guerra de ter violado o direito, condenando um acusado com base em um documento secreto, e acuso o segundo Conselho de Guerra de ter encoberto essa ilegalidade, por ter recebido ordens, cometendo por sua vez o crime jurídico de absolver conscientemente um culpado. 

"Fazendo essas acusações, não ignoro enquadrar-me nos artigos 30 e 31 da lei de imprensa de 29 de julho de 1881, que pune os delitos de difamação. E é voluntariamente que me exponho.

"Quanto às pessoas que eu acuso, não as conheço, nunca as vi, não nutro por elas nem rancor nem ódio. Não passam para mim de entidades, de espíritos da malevolência social. O ato que aqui realizo não é nada além de uma ação revolucionária para apressar a explosão de verdade e justiça.

"Não tenho mais que uma paixão, uma paixão pela verdade, em nome da humanidade que tanto sofreu e que tem direito à felicidade. Meu protesto inflamado nada mais é que o grito da minha alma. Que ousem, portanto levar–me perante o tribunal do júri e que o inquérito se dê à luz do dia! 

"É o que espero. 

"Receba, senhor Presidente, minhas manifestações de mais profundo respeito."

Zola é processado, mas intelectuais, entre eles Anatole France e Marcel Proust, fazem um abaixo-assinado com mais de 3 mil assinaturas pedindo a reabertura do caso. Em 1904, começa o segundo julgamento. Em julho de 1906, um tribunal de recursos civil anula todas as condenações de Dreyfus.

O jornalista judeu austro-húngaro Thedor Herzl cobre o primeiro julgamento em 1894 e, diante da condenação sem provas e dos massacres de judeus no Império Russo, conclui que não há condições para os judeus viverem na Europa. Em 1896, ele publica O Estado Judeu, em defesa da fundação de uma pátria para o povo judeu e lança o moderno movimento sionista.

COSTA CONCORDIA NAUFRAGA

    Em 2012, o navio de cruzeiro italiano Costa Concordia encalha e vira com cerca de 4,2 mil pessoas a bordo perto da Ilha de Giglio, no Mar Tirreno; 32 passageiros morrem no naufrágio.

Quando é lançado ao mar, em 2005, o Costa Concordia é o maior navio de cruzeiro da Itália, com 290 metros de comprimento e capacidade para 3.780 passageiros. Em comparação, o Titanic tinha 269 metros e capacidade para 2.435 passageiros.

Com quatro piscinas, um cassino, o maior spa num navio e 500 cabines com varanda para o mar, o Costa Concordia é um navio de luxo. A viagem inaugural, em julho de 2006, é um cruzeiro no Mar Mediterrâneo com escalas na Itália, França e Espanha. Depois, inclui as Ilhas Baleares, a Tunísia, Malta, Grécia, Chipre e Turquia. A partir de 2009, vem à América Latina.

Vários membros da tripulação são processados pelo naufrágio, especialmente o capitão Francesco Schettino, que se aproxima demais do litoral e deixa o navio antes de salvar os passageiros. Num diálogo, um comandante da Guarda Costeira grita: "Vá para bordo, capitão!"

O capitão é condenado em fevereiro de 2015 a 16 anos de reclusão pelas mortes, o abandono do navio e o naufrágio, pena confirmada por um tribunal de recursos em maio de 2016.

UM PRESIDENTE E DOIS IMPEACHMENTS

    Em 2021, Donald Trump se torna o único presidente dos Estados Unidos a ser alvo de dois processos de impeachment, quando a Câmara dos Representantes o denuncia num julgamento político por "incitar à insurreição" ao insuflar seus partidários a invadir o Congresso em 6 de janeiro do mesmo ano para impedir a certificação da vitória de Joe Biden.

Trump não aceita a derrota na eleição presidencial de 3 de novembro de 2020. Seus advogados entram com 61 ações judiciais contestando os resultados em estados decisivos. Em todos os casos, os juízes não encontram elementos suficientes para instaurar um processo.

Sem outra alternativa para não entregar o poder, Trump incentiva uma marcha de seus partidários até a capital, onde faz um comício na gélida manhã de 6 de janeiro e incita a multidão a ir até o Capitólio. Promete inclusive acompanhar os manifestantes, mas o serviço secreto não deixa por não ter como garantir a segurança do presidente no meio da multidão.

A turba assalta o Capitólio, obrigando deputados, senadores e o vice-presidente Mike Pence a se refugiar nos porões do prédio. Os terroristas chegam a armar uma forca para matar o vice-presidente, que presidia a reunião do Congresso e se nega a mudar o resultado das urnas.

Trump assiste tudo durante três horas e sete minutos, apesar dos apelos de deputados e senadores para que mandasse a multidão enfurecida parar de atacar. Cinco pessoas morrem dentro de 36 horas desde o início do assalto ao Capitólio e quatro policiais se suicidam depois por causa do trauma.

Como a destituição do presidente exige os votos de dois terços do Senado, Trump é absolvido, como havia sido no primeiro processo de impeachment, por tentar subornar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pressionando-o a investigar Joe Biden e seu filho em troca de ajuda militar.

Até hoje, nenhum presidente dos EUA foi afastado em processo de impeachment. Em 1868, falta um voto no Senado para destituir Andrew Johnson. Em 1974, Richard Nixon renunciou quando perdeu o apoio da bancada republicana no Senado por causa do Escândalo de Watergate. Em 1999, Clinton é absolvido com 50 votos contra por obstrução de justiça e 45 por perjúrio (mentir sob juramento).

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 22 de Dezembro

 QUINTA SINFONIA

    Em 1808, a 5ª Sinfonia do alemão Ludwig van Beethoven, talvez o maior compositor de todos os tempos, faz sua estreia em Viena, na Áustria, numa noite muito fria, sem aquecimento, para uma plateia pequena, o que atrasa o reconhecimento da grandeza da obra.

É a sinfonia mais popular da história, mas sua magnitude não é reconhecida no primeiro momento. O concerto dura quatro horas sob frio intenso e a 5ª sinfonia começa mais de duas depois do início.

Beethoven é ao mesmo tempo maestro e pianista. A orquestra toca mal. Ele interrompe e recomeça.

Também estreiam naquela noite o Concerto para Piano nº 4 e a 6ª Sinfonia (Pastoral) de Beethoven, mas dentro de pouco tempo é a 5ª Sinfonia que recebe aclamação.

Em 1810, um crítico importante elogia Beethoven por superar Wolfgang Amadeus Mozart e Joseph Haydn com uma música que "abre o reino do colossal e incomensurável... evoca terror, medo e dor, e desperta um anseio que é a essência do romantismo."

DOSTOIÉVSKI SALVO DE FUZILAMENTO

    Em 1849, o escritor russo Fiódor Dostoiévski é levado a um pelotão fuzilamento e preparado para execução depois de ter sido condenado em 16 de novembro por atividades antigovernamentais. Na última hora, é poupado e enviado para o exílio interno num campo de trabalhos forçados na Sibéria.
Dostoiévski nasce em 11 de novembro de 1821 em Moscou. O pai é médico do Hospital dos Pobres, em Moscou, onde enriquece e compra terras e servos.

Com a morte do pai, Dostoiévski, que sofre de epilepsia, estuda engenharia militar e se torna funcionário público enquanto escreve secretamente seus livros. Lança os primeiros, Povo Pobre O Duplo em 1846. O primeiro é um sucesso; o segundo fracassa.

É libertado em 1854 e serve como soldado na fronteira com a Mongólia. De volta à Rússia europeia, em 1859, funda uma revista no ano seguinte e mais tarde viaja pela Europa. Em 1866, publica Crime e Castigo, sua obra mais popular. 

Em 1867, casa com uma estenógrafa. O casal foge da Rússia para escapar dos credores. Com o sucesso de O Possesso, o casal volta a São Petersburgo. Em 1879, publica sua obra-prima, Os Irmãos Karamazov, um sucesso imediato. Morre 9 de fevereiro de 1881.

CASO DREYFUS

    Em 1894, uma corte marcial da França condena o capitão judeu Alfred Dreyfus à prisão perpétua sob a acusação de espionagem, de passar segredos militares para a Alemanha, num julgamento cheio de vícios processuais.
Quatro meses depois, o capitão de artilharia começa a cumprir pena na prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa. O caso revela o antissemitismo da França.

Quando surgem indícios de que o verdadeiro espião é o major Ferdinand Esterhazy, o Exército tenta esconder as provas. Esterhazy é levado à corte marcial e absolvido em uma hora num julgamento em janeiro de 1898.

Indignado, o escritor Émile Zola publica uma carta aberta chamada Eu Acuso no jornal Aurora, acusando os juízes, o Exército e o presidente da França. O jornal vende 200 mil exemplares num dia.

Zola é condenado por calúnia, mas consegue fugir para a Inglaterra. O escândalo divide a França. Enquanto nacionalistas e a Igreja Católica apoiam o Exército, republicanos, socialistas e defensores da liberdade religiosa defendem Dreyfus.

Em 1898, o major Hubert Henry admite ter forjado provas contra Dreyfus e comete suicídio. Pouco depois, Esterhazy foge do país

Dreyfus é levado a novo julgamento em 1899 e condenado a 10 anos de prisão em outro processo forjado. Um novo governo francês o perdoa. Em 1906, o Tribunal Superior de Recursos anula a sentença.

O Caso Dreyfus provoca grande liberalização na França, reduz o poder dos militares e leva à separação formal entre Igreja e Estado.

QUEDA DE CEAUSESCU

    Em 1989, o Exército da Romênia adere à revolta anticomunista e derruba o ditador Nicolae Ceausescu, no poder há 42 anos. É o último dos países-satélites da União Soviética a se livrar do comunismo na Europa Oriental, depois de Polônia, Hungria, Alemanha Oriental, Tcheco-Eslováquia e Bulgária.
A derrocada do Gênio dos Cárpatos começa três dias antes, quando as forças de segurança romenas abrem fogo contra uma manifestação de romenos de origem húngara em Timisoara. Morre uma pessoa, mas um repórter da agência de notícias alemã-oriental anuncia a morte de milhares.

Ceausescu tenta se defender com um discurso em Bucareste, mas é vaiado pela multidão. Ele e a mulher, Elena, fogem de helicóptero. São presos, condenados por assassinato em massa num julgamento sumário por um tribunal militar revolucionário e executados no dia de Natal por um pelotão de fuzilamento.

REABERTO O PORTÃO DA BRANDEMBURGO

    Em 1989, o Portão de Brandemburgo, um dos símbolos da capital histórica da Alemanha, é reaberto após ficar fechado desde o início da construção do Muro de Berlim em agosto de 1961.

O portão é encomendado pelo rei Frederico Guilherme II para ser a entrada da avenida Unter den Linden rumo ao palácio real da Prússia. É construído de 1788 a 1791 sob a inspiração da Acrópole

Depois da queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro, a reabertura do Portão de Brandemburgo é um passo importante rumo à Reunificação da Alemanha, que acontece em 3 de outubro de 1990.

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domingo, 9 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 9 de Novembro

18 BRUMÁRIO DE NAPOLEÃO

    Em 1799, começa em Paris o golpe de Estado que acaba com a Revolução Francesa e leva Napoleão Bonaparte ao poder.

Nos últimos dias do Diretório, o governo da terceira fase da revolução (1795-99), o abade Emmanuel-Joseph Sieyès e Charles-Maurice de Talleyrand conspiram com Napoleão, que é recebido em triunfo depois da fracassada Campanha do Egito. 

No 18 Brumário, ano 8 do calendário da revolução (6 de novembro de 1799), o Conselho dos Anciães, um órgão legislativo sob a liderança de Sieyès, vota para que tanto os anciães quanto a câmara baixa, o Conselho dos 500, se reúnam no dia seguinte no Palácio de Saint-Cloud, sob a desculpa de que em Paris estão sob a ameaça de uma "conspiração jacobina". Os jacobinos dominam o governo na segunda fase da revolução, o período da Convenção (1792-95), que incluiu o Período do Terror (1793-94).

Em realidade, querem os conselhos fora de Paris, onde possam ser intimidados pelo exército de Napoleão.

Durante a reunião em Saint Cloud, no dia seguinte, Napoleão faz um discurso desastrado no Conselho dos Anciães e é recebido sob protesto no Conselho dos 500, onde os membros sentem a intimidação das tropas e pressentem o golpe.

Napoleão foge do palácio, mas Sieyès, Luciano Bonaparte e Joaquim Murat retomam o controle da situação, enviam os granadeiros, dissolvem o Conselho dos 500 e forçam o Conselho de Anciães a dissolver o Diretório e a si próprio, e criam um novo governo consular sob o comando do primeiro-cônsul Napoleão Bonaparte.

O novo governo toma posse em 14 de novembro de 1799 no Palácio de Luxemburgo, em Paris. É o início da ditadura de Napoleão. Em 2 de dezembro de 1804, Napoleão se autocoroa imperador.

NOITE DOS CRISTAIS

    Em 1938, numa amostra inicial do Holocausto, os nazistas lançam uma onda de terror atacando sinagogas, cemitérios, escolas, casas e lojas de judeus na Alemanha e na Áustria.

Cerca de 100 judeus são mortos, 7,5 mil lojas depredadas, centenas de sinagogas, túmulos, escolas e casas são vandalizadas. Dez mil judeus são presos e enviados a campos de concentração. Meses depois, são soltos com a promessa de deixar a Alemanha.

SARTRE DENUNCIA O COMUNISMO

    Em 1956, depois da brutal invasão soviética para esmagar uma revolta na Hungria, o filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre denuncia o regime comunista, a União Soviética e a conivência do Partido Comunista Francês (PCF).

Sartre nasce em Paris em 1905 e se torna um expoente do existencialismo, uma corrente filosófica que não vê sentido na vida e considera que a existência precede a essência: "O importante não é o que fazemos de nós, mas o que fazemos daquilo que fazem de nós."

Ao comentar o massacre da revolta húngara em entrevista à revista L'Express, Sartre declara: "Eu condeno totalmente a invasão soviética sem qualquer reserva. Sem imputar qualquer responsabilidade ao povo russo, eu insisto que o governo atual cometeu um crime... 

"E o crime, para mim, não é só a invasão de Budapeste por tanques, mas o fato de que foi tornada possível por 12 anos de terror e imbecilidade... É e será impossível restabelecer qualquer tipo de contato com os homens que lideram atualmente o PCF. Cada sentença que eles proferem, cada ação que tomam é a culminação de 30 anos de mentiras e esclerose."

QUEDA DO MURO DE BERLIM

    Em 1989, o regime comunista da Alemanha Oriental autoriza a sair do país simplesmente apresentando o passaporte num posto de fronteira e abre o Muro de Berlim, símbolo da divisão do mundo durante a Guerra Fria.

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha é ocupada e dividida entre os aliados: Estados Unidos, França, Reino Unido e União Soviética. Em 1949, os setores norte-americano, francês e britânico se unem para formar a Alemanha Ocidental. A parte soviética vira a Alemanha Oriental.

Diante da fuga em massa de alemães orientais para o Ocidente, na madrugada de 12 para 13 de agosto de 1961, o regime comunista alemão-oriental ergue um muro e transforma o país numa prisão e num símbolo da divisão do mundo.

Com a ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista da URSS em 11 de março de 1985, começa uma era de abertura política (glasnost) e econômica (perestroika) que leva a uma onda de revoluções liberais nos países comunistas do Bloco Soviético, na Europa Oriental, em 1989.

Depois da Hungria, que abre a cortina de ferro em 2 de maio, e da Polônia, que realiza as primeiras eleições democráticas em junho, chega a vez da Alemanha Oriental. A queda do muro leva à reunificação da Alemanha, em 3 de outubro de 1990.

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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Setembro

    Em 1394, o rei Carlos VI ordena a expulsão de todos os judeus da França. 

Com o antissemitismo crescente, os franceses queimam os livros sagrados do judaísmo e cobram impostos discriminatórios dos judeus. Eles são acusados pela pandemia da Peste Negra (1346-53).

Os judeus são expulsos e têm as propriedades confiscadas em 1306. Para voltar, em 1315, precisam pagar. Por uma lei de 1315, os judeus não podem falar de sua religião publicamente, são obrigados a usar um distintivo de identificação como fariam sob o Nazismo e são advertidos contra a usura, uma acusação frequente.

Depois da expulsão de 1394, os judeus só voltam à França no século 18, fugindo da discriminação e perseguição na Europa Oriental. Na época da Revolução Francesa de 1789, há 40 mil judeus na França. A revolução lhes dá os direitos, mas o antissemitismo continua e os judeus franceses são parcialmente exterminados durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45), de 1940 a 1944.

Hoje os judeus são 1% da população francesa.

GUERRA DOS TRINTA ANOS

    Em 1631, um exército sueco-saxão sob o comando do rei Gustavo II Adolfo, da Suécia, destrói o exército do imperador Fernando II de Habsburgo, do Sacro Império Romano-Germânico e da Liga Católica na Batalha de Breitenfeld, durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), uma guerra mundial com 8 milhões de mortes que chegou ao Brasil com as Invasões Holandesas no Nordeste.

A tensão criada pela Reforma da Igreja aumenta no início do século 17 com a fundação da União Protestante e da Liga Católica. A guerra começa na Boêmia, hoje República Tcheca, com a Segunda Defenestração de Praga. 

Em 23 de maio de 1618, protestantes revoltados com a destruição de um dos seus templos, invadem o Castelo de Praga e jogam pela janela dois ministros e um secretário do rei Fernando II, da Boêmia, futuro imperador do Sacro Império, que só permite uma religião, o catolicismo, na Boêmia e na Morávia.

A grande disputa é entre pequenos Estados e principados alemães católicos e protestantes. A Espanha entra na guerra ao lado do Sacro Império. A Holanda, a Suécia e a Dinamarca apoiam os protestantes. Os católicos levam vantagem na primeira fase, que inclui a Primera Invasão Holandesa no Nordeste (1624-25).

Os protestantes holandeses declaram independência da Espanha em 1581, um ano depois de Portugal e Espanha formarem a União Ibérica, quando a morte do rei Dom Sebastião, na Batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos, deixa o trono português sem herdeiro. Começa o período conhecido na História do Brasil como Domínio Espanhol (1580-1640).

A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, fundada em 1621, ataca Salvador em 9 de maio de 1624 com uma esquadra de 26 navios e 3.400 homens sob o comando do almirante Jacob Willekens. Bombardeia a capital colonial do Brasil e a conquista em 24 horas. O governador-geral se refugia no palácio, mas é preso, assina a rendição e é enviado para a Holanda, onde é libertado em 1626. 

Em 30 de março de 1625, uma armada luso-espanhola de 52 navios, 14 mii homens e 1.185 armas de fogo chega à Bahia. É a maior enviada ao Hemisfério Sul até então. Sob o comando do almirante espanhol Dom Fradique de Toledo y Osorio, inicia a batalha para libertar Salvador do domínio holandês, o que acontece em 1º de maio daquele ano.

Na segunda fase da Guerra dos Trinta Anos, o Período Sueco, o poderoso primeiro-ministro da francês, o Cardeal de Richelieu, se alia a Gustavo II da Suécia. A França, um país católico, sente-se cercada pelos Habsburgo da Espanha e do Sacro Império, e se alia aos protestantes.

Gustavo Adolfo desembarca no Norte da Alemanha em 1630 e logo conquista a Pomerânia, mas não consegue impedir a destruição de Madgeburgo em 1631 pelas forças imperiais sob o comando do Conde de Tilly.

Em setembro de 1631, o Sacro Império invade a Saxônia e ocupa Leipzig. O exército protestante tem 26 mil suecos e 16 mil saxões. Às duas da tarde, o temerário general católico Gottfried zu Pappenheim lança um ataque contra as forças de Johan Baner, seis regimentos de cavalaria com destacamentos de infantaria. É repelido sete vezes.

A cavalaria de Fürstenberg ataca os saxões, que estão no lado esquerdo da formação dos protestantes. Despreparados, seus soldados debandam logo. Com a saída dos saxões, o Conde de Tilly desvia suas forças para a direita para atacar os protestantes pelo flanco. Mas as brigadas suecas são mais ágeis e bloqueiam a manobra.

Gustavo II vê uma oportunidade e ataca o novo flanco esquerdo de Tilly, onde se concentra a artilharia imperial. Toma parte dessas armas e bombardeia os católicos com seus próprios canhões. O rei da Suécia morre na Batalha de Lützen, em 16 de novembro de 1632.

O Período Sueco vai até 1635, quando começa a terceira e última fase da guerra, o Período Francês. Inicialmente Richelieu não queria entrar em guerra contra a Espanha e a Áustria. Em 19 de maio de 1635, a França declara guerra à Espanha, o outro grande domínio da Dinastia Habsburgo na Europa, ao lado da Áustria e regiões dependentes da Europa Central.

Em 1º de maio de 1640, Richelieu apoia a Revolta de Lisboa, que pede o fim da União Ibérica, do domínio espanhol sobre o Império Português.

No fim da Guerra dos Trinta Anos, a França tem um exército de 100 mil homens aliado das Províncias Unidas dos Países Baixos (Holanda e Bélgica), da Suécia, da Confederação Helvética (Suíça), de principados alemães e de alguns Estados italianos.

A Paz da Vestfália é firmada em 24 de outubro de 1648. Consagra o princípio de soberania nacional, com liberdade de culto para católicos e protestantes. A Espanha perde seu império europeu. Deixa de ser a maior potência do continente, lugar ocupado pela França.

ASSINADA CONSTITUIÇÃO DOS EUA

    Em 1787, 38 dos 41 delegados da Convenção Constitucional da Filadélfia assinam a Constituição dos Estados Unidos da América. 


A Convenção Constitucional se reúne de 25 de maio a 17 de setembro de 1787 no Salão da Independência, na Filadélfia, no estado da Pensilvânia, com delegados de 12 dos 13 estados. Rhode Island se nega a enviar representantes. Seu mandato inicial é emendar os Artigos da Confederação, mas isso é insuficiente para o novo país.

A Constituição dos EUA tem sete artigos. Divide o governo em três poderes, legislativo, executivo e judiciário, tema dos três primeiros artigos. O artigo 4 dispõe sobre o federalismo e a divisão das competências entre o governo federal e os governos estaduais. O artigo 5 apresenta as regras para emendar a Constituição. O artigo 6 estabelece que a Constituição e as leis federais que dela emanam estão acima das leis estaduais e municipais. O artigo 7 fala sobre a ratificação e as emendas da carta.

Depois da aprovação na Convenção Constitucional por pelo menos três quintos dos votos, a Constituição dos EUA precisa ser ratificada por pelo menos três quartos dos estados, o que acontece em 1788. A Constituição entre em vigor em 1789.

Logo, começa um debate sobre os direitos e garantias individuais que não estariam na Constituição. São apresentadas 12 emendas. 

Dez são aprovadas e consideradas uma declaração de direitos, entre eles a liberdade de expressão, de religião e de associação para fins pacíficos, o direito de processar o Estado, os direitos de portar armas, de ficar em silêncio em interrogatórios para não se incriminar, de ter um julgamento justo e imparcial, de não perder bens e direitos sem sentença judicial e de não ser submetido a tratamento ou punição cruel ou desumana.

Desde 1787, são aprovadas 27 emendas à Constituição.

GUERRA CIVIL ARGENTINA

    Em 1861, as forças da Província de Buenos Aires, sob o comando do governador Bartolomeu Mitre, vencem o exército da Confederação Argentina, sob a chefia do general Justo José de Urquiza na Batalha de Pavón, na Província de Santa Fé.

É uma batalha decisiva da Guerra Civil Argentina. Mitre é líder dos unitários, que defendem um governo central forte, e se instalam no poder em Buenos Aires depois da derrota do ditador Juan Manuel de Rosas, governador da Província de Buenos Aires (1829-52), talvez o caudilho mais importante da história da América Latina, na Batalha de Monte Caseros, em 1852, na última vez em que o Brasil está em guerra contra a Argentina.

Como o Brasil apoia o general Urquiza contra Rosas, Urquiza espera a mesma ajuda durante o conflito com Mitre, quando lidera os federalistas a favor de autonomia regional. Sua derrota marca o fim da Confederação Argentina e a reincorporação de Buenos Aires como a capital do país.

Sem reconhecer o governo Mitre, Urquiza fica no Paraguai, onde se alia ao ditador Francisco Solano López, que deflagra a Guerra do Paraguai ou Guerra da Tríplice Aliança (1864-70), em que Mitre é o comandante militar da Argentina e aliado nos primeiros anos.

URSS INVADE A POLÔNIA

    Em 1939, a União Soviética invade o Leste da Polônia depois que o ministro do Exterior soviético, Viacheslav Molotov, declara que o governo polonês não existe mais, 17 dias depois da invasão do país pela Alemanha Nazista, no início da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

As duas invasões são resultado do Pacto Germano-Soviético, um pacto de não agressão firmado entre Adolf Hitler e Josef Stalin em 23 de agosto de 1939.

Com a invasão nazista, o Exército da Polônia recua e vai para o lado ocupado pela URSS, que prende todos os militares e policiais, e parte dos funcionários públicos civis e intelectuais, num total de quase 22 mil homens. Todos são executados pela polícia política stalinista, a NKVD (Comissariado do Povo para Assuntos Internos), no Massacre da Floresta de Katyn, em abril e maio de 1940.

Quando Hitler rompe o pacto de não agressão e invade a URSS, em 22 de junho de 1941, e a URSS entra na guerra ao lado dos aliados, o governo polonês no exílio pede a libertação dos 22 mil compatriotas. Em 1943, a Alemanha descobre os cemitérios clandestinos. A URSS culpa os nazistas. 

Só em 1990, com a abertura democrática promovida pelo líder Mikhail Gorbachev (1985-91), a URSS admite a responsabilidade pelo Massacre de Katyn, tema do filme Katyn, do cineasta polonês Andrzej Wajda.

THE WHO DETONA

    Em 1967, no fim de uma apresentação da explosiva banda de rock britânica The Who com a música My Generation na televisão norte-americana, o baterista Keith Moon detona uma bomba que deixa o cabelo do guitarrista Pete Townshend chamuscado, estilhaços no braço do próprio Moon e tira do ar o show The Smothers Brothers Comedy Hour.

Ao apresentar The Who no Festival de Monterrey três meses antes, Eric Burdon, da banda The Animals, avisa: "É um grupo que vai destruir você de várias maneiras." O som baixo do festival não permitiu a The Who mostrar a força de sua explosão musical, mas a destruição da guitarra por Townshend estimulou Jimi Hendrix a queimar a sua.

O programa era cultural e politicamente subversivo. Durante três anos, is irmãos Tommy e Dick travaram um duelo com a direção da rede de TV CBS para apresentar candidatos antiestablishment. 

The Who não era politizado, mas com My Generation e o verso "espero morrer antes de envelhecer" se tornou porta-voz da juventude no conflito de gerações dos anos 1960. Gostava de tocar com som no volume máximo e de destruir os instrumentos e o palco, deixando o local arrasado como se tivesse explodido uma bomba.

Keith Moon tinha o hábito de colocar explosivos nos dois bumbos de sua bateria. Naquele dia, bota o dobro da carga.

ACORDOS DE CAMP DAVID

    Em 1978, o presidente do Egito, Anuar Sadat, e o primeiro-ministro de Israel, Menachem Begin, assinam acordos de paz intermediados pelos Estados Unidos no governo Jimmy Carter (1977-81).



A Assembleia Geral das Nações Unidas aprova em 29 de novembro de 1947, a divisão do território histórico da Palestina, que está sob administração do Império Britânico, com mandato da Liga das Nações, entre um país árabe e outro judeu. 

Como os árabes não aceitam a criação de Israel, quando o país é fundado, em 14 de maio de 1948, os vizinhos árabes invadem no dia seguinte. A Guerra de Independência de Israel vai até 10 de março de 1949.

Quando o ditador Gamal Abdel Nasser nacionaliza o Canal de Suez, em 1956, a França e o Reino Unido declaram guerra ao Egito com o apoio de Israel. Os EUA ameaçam retirar o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) à libra esterlina e ao franco francês, ainda abalados pela Segunda Guerra Mundial (1939-45). A guerra acaba e o Egito fica com o canal.

Em 5 de junho de 1967, depois de Nasser ameaçar fechar o canal, Israel bombardeia as forças aéreas do Egito, da Síria e da Jordânia no solo, domina o espaço aérea e obtém uma vitória rápida na Guerra dos Seis Dias. Ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, que era da Jordânia.

Desde então, a questão dos territórios árabes ocupados e de um Estado palestino são obstáculos à paz no Oriente Médio. A Guerra do Yom Kippur (1973) é a maior empreitada militar árabe da era moderna. Começa com a invasão do Sinai, o maior objetivo do Egito. Mas os EUA dão apoio decisivo a Israel com a maior ponte aérea militar da história.

Em 32 dias, os EUA entregaram 22.325 toneladas de equipamentos militares, tanques, artilharia, munição e suprimentos diretamente no campo de batalha, duas vezes mais do que a União Soviética consegue fazer com seus aliados árabes.

O ditador egípcio, Anuar Sadat, chega a dizer: "Posso lutar uma guerra contra Israel, mas não contra os EUA."

Com superioridade aérea, Israel cerca o 3º Exército do Egito no Sinai. Está prestes a destruí-lo quando a URSS ameaça intervir e entra em alerta nuclear para o caso de guerra contra os EUA. É o único alerta nuclear sovíético conhecido durante a Guerra Fria.

Em retaliação contra os países que apoiam Israel, os países árabes exportadores de petróleo, sob a liderança da Arábia Saudita, aprovam um embargo à venda de petróleo ao Ocidente. É o início da Primeira Crise do Petróleo (1973), que quadruplica os preços em curto prazo e acaba com o modelo econômico da ditadura militar brasileira, baseado em energia e mão de obra baratas.

Sem conseguir recuperar o Sinai militarmente, Sadat abandona a aliança do Egito com a URSS, se aproxima dos EUA e visita Israel de 19 a 21 de novembro de 1977. O Egito tem a maior população e o maior Exército do mundo árabe. Há um provérbio no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito nem paz sem a Síria."

Nos Acordos de Camp David, os dois países se reconhecem mutuamente, acaba o estado de guerra permanente que vem desde 1948, Israel se retira da Península do Sinai, mas ganha direito de passagem pelo Canal de Suez, enquanto o Golfo de Ácaba e o Estreito de Tiran são declarados águas internacionais.

Israel negocia os Acordos de Oslo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que levam à criação da Autoridade Nacional Palestina, e faz a paz com a Jordânia em 1994. 

Mais recentemente, em 2020, nos Acordos Abraão, Israel estabelece relações diplomáticas com os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, e depois com o Marrocos e o Sudão. Está em negociações com a Arábia Saudita mediadas pelos EUA. Mas o processo de paz com os palestinos foi abandonado pela direita de Israel. Com ministros de extrema direita que falam em anexar a Cisjordânia, a situação se agrava. 

Desde o ataque terrorista de 7 de outubro do ano passado, Israel está em guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e aliados na Faixa de Gaza. É um conflito que desestabiliza todo o Oriente Médio e ameaça até mesmo a histórica paz com o Egito.

OCUPE WALL STREET

    Em 2011, centenas de ativistas se reúnem na área do Parque Zucotti, na Baixa Manhattan, para lançar o movimento Ocupe Wall Street em protesto contra a corrupção empresarial e a desigualdade social nos Estados Unidos e no mundo. 

O movimento é resultado da crise econômico-financeira global chamada de Grande Recessão (2007-9), que na Zona do Euro se prolonga até 2014. Os editores da revista anticonsumismo Adbusters se inspiraram nas multidões que saem as ruas naquele ano na Primavera Árabe e decidem convocar o protesto em 13 de julho.

Como a polícia fica sabendo e bloqueia Wall Street, os manifestantes mudam o local da concentração para o Parque Zucotti. Durante 58 dias, manifestantes mantiveram a vigília. E o slogan "somos 99%" numa crítica ao 1% mais rico e à desigualdade social ficou marcada como ideia central, legado do movimento contra a ganância e a concentração da riqueza. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 13 de Janeiro

CAVALEIROS DO TEMPLO

    Em 1128, durante as Cruzadas, o papa Honório II reconhece oficialmente a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecida como Ordem do Templo ou Ordem dos Templários, como um "exército de Deus".

A Ordem dos Cavaleiros do Templo nasce em 1118, fundada pelo francês Hughes de Payens, com a missão de proteger os cristãos que peregrinam à Terra Santa durante as Cruzadas, uma série de expedições militares para tentar conquistar Jerusalém, que estava em poder de muçulmanos.

De início, a ordem tem apenas nove membros e regras rígidas. Os templários precisam ser nobres e fazem votos de pobreza, obediência e castidade. Até 1127, a ordem cresce em poder e influência. Ganha força enquanto dura a guerra contra os muçulmanos.

Quando as Cruzadas acabam, no início do século 14, o rei Felipe IV, da França, e o papa Clemente V decidem acabar com os Templários. O grão-mestre, Jacques de Molay, é preso sob a acusação de heresia, sacrilégio e satanismo. Ele e outros líderes da ordem fazem confissões sob tortura e são condenados à morte na fogueira.

Clemente V dissolve a ordem em 1312. Hoje a Igreja Católica admite que a ordem foi vítima de uma conspiração de poderes seculares.

Vários mitos e lendas são criadas em torno dos Templários, inclusive que a ordem teria descoberto relíquias no Monte do Templo, em Jerusalém, inclusive o Cálice Sagrado em que Jesus Cristo teria bebido na Última Ceia e onde José de Arimateia teria coletado o sangue de Cristo na cruz.

As façanhas imaginárias dos Templários inspiram vários livros, entre eles o megassucesso Código da Vinci. É ficção.

ÉMILE ZOLA ACUSA

    Em 1898, o escritor e intelectual francês Émile Zola publica uma carta aberta ao presidente da França no jornal L'Aurore acusando o alto comando do Exército pela condenação por traição em 1894 do capitão Alfred Dreyfus, num caso marcado pelo antissemitismo.

Filho de um rico industrial judeu do setor têxtil, Dreyfus nasce em 9 de outubro de 1859 em Mulhouse, na França. Em 1882, entra para a Escola Politécnica e depois decide fazer carreira militar. Promovido a capitão, vai para o Ministério da Guerra, onde, em 1894, é acusado de vender segredos militares à Alemanha.

É preso em 15 de outubro de 1894 e condenado por uma corte marcial à prisão perpétua em 22 de dezembro. Ele entra na colônia penal da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, em 13 de abril de 1895.

Como as provas eram suspeitas, jornalistas investigam o caso, inclusive Georges Clemenceau, futuro primeiro-ministro francês durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Quando as evidências apontam a culpabilidade do major Ferdinand Esterhazy, Zola publica a carta aberta Eu Acuso:

"Acuso o comandante du Paty de Clam de ter sido o criador diabólico do erro judicial, inconscientemente, quero crer, e ter saído em defesa de sua obra nefasta, durante três anos, por maquinações as mais estapafúrdias e as mais culposas.

"Acuso o general Mercier de ter se tornado cúmplice, ainda que por fraqueza de caráter, de uma das maiores iniqüidades do século.

"Acuso o general Billot de ter tido entre as mãos as provas indubitáveis da inocência de Dreyfus e de tê-las ocultado, tornando-se, pois, culpado de crime de lesa-humanidade e lesa–justiça, por motivos políticos e para livrar um Estado-Maior comprometido. 

"Acuso o general de Boisdeffre e o general Gonse de tornarem-se cúmplices do mesmo crime, um sem dúvida por paixão clerical, o outro por esse corporativismo que faz do Ministério da Guerra uma arca santa inatacável. 

"Acuso o general De Pellieux e o comandante Ravary de terem feito uma investigação criminosa, um inquérito da mais monstruosa parcialidade e do qual temos, no relatório do segundo, um monumento perene da mais ingênua audácia. 

"Acuso os três especialistas em grafologia, os senhores Belhomme, Varinard e Couard de terem emitido pareceres mentirosos e fraudulentos, a menos que um laudo médico os declare tomados por alguma patologia da vista e do juízo. 

"Acuso o Ministério da Guerra de ter promovido na imprensa, particularmente no L'Éclair e no L’Écho de Paris, uma campanha abominável para manipular a opinião pública e acobertar sua falha. 

"Acuso por fim o primeiro Conselho de Guerra de ter violado o direito, condenando um acusado com base em um documento secreto, e acuso o segundo Conselho de Guerra de ter encoberto essa ilegalidade, por ter recebido ordens, cometendo por sua vez o crime jurídico de absolver conscientemente um culpado. 

"Fazendo essas acusações, não ignoro enquadrar-me nos artigos 30 e 31 da lei de imprensa de 29 de julho de 1881, que pune os delitos de difamação. E é voluntariamente que eu me exponho.

"Quanto às pessoas que eu acuso, não as conheço, nunca as vi, não nutro por elas nem rancor nem ódio. Não passam para mim de entidades, de espíritos da malevolência social. O ato que aqui realizo não é nada além de uma ação revolucionária para apressar a explosão de verdade e justiça.

"Não tenho mais que uma paixão, uma paixão pela verdade, em nome da humanidade que tanto sofreu e que tem direito à felicidade. Meu protesto inflamado nada mais é que o grito da minha alma. Que ousem, portanto levar–me perante ao tribunal do júri e que o inquérito se dê à luz do dia! 

"É o que espero. 

"Receba, senhor Presidente, minhas manifestações de mais profundo respeito."

Zola é processado, mas intelectuais, entre eles Anatole France e Marcel Proust, fazem um abaixo-assinado com mais de 3 mil assinaturas pedindo a reabertura do caso. Em 1904, começa o segundo julgamento. Em julho de 1906, um tribunal de recursos civil anula todas as condenações de Dreyfus.

O jornalista judeu austro-húngaro Thedor Herzl cobre o primeiro julgamento em 1894 e, diante da condenação sem provas e dos massacres de judeus no Império Russo, conclui que não há condições para os judeus viverem na Europa. Em 1896, ele publica O Estado Judeu, em defesa da fundação de uma pátria para o povo judeu e lança o moderno movimento sionista.

COSTA CONCORDIA NAUFRAGA

    Em 2012, o navio de cruzeiro italiano Costa Concordia encalha e vira com cerca de 4,2 mil pessoas a bordo perto da Ilha de Giglio, no Mar Tirreno; 32 passageiros morrem no naufrágio.

Quando é lançado ao mar, em 2005, o Costa Concordia é o maior navio de cruzeiro da Itália, com 290 metros de comprimento e capacidade para 3.780 passageiros. Em comparação, o Titanic tinha 269 metros e capacidade para 2.435 passageiros.

Com quatro piscinas, um cassino, o maior spa num navio e 500 cabines com varanda para o mar, o Costa Concordia é um navio de luxo. A viagem inaugural, em julho de 2006, é um cruzeiro no Mar Mediterrâneo com escalas na Itália, França e Espanha. Depois, inclui as Ilhas Baleares, a Tunísia, Malta, Grécia, Chipre e Turquia. A partir de 2009, vem à América Latina.

Vários membros da tripulação são processados pelo naufrágio, especialmente o capitão Francesco Schettino, que se aproxima demais do litoral e deixa o navio antes de salvar os passageiros. Num diálogo, um comandante da Guarda Costeira grita: "Vá para bordo, capitão!"

O capitão é condenado em fevereiro de 2015 a 16 anos de reclusão pelas mortes, o abandono do navio e o naufrágio, pena confirmada por um tribunal de recursos em maio de 2016.

UM PRESIDENTE E DOIS IMPEACHMENTS

    Em 2021, Donald Trump se torna o único presidente dos Estados Unidos a ser alvo de dois processos de impeachment, quando a Câmara dos Representantes o denuncia num julgamento político por "incitar à insurreição" ao insuflar seus partidários a invadir o Congresso em 6 de janeiro do mesmo ano para impedir a certificação da vitória de Joe Biden.

Trump não aceita a derrota na eleição presidencial de 3 de novembro de 2020. Seus advogados entram com 61 ações judiciais contestando os resultados em estados decisivos. Em todos os casos, os juízes não encontram elementos suficientes para instaurar um processo.

Sem outra alternativa para não entregar o poder, Trump incentiva uma marcha de seus partidários até a capital, onde faz um comício na gélida manhã de 6 de janeiro e incita a multidão a ir até o Capitólio. Promete inclusive acompanhar os manifestantes, mas o serviço secreto não deixa por não ter como garantir a segurança do presidente no meio da multidão.

A turba assalta o Capitólio, obrigando deputados, senadores e o vice-presidente Mike Pence a se refugiar nos porões do prédio. Os terroristas chegam a armar uma forca para matar o vice-presidente, que preside a reunião do Congresso e se nega a mudar o resultado das urnas.

Trump assiste tudo durante três horas e sete minutos, apesar dos apelos de deputados e senadores para que mandasse a multidão enfurecida parar de atacar. Cinco pessoas morrem dentro de 36 horas desde o início do assalto ao Capitólio e quatro policiais se suicidam depois por causa do trauma.

Como a destituição do presidente exige os votos de dois terços do Senado, Trump é absolvido, como havia sido no primeiro processo de impeachment, por tentar subornar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pressionando-o a investigar Joe Biden e seu filho em troca de ajuda militar.

Até hoje, nenhum presidente dos EUA foi afastado em processo de impeachment. Em 1868, falta um voto no Senado para destituir Andrew Johnson. Em 1974, Richard Nixon renuncia quando perdeu o apoio da bancada republicana no Senado por causa do Escândalo de Watergate. Em 1999, Clinton é absolvido com 50 votos contra por obstrução de justiça e 45 por perjúrio (mentir sob juramento).