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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Abril

 CROMWELL DISSOLVE O PARLAMENTO

    Em 1653, o ditador Oliver Cromwell dissolve o Parlamento Manco ou Parlamento Residual da Inglaterra, substituído pelo Pequeno Parlamento ou Assembleia Nomeada, que seria fechado no mesmo ano com a instauração do Protetorado, com Cromwell como Lorde Protetor, o que o torna definitivamente um ditador.

O Parlamento Manco, última fase do Longo Parlamento, convocado pelo rei em novembro de 1640, começa quando o coronel Thomas Pride faz um grande expurgo, em 13 de dezembro de 1648, destituindo 121 deputados que são contra o julgamento e a execução do rei Carlos I no auge da Guerra Civil Inglesa entre um rei católico e um Parlamento com maioria protestante.. 

Esse parlamento reduzido aprova em 4 de janeiro de 1649 a criação de um Supremo Tribunal de Justiça para processar o rei. Carlos I contesta a autoridade do tribunal numa audiência em 20 de janeiro. É condenado à morte por traição. 

A execução é adiada para dar tempo à aprovação de uma lei tornando crime proclamar um novo rei. Todo o poder fica com a Câmara dos Comuns, representante do povo. O rei é decapitado em Whitehall, no Centro de Londres, em 31 de janeiro de 1649.

Em 6 de fevereiro do mesmo ano, a Câmara dos Lordes é abolida. No dia seguinte, é abolida a monarquia. Em 14 de fevereiro, é criado o Conselho de Estado. Em abril, nasce a Comunidade da Inglaterra. Com o controle da Câmara dos Comuns, Cromwell acumula poderes. Em 1653, dissolve o Parlamento, instaura o Protetorado e se torna Lorde Protetor da Inglaterra, do País de Gales, da Escócia e da Irlanda. 

Com a morte de Cromwell em 3 de setembro de 1653 e o fim do Protetorado, o Parlamento é restaurado em maio de 1659, dissolvido em outubro e reconvocado em dezembro de 1659 com a inclusão dos expurgados em 1648 para finalmente se dissolver. Uma Convenção Parlamentar eleita inicia negociações para a restauração da monarquia sob Carlos II, filho de Carlos I, em 1660. 

NASCIMENTO DE HITLER

    Em 1889, nasce em Braunau, na Áustria, Adolf Hitler, líder do Partido Nazista, chanceler (primeiro-ministro) e ditador da Alemanha, o grande genocida, o pior tirano de todos os tempos e o maior responsável pela Segunda Guerra Mundial (1939-45), com uma visão de mundo baseada na supremacia da raça ariana e na expansão territorial através da guerra.

Hitler passa a maior parte da infância em Linz, na Áustria. Aluno medíocre, não passa do ensino médio. Sonha em ser pintor, mas é reprovado em duas tentativas de entrar para a Academia de Artes de Viena.

Em 1913, Hitler se muda para Munique, na Alemanha. Por falta de vigor físico, é rejeitado para o serviço militar na Áustria. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), consegue entrar para um regimento de infantaria da Baviera. 

Ele participa da Primeira Batalha de Ypres, na Bélgica. É condecorado duas vezes por bravura. No fim da guerra, está hospitalizado por ter sofrido um ataque com armas químicas.

A guerra, a disciplina militar e a camaradagem com os companheiros de armas compensam a frustração da vida civil. Hitler vê a guerra e o heroísmo como a exaltação do espírito humano.

Em setembro de 1919, ele entra para o pequeno Partido Alemão dos Trabalhadores, que em 1920 muda de nome para Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazista). Torna-se responsável pela propaganda do partido.

O ressentimento pela derrota da Alemanha, as duras condições impostas ao país pela Conferência de Paz de Versalhes (1919) e a crise econômica decorrente causam grande descontentamento. Deixam um terreno fértil para a demagogia populista.

Sua personalidade carismática e liderança dinâmica atraem membros do partido como Alfred Rosenberg, Rudolf Hess, Herman Göring e Julius Streicher.

A primeira tentativa de tomar o poder é o Golpe de Cervejaria de Munique, deflagrado em 8 de novembro de 1923. Hitler é preso e condenado por traição a 5 anos de cadeia. Na prisão, escreve o livro Mein Kampf (Minha Luta), o manual da propaganda nazista. É solto em 20 de dezembro de 1924, depois de cumprir apenas nove meses de detenção.

Suas ideias incluem uma visão desigual e hierárquica de povos, países e indivíduos numa ordem natural imutável com a raça ariana e o povo alemão no topo como líderes e guias da humanidade. No centro de seu pensamento estão o pangermanismo, o antissemitismo e o anticomunismo.

O maior inimigo do nazismo não é a democracia liberal, que está em crise na Alemanha com o fracasso da República de Weimar. É o marxismo, que para Hitler inclui a social-democracia e o comunismo, e o povo judeu, para Hitler a encarnação de todo o mal.

Seu antissemitismo é evidente desde 1919, quando escreve que "o objetivo final deve ser a remoção de todos os judeus. Em Mein Kampf, Hitler descreve o judeu como "destruidor da cultura", "ameaça" e "parasita da nação".

A Grande Depressão (1929-39) da economia gera a instabilidade política que leva os nazistas ao poder. 

Depois de eleições em que o Partido Nazista conquista 33% dos votos em 6 de novembro de 1932, Hitler é nomeado chanceler (primeiro-ministro) em 30 de janeiro, quando a taxa de desemprego está em 34%. Menos de um mês depois, em 27 de fevereiro, há o incêndio do parlamento. Os nazistas são suspeitos e acusam os comunistas. É o grande golpe da ascensão de Hitler ao poder total.

O primeiro campo de concentração, Dachau, é criado em 22 de março de 1933. Até 1945, os nazistas operam mais de mil campos de concentração.

A Lei Habilitante é aprovada em 23 de março de 1933 pelo Partido Nazista, pelo Partido Nacional Popular da Alemanha e pelo Partido de Centro. Dá os primeiros poderes ditatoriais a Hitler, permitindo que o governo crie leis e assine tratados com outros países sem a aprovação do Reichstag, censure a imprensa e proíba partidos políticos.

Entre 10 de maio e 21 de junho de 1933, os nazistas organizam grandes queimas de livros justificadas pela "necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".

Nos seus primeiros anos do poder, a Alemanha vence a depressão econômica com uma política agressiva de industrialização e rearmamento. O desemprego cai de 34% em janeiro de 1933 para 13,5% em julho de 1934.

Com a morte do presidente Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, o regime nazista convoca um plebiscito para unificar os cargos de presidente e primeiro-ministro na figura do Führer (Líder). Em 19 de agosto, os alemães aprovam a ditadura de Adolf Hitler com quase 90% dos votos.

Em setembro de 1935, são aprovadas as Leis de Pureza Racial de Nurembergue. Desde o século 19, os judeus eram aceitos como membros da sociedade alemã com plenos direitos e cidadãos iguais aos outros.

A Lei de Cidadania do Reich determina que só pessoas com "sangue ou ascendência alemã" podem ser cidadãos. Os judeus são "súditos do Estado", não cidadãos. A Lei de Proteção do Sangue e da Honra Alemãs proíbe o casamento e as relações sexuais entre judeus, acusados de serem "poluidores raciais", e não judeus.

De 11 a 13 de março de 1938, a Alemanha Nazista anexa a Áustria, país de origem de Hitler. Em 30 de setembro de 1938, Hitler toma a região dos Sudetos, na Tcheco-Eslováquia, onde há uma grande população de origem alemã, com a conivência da França e do Reino Unido no Pacto de Munique, uma tentativa de evitar a guerra na Europa. A invasão da Boêmia e da Morávia, em 15 de março de 1939, completa a anexação da Tcheco-Eslováquia.

A Segunda Guerra Mundial começa em 1º de setembro de 1939 com a invasão da Polônia pela Alemanha. Dias antes, em 23 de agosto, Hitler e o ditador Josef Stalin fazem o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão que Hitler usa para dividir a Polônia e garantir a paz na frente oriental enquanto toma a Europa Ocidental.

A derrota na Batalha da Inglaterra, um combate aéreo travado de 10 de julho a 31 de outubro de 1940, impede Hitler de invadir o Reino Unido.

Em 22 de junho de 1941, Hitler rompe o pacto de não agressão com Stalin e ordena a invasão da União Soviética. No fim daquele ano, em 7 de dezembro, o Império do Japão, aliado da Alemanha, ataca a Frota do Pacífico dos Estados Unidos em Pearl Harbor, no Havaí. Os EUA entram na guerra.

A Conferência de Wannsee, um subúrbio de Berlim, adota em 20 de janeiro de 1942 a "solução final" para a questão judaica, uma tentativa de exterminar os judeus da Europa. Cerca de 11 milhões de pessoas morrem no Holocausto, 6 milhões de judeus, 60% dos judeus europeus, 1,5 milhão de ciganos, socialistas, comunistas, negros e opositores do regime nazista.

Em meados de 1942, o Exército nazista domina grande parte da Europa continental, o Norte da África e quase um quarto da URSS. Com a derrota nas batalhas de Moscou (1941-42), Stalingrado (1942-43) e Kursk (1943), a Alemanha Nazista para de avançar. O Afrika Korps, o exército alemão no Norte da África, se rende em 12 de maio de 1943.

Em 9 de julho de 1943, os aliados invadem a Sicília e começam a acabar com a ditadura de Benito Mussolini na Itália, o principal aliado de Hitler.

A Invasão da Normandia, em 6 de junho de 1944, abre uma nova frente de combate na Europa Ocidental. Na frente oriental, o Exército Vermelho da URSS avança rumo a Berlim. 

Em 20 de julho de 1944, Hitler sobrevive a um atentado na Toca do Lobo, seu esconderijo secreto na Prússia Oriental, na Operação Valquíria, uma conspiração para dar um golpe de Estado liderada pelo coronel Claus von Stauffenberg.

A Batalha de Ardenne, de 16 de dezembro de 1944 a 25 de janeiro de 1945, é a última grande contraofensiva alemã na frente ocidental, uma tentativa de deter o avanço das forças norte-americanas.

O Exército Vermelho ganha a corrida rumo a Berlim. Toma a capital da Alemanha em 8 de maio de 1945, fim da guerra na Europa. Hitler se suicida oito dias antes, em 30 de abril, um seu bunker em Berlim. As bombas atômicas de Hiroxima e Nagasáki, em 6 e 9 de agosto de 1945, levam à rendição do Japão e ao fim da Segunda Guerra Mundial.

RÁDIO ISOLADO

    Em 1902, quatro anos depois de descobrir os elementos radioativos rádio e polônio, o casal Marie e Pierre Curie consegue isolar sais de rádio de um minério em seu laboratório.

Maria Salomea Sklodowska nasce em Varsóvia, na Polônia, então parte do Império Russo, em 7 de novembro de 1867. Aos 24 anos, em 1891, ela segue a irmã mais velha, Bronislawa, e vai estudar na Universidade de Paris, onde se forma em física e química.

Na França, ela passa a ser chamada de Marie. Em 1894, quando obtém o segundo diploma, conhece Pierre Curie, instrutor da Escola Superior de Física e Química Industriais de Paris, apresentado pelo físico polonês Józef Kowalski, que sabia que Marie estava procurando um espaço maior para seu laboratório. Pierre lhe oferece o espaço.

A paixão pela ciência aproxima os dois. Pierre Curie a pede em casamento. Marie recusa. Quer voltar para a Polônia. De volta a Varsóvia, ela percebe que não pode fazer carreira em seu país, onde o acesso à universidade lhe é negado por ser mulher.

Por carta, Pierre Curie a convence a voltar para Paris para fazer um doutorado. Eles se casam em 26 de julho de 1895 sem cerimônia religiosa. Uma piada na época era que Marie era "a grande descoberta de Pierre".

No mesmo ano, Wilhelm Roentgen descobre os raios-X, mas não o fenômeno que os causa. Em 1896, Henri Becquerel percebe que o urânio emite raios semelhantes aos raios-X. Ela decide investigar o fenômeno para sua tese.

Marie Curie levanta a hipótese de que a radiação não seja resultado da interação entre moléculas, venha do próprio átomo. 

Entre suas realizações, estão a teoria da radioatividade, palavra que ela criou, técnicas para isolar isótopos radioativos e a descoberta de dois elementos químicos, o polônio e o rádio.

Ela é a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel e a primeira professora da Universidade de Paris. Divide o Nobel de Física de 1903 com Becquerel e o marido pela descoberta da radioatividade. É também a primeira pessoa a ganhar duas vezes o Nobel. Ganha o prêmio de Química em 2011 pela descoberta do rádio e do polônio.

FIM DO IMPÉRIO OTOMANO

    Em 1924, a Grande Assembleia Nacional da Turquia aprova uma Constituição plenamente republicana e conclui a dissolução do Império Otomano, que durante seis séculos é o centro das interações entre Europa e Ásia. O general Mustafá Kemal, que proclama a república seis meses antes, é o primeiro presidente. Em 20 de novembro de 1934, ele adota o sobrenome de Atatürk, o Pai dos Turcos.

O Império Otomano é fundado pelo sultão Osmã I em 1299. Em 29 de maio de 1453, o imperador Mehmet II toma Constantinopla. É o fim do Império Romano do Ocidente e da Idade Média. O Império Otomano atinge o auge nos séculos 16 e 17, quando é uma das maiores potências mundiais. 

Os otomanos chegam a cercar Viena, a capital do Sacro Império Romano-Germânico, duas vezes. O Primeiro Cerco Otomano a Viena, de 27 de setembro a 14 de outubro de 1529, é um marco do fim da invencibilidade turca.

No mar, uma aliança de potências católicas sob a liderança de Felipe II, da Espanha, vence os otomanos na Batalha de Lepanto, na costa da Grécia, em 7 de outubro de 1571.

A derrota na Batalha de Viena, em 12 de setembro de 1683, depois de dois meses do Segundo Cerco Otomano a Viena, marca o início do recuo na Europa.

Nos séculos 17 e 18, o Império Otomano perde a supremacia militar sobre os europeus. Em 1821, a Grécia se torna o primeiro país dos Bálcãs e proclamar a independência, conquistada em 1830. Com uma reforma modernizante, a Tanzimat (1839-76), que significa reestruturação, o império recupera seus poderes ao longo do século 19. 

Depois de derrotas nas  Guerras dos Bálcãs (1912-13), os otomanos se aliam aos impérios Alemão e Austro-Húngaro na Primeira Guerra Mundial (1914-18). A Revolta Árabe (1916-18), apoiada pelo Império Britânico a conselho do major Thomas Edward Lawrence, o Lawrence da Arábia, vence o Império Otomano nas províncias árabes.

Os impérios Alemão, Austro-Húngaro e Otomano, derrotados, desaparecem no fim da guerra, assim como o Império Russo, vencido pela Alemanha e dissolvido pela Revolução de Fevereiro de 1917 na Rússia.

A partilha do Império Otomano no Tratado de Sèvres, de 10 de agosto de 1920, dá a origem ao que são hoje 40 países, inclusive a República Turca de Chipre do Norte, não reconhecida internacionalmente. Com a ocupação de Constantinopla, o movimento nacionalista turco luta pela independência de 1919 a 1922 sob a liderança de Mustafá Kemal. A monarquia acaba em 1º de novembro de 1922.

O Tratado de Lausanne reconhece a República da Turquia em 24 de julho de 1923. A Grande Assembleia Nacional proclama oficialmente a independência em 29 de outubro do mesmo ano. O califado é abolido em 3 de março de 1924.

MAIOR VAZAMENTO DE PETRÓLEO

    Em 2010, uma explosão na plataforma de petróleo Horizonte de Águas Profundas, no Golfo do México, a 66 quilômetros da costa da Louisiana, nos Estados Unidos, mata 11 funcionários, fere outros 17 e causa o maior vazamento acidental de petróleo da história, superado apenas para guerra ecológica do ditador do Iraque, Saddam Hussein, contra o Kuwait no fim da Guerra do Golfo Pérsico de 1991.

A plataforma, operada para companhia BP, antiga British Petroleum, afunda dois dias depois. O poço na sua base só é selado em 19 de setembro, depois de um vazamento de 4,9 milhões de barris, 780 mil metros cúbicos de petróleo.

O petróleo bruto chega à Baia de Tampa e ao Panhandle, na Flórida. Em 2013, 2,2 mil toneladas de material oleoso são removidas das praias da Louisiana, o dobro de 2012. O ambiente marinho, a vida selvagem e as indústrias de pesca e do turismo são abaladas fortemente.

Em abril de 2016, a BP faz um acordo com o Departamento da Justiça dos EUA para pagar multas no valor de US$ 20,8 bilhões. Em 2018, os custos de limpeza, encargos e penalidades chegam a US$ 65 bilhões.

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sábado, 31 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 31 de Janeiro

 ENFORCADO POR TENTAR EXPLODIR O PARLAMENTO

    Em 1606, Guy Fawkes é executado em Londres por tentar explodir o Parlamento da Inglaterra na Conspiração da Pólvora, que também pretende matar o rei Jaime I por causa da repressão aos católicos.

Fawkes nasce em York em 13 de abril de 1570. Aos 8 anos, o pai morre. A mãe casa de novo com um católico de um movimento chamado Recusa, de pessoas que se negam a aceitar os rituais da Igreja Anglicana. 

Ele se converte ao catolicismo e vai para o continente, onde luta ao lado da Espanha católica contra os Países Baixos protestantes na Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648). Na Espanha, busca sem sucesso apoio para uma revolta católica na Inglaterra.

Robert e Thomas Wintour o apresentam a Robert Catesby, que planeja matar Jaime I para colocar um rei católico no trono. Eles alugam um espaço no porão do Palácio de Westminter, a sede do Parlamento, para onde levam barris de pólvora.

Uma carta anônima denuncia a Conspiração da Pólvora. Por volta da meia-noite de 4 para 5 de novembro, o juiz de paz Sir Thomas Knyvet encontra Guy Fawkes no porão do Palácio de Westminster em atitude suspeita e manda revistar o local. A polícia encontra 20 barris de pólvora.

Guy Fawkes é preso. Sob tortura, confessa fazer parte de uma conspiração católica e é condenado à morte na forca. 

Por ironia da história, os ingleses festejam com fogos o Dia de Guy Fawkes porque ele tentou explodir o Parlamento como uma revolta contra os poderes constituídos. A máscara com a imagem estilizada de Fawkes virou símbolo de movimentos anarquistas.

NASCIMENTO DE SCHUBERT

    Em 1797, nasce em Himmelpfortgrund, perto de Viena, a capital da Áustria, o compositor clássico e romântico Franz Schubert, conhecido pela melodia e harmonia de suas músicas e suas composições de música de câmera.

Seu pai, Franz Theodor Schubert, é diretor de escola e chefe de uma família musical que forma um quarteto de cordas em casa. O futuro compositor toca viola e recebe educação musical do pai e do irmão Ignaz. Em 1808, ele ganha uma bolsa e um lugar no coro da capela da corte imperial.

Tímido, Schubert reluta em apresentar suas primeiras composições. Entre elas, está Fantasia para um Dueto de Piano. Talvez sua música mais conhecida seja a Sinfonia nº 8 em Si Menor, a Inacabada.

TRUMAN INVESTE NA BOMBA H

    Em 1950, cinco meses depois da explosão da primeira bomba atômica da União Soviética, o presidente Harry Truman anuncia aos Estados Unidos a decisão de desenvolver a bomba de hidrogênio, mil vezes mais poderosa do que as bombas jogadas em Hiroxima e Nagasaki em 6 e 9 de agosto de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Os EUA testam sua primeira bomba de hidrogênio, chamada Mike, em 1º de novembro de 1952 no atol de Eniwetok, nas ilhas Marshall, no Oceano Pacífico.

As primeiras armas atômicas são de fissão nuclear de átomos pesados, o urânio-235 e o plutônio. Sua energia vem da divisão do núcleo de átomos pesados. 

A bomba de hidrogênio ou bomba termonuclear é resultado da fusão nuclear de átomos leves. Dois átomos de hidrogênio pesado e mais do que pesado se fundem a uma temperatura altíssima. É a reação que produz a energia do sol e das estrelas. O gatilho da bomba de hidrogênio é uma explosão nuclear de urânio para gerar a temperatura de 100 milhões de graus centígrados necessária à fusão nuclear.

No processo de fusão, as partículas subatômicas perdem 0,63% da massa, que se converte numa enorme quantidade de energia medida pela famosa fórmula de Albert Einstein: E = mc2, em que c é uma constante que representa a velocidade da luz no vácuo: 300 mil quilômetros por segundo.

Houve bombas de hidrogênio de mais de 50 megatons, com o poder de destruição de mais de 50 milhões de toneladas de dinamite. As instaladas em mísseis têm geralmente até 1,5 megaton.

A União Soviética testa sua primeira bomba de hidrogênio em 12 de agosto de 1953, elevando a corrida armamentista nuclear a outro patamar. O Reino Unido (1957), a China (1967) e a França (1968) também fazem a bomba H.

CENTRO POMPIDOU

    Em 1977, a França inaugura o Centro Nacional de Arte e Cultura Georges Pompidou, um complexo cultural batizado com o nome do presidente Pompidou (1696-74), que encomenda o projeto aos arquitetos italianos Renzo Piano e Gianfranco Franchini e aos britânicos Richard Rogers e Su Rogers.

O Centro Pompidou fica na área do Beauborg, como também é conhecido. O largo na sua frente é um local de debates políticos. Fica no 4º distrito de Paris, no bairro do Marais, perto de Les Halles, um centro comercial subterrâneo.

No complexo, ficam o Museu Nacional de Arte Moderna, a Biblioteca Pública da Informação, um centro para música e pesquisas acústicas, um centro de desenho industrial, um museu do cinema e o Atelier Brancusi, com esculturas do artista romeno Constantin Brancusi.

BREXIT

    Em 2020, três anos e meio depois de um plebiscito, o Reino Unido deixa oficialmente a União Europeia.

O processo de integração europeia começa com o Plano Schuman, anunciado em 9 de maio de 1950 pelo ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, para acabar com as guerras na Europa e promover o desenvolvimento econômico e social do continente.

A Comunidade Econômica Europeia é criada pelo Tratado de Roma, assinado em 25 de março de 1957 pela Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo, que entra em vigor em 1º de janeiro de 1958.

Em 1963 e 1967, o então presidente da França, general Charles de Gaulle, veta a entrada do Reino Unido, que adere ao bloco europeu em 1º de janeiro de 1973. Na época, o Partido Conservador era a favor por representar as classes empresariais. O Partido Trabalhista era contra.

Por causa da insularidade e do passado imperial, o Reino Unido sempre mantém uma relação ambivalente. A primeira-ministra Margaret Thatcher (1979-90) luta pela criação do mercado único europeu, mas é contra a união política, uma das causas de sua queda, um regicídio que divide profundamente o Partido Conservador.

Quando o Tratado de Maastricht cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia, em 1991, o primeiro-ministro John Major (1990-97) deixa o Reino Unido fora da união monetária e econômica. No governo trabalhista de Tony Blair (1997-2007), um europeísta, o país não adere ao euro.

Na campanha de reeleição, o primeiro-ministro conservador David Cameron (2010-16) promete convocar um plebiscito para o eleitorado britânico decidir se quer ou não fazer parte da UE. Seu objetivo é acabar com a guerra civil interna do partido que vem desde a queda de Thatcher. A campanha é marcada por promessas e notícias falsas. 

O líder da campanha para sair, o deputado conservador Boris Johnson, faz um manifesto contra e outro a favor. Opta pela saída porque considera melhor para sua pretensão de governar o país. Entre suas mentiras, afirma que os 350 milhões de libras que o país economizaria por semana não tendo de contribuir para o orçamento comunitário seriam investidos no Serviço Nacional de Saúde (NHS), que dá assistência médica de graça a todos os habitantes do Reino Unido.

Em 23 de junho de 2016, por 52% a 48%, o Reino Unido decide sair da UE. Londres, a Escócia e a Irlanda da Norte votam para ficar.

É uma das decisões econômicas mais inconsequentes e estúpidas de qualquer economia moderna. Imaginar que é bom negócio abandonar parceiros comerciais vizinhos e ricos com que se tem um mercado comum há mais de 40 anos e substituí-los por ex-colônias não faz sentido. O Reino Unido acaba de abandonar negociações de livre comércio com o Canadá porque só conseguiu condições piores do que tinha como membro da UE. 

Cameron pede demissão e é substituído pela primeira-ministra Theresa May (2016-19), que votou a favor de ficar e nunca é aceita pelos eurocéticos. Suas propostas de acordo de divórcio com a UE são rejeitadas pela Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

Johnson consegue derrubar May e vence as eleições parlamentares de 12 de dezembro de 2019 com a promessa de concluir a saída da UE.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 22 de Dezembro

 QUINTA SINFONIA

    Em 1808, a 5ª Sinfonia do alemão Ludwig van Beethoven, talvez o maior compositor de todos os tempos, faz sua estreia em Viena, na Áustria, numa noite muito fria, sem aquecimento, para uma plateia pequena, o que atrasa o reconhecimento da grandeza da obra.

É a sinfonia mais popular da história, mas sua magnitude não é reconhecida no primeiro momento. O concerto dura quatro horas sob frio intenso e a 5ª sinfonia começa mais de duas depois do início.

Beethoven é ao mesmo tempo maestro e pianista. A orquestra toca mal. Ele interrompe e recomeça.

Também estreiam naquela noite o Concerto para Piano nº 4 e a 6ª Sinfonia (Pastoral) de Beethoven, mas dentro de pouco tempo é a 5ª Sinfonia que recebe aclamação.

Em 1810, um crítico importante elogia Beethoven por superar Wolfgang Amadeus Mozart e Joseph Haydn com uma música que "abre o reino do colossal e incomensurável... evoca terror, medo e dor, e desperta um anseio que é a essência do romantismo."

DOSTOIÉVSKI SALVO DE FUZILAMENTO

    Em 1849, o escritor russo Fiódor Dostoiévski é levado a um pelotão fuzilamento e preparado para execução depois de ter sido condenado em 16 de novembro por atividades antigovernamentais. Na última hora, é poupado e enviado para o exílio interno num campo de trabalhos forçados na Sibéria.
Dostoiévski nasce em 11 de novembro de 1821 em Moscou. O pai é médico do Hospital dos Pobres, em Moscou, onde enriquece e compra terras e servos.

Com a morte do pai, Dostoiévski, que sofre de epilepsia, estuda engenharia militar e se torna funcionário público enquanto escreve secretamente seus livros. Lança os primeiros, Povo Pobre O Duplo em 1846. O primeiro é um sucesso; o segundo fracassa.

É libertado em 1854 e serve como soldado na fronteira com a Mongólia. De volta à Rússia europeia, em 1859, funda uma revista no ano seguinte e mais tarde viaja pela Europa. Em 1866, publica Crime e Castigo, sua obra mais popular. 

Em 1867, casa com uma estenógrafa. O casal foge da Rússia para escapar dos credores. Com o sucesso de O Possesso, o casal volta a São Petersburgo. Em 1879, publica sua obra-prima, Os Irmãos Karamazov, um sucesso imediato. Morre 9 de fevereiro de 1881.

CASO DREYFUS

    Em 1894, uma corte marcial da França condena o capitão judeu Alfred Dreyfus à prisão perpétua sob a acusação de espionagem, de passar segredos militares para a Alemanha, num julgamento cheio de vícios processuais.
Quatro meses depois, o capitão de artilharia começa a cumprir pena na prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa. O caso revela o antissemitismo da França.

Quando surgem indícios de que o verdadeiro espião é o major Ferdinand Esterhazy, o Exército tenta esconder as provas. Esterhazy é levado à corte marcial e absolvido em uma hora num julgamento em janeiro de 1898.

Indignado, o escritor Émile Zola publica uma carta aberta chamada Eu Acuso no jornal Aurora, acusando os juízes, o Exército e o presidente da França. O jornal vende 200 mil exemplares num dia.

Zola é condenado por calúnia, mas consegue fugir para a Inglaterra. O escândalo divide a França. Enquanto nacionalistas e a Igreja Católica apoiam o Exército, republicanos, socialistas e defensores da liberdade religiosa defendem Dreyfus.

Em 1898, o major Hubert Henry admite ter forjado provas contra Dreyfus e comete suicídio. Pouco depois, Esterhazy foge do país

Dreyfus é levado a novo julgamento em 1899 e condenado a 10 anos de prisão em outro processo forjado. Um novo governo francês o perdoa. Em 1906, o Tribunal Superior de Recursos anula a sentença.

O Caso Dreyfus provoca grande liberalização na França, reduz o poder dos militares e leva à separação formal entre Igreja e Estado.

QUEDA DE CEAUSESCU

    Em 1989, o Exército da Romênia adere à revolta anticomunista e derruba o ditador Nicolae Ceausescu, no poder há 42 anos. É o último dos países-satélites da União Soviética a se livrar do comunismo na Europa Oriental, depois de Polônia, Hungria, Alemanha Oriental, Tcheco-Eslováquia e Bulgária.
A derrocada do Gênio dos Cárpatos começa três dias antes, quando as forças de segurança romenas abrem fogo contra uma manifestação de romenos de origem húngara em Timisoara. Morre uma pessoa, mas um repórter da agência de notícias alemã-oriental anuncia a morte de milhares.

Ceausescu tenta se defender com um discurso em Bucareste, mas é vaiado pela multidão. Ele e a mulher, Elena, fogem de helicóptero. São presos, condenados por assassinato em massa num julgamento sumário por um tribunal militar revolucionário e executados no dia de Natal por um pelotão de fuzilamento.

REABERTO O PORTÃO DA BRANDEMBURGO

    Em 1989, o Portão de Brandemburgo, um dos símbolos da capital histórica da Alemanha, é reaberto após ficar fechado desde o início da construção do Muro de Berlim em agosto de 1961.

O portão é encomendado pelo rei Frederico Guilherme II para ser a entrada da avenida Unter den Linden rumo ao palácio real da Prússia. É construído de 1788 a 1791 sob a inspiração da Acrópole

Depois da queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro, a reabertura do Portão de Brandemburgo é um passo importante rumo à Reunificação da Alemanha, que acontece em 3 de outubro de 1990.

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domingo, 20 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 20 de Abril

CROMWELL DISSOLVE O PARLAMENTO

    Em 1653, o ditador Oliver Cromwell dissolve o Parlamento Manco ou Parlamento Residual da Inglaterra, substituído pelo Pequeno Parlamento ou Assembleia Nomeada, que seria fechado no mesmo ano com a instauração do Protetorado, com Cromwell como Lorde Protetor, o que o torna definitivamente um ditador.

O Parlamento Manco, última fase do Longo Parlamento, convocado pelo rei em novembro de 1640, começa quando o coronel Thomas Pride faz um grande expurgo, em 13 de dezembro de 1648, destituindo 121 deputados que são contra o julgamento e a execução do rei Carlos I no auge da Guerra Civil Inglesa entre um rei católico e um Parlamento com maioria protestante.. 

Esse parlamento reduzido aprova em 4 de janeiro de 1649 a criação de um Supremo Tribunal de Justiça para processar o rei. Carlos I contesta a autoridade do tribunal numa audiência em 20 de janeiro. É condenado à morte por traição. 

A execução é adiada para dar tempo à aprovação de uma lei tornando crime proclamar um novo rei. Todo o poder fica com a Câmara dos Comuns, representante do povo. O rei é decapitado em Whitehall, no Centro de Londres, em 31 de janeiro de 1649.

Em 6 de fevereiro do mesmo ano, a Câmara dos Lordes é abolida. No dia seguinte, é abolida a monarquia. Em 14 de fevereiro, é criado o Conselho de Estado. Em abril, nasce a Comunidade da Inglaterra. Com o controle da Câmara dos Comuns, Cromwell acumula poderes. Em 1653, dissolve o Parlamento, instaura o Protetorado e se torna Lorde Protetor da Inglaterra, do País de Gales, da Escócia e da Irlanda. 

Com a morte de Cromwell em 3 de setembro de 1653 e o fim do Protetorado, o Parlamento é restaurado em maio de 1659, dissolvido em outubro e reconvocado em dezembro de 1659 com a inclusão dos expurgados em 1648 para finalmente se dissolver. Uma Convenção Parlamentar eleita inicia negociações para a restauração da monarquia sob Carlos II, filho de Carlos I, em 1660. 

NASCIMENTO DE HITLER

    Em 1889, nasce em Braunau, na Áustria, Adolf Hitler, líder do Partido Nazista, chanceler (primeiro-ministro) e ditador da Alemanha, o grande genocida, o pior tirano de todos os tempos e o maior responsável pela Segunda Guerra Mundial (1939-45), com uma visão de mundo baseada na supremacia da raça ariana e na expansão territorial através da guerra.

Hitler passa a maior parte da infância em Linz, na Áustria. Aluno medíocre, não passa do ensino médio. Sonha em ser pintor, mas é reprovado em duas tentativas de entrar para a Academia de Artes de Viena.

Em 1913, Hitler se muda para Munique, na Alemanha. Por falta de vigor físico, é rejeitado para o serviço militar na Áustria. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), consegue entrar para um regimento de infantaria da Baviera. 

Ele participa da Primeira Batalha de Ypres, na Bélgica. É condecorado duas vezes por bravura. No fim da guerra, está hospitalizado por ter sofrido um ataque com armas químicas.

A guerra, a disciplina militar e a camaradagem com os companheiros de armas compensam a frustração da vida civil. Hitler vê a guerra e o heroísmo como a exaltação do espírito humano.

Em setembro de 1919, ele entra para o pequeno Partido Alemão dos Trabalhadores, que em 1920 muda de nome para Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazista). Torna-se responsável pela propaganda do partido.

O ressentimento com a derrota da Alemanha, as duras condições impostas ao país pela Conferência de Paz de Versalhes (1919) e a crise econômica decorrente causam grande descontentamento. Deixam um terreno fértil para a demagogia populista.

Sua personalidade carismática e liderança dinâmica atraem membros do partido como Alfred Rosenberg, Rudolf Hess, Herman Göring e Julius Streicher.

A primeira tentativa de tomar o poder é o Golpe de Cervejaria de Munique, deflagrado em 8 de novembro de 1923. Hitler é preso e condenado por traição a 5 anos de cadeia. Na prisão, escreve o Mein Kampf (Minha Luta), o manual da propaganda nazista. É solto em 20 de dezembro de 1924, depois de cumprir apenas nove meses de detenção.

Suas ideias incluem uma visão desigual e hierarquica de povos, países e indivíduos numa ordem natural imutável com a raça ariana e o povo alemão no topo como líderes e guias da humanidade. No centro de seu pensamento estão o pangermanismo, o antissemitismo e o anticomunismo.

O maior inimigo do nazismo não é a democracia liberal, que está em crise na Alemanha com o fracasso da República de Weimar. É o marxismo, que para Hitler inclui a social-democracia e o comunismo, e o povo judeu, para Hitler a encarnação de todo o mal.

Seu antissemitismo é evidente desde 1919, quando escreve que "o objetivo final deve ser a remoção de todos os judeus. Em Mein Kampf, Hitler descreve o judeu como "destruidor da cultura", "ameaça" e "parasita da nação".

A Grande Depressão (1929-39) da economia gera a instabilidade política que leva os nazistas ao poder. 

Depois de eleições em que o Partido Nazista conquista 33% dos votos em 6 de novembro de 1932, Hitler é nomeado chanceler (primeiro-ministro) em 30 de janeiro, quando a taxa de desemprego está em 34%. Menos de um mês depois, em 27 de fevereiro, há o incêndio do parlamento. Os nazistas são suspeitos e acusam os comunistas. É o grande golpe da ascensão de Hitler ao poder total.

O primeiro campo de concentração, Dachau, é criado em 22 de março de 1933. Até 1945, os nazistas operam mais de mil campos de concentração.

A Lei Habilitante é aprovada em 23 de março de 1933 pelo Partido Nazista, pelo Partido Nacional Popular da Alemanha e pelo Partido de Centro. Dá os primeiros poderes ditatoriais a Hitler, permitindo que o governo crie leis e assine tratados com outros países sem a aprovação do Reichstag, censure a imprensa e proíba partidos políticos.

Entre 10 de maio e 21 de junho de 1933, os nazistas organizam grandes queimas de livros justificadas pela "necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".

Nos seus primeiros anos do poder, a Alemanha vence a depressão econômica com uma política agressiva de industrialização e rearmamento. O desemprego cai de 34% em janeiro de 1933 para 13,5% em julho de 1934.

Com a morte do presidente Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, o regime nazista convoca um plebiscito para unificar os cargos de presidente e primeiro-ministro na figura do Führer (Líder). Em 19 de agosto, os alemães aprovam a ditadura de Adolf Hitler com quase 90% dos votos.

Em setembro de 1935, são aprovadas as Leis de Pureza Racial de Nurembergue. Desde o século 19, os judeus eram aceitos como membros da sociedade alemã com plenos direitos e cidadãos iguais aos outros.

A Lei de Cidadania do Reich determina que só pessoas com "sangue ou ascendência alemã" podem ser cidadãos. Os judeus são "súditos do Estado", não cidadãos. A Lei de Proteção do Sangue e da Honra Alemãs proíbe o casamento e as relações sexuais entre judeus, acusados de serem "poluidores raciais", e não judeus.

De 11 a 13 de março de 1938, a Alemanha Nazista anexa a Áustria, país de origem de Hitler. Em 30 de setembro de 1938, Hitler toma a região dos Sudetos, na Tcheco-Eslováquia, onde há uma grande população de origem alemã, com a conivência da França e do Reino Unido no Pacto de Munique, uma tentativa de evitar a guerra na Europa. A invasão da Boêmia e da Morávia, em 15 de março de 1939, completa a anexação da Tcheco-Eslováquia.

A Segunda Guerra Mundial começa em 1º de setembro de 1939 com a invasão da Polônia pela Alemanha. Dias antes, em 23 de agosto, Hitler e o ditador Josef Stalin fazem o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão que Hitler usa para dividir a Polônia e garantir a paz na frente oriental enquanto toma a Europa Ocidental.

A derrota na Batalha da Inglaterra, um combate aéreo travado de 10 de julho a 31 de outubro de 1940, impede Hitler de invadir o Reino Unido.

Em 22 de junho de 1941, Hitler rompe o pacto de não agressão com Stalin e ordena a invasão da União Soviética. No fim daquele ano, em 7 de dezembro, o Império do Japão, aliado da Alemanha, ataca a Frota do Pacífico dos Estados Unidos em Pearl Harbor, no Havaí. Os EUA entram na guerra.

A Conferência de Wannsee, um subúrbio de Berlim, adota em 20 de janeiro de 1942 a "solução final" para a questão judaica, uma tentativa de exterminar os judeus da Europa. Cerca de 11 milhões de pessoas morrem no Holocausto, 6 milhões de judeus, 60% dos judeus europeus, 1,5 milhão de ciganos, socialistas, comunistas, negros e opositores do regime nazista.

Em meados de 1942, o Exército nazista domina grande parte da Europa continental, o Norte da África e quase um quarto da URSS. Com a derrota nas batalhas de Moscou (1941-42), Stalingrado (1942-43) e Kursk (1943), a Alemanha Nazista para de avançar. O Afrika Korps, o exército alemão no Norte da África, se rende em 12 de maio de 1943.

Em 9 de julho de 1943, os aliados invadem a Sicília e começam a acabar com a ditadura de Benito Mussolini na Itália, o principal aliado de Hitler.

A Invasão da Normandia, em 6 de junho de 1944, abre uma nova frente de combate na Europa Ocidental. Na frente oriental, o Exército Vermelho da URSS avança rumo a Berlim. 

Em 20 de julho de 1944, Hitler sobrevive a um atentado na Toca do Lobo, seu esconderijo secreto na Prússia Oriental, na Operação Valquíria, uma conspiração para dar um golpe de Estado liderada pelo coronel Claus von Stauffenberg.

A Batalha de Ardenne, de 16 de dezembro de 1944 a 25 de janeiro de 1945, é a última grande contraofensiva alemão na frente ocidental, uma tentativa de deter o avanço das forças norte-americanas.

O Exército Vermelho ganha a corrida rumo a Berlim. Toma a capital da Alemanha em 8 de maio de 1945, fim da guerra na Europa. Hitler se suicida oito dias antes, em 30 de abril, um seu bunker em Berlim.

RÁDIO ISOLADO

    Em 1902, quatro anos depois de descobrir os elementos radioativos rádio e polônio, o casal Marie e Pierre Curie consegue isolar sais de rádio de um minério em seu laboratório.

Maria Salomea Sklodowska nasce em Varsóvia, na Polônia, então parte do Império Russo, em 7 de novembro de 1867. Aos 24 anos, em 1891, ela segue a irmã mais velha, Bronislawa, e vai estudar na Universidade de Paris, onde se forma em física e química.

Na França, ela passa a ser chamada de Marie. Em 1894, quando obtém o segundo diploma, conhece Pierre Curie, instrutor da Escola Superior de Física e Química Industriais de Paris, apresentado pelo físico polonês Józef Kowalski, que sabia que Marie estava procurando um espaço maior para seu laboratório. Pierre lhe oferece o espaço.

A paixão pela ciência aproxima os dois. Pierre Curie a pede em casamento. Marie recusa. Quer voltar para a Polônia. De volta a Varsóvia, ela percebe que não pode fazer carreira em seu país, onde o acesso à universidade lhe é negado por ser mulher.

Por carta, Pierre Curie a convence a voltar para Paris para fazer um doutorado. Eles se casam em 26 de julho de 1895 sem cerimônia religiosa. Uma piada na época era que Marie era "a grande descoberta de Pierre".

No mesmo ano, Wilhelm Roentgen descobre os raios-X, mas não o fenômeno que os causa. Em 1896, Henri Becquerel percebe que o urânio emite raios semelhantes aos raios-X. Ela decide investigar o fenômeno para sua tese.

Marie Curie levanta a hipótese de que a radiação não seja resultado da interação entre moléculas, venha do próprio átomo. 

Entre suas realizações, estão a teoria da radioatividade, palavra que ela criou, técnicas para isolar isótopos radioativos e a descoberta de dois elementos químicos, o polônio e o rádio.

Ela é a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel e a primeira professora da Universidade de Paris. É também a primeira pessoa a ganhar duas vezes o Nobel. Ganha o prêmio de Química em 2011.

FIM DO IMPÉRIO OTOMANO

    Em 1924, a Grande Assembleia Nacional da Turquia aprova uma Constituição plenamente republicana e conclui a dissolução do Império Otomano, que durante seis séculos é o centro das interações entre Europa e Ásia. O general Mustafá Kemal, que proclama a república seis meses antes, é o primeiro presidente. Em 20 de novembro de 1934, ele adota o sobrenome de Atatürk, o Pai dos Turcos.

O Império Otomano é fundado pelo sultão Osmã I em 1299. Em 29 de maio de 1453, o imperador Mehmet II toma Constantinopla. É o fim do Império Romano do Ocidente e da Idade Média. O Império Otomano atinge o auge nos séculos 16 e 17, quando é uma das maiores potências mundiais. 

Os otomanos chegam a cercar Viena, a capital do Sacro Império Romano-Germânico, duas vezes. O Primeiro Cerco Otomano a Viena, de 27 de setembro a 14 de outubro de 1529, é um marco do fim da invencibilidade turca.

No mar, uma aliança de potências católicas sob a liderança de Felipe II, da Espanha, vence os otomanos na Batalha de Lepanto, na costa da Grécia, em 7 de outubro de 1571.

A derrota na Batalha de Viena, em 12 de setembro de 1683, depois de dois meses do Segundo Cerco Otomano a Viena, marca o início do recuo na Europa.

Nos séculos 17 e 18, o Império Otomano perde a supremacia militar sobre os europeus. Em 1821, a Grécia se torna o primeiro país dos Bálcãs e proclamar a independência, conquistada em 1830. Com uma reforma modernizante, a Tanzimat (1839-76), que significa reestruturação, o império recupera seus poderes ao longo do século 19. 

Depois de derrotas nas  Guerras dos Bálcãs (1912-13), os otomanos se aliam aos impérios Alemão e Austro-Húngaro na Primeira Guerra Mundial (1914-18). A Revolta Árabe (1916-18), apoiada pelo Império Britânico a conselho do major Thomas Edward Lawrence, o Lawrence da Arábia, 

Os impérios Alemão, Austro-Húngaro e Otomano, derrotados, desaparecem no fim da guerra, assim como o Império Russo, vencido pela Alemanha e dissolvido pela Revolução de Fevereiro de 1917 na Rússia.

A partilha do Império Otomano no Tratado de Sèvres, de 10 de agosto de 1920, dá a origem ao que são hoje 40 países, inclusive a República Turca de Chipre do Norte, não reconhecida internacionalmente. Com a ocupação de Constantinopla, o movimento nacionalista turco luta pela independência de 1919 a 1922 sob a liderança de Mustafá Kemal. A monarquia acaba em 1º de novembro de 1922.

O Tratado de Lausanne reconhece a República da Turquia em 24 de julho de 1923. A Grande Assembleia Nacional proclama oficialmente a independência em 29 de outubro do mesmo ano. O califado é abolido em 3 de março de 1924.

MAIOR VAZAMENTO DE PETRÓLEO

    Em 2010, uma explosão na plataforma de petróleo Horizonte de Águas Profundas, no Golfo do México, a 66 quilômetros da costa da Louisiana, nos Estados Unidos, mata 11 funcionários, fere outros 17 e causa o maior vazamento acidental de petróleo da história, superado apenas para guerra ecológica do ditador do Iraque, Saddam Hussein, contra o Kuwait no fim da Guerra do Golfo Pérsico de 1991.

A plataforma, operada para companhia BP, antiga British Petroleum, afunda dois dias depois. O poço na sua base só é selado em 19 de setembro, depois de um vazamento de 4,9 milhões de barris, 780 mil metros cúbicos.

O petróleo bruto chega à Baia de Tampa e ao Panhandle, na Flórida. Em 2013, 2,2 mil toneladas de material oleoso são removidas das praias da Louisiana, o dobro de 2012. O ambiente marinho, a vida selvagem e as indústrias de pesca e do turismo são abaladas fortemente.

Em abril de 2016, a BP faz um acordo com o Departamento da Justiça dos EUA para pagar multas no valor de US$ 20,8 bilhões. Em 2018, os custos de limpeza, encargos e penalidades chegam a US$ 65 bilhões.