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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Abril

 CROMWELL DISSOLVE O PARLAMENTO

    Em 1653, o ditador Oliver Cromwell dissolve o Parlamento Manco ou Parlamento Residual da Inglaterra, substituído pelo Pequeno Parlamento ou Assembleia Nomeada, que seria fechado no mesmo ano com a instauração do Protetorado, com Cromwell como Lorde Protetor, o que o torna definitivamente um ditador.

O Parlamento Manco, última fase do Longo Parlamento, convocado pelo rei em novembro de 1640, começa quando o coronel Thomas Pride faz um grande expurgo, em 13 de dezembro de 1648, destituindo 121 deputados que são contra o julgamento e a execução do rei Carlos I no auge da Guerra Civil Inglesa entre um rei católico e um Parlamento com maioria protestante.. 

Esse parlamento reduzido aprova em 4 de janeiro de 1649 a criação de um Supremo Tribunal de Justiça para processar o rei. Carlos I contesta a autoridade do tribunal numa audiência em 20 de janeiro. É condenado à morte por traição. 

A execução é adiada para dar tempo à aprovação de uma lei tornando crime proclamar um novo rei. Todo o poder fica com a Câmara dos Comuns, representante do povo. O rei é decapitado em Whitehall, no Centro de Londres, em 31 de janeiro de 1649.

Em 6 de fevereiro do mesmo ano, a Câmara dos Lordes é abolida. No dia seguinte, é abolida a monarquia. Em 14 de fevereiro, é criado o Conselho de Estado. Em abril, nasce a Comunidade da Inglaterra. Com o controle da Câmara dos Comuns, Cromwell acumula poderes. Em 1653, dissolve o Parlamento, instaura o Protetorado e se torna Lorde Protetor da Inglaterra, do País de Gales, da Escócia e da Irlanda. 

Com a morte de Cromwell em 3 de setembro de 1653 e o fim do Protetorado, o Parlamento é restaurado em maio de 1659, dissolvido em outubro e reconvocado em dezembro de 1659 com a inclusão dos expurgados em 1648 para finalmente se dissolver. Uma Convenção Parlamentar eleita inicia negociações para a restauração da monarquia sob Carlos II, filho de Carlos I, em 1660. 

NASCIMENTO DE HITLER

    Em 1889, nasce em Braunau, na Áustria, Adolf Hitler, líder do Partido Nazista, chanceler (primeiro-ministro) e ditador da Alemanha, o grande genocida, o pior tirano de todos os tempos e o maior responsável pela Segunda Guerra Mundial (1939-45), com uma visão de mundo baseada na supremacia da raça ariana e na expansão territorial através da guerra.

Hitler passa a maior parte da infância em Linz, na Áustria. Aluno medíocre, não passa do ensino médio. Sonha em ser pintor, mas é reprovado em duas tentativas de entrar para a Academia de Artes de Viena.

Em 1913, Hitler se muda para Munique, na Alemanha. Por falta de vigor físico, é rejeitado para o serviço militar na Áustria. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), consegue entrar para um regimento de infantaria da Baviera. 

Ele participa da Primeira Batalha de Ypres, na Bélgica. É condecorado duas vezes por bravura. No fim da guerra, está hospitalizado por ter sofrido um ataque com armas químicas.

A guerra, a disciplina militar e a camaradagem com os companheiros de armas compensam a frustração da vida civil. Hitler vê a guerra e o heroísmo como a exaltação do espírito humano.

Em setembro de 1919, ele entra para o pequeno Partido Alemão dos Trabalhadores, que em 1920 muda de nome para Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazista). Torna-se responsável pela propaganda do partido.

O ressentimento pela derrota da Alemanha, as duras condições impostas ao país pela Conferência de Paz de Versalhes (1919) e a crise econômica decorrente causam grande descontentamento. Deixam um terreno fértil para a demagogia populista.

Sua personalidade carismática e liderança dinâmica atraem membros do partido como Alfred Rosenberg, Rudolf Hess, Herman Göring e Julius Streicher.

A primeira tentativa de tomar o poder é o Golpe de Cervejaria de Munique, deflagrado em 8 de novembro de 1923. Hitler é preso e condenado por traição a 5 anos de cadeia. Na prisão, escreve o livro Mein Kampf (Minha Luta), o manual da propaganda nazista. É solto em 20 de dezembro de 1924, depois de cumprir apenas nove meses de detenção.

Suas ideias incluem uma visão desigual e hierárquica de povos, países e indivíduos numa ordem natural imutável com a raça ariana e o povo alemão no topo como líderes e guias da humanidade. No centro de seu pensamento estão o pangermanismo, o antissemitismo e o anticomunismo.

O maior inimigo do nazismo não é a democracia liberal, que está em crise na Alemanha com o fracasso da República de Weimar. É o marxismo, que para Hitler inclui a social-democracia e o comunismo, e o povo judeu, para Hitler a encarnação de todo o mal.

Seu antissemitismo é evidente desde 1919, quando escreve que "o objetivo final deve ser a remoção de todos os judeus. Em Mein Kampf, Hitler descreve o judeu como "destruidor da cultura", "ameaça" e "parasita da nação".

A Grande Depressão (1929-39) da economia gera a instabilidade política que leva os nazistas ao poder. 

Depois de eleições em que o Partido Nazista conquista 33% dos votos em 6 de novembro de 1932, Hitler é nomeado chanceler (primeiro-ministro) em 30 de janeiro, quando a taxa de desemprego está em 34%. Menos de um mês depois, em 27 de fevereiro, há o incêndio do parlamento. Os nazistas são suspeitos e acusam os comunistas. É o grande golpe da ascensão de Hitler ao poder total.

O primeiro campo de concentração, Dachau, é criado em 22 de março de 1933. Até 1945, os nazistas operam mais de mil campos de concentração.

A Lei Habilitante é aprovada em 23 de março de 1933 pelo Partido Nazista, pelo Partido Nacional Popular da Alemanha e pelo Partido de Centro. Dá os primeiros poderes ditatoriais a Hitler, permitindo que o governo crie leis e assine tratados com outros países sem a aprovação do Reichstag, censure a imprensa e proíba partidos políticos.

Entre 10 de maio e 21 de junho de 1933, os nazistas organizam grandes queimas de livros justificadas pela "necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".

Nos seus primeiros anos do poder, a Alemanha vence a depressão econômica com uma política agressiva de industrialização e rearmamento. O desemprego cai de 34% em janeiro de 1933 para 13,5% em julho de 1934.

Com a morte do presidente Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, o regime nazista convoca um plebiscito para unificar os cargos de presidente e primeiro-ministro na figura do Führer (Líder). Em 19 de agosto, os alemães aprovam a ditadura de Adolf Hitler com quase 90% dos votos.

Em setembro de 1935, são aprovadas as Leis de Pureza Racial de Nurembergue. Desde o século 19, os judeus eram aceitos como membros da sociedade alemã com plenos direitos e cidadãos iguais aos outros.

A Lei de Cidadania do Reich determina que só pessoas com "sangue ou ascendência alemã" podem ser cidadãos. Os judeus são "súditos do Estado", não cidadãos. A Lei de Proteção do Sangue e da Honra Alemãs proíbe o casamento e as relações sexuais entre judeus, acusados de serem "poluidores raciais", e não judeus.

De 11 a 13 de março de 1938, a Alemanha Nazista anexa a Áustria, país de origem de Hitler. Em 30 de setembro de 1938, Hitler toma a região dos Sudetos, na Tcheco-Eslováquia, onde há uma grande população de origem alemã, com a conivência da França e do Reino Unido no Pacto de Munique, uma tentativa de evitar a guerra na Europa. A invasão da Boêmia e da Morávia, em 15 de março de 1939, completa a anexação da Tcheco-Eslováquia.

A Segunda Guerra Mundial começa em 1º de setembro de 1939 com a invasão da Polônia pela Alemanha. Dias antes, em 23 de agosto, Hitler e o ditador Josef Stalin fazem o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão que Hitler usa para dividir a Polônia e garantir a paz na frente oriental enquanto toma a Europa Ocidental.

A derrota na Batalha da Inglaterra, um combate aéreo travado de 10 de julho a 31 de outubro de 1940, impede Hitler de invadir o Reino Unido.

Em 22 de junho de 1941, Hitler rompe o pacto de não agressão com Stalin e ordena a invasão da União Soviética. No fim daquele ano, em 7 de dezembro, o Império do Japão, aliado da Alemanha, ataca a Frota do Pacífico dos Estados Unidos em Pearl Harbor, no Havaí. Os EUA entram na guerra.

A Conferência de Wannsee, um subúrbio de Berlim, adota em 20 de janeiro de 1942 a "solução final" para a questão judaica, uma tentativa de exterminar os judeus da Europa. Cerca de 11 milhões de pessoas morrem no Holocausto, 6 milhões de judeus, 60% dos judeus europeus, 1,5 milhão de ciganos, socialistas, comunistas, negros e opositores do regime nazista.

Em meados de 1942, o Exército nazista domina grande parte da Europa continental, o Norte da África e quase um quarto da URSS. Com a derrota nas batalhas de Moscou (1941-42), Stalingrado (1942-43) e Kursk (1943), a Alemanha Nazista para de avançar. O Afrika Korps, o exército alemão no Norte da África, se rende em 12 de maio de 1943.

Em 9 de julho de 1943, os aliados invadem a Sicília e começam a acabar com a ditadura de Benito Mussolini na Itália, o principal aliado de Hitler.

A Invasão da Normandia, em 6 de junho de 1944, abre uma nova frente de combate na Europa Ocidental. Na frente oriental, o Exército Vermelho da URSS avança rumo a Berlim. 

Em 20 de julho de 1944, Hitler sobrevive a um atentado na Toca do Lobo, seu esconderijo secreto na Prússia Oriental, na Operação Valquíria, uma conspiração para dar um golpe de Estado liderada pelo coronel Claus von Stauffenberg.

A Batalha de Ardenne, de 16 de dezembro de 1944 a 25 de janeiro de 1945, é a última grande contraofensiva alemã na frente ocidental, uma tentativa de deter o avanço das forças norte-americanas.

O Exército Vermelho ganha a corrida rumo a Berlim. Toma a capital da Alemanha em 8 de maio de 1945, fim da guerra na Europa. Hitler se suicida oito dias antes, em 30 de abril, um seu bunker em Berlim. As bombas atômicas de Hiroxima e Nagasáki, em 6 e 9 de agosto de 1945, levam à rendição do Japão e ao fim da Segunda Guerra Mundial.

RÁDIO ISOLADO

    Em 1902, quatro anos depois de descobrir os elementos radioativos rádio e polônio, o casal Marie e Pierre Curie consegue isolar sais de rádio de um minério em seu laboratório.

Maria Salomea Sklodowska nasce em Varsóvia, na Polônia, então parte do Império Russo, em 7 de novembro de 1867. Aos 24 anos, em 1891, ela segue a irmã mais velha, Bronislawa, e vai estudar na Universidade de Paris, onde se forma em física e química.

Na França, ela passa a ser chamada de Marie. Em 1894, quando obtém o segundo diploma, conhece Pierre Curie, instrutor da Escola Superior de Física e Química Industriais de Paris, apresentado pelo físico polonês Józef Kowalski, que sabia que Marie estava procurando um espaço maior para seu laboratório. Pierre lhe oferece o espaço.

A paixão pela ciência aproxima os dois. Pierre Curie a pede em casamento. Marie recusa. Quer voltar para a Polônia. De volta a Varsóvia, ela percebe que não pode fazer carreira em seu país, onde o acesso à universidade lhe é negado por ser mulher.

Por carta, Pierre Curie a convence a voltar para Paris para fazer um doutorado. Eles se casam em 26 de julho de 1895 sem cerimônia religiosa. Uma piada na época era que Marie era "a grande descoberta de Pierre".

No mesmo ano, Wilhelm Roentgen descobre os raios-X, mas não o fenômeno que os causa. Em 1896, Henri Becquerel percebe que o urânio emite raios semelhantes aos raios-X. Ela decide investigar o fenômeno para sua tese.

Marie Curie levanta a hipótese de que a radiação não seja resultado da interação entre moléculas, venha do próprio átomo. 

Entre suas realizações, estão a teoria da radioatividade, palavra que ela criou, técnicas para isolar isótopos radioativos e a descoberta de dois elementos químicos, o polônio e o rádio.

Ela é a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel e a primeira professora da Universidade de Paris. Divide o Nobel de Física de 1903 com Becquerel e o marido pela descoberta da radioatividade. É também a primeira pessoa a ganhar duas vezes o Nobel. Ganha o prêmio de Química em 2011 pela descoberta do rádio e do polônio.

FIM DO IMPÉRIO OTOMANO

    Em 1924, a Grande Assembleia Nacional da Turquia aprova uma Constituição plenamente republicana e conclui a dissolução do Império Otomano, que durante seis séculos é o centro das interações entre Europa e Ásia. O general Mustafá Kemal, que proclama a república seis meses antes, é o primeiro presidente. Em 20 de novembro de 1934, ele adota o sobrenome de Atatürk, o Pai dos Turcos.

O Império Otomano é fundado pelo sultão Osmã I em 1299. Em 29 de maio de 1453, o imperador Mehmet II toma Constantinopla. É o fim do Império Romano do Ocidente e da Idade Média. O Império Otomano atinge o auge nos séculos 16 e 17, quando é uma das maiores potências mundiais. 

Os otomanos chegam a cercar Viena, a capital do Sacro Império Romano-Germânico, duas vezes. O Primeiro Cerco Otomano a Viena, de 27 de setembro a 14 de outubro de 1529, é um marco do fim da invencibilidade turca.

No mar, uma aliança de potências católicas sob a liderança de Felipe II, da Espanha, vence os otomanos na Batalha de Lepanto, na costa da Grécia, em 7 de outubro de 1571.

A derrota na Batalha de Viena, em 12 de setembro de 1683, depois de dois meses do Segundo Cerco Otomano a Viena, marca o início do recuo na Europa.

Nos séculos 17 e 18, o Império Otomano perde a supremacia militar sobre os europeus. Em 1821, a Grécia se torna o primeiro país dos Bálcãs e proclamar a independência, conquistada em 1830. Com uma reforma modernizante, a Tanzimat (1839-76), que significa reestruturação, o império recupera seus poderes ao longo do século 19. 

Depois de derrotas nas  Guerras dos Bálcãs (1912-13), os otomanos se aliam aos impérios Alemão e Austro-Húngaro na Primeira Guerra Mundial (1914-18). A Revolta Árabe (1916-18), apoiada pelo Império Britânico a conselho do major Thomas Edward Lawrence, o Lawrence da Arábia, vence o Império Otomano nas províncias árabes.

Os impérios Alemão, Austro-Húngaro e Otomano, derrotados, desaparecem no fim da guerra, assim como o Império Russo, vencido pela Alemanha e dissolvido pela Revolução de Fevereiro de 1917 na Rússia.

A partilha do Império Otomano no Tratado de Sèvres, de 10 de agosto de 1920, dá a origem ao que são hoje 40 países, inclusive a República Turca de Chipre do Norte, não reconhecida internacionalmente. Com a ocupação de Constantinopla, o movimento nacionalista turco luta pela independência de 1919 a 1922 sob a liderança de Mustafá Kemal. A monarquia acaba em 1º de novembro de 1922.

O Tratado de Lausanne reconhece a República da Turquia em 24 de julho de 1923. A Grande Assembleia Nacional proclama oficialmente a independência em 29 de outubro do mesmo ano. O califado é abolido em 3 de março de 1924.

MAIOR VAZAMENTO DE PETRÓLEO

    Em 2010, uma explosão na plataforma de petróleo Horizonte de Águas Profundas, no Golfo do México, a 66 quilômetros da costa da Louisiana, nos Estados Unidos, mata 11 funcionários, fere outros 17 e causa o maior vazamento acidental de petróleo da história, superado apenas para guerra ecológica do ditador do Iraque, Saddam Hussein, contra o Kuwait no fim da Guerra do Golfo Pérsico de 1991.

A plataforma, operada para companhia BP, antiga British Petroleum, afunda dois dias depois. O poço na sua base só é selado em 19 de setembro, depois de um vazamento de 4,9 milhões de barris, 780 mil metros cúbicos de petróleo.

O petróleo bruto chega à Baia de Tampa e ao Panhandle, na Flórida. Em 2013, 2,2 mil toneladas de material oleoso são removidas das praias da Louisiana, o dobro de 2012. O ambiente marinho, a vida selvagem e as indústrias de pesca e do turismo são abaladas fortemente.

Em abril de 2016, a BP faz um acordo com o Departamento da Justiça dos EUA para pagar multas no valor de US$ 20,8 bilhões. Em 2018, os custos de limpeza, encargos e penalidades chegam a US$ 65 bilhões.

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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Trump tenta justificar a guerra e promete fim em semanas

Num pronunciamento sem grandes novidades dirigido aos norte-americanos, o presidente Donald Trump defendeu hoje à a noite a necessidade de ir à guerra contra o Irã, insistiu em que está perto de atingir seus objetivos e prometeu mais uma vez acabar com o conflito armado em duas a três semanas. Tenta transformar um fracasso geopolítico retumbante numa vitória.

Trump começou exaltando o suposto sucesso dos militares dos Estados Unidos em pouco mais de um mês de guerra. Mais cedo, declarou que o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu um cessar-fogo. O regime extremista iraniano negou e a Guarda Revolucionária afirmou que o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, não será reaberto com as "diatribes ridículas" do presidente norte-americano.

Para justificar a guerra, Trump lembrou que o regime ameaça os EUA desde a vitória da Revolução Islâmica em 1979. Citou dos ataques às forças norte-americanas no Líbano nos anos 1980 ao terrorismo do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) a Israel em 7 de outubro de 2023 para reiterar que o Irã jamais poderá ter armas nucleares. Recordou a morte do general Qassem Soleimani, comandante do braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior, morto por um drone dos EUA perto do aeroporto de Bagdá em 3 de janeiro de 2020, no seu primeiro governo.

Se não tivesse matado Soleimani e acabado, em maio de 2018, com o "acordo desastroso" negociado pelo governo Barack Obama junto com as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidos, a situação seria muito pior, gabou-se Trump. Com seu estilo hiperbólico, alegou que "seria um mundo muito diferente: não haveria Israel nem Oriente Médio."

"Outros presidentes erraram. Estou corrigindo os erros", prosseguiu. "Em junho, ordenei o ataque às principais instalações nucleares na Operação Martelo da Meia-Noite." Na época, afirmou que o programa nuclear do Irã teria sido "completamente obliterado". Neste caso, não haveria necessidade de uma nova guerra. 

"O regime tentou então reconstruir o programa em locais totalmente diferentes, deixando claro que queria fazer armas nucleares. (...) Ao mesmo tempo, desenvolveu mísseis capazes de atingir praticamente o mundo inteiro." Mais um exagero. O Irã disparou um míssil contra uma base aérea na ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico, a 4 mil quilômetros de distância, mas as estimativas são de que levaria 10 anos para ameaçar o território dos EUA.

Ao contrário do que diz a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), "estavam perto de fabricar armas nucleares", argumentou. "Há anos, eu disse que o Irã não poderia ter armas nucleares, mas falar não basta. Estou fazendo o que outros presidentes não tiveram coragem de fazer. Eliminei a Marinha, a Força Aérea, o programa de mísseis e a indústria bélica. Isso vai impedir o Irã de ameaçar os vizinhos. Esses objetivos estão perto da conclusão. Vamos terminar o trabalho em breve."

Desde o início da guerra, Trump cantou vitória mais de 20 vezes. Hoje, mentiu que a produção de petróleo dos EUA é maior do que as da Arábia Saudita e da Rússia juntas para afirmar que "não precisamos do petróleo do Estreito de Ormuz. Os países que recebem petróleo por lá devem proteger a rota de que tanto dependem. O Estreito de Ormuz será reaberto naturalmente quando a guerra acabar e os preços do petróleo vão cair."

Os preços da gasolina para o consumidor norte-americano vão ser decisivos nas eleições parlamentares de 3 de novembro nos EUA, quando Trump deve perder a maioria na Câmara e talvez também no Senado. Como o discurso de Trump decepcionou, os mercados abriram em queda na Ásia e o petróleo em alta.

Aos países abalados pela alta nos preços do petróleo para um patamar de US$ 100 por barril na pior crise energética da história, o presidente sugeriu: "Comprem dos EUA ou tenham uma coragem tardia e tomem o estreito", o que ele não tem coragem de fazer porque morreriam muitos soldados norte-americanos.

Trump criticou os aliados europeus por negar o uso de suas bases para ações de ataques e por não se oferecerem para reabrir o Estreito de Ormuz. Praticamente não falou das monarquias petroleiras do Golfo Pérsico e dos outros aliados asiáticos, que tiveram enormes prejuízos com a guerra. Nem em Israel, que tem interesse numa guerra longa capaz de minar as bases econômicas e militares do Irã para levar o regime ao colapso.

"Vamos continuar a Operação Fúria Épica até atingir nossos objetivos, até daqui a pouco, muito pouco, os levamos de volta à Idade da Pedra", continuou Trump. Mais uma vez, prometeu atacam duramente o Irã nas próximas semanas, inclusive as usinas elétricas se o regime iraniano não fizer um acordo, uma contradição para quem garante que a guerra está ganha.

O presidente comparou a duração desta guerra com a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Guerra da Coreia (1950-53), a Guerra do Vietnã (1955-75) e a Guerra do Iraque (2003-11) para alegar que foi curta. Está no 32º dia.

Outra mentira: "Nunca falamos em mudança de regime." No início da guerra, era claro que esse era o principal objetivo dos EUA e de Israel. Agora, Trump alega que o regime mudou porque vários líderes foram mortos, mas o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, foi substituído pelo filho, o líder mais pragmático, Ari Larijani, o principal negociador iraniano, foi morto. 

O homem-forte do regime hoje aparentemente é o presidente do Majlis, o Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, ex-prefeito de Teerã, ex-comandante da Força Aérea da Guarda Revolucionária e ex-candidato a presidente. Ele rejeita qualquer negociação, embora o presidente Masoud Pezeshkian tenha dito em carta aberta ao povo norte-americano que o povo iraniano não é inimigo dos EUA e da Europa.

A Guarda Revolucionária está no controle, mais radicalizada e mais determinada a fabricar armas atômicas como garantia de sobrevivência do regime. Trump não falou em apreender os 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, a meio caminho para chegar a 90%, o teor necessário para fazer, com esta quantidade de urânio, até 10 armas nucleares.

Esta é a grande preocupação de Israel e dos analistas militares. Trump quer declarar vitória e ir embora deixando no poder uma ditadura mais extremista com capacidade de fabricar armas atômicas.

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segunda-feira, 30 de março de 2026

Trump está entre a fuga e uma escalada na guerra

Depois de um mês da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o presidente Donald Trump está encurralado, sem uma saída fácil. Se negociar o fim do conflito, vai obter um acordo pior do que conseguiria antes da guerra. Se enviar forças terrestres, muitos soldados norte-americanos vão morrer e o preço do petróleo vai subir ainda mais antes das eleições parlamentares de 3 de novembro, quando deve perder a maioria na Câmara e talvez no Senado.
Trump adiou até 6 de abril o ultimato para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo. Se o regime iraniano continuar impedindo a circulação de navios, ameaça destruir as centrais elétricas, as instalações de petróleo e as usinas de dessalinização de água do Irã. Se isto acontecer, os iranianos afirmam que todas as instalações de gás e petróleo do Oriente Médio serão alvos da retaliação, o que pode agravar a pior crise energética da história.

O presidente dos EUA têm interesse em sair logo da guerra, enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, quer uma guerra longa que desgaste o regime iraniano militar e economicamente para deixá-lo à beira de um colapso.

Com seu discurso errático, em um mês de guerra, Trump já cantou vitória várias vezes, mas alterna declarações de que as negociações estão bem encaminhadas com ameaças de intensificar a guerra e lançar uma operação terrestre. Nesta segunda-feira, admitiu que quer controlar o petróleo do Irã como fez na Venezuela.

Enquanto isso, a economia mundial corre o risco de estagflação e a inflação nos preços dos alimentos ameaça deixar mais 45 milhões de pessoas em fome extrema.
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terça-feira, 24 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 24 de Março

 NAT KING COLE EM PRIMEIRO

    Em 1945, a revista norte-americana Billboard lança sua lista de álbuns mais vendidos e o cantor e pianista Nat King Cole é o primeiro a ficar em primeiro lugar.

Cole nasce em 17 de março de 1919 em Montgomery, no estado do Alabama, e cresce em Chicago. Aos 12 anos, toca órgão e canta na igreja onde o pai é pastor. Cinco anos depois, ele cria seu primeiro grupo de jazz.

Em 1937, começa a tocar em grupo de jazz de Los Angeles. Logo, forma o Nat King Cole Trio. A popularidade de Cole o torna o primeiro negro norte-americano a apresentar um programa de televisão. 

O Nat King Cole Show estreia na rede NBC em 1956, mas é cancelado um ano depois por falta de patrocinadores porque as empresas não querem associar suas marcas a um negro. O racismo da época o impede de ter um sucesso ainda maior, mas não evita que trabalhe em vários filmes de Hollywood.

GUERRA SUJA ARGENTINA

    Em 1976, um golpe militar derruba a presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, viúva de Juan Domingo Perón, e dá início ao "Processo de Reorganização Nacional", uma guerra suja contra a esquerda na Argentina que mata um total de mais de 8,9 mil pessoas.

A primeira junta militar é formada pelo general Jorge Rafael Videla, comandante do Exército; almirante Emilio Eduardo Massera, comandante da Marinha; e general-brigadeiro Orlando Ramón Agosti, comandante da Força Aérea. A desculpa para a repressão é o combate à guerrilha.

Depois da morte de Perón por causas naturais em 1º de julho de 1974, ele é sucedido por Isabelita, que não tem o carisma nem o talento político de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

Fraca politicamente, Isabelita é assessorada por um grupo de assessores militares que lança, em 5 de fevereiro de 1975, a Operação Independência, de combate às guerrilhas esquerdistas. Eles dividem o país em cinco regiões militares e dão autonomia aos comandantes para desencadear a repressão e eliminar os guerrilheiros.

A repressão vai muito além dos guerrilheiros. Tenta eliminar toda uma corrente de pensamento, num politicídio, com prisões ilegais, sequestros, desaparecimento de pessoas e execuções sumárias, inclusive os voos da morte, em que opositores são drogados e jogados no mar.

Pela Escola de Mecânica da Armada (ESMA), o principal centro de detenção e tortura, passam 5 mil pessoas que são mortas. Cerca de 500 bebês filhos de presos assassinados são sequestrados e adotados por famílias ligadas ao regime.

Em 30 de abril de 1977, Azucena Villaflor e outras mães de desaparecidos protestam na Plaza de Mayo, diante da Casa Rosada, a sede do governo. Nasce o movimento das Mães da Praça de Maio, que dá origem ao movimento das Avós da Praça de Maio, que consegue recuperar mais de 130 netos.

A ditadura sanguinária começa a cair em 2 de abril de 1982, quando o general-presidente Leopoldo Fortunato Galtieri, que dera um golpe dentro do golpe, manda invadir as Ilhas Malvinas, possessão do Império Britânico, que as chama de Falklands.

O general delinquente não imagina que a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, envie uma força-tarefa que derrota e humilha os militares argentinos. Eles massacram seu próprio povo, mas fracassam em sua aventura militar.

Depois de 10 semanas e das mortes de 649 argentinos e 258 britânicos (3 civis), a Argentina se rende em 14 de junho. Os militares continuam no poder até 10 de dezembro de 1983, quando entregam o poder ao presidente democraticamente eleito Raúl Alfonsín (1983-89).

Alfonsín manda investigar o desaparecimento de pessoas e o relatório enviado à Justiça serve de ponto de partida para o Julgamento das Juntas, dos nove comandantes das três juntas militares que governaram a Argentina depois do golpe, concluído em 1985.

Sob a pressão de revoltas de militares de baixo escalão, o governo Alfonsín cede e aprova as leis Ponto Final e de Obediência Devida, para julgar somente as juntas pelos crimes da ditadura. Em 8 de outubro de 1989, assume o presidente Carlos Menem (1989-99), que indulta os comandantes no fim de dezembro de 1990.

Em 2003, no governo Néstor Kirchner (2003-7), as leis que acabam com os processos e os indultos são anulados e as investigações reabertas. Desde então, mais de 1,7 mil repressores são condenados.

No 50º aniversário do golpe, o presidente neofascista Javier Milei tenta apagar a memória e responsabilizar os guerrilheiros de esquerda pela guerra suja argentina. Pode dar indulto a repressores.

ARCEBISPO ASSASSINADO

    Em 1980, Dom Óscar Romero, arcebispo de San Salvador, um crítico das violações dos direitos humanos pela ditadura e os grupos paramilitares de El Salvador durante a guerra civil contra a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), é assassinado durante a missa de domingo. Ele é canonizado em 2018.

Óscar Arnulfo Romero Galdámez é considerado conservador antes de ser nomeado arcebispo, em 1977, mas denuncia a ditadura do general Carlos Humberto Romero, que não tinha relação de parentesco com ele, e se nega a apoiar a junta militar que substitui o general deposto.

Sua defesa dos pobres, as grandes vítimas da violência política, provoca ameaças de morte. Sua defesa dos direitos humanos vale a indicação de deputados dos Estados Unidos e do Reino Unido ao Prêmio Nobel da Paz de 1979.

Depois do fim da Guerra Civil Salvadorenha (1979-92), a Comissão da Verdade de El Salvador conclui que Dom Romero foi morto por um esquadrão da morte liderado pelo ex-major Roberto D'Aubuisson.

PETRÓLEO NO MAR DO ALASCA

    Em 1989, o navio-tanque Exxon Valdez, da companhia petrolífera Exxon, bate num recife na Enseada Príncipe William, no sul do estado do Alasca, e derrama 41,6 milhões de litros de petróleo no mar, no pior acidente da indústria petrolífera na história dos Estados Unidos.

As tentativas de conter o vazamento são inúteis. O petróleo bruto se espalha até uma distância de 160 quilômetros, poluindo mais de 1,1 mil km de costa e matando milhares de aves e mamíferos.

Mais tarde, sabe-se que o capitão Joseph Hazelwood está bebendo na hora do acidente e manda um marinheiro sem qualificação pilotar o petroleiro. 

Em março de 1990, ele é condenado por contravenção penal a mil horas de trabalho comunitário e multa de US$ 50 mil. A pena é anulada em julho de 1992 com base numa lei federal que livra de processo quem relatar um vazamento de petróleo.

O Serviço Nacional de Segurança dos Transportes dos EUA impõe à Exxon uma multa de US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão a serem pagos em 10 anos para despoluir o meio ambiente. A Exxon e o estado do Alasca rejeitam o acordo e a questão é encerrada com o pagamento pela empresa de apenas US$ 25 milhões.

GUERRA DO KOSSOVO

    Em 1999, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) inicia uma campanha de bombardeios aéreos de 78 dias contra a Iugoslávia, reduzida a Sérvia e Montenegro, e a posições militares sérvias que perseguem a maioria de origem albanesa na província do Kossovo.

A região ocupa um lugar especial da história da Sérvia. Na Batalha do Kossovo, em 15 de junho de 1389, o Império Otomano derrota o rei Lazar e conquista a Sérvia, que só recupera a independência em 1867. Quando retoma o Kossovo, em 1913, a província é povoada por albaneses.

Em 1974, o ditador da Iugoslávia, Josip Broz Tito, dá autonomia ao Kossovo dentro da Sérvia. Com a morte de Tito, em 1980, e o declínio da ideologia comunista, em 1987, Slobodan Milosevic é eleito líder da Liga Comunista da Sérvia com a promessa de restaurar o controle sobre o Kossovo.

Eleito presidente da Sérvia em 1989, Milosevic acaba com a autonomia do Kossovo em 1990. Com o renascimento do nacionalismo sérvio, a Croácia e a Eslovênia declaram independência em 1991. O Exército Federal da Iugoslávia intervém. A guerra da Eslovênia acaba logo, mas a da Croácia se arrasta por anos.

Em 1992, a independência da Bósnia-Herzegovina deflagra a pior das guerras que dividem a Iugoslávia, que dura mais de três anos e mata mais de 100 mil pessoas. A Iugoslávia fica reduzida a Sérvia e Montenegro.

O Exército de Libertação do Kossovo nasce em 1996 para lutar contra a dominação sérvia. Chega a controlar a metade da província quando a Sérvia reage e inicia uma campanha de purificação étnica que leva à intervenção da OTAN, a aliança militar liderada pelos EUA, que não perde nenhum soldado em combate durante a campanha aérea.

Milosevic cai em 5 de outubro de 2000 numa revolta popular na Sérvia. É preso e entregue ao Tribunal Penal Internacional para Crimes de Guerra na Antiga Iugoslávia. Morre em 11 de março de 2006, antes do fim do processo em que era acusados de mais de 60 crimes de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

GENOCIDA DA BÓSNIA

    Em 2016, o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia, com sede em Haia, na Holanda, condena a 40 anos de prisão por crimes de guerra, inclusive genocídio, o psiquiatra Radovan Karadzic, líder da autoproclamada República Sérvia durante a Guerra da Independência da Bósnia-Herzegovina (1992-95). Em 2019, a pena é ampliada para prisão perpétua.

A Bósnia tem a população mais dividida religiosa etnicamente da antiga Iugoslávia: 44% bósnios muçulmanos; 31% sérvios, que são cristãos ortodoxos; e 16% croatas, que são católicos. 

Com o apoio do presidente da Sérvia, Slobodan Milosevic, do Exército Federal da Iugoslávia e do comandante militar sérvio-bósnio, general Ratko Mladic, os sérvios cercam Sarajevo, a capital do país, e fazem uma campanha de "limpeza étnica" para expulsar quem não é sérvio das áreas sob seu controle.

Em 1995, o tribunal o acusa crimes guerra e crimes contra a vida, inclusive genocídio, assassinato, tortura, estupro e limpeza étnica. O caso mais notório foi o Massacre de Srebrenica, de 11 a 25 de julho de 1995, quando pelo menos 8.373 bósnios muçulmanos, toda a população masculina adulta da cidade, morre.

Karadzic foge para a Sérvia depois da guerra e trabalha numa clínica de medicina alternativa em Belgrado até ser preso em julho de 2008 e enviado ao tribunal de Haia.

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sexta-feira, 20 de março de 2026

Ataques à produção de petróleo e gás escalam guerra no Oriente Médio

Depois de 20 dias e mais de 15 mil ataques, a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã sofre uma nova escalada com bombardeios a instalações de petróleo e gás capazes de causar impacto sobre a economia mundial muito além do fim das hostilidades. A Agência Internacional de Energia declarou que é a pior crise energética da história.

É uma guerra ilegal porque não havia uma ameaça iminente aos EUA e não foi autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Mais de 3 mil pessoas morreram no Irã e mais de mil no Líbano, a segunda frente desta guerra, onde Israel enfrenta a milícia extremista xiita Hesbolá (Partido de Deus), financiada, treinada e armada pelo Irã. Mais de 70 pessoas morreram no Iraque e mais de 30 nas monarquias petroleiras do Golfo e 25 em Israel, além de 13 soldados norte-americanos.

Os EUA e Israel vencem militarmente, mas estão longe de atingir o principal objetivo político, derrubar a ditadura dos aiatolás e da Guarda Revolucionária. Se o regime sobreviver, ganhou politicamente.

Nos últimos dias, o presidente Donald Trump insultou aliados da Europa e o Japão por se negarem a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo. Eles não foram consultados nem avisados. Não querem ser alvos fáceis em uma guerra que não apoiam.

Se o estreito ficar fechado por mais um mês, os preços do petróleo, que subiram mais de 80% neste ano, podem chegar a US$ 150 por barril ou até mais se o bloqueio iraniano se prolongar.

Uma derrota no Oriente Médio fatalmente levaria Trump a perder a maioria no Congresso nas eleições de 3 de novembro. Mau perdedor e enfraquecido, o presidente norte-americano pode abandonar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), retomar sua guerra comercial e até mesmo iniciar novas guerras ou aventuras militares.

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