Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Depois de 20 dias e mais de 15 mil ataques, a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã sofre uma nova escalada com bombardeios a instalações de petróleo e gás capazes de causar impacto sobre a economia mundial muito além do fim das hostilidades. A Agência Internacional de Energia declarou que é a pior crise energética da história.
É uma guerra ilegal porque não havia uma ameaça iminente aos EUA e não foi autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.Mais de 3 mil pessoas morreram no Irã e mais de mil no Líbano, a segunda frente desta guerra, onde Israel enfrenta a milícia extremista xiita Hesbolá (Partido de Deus), financiada, treinada e armada pelo Irã. Mais de 70 pessoas morreram no Iraque e mais de 30 nas monarquias petroleiras do Golfo e 25 em Israel, além de 13 soldados norte-americanos.
Os EUA e Israel vencem militarmente, mas estão longe de atingir o principal objetivo político, derrubar a ditadura dos aiatolás e da Guarda Revolucionária. Se o regime sobreviver, ganhou politicamente.
Nos últimos dias, o presidente Donald Trump insultou aliados da Europa e o Japão por se negarem a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo. Eles não foram consultados nem avisados. Não querem ser alvos fáceis em uma guerra que não apoiam.
Se o estreito ficar fechado por mais um mês, os preços do petróleo, que subiram mais de 80% neste ano, podem chegar a US$ 150 por barril ou até mais se o bloqueio iraniano se prolongar.
Uma derrota no Oriente Médio fatalmente levaria Trump a perder a maioria no Congresso nas eleições de 3 de novembro. Mau perdedor e enfraquecido, o presidente norte-americano pode abandonar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), retomar sua guerra comercial e até mesmo iniciar novas guerras ou aventuras militares.
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Apesar das negociações em andamento dois dias atrás, Israel e os Estados Unidos lançaram hoje um ataque coordenado ao Irã, que reagiu bombardeando Israel e países árabes com bases militares norte-americanas. O presidente Donald Trump conclamou o povo iraniano a derrubar o regime fundamentalista, mas será difícil fazer isso sem uma operação terrestre.
A Operação Fúria Épica é a maior ofensiva militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque pelos EUA em março de 2003. O Crescente Vermelho, a Cruz Vermelha dos países muçulmanos, declarou que pelo menos 201 pessoas foram mortas e 747 feridas no Irã.
Pelo menos 35 mísseis balísticos foram disparados contra Israel. A resposta iraniana não se limitou a Israel e a bases militares norte-americanas. Atingiu áreas civis de países vizinhos como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Kuwait.
O Departamento da Defesa anunciou que os alvos foram bases militares, os líderes e o sistema de defesa do regime fundamentalista iraniano. Desde que Israel e os EUA bombardearam o Irã na Guerra dos Doze Dias, em junho do ano passado, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Iraniana, aiatolá Ali Khamenei, teria indicado prováveis sucessores.
Em pronunciamento agora na televisão, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que chegou a hora de derrubar o regime, o que consolidaria a hegemonia israelense no Oriente Médio. Também anunciou a morte do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei.
Mais tarde, o governo iraniano confirmou as mortes de Khamanei, do ministro da Defesa, general Aziz Nassirzadeh; do comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, general Abdolrahim Mussavi; do comandante em chefe dos Guardiões da Revolução, general Mahammad Pakpur; e do almirante Ali Shamkhani, assessor do Líder Supremo e secretário do Conselho de Defesa.
Sem uma invasão terrestre, o sucesso da operação depende da capacidade de uma revolta interna derrubar a ditadura dos aiatolás. Trump prometeu nove vezes ajudar uma insurreição, mas palavras não bastam. No primeiro momento, o mais provável é que a Guarda Revolucionária Iraniana recomponha sua cadeia de comando e assuma o controle.
Uma onda de protestos deflagrada em 28 de dezembro no Grande Bazar de Teerã foi duramente reprimida pelo regime e suas milícias. O governo iraniano admitiu 3.117 mortes. A Agência de Notícias Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA), com sede nos EUA, citada pelo jornal britânico The Guardian, afirma ter confirmado 6 mil mortes e estar investigando outras 16 mil. Uma estimativa baseada em relatos médicos eleva esse total 33 mil.
De modo geral, bombardeios aéreos não são suficientes para vencer guerras. Durante a Segunda Guerra Mundial, a blitz da Alemanha Nazista contra Londres fortaleceu a determinação dos britânicos. Na Guerra do Vietnã, os EUA bombardearam intensamente o Vietnã do Norte e perderam.
Uma exceção foi a Guerra do Kosovo, em 1999. Depois de 78 dias de ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Sérvia abandonou o controle da província, mas o ditador Slobodan Milosevic só caiu em 5 de outubro de 2000 numa revolta popular contra fraude eleitoral.
Nos últimos dias, houve especulações sobre quais seriam os objetivos de uma ação militar dos EUA no Irã. Poderia ser uma demonstração de força para forçar o regime dos aiatolás a aceitar as condições impostas por Trump na mesa de negociações, uma nova tentativa de destruir o programa nuclear iraniano, ou de matar Khamenei numa estratégia de cortar cabeças e decapitar a liderança, ou de derrubar o regime. Sob pressão de Israel, Trump optou por acabar com o regime.
Em 14 de junho 2015, no governo Barack Obama, as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha fecharam um acordo com o Irã para congelar por 10 anos a parte militar do programa nuclear iraniano, sob fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Sob pressão de Israel, Trump retirou os EUA do acordo em 8 de maio de 2018.
No governo Joe Biden (2021-25), os EUA se propuseram a retomar as negociações, mas incluíram limitações ao programa de mísseis do Irã e o fim do apoio iraniano a milícias no Oriente Médio.
Agora, nas negociações realizadas até quinta-feira passada, Trump fazia as mesmas exigências de Biden. O Irã só aceitava discutir a questão nuclear, não os mísseis nem o apoio a milícias. Um nova rodada de negociações indiretas mediadas pelo Catar estava prevista para segunda-feira em Viena, a capital da Áustria, sede da AIEA. Como no ataque de junho passado, Trump usou a tática de enganar o inimigo ao sugerir que as negociações estavam em andamento.
A meta dos bombardeios é acabar com a Revolução Islâmica, que tomou o poder no Irã em fevereiro de 1979 após derrubar o xá Reza Pahlevi, um ditador aliado do Ocidente e de Israel. O xá estava no poder desde agosto de 1953, quando o primeiro golpe militar articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria derrubou o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que havia nacionalizado o petróleo, a grande riqueza natural do país.
Desde o início, os EUA (Grande Satã) e Israel (Pequeno Satã) foram declarados os principais inimigos do regime fundamentalista iraniano. Em 4 de novembro de 1979, guardas revolucionários invadiram a Embaixada dos EUA em Teerã e tomaram diplomatas e funcionários como reféns.
A ocupação da embaixada durou 444 dias, até a posse de Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981. Só aí foram soltos os últimos 52 reféns. Os dois países não reataram as relações diplomáticas.
Nesta guerra, uma das ameaças de retaliação do Irã é fechar o Estreito de Ormuz, a saída do Golfo Pérsico, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, inclusive da Arábia Saudita, maior exportador mundial, e das outras monarquias petroleiras da região. No momento, há petroleiros parados dos dois lados do estreito. O preço do barril de petróleo tipo Murban, de Abu Dhabi, subiu 4% para US$ 74,24.
Como os rebeldes hutis do Iêmen são aliados do Irã, também pode haver ataques a navios no Estreito de Bab al-Mandabe (Portão das Lágrimas, em árabe), que é a saída do Mar Vermelho para o Golfo de Áden e o Oceano Índico, como aconteceu durante a guerra na Faixa de Gaza.
A previsão é que não seja uma guerra curta como quer Trump. O poder de retaliação do Irã, mas o regime tem amplo controle de seu território e pode fechar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, e recorrer a ações terroristas no exterior. Ao longo de sua história, tem sido cruel com rebeldes e dissidentes.
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Depois de um ataque iraniano com seis mísseis balísticos sem maiores consequências à base aérea de Al Udeid (foto), em Doha, no Catar, a maior instalação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, o presidente Donald Trump anunciou uma trégua entre Israel e o Irã. A resposta revela a debilidade estratégica do regime teocrático iraniano.
Em tom triunfalista e hiperbólico, Trump declarou numa rede social às 18h em Washington (19h em Brasília) que é o fim da Guerra dos Doze Dias: "Esta é uma guerra que poderia durar anos e destruir o Oriente Médio inteiro, mas não destruiu e nunca vai."
O Catar intermediou a negociação com o Irã depois de alertar que tinha o direito de responder ao ataque a seu território. Trump disse que o Irã avisou antes. Depois do bombardeio que não feriu ninguém, descrito em Teerã como "arrasador e poderoso", o Irã mandou um recado aos EUA através do Catar para dizer que não haveria mais ataques. A Casa Branca respondeu que não faria novos bombardeios e retomaria as negociações para um acordo nuclear.
O Irã queria o cessar-fogo e confirmou logo. Israel estava bombardeando Teerã, relutou um pouco e se preparou para se defender de novas barragens de mísseis antes da trégua entrar em vigor.
Como a trégua elimina o risco imediato de ataques a instalações petrolíferas ou de fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam 21% do petróleo consumido no mundo, os preços do petróleo caíram em cerca de US$ 10 para os níveis anteriores ao ataque de Israel em 13 de junho, abaixo de US$ 70 por barril.
Hoje foram reveladas imagens de caminhões perto da central nuclear de Fordo, bombardeada pelos EUA, num sinal de que o Irã retirou o urânio enriquecido e talvez alguns equipamentos antes do ataque.
Na manhã desta terça-feira, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, acusou o Irã de violar o cessar-fogo. Trump reagiu furioso. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que "a guerra acabou".
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou: "Conquistamos uma vitória histórica que vai resistir ao teste do tempo. Removemos duas ameaças existenciais: a ameaça de aniquilação por bombas nucleares e e ameaça de aniquilação por 20 mil mísseis balísticos [o Irã tinha cerca de 3 mil antes da guerra]. (...) Os EUA se juntaram ao nosso lado de maneira sem precedentes e destruíram a instalação subterrânea de enriquecimento [de urânio] de Fordo."
A primeira avaliação da inteligência norte-americana é que as instalações nucleares bombardeadas na sexta-feira não foram totalmente destruídas e atrasaram o programa nuclear do Irã em poucos meses.
Na primeira viagem ao exterior desde que voltou à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump faz uma viagem de quatro dias a três ricas monarquias petroleiras do Golfo Pérsico em busca de acordos e promessas de investimentos de US$ 1 trilhão, além de um Boeing 747 no valor de US$ 400 milhões de presente. Quer criar um novo Oriente Médio aproximando países árabes aliados de Israel e fazendo um novo acordo nuclear com o Irã. Mas os negócios públicos e privados se misturam numa promiscuidade corrupta.
Como no primeiro governo, Trump escolheu fazer a primeira visita à Arábia Saudita e não a tradicionais aliados dos EUA. Ele não tem uma visão estratégica. Quer fazer negócios e atrair investimentos para apresentar como vitórias ao povo norte-americano. Não vai a Israel. Está irritado com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que retomou a guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) por conveniência política interna.
A libertação de um refém israelense-norte-americano foi um tapa na cara de Bibi Netanyahu e sua estratégia de guerra sem fim. O Hamas está convencido de que só Trump tem força para obrigar Israel a fazer um acordo. Trump gostaria de anunciar um cessar-fogo definitivo durante a viagem.
Sob pressão dos ditadores da Arábia Saudita e da Turquia, Trump anunciou o fim das sanções dos EUA à Síria, uma grande mudança política em apoio ao líder jihadista que derrubou a ditadura de Bachar Assad. É uma oportunidade para Israel, mas depende da criação de um país para o povo palestino.
As negociações para uma nova trégua de até 60 dias entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), com a libertação de reféns israelenses e prisioneiros palestinos, estão mais perto de um acordo.
Negociadores dos Estados Unidos, do Egito, de Israel e do Catar se reúnem hoje em Paris. A expectativa é que o acordo seja fechado dentro de duas semanas. Pode ser o início do fim da guerra.
Um anteprojeto prevê uma trégua de dois meses. Nos primeiros 30 dias, seriam libertados os idosos, as mulheres e os doentes. Numa segunda fase, de 30 mais dias, seriam soltos os soldados e os civis. Nas duas etapas, seria libertado num número não especificado de palestinos presos em Israel.
Nos últimos dias, o presidente Joe Biden falou com o primeiro-ministro do Catar, xeique Mohamed ben Abdulrahman al-Thani, e com o ditador do Egito, Abdel Fattah al-Sissi. Eles prometeram fazer todos os esforços para conseguir uma trégua longa, que também serviria para levar mais ajuda humanitária a toda a Faixa de Gaza.
Mais países suspenderam as contribuições à Agência das Nações Unidas para Refugiados Palestinos depois que 12 funcionários foram acusados de participar do ataque terrorista de 7 de outubro a Israel. O secretário-geral da ONU, António Guterres, e o diretor da agência, Philippe Lazzarini, fizeram um apelo para que não cortem a ajuda porque a agência tem milhares de funcionários e é fundamental para diminuir a tragédia humanitária na Faixa de Gaza.
Depois de um encontro com o emir do Catar, xeique Thamim ben Hamad al-Thani, que pediu um cessar-fogo imediato, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, admitiu que a guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) pode provocar uma "metástase" do Oriente Médio, "causando mais insegurança e ainda mais sofrimento".
Antes, Blinken esteve na Jordânia, onde o rei Abdullah II advertiu para "repercussões catastróficas" se a guerra não parar. O secretário chega nesta segunda-feira a Israel. O jornal The Washington Post noticiou que os Estados Unidos temem que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prolongue a guerra para não cair e ter de responder a três processos por corrupção capazes de levá-lo para a cadeia. Só 15% dos israelense querem sua permanência na chefia do governo.
A principal missão da quarta viagem do secretário de Estado ao Oriente Médio é evitar uma ampliação do conflito, que atinge a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, Israel, o Líbano, a Síria, e o Iraque, onde milícias ligadas ao Irã fizeram cerca de 140 ataques a bases militares norte-americanas desde o início da guerra.
O maior risco seria a entrada na guerra do Irã, que estaria prestes a fabricar armas nucleares. Com a guerra da Rússia contra a Ucrânia, o Irã saiu do isolamento diplomático e se aproximou da Rússia e da China.
Se a guerra de baixa intensidade com a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) se transformar numa guerra total e Israel não conseguir lutar em duas frentes, provavelmente os EUA entrariam na guerra com forças aeronavais, sem colocar soldados em terra.
Durante visita a Israel, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Llyod Austin, anunciou hoje a formação de uma coalizão internacional para combater os ataques no Mar Vermelho da milícia huti, apoiada pelo Irã. Participam os EUA, o Bahrein, o Canadá, a Espanha, a França, a Holanda, as Ilhas Seicheles, a Noruega e os Países Baixos.
Os hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, atacaram na segunda-feira mais dois navios no Mar Vermelho. A companhia de petróleo BP é mais uma grande empresa que suspendeu o tráfego marítimo na região.
As forças israelenses bombardearam mais 150 alvos em 24 horas e encontraram US$ 1,35 milhão na casa de um alto dirigente do Hamas em Jabalia.
O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), principal responsável pelo ataque terrorista que matou mais de 1,2 mil pessoas em Israel e sequestrou cerca de 250, lamentou a morte de mais 20 palestinos num bombardeio israelense a Rafá, no Sul da Faixa de Gaza, e atualizou o número de palestinos mortos em Gaza para 19.453.
O Catar, que representa o Hamas nas negociações para trégua e troca de reféns por presos, anunciou que o esforço diplomático está em andamento.
A organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos) acusou Israel de usar a fome como arma, o que é crime de guerra. O governo israelense acusou o grupo de antissemita e anti-israelense.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas adiou para terça-feira a votação de um projeto de resolução pedindo um cessar-fogo imediato por razões humanitárias para permitir a entrada de ajuda de emergência à população civil palestina. Meu comentário:
Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) chegaram a um acordo para prorrogar por dois dias a trégua na Faixa de Gaza iniciada na sexta-feira para permitir a troca de reféns sequestrados no ataque terrorista de 7 de outubro por palestinos presos em prisões israelenses, anunciaram hoje os Estados Unidos e o Catar, que mediam as negociações. Para cada dia de trégua a mais, serão soltos mais 10 reféns.
"É uma luz de esperança e de humanidade em meio às trevas da guerra. Espero que nos permita levar mais ajuda humanitária aos habitantes de Gaza, que tanto sofrem, sabendo que mesmo com esse tempo suplementar será impossível satisfazer todas as necessidades imensas da população", declarou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
Os terroristas soltaram mais 11 reféns, pela segunda vez com algum atraso, na maioria crianças, duas mães e dois gêmeos de 3 anos, Mais cedo, Israel fez objeções à lista de reféns a serem soltos proposta pelo Hamas porque muitas crianças foram libertadas sem as mães. O Catar teve de resolver. Em troca, Israel libertou 33 palestinos presos.
Na Cisjordânia ocupada, o conflito entre israelenses e palestinos se acirrou desde o início da guerra. Mais dois palestinos foram mortos nesta segunda-feira e pelo menos 260 foram presos no fim de semana, muito mais do que foram soltos desde o início da trégua na Faixa de Gaza. Meu comentário:
No segundo dia de uma trégua frágil, com 50 dias de guerra, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) atrasou a libertação dos reféns alegando que Israel não autorizou a entrada de um número suficiente de caminhões de ajuda humanitária. Também reclamou dos presos palestinos escolhidos por Israel para libertação. Israel se nega a soltar presos acusados de assassinato.
Depois de algumas horas de negociações, 13 reféns israelenses e quatro tailandeses foram libertados em troca de 39 prisioneiros palestinos, quase todos adolescentes de até 18 anos, anunciaram o Exército de Israel e o Catar, que negocia pelo Hamas, noticiou o jornal francês Le Monde.
Hoje, devem ser libertados mais reféns e presos. Ao todo, em quatro dias de trégua, 50 reféns sequestrados no ataque terrorista de 7 de outubro a Israel e 150 prisioneiros palestinos devem ser soltos. Israel ofereceu mais um dia de trégua para cada grupo adicional de 10 reféns libertados, mas, em princípio, o cessar-fogo em Gaza termina na manhã de terça-feira.
Enquanto isso, oito palestinos foram mortos em 24 horas na Cisjordânia ocupada. Descie o início da guerra, pelo menos 230 palestinos foram mortos na Cisjordânia.
O total de mortos na Faixa de Gaza não é atualizado pelas autoridades de saúde do Hamas desde quarta-feira. Está em 14.854 mortos, dos quais 6.150 eram crianças. Mais de 1,200 pessoas morreram no ataque terrorista do início da guerra. Israel estimou em 1.500 o número de terroristas mortos ao repetir o ataque. Meu.comentário:
O emirado árabe do Catar, que negocia pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), anunciou hoje que a trégua na guerra entre Israel e o grupo terrorista deve começar às 7h00 desta sexta-feira pela hora local (2h00 em Brasília). O primeiro grupo de 13 mulheres e crianças reféns deve ser solto às 16:00 locais (11h00 em Brasília) em troca de 39 palestinos presos em Israel.
O Hamas exigiu que não haja drones no ar porque poderiam identificar os locais de cativeiro dos reféns.
Na véspera da trégua, Israel bombardeou intensamente o Norte da Faixa de Gaza, matou o comandante naval do Hamas em Khan Younes, no Sul, Omar Abu Jallal, atacou os campos de refugiados de Chati, na Cidade de Gaza, e de Jabalia, destruiu um túnel próximo ao Hospital Al-Chifa e voltou a atacar o Hospital Indonésio alegando que há túneis do Hamas embaixo do hospital, mesmo argumento usado no Al-Chifa, cujo diretor foi preso hoje.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu teria dado ordem ao Mossad, a agência da espionagem externa de Israel, para matar os líderes do Hamas no exterior, entre eles Ismail Haniya e Khaled Mechaal. Meu comentário, gravado logo após o início da trégua:
O governo de Israel anunciou hoje que não vai haver trégua e que nenhum refém será libertado antes de sexta-feira, suscitando dúvidas sobre o acordo anunciado ontem com o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) para libertar 50 reféns em troca de 150 palestinos presos em Israel durante uma pausa de quatro dias na guerra. A trégua começa quando o primeiro refém sair de Gaza.
A expectativa era que os reféns começassem a sair nesta quinta-feira pela cidade de Rafá, na fronteira da Faixa de Gaza com o Egito. O adiamento frustrou as famílias de 236 reféns sequestrados pelo Hamas e a Jihad Islâmica no ataque terrorista de 7 de outubro a Israel, quando mais de 1.200 pessoas foram mortas.
Já são mais de 47 dias de cativeiro. Entre os reféns, há bebês, crianças, mulheres e pessoas. A tomada de civis inocentes como reféns é crime de guerra.
Em bombardeio ao Sul do Líbano, a Força Aérea de Israel matou o filho do líder da milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus) na Assembleia Nacional do Líbano e outras quatro milicianos. Meu comentário:
Primeiro país africano, primeiro país árabe e primeiro país muçulmano a chegar a uma semifinal de Copa do Mundo, o Marrocos, a grande zebra no Catar, tem uma história riquíssima.
É um país marcado pela invasão dos mouros na Península Ibérica, o início do Império Português, a morte do jovem rei Dom Sebastião, que deixou sem herdeiro a coroa de Portugal, a primeira intervenção militar dos Estados Unidos no exterior, a partilha da África entre os europeus e o começo da Guerra Civil Espanhola.
A Croácia, que pega a Argentina na terça-feira, recuperou a independência depois de 900 anos. A França e a Inglaterra, aliadas há mais de cem anos depois de oito séculos de inimizade, fizeram outro jogo com grande peso da história e times cheios de jogadores de origem africana, numa proporção muito maior do que em suas populações. Meu comentário:
A primeira fase da Copa do Mundo do Catar apresentou um equilíbrio relativo que reflete a globalização do futebol. Nenhuma seleção venceu os três jogos. Só o Catar e o Canadá perderam todos. A maioria dos jogadores atua em grandes liga e conhece os adversários.
Se a globalização é fruto do desenvolvimento das tecnologias de comunicações e de transportes, o futebol se tornou uma paixão global e um grande negócio na era da televisão e do avião, que encurtou as distâncias.
A Copa do Mundo é o exemplo máximo da globalização do futebol. Nestas oitavas de final, estão representados todos os continentes, menos a Antártida.
São oito seleções da Europa (Holanda, França, Polônia, Inglaterra, Croácia, Espanha, Portugal e Suíça), três da América (Argentina, Brasil e EUA), duas da África (Marrocos e Senegal) duas da Ásia (Coreia do Sul e Japão) e uma da Oceania (Austrália). Meu comentário:
A Copa do Mundo de 2022 está sendo marcada por uma série de controvérsias, a começar pela escolha como país-sede do Catar, uma monarquia absolutista, uma ditadura que não respeita os direitos humanos, discrimina mulheres e gays, e explora os trabalhadores migrantes, que são a maioria da população do país.
A revista inglesa The Economist defendeu a decisão da Fifa (Federação Internacional de Futebol Associativo) sob o argumento de que outras ditaduras também organizam grandes eventos esportivos. A Rússia sediou a Copa de 2018. A China realizou a Olimpíada de Verão em 2008 e a Olimpíada de Inverno em 2022.
Já entrou para a história a foto do time da Alemanha com os jogadores tapando a boca em protesto contra a censura porque várias seleções europeias foram proibidas pela Fifa de usar a braçadeira de capitão nas cores do arco-íris, símbolo do movimento LGBTQIAP+. Meu comentário:
Os Estados Unidos ultrapassaram hoje a marca de 3 milhões de casos confirmados da doença do coronavírus de 2019, com quase 133 mil mortes. Em mais uma mentira, o presidente Donald Trump afirmou que em 99% dos casos a doença é leve.
Com 4 por cento da população mundial, os EUA têm 25 por cento dos casos. Nos primeiros cinco dias de junho, foram 260 mil casos novos. A média dos pacientes de covid-19 nos Estados Unidos é 15 anos menor do que um mês atrás. Na Flórida, a média é de 33 anos.
Com mais 566 mortes e 21.486 casos novos em 24 horas, o Brasil chegou a 65.556 mortes e 1,626 milhão de casos confirmados. Depois de apresentar sintomas da covid-19, o presidente Jair Bolsonaro foi ao Hospital do Exército, em Brasília, fazer o exame.
No mundo inteiro, o total de casos confirmados está em 11,739 milhões, com mais de 540 mil mortes e quase 6,642 milhões de pacientes curados. O emirado do Catar, sede da Copa do Mundo de 2022, se tornou o país com o maior número de casos por habitante. Meu comentário:
O assassinato brutal do jornalista Jamal Khashoggi, há exatamente um ano, mostrou a verdadeira face do príncipe-herdeiro e homem-forte da ditadura da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman.
Em 2 de
outubro de 2018, Jamal Khashoggi entrou no consulado saudita em Istambul, na
Turquia. Precisava de um documento para se casar. A noiva ficou esperando do
lado de fora. Ele nunca mais saiu. Foi detido, torturado, esquartejado e morto.
A primeira
versão saudita foi que Khashoggi havia saído normalmente. Depois, que havia sido
morto numa briga dentro do consulado. Logo, apareceu uma gravação atribuída à
espionagem da Turquia que desmascarou a farsa, revelando detalhes da tortura e
da brutal execução. Khashoggi teve os dados da mão amputados antes de morrer
num festival de barbáries.
A
responsabilidade pelo crime foi atribuída ao príncipe herdeiro. Afinal, o
esquadrão da morte era formado por seus seguranças e chegou a Istambul em dois
aviões usados pela equipe de MbS, como o príncipe também é conhecido. Ditador
implacável, é impossível que não soubesse de nada. Meu comentário:
O ex-presidente do Egito Mohamed Mursi, derrubado por um golpe militar em 3 de julho de 2013, morreu aos 67 hoje num tribunal do Cairo. Mursi, da Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, foi eleito em 2012, depois da queda do ditador Hosni Mubarak na Primavera Árabe, em 11 de fevereiro de 2011. Sua morte deve provocar protestos dos islamistas.
Mursi sofria de diabetes e teve um colapso cardíaco depois de uma audiência no tribunal, onde respondia a processos. Sua deposição pelo atual ditador, marechal Abdel Fattah al-Sissi, marcou o fim da breve experiência democrática do Egito.
Depois da queda, o ex-presidente foi condenado a 45 anos de prisão, a 20 anos por incitar as forças de segurança a atacar manifestantes em 2012 e a 25 anos por espionagem a favor do Catar, aliado da Irmandade Muçulmana, declarada grupo terrorista pelo novo governo egípcio.
Um de seus maiores aliados, o ditador da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, o chamou de mártir: "Que Alá dê a nosso mártir, nosso irmão Mursi, sua misericórdia. Outro aliado importante, o emir do Catar, xeque Tamin ben Hamad al-Thani, manifestou "profunda tristeza".
Com o golpe, mais de 1,4 mil manifestantes da Irmandade Muçulmana foram mortos e 15 mil presos. Centenas de islamistas foram condenados nos últimos anos sob acusação de terrorismo. Os mesmos ativistas que derrubaram Mubarak na esperança de democratizar o país saíram às ruas para denunciar o autoritarismo de Mursi e da Irmandade Muçulmana, convidando os militares a dar o golpe de 2013.
O regime hoje é ainda mais repressivo do que no tempo de Mubarak. A Primavera Árabe só democratizou a Tunísia. A Líbia, a Síria e o Iêmen estão até hoje em guerra civil.
O ultralinha-dura Avigdor Lieberman, líder do partido ultranacionalista Yisrael Beitenu (Israel Nossa Casa), pediu demissão hoje do cargo de ministro da Defesa de Israel, noticiou a imprensa israelense. Lieberman afirmou que a resposta "drasticamente inadequada" aos ataques de mais de 460 foguetes disparados da Faixa de Gaza por facções extremistas palestinas é uma "capitulação ao terror" e pediu a convocação de eleições antecipadas. Lieberman protestou contra a trégua negociada pelo Egito: "O que aconteceu ontem, junto com o acordo com o Hamas (Movimento de Resistência Islâmica), é uma capitulação ao poder", denunciou, em entrevista coletiva na Knesset, o Parlamento de Israel.
"Estamos pagando um preço alto sem um plano de longo prazo para reduzir a violência contra nós", argumentou Lieberman. Num ataque direto ao primeiro-ministro linha-dura, ele declarou que "discorda fundamentalmente" de uma série de medidas, inclusive a permissão de que o emirado do Catar dê uma ajuda de US$ 15 milhões a Gaza.
Com a saída do Yisrael Beitenu, o governo liderado pelo partido Likud tem agora uma maioria mínima de 61 dos 120 deputados da Knesset. As próximas eleições devem ser realizadas dentro de 12 meses. Netanyahu não pensa em antecipá-las e deve acumular a chefia do governo com o Ministério da Defesa.
Outro partido linha-dura, Beit Yehudi (Lar Judaico), quer reivindicar o cargo para seu líder, Naftali Bennett, atual ministro da Educação. Lieberman e Bennett são rivais. Disputam o mesmo segmento do eleitorado. Nas últimas semanas, Bennett acusou Lieberman de ser frouxo na resposta ao Hamas.
Durante homenagem ao fundador e primeiro primeiro-ministro de Israel, David Ben Gurion, Netanyahu defendeu a decisão de aceitar a trégua negociada pelo Egito: "Em momentos de emergência, o público nem sempre pode saber de considerações que devem ser escondidas do inmigo. Nossos inimigos imploraram por um cessar-fogo e sabem bem por quê."
O Hamas festejou o cessar-fogo como uma vitória. Pelo menos 18 palestinos, inclusive um comandante do Hamas, e um soldado israelense morreram no confronto, o pior desde a última guerra na Faixa de Gaza, em 2014.
Bennett, Lieberman, o ministro da Justiça, Ayelet Shaked, e o ministro do Meio Ambiente, Zeev Elkin, queriam uma nova guerra. Foram derrotados ontem numa votação interna durante uma reunião de sete horas do gabinete israelense.
Depois que um foguete destruiu uma casa em Beersheba, Israel acusou o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e bombardeou 20 alvos na Faixa de Gaza, informou o jornal digital The Times of Israel. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reuniu o gabinete de guerra. O ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, afirmou nos últimos dias que não haveria trégua antes de dar uma resposta dura ao Hamas.
Para Israel, o ataque a Beersheba é uma escalada no conflito com o Hamas, que não para. Apesar dos esforços das Nações Unidas e do Egito, não há trégua.
Toda sexta-feria, desde 30 de março, há manifestações violentas na fronteira, além de ataques incendiários com balões. Foguetes palestinos atacam o Sul de Israel e bombardeios israelenses respondem em Gaza.
Com eleições municipais em 22 de outubro, o governo direitista israelense está sob pressão para agir. Em Gaza, uma faixa estreita de 41 quilômetros de comprimento por 6 a 12 de largura, a situação humanitária é catastrófica.
Por iniciativa da ONU, o Catar se dispôs a fornecer combustível a Gaza. As entregas foram suspensas por causa do clima de guerra.
Um dos 15 agentes da Arábia Saudita que mataram o jornalista dissidente Jamal Khashoggi no consulado do país em Istambul, na Turquia, foi visto com frequência na equipe de segurança do príncipe-herdeiro Mohamed ben Salman, principal suspeito de ser o mandante do assassinato político. Outros três foram apontados por testemunhas como parte do esquema de segurança do princípe, revelou o jornal The New York Times.
Mohamed ben Salman, o homem-forte da monarquia absolutista saudita, guardiã das cidades sagradas de Meca e Medina, nega ter qualquer conhecimento prévio da operação, mas num regime ditatorial desta natureza nada acontece sem o conhecimento dos donos do poder.
Khashoggi desapareceu em 2 de outubro, depois de entrar no Consulado Saudita em Istambul para pegar um documento para se casar. Ex-assessor da família real, ele era contra uma mudança de regime. Defendia uma liberalização. Seu último artigo, em defesa da liberdade de expressão no mundo árabe, foi publicado hoje no jornal The Washington Post.
Um quinto suspeito é um médico forense que faz parte do alto escalão do Ministério do Interior. Hoje foram revelados detalhes do crime bárbaro. De acordo com uma gravação vazada pelo governo turco, foi um crime bárbaro.
Em sete minutos de gravação, ouve-se que primeiro serraram os dedos das mãos, com o jornalista ainda vivo. Depois cortaram os pés. Serraram e esquartejaram Khashoggi. Por fim, ele foi decapitado.
MbS, como o príncipe é chamado popularmente, tornou-se o homem-forte do reino ao atropelar a linha sucessória. Ele se apresentava como um reformista com um programa amplo para modernizar o país, moderar o islamismo radical e preparar o país para a era pós-petróleo com o plano Arábia Saudita 2030. Para tanto, precisa atrair capital estrangeiro.
O príncipe enfrentou o clérigo ultraconservador, uma das bases do regime saudita, que segue o wahabismo, a corrente ultraconservadora do islamismo que inspirou Ossama ben Laden e a organização terrorista Estado Islâmico. Em junho deste ano, finalmente, as mulheres sauditas foram autorizadas a dirigir.
Ele também lançou uma campanha anticorrupção que prendeu príncipes e magnatas, vista como um abuso de poder para consolidar seu golpe palaciano.
Na política externa, seu maior erro foi a intervenção militar na guerra civil do Iêmen, hoje o pior conflito do mundo, com milhões de pessoas ameaçadas de morrer de fome porque sauditas e aliados bloqueiam o porto de Hodeida.
Ainda liderou um boicote ao Catar, acusando-o de fazer negócios com o Irã, grande rival da Arábia Saudita na disputa pela liderança regional no Oriente Médio. E criou uma crise diplomática com o Canadá quando a ministra do Exterior, Christya Freeland, pediu a libertação de Samar Badawi, mulher do jornalista liberal Raif Badawi, condenado em 2014 a 10 anos de prisão e 10 mil chibatadas por "insultar o Islã através de meios eletrônicos".
Por verem o Irã como inimigo, tanto os Estados Unidos quanto Israel abraçaram o novo príncipe-herdeiro como uma esperança de reforma no mundo árabe, esquecendo o papel ativo da Arábia Saudita e aliados como os Emirados Árabes Unidos na sabotagem da chamada Primavera Árabe, que acabou só levando a democracia à Tunísia.
A Arábia Saudita foi o primeiro país a ser visitado por Donald Trump como presidente dos EUA. Por si só, isso revelou a admiração de Trump por líderes autoritários. Até o momento, o presidente americano tem feito tudo para contemporizar. Nega-se a cancelar contratos de vendas de armas que afirma que podem chegar a US$ 110 bilhões.
Se o crime for confirmado, o governo dos EUA tem a obrigação legal de aplicar sanções à Arábia Saudita. A estratégia de Trump e Israel para isolar o Irã fica prejudicada. O petróleo saudita é fundamental para manter a estabilidade do mercado sem o petróleo do Irã.
Já se forma uma grande pressão internacional para que Mohamed ben Salman jamais se torne sultão da Arábia Saudita. Seus inimigos internos, inclusive o clérigo mais radical, festejam.