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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Trump e Infantino fazem Copa da exclusão e da vergonha

A maior de todas as Copas do Mundo de futebol começou hoje com as marcas do racismo, da discriminação, da exclusão e dos ingressos a preços astronômicos. Várias delegações e torcedores enfrentam dificuldades para entrar nos Estados Unidos, onde serão realizados 78 dos 104 jogos. O melhor juiz da África, um somaliano, foi barrado no aeroporto de Miami e mandado de volta para casa. Este é o exemplo mais gritante.

Um país em guerra não deveria ter o direito de organizar um evento criado para celebrar o congraçamento de países e povos, mas o presidente da FIFA (Federação Internacional de Futebol Associativo), Gianni Infantino, quer mesmo é fazer bons negócios. Elevou o puxa-saquismo e um nível sem precedentes ao dar um prêmio da paz ao presidente Donald Trump, que bombardeou sete países desde que voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025.

Infantino afirmou que não haveria problemas para jogadores, torcedores e delegações. Depois, mudou de ideia e disse que a FIFA não interfere em questões de soberania e segurança nacionais. A realidade é que para as torcidas as ditaduras da Rússia e do Catar, que organizaram as duas últimas Copas, foram muito mais acolhedoras do que os EUA de Trump.

Os torcedores locais de origem estrangeira temem a truculenta e fascistoide polícia de imigração e de fronteiras. Como a FIFA adotou a "tarifa dinâmica", os preços dos ingressos são até 118 vezes acima do valor oficial. Podem chegar até perto de R$ 1 milhão.

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terça-feira, 29 de novembro de 2022

Copa tem impacto político e expõe ditaduras

A Copa do Mundo de 2022 está sendo marcada por uma série de controvérsias, a começar pela escolha como país-sede do Catar, uma monarquia absolutista, uma ditadura que não respeita os direitos humanos, discrimina mulheres e gays, e explora os trabalhadores migrantes, que são a maioria da população do país.

A revista inglesa The Economist defendeu a decisão da Fifa (Federação Internacional de Futebol Associativo) sob o argumento de que outras ditaduras também organizam grandes eventos esportivos. A Rússia sediou a Copa de 2018. A China realizou a Olimpíada de Verão em 2008 e a Olimpíada de Inverno em 2022.

Já entrou para a história a foto do time da Alemanha com os jogadores tapando a boca em protesto contra a censura porque várias seleções europeias foram proibidas pela Fifa de usar a braçadeira de capitão nas cores do arco-íris, símbolo do movimento LGBTQIAP+. Meu comentário:

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 11 de Novembro

 FIM DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

    Em 1918, um armistício assinado pela Alemanha e os aliados marca o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Os canhões silenciam na undécima hora do undécimo dia do undécimo mês do ano. A guerra, que no início todos acreditavam que seria breve, dura quatro anos e acaba com a Era dos Impérios. Saem de cena os impérios alemão, austro-húngaro, otomano e russo.

Cerca de 20 milhões morrem na guerra e 50 milhões na pandemia da Gripe Espanhola, disseminada pela movimentação dos soldados.

A Primeira Guerra Mundial é o conflito que forja o século 20. Em 1917, com a Revolução Russa e a entrada dos Estados Unidos no conflito, entram em cena as duas superpotências que dominariam o mundo na segunda metade do século. 

O Nazismo e o Fascismo são reações à ascensão do comunismo e à humilhação sofrida pela Alemanha na Conferência de Paz de Versalhes.

"A guerra para acabar com todas as guerras", argumento do presidente Woodrow Wilson para convencer os norte-americanos a entrar na guerra na Europa, leva à paz para acabar com todas as pazes na Conferência de Versalhes.

EUA REDUZEM IDADE PARA SERVIR NAS FORÇAS ARMADAS

    Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, o Congresso dos Estados Unidos aprova a redução para 18 anos da idade mínima para servir as Forças Armadas e limita a idade máxima a 37 anos.

O Congresso aprova o serviço militar obrigatório em tempo de paz em setembro de 1940, mais de um ano antes dos EUA entrarem na guerra.

A convocação dos homens de 21 a 36 anos começa um mês depois. São 20 milhões nos EUA. A metade é rejeitada no primeiro ano por problemas de saúde e 20% dos convocados por serem analfabetos.

Com o país em guerra, a idade mínima de convocação diminui. Os negros são discriminados por racismo. São considerados menos capazes e há dúvidas sobre a eficiência de um exército misto racialmente.

Isto muda em 1943, quando é estabelecida uma cota de 10,6% para negros, o percentual de sua participação na sociedade norte-americana. De início, eles ficam nas "unidades de trabalho". Mais tarde, entram em combate.

Quando a guerra termina, em 1945, o total de alistados é de 34 milhões; 10 milhões servem nas Forças Armadas dos EUA.

URSS SE NEGA A JOGAR NO CHILE

    Em 1973, a União Soviética anuncia que não vai disputar uma partida contra o Chile pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 1974 marcada para 21 de novembro no Estado Nacional de Santiago.

Depois do golpe militar do general Augusto Pinochet, que derrubou o presidente socialista Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, o Estádio Nacional é usado como centro de concentração, tortura e execução dos aliados do governo deposto. Victor Jara, o músico popular mais famoso do Chile, foi morto lá.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Hoje na História do Mundo: 13 de Julho

ASSASSINATO DE MARAT

   Em 1793, Jean-Paul Marat, um dos líderes da fase mais radical da Revolução Francesa, a fase da Convenção (1792-95), que inclui o Período do Terror (1793-94), é assassinado no banho por sua amante Charlotte Corday, uma monarquista.

Marat é médico. Em 1789, funda o jornal O Amigo do Povo, que faz uma crítica feroz aos poderosos do dia. Em agosto de 1792, a revolução se radicaliza e o rei Luís XVI é preso. Marat, um jacobino, é eleito deputado da Convenção, onde faz oposição aos girondinos, republicanos moderados.

Corday, filha de um aristocrata falido que apoiava os girondinos, via Marat como um símbolo de todo o mal na França. Planejava matá-lo durante as festas de 14 de julho, aniversário da Queda da Bastilha quatro anos antes. Quando a comemoração foi suspensa, foi até a casa de Marat e o matou.

PRIMEIRA COPA DO MUNDO

    Em 1930, começa no Uruguai a primeira Copa do Mundo de futebol, com 13 países. Na final, em 30 de julho, no Estádio Centenário, a seleção do Uruguai, conhecida como Celeste Olímpica por ser bicampeã olímpica, vence a Argentina por 4-2.

O Brasil perdeu por 2-1 para a Iugoslávia e ganhou de 4-0 da Bolívia, mas foi eliminado.

URSS VENCE BATALHA DE KURSK

    Em 1943, termina em Kursk, no Oeste da Rússia, a maior batalha de tanques de história, travada entre a Alemanha nazista e a União Soviética na Segunda Guerra Mundial (1939-45).  

Cerca de 6 mil tanques, 5 mil aviões e 2 milhões de soldados participaram da Batalha de Kursk, que repele a ofensiva nazista na URSS.

 A batalha começa em 5 de julho, quando 38 divisões alemãs, quase metade blindadas, atacam o Exército Vermelho. Desta vez, as forças soviéticas têm tanques melhores e mais cobertura aérea, e destroem 40% dos blindados nazistas.

O comandante militar alemão, marechal-de-campo Günther von Kluge, suspende o ataque e, em 23 de julho, os soviéticos forçam os alemães a voltar às posições anteriores. É o fim da ofensiva nazista na URSS. Em agosto, os alemães estão em retirada em toda a frente oriental. A contraofensiva do Exército Vermelho tomaria Berlim em 8 de maio de 1945. É o fim da guerra na Europa.

KENNEDY CANDIDATO

    Em 1960, a Convenção Nacional do Partido Democrata nomeia o senador John Kennedy como candidato à Casa Branca

Kennedy venceu o senador texano Lyndon Johnson, indicado no dia seguinte como candidato a vice-presidente dos Estados Unidos, e derrotaria o vice-presidente Richard Nixon, com quem travaria os primeiros debates presidenciais transmitidos pela televisão da história.

Kennedy seria o mais jovem presidente dos EUA e o primeiro católico; o segundo é Joe Biden. No seu breve governo (1961-63), houve a fracassada Invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, em abril de 1961 e a Crise dos Mísseis em Cuba, em outubro de 1962, quando o mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear entre os EUA e a URSS. Em agosto de 1961, a Alemanha Oriental começa a construir o Muro de Berlim.

O governo Kennedy decide enviar um homem à Lua e apoia o movimento pelos direitos civis dos negros, liderado pelo reverendo Martin Luther King Jr. Mas amplia o envolvimento de assessores militares americanos na Guerra do Vietnã (1955-75). Acaba tragicamente com a morte do presidente num atentado em Dallas, no Texas, em 22 de novembro de 1963.

FORD DEMITE IACOCCA

    Em 1978, o presidente da companhia automobilística Ford, Henri Ford II, demite o diretor-geral Lee Iacocca depois de anos de tensão entre os dois.

Filho de imigrantes italianos, Iacocca nasce na Pensilvânia em 1924 e começa a trabalhar na Ford como engenheiro em 1946, mas logo passa ao setor de vendas e ascende à direção-geral depois de lançar o Mustang, um carro esportivo acessível que vira sucesso mundial.

Um ano depois de ser demitido pela Ford, Iacocca torna-se diretor da Chrysler, que recebe uma ajuda de US$ 1,5 bilhão do governo dos Estados Unidos para não falir, o que enfraqueceria a indústria automobilística americana, na época a maior do mundo.

Iacocca lidera a recuperação da Chrysler, que em 1984 lucra mais de US$ 2,4 bilhões. É a década do Super-Japão, visto na época como um desafio à supremacia americana. Iacocca é uma das vozes mais eloquentes da indústria norte-americana contra o protecionismo japonês.

MAIOR CONCERTO DOS TRÊS TENORES

    Em 1997, os Três Tenores – Luciano Pavarotti, Josep Carreras e Plácido Domingo – fazem no estágio Camp Nou, em Barcelona, sua apresentação para o maior público: 65 mil pessoas.

De 1990 a 2005, estes cantores extraordinários fazem juntos 33 concertos que ajudam a democratizar a ópera.

No dia da apresentação em Barcelona, o grupo terrorista basco ETA (Pátria Basca e Liberdade) assassina o vereador conservador Miguel Ángel Blanco. Antes do show, houve três minutos de silêncio em homenagem a Blanco.

VIDAS NEGRAS IMPORTAM

    Em 2013, aparece pela primeira vez a frase "vidas negras importam", que deu origem a um movimento antirracista nos Estados Unidos

Indignada com a absolvição na Flórida do vigilante George Zimmerman, que matara em 2012 o jovem Trayvon Martin, de 18 anos, Alicia Garza, residente na Califórnia, escreve no Facebook as palavras que se tornam o novo lema da luta contra o racismo.

Garza sofre de "uma tristeza profunda". Está mais revoltada ainda porque muitos culpam a vítima e não o flagelo do racismo. Um amigo, Patrice Cullors, líder comunitário em Los Angeles, responde com a hashtag #BlackLivesMatter (VidasNegrasImportam), que logo viraliza nas redes sociais.

Quando Michael Brown é morto em Ferguson, no Missouri, em 9 de agosto 2014, o movimento sai às ruas. No início, a maioria dos americanos considera o movimento radical, mas com o tempo sua ideia central é aceita como uma defesa do direito à vida.

Depois do assassinato de George Floyd, em 25 de maio de 2020 o apoio ao movimento cresce rapidamente em duas semanas nos EUA e se veem pelo mundo inteiro passeatas de negros, brancos, aborígenes, indígenas e gente de todas as origens étnicas marchando junto contra o racismo e a violência policial. 

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 11 de Novembro

FIM DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

    Em 1918, um armistício assinado pela Alemanha e os aliados marca o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Os canhões silenciam na undécima hora do undécimo dia do undécimo mês do ano. A guerra, que no início todos acreditavam que seria breve, dura quatro anos e acaba com a Era dos Impérios. Saem de cena os impérios alemão, austro-húngaro, otomano e russo.

Cerca de 20 milhões morrem na guerra e 50 milhões na pandemia da Gripe Espanhola, disseminada pela movimentação dos soldados.

A Primeira Guerra Mundial é o conflito que forja o século 20. Em 1917, com a Revolução Russa e a entrada dos Estados Unidos no conflito, entram em cena as duas superpotências que dominariam o mundo na segunda metade do século. O nazismo e o fascismo são reações à ascensão do comunismo e à humilhação sofrida pela Alemanha na Conferência de Paz de Versalhes.

"A guerra para acabar com todas as guerras", argumento do presidente Woodrow Wilson para convencer os norte-americanos a entrar na guerra na Europa, leva à paz para acabar com todas as pazes na Conferência de Versalhes.

URSS SE NEGA A JOGAR NO CHILE

    Em 1973, a União Soviética anuncia que não vai disputar uma partida contra o Chile pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 1974 marcada para 21 de novembro no Estado Nacional de Santiago.

Depois do golpe militar do general Augusto Pinochet, que derrubou o presidente socialista Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, o Estádio Nacional é usado como centro de concentração, tortura e execução dos aliados do governo deposto.

terça-feira, 13 de julho de 2021

Hoje na História do Mundo: 13 de Julho

    Em 1793, Jean-Paul Marat, um dos líderes da fase mais radical da Revolução Francesa, a fase da Convenção (1792-95), é assassinado no banho por sua amante Charlotte Corday, uma monarquista.

Marat era médico. Em 1789, funda o jornal O Amigo do Povo, que faz uma crítica feroz aos poderosos do dia. Em agosto de 1792, a revolução se radicaliza e o rei Luís XVI é preso. Marat, um jacobino, é eleito deputado da Convenção, onde faz oposição aos girondinos, republicanos moderados.

Corday, filha de um aristocrata falido que apoiava os girondinos, via Marat como um símbolo de todo o mal na França. Planejava matá-lo durante as festas de 14 de julho, aniversário da Queda da Bastilha, quatro anos antes. Quando a comemoração foi suspensa, foi até a casa de Marat e o matou.

    Em 1930, começa no Uruguai a primeira Copa do Mundo de futebol, com 13 países. Na final, em 30 de julho, no Estádio Centenário, a seleção do Uruguai, conhecida como Celeste Olímpica por ser bicampeã olímpica, venceu a Argentina por 4-2.

O Brasil perdeu por 2-1 para a Iugoslávia e ganhou de 4-0 da Bolívia, mas foi eliminado.

    Em 1943, termina em Kursk, no Oeste da Rússia, a maior batalha de tanques de história, travada entre a Alemanha nazista e a União Soviética na Segunda Guerra Mundial (1939-45)

Cerca de 6 mil tanques, 5 mil aviões e 2 milhões de soldados participaram da Batalha de Kursk, que repele a ofensiva nazista na URSS.

 A batalha começa em 5 de julho, quando 38 divisões alemãs, quase metade blindadas, atacam o Exército Vermelho. Desta vez, as forças soviéticas têm tanques melhores e mais cobertura aérea, e destroem 40% dos blindados nazistas.

O comandante militar alemão, marechal-de-campo Günther von Kluge, suspende o ataque e, em 23 de julho, os soviéticos forçam os alemães a voltar às posições anteriores. É o fim da ofensiva nazista na URSS. Em agosto, os alemães estão em retirada em toda a frente oriental. A contraofensiva do Exército Vermelho tomaria Berlim em 8 de maio de 1945, fim da guerra na Europa.

    Em 1960, a Convenção Nacional do Partido Democrata nomeia o senador John Kennedy como candidato à Casa Branca

Kennedy venceu o senador texano Lyndon Johnson, indicado no dia seguinte como candidato a vice-presidente dos Estados Unidos, e derrotaria o vice-presidente Richard Nixon, com quem travaria os primeiros debates presidenciais transmitidos pela televisão da história.

Kennedy seria o mais jovem presidente dos EUA e o primeiro católico; o segundo é Joe Biden. No seu breve governo (1961-63), houve a fracassada Invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, em abril de 1961 e a Crise dos Mísseis em Cuba, em outubro de 1962, quando o mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear entre os EUA e a URSS. Em agosto de 1961, a Alemanha Oriental começa a construir o Muro de Berlim.

O governo Kennedy decide enviar um homem à Lua e apoia o movimento pelos direitos civis dos negros, liderado pelo reverendo Martin Luther King Jr. Mas amplia o envolvimento de assessores militares americanos na Guerra do Vietnã (1955-75). Acaba tragicamente com a morte do presidente num atentado em Dallas, no Texas, em 22 de novembro de 1963.

    Em 1978, o presidente da companhia automobilística Ford, Henri Ford II, demite o diretor-geral Lee Iacocca depois de anos de tensão entre os dois.

Filho de imigrantes italianos, Iacocca nasce na Pensilvânia em 1924 e começa a trabalhar na Ford como engenheiro em 1946, mas logo passa ao setor de vendas e ascende à direção-geral depois de lançar o Mustang, um carro esportivo acessível que virou sucesso mundial.

Um ano depois de ser demitido pela Ford, Iacocca torna-se diretor da Chrysler, que recebe uma ajuda de US$ 1,5 bilhão do governo dos Estados Unidos para não falir, o que enfraqueceria a indústria automobilística americana, na época a maior do mundo.

Iacocca lidera a recuperação da Chrysler, que em 1984 lucra mais de US$ 2,4 bilhões. Era a década do Super-Japão, visto na época como um desafio à supremacia americana. Iacocca é uma das vozes mais eloquentes da indústria americana contra o protecionismo japonês.

    Em 2013, aparece pela primeira vez a frase "Vidas Negras Importam", que deu origem a um movimento antirracista nos Estados Unidos. Indignada com a absolvição na Flórida do vigilante George Zimmerman, que matara em 2012 o jovem Trayvon Martin, de 18 anos, Alicia Garza, residente na Califórnia, escreve no Facebook as palavras que se tornam o novo lema da luta contra o racismo.

Garza sofre de "uma tristeza profunda". Está mais revoltada ainda porque muitos culpam a vítima e não o flagelo do racismo. Um amigo, Patrice Cullors, líder comunitário em Los Angeles, respondeu com a hashtag #BlackLivesMatter (VidasNegrasImportam), que logo viralizou nas redes sociais.

Quando Michael Brown foi morto em Ferguson, no Missouri, em 2014, o movimento saiu às ruas. No início, a maioria dos americanos considerava o movimento radical, mas com o tempo sua ideia central foi aceita como uma defesa do direito à vida.

Depois do assassinato de George Floyd, em 25 de maio de 2020 o apoio subiu rapidamente em duas semanas nos EUA e o que se viu pelo mundo inteiro foram passeatas de negros, brancos e gente de todas as origens marchando junto contra o racismo e a violência policial contra minorias.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

A morte e a morte de Diego Maradona, monstro da história do futebol

 A Argentina, um país tão trágico, chora a morte de um de seus maiores ídolos populares, ao lado de Carlos Gardel, Juan Domingo Perón, Evita, Juan Manuel Fangio, Alfredo di Stefano e Ernesto Che Guevara. Diego Armando Maradona Franco foi um dos maiores craques da história do futebol, mas não foi melhor do que Pelé. 

Maradona foi um Garrincha, um jogador inesquecível para quem o viu, criativo, endiabrado e imarcável dentro de campo com problemas extracampo, no caso de Maradona com álcool e drogas. Dieguito e Mané foram anjos caídos, geniais e divinos com a bola nos pés, e tão frágeis e humanos na vida pessoal. Meu comentário:

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Catar amplia direitos de trabalhadores estrangeiros

Depois de muitas denúncias abusos, maus tratos e centenas de mortes nas obras para a Copa do Mundo de 2022, o emirado árabe do Catar anunciou hoje uma mudança na lei para permitir que trabalhadores estrangeiros possam sair do país sem autorização dos patrões, informou a hoje a televisão árabe Al Jazira, especializada em notícias.

Sob cerco diplomático da Arábia Saudita, do Egito e das outras monarquias petroleiras do Golfo Pérsico, o Catar tenta melhorar a imagem internacional para sair do isolamento e diversificar sua economia, reduzindo a dependência do petróleo e do gás natural.

O cerco foi uma iniciativa do príncipe herdeiro saudita, Mohamed ben Salman, que acusou o Catar de ser próximo do Irã, o arqui-inimigo da Arábia Saudita. Mas os Estados Unidos não apoiaram o boicote, permitindo que o Catar resistisse sem problemas. O príncipe pretende manter o embargo indefinidamente, como os EUA em relação a Cuba.

Com a neutralidade dos EUA, o Catar não cedeu. Ao mesmo tempo, procurou novos aliados, como a Turquia, a China e a Rússia. Isso pressiona os EUA a reforçar as relações com o Catar, a não ser que o emirado contrarie as posições de Washington, por exemplo, ampliando o apoio à Irmandade Muçulmana e ao Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza.

terça-feira, 12 de junho de 2018

RÚSSIA: uma potência esportiva manchada pelo doping

Somando o total de medalhas olímpicos ganhas pela Rússia e pela URSS, o país é o segundo maior vencedor tanto nos Jogos de Verão quanto nos de Inverno. Em 14 de suas 18 participações em olimpíadas, a URSS foi campeã. Mas o doping mancha suas vitórias.

Atletas, ginastas, halterofilistas, boxeadores, nadadores, atiradores, esquiadores, esgrimistas e patinadores soviéticos e russos sempre estiveram entre os melhores do mundo, assim como suas equipes de basquete, vôlei, handebol e hóquei no gelo, enquanto os times de futebol sempre foram temidos, mas tiveram comportamento irregular.
Grandes atletas viraram heróis nacionais, como o nadador Alexander Popov, nos anos 1990s, e o recordista mundial de salto em altura Valeri Brumel, nos anos 1960s. Outro exemplo é a supercampeã de salto com vara Yelena Issinbaieva, que cometeu uma gafe ao dizer que não existem homossexuais na Rússia, mas voltou atrás sob pressão dos patrocinadores.
Com um total de 14 medalhas individuais e quatro por equipe, sendo nove de ouro, a ginasta russa Larissa Latinina foi a maior medalhista olímpica por 48 anos, até ser superada pelo nadador americano Michael Phelps, que conquistou 22 medalhas, das quais 18 de ouro.
A seleção de hóquei foi campeã mundial em 2012.
De 7 a 23 de fevereiro, a Rússia sedia a 22ª Olimpíada de Inverno, em Sóchi, na região de Krasnodar. Os Jogos de Sóchi foram considerados os mais corruptos da História, com orçamento de US$ 50 bilhões e fartos negócios para amigos do Kremlin.

ESCÂNDALO DO DOPING

Desde a era soviética, quando o esporte era instrumento de propaganda, havia fortes suspeitas de uso de doping por atletas de países comunistas. Em 2014, a televisão alemã ARD revelou um vasto esquema estatal para encobrir a dopagem de atletas de elite, inclusive com troca de amostras usadas em exames para enganar as autoridades.
Vitaly Stepanov, da Agência Antidoping da Rússia, e sua mulher revelaram que os atletas davam 5% dos seus prêmios à Federação de Atletismo em troca da falsificação dos testes de controle antidoping.
Mais de mil esportistas russos foram beneficiados por esse esquema oficial de acobertamento do doping de 2011 a 2015. Vários foram proibidos de competir em suas modalidades esportivas. A Rússia teve devolver 41 medalhas olímpicas.
Na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, a Rússia tentou inscrever 389 atletas e 111 foram rejeitados. A Rússia foi banida da Olimpíada de Inverno de Pyeongchang, realizada em fevereiro de 2018 na Coreia do Sul. Alguns atletas russos competiram sob a bandeira do Comitê Olímpico Internacional (COI).

FUTEBOL

O futebol é o esporte mais popular na Rússia. A URSS foi a primeira campeã da Copa Europeia de Seleções, em 1960. Em 2008, a Rússia foi eliminada pela campeã Espanha na semifinal.
O grande herói do futebol soviético foi o goleiro Lev Yashin, a Aranha Negra, principal responsável pela medalha de ouro da equipe na Olimpíada de Melbourne, em 1956, titular nas Copas de 1958 e 1962.
A URSS participou da Copa do Mundo pela primeira vez em 1958, na Suécia, quando ficou em segundo lugar no grupo do Brasil depois de empatar em 2-2 com a Inglaterra, ganhar de 2-0 da Áustria e perder de 2-0 para o Brasil, com dois gols de Vavá, em Gotemburgo, diante de 50 mil torcedores, na partida que revelou Garrincha e Pelé para o mundo. Nas quartas de final, foi eliminada pela Suécia por 2-0.

MANÉ E PELÉ

Antes da partida, quando o técnico Vicente Feola explicava ao time brasileiro seu plano de jogo, Garrincha fez a famosa pergunta: “O senhor já combinou com os russos?”
Feola estava confiante. Sentado no hall do hotel com os veteranos Didi e Nilton Santos assistindo a um jogo da URSS, o técnico teria comentado: “Esses russos não jogam nada”. Didi reagiu prontamente: “Jogam sim. Está todo o mundo com medo. Se o senhor não escalar o Mané e o Pelé, vai ser muito difícil.”
Garrincha e Pelé acabaram com o jogo. O Brasil fez 1-0 aos 3 minutos depois de jogar duas bolas na trave. O placar só não foi maior por causa de Yashin. Kusnetsov, marcador de Garrincha, foi ao hotel no dia seguinte para conseguir pegar o Mané, descrito pela imprensa como “o melhor reserva do mundo”.
No Chile, em 1962, a URSS ganhou da Iugoslávia por 2-0, empatou em 4-4 com a Colômbia e derrotou o Uruguai por 2-1, classificando-se em primeiro lugar na primeira fase. Como em 1958, perdeu para os donos da casa nas quartas de final, desta vez por 2-1.

QUARTO LUGAR

O melhor desempenho soviético em Copas do Mundo viria em 1966, na Inglaterra, quando a URSS ficou em quarto lugar. Na primeira fase, ganhou da Coreia do Norte por 3-0, da Itália por 1-0 e do Chile por 2-1. Nas quartas de finais, bateu a Hungria por 2-1, caindo na semifinal para a Alemanha por 2-1 e na decisão do terceiro lugar para Portugal também por 2-1.
Em 1970, a URSS fez o jogo de abertura contra o anfitrião México, empatando em 0-0, ganhou da Bélgica por 4-1 e de El-Salvador por 2-0. Nas quartas de finais, foi eliminada pelo Uruguai na prorrogação com um gol irregular numa bola cruzada depois de ter saído meio metro pela linha de fundo.
A URSS não participou da Copa de 1974, na Alemanha. Negou-se a disputar uma partida eliminatória contra o Chile no Estádio Nacional de Santiago, que tinha sido usado como centro de detenção e tortura pela ditadura do general Augusto Pinochet logo após o golpe militar de 11 de setembro de 1973.

ÉDER SALVOU

Ao voltar à Copa do Mundo em 1982, no México, a URSS caiu mais uma vez no grupo do Brasil, que a derrotou no difícil jogo de estreia com gols de Sócrates e Éder. Depois de uma falha de Valdir Peres no gol russo, a vitória só veio a três minutos do final. 
Com vitória de 3-0 sobre a Nova Zelândia e empate em 2-2 com a Escócia, a URSS se classificou em segundo lugar. Na segunda fase, a disputa era num grupo de três. A URSS ganhou de 1-0 da Bélgica e empatou em 0-0 com a Polônia. Foi eliminada pelo saldo da Polônia que fez 3-0 na Bélgica.
A última grande seleção soviética a disputar uma Copa foi a de 1986, cuja base era o Dínamo de Kiev, da Ucrânia. Ganhou de 6-0 da Hungria, empatou em 1-1 com a França e venceu o Canadá por 2-0. Na segunda fase, foi eliminada pela surpreendente Bélgica por 4-3 na prorrogação depois de empate em 2-2 no tempo normal.
Na Itália, em 1990, a URSS perdeu por 2-0 para a Romênia e para a Argentina. Ganhou de 4-0 de Camarões, mas foi eliminada na primeira fase.

RÚSSIA EM CAMPO

A Rússia participou pela primeira vez de uma Copa nos EUA em 1994, caindo no grupo do Brasil na primeira fase, quando perdeu de 2-0 para o Brasil, gols de Romário e Raí, e de 3-1 para a Suécia, sendo eliminada apesar de fazer 6-1 em Camarões.
A próxima participação russa foi em 2002. Ganhou de 2-0 da Tunísia na estreia, mas foi eliminada com derrotas por 1-0 para o Japão e 3-2 para a Bélgica.
A Rússia se classificou para a Copa de 2014 como primeira colocadano grupo onde também estavam Portugal, Israel, Irlanda do Norte, Azerbaijão e Luxemburgo com sete vitórias, um empate e duas derrotas, para Portugal e Irlanda do Norte.
No Brasil, empatou com a Coreia do Sul e a Argélia em 1-1 e perdeu de 1-0 para a Bélgica, sendo eliminada na primeira fase.
Sem disputar eliminatórias, chega à Copa de 2018 como grande zebra, onde vai enfrentar a Arábia Saudita na abertura do Mundial, em 14 de junho, e depois o Egito e o Uruguai.
O CSKA de Moscou e o Zenit de São Petersburgo ganharam a Copa da UEFA em 2005 e 2008.

CONFRONTOS DIRETOS

O Brasil jogou 7 vezes com a URSS. Ganhou 5, empatou 1 e perdeu 1 partida, por 2-1, no Maracanã em 15 de junho de 1980, com gol de Nunes. Marcou 13 gols e sofreu 5. Contra a Rússia, jogou 5 vezes, ganhou 3 e empatou 2, fez 11 gols e levou 4.
Em 21 de novembro de 1965, diante do senador americano Bob Kennedy, Brasil e URSS empataram em 2-2 no Maracanã. O Brasil fez 2-0 com gols de Gérson e Pelé, mas o goleiro Manga bateu um tiro de meta na cabeça do centroavante Anatoli Banishevski e o craque soviético Slava Metreveli empatou aos 40 min do segundo tempo.
No último confronto, sem Neymar, em 23 de março de 2018, o Brasil venceu a Rússia por 3-0 no estádio da final da Copa, em Moscou, com gols de Miranda, Philippe Coutinho e Paulinho.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Blatter renuncia à Presidência da FIFA

Em declaração feita há pouco em Zurique, na Suíça, em meio ao maior escândalo de corrupção da história do futebol, o presidente da Federação Internacional de Futebol Associativo (FIFA), Joseph Blatter, acabar de anunciar sua renúncia. Um congresso extraordinário deve eleger um novo presidente.

Neste momento o presidente da comissão que fez uma auditoria na FIFA, o italiano Domenico Scala, atribuiu a corrupção à "estrutura do comitê executivo" e acrescentou que "isto tem de mudar". A expectativa é que um novo presidente seja eleito entre dezembro de 2015 e março de 2016.

Entre as propostas de mudança, estará a limitação do número de mandatos que um presidente poderá cumprir. Blatter estava no cargo desde 1998, quando substituiu o brasileiro João Havelange, do qual era secretário-geral. Fica na presidência até a eleição do sucessor.

O escândalo estourou com a prisão na quarta-feira passada no hotel mais luxuoso de Zurique, a mais rica cidade da Suíça, de sete dirigentes da FIFA, inclusive do ex-presidente da CBF José Maria Marin. No mesmo dia, em Washington, a ministra da Justiça dos Estados Unidos, Loretta Lynch, manifestou a "determinação de acabar com a corrupção no futebol mundial".

Todos devem ser extraditados para os EUA, onde foram denunciados por corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo bancos e empresas americanas. Os crimes estão relacionados à compra de votos para escolha de países-sedes de Copas do Mundo e propinas pagas em negociações de direitos de transmissão de eventos.

Dois dias depois, apesar da pressão da UEFA (União Europeia de Futebol Associativo) para renunciar, Blatter foi reeleito para um quinto mandato e tentou se desvincular de quaisquer irregularidades cometidas pelos dirigentes presos. O presidente da FIFA chegou a dizer que não tinha como "monitorar as atividades de todos".

Pairava no ar uma ameaça de que a UEFA pudesse romper com a FIFA, boicotar a próxima Copa do Mundo e passar a organizar suas competições independentemente. Uma carta ligando o secretário-geral da entidade, Jérôme Walcke, a uma propina de US$ 10 milhões (R$ 32 milhões) paga a um dirigente da região do Mar do Caribe para votar a favor da realização da Copa de 2010 na África do Sul levou a crise diretamente à diretoria presidida por Blatter.

Aqui no Brasil, a Polícia Federal e o Ministério Público abriram inquéritos. Ontem, foi revelado que a PF indiciou o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, que teria movimentado R$ 464 milhões em contas bancárias pessoais quando presidia o comitê organizador local da Copa de 2014. O senador Romário conseguiu as assinaturas necessárias para instaurar uma comissão parlamentar de inquérito sobre a corrupção no futebol brasileiro.

Um dos casos em exame pela Justiça dos EUA é o contrato de patrocínio assinado em 1996 entre a empresa transnacional americana Nike e a CBF, pelo qual Teixeira teria recebido uma propina de US$ 15 milhões.

Internacionalmente é provável que as decisões de organizar a Copa de 2018 na Rússia e de 2022 no Catar sejam questionadas.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Ministra da Justiça dos EUA promete acabar com corrupção no futebol mundial

Depois da prisão de sete dirigentes da FIFA (Federação Internacional de Futebol Associativo) no melhor hotel de Zurique, uma das mais caras e sofisticadas cidades do mundo, a ministra da Justiça e procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, prometeu "acabar com a corrupção no futebol mundial". Entre os presos, está o ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), José Maria Marin. O escândalo é de meio bilhão de reais.

"Durante duas décadas, estas pessoas usaram suas posições de dirigentes de organizações para desviar centenas de milhões de dólares em contratos de venda de direitos de transmissão de eventos com empresas de marketing esportivo para enriquecer pessoalmente. Fizeram isso várias e várias vezes, ano após ano, torneio após torneio", acusou Loretta Lynch.

Para o chefe da investigação da Receita Federal dos EUA, "esta é a Copa do Mundo da fraude e hoje demos um cartão vermelho para a Fifa". A pedido dos americanos, que investigam a corrupção no futebol mundial desde 1991, há três meses as autoridades da Suíça abriram inquérito para ver se os bancos do país lavaram dinheiro sujo de propinas recebidas para comprar votos nas eleições decidir quem vai organizar a Copa.

Entre os eventos investigados, estão a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, e as escolhas da Rússia para sediar a Copa de 2018 e do Catar para 2022. Em Moscou, o arquicorrupto governo Vladimir Putin protestou, alegando que os EUA tentam aplicar suas leis fora do território americano.

A União Europeia de Futebol Associativo (UEFA) pediu o adiamento da eleição para presidente da FIFA, marcada para daqui a dois dias. O atual presidente, Sepp Blatter, no cargo desde 1998, quando substituiu o brasileiro João Havelange, é o favorito. Votam as federações acumpliciadas com a cúpula mafiosa do futebol internacional.

Em nota, Blatter declarou que "é um momento difícil para o futebol" e prometeu colaborar com a investigação. É um grande momento para o futebol, que dentro de campo vai muito bem. É um mau momento para os dirigentes corruptos e ladrões.

Marin foi vice-governador do notório Paulo Maluf e governador biônico de São Paulo (1982-83) durante a ditadura militar. Antes, como deputado estadual, fez o discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo denunciando uma suposta infiltração comunista na TV Cultura que levou à prisão, tortura e morte do diretor de jornalismo, Vladimir Herzog, em 25 de outubro de 1975.

O ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, que fugiu para Boca Ratón, na Flórida, não foi citado, mas também estaria sendo investigado.

A presidente Dilma Rousseff, que sempre expressou descontentamento com dirigentes esportivos sinistros como Marin, prometeu a total colaboração do Brasil com as autoridades da Suíça e dos EUA. É uma chance inédita de reformar radicalmente o futebol brasileiro e evitar novos 7-1.

domingo, 24 de agosto de 2014

Brasil despreza patrimônio histórico e artístico

Só dará para acreditar nas promessas dos candidatos de dar prioridade à educação quando os políticos eleitos passarem a preservar o patrimônio histórico e artístico nacional, nossa identidade e história. Lugares que deveriam estar cheios de crianças e jovens estudando nossas origens são mais um exemplo do complexo de vira-latas que assola o Brasil.

Enquanto foram construídos estádios faraônicos e aeroportos suntuosos para a Copa do Mundo, as igrejas e mosteiros barrocos de Salvador, Olinda e Recife estão em péssimo estado, e os fortes que um dia defenderam a integridade territorial da América Portuguesa estão em ruínas.

A Catedral e as igrejas de São Francisco e da Ordem Terceira de São Francisco, em Salvador, na Bahia; a Capelo Dourada da Ordem Terceira de São Francisco e os Conventos de Santo Antônio e do Carmo, no Recife; e as igrejas de São Francisco e São Bento, em Olinda, Pernambuco; para lembrar apenas algumas das maiores joias do patrimônio histórico, arquitetônico e artístico nacional, dão pena.

A imponente Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo ou Igreja do Passo, cuja escadaria foi o principal cenário de O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, único filme brasileiro a ganhar a Palma da Ouro em Cannes, está fechada desde 1998, quando o teto, corroído por cupins, desabou.

Dos cerca de 900 fortes construídos ao longo da costa para defender o Império Português na América, mais de ainda existem, a maioria em péssimas condições.

No Nordeste, os fortes de Santa Maria, no Porto da Barra, em Salvador, na Bahia; Orange, em Itamaracá, Pernambuco; de Santa Catarina, em Cabedelo, na Paraíba, de onde Maurício de Nassau embarcou de volta para a Europa depois de governar o Brasil Holandês no seu período de maior glórica (1637-44); e dos Reis Magos, marco da fundação de Natal, estão em ruínas.

Na entrada do Forte Orange, um funcionário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) dá uma tirinha de papel com o endereço na Internet, deixando claro que não há informações disponíveis no local.

Em Cabedelo, o local é aberto. Um guia caça-turistas oferece algumas explicações, mas o ambiente é desolador. Restam alguns canhões jogados, mas a grama avança.

Na entrada do Forte dos Reis Magos, está o primeiro marco da coroa portuguesa reivindicando soberania sobre o Brasil. Uma guia conta a história do cerco da guarnição portuguesa durante a Segunda Invasão Holandesa (1630-54) para um grupo de crianças de escolas públicas de Natal mais interessadas em tirar fotos com celulares.

Alguns abnegados se esforçam para manter a história viva. Na entrada, há uma mesa e cadeiras de plásticos onde três mulheres se acomodam entre pedras e grama. Ao lado, há uma mesa com vários livros interessantes sobre o patrimônio arquitetônico de diferentes regiões do Brasil. Mas, lá dentro, o panorama é desolador.

Há uma moto estacionado dentro de uma das salas. Elas estão identificadas como prisões para oficiais ou soldados, salas de reuniões do estado-maior, do comando, mas uma prisão virou banheiro. O descaso é total.

Quem já cruzou a fronteira sul, com o Uruguai, e esteve nos fortes de São Miguel e Santa Teresa, a poucos quilômetros ddo Chuí, vai encontrar armas, bandeiras, escudos e insígnias. O cenário está pronto. Se entrar um grupo de atores, a história do país pode ser reencenada aos visitantes. Dá para usar como sala de aula, cenário de filmes.

Na Inglaterra, é comum a contratação de atores para dar vida a prédios, monumentos e cidades históricas. No Castelo de Leeds, em Maidstone, Kent, além do fosso e dos animais para alimentar os moradores, aias falam da rainha e seus caprichos como se Ana Bolena fosse aparecer na sala ao lado.

Um ator encarnando Robin Hood circula regularmente pelas ruas de Nottingham, recontando a história do herói que roubava dos ricos para dar aos pobres, uma lenda provavelmente inspirada num dos nobres que se revoltou contra João Sem Terra e entrou na clandestinidade.

No Brasil, onde as empresas da construção civil ganhou tanto dinheiro e fazem tantas contribuições lícitas e ilícitas para as campanhas eleitorais, poderiam cuidar do patrimônio histórico e artístico nacional para que os estudantes possam entender como e por que o Brasil deu no que deu.

Com a inflação da Copa do Mundo e a insegurança nas capitais brasileiras, talvez seja mais barato e prudente viajar a Portugal para conhecer o lado que não estudamos da História do Brasil. Ou então ir para Aruba, Curaçao e Nova York, para onde foram holandeses e judeus depois da vitória da Insurreição Pernambucana, em 1654, quando o Recife era mais rico e próspero do que Nova Amsterdã, a futura Nova York.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Derrota humilhante traz de volta complexo de vira-lata

Como não sentir o complexo de vira-lata depois de levar 7-1 da Alemanha, que nem vinha jogando tão bem assim, fez jogo duro com Gana, EUA, Argélia e França, na semifinal da Copa organizada no Brasil para o país ser hexacampeão? 

A seleção revelou problemas corriqueiros da sociedade brasileira: arrogância, incompetência, amadorismo, autossuficiência, falta de planejamento e má gestão. Não é uma questão de "não amar o Brasil". É não se conformar com a burrice, a ignorância, o atraso e o subdesenvolvimento crônico que o país não consegue vencer.

Uma derrota por até três gols de diferença seria aceitável. Faz parte do jogo. É da vida. Seis, na campanha do hexa, foi demais. O Brasil tem de olhar para o resto do mundo, aprender com os próprios erros, e os erros e acertos dos outros. Onde foi a soberba do "estamos com a mão na taça"? Parafraseando o inimitável, insubstituível e inesquecível Mané Garrincha, esqueceram de combinar com os alemães.

Não dá para achar normal o país pentacampeão levar 7-1 em casa numa semifinal de Copa do Mundo no Brasil. É muita vira-latice. É hora de ser humilde, analisar os erros e trabalhar muito para dar a volta por cima.

A culpa não é só do Felipão, embora ele seja responsável pela convocação, a escalação e a tática suicida de jogar contra a Alemanha com apenas três no meio-campo. Deveria ter pedido demissão imediatamente. Toda a estrutura do futebol brasileiro precisa ser modernizada. Onde está a pressão da imprensa para derrubar José Maria Marin e Marco Polo del Nero da presidência da CBF? 

A sociedade brasileira como um todo tem muito a aprender com os erros da seleção.

O Brasil não foi competitivo em campo como não tem sido na economia. O crescimento previsto para este ano é de 1%. A inflação estourou o limite superior da meta, passou de 6,5%, talvez por efeito da Copa. A produção de automóveis deve cair 10% em 2014. É a desindustrialização em marcha. 

As questões centrais do atraso não estão sendo atacadas. A revolução educacional para vencer o subdesenvolvimento é muito citada como necessária nos setores público e privado. Na prática, somos regularmente derrotados e humilhados nas olimpíadas de educação. 

Os salários e as condições dos professores estão anos-luz atrás de uma vida digna dedicada à cultura e ao saber. As empresas não investem em educação. O conhecimento acadêmico não tem valor. Há livros didáticos com doutrinação ideológica a ponto de louvar Maximiliano Robespierre e o período do terror na Revolução Francesa.

Quando se fala em combate à corrupção, a desculpa é que em todo lugar é assim. É, mas o ex-presidente da França François Sarkozy foi detido para interrogatório e está sendo processado por escuta clandestina e obstrução de justiça. Na Alemanha, o presidente do Bayern de Munique foi condenado à prisão por fraude fiscal. O ex-prefeito de Nova Orleans, nos Estados Unidos, Ray Nagin foi condenado nesta semana a 10 anos por receber centenas de milhares de dólares de propina nas obras de reconstrução da cidade depois do furacão Katrina.

Aqui, o julgamento do Mensalão foi, como observou um ministro do Supremo Tribunal Federal, "um ponto fora da curva", uma exceção à regra. Não conseguimos prender nem os políticos que não podem sair do país porque há mandados internacionais de prisão contra eles. Não é o caso de se sentir como um vira-lata?

domingo, 29 de junho de 2014

Itália: do Império Romano a país moderno mas em crise

A Itália é uma península de 301 mil quilômetros quadrados em forma de uma bota que entra pelo Mar Mediterrâneo. Na parte de cima, fica a Cordilheira dos Alpes, a mais alta da Europa,

Ao sul dos Alpes, há uma região de lagos e montanhas que se estende pelo vale do Rio Pó e pela região do Piemonte.

Dos Alpes centrais, descendo ao longo da peninsula, há os Montes Apeninos, que se alargam perto de Roma. Ao sul da capital, os Apeninos encolhem e são ladeados por duas planícies costeiras, uma voltada para o Mar Adriático e outra para o Mar Tirreno.

Parte dos Apeninos abriga floresta e uma grande variedade de espécies silvestres como lobos, javalis e ursos. O sul da cadeia de montanhas é geologicamente instável. Está sujeito a terremotos e vulcões como o Vesúvio.

No Mar Mediterrâneo, ficam as ilhas da Sicília ao sul e da Sardenha a oeste, que também fazem parte da Itália.

NOME
Inicialmente o nome Itália designava apenas o Sul. Durante o reinado de Otávio César Augusto (30 AC-14 DC), o primeiro imperador romano, o nome Itália passou a ser usado para designar toda a península, até os Alpes.

Na Idade Antiga ou Antiguidade, foi berço do Império Romano, que difundiu a cultura e a língua latinas pelo mundo. Desde o início da era cristã, é a sede da Igreja Católica Apostólica Romana, que desde 1929 tem seu próprio país, o Vaticano, um enclave de 45 quilômetros quadrados na capital italiana.

Depois da Idade Média, as poderosas cidades-estado italianas foram berço do Renascimento artístico e cultural, do resgate dos valores da antiguidade clássica grego-romana.

A Itália é reunificada em 1861, depois da luta do republicano Giuseppe Garibaldi, que participou da Revolução Farroupilha, no Brasil.

Derrotada na Segunda Guerra Mundial, a Itália renasceu, foi fundadora da Comunidade Econômica Europeia, criada pelo Tratado de Roma em 1957, e se tornou uma das maiores economias do mundo, conhecida entre outras coisas pela excelência de seu design.

No momento, depois de uma década de estagnação desde a adoção do euro como moeda, a Itália foi um dos países atingidos pela crise das dívidas públicas da Zona do Euro e só em 2014 saiu da recessão.

POPULAÇÃO
Com pouco mais de 60 milhões de habitantes, sendo 67% em cidades e 33% no campo, a Itália tem a 23ª maior população do mundo e a quinta maior da Europa. Cerca de 98% são italianos e 80% católicos.

PRÉ-HISTÓRIA
As pesquisas arqueológicas registram a presença do Homem de Neandertal na península italiana no período paleolítico, há 200 mil anos. O homem moderno chegou 40 mil anos atrás.

Os primitivos habitantes de origem indo-europeia incluem úmbrios, latinos, os celtas e ligúrios. Entre os não indo-europeus, etruscos, elimianos e sicanos.

HISTÓRIA
Do século 17 ao século 11 antes de Cristo, os gregos da cidade de Micenas entraram em contato. Nos séculos 8 e 7 AC, os gregos instalaram colônias na Sardenha e na Sicília.

A primeira civilização a florescer na Itália foi a etrusca. Quando Roma foi fundada, em 753 AC, a Etrúria tinha várias cidades bem estabelecidas na região entre os rios Arno e Tibre a oeste e a sul dos Apeninos.

A lenda conta que Roma foi fundada por dois irmãos gêmeos, Rômulo e Remo, numa região dominada por sete colinas: Aventino, Palatino, Esquilino, Quirinal, Vimial, Capitólio e Célio. Eles seriam filhos abandonados de uma mulher com o deus Marte.

LOBA
Em sua irrreverente História de Roma, o jornalista Indro Montanelli afirmou que eles teriam sido criados por uma prostituta chamada Acca Larentia e conhecida como Loba. Daí teria surgido a história da loba romana.

Na lenda, cada um traçou as fronteiras da futura cidade de seu lado. Os irmãos se desentenderam e Rômulo matou Remo. Roma nasceu com sangue.

No período da Realeza, Roma teve sete reis: Rômulo, Numa Pompílio, Túlio Hostílio, Anco Márcio, Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio e Tarquínio, o Soberbo. A dinastia real dos Tarquínios, a última a governar Roma antes da proclamação da República, em 509 AC, era etrusca.

REVOLTAS DA PLEBE
No início do período republicano, Roma foi abalada pelas Revoltas da Plebe (494-287 AC). Os plebeus eram trabalhadores livres. Não estavam atrelados ao Estado nem aos grandes proprietários de terras, os nobres ou patrícios.

Em 494 AC, os plebeus aproveitaram uma ameaça de invasão estrangeira para sair da cidade e se refugiar no Monte Sagrado. O Senado cedeu e criou os “tribunos da plebe”, com poder para vetar qualquer lei que afetasse os plebeus.

Como na época o Direito Romano tinha uma tradição de leis orais manipuladas de acordo com os interesses dos patrícios, uma nova revolta popular exigiu a introdução de leis escritas. Em 450 AC, surgem as Leis das Doze Tábuas.

Cinco anos depois, outra revolta exige o fim da proibição de casamentos entre patrícios e plebeus. Com a Lei da Caluneia, os plebeus ascenderam socialmente e ampliaram sua participação política.

A concorrência de latifúndios levava à falência inúmeros pequenos agricultores, que se endividavam e acabavam escravizados. Em 367 AC, a Lei Licínia Sextia proibia a escravidão por dívida, restabelecia o consulado e garantia o acesso dos plebeus a outras magistraturas e cargos públicos.

O cônsul era o mais alto funcionário eleito da República Romana. Pela nova lei, um dos dois cônsules eleitos a cada ano deveria ser plebeu.

Na última grande revolta da plebe, em 287 AC, os plebeus conseguiram que as leis aprovadas pelos tribunos da plebe fossem aplicadas em todos os domínios romanos.

No século 3 AC, os romanos suplantaram os etruscos e dominaram a maior parte do que hoje é a Itália, numa preparação para construir seu grande império.

VITÓRIA DE PIRRO
Uma guerra contra a cidade grega de Tarento levou os gregos a pedir ajuda a Pirro, rei de Épiro, um dos mais brilhantes generais da época. Piro desembarcou no sul da Península Italiana em 280 AC com 25 mil homens e 20 elefantes.

Pirro derrotou os romanos em Herácleia e Ásculo, mas perdeu 7,5 mil homens nessas duas batalhas e comentou: “Mais uma vitória dessas e estaremos arrasados”.

Dessa visão profética nasceu a expressão “vitória de Pirro”, a vitória que mais parece uma derrota. Em 275 AC, Pirro foi vencido em Malevento, que os romanos rebatizaram como Benevento.

A conquista da Itália fortaleceu o militarismo dos romanos e os obrigou a desenvolver instituições legais, militares e políticas para conquistar e integrar outros povos. As colônias tinham uma série de obrigações, inclusive lutar ao lado de Roma nas guerras imperiais.

GUERRAS PÚNICAS
Nas Guerras Púnicas, de 264 a 146 AC, Roma derrotou Cartago e seu grande general, Aníbal Barca, para se tornar a potência dominante no Mar Mediterrâneo. Aníbal atravessou os Alpes e usou elefantes para tentar surpreender os romanos na Segunda Guerra Púnica (218-201 AC).

De acordo com o censo de 225 AC, Roma tinha 700 mil soldados de infantaria e 70 mil de cavalaria.

REFORMA AGRÁRIA
Depois das Guerras Púnicas e de uma revolta de escravos na Sicília, os irmãos Tibério e Caio Graco tentaram promover uma reforma agrária em Roma para redistribuir as terras dos patrícios entre a plebe, a partir de 133 AC.

Os irmãos Graco eram netos de Públio Cornélio Cipião, o Africano, um dos herói da luta contra Cartago. Diante dos apelos de Tibério Graco à mobilização popular, os senadores bloquearam sua reeleição e organizaram uma força que marchou até o Fórum Romano e espancou Tibério e 300 seguidores até a morte. Foi o incidente político mais violento em Roma em 400 anos.

Dez anos depois, em 123 AC, Caio Graco retomou os esforços do irmão, mas perdeu apoio popular ao propor a extensão dos direitos a quem não fosse cidadão romano. O consul Lúcio Opímio decidiu então esmagar à força o movimento pela reforma agrária. Caio Graco e cerca de 3 mil seguidores morreram na luta, em 121 AC ou foram executados sumariamente.

GUERRAS E CONFLITOS SOCIAIS
Depois de uma série de guerras civis, da chamada Guerra Social (91-89 AC) contra outros povos italianos que exigiam a cidadania romana e perderam, e da revolta dos escravos liderados por Espártaco (73-71 AC), Cneo Pompeu conquistou a Síria, Públio Clódio anexou o Chipre, levando seu rei ao suicídio, e Caio Júlio César tomou a Gália (parte do que hoje é a França) numa série de guerras descritas pela Enciclopédia Britânica como genocidas (58-50 AC).

REVOLTA DOS ESCRAVOS
A revolta dos escravos está em Spartacus, um dos primeiros filmes de Stanley Kubrik, com Kirk Douglas no papel principal como o gladiador da Trácia que liderou a única ameaça direta a Roma antes das invasões bárbaras.

GUERRA DA GÁLIA
O próprio Júlio César escreveu um livro sobre a Guerra da Gália considerado hoje uma das grandes reportagens da História, incluída na coletânea The Faber Book of Reporting. Durante a campanha da Gália, César invadiu a Britânia, em 55 e 54 AC, mas não a conquistou, o que só aconteceria 97 anos depois, no reino do imperador Cláudio. Os romanos invadiram a ilha e fundaram Londres em 43 DC, e dominaram a cidade até 410.

A Guerra da Gália inspirou a história em quadrinhos Asterix, o Gaulês, que se insere, como alegoria, no contexto do conflito cultural da França contra o imperalismo econômico dos EUA.

PRIMEIRO TRIUNVIRATO
Em 59 AC, o poder é entregue ao primeiro triunvirato, formado por César, Pompeu e Marco Licínio Crasso, considerado um dos homens mais ricos do mundo na época. Com a morte de Crasso pelos partas na Batalha de Carras, em 53 AC, Pompeu e César se tornam inimigos.

No fim da Guerra da Gália, o Senado ordenou que César depusesse as armas e voltasse para Roma. O general, considerado um dos melhores da História, rejeitou a ordem.

Ao cruzar o Rubicão e invadir o território romano, César disse uma de suas frases mais famosas: “A sorte está lançada”. Começou uma guerra civil vencida por César depois de quatro anos, com batalhas na Itália, Albânia, Egito, África e Espanha.

MORTE DE CÉSAR
Em 45 AC, César se torna “ditador perpétuo”. Mas não dura muito. É esfaqueado e morto na entrada do Senado em 15 de março de 44 AC. O assassinato está contado numa peça de William Shakespeare transformada em filme em 1953 com brilhante atuação de Marlon Brando no papel de Marco Antônio, que fez um discurso em homenagem a César.

Depois da morte de César, Marco Antônio expulsou seus assassinos Caio Cássio Longino e Marco Bruto, que fugiram para a Grécia, e tomou o poder, ignorando que César tinha nomeado seu sobrinho Otávio como sucessor. Otávio volta a Roma e reivindica o cargo.

SEGUNDO TRIUNVIRATO
Para resolver o impasse, em 43 AC, é criado o segundo triunvirato, formado por Marco Antônio, Otávio César e Marco Lépido, que dura 10 anos. Com a disputa de poder entre os três, Lépido foge para o exílio e Otávio e Marco Antônio entram em guerra.

CLEÓPATRA
Em 2 de setembro de 31 AC, na Batalha de Ácio, Otávio derrota as forças conjuntas de Marco Antônio e Cléopatra, a rainha do Egito, e os persegue. Depois de nova derrota na Batalha de Alexandria, os dois se suicidam. Cleópatra foi a última rainha do Egito Antigo, que passou a ser uma província romana.

Essa história está no filme Cleópatra (1963), com Elizabeth Taylor como Cleópatra, Richard Burton como Marco Antônio e Rex Harrison como Júlio César.

Quando César chegou ao Egito, no inverno de 49-48 AC, Cleópatra marcou um encontro e prometeu lhe mandar um presente, conta o historiador romano Plutarco em As Vidas dos Doze Césares. Dentro de um tapete enrolado, estava a própria rainha do Egito.

IMPÉRIO
Em 16 de janeiro de 27 AC, Otávio recebe do Senado o título de Augusto e se torna o primeiro imperador romano, que governa até a morte, em 14 DC. Jesus Cristo nasceu em seu reinado.

CRISTIANISMO
Talvez por ter surgido numa pequena província de um vasto império, inicialmente o cristianismo não tinha um projeto de poder, em contraste com o islamismo, que apareceu numa Arábia em anarquia no século 7 DC.

A perseguição aos cristãos no Império Romano está contada em filmes como Barrabás, com Anthony Quinn e Ben-Hur, com Charlton Heston.

INCÊNDIO
Em 18 de julho de 64 DC, o imperador Nero mandou incendiar Roma, acusou os cristãos e iniciou a perseguição religiosa. Do alto de seu palácio no Monte Palatino, uma das sete colinas de Roma, ele ficou apreciando o incêndio e tangendo a lira, seu instrumento musical favorito.

APOGEU
O Império Romano atingiu sua expansão máxima sob o imperador Marco Trajano (98-117), que foi declarado pelo Senado como o melhor imperador. Suas possessões iam da Península Ibérica e da fronteira entre Inglaterra e Escócia, onde seu sucessor construiu a Muralha de Adriano, até a Índia.

DECADÊNCIA
A decadência começa com a ascensão do imperador Cômodo, em 180, afirmou o historiador britânico Edward Gibbon, autor do clássico Ascensão e Queda do Império Romano.

Em 235, o assassinato do imperador Alexandre Severo por seus próprios soldados inicia a chamada Crise do Terceiro Século (235-284), quando o Império Romano esteve sob ameaça de invasão, guerra civil, peste e depressão econômica.

Em 284, sobe ao trono do imperador Diocleciano, que fica no poder até 305 e nomeia um coimperador. Em 303, ele iniciou uma grande perseguição contra os cristãos. Não adiantou.

TOLERÂNCIA RELIGIOSA
Em 13 de junho de 313, pelo Édito de Milão, o imperador Constantino garantiu a tolerância religiosa e a liberdade de culto. Os direitos dos cristãos foram reconhecidos e suas propriedades devolvidas.

Em 376, os godos, fugindo dos hunos, cruzam o Rio Danúbio e invadem o Império Romano do Ocidente.

DIVISÃO
A divisão iniciada por Diocleciano foi confirmada oficialmente por Teodósio. Ao morrer, em 395, ele dividiu o Império Romano em Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, e Império Romano do Oriente, com sede em Contanstinopla, cidade reconstruída por Constantino.

Sob pressão das invasões bárbaras (era bárbaro quem não sabia ler e escrever) dos hunos, ostrogodos, vândalos, visigodos e de outros povos, o Império Romano do Ocidente chega ao fim.

QUEDA
Em 410, Alarico, rei dos visigodos, saqueia Roma. Em 455, os vândalos invadem a cidade. Em 4 de setembro de 476, Odoacro depôs o último imperador, Rômulo Augústulo, na cidade de Ravena. Era o fim. Em 480, o imperador Zeno, do Império Romano do Oriente, extingiu o Império Romano do Ocidente.

Por mais 10 séculos, durante a Idade Média, o Império Bizantino preservaria a herança cultural romana e Constantinopla seria a cidade mais linda da Europa.

Odoacro durou pouco. Em 493, Teodorico, rei dos Ostrogodos, tomou Roma e povoou a Itália com 100 a 200 mil homens de sua tribo germânica.

Em 568, outra tribo germânica, os lombardos, invade a Itália e domina a região por dois séculos, até 774, quando o franco Carlos Magno a conquista.

PAPADO
Com o fim do império, os papas tiveram de se defender por si mesmos. Isso aumentou o poder secular da Igreja. Um exemplo foi o papa Gregório I (590-604). Em 653, Martin I foi preso por discordar do imperador bizantino.

SACRO IMPÉRIO
Carlos Magno, neto de Carlos Martel, que parara a invasão árabe à Europa em Poitiers, na França, em 711, foi coroado em 800 pelo papa Leão III como imperador do Sacro Império Romano-Germânico, criado sob pressão da Igreja para reduzir o poder do Império Bizantino. Leão III veria Carlos Magno intervir muito mais nos negócios da Igreja.

CISMA
Em 1054, com o Cisma da Igreja, a Cristandade se divide entre a Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Cristã Ortodoxa, com sede em Bizâncio.

Nos séculos 12 e 13, antes da consolidação dos estados nacionais, a Europa se organiza em cidades-estados poderosas. Na Península Italiana, Milão, Pisa, Gênova e Florença são polos importantes, assim como os Estados Pontifícios.

RENASCIMENTO
Nos séculos 13 a 17, as cidades italianas são o centro do Renascimento artístico e cultural, um dos marcos do início da Idade Moderna, que começa com a tomada de Constantinopla pelo Império Otomano (turco) e a queda do Império Romano do Oriente, em 29 de maio de 1453.

No século 13, em Florença, os escritores Dante Alighieri, autor de A Divina Comédia, considerada a obra-prima da literatura italiana, e Francesco Petrarca, e o pintor Giotto, são pioneiros do Renascimento. O termo foi usado pela primeira vez pelo historiador francês Jules Michelet no século 18 para dar o sentido de uma ruptura com o mundo medieval e o início de uma reflexão humanista sobre o lugar do homem no mundo.

Nas artes, destacaram-se Leonardo da Vinci, um gênio de múltiplos que também era cientista; Michelangelo Buonarroti, considerado o maior escultor de todos os tempos; e os pintores Sandro Boticelli, Donatello, Tintoretto e Ticiano, entre outros.

INVASÕES
Em 1494, o rei Carlos VIII, da França, conquista parte da Itália, deflagrando uma onda de invasões. Partes da península são dominadas por austríacos, espanhóis e franceses até a unificação da Itália no século 19.

Na Sicília, a ocupação estrangeira levou ao surgimento da máfia, uma organização criminosa baseada em laços familiares que domina a zona rural.

REFORMA
Em 1517, o monge alemão Martinho Lutero prega suas 95 teses na porta da Igreja de Todos os Santos em Wittenberg, então parte do Sacro Império Romano-Germânico, hoje na Alemanha, denunciando a corrupção no sejo da Igreja de Roma.

Lutero reagiu à visita de um enviado do papa Leão X para vender relíquias e indulgências. Numa época em que os papas tinham amantes e filhos, como Alexandre VI e Lucrécia Bórgia, a Reforma da Igreja cria as religiões protestantes, diminuindo o poder dos papas e tomando terras da Igreja Católica.

CIÊNCIA
Quando o polonês Nicolau Copérnico descobriu as leis da mecânica celeste e que a Terra não era o centro do universo, mas girava em torno do Sol, o italiano Galileu Galilei foi condenado em 1633 à prisão perpétua, comutada depois para prisão domiciliary por dizer que aTerra orbitava ao redor do Sol.

Em 1815, com a derrota final de Napoleão Bonaparte, o Congresso de Viena divide a Itália. Os Habsburgo austríacos ficam com a Lombardia e Veneza, a dinastia de Savoia com a Ligúria, os Bourbon com Nápoles, Parma e a Sicília, e o papado com os Estados Pontifícios.

INDEPENDÊNCIA
No início do século 19, começa o Risorgimento, um movimento nacionalista liberal para libertar e unificar a Itália.

A primeira fase da luta é marcada por revoltas a atos terroristas organizados por sociedades secretas como os Carbonários. Termina com a derrota dos republicanos em 1848.

Na segunda fase, com o apoio da França, os monarquistas de Piemonte sob o comando de Camilo di Cavour derrotaram os austríacos no Norte da Itália. No Sul, Giuseppe Garibaldi, que lutara no Brasil na Revolução Farroupilha (1835-45), conseguiu expulsar os Bourbon de Nápoles e da Sicília.

UNIFICAÇÃO
A Itália moderna nasceu em 1861 tendo Vitório Emanuel II como rei. O filme O Leopardo, de Luchino Visconti, com Burt Lancaster e Alain Delon, conta a história de luta pela reconstrução da Itália.

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
No início do século 20, o país se associou aos impérios alemão e austro-húngaro na Tríplice Aliança. Durante a Primeira Guerra Mundial, em 1915, a Itália muda de lado e passa a apoiar a França e a Grã-Bretanha.

Com o fim da Grande Guerra e a revolução comunista de 1917 na Rússia, houve uma onda de revoltas populares na Europa. Na Itália, a esquerda revolucionária ocupou fábricas no Norte do país, até hoje a região mais rica a industrializada do país.

FASCISMO
A crise econômica fortaleceu o fascismo, um movimento de massas nacionalista e autoritário. Em 27 de outubro de 1922, seu líder, Benito Mussolini, liderou a Marcha sobre Roma. Pressionado, o rei Vitório Emanuel III convocou Mussolini para formar o governo.

O Partido Nacional Fascista organizou empresários e trabalhadores em corporações controladas pelo Estado. As greves são proibidas. Várias indústrias foram estatizadas. A imprensa foi censurada.

Em 1924, o deputado socialista Giácomo Matteotti denunciou fraude eleitoral e foi morto pelos fascistas, caso contado no filme O Delito Matteotti (1973).

EIXO
No plano internacional, a Itália fascista se aliou à Alemanha nazista de Adolf Hitler para formar o Eixo e invadiu a Etiópia em 1935-36. Por iniciativa da França e do Reino Unido, a Liga das Nações aprovou sanções contra o governo de Mussolini.

O imperador deposto, Hailé Salassié, percorreu o mundo na luta para libertar o país, o que o tornou um líder africano cultuado, por exemplo, nas músicas de Bob Marley e no reggae.

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Em junho de 1940, quando a França estava prestes a se render, Mussolini declarou guerra à França e ao Reino Unido. A Itália entrava na Segunda Guerra Mundial, iniciada em 1º de setembro de 1939 com a invasão da Polônia pela Alemanha.

A Itália sempre foi aos olhos de Hitler um aliado menor. Com as derrotas na Grécia e na África, a Itália ficou em posição vulnerável na guerra. Vencida na segunda e decisiva Batalha de el-Alamein, em outubro de 1942, a Itália se rendeu no Norte da África em maio de 1943.

Em 1943, a península foi invadida pelas forças aliadas dos EUA, do Reino Unido e da França com o apoio da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que participou da reconquista da Itália.

BRASIL NA GUERRA
A participação brasileira na Segunda Guerra Mundial está nas Crônicas da Guerra na Itália, de Rubem Braga, que foi correspondente de guerra, e em As Duas Faces da Glória: a FEB vista pelos seus aliados e inimigos, do jornalista William Waack.

Mussolini foi deposto em 1943. O governo foi entregue ao marechal Badoglio, que fez a paz com os aliados e declara guerra à Alemanha. Hitler invadiu o Norte da Itália e criou a República de Saló, derrotada por forças aliadas com a ajuda de guerrilheiros italianos. Mussolini foi preso e executado.

REPÚBLICA
Em maio de 1946, um plebiscito transforma a Itália numa república parlamentarista. Com ajuda do Plano Marshall dos EUA para a reconstrução da Europa, a Itália cresceu nos anos 50 e 60, tornando-se uma das grandes economias do mundo.

INTEGRAÇÃO EUROPEIA
Em 1957, a Itália foi um dos seis países fundadores da Comunidade Econômica Europeia, hoje União Europeia, com 27 países (28 com a entrada da Croácia em 1º de julho.

CRISE POLÍTICA
Para evitar que o Partido Comunista Italiano, o maior do Ocidente, chegasse ao poder num país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, a Itália adotou um sistema eleitoral com voto proporcional. Isso criou parlamentos fragmentados e governos de coalizão de vários partidos liderados pela Democracia Cristã, o grande partido de centro-direita.

CORRUPÇÃO
Durante a Guerra Fria, cada governo italiano durou em média um ano. Essa crise permanente, aliada à presença constante dos democratas-cristãos no governo e ao poder das máfias, levou a uma série de escândalos de corrupção combatidos pela Operação Mãos Limpas (1992-94).

Ex-primeiros-ministros como Giulio Andreotti e Bettino Craxi foram condenados, entre muitos outros.

IMPLOSÃO
O sistema político do pós-guerra implodiu. O resultado foi a ascensão do empresário Silvio Berlusconi, homem mais rico da Itália, que a partir de 1994 foi o principal líder da direita.

À esquerda, a parte reformista do Partido Comunista formou o Partido Democrático da Esquerda, que depois se aliou ao movimento de centro-direita Margarida para formar o Partido Democrático, do atual primeiro-ministro Enrico Letta.

Berlusconi foi o principal político italiano da última década, alternando-se no poder com esquerdista como Massimo d’Alema e Romano Prodi. Caiu em novembro de 2011, no auge da crise da dívida pública, quando parecia que a Itália seguiria o caminho da Grécia, o que teria sérias consequências para a economia internacional, já que é muito maior.

Uma condenação definitiva por fraude em negociações de direitos esportivos de suas televisões encerrou a carreira política do Cavalière. Ele ainda responde a processos por abuso de poder, corrupção e prostituição de menores

GRANDE ALIANÇA
Nas últimas eleições, em fevereiro de 2013, a esquerda ganhou na Câmara e a direita no Senado. A grande novidade foi o Movimento 5 Estrelas, do humorista Beppe Grillo. Com 25% dos votos, passou a ser o maior partido italiano isoladamente e se negou a fazer alianças com partidos tradicionais.

Com Enrico Letta, pela primeira vez no pós-guerra, a Itália teve um governo formado por uma grande aliança entre a esquerda e a direita, única alternativa à realização de novas eleições que poderiam ser mais uma vez inconclusivas e dar ainda mais poder a palhaços da política.

Sem nova eleição, ao vencer uma disputa interna pela liderança do Partido Democrata, Matteo Renzi tornou-se primeiro-ministro da Itália em 22 de fevereiro de 2014.

A maior preocupação do governo é estimular a economia e tirar o país da crise, evitando as políticas de austeridade impostas pela Alemanha e os países do Norte ao Sul endividado da Zona do Euro. Renzi se aliou ao presidente da França, François Hollande, para pressionar a primeira-ministra Angela Merkel a adotar uma estratégia de crescimento.

ECONOMIA
Com produto interno bruto estimado em 2012 estimado pelo Fundo Monetário Internacional em US$ 2,072 trilhões, a Itália tem a nona maior economia do mundo. A renda média por habitante, de US$ 33.115 por ano, é a 26ª do mundo.

A industrialização, impulsionada depois da Segunda Guerra Mundial, quando a Itália deixou de ser um país agrícola, a tornou no 7º maior exportador mundial.

A Itália tem algumas empresas transnacionais conhecidas internacionalmente, especialmente do setor automobilístico. A maior parte do setor manufatureiro é formada por pequenas e médias empresas.

Quase 60% do comércio são com a União Europeia.

O turismo é uma atividade em expansão. Com sua história riquíssima, a Itália tem 60% dos prédios tombados como patrimônio histórico, artístico e cultural da humanidade. Em 2010, recebeu 43,6 milhões de turistas, que gastaram US$ 38,8 bilhões.

ESTAGNAÇÃO
Nos anos 90, a Itália cresceu numa média de 1,23%, abaixo da média da UE. Desde a introdução do euro, em 1999, ficou praticamente estagnada. Com sua dívida equivalente a 120% do PIB, quando Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha tiveram problemas para financiar suas dívidas, os juros cobrados da Itália também subiram para níveis perigosos.

Berlusconi foi afastado e o ex-comissário europeu antimonopólio Mario Monti assumiu em novembro de 2011 para chegar um governo tecnocrático que se tornou impopular por aumentar impostos.

Com a determinação da Alemanha de impor um regime de controle rígido das contas públicas nos seus vizinhos que considera indisciplinados, a Itália ainda busca uma saída para a crise.

CRISE
Quem salvou o euro até agora foi o presidente do Banco Central Europeu, o italiano Mario Draghi, ex-presidente do Banco da Itália, que prometeu comprar o quanto fosse necessário das dívidas dos países em crise para estabilizar o mercado.

Os políticos estão devendo. A Europa é o último continente ainda em crise. Os protestos nas ruas, inclusive de extremistas à direita e à esquerda, são cada vez maiores. A ascensão da extrema direita nas últimas eleições para o Parlamento Europeu assustou.

LITERATURA
O italiano se originou de um dialeto da Toscana no século 14. Na literatura, os escritores Dante, Petrarca e Boccaccio são considerados os pais do idioma.

No século 20, entre os grandes escritores italianos, podem ser citados Luigi Pirandello, Alberto Moravia, Italo Calvino, Umberto Eco, Dario Fo, Cesare Pavese e Natalia Ginzburg. Primo Levi talvez seja o escritor que melhor traduziu a angústia e o extermínio do campo de concentração nazista de Auschwitz, na Segunda guerra Mundial.

MÚSICA
A música italiana sempre foi uma das supremas expressões da arte na Europa, diz a Enciclopédia Britânica, citando desde o canto gregoriano, passando pela criação da moderna notação musical no século 11, até compositores com Vivaldi, Allessandro e Domenico Scarlatti, Rossini, Donizetti, Verdi, Puccini e Bellini.

Os italianos são mestres da ópera. O Teatro Scala, de Milão, se orgulha de ter uma das melhores acústicas do mundo. Tenores como Luciano Pavarotti e Andrea Bocelli se tornaram popstars internacionais.

A música popular italiana fazia sucesso internacional no início dos anos 80 com os Festivais de San Remo e nomes como Rita Pavone e Peppino di Capri. Foi superada para pop e o rock da Inglaterra e dos EUA.

PINTURA
Além dos grandes nomes da Renascença – Giotto, Donatello, Michelangelo, Da Vinci, Ticiano, Bernini e Tiepolo, entre outros –, a Itália teve no século 20 grandes pintores como Umberto Boccioni, Giacomo Balla, Giorgio de Chirico.

A Bienal de Veneza, realizada desde 1895, é uma das mais importantes mostras de artes plásticas do mundo. O carioca Ernesto Neto foi premiado em 2001 com uma instalação.

CINEMA
A Cinecittà, um complexo de estúdios construído por Mussolini, era conhecido como a Hollywood da Europa. Gangues de Nova York, do ítalo-americano Martin Scorcese, foi filmado lá em 2002 e também A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, em 2003.

Alguns dos maiores diretores do século 20 foram italianos: Luchino Visconti, Federico Fellini, Pier Paolo Pasolini, Bernardo Bertolucci, Roberto Rosselini, Vittorio de Sica, Etore Scola, Pablo e Vittorio Taviani.

O realismo italiano, que pretendia mostrar a realidade do país no pós-guerra e não mascará-la com a fantasia do cinema, se tornou uma importante escola.

ARQUITETURA
Na arquitetura, destacam-se Pier Luigi Nervi, Renzo Piano e Aldo Rossi. Piano fez o Centro Pompidou, em Paris, em parceria com o britânico Richard Rogers.

MODA E DESIGN
A Itália é um dos líderes mundiais em desenho industrial e alta costura. Milão é um dos grandes centros da moda.

Entre os grandes estilistas italianos, se destacam Giorgio Armani, Versace, Valentino, Gucci, Prada, Dolce & Gabbana, Missoni, Fendi, Moschino, Max Mara e Salvatore Ferragamo.

A seleção italiana veste Dolce & Gabbana. Fez fiasco mais uma vez, mas ganhou a Copa da elegância.

IMIGRAÇÃO
A imigração italiana para o Brasil começa em 1875, no Rio Grande do Sul. Até 1930, mais de 1,5 milhão de italianos vieram para o Brasil.

A estimativa da Embaixada da Itália é que vivam no Brasil 25 milhões de descendentes de italianos, mas nem o Censo do IBGE nem a embaixada fizeram pesquisa a respeito. É a maior população de origem italiana fora da Itália, maior do que nos EUA.

Do fim das guerras napoleônicas, em 1815, até 1930, 60 milhões de europeus emigraram. Destes, 71% foram para a América do Norte, principalmente para os EUA, 21% para a América Latina e 7% para a Austrália.

Dos 11 milhões que vieram para a América Latina, 38% eram italianos, 28% espanhóis e 11% portugueses.

A imigração italiana no Brasil já rendeu novelas e o filme O Quatrilho.

CULINÁRIA
Embora se diga que Marco Polo importou a massa durante sua viagem à China pelo Caminho da Seda no século 13, a massa já fazia parte da culinária da península desde o tempo dos etruscos e dos romanos.

A variada cozinha italiana, tendo as massas como pratos básicos, ampla variedade de verduras e legumes, e todos os tipos de carnes, é hoje uma das mais populares do mundo globalizado. Assim como as massas italianas, o café espresso e o tiramisu são hoje universais.

A civilização etrusca, que estava estabelecida no século 8 AC, deu a base da culinária da região da Toscana.

Talvez o mais antigo livro de culinária, escrito por Apicius no primeiro século da era cristã, descreve com detalhes a cozinha do Império Romano, com faisões, pavões, carnes curadas, salsichão de porco, queijos e frutos do mar, misturados com vegetais como aspargos, cogumelos, brocólis, cenoura e alface.

Também houve influência grega com grão-de-bico, figos, azeitonas, porco e peixe salgados e fritos. As invasões bárbaras levaram as tortas de carne e os assados. As frutas incluíam cerejas e damasco.

Com a Descoberta da América, chegaram a cebola e o tomate, ingredientes fundamentais da chamada cozinha mediterrânea, considerada das mais saudáveis do mundo.

Os risotos, as polentas e o nhoque são de Milão, no Norte. A pizza nasceu em Nápoles no fim do século 19. O sorvete é uma iguaria apreciada desde o tempo dos romanos.

RELAÇÕES COMO BRASIL
Essa enorme massa de imigrantes e descendentes aproximou culturalmente os dois países. Sob certo ponto de vista, a Itália é um dos países que mais se parecem com o Brasil, com seu respeito relativo às leis, corrupção, malandragem, motoristas que buzinam e furam sinais sem culpa, quem pode cuidadosamente bem vestido num estilo radical chic.

O Brasil urbano das grandes metrópoles caóticas se parece com a Itália.

A contribuição cultural italiana ao Brasil é enorme. Os imigrantes trouxeram novas técnicas agrícolas, suas festas religiosas, seus santos de devoção. Seu sotaque marca até hoje o sotaque paulistano, da serra gaúcha e do sul de Santa Catarina. Diversos pratos foram incorporados à culinária brasileira, do espaguete e da pizza ao panetone.

Os italianos também trouxeram para o Brasil e para a América Latina o anarquismo, o sindicalismo e as greves operárias. No 4º centenário de São Paulo, em 1954, o homem mais rico do Brasil era Francisco Matarazzo Sobrinho, descendente de italianos.

No futebol, tanto o Palmeiras quanto o Cruzeiro de Belo Horizonte se chamavam Palestra Itália. Tiveram de mudar de nome quando o governo Getúlio Vargas declarou guerra à Itália e proibiu manifestações da cultura italiana no Brasil.

O técnico Luiz Felipe Scolari é de origem italiana.

ESPORTE
Os italianos se destacam em vários esportes, do ciclismo e esqui ao basquete, polo aquático, rúgbi, volei e especialmente futebol e automobilismo.

O Giro d’Italia é uma das principais provas de ciclismo de estrada, ao lado do Tour de France e da Vuelta de Espanha.

A Ferrari começou a fabricar carros de corrida em 1946. Já ganhou mais de 5 mil provas.

A Itália participou de todas as olimpíadas da era moderna, ganhando um total de 522 medalhas nos jogos de verão e 106 nos de inverno. É o quinto país mais bem-sucedido da história olímpica. Organizou os Jogos de Verão em Roma em 1960 e os Jogos de Inverno em 1956 em Cortina d’Ampezzo e em 2006 em Turim.

FUTEBOL
Os italianos alegam que eles inventaram o futebol com o nome de calcio no século 16, muito antes portanto dos ingleses teriam criado as regras do futebol moderno na segunda metade do século 19.

A Squadra Azzurra é azul porque era a cor da dinastia de Savoia, que ocupou o trono quando o país foi unificado, em 1861. Ganhou quatro Copas do Mundo, em 1934, 1938, 1982 e 2006, as duas primeiras sob Mussolini, que declarou em 1934: “É vencer ou morrer!” Nas duas últimas copas, os italianos morreram na primeira fase.

Os clubes italianos ganharam 27 títulos de copas europeias. São os mais vitoriosos do continente.

Os brasileiros vão jogar na Itália há muito tempo. Anfilogino Guarisi, o Filó, foi campeão do mundo em 1934.

Nos anos 50 e 60, foram para lá Dino da Costa, Angelo Sormani, Chinesinho e Mazzola, que se naturalizou italiano e passou a usar o sobrenome, Altafini. Com 216 gols, João José Altafini é o terceiro maior artilheiro da história do Campeonato Italiano, ao lado de Giuseppe Meazza, considerado o melhor jogador da História da Itália.

Zico, Sócrates, Falcão, Júnior, Cerezo, Careca, Renato Gaúcho, Casagrande, Ronaldo, Robinho, Ronaldinho, Kaká e muitos outros craques brasileiros disputaram o Campeonato Italiano.

Argentinos de origem italiana como Raimundo Orsi, Omar Sivori e Humberto Maschio jogaram na seleção da Itália.


Os carrascos uruguaios do Brasil na Copa de 1950, Juan Schiaffino e Alcides Ghiggia, eram de origem italiana. Chegaram a jogar na Azzurra no fim dos anos 50.