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terça-feira, 2 de junho de 2015

Blatter renuncia à Presidência da FIFA

Em declaração feita há pouco em Zurique, na Suíça, em meio ao maior escândalo de corrupção da história do futebol, o presidente da Federação Internacional de Futebol Associativo (FIFA), Joseph Blatter, acabar de anunciar sua renúncia. Um congresso extraordinário deve eleger um novo presidente.

Neste momento o presidente da comissão que fez uma auditoria na FIFA, o italiano Domenico Scala, atribuiu a corrupção à "estrutura do comitê executivo" e acrescentou que "isto tem de mudar". A expectativa é que um novo presidente seja eleito entre dezembro de 2015 e março de 2016.

Entre as propostas de mudança, estará a limitação do número de mandatos que um presidente poderá cumprir. Blatter estava no cargo desde 1998, quando substituiu o brasileiro João Havelange, do qual era secretário-geral. Fica na presidência até a eleição do sucessor.

O escândalo estourou com a prisão na quarta-feira passada no hotel mais luxuoso de Zurique, a mais rica cidade da Suíça, de sete dirigentes da FIFA, inclusive do ex-presidente da CBF José Maria Marin. No mesmo dia, em Washington, a ministra da Justiça dos Estados Unidos, Loretta Lynch, manifestou a "determinação de acabar com a corrupção no futebol mundial".

Todos devem ser extraditados para os EUA, onde foram denunciados por corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo bancos e empresas americanas. Os crimes estão relacionados à compra de votos para escolha de países-sedes de Copas do Mundo e propinas pagas em negociações de direitos de transmissão de eventos.

Dois dias depois, apesar da pressão da UEFA (União Europeia de Futebol Associativo) para renunciar, Blatter foi reeleito para um quinto mandato e tentou se desvincular de quaisquer irregularidades cometidas pelos dirigentes presos. O presidente da FIFA chegou a dizer que não tinha como "monitorar as atividades de todos".

Pairava no ar uma ameaça de que a UEFA pudesse romper com a FIFA, boicotar a próxima Copa do Mundo e passar a organizar suas competições independentemente. Uma carta ligando o secretário-geral da entidade, Jérôme Walcke, a uma propina de US$ 10 milhões (R$ 32 milhões) paga a um dirigente da região do Mar do Caribe para votar a favor da realização da Copa de 2010 na África do Sul levou a crise diretamente à diretoria presidida por Blatter.

Aqui no Brasil, a Polícia Federal e o Ministério Público abriram inquéritos. Ontem, foi revelado que a PF indiciou o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, que teria movimentado R$ 464 milhões em contas bancárias pessoais quando presidia o comitê organizador local da Copa de 2014. O senador Romário conseguiu as assinaturas necessárias para instaurar uma comissão parlamentar de inquérito sobre a corrupção no futebol brasileiro.

Um dos casos em exame pela Justiça dos EUA é o contrato de patrocínio assinado em 1996 entre a empresa transnacional americana Nike e a CBF, pelo qual Teixeira teria recebido uma propina de US$ 15 milhões.

Internacionalmente é provável que as decisões de organizar a Copa de 2018 na Rússia e de 2022 no Catar sejam questionadas.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

FIFA sabia da corrupção de Havelange e Teixeira

A Federação Internacional de Futebol Associativo (FIFA) teve conhecimento de que seu ex-presidente João Havelange e seu genro e ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, receberam o equivalente a R$ 45 milhões de esquemas de corrupção e protegeu os dois, acusa um relatório elaborado pela Procuradoria-Geral do Cantão de Zug, na Suíça.

O documento sobre o escândalo da ISL foi divulgado ontem, por determinação judicial, dois anos depois de Havelange e Teixeira terem feito um acordo em que devolveram à FIFA 2,5 milhões de francos suíços para encerrar o caso. Desde então, eles tentavam bloquear a divulgação do relatório, afirma hoje o jornal inglês Financial Times.

Em 1997, diz o documento de 41 páginas, Havelange recebeu 1,5 milhão de francos suíços da ISL, uma empresa de marketing contratada pela FIFA que faliu em 2001. Teixeira, que também fazia parte do comitê executivo da entidade, ganhou pelo menos 12,7 milhões de francos suíços da ISL entre 1992 e 1997. Outro grupo no qual ambos eram beneficiários recebeu mais 21,9 milhões de francos entre junho de 1999 e maio de 2000.

A Procuradoria-Geral do cantão de Zug denunciou a FIFA e os dois dirigentes criminalmente em 2005 por "apropriação indevida e possívelmente gestão desleal", e a FIFA por gestão desleal, acusando-os de "usar ilegalmente ativos que lhes foram confiados para seu enriquecimento pessoal várias vezes".

O recebimento de propina é inquestionável, acrescenta o relatório: "Vários membros do comitê executivo receberam dinheiro... foi confirmado pelo testemunho do ex-tesoureiro da FIFA que um certo pagamento feito a João Havelange... no valor de um milhão de francos suíços foi transferido por engano diretamente para uma conta da FIFA".

Em nota publicada na íntegra pela Folha de S. Paulo, a FIFA se declarou satisfeita com a divulgação do relatório, observa que não há "nenhum cidadão suíço envolvido" e ignora as citações de Havelange e Teixeira. É improvável que seu atual presidente, Joseph Blatter, que na época era secretário-geral, não soubesse da corrupção.

Na prática, Blatter aproveita a divulgação do relatório para desviar a atenção sobre a corrupção na entidade de caráter privado que controla o futebol mundial, atribuindo indiretamente o problema a dois dirigentes brasileiros e garantindo que está sendo combatido pelas reformas iniciadas em junho de 2011.