Só dará para acreditar nas promessas dos candidatos de dar prioridade à educação quando os políticos eleitos passarem a preservar o patrimônio histórico e artístico nacional, nossa identidade e história. Lugares que deveriam estar cheios de crianças e jovens estudando nossas origens são mais um exemplo do complexo de vira-latas que assola o Brasil.
Enquanto foram construídos estádios faraônicos e aeroportos suntuosos para a Copa do Mundo, as igrejas e mosteiros barrocos de Salvador, Olinda e Recife estão em péssimo estado, e os fortes que um dia defenderam a integridade territorial da América Portuguesa estão em ruínas.
A Catedral e as igrejas de São Francisco e da Ordem Terceira de São Francisco, em Salvador, na Bahia; a Capelo Dourada da Ordem Terceira de São Francisco e os Conventos de Santo Antônio e do Carmo, no Recife; e as igrejas de São Francisco e São Bento, em Olinda, Pernambuco; para lembrar apenas algumas das maiores joias do patrimônio histórico, arquitetônico e artístico nacional, dão pena.
A imponente Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo ou Igreja do Passo, cuja escadaria foi o principal cenário de O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, único filme brasileiro a ganhar a Palma da Ouro em Cannes, está fechada desde 1998, quando o teto, corroído por cupins, desabou.
Dos cerca de 900 fortes construídos ao longo da costa para defender o Império Português na América, mais de ainda existem, a maioria em péssimas condições.
No Nordeste, os fortes de Santa Maria, no Porto da Barra, em Salvador, na Bahia; Orange, em Itamaracá, Pernambuco; de Santa Catarina, em Cabedelo, na Paraíba, de onde Maurício de Nassau embarcou de volta para a Europa depois de governar o Brasil Holandês no seu período de maior glórica (1637-44); e dos Reis Magos, marco da fundação de Natal, estão em ruínas.
Na entrada do Forte Orange, um funcionário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) dá uma tirinha de papel com o endereço na Internet, deixando claro que não há informações disponíveis no local.
Em Cabedelo, o local é aberto. Um guia caça-turistas oferece algumas explicações, mas o ambiente é desolador. Restam alguns canhões jogados, mas a grama avança.
Na entrada do Forte dos Reis Magos, está o primeiro marco da coroa portuguesa reivindicando soberania sobre o Brasil. Uma guia conta a história do cerco da guarnição portuguesa durante a Segunda Invasão Holandesa (1630-54) para um grupo de crianças de escolas públicas de Natal mais interessadas em tirar fotos com celulares.
Alguns abnegados se esforçam para manter a história viva. Na entrada, há uma mesa e cadeiras de plásticos onde três mulheres se acomodam entre pedras e grama. Ao lado, há uma mesa com vários livros interessantes sobre o patrimônio arquitetônico de diferentes regiões do Brasil. Mas, lá dentro, o panorama é desolador.
Há uma moto estacionado dentro de uma das salas. Elas estão identificadas como prisões para oficiais ou soldados, salas de reuniões do estado-maior, do comando, mas uma prisão virou banheiro. O descaso é total.
Quem já cruzou a fronteira sul, com o Uruguai, e esteve nos fortes de São Miguel e Santa Teresa, a poucos quilômetros ddo Chuí, vai encontrar armas, bandeiras, escudos e insígnias. O cenário está pronto. Se entrar um grupo de atores, a história do país pode ser reencenada aos visitantes. Dá para usar como sala de aula, cenário de filmes.
Na Inglaterra, é comum a contratação de atores para dar vida a prédios, monumentos e cidades históricas. No Castelo de Leeds, em Maidstone, Kent, além do fosso e dos animais para alimentar os moradores, aias falam da rainha e seus caprichos como se Ana Bolena fosse aparecer na sala ao lado.
Um ator encarnando Robin Hood circula regularmente pelas ruas de Nottingham, recontando a história do herói que roubava dos ricos para dar aos pobres, uma lenda provavelmente inspirada num dos nobres que se revoltou contra João Sem Terra e entrou na clandestinidade.
No Brasil, onde as empresas da construção civil ganhou tanto dinheiro e fazem tantas contribuições lícitas e ilícitas para as campanhas eleitorais, poderiam cuidar do patrimônio histórico e artístico nacional para que os estudantes possam entender como e por que o Brasil deu no que deu.
Com a inflação da Copa do Mundo e a insegurança nas capitais brasileiras, talvez seja mais barato e prudente viajar a Portugal para conhecer o lado que não estudamos da História do Brasil. Ou então ir para Aruba, Curaçao e Nova York, para onde foram holandeses e judeus depois da vitória da Insurreição Pernambucana, em 1654, quando o Recife era mais rico e próspero do que Nova Amsterdã, a futura Nova York.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 24 de agosto de 2014
domingo, 10 de agosto de 2014
Sinagoga do Recife foi um símbolo do Brasil Holandês
RECIFE - Nestes tempos de recrudescimento das guerras no Oriente Médio, uma visita à primeira sinagoga da América ajuda a refletir sobre conflitos religiosos como a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), travada entre católicos e protestantes depois da Reforma da Igreja, que levou às duas invasões holandeses no Nordeste do Brasil, com os judeus no meio desse fogo cruzado.
Os primeiros judeus chegaram ao Brasil com Fernando de Noronha, um cristão novo (judeu convertido) encarregado pelo rei Dom Manuel I de introduzir o cultivo de cana de açúcar na colônia, que trouxe com ele vários cristãos novos.
Mais cristãos novos vieram a convite de Duarte Pereira Coelho, donatário da capitania hereditária de Pernambuco, uma das duas únicas a prosperar, ao lado da capitania de São Vicente, no caso pernambucano, por causa da produção de açúcar, na época uma das mercadorias mais importantes do comércio internacional.
Diogo Fernandes era um dos maiores especialistas na cultura açucareira e Pedro Álvares Madeira, nativo da Ilha da Madeira, até então o maior produtor de açúcar do Ocidente. Ambos eram cristãos novos (judeus convertidos ao cristianismo). Foram os primeiros a receber terras de Duarte Coelho, em 1542.
Pouco antes, em 1536, a Inquisição chegara a Portugal. Nunca houve um Tribunal do Santo Ofício no Brasil. Durante a União Ibérica (1580-1640), quando o mesmo rei governava os dois impérios, espanhol e português, em 1623, Felipe IV mandou instalar um tribunal no Brasil. Desistiu diante da Primeira Invasão Holandesa ao Brasil, na Bahia, no ano seguinte.
Houve duas visitações do Santo Ofício à Bahia (1591-93 e 1618) e uma a Pernambuco (1593-95). Em 1625, os holandeses foram derrotadas por uma esquadra luso-espanhola e expulsos de Salvador. Os judeus foram acusados de colaborar com o invasor.
A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais voltou a atacar em 1630 com uma força muito maior para tomar Pernambuco, a mais rica das províncias ultramarinhas portuguesas, iniciando uma ocupação que duraria 24 anos.
Em seu momento de maior expansão, durante o governo do conde João Maurício de Nassau (1637-44), o Brasil Holandês ia da foz do Rio São Francisco até São Luís do Maranhão. Como a Holanda protestante fizera a primeira revolução liberal da história, tinha adotado a liberdade religiosa.
Muitos judeus portugueses fugiram para a Holanda, levando consigo a tecnologia da indústria naval portuguesa. Logo a Holanda se tornaria uma grande potêncial naval e comercial, e ameaçaria a América Portuguesa com o apoio dos judeus.
Foi o cristão novo Antônio Dias Papa-robalos que guiou os holandeses depois que eles desembarcaram ao norte de Olinda, onde hoje fica o Forte de Pau Amarelo, e atacaram a capital da província pelo lado desprotegido. Sob o domínio holandês, a liberdade religiosa chegou ao Brasil Colônia, atraindo os judeus portugueses que haviam fugido para a Holanda.
A Sinagoga do Recife foi construída a partir de 1636 na Rua dos Judeus, rebatizada Rua da Cruz depois da expulsão dos holandeses, em 1654, e de Rua do Bom Jesus, em 1879. Seu primeiro rabino, o cristão novo Isaac Aboab da Fonseca, cuja família emigrara para Amsterdã para voltar a professar o judaísmo, desembarcou no Brasil Holandês em 1641. Portugal tinha recuperado a independência um ano antes e feito as pazes com a Holanda.
Em 1645, havia cerca de 1.450 judeus no Recife, a metade da população branca da cidade. Eram médicos, advogados, calígrafos, atores, músicos, ourives, ceramistas, intérpretes, tradutores e comerciantes de escravos, tecidos, roupas, açúcar, alimentos, vinhos e madeira, entre outros artigos, conta o historiador José Antônio Gonsalves de Mello, um dos grandes historiadores das invasões holandesas.
Um ano antes, Nassau tinha sido demitido pelos acionistas da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, mais interessados em remessa de lucros do que em investimentos na colônia. Começava a decadência do Brasil Holandês.
Também em 1645, 30 católicos brasileiros, 25 homens e 5 mulheres, foram brutalmente assassinados por calvinistas holandeses e índios tapuias em dois massacres no Rio Grande do Norte.
Depois de duas derrotas nas batalhas dos Guararapes, em abril de 1648 e fevereiro de 1649, os holandeses foram finalmente assinaram a rendição em 27 de janeiro de 1654, quando Portugal se aliou à Inglaterra durante a Primeira Guerra Anglo-Holandesa (1652-54) para conseguir enfrentar uma das grandes potências da época.
Como destaca o historiador Evaldo Cabral de Mello em O Negócio do Brasil - Portugal, os Países Baixos e o Nordeste, 1641-1669, "Portugal pagou o equivalente a 63 toneladas de ouro pelo Nordeste".
Com o fim do Brasil Holandês, acabou também a tolerância religiosa com os judeus. Acusados de colaborar com o invasor, eles foram perseguidos e tiveram de escapar às pressas em dois navios. Cerca de 500 foram para Nova Amsterdã. De acordo com o Arquivo Judaico do Recife, que faz parte do projeto de restauração da primeira sinagoga da América, foram os primeiros judeus a chegar à futura Nova York.
O projeto de restauração foi iniciado em 1999, e a sinagoga reaberta ao público em 2001. A lista dos primeiros frequentadores está cheia de cristãos novos. Por toda essa história, o Brasil é o país que mais recebeu cristãos novos. Cerca de 10% dos brasileiros, talvez 20%, sejam descendentes de judeus.
Os primeiros judeus chegaram ao Brasil com Fernando de Noronha, um cristão novo (judeu convertido) encarregado pelo rei Dom Manuel I de introduzir o cultivo de cana de açúcar na colônia, que trouxe com ele vários cristãos novos.
Mais cristãos novos vieram a convite de Duarte Pereira Coelho, donatário da capitania hereditária de Pernambuco, uma das duas únicas a prosperar, ao lado da capitania de São Vicente, no caso pernambucano, por causa da produção de açúcar, na época uma das mercadorias mais importantes do comércio internacional.
Diogo Fernandes era um dos maiores especialistas na cultura açucareira e Pedro Álvares Madeira, nativo da Ilha da Madeira, até então o maior produtor de açúcar do Ocidente. Ambos eram cristãos novos (judeus convertidos ao cristianismo). Foram os primeiros a receber terras de Duarte Coelho, em 1542.
Pouco antes, em 1536, a Inquisição chegara a Portugal. Nunca houve um Tribunal do Santo Ofício no Brasil. Durante a União Ibérica (1580-1640), quando o mesmo rei governava os dois impérios, espanhol e português, em 1623, Felipe IV mandou instalar um tribunal no Brasil. Desistiu diante da Primeira Invasão Holandesa ao Brasil, na Bahia, no ano seguinte.
Houve duas visitações do Santo Ofício à Bahia (1591-93 e 1618) e uma a Pernambuco (1593-95). Em 1625, os holandeses foram derrotadas por uma esquadra luso-espanhola e expulsos de Salvador. Os judeus foram acusados de colaborar com o invasor.
A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais voltou a atacar em 1630 com uma força muito maior para tomar Pernambuco, a mais rica das províncias ultramarinhas portuguesas, iniciando uma ocupação que duraria 24 anos.
Em seu momento de maior expansão, durante o governo do conde João Maurício de Nassau (1637-44), o Brasil Holandês ia da foz do Rio São Francisco até São Luís do Maranhão. Como a Holanda protestante fizera a primeira revolução liberal da história, tinha adotado a liberdade religiosa.
Muitos judeus portugueses fugiram para a Holanda, levando consigo a tecnologia da indústria naval portuguesa. Logo a Holanda se tornaria uma grande potêncial naval e comercial, e ameaçaria a América Portuguesa com o apoio dos judeus.
Foi o cristão novo Antônio Dias Papa-robalos que guiou os holandeses depois que eles desembarcaram ao norte de Olinda, onde hoje fica o Forte de Pau Amarelo, e atacaram a capital da província pelo lado desprotegido. Sob o domínio holandês, a liberdade religiosa chegou ao Brasil Colônia, atraindo os judeus portugueses que haviam fugido para a Holanda.
A Sinagoga do Recife foi construída a partir de 1636 na Rua dos Judeus, rebatizada Rua da Cruz depois da expulsão dos holandeses, em 1654, e de Rua do Bom Jesus, em 1879. Seu primeiro rabino, o cristão novo Isaac Aboab da Fonseca, cuja família emigrara para Amsterdã para voltar a professar o judaísmo, desembarcou no Brasil Holandês em 1641. Portugal tinha recuperado a independência um ano antes e feito as pazes com a Holanda.
Em 1645, havia cerca de 1.450 judeus no Recife, a metade da população branca da cidade. Eram médicos, advogados, calígrafos, atores, músicos, ourives, ceramistas, intérpretes, tradutores e comerciantes de escravos, tecidos, roupas, açúcar, alimentos, vinhos e madeira, entre outros artigos, conta o historiador José Antônio Gonsalves de Mello, um dos grandes historiadores das invasões holandesas.
Um ano antes, Nassau tinha sido demitido pelos acionistas da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, mais interessados em remessa de lucros do que em investimentos na colônia. Começava a decadência do Brasil Holandês.
Também em 1645, 30 católicos brasileiros, 25 homens e 5 mulheres, foram brutalmente assassinados por calvinistas holandeses e índios tapuias em dois massacres no Rio Grande do Norte.
Depois de duas derrotas nas batalhas dos Guararapes, em abril de 1648 e fevereiro de 1649, os holandeses foram finalmente assinaram a rendição em 27 de janeiro de 1654, quando Portugal se aliou à Inglaterra durante a Primeira Guerra Anglo-Holandesa (1652-54) para conseguir enfrentar uma das grandes potências da época.
Como destaca o historiador Evaldo Cabral de Mello em O Negócio do Brasil - Portugal, os Países Baixos e o Nordeste, 1641-1669, "Portugal pagou o equivalente a 63 toneladas de ouro pelo Nordeste".
Com o fim do Brasil Holandês, acabou também a tolerância religiosa com os judeus. Acusados de colaborar com o invasor, eles foram perseguidos e tiveram de escapar às pressas em dois navios. Cerca de 500 foram para Nova Amsterdã. De acordo com o Arquivo Judaico do Recife, que faz parte do projeto de restauração da primeira sinagoga da América, foram os primeiros judeus a chegar à futura Nova York.
O projeto de restauração foi iniciado em 1999, e a sinagoga reaberta ao público em 2001. A lista dos primeiros frequentadores está cheia de cristãos novos. Por toda essa história, o Brasil é o país que mais recebeu cristãos novos. Cerca de 10% dos brasileiros, talvez 20%, sejam descendentes de judeus.
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quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Holandeses dominam Nordeste e Nassau é aplaudido
Prestes a embarcar mais uma vez para o Recife, transcrevo aqui este texto escrito na primeira viagem a Pernambuco, publicado no Correio do Povo, de Porto Alegre, em 10 dezembro de 1978:
Por volta de 1530, Dom João III, rei de Portugal, percebe que colonizar é a melhor maneira para garantir o domínio sobre suas possessões na América. Institui, então, o sistema de capitanias hereditárias e recomenda aos donatários que introduzam a agricultura como forma de fixar o homem à terra. O açúcar é um produto em ascensão no mercado internacional e a cana, já plantada com sucesso nas ilhas da Madeira e dos Açores, logo se adapta aos solo fértil da Zona da Mata nordestina. O Brasil lidera a produção mundial e Pernambuco se torna a capitania mais florescente da colônia no século 16. Cem anos mais tarde, quando o Brasil está sob o domínio espanhol, esse mesmo açúcar atrai a cobiça dos holandeses, que invadem o Nordeste em 1624-25 e 1630-54. Nesse período, o conde Maurício de Nassau, mais mercenário do que príncipe, inicia o desenvolvimento do Recife, como governador dos territórios ocupados. As relíquias desse passado histórico em que o açúcar foi a mercadoria mais importante do comércio marítimo mundial estão em Olinda e Recife.
À época do descobrimento do Brasil, todas as atenções de Portugal se voltam para o Oriente, onde o comércio das especiarias atinge o apogeu. Ninguém quer saber do Brasil, a não ser os traficantes de madeira. Pelo sistema de capitanias, o rei cede alguns direitos ao mesmo tempo em que passa os encargos financeiros com transporte e povoação aos donatários.
Poucos se candidatam. Segundo a História Econômica do Brasil, de Caio Prado Jr., entre os 12 pretendentes não figura nenhum nome da grande nobreza e do alto comércio - são todos indivíduos de pequena expressão econômica e social.
AÇÚCAR
O açúcar é o grande negócio. Em 1440, uma arroba (15 quilos) vale 18,30 gramas de ouro em Londres. Como não existe o hábito de consumi-lo, o desenvolvimento da produção logo traz a queda nos preços. Portugal já é o maior produtor e o Brasil assume essa condição entre suas colônias.
Duarte Pereira Coelho, donatário de Pernambuco, é homem de armas com experiência em navegações. Jovem, em 1519, vai à Índia. Em 1516-17, desempenha missão diplomática no distante e desconhecido reino do Sião. Navega o mar da China e percorre as costas da África, passando a comandar a frota guarda-costas do Brasil, quando conhece a futura capitania de Pernambuco, em 1530, durante lutas contra índios em Igaraçu.
Cinco anos depois, Duarte Coelho recebe a Fortaleza de Pernambuco, que tem esse nome porque um extenso recife passa rente à praia, com uma abertura para dar vazão às aguas dos rios Capibaribe e Beberibe (em tupi, parana puca significa mar furado).
TRADIÇÃO
Mais preocupado com a defesa militar do que com o comércio (homem de armas, confiava nelas), o donatário transfere a feitoria para uma colina na margem esquerda do Beberibe, lugar de bela paisagem. Surge a primeira capital de Pernambuco, Olinda, assim batizada porque um colonizador teria se maravilhado com a vista e exclamado: "Ó linda!" - segunda a versão do Frei Vicente Salvador, consagrada pela tradição oral.
Junto ao porto natural, existe uma povoação desde 1927, mas o Recife é fundado oficialmente em 12 de março de 1537 com o nome de Arrecife dos Navios, espremido entre os rios e o mar, com seus armazéns, suas tendas vagabundas e a vulgaridade de seus comerciantes - contrastando com a aristocrática Olinda dos nobres senhores de engenho.
A cana assume seu papel. Lentamenta a agroindústria dá seus primeiros passos na planície do Beberibe. Os engenhos passam de 23 em 1576 para 50 dez anos depois e na virada do século são mais de 100. Em 1583, foram exportadas 3 mil arrobas de açúcar.
INVASÃO
Com a morte de Dom Sebastião, rei de Portugal, em 1580, sem deixar sucessor, Felipe II, da Espanha, reivindica e leva a coroa portuguesa, disse se aproveitando a Holanda, inimiga da Espanha, para invadir o Brasil com a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, empresa colonizadora e exploradora. O primeiro alvo é Salvador, que como capital da colônia era bem fortificada, reage e repele o invasor em um ano com o apoio de uma esquadra luso-espanhola.
Com 3.780 marinheiros e 3.500 homens bem armados em 35 naus, 15 iates, 35 chalupas e duas embarcações capturadas, os holandeses atacam Pernambuco, "a mais rica das províncias ultramarinas portuguesas". Em 13 de fevereiro de 1630, o almirante Lonch avista Olinda, mas o governador Matias de Albuquerque protege o porto. Enquanto Lonch visa os fortes do Recife de longe, Wardenburch desembarca 3 mil homens ao norte, onde hoje fica o Forte Pau Amarelo, guiado por um cristão novo (judeu convertido), Antônio Dias Papa-robalos.
Explica-se: O fantasma da Inquisição apavora a Espanha e suas colônias, e o Brasil há havia recebido a Visitação do Santo Ofício em 1591-5. Para os judeus, a presença holandesa seria tranquilizadora. Atacando violentamente pelo lado norte, desguarnecido, os holandeses incendeiam e destroem Olinda.
PRÍNCIPE
O Recife é escolhido para capital da Nova Holanda em função da importância do porto para o comércio, principal interesses dos acionistas da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, uma multinacional da época. As capitanias de Itamaracá, Paraíba e Rio Grande são dominadas. Para consolidar suas posições, a empresa nomeia governador-geral o conde João Maurício de Nassau-Siegen.
Segundo o historiador Hélio Vianna, Nassau não passa de um fidalgo alemão que recebe honrarias de príncipe do Principado de Nassau-Siegen, parte do Sacro Império Romano-Germânico, em 1674, muito depois de deixar o Brasil, sem no entanto jamais ter reinado sobre terra alguma. Não é, portanto, da família real holandesa, mas, sim, "um ex-combatente da Guerra dos Trinta Anos, como outros mercenários que a Cia. das Índias Ocidentais enviou para a América".
O mesmo Hélio Vianna entende que não foi o administrador extraordinário que alguns pretendem: inteligente, procura desempenhar bem sua missão, embora sempre atendendo às conveniências meramente utilitárias da empresa.
Talvez pensando em viver na América, Nassau constroi um palácio, planta 700 coqueiros e outras árvores frutíferas, parreirais para fazer vinho na Ilha de Itamaracá. Dá liberdade religiosa aos judeus e a outras minorias perseguidas para atrair migrantes. Sua obra mestra é a Ponte dos Arcos, que custa 100 mil florins e liga as ilhas do Recife e de Santo Antônio, onde cria a Cidade Maurícia. Além disso constroi o porto, antes natural.
Mas os acionistas da Companhia das Índias Ocidentais queriam remessas de lucros e não despesas com colônias distantes. Em 1644, Nassau é chamado para prestar contas. Antes de partir, é carregado em triunfo nos braços do povo, que soube reconhecer sua preocupação com o desenvolvimento e não apenas com a exploração. Durante seu governo (1937-44), houve florescimento das artes, mas os engenhos nunca funcionaram como antes de 1630.
INSURREIÇÃO
A volta de Nassau deteriora a ocupação holandesa. Portugal, independente da Espanha desde 1640, apoiava decisivamente a expulsão do invasor. Organiza-se a Insurreição Pernambucana, fato histórico apontado como primeira manifestação do sentimento nacionalista no Brasil.
Os pretos de Henrique Dias, os índios de Felipe Camarão, os portugueses liderados pelo poderoso senhor de engenho João Fernandes Vieira e os brasileiros de André Vidal de Negreiros se unem sob a chefia do mestre de campo e marechal Francisco Barreto, nomeado pelo rei Dom João IV.
A vitória decorre de duas derrotas sofridas pelos holandeses em batalhas nos Montes Guararapes, a primeira em 18 de abril de 1648 e a segunda em 18 de fevereiro de 1649. Debilitados, os invadores ainda resistem cinco anos até a rendição final, assinada na Campina da Taborda, atrás do Forte das Cinco Pontas, no centro do Recife, em 1654.
Por volta de 1530, Dom João III, rei de Portugal, percebe que colonizar é a melhor maneira para garantir o domínio sobre suas possessões na América. Institui, então, o sistema de capitanias hereditárias e recomenda aos donatários que introduzam a agricultura como forma de fixar o homem à terra. O açúcar é um produto em ascensão no mercado internacional e a cana, já plantada com sucesso nas ilhas da Madeira e dos Açores, logo se adapta aos solo fértil da Zona da Mata nordestina. O Brasil lidera a produção mundial e Pernambuco se torna a capitania mais florescente da colônia no século 16. Cem anos mais tarde, quando o Brasil está sob o domínio espanhol, esse mesmo açúcar atrai a cobiça dos holandeses, que invadem o Nordeste em 1624-25 e 1630-54. Nesse período, o conde Maurício de Nassau, mais mercenário do que príncipe, inicia o desenvolvimento do Recife, como governador dos territórios ocupados. As relíquias desse passado histórico em que o açúcar foi a mercadoria mais importante do comércio marítimo mundial estão em Olinda e Recife.
À época do descobrimento do Brasil, todas as atenções de Portugal se voltam para o Oriente, onde o comércio das especiarias atinge o apogeu. Ninguém quer saber do Brasil, a não ser os traficantes de madeira. Pelo sistema de capitanias, o rei cede alguns direitos ao mesmo tempo em que passa os encargos financeiros com transporte e povoação aos donatários.
Poucos se candidatam. Segundo a História Econômica do Brasil, de Caio Prado Jr., entre os 12 pretendentes não figura nenhum nome da grande nobreza e do alto comércio - são todos indivíduos de pequena expressão econômica e social.
AÇÚCAR
O açúcar é o grande negócio. Em 1440, uma arroba (15 quilos) vale 18,30 gramas de ouro em Londres. Como não existe o hábito de consumi-lo, o desenvolvimento da produção logo traz a queda nos preços. Portugal já é o maior produtor e o Brasil assume essa condição entre suas colônias.
Duarte Pereira Coelho, donatário de Pernambuco, é homem de armas com experiência em navegações. Jovem, em 1519, vai à Índia. Em 1516-17, desempenha missão diplomática no distante e desconhecido reino do Sião. Navega o mar da China e percorre as costas da África, passando a comandar a frota guarda-costas do Brasil, quando conhece a futura capitania de Pernambuco, em 1530, durante lutas contra índios em Igaraçu.
Cinco anos depois, Duarte Coelho recebe a Fortaleza de Pernambuco, que tem esse nome porque um extenso recife passa rente à praia, com uma abertura para dar vazão às aguas dos rios Capibaribe e Beberibe (em tupi, parana puca significa mar furado).
TRADIÇÃO
Mais preocupado com a defesa militar do que com o comércio (homem de armas, confiava nelas), o donatário transfere a feitoria para uma colina na margem esquerda do Beberibe, lugar de bela paisagem. Surge a primeira capital de Pernambuco, Olinda, assim batizada porque um colonizador teria se maravilhado com a vista e exclamado: "Ó linda!" - segunda a versão do Frei Vicente Salvador, consagrada pela tradição oral.
Junto ao porto natural, existe uma povoação desde 1927, mas o Recife é fundado oficialmente em 12 de março de 1537 com o nome de Arrecife dos Navios, espremido entre os rios e o mar, com seus armazéns, suas tendas vagabundas e a vulgaridade de seus comerciantes - contrastando com a aristocrática Olinda dos nobres senhores de engenho.
A cana assume seu papel. Lentamenta a agroindústria dá seus primeiros passos na planície do Beberibe. Os engenhos passam de 23 em 1576 para 50 dez anos depois e na virada do século são mais de 100. Em 1583, foram exportadas 3 mil arrobas de açúcar.
INVASÃO
Com a morte de Dom Sebastião, rei de Portugal, em 1580, sem deixar sucessor, Felipe II, da Espanha, reivindica e leva a coroa portuguesa, disse se aproveitando a Holanda, inimiga da Espanha, para invadir o Brasil com a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, empresa colonizadora e exploradora. O primeiro alvo é Salvador, que como capital da colônia era bem fortificada, reage e repele o invasor em um ano com o apoio de uma esquadra luso-espanhola.
Com 3.780 marinheiros e 3.500 homens bem armados em 35 naus, 15 iates, 35 chalupas e duas embarcações capturadas, os holandeses atacam Pernambuco, "a mais rica das províncias ultramarinas portuguesas". Em 13 de fevereiro de 1630, o almirante Lonch avista Olinda, mas o governador Matias de Albuquerque protege o porto. Enquanto Lonch visa os fortes do Recife de longe, Wardenburch desembarca 3 mil homens ao norte, onde hoje fica o Forte Pau Amarelo, guiado por um cristão novo (judeu convertido), Antônio Dias Papa-robalos.
Explica-se: O fantasma da Inquisição apavora a Espanha e suas colônias, e o Brasil há havia recebido a Visitação do Santo Ofício em 1591-5. Para os judeus, a presença holandesa seria tranquilizadora. Atacando violentamente pelo lado norte, desguarnecido, os holandeses incendeiam e destroem Olinda.
PRÍNCIPE
O Recife é escolhido para capital da Nova Holanda em função da importância do porto para o comércio, principal interesses dos acionistas da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, uma multinacional da época. As capitanias de Itamaracá, Paraíba e Rio Grande são dominadas. Para consolidar suas posições, a empresa nomeia governador-geral o conde João Maurício de Nassau-Siegen.
Segundo o historiador Hélio Vianna, Nassau não passa de um fidalgo alemão que recebe honrarias de príncipe do Principado de Nassau-Siegen, parte do Sacro Império Romano-Germânico, em 1674, muito depois de deixar o Brasil, sem no entanto jamais ter reinado sobre terra alguma. Não é, portanto, da família real holandesa, mas, sim, "um ex-combatente da Guerra dos Trinta Anos, como outros mercenários que a Cia. das Índias Ocidentais enviou para a América".
O mesmo Hélio Vianna entende que não foi o administrador extraordinário que alguns pretendem: inteligente, procura desempenhar bem sua missão, embora sempre atendendo às conveniências meramente utilitárias da empresa.
Talvez pensando em viver na América, Nassau constroi um palácio, planta 700 coqueiros e outras árvores frutíferas, parreirais para fazer vinho na Ilha de Itamaracá. Dá liberdade religiosa aos judeus e a outras minorias perseguidas para atrair migrantes. Sua obra mestra é a Ponte dos Arcos, que custa 100 mil florins e liga as ilhas do Recife e de Santo Antônio, onde cria a Cidade Maurícia. Além disso constroi o porto, antes natural.
Mas os acionistas da Companhia das Índias Ocidentais queriam remessas de lucros e não despesas com colônias distantes. Em 1644, Nassau é chamado para prestar contas. Antes de partir, é carregado em triunfo nos braços do povo, que soube reconhecer sua preocupação com o desenvolvimento e não apenas com a exploração. Durante seu governo (1937-44), houve florescimento das artes, mas os engenhos nunca funcionaram como antes de 1630.
INSURREIÇÃO
A volta de Nassau deteriora a ocupação holandesa. Portugal, independente da Espanha desde 1640, apoiava decisivamente a expulsão do invasor. Organiza-se a Insurreição Pernambucana, fato histórico apontado como primeira manifestação do sentimento nacionalista no Brasil.
Os pretos de Henrique Dias, os índios de Felipe Camarão, os portugueses liderados pelo poderoso senhor de engenho João Fernandes Vieira e os brasileiros de André Vidal de Negreiros se unem sob a chefia do mestre de campo e marechal Francisco Barreto, nomeado pelo rei Dom João IV.
A vitória decorre de duas derrotas sofridas pelos holandeses em batalhas nos Montes Guararapes, a primeira em 18 de abril de 1648 e a segunda em 18 de fevereiro de 1649. Debilitados, os invadores ainda resistem cinco anos até a rendição final, assinada na Campina da Taborda, atrás do Forte das Cinco Pontas, no centro do Recife, em 1654.
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Minhas primeiras impressões do Recife
Esta reportagem, feita na minha primeira viagem ao Recife, foi publicada no Correio do Povo, de Porto Alegre, em 10 de dezembro de 1978:
RECIFE - É no Parque Nacional dos Guararapes, que diversas placas assinalam ser o local onde nasceu o Exército Brasileiro e o sentimento nacionalista, o desejo de integração nacional, que começa o roteiro histórico da visita a Recife e Olinda.
Do alto daquelas colinas cobertas por coqueiros, no município de Jaboatão, no Grande Recife, se tem um amplo panorama da capital pernambucana e cidades vizinhas. De um lado, fica a colonial Olinda e do outro o distrito industrial de Jaboatão, ao fundo o mar o no meio a concentração urbana do Recife.
A Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, de 1782, substitui uma capela mandada construir em 1656 pelo mestre-de-campo e general Francisco Barreto em homenagem à padroeira do dia em que foi conquistada a vitória final contra os holandeses, 27 de janeiro de 1654. Seu estilo é barroco, com o altar-mor todo trabalhado em madeira entalhada.
CANHÕES
Ao redor da igreja, árvores de frutas da terra - abacate, manga, sapoti, banana - realçam a beleza do lugar. Durante as obras para a abertura das pistas asfaltadas que levam ao Parque dos Guararapes, foram encontrados canhões provavelmente usados nas batalhas. Foram restaurados e estão ali para mostrar que a área foi um campo de batalha. Também foram encontrados cadáveres com medalhas penduradas no pescoço, mas estas foram para museus em São Paulo.
O Recife é uma cidade pobre que recebe milhares de migrantes afugentados do interior pelas secas nordestinas e não tem emprego para eles. Então, garotos rondam os pontos turísticos na tentativa de ganhar alguns trocados. O Parque dos Guararapes está cheio deles. Decoram meia dúzia de informações históricas e as reproduzem apressadamente, em tom de voz mecânico. Confusos, se repetem e atropelam modinhas - mas de qualquer forma espelham uma realidade social, ainda que incômoda para os que pretendem apresentar o Nordeste de hoje como uma região progressista que abandona os problemas do passado.
Pelas ruas e avenidas que se percorre até chegar ao centro, as visões da pobreza se reproduzem casa por casa. São os mocambos do Recife, moradia dos severinos que o sertão repeliu.
No Centro, passsa-se pelo Forte das Cinco Pontas e pela Campina da Taborda a caminho da Igreja de São Pedro dos Clérigos, a mais rica em barroco no Brasil e também a mais alta. Seu teto conserva as pinturas originais de João de Deus Sepúlveda.
PONTE
As grandes obras de Maurício de Nassau estão na Ilha de Santo Antônio, onde hoje se situa o comércio popular do Recife. Destacam-se o Palácio das Torres e a Ponte dos Arcos. Esta última foi uma obra milionária, concluída em 1643. Entretanto, os recifenses contam que ninguém queria atravessá-la porque Nassau instituiu uma espécie de pegádio.
Mas o representante holandês era inteligente e sabia manobrar a vontade popular. Espalhou a notícia de que um boi voava do outro lado da ponte. Para alimentar as ilusões, fez um boi de cortiça e pano, e levantou-o com cordas. Resultado: todos passavam e pagavam a taxa com satisfação.
Além disso, Nassau colocou pedras sobre os arrecifes naturais para fortalecer o porto. Canhões fincados em pé serviam para amarrar os navios.
Para o guia turístico, Pernambuco é pioneiro em tudo no Brasil. Teve o primeiro parlamento, a primeira faculdade de direito e a primeira televisão educativa, agora também a primeira em cores. Só não se iludam se ele disser que foi o Diário de Pernambuco foi o primeiro jornal impresso no Brasil, pois foi a Gazeta do Rio de Janeiro, na época de Dom João VI, em 1808. O Diário de Pernambuco é apenas o mais antigo em atividade.
Como não poderia deixar de ser, o ufanismo pernambucano se manifesta também na voz dos locutores de rádio. A Rádio Jornal do Comércio dá o prefixo e anuncia estar transmitindo em quatro diferentes frequências de ondas curtas: "Não há distância que nos separe."
Talvez as maiores relíquias históricas do Recife estejam no Museu e Convento da Ordem Terceira de São Francisco, na Rua do Imperador. Ali fica a Capela Dourada, toda resplandescente de tanto ouro que reveste as formas barrocas em estilo rococó esculpidas em cedro. Do século 18, é a obra máxima do período em que o açúcar concedeu aos senhores de engenho a supremacia econômica dentro do Brasil Colônia.
Ao lado, existe o Museu Franciscano de Arte Sacra, rico em esculturas, paramentos e peças de igrejas, com castiças e cálices em ouro e prata.
PATRIMÔNIO
A parte antiga de Olinda está totalmente tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (e hoje também pela ONU como patrimônio da humanidade).
As casas grudadas umas às outras, as ruas aladeiradas e estreita constituem uma paisagem que dá ares de Salvador. Na Rua Bernardo Vieira de Melo, o antigo Mercado da Ribeira, onde eram negociados os escravos, agora é usado por artesãos. As ruínas do antigo Senado resistem, embora só reste um paredão.
O casarão colonial onde viveu João Fernandes Vieira, na Rua de São Bento, com dois andares, varanda e jardim ao lado, também merece uma parada. A Igreja de São Pedro dos Clérigos de Olinda (1590) é mais antiga do que a do Recife; entretanto, sua arquitetura sofreu diversas alterações com o tempo, As portas esculpidas em madeira mantêm o aspecto original.
Mas é na frente do Mosteiro de São Bento e da Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia (1540) que se abre um panorama que justifica a exclamação "Ó linda!", que teria sido, segundo a tradição oral, a origem do nome da cidade. O aspecto de cidade grande e moderna do Recife se contrapõe à quietude colonial das igrejas que emergem por entre os coqueiros das colinas de Olinda.
INCÊNDIO
A parede frontal da Igreja da Misericórdia foi enegrecida pelas chamas quando os holandeses incendiaram Olinda, testemunha até hoje aquela agressão. Mas o prédio resistiu e foi reconstruído por Nassau.
Já o Mosteiro de São Bento (1599) foi erguido onde antes havia uma ermida a São Roque. Obra-prima do barroco brasileiro, sediou o primeiro curso de Direito do país e hoje abriga a Faculdade de Ciências Humanas de Olinda.
A Rua de São Francisco é uma ladeira íngreme que leva até o primeiro convento franciscano do Brasil, em estilo barroco rococó, com claustro decorado com azulejos portugueses. Dentro dele, está a Igreja de Nossa Senhora das Neves, muito antiga, do tempo dos holandeses. A pintura original ainda não foi restaurada.
Outro prédio histórico que vale a pena conhecer em Olinda é o seminário, antigo colégio jesuíta situado na parte norte da cidade velha, por onde os holandeses atacaram por ser o flanco menos protegido. Seu estilo é clássico, quinhentista.
Descendo para a parte plana, chega-se à Nova Olinda, que antigamente seria submersa e hoje está seriamente ameaçada pelas ressacas. Os bares, restaurantes e boates limitam-se uns aos outros na beira-mar. É uma zona residencial e de veraneio, com os edifícios disputando os espaços palmo a palmo como em Copacabana.
Alguns quilômetros mais ao norte, quando as construções de alvenaria dão lugar às choupanas de pau-a-pique e sapê cobertas por palha de coqueiros, no local onde os holandeses desembarcaram em 1630, fica o Forte Pau Amarelo, já no município vizinho de Paulista. Construção portuguesa de 1719, é um excelente local para terminar o passeio dando uma caminhada pela areia, por entre jangadas e coqueiros, observandoo pôr-do-sol.
RECIFE - É no Parque Nacional dos Guararapes, que diversas placas assinalam ser o local onde nasceu o Exército Brasileiro e o sentimento nacionalista, o desejo de integração nacional, que começa o roteiro histórico da visita a Recife e Olinda.
Do alto daquelas colinas cobertas por coqueiros, no município de Jaboatão, no Grande Recife, se tem um amplo panorama da capital pernambucana e cidades vizinhas. De um lado, fica a colonial Olinda e do outro o distrito industrial de Jaboatão, ao fundo o mar o no meio a concentração urbana do Recife.
A Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, de 1782, substitui uma capela mandada construir em 1656 pelo mestre-de-campo e general Francisco Barreto em homenagem à padroeira do dia em que foi conquistada a vitória final contra os holandeses, 27 de janeiro de 1654. Seu estilo é barroco, com o altar-mor todo trabalhado em madeira entalhada.
CANHÕES
Ao redor da igreja, árvores de frutas da terra - abacate, manga, sapoti, banana - realçam a beleza do lugar. Durante as obras para a abertura das pistas asfaltadas que levam ao Parque dos Guararapes, foram encontrados canhões provavelmente usados nas batalhas. Foram restaurados e estão ali para mostrar que a área foi um campo de batalha. Também foram encontrados cadáveres com medalhas penduradas no pescoço, mas estas foram para museus em São Paulo.
O Recife é uma cidade pobre que recebe milhares de migrantes afugentados do interior pelas secas nordestinas e não tem emprego para eles. Então, garotos rondam os pontos turísticos na tentativa de ganhar alguns trocados. O Parque dos Guararapes está cheio deles. Decoram meia dúzia de informações históricas e as reproduzem apressadamente, em tom de voz mecânico. Confusos, se repetem e atropelam modinhas - mas de qualquer forma espelham uma realidade social, ainda que incômoda para os que pretendem apresentar o Nordeste de hoje como uma região progressista que abandona os problemas do passado.
Pelas ruas e avenidas que se percorre até chegar ao centro, as visões da pobreza se reproduzem casa por casa. São os mocambos do Recife, moradia dos severinos que o sertão repeliu.
No Centro, passsa-se pelo Forte das Cinco Pontas e pela Campina da Taborda a caminho da Igreja de São Pedro dos Clérigos, a mais rica em barroco no Brasil e também a mais alta. Seu teto conserva as pinturas originais de João de Deus Sepúlveda.
PONTE
As grandes obras de Maurício de Nassau estão na Ilha de Santo Antônio, onde hoje se situa o comércio popular do Recife. Destacam-se o Palácio das Torres e a Ponte dos Arcos. Esta última foi uma obra milionária, concluída em 1643. Entretanto, os recifenses contam que ninguém queria atravessá-la porque Nassau instituiu uma espécie de pegádio.
Mas o representante holandês era inteligente e sabia manobrar a vontade popular. Espalhou a notícia de que um boi voava do outro lado da ponte. Para alimentar as ilusões, fez um boi de cortiça e pano, e levantou-o com cordas. Resultado: todos passavam e pagavam a taxa com satisfação.
Além disso, Nassau colocou pedras sobre os arrecifes naturais para fortalecer o porto. Canhões fincados em pé serviam para amarrar os navios.
Para o guia turístico, Pernambuco é pioneiro em tudo no Brasil. Teve o primeiro parlamento, a primeira faculdade de direito e a primeira televisão educativa, agora também a primeira em cores. Só não se iludam se ele disser que foi o Diário de Pernambuco foi o primeiro jornal impresso no Brasil, pois foi a Gazeta do Rio de Janeiro, na época de Dom João VI, em 1808. O Diário de Pernambuco é apenas o mais antigo em atividade.
Como não poderia deixar de ser, o ufanismo pernambucano se manifesta também na voz dos locutores de rádio. A Rádio Jornal do Comércio dá o prefixo e anuncia estar transmitindo em quatro diferentes frequências de ondas curtas: "Não há distância que nos separe."
Talvez as maiores relíquias históricas do Recife estejam no Museu e Convento da Ordem Terceira de São Francisco, na Rua do Imperador. Ali fica a Capela Dourada, toda resplandescente de tanto ouro que reveste as formas barrocas em estilo rococó esculpidas em cedro. Do século 18, é a obra máxima do período em que o açúcar concedeu aos senhores de engenho a supremacia econômica dentro do Brasil Colônia.
Ao lado, existe o Museu Franciscano de Arte Sacra, rico em esculturas, paramentos e peças de igrejas, com castiças e cálices em ouro e prata.
PATRIMÔNIO
A parte antiga de Olinda está totalmente tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (e hoje também pela ONU como patrimônio da humanidade).
As casas grudadas umas às outras, as ruas aladeiradas e estreita constituem uma paisagem que dá ares de Salvador. Na Rua Bernardo Vieira de Melo, o antigo Mercado da Ribeira, onde eram negociados os escravos, agora é usado por artesãos. As ruínas do antigo Senado resistem, embora só reste um paredão.
O casarão colonial onde viveu João Fernandes Vieira, na Rua de São Bento, com dois andares, varanda e jardim ao lado, também merece uma parada. A Igreja de São Pedro dos Clérigos de Olinda (1590) é mais antiga do que a do Recife; entretanto, sua arquitetura sofreu diversas alterações com o tempo, As portas esculpidas em madeira mantêm o aspecto original.
Mas é na frente do Mosteiro de São Bento e da Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia (1540) que se abre um panorama que justifica a exclamação "Ó linda!", que teria sido, segundo a tradição oral, a origem do nome da cidade. O aspecto de cidade grande e moderna do Recife se contrapõe à quietude colonial das igrejas que emergem por entre os coqueiros das colinas de Olinda.
INCÊNDIO
A parede frontal da Igreja da Misericórdia foi enegrecida pelas chamas quando os holandeses incendiaram Olinda, testemunha até hoje aquela agressão. Mas o prédio resistiu e foi reconstruído por Nassau.
Já o Mosteiro de São Bento (1599) foi erguido onde antes havia uma ermida a São Roque. Obra-prima do barroco brasileiro, sediou o primeiro curso de Direito do país e hoje abriga a Faculdade de Ciências Humanas de Olinda.
A Rua de São Francisco é uma ladeira íngreme que leva até o primeiro convento franciscano do Brasil, em estilo barroco rococó, com claustro decorado com azulejos portugueses. Dentro dele, está a Igreja de Nossa Senhora das Neves, muito antiga, do tempo dos holandeses. A pintura original ainda não foi restaurada.
Outro prédio histórico que vale a pena conhecer em Olinda é o seminário, antigo colégio jesuíta situado na parte norte da cidade velha, por onde os holandeses atacaram por ser o flanco menos protegido. Seu estilo é clássico, quinhentista.
Descendo para a parte plana, chega-se à Nova Olinda, que antigamente seria submersa e hoje está seriamente ameaçada pelas ressacas. Os bares, restaurantes e boates limitam-se uns aos outros na beira-mar. É uma zona residencial e de veraneio, com os edifícios disputando os espaços palmo a palmo como em Copacabana.
Alguns quilômetros mais ao norte, quando as construções de alvenaria dão lugar às choupanas de pau-a-pique e sapê cobertas por palha de coqueiros, no local onde os holandeses desembarcaram em 1630, fica o Forte Pau Amarelo, já no município vizinho de Paulista. Construção portuguesa de 1719, é um excelente local para terminar o passeio dando uma caminhada pela areia, por entre jangadas e coqueiros, observandoo pôr-do-sol.
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sexta-feira, 13 de junho de 2014
Holanda é antigo império que virou liberal e progressista
O Reino dos Países Baixos, mais conhecido aqui como Holanda, o nome latino, é um
país do Noroeste da Europa formado por 12 províncias, entre elas a Holanda do
Norte e a Holanda do Sul, daí o nome, que significa floresta densa, e seis
ilhas da região do Mar do Caribe, as Antilhas Holandesas: Aruba, Bonaire,
Curaçao, Saba, Santo Estácio e São Martinho.
Apesar de pequeno, é uma potência comercial, um país
moderno, cosmopolita e liberal, ousado em políticas sociais como a eutanásia, a
legalização da prostituição, e a descriminalização do consumo e posse de
pequenas quantidades de drogas leves (maconha e haxixe).
A Holanda tem 41,5 mil quilômetros quadrados. Cerca de 6,5
mil km2 são terras conquistadas do mar, lagos e pântanos desde a Idade Média,
com um sistema de drenagem, diques e moinhos de vento, um dos principais
símbolos do país, ao lado dos tamancos e dos chapéus de laço das camponesas.
Ainda hoje, mil moinhos de vento tradicionais coexistem com bombeamento a
diesel ou eletricidade. Alguns foram tombados pela Organização das Nações
Unidas para Educação Ciência e Cultura (Unesco).
Cerca de 25% do território e 21% da população ficam abaixo
do nível do mar. O ponto mais alto da Holanda tem 323 metros. Com apenas 0,008%
das terras do planeta, é um dos maiores exportadores agrícolas.
A oeste e norte, a Holanda é cercada pelo Mar do Norte; a
leste, pela Alemanha; e ao sul, pela Bélgica. É um país baixo e plano, com
grandes extensões cobertas por lagos, rios e canais.
A capital oficial do país e seu principal centro comercial e
financeiro é Amsterdã, onde fica o palácio real, uma cidade construída sobre a
água. O Parlamento e a sede do governo ficam em Haia.
A cidade também sedia vários tribunais internacionais: a Corte
Internacional de Justiça (o tribunal das Nações Unidas), a Corte Internacional
de Arbitragem, o Tribunal Penal Internacional, o Tribunal Penal Internacional
para a Antiga Iugoslávia e o Tribunal Especial para o Líbano.
POPULAÇÃO
Com 16,8 milhões de habitantes, a Holanda é um dos países de
maior densidade populacional, 404 habitantes por km2, superado apenas por
Cingapura, Vaticano e Malta, que são muito pequenos, Bangladesh, Taiwan e a
Coreia do Sul.
Cerca de 80,7% dos habitantes são brancos holandeses, 5%
cidadãos de outros países europeus, 2,4% indonésios, 2,2% turcos, 2%
marroquinos, 2% surinameses e 0,8% afrocaribenhos. Os holandeses são o povo
mais alto da Europa, talvez graças a uma dieta com muito cálcio por causa de
seu famoso rebanho leiteiro e ao elevado consumo de produtos lácteos.
POLÍTICA
A Holanda é uma monarquia constitucional desde 1848. Em 30
de abril de 2013, Willem-Alexander, casado com uma princesa argentina, foi
coroado rei.
O chefe de governo é o primeiro-ministro, quase sempre o
líder do partido majoritário no Congresso bicameral, formado por uma Câmara com
150 deputados eleitos diretamente pelo povo e o Senado, com 75 cadeiras, eleito
indiretamente, que atua apenas como câmara revisora.
No momento, o primeiro-ministro é Mark Rutte, do direitista
Partido Popular pela Liberdade e a Democracia, que conquistou 41 dos 150
deputados da Câmara nas eleições de 2012 e fez aliança com o Partido
Trabalhista, de centro-esquerda, livrando-se do Apelo Democrata-Cristão e do
ultradireitista Partido da Liberdade, que o apoiaram no seu primeiro governo,
formado em 2010.
Como todos os governos costumam ser de coalizão, o país
criou uma tradição de acordos políticos e formação de consensus, um pouco
abalada no século 21 pelo surgimento de partidos de extrema direita contrários
à imigração.
INTOLERÂNCIA
Dias antes das eleições de 2002, numa ruptura da longa
história de tolerância da Holanda, o neofascista Pim Fortuyn, líder da Lista
Pim Fortuyn, foi assassinado a tiros.
Em 2004, o Partido da Liberdade, liderado por Geert Wilders,
que ficou em terceiro lugar nas eleições, mas em 2014 teve um desempenho aquém
do esperado nas eleições para o Parlamento Europeu, em que a ultradireita
nacionalista e antieuropeia venceu as eleições na França, no Reino Unido e na
Dinamarca.
Também em 2004, o cineasta Theo van Gogh, bisneto do irmão
do pintor, que fizera um documentário sobre a opressão da mulher nas sociedades
muçulmanas, foi morto por um extremista muçulmano.
ECONOMIA
Com o produto interno bruto de US$ 800 bilhões de dólares
(estimativa do FMI para 2013), a Holanda é o 18º país mais rico do mundo,
membro do Grupo dos Vinte (G-20). A renda média por habitante de US$ 47,62 mil
por ano.
A Holanda, fundadora a Comunidade Europeia e da Zona do
Euro, tem uma economia moderna, próspera e aberta, fortemente dependente do
comércio exterior, com exportações de US$ 556 bilhões e importações de US$ 490
bilhões em 2012. Roterdã é o maior porto da Europa e o 10º do mundo.
Desde o século 16, a navegação, a pesca, a agricultura, o
comércio e o setor financeiro são setores importantes da economia holandesa.
De 1996 a 2000, o país cresceu 4% ao ano, acima da média
europeia, e adotou o euro como moeda. Depois de um crescimento menor no início
do século 21, a economia avançou 3,4% em 2006 e 3,9% em 2007. Os maiores
parceiros comerciais são Alemanha (26,3%), a Bélgica (14,1%), a França (8,8%) e
o Reino Unido (8%).
Sob o impacto da crise financeira internacional de 2008-9, a
economia encolheu 3,5% em 2009, teve crescimento fraco durante dois anos e
voltou a entrar em recessão em 2012, caindo 0,5%, por causa da crise das
dívidas públicas dos países da periferia da Zona do Euro (Grécia, Irlanda,
Portugal e Espanha).
O desemprego estava em 8,7% em julho de 2013. Sob pressão da
Comissão Europeia para cumprir as metas de equilíbrio fiscal, o governo terá de
cortar gastos e aumentar impostos. A previsão de crescimento para 2014 foi
reduzida para 0,5%, com alta do desemprego para 9,25%.
HISTÓRIA
As terras baixas onde hoje fica a Holanda registram a
presença seres humanos há pelo menos 370 mil anos. Eram habitadas por tribos
celtas e germânicas quando foram conquistadas pelos romanos na época de Caio
Júlio César, em 55 antes de Cristo.
Com o fim do Império Romano do Ocidente, no século 5 da era
cristã, a região ficou sob o controle de três tribos germânicas: os frísios, no
Norte; os saxões, no Nordeste; e os francos, Centro-Sul.
Os francos se tornaram cristãos com a conversão do rei
Clovis I, em 496, e assim o cristianismo chegou ao que hoje é a Holanda.
SACRO IMPÉRIO
Quando Carlos Magno fundou o Sacro Império Romano-Germânico,
no ano 800, a atual Holanda fazia parte. Com o fim do Império Carolíngio, em
888, seu território foi dividido em pequenos condados, um deles chamado
Holanda. Nos séculos 9 e 10, a região foi atacada várias vezes pelos vikings da
Escandinávia.
Em 1433, Felipe o Bom, Duque da Borgonha, hoje uma região da
França, tomou a Baixa Lotaríngia e a rebatizou como Terras Baixas da Borgonha.
Em 1477, o casamento de Maria da Borgonha com Maximiliano da
Áustria uniu o país à Dinastia dos Habsburgo. Quando casamentos dinásticos
deixaram o país sob o controle da Espanha, os reis Carlos V e Felipe II
reprimiram o protestantismo, levando à Revolta Holandesa e à independência.
INDEPENDÊNCIA
Em 1568, Guilherme, o Taciturno, da Dinastia de Orange,
liderou a revolta das províncias protestantes do Norte contra os espanhóis, que
tinham organizado uma visitação da Inquisição. Foi uma das primeiras revoluções
liberais da História. A Revolta Holandesa abriu o país ao comércio e trouxe uma
era de grande prosperidade.
A República Unida da Holanda foi proclamada em 1579. Em 1581,
declarou independência da Espanha. A Revolta Holandesa ou guerra da
independência vai até 1648, quando a Paz da Vestfália, negociada no fim da
Guerra dos Trinta Anos (1618-48), reconhece a independência do país. Na Holanda,
é chamada de Guerra dos 80 Anos.
Em 1602, a Companhia Holandesa das Índias Orientais
tornou-se a primeira empresa com ações vendidas em bolsas de valores. Precisava de capital para financiar a expansão colonial.
TULIPAMANIA
A tulipa é a flor nacional e já foi mania na Holanda a ponto
de ter criado uma bolha especulativa que estourou em 1637.
A flor foi introduzida na Europa por um embaixador do
Império Otomano que enviou bulbos e sementes para Amsterdã e Antuérpia em 1554.
Logo se tornou um luxo cobiçado pela burguesia comercial ascendente.
Em 1636, a tulipa era o quarto produto de exportação da
Holanda, depois de gin, arenque e queijo. No auge da Tulipamania, em 1637, um
bulbo chegou a custar 4,5 mil florins, cerca de 15 vezes a renda anual de um
artesão qualificado, que era de cerca de 300 florins. Até que alguém disse o
óbvio, que era apenas uma flor – e a bolha estourou.
AMÉRICA
As primeiras fortificações e assentamentos holandeses na
América foram instalados na Amazônia nos anos 1590s. Em 1624, eles compraram a
ilha de Manhattan dos índios por US$ 24 e fundaram ali a Nova Amsterdã.
Com a queda do Brasil Holandês, em 1654, os judeus fugiram
para Nova Amsterdã. Em 1664, o Forte Amsterdã foi tomado pelos ingleses na
Segunda Guerra Anglo-Holandesa (1665-67).
Durante a Terceira Guerra Anglo-Holandesa (1672-74), os
holandeses retomaram a cidade em julho de 1673. Com o Tratado de Westminster,
em novembro de 1674, a cidade foi devolvida aos ingleses, que a rebatizaram
como Nova York. Em compensação, a Holanda ficou com o Suriname.
INVASÕES
No século 17, quando era a maior potência marítima e
comercial, a Holanda invadiu duas vezes o Nordeste brasileiro, a Bahia
(1624-25) e Pernambuco (1630-54). Era o período do Domínio Espanhol (1580-1640),
quando o rei da Espanha governou Portugal na chamada União Ibérica, e a Holanda estava em guerra com a
Espanha e depois com a Inglaterra.
Em 9 de maio de 1624, cerca de 3,4 mil holandeses liderados
por Jacob Willekens tomaram Salvador, a capital colonial, sem encontrar grande
resistência, mas não conseguiram manter a conquista.
Menos de um ano depois, em 27 de março de 1625, uma esquadra
de mais de 50 navios espanhóis e portugueses sob o comando do almirante espanhol
Fradique de Toledo y Osorio contra-atacou os holandeses. Depois de uma batalha de 35 dias, os holandeses se
renderam em 1º de maio, no Convento do Carmo, em Salvador, transformado em quartel-general
da resistência brasileira.
Ao desembarcar ao norte de Olinda, onde hoje fica o Forte de
Pau Amarelo, em 1630, os holandeses foram guiados por um judeu. A República
Holandesa era liberal e tolerante, enquanto a colônia portuguesa tinha recebido
uma visitação do Santo Ofício em 1590-91 e os judeus temiam a perseguição pela
Igreja Católica.
Com o ciclo do açúcar, Pernambuco era a mais rica das
províncias ultramarinhas portuguesas. Na época, o açúcar era a mercadoria mais
importante do mercado internacional e o Brasil o maior produtor, posição
mantida até hoje. Era o melhor negócio da colônia; o segundo era o tráfico de
escravos.
NASSAU
O Brasil Holandês chegou a ocupar uma grande extensão da
costa, do Norte da Bahia ao Maranhão durante o governo do conde alemão João
Maurício de Nassau (1637-44), príncipe do pequeno Principado de Nassau-Siegen,
parte do Sacro Império Romano-Germânico.
Com a ajuda de um famoso arquiteto holandês, Pieter Post,
nasceu desenvolveu o Recife ampliando para uma nova ilha onde construiu a
Cidade Maurícia, ligada ao Recife antigo por uma ponte.
Como os nativos se recusavam a usá-la, Nassau inventou que
haveria um boi voador do outro lado. Chegou a construir um mecanismo para
fingir que um boi voava.
Nassau também instaurou câmaras municipais, modernizou a infraestrutura
de transportes do Recife, criou o Jardim Botânico, o Museu de História Natural
e o Zoológico.
Seus gastos excessivos alarmaram os acionistas da Companhia
Holandesa das Índias Ocidentais. Sem total liberdade para fazer o que quisesse,
Nassau voltou à Europa em julho de 1644.
A derrota do Brasil Holandês foi essencial para a integração
nacional, argumenta o historiador pernambucano Evaldo Cabral de Mello, autor de
vários livros sobre a invasão holandesa, como Nassau: governador do Brasil Holandês, O Negócio do Brasil e Olinda Restaurada. Naquela época, o
Brasil estava no Nordeste.
Se não estourasse a Primeira Guerra Anglo-Holandesa
(1652-54), talvez a Insurreição Pernambucana não tivesse o mesmo sucesso no
cerco e assalto final ao Recife, na Batalha dos Guararapes.
Os holandeses levaram a tecnologia de produção do açúcar de
cana para o Caribe. A segunda metade do século 17 foi a Idade de Ouro da
Holanda.
O Museu Naval, em Amsterdã, e o museu Casa de Maurício de
Nassau, em Haia, têm bons acervos
sobre o Brasil Holandês.
IDADE DE OURO
O século 17 é também a época do pintor Rembrandt van Rijn,
do filósofo e jurista Hugo Grotius, um dos pais do direito internacional, do
filósofo Baruch Spinoza. Dois grandes filósofos, o francês René Descartes, pai
do racionalismo, e inglês John Locke, pai do liberalismo, moraram na Holanda.
Em 1795, a França invade a Holanda. É proclamada a República
Bátava. Em 1810, Napoleão anexa a Holanda à França.
Depois da derrota de Napoleão e do Congresso de Viena
(1815), que restaura as monarquias derrubadas nas guerras napoleônicas, nasce o
Reino dos Países Baixos (Bélgica, Holanda e Luxemburgo). A Bélgica se separa em
1830; o Grão-Ducado de Luxemburgo, em 1890.
COLÔNIA DO CABO
Em 1652, holandeses a caminho das Índias Orientais naufragaram
numa tempestade perto do Cabo das Tormentas, que um rei de Portugal rebatizara
como Cabo da Boa Esperança, mas os marinheiros conheciam pelo antigo nome. Numa
baía, o capitão Jan van Riebeeck fundou a Colônia do Cabo, inicialmente apenas
um ponto de apoio para os navios da Companhia Holandesa das Índias Orientais.
Aos calvinistas holandeses, depois se juntaram os huguenotes
franceses perseguidos por Luís XIV. Seus descendentes, conhecidos como
africâneres, criaram o regime do apartheid,
que segregou a maioria negra na África do Sul até a eleição de Nelson Mandela,
em 1994.
A partir de 1691, a Cia. nomeou um governador para a Colônia
do Cabo, tomada pelos britânicos em 1806, durante as guerras napoleônicas,
quando a França, inimiga da Grã-Bretanha, dominava a Holanda.
OURO
Depois de descoberta do ouro no Rio Orange por Erasmus
Jacobs, em 1867, o Império Britânico anexou a Província do Transvaal em 1887.
Os bôeres (agricultores, em holandês), os colonos descendentes de holandes e
huguenotes se revoltaram e reconquistaram sua independência na Primeira Guerra
dos Bôeres (1880-81).
Na Segunda Guerra dos Bôeres, o Império Britânico prevaleceu
e impôs seu domínio sobre todo o país, conquistando definitivamente o Estado
Livre de Orange e a Província do Transvall. Nessa guerra, os britânicos
internaram os bôeres no interior do país em campos de concentração. Para o
império, os bôeres tinham se transformado na “tribo branca da África”, tinham
se brutalizado e se tornado inferiors aos europeus.
Em 1910, o Transvaal e o Estado Livre de Orange se juntaram
à Colônia do Cabo na União Sul-Africana. A colonização holandesa sobreviveu na
cultura africâner até a democratização da África do Sul, em 1994.
GUERRAS
A Holanda ficou neutra na Primeira Guerra Mundial. Na Segunda
Guerra Mundial, é ocupada pela Alemanha em 10 de maio de 1940. Mais de 100 mil
judeus foram presos e enviados para campos de concentração nazistas na
Alemanha, na Polônia e na Tcheco-Eslováquia.
O Diário de Anne Frank,
um dos maiores símbolos da luta da inocência contra o nazismo, foi escrito no
sótão camuflado de uma casa de Amsterdã hoje transformada em museu.
Em 8 de dezembro de 1941, um dia depois do ataque japonês
aos EUA em Pearl Harbor, a Holanda declarou guerra ao Japão. A invasão das
Índias Orientais holandesas, a atual Indonésia, começou em janeiro de 1942. Depois
da Batalha do Mar de Java, em 27 de fevereiro, os japoneses tomaram as
principais ilhas. O Japão precisava com urgência do petróleo que os EUA lhe
negavam desde agosto.
Durante a ocupação japonesa, dos 80 mil europeus internados
em campos de concentração, 14,8 mil foram mortos, assim como 12,5 mil dos 34
mil prisioneiros de guerra.
PÓS-GUERRA
No pós-guerra, a Indonésia declarou independência em 17 de
agosto de 1945, dois dias depois da rendição do Japão e a conquistou em
dezembro de 1949. O Suriname declarou independência em 1975.
Em 1948, forma-se o Benelux, uma área de livre comércio
reunindo Bélgica, Holanda e Luxemburgo, precursor da Comunidade Econômica
Europeia, que seria fundada em 1957 por esses três países, Alemanha Ocidental,
França e Itália.
DOENÇA HOLANDESA
Em 1959, a descoberta de uma grande jazida de gás natural
aumentou muito as exportações da Holanda, valorizando a moeda nacional, o
florim, o que levou a um declínio do setor industrial. Daí nasceu a expressão
“doença holandesa”, quando a exportação de produtos primários sobrevaloriza a
moeda causando problemas econômicos.
RELAÇÕES COM O BRASIL
A história das relações bilaterais é marcada pelas duas
invasões ao Brasil no tempo em que a Holanda era a maior potência mundial.
Numa visão militar, o conflito terminou com a vitória
brasileira na Batalha dos Guararapes e a libertação do Recife. No livro O Negócio do Brasil, o historiador
Evaldo Cabral de Mello ensina que a guerra entre Holanda e Portugal só terminou
depois de uma guerra maritime de 1657-61 e de dois acordos de paz, em 1661 e
1669, em que os holandeses reconheceram a soberania portuguesa sobre o Nordeste
em troca de concessões financeiras e comerciais.
Pelo Tratado de Londres, de 1661, Portugal deveria pagou 4
milhões de cruzados durante 16 anos pelo Nordeste. No Tratado de Haia, de 1669,
a indenização foi reduzida para 2,5 milhões de cruzados a serem pagos em 20
anos.
Além do Brasil e da Nova Amsterdã, tomada pelos ingleses e
rebatizada como Nova York, a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais ficou com
a Costa do Ouro e o Suriname. Mas não sobreviveu. Faliu no início dos anos 1670s.
INTEGRIDADE TERRITORIAL
“A primeira fronteira do Brasil não foi o Prata ou a
Amazônia. Foi aí que nossa integridade territorial correu maior perigo. Por
lamentável que tivesse sido, a perda do Rio Grande do Sul não teria
comprometido a unidade nacional, como não o fez a independência do Uruguai, mas
a consolidação do Brasil holandês estilhaçaria a América portuguesa”, argumenta
Cabral de Mello.
Sem a restauração da coroa portuguesa, em 1640, a Espanha
teria cedido o Nordeste à Holanda como o fez no papel na Paz da Vestfália, em
1648.
A reconquista do Nordeste é um dos momentos fundadores da
nação brasileira e de seu mito fundador de que o país foi construído por três
raças: brancos europeus e brasileiros, negros e índios.
Se o Nordeste pertencesse à Holanda, alega o historiador,
provavelmente teria sido invadido pelo Império Britânico durante as guerras
napoleônicas, como aconteceu com a Colônia do Cabo, no Sul da África.
IDIOMA
O holandês, uma língua germânica igual ao flamengo falado em
Flandres, no Norte da Bélgica, é a língua oficial do país. A maioria dos
holandeses fala pelo menos uma língua estrangeira.
Além da Bélgica, o holandês também é falado nas Antilhas
Holandesas e nas ex-colônias, no Suriname e na Indonésia. O africâner, idioma
dos brancos sul-africanos, derivou do holandês.
RELIGIÃO
A Reforma Protestante e a influência calvinista foram
essenciais na formação histórica e cultural da Holanda. Hoje é um dos países
mais secularistas do mundo. Menos de 20% dos holandeses vão à igreja
regularmente.
Cerca de 28% são protestantes e 24% católicos . Os
muçulmanos são 800 mil, quase 5% da população, 250 mil budistas e 200 mil
hindus.
EDUCAÇÃO
A educação é compulsória dos 4 aos 16 anos, e
semicompulsória de 16 a 18 anos. Quando passam de ano, as crianças costumam
pendurar o mochila da escola com uma bandeira nacional do lado de fora da
janela.
CULTURA
A Holanda tem mais de mil museus. Amsterdã, onde há 42,
guarda 206 quadros de Vincent van Gogh e 22 de Rembrandt.
Os Rembrandts estão no Museu Nacional, ao lado de outros
mestre da escola clássica holandesa, como Johanes Vermeer, Jan Steen, Jacob van
Ruysdal. Nos séculos 19 e 20, destacam-se Van Gogh, Piet Mondrian e M. C.
Escher.
Talvez o maior escritor holandês seja o filósofo Desidério
Erasmo, o Erasmo de Rodertã, autor de O
Elogio da Loucura, lançado em 1511, que a superstição, os abusos e a
corrupção na Igreja Católica, que nunca abandonou. Ele é considerado o maior intelectual
do Renascimento no Norte da Europa.
Crítico da Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero
em 1517, Erasmo lançou as bases da tolerância e advertiu para o risco das
guerras religiosas que assolariam a Europa por mais de cem anos. Chegou a ser
acusado por bispos católicos de “botar o ovo” para a Reforma da Igreja.
DIREITO INTERNACIONAL
Outro intelectual holandês de inestimável importância
histórica foi o filósofo e jurista Hugo Grotius, considerado o pai do direito
internacional. Menino-prodígio, aos 16 anos, Grotius publicou seu primeiro
livro e foi nomeado advogado.
Grotius iniciou seus estudos sobre direito internacional
depois da captura do navio português Santa Catarina onde hoje é Cingapura por
um capitão holandês, em 1603, sob a alegação de que a Espanha e Portugal
estavam em guerra com a Holanda. A própria Companhia Holandesa das Índias
Orientais foi contra a captura.
LIVRE NAVEGAÇÃO
Em 1609, no livro Liberdade
dos Mares, Grotius formulou o princípio de que os mares eram territórios
internacionais e deveriam ser abertos à navegação e ao comércio. A Inglaterra
contestou.
No fim da discussão, ficou estabelecido que o mar
territorial de cada país seria limitado à distância de um tiro de canhão, na
época menos de 5 km.
Em 1651, a Inglaterra aprovou a Lei da Navegação, proibindo
a entrada no país de mercadorias que chegassem em navios ingleses. Isso levou à
Primeira Guerra Anglo-Holandesa (1652-54).
LEIS DE GUERRA
Diante da Guerra dos Trinta Anos (1618-48), Grotius defendeu
a necessidade de leis para regulamentar os conflitos armados entre países:
“Totalmente convencido de que há uma lei comum entre as nações que é válida
para a guerra e durante a guerra, tenho várias razões de peso para escrever
sobre o assunto. Através do mundo cristão, observei uma falta de contenção em
relação à guerra da qual mesmo as raças mais bárbaras deveriam se envergonhas;
observei que os homens correm para as armas pelas menores causas, ou mesmo
nenhuma causa, e que, quando se recorre às armas, não há mais respeito por nenhuma
lei, divina ou humana; é como se, de acordo com um decreto geral, um frenesi permitisse
cometer todos os crimes.”
No livro Sobre a Lei
da Guerra e da Paz, em três volumes, Grotius apresenta seus conceitos sobre
guerra e direito natural no primeiro volume, considerando a guerra justificável
em alguns casos, como autodefesa, para reparar uma injustiça ou como punição,
no segundo. No terceiro, ele discute as regras para a conduta na guerra depois
de iniciada.
Seus argumentos e os de Francisco de Vitória foram as bases
para a teoria da guerra justa, hoje substituída pela legitimidade da guerra.
Em 1º de abril de 2001, a Holanda aprovou o casamento de
pessoas do mesmo sexo.
CULINÁRIA
A cozinha holandesa se baseia nos abundantes recursos
pesqueiros e agrícolas do país, com grande destaque para leite e laticínios. A
carne e as batatas são pratos de resistência. O consumo de peixe é elevado, até
mesmo de arenque cru.
Um prato típico é a panqueca holandesa. Os queijos Edam e
Gouda são variedades holandesas.
ESPORTE
Cerca de 4,5 milhões de pessoas estão associadas aos 35 mil
clubes esportivos do país. O ciclismo é uma mania nacional, como meio de
transporte e esporte. A Holanda tem 15 mil km de ciclovias e duas bicicletas
para cada carro.
A Holanda participa das Olimpíadas desde 1900. Em 1928,
organizou os Jogos de Amsterdã.
O iatismo, o hóquei na grama, o esqui, o vôlei e o tênis são
muito populares. O holandês Richard Kraijcek, campeão de Wimbledon em 1996, foi
o único a derrotar Pete Sampras no torneio em sua melhor fase.
FUTEBOL TOTAL
O esporte favorito dos holandeses é de longe o futebol. Três
vezes vice-campeã do mundo, a Holanda é uma das grandes seleções que jamais
conseguiu um título mundial. Foi campeã da Europa em 1988.
A Laranja Mecânica,
apelido da seleção holandesa de 1974, é ao lado da Hungria de Ferenc Puskas uma
das grandes seleções que fizeram História e são mais conhecidas do que as
seleções alemãs que as derrotaram.
Sob a liderança do capitão Johan Cruijff, a seleção dirigida
pelo técnico Rinus Michels lançou o “futebol total”, pressionando os
adversários no campo todo sem guardar posição e se lançado rapidamente ao
ataque. Na mesma época, o Ajax, de Amsterdã, foi três vezes campeão europeu
(1971, 1972 e 1973) e campeão mundial de clubes em 1972 e 1995, derrotando o
Grêmio nos pênaltis na última vez.
Na seleção campeã europeia, os destaques foram Ruud Gullit,
Marco van Basten e Frank Rijkaard. Na equipe atual os destaque são Wesly
Sneijder (fala-se como o alemão Schneider) e Arjen Robben.
Brasil x Holanda já é um clássico em Copas do Mundo. O
Brasil perdeu a semifinal para a Holanda de Cruijff em 1974 por 2-0. Ganhou de
3-2 nas quartas de finais em 1994. Depois de 1-1 no tempo normal, venceu nos
pênaltis em 1998. Em 2010, o Brasil saiu na frente com gol de Robinho, mas a
Holanda virou o jogo com dois gols de Sneijder e eliminou o Brasil.
Em 2011, a Holanda chegou a liderar o ranking da Fifa.
Em 2011, a Holanda chegou a liderar o ranking da Fifa.
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