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sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 2 de Dezembro

NAPOLEÃO COROADO

    Em 1804, Napoleão Bonaparte se coroa imperador na Catedral de Notre Dame, em Paris, onze anos depois que a Revolução Francesa executou o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta na guilhotina. O papa Pio VII não quis coroar Napoleão. Entregou a coroa ao general, que a colocou sobre a cabeça.

Um dos maiores generais de todos os tempos, Napoleão nasce em 15 de agosto de 1769 em Ajácio, a capital da Córsega, dois anos depois que a ilha passa a pertencer à França. 

Com a Revolução Francesa de 1789, o oficialato do Exército francês, vindo da aristocracia, é dizimado e Napoleão sobe rapidamente na hierarquia militar. É general aos 24 anos.

Em 1799, a França está em guerra com várias monarquias europeias que não aceitam a revolução e a execução de Luís XVI e de Maria Antonieta, guilhotinados em 1793. Na volta de uma campanha no Egito, Napoleão dá um golpe em novembro e é nomeado primeiro cônsul da França em 12 de dezembro de 1799. É o fim da revolução.

Napoleão derrota a Áustria em fevereiro de 1800. Ele decreta em 1802 o Código Napoleônico, modelo para o direito civil adotado nos países latinos, inclusive o Brasil. Em 1804, cria o império que, em 1807, vai dos Pirineus à costa da Dalmácia no sentido Leste-Oeste e do Rio Elba, no Norte, à Itália, no Sul.

Sua grande derrota é o fracassso da invasão da Rússia, em 1812, com um Grande Exército de 600 mil homens. Depois da desastrosa Batalha de Borodino, que a França vence com grandes perdas, o Exército da Rússia recua e incendeia Moscou para que o invasor não tenha comida nem abrigo.

Na retirada, o Grande Exército é dizimado pelo inverno que se aproxima e atacado pelos russos. Em 1814, Napoleão perde a Guerra Peninsular para o Duque de Wellington, que restaura os governos de Portugal e Espanha, sofre uma derrota total para os aliados, abdica ao trono da França em 6 de abril e vai para o exílio na Ilha de Elba.

Ele volta em 20 de março de 1815, recupera o trono e governa por 100 dias até ser derrotado por uma aliança de Áustria, Prússia, Rússia e Reino Unido liderada por Wellington na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho. 

Quatro dias depois, abdica pela segunda vez. Vencido, vai para o exílio na Ilha de Santa Helena, uma possessão britânica no Oceano Atlântico, onde morre em 5 de maio de 1821.

PROTEÇÃO AMBIENTAL

    Em 1970, começa a funcionar a Agência de Proteção Ambiental (EPA), um novo órgão do governo federal dos Estados Unidos criado para enfrentar as consequências negativas da atividade humana sobre a natureza.

A preocupação com a poluição e as agressões ao meio ambiente, a consciência ecológica, começa a se formar nos EUA nos anos 1950, em plena era do automóvel, que o sociólogo canadense Marshall McLuhan definiu como a "noiva mecânica" dos norte-americanos.

Um marco é a publicação do livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, em 1962, denunciando a redução do número de pássaros por causa do uso de agrotóxicos.

Um vazamento de petróleo que polui as praias da Califórnia e outros acidentes ecológicos levam o Congresso a aprovar, em 1969, a Lei da Política Ambiental Nacional. Em julho de 1970, o presidente Richard Nixon decide criar uma agência específica para o meio ambiente.

A EPA nasce com 5,8 mil funcionários e um orçamento anual de US$ 1,4 bilhão, sob a direção de William Ruckelshaus, um advogado que trabalhava no Departamento da Justiça. Ele age rapidamente para aplicar a Lei da Água Pura, proibir o pesticida DDT e processar as empresas responsáveis pelo acidente ecológico no Rio Cuyahoga, no estado de Ohio.

No governo Donald Trump (2017-21), sob pressão da Casa Branca, a EPA retirou de seu sítio na Internet todas as referência à crise do clima.

sábado, 29 de novembro de 2014

China acaba com monopólio estatal do sal após 2 mil anos

A China anunciou nesta semana que vai acabar com o monopólio estatal na compra e venda de sal como parte da "progressiva conclusão da transição para a economia de mercado".

O monopólio do sal sobreviveu a 23 dinastias imperiais, 37 anos de república e 65 anos de regime comunista.

domingo, 15 de junho de 2014

Japão: do isolamento a grande potência econômica

O Japão é um país-arquipélago formado por mais de 3 mil ilhas que se estendem por mais de 2,4 mil quilômetros no Oceano Pacífico. A maioria dos 127,6 milhões de habitantes (estimativa de 2012) vive nas quatro maiores ilhas (Honshu, Hokkaido, Ryushu e Shikoku).

Mais de 80% do Japão são montanhas, o que reduz a área habitável e cultivável. Além disso, o país fica sobre o círculo de fogo da orla do Pacífico, o que o deixa sujeito a mil terremotos por ano, em média.

Em 1º de setembro de1923, um violento terremoto de 8,9 graus na escala Richter arrasou Tóquio, matando mais de 105 mil pessoas.

Em 11 de março de 2011, um terremoto ainda maior, de 9 graus, abalou a costa nordeste do Japão e provocou a formação de ondas gigantes (tsunâmis) que causaram danos muito mais graves, inclusive um acidente nuclear. Mais de 19 mil pessoas morreram.

Com a inclemência da natureza, o fatalismo e a resignação diante da tragédia são características básicas da psicologia japonesa. A força e a tenacidade levaram o país do isolamento à construção de uma grande potência que, derrotada na Segunda Guerra Mundial, se tornou uma superpotência econômica e a segunda maior economia do mundo até 2010, quando foi ultrapassado pela China, inimiga histórica e hoje maior parceira comercial, o que gerou uma crise de identidade.

ECONOMIA
Terceira maior economia do mundo, apesar da escassez de recursos naturais e de ter sido arrasado na guerra, o Japão construiu um país sofisticado , com renda média de US$ 46,7 mil por pessoa. É o terceiro maior produtor mundial de automóveis e o maior de eletroeletrônicos.

Em 1957, o presidente da França, Charles de Gaulle, menosprezou os japoneses como “vendedores de radinhos de pilha”. Falava de Akio Morita, presidente histórico da Sony, que foi durante anos a mais prestigiada marca da indústria eletroeletrônica no mundo inteiro.

Com a concorrência cada vez maior de países como a China e a Coreia, o Japão se especializou em setores de alta tecnologia, como equipamentos óticos, carros híbridos e robôs. Dois terços dos robôs industriais são fabricados no Japão.

A euforia do Super-Japão, que desafiava os EUA nos anos 1980, acabou com o estouro da bolha especulativa e uma forte queda de preços a partir de 1991. Até hoje o país não saiu de um misto de deflação (queda de preços) com estagnação.

Numa sociedade que opera por consenso, é difícil decidir quem vai quebrar. O governo japonês aumentou sua dívida para 230% do produto interno bruto em sucessivos programas de estímulo econômico. Para combater a estagnação e a deflação, o primeiro-ministro Shinzo Abe aumentou o gasto público, eliminou regras e burocracia para estimular a atividade empresarial e colocou em circulação trilhões de ienes, a moeda japonesa, imprimindo dinheiro para gerar inflação de 2% ao ano.

Pode parecer estranho para um brasileiro, já que o Brasil lutou historicamente contra a inflação alta. Na deflação, como os preços caem, os compradores adiam as compras, as lojas fazem menos encomendas à indústria. Toda a economia entra numa espiral de declínio.

POVOAMENTO
As ilhas que formam o Japão são habitadas há pelo menos 30 mil anos. O povo ainu era maioria até o primeiro milênio da era Cristã. Foi derrotado, discriminado e gradualmente assimilado. Quase todos os japoneses (99%) se consideram membros de um único grupo étnico; 1% da população é coreana.

No século 4 da Era Cristã, o imperador Yamato unificou o país pela primeira vez.

Como a China era considerada o centro do mundo, o Império do Meio, na Ásia antiga, o Japão era conhecido como o país do sol nascente. O sol nascia antes no Japão.

BUDA E CONFÚCIO
A cultura japonesa conhecida hoje começa a se formar no século 6, com a chegada da China do budismo, da ética confucionista, da escrita ideográfica, da caligrafia, da arquitetura dos pagodas, da pintura em nanquim e das aquarelas. O arroz tinha vindo da China alguns séculos antes.

Ao lado do budismo, a outra grande base moral da sociedade japonesa é o confucionismo, o pensamento de Confúcio, um filósofo chinês que viveu nos séculos 6 e 5 antes de Cristo. É uma visão de mundo, uma ética social e uma ideologia política. Tem forte influência na China, no Japão, na Coreia e no Vietnã.

Do confucionismo, derivam a ética do trabalho árduo, da disciplina, da hierarquia, do respeito à autoridade e aos laços de família, e da superioridade do espírito sobre a matéria.

Para Confúcio, a educação era um processo sem fim de autorrealização. As instituições de promoção da cultura chinesa no exterior, a exemplo do que faz o Instituto Goethe para a Alemanha, chamam-se Institutos Confúcio.

XOGUNATO
No século 12, o crescimento de uma aristocracia militar, a casta dos samurais, ofusca o poder do imperador. Com a criação do bakafu, uma burocracia militar que administrava o país, o Japão passa a ser dominado por senhores feudais, os xoguns.

Essa Idade Média do Japão é mostrada em filmes como Os Sete Samurais, Kagemusha e Ran, de Akira Kurosawa.  

Os portugueses foram os primeiros europeus a chegar ao Japão, em 1543. Seis anos depois, o missionário jesuíta Francisco Xavier, São Francisco Xavier, desembarcou em Kagoshima.

ISOLAMENTO
Em 1603, o Xogunato Tokugawa estabeleceu sua capital em Edo (hoje Tóquio), proibiu o cristianismo que chegava com os missionários jesuítas e fechou o Japão aos estrangeiros. Por 250 anos, o único contato com o Ocidente foi um pequeno porto em Nagasaki.

Em 1635, os japoneses foram proibidos de viajar ao exterior e voltar ao Japão. Os navios portugueses foram banidos em 1639. Só a China e a Holanda mantiveram um comércio limitado à ilha de Dejima, em Nagasaki.

ABERTURA À FORÇA
Em 1853, o almirante americano Matthew Perry ameaçou bombardear o porto de Tóquio para abrir o Japão ao comércio internacional. O Japão cedeu.

Com a derrota da China para o Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42), os japoneses entenderam que a única maneira de resistir à expansão imperialista do Ocidente era se modernizar, se industrializar, se ocidentalizar e competir de igual para igual. Caso contrário, o Japão seria colonizado.

A modernização começa em 1868, com a Restauração Meiji, que devolve o poder ao imperador. A meta era se equiparar ao Ocidente para preservar a identidade e a independência do Japão.

IMPÉRIO
Em poucas décadas, o Japão se transformou numa potência militar agressiva. Venceu a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), acabando com a ordem sino-cêntrica no Leste da Ásia, e a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5). Foi a primeira derrota de uma nação europeia para um povo de fora do continente desde que a expansão do Império Otomano (turco) fora barrada nas portas de Viena, em 1683.

Com a vitória sobre a Rússia e o colapso do Império Chinês, o Japão ficou livre para anexar a Coreia em 1910. Para o nacionalismo japonês, “a Coreia é uma adaga apontada para o coração do Japão”.

GUERRAS MUNDIAIS
Na Primeira Guerra Mundial, o Japão lutou ao lado dos aliados, mas se limitou a tomar possessões da Alemanha na China e no Oceano Pacífico. Na Segunda Guerra Mundial, o Japão atacou os Estados Unidos e os impérios coloniais britânico, francês e holandês no Sudeste Asiático.

Em 1931, o Japão ocupou a região da Mandchúria, uma história contada no filme O Último Imperador, de Bernardo Bertolucci. Em 1937, invadiu as principais cidades do resto da China.

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
O ataque japonês à Frota do Pacífico dos EUA, baseada em Pearl Harbor (Porto da Pérola), no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, sem declaração de guerra, marca a entrada dos EUA na guerra.

Os japoneses foram os inimigos mais ferozes e obstinados jamais enfrentados pelos EUA numa guerra total.

Como a Rússia havia percebido na Guerra do Pacífico (1904-5), era um país totalmente armado e militarizado que ignorava as convenções da guerra na Europa. Era preciso entender sua cultura e seu comportamento.

HEROÍSMO
Na guerra, só havia virtude na aceitação de riscos mortais. As precauções eram desprezíveis. Isso se refletia no tratamento de feridos.

A morte era uma vitória do espírito – e o cuidado excessivo com doentes assim como excesso de proteção em aviões de combates, interferências indevidas no heroísmo. Morrer pela pátria é uma honra.

O Exército Imperial do Japão não tinha equipes de salvamento nem corpo médico na linha de frente. Em emergências, os hospitalizados eram simplesmente mortos ou se suicidavam com granadas de mão ou cometiam o harakiri, o suicídio ritural dos samurais para não se render.

NÃO SE RENDER JAMAIS
Esse sacrifício extremo se traduzia na política de não se render jamais. A honra exigia a luta até a morte. Mesmo que fosse capturado ferido e inconsciente, um soldados japonês “nunca mais poderia andar de cabeça erguida no Japão”.

No Norte da Birmânia, 142 soldados japoneses foram presos; 17.166 morreram. É uma proporção de 1/120. Na Batalha de Iwo Jima, de 19 de fevereiro a 26 de março de 1945, 22 mil japoneses resistiram ao cerco americano; no final, só 216 se renderam, 1/102.

É uma história contada em dois filmes de Clint Eastwood, a visão japonesa através da correspondência para as famílias em Cartas de Iwo Jima e Em Nome da Honra sobre a manipulação da imagem da bandeira dos EUA sendo cravada no Japão.

BOMBA ATÔMICA
Para vencer essa resistência obstinada, os EUA jogaram duas bombas atômicas no Japão, em Hiroxima em 6 de agosto de 1945 e em Nagasaki três dias depois, matando 140 mil pessoas. Como ainda tem gente morrendo dos efeitos da radiação, o total passa de 300 mil. 

Em 15 de agosto, o imperador Hiroíto anunciou a rendição do Japão, governado pelos EUA até 1952.

CONSITUIÇÃO PACIFISTA
Até hoje, o Japão tem uma Constituição imposta pelos EUA em 1947 que proíbe o país de ter armas nucleares e de enviar suas Forças Armadas ao exterior, a não ser em missões de paz da ONU. Os americanos mantiveram o imperador como chefe de Estado, mas acabaram com seu poder absoluto, transformando o Japão numa monarquia constitucional com parlamento eleito diretamente pelo povo.

O imperador Akihito ocupa o trono desde a morte do pai, em 1989. O primeiro-ministro é Shinzo Abe, no cargo desde dezembro de 2012, luta para recuperar a economia do país.

Com o crescente poderio militar da China, com quem disputa as ilhas Senkaku, e ameaças como o programa nuclear da Coreia do Norte, os nacionalistas defendem uma reforma constitucional para o Japão abolir a cláusula pacifista.

CARÁTER NACIONAL
No livro O Crisântemo e a Espada, a antrópologa americana Ruth Benedict observa que ao lado de uma educação refinada e de uma cortesia rara, os japoneses são insolentes e autoritários. Têm uma cultura rígida e conservadora, mas foram capazes de se adaptar a inovações extremas e construir uma das sociedades mais avançadas tecnologicamente do mundo. Podem ser leais e generosos, mas também traiçoeiros e vingativos.

Entre outras contradições, está o contraste entre a bravura e a timidez. É um povo que se dedica apaixonadamente a estudar a cultura ocidental. Fez isso, pelo menos inicialmente, para não se submeter ao colonialismo europeu e americano.

É um país que cultiva a arte e a estética, os jardins, os arranjos florais, os quimonos tradicionais bordados em seda. Tem seus rituais como a cerimônia do chá, onde o chá é apenas uma desculpa para uma reunião social.

LIBERTADOR DA ÁSIA
Por que o Japão entrou na guerra, na visão japonesa? Tendo alcançado a unificação e a paz em seu território, esmagado o banditismo, construído estradas, consolidado o potencial elétrico e a indústria do aço, além de ter educado 99% da população em escolas públicas, segundo cifras oficiais, o Japão teria o dever, de acordo com as ideias japonesas de hierarquia, de despertar sua irmã retrógrada, a China.

Sendo da mesma raça do poderoso oriente, deveria eliminar daquela parte do mundo os Estados Unidos, o Império Britânico e a Rússia. Até hoje, sob protesto dos vizinhos, os livros de História do Japão apresentam o país como libertador da Ásia dos impérios coloniais europeus.

MILITARISMO
Por toda a década de 30, o orçamento militar cresceu na medida das ambições japonesas, consumindo quase a metade da renda nacional e 83% das despesas do governo.

A força espiritual venceria o poder material superior dos EUA. Era ela que jogava os pilotos suicidas contra os navios inimigos. Eles ficaram conhecidos como kamikazes, nome do vento supostamente divino que impedira a invasão do Japão pelo conquistador mongol Gêngis Khan no século 13.

Quando começou a faltar comida e energia para calefação, no fim da guerra, a Sociedade de Cultura Física prescrevia exercícios para substituir o aquecimento e até o alimento, em oposição à cultura materialista do inimigo.

Nos sete séculos da Idade Média, o imperador foi uma figura menor. Os súditos deviam lealmente a seu senhor feudal, o daimio, e ao grande chefe militar, o xogum.

Mas, na guerra, “um Japão sem imperador não é Japão”. As opiniões se dividiam. Quem era contra a guerra afirmava que “o Imperador é contra a guerra”. Quem era a favor: “O Imperador conduziu o povo à guerra e meu dever é obedecer”. Também não era responsável pela derrota. O Imperador está acima de qualquer suspeita.

HIERARQUIA
A hierarquia é o princípio básico da ordem social no Japão, na China e em outros países do Leste da Ásia influenciados pelo confucionismo, como as Coreias e o Vietnã.

Até pouco tempo, no Japão, as casas não tinham endereço. O carteiro ia até o chefe local e perguntava onde moravam esta ou aquela pessoa. Há uma série de mesuras e deferências para se relacionar com outra pessoa que denotam essa hierarquia.

Dentro da família, a hierarquia se baseia no sexo, na geração e na primogenitura. O respeito e devoção aos pais é um aspecto central do confucionismo.

O pacto de guerra com a Alemanha e a Itália, firmado em 1940, aponta “condição precedente a toda paz duradoura que a todas as nações seja dada sua posição devida”.

IDIOMAS
O japonês é a lingual nacional. O ainu está praticamente extinto. A pequena população coreana fala coreano.

O inglês é ensinado nas escolas, mas, por causa das diferenças de pronúncia, às vezes a comunicação nas ruas é difícil, mesmo em Tóquio. A polícia, que está em toda parte, fala bem inglês, assim como os funcionários do metrô.

ESPORTE NO JAPÃO
O esporte é parte importante da cultura japonesa. Há no país 239,6 mil instalações esportivas, 62% em escolas secundárias, 23,6% são públicas, 3,8% ficam em universidades e 3,5% foram construídas por empresas para seus funcionários.

Os esportes tradicionais são artes marciais: sumô, judo, jiu-jítsu, caratê, aikido, arco e flecha, entre outras. Os esportes coletivos importados também são muito populares, especialmente o beisebol e, nos últimos anos, o futebol.

As artes marciais surgiram no Período Kamakura (1185-1333), no início da Idade Média no Japão.

O judô foi reconhecido oficialmente como esporte olímpico a partir dos Jogos de 1964, realizados em Tóquio. A segunda segunda-feira de outubro é um feriado nacional, Dia do Esporte e da Saúde. Lembra 10 de outubro de 1964, abertura da Olimpíada de Tóquio.

ESPORTES IMPORTADOS
Os esportes importados – beisebol, basquete, vôlei, futebol, rugby e golfe – chegaram com a abertura para o mundo, a partir de 1868. Foram introduzidos como método para aumentar a disciplina mental, mas viraram atividades de lazer. Recentemente chegaram os esportes radicais, como surge e skate.

Na época de riqueza e especulação do Super-Japão dos anos 1980, um título de clube de golfe poderia custar US$ 500 mil.

FUTEBOL
O futebol ganhou força com a criação em 1992 da Liga de Futebol Profissional do Japão, que atraiu talentos do exterior. Grandes ídolos do futebol mundial como os brasileiros Zico e Toninho Cerezo, e o inglês Gary Linecker, goleador da Copa de 1986, foram importantes para consolidar o esporte.

A popularidade do futebol cresceu. Ele é hoje o esporte favorito de 29% dos japoneses, contra 23% em 2005. O beisebol lidera com 45%, mas há pouco anos tinha 57%. O sumô é o terceiro com 15%.

Além de organizar a Copa de 2002 junto com a Coreia do Sul, o Japão participou de todas as Copas do Mundo desde 1998. Veio ao Brasil para a Copa das Confederações, em 2013, como campeão da Ásia.

VESTUÁRIO
Com a modernização do país a partir de 1868, os japoneses foram estimulados a adotar os hábitos ocidentais. Os tradicionais quimonos, símbolos de um passado que eles queriam erradicar, foram trocados por terno e gravata para os homens e vestidos para as mulheres.

Quando o país começou a recuperar sua identidade destroçada pela derrota na Segunda Guerra Mundial, os valores tradicionais japoneses foram resgatados. Nas grandes festividades de rua, a grande maioria usa trajes ocidentais, mas sempre aparecem alguns casais de quimono caminhando com dificuldade com tamancos de madeira.

Nos cartazes de propaganda de rua, os modelos são quase sempre ocidentais como a brasileira Gisele Bündchen. O padrão de beleza corporal também foi importado.

Os jovens seguem as tendências do Ocidente, com cabelos pintados nas mãos diferentes cores e roupas informais, muito jeans e roupas rasgadas, o que seria inadmissível há poucas décadas. Na Copa do Mundo de 2010, um locutor da televisão japonesa comentou que não tinha nenhum jogador do Japão com o cabelo preto.

CULINÁRIA
O arroz é a base da cozinha japonesa. As refeições se chamam arroz da manhã, arroz do meio-dia e arroz da noite. Como só 11% do solo japonês são aráveis, o custo de produção é altíssimo. Os agricultores, importante base política do Partido Liberal-Democrata, que domina a política do país no pós-guerra, fazem forte pressão contra a importação.

O arroz importado é oito vezes mais caro, mas a cada importação de arroz aparece um japonês para provar publicamente o arroz importado e declarar que não se compara ao produzido no Japão.

Quem se hospeda num ryokan, os hotéis tradicionais onde se dorme em cama de tatame, tem incluído no preço três refeições diárias que não variam muito: arroz, peixe, alguns poucos legumes em conserva, tofu (queijo de soja), algas marinhas e algumas verduras. Uma sobremesa tradicional é o doce de feijão.

Num país pobre, até insetos eram alimentos. Como o Japão é um arquipélago, também entravam na dieta todo tipo de produtos do mar.

O Japão também é responsável pela culinária macrobiótica, uma escola de medicina natural que foi buscar na cultura tradicional a cura para as doenças da civilização.

Com o enriquecimento do país nas últimas décadas, o Japão virou um grande importador de alimentos e os incorporou à culinária japonesa. Também passou a exportar sua cozinha, os bares de sushi que estão por todo o mundo, as massas e cervejas de arroz, o saquê.

A carne, muito cara, virou uma iguaria. Os japoneses passaram a criar bois em cativeiro alimentados a cerveja e cereais integrais. Eles não andam e são submetidos a massagens regularmente para não enrijecer a musculatura.

Um bife de Kobe, feito com esta carne, custa centenas de dólares. Também há melões especiais que custam a partir de US$ 400. Por isso, alguns guias de turismo recomendam os restaurantes japoneses do Brasil, muito mais baratos do que os do Japão.

RELAÇÕES COM O BRASIL
Os portugueses foram os primeiros ocidentais a desembarcar no Japão. Eles levaram o cristianismo e as armas de fogo, lançando as primeiras sementes da cultura ocidental. Foi o primeiro choque de civilizações a abalar a sociedade japonesa.

No começo do século 17, houve uma violenta reação contra o cristianismo. O xogum Ieyasu Tokugawa expulsou os missionários e comerciantes europeus, mantendo apenas um comércio mínimo com a China e a Holanda.

A imigração japonesa para o Brasil começa em 1908. Ao todo, vieram cerca de 200 mil japoneses, principalmente para os estados de São Paulo e do Paraná, história está contada no filme Gaijin, da cineasta brasileira Tizuka Yamazaki. Hoje os japoneses e seus descendentes são cerca de 1,5 milhão.

JAPÃO BRASILEIRO
É a maior população japonesa fora do Japão. Por isso, o japonês é o segundo idioma mais falado entre as mais de 200 línguas usadas no Brasil (mais de 180 são indígenas).

São Paulo é a maior cidade japonesa fora do Japão. Quem desce do metrô no bairro da Liberdade e vê aquela profusão de luminosos de restaurantes pode imaginar que está em Tóquio. Nas feiras livres, encontram-se tofu e o mochi, o bolinho de arroz comido para dar sorte.

Com o aumento da riqueza do Japão, muitos descendentes fizeram a viagem de volta em busca de emprego na terra de seus ancestrais. Aculturados no Brasil, muitas vezes entram em conflito com a ridigez e a disciplina da sociedade japonesa – e são discriminados por isso.


Até a crise do petróleo de 1973, que acabou com o milagre econômico brasileiro, o Brasil era o principal destino dos investimentos japoneses em países em desenvolvimento. São economias complementares. O Japão tem capital e tecnologia. Faltam terras, mão de obra barata e recursos naturais. Hoje em dia, a China é a principal destinatária do investimento japonês.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Holanda é antigo império que virou liberal e progressista

O Reino dos Países Baixos, mais conhecido aqui como Holanda, o nome latino, é um país do Noroeste da Europa formado por 12 províncias, entre elas a Holanda do Norte e a Holanda do Sul, daí o nome, que significa floresta densa, e seis ilhas da região do Mar do Caribe, as Antilhas Holandesas: Aruba, Bonaire, Curaçao, Saba, Santo Estácio e São Martinho.

Apesar de pequeno, é uma potência comercial, um país moderno, cosmopolita e liberal, ousado em políticas sociais como a eutanásia, a legalização da prostituição, e a descriminalização do consumo e posse de pequenas quantidades de drogas leves (maconha e haxixe).

A Holanda tem 41,5 mil quilômetros quadrados. Cerca de 6,5 mil km2 são terras conquistadas do mar, lagos e pântanos desde a Idade Média, com um sistema de drenagem, diques e moinhos de vento, um dos principais símbolos do país, ao lado dos tamancos e dos chapéus de laço das camponesas. Ainda hoje, mil moinhos de vento tradicionais coexistem com bombeamento a diesel ou eletricidade. Alguns foram tombados pela Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (Unesco).

Cerca de 25% do território e 21% da população ficam abaixo do nível do mar. O ponto mais alto da Holanda tem 323 metros. Com apenas 0,008% das terras do planeta, é um dos maiores exportadores agrícolas.

A oeste e norte, a Holanda é cercada pelo Mar do Norte; a leste, pela Alemanha; e ao sul, pela Bélgica. É um país baixo e plano, com grandes extensões cobertas por lagos, rios e canais.

A capital oficial do país e seu principal centro comercial e financeiro é Amsterdã, onde fica o palácio real, uma cidade construída sobre a água. O Parlamento e a sede do governo ficam em Haia.

A cidade também sedia vários tribunais internacionais: a Corte Internacional de Justiça (o tribunal das Nações Unidas), a Corte Internacional de Arbitragem, o Tribunal Penal Internacional, o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia e o Tribunal Especial para o Líbano.

POPULAÇÃO
Com 16,8 milhões de habitantes, a Holanda é um dos países de maior densidade populacional, 404 habitantes por km2, superado apenas por Cingapura, Vaticano e Malta, que são muito pequenos, Bangladesh, Taiwan e a Coreia do Sul.

Cerca de 80,7% dos habitantes são brancos holandeses, 5% cidadãos de outros países europeus, 2,4% indonésios, 2,2% turcos, 2% marroquinos, 2% surinameses e 0,8% afrocaribenhos. Os holandeses são o povo mais alto da Europa, talvez graças a uma dieta com muito cálcio por causa de seu famoso rebanho leiteiro e ao elevado consumo de produtos lácteos.

POLÍTICA
A Holanda é uma monarquia constitucional desde 1848. Em 30 de abril de 2013, Willem-Alexander, casado com uma princesa argentina, foi coroado rei.

O chefe de governo é o primeiro-ministro, quase sempre o líder do partido majoritário no Congresso bicameral, formado por uma Câmara com 150 deputados eleitos diretamente pelo povo e o Senado, com 75 cadeiras, eleito indiretamente, que atua apenas como câmara revisora.

No momento, o primeiro-ministro é Mark Rutte, do direitista Partido Popular pela Liberdade e a Democracia, que conquistou 41 dos 150 deputados da Câmara nas eleições de 2012 e fez aliança com o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, livrando-se do Apelo Democrata-Cristão e do ultradireitista Partido da Liberdade, que o apoiaram no seu primeiro governo, formado em 2010.

Como todos os governos costumam ser de coalizão, o país criou uma tradição de acordos políticos e formação de consensus, um pouco abalada no século 21 pelo surgimento de partidos de extrema direita contrários à imigração.

INTOLERÂNCIA
Dias antes das eleições de 2002, numa ruptura da longa história de tolerância da Holanda, o neofascista Pim Fortuyn, líder da Lista Pim Fortuyn, foi assassinado a tiros.

Em 2004, o Partido da Liberdade, liderado por Geert Wilders, que ficou em terceiro lugar nas eleições, mas em 2014 teve um desempenho aquém do esperado nas eleições para o Parlamento Europeu, em que a ultradireita nacionalista e antieuropeia venceu as eleições na França, no Reino Unido e na Dinamarca.

Também em 2004, o cineasta Theo van Gogh, bisneto do irmão do pintor, que fizera um documentário sobre a opressão da mulher nas sociedades muçulmanas, foi morto por um extremista muçulmano.

ECONOMIA
Com o produto interno bruto de US$ 800 bilhões de dólares (estimativa do FMI para 2013), a Holanda é o 18º país mais rico do mundo, membro do Grupo dos Vinte (G-20). A renda média por habitante de US$ 47,62 mil por ano.

A Holanda, fundadora a Comunidade Europeia e da Zona do Euro, tem uma economia moderna, próspera e aberta, fortemente dependente do comércio exterior, com exportações de US$ 556 bilhões e importações de US$ 490 bilhões em 2012. Roterdã é o maior porto da Europa e o 10º do mundo.

Desde o século 16, a navegação, a pesca, a agricultura, o comércio e o setor financeiro são setores importantes da economia holandesa.

De 1996 a 2000, o país cresceu 4% ao ano, acima da média europeia, e adotou o euro como moeda. Depois de um crescimento menor no início do século 21, a economia avançou 3,4% em 2006 e 3,9% em 2007. Os maiores parceiros comerciais são Alemanha (26,3%), a Bélgica (14,1%), a França (8,8%) e o Reino Unido (8%).

Sob o impacto da crise financeira internacional de 2008-9, a economia encolheu 3,5% em 2009, teve crescimento fraco durante dois anos e voltou a entrar em recessão em 2012, caindo 0,5%, por causa da crise das dívidas públicas dos países da periferia da Zona do Euro (Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha).

O desemprego estava em 8,7% em julho de 2013. Sob pressão da Comissão Europeia para cumprir as metas de equilíbrio fiscal, o governo terá de cortar gastos e aumentar impostos. A previsão de crescimento para 2014 foi reduzida para 0,5%, com alta do desemprego para 9,25%.

HISTÓRIA
As terras baixas onde hoje fica a Holanda registram a presença seres humanos há pelo menos 370 mil anos. Eram habitadas por tribos celtas e germânicas quando foram conquistadas pelos romanos na época de Caio Júlio César, em 55 antes de Cristo.

Com o fim do Império Romano do Ocidente, no século 5 da era cristã, a região ficou sob o controle de três tribos germânicas: os frísios, no Norte; os saxões, no Nordeste; e os francos, Centro-Sul.

Os francos se tornaram cristãos com a conversão do rei Clovis I, em 496, e assim o cristianismo chegou ao que hoje é a Holanda.

SACRO IMPÉRIO
Quando Carlos Magno fundou o Sacro Império Romano-Germânico, no ano 800, a atual Holanda fazia parte. Com o fim do Império Carolíngio, em 888, seu território foi dividido em pequenos condados, um deles chamado Holanda. Nos séculos 9 e 10, a região foi atacada várias vezes pelos vikings da Escandinávia.

Em 1433, Felipe o Bom, Duque da Borgonha, hoje uma região da França, tomou a Baixa Lotaríngia e a rebatizou como Terras Baixas da Borgonha.

Em 1477, o casamento de Maria da Borgonha com Maximiliano da Áustria uniu o país à Dinastia dos Habsburgo. Quando casamentos dinásticos deixaram o país sob o controle da Espanha, os reis Carlos V e Felipe II reprimiram o protestantismo, levando à Revolta Holandesa e à independência.

INDEPENDÊNCIA
Em 1568, Guilherme, o Taciturno, da Dinastia de Orange, liderou a revolta das províncias protestantes do Norte contra os espanhóis, que tinham organizado uma visitação da Inquisição. Foi uma das primeiras revoluções liberais da História. A Revolta Holandesa abriu o país ao comércio e trouxe uma era de grande prosperidade.

A República Unida da Holanda foi proclamada em 1579. Em 1581, declarou independência da Espanha. A Revolta Holandesa ou guerra da independência vai até 1648, quando a Paz da Vestfália, negociada no fim da Guerra dos Trinta Anos (1618-48), reconhece a independência do país. Na Holanda, é chamada de Guerra dos 80 Anos.

Em 1602, a Companhia Holandesa das Índias Orientais tornou-se a primeira empresa com ações vendidas em bolsas de valores. Precisava de capital para financiar a expansão colonial.

TULIPAMANIA
A tulipa é a flor nacional e já foi mania na Holanda a ponto de ter criado uma bolha especulativa que estourou em 1637.

A flor foi introduzida na Europa por um embaixador do Império Otomano que enviou bulbos e sementes para Amsterdã e Antuérpia em 1554. Logo se tornou um luxo cobiçado pela burguesia comercial ascendente.

Em 1636, a tulipa era o quarto produto de exportação da Holanda, depois de gin, arenque e queijo. No auge da Tulipamania, em 1637, um bulbo chegou a custar 4,5 mil florins, cerca de 15 vezes a renda anual de um artesão qualificado, que era de cerca de 300 florins. Até que alguém disse o óbvio, que era apenas uma flor – e a bolha estourou.

AMÉRICA
As primeiras fortificações e assentamentos holandeses na América foram instalados na Amazônia nos anos 1590s. Em 1624, eles compraram a ilha de Manhattan dos índios por US$ 24 e fundaram ali a Nova Amsterdã.

Com a queda do Brasil Holandês, em 1654, os judeus fugiram para Nova Amsterdã. Em 1664, o Forte Amsterdã foi tomado pelos ingleses na Segunda Guerra Anglo-Holandesa (1665-67).

Durante a Terceira Guerra Anglo-Holandesa (1672-74), os holandeses retomaram a cidade em julho de 1673. Com o Tratado de Westminster, em novembro de 1674, a cidade foi devolvida aos ingleses, que a rebatizaram como Nova York. Em compensação, a Holanda ficou com o Suriname.

INVASÕES
No século 17, quando era a maior potência marítima e comercial, a Holanda invadiu duas vezes o Nordeste brasileiro, a Bahia (1624-25) e Pernambuco (1630-54). Era o período do Domínio Espanhol (1580-1640), quando o rei da Espanha governou Portugal na chamada União Ibérica, e a Holanda estava em guerra com a Espanha e depois com a Inglaterra.

Em 9 de maio de 1624, cerca de 3,4 mil holandeses liderados por Jacob Willekens tomaram Salvador, a capital colonial, sem encontrar grande resistência, mas não conseguiram manter a conquista.

Menos de um ano depois, em 27 de março de 1625, uma esquadra de mais de 50 navios espanhóis e portugueses sob o comando do almirante espanhol Fradique de Toledo y Osorio contra-atacou os holandeses. Depois de uma batalha de 35 dias, os holandeses se renderam em 1º de maio, no Convento do Carmo, em Salvador, transformado em quartel-general da resistência brasileira.

Ao desembarcar ao norte de Olinda, onde hoje fica o Forte de Pau Amarelo, em 1630, os holandeses foram guiados por um judeu. A República Holandesa era liberal e tolerante, enquanto a colônia portuguesa tinha recebido uma visitação do Santo Ofício em 1590-91 e os judeus temiam a perseguição pela Igreja Católica.

Com o ciclo do açúcar, Pernambuco era a mais rica das províncias ultramarinhas portuguesas. Na época, o açúcar era a mercadoria mais importante do mercado internacional e o Brasil o maior produtor, posição mantida até hoje. Era o melhor negócio da colônia; o segundo era o tráfico de escravos.

NASSAU
O Brasil Holandês chegou a ocupar uma grande extensão da costa, do Norte da Bahia ao Maranhão durante o governo do conde alemão João Maurício de Nassau (1637-44), príncipe do pequeno Principado de Nassau-Siegen, parte do Sacro Império Romano-Germânico.

Com a ajuda de um famoso arquiteto holandês, Pieter Post, nasceu desenvolveu o Recife ampliando para uma nova ilha onde construiu a Cidade Maurícia, ligada ao Recife antigo por uma ponte.

Como os nativos se recusavam a usá-la, Nassau inventou que haveria um boi voador do outro lado. Chegou a construir um mecanismo para fingir que um boi voava.

Nassau também instaurou câmaras municipais, modernizou a infraestrutura de transportes do Recife, criou o Jardim Botânico, o Museu de História Natural e o Zoológico.

Seus gastos excessivos alarmaram os acionistas da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. Sem total liberdade para fazer o que quisesse, Nassau voltou à Europa em julho de 1644.

A derrota do Brasil Holandês foi essencial para a integração nacional, argumenta o historiador pernambucano Evaldo Cabral de Mello, autor de vários livros sobre a invasão holandesa, como Nassau: governador do Brasil Holandês, O Negócio do Brasil  e Olinda Restaurada. Naquela época, o Brasil estava no Nordeste.

Se não estourasse a Primeira Guerra Anglo-Holandesa (1652-54), talvez a Insurreição Pernambucana não tivesse o mesmo sucesso no cerco e assalto final ao Recife, na Batalha dos Guararapes.

Os holandeses levaram a tecnologia de produção do açúcar de cana para o Caribe. A segunda metade do século 17 foi a Idade de Ouro da Holanda.

O Museu Naval, em Amsterdã, e o museu Casa de Maurício de Nassau, em Haia,  têm bons acervos sobre o Brasil Holandês.

IDADE DE OURO
O século 17 é também a época do pintor Rembrandt van Rijn, do filósofo e jurista Hugo Grotius, um dos pais do direito internacional, do filósofo Baruch Spinoza. Dois grandes filósofos, o francês René Descartes, pai do racionalismo, e inglês John Locke, pai do liberalismo, moraram na Holanda.

Em 1795, a França invade a Holanda. É proclamada a República Bátava. Em 1810, Napoleão anexa a Holanda à França.

Depois da derrota de Napoleão e do Congresso de Viena (1815), que restaura as monarquias derrubadas nas guerras napoleônicas, nasce o Reino dos Países Baixos (Bélgica, Holanda e Luxemburgo). A Bélgica se separa em 1830; o Grão-Ducado de Luxemburgo, em 1890.

COLÔNIA DO CABO
Em 1652, holandeses a caminho das Índias Orientais naufragaram numa tempestade perto do Cabo das Tormentas, que um rei de Portugal rebatizara como Cabo da Boa Esperança, mas os marinheiros conheciam pelo antigo nome. Numa baía, o capitão Jan van Riebeeck fundou a Colônia do Cabo, inicialmente apenas um ponto de apoio para os navios da Companhia Holandesa das Índias Orientais.

Aos calvinistas holandeses, depois se juntaram os huguenotes franceses perseguidos por Luís XIV. Seus descendentes, conhecidos como africâneres, criaram o regime do apartheid, que segregou a maioria negra na África do Sul até a eleição de Nelson Mandela, em 1994.

A partir de 1691, a Cia. nomeou um governador para a Colônia do Cabo, tomada pelos britânicos em 1806, durante as guerras napoleônicas, quando a França, inimiga da Grã-Bretanha, dominava a Holanda.

OURO
Depois de descoberta do ouro no Rio Orange por Erasmus Jacobs, em 1867, o Império Britânico anexou a Província do Transvaal em 1887. Os bôeres (agricultores, em holandês), os colonos descendentes de holandes e huguenotes se revoltaram e reconquistaram sua independência na Primeira Guerra dos Bôeres (1880-81).

Na Segunda Guerra dos Bôeres, o Império Britânico prevaleceu e impôs seu domínio sobre todo o país, conquistando definitivamente o Estado Livre de Orange e a Província do Transvall. Nessa guerra, os britânicos internaram os bôeres no interior do país em campos de concentração. Para o império, os bôeres tinham se transformado na “tribo branca da África”, tinham se brutalizado e se tornado inferiors aos europeus.

Em 1910, o Transvaal e o Estado Livre de Orange se juntaram à Colônia do Cabo na União Sul-Africana. A colonização holandesa sobreviveu na cultura africâner até a democratização da África do Sul, em 1994.

GUERRAS
A Holanda ficou neutra na Primeira Guerra Mundial. Na Segunda Guerra Mundial, é ocupada pela Alemanha em 10 de maio de 1940. Mais de 100 mil judeus foram presos e enviados para campos de concentração nazistas na Alemanha, na Polônia e na Tcheco-Eslováquia.

O Diário de Anne Frank, um dos maiores símbolos da luta da inocência contra o nazismo, foi escrito no sótão camuflado de uma casa de Amsterdã hoje transformada em museu.

Em 8 de dezembro de 1941, um dia depois do ataque japonês aos EUA em Pearl Harbor, a Holanda declarou guerra ao Japão. A invasão das Índias Orientais holandesas, a atual Indonésia, começou em janeiro de 1942. Depois da Batalha do Mar de Java, em 27 de fevereiro, os japoneses tomaram as principais ilhas. O Japão precisava com urgência do petróleo que os EUA lhe negavam desde agosto.

Durante a ocupação japonesa, dos 80 mil europeus internados em campos de concentração, 14,8 mil foram mortos, assim como 12,5 mil dos 34 mil prisioneiros de guerra.

PÓS-GUERRA
No pós-guerra, a Indonésia declarou independência em 17 de agosto de 1945, dois dias depois da rendição do Japão e a conquistou em dezembro de 1949. O Suriname declarou independência em 1975.

Em 1948, forma-se o Benelux, uma área de livre comércio reunindo Bélgica, Holanda e Luxemburgo, precursor da Comunidade Econômica Europeia, que seria fundada em 1957 por esses três países, Alemanha Ocidental, França e Itália.

DOENÇA HOLANDESA
Em 1959, a descoberta de uma grande jazida de gás natural aumentou muito as exportações da Holanda, valorizando a moeda nacional, o florim, o que levou a um declínio do setor industrial. Daí nasceu a expressão “doença holandesa”, quando a exportação de produtos primários sobrevaloriza a moeda causando problemas econômicos.

RELAÇÕES COM O BRASIL
A história das relações bilaterais é marcada pelas duas invasões ao Brasil no tempo em que a Holanda era a maior potência mundial.

Numa visão militar, o conflito terminou com a vitória brasileira na Batalha dos Guararapes e a libertação do Recife. No livro O Negócio do Brasil, o historiador Evaldo Cabral de Mello ensina que a guerra entre Holanda e Portugal só terminou depois de uma guerra maritime de 1657-61 e de dois acordos de paz, em 1661 e 1669, em que os holandeses reconheceram a soberania portuguesa sobre o Nordeste em troca de concessões financeiras e comerciais.

Pelo Tratado de Londres, de 1661, Portugal deveria pagou 4 milhões de cruzados durante 16 anos pelo Nordeste. No Tratado de Haia, de 1669, a indenização foi reduzida para 2,5 milhões de cruzados a serem pagos em 20 anos.

Além do Brasil e da Nova Amsterdã, tomada pelos ingleses e rebatizada como Nova York, a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais ficou com a Costa do Ouro e o Suriname. Mas não sobreviveu. Faliu no início dos anos 1670s.

INTEGRIDADE TERRITORIAL
“A primeira fronteira do Brasil não foi o Prata ou a Amazônia. Foi aí que nossa integridade territorial correu maior perigo. Por lamentável que tivesse sido, a perda do Rio Grande do Sul não teria comprometido a unidade nacional, como não o fez a independência do Uruguai, mas a consolidação do Brasil holandês estilhaçaria a América portuguesa”, argumenta Cabral de Mello.

Sem a restauração da coroa portuguesa, em 1640, a Espanha teria cedido o Nordeste à Holanda como o fez no papel na Paz da Vestfália, em 1648.

A reconquista do Nordeste é um dos momentos fundadores da nação brasileira e de seu mito fundador de que o país foi construído por três raças: brancos europeus e brasileiros, negros e índios.

Se o Nordeste pertencesse à Holanda, alega o historiador, provavelmente teria sido invadido pelo Império Britânico durante as guerras napoleônicas, como aconteceu com a Colônia do Cabo, no Sul da África.

IDIOMA
O holandês, uma língua germânica igual ao flamengo falado em Flandres, no Norte da Bélgica, é a língua oficial do país. A maioria dos holandeses fala pelo menos uma língua estrangeira.

Além da Bélgica, o holandês também é falado nas Antilhas Holandesas e nas ex-colônias, no Suriname e na Indonésia. O africâner, idioma dos brancos sul-africanos, derivou do holandês.

RELIGIÃO
A Reforma Protestante e a influência calvinista foram essenciais na formação histórica e cultural da Holanda. Hoje é um dos países mais secularistas do mundo. Menos de 20% dos holandeses vão à igreja regularmente.

Cerca de 28% são protestantes e 24% católicos . Os muçulmanos são 800 mil, quase 5% da população, 250 mil budistas e 200 mil hindus.

EDUCAÇÃO
A educação é compulsória dos 4 aos 16 anos, e semicompulsória de 16 a 18 anos. Quando passam de ano, as crianças costumam pendurar o mochila da escola com uma bandeira nacional do lado de fora da janela.

CULTURA
A Holanda tem mais de mil museus. Amsterdã, onde há 42, guarda 206 quadros de Vincent van Gogh e 22 de Rembrandt.

Os Rembrandts estão no Museu Nacional, ao lado de outros mestre da escola clássica holandesa, como Johanes Vermeer, Jan Steen, Jacob van Ruysdal. Nos séculos 19 e 20, destacam-se Van Gogh, Piet Mondrian e M. C. Escher.

Talvez o maior escritor holandês seja o filósofo Desidério Erasmo, o Erasmo de Rodertã, autor de O Elogio da Loucura, lançado em 1511, que a superstição, os abusos e a corrupção na Igreja Católica, que nunca abandonou. Ele é considerado o maior intelectual do Renascimento no Norte da Europa.

Crítico da Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero em 1517, Erasmo lançou as bases da tolerância e advertiu para o risco das guerras religiosas que assolariam a Europa por mais de cem anos. Chegou a ser acusado por bispos católicos de “botar o ovo” para a Reforma da Igreja.

DIREITO INTERNACIONAL
Outro intelectual holandês de inestimável importância histórica foi o filósofo e jurista Hugo Grotius, considerado o pai do direito internacional. Menino-prodígio, aos 16 anos, Grotius publicou seu primeiro livro e foi nomeado advogado.

Grotius iniciou seus estudos sobre direito internacional depois da captura do navio português Santa Catarina onde hoje é Cingapura por um capitão holandês, em 1603, sob a alegação de que a Espanha e Portugal estavam em guerra com a Holanda. A própria Companhia Holandesa das Índias Orientais foi contra a captura.

LIVRE NAVEGAÇÃO
Em 1609, no livro Liberdade dos Mares, Grotius formulou o princípio de que os mares eram territórios internacionais e deveriam ser abertos à navegação e ao comércio. A Inglaterra contestou.

No fim da discussão, ficou estabelecido que o mar territorial de cada país seria limitado à distância de um tiro de canhão, na época menos de 5 km.

Em 1651, a Inglaterra aprovou a Lei da Navegação, proibindo a entrada no país de mercadorias que chegassem em navios ingleses. Isso levou à Primeira Guerra Anglo-Holandesa (1652-54).

LEIS DE GUERRA
Diante da Guerra dos Trinta Anos (1618-48), Grotius defendeu a necessidade de leis para regulamentar os conflitos armados entre países: “Totalmente convencido de que há uma lei comum entre as nações que é válida para a guerra e durante a guerra, tenho várias razões de peso para escrever sobre o assunto. Através do mundo cristão, observei uma falta de contenção em relação à guerra da qual mesmo as raças mais bárbaras deveriam se envergonhas; observei que os homens correm para as armas pelas menores causas, ou mesmo nenhuma causa, e que, quando se recorre às armas, não há mais respeito por nenhuma lei, divina ou humana; é como se, de acordo com um decreto geral, um frenesi permitisse cometer todos os crimes.”

No livro Sobre a Lei da Guerra e da Paz, em três volumes, Grotius apresenta seus conceitos sobre guerra e direito natural no primeiro volume, considerando a guerra justificável em alguns casos, como autodefesa, para reparar uma injustiça ou como punição, no segundo. No terceiro, ele discute as regras para a conduta na guerra depois de iniciada.

Seus argumentos e os de Francisco de Vitória foram as bases para a teoria da guerra justa, hoje substituída pela legitimidade da guerra.

Em 1º de abril de 2001, a Holanda aprovou o casamento de pessoas do mesmo sexo.

CULINÁRIA
A cozinha holandesa se baseia nos abundantes recursos pesqueiros e agrícolas do país, com grande destaque para leite e laticínios. A carne e as batatas são pratos de resistência. O consumo de peixe é elevado, até mesmo de arenque cru.

Um prato típico é a panqueca holandesa. Os queijos Edam e Gouda são variedades holandesas.

ESPORTE
Cerca de 4,5 milhões de pessoas estão associadas aos 35 mil clubes esportivos do país. O ciclismo é uma mania nacional, como meio de transporte e esporte. A Holanda tem 15 mil km de ciclovias e duas bicicletas para cada carro.

A Holanda participa das Olimpíadas desde 1900. Em 1928, organizou os Jogos de Amsterdã.

O iatismo, o hóquei na grama, o esqui, o vôlei e o tênis são muito populares. O holandês Richard Kraijcek, campeão de Wimbledon em 1996, foi o único a derrotar Pete Sampras no torneio em sua melhor fase.

FUTEBOL TOTAL
O esporte favorito dos holandeses é de longe o futebol. Três vezes vice-campeã do mundo, a Holanda é uma das grandes seleções que jamais conseguiu um título mundial. Foi campeã da Europa em 1988.

A Laranja Mecânica, apelido da seleção holandesa de 1974, é ao lado da Hungria de Ferenc Puskas uma das grandes seleções que fizeram História e são mais conhecidas do que as seleções alemãs que as derrotaram.

Sob a liderança do capitão Johan Cruijff, a seleção dirigida pelo técnico Rinus Michels lançou o “futebol total”, pressionando os adversários no campo todo sem guardar posição e se lançado rapidamente ao ataque. Na mesma época, o Ajax, de Amsterdã, foi três vezes campeão europeu (1971, 1972 e 1973) e campeão mundial de clubes em 1972 e 1995, derrotando o Grêmio nos pênaltis na última vez.

Na seleção campeã europeia, os destaques foram Ruud Gullit, Marco van Basten e Frank Rijkaard. Na equipe atual os destaque são Wesly Sneijder (fala-se como o alemão Schneider) e Arjen Robben.

Brasil x Holanda já é um clássico em Copas do Mundo. O Brasil perdeu a semifinal para a Holanda de Cruijff em 1974 por 2-0. Ganhou de 3-2 nas quartas de finais em 1994. Depois de 1-1 no tempo normal, venceu nos pênaltis em 1998. Em 2010, o Brasil saiu na frente com gol de Robinho, mas a Holanda virou o jogo com dois gols de Sneijder e eliminou o Brasil.

Em 2011, a Holanda chegou a liderar o ranking da Fifa.

Espanha moderna e democrática é a campeã do mundo

A campeã mundial Espanha, humilhada pela vice-campeã Holanda hoje em Salvador, é um país de 505 mil quilômetros quadrados e 47,26 milhões de habitantes situado no extremo sudoeste da Europa. Ocupa 85% da Península Ibérica, que divide com Portugal. É banhada pelo Mar Mediterrâneo e pelo Oceano Atlântico, o que a ajudou a se transformar numa potência naval e num império colonial.

É um país com uma história rica, cheio de castelos, monumentos e cidades sofisticadas, diversificado geográfica e culturalmente, o que o tornou o segundo principal destino turístico do mundo, atrás apenas da França, movimentando cerca de 40 bilhões de euros por ano.

No momento, a Espanha enfrenta sua pior crise econômica desde a democratização do país, em 1975, com a morte do ditador Francisco Franco. O desemprego passa de 25% e chegou a 56% entre os jovens.

GEOGRAFIA
No coração da Espanha, fica a Meseta, um grande planalto central com cerca de 800 metros de altitude onde fica Madri. É uma região dedicada historicamente à criação de gado e à produção de grãos. Com os moinhos de vento que existem até hoje, foi o cenário do romance Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes, considerado a obra-prima da literatura espanhola.

O Nordeste da Espanha é dominado pelo vale do Rio Ebro e a região montanhosa da Catalunha, que já foi independente, onde fica Barcelona, a segunda grande metrópole do país, e a costa montanhosa de Valência.

No Norte, estão o País Basco e os Montes Pirineus, que separam Espanha e França. O principado de Andorra é um enclave entre os dois países.

No Noroeste, fica a Cardilheira da Cantábria, com vales profundos e vegetação densa. A oeste, está Portugal.

No Sul, há o vale do Rio Guadalquivir, celebrado pelos poetas Federico García Lorca e Antonio Machado. Acima deste vale, destacam-se as montanhas da Serra Nevada.

A parte mais ao Sul é desértica, uma extensão do Deserto do Saara. Foi cenário dos filmes de bangue-bangue dos anos 1960s e 1970s conhecidos como western spaghetti.

A costa do Mar Mediterrâneo e as Ilhas Baleares têm um clima agradável que atrai milhares de pessoas a cada verão europeu, além de ser um lugar favorito para a aposentadoria de europeus do Norte, de países de clima mais frio.

A Espanha ainda domina as Ilhas Canárias, no Oceano Atlântico, e mantém dois enclaves coloniais de Ceuta e Melila, no Marrocos, no Norte da África.

POPULAÇÃO
A Espanha tem 47,26 milhões de habitantes. Sua densidade populacional, de 91 hab/km2, está abaixo da média da Europa Ocidental.

Os espanhóis são 88% da população. Os outros 12% são imigrantes, dos quais 39% latino-americanos, 16% norte-africanos e 15% europeus-orientais.

GOVERNO
De 1833 a 1939, no fim da guerra civil, a Espanha viveu sob um regime constitucional parlamentarista, seguido pela ditadura do generalissimo Francisco Franco e suas Leis Fundamentais, decretadas de 1942 a 1967.

Depois da morte do ditador Francisco Franco, em 1975, a Espanha se tornou uma monarquia constitucional. O rei  Juan Carlos I iniciou o processo de transição para a democracia. Em outubro de 1978, foi aprovada a nova Constituição. O rei resistiu a uma tentativa de golpe do coronel Antonio Tejero Molina, em 1981.

As Cortes do Parlamento tem duas câmaras: o Congresso dos Deputados, com 350 cadeiras e mandato de quatro anos, e o Senado. Cada uma das 47 províncias continentais elege quatro senadores e as ilhas de um a quatro, dependendo do tamanho. Ceuta e Melila têm dois senadores cada.

O atual primeiro-ministro é Mariano Rajoy, líder do conservador Partido Popular. Está na chefia de governo desde novembro de 2011.

Em 2 de junho de 2014, depois de uma série de escândalos envolvendo a família real, o rei Juan Carlos abdicou em favor do filho Felipe, príncipe de Astúrias, que subirá ao trono como Felipe VI.

PRÉ-HISTÓRIA
As escavações arqueológicas em Atapuerca revelaram a presença de hominídeos na Península Ibéria há 1,2 milhão de anos.

O homem moderno chegou há cerca de 40 mil anos. A caverna de Altamira, na região da Cantábria, abriga algumas das mais impressionantes obras de arte rupestre. As datações mais recentes indicaram que as pinturas foram feitas num período de 20 mil anos a partir de 36,5 mil AC.

HISTÓRIA
A Espanha sempre foi uma terra de diferentes povos. Os primeiros habitantes vieram da Europa Ocidental e do Norte da Africa, entre eles os ibéricos, os celtas e os bascos.

Em 1100 AC, os fenícios, os gregos e os cartagineses tinham estabelecido colônias e entrepostos comerciais na Península Ibérica para fazer comércio no Mar Mediterrâneo.

IMPÉRIO ROMANO
Entre os séculos 3 AC e 1 DC, a Espanha foi anexada ao Império Romano e abraçou a ideia de corpo e alma, diz o historiador Juan Beneyto Pérez no livro Contribuição à História da Ideia de Império. Para o historiador romano Tácito, o culto ao Império nasceu na Espanha.

Nascia a noção de império em que o país se tornaria, com a contribuição da Igreja Católica, esse império multinacional da fé a que a Espanha se aliou na empreitada colonial.

No início do século 5, antes da queda do Império Romano do Ocidente, em 476, os visigodos conquistaram a Espanha. Eram as invasões bárbaras.

ISLAMISMO
Em 622, a fuga do profeta Maomé de Meca para Medina é o marco de fundação do islamismo. O profeta manda seus seguidores converter os infiéis e conquistar o mundo para sua fé. Na sua guerra santa, os árabes tomam o Norte da Europa, a região que vai da Mauritânia ao Egito.

INVASÃO
Em 711, os árabes invadem a Península Ibérica sob o comando de Tarik ibn Ziad, que faz o seguinte apelo final a suas tropas antes de cruzar o Estreito de Gibraltar: “O que vos espera como prêmio não são os desertos da África, mas os riquíssimos despojos da Europa. Vencidos os godos, quem mais poderá nos enfrentar?”

Por fim, concluiu Ziad: “Trocai os montes ásperos, as Colinas resseguidas pelo grande calor do deserto, as miseráveis choupanas da Africa pelas riquíssimas cidades e campos da Espanha.”

Os mouros avançaram até Poitiers, no Sul da França, onde foram derrotados em 732 por Carlos Martel. Em 750, os cristãos retomam a Galícia, no Noroeste da Espanha, abandonada por tropas bérberes rebelados. Os bérberes eram nativos no Norte da África dominados pelos árabes. Existem até hoje.

REINOS CRISTÃOS
Nos séculos 10 e 11, surgem pequenos reinos cristãos no Norte – Leão, Castela, Navarra e Aragão – que uniriam para criar a Espanha. Em 1085, Afonso VI de Leão e Castela recapturou Toledo.

Nesta guerra, o grande herói foi o cavaleiro Dom Rodrigo Díaz de Bivar, conhecido como Cid, o Campeador, imortalizado no filme El Cid (1961), com Charlton Heston e Sophia Loren.

FEUDALISMO
O regime feudal se baseava numa hierarquia com o rei no topo, com um direito de reinar supostamente divino, e relações de dependência claras entre susseranos ou senhores e seus vassalos, que lhes deviam lealdade e obediência, Essa fidelidade total incluía o serviço militar em tempo de conflito armado, fazendo das relações humanas uma questão de honra e de deveres sagrados.

O rei, chefe ou senhor era o protetor dos humildes. O vassalo aceita a dependência direta a outro indivíduo. Entre todos os deveres, o mais importante era ir à guerra.

“Dentre todas as formas de subordinação, a mais elevada consistia em servir pela espada, pela lança e a cavalo a um mestre para quem solenemente se havia declarado fiel”, comenta Marc Bloch, em A Formação de Laços de Dependência, capítulo de A Sociedade Feudal.

VASSALAGEM
O guerreiro tradicional se transformou num cavaleiro. O código de honra do cavaleiro andante era uma espécie de contrato firmado com a Igreja. Em troca da proteção divina, o cavaleiro deveria ser um defensor dos pobres, combatente da Igreja, exemplo de moralidade e lealdade.

A fidelidade era a base do sistema feudal. O primeiro dever do vassalo era morrer por seu senhor. A Igreja elevou quem morria em combate à condição de mártir. O maior pecado era a traição.

Se o objetivo inicial era a ordem e a paz cristãs, para assegurá-las fez-se a guerra contra os infiéis. A guerra de conquista trouxe um novo costume: a repartição das terras tomadas dos inimigos. Havia tanto doações permanentes como concessões de exploração temporária.

RECONQUISTA
Córdoba caiu em 1236. Com a conquista de Granada em 2 de janeiro de 1492 e o fim do império Andaluz (árabe), e a anexação de Navarra em 1512, a Espanha se fortalecia para construir o império.

Em 1492, o ano em que Cristóvão Colombo descobriu a América, os reis católicos, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, expulsaram os mouros e os judeus da Península Ibérica.

Como os muçulmanos com o Islã, a Espanha se considerava designada para a missão evangelizadora de levar a religião cristã aos povos primitivos da Terra e de converter os infiéis.

INQUISIÇÃO
Um dos agentes dessa ofensiva religiosa foi a Santa Inquisição, estabelecida em 1481 pelos reis católicos, que só foi abolida em 1834. No primeiro auto da fé, seis pessoas foram queimadas vivas em Sevilha em 6 de fevereiro de 1481. O Grande Inquisidor era Tomás de Torquemada, confessor da rainha.

Só na Espanha, estima-se que cerca de 150 mil pessoas tenham sido processadas por tribunais do Santo Ofício e de que 3 a 5 mil pessoas tenham sido executadas. Em toda a Europa, a caça às bruxas matou cerca de 60 mil pessoas.

IMPÉRIO
A legitimidade da conquista da América e da dominação dos ameríndios estava num suposto mandato do papa para que espanhóis e portugueses propagassem a fé e o império, como observa o professor Amado Luiz Cervo em Contato entre Civilizações: conquista e colonização espanholas da América. Os conquistadores estavam a serviço do rei e a serviço de Deus.

Em 1516, Carlos I de Habsburgo herda o trono da Espanha e se torna o rei mais poderoso da Europa, senhor da Espanha, Holanda, Áustria, Sardenha, Sicília e Nápoles, e em 1519 se transforma Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, o império de Carlos Magno, neto de Carlos Martel, que detivera a invasão moura em 711.

É o período de maior riqueza e expansão do império espanhol, enriquecido pela prata de Potosí, na Bolívia, e pelo ouro do México e do Peru. Com a morte do jovem rei Dom Sebastião, de Portugal, na Batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos, 1578, a coroa portuguesa fica sem herdeiros. O rei Felipe II, da Espanha, reivindica a coroa portuguesa.

DOMÍNIO ESPANHOL
De 1580 a 1640, o Império Português é governado pelo rei da Espanha. É o período conhecido na História do Brasil como o Domínio Espanhol. Não houve uma fusão entre as máquinas burocráticas dos dois impérios, mas os portugueses e os bandeirantes aproveitam a oportunidade para ir além do limite fixado no Tratado de Tordesilhas (1494), que dividia o mundo ao meio entre Portugal e Espanha.

O Brasil iria só até Laguna no sul e até a Ilha de Marajó. No Tratado de Madri (1750), o Brasil começaria a ganhar o contorno atual, com exceção do Acre e do Rio Grande do Sul. Portugal alega que a Espanha violara o tratado primeiro ao colonizar as Filipinas, no Sudeste Asiático.

A Espanha sai arrasada da Guerra dos Trinta Anos (1618-48), em que enfrentou os países protestantes apoiados pela França, entre eles a Holanda, uma das razões das invasões holandeses ao Nordeste do Brasil (1624-25 e 1630-54).

Em 30 de março de 1625, há uma batalha em Salvador entre uma esquadra espanhola e portuguesa contra os invasores. Um mês depois, os holandeses se rendem no Convento do Carmo, sede da resistência portuguesa. No fim da guerra, depois da segunda invasão, a Espanha é obrigada a reconhecer a independência da Holanda.

DECLÍNIO
Quando morre o úlimo dos Habsburgos, o rei Carlos II, Luís XIV, da França, reivindica o trono para seu neto e deflagra a Guerra da Sucessão Espanhola (1701-13), quando enfrenta uma aliança formada por Inglaterra e Holanda, à qual se juntam depois a Prússia, outros estados alemães e Portugal. A França tinha o apoio da Baviera, de Colônia e dos ducados de Saboia e de Mântua.

Pelo Tratado de Utrecht (1713), a Espanha perde Gibraltar, o Ducado de Milão, o Reino de Nápoles e a Sardenha. Uma consequência desta guerra é a ascensão do Império Britânico às custas da Espanha e da França.

Antes da independência o Império Espanhol na América estava dividido em quatro vice-reinos, da Nova Espanha, com capital na Cidade do México, incluindo México e América Central; de Nova Granada, com capital em Santa Fé de Bogotá, incluindo Colômbia, Panamá, Venezuela e Equador; do Peru, com sede em Lima, incluindo Chile, que originalmente cobria toda a América do Sul espanhola; e do Prata, com capital em Buenos Aires, incluindo Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.

INDEPENDÊNCIA DA AMÉRICA
Com a invasão da Península Ibérica por Napoleão Bonaparte, imperador da França, em 1808, a família real portuguesa foge para o Brasil e o Império Espanhol sai enfraquecido.

A Revolução de 25 de Maio de 1810 cria em Buenos Aires o primeiro governo independente da América Espanhola. No México, o padre Miguel Hidalgo deu o primeiro grito de independência em 16 de setembro de 1810. A última batalha para a libertação da América do Sul foi travada em Ayacucho, no Peru, em 9 de dezembro de 1824, com o Exército Libertador sob o comando do marechal José Sucre..

O império colonial espanhol recebeu seu último golpe com a Guerra Hispano-Americana, em 1898, quando perdeu as Filipinas, Porto Rico e a ilha de Guam para os Estados Unidos e foi obrigada a aceitar a independência de Cuba. Era o fim do império.

DECADÊNCIA
A decadência pós-imperial gerou uma crise de identidade e uma série de conflitossociais. Em 1923, um golpe militar do general Miguel Primo de Rivera impõe um governo fascistoide que reprime manifestações de protesto e reivindicações de autonomia regional.

Em 1931, o rei é deposto e é proclamada a república. Quando a Frente Popular, uma aliança de republicanos, socialistas e comunistas, vence as eleições de 1936, o general Francisco Franco, comandante militar no Marrocos, lidera um levante contra o governo com o apoio da Igreja e da oligarquia rural. Começa a guerra civil.

GUERRA CIVIL
A Guerra Civil Espanhola foi um dos acontecimentos marcantes da História do Século 20. Durou até 1939 e teve uma dimensão internacional.

A União Soviética ajudou a mobilizar socialistas e comunistas de 50 países para lutar ao lado dos republicanos, inclusive o escritor inglês George Orwell, o inventor do Big Brother, e toda uma geração de comunistas e socialistas brasileiros. Foram 40 mil combatentes e 20 mil médicos e enfermeiros que serviram em unidades auxiliares.

Os franquistas tiveram o apoio da Alemanha nazista de Adolf Hitler e da Itália fascista de Benito Mussolini, que mandaram homens e armas. A Luftwaffe, a Força Aérea alemã, testou seus aviões e bombas destruindo a cidade basca de Guernica.

GUERNICA
O bombardeio a Guernica inspirou o pintor espanhol Pablo Picasso a criar uma de seus obras mais importantes, um mural em preto, branco e cinza. A pedido do pintor, só foi levado para a Espanha em 1981, depois da morte do ditador em 1975 e do próprio Picasso em 1973.

Guernica foi colocado num anexo ao Museu do Prado especialmente construído. Desde a construção do Museu Guggenheim em Bilbao, os bascos insistem em que o painel seja levado para o País Basco.

FRANQUISMO
Cerca de 1 milhão de pessoas foram mortas na guerra civil, inclusive intelectuais importantes como o filósofo Miguel de Unamuno e o poeta Federico García Lorca. Com a vitória, o generalissimo Francisco Franco Bahamonde, “caudilho da Espanha pela graça de Deus”, impôs uma ditadura acusada pelo desaparecimento e morte de 114 mil pessoas, e se afasta da Europa, mas a ajuda dos EUA na Guerra Fria contribuiu para o desenvolvimento econômico.

No início de fevereiro de 2012, o juiz Baltasar Garzón, aquele que mandou prender o ditador chileno Augusto Pinochet em Londres por crimes contra a humanidade, foi afastado de suas funções pelo Supremo Tribunal da Espanha, entre outras razões, por querer investigar os crimes do franquismo.

DEMOCRATIZAÇÃO
Em 1969, Franco nomeia como sucessor o príncipe Juan Carlos, neto do rei Afonso XIII. Com a morte de Franco, em 1975, Juan Carlos é coroado rei e inicia o processo de redemocratização da Espanha.

As primeiras livres são realizadas em 1977. Vence a União do Centro-Democrático, do primeiro-ministro Adolfo Suárez.

REGIÕES AUTÔNOMAS
A nova Constituição é aprovada em 1978. Ela instituiu e monarquia parlamentarista, restabeleceu as liberdades públicas e criou 17 regiões autônomas para acomodar as forças separatistas, especialmente os nacionalismos basco e catalão: Andaluzia, Aragão, Astúrias, Cantábria, Catalunha, Castela e Leão, Castela-Mancha, Ceuta, Extremadura, Galícia, Ilhas Baleares, Ilhas Canárias, Madri, Melila, Múrcia, Navarra, País Basco e La Rioja.

A Catalunha, com capital e Barcelona, é a mais rica e mais industrializada das região autônomas. O idioma catalão é falado por 7 milhões de pessoas.

No País Basco, que fica no Norte, o desejo de independência é maior. As quatro províncias bascas espanholas (Álava, Biscaia, Guipuzcoa e Navarra) gostariam de se reunir às três províncias bascas francesas (Baiona, Baixa Navarra e Sola) para formar um país independente.

ETA
O grupo radical ETA (Euskadi ta Askatasuna = País Basco ou Pátria Basca e Liberdade) nasce em 1959 para lutar pela independência do País Basco. Em 7 de junho de 1968, assumiu pela primeira a vez a responsabilidade por uma ação armada.

Desde então, a ETA foi responsável por atos terroristas que resultaram na morte de 829 pessoas. Desde 1989, o grupo declarou cessar-fogo quatro vezes, a última em 20 de outubro de 2011.

Em 24 de novembro de 2012, foi noticiado que a ETA estaria estudando uma dissolução definitiva, que deixaria a luta pela independência do País Basco nas mãos dos partidos nacionalistas bascos.

ÚLTIMO GOLPE
Em fevereiro de 1981, o coronel Antonio Tejero Molina chegou a dar tiros no plenário do Parlamento na tentativa de dar um golpe de Estado.

O rei Juan Carlos foi à televisão desautorizou os golpistas e a democracia espanhola nunca mais foi ameaçada.

ESQUERDA NO PODER
Em 1982, o Partido Socialista Operário Espanhol vence as eleições parlamentares. O primeiro-ministro Felipe González se torna o primeiro chefe de governo socialista desde 1936.

Sob a liderança de González, a Espanha entra em 1982 para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, e em 1986 para a Comunidade Europeia, completando a democratização com a integração regional.

DIREITA NO PODER
O desemprego elevado e o desgaste dos socialistas no poder levou à vitória do Partido Popular, de direita, em 1996 e a dois governos do primeiro-ministro conservador José María Aznar. Ele aderiu ao euro e, numa fase de crescimento médio de 2,5%, conseguiu baixar o desemprego para cerca de 8%.

Aznar alinhou a Espanha claramente aos EUA na guerra contra o terror deflagrada pelo presidente George W. Bush depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. O envio de tropas à invasão do Iraque contra o desejo da opinião pública espanhola minou sua popularidade.

TERROR
Quando extremistas muçulmanos atacaram o sistema de transportes públicos de Madri, matando 191 pessoas, em 11 de março de 2004, e o governo tentou atribuir o atentado à ETA, em três dias os conservadores perderam eleições que estavam praticamente ganhas por causa da situação econômica favorável.

Ganhou o socialista José Luis Rodríguez Zapatero, que retirou os soldados espanhóis do Iraque, como prometera na campanha eleitoral.

O terrorismo fora um protesto contra o apoio à guerra de George W. Bush contra Saddam Hussein, que não tinha o apoio da opinião pública espanhola.

PROGRESSO
No primeiro mandato, Rodríguez Zapatero aproveitou a estabilidade política e econômica para tomar medidas progressistas como a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a promoção da autonomia pessoaL com atenção às pessoas com deficiências, a lei da igualdade entre homens e mulheres, a criação de tribunais especiais para a violência contra a mulher, a lei antitabaco, a negociação de paz com a ETA e a reforma do estatuto das autonomias regionais.

CRISE
O segundo mandato, depois das eleições gerais de 2008, foi marcado pela crise econômica internacional, que atingiu o setor financeiro e levou ao colapso do mercado imobiliário, grande motor da economia e do emprego nos 15 anos anteriores.

Diante da queda na arrecadação, o governo foi obrigado a fazer cortes nos gastos públicos gerando uma profunda recessão. Rodríguez Zapatero antecipou as eleições para novembro de 2011 e nem concorreu.

Venceu o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, do PP, que só em 2014 começa a reequilibrar a economia do país.

ECONOMIA
Com o produto interno bruto de 2013 estimado em US$ 1,359 trilhão pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e renda média por pessoa de US$ 28.755, a Espanha é a 13ª maior economia do mundo e a 5ª maior da Europa, depois de Alemanha, França, Reino Unido e Itália. Mas enfrenta no momento sua pior crise desde o fim da ditadura do generalissimo Franco, em 1975, e até antes disso.

Depois de um plano de estabilização anunciado por tecnocratas em 1959, a Espanha cresceu em média 6,6% ao ano de 1960 a 1974. Com a liberalização da economia aumentaram os investimentos estrangeiros, o turismo e as remessas de mais de 1 milhão de espanhóis que tinham saído do país de 1959 a 1974 em busca de uma vida melhor.

Com a crise do petróleo de 1973, o desemprego subiu de 4% em 1975 para 11% em 1980 e mais de 20% em 1985.

COMUNIDADE EUROPEIA
A situação voltou a melhorar em 1986, quando o país entrou para a Comunidade Econômica Europeia, hoje União Europeia, e pôde se beneficiar dos fundos de desenvolvimento estrutural do bloco para ajudar as regiões mais atrasadas.

Para aderir ao euro, o governo espanhol tomou as medidas para estabilizar a economia. Com a moeda única, o país teve moeda forte, juros baixos e crédito barato como nunca antes. A especulação imobiliária nas suas praias ensolaradas destruiu aquele longo ciclo de progresso econômico e social.

GRANDE RECESSÃO
A falência do banco de investimentos Lehman Brothers, em setembro de 2008, nos EUA, provocou um colapso de crédito no sistema financeiro internacional. Quem tinha dinheiro em caixa parou de emprestar para quem pudesse não pagar.

Com a desconfiança generalizada, os governos tiveram de bancar os empréstimos e negócios bancários para evitar uma paralisia do sistema financeiro. Os bancos espanhóis, descapitalizados pelo estouro da bolha especulativa do setor imobiliário, ficaram pior ainda.

Em 2012, a Espanha negociou um empréstimo de 100 bilhões de euros, cerca de US$ 125 bilhões, com o FMI e a UE para recapitalizar os bancos.

SETORES
A Espanha tem a maior frota pesqueira da União Europeia.

Com o relativo declínio da agricultura desde os anos 1960s, a população rural diminuiu, mas a produção de alimentos orgânicos cresce desde os anos 1990s. As frutas, os legumes e os cereais representam 75% da produção agrícola.  A criação de animais também é importante, mas agricultura, pecuária e pesca representam apenas 2,3% do PIB e 4,5% do emprego.

A Espanha é dos maiores produtores mundiais de vinho. Outros produtos industriais incluem máquinas, produtos químicos e farmacêuticos, navions, têxteis e alimentos. O setor manufatureiro responde por 11,7% do PIB e a construção civil por 10%. Dois terços da economia espanhola são serviços.

DESEMPREGO
O desemprego chegou a um recorde de 27,16% da população ativa em abril de 2012, com 6,202 milhões de pessoas sem emprego fixo. Hoje, está em 25,1%.

Entre os jovens, a taxa chegou a 56%.

RECESSÃO
A economia da Espanha encolheu mais 0,5% no primeiro trimestre de 2013. Foi o sétimo trimestre consecutivo da contração. Tinha perdido 0,3% no terceiro trimestre de 2012 e 0,8% no quarto. Nos últimos 12 meses, a queda foi de 2%.

Os últimos anos de crescimento expressivo foram 2006 (4,1%) e 2007 (3,5%). Em 2008, a alta no PIB foi de 0.9%. Em 2009, houve queda de 4,6%. Em 2010, o crescimento foi nulo. Em 2011, houve expansão de 2,2%. A recessão voltou com queda de 1,7% no ano passado, e ainda se aprofunda porque nos últimos 12 meses acaba de chegar a 2%..

A Espanha só deve voltar a crescer em 2014. Para este ano, a expectativa do governo é de um recuo de 1%.

RELAÇÕES COM O BRASIL
Além da relação histórica e do contato com a América Espanhola e do período histórico conhecido como Domínio Espanhol, o Brasil recebeu centenas de milhares de imigrantes espanhóis. Nos últimos anos, houve casos de discriminação de brasileiros ao chegar na Espanha que provocaram retaliações do Brasil.

Os espanhóis se tornaram nas últimas décadas importantes investidores na América Latina. A Telefónica de España participou da privatização da telefonia. A empresa de energia Repsol, no setor de energia. O Banco Santander comprou o Banespa e o Real. O mesmo aconteceu em outros países da região.

Hoje, com a crise na Zona do Euro, estas empresas têm resultados melhores na América Latina.

IDIOMAS
A rigor, não existe uma língua espanhola. A Espanha tem quatro línguas oficiais: castelhano, basco, catalão e galego. O castelhano, originalmente idioma de Castela, a região central do país, onde fica Madri, conhecido internacionalmente como espanhol.

CULTURA
Como em toda a Europa Ocidental, o Império Romano e o cristianismo foram os elementos básicos da formação cultural. Mas a História da Espanha trouxe outras influências marcantes como os quase 400 anos de invasão moura, além da presença de castelhanos, lusitanos, galegos, bascos, romanos, judeus, gregos, cartagineses, romanos, ciganos e outros povos em seus portos.

Até hoje, os imigrantes ilegais do Norte da África são chamados depreciativamente de moros. No Brasil, a cidade de Goiás Velho, antiga capital de Goiás, é a única que ainda organiza duelos de mouros e cristãos durante a Semana Santa, uma herança cultural espanhola.

LITERATURA
A literatura espanhola tem uma longa tradição que vem de Miguel de Cervantes, Francisco de Quevedo, Lope de Vega e Pedro Calderón de la Barca.

O fim do Império Espanhol, com a derrota para os EUA na Guerra Hispano-Americana (1898), deflagrou um profundo exame de consciência em busca da identidade perdida, com autores como filósofo José Ortega y Gasset e o poeta Antonio Machado. É a Geração de 98.

PRÊMIOS NOBEL
No século 20, cinco espanhóis ganharam o Prêmio Nobel de Literatura: os dramaturgos José Etchegaray e Jacinto Benavente, os poetas Juan Ramón Jiménez e Vicente Alexandre, e o romancista Camilo José Cela. Mas o maior escritor espanhol do século 20 foi Federico García Lorca, o poeta e dramaturgo morto pelos fascistas na guerra civil.

EX-COLÔNIAS
A literatura espanhola também foi enriquecida pela notável contribuição de filhos das ex-colônias, como os argentinos Jorge Luis Borges e Julio Cortázar, os mexicanos Octavio Paz e Juan Rulfo, os peruanos José María Arguedas e Mario Vargas Llosa, o guatemalteco Miguel Ángel Asturias, o colombiano José García Márquez, o nicaraguense Rubén Darío e os uruguaios Eduardo Galeano, Mario Benedetti e Juan Carlos Onetti, entre tantos outros.

PINTURA
De Diego Velázquez, El Greco e Francisco de Goya, da idade de ouro da cultura espanhola (1500-1681), ao andaluz Pablo Picasso, considerado o maior artista plástico do século 20, sem esquecer dos catalães Joan Miró e Salvador Dalí, a Espanha é há séculos um centro cultural.

Se o século 20, com a efervescência da guerra civil e de duas guerras mundiais na Europa, criou uma idade dap rata da cultura espanhola, o fim da censura da ditadura franquista deflagrou uma nova explosão de criatividade.

ARQUITETURA
O catalão Antoni Gaudí, que fez a Igreja Sagrada Família, o Parque Guell e tantos outros prédios de Barcelona, é um dos arquitetos mais originais da História.

Outros nomes importantes são Jospe Lluís Ser, Eduardo Torroja, Sanz de Olza, Ricardo Bofill, José Rafael Moneo, Santiago Calatrava e Oriol Bohigas.

Bohigas liderou a reforma de Barcelona para a Olimpíada de 1992. É uma das poucas cidades que aproveitaram realmente as obras feitas para os Jogos para remodelar sua paisagem urbana, um compromisso que os governos municipal e da Catalunha tinham desde a redemocratização pós-franquismo.

MÚSICA
Há vários compositores clássicos espanhóis importantes, como Fernando Sor, Isaac Albéniz, Enrique Granados, Manuel de Falla e Joaquín Rodrigo.

A fusão de inluências ibéricas, árabes e ciganas resultou no flamenco, uma música tipicamente espanhola, e ao surgimento de mestres como Andrés Segovia e Paco de Lucía. Um movimento de rock andaluz nasceu nos anos 1970s e 1980s em Sevilha.

Com suas festas sem fim, Ibiza, nas Ilhas Baleares, se tornou um centro da música eletrônica, de DJs.

A Espanha também tem excelentes cantores de ópera como Plácido Domingo, Josep Carreras, Alfredo Kraus e Montserrat Caballé. O violoncelista Pablo Casals foi dos melhores do século 20.

CINEMA
A indústria de cinema é pequena e frágil economicamente, mas o país produziu grandes cineastas.

Luis Buñuel, amigo do poeta Federico García Lorca e do pintor Salvador Dalí, filmou O Cão Andaluz, O Anjo Exterminador, O Estranho Caminho de Santiago, Tristana, O Discreto Charme da Burguesia, Esse Obscuro Objeto do Desejo.

Outro nome importante é Carlos Saura, autor de O Jardim das Delícias, Cria Cuervos, Ana e os Lobos, Bodas de Sangue, Carmen e Amor Bruxo.

Nas últimas décadas, o grande sucesso é Pedro Almodóvar, diretor de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, Ata-me, Tudo sobre Minha Mãe e Fale com ela.

Entre os grandes atores espanhóis, destaque para Antonio Banderas e Javier Bardén, Carmen Maura e Penélope Cruz.

CULINÁRIA
A cozinha espanhola se insere na chamada dieta mediterrânea, considerada uma das mais saudáveis do mundo por misturar carnes, aves, peixe e frutos do mar com uma ampla variedade de legumes, frutas e cereais temperados com azeite de oliva e saboreados com bons vinhos, que em quantidades moderadas fazem bem à saúde.

O tomate é uma cultura tão especial que há uma festa para celebrar sua colheita anualmente, a tomatina, em Bunhol, perto de Valência, quando as pessoas fazem guerra de tomate nas ruas. É a segunda festa de rua mais popular da Espanha, depois da corrida de touros de Pamplona.

TAPAS
Como é hábito comer lanches rápidos entre as refeições, a Espanha tem os famosos bares de tapas, às vezes bem elaboradas versões pequenas de pratos principais.

Nas regiões costeiras, é sempre grande a oferta de peixe e frutos do mar, bacalhau, anchova, albacora, sopas frias como o gazpacho, a famosa paella valenciana e os omeletes com batata que eles chamam de tortilla.

No interior, as sopas castelhanas de pão e alho e comidas tradicionais como o presunto espanhol. Em Madri, há um museu do presunto, na verdade uma loja comercial com grande variedade de presuntos.

O restaurante El Buli, do chef Ferrán Adrià, situado na Costa Brava da Catalunha, era considerado o melhor do mundo. Fechou em julho de 2011. Deve reabrir em 2014 como um centro de criatividade.

ESPORTE
O esporte é importante na vida do espanhol. Cada região tem suas preferências. Nas montanhas da Catalunha, é possível esquiar e praticar outros esportes de inverno. A costa de Valência é boa para surfe, windsurfe e mergulho. Em Astúrias e na Andaluzia, os esportes equestres são muito populares.

Apesar de politicamente incorretas, as touradas ainda são muito populares na Espanha. Está proibida em Barcelona, mas o grande centro é Madri.

A Espanha entrou para o movimento olímpico em 1924 e organizou os Jogos de 1992 em Barcelona, conquistando 13 medalhas de ouro em futebol, natação e atletismo.

O espanhol Juan Antonio Samaranch foi presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) de 1980 a 2001.

Além do futebol, são muito populares basquete, tênis, ciclismo, handball, futsal, motociclismo e automobilismo com o sucesso de Fernando Alondo na Fórmula 1. O tenista Rafael Nadal foi número um do mundo por muito tempo, ganhou 11 torneios do Grand Slam, inclusive um recorde de sete vezes o Aberto da França, 23 torneios de Masters.

O basquete ganhou popularidade com o inédito campeonato mundial de 2006, o segundo título de campeão europeu em 2011 e a medalha de prata na Olimpíada de 2012, em Londres. Os irmãos Marc e Pau Gasol, José Calderón e Ricky Rubio jogam na NBA, a Associação Nacional de Basquete dos EUA.

FUTEBOL
O esporte mais popular da Espanha é o futebol. O Campeonato Espanhol é um dos mais caros do mundo. Seus dois grandes times, Barcelona e Real Madrid, estão entre os melhores do mundo. Neste ano, pela primeira vez, dois times da mesma cidade, o Real Madrid e o Atlético de Madri, decidiram a Liga dos Campeões da Europa.

O Real Madrid, recordista de títulos europeus, tem agora dez copas dos campeões.

O Real Madrid e o Barça também tem importância política. Madrilhenho e monarquista, El Madrid era o time do ditador Francisco Franco. O Barcelona, por sua vez, é um dos últimos redutos do nacionalismo catalão.

Franco teria impedido que o Barça comprasse o argentino Alfredo di Stefano, considerado o melhor jogador do mundo na época, e fez com que fosse contratado pelo Real, conta o inglês Gary Linecker, artilheiro da Copa de 1986, um dos muitos astros internacionais do Barcelona, ao lado de Evaristo Macedo, Johan Cruiff, Diego Maradona, Michael Laudrup, Hristo Stoikovich, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Figo, Ronaldinho Gaúcho e Lionel Messi.

O Real também tem uma longa lista de estrelas internacionais. Além de Di Stefano, Santamaría, Ferenc Puskas, Raymond Kopa, Hugo Sánchez, Emilio Butragueño, Figo, Zidane, Ronaldo, David Beckham, Roberto Carlos, Cristiano Ronaldo.

SELEÇÃO
A seleção espanhola, historicamente malsucedida em competições internacionais é a atual campeã do mundo e bicampeã europeia. Participou de 13 copas do mundo desde 1930. Foi campeã europeia em 1964, 2008 e 2012.

No confronto direto com o Brasil em copas do mundo, a Espanha costuma jogar melhor e perder.

Em 1962, a Espanha saiu na frente e poderia ter feito 2-0. Gilmar fez grandes defesas e o veterano Nilton Santos avançou saiu da área depois de derrubar o veloz Collar para o juiz não marcar pênalti. Garrincha acabou com o jogo no segundo tempo, Amarildo fez os gols e o Brasil virou o jogo para 2-1, eliminando a Espanha.

Em 1978, na Argentina, Amaral salvou uma bola em cima da linha de gol e o jogo terminou 0-0.

Em 1986, na estreia, o juiz não deu um gol de falta de Michel em que a bola caiu dentro do gol e saiu. A televisão mostrou impedimento no gol brasileiro, marcado por Sócrates.

Quando a Espanha foi campeã do mundo em 2010, alguns jogadores do Barcelona como Xavi, Iniesta e Pujol festejaram com a bandeira da Catalunha. A Espanha campeã europeia e do mundo é a Espanha multinacional e democrática pós-franquista.