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segunda-feira, 30 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 30 de Março

 DERROTA DE NAPOLEÃO

     Em 1814, as forças europeias aliadas na Sexta Coalizão (Áustria, Rússia, Prússia, Suécia, Reino Unido, Espanha e Portugal) contra o imperador Napoleão Bonaparte, um dos maiores generais de todos os tempos, invadem Paris, acabando com uma década de domínio da França sobre o continente.

Napoleão Bonaparte nasce em Ajácio, na Córsega, em 15 de agosto de 1769, dois anos antes da ilha passar a fazer parte da França. É eleito primeiro cônsul da França aos 30 anos, em 12 de dezembro de 1799, acaba com a Revolução Francesa e assume o controle do Estado em 1800. Em 2 de dezembro de 1804, obriga o papa Pio VII a coroá-lo imperador.

Em 1807, Napoleão comanda um império que se estende por quase toda a Europa, invade Portugal e a família real portuguesa foge para o Brasil. Toma a Espanha no ano seguinte.

Seu grande erro é a desastrosa invasão da Rússia, em 1812, onde sofre as primeiras derrotas importantes. O Duque de Wellington liberta a Espanha e, em 1814, Napoleão sofre uma derrota total. Seus inimigos entram em Paris.

Napoleão abdica em 11 de maio de 1814 e vai para o exílio na Ilha de Elba. Em 28 de fevereiro de 1815, ele foge com 700 homens, retoma o poder na França, em 20 de março, e governa por 100 dias até a derrota final na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho do mesmo ano.

Preso e exilado, morre seis anos depois, em 5 de maio de 1821, na Ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico.

NASCE VERLAINE

    Em 1844, Paul Marie Verlaine, um dos maiores poetas do simbolismo francês, nasce em Metz, na França. Com Charles Baudelaire e Stéphane Mallarmé, formava o grupo dos decadentes.

Aos 22 anos, em 1866, ele lança seu primeiro trabalho, Poemas saturninos. Sua vida muda em setembro de 1781, quando Verlaine conhece o poeta Arthur Rimbaud, com quem tem uma relação amorosa tumultuada e errante pela Inglaterra e a Bélgica. 

Depois de ferir o que chama de "meu marido infernal" com um revólver, Verlaine é preso por dois anos, quando busca refúgio na sua formação católica. De volta à liberdade, publica Sabedoria (1880), Jadis et Naguère (1884) e Paralelo (1889).

Com a saúde debilitada pelo abuso do álcool, Verlaine morre aos 51 anos em 8 de janeiro de 1896.

NASCE VAN GOGH

    Em 1853, nasce em Zundert, nos Países Baixos, Vincent van Gogh, um dos pintores mais importantes da história.

Hoje, Van Gogh é celebrado mundialmente como um gênio da pintura. Mas, durante sua vida, só vende um quadro. É uma alma torturada e um grande artista que luta contra a fome. 

Ele só decide se tornar um artista em 1880. Seus primeiros quadros, como Os Comedores de Batatas, são escuros e sombrios. Refletem a miséria dos pequenos agricultores holandeses. Ele vai para Londres de 1873 a 1875 e de lá vai para Paris. 

Seus pintores de referência são os holandeses Rembrandt e Frans Hals. Com Paolo Veronese e Engène Delacroix, Van Gogh descobre a importância da cor em si mesma.

Em 1886, ele vai morar em Paris com o irmão Theo, um marchand que o apresenta a pintores como Paul Gauguin, Georges Seurat, Camille Pissarro e Henri de Toulouse Lautrec. Van Gogh muda de estilo e passa a usar cores vivas. Em 1888, aluga uma casa em Arles, no Sul da França, para criar uma colônia de artistas. Gauguin ficou lá por dois meses.

Durante uma discussão entre os dois, Van Gogh ameaça o amigo com uma faca antes de se mutilar. Van Gogh é hospitalizado em Arles e internado num hospício em Saint Rémy por um ano, um período em que oscilou entre a loucura e grande criatividade, e pintou Íris e Noite Estrelada.

Em 27 de julho de 1890, Van Gogh baleia a si mesmo e morre dois dias depois.

COMPRA DO ALASCA

    Em 1867, William Seward, secretário de Estado norte-americano nos governos Abraham Lincoln (1861-65) e  Andrew Johnson (1865-69), assina a compra do Alasca da Rússia por US$ 7,2 milhões, cerca de 5 centavos por hectare.

A Rússia oferece várias vezes aos Estados Unidos seu território na América do Norte, mas a transação é adiada pela Guerra da Secessão (1861-65). Em dezembro d 1866, o embaixador russo nos EUA, Barão Eduardo de Stoeckl, recebe orientação do czar Alexandre II para abrir negociações.

O custo e as dificuldades de enviar suprimentos ao território davam prejuízo à Rússia, endividada depois da derrota na Guerra da Crimeia (1853-56). As negociações começam em 11 de março de 1867 e são concluídas no dia 29. No dia 30, Johnson apresenta o acordo ao Congresso. O Senado ratifica o tratado em 9 de abril.

Vários jornais protestam contra o que chamam de "loucura de Seward", "Geleira de Seward" ou "jardim de ursos polares de Andrew Johnson". A transferência de soberania acontece em 18 de outubro de 1867.

A descoberta de ouro em 1896 provoca uma onda migratória. Desde a maior corrida do ouro da história da América, o Alasca, rico em recursos naturais, contribui para a prosperidade dos EUA.

FRANÇA DOMINA O MARROCOS

    Em 1912, o sultão Abdal Hafide assina o Tratado de Fez e cede soberania do Marrocos à França, que transforma as regiões central e sul do país no Protetorado Francês do Marrocos.

Como parte do tratado, a Alemanha reconhece as áreas de influência da França e da Espanha no Marrocos. Em troca, recebe a colônia do Congo Francês, hoje República do Congo, e uma parte da África Equatorial Francesa que transforma em Camarões. A Espanha fica com o território que se converte no Marrocos Espanhol.

NASCE UM DEUS DO ROCK

    Em 1945, Eric Clapton, cantor, compositor e um dos maiores guitarristas de história, que toca nas bandas Yardbirds, The Cream e Blind Faith antes de fazer uma magnífica carreira solo, nasce em Ripley, no Condado de Surrey, na Inglaterra. Faz 81 anos hoje.

Clapton é filho de mãe adolescente com um soldado canadense estacionado no Reino Unido durante a guerra que volta para sua mulher no Canadá antes de Eric nascer. Ele é criado pelos avós. Ele começa a tocar guitarra na adolescência e estuda no Kings College of Arts. Em 1963, entra para os Yardbirds. Depois, forma The Crime e o Blind Faith antes de se dedicar à carreira solo. 

ATENTADO CONTRA REAGAN

    Em 1981, pouco mais depois de dois meses da posse, o presidente Ronald Reagan é baleado e gravemente ferido por John Hinckley Jr.

É PROIBIDO FUMAR

    Em 2003, uma lei proibindo fumar em todos os lugares onde há empregados, inclusive bares e restaurantes, entra em vigor da Cidade de Nova York.

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terça-feira, 17 de junho de 2014

Bélgica: na fronteira entre as Europas latina e germânica

O Reino da Bélgica é um pequeno país da Europa Ocidental, com apenas 30,5 milhões de quilômetros quadrados, 10% maior do que o estado de Alagoas,  uma alta densidade populacional e elevado grau de desenvolvimento, cercado pelo Mar do Norte e a Holanda a norte, a Alemanha a leste, Luxemburgo a sudeste e a França a oeste.

Ao longa da História, a Bélgica foi palco de grandes batalhas como a derrota final de Napoleão em Waterloo, em 1815, e durante as duas guerras mundiais, quando foi ocupada pela Alemanha.

Como fica numa fronteira cultural entre a Europa latina e a germânica, tem uma profunda divisão entre os flamengos da região de Flandres, no Norte, que falam uma língua germânica, e os valões, francófonos, da região da  Valônia, no Sul. De 2007 a 2011, o país não teve governo nacional por causa dessa divisão.

A Bélgica é pioneira da integração europeia, fundadora, em 1957, da Comunidade Econômica Europeia, hoje União Europeia.

Bruxelas, a capital da Bélgica, é sede de importantes organizações internacionais, entre elas a Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia; o Conselho de Ministros, órgão deliberativo da UE; o Parlamento Europeu, cuja sede principal fica em Estrasburgo, na França; e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar dos EUA e Canadá com a Europa. É assim a capital da Europa.

CLIMA
A Bélgica tem um clima temperado úmido fortemente influenciado pelas massas de ar do Oceano Atlântico. As chuvas chegam a 750 a 1000 mm por ano. Os invernos são frios e úmidos, com muita névoa.

A temperatura média anual fica em torno de 10ºC, com a média das mínimas em torno de zero em janeiro e das máximas em 22ºC em julho.

POLÍTICA
Desde a independência da Holanda, em 1830, a Bélgica é uma monarquia constitucional, uma democracia parlamentarista com parlamento bicameral.

Em 1993, a Bélgica foi transformada numa federação com três regiões: Flandres, a Valônia e a região metropolitana de Bruxelas.

O voto é obrigatório a partir dos 18 anos. Em 1899, a Bélgica se tornou o primeiro país europeu a adotar um sistema eleitoral baseado no voto proporcional.

O sufrágio universal existe desde 1893 para os homens. As mulheres só começaram a votar em 1948, depois da Segunda Guerra Mundial.

A Câmara tem 150 deputados eleitos por um sistema proporcional em 11 distritos. O Senado tem 40 membros eleitos diretamente, 21 senadores indicados por parlamentos regionais, 10 eleitos por seus pares, num total de 71.

O chefe de Estado é o rei Philippe ou Filip, coroado em 21 de julho de 2013. O chefe de governo é o primeiro-ministro, cargo ocupado desde 2011 pelo socialista Elio di Rupo, ex-ministro-presidente da Valônia.

Nos pós-guerra, a política belga é dominada por três correntes de pensamento: democrata-cristã, liberal e socialista. As três têm partidos flamengos e valões.

ECONOMIA
Com produto interno bruto de US$ 485 bilhões em 2012, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Bélgica é o 21º país mais rico do mundo, o 16º em renda média anual por habitante, de US$ 43.686, e o 15º em comércio exterior.

É uma economia moderna e aberta, baseada na empresa privada, que se beneficia de sua localização geográfica, de uma rede de transportes e telecomunicações altamente desenvolvida, e de uma base comercial e industrial diversificada.

INDÚSTRIA
A indústria se concentra na região de Flandres, no Norte. Por causa de escassez de recursos naturais, a Bélgica importa matérias-primas, o que a torna vulnerável. Exporta produtos manufaturados, principalmente motores, máquinas industriais, instrumentos de precisão, produtos químicos, têxteis e agroindustriais.

Com a Revolução Industrial iniciada na Inglaterra meio século antes, a Bélgica se tornou no começo do século 19 uma grande produtora de aço, com a maior parte das fábricas situada na Valônia, rica em carvão, em cidades como Liège e Charleroi.

Depois da Segunda Guerra Mundial, houve uma rápida expansão dos setores químico e petrolífero. O corredor industrial mudou para o eixo Bruxelas-Antuérpia, o maior porto da Bélgica.

CRISE
Com as crise do petróleo de 1973 e 1979, a economia entrou em recessão, que foi mais longa na Valônia, aprofundando a divisão étnico-linguística do país, com o Norte mais dinâmico e a economia do Sul estagnada.

No fim do século 20, o carvão se esgotou, levando o setor industrial a uma depressão que o governo tentou conter e acabou aumentando o endividamento público, que chegou a 120% do PIB nos anos 1980s.

SERVIÇOS
Os serviços representam 77% do PIB e empregam 73% da força de trabalho, enquanto a indústria contribui com 22,3% da produção e 25% do emprego.

O turismo é importante no Oeste de Flandres e na região de Ardennes.

AGRICULTURA
Apenas 2% trabalham na agricultura, responsável por 0,7% do PIB, sendo dois terços do setor de leite e derivados. As principais colheitas são de batatas, beterraba e cereais.

DÍVIDA
A carga fiscal equivale a 50,7% do PIB. O déficit orçamentário de 2012 ficou em 4%, acima do limite de 3% imposto pelo pacto de estabilidade para sustentar o euro. A dívida pública está em quase 100% do PIB, muito acima do limite de 60% exigido pelo mesmo acordo.

CRESCIMENTO
O crescimento foi de 1,8% em 2011. Em 2012, sob o impacto da crise das dívidas públicas dos países da periferia da Zona do Euro, houve queda de 0,2%.

CRISE
O setor bancário sofreu com a crise financeira internacional de 2008. Três grandes bancos precisaram de ajuda do governo e a filial belga de um banco franco-belga foi estatizada.

DESENVOLVIMENTO
A Bélgica é o 17º país do mundo e o 8º da Europa no ranking de desenvolvimento humano da ONU. A expectativa de vida é de 79,65 anos.

Toda a população tem acesso a água potável e tratamento de esgotos. Há 3 médicos e 6,5 leitos hospitalares para cada mil habitantes. Os gastos com saúde somam 10,7% do produto interno bruto, e os investimentos em educação, 6,6% do PIB.

O país tem 154 mil km de estradas de rodagem, 3,2 mil km de ferrovias e 2 mil km de hidrovias.

POPULAÇÃO
Cerca de 92% dos 11 milhões de habitantes na Bélgica são belgas e 8% estrangeiros, sendo 6% europeus de outros países; 97% vivem em cidades.

Dos belgas, mais de 60% são flamengos (57% do total), enquanto um terço são valões. Há uma minoria belga de origem alemã na província de Liège, junto à fronteira com a Alemanha. Cerca de 1,350 milhão tem origem não europeia. Mais de 450 mil têm origem marroquina.

IDIOMAS
A Bélgica tem três línguas oficiais: o francês, o flamengo, uma variação do holandês, e o alemão.

Cerca de 6,23 milhões ou 60% falam flamengo, dominante na região de Flandres, e 40% falam francês como primeira língua, inclusive 85% dos 1,139 milhão de moradores da bilíngue Bruxelas, na verdade, um enclave francófono na região flamenga.

EDUCAÇÃO
Nas últimas décadas, a divisão política e linguística estendeu-se a toda a todos os setores. Desde 1970, não há mais universidades e faculdades bilíngues, à exceção da Real Academia Militar e da Academia Marítima de Antuérpia.

O analfabetismo é praticamente zero. A educação é obrigatória dos 6 aos 16 anos; 89% cursaram o ensino médio e cerca de 42% chegam à universidade. Cada belga fica, em média, 16 anos na escola. O investimento em educação é de 6,6% do produto interno bruto.

RELIGIÃO
A exemplo da vizinha Holanda, a Bélgica é um dos países menos religiosos do mundo. Cerca de 45% dizem não ter religião e 27% não acreditam nem em deuses nem em qualquer força ou espírito superior. Uma pesquisa de 2009 indicava que apenas 5% iam à igreja todos os domingos.

A maioria das pessoas religiosas é cristã, com predomínio dos católicos (75%). Cerca de 6% são muçulmanos e 42 mil, judeus.

ARQUITETURA
A Bélgica tem grandes exemplos de arquitetura românica, gótica, renascentista e barroca. A cidade de Bruges é uma joia da arquitetura medieval.

A praça central de Bruxelas também é admirável, com seus prédios históricos e bares tradicionais como Lei Roi d’Espagne, um bom lugar para degustar alguns dos 1,1 mil diferentes tipos de cerveja do país.

Também é destaque o arquiteto e designer Victor Horta, mais conhecido como Baron Horta, um dos nomes mais importante do estilo art nouveau.  Quatro prédios projetos por Baron Horta são considerados patrimônio mundial da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).

PINTURA
Na pintura, destacam-se os pintores da escola flamenga como Hans Memling, Jan van Eick e Rogier van der Weyden, no século 15, Pieter Brueghel, no século 16, e Anton van Dick, Jacob Jordaens e Pieter Paul Rubens, considerado um dos maiores pintores de todos os tempos, no século 17. No século 20, o grande nome das artes plásticas foi o surrealista René Magritte.

MÚSICA
Em 1846, o belga Antoine-Joseph Sax inventou o saxofone, ajudando o país a criar sua própria escola de jazz. No século 20, dois jazzistas belgas, Jean Toots Thielemans e Jacques Brel, alcançaram sucesso internacional.

O lendário guitarrista cigano Jean-Baptiste Reinhardt despertou a atenção do grande jazzista americano Duke Ellington para o flamenco (um estilo de música cigana da Andaluzia, no Sul da Espanha, que nada tem a ver com os flamengos, um povo de origem germânica que habita o Norte da Bélgica e fala uma língua quase igual ao holandês).

Algumas bandas de música pop belgas são conhecidas internacionalmente, como Telex, Front 242, K’s Choice, Zap Mama, Soulwax e dEUS. No metal pesado, os maiores sucessos são Machiavel, Channel Zero e Enthroned.

LITERATURA
O poeta e dramaturgo Maurice Maeterlinck ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 1911. Outros escritores belgas importantes foram Émile Verhaeren, Georges Simenon, Hendrik Conscience, Hugo Claus e Marguerite Yourcenar.

QUADRINHOS
As Aventuras de Tintim, do belga Georges Prosper Remi, mais conhecido como Hergé, é uma das mais famosas histórias em quadrinhos do mundo, recentemente transformada em filme.

Os Smurfs, criados em 1958 por Pierre Culliford, viraram um desenho animado de sucesso na televisão.

CINEMA
André Delvaux, Stijn Coninx, Jean-Pierre e Luc Dardenne destacam-se entre os diretores. O ator mais conhecido é Jean-Claude van Damme.

CULINÁRIA
A cozinha belga apresenta uma ampla variedade e grandes influências das vizinhas França, Holanda e Alemanha.

A Bélgica se gaba de ter produzir as melhores cervejas do mundo. Faz mais 1,1 mil diferentes tipos de cervejas, A cerveja dos monges trapistas da Abadia de Westvleteren foi escolhida várias vezes como a melhor cerveja do mundo.

Os chocolates belgas também disputam a posição de melhores do mundo, É um importante produto de exportação. Com eles, faz-se uma grande variedade de bolos, tortas e doces.

Outras iguarias são os waffles, vendidos com chocolate quente em cafés ou pequenas lojas, através de janelas abertas para as ruas, o galeto na mostarda, e as caçarolas de mariscos acompanhadas de batatas fritas.

Para os belgas, a verdadeira batata frita é a deles, não é da França.

HISTÓRIA
Os belgas eram o povo descendente de celtas e germânicos que habitava a região onde hoje fica a Bélgica quando ela foi conquistada por Júlio César, por volta de 50 antes de Cristo.

A Gália Bélgica, que deu nome ao país, era uma província romana no extremo norte da Gália. Com a queda do Império Romano, no século 5 da era cristã, os francos ocuparam a região, que foi incorporada aos impérios merovíngio e carolíngio.

Os francos se tornaram cristãos com a conversão do rei Clovis I, em 496. Assim o cristianismo chegou ao que hoje é a Bélgica.

Em 843, com a partilha do Império Carolíngio (de Carlos Magno), o Tratado de Verdun dividiu a região em vários feudos vassalos da França ou do Sacro Império Romano-Germânico. Os condados de Flandres, Hainaut e Artois eram vassalos da França. Os ducados de Brabante e da Holanda, a Frísia, Gueldre e o bispado de Liège, do Sacro Império.

CIDADES DE FEIRAS
Na Baixa Idade Média, quando há o desenvolvimento das cidades de feiras, cidades como Antuérpia, Bruges e Gante se tornam importantes centros comerciais.

A Bolsa de Valores de Bruges, aberta em 1309, é considerada a mais antiga do mundo. Os comerciantes e financistas se encontravam na casa da família Van der Burse. Logo apareceram outras bolsas em Antuérpia, Gante, Amsterdã e Roterdã.

PAÍSES BAIXOS
A região que hoje inclui a Bélgica, a Holanda e Luxemburgo foi reunificada em 1433, quando Felipe o Bom, Duque da Borgonha, hoje parte da França, a rebatizou como Terras Baixas da Borgonha.

Em 1477, o casamento de Maria da Borgonha com Maximiliano da Áustria uniu o país à Dinastia dos Habsburgo. Quando casamentos dinásticos deixaram o país sob o controle da Espanha, os reis Carlos V e Felipe II reprimiram o protestantismo, levando à Revolta Holandesa e à guerra.

GUERRA DOS 80 ANOS
A Guerra dos 80 Anos (1568-1648) dividiu os Países Baixos em Províncias Unidas e Países Baixos do Sul. Em 1579, várias províncias do Sul formaram a União de Arras e declararam lealdade ao catolicismo e ao Império Espanhol. Em 1581, as sete províncias do Norte declararam independência da Espanha e formaram a República Unida da Holanda, protestante.

Holanda é o nome latino. Em holandês, o país se chama Países Baixos.

Os Países Baixos do Sul, mais ou menos a atual Bélgica, foram governados pelo Império Espanhol até a Guerra da Sucessão Espanhola (1701-14). Em 1713, o Tratado de Utrecht deu a Bélgica ao Império Austríaco. Lá, foi travada a maioria das guerras franco-espanholas e franco-austríacas dos séculos 17 e 18.

REVOLUÇÃO FRANCESA
A Revolução Francesa de 1789 provocou a revolta dos conservadores liderados por Henri van der Noot e os progressistas de Jean-François Vonck. Eles se uniram e venceram o Exército da Áustria, mas logo entraram em conflito entre si.

Os conservadores ganharam a chamada Revolução de Brabante (ducado onde fica Bruxelas, de onde vinha a maioria dos líderes). Tinham o apoio da classe média urbana, mas não dos camponeses, que não se opuseram quando o rei Leopoldo II, da Áustria, reinstaurou a autoridade real em 1790. Os revolucionários belgas pediram apoio à Revolução Francesa e foram anexados.

Com as guerras pós-Revolução Francesa, em 1794, os Países Baixos foram anexados à Primeira República Francesa, acabando com o domínio do Império Austríaco sobre a Bélgica.

RESSURGIMENTO
O país renasceria como Reino Unido dos Países Baixos em 1815, com a dissolução do Primeiro Imperio Francês depois da derrota final de Napoleão Bonaparte pelo Império Britânico e a Prússia, em 18 de junho de 1815, na Batalha de Waterloo, na Bélgica, a 13 km ao sul de Bruxelas.

REVOLUÇÃO BELGA
Na Revolução Belga, em 4 de outubro de 1830, as províncias do Sul declaram independência da Holanda e a intenção de criar um país independente, católico, neutro e francófono. A coroação do príncipe alemão Leopoldo de Saxe-Coburg-Ghota como Leopoldo I, em 21 de julho de 1831, é festejada como data nacional.

Dias depois, a Holanda invadiu a Bélgica. Sem Exército regular, os belgas foram derrotados, mas uma intervenção da França forçou os holandeses a recuarem e a reconhecerem oficialmente a independência da Bélgica em 1839.

Desde então, a Bélgica é uma monarquia constitucional e uma democracia parlamentarista, com uma Constituição secularista baseada no Direito Romano e no Código Civil de Napoleão.

Depois de décadas de agitação nacionalista em Flandres, em 1898, o flamengo foi declarado língua oficial, ao lado do francês.

CORAÇÃO DAS TREVAS
Ao dividir a África entre as potências europeias, a Conferência de Berlim (1884-85) deu o Estado Livre do Congo ao rei Leopoldo II, da Bélgica, em caráter privado.

A exploração, concentrada na extração de borracha e marfim, foi tão brutal que, sob pressão internacional, o Estado belga assumiu em 1908 o controle da colônia, que passou a se chamar Congo Belga.

O romance No Coração das Trevas, do polonês naturalizado britânico Josef Conrad, ambientado no Congo de Leopoldo II e publicado em 1902, inspirou o filme Apolipse Now, o épico do cineasta americano Francis Ford Coppola sobre a Guerra do Vietnã.

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
Apesar de neutra, a Bélgica foi invadida em 4 de agosto de 1914, depois de negar passagem às forças da Alemanha na Primeira Guerra Mundial (1914-18) dentro do Plano Schlieffen para atacar a França em sua ofensiva na frente ocidental. Nos primeiros meses da guerra, houve o chamado Estupro da Bélgica, tantos foram os crimes cometidos pelas tropas alemãs.

As trincheiras da frente ocidental passavam pela Bélgica e o Norte da França. Lá, foram travadas algumas das batalhas mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial.

ARMAS QUÍMICAS
Em 1915, a Alemanha usou armas químicas pela primeira vez em grande escala, contra a Rússia na Batalha de Bolimov, na Polônia, na frente oriental, quando a nuvem tóxica congelou e não produziu o efeito desejado; e na Segunda Batalha de Ypres, na Bélgica, na frente ocidental, onde 2 mil canadenses foram mortos.

Um belo monumento em Saint-Julien homenageia os canadenses mortos.

ENTREGUERRAS
No fim da guerra, a Bélgica tomou as colônias alemãs de Ruanda-Urúndi, na África, hoje os países de Ruanda e Burúndi, e em 1924 recebeu mandatos da Liga das Nações para administrá-los. Em 1925, anexou os distritos de Eupen e Malmedy, onde hoje existe uma minoria alemã.

Pioneira na integração europeia, em 1922, a Bélgica formou uma união monetária e aduaneira com Luxemburgo.

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o país foi invadido mais uma vez dentro dos planos da Alemanha para tomar a França. A Batalha da Bélgica durou 18 dias.

Em 10 de maio de 1940, o Exército nazista invadiu a Bélgica, a Holanda e Luxemburgo. Dias depois, os alemães lançaram a segunda parte de sua ofensiva, atacando a região de Ardennes, no Sul da Bélgica para chegar ao Canal da Mancha e cercar as tropas inimigas, pressionando-as a fugir pelo mar.

Na manhã de 15 de maio, tendo vencido as defesas em Sedan, o Exército da Alemanha pôde avançar livremente rumo à Mancha.

A Bélgica se rendeu em 28 de maio, enquanto as forças aliadas da França e do Reino Unido fugiam para a Inglaterra na dramatica retirada de Dunquerque, na França, de 27 de maio a 4 de junho, tentando preservar alguma capacidade de combate.

A ocupação nazista enfrentou uma resistência crescente. Quando os aliados chegaram à Bélgica em 3 de setembro de 1944, depois de invadirem a Normandia em 6 de junho de 1944, a resistência impediu a destruição do porto de Antuérpia. Foi o porto mais importante para desembarque de provisões para os aliados na frente ocidental até o fim da guerra, em 8 de maio de 1945.

No fim da guerra, a destruição foi estimada em 8% da riqueza nacional, muito menos do que outros países europeus.

INTEGRAÇÃO
Em 1948, a Bélgica se juntou à Holanda e Luxemburgo para formar a união econômica Benelux. No ano seguinte, 1949, tornou-se um dos países fundadores da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos para se opor à União Soviética durante a Guerra Fria, com sede em Bruxelas.

No processo de integração da Europa lançado em 1950 pela Declaração de Schuman, do ministro do Exterior francês Robert Schuman, a Bélgica participou da criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, em 1951, e da Comunidade Econômica Europeia, em 1957, hoje reunidas sob a União das Comunidades Europeias ou União Europeia.

A Bélgica foi um dos seis países fundadores da CEE, instalada em 1958, ao lado de Alemanha Ocidental, França, Holanda, Itália e Luxemburgo.

CONGO
Em 30 de junho de 1960, a Bélgica deu independência ao Congo, depois da vitória do socialista Patrice Lumumba nas eleições de 22 de maio.

Lumumba não deveria falar, mas discursou, falando de uma luta com “lágrimas, fogo e sangue” contra o que chamou de “regime de injustiça, opressão e exploração” da colonização belga. De acordo com algumas fontes, ainda virou-se para o rei Balduíno, que elogiara o avô genocida Leopoldo II, e afirmou: “Não somos mais seus macacos”.

Cinco dias depois, o comandante da Força Pública, se rebelou, dando início a uma guerra civil que a rigor não terminou até hoje.

KATANGA
Com o apoio de 6 mil soldados belgas, empresas belgas e mercenários brancos sul-africanos e rodesianos, em 11 de julho de 1960, a rica província mineral de Katanga declarou independência.

Três dias depois, Lumumba apelou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, que enviou uma missão, mas entrou em conflito com o primeiro-ministro, que queria usá-la para subjugar os rebeldes de Katanga. O secretário-geral Dag Hammarskjöld rejeitou o pedido.

A Resolução 143 pediu a retirada das forças belgas e ajuda militar da ONU ao Exército do Congo para “cumprir totalmente suas tarefas”.

Em 22 de julho, a Resolução 145 reafirmava que o Congo era um Estado unitário e insistia na retirada das tropas da Bélgica.

Em 9 de agosto, a Resolução 146 mencionava Katanga pela primeira vez, autorizando a missão da ONU a entrar na província mas proibindo-a de “intervir ou influenciar o resultado de qualquer conflito interno”.

KASAI DO SUL
A província de Kasai do Sul, que tinha declarado independência em 14 de junho de 1960, 16 dias antes do fim do domínio colonial belga, resolveu se tornar um país, com capital em Bakwanga.

Lumumba estava decidido a retomar Katanga e Kasai do Sul. Sem poder contar com a ONU, pediu ajuda à URSS, que fez uma ponte aérea para levar reforços e ajudar o governo a retomar Kasai do Sul. Uma campanha violenta matou centenas de congoleses da tribo baluba e provocou a fuga de cerca de 250 mil pessoas.

O pedido de ajuda à URSS irritou o presidente americano, Dwight Eisenhower, que autorizou a CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de espionagem da Presidência dos EUA a articular uma conspiração para matar Lumumba.

Em 5 de setembro, o presidente Joseph Kasa-Vubu demitiu Lumumba, que não aceitou e tentou derrubar o presidente. Lumumbra chegou a ser preso em 12 de setembro pelo comandante do Exército, Joseph Mobutu, mas foi solto por tropas leais a ele.

GOLPE
Num golpe articulado pela CIA, Mobutu tomou em 14 de setembro de 1960 o poder que só deixaria em 1997, tornando-se o protótipo do ditador africano pró-ocidental durante a Guerra Fria, o que o levou a acumular uma fortuna bilionária num país riquíssimo em recursos naturais, mas pobre e subdesenvolvido até hoje.

Em 27 de novembro, Lumumba deixou a prisão domiciliar. Preso por soldados de Mobutu em 1º de dezembro, ele foi enviado a Katanga, onde foi espancado diante de câmeras. Três semanas depois, uma rádio de Katanga anunciou que ele havia escapado e tinha sido morto por camponeses.

Na brutal política congolesa, um inquérito concluído em 2001 na Bélgica estabeleceu que Lumumba foi torturado, fuzilado, esquertejado, enterrado, desenterrado e seus restos foram dissolvidos em ácido.

ONU VAI À GUERRA
Em 21 de fevereiro de 1961, o Conselho de Segurança autorizava a missão da ONU “para prevenir uma guerra civil no Congo, inclusive… a usar a força, se necessáro, como último recurso”. Pela primeira vez a ONU entrava numa guerra civil.

Ao visitar o país, em 18 de setembro de 1961, Dag Hammarskjöld morreu num acidente de avião nunca esclarecido. Foi o único secretário-geral da ONU a morrer no exercício do cargo.

CHE NA ÁFRICA
Em 1964, o governo do Congo pediu ajuda militar aos EUA e à Bélgica. No início de 1965, o guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara resolveu ir para o Congo, depois de dizer ao presidene da Argélia, Ahmed Ben Bella, que a África era o “elo mais fraco do imperalismo” (uma teoria leninista), com grande potencial revolucionário.

Durante um ano, Guevara colaborou com líderes como Laurent Kabila, que descreveu como “bêbado e mulherengo, incapaz de liderar uma revolução”. O Che voltaria à América Latina para morrer lutando na Bolívia em 1967, enquanto Kabila se refugiou durante 30 anos nas Montanhas da Lua para liderar a queda de Mobutu.

GENOCÍCIO EM RUANDA
Antes disso, outra catástrofe noutra ex-colônia belga iria desestabilizar toda a região: o genocídio de Ruanda. Em 6 de abril de 1994, a Frente Patriótica de Ruanda, liderada pelo atual presidente, Paul Kagame, derrubou o avião do presidente Juvenal Habyarimana na chegada à capital.

Com a queda iminente do regime, o Exército da maioria hutu iniciou uma campanha de extermínio da minoria tútsi. Em pouco 100 dias, pelo menos 500 pessoas, talvez um milhão, foram mortas.

FRACASSO MUNDIAL
A Missão da Nações Unidas de Ajuda a Ruanda foi paralisada desde o início pela relutância das grandes potências do Conselho de Segurança em se envolver, especialmente os EUA, traumatizados pela Batalha de Mogadíscio, quando os fuzileiros navais foram humilhadas na Somália, em 1993.

O comandante belga da força de paz da ONU, general Roméo Dallaire recebeu ordens de proteger os estrangeiros. A força de paz abandonou uma escola onde 2 mil refugiados foram massacrados e acabou se retirando do país.

Cinco anos depois, o presidente Bill Clinton admitiria que o genocídio em Ruanda foi o maior fracasso de seu governo em política externa. Foi também a maior vergonha para a política externa da Bélgica no pós-guerra.

GUERRA MUNDIAL AFRICANA
A fuga em massa de refugiados desestabilizou o vizinho Congo, que o ditador Mobutu tinha mudado de nome para Zaire, deflagrando uma guerra civil que acabou com o reinado de Mobutu, envolveu nove exércitos, centenas de grupos e ficou conhecida como a Primeira Guerra Mundial Africana. O total de mortos em combate, de doenças e de fome é estimado em 5,4 milhões.

O legado colonial belga na África é trágico.

COMÉRCIO EXTERIOR
A Bélgica é o 18º maior importador mundial, com US$ 311,2 bilhões em 2012, e o 19º maior exportador mundial, com US$ 302,4 bilhões.

As principais exportações belgas são máquinas e equipamentos, produtos químicos, diamantes lapidados , metais e produtos metálicos, e alimentos. Seus maiores compradores são Alemanha (18%), França (16,1%), Holanda (13%), Reino Unidos (7,3%), EUA, (5,3%) e Itália (4,4%).

As maiores importações são de matérias-primas, máquinas e equipamentos, produtos químicos e farmacêuticos, diamantes brutos, alimentos, equipamento de transportes e derivados de petróleo. A Bélgica importa mais da Holanda (20,9%), Alemanha (14,2%), França (10,6%), dos EUA (6,1%), do Reino Unido (5,5%) e da Irlanda (4,4%).

RELAÇÕES COM O BRASIL
Em 2012, foi a 20º maior parceiro comercial do Brasil, com 1,25% do total, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores.

Os produtos manufaturados representam 52,7% das vendas brasileiras, com destaque para o suco de laranja, preparações hortículas e frutas 26,2%, e café em grão (11,6%), seguidos de produtos primários (36,7%) e semimanufaturados (10,5%).

Nas importações brasileiras, predominam os produtos manufaturados (96,9%), com destaque para medicamentos, combustíveis e lubrificantes, seguidos pelos semimanufaturados com 2,6%.

ESPORTE
Além do futebol, são muito populares o ciclismo, o tênis, a natação e o judô. A Bélgica organizou a Olimpíada de 1920, em Antuérpia.

Os belgas têm o maior número de vitórias na Volta da França depois dos franceses. O belga Eddy Merckx é considerado um dos maiores ciclistas de todos os tempos.

As tenistas Kim Clijsters e Justine Henan estiveram no topo do ranking feminino da Associação dos Tenistas Profissionais.

No automobilismo, o piloto belga Jack Ickx ganhou oito grandes prêmios de Fórmula 1 e seis 24 Horas de Le Mans. Foi duas vezes vice-campeão de F-1.

Em Olimpíadas, Hubert van Innis ganhou seis medalhas no arco e flecha em 1920. Robert van der Valle e Ulla Werbrouck destacaram-se no judô no fim do século passado. Com recorde mundial, Frederik Deburghgraeve ganhou a medalha de ouro nos 100 metros nado de peito nos Jogos de 1996, em Atlanta, nos EUA.

FUTEBOL
A Associação Real de Futebol da Bélgica, fundada em 1895, foi a primeira federação nacional de futebol da Europa continental.

A seleção belga, conhecida como os Diabos Vermelhos, volta à Copa do Mundo depois de seis participações consecutivas de 1982 a 2002. Sua melhor classificação foi o quarto lugar em 1986, no México, quando  derrotou a Espanha, uma das sensações (tinha ganho da Dinamáquina) nos pênaltis e perdeu para a campeã Argentina na semifinal com dois gols de Diego Maradona.

CAMPEÃ OLÍMPICA
A seleção belga ganhou o torneio de futebol da Olimpíada de Antuérpia, na Bélgica, em 1920, e foi vice-campeã da Europa em 1980.

BRASIL X BÉLGICA
Sem grandes títulos a festejar, a torcida belga comemora vitórias de sua seleção em amistosos contra campeões do mundo: 2-0 sobre a Alemanha Ocidental, em 1954; 5-1 contra o Brasil ,em 1963; 1-0 sobre a Argentina, em 1982; e 2-1 contra a França, em 2002.

Em 24 de abril de 1963, uma seleção brasileira que excursionava pela Europa iniciando uma renovação para a Copa de 1966 foi surpreendida pela Bélgica. Aos 21 minutos, os belgas venciam por 4-0. Quarentinha descontou, mas eles fizeram 5-1.

A vingança viria em 2 de junho de 1965, no Maracanã, quando o Brasil ganhou por 5-0, com três gols de Pelé.

COPA DE 2002
O Brasil voltaria a vencer a Bélgica por 2-1 em 1988 e por 2-0, com gols de Rivaldo e Ronaldo, nas oitavas de final da Copa de 2002, depois da anulação de um gol legítimo de Marc Wilmots no primeiro tempo, quando o jogo estava 0-0.

Wilmot é agora o treinador da seleção, que se classificou invicta para a Copa no Brasil e será cabeça-chave. Esta é considerada a geração de ouro do futebol belga.

GERAÇÃO DE OURO
Os destaques da seleção são o goleiro Thibaut Cortois os meio-campistas Eden Hazard e Kevin de Bruyne, do Chelsea; o zagueiro Jan Vertonghen e os meio-campistas Mousa Dembele and Nacir Chadli, do Tottenham Hotspurs; o zagueiro Vincent Kompany, do Manchester City; o meio-campista Marouane Fellaini, do Manchester United, talvez o maior craque do time; e o atacante Romelu Lukaku, autor dos dois gols da vitória sobre a Croácia em Zagreb que garantiu a classificação para vir ao Brasil.

TRAGÉDIA
O momento mais triste da História do Futebol na Bélgica foi a tragédia no Estádio de Heysel, em Bruxelas. Em 29 de maio de 1985, antes da final da Liga dos Campeões da Europa entre Liverpool, da Inglaterra, e Juventus, da Itália, quando os hooligans (arruaceiros ou vândalos) da torcida inglesa atacaram os adversários usando inclusive barras de ferras, causando correria, tumulto e 39 mortes. Outros 600 torcedores saíram feridos.

A UEFA (União Europeia de Futebol Associativo) decidiu realizar a partida assim mesmo. A Juventus ganhou por 1-0, gol de pênalti de Michel Platini, mas não havia nada a festejar.

Para conter o hooliganismo, a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, proibiu as equipes inglesas de disputar as copas europeias por cinco anos.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Holanda é antigo império que virou liberal e progressista

O Reino dos Países Baixos, mais conhecido aqui como Holanda, o nome latino, é um país do Noroeste da Europa formado por 12 províncias, entre elas a Holanda do Norte e a Holanda do Sul, daí o nome, que significa floresta densa, e seis ilhas da região do Mar do Caribe, as Antilhas Holandesas: Aruba, Bonaire, Curaçao, Saba, Santo Estácio e São Martinho.

Apesar de pequeno, é uma potência comercial, um país moderno, cosmopolita e liberal, ousado em políticas sociais como a eutanásia, a legalização da prostituição, e a descriminalização do consumo e posse de pequenas quantidades de drogas leves (maconha e haxixe).

A Holanda tem 41,5 mil quilômetros quadrados. Cerca de 6,5 mil km2 são terras conquistadas do mar, lagos e pântanos desde a Idade Média, com um sistema de drenagem, diques e moinhos de vento, um dos principais símbolos do país, ao lado dos tamancos e dos chapéus de laço das camponesas. Ainda hoje, mil moinhos de vento tradicionais coexistem com bombeamento a diesel ou eletricidade. Alguns foram tombados pela Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (Unesco).

Cerca de 25% do território e 21% da população ficam abaixo do nível do mar. O ponto mais alto da Holanda tem 323 metros. Com apenas 0,008% das terras do planeta, é um dos maiores exportadores agrícolas.

A oeste e norte, a Holanda é cercada pelo Mar do Norte; a leste, pela Alemanha; e ao sul, pela Bélgica. É um país baixo e plano, com grandes extensões cobertas por lagos, rios e canais.

A capital oficial do país e seu principal centro comercial e financeiro é Amsterdã, onde fica o palácio real, uma cidade construída sobre a água. O Parlamento e a sede do governo ficam em Haia.

A cidade também sedia vários tribunais internacionais: a Corte Internacional de Justiça (o tribunal das Nações Unidas), a Corte Internacional de Arbitragem, o Tribunal Penal Internacional, o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia e o Tribunal Especial para o Líbano.

POPULAÇÃO
Com 16,8 milhões de habitantes, a Holanda é um dos países de maior densidade populacional, 404 habitantes por km2, superado apenas por Cingapura, Vaticano e Malta, que são muito pequenos, Bangladesh, Taiwan e a Coreia do Sul.

Cerca de 80,7% dos habitantes são brancos holandeses, 5% cidadãos de outros países europeus, 2,4% indonésios, 2,2% turcos, 2% marroquinos, 2% surinameses e 0,8% afrocaribenhos. Os holandeses são o povo mais alto da Europa, talvez graças a uma dieta com muito cálcio por causa de seu famoso rebanho leiteiro e ao elevado consumo de produtos lácteos.

POLÍTICA
A Holanda é uma monarquia constitucional desde 1848. Em 30 de abril de 2013, Willem-Alexander, casado com uma princesa argentina, foi coroado rei.

O chefe de governo é o primeiro-ministro, quase sempre o líder do partido majoritário no Congresso bicameral, formado por uma Câmara com 150 deputados eleitos diretamente pelo povo e o Senado, com 75 cadeiras, eleito indiretamente, que atua apenas como câmara revisora.

No momento, o primeiro-ministro é Mark Rutte, do direitista Partido Popular pela Liberdade e a Democracia, que conquistou 41 dos 150 deputados da Câmara nas eleições de 2012 e fez aliança com o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, livrando-se do Apelo Democrata-Cristão e do ultradireitista Partido da Liberdade, que o apoiaram no seu primeiro governo, formado em 2010.

Como todos os governos costumam ser de coalizão, o país criou uma tradição de acordos políticos e formação de consensus, um pouco abalada no século 21 pelo surgimento de partidos de extrema direita contrários à imigração.

INTOLERÂNCIA
Dias antes das eleições de 2002, numa ruptura da longa história de tolerância da Holanda, o neofascista Pim Fortuyn, líder da Lista Pim Fortuyn, foi assassinado a tiros.

Em 2004, o Partido da Liberdade, liderado por Geert Wilders, que ficou em terceiro lugar nas eleições, mas em 2014 teve um desempenho aquém do esperado nas eleições para o Parlamento Europeu, em que a ultradireita nacionalista e antieuropeia venceu as eleições na França, no Reino Unido e na Dinamarca.

Também em 2004, o cineasta Theo van Gogh, bisneto do irmão do pintor, que fizera um documentário sobre a opressão da mulher nas sociedades muçulmanas, foi morto por um extremista muçulmano.

ECONOMIA
Com o produto interno bruto de US$ 800 bilhões de dólares (estimativa do FMI para 2013), a Holanda é o 18º país mais rico do mundo, membro do Grupo dos Vinte (G-20). A renda média por habitante de US$ 47,62 mil por ano.

A Holanda, fundadora a Comunidade Europeia e da Zona do Euro, tem uma economia moderna, próspera e aberta, fortemente dependente do comércio exterior, com exportações de US$ 556 bilhões e importações de US$ 490 bilhões em 2012. Roterdã é o maior porto da Europa e o 10º do mundo.

Desde o século 16, a navegação, a pesca, a agricultura, o comércio e o setor financeiro são setores importantes da economia holandesa.

De 1996 a 2000, o país cresceu 4% ao ano, acima da média europeia, e adotou o euro como moeda. Depois de um crescimento menor no início do século 21, a economia avançou 3,4% em 2006 e 3,9% em 2007. Os maiores parceiros comerciais são Alemanha (26,3%), a Bélgica (14,1%), a França (8,8%) e o Reino Unido (8%).

Sob o impacto da crise financeira internacional de 2008-9, a economia encolheu 3,5% em 2009, teve crescimento fraco durante dois anos e voltou a entrar em recessão em 2012, caindo 0,5%, por causa da crise das dívidas públicas dos países da periferia da Zona do Euro (Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha).

O desemprego estava em 8,7% em julho de 2013. Sob pressão da Comissão Europeia para cumprir as metas de equilíbrio fiscal, o governo terá de cortar gastos e aumentar impostos. A previsão de crescimento para 2014 foi reduzida para 0,5%, com alta do desemprego para 9,25%.

HISTÓRIA
As terras baixas onde hoje fica a Holanda registram a presença seres humanos há pelo menos 370 mil anos. Eram habitadas por tribos celtas e germânicas quando foram conquistadas pelos romanos na época de Caio Júlio César, em 55 antes de Cristo.

Com o fim do Império Romano do Ocidente, no século 5 da era cristã, a região ficou sob o controle de três tribos germânicas: os frísios, no Norte; os saxões, no Nordeste; e os francos, Centro-Sul.

Os francos se tornaram cristãos com a conversão do rei Clovis I, em 496, e assim o cristianismo chegou ao que hoje é a Holanda.

SACRO IMPÉRIO
Quando Carlos Magno fundou o Sacro Império Romano-Germânico, no ano 800, a atual Holanda fazia parte. Com o fim do Império Carolíngio, em 888, seu território foi dividido em pequenos condados, um deles chamado Holanda. Nos séculos 9 e 10, a região foi atacada várias vezes pelos vikings da Escandinávia.

Em 1433, Felipe o Bom, Duque da Borgonha, hoje uma região da França, tomou a Baixa Lotaríngia e a rebatizou como Terras Baixas da Borgonha.

Em 1477, o casamento de Maria da Borgonha com Maximiliano da Áustria uniu o país à Dinastia dos Habsburgo. Quando casamentos dinásticos deixaram o país sob o controle da Espanha, os reis Carlos V e Felipe II reprimiram o protestantismo, levando à Revolta Holandesa e à independência.

INDEPENDÊNCIA
Em 1568, Guilherme, o Taciturno, da Dinastia de Orange, liderou a revolta das províncias protestantes do Norte contra os espanhóis, que tinham organizado uma visitação da Inquisição. Foi uma das primeiras revoluções liberais da História. A Revolta Holandesa abriu o país ao comércio e trouxe uma era de grande prosperidade.

A República Unida da Holanda foi proclamada em 1579. Em 1581, declarou independência da Espanha. A Revolta Holandesa ou guerra da independência vai até 1648, quando a Paz da Vestfália, negociada no fim da Guerra dos Trinta Anos (1618-48), reconhece a independência do país. Na Holanda, é chamada de Guerra dos 80 Anos.

Em 1602, a Companhia Holandesa das Índias Orientais tornou-se a primeira empresa com ações vendidas em bolsas de valores. Precisava de capital para financiar a expansão colonial.

TULIPAMANIA
A tulipa é a flor nacional e já foi mania na Holanda a ponto de ter criado uma bolha especulativa que estourou em 1637.

A flor foi introduzida na Europa por um embaixador do Império Otomano que enviou bulbos e sementes para Amsterdã e Antuérpia em 1554. Logo se tornou um luxo cobiçado pela burguesia comercial ascendente.

Em 1636, a tulipa era o quarto produto de exportação da Holanda, depois de gin, arenque e queijo. No auge da Tulipamania, em 1637, um bulbo chegou a custar 4,5 mil florins, cerca de 15 vezes a renda anual de um artesão qualificado, que era de cerca de 300 florins. Até que alguém disse o óbvio, que era apenas uma flor – e a bolha estourou.

AMÉRICA
As primeiras fortificações e assentamentos holandeses na América foram instalados na Amazônia nos anos 1590s. Em 1624, eles compraram a ilha de Manhattan dos índios por US$ 24 e fundaram ali a Nova Amsterdã.

Com a queda do Brasil Holandês, em 1654, os judeus fugiram para Nova Amsterdã. Em 1664, o Forte Amsterdã foi tomado pelos ingleses na Segunda Guerra Anglo-Holandesa (1665-67).

Durante a Terceira Guerra Anglo-Holandesa (1672-74), os holandeses retomaram a cidade em julho de 1673. Com o Tratado de Westminster, em novembro de 1674, a cidade foi devolvida aos ingleses, que a rebatizaram como Nova York. Em compensação, a Holanda ficou com o Suriname.

INVASÕES
No século 17, quando era a maior potência marítima e comercial, a Holanda invadiu duas vezes o Nordeste brasileiro, a Bahia (1624-25) e Pernambuco (1630-54). Era o período do Domínio Espanhol (1580-1640), quando o rei da Espanha governou Portugal na chamada União Ibérica, e a Holanda estava em guerra com a Espanha e depois com a Inglaterra.

Em 9 de maio de 1624, cerca de 3,4 mil holandeses liderados por Jacob Willekens tomaram Salvador, a capital colonial, sem encontrar grande resistência, mas não conseguiram manter a conquista.

Menos de um ano depois, em 27 de março de 1625, uma esquadra de mais de 50 navios espanhóis e portugueses sob o comando do almirante espanhol Fradique de Toledo y Osorio contra-atacou os holandeses. Depois de uma batalha de 35 dias, os holandeses se renderam em 1º de maio, no Convento do Carmo, em Salvador, transformado em quartel-general da resistência brasileira.

Ao desembarcar ao norte de Olinda, onde hoje fica o Forte de Pau Amarelo, em 1630, os holandeses foram guiados por um judeu. A República Holandesa era liberal e tolerante, enquanto a colônia portuguesa tinha recebido uma visitação do Santo Ofício em 1590-91 e os judeus temiam a perseguição pela Igreja Católica.

Com o ciclo do açúcar, Pernambuco era a mais rica das províncias ultramarinhas portuguesas. Na época, o açúcar era a mercadoria mais importante do mercado internacional e o Brasil o maior produtor, posição mantida até hoje. Era o melhor negócio da colônia; o segundo era o tráfico de escravos.

NASSAU
O Brasil Holandês chegou a ocupar uma grande extensão da costa, do Norte da Bahia ao Maranhão durante o governo do conde alemão João Maurício de Nassau (1637-44), príncipe do pequeno Principado de Nassau-Siegen, parte do Sacro Império Romano-Germânico.

Com a ajuda de um famoso arquiteto holandês, Pieter Post, nasceu desenvolveu o Recife ampliando para uma nova ilha onde construiu a Cidade Maurícia, ligada ao Recife antigo por uma ponte.

Como os nativos se recusavam a usá-la, Nassau inventou que haveria um boi voador do outro lado. Chegou a construir um mecanismo para fingir que um boi voava.

Nassau também instaurou câmaras municipais, modernizou a infraestrutura de transportes do Recife, criou o Jardim Botânico, o Museu de História Natural e o Zoológico.

Seus gastos excessivos alarmaram os acionistas da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. Sem total liberdade para fazer o que quisesse, Nassau voltou à Europa em julho de 1644.

A derrota do Brasil Holandês foi essencial para a integração nacional, argumenta o historiador pernambucano Evaldo Cabral de Mello, autor de vários livros sobre a invasão holandesa, como Nassau: governador do Brasil Holandês, O Negócio do Brasil  e Olinda Restaurada. Naquela época, o Brasil estava no Nordeste.

Se não estourasse a Primeira Guerra Anglo-Holandesa (1652-54), talvez a Insurreição Pernambucana não tivesse o mesmo sucesso no cerco e assalto final ao Recife, na Batalha dos Guararapes.

Os holandeses levaram a tecnologia de produção do açúcar de cana para o Caribe. A segunda metade do século 17 foi a Idade de Ouro da Holanda.

O Museu Naval, em Amsterdã, e o museu Casa de Maurício de Nassau, em Haia,  têm bons acervos sobre o Brasil Holandês.

IDADE DE OURO
O século 17 é também a época do pintor Rembrandt van Rijn, do filósofo e jurista Hugo Grotius, um dos pais do direito internacional, do filósofo Baruch Spinoza. Dois grandes filósofos, o francês René Descartes, pai do racionalismo, e inglês John Locke, pai do liberalismo, moraram na Holanda.

Em 1795, a França invade a Holanda. É proclamada a República Bátava. Em 1810, Napoleão anexa a Holanda à França.

Depois da derrota de Napoleão e do Congresso de Viena (1815), que restaura as monarquias derrubadas nas guerras napoleônicas, nasce o Reino dos Países Baixos (Bélgica, Holanda e Luxemburgo). A Bélgica se separa em 1830; o Grão-Ducado de Luxemburgo, em 1890.

COLÔNIA DO CABO
Em 1652, holandeses a caminho das Índias Orientais naufragaram numa tempestade perto do Cabo das Tormentas, que um rei de Portugal rebatizara como Cabo da Boa Esperança, mas os marinheiros conheciam pelo antigo nome. Numa baía, o capitão Jan van Riebeeck fundou a Colônia do Cabo, inicialmente apenas um ponto de apoio para os navios da Companhia Holandesa das Índias Orientais.

Aos calvinistas holandeses, depois se juntaram os huguenotes franceses perseguidos por Luís XIV. Seus descendentes, conhecidos como africâneres, criaram o regime do apartheid, que segregou a maioria negra na África do Sul até a eleição de Nelson Mandela, em 1994.

A partir de 1691, a Cia. nomeou um governador para a Colônia do Cabo, tomada pelos britânicos em 1806, durante as guerras napoleônicas, quando a França, inimiga da Grã-Bretanha, dominava a Holanda.

OURO
Depois de descoberta do ouro no Rio Orange por Erasmus Jacobs, em 1867, o Império Britânico anexou a Província do Transvaal em 1887. Os bôeres (agricultores, em holandês), os colonos descendentes de holandes e huguenotes se revoltaram e reconquistaram sua independência na Primeira Guerra dos Bôeres (1880-81).

Na Segunda Guerra dos Bôeres, o Império Britânico prevaleceu e impôs seu domínio sobre todo o país, conquistando definitivamente o Estado Livre de Orange e a Província do Transvall. Nessa guerra, os britânicos internaram os bôeres no interior do país em campos de concentração. Para o império, os bôeres tinham se transformado na “tribo branca da África”, tinham se brutalizado e se tornado inferiors aos europeus.

Em 1910, o Transvaal e o Estado Livre de Orange se juntaram à Colônia do Cabo na União Sul-Africana. A colonização holandesa sobreviveu na cultura africâner até a democratização da África do Sul, em 1994.

GUERRAS
A Holanda ficou neutra na Primeira Guerra Mundial. Na Segunda Guerra Mundial, é ocupada pela Alemanha em 10 de maio de 1940. Mais de 100 mil judeus foram presos e enviados para campos de concentração nazistas na Alemanha, na Polônia e na Tcheco-Eslováquia.

O Diário de Anne Frank, um dos maiores símbolos da luta da inocência contra o nazismo, foi escrito no sótão camuflado de uma casa de Amsterdã hoje transformada em museu.

Em 8 de dezembro de 1941, um dia depois do ataque japonês aos EUA em Pearl Harbor, a Holanda declarou guerra ao Japão. A invasão das Índias Orientais holandesas, a atual Indonésia, começou em janeiro de 1942. Depois da Batalha do Mar de Java, em 27 de fevereiro, os japoneses tomaram as principais ilhas. O Japão precisava com urgência do petróleo que os EUA lhe negavam desde agosto.

Durante a ocupação japonesa, dos 80 mil europeus internados em campos de concentração, 14,8 mil foram mortos, assim como 12,5 mil dos 34 mil prisioneiros de guerra.

PÓS-GUERRA
No pós-guerra, a Indonésia declarou independência em 17 de agosto de 1945, dois dias depois da rendição do Japão e a conquistou em dezembro de 1949. O Suriname declarou independência em 1975.

Em 1948, forma-se o Benelux, uma área de livre comércio reunindo Bélgica, Holanda e Luxemburgo, precursor da Comunidade Econômica Europeia, que seria fundada em 1957 por esses três países, Alemanha Ocidental, França e Itália.

DOENÇA HOLANDESA
Em 1959, a descoberta de uma grande jazida de gás natural aumentou muito as exportações da Holanda, valorizando a moeda nacional, o florim, o que levou a um declínio do setor industrial. Daí nasceu a expressão “doença holandesa”, quando a exportação de produtos primários sobrevaloriza a moeda causando problemas econômicos.

RELAÇÕES COM O BRASIL
A história das relações bilaterais é marcada pelas duas invasões ao Brasil no tempo em que a Holanda era a maior potência mundial.

Numa visão militar, o conflito terminou com a vitória brasileira na Batalha dos Guararapes e a libertação do Recife. No livro O Negócio do Brasil, o historiador Evaldo Cabral de Mello ensina que a guerra entre Holanda e Portugal só terminou depois de uma guerra maritime de 1657-61 e de dois acordos de paz, em 1661 e 1669, em que os holandeses reconheceram a soberania portuguesa sobre o Nordeste em troca de concessões financeiras e comerciais.

Pelo Tratado de Londres, de 1661, Portugal deveria pagou 4 milhões de cruzados durante 16 anos pelo Nordeste. No Tratado de Haia, de 1669, a indenização foi reduzida para 2,5 milhões de cruzados a serem pagos em 20 anos.

Além do Brasil e da Nova Amsterdã, tomada pelos ingleses e rebatizada como Nova York, a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais ficou com a Costa do Ouro e o Suriname. Mas não sobreviveu. Faliu no início dos anos 1670s.

INTEGRIDADE TERRITORIAL
“A primeira fronteira do Brasil não foi o Prata ou a Amazônia. Foi aí que nossa integridade territorial correu maior perigo. Por lamentável que tivesse sido, a perda do Rio Grande do Sul não teria comprometido a unidade nacional, como não o fez a independência do Uruguai, mas a consolidação do Brasil holandês estilhaçaria a América portuguesa”, argumenta Cabral de Mello.

Sem a restauração da coroa portuguesa, em 1640, a Espanha teria cedido o Nordeste à Holanda como o fez no papel na Paz da Vestfália, em 1648.

A reconquista do Nordeste é um dos momentos fundadores da nação brasileira e de seu mito fundador de que o país foi construído por três raças: brancos europeus e brasileiros, negros e índios.

Se o Nordeste pertencesse à Holanda, alega o historiador, provavelmente teria sido invadido pelo Império Britânico durante as guerras napoleônicas, como aconteceu com a Colônia do Cabo, no Sul da África.

IDIOMA
O holandês, uma língua germânica igual ao flamengo falado em Flandres, no Norte da Bélgica, é a língua oficial do país. A maioria dos holandeses fala pelo menos uma língua estrangeira.

Além da Bélgica, o holandês também é falado nas Antilhas Holandesas e nas ex-colônias, no Suriname e na Indonésia. O africâner, idioma dos brancos sul-africanos, derivou do holandês.

RELIGIÃO
A Reforma Protestante e a influência calvinista foram essenciais na formação histórica e cultural da Holanda. Hoje é um dos países mais secularistas do mundo. Menos de 20% dos holandeses vão à igreja regularmente.

Cerca de 28% são protestantes e 24% católicos . Os muçulmanos são 800 mil, quase 5% da população, 250 mil budistas e 200 mil hindus.

EDUCAÇÃO
A educação é compulsória dos 4 aos 16 anos, e semicompulsória de 16 a 18 anos. Quando passam de ano, as crianças costumam pendurar o mochila da escola com uma bandeira nacional do lado de fora da janela.

CULTURA
A Holanda tem mais de mil museus. Amsterdã, onde há 42, guarda 206 quadros de Vincent van Gogh e 22 de Rembrandt.

Os Rembrandts estão no Museu Nacional, ao lado de outros mestre da escola clássica holandesa, como Johanes Vermeer, Jan Steen, Jacob van Ruysdal. Nos séculos 19 e 20, destacam-se Van Gogh, Piet Mondrian e M. C. Escher.

Talvez o maior escritor holandês seja o filósofo Desidério Erasmo, o Erasmo de Rodertã, autor de O Elogio da Loucura, lançado em 1511, que a superstição, os abusos e a corrupção na Igreja Católica, que nunca abandonou. Ele é considerado o maior intelectual do Renascimento no Norte da Europa.

Crítico da Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero em 1517, Erasmo lançou as bases da tolerância e advertiu para o risco das guerras religiosas que assolariam a Europa por mais de cem anos. Chegou a ser acusado por bispos católicos de “botar o ovo” para a Reforma da Igreja.

DIREITO INTERNACIONAL
Outro intelectual holandês de inestimável importância histórica foi o filósofo e jurista Hugo Grotius, considerado o pai do direito internacional. Menino-prodígio, aos 16 anos, Grotius publicou seu primeiro livro e foi nomeado advogado.

Grotius iniciou seus estudos sobre direito internacional depois da captura do navio português Santa Catarina onde hoje é Cingapura por um capitão holandês, em 1603, sob a alegação de que a Espanha e Portugal estavam em guerra com a Holanda. A própria Companhia Holandesa das Índias Orientais foi contra a captura.

LIVRE NAVEGAÇÃO
Em 1609, no livro Liberdade dos Mares, Grotius formulou o princípio de que os mares eram territórios internacionais e deveriam ser abertos à navegação e ao comércio. A Inglaterra contestou.

No fim da discussão, ficou estabelecido que o mar territorial de cada país seria limitado à distância de um tiro de canhão, na época menos de 5 km.

Em 1651, a Inglaterra aprovou a Lei da Navegação, proibindo a entrada no país de mercadorias que chegassem em navios ingleses. Isso levou à Primeira Guerra Anglo-Holandesa (1652-54).

LEIS DE GUERRA
Diante da Guerra dos Trinta Anos (1618-48), Grotius defendeu a necessidade de leis para regulamentar os conflitos armados entre países: “Totalmente convencido de que há uma lei comum entre as nações que é válida para a guerra e durante a guerra, tenho várias razões de peso para escrever sobre o assunto. Através do mundo cristão, observei uma falta de contenção em relação à guerra da qual mesmo as raças mais bárbaras deveriam se envergonhas; observei que os homens correm para as armas pelas menores causas, ou mesmo nenhuma causa, e que, quando se recorre às armas, não há mais respeito por nenhuma lei, divina ou humana; é como se, de acordo com um decreto geral, um frenesi permitisse cometer todos os crimes.”

No livro Sobre a Lei da Guerra e da Paz, em três volumes, Grotius apresenta seus conceitos sobre guerra e direito natural no primeiro volume, considerando a guerra justificável em alguns casos, como autodefesa, para reparar uma injustiça ou como punição, no segundo. No terceiro, ele discute as regras para a conduta na guerra depois de iniciada.

Seus argumentos e os de Francisco de Vitória foram as bases para a teoria da guerra justa, hoje substituída pela legitimidade da guerra.

Em 1º de abril de 2001, a Holanda aprovou o casamento de pessoas do mesmo sexo.

CULINÁRIA
A cozinha holandesa se baseia nos abundantes recursos pesqueiros e agrícolas do país, com grande destaque para leite e laticínios. A carne e as batatas são pratos de resistência. O consumo de peixe é elevado, até mesmo de arenque cru.

Um prato típico é a panqueca holandesa. Os queijos Edam e Gouda são variedades holandesas.

ESPORTE
Cerca de 4,5 milhões de pessoas estão associadas aos 35 mil clubes esportivos do país. O ciclismo é uma mania nacional, como meio de transporte e esporte. A Holanda tem 15 mil km de ciclovias e duas bicicletas para cada carro.

A Holanda participa das Olimpíadas desde 1900. Em 1928, organizou os Jogos de Amsterdã.

O iatismo, o hóquei na grama, o esqui, o vôlei e o tênis são muito populares. O holandês Richard Kraijcek, campeão de Wimbledon em 1996, foi o único a derrotar Pete Sampras no torneio em sua melhor fase.

FUTEBOL TOTAL
O esporte favorito dos holandeses é de longe o futebol. Três vezes vice-campeã do mundo, a Holanda é uma das grandes seleções que jamais conseguiu um título mundial. Foi campeã da Europa em 1988.

A Laranja Mecânica, apelido da seleção holandesa de 1974, é ao lado da Hungria de Ferenc Puskas uma das grandes seleções que fizeram História e são mais conhecidas do que as seleções alemãs que as derrotaram.

Sob a liderança do capitão Johan Cruijff, a seleção dirigida pelo técnico Rinus Michels lançou o “futebol total”, pressionando os adversários no campo todo sem guardar posição e se lançado rapidamente ao ataque. Na mesma época, o Ajax, de Amsterdã, foi três vezes campeão europeu (1971, 1972 e 1973) e campeão mundial de clubes em 1972 e 1995, derrotando o Grêmio nos pênaltis na última vez.

Na seleção campeã europeia, os destaques foram Ruud Gullit, Marco van Basten e Frank Rijkaard. Na equipe atual os destaque são Wesly Sneijder (fala-se como o alemão Schneider) e Arjen Robben.

Brasil x Holanda já é um clássico em Copas do Mundo. O Brasil perdeu a semifinal para a Holanda de Cruijff em 1974 por 2-0. Ganhou de 3-2 nas quartas de finais em 1994. Depois de 1-1 no tempo normal, venceu nos pênaltis em 1998. Em 2010, o Brasil saiu na frente com gol de Robinho, mas a Holanda virou o jogo com dois gols de Sneijder e eliminou o Brasil.

Em 2011, a Holanda chegou a liderar o ranking da Fifa.