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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Agosto

DIVISÃO DA POLÔNIA

    Em 1772, a Rússia, a Prússia e a Áustria assinam um tratado que divide a Polônia e toma a metade de sua população e um terço das terras.

A Primeira Divisão da Polônia acontece depois que a Rússia, sob o reinado de Catarina II, a Grande, obtém importantes vitórias na Guerra Russo-Turca (1768-74) contra o Império Otomano e ameaça chegar até principados do Rio Danúbio, o que alarma a Áustria e a Prússia.

Para pacificar as relações entre Áustria, Rússia e Prússia, o rei Frederico II, o Grande, da Prússia, decide desviar as ambições imperiais russas das províncias turcas para a Polônia, que tinha um Estado fraco e estava em guerra civil. Sob intervenção militar das três potências europeias, o parlamento polonês aprova a divisão do país em 1773.

A Segunda Divisão da Polônia, desta vez entre Rússia e Prússia, ocorre em 1793. Na Terceira Divisão, em 1795, entre Rússia, Áustria e Prússia, o Estado polonês deixa de existir. É o fim da Comunidade Polaco-Lituana ou República das Duas Nações, fundada em 1569, um dos maiores e mais populosos países da Europa nos séculos 16 e17. A  Polônia renasce em 1918, depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

A Segunda Guerra Mundial (1939-45) começa com a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista em 1º de setembro de 1939. Por causa do Pacto Germano-Soviético, firmado em 23 de agosto de 1939, a União Soviética logo ocupa o Leste da Polônia. 

A polícia política de Josef Stalin, o Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), o ministério do interior do regime stalinista, mata no Massacre da Floresta de Katyn, em abril e maio de 1940, todo o oficialato do Exército, policiais, intelectuais, professores, artistas, prisioneiros de guerra e cidadãos comuns da Polônia acusados de espionagem, num total de quase 22 mil pessoas.

A Polônia renasce com o fim de guerra, em 1945. É o 51º país da Organização das Nações Unidas (ONU). Não existe quando a Carta da ONU é assinada, em 26 de julho, mas faz parte quando a Carta é ratificada e a ONU é criada, em 24 de outubro de 1945.

Com a abertura do Muro de Berlim, em 1989, o fim do comunismo na Europa Oriental e sua entrada na União Europeia, em 2004, a Polônia pacifica a relação com a Alemanha. O medo da Rússia a leva a entrar para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 1999. E a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 mostra que tem razão.

CABO TELEGRÁFICO TRANSATLÂNTICO

    Em 1858, após várias tentativas frustradas, termina a instalação do primeiro cabo telegráfico submarino ligando a América do Norte e a Europa através do Oceano Atlântico.

O artista e inventor americano Samuel Morse começa a desenvolver o telégrafo em 1832. Ele cria o Código Morse e, em 1844, lança o telégrafo comercial, enviando uma mensagem do Capitólio para uma estação de trens de Baltimore.

Dez anos depois, há mais de 30 mil quilômetros de cabos telegráficos nos EUA. A revolução nas comunicações marca o início da era da eletricidade. É um grande estímulo ao desenvolvimento dos EUA. Ajuda muito na expansão e conquista do Oeste.

Em 1854, o empresário Cyrus West Field decide instalar o cabo transatlântico. Com a ajuda de navios americanos e britânicos, faz quatro tentativas. Na quarta, em 29 de julho de 1858, o Niágara e o Gorgon saem da Baía da Trindade, no Canadá, e se encontram no meio do oceano com o Agammenon e o Valorous, que partem de Valentia, na Irlanda, então parte do Reino Unido.

O cabo de cerca de 3,2 mil km é lançado no fundo do mar, a uma profundidade de até mais de 3 mil metros em 5 de agosto. Onze dias depois, o presidente James Buchanan e a rainha Vitória trocam as primeiras mensagens, mas o cabo é fraco e para de funcionar em setembro. A primeira ligação telegráfica permanente entre a América do Norte e a Europa é finalmente instalada em 1866.

Cyrus Field promove outras ligações telegráficas transoceânicas, inclusive do Havaí para a Ásia e a Austrália.

LINCOLN CRIA IMPOSTO DE RENDA FEDERAL

    Em 1861, o presidente Abraham Lincoln impõe a cobrança de um imposto de renda federal para financiar a União (Norte) durante a Guerra da Secessão (1861-65), quando os estados do Sul tentam se separar por discordar da abolição da escravatura.

O Congresso aprova uma alíquota de 3% sobre rendimentos a partir de US$ 800, equivalentes a US$ 16 mil de 2003. Desde março, Lincoln se preocupa com o financiamento da guerra. Envia cartas a vários ministros para saber se entendem que a Constituição autoriza o presidente a coletar impostos. Ele teme que os rebeldes fiquem com o dinheiro dos impostos cobrados nos portos do Sul.

Durante a Reconstrução pós-Guerra Civil, em 1871, o Congresso revoga a lei de impostos de Lincoln. Em 1909, aprova a 16ª Emenda, ratificada em 1913, e cria o sistema federal de impostos existente hoje.

FRIEDRICH ENGELS MORRE

    Em 1895, morre em Londres o empresário e teórico da revolução Friedrich Engels, que lança o Manifesto Comunista com Karl Marx em 1848.

Engels nasce em Barmen, na Prússia, numa família da burguesia industrial, de onde observa de perto as difíceis condições de vida do operariado e conclui que precisa lutar pela emancipação. Ele conhece Marx em Paris em 1844 e expõe suas acusações ao capitalismo no livro A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra, publicado em 1845.

Os dois lançam o Manifesto do Partido Comunista, onde afirmam que "a história da humanidade é a história da luta de classes", em 21 de fevereiro de 1848, um ano de revoluções na França, no que seria a Alemanha (unificada em 1871) e no Império Austro-Húngaro

Com a derrota das revoluções, Marx se refugia na Inglaterra, no seio de sociedade liberal, onde escreve sua grande obra, O Capital. Depois da morte de Marx, em 14 de março de 1883, Engels conclui e publica o segundo e o terceiro volumes da bíblia do comunismo.

ALEMANHA ATACA BÉLGICA NA GRANDE GUERRA

    Em 1914, o assalto da Alemanha a Liège viola a neutralidade da Bélgica e marca o início da primeira batalha da Primeira Guerra Mundial (1914-18). O Reino Unido entra na guerra contra a Alemanha.

Na véspera, sete exércitos alemães, com 1,5 milhão de soldados, se concentram nas fronteiras com a França e a Bélgica. É o Plano Schlieffen, formulado pelo general Alfred von Schlieffen para tomar a Bélgica e invadir a França.

Com 12 fortes, Liège é uma das cidades mais protegidas da Europa. No fim do dia, todos estão sob controle belga. A cidade cai em 15 de agosto, depois que os alemães trazem seus supercanhões de 305 e 420 milímetros para a Batalha de Liège.

Três dias depois, a brutal ofensiva da Alemanha invade a França. Ao todo, nesta ofensiva, os alemães matam 5.521 civis na Bélgica e 895 na França.

MARYLIN SE SUICIDA

     Em 1962, Norma Jeane Mortenson, mais conhecida pelo nome artístico de Marylin Monroe, é encontrada morta em casa em Los Angeles, nua, caída de bruços sobre a cama, com um telefone na mão. Embalagens vazias de antidepressivos se espalham pelo chão.

Ao fim de um inquérito rápido, a polícia de Los Angeles, nos Estados Unidos, conclui que a atriz, uma das mais lindas da história do cinema, morreu "por causa de uma dose excessiva auto-administrada de sedativos" num "provável suicídio".

PROIBIÇÃO DE TESTES NUCLEARES

    Em 1963, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Soviética assinam o Tratado de Proibição Parcial de Testes Nucleares, proibindo a realização de explosões atômicas acima da superfície da Terra.

Os EUA fazem seu primeiro teste nuclear em Alamogordo em 16 de julho e lançam as bombas atômicas de Hiroxima e Nagasaki em 6 e 9 de agosto de 1945. A URSS faz seu primeiro teste nuclear em 29 de agosto de 1949. 

O Reino Unido explode sua bomba em 3 de outubro de 1952. A França fez sua primeira explosão atômica em 13 de fevereiro de 1960. E a China, em 16 de outubro de 1964. Israel tem armas nucleares desde 1966 ou 1967, mas não admite publicamente.

Em maio de 1998, a Índia e o Paquistão realizam testes para comprovar sua capacidade nuclear. A África do Sul pós-apartheid abre mão de suas armas nucleares. A Coreia do Norte detona sua bomba em 3 de outubro de 2006.

INCIDENTE DO GOLFO DE TONKIN

    Em 1964, os Estados Unidos alegam falsamente que um de seus contratorpedeiros é atacado sem provocação na costa do Vietnã do Norte e o Congresso aprova a Resolução do Golfo de Tonkin, usando o incidente forjado para autorizar o presidente Lyndon Johnson a entrar na Guerra do Vietnã (1955-75).

O Vietnã, parte da Indochina Francesa desde o fim do século 19, é ocupado pelo Japão em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Quando o Japão se rende e a guerra acaba, em 2 de setembro de 1945, o líder comunista Ho Chi Minh declara a independência.

A França, antiga potência colonial, não aceita e inicia a Primeira Guerra da Indochina (1946-54). Com a derrota dos franceses, o país é dividido entre o Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, capitalista. As eleições para unificar o país são suspensas sobre pressão dos EUA em 1955, porque os comunista são favoritos, o que dá origem à Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75).

Desde o início, no governo Dwight Eisenhower (1953-61), os EUA se envolvem na guerra sem entrar em combate. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores militares dos EUA e alguns entram em combate, mas oficialmente o país não está em guerra com o Vietnã do Norte.

Em 2 de agosto de 1964, o contratorpedeiro norte-americano USS Maddox cumpre uma missão clandestina de espionagem eletrônica quando fica sob ataque de três lanchas torpedeiras da Marinha do Vietnã do Norte e reage com o apoio de três aviões da força-tarefa de que fazia parte.

Dois dias depois, ao navegar pelas mesmas água ao lado do contratorpedeiro USS Turner Joy, o Maddox relata a presença de lanches torpedeiras que avançam em sua direção e entram em combate. Na versão dos EUA, os dois ataques não são provocados.

O incidente forjado leva o Congresso dos EUA a aprovar em 5 de agosto a Resolução do Golfo de Tonkin, autorizando o presidente Lyndon Johnson a declarar guerra ao Vietnã do Norte. No pico, em abril de 1969, há 543 mil soldados dos EUA no Vietnã. Entre 1 a 2 milhões de vietnamitas e 58.281 norte-americanos morrem na Guerra do Vietnã.

Em 24 de junho de 1970, por 81 votos a 10, o Senado revoga a Resolução do Golfo de Tonkin.

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domingo, 10 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de Maio

REI QUE PERDE A CABEÇA

    Em 1774, Luís XVI e Maria Antonieta, os reis que seriam guilhotinados pela Revolução Francesa de 1789, ascendem ao trono da França.

O reino está envididado depois da derrota na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando a França perde suas possessões na Índia e quase todas na América do Norte para o Império Britânico.

Uma onda de frio, com vários invernos rigorosos, destrói as safras agrícolas, e alimenta a revolta popular contra um rei inepto, sem apetite pelo poder.

A revolução começa com a tomada da Bastilha, uma prisão real, em 14 de junho de 1789. Luís XVI preso na insurreição de 10 de agosto de 1792 e deposto em 21 de setembro de 1792. Num julgamento realizado pela Convenção Nacional, é condenado à morte por alta traição e executado na guilhotina em 21 de janeiro de 1793.

Único rei da França executado, é o último de mais de mil anos de monarquia no país. O general Napoleão Bonaparte funda o Primeiro Império ao se coroar embaixador em 2 de dezembro de 1804. Depois das guerras napoleônicas, a monarquia é restaurada. Ascende ao trono Luís XVIII, neto de Luís XV. 

A monarquia é abolida mais uma vez em 24 de fevereiro de 1848 e restaurada de novo por Napoleão III, sobrinho de Napoleão Bonaparte, que funda o Segundo Império (1852-70), que acaba com a derrota na Guerra Franco-Prussiana (1870-71).

TREM DE COSTA A COSTA

    Em 1869, os presidentes das companhias ferroviárias Union Pacific e Central Pacific se encontram em Promontory, no estado de Utah, numa cerimônia para marcar a conclusão da estrada de ferro transcontinental, que pela primeira vez permite viajar de costa a costa nos Estados Unidos.

Desde 1832, os norte-americanos do Leste e do Oeste veem a necessidade de unir os dois lados do país. O Congresso aprova a primeira verba em 1853, mas a tensão entre Norte e Sul que leva à Guerra da Secessão (1861-65) atrasa o início da obra por causa da discussão sobre onde passaria.

A ferrovia de 3.075 quilômetros é construída de 1863 a 1869. Faz conexão coma a rede ferroviária existente no Leste na cidade de Council Bluffs, no estado de Iowa, e vai até o porto de Oakland, na Califórnia, do lado leste da Baía de São Francisco.

ALEMANHA NAZISTA INVADE

    Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha Nazista invade a Bélgica, a Holanda e Luxemburgo.

A guerra começa em 1º de setembro de 1939, quando o ditador nazista Adolf Hitler ordena a invasão da Polônia depois de fazer um pacto de não agressão com o ditador da União Soviética, Josef Stalin, que invade o Leste da Polônia em 17 de setembro. Varsóvia se rende aos nazistas em 27 de setembro.

Em 13 de dezembro, o Reino Unido vence a Batalha do Rio da Prata, o primeiro grande confronto naval da guerra.

Na Europa, a Alemanha invade a Noruega em 8 de abril de 1940. A invasão da Bélgica, da Holanda e de Luxemburgo faz parte de uma estratégia maior dos nazistas para dominar a França. A conquista da Bélgica inclui o primeiro duelo de tanques da guerra, a Batalha de Hannut. Depois de 18 dias, em 28 de maio, o Exército da Bélgica se rende.

ASCENSÃO DE CHURCHILL

    Em 1940, o primeiro-ministro do Reino Unido, Neville Chamberlain, perde o apoio de parte da bancada do Partido Conservador e é substituído por Winston Churchill.

Chamberlain tenta apaziguar Adolf Hitler com os Acordos de Munique, de 30 de setembro de 1938, quando a França e o Reino Unido entregam à Alemanha os Sudetos, uma região da Tcheco-Eslováquia com a maioria da população de origem alemã.

No poder, Churchill se nega a fazer qualquer concessão a Hitler. Consegue salvar parte do Exército Real britânico na Retirada de Dunquerque, na França, de 26 de maio a 4 de junho de 1940. A primeira grande vitória vem na Batalha da Inglaterra, um combate aéreo travado de 10 de julho a 31 de outubro de 1940 que impede a Alemanha da invadir o Reino Unido.

Churchill é o grande líder da resistência a Hitler até a invasão da União Soviética pela Alemanha Nazista, em 22 de junho de 1941, e a entrada dos Estados Unidos na guerra depois do ataque aérea do Japão à Frota do Pacífico dos EUA, baseada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941.

O ditador soviético Josef Stalin observou que na Segunda Guerra Mundial "os britânicos deram tempo, os norte-americanos deram dinheiro e os soviéticos deram sangue."

MAIORIA NEGRA ASSUME O PODER

    Em 1994, com a posse de Nelson Mandela como presidente da África do Sul, a maioria negra chega ao poder depois de mais de três séculos da dominação colonial e pelo regime segregacionista do apartheid.

Rolihlahla Nelson Mandela nasce em 18 de julho de 1918 na nobreza da tribo xhoza. Estudo direito e, Influenciado pelas ideias do líder pacifista da independência da Índia, o Mahatma Gandhi, nos anos 1940s, entra para a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (CNA). 

Depois da morte de 69 negros no Massacre de Sharpeville, em 1960, o CNA decide aderir à luta armada. Mandela vira líder do braço armado do CNA, Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação). 

Quando volta de treinamento militar no exterior, é preso, em 1962, e condenado à morte em 1964. A sentença depois é reformada para prisão perpétua. Durante o julgamento, ele diz que está lutando contra a ditadura da minoria branca e promete lutar contra uma ditadura da maioria negra.

Nos momentos mais violentos da guerra civil não declarada da África do Sul, o regime racista apela a Mandela, que sempre insiste que presos não podem negociar.

Mandela passa 27 anos preso até ser libertado em 11 de fevereiro de 1990 para negociar com o regime que o encarcerou. Até sua imagem era proibida no país. A pneumonia que o mata é resultado das condições desumanas na prisão da ilha de Robben, onde fica 16 anos.

Diante da grande pressão internacional, do boicote internacional à economia sul-africana e do fim da Guerra Fria, ao tomar posse, em 1989, o presidente branco Frederik de Klerk anuncia a intenção de libertar Mandela e negociar o fim do apartheid. Ambos dividem o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

Depois de negociações tensas e difíceis, o CNA vence as eleições de 27 de abril de 1994 e Mandela assume em 10 de maio como o primeiro presidente eleito democraticamente da África do Sul. Convida para a posse um de seus carcereiros. Fiel à democracia, ao contrário da maioria dos líderes africanos, deixa o governo depois do primeiro mandato. 

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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Abril

NASCIMENTO DE KANT

    Em 1724, nasce em Königsberg, na Prússia (hoje Kalingrado, na Rússia), o filósofo alemão Immanuel Kant, um dos maiores pensadores da história da humanidade.

Seus estudos amplos, abrangentes e sistemáticos sobre epistemologia (teoria do conhecimento), metafísica, ética e estética o tornam um dos expoentes do Iluminismo, do idealismo e da filosofia ocidental moderna. No seu pensamento, convergem o racionalismo de René Descartes e o empirismo de Francis Bacon.

Em 1740, Kant entra para a Universidade de Königsberg para estudar teologia, mas se interessa mais por matemática e física. Passa a ler a obra do físico inglês Isaac Newton. A morte do pai e o fracasso em obter um emprego como subtutor numa escola  o obrigam a deixar os estudos.

Durante 15 anos, Kant trabalha como tutor de famílias, como um docente privado, aperfeiçoando suas qualidades como professor e escritor. Logo, está lecionando muitas disciplinas além de física e matemática, inclusive lógica, metafísica e filosofia moral.

Em contraste com seus livros, as aulas são vívidas e bem-humoradas, cheias de citações das literatura inglesa e francesa, geografia, ciências e filosofia.

Nos anos 1760, Kant se torna um crítico das ideias de Leibiniz, entre elas que a filosofia deve usar a matemática como modelo e tentar construir uma corrente de verdades comprováveis baseadas em premissas autoevidentes. Kant contrapõe que a matemática realiza operações claramente definidas com base em conceitos que podem ser apresentados de forma concreta. 

Já a filosofia parte de conceitos confusos ou insuficientemente determinados. Assim, os filósofos precisam se encerrar num círculo de palavras. Ao contrário da matemática, a filosofia não pode ser sintética. Precisa analisar e esclarecer.

A importância da ordem moral, que Kant aprende com o filósofo político franco-suíço Jean-Jacques Rousseau, considerado o pai da democracia, reforça uma convicção de Kant de que uma filosofia sintética é falsa e vazia.

Depois de 15 anos como professor particular, em 1770 Kant é nomeado catedrático de lógica e metafísica na Universidade de Königsberg, posição que ocupa até pouco antes da morte aos 79 anos, em 12 de fevereiro de 1804. Nesta época como professor universitário, escreve a Crítica da Razão Pura e a Crítica da Razão Prática.

Crítica da Razão Pura (1781) é resultado de anos de reflexão e meditação. É um livro denso, impenetrável para a grande maioria. Depois de uma introdução, é dividido em duas partes: a Doutrina Transcendental dos Elementos e a Doutrina Transcendental do Método. Os elementos examinam as fontes do conhecimento humano, enquanto o método traça a metodologia para usar a "razão pura".

No prefácio à primeira edição, Kant explica o que ele quer dizer por crítica da razão pura: "Eu entendo aqui, contudo, não uma crítica dos livros e sistemas, mas sim da faculdade da razão em geral, com vistas a todos os conhecimentos que ela pode tentar atingir independentemente de toda a experiência."
O filósofo alemão distingue duas formas de saber: O conhecimento empírico tem a ver com as percepções dos sentidos, isto é, posteriores à experiência. E o conhecimento puro, aquele que não depende dos sentidos, independente da experiência, ou seja, a priori, universal, e necessário. O conhecimento verdadeiro só é possível pela conjunção entre matéria, proveniente dos sentidos, e as categorias do entendimento.
Depois, Kant lança a Crítica da Razão Prática (1788), a Crítica do Juízo (1790), a Religião nos Limites da Simples Razão, Tratado por uma Paz Perpétua (1795) e a Metafísica dos Costumes (1797).

Kant acreditava que a razão também é a fonte da moralidade e que a estética surge de uma faculdade de julgamento desinteressado. Ele foi um expoente da ideia de que a paz perpétua poderia ser assegurada por meio da democracia universal e da cooperação internacional, e que talvez este pudesse ser o estágio culminante da história mundial.

NASCIMENTO DE LENIN

    Em 1870, nasce Vladimir Illich Ulianov, que adotaria o sobrenome Lenin, um dos políticos mais influentes do século 20, líder da facção bolchevique do Partido Operário Social-Democrata, da Revolução Comunista na Rússia e da União Soviética.

Vladimir Illich Ulianov nasce em Simbirsk, na Rússia. Numa família de seis irmãos, todos entram em movimentos revolucionários. Ele se destaca como estudante de grego e latim. Parece destinado a uma carreira acadêmica.

Um marco trágico na vida de Lenin é a morte do irmão mais velho, Alexander Ulianov, enforcado em 1887 por conspirar para matar o czar Alexandre III como parte do grupo rebelde Vontade Popular. 

No mesmo ano, Lenin entra para a Universidade de Kazan. É expulso três meses depois por participar de uma assembleia. Preso e banido de Kazan, ele vai para a fazenda de um avô em Kokuchkino. Em 1888, ele é autorizado a voltar para Kazan, mas não para a universidade.

Nesta época, conhece revolucionários e lê O Capital, a obra-prima de Karl Marx, o pai do comunismo. Em janeiro de 1889, torna-se marxista. Ele se muda com a família para Samara, onde conclui o curso de direito.

A advocacia dá cobertura legal às atividades revolucionárias. Em agosto de 1893, Lenin se muda para São Petersburgo, na época a capital da Rússia, onde trabalha como defensor público. Ele viaja ao exterior em 1895 para manter contato com russos exilados, em especial Georgy Plekhanov, o grande pensador marxista russo.

De volta à Rússia, consegue unificar os marxistas ao fundar a União de Luta pela Libertação da Classe Trabalhadora. Em dezembro de 1895, os líderes do grupo são presos. Lenin fica um ano e três meses na cadeia. Depois, vai para o exílio interno em Chuchenskoye, na Sibéria.

Sua noiva, Nadia Krupskaya, o segue. Eles se casam na Sibéria e ela se torna sua secretária. Em janeiro de 1900, Lenin deixa a Rússia. No exterior, ele escreve uma série da panfletos. Critica a veneração dos trabalhadores russos pelo czar e os marxistas que se concentram na luta por salários e redução da jornada de trabalho, deixando a política em segundo plano.

O grande debate intelectual dos marxistas russos é se o comunismo seria viável num país atrasado, de industrialização tardia, com mais camponeses que detém propriedade coletiva da terra do que proletários. 

Plekhanov defende a ideia de que a Rússia já é capitalista, mas precisa primeiro de uma revolução burguesa para impulsionar o desenvolvimento capitalista. 

No livro Desenvolvimento Capitalista na Rússia, Lenin conclui que o campesinato está longe de ser uma classe social homogênea. Observa uma estratificação social no campo, com uma burguesa rural, um campesinato de classe média e um proletariado e semiproletariado rural empobrecido. Neste último, vê um aliado do pequeno proletariado industrial da Rússia.

Em 1902, Lenin publica O Que Fazer? Rejeita a ideia de que o capitalismo está levando o proletariado espontaneamente ao socialismo revolucionário, cabendo ao partido apenas coordenar a luta. Na sua visão, o capitalismo predispõe os trabalhadores a aceitar o socialismo, mas a derrubada do sistema capitalista e a construção do socialismo dependem de uma consciência de classe induzida pelo partido.

O papel do partido é central no chamado marxismo-leninismo. É a vanguarda do proletariado. Deve ser mentor, líder e guia altamente disciplinado, mostrando constantemente ao proletariado onde estão os interesses da classe trabalhador. Daí vem a ideia do "centralismo democrático". Uma vez que o partido tome uma decisão, cessa o debate interno e todos os membros devem seguir a orientação da cúpula.

Outros companheiros, como Plekhanov, Julius Martov e Leon Trotsky, temem que esta organização e disciplina partidárias levem ao jacobinismo, suprimam a liberdade de discussão dentro do partido, crie uma ditadura sobre o proletariado em vez da ditadura do proletariado e estabeleça a ditadura de um homem só, como aconteceria sob Josef Stalin.

No segundo congresso do Partido Operário Social-Democrata da Rússia, Lenin está em minoria. Mas a retirada dos judeus social-democratas deixa a facção leninista em maioria e ela a chama de bolchevique (maioria), em oposição a ala menchevique (minoria) de Martov.

A divisão entre bolcheviques e mencheviques se aprofunda com a Revolução de 1905, deflagrada pela derrota da Rússia na Guerra Russo-Japonesa (1904-5).

Ambas as alas seguem a proposta de Plekhanov de que são necessárias duas revoluções, uma burguesa e depois a proletária. Mas os mencheviques entendem que a burguesia deve liderar a revolução burguesa, enquanto Lenin quer a hegemonia do proletariado na revolução democrática.

Lenin volta à Rússia no fim de 1905, mas é forçado a se exilar de novo em 1907. As reformas do czar Nicolau II, o Sanguinário, e a violenta repressão reduzem a adesão do partido. Para manter a coesão dos bolcheviques diante do fortalecimento crescente dos mencheviques, Lenin convoca uma conferência do Partido Bolchevique em 1912 em Praga. É a divisão definitiva do Partido Operário Social-Democrata.

Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), em julho e agosto de 1914, os partidos social-democratas ignoram as resoluções anteriores da Segunda Internacional e apoiam seus países. Lenin chama os socialistas a favor da guerra de "social-chauvinistas", traidores da classe operária que apoiavam regimes imperialistas.

Ele declara que a Segunda Internacional está morta. Defende a criação da Terceira Internacional e a transformação da guerra em guerras civis em que trabalhadores e soldados virariam suas armas contra as classes dominantes.

Exilado na Suíça, Lenin escreve sua principal obra sobre relações internacionais, Imperialismo: Estágio Superior do Capitalismo, em que propõe a teoria do elo mais fraco para justificar a revolução comunista na Rússia: a ruptura do sistema capitalista não aconteceria nos países mais industrializados, mas nos elos mais fracos. A guerra seria resultado do insaciável caráter expansionista do capitalismo.

"A derrota na guerra é a vitória da revolução", previu Lenin ao discutir a questão com Trotsky. A humilhação do Exército czarista diante da Alemanha leva ao fim da monarquia na Revolução de Fevereiro de 1917. Lenin obtém um salvo-conduto para atravessar a Alemanha, o que leva seus detratores a acusá-lo de ser um agente alemão.

De volta à Rússia, ele lança as Teses de Abril, em que rejeita a democracia parlamentar e prepara a Revolução de Outubro, quando os comunistas depõe o governo provisário do menchevique Alexander Kerensky e tomam o poder. Em 3 de março de 1918, a Rússia assina o Tratado de Brest-Litovsky, uma "paz vergonhosa", nas palavras do próprio Lenin. Abre mãe da Finlândia, da Polônia, dos países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), da Ucrânia e da Bielorrússia, e sai da Primeira Guerra Mundial.

ARMAS QUÍMICAS

    Em 1915, a Alemanha usa armas químicas em grande escala pela primeira vez na Segunda Batalha de Ypres, na Bélgica, com um ataque de cloro que mata 5 mil soldados franceses e argelinos durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Durante a guerra, a Alemanha, a França, o Reino Unido e a Rússia desenvolvem uma ampla variedade de armas químicas e usam mais de 20 tipos diferentes. Há um total de 1,3 milhão de baixas em consequência de armas químicas, inclusive 91 mil mortes.

A Rússia sofre 500 mil baixas e o Reino Unido, 180 mil. Um terço das baixas dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial é causada por gás mostarda e outros agentes químicos.

As consequências terríveis levam a negociações para acabar com este tipo de arma de destruição em massa. Em 1925, o Protocolo de Genebra proíbe o uso de armas químicas e biológicas, mas não proíbe a produção, a aquisição, a estocagem e o transporte dessas armas e não cria mecanismos de fiscalização para garantir sua aplicação.

A primeira geração de armas químicas surge na Primeira Guerra Mundial. A segunda geração é usada na Segunda Guerra Mundial. E a terceira na Guerra Fria.

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o uso mais intenso de armas químicas é na Guerra Irã-Iraque (1980-88). São decisivas para o Iraque evitar a derrota. O ataque mais notório parte das forças de Saddam Hussein contra seu próprio povo em março de 1988 em Halabja, a Hiroxima curda. Pelo menos 5 mil pessoas são mortas por bombas jogadas de helicóptero.

Com a ascensão de Mikhail Gorbachev à líderança do Partido Comunista da União Soviética, em 11 de março de 1985, as negociações que acabam com a Guerra Fria favorecem o desarmamento.

A Conferência das Nações Unidas sobre Desarmamento aprova em 3 de setembro de 1992 a Convenção sobre Armas Químicas, que entra em vigor 29 de abril de 1993, depois da ratificação por 65 países. 

No século 21, as armas químicas são usadas pela ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria nas cidades de Alepo e Homs no início de 2013. O ataque mais violento é num subúrbio de Damasco, a capital síria, em 21 de agosto de 2013, quando morrem 1.114 pessoas.

O presidente Barack Obama declara que o uso de armas químicas cruza uma linha vermelha, mas não age.  

ASSALTO À RESIDÊNCIA DO EMBAIXADOR

    Em 1997, o presidente Alberto Fujimori ordena um ataque de forças especiais à residência do embaixador do Japão no Peru, tomada por guerrilheiros do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), no qual morrem os 14 rebeldes, dois comandos e um ministro da Corte Suprema, Carlos Giusti.

Quatorze guerrilheiros invadem a casa do embaixador japonês, Morihisha Aoki, em 17 de dezembro de 1996, e tomam como reféns centenas de diplomatas, empresários, altos funcionários públicos civis e militares que participam de uma festa de fim de ano.

As mulheres estrangeiras são libertadas na primeira noite e a maioria dos estrangeiros depois de cinco dias em que sofrem repetidas ameaças de mortes. Depois de 126 dias, as forças especiais de Fujimori atacam a casa. 

Fujimori ganha pontos com a ação. Mais tarde, há alegações de que vários terroristas foram sumariamente executados depois de se render. 

Parentes dos guerrilheiros entram na Justiça do Peru. Um diplomata japonês, Hidetaka Ogura, declara em depoimento que três rebeldes foram torturados. Dois soldados admitem ter visto Eduardo Tito Cruz vivo antes dele morrer com uma bala na nuca. 

A denúncia é retirada no Peru, mas a Corte InterAmericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José, na Costa Rica, decide em 2015 que Cruz foi vítima de uma "execução extrajudicial" e que os direitos humanos de Victor Peceros e Herma Meléndez foram violados.

ACORDO DE PARIS SOBRE CLIMA

    Em 2016, mais de 170 países assinam o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, que tenta controlar a emissão dos gases que agravam o efeito estufa e causam o aquecimento global. O acordo entra em vigor em novembro de 2016.

O Acordo de Paris é resultado de um processo que começa na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), a Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992, quando 179 países aprovam a Convenção ou Acordo-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima.

A 1ª Conferência das Partes do Acordo do Clima (CoP-1), é realizada em Berlim na Alemanha, em 1995, e desde então acontece todos os anos. Em 1997, a CoP-3 aprova no Japão o Protocolo de Quioto, que exige de 37 países desenvolvidos e da União Europeia a redução das emissões em cerca de 5% abaixo do nível de 1990.

O vice-presidente norte-americano Al Gore é um dos grandes negociadores do Protocolo de Quioto, mas o Senado dos EUA nunca ratifica o acordo internacional sob a alegação de que criaria uma concorrência desleal para produtos norte-americanos em relação a países como a China, que não precisa reduzir as emissões.

Quando o Protocolo de Quioto está prestas a caducar, em 2012, há necessidade de negociar um acordo inclusivo, em que todos os países se comprometam a reduzir as emissões de gases carbônicos. Para que todos façam parte, o Acordo de Paris (2015) estabelece que cada país apresente sua própria proposta de redução das emissões. Não há qualquer tipo de fiscalização ou punição para quem não cumprir suas metas voluntárias de diminuir emissões.

É um avanço, mas insuficiente para atingir a meta de manter o aquecimento global em 1,5ºC, com tolerância de até 2ºC, acima da temperatura anterior à Revolução Industrial, que começa no Reino Unido por volta de 1750. 

A CoP-30 será realizada em Belém do Pará, no Brasil, em novembro de 2025. Será uma nova chance de discutir o financiamento das políticas de adaptação e mitigação das mudanças do clima, desta vez sem a participação dos EUA. 

Mais uma vez, o presidente Donald Trump retirou os EUA do Acordo de Paris. Os países ricos ofereceram na CoP-29 US$ 300 bilhões por ano, os países em desenvolvimento querem US$ 1,3 trilhão por ano e Trump não quer dar nada.

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segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 15 de Setembro

  INDEPENDÊNCIA DA AMÉRICA CENTRAL

    Em 1821, líderes da América Central aceitam um plano do caudilho mexicano Agustín Iturbide para a independência da Costa Rica, da Nicarágua, de El Salvador e da Guatemala do Império Espanhol.

Apesar da revitalização da economia e das Forças Armadas da Espanha sob a Dinastia de Bourbon depois da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-14), o Império Espanhol declina com a Revolução Francesa de 1789 e as guerras napoleônicas.

Quando as forças de Napoleão Bonaparte tomam a Península Ibérica (1807-8), a família real portuguesa foge para o Brasil sob a proteção da Marinha Real britânica e as colônias da América Espanhola começam a proclamar a independência.

A Constituição de Cádiz, de 1812, tenta manter as colônias latino-americanas. Dá representação no Parlamento e institui eleções municipais e provinciais, o que aumenta a agitação política pela independência.

Na América Central, um capitão-general forte, José de Bustamente Y Guerra, e o medo da população crioula de uma revolta indígena adiaram a onda de independências que varria o Império Espanhol na América do Sul.

O governo colonial, com sede na Cidade da Guatemala, reprime revoltas na Guatemala, na Nicarágua e em San Salvador, que só passa a ser El Salvador em 1841. Quando Fernando VII retoma a coroa espanhola, em 1814, suspende a Constituição de Cádiz. A restauração da constituição, em 1820, deflagra um debate político que leva à formação dos partidos conservadores e liberais que mandariam nos países da região por 100 anos.

Um conselho de notáveis reunido na Guatemala aprova o plano de Iturbide para a independência da América Central. Alguns queriam independência da Espanha e do México, e algumas províncias queriam independência da Guatemala, que era sede do governo colonial na região.

Os conservadores da Guatemala conseguem aderir ao império mexicano de Iturbide, mas isto causa uma guerra civil na América Central. San Salvador e Granada não aceitam. Depois de um longo cerco, forças guatemaltecas e mexicanas tomam El Salvador. Mas o império de Iturbide entra em colapso. É substituído por uma república liberal no México, que dá independência à América Central.

Em 1º de julho de 1823, uma assembleia com representantes de todas as províncias declara independência sob o nome de Províncias Unidas da América Central. No ano seguinte, é adotada a Constituição da República Federal da América Central, formada por Costa Rica, Nicarágua, Honduras, San Salvador e Guatemala. Chiapas escolhe se unir ao México e o Panamá vira parte da Colômbia.

As Províncias Unidas se separam em 1840. Até o fim do século 19, há 25 tentativas da Guatemala de restaurar a União. Só terminam em 1885, quando o presidente Justo Rufino Barrios (1873-85) invade El Salvador e morre na Batalha de Chalchuapa.

GUERRA DE TRINCHEIRAS

    Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), depois da Batalha do Marne, em que os aliados detém a ofensiva da Alemanha na frente ocidental, na França e na Bélgica, os dois lados começam a cavar as primeiras trincheiras na frente ocidental. 

A guerra que todos esperam que seja breve se arrasta por quatro anos.

No momento de maior extensão, as trincheiras vão da costa da Bélgica no Mar do Norte até a região da Alsácia, na fronteira da França com a Suíça. A disputa pela região da Alsácia-Lorena, tomada da França pela Alemanha na Guerra Franco Prussiana (1870-71), é uma das causas da guerra, que termina com a rendição da Alemanha em 11 de novembro de 1918.

TANQUES EM GUERRA

    Em 1916, na Batalha do Somme, o tanque de guerra entra em combate pela primeira vez, como parte do Exército Real britânico.

Desde o início da guerra de trincheiras, o Exército Real pensa em desenvolver um veículo blindado capaz de transportar soldados e passar por cima de buracos de bombas e barreiras de arame farpado. No início de 1915, Winston Churchill cria uma comissão que faz um protótipo.

Quando é aprovado nos testes, o governo britânico encomenda 100 tanques. Eles são enviados à França em agosto de 1916; 49 são usados em 15 de setembro de 1916. São lentos, complicados e inconfiáveis. Só meia dúzia consegue mesmo penetrar em território alemão.

LEIS DO HOLOCAUSTO

    Em 1935, a Alemanha Nazista aprova as Leis de Nurembergue, que dão base legal ao Holocausto. A iniciativa de Adolf Hitler tira dos judeus o direito à cidadania alemã e proíbe relações sexuais e o casamento entre judeus e cidadãos alemães.

São duas leis. A Lei do Cidadão do Reich tira a cidadania alemã dos judeus, que não podem nem desfraldar a bandeira da Alemanha. E a Lei de Proteção do Sangue Alemão e da Honra Alemã proíbe sexo, casamento e até mesmo a contratação da empregadas domésticas judias de menos de 45 anos, em idade reprodutiva. Estão entre as primeiras medidas discriminatórias que causam o Holocausto.

Um decreto complementar de 14 de novembro de 1935 define como judeu alguém que tenha pelo menos um avô judeu e diz expressamente: "Um judeu não pode ser cidadão do Reich. Não pode exercer o direito de voto nem ocupar cargo público."

Logo, os passaportes dos judeus são marcados com um J. Em 29 de março de 1938, os judeus são proibidos de exercer a medicina.

Quando os alemães invadem e anexam outros países, aplicam as Leis de Nurembergue nas regiões ocupadas. Em 20 de janeiro de 1942, na Conferência de Wannsee, em Berlim, os líderes nazistas aprovam a "solução final", o extermínio dos judeus da Europa.

Cerca de 11 milhões de pessoas morrem no Holocausto, sendo 6 milhões de judeus, 1,5 milhão de ciganos, comunistas, socialistas, nacionalistas dos países ocupados, negros e membros da resistência antinazista.

Por causa das leis discriminatórias, o tribunal de crimes de guerra para julgar 24 líderes nazistas é instalado em Nurembergue. É o Julgamento de Nurembergue. Doze são condenados à morte na forca.

BATALHA DA INGLATERRA

    Em 1940, a Força Aérea Real derruba 46 aviões da Luftwaffe que invadem o espaço aéreo britânico, se impondo sobre a Alemanha na Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea decisiva para impedir a invasão da Grã-Bretanha pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Depois da invasão da Polônia em 1º de setembro de 1939, no início da guerra, em 1940, Hitler ataca a Europa Ocidental, a Noruega, Holanda, Bélgica e ocupa a França em junho. O próximo alvo é o Reino Unido.

A batalha aérea mais importante da história começa em 10 de julho e vai até 31 de outubro de 1940, na visão britânica, e 11 de maio de 1941, na versão alemã.

“Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”, declarou o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, numa referência aos cerca de 1,5 mil pilotos da Força Aérea Real (RAF) que defenderam o Reino Unido no que ele chamou de "nossa melhor hora".

EUA CONTRA-ATACAM NA COREIA

    Em 1950, sob o comando do general  Douglas McArthur, fuzileiros navais dos Estados Unidos desembarcam na Península de Inchon, na Coreia do Sul, e conquistam uma vitória decisiva para rechaçar a invasão norte-coreana na Guerra da Coreia (1950-53).

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota iminente do Japão para os EUA, em 9 de agosto de 1945, quando os norte-americanos jogam a segunda bomba atômica, em Nagasaki, a União Soviética declara guerra ao Japão e invade o Norte da Península Coreana. Os EUA tomam o Sul, dividindo o país ao longo do paralelo 38º Norte.

Com a Guerra Fria, em 1948, nascem a República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte), comunista, e a República da Coreia (Coreia do Sul). Ambas reivindicam a soberania sobre toda a península.

Em 25 de junho de 1950, o ditador comunista norte-coreano, o Grande Líder Kim Il Sung, manda invadir o Sul para reunificar o país. Os EUA intervêm em apoio à Coreia do Sul.

Com um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas, boicotado pela URSS por causa da não inclusão da República Popular da China (comunista), os EUA e aliados contra-atacam e tentam reunificar a Península Coreana. A China entra na guerra e empurra os norte-americanos de volta para baixo do paralelo 38º N.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953 com um armistício. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz. Desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares.

ALI TRÊS VEZES CAMPEÃO MUNDIAL

    Em 1978, Muhammad Ali vence Leon Spinks e se torna campeão mundial de boxe na categoria peso-pesado pela terceira vez.

Cassius Marcellus Clay Jr. ganha a medalha de ouro do boxe na categoria peso meio-pesado na Olimpíada de Roma, em 1960, e o título mundial dos pesos pesados ao vencer Sonny Liston surpreendentemente em 25 de janeiro de 1964. 

Naquele ano, ele se converte ao islamismo e muda o nome para Muhammad Ali, alegando que usava o sobrenome do senhor de escravos que um dia foi dono de sua família.

Em 1966, Ali rejeita a convocação para o serviço militar por ser contra a Guerra do Vietnã e perde o título mundial. 

Quando a Suprema Corte anula sua condenação, ele volta a lutar. Faz a Luta do Século  e perde para Joe Frazier por pontos em 8 de março de 1971. Recupera o título numa luta mais espetacular ainda, ao vencer George Foreman em Kinshasa, no Zaire, em 30 de outubro de 1974. E ganha uma inédita terceira vez ao vencer Leon Spinks.

GRANDE RECESSÃO

    Em 2008, o banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers declara falência, deflagrando uma crise econômico-financeira que seria conhecida como Grande Recessão (2007-9), com impacto no mundo inteiro.


É o dia em que Wall Street, o centro financeiro de Nova York, fale o mundo, destruindo o mito neoliberal de que o mercado é capaz de se autorregulamentar.

Quando estoura a bolha especulativa das empresas ponto.com, em maio de 2000, o Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, baixa a taxa básica de juros para 1% ao ano. A recessão acaba em março de 2001, mas isto não fica claro imediatamente.

Por medo do impacto econômico dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, o Fed mantém as taxas de juros baixas. Na prática, distribui dinheiro aos bancos, que financiam a casa própria a juros baixos. Emprestam primeiro para quem pode pagar, mas também para os clientes de segunda linha (subprime), com problemas de crédito no passado.

Para não ficar com o risco, os bancos emitem títulos da dívida hipotecária. Vindo de uma economia sólida como os EUA, com um grande mercado imobiliário, a dívida é terceirizada. Quando o Fed sobe a taxa básica de juros, que chega a 5,25% ao ano em junho de 2006, os juros dos financiamentos sobem na mesma medida e vários mutuários, especialmente os de segunda linha, começam a não pagar.

O problema das hipotecas gera uma crise financeira global a partir de Wall Street. O sistema financeiro, o sangue da economia capitalista, funciona porque os bancos emprestam dinheiro e fazem transferências entre si. Isto exige uma confiança de que o negócio será pago. Chega um momento em que nenhuma instituição financeira sabe com certeza da saúde financeiras das outras. Há uma paralisia no mercado de crédito porque ninguém sabe se vai receber.

A falência do Lehman Brothers, depois que o governo dos EUA não encontra um comprador e não quer intervir no banco, é o início. Mais greve é a situação da maior seguradora do mundo, AIG (America International Group), que tinha desde seguros de carros e imóveis a seguros de grandes empresas e até credit default swaps (obrigações colateralizadas de crédito), um seguro de operações financeiras.

Com dívidas de US$ 180 bilhões, a seguradora AIG é considerada grandes demais para quebrar. Haveria um choque sistêmico na economia dos EUA, com um setor de seguros desenvolvidos.

O presidente George W. Bush lança o Programa de Alívio de Ativos Tóxicos (TARP), de US$ 750 bilhões, e convoca uma reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20), que reúne as 19 maiores economias do mundo e a União Europeia (UE) em busca de uma solução. Os bancos centrais dos países ricos mobilizam US$ 5 trilhões em garantias de crédito e o sistema voltar a funcionar. O Estado salva o mercado.