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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Abril

NASCIMENTO DE KANT

    Em 1724, nasce em Königsberg, na Prússia (hoje Kalingrado, na Rússia), o filósofo alemão Immanuel Kant, um dos maiores pensadores da história da humanidade.

Seus estudos amplos, abrangentes e sistemáticos sobre epistemologia (teoria do conhecimento), metafísica, ética e estética o tornam um dos expoentes do Iluminismo, do idealismo e da filosofia ocidental moderna. No seu pensamento, convergem o racionalismo de René Descartes e o empirismo de Francis Bacon.

Em 1740, Kant entra para a Universidade de Königsberg para estudar teologia, mas se interessa mais por matemática e física. Passa a ler a obra do físico inglês Isaac Newton. A morte do pai e o fracasso em obter um emprego como subtutor numa escola  o obrigam a deixar os estudos.

Durante 15 anos, Kant trabalha como tutor de famílias, como um docente privado, aperfeiçoando suas qualidades como professor e escritor. Logo, está lecionando muitas disciplinas além de física e matemática, inclusive lógica, metafísica e filosofia moral.

Em contraste com seus livros, as aulas são vívidas e bem-humoradas, cheias de citações das literatura inglesa e francesa, geografia, ciências e filosofia.

Nos anos 1760, Kant se torna um crítico das ideias de Leibiniz, entre elas que a filosofia deve usar a matemática como modelo e tentar construir uma corrente de verdades comprováveis baseadas em premissas autoevidentes. Kant contrapõe que a matemática realiza operações claramente definidas com base em conceitos que podem ser apresentados de forma concreta. 

Já a filosofia parte de conceitos confusos ou insuficientemente determinados. Assim, os filósofos precisam se encerrar num círculo de palavras. Ao contrário da matemática, a filosofia não pode ser sintética. Precisa analisar e esclarecer.

A importância da ordem moral, que Kant aprende com o filósofo político franco-suíço Jean-Jacques Rousseau, considerado o pai da democracia, reforça uma convicção de Kant de que uma filosofia sintética é falsa e vazia.

Depois de 15 anos como professor particular, em 1770 Kant é nomeado catedrático de lógica e metafísica na Universidade de Königsberg, posição que ocupa até pouco antes da morte aos 79 anos, em 12 de fevereiro de 1804. Nesta época como professor universitário, escreve a Crítica da Razão Pura e a Crítica da Razão Prática.

A Crítica da Razão Pura (1781) é resultado de anos de reflexão e meditação. É um livro denso, impenetrável para a grande maioria. Depois de uma introdução, é dividido em duas partes: a Doutrina Transcendental dos Elementos e a Doutrina Transcendental do Método. Os elementos examinam as fontes do conhecimento humano, enquanto o método traça a metodologia para usar a "razão pura".

No prefácio à primeira edição, Kant explica o que ele quer dizer por crítica da razão pura: "Eu entendo aqui, contudo, não uma crítica dos livros e sistemas, mas sim da faculdade da razão em geral, com vistas a todos os conhecimentos que ela pode tentar atingir independentemente de toda a experiência."
O filósofo alemão distingue duas formas de saber: O conhecimento empírico tem a ver com as percepções dos sentidos, isto é, posteriores à experiência. E o conhecimento puro, aquele que não depende dos sentidos, independente da experiência, ou seja, a priori, universal, e necessário. O conhecimento verdadeiro só é possível pela conjunção entre matéria, proveniente dos sentidos, e as categorias do entendimento.
Depois, Kant lança a Crítica da Razão Prática (1788), a Crítica do Juízo (1790), a Religião nos Limites da Simples Razão, o Tratado por uma Paz Perpétua (1795) e a Metafísica dos Costumes (1797).

Kant acreditava que a razão também é a fonte da moralidade e que a estética surge de uma faculdade de julgamento desinteressado. Ele foi um expoente da ideia de que a paz perpétua poderia ser assegurada por meio da democracia universal e da cooperação internacional, e que talvez este pudesse ser o estágio culminante da história mundial.

NASCIMENTO DE LENIN

    Em 1870, nasce Vladimir Illich Ulianov, que adotaria o sobrenome Lenin, um dos políticos mais influentes do século 20, líder da facção bolchevique do Partido Operário Social-Democrata, da Revolução Comunista na Rússia e da União Soviética.

Vladimir Illich Ulianov nasce em Simbirsk, na Rússia. Numa família de seis irmãos, todos entram em movimentos revolucionários. Ele se destaca como estudante de grego e latim. Parece destinado a uma carreira acadêmica.

Um marco trágico na vida de Lenin é a morte do irmão mais velho, Alexander Ulianov, enforcado em 1887 por conspirar para matar o czar Alexandre III como parte do grupo rebelde Vontade Popular. 

No mesmo ano, Lenin entra para a Universidade de Kazan. É expulso três meses depois por participar de uma assembleia. Preso e banido de Kazan, ele vai para a fazenda de um avô em Kokuchkino. Em 1888, ele é autorizado a voltar para Kazan, mas não para a universidade.

Nesta época, conhece revolucionários e lê O Capital, a obra-prima de Karl Marx, o pai do comunismo. Em janeiro de 1889, torna-se marxista. Ele se muda com a família para Samara, onde conclui o curso de direito.

A advocacia dá cobertura legal às atividades revolucionárias. Em agosto de 1893, Lenin se muda para São Petersburgo, na época a capital da Rússia, onde trabalha como defensor público. Ele viaja ao exterior em 1895 para manter contato com russos exilados, em especial Georgy Plekhanov, o grande pensador marxista russo.

De volta à Rússia, consegue unificar os marxistas ao fundar a União de Luta pela Libertação da Classe Trabalhadora. Em dezembro de 1895, os líderes do grupo são presos. Lenin fica um ano e três meses na cadeia. Depois, vai para o exílio interno em Chuchenskoye, na Sibéria.

Sua noiva, Nadia Krupskaya, o segue. Eles se casam na Sibéria e ela se torna sua secretária. Em janeiro de 1900, Lenin deixa a Rússia. No exterior, ele escreve uma série da panfletos. Critica a veneração dos trabalhadores russos pelo czar e os marxistas que se concentram na luta por salários e redução da jornada de trabalho, deixando a política em segundo plano.

O grande debate intelectual dos marxistas russos é se o comunismo seria viável num país atrasado, de industrialização tardia, com mais camponeses que detém propriedade coletiva da terra do que proletários. 

Plekhanov defende a ideia de que a Rússia já é capitalista, mas precisa primeiro de uma revolução burguesa para impulsionar o desenvolvimento capitalista. 

No livro Desenvolvimento Capitalista na Rússia, Lenin conclui que o campesinato está longe de ser uma classe social homogênea. Observa uma estratificação social no campo, com uma burguesa rural, um campesinato de classe média e um proletariado e semiproletariado rural empobrecido. Neste último, vê um aliado do pequeno proletariado industrial da Rússia.

Em 1902, Lenin publica O Que Fazer? Rejeita a ideia de que o capitalismo está levando o proletariado espontaneamente ao socialismo revolucionário, cabendo ao partido apenas coordenar a luta. Na sua visão, o capitalismo predispõe os trabalhadores a aceitar o socialismo, mas a derrubada do sistema capitalista e a construção do socialismo dependem de uma consciência de classe induzida pelo partido.

O papel do partido é central no chamado marxismo-leninismo. É a vanguarda do proletariado. Deve ser mentor, líder e guia altamente disciplinado, mostrando constantemente ao proletariado onde estão os interesses da classe trabalhador. Daí vem a ideia do "centralismo democrático". Uma vez que o partido tome uma decisão, cessa o debate interno e todos os membros devem seguir a orientação da cúpula.

Outros companheiros, como Plekhanov, Julius Martov e Leon Trotsky, temem que esta organização e disciplina partidárias levem ao jacobinismo, suprimam a liberdade de discussão dentro do partido, crie uma ditadura sobre o proletariado em vez da ditadura do proletariado e estabeleça a ditadura de um homem só, como aconteceria sob Josef Stalin.

No segundo congresso do Partido Operário Social-Democrata da Rússia, Lenin está em minoria. Mas a retirada dos judeus social-democratas deixa a facção leninista em maioria e ela a chama de bolchevique (maioria), em oposição a ala menchevique (minoria) de Martov.

A divisão entre bolcheviques e mencheviques se aprofunda com a Revolução de 1905, deflagrada pela derrota da Rússia na Guerra Russo-Japonesa (1904-5).

Ambas as alas seguem a proposta de Plekhanov de que são necessárias duas revoluções, uma burguesa e depois a proletária. Mas os mencheviques entendem que a burguesia deve liderar a revolução burguesa, enquanto Lenin quer a hegemonia do proletariado na revolução democrática.

Lenin volta à Rússia no fim de 1905, mas é forçado a se exilar de novo em 1907. As reformas do czar Nicolau II, o Sanguinário, e a violenta repressão reduzem a adesão do partido. Para manter a coesão dos bolcheviques diante do fortalecimento crescente dos mencheviques, Lenin convoca uma conferência do Partido Bolchevique em 1912 em Praga. É a divisão definitiva do Partido Operário Social-Democrata.

Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), em julho e agosto de 1914, os partidos social-democratas ignoram as resoluções anteriores da Segunda Internacional e apoiam seus países. Lenin chama os socialistas a favor da guerra de "social-chauvinistas", traidores da classe operária que apoiavam regimes imperialistas.

Ele declara que a Segunda Internacional está morta. Defende a criação da Terceira Internacional e a transformação da guerra em guerras civis em que trabalhadores e soldados virariam suas armas contra as classes dominantes.

Exilado na Suíça, Lenin escreve sua principal obra sobre relações internacionais, Imperialismo: Estágio Superior do Capitalismo, em que propõe a teoria do elo mais fraco para justificar a revolução comunista na Rússia: a ruptura do sistema capitalista não aconteceria nos países mais industrializados, mas nos elos mais fracos. A guerra seria resultado do insaciável caráter expansionista do capitalismo.

"A derrota na guerra é a vitória da revolução", previu Lenin ao discutir a questão com Trotsky. A humilhação do Exército czarista diante da Alemanha leva ao fim da monarquia na Revolução de Fevereiro de 1917. Lenin obtém um salvo-conduto para atravessar a Alemanha, o que leva seus detratores a acusá-lo de ser um agente alemão.

De volta à Rússia, ele lança as Teses de Abril, em que rejeita a democracia parlamentar e prepara a Revolução de Outubro, quando os comunistas depõe o governo provisário do menchevique Alexander Kerensky e tomam o poder. Em 3 de março de 1918, a Rússia assina o Tratado de Brest-Litovsky, uma "paz vergonhosa", nas palavras do próprio Lenin. Abre mãe da Finlândia, da Polônia, dos países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), da Ucrânia e da Bielorrússia, e sai da Primeira Guerra Mundial.

ARMAS QUÍMICAS

    Em 1915, a Alemanha usa armas químicas em grande escala pela primeira vez na Segunda Batalha de Ypres, na Bélgica, com um ataque de cloro que mata 5 mil soldados franceses e argelinos durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Durante a guerra, a Alemanha, a França, o Reino Unido e a Rússia desenvolvem uma ampla variedade de armas químicas e usam mais de 20 tipos diferentes. Há um total de 1,3 milhão de baixas em consequência de armas químicas, inclusive 91 mil mortes.

A Rússia sofre 500 mil baixas e o Reino Unido, 180 mil. Um terço das baixas dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial é causada por gás mostarda e outros agentes químicos.

As consequências terríveis levam a negociações para acabar com este tipo de arma de destruição em massa. Em 1925, o Protocolo de Genebra proíbe o uso de armas químicas e biológicas, mas não proíbe a produção, a aquisição, a estocagem e o transporte dessas armas e não cria mecanismos de fiscalização para garantir sua aplicação.

A primeira geração de armas químicas surge na Primeira Guerra Mundial. A segunda geração é usada na Segunda Guerra Mundial. E a terceira na Guerra Fria.

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o uso mais intenso de armas químicas é na Guerra Irã-Iraque (1980-88). São decisivas para o Iraque evitar a derrota. O ataque mais notório parte das forças de Saddam Hussein contra seu próprio povo em março de 1988 em Halabja, a Hiroxima curda. Pelo menos 5 mil pessoas são mortas por bombas jogadas de helicóptero.

Com a ascensão de Mikhail Gorbachev à líderança do Partido Comunista da União Soviética, em 11 de março de 1985, as negociações que acabam com a Guerra Fria favorecem o desarmamento.

A Conferência das Nações Unidas sobre Desarmamento aprova em 3 de setembro de 1992 a Convenção sobre Armas Químicas, que entra em vigor 29 de abril de 1993, depois da ratificação por 65 países. 

No século 21, as armas químicas são usadas pela ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria nas cidades de Alepo e Homs no início de 2013. O ataque mais violento é num subúrbio de Damasco, a capital síria, em 21 de agosto de 2013, quando morrem 1.114 pessoas.

O presidente Barack Obama declara que o uso de armas químicas cruza uma linha vermelha, mas não age.  

ASSALTO À RESIDÊNCIA DO EMBAIXADOR

    Em 1997, o presidente Alberto Fujimori ordena um ataque de forças especiais à residência do embaixador do Japão no Peru, tomada por guerrilheiros do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), no qual morrem os 14 rebeldes, dois comandos e um ministro da Corte Suprema, Carlos Giusti.

Quatorze guerrilheiros invadem a casa do embaixador japonês, Morihisha Aoki, em 17 de dezembro de 1996, e tomam como reféns centenas de diplomatas, empresários, altos funcionários públicos civis e militares que participam de uma festa de fim de ano.

As mulheres estrangeiras são libertadas na primeira noite e a maioria dos estrangeiros depois de cinco dias em que sofrem repetidas ameaças de mortes. Depois de 126 dias, as forças especiais de Fujimori atacam a casa. 

Fujimori ganha pontos com a ação. Mais tarde, há alegações de que vários terroristas foram sumariamente executados depois de se render. 

Parentes dos guerrilheiros entram na Justiça do Peru. Um diplomata japonês, Hidetaka Ogura, declara em depoimento que três rebeldes foram torturados. Dois soldados admitem ter visto Eduardo Tito Cruz vivo antes dele morrer com uma bala na nuca. 

A denúncia é retirada no Peru, mas a Corte InterAmericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José, na Costa Rica, decide em 2015 que Cruz foi vítima de uma "execução extrajudicial" e que os direitos humanos de Victor Peceros e Herma Meléndez foram violados.

ACORDO DE PARIS SOBRE CLIMA

    Em 2016, mais de 170 países assinam o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, que tenta controlar a emissão dos gases que agravam o efeito estufa e causam o aquecimento global. O acordo entra em vigor em novembro de 2016.

O Acordo de Paris é resultado de um processo que começa na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), a Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992, quando 179 países aprovam a Convenção ou Acordo-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima.

A 1ª Conferência das Partes do Acordo do Clima (CoP-1), é realizada em Berlim na Alemanha, em 1995, e desde então acontece todos os anos. Em 1997, a CoP-3 aprova no Japão o Protocolo de Quioto, que exige de 37 países desenvolvidos e da União Europeia a redução das emissões em cerca de 5% abaixo do nível de 1990.

O vice-presidente norte-americano Al Gore é um dos grandes negociadores do Protocolo de Quioto, mas o Senado dos EUA nunca ratifica o acordo internacional sob a alegação de que criaria uma concorrência desleal para produtos norte-americanos em relação a países como a China, que não precisa reduzir as emissões.

Quando o Protocolo de Quioto está prestas a caducar, em 2012, há necessidade de negociar um acordo inclusivo, em que todos os países se comprometam a reduzir as emissões de gases carbônicos. Para que todos façam parte, o Acordo de Paris (2015) estabelece que cada país apresente sua própria proposta de redução das emissões. Não há qualquer tipo de fiscalização ou punição para quem não cumprir suas metas voluntárias de diminuir emissões.

É um avanço, mas insuficiente para atingir a meta de manter o aquecimento global em 1,5ºC, com tolerância de até 2ºC, acima da temperatura anterior à Revolução Industrial, que começa no Reino Unido por volta de 1750. 

A CoP-30 será realizada em Belém do Pará, no Brasil, em novembro de 2025. Será uma nova chance de discutir o financiamento das políticas de adaptação e mitigação das mudanças do clima, desta vez sem a participação dos EUA. 

Mais uma vez, o presidente Donald Trump retirou os EUA do Acordo de Paris. Os países ricos ofereceram na CoP-29 US$ 300 bilhões por ano, os países em desenvolvimento querem US$ 1,3 trilhão por ano e Trump não quer dar nada.

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terça-feira, 22 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 22 de Abril

NASCIMENTO DE KANT

    Em 1724, nasce em Königsberg, na Prússia (hoje Kalingrado, na Rússia), o filósofo alemão Immanuel Kant, um dos maiores pensadores da história da humanidade.

Seus estudos amplos, abrangentes e sistemáticos sobre epistemologia (teoria do conhecimento), metafísica, ética e estética o tornam um dos expoentes do Iluminismo, do idealismo e da filosofia ocidental moderna. No seu pensamento, convergem o racionalismo de René Descartes e o empirismo de Francis Bacon.

Em 1740, Kant entra para a Universidade de Königsberg para estudar teologia, mas se interessa mais por matemática e física. Passa a ler a obra do físico inglês Isaac Newton. A morte do pai e o fracasso em obter um emprego como subtutor numa escola  o obrigam a deixar os estudos.

Durante 15 anos, Kant trabalha como tutor de famílias, como um docente privado, aperfeiçoando suas qualidades como professor e escritor. Logo, está lecionando muitas disciplinas além de física e matemática, inclusive lógica, metafísica e filosofia moral.

Em contraste com seus livros, as aulas são vívidas e bem-humoradas, cheias de citações das literatura inglesa e francesa, geografia, ciências e filosofia.

Nos anos 1760, Kant se torna um crítico das ideias de Leibiniz, entre elas que a filosofia deve usar a matemática como modelo e tentar construir uma corrente de verdades comprováveis baseadas em premissas autoevidentes. Kant contrapõe que a matemática realiza operações claramente definidas com base em conceitos que podem ser apresentados de forma concreta. 

Já a filosofia parte de conceitos confusos ou insuficientemente determinados. Assim, os filósofos precisam se encerrar num círculo de palavras. Ao contrário da matemática, a filosofia não pode ser sintética. Precisa analisar e esclarecer.

A importância da ordem moral, que Kant aprende com o filósofo político franco-suíço Jean-Jacques Rousseau, considerado o pai da democracia, reforça uma convicção de Kant de que uma filosofia sintética é falsa e vazia.

Depois de 15 anos como professor particular, em 1770 Kant é nomeado catedrático de lógica e metafísica na Universidade de Königsberg, posição que ocupa até pouco antes da morte aos 79 anos, em 12 de fevereiro de 1804. Nesta época como professor universitário, escreve a Crítica da Razão Pura e a Crítica da Razão Prática.

A Crítica da Razão Pura (1781) é resultado de anos de reflexão e meditação. É um livro denso, impenetrável para a grande maioria. Depois de uma introdução, é dividido em duas partes: a Doutrina Transcendental dos Elementos e a Doutrina Transcendental do Método. Os elementos examinam as fontes do conhecimento humano, enquanto o método traça a metodologia para usar a "razão pura".

No prefácio à primeira edição, Kant explica o que ele quer dizer por crítica da razão pura: "Eu entendo aqui, contudo, não uma crítica dos livros e sistemas, mas sim da faculdade da razão em geral, com vistas a todos os conhecimentos que ela pode tentar atingir independentemente de toda a experiência."
O filósofo alemão distingue duas formas de saber: O conhecimento empírico tem a ver com as percepções dos sentidos, isto é, posteriores à experiência. E o conhecimento puro, aquele que não depende dos sentidos, independente da experiência, ou seja, a priori, universal, e necessário. O conhecimento verdadeiro só é possível pela conjunção entre matéria, proveniente dos sentidos, e as categorias do entendimento.
Depois, Kant lança a Crítica da Razão Prática (1788), a Crítica do Juízo (1790), a Religião nos Limites da Simples Razão, o Tratado por uma Paz Perpétua (1795) e a Metafísica dos Costumes (1797).

Kant acreditava que a razão também é a fonte da moralidade e que a estética surge de uma faculdade de julgamento desinteressado. Ele foi um expoente da ideia de que a paz perpétua poderia ser assegurada por meio da democracia universal e da cooperação internacional, e que talvez este pudesse ser o estágio culminante da história mundial.

NASCIMENTO DE LENIN

    Em 1870, nasce Vladimir Illich Ulianov, que adotaria o sobrenome Lenin, um dos políticos mais influentes do século 20, líder da facção bolchevique do Partido Operário Social-Democrata, da Revolução Comunista na Rússia e da União Soviética.

Vladimir Illich Ulianov nasce em Simbirsk, na Rússia. Numa família de seis irmãos, todos entram em movimentos revolucionários. Ele se destaca como estudante de grego e latim. Parece destinado a uma carreira acadêmica.

Um marco trágico na vida de Lenin é a morte do irmão mais velho, Alexander Ulianov, enforcado em 1887 por conspirar para matar o czar Alexandre III como parte do grupo rebelde Vontade Popular. 

No mesmo ano, Lenin entra para a Universidade de Kazan. É expulso três meses depois por participar de uma assembleia. Preso e banido de Kazan, ele vai para a fazenda de um avô em Kokuchkino. Em 1888, ele é autorizado a voltar para Kazan, mas não para a universidade.

Nesta época, conhece revolucionários e lê O Capital, a obra-prima de Karl Marx, o pai do comunismo. Em janeiro de 1889, torna-se marxista. Ele se muda com a família para Samara, onde conclui o curso de direito.

A advocacia dá cobertura legal às atividades revolucionárias. Em agosto de 1893, Lenin se muda para São Petersburgo, na época a capital da Rússia, onde trabalha como defensor público. Ele viaja ao exterior em 1895 para manter contato com russos exilados, em especial Georgy Plekhanov, o grande pensador marxista russo.

De volta à Rússia, consegue unificar os marxistas ao fundar a União de Luta pela Libertação da Classe Trabalhadora. Em dezembro de 1895, os líderes do grupo são presos. Lenin fica um ano e três meses na cadeia. Depois, vai para o exílio interno em Chuchenskoye, na Sibéria.

Sua noiva, Nadia Krupskaya, o segue. Eles se casam na Sibéria e ela se torna sua secretária. Em janeiro de 1900, Lenin deixa a Rússia. No exterior, ele escreve uma série da panfletos. Critica a veneração dos trabalhadores russos pelo czar e os marxistas que se concentram na luta por salários e redução da jornada de trabalho, deixando a política em segundo plano.

O grande debate intelectual dos marxistas russos é se o comunismo seria viável num país atrasado, de industrialização tardia, com mais camponeses que detém propriedade coletiva da terra do que proletários. 

Plekhanov defende a ideia de que a Rússia já é capitalista, mas precisa primeiro de uma revolução burguesa para impulsionar o desenvolvimento capitalista. 

No livro Desenvolvimento Capitalista na Rússia, Lenin conclui que o campesinato está longe de ser uma classe social homogênea. Observa uma estratificação social no campo, com uma burguesa rural, um campesinato de classe média e um proletariado e semiproletariado rural empobrecido. Neste último, vê um aliado do pequeno proletariado industrial da Rússia.

Em 1902, Lenin publica O Que Fazer? Rejeita a ideia de que o capitalismo está levando o proletariado espontaneamente ao socialismo revolucionário, cabendo ao partido apenas coordenar a luta. Na sua visão, o capitalismo predispõe os trabalhadores a aceitar o socialismo, mas a derrubada do sistema capitalista e a construção do socialismo dependem de uma consciência de classe induzida pelo partido.

O papel do partido é central no chamado marxismo-leninismo. É a vanguarda do proletariado. Deve ser mentor, líder e guia altamente disciplinado, mostrando constantemente ao proletariado onde estão os interesses da classe trabalhador. Daí vem a ideia do "centralismo democrático". Uma vez que o partido tome uma decisão, cessa o debate interno e todos os membros devem seguir a orientação da cúpula.

Outros companheiros, como Plekhanov, Julius Martov e Leon Trotsky, temem que esta organização e disciplina partidárias levem ao jacobinismo, suprimam a liberdade de discussão dentro do partido, crie uma ditadura sobre o proletariado em vez da ditadura do proletariado e estabeleça a ditadura de um homem só, como aconteceria sob Josef Stalin.

No segundo congresso do Partido Operário Social-Democrata da Rússia, Lenin está em minoria. Mas a retirada dos judeus social-democratas deixa a facção leninista em maioria e ela a chama de bolchevique (maioria), em oposição a ala menchevique (minoria) de Martov.

A divisão entre bolcheviques e mencheviques se aprofunda com a Revolução de 1905, deflagrada pela derrota da Rússia na Guerra Russo-Japonesa (1904-5).

Ambas as alas seguem a proposta de Plekhanov de que são necessárias duas revoluções, uma burguesa e depois a proletária. Mas os mencheviques entendem que a burguesia deve liderar a revolução burguesa, enquanto Lenin quer a hegemonia do proletariado na revolução democrática.

Lenin volta à Rússia no fim de 1905, mas é forçado a se exilar de novo em 1907. As reformas do czar Nicolau II, o Sanguinário, e a violenta repressão reduzem a adesão do partido. Para manter a coesão dos bolcheviques diante do fortalecimento crescente dos mencheviques, Lenin convoca uma conferência do Partido Bolchevique em 1912 em Praga. É a divisão definitiva do Partido Operário Social-Democrata.

Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), em julho e agosto de 1914, os partidos social-democratas ignoram as resoluções anteriores da Segunda Internacional e apoiam seus países. Lenin chama os socialistas a favor da guerra de "social-chauvinistas", traidores da classe operária que apoiavam regimes imperialistas.

Ele declara que a Segunda Internacional está morta. Defende a criação da Terceira Internacional e a transformação da guerra em guerras civis em que trabalhadores e soldados virariam suas armas contra as classes dominantes.

Exilado na Suíça, Lenin escreve sua principal obra sobre relações internacionais, Imperialismo: Estágio Superior do Capitalismo, em que propõe a teoria do elo mais fraco para justificar a revolução comunista na Rússia: a ruptura do sistema capitalista não aconteceria nos países mais industrializados, mas nos elos mais fracos. A guerra seria resultado do insaciável caráter expansionista do capitalismo.

"A derrota na guerra é a vitória da revolução", previu Lenin ao discutir a questão com Trotsky. A humilhação do Exército czarista diante da Alemanha leva ao fim da monarquia na Revolução de Fevereiro de 1917. Lenin obtém um salvo-conduto para atravessar a Alemanha, o que leva seus detratores a acusá-lo de ser um agente alemão.

De volta à Rússia, ele lança as Teses de Abril, em que rejeita a democracia parlamentar e prepara a Revolução de Outubro, quando os comunistas depõe o governo provisário do menchevique Alexander Kerensky e tomam o poder. Em 3 de março de 1918, a Rússia assina o Tratado de Brest-Litovsky, uma "paz vergonhosa", nas palavras do próprio Lenin. Abre mãe da Finlândia, da Polônia, dos países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), da Ucrânia e da Bielorrússia, e sai da Primeira Guerra Mundial.

ARMAS QUÍMICAS

    Em 1915, a Alemanha usa armas químicas em grande escala pela primeira vez na Segunda Batalha de Ypres, na Bélgica, com um ataque de cloro que mata 5 mil soldados franceses e argelinos durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Durante a guerra, a Alemanha, a França, o Reino Unido e a Rússia desenvolvem uma ampla variedade de armas químicas e usam mais de 20 tipos diferentes. Há um total de 1,3 milhão de baixas em consequência de armas químicas, inclusive 91 mil mortes.

A Rússia sofre 500 mil baixas e o Reino Unido, 180 mil. Um terço das baixas dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial é causada por gás mostarda e outros agentes químicos.

As consequências terríveis levam a negociações para acabar com este tipo de arma de destruição em massa. Em 1925, o Protocolo de Genebra proíbe o uso de armas químicas e biológicas, mas não proíbe a produção, a aquisição, a estocagem e o transporte dessas armas e não cria mecanismos de fiscalização para garantir sua aplicação.

A primeira geração de armas químicas surge na Primeira Guerra Mundial. A segunda geração é usada na Segunda Guerra Mundial. E a terceira na Guerra Fria.

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o uso mais intenso de armas químicas é na Guerra Irã-Iraque (1980-88). São decisivas para o Iraque evitar a derrota. O ataque mais notório parte das forças de Saddam Hussein contra seu próprio povo em março de 1988 em Halabja, a Hiroxima curda. Pelo menos 5 mil pessoas são mortas por bombas jogadas de helicóptero.

Com a ascensão de Mikhail Gorbachev à líderança do Partido Comunista da União Soviética, em 11 de março de 1985, as negociações que acabam com a Guerra Fria favorecem o desarmamento.

A Conferência das Nações Unidas sobre Desarmamento aprova em 3 de setembro de 1992 a Convenção sobre Armas Químicas, que entra em vigor 29 de abril de 1993, depois da ratificação por 65 países. 

No século 21, as armas químicas são usadas pela ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria nas cidades de Alepo e Homs no início de 2013. O ataque mais violento é num subúrbio de Damasco, a capital síria, em 21 de agosto de 2013, quando morrem 1.114 pessoas.

O presidente Barack Obama declara que o uso de armas químicas cruza uma linha vermelha, mas não age.  

ASSALTO À RESIDÊNCIA DO EMBAIXADOR

    Em 1997, o presidente Alberto Fujimori ordena um ataque de forças especiais à residência do embaixador do Japão no Peru, tomada por guerrilheiros do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), no qual morrem os 14 rebeldes, dois comandos e um ministro da Corte Suprema, Carlos Giusti.

Quatorze guerrilheiros invadem a casa do embaixador japonês, Morihisha Aoki, em 17 de dezembro de 1996, e tomam como reféns centenas de diplomatas, empresários, altos funcionários públicos civis e militares que participam de uma festa de fim de ano.

As mulheres estrangeiras são libertadas na primeira noite e a maioria dos estrangeiros depois de cinco dias em que sofrem repetidas ameaças de mortes. Depois de 126 dias, as forças especiais de Fujimori atacam a casa. 

Fujimori ganha pontos com a ação. Mais tarde, há alegações de que vários terroristas foram sumariamente executados depois de se render. 

Parentes dos guerrilheiros entram na Justiça do Peru. Um diplomata japonês, Hidetaka Ogura, declara em depoimento que três rebeldes foram torturados. Dois soldados admitem ter visto Eduardo Tito Cruz vivo antes dele morrer com uma bala na nuca. 

A denúncia é retirada no Peru, mas a Corte InterAmericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José, na Costa Rica, decide em 2015 que Cruz foi vítima de uma "execução extrajudicial" e que os direitos humanos de Victor Peceros e Herma Meléndez foram violados.

ACORDO DE PARIS SOBRE CLIMA

    Em 2016, mais de 170 países assinam o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, que tenta controlar a emissão dos gases que agravam o efeito estufa e causam o aquecimento global. O acordo entra em vigor em novembro de 2016.

O Acordo de Paris é resultado de um processo que começa na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), a Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992, quando 179 países aprovam a Convenção ou Acordo-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima.

A 1ª Conferência das Partes do Acordo do Clima (CoP-1), é realizada em Berlim na Alemanha, em 1995, e desde então acontece todos os anos. Em 1997, a CoP-3 aprova no Japão o Protocolo de Quioto, que exige de 37 países desenvolvidos e da União Europeia a redução das emissões em cerca de 5% abaixo do nível de 1990.

O vice-presidente norte-americano Al Gore é um dos grandes negociadores do Protocolo de Quioto, mas o Senado dos EUA nunca ratifica o acordo internacional sob a alegação de que criaria uma concorrência desleal para produtos norte-americanos em relação a países como a China, que não precisa reduzir as emissões.

Quando o Protocolo de Quioto está prestas a caducar, em 2012, há necessidade de negociar um acordo inclusivo, em que todos os países se comprometam a reduzir as emissões de gases carbônicos. Para que todos façam parte, o Acordo de Paris (2015) estabelece que cada país apresente sua própria proposta de redução das emissões. Não há qualquer tipo de fiscalização ou punição para quem não cumprir suas metas voluntárias de diminuir emissões.

É um avanço, mas insuficiente para atingir a meta de manter o aquecimento global em 1,5ºC, com tolerância de até 2ºC, acima da temperatura anterior à Revolução Industrial, que começa no Reino Unido por volta de 1750. 

A CoP-30 será realizada em Belém do Pará, no Brasil, em novembro de 2025. Será uma nova chance de discutir o financiamento das políticas de adaptação e mitigação das mudanças do clima, desta vez sem a participação dos EUA. 

Mais uma vez, o presidente Donald Trump retirou os EUA do Acordo de Paris. Os países ricos ofereceram na CoP-29 US$ 300 bilhões por ano, os países em desenvolvimento querem US$ 1,3 trilhão por ano e Trump não quer dar nada.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Trump volta à Casa Branca com sede de vingança

Com um discurso rancoroso, vingativo e fascistoide, Donald Trump tomou posse hoje como o 47º presidente da história dos Estados Unidos depois de tentar um golpe de Estado sem precedentes na história do país para não entregar o poder em 2021. É o segundo a cumprir dois mandatos não consecutivos, depois de Grover Cleveland (1885-89 e 1893-97). 

Depois de escapar por pouco da cadeia e sobreviver a duas tentativas de assassinato, Trump está de volta para se vingar de supostos inimigos, mudar políticas históricas que os EUA adotam desde a Segunda Guerra Mundial, negar o aquecimento global, acabar com a proteção às minorias e testar os limites da democracia num momento de ascensão do neofascismo em escala global.

Diante de todos os ex-presidentes dos norte-americanos vivos – Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Joe Biden –, Trump acusou o governo dos EUA de persegui-lo por razões politicas e prometeu acabar com isso. Mas é exatamente o que pretende fazer, usar o Departamento da Justiça contra adversários políticos enquanto perdoa aliados como os mais de 1,5 mil vândalos e terroristas condenados pelo ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 para impedir a certificação da vitória de Joe Biden, o que causou sete mortes.

Do lado de fora de uma prisão em Washington, as milícias aliadas Proud Boys e Oath Keepers fazem vigília à espera da libertação de seus condenados pelo assalto ao Congresso. Trump quer que saiam ainda nesta noite. O líder dos Proud Boys estava condenado a 22 anos de prisão. É conivência com a violência de extrema direita.

No primeiro dia de governo, o plano é assinar cerca de 200 decretos para fechar a fronteira com o México para barrar imigrantes ilegais, iniciar seu programa de deportação em massa, acabar com restrições à exploração de gás e petróleo e outras medidas ambientais de Biden, retirar os EUA do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e da Organização Mundial da Saúde, acabar com as políticas federais de inclusão social e perdoar a malta que atacou o Congresso.

Também prometeu mandar astronautas para fincar a bandeira dos EUA em Marte, sob aplausos do bilionário Elon Musk, cliente do programa espacial norte-americano, e ignorou a Constituição ao decretar que filhos de imigrantes ilegais nascidos nos EUA não têm direito a cidadania. Este direito está na 14ª Emenda à Constituição do país, aprovada depois da Guerra da Secessão (1861-65), que acabou com a escravidão.

Para mudar a Constituição dos EUA, são necessários dois terços dos votos na Câmara e no Senado e a ratificação por pelo menos 75% dos estados. Por isso, é tão difícil de mudar. Os procuradores de 22 estados recorreram da medida. Mesmo se perder, Trump ganha pontos junto a seu eleitorado extremista. 

Sob o pretexto de proteger os trabalhadores norte-americanos e reindustrializar o país, Trump aposta em energia barata de combustíveis fósseis e tarifas de importação. Abandona assim a política de livre comércio que os EUA adotam desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Trump reiterou a ameaça de impor tarifas de importação de 100% se os países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia) pararem de usar o dólar nas transações entre si.

Com o lema "os EUA, primeiro", Trump também abandona uma política externa de 80 anos iniciada pelo presidente Franklin Roosevelt (1933-45) de agir no plano internacional em conjunto com aliados. 

Ao sugerir que o Canadá deve ser o 51º estado dos EUA, em tomar a Groenlândia e o Canal do Panamá, além de revelar mais um traço de seu caráter fascista, Trump manifesta desprezo pelos aliados. Ao enquadrar os cartéis do tráfico de drogas como organizações terroristas, deixa no ar a ameaça de intervenção militar no México.

Aliás, o bilionário Elon Musk, o homem mais rico do mundo, ministro nomeado por Trump para tornar o Estado mais eficiente, fez uma saudação nazista num dos palcos da posse.

Serão quatro anos de incerteza e imprevisibilidade na Casa Branca e no mundo. O primeiro teste será a promessa de acabar com a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Trump vai capitular diante do ditador russo, Vladimir Putin? A Europa aguarda com ansiedade.

sábado, 7 de dezembro de 2024

UE e Mercosul fecham acordo de liberalização comercial

A União Europeia e o Mercado Comum do Sul (Mercosul) fecharam ontem um acordo de liberalização comercial em Montevidéu, no Uruguai, criando um mercado com mais de 740 milhões de consumidores e países responsáveis por quase um quinto do produto mundial bruto.

O acordo chega num momento de fragilidade dos dois blocos comerciais. A Europa tem crescimento baixo e perda de competitividade diante da ascensão da Ásia, da saída do Reino Unido, da invasão da Ucrânia pela Rússia e do risco de guerras comerciais com a volta do presidente Donald Trump à Casa Branca. O Mercosul vem de uma longa estagnação do bloco, que até agora só tinha acordos comerciais com Cingapura, Egito e Israel, com risco de dissolução por causa de países interessados em fazer acordos fora do bloco.

É um acordo que vai na contramão da tendência crescente de protecionismo econômico. Apresenta uma alternativa diante da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e de uma nova guerra fria entre esses dois países que parece cada vez mais inevitável.

Os dois blocos têm cláusulas democráticas, uma defesa contra o ascensão de um populismo de extrema direita que ameaça a democracia dos dois lados do Oceano Atlântico. Todos os países se comprometem a seguir o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, de que Trump pode retirar os EUA mais uma vez.

A Europa é mais competitiva no setor industrial. O Mercosul é mais forte em agricultura e pecuária. Aí mora o perigo de não ratificação, por causa do protecionismo dos agricultores da França, da Polônia, da Irlanda e da Itália, temerosos da concorrência do Mercosul. Será um processo longo. Mas há salvaguardas para impedir a exportação de produtos vindos de áreas de desmatamento ou cultivados com agrotóxicos proibidos na UE.

terça-feira, 13 de junho de 2023

UE quer fechar acordo com o Mercosul neste ano

 A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou ontem em visita à Brasília que espera concluir até o fim do ano o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou de um protocolo adicional que prevê sanções unilaterais se o Brasil não cumprir as metas do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima.

O acordo UE-Mercosul está sendo negociado desde 1995. Foi fechado em 2019. Depende agora da ratificação por todos os países envolvidos. O maior risco de veto vem da França, que tem um setor agrícola forte e altamente protecionista que teme a concorrência do Mercosul. Mas a Argentina e o Brasil querem alterar partes para preservar e ampliar o setor industrial.

Na Europa, há uma grande preocupação com a preservação da Floresta Amazônica, que é fundamental para combater o aquecimento global. O Brasil teme que a questão ambiental seja usada para mascarar o protecionismo econômico. Meu comentário:

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 4 de Novembro

TÚMULO DE TUTANCÂMON

    Em 1922, o arqueólogo Howard Carter e sua equipe descobrem a entrada da tumba do faraó Tutancâmon no Vale dos Reis, no Egito, que está preservada por nunca ter sido saqueada.

Carter chega pela primeira vez ao Egito em 1891, quando a maioria das tumbas do Egito Antigo está descoberta, mas não a do jovem faraó que morreu aos 18 anos. 

Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), Carter intensifica a busca e encontra a entrada perto da tumba do faraó Ramsés VI. Em 26 de novembro, ele e o colega Lorde Carnarvon entram nas câmaras da tumba, que estão admiravelmente intactas e preservadas.

EMBAIXADA EM TEERÃ

    Em 1979, depois da Revolução Islâmica no Irã, jovens aliados do aiatolá Ruhollah Khomeini invadem a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã e tomam todos os diplomatas e funcionários como reféns, no início de uma ocupação que dura 444 dias e só acaba depois da posse do presidente Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981.

ASSASSINATO DE RABIN

    Em 1995, o extremista de direita Yigal Amir mata o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, durante um comício pela paz na Praça dos Reis, em Telavive, por ter feito um acordo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Preso na hora pela poícia, Amir, de 27 anos, estudante de direito ligado ao grupo extremista Eyal, confessa o assassinato e justifica dizendo que Rabin queria "dar nosso país aos árabes".

Rabin nasceu em Jerusalém. Um dos líderes da Guerra da Independência de Israel (1948-49), comanda as Forças Armadas de Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Depois da carreira militar, entra para o Partido Trabalhista e é eleito primeiro-ministro em 1974. Governa até 1977 e cai num escândalo por ter conta bancária nos Estados Unidos, o que era proibido em Israel. De 1984 a 1990, é ministro da Defesa de Israel.

Em 1992, é reeleito primeiro-ministro e apoia as negociações secretas com a OLP realizadas em Oslo, na Noruega, o que o leva a apertar a mão do líder palestino Yasser Arafat no jardim da Casa Branca em 13 de setembro de 1993, quando os dois assinam a declaração de princípios para criar a Autoridade Nacional Palestina, permitir a volta de Arafat à Cisjordândia e entregar a administração da Faixa de Gaza e da região de Jericó aos palestinos. Paga com a vida.

ELEIÇÃO DE OBAMA

    Em 2008, o senador Barack Obama se torna o primeiro negro a ser eleito presidente dos Estados Unidos.

Filho de pai queniano e mãe norte-americana, Barack Hussein Obama nasce em Honolulu, no Havaí, onde eles estudavam, em 1961. 

Quando os pais se separam, a mãe de casa com um indonésio. Ele vive até 11 anos na Indonésia e vai para os EUA estudar. Não carrega assim o estigma dos afro-americanos descendentes de escravos e uma cultura negativista que valoriza a marginalidade, o uso de drogas e o mau desempenho na escola.

Obama estuda em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, onde dirige a revista da Faculdade de Direito. Antes de entrar para a política, trabalha como organizador comunitário na Zona Sul de Chicago, uma área pobre da cidade.

Em 2004, Obama faz o discurso de apresentação do candidato na Convenção Nacional do Partido Democrata que nomeou John Kerry e se destaca pelo talento de grande orador.

Para conquistar a candidatura democrata em 2008, ele vence nas eleições primárias a senadora Hillary Clinton.

ACORDO DE PARIS

    Em 2016, entra em vigor o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e mais de 190 países vão adotar metas voluntárias de redução de emissões de gases carbônicos para conter o aquecimento global.

O Acordo Quadro sobre Mudança do Clima é negociado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). É o início da ação global para evitar que a concentração de gases carbônicos na atmosfera por causa da atividade humana eleve demais a temperatura da Terra. Desde então, são realizadas conferências das partes (CoPs) do acordo.

Em 1997, é assinado o Protocolo de Quioto, pelo qual 37 países desenvolvidos se comprometiam a reduzir as emissões em 5% em relação a 1990. Os Estados Unidos negociaram o acordo com o vice-presidente Al Gore, mas o Senado não ratificou alegando concorrência desleal, já que os países em desenvolvimento não precisam fazer nada..

Quando o Protocolo de Quioto caduca, em 2012, a China, com seu desenvolvimento industrial, é a maior poluente. Há necessidade de um acordo que inclua todos os países.

O Acordo de Paris, assinado na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-21), em 2015, prevê que cada país apresente metas voluntárias de redução de emissões e a criação de mecanismos financeiros para os países menos desenvolvidos reduzirem as emissões de gases de efeito estufa e enfrentarem os impactos da mudança do clima.

Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro abre mão de realizar a CoP-25 no Brasil, alegando que custaria R$ 500 milhões. A conferência é transferida para o Chile e acaba sendo realizada em Madri, na Espanha, por causa das manifestações de protestos contra o governo chileno. O Brasil tenta bloquear o acordo.

No ano passado, a CoP-26, realizada em Glasgow, na Escócia, registra alguns avanços como acordos sobre florestas e redução das emissões de gás metano, mas não chega a um acordo para banir o uso de carvão e, mais importante, para financiar a transição energética nos países em desenvolvimento.

O Brasil promete acabar com o desmatamento em 2030, mas Bolsonaro afirma que é o "desmatamento ilegal". Com o desmatamento na Amazônia, vira o maior vilão global da destruição da natureza.

A CoP-27 será realizada de 6 a 18 de novembro em Charm al-Cheikh, no Egito. O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, está convidado. Isto marca um retorno do protagonismo do Brasil nas questões internacionais de meio ambiente.

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Europa arde em meio a recuo no combate ao aquecimento global

O aquecimento global está torrando o Hemisfério Norte.  O calor provoca incêndios em Portugal, na Espanha (piores dos últimos 15 anos), na França e na Grécia, em meio a uma crise de inflação, energia e alimentos gerada pela guerra da Rússia na Ucrânia. Isto atrasa a implementação de políticas para conter o aumento da temperatura da Terra e seus efeitos. 

Vinte e um países europeus estão em estado de alerta. Aeroportos fecharam porque a pista amoleceu. Algumas estradas de ferro foram interditadas. Na Península Ibérica, a temperatura chegou a 47 graus centígrados.

Mais de 60 cidades francesas tiveram temperaturas de mais de 40ºC. O presidente Emmanuel Macron vai quarta-feira à região da Gironda, onde há incêndios florestais.

Na Inglaterra, pela primeira vez, os termômetros passaram de 40ºC. Na Escócia, marcou 34,8ºC. 

Na China, 31 cidades estão em estado de alerta numa onda de calor que pode chegar a 40ªC. 

Dezenas de cidades grandes registraram mais de 40ºC nos Estados Unidos, onde a política ambiental do governo Joe Biden está sendo prejudicada pela Suprema Corte e por seu próprio partido. Veja mais meu canal no YouTube. Meu comentário:
 

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 4 de Novembro

 TÚMULO DE TUTANCÂMON

    Em 1922, o arqueólogo Howard Carter e sua equipe descobrem a entrada da tumba do faraó Tutancâmon no Vale dos Reis, no Egito, que está preservada por nunca ter sido saqueada.

Carter chega pela primeira vez ao Egito em 1891, quando a maioria das tumbas do Egito Antigo está descoberta, mas não a do jovem faraó que morreu aos 18 anos. 

Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), Carter intensifica a busca e encontra a entrada perto da tumba do faraó Ramsés VI. Em 26 de novembro, ele e o colega Lorde Carnarvon entram nas câmaras da tumba, que estão admiravelmente intactas e preservadas.

EMBAIXADA EM TEERÃ

    Em 1979, depois da Revolução Islâmica no Irã, jovens aliados do aiatolá Ruhollah Khomeini invadem a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã e tomam todos os diplomatas e funcionários como reféns, no início de uma ocupação que dura 444 dias e só acaba depois da posse do presidente Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981.

ASSASSINATO DE RABIN

    Em 1995, o extremista de direita Yigal Amir mata o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, durante um comício pela paz na Praça dos Reis, em Telavive, por ter feito um acordo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Preso na hora pela poícia, Amir, de 27 anos, estudante de direito ligado ao grupo extremista Eyal, confessa o assassinato e justifica dizendo que Rabin queria "dar nosso país aos árabes".

Rabin nasceu em Jerusalém. Um dos líderes da Guerra da Independência de Israel (1948-49), comanda as Forças Armadas de Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Depois da carreira militar, entra para o Partido Trabalhista e é eleito primeiro-ministro em 1974. Governa até 1977 e cai num escândalo por ter conta bancária nos Estados Unidos, o que era proibido em Israel. De 1984 a 1990, é ministro da Defesa de Israel.

Em 1992, é reeleito primeiro-ministro e apoia as negociações secretas com a OLP realizadas em Oslo, na Noruega, o que o leva a apertar a mão do líder palestino Yasser Arafat no jardim da Casa Branca em 13 de setembro de 1993, quando os dois assinam a declaração de princípios para criar a Autoridade Nacional Palestina, permitir a volta de Arafat à Cisjordândia e entregar a administração da Faixa de Gaza e da região de Jericó aos palestinos. Paga com a vida.

ELEIÇÃO DE OBAMA    

    Em 2008, o senador Barack Obama se torna o primeiro negro a ser eleito presidente dos Estados Unidos.

Filho de pai queniano e mãe norte-americana, Barack Hussein Obama nasce em Honolulu, no Havaí, onde eles estudavam. Quando os pais se separam, a mãe de casa com um indonésio. Ele vive até 11 anos na Indonésia e vai para os EUA estudar. Não carrega assim o estigma dos afro-americanos descendentes de escravos e uma cultura negativista que valoriza a marginalidade, o uso de drogas e o mau desempenho na escola.

Obama estuda em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, onde dirige a revista da Faculdade de Direito. Antes de entrar para a política, trabalha como organizador comunitário na Zona Sul de Chicago, uma área pobre da cidade.

Em 2004, Obama faz o discurso de apresentação do candidato na Convenção Nacional do Partido Democrata que nomeou John Kerry e se destaca pelo talento de grande orador.

Para conquistar a candidatura democrata em 2008, ele vence nas eleições primárias a senadora Hillary Clinton.

ACORDO DE PARIS

    Em 2016, entra em vigor o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e mais de 190 países vão adotar metas voluntárias de redução de emissões de gases carbônicos para conter o aquecimento global.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Biden volta à OMS e ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima

 Em 17 decretos para desmontar políticas do governo anterior, o presidente Joe Biden levou os Estados Unidos de volta ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e à Organização Mundial da Saúde (OMS), suspendeu a construção de um gasoduto vindo do Canadá e do muro na fronteira com o México, e renovou a esperança dos "sonhadores", jovens que entraram no país ilegalmente quando era menores de idade. Os 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem nos EUA terão um caminho para tentar regularizar a situação.

Biden também tornou obrigatório o uso de máscaras em todas as propriedades do governo federal. Seu discurso proclamou a vitória da democracia e a reconciliação nacional. Talvez a marca mais importante da volta à normalidade é que a posse não foi organizada em torno dele. O destaque foi para a democracia e a coalizão multiétnica e multirracial que derrotou o supremacismo branco de Trump.

Além da união nacional, o vírus, a desigualdade social, o racismo e o aquecimento global serão os maiores desafios do governo Biden-Harris. Meu comentário:

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Trump e Biden fazem último debate civilizado e equilibrado

Presidente não obteve vitória para virar o jogo, que ainda não acabou

No último debate antes da eleição presidencial de 3 de novembro, o presidente Donald Trump e o ex-vice-presidente Joe Biden fizeram ontem à noite em Nashville, no estado do Tennessee, um duelo equilibrado e muito mais civilizado do que o primeiro, sem um nocaute. 

Líder nas pesquisas, Biden teve a clara preocupação de não se comprometer. Os temas mais polêmicos foram pandemia, saúde, corrupção, racismo e meio ambiente. Com os Estados Unidos polarizados e a opinião pública cristalizada, a expectativa é que não haja grande mudança no eleitorado. Cerca de 50 milhões já votaram antecipadamente.

Mais uma vez, Biden se apresentou como um homem decente, de caráter. Acusou Trump de ser "o presidente mais racista da história moderna do país" e de não pagar impostos, e previu um "inverno escuro", com o agravamento da pandemia do coronavírus de 2019 e possivelmente mais 200 mil mortes nos EUA.

Trump perguntou por que o candidato democrata não fez tudo o que promete nos 47 anos em que ficou no Senado e quando era vice-presidente nos governos Barack Obama (2009-17) e afirmou que uma vitória da oposição vai causar "uma recessão nunca vista". Atacou o que o outro não fez e não revelou o que pretende fazer num segundo mandato, além de recuperar a economia.

Leia mais em Quarentena News.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Onze mil cientistas advertem que crise do clima virou emergência

Um dia depois que o presidente Donald Trump formalizou a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, cerca de 11 mil cientistas de 153 países divulgaram um relatório. Eles advertem que o aquecimento global virou uma situação de emergência capaz de provocar um "sofrimento humano inimaginável", noticiou a televisão pública britânica BBC.

Ao analisar dados de 40 anos, os cientistas acusaram os governos de fracassarem ao enfrentar a crise do clima, deixando que a situação se transformasse em emergência, mas observam o surgimento de um forte movimento cidadão, da sociedade civil, com manifestações públicas, greves de estudantes secundaristas, passeatas e ações judiciais.

Os dados coletados indicam que o mês passado foi o mais quente da história, e os pesquisadores entendem que simplesmente medir a temperatura da superfície da Terra não basta para avaliar os riscos do agravamento do efeito estufa.

Para examinar os sinais vitais da mudança do clima, é importante, dizem os cientistas, observar o crescimento das populações humanas e de animais, o desflorestamento, o consumo de combustíveis fósseis como carvão e petróleo, e o consumo de carne por pessoa.Meu comentário:

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

ONU pede aos países novas metas para conter o aquecimento global

Na abertura da conferência de Cúpula das Nações Unidas para Ação contra a Mudança do Clima hoje em Nova York, a jovem estudante sueca Greta Thunberg, de apenas 16 anos, foi contundente ao se dirigir aos líderes políticos mundiais: "Vocês roubaram meus sonhos e a minha infância. (...) Se fracassarem, nunca serão perdoados pelas novas gerações."

O período de 2014 a 2019 foi o mais quente da história. Depois de novos alertas de cientistas sobre os riscos do aquecimento global e de manifestações de milhões de pessoas nos últimos dias, 66 países se comprometeram a neutralizar até 2050 todas as emissões de gases que agravam o efeito estufa, entre eles a Alemanha, a França e o Reino Unido.

O secretário-geral da ONU, o ex-primeiro-ministro António Guterres, apelou aos líderes nacionais para que passem dos discursos à ação e se comprometam com mudanças reais.

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a organização não governamental Preservação Internacional darão 500 milhões de dólares para o reflorestamento da Amazônia e de outras florestas tropicais.

Uma das marcas da Cúpula de Ação do Clima foram ausências notáveis. A Austrália e o Japão não foram convidados porque apoiam o uso de carvão. A Arábia Saudita e o Brasil foram excluídos de falar por criticar o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, de 2015. O ditador da China, o país que mais emite gases carbônico, Xi Jinping, não foi. O presidente do segundo maior poluidor, os Estados Unidos, Donald Trump, passou rapidamente, mas não discursou. Meu comentário: