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domingo, 20 de novembro de 2022

CoP cria fundo para reparar perdas e danos causados pelo clima

 A 27ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-27) terminou na madrugada deste domingo em Charm al-Cheikh, no Egito, com um acordo para criar um fundo internacional para compensar os países pobres por perdas e danos causados por fenômenos climáticos. 

Não houve grande melhora nas metas voluntárias de redução de emissões de gases de efeito estufa nem os 196 países participantes decidiram abolir o uso de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás), os principais responsáveis pelo aquecimento global.

A promessa de uma ajuda anual de US$ 100 bilhões dos países ricos a partir de 2020 foi feita na CoP-15, em Copenhague, na Dinamarca, em 2009. Seria principalmente para financiar a transição energética para uma economia de baixo carbono. 

Pela primeira vez, será para mitigação, adaptação e reparação de perdas e danos porque é cada vez mais evidente que os fenômenos climáticos estão se tornando mais violentos. 

O aquecimento global está aí. A temperatura média subiu 1,2ºC desde o início da era industrial, em 1750. A meta de limitar este aumento a 1,5ºC, do Acordo de Paris (2015), é cada vez mais inatingível.

PERDAS E DANOS

A conferência deveria terminar na sexta-feira. As negociações se prolongaram por mais 37 horas. Seria um fracasso realizar a reunião na África e não chegar a um acordo sobre perdas e danos. O continente é responsável por menos de 4% das emissões e sofre com secas, enchentes, quebras de safra e fome causadas pelas emergências climáticas.

Os países pobres reivindicam ajuda há 30 anos, desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), quando foi negociada a convenção quadro sobre o clima. Como vai funcionar o fundo será definido no próximo ano por uma comissão formada por 14 países do Sul e 10 do Norte e levado a aprovação na CoP-28, a ser realizada em novembro de 2023 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.. 

Os Estados Unidos e a Europa sempre relutaram porque admitir que houve perdas e danos causados pela produção industrial e por transportes poderia levar os países pobres a processar os ricos porque sofrem mais as consequências de um problema que não causaram.

Os acordos do clima sempre falam em "responsabilidade conjunta, mas diferenciada". O maior ônus deve recair sobre quem poluiu mais. A União Europeia pretende limitar a ajuda aos países em desenvolvimento "realmente vulneráveis". Ofereceu US$ 300 milhões, muito pouco.

Os EUA querem que os grandes emergentes, como a China, a Índia e o Brasil, contribuam para o fundo e não se beneficiem dele. Vai haver resistência no Congresso, onde os republicanos recuperaram a maioria na Câmara. O senador oposicionista John Barrasso alega que o aquecimento global tem de ser enfrentado com inovação tecnológica.

A China é hoje a segunda maior economia do mundo e a maior poluidora, com 28% das emissões. A Índia é a terceira maior poluidora e a quinta maior economia do mundo. Em contraste, o Paquistão, responsável por menos de 1% das emissões, sofreu com uma enchente que alagou um terço de seu território, matou 1,7 mil pessoas e deu um prejuízo de US$ 30 bilhões.

CRISE DE ENERGIA

Sob o impacto da Guerra da Ucrânia e da crise energética causada pelo boicote à Rússia, alguns países, especialmente da Europa, adiaram os planos de transição e voltaram a usar carvão.

Enquanto a UE e mesmo grandes produtores como os EUA, o Canadá, a Noruega e a Colômbia queriam um abandono gradual do petróleo e do gás, a maioria dos países, sob a liderança da China e das monarquias petroleiras do Oriente Médio, preferiu apenas uma redução gradual, sem marcar uma data para o fim da era do petróleo.

Havia um número recorde de 636 lobistas da indústria do petróleo, mais do que o total de delegados da África. 

A presidência egípcia apresentou um texto para não desagradar aos países árabes exportadores de petróleo. A ditadura do marechal Abdel Fattah al-Sissi foi muito criticada por reprimir protestos e perseguir ativistas, inclusive ecologistas.

TEMPERATURA EM ALTA

As metas voluntárias, as contribuições determinadas nacionalmente, são insuficientes para atingir a meta ambiciosa do Acordo de Paris (1,5ºC). Poucos países, entre eles, a Índia, o México, o Vietnã e a União Europeia, melhoraram suas propostas. 

Na situação atual, a previsão é que até o fim do século a temperatura média do planeta suba 2,5ºC. "Este 1,5ºC não é algo que alguém inventou", advertiu o ministro do Clima e do Meio Ambiente da Noruega, Espen Barth Eide.

Ele alertou para a "diferença fundamental entre 1,5ºC e 2ºC", o limite máximo admitido pelo Acordo de Paris. "Países inteiros aqui presentes vão desaparecer da superfície do planeta. A maior parte do gelo do mundo vai derreter. Cidades que amamos e onde vivemos vão sumir."

AVANÇOS

Além do fundo para perdas e danos, um passo positivo foi o diálogo entre o presidente dos EUA, Joe Biden, e o ditador da China, Xi Jinping, na conferência de cúpula do Grupo dos 20 em Báli, na Indonésia, onde prometeram trabalhar juntos na questão do clima. Os dois maiores poluidores e países mais ricos do mundo precisam liderar.

A presença do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, traz o Brasil de volta ao centro das discussões sobre mudança do clima. As promessas de desmatamento zero, de uma aliança mundial para acabar com a fome e uma articulação de países com grandes florestas tropicais para obter financiamento internacional para preservação são boas propostas para o futuro governo, que já reativou o Fundo Amazônia.

Outro avanço foi a decisão de incluir o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) entre as instituições que vão distribuir o dinheiro do fundo de combate à mudança do clima. Isso implica uma reforma destas instituições para apoiar os países mais vulneráveis, inclusive com redução de dívidas para facilitar a transição para uma economia sem combustíveis fósseis. 

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Conferência do Clima acontece em mundo mais conturbado

Mais de cem líderes nacionais e 197 países devem participar da 27ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-27), realizada de 6 a 18 de novembro de 2022 em Charm el-Cheikh, no Egito. 
A CoP-27 acontece sob o impacto da guerra da Rússia contra a Ucrânia, que aumentou a tensão geopolítica, tornou a segurança energética uma prioridade máxima, acima do controle das emissões de gases carbônicos, da pandemia, da inflação, do risco de recessão e de uma crise mundial de alimentos.

Leia mais em Quarentena News e veja meu canal no YouTube. Meu comentário:

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Europa arde em meio a recuo no combate ao aquecimento global

O aquecimento global está torrando o Hemisfério Norte.  O calor provoca incêndios em Portugal, na Espanha (piores dos últimos 15 anos), na França e na Grécia, em meio a uma crise de inflação, energia e alimentos gerada pela guerra da Rússia na Ucrânia. Isto atrasa a implementação de políticas para conter o aumento da temperatura da Terra e seus efeitos. 

Vinte e um países europeus estão em estado de alerta. Aeroportos fecharam porque a pista amoleceu. Algumas estradas de ferro foram interditadas. Na Península Ibérica, a temperatura chegou a 47 graus centígrados.

Mais de 60 cidades francesas tiveram temperaturas de mais de 40ºC. O presidente Emmanuel Macron vai quarta-feira à região da Gironda, onde há incêndios florestais.

Na Inglaterra, pela primeira vez, os termômetros passaram de 40ºC. Na Escócia, marcou 34,8ºC. 

Na China, 31 cidades estão em estado de alerta numa onda de calor que pode chegar a 40ªC. 

Dezenas de cidades grandes registraram mais de 40ºC nos Estados Unidos, onde a política ambiental do governo Joe Biden está sendo prejudicada pela Suprema Corte e por seu próprio partido. Veja mais meu canal no YouTube. Meu comentário:
 

sábado, 11 de dezembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 11 de Dezembro

ABDICAÇÃO DE EDUARDO VIII
    Em 1936, depois de menos de um ano no trono, o rei Eduardo VIII, da Inglaterra, abdica para se casar com Wallis Simpson, uma norte-americana duas vezes divorciada, o que era proibido para um monarca do Reino Unido.

Eduardo nasceu em 1894. É o filho mas velho de George V, que ascende ao trono em 1910. Ele não se casa até 40 anos. Em 1934, se apaixona pela socialite norte-americana Wallis Simpson, mulher do empresário anglo-norte-americano Ernest Simpson. Ela casara com um piloto da Marinha dos Estados Unidos e se divorciara.

O rei George V morre em janeiro de 1936 sem discutir a questão com o herdeiro do trono. O novo rei é popular. Marca a coroação para maio de 1937. Em 27 de outubro de 1936, Wallis se divorcia do segundo marido, o que deflagra o escândalo.

A Igreja da Inglaterra e a maioria dos políticos britânicos não aceita o romance real. Uma exceção é o deputado Winston Churchill.

Na noite de 11 de dezembro de 1936, Eduardo VIII faz um pronunciamento pelo rádio anunciando que é "impossível carregar a pesada responsabilidade e exercer meus deveres como rei, como eu gostaria de fazer, sem a ajuda e o apoio da mulher que eu amo."

No dia seguinte, seu irmão mais moço, o Duque de York, é proclamado o rei George VI, pai da atual rainha, Elizabeth II.

RÚSSIA INVADE CHECHÊNIA
    Em 1994, o Exército da Rússia invade a república rebelde da Chechênia na maior ação militar do país desde a invasão do Afeganistão pela União Soviética, em 1979.

Com o colapso da URSS, em 1991, várias repúblicas declaram independência. Mas a Chechênia não é uma república soviética. Faz parte da Federação Russa. Então, sua independência não será tolerada. De maioria muçulmana, conquistada pela Rússia nos anos 1850, sempre foi rebelde.

Em agosto de 1991, Djokhar Dudaiev, ex-oficial da Força Aérea da URSS, derruba o regime comunista e instala um governo hostil a Moscou, provocando a reação da Rússia.

As forças russas enfrentam forte resistência em Grozny. Milhares de soldados russos morrem. Em agosto de 1996, os rebeldes chechenos retomam Grozny. A Rússia se retira em 1997.

Quando Vladimir Putin vira primeiro-ministro do presidente Boris Yeltsin, em 1999, para se firmar no poder, inicia a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2009) depois de ações terroristas de extremistas muçulmanos no vizinho Daguestão e uma série de atentados em Moscou em que há suspeita de envolvimento do serviço secreto russo. A ferro e fogo, a Rússia vence, com um total de mortes estimado entre 50 e 250 mil pessoas.

PROTOCOLO DE QUIOTO
    Em 1997, a Conferência das Partes (CoP) da Convenção Quadro sobre Mudança do Clima aprova o Protocolo de Quioto, no Japão, pelo qual 38 países desenvolvidos se comprometem a reduzir até 2012 as emissões de gases que agravam o efeito estufa em 5,2%, em média, em relação aos níveis de 1990.

Um dos principais negociadores em Quioto é o então vice-presidente dos Estados Unidos, Albert Gore Jr., mas o Senado do país nunca ratifica o protocolo. O argumento, que havia sido usado pelo presidente George Herbert Walker Bush durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), é que, ao não incluir a China e outros países em desenvolvimento, daria uma desvantagem competitiva para a economia norte-americana.

O fracasso do Protocolo de Quioto leva ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, de 2015, que incluiu todos os países do mundo, menos a Síria. Todos apresentam metas voluntárias de redução das emissões de gases carbônicos e não correm o risco de punições ou sanções se não cumprirem o prometido.

Na CoP, realizada em novembro de 2021, os países foram pressionados a apresentar metas mais ambiciosos. Se o que foi prometido até agora for cumprido, o que não está sendo, a expectativa dos cientistas é de um aumento de 2,7 graus centígrados na temperatura média da Terra até o fim do século em relação à era pré-industrial. A meta é conter o aquecimento global em 1,5 grau centígrado.

BERNIE MADOFF PRESO
    Em 2008, o bilionário norte-americano Bernard Madoff é preso sob a acusação de fraudar clientes com uma pirâmide financeira de US$ 65 bilhões que desaba com a crise deflagrada pela falência do banco de investimentos Lehman Brothers.

Ao contrário do que acontece no Brasil, não foi necessária sentença condenatória transitada em julgado para mantê-lo preso. Madoff morreu na cadeia em abril de 2021.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Tempo para reagir à crise do clima se esgota, advertem cientistas

 Os países mais poluidores precisam cortar drasticamente as emissões de gases carbônico para evitar que o aquecimento global acima de 1,5 grau centígrado em relação à era pré-industrial cause tragédias climáticas e irreversíveis piores do que os incêndios florestais que se repetem todos os anos na Califórnia, no Sul da Europa e na Austrália.  

Os furacões e tornados, as secas e as enchentes serão mais frequentes e mais violentas. Há risco de derretimento das calotas polares, alagamento de áreas costeiras, acidificação dos oceanos e fome, adverte o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, do inglês). É um alerta vermelho.

"Todas as regiões do mundo são afetadas por um desequilíbrio sem precedentes no clima mundial", observa o IPCC, criado pelas Nações Unidas em 1988.

As últimas cinco décadas foram as mais quentes em 2 mil anos. "A mudança climática está acontecendo diante dos nossos olhos, está se confirmando", acrescenta o climatólogo Robert Vautard, um dos 234 autores de 65 países da primeira das três partes do Sexto Relatório de Avaliação da crise do clima pelo IPCC, baseada em 14 mil artigos científicos.

Se não forem adotadas ações mais enérgicas, o limite de 1,5º C acima da temperatura média da era pré-industrial será atingido antes de 2040. Este é o desafio. Meu comentário:

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Bolsonaro mente e mendiga na cúpula do clima convocada por Biden

Mais 2.070 mortes e 50.023 casos da doença do coronavírus de 2019 foram notificados nesta quinta-feira no Brasil, elevando o total para 14.172.139 casos confirmados e 383.757 mortes. A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu um pouco mais, para 2.543, com queda de 13% em duas semanas.

Mas hoje eu vou mudar de assunto para falar sobre um assunto que vai exigir grande cooperação internacional e pode ter consequências ainda mais desastrosas do que a pandemia - a crise climática -  e especificamente sobre a conferência de cúpula virtual sobre mudança do clima convocada pelo presidente Joe Biden. Numa guinada da política ambiental dos Estados Unidos, Biden prometeu reduzir pela metade até 2030 a emissão dos gases que agravam o efeito estufa e causam o aquecimento global.

O presidente Jair Bolsonaro, um dos 40 chefes de Estado e de governo convidados, adotou um tom moderado e tentou convencer o mundo de que o Brasil está fazendo sua parte. Mas mentiu ao dizer que reforçou o combate à destruição da Floresta Amazônica e pediu US$ 10 bilhões por ano para fazer o que tem a obrigação de fazer, enquanto não usa US$ 3 bilhões do Plano Amazônia por discordar dos países que o financiam. Meu comentário:

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Macron decreta emergência e impõe toque de recolher em Paris

 No meio de uma segunda onda de contaminação na Europa, com mais de 100 mil contágios por dia na semana passada, a França volta a decretar estado de emergência. Juntas, a Espanha, a França e o Reino Unido tiveram mais casos novos na semana passada do que os Estados Unidos. 

A partir de sábado, por um período de quatro semanas, Paris e outras oito cidades francesas terão toque de recolher noturno das 21h às 6h. A medida poderá ser prorrogada até 1º de dezembro.

No Brasil, foram registradas mais 716 mortes e 26.675 casos novos, elevando o total para 151.776 mortes e quase 5,2 milhões de casos confirmados. A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu mais um pouco para 496.

No mundo inteiro, são de 38,7 milhões de casos confirmados e o total de mortes se aproxima de 1,1 milhão. Meu comentário:

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Camada de gelo do Ártico tem segundo menor tamanho da história

Neste verão no Hemisfério Norte, a camada de gelo do Oceano Ártico atingiu sua segunda menor extensão em mais de 40 anos de monitoramento por satélite, cobrindo apenas 3,74 milhões de quilômetros quadrados, relata o Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos Estados Unidos (NSIDC).

Só em 2012, a camada de gelo do Ártico tinha registrado menos de 4 milhões de km2. É mais um indicador preocupante do aquecimento global causada pela emissão de gases carbônicos pelo homem na atmosfera. "Um clima que era considerado extremo está se tornando a norma", alerta o relatório.

Leia mais na revista científica Nature

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Degelo da Antártida causou forte elevação dos mares há 129 mil anos

Um aumento de menos de dois graus centígrados na temperatura dos mares derreteu a maior parte do gelo da Antártida durante o último período interglacial, entre 129 e 116 mil anos atrás, causando uma elevação de vários metros no nível dos oceanos, de seis a nove metros, concluiu uma pesquisa liderada pela Universidade de Bonn, na Alemanha.

"Não só perdemos uma grande parte da camada de gelo do Oeste da Antártida, como isto aconteceu no início do período interglacial", observou o professor Chris Turney, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, principal autor do relatório.

Por enquanto, com o aquecimento global provocado pelo homem desde o início da Revolução Industrial, a previsão é de uma elevação de 1,5 metro no nível dos mares até 2100, se não houver uma grande redução das emissões de gases carbônicos.

A temperatura média do planeta subiria cinco graus, tornando a vida humana impossível em várias regiões do planeta e a elevação do nível dos oceanos ameaçaria populações que vivem à beira-mar. As secas, enchentes, nevascas, tornados e furacões seriam muito mais violentas.

Ao contrário da camada de gelo do Leste da Antártida, que fica sobre terra firme com elevações, as geleiras do Oeste repousam diretamente sobre o mar.

"O estudo revela como a camada de gelo da Antártida se torna vulnerável quando as águas do oceano esquentam, um cenário observado hoje", comentou Michael Weber, do Instituto de Geociências da Universidade de Bonn.

A pesquisa continua para descobrir se o degelo das camadas do Oeste foram suficientes para explicar a elevação do nível dos mares.

Nesta semana, pesquisadores da base brasileira na Antártida registraram uma temperatura recorde de 20,75ºC no continente gelado.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Conferência do Clima tenta acelerar redução de emissões de gases

Mais uma conferência das Nações Unidas sobre mudança do clima tenta ampliar as metas de redução de emissões de gases carbônicos no combate ao aquecimento global.

Ao abrir hoje a vigésima-quinta Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o secretário-geral da ONU, o ex-primeiro-ministro português António Guterres, elogiou a liderança da juventude na luta contra o agravamento do efeito estufa. Porque os 193 países que assinaram o Acordo de Paris em 2015 não estão cumprindo metas voluntárias que anunciaram desde então.

Se todos os países atingirem suas metas, a temperatura média do planeta deve subir 3 graus e 2 décimos em relação à era pré-industrial. Os cientistas recomendam um grau e meio, no máximo dois, para evitar consequências catastróficas, como fenômenos climáticos mais radicais, furacões, tornados, secas, enchentes, incêndios florestais mais violentos, a destruição de habitats e a extinção de espécies.

O mundo já está um grau e um décimo mais quente do que na metade do século 18 e o impacto é evidente. Por isso, os jovens organizaram “greves do clima”, escolhida como expressão do ano pelo Dicionário Inglês de Oxford, o mais completo do mundo. Meu comentário:

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Onze mil cientistas advertem que crise do clima virou emergência

Um dia depois que o presidente Donald Trump formalizou a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, cerca de 11 mil cientistas de 153 países divulgaram um relatório. Eles advertem que o aquecimento global virou uma situação de emergência capaz de provocar um "sofrimento humano inimaginável", noticiou a televisão pública britânica BBC.

Ao analisar dados de 40 anos, os cientistas acusaram os governos de fracassarem ao enfrentar a crise do clima, deixando que a situação se transformasse em emergência, mas observam o surgimento de um forte movimento cidadão, da sociedade civil, com manifestações públicas, greves de estudantes secundaristas, passeatas e ações judiciais.

Os dados coletados indicam que o mês passado foi o mais quente da história, e os pesquisadores entendem que simplesmente medir a temperatura da superfície da Terra não basta para avaliar os riscos do agravamento do efeito estufa.

Para examinar os sinais vitais da mudança do clima, é importante, dizem os cientistas, observar o crescimento das populações humanas e de animais, o desflorestamento, o consumo de combustíveis fósseis como carvão e petróleo, e o consumo de carne por pessoa.Meu comentário:

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

ONU pede aos países novas metas para conter o aquecimento global

Na abertura da conferência de Cúpula das Nações Unidas para Ação contra a Mudança do Clima hoje em Nova York, a jovem estudante sueca Greta Thunberg, de apenas 16 anos, foi contundente ao se dirigir aos líderes políticos mundiais: "Vocês roubaram meus sonhos e a minha infância. (...) Se fracassarem, nunca serão perdoados pelas novas gerações."

O período de 2014 a 2019 foi o mais quente da história. Depois de novos alertas de cientistas sobre os riscos do aquecimento global e de manifestações de milhões de pessoas nos últimos dias, 66 países se comprometeram a neutralizar até 2050 todas as emissões de gases que agravam o efeito estufa, entre eles a Alemanha, a França e o Reino Unido.

O secretário-geral da ONU, o ex-primeiro-ministro António Guterres, apelou aos líderes nacionais para que passem dos discursos à ação e se comprometam com mudanças reais.

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a organização não governamental Preservação Internacional darão 500 milhões de dólares para o reflorestamento da Amazônia e de outras florestas tropicais.

Uma das marcas da Cúpula de Ação do Clima foram ausências notáveis. A Austrália e o Japão não foram convidados porque apoiam o uso de carvão. A Arábia Saudita e o Brasil foram excluídos de falar por criticar o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, de 2015. O ditador da China, o país que mais emite gases carbônico, Xi Jinping, não foi. O presidente do segundo maior poluidor, os Estados Unidos, Donald Trump, passou rapidamente, mas não discursou. Meu comentário:

domingo, 16 de dezembro de 2018

Conferência de Katowice cria regras para aplicar Acordo de Paris

Apesar da resistência de países como o Brasil, que volta a ser vilão internacional em questões ambientais, o acordo final da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima realizada em Katowice, na Polônia, formulou regras para aplicação do Acordo de Paris, especialmente métodos para medir as emissões de gases carbônicos, que causaram o aquecimento global.

"Acredito que no balanço final o resultado é fantástico", declarou a ministra do Meio Ambiente da Espanha, Theresa Ribera. "Criamos o que parecia ser muito difícil. Quase 200 países concordaram numa série de regras para governar a implementação do pacto de 2015."

O Acordo de Paris sobre Mudança do Clima prevê que cada país estabeleça suas próprias metas, as "contribuições nacionalmente determinadas". Não há imposição alguma. Mas houve problemas.

Sob pressão do Brasil, não foi criado o mercado de créditos de carbono para que os países possam negociar suas reduções de emissões. Pela fórmula apresentada pela diplomacia brasileira, poderia haver uma dupla contagem. O tema ficou para a conferência de 2019, que seria realizada no Brasil. Como o governo Jair Bolsonaro desistiu de realizá-la, o encontro deverá ser no Chile.

Outro problema é a ajuda financeira aos países em desenvolvimento para que adotem práticas ambientais mais saudáveis. Com a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris pelo presidente Donald Trump, o país mais rico do mundo está fora.

Quatro grandes produtores de petróleo, EUA, Rússia, Arábia Saudita e Kuwait, rejeitaram a última avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) sobre os riscos de uma elevação da temperatura de 1,5ºC e 2ºC em relação à média da era pré-industrial.

Hoje, a temperatura média está 1ºC acima da era pré-industrial e já há consequências nefastas, como os incêndios florestais na Califórnia e as ondas de calor.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Brasil tem de zerar desmatamento da Amazônia

O mundo precisa da Amazônia. Não vai conter o aquecimento global sem a grande floresta tropical brasileira, que está perto de chegar ao limite além do qual será praticamente impossível a regeneração. Está na hora de zerar o desmatamento, alertaram ontem os participantes do painel Mudança do Clima e Meio Ambiente nos Diálogos do Amanhã, uma conferência realizada pelo Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e Fundação Konrad Adenauer.

"A Amazônia está no limite", advertiu a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, moderadora do painel sobre o clima. "Temos de evitar o segundo arco do desmatamento."

Nos anos 1950s, só 2% do cerrado eram desmatados; hoje, são 50%. O desmatamento da Amazônia está em 27%. Se chegar a 40%, será irreversível, previu Thelma Krug, vice-presidente do Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

"A Amazônia é crucial", alertou Thelma Krug. O último relatório do IPCC recomenda que o aumento da temperatura média do planeta deve ser contido em 1,5ºC acima da era pré-industrial para evitar impactos desastrosos.

"Hoje, a temperatura está um grau centígrado acima da era pré-industrial", declarou a vice-presidente do IPCC. "Com 1ºC, estamos sentindo impactos atribuídos à mudança do clima como os incêndios na Califórnia. Limitar o aquecimento a 1,5ºC não é impossível, mas requer mudanças sem precedentes. Todo aumento de temperatura é importante. Tem impactos sobre a saúde, morbidade e mortalidade, mais diante muito quentes."

A expectativa do IPCC é que as emissões de gás carbônico sejam zeradas em 2050, com cortes nos clorofluorcarbonetos e no metano, outros gases que agravam o efeito estufa. "Até o final do século, a temperatura média passa de 1,5%. Depois, desce, com reflorestamento em larga escala e bioenergia", previu Krug.

Esta é a previsão otimista. No momento, as contribuições nacionalmente determinadas (NDCs), as metas voluntárias previstas pelo Acordo do Clima assinado em 12 de dezembro de 2015 em Paris, apontam um aumento de 3,2ºC.

"A cooperação internacional é um elemento crítico para os países em desenvolvimento, em capacitação e tecnologia. Até 2050, 75% a 80% da geração de eletricidade precisam vir de fontes renováveis", observou Thelma Krug.

Há um papel para os bancos de desenvolvimento, notou o superintendente de Gestão Pública e Socioambiental do BNDES, Gabriel Visconti: "Os técnicos do BNDES se apresentam para criar uma economia de baixo carbono."

O Brasil tem de parar de desmatar: "É preciso construir uma nova governança. Não dá mais para expandir a fronteira agrícola", afirmou André Guimarães, membro da Coalizão Clima, Florestas e Agricultura e pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

A agricultura brasileira é muito importante. Somando a agroindústria e os serviços de distribuição, o agronegócio responde por 23,5% do produto interno bruto e 20% do emprego, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

"A maior parte da agricultura não é irrigada. Depende da chuva. O mundo tem liquidez. É comprador de serviços ambientais. Ou vemos como oportunidade ou vamos pagar um alto preço", acrescentou Guimarães.

"Cerca de 20% da água doce estão na Amazônia", disse o pesquisador. "Não tem como chegar a 1,5ºC ou 2ºC sem a floresta. Cada árvore bombeia mil litros de água por dia para a atmosfera. São 400 bilhões de árvores."

Essa evaporação cria uma corrente de vapor d'água que bate na Cordilheira dos Andes e desde para o Centro-Sul do Brasil, irrigando a agricultura do Centro-Oeste e do Sudeste. Se olharmos o mapa do mundo, regiões nesta latitude são desérticas, do Chile à Austrália, passando pela África. Sem a máquina de fabricar chuva da Amazônia, o agronegócio acaba.

"Somos uma ilha com a maior parte da população no litoral", comentou o o embaixador do Reino Unido, Vijay Rangajaran. Se as calotas polares derreterem e o nível dos oceanos se elevar, as populações litorâneas e ribeirinhas terão de recuar numa escala sem precedentes. "O Brasil, a China e a Índia são países-chaves."

"O mundo precisa da Amazônia", concluiu o embaixador britânico, mais do que a Amazônia precisa do mundo, não só para conter o aquecimento global, mas como banco genético e riqueza natural de onde podem sair substâncias capazes de virar medicamentos para doenças hoje incuráveis.

Falta convencer os ruralistas e o futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que vê o aquecimento global como uma conspiração marxista para favorecer a China.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Mudança do clima aumenta danos à infraestrutura da Europa

Com o aquecimento global, o risco de grandes desastres provocados pelo colapso de grandes obras de infraestrutura pode aumentar três vezes nos anos 2020s e 10 vezes até o fim do século 21, adverte um estudo publicado hoje pelo Centro de Pesquisas Conjuntas da Comissão Europeia, o órgão executivo da União Europeia.

Nas últimas três décadas, cerca de 90% das catástrofes naturais foram causadas por eventos climatológicos, e eventos extremos tendem a se multiplicar em função do agravamento do efeito estufa.

Os sistemas de comunicações e transportes, abastecimento de água e geração de energia serão os mais atingidos. Pela primeira vez, o estudo Escalada do impacto do clima extremado sobre infraestruturas críticas da Europa calcula o prejuízo financeiro esperado.

A pesquisa examinou sete fenômenos climáticos: ondas de frio e de calor, enchentes e inundações em costas e rios, secas, incêndios selvagens e tempestades de vento.

Hoje, o impacto previsto na Europa é de um prejuízo de 3,4 bilhões de euros (R$ 12,95 bilhões) por ano. Nos anos 2020s, pode chegar a 9,3 bilhões (R$ 35,4 bilhões). Nos anos 2050s, a 19,6 bilhões de euros (R$ 74,64 bilhões). Nos anos 2080s, pode ir a 37 bilhões de euros (R$ 141 bilhões) por ano.

O setor de energia perde hoje meio bilhão de euros (R$ 1,9 bilhão) por ano. Este prejuízo pode chegar a 8,2 bilhões de euros (R$ 31,23 bilhões) nos anos 2080s. No setor de transportes, os danos devem passar dos atuais 0,8 bilhão (R$ 3,05) para 11,9 bilhões de euros (R$ 45,32 bilhões) até o fim do século. O total equivale a 0,12% hoje a 1,37% no futuro do investimento na formação de capital fixo.

Todas as regiões serão atingidas, mas a distribuição geográfica das catástrofes será desigual, com maior impacto no Sul, Sudeste e Sudoeste da Europa, onde as secas e ondas de calor serão mais rigorosas.

Enquanto no Norte da Europa os danos correspondem a menos de 1% do investimento total na formação de capital fixo, nos países do Sul esses percentuais são bem maiores: Croácia (5,21%), Grécia (4,43%), Espanha (4,32%), Portugal (4,29%) e Eslovênia (3,01%).

As áreas costeiras e ribeirinhas estão entre as áreas mais críticas. Além dos países citados acima, isso inclui regiões do Leste, do Centro e do Oeste da Europa, nas Ilhas Britânicas, na Polônia, na República Tcheca, na Bulgária e na a Romênia.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Mar Vermelho esquenta acima da média global

O mar mais quente do mundo está se aquecendo num ritmo mais rápido do que a média global. Isso ameaça sua capacidade de sustentar a vida, adverte um estudo da Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah (KAUST), da Arábia Saudita.

"A taxa global de aquecimento dos oceanos tem muitas consequências para a vida no planeta", comentou a doutoranda Veronica Chaidez. "Agora, estamos sabendo que o Mar Vermelho está esquentando mais rapidamente do que a média global."

É o agravamento do efeito estufa, consequência do aumento da concentração de gases carbônicos na atmosfera da Terra como resultado da atividade industrial humana.

Com base em dados de satélites de 1982 a 2015, os pesquisadores concluíram que a temperatura da água na superfície do Mar Vermelho subiu em média 0,17 grau centígrado por década, superando a média global de 0,11º C por década.

As temperaturas máximas do Mar Vermelho aumentaram de norte a sul. As menores temperaturas foram registradas nos golfos de Suez e Ácaba, no norte, mas ambos aquecem num ritmo de 0,40º C a 0,45º C por décadas, quatro vezes acima da média global.

O norte do Mar Vermelho registra as temperaturas máximas em julho, enquanto o sul do fim de julho a meados de agosto. As temperaturas máximas foram registradas na costa oriental, a cerca de 200 quilômetros da cidade saudita de Jedá, entre o fim de agosto e meados de setembro.

A pesquisa conclui que há necessidade de criar um sistema de monitoramento para acompanhar o impacto do aquecimento global sobre o Mar Vermelho. Normalmente, as espécies marinhas reagem ao aquecimento migrando em direção aos polos. Como o Mar Vermelho fica num espaço quase fechado, o risco para a vida aumenta.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Emissões de gás carbônico estacionam pelo terceiro ano seguido

As emissões de gás carbônico, o maior responsável pelo aquecimento global, praticamente não sobem desde 2013, concluiu a avaliação anual das emissões de gases de efeito estufa do Centro de Pesquisas Conjuntas da União Europeia e da Agência de Avaliação Ambiental da Holanda.

O relatório atualiza os dados do constante monitoramento dos três principais gases de efeito estufa: o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitroso ou monóxido de dinitrogênio.

A China, os Estados Unidos, a Rússia e o Japão reduziram seus emissões de 2015 para 2016, enquanto a União Europeia mantiveram o mesmo nível e na Índia continuam aumentando. Não há dados sobre o metano e o óxido nitroso desde 2012.

O metano é gerado pela produção agrícola, de gás e carvão, assim como do tratamento do lixo. O óxido nitroso está ligado ao uso de fertilizantes na agricultura e à produção industrial. O maior vilão é o gás carbônico produzido pela queima de combustíveis fósseis: carvão, petróleo e gás natural.

Em 2016, as emissões da UE registraram queda de 20,8% em relação a 1990 e 17,9% em comparação com 2005.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Governo Trump acaba com Plano de Energia Limpa de Obama

O governo Donald Trump toma medidas hoje para acabar com o Plano de Energia Limpa do presidente Barack Obama para reduzir as emissões de gases carbônicos para geração de energia elétrica em 32% até 2030 em relação a 2005, anunciou ontem o diretor da Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos, Scott Pruitt.

"A guerra ao carvão acabou", afirmou Pruitt. "Amanhã [hoje], em Washington, vou assinar uma proposta para rever o Plano de Energia Limpa. Não há melhor lugar para fazer este anúncio do que em Hazard, no Kentucky."

Era a grande aposta do governo Obama para cumprir o Acordo do Clima assinado em Paris em 2015.  Em 1º de junho deste ano, Trump anunciou nos jardins da Casa Branca a retirada dos EUA do Acordo de Paris, que prevê a adoção de metas voluntárias por todos os países signatários para reduzir as emissões de gases carbônicos e assim conter o aquecimento do planeta. O processo de retirada leva quatro anos.

É mais uma tentativa de Trump de destruir o legado de seu antecessor sem propor nada construtivo em troca, numa política de terra arrasada, e um triunfo pessoal de Pruitt. Como procurador-geral de Oklahoma, ele liderou mais de 20 estados numa ação contra o governo federal.

Pruitt alegava desde aquela época que o governo Obama e seus antecessores na EPA extrapolaram seus poderes para impor regras que limitem a emissão dos gases que agravam o efeito estufa. A agência só teria o direito de fiscalizar a eficiência das usinas e não de induzir uma transição para fontes não poluentes.

O governo Trump afirma que o fim do Plano de Energia Limpa vai representar uma economia de US$ 33 bilhões.

As usinas termelétricas de carvão e gás natural são responsáveis por um terço das emissões de dióxido de carbono dos EUA. Com o plano, Obama tentava acelerar a transição para fontes renováveis como as energias do sol e do vento.

Um estudo da empresa de consultoria e pesquisa Rhodium Group estimou a queda na emissão de gases de efeito estufa para geração de energia nos EUA entre 2005 a 2030 em 27% a 35%. Se o Plano de Energia Limpa fosse mantido, 21 estados teriam de fazer um esforço maior - inclusive o Texas, a Geórgia, a Pensilvânia e a Virgínia Ocidental. Neste caso, a queda iria além da meta de 32%.

"As usinas de energia elétrica que queimam combustíveis são uma das maiores fontes de poluição e mudança do clima no país. A ciência, o senso comum e a lei ditam que a EPA deve tomar medidas para reduzir estas emissões", declarou o procurador-geral de Nova York, Eric Schneiderman. "Vou usar todos os instrumentos legais para combater esta proposta perigosa."

sexta-feira, 7 de julho de 2017

França quer parar de vender carros poluentes até 2040

Ao apresentar seu plano para combater a mudança do clima e o aquecimento global, o ministro da Transição Ecológica, Nicolas Hulot, previu ontem "o fim da venda de carros a diesel e a gasolina até 2040" na França. O presidente Emmanuel Macron quer defender o Acordo do Clima de Paris, de 2015, abalado com a retirada dos Estados Unidos por ordem do presidente Donald Trump.

O primeiro-ministro Edouard Philippe havia confirmado na terça-feira, em pronunciamento na Assembleia Nacional, os compromissos de não dar novas permissões para a exploração de hidrocarbonetos, a convergência das cargas fiscais sobre diesel e gasolina até 2022, o aumento dos impostos sobre emissões de gás carbônico e a redução das emissões à metade até 2025.

A meta é atingir a "neutralidade de carbono" até 2050. Isso significa que as emissões serão equivalentes à capacidade de absorção dos gases, por exemplo, por florestas.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Obama: "Trump rejeita o futuro"

Logo depois do anúncio do presidente Donald Trump retirando os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, o ex-presidente Barack Obama, que negociou o acordo, reagiu, criticando o sucessor por "rejeitar o futuro".

"As nações que ficarem no Acordo de Paris serão as nações que vão colher os benefícios em empresas e empregos. Eu acredito que os EUA deveriam estar à frente desde grupo", declarou o ex-presidente nas redes sociais.

"Mas mesmo na ausência de liderança americana, mesmo que este governo se junte a um pequeno grupo de nações que rejeitam o futuro, tenho confiança de que os estados, as cidades e as empresas vão se erguer e fazer ainda mais para liderar e ajudar a proteger as futuras gerações do único planeta que temos", acrescentou Obama.

Ao tirar os EUA do Acordo de Paris, assinado por 195 países e só rejeitado até hoje pela Nicarágua e pela Síria, Trump rompe mais uma vez com as políticas ambientais adotadas por Obama, prometendo, por exemplo, revigorar a indústria do carvão. Ninguém considera isso viável economicamente hoje, com o desenvolvimento de fontes renováveis como energia do sol e do vento.