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domingo, 17 de dezembro de 2023

CoP-28 têm avanços importantes mas insuficientes

 Pela primeira vez, uma conferência das Nações Unidas sobre o aquecimento global anunciou uma transição energética dos combustíveis fósseis para fontes renováveis. 

A 28º Conferência das Partes da Convenção Quadro sobre Mudança do Clima (CoP-28), encerrada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, na semana passada também criou o Fundo de Perdas e Danos para indenizar países atingidos por catástrofes climáticas, prometeu triplicar a geração de energia por fontes renováveis até 2030 e reduzir as emissões de gases carbônicos na produção de alimentos.

Por outro lado, não houve o esperado anúncio do fim da era dos combustíveis fósseis, a linguagem a respeito é vaga, a quantia prometida para o Fundo de Perdas e Danos é irrisória diante dos trilhões de dólares para subsidiar combustíveis fósseis e não há qualquer sanção aos países que não cumprirem suas próprias metas voluntárias de redução de emissões.

A CoP-28, realizada no sétimo maior produtor e sexto maior exportador de petróleo, foi fortemente influenciada pela indústria petrolífera. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) exigiu que seus países-membros rejeitassem a proposta de "eliminação gradual" dos combustíveis fósseis (carvão, gás e petróleo), os grandes vilões do aquecimento global.

Com a maior floresta tropical do planeta, uma matriz energética bastante limpa e grande potencial para as energias solar e eólica, o Brasil tem tudo para ser uma grande potência ambiental. Mas o ingresso na OPEP+ e a provável exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas renderam o inglório prêmio de Fóssil do Dia em 4 de dezembro. Meu comentário:

domingo, 20 de novembro de 2022

CoP cria fundo para reparar perdas e danos causados pelo clima

 A 27ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-27) terminou na madrugada deste domingo em Charm al-Cheikh, no Egito, com um acordo para criar um fundo internacional para compensar os países pobres por perdas e danos causados por fenômenos climáticos. 

Não houve grande melhora nas metas voluntárias de redução de emissões de gases de efeito estufa nem os 196 países participantes decidiram abolir o uso de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás), os principais responsáveis pelo aquecimento global.

A promessa de uma ajuda anual de US$ 100 bilhões dos países ricos a partir de 2020 foi feita na CoP-15, em Copenhague, na Dinamarca, em 2009. Seria principalmente para financiar a transição energética para uma economia de baixo carbono. 

Pela primeira vez, será para mitigação, adaptação e reparação de perdas e danos porque é cada vez mais evidente que os fenômenos climáticos estão se tornando mais violentos. 

O aquecimento global está aí. A temperatura média subiu 1,2ºC desde o início da era industrial, em 1750. A meta de limitar este aumento a 1,5ºC, do Acordo de Paris (2015), é cada vez mais inatingível.

PERDAS E DANOS

A conferência deveria terminar na sexta-feira. As negociações se prolongaram por mais 37 horas. Seria um fracasso realizar a reunião na África e não chegar a um acordo sobre perdas e danos. O continente é responsável por menos de 4% das emissões e sofre com secas, enchentes, quebras de safra e fome causadas pelas emergências climáticas.

Os países pobres reivindicam ajuda há 30 anos, desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), quando foi negociada a convenção quadro sobre o clima. Como vai funcionar o fundo será definido no próximo ano por uma comissão formada por 14 países do Sul e 10 do Norte e levado a aprovação na CoP-28, a ser realizada em novembro de 2023 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.. 

Os Estados Unidos e a Europa sempre relutaram porque admitir que houve perdas e danos causados pela produção industrial e por transportes poderia levar os países pobres a processar os ricos porque sofrem mais as consequências de um problema que não causaram.

Os acordos do clima sempre falam em "responsabilidade conjunta, mas diferenciada". O maior ônus deve recair sobre quem poluiu mais. A União Europeia pretende limitar a ajuda aos países em desenvolvimento "realmente vulneráveis". Ofereceu US$ 300 milhões, muito pouco.

Os EUA querem que os grandes emergentes, como a China, a Índia e o Brasil, contribuam para o fundo e não se beneficiem dele. Vai haver resistência no Congresso, onde os republicanos recuperaram a maioria na Câmara. O senador oposicionista John Barrasso alega que o aquecimento global tem de ser enfrentado com inovação tecnológica.

A China é hoje a segunda maior economia do mundo e a maior poluidora, com 28% das emissões. A Índia é a terceira maior poluidora e a quinta maior economia do mundo. Em contraste, o Paquistão, responsável por menos de 1% das emissões, sofreu com uma enchente que alagou um terço de seu território, matou 1,7 mil pessoas e deu um prejuízo de US$ 30 bilhões.

CRISE DE ENERGIA

Sob o impacto da Guerra da Ucrânia e da crise energética causada pelo boicote à Rússia, alguns países, especialmente da Europa, adiaram os planos de transição e voltaram a usar carvão.

Enquanto a UE e mesmo grandes produtores como os EUA, o Canadá, a Noruega e a Colômbia queriam um abandono gradual do petróleo e do gás, a maioria dos países, sob a liderança da China e das monarquias petroleiras do Oriente Médio, preferiu apenas uma redução gradual, sem marcar uma data para o fim da era do petróleo.

Havia um número recorde de 636 lobistas da indústria do petróleo, mais do que o total de delegados da África. 

A presidência egípcia apresentou um texto para não desagradar aos países árabes exportadores de petróleo. A ditadura do marechal Abdel Fattah al-Sissi foi muito criticada por reprimir protestos e perseguir ativistas, inclusive ecologistas.

TEMPERATURA EM ALTA

As metas voluntárias, as contribuições determinadas nacionalmente, são insuficientes para atingir a meta ambiciosa do Acordo de Paris (1,5ºC). Poucos países, entre eles, a Índia, o México, o Vietnã e a União Europeia, melhoraram suas propostas. 

Na situação atual, a previsão é que até o fim do século a temperatura média do planeta suba 2,5ºC. "Este 1,5ºC não é algo que alguém inventou", advertiu o ministro do Clima e do Meio Ambiente da Noruega, Espen Barth Eide.

Ele alertou para a "diferença fundamental entre 1,5ºC e 2ºC", o limite máximo admitido pelo Acordo de Paris. "Países inteiros aqui presentes vão desaparecer da superfície do planeta. A maior parte do gelo do mundo vai derreter. Cidades que amamos e onde vivemos vão sumir."

AVANÇOS

Além do fundo para perdas e danos, um passo positivo foi o diálogo entre o presidente dos EUA, Joe Biden, e o ditador da China, Xi Jinping, na conferência de cúpula do Grupo dos 20 em Báli, na Indonésia, onde prometeram trabalhar juntos na questão do clima. Os dois maiores poluidores e países mais ricos do mundo precisam liderar.

A presença do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, traz o Brasil de volta ao centro das discussões sobre mudança do clima. As promessas de desmatamento zero, de uma aliança mundial para acabar com a fome e uma articulação de países com grandes florestas tropicais para obter financiamento internacional para preservação são boas propostas para o futuro governo, que já reativou o Fundo Amazônia.

Outro avanço foi a decisão de incluir o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) entre as instituições que vão distribuir o dinheiro do fundo de combate à mudança do clima. Isso implica uma reforma destas instituições para apoiar os países mais vulneráveis, inclusive com redução de dívidas para facilitar a transição para uma economia sem combustíveis fósseis. 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Obama: "Trump rejeita o futuro"

Logo depois do anúncio do presidente Donald Trump retirando os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, o ex-presidente Barack Obama, que negociou o acordo, reagiu, criticando o sucessor por "rejeitar o futuro".

"As nações que ficarem no Acordo de Paris serão as nações que vão colher os benefícios em empresas e empregos. Eu acredito que os EUA deveriam estar à frente desde grupo", declarou o ex-presidente nas redes sociais.

"Mas mesmo na ausência de liderança americana, mesmo que este governo se junte a um pequeno grupo de nações que rejeitam o futuro, tenho confiança de que os estados, as cidades e as empresas vão se erguer e fazer ainda mais para liderar e ajudar a proteger as futuras gerações do único planeta que temos", acrescentou Obama.

Ao tirar os EUA do Acordo de Paris, assinado por 195 países e só rejeitado até hoje pela Nicarágua e pela Síria, Trump rompe mais uma vez com as políticas ambientais adotadas por Obama, prometendo, por exemplo, revigorar a indústria do carvão. Ninguém considera isso viável economicamente hoje, com o desenvolvimento de fontes renováveis como energia do sol e do vento.

Trump rompe com o Acordo de Paris

O presidente Donald Trump vai retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, assinado em 2015 por 195 países e ratificado por 147, cumprindo uma promessa de campanha, afirmou há pouco o jornal The Washington Post. A Casa Branca já avisou o Congresso, informou a televisão CNN.

Durante a campanha eleitoral, Trump seguiu o discurso da maioria do Partido Republicano sobre mudança do clima. Ele negou que a atividade industrial humana seja responsável pelo aquecimento global, prometeu eliminar regulamentações ambientais do governo Barack Obama e reativar a indústria do carvão, a mais poluente.

Desde que chegou à Casa Branca, o presidente estava sob pressão do secretário de Estado, Rex Tillerson, ex-diretor presidente da companhia de petróleo Exxon, de vários setores empresariais, da filha e assessora Ivanka Trump, do genro e assessor Jared Kushner e de vários países, especialmente dos aliados europeus, para não abandonar o combate à mudança do clima.

Por outro lado, o assessor e estrategista Steve Bannon e o diretor da Agência de Proteção Ambiental (EPA), Scott Pruitt, cobravam o cumprimento da promessa. O anúncio oficial de Trump sai em minutos.

No Acordo de Paris, pela primeira vez, todos os países do mundo, menos a Nicarágua, a Síria e agora os EUA, se comprometeram a reduzir as emissões de gases que agravam o efeito estufa e aumentam a temperatura média do planeta, com consequências ambientais imprevisíveis. Cada país prometeu adotar medidas voluntárias e apresentar relatórios às Nações Unidas a cada cinco anos.

Para o comentarista Fareed Zakaria, da CNN, "Trump está abdicando da liderança do mundo livre". A China e a União Europeia fazem uma reunião de cúpula hoje e devem se comprometer a manter o processo de combate ao aquecimento global da ONU.

Trump apresentou a decisão como uma defesa da economia e da independência dos EUA: "Fui eleito para representar os cidadãos de Pittsburgh, não de Paris", declarou o presidente no jardim da Casa Branca, descrevendo o Acordo de Paris como lesivo ao país e responsável pela perda de milhões de empregos.

A meta do Acordo de Paris é conter o aumento da temperatura média em dois graus centígrados em relação à era pré-industrial.

Se nada for feito, as temperaturas podem subir 4º C até o fim do século, provocando o derretimento das calotas polares e a elevação do nível dos oceanos, alagando zonas costeiras onde vive grande parte da humanidade. As fenômenos meteorológicos, como secas e enchentes, tendem a se tornar mais violentos, com impacto sobre a produção agrícola e o acesso a água potável.

terça-feira, 28 de março de 2017

Trump revoga plano antiefeito estufa de Obama

Ao assinar hoje o Decreto de Independência Energética, o presidente Donald Trump liberou o uso de carvão por usinas termelétricas e autorizou a exploração de combustíveis fósseis em águas e terras do governo federal dos Estados Unidos e a construção de um gasoduto numa reserva indígena. 

Trump revoga assim o Plano de Energia Limpa do governo Barack Obama (2009-17) e abandona o compromisso dos EUA com o Acordo de Paris para controlar a emissão dos gases que agravam o efeito estufa provando o aquecimento global.

O atual presidente dos EUA e a corrente dominante no Partido Republicano negam que o homem seja responsável pelo aumento da temperatura média do planeta por causa da emissão de gases carbônicos.

Mais de 20 estados, representantes da indústria e empresas processaram a Agência de Proteção Ambiental (EPA) sob a alegação de que o plano de transição para uma economia menos poluente do governo Obama é inconstitucional.

Durante a campanha, Trump prometeu ressuscitar a indústria do carvão e "acabar com todas as regulamentações que prejudicam a geração de empregos". O diretor da EPA nomeado por ele, Scott Pruitt, processou a agência 14 vezes quando era procurador-geral do estado de Oklahoma.

Por outro lado, os procuradores-gerais de 18 estados apoiavam o Plano de Energia Limpa de Obama e podem rejeitar qualquer proposta alternativa de Trump e Pruitt. Pela lei americana, para eliminar regulamentações, é necessário submeter as novas regras a consulta pública, o que pode levar até um ano.

A grande inimiga do Plano de Energia Limpa é a indústria do carvão, a mais poluente. Com o aumento da oferta de gás natural e de energias alternativas como solar e eólica a preços competitivos, o carvão virou uma opção poluente e ineficiente. E mesmo que as minas de carvão voltem a produzir em grande escala, será uma produção mecanizada.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

2015 foi o ano mais quente da história

O ano passado bateu 2014 e foi o ano mais quente desde que os dados começaram a ser compilados, em 1880, anunciaram hoje duas agências do governo dos Estados Unidos, a Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA) e a Administração Nacional de Atmosfera e Oceanos (NOAA), informou o jornal The Washington Post.

"2015 é de longe o ano recordista de todos os conjuntos de dados sobre temperatura", declarou o diretor do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da NASA. "Isso sublinha o fato de que o planeta está realmente se aquecendo, não há mudança no ritmo de aquecimento a longo prazo e nós sabemos por quê."

De acordo com inúmeras pesquisas corroboradas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, do inglês), formado pelas Nações Unidas com cientistas do mundo inteiro, a atividade humana e o aumento das emissões de gás carbônico são responsáveis pelo aquecimento global.

Pelos cálculos da NASA, 2015 foi 0,13 graus centígrados mais quente do que 2014. A NOAA considerou a situação ainda pior, com aumento de temperatura de 0,16º C. Dos 16 anos mais quentes da história, 15 são do século 21, observou a NASA.

"Muitas vezes, quando você olha esses números e quebra um recorde, você quebra por centésimos de grau", comentou o diretor do Centro Nacional para Informação Ambiental da NOAA, Thomas Karl. "Mas esse recorde foi literalmente esmagado. É mais de um quarto de grau Fahrenheit e isso é muito para a temperatura global."

O IPCC já constatou um aumento de 0,85ºC na temperatura média do planeta desde o início da Revolução Industrial, na segunda metade do século 18. Com o recorde do ano passado, esse número estaria perto de um grau centígrado.

Para evitar efeitos catastróficos do clima do planeta, como mais fenômenos meteorológicos radicais, furacões, tornados, secas e enchentes mais violentos, o IPCC recomenda redução de emissões dos gases que agravam o efeito estufa para conter o aquecimento em 2ºC.

Na Conferência da ONU sobre Mudança do Clima realizada em Paris em dezembro de 2015, pela primeira vez, quase todos os países do mundo apresentaram metas voluntárias de redução de emissões. Ainda é muito pouco.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Crescimento de emissões de CO2 deve ficar estagnado em 2015

As emissões globais de gases carbônicos não devem crescer neste ano. Em 2014, as emissões causadas pela queima combustíveis fósseis aumentaram em apenas 0,6%. As projeções para 2015 mostram um segundo ano de crescimento baixo ou até mesmo uma possível queda nas emissões dos gases que agravam o efeito estufa, anunciaram pesquisadores da Universidade de East Anglia (UEA), na Inglaterra, e do Projeto Carbono Global.

O estudo foi publicado hoje na revista científica Nature Climate Change. Os dados também estão disponíveis na revista Earth System Science Data. A pesquisa apontou como maiores poluidores a China (27%), os Estados Unidos (15%), a União Europeia (10%) e a Índia (7%).

Há uma expectativa de queda de 0,6% nas emissões em 2015. Isso já ocorreu antes durante crises econômicas.

"Estes dados certamente não são típicos da trajetória de crescimento vista desde 2000, quando o crescimento anual ficou entre 2% e 3%. O que estamos vendo agora é que as emissões parecem ter estagnado e podem mesmo declinar levemente em 2015", declarou a professora Corinne Le Quéré, diretora do Centro Tyndall na UEA.

Ela faz uma ressalva: "É importante lembrar que nossa projeção para 2015 é uma estimativa e que sempre vai haver uma margem de incerteza. Neste caso, a projeção varia de um declínio global das emissões de até 1,5% até uma pequena alta de 0,5%."

Os cálculos foram feitos com base nos dados disponíveis sobre o consumo da energia na China e nos Estados Unidos e previsões sobre o crescimento econômico no resto do mundo.

"O declínio projetado se deve principalmente à redução no uso de carvão na China", observou a pesquisadora. "Se o crescimento menor nas emissões globais será sustentado depende do uso de carvão na China e em outros países e de onde virá a nova energia. Em 2014, mais de metade das novas necessidades de energia da China veio de fontes como hidrelétrica, nuclear, eólica e solar."

Na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-21), em realização em Paris até 11 de dezembro, a Índia, muito dependente do carvão, resiste às propostas de "descarbonização" da economia.

"Vimos um crescimento menor do consumo global de petróleo em 2014 e um forte crescimento de energia de fontes renováveis em 2014. A capacidade de geração de energia do sol e do vento teve aumentos recordes no ano passado e deve ser ainda maior em 2015", constatou o professor Robert Jackson, da Universidade de Stanford, nos EUA, principal comentarista do artigo publicado na revista Nature Climate Change.

Sem alimentar ilusões, Le Quéré considera "improvável que as emissões tenham chegado ao pico. As necessidades de energia para economias em desenvolvimento ainda são supridas basicamente pelo carvão e a queda nos países industrializados ainda é pequena."

Apesar do baixo crescimento, "ainda emitimos quantidades maciças de gás carbônico anualmente, cerca de 36 bilhões de toneladas de combustíveis fósseis e da indústria", acrescentou a diretora do Centro Tyndall, "mas os líderes da CoP-21 precisam acertar uma redução substancial nas emissões para manter o aquecimento global em dois graus centígrados" em relação à temperatura média no planeta antes da Revolução Industrial.

"A quantidade de gás carbônico na atmosfera chegou a 400 partes por milhão", conclui Le Quéré. "É o nível mais alto em pelo menos 800 mil anos."

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Turquia resgata corpo do piloto do avião russo abatido

A Turquia recebeu o cadáver do piloto do avião de guerra russo derrubado sob a acusação da invadir o espaço aéreo turco. O corpo do tenente-coronel Oleg Pechkov será devolvido à Rússia, revelou ontem o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu, citado pela televisão pública britânica BBC.

Hoje a Rússia rejeitou um convite para um encontro dos presidentes Recep Tayyip Erdogan e Vladimir Putin para um encontro paralelo durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que vai até 11 de dezembro em Paris. A Rússia alega que a Turquia não pediu desculpas.

O Ministério da Defesa da Rússia nega que o caça-bombardeiro Sukhoi Su-24 tenha violado o espaço aéreo turco. Em retaliação, o Kremlin anunciou uma série de sanções econômicas capazes de afetar projetos conjuntos como o gasoduto TurkStream e a primeira usina nuclear da Turquia.

Na operação de resgate do copiloto, o capitão Konstantin Murakhtin, realizada por forças russas e sírias, a Rússia perdeu um fuzileiro naval e um helicóptero.

Mundo discute mudança do clima sem esperança de acordo pra valer

Os chefes de Estado e de governo de cerca de 150 países se reúnem de hoje a 11 de dezembro de 2015 em Paris na 21ª Conferência das Partes (CoP-21) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. O objetivo é chegar a um acordo para conter o aumento da temperatura média do planeta em dois graus centígrados até o fim do século 21. Mas, na melhor das hipóteses, não será um tratado de cumprimento obrigatório.

Desde o início da Revolução Industrial, na segunda metade do século 18, a temperatura média da Terra subiu 0,85ºC por causa do aumento da concentração na atmosfera de gases carbônicos produzidos pelo homem, principalmente através de queima de combustíveis fósseis como gás, carvão e petróleo.

Em 1896, o químico sueco Svante Arrhenius, que viria a ganhar o Prêmio Nobel de Química em 1903, previu que a atividade humana mudaria o clima do planeta.

A atmosfera da Terra funciona como uma espécie de estufa retendo parcialmente o calor dos raios do sol. Sem o efeito estufa, a temperatura média do planeta seria de -16ºC. Com o efeito estufa, fica em torno de 16ºC, o que favoreceu o desenvolvimento de diversas formas de vida.

O aquecimento global causado pelo homem ameaça romper o delicado equilíbrio da natureza. Deve provocar derretimento de geleiras, aumento do nível dos mares, extinção ou migração de seres vivos, e fenômenos climáticos como furacões, tornados, secas e enchentes mais violentos.

Depois da aprovação da Convenção do Clima durante a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em 1992, a partir de 1995 são realizadas todos os anos conferências das partes para tomar as medidas contra o aquecimento global.

Em 1997, foi aprovado o Protocolo de Quioto, pelo qual 37 países ricos e desenvolvidos se comprometeram a reduzir suas emissões de gases estufa em 5% em relação aos níveis de 1990. Essa meta não foi cumprida. O protocolo expirou em 2012 sem nenhum acordo que o substituísse.

Cerca de 10 mil delegados de 195 países e da União Europeia participam da Conferência de Paris, realizada no distrito de Le Bourget, sob a proteção de 2,8 mil policiais e soldados. Outros 6,3 mil agentes de segurança patrulham a capital francesa.

Com as manifestações proibidas por causa do estado de emergência contra o terrorismo, grupos mais radicais desafiaram a polícia da França, jogando inclusive as velas deixadas na Praça da República em homenagem aos mortos em 13 de novembro. Pelo menos 174 ativistas do movimento antiglobalização foram presos.

Um problema central no debate sobre mudança do clima é o argumento dos países em desenvolvimento e de desenvolvimento recente não consideram responsáveis por séculos de Revolução Industrial. Por isso, em Quioto, não foi imposta nenhuma obrigação aos países mais pobres para não comprometer o desenvolvimento.

Com crescimento econômico sem precedentes, nas últimas décadas, a China superou os EUA. É hoje o país mais poluidor da atmosfera, com cerca de 25% dos gases de efeito estufa, em comparação com 12% para os EUA.

Se em 1992, o então presidente americano George W. H. Bush rejeitou qualquer compromisso capaz de reduzir a competitividade da economia dos EUA, hoje Washington exige que grandes países em desenvolvimento como a China e a Índia participem de um acordo.

Na CoP-15, realizada em Copenhague, na Dinamarca, em 2009, os países ricos se comprometeram a dar US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para promover a transição para uma economia de baixo carbono e mitigar os efeitos do aquecimento global. O total deste ano foi estimado em US$ 62 bilhões pelo ministro do Exterior da França, Laurent Fabius, presidente da CoP-21.

O presidente chinês, Xi Jinping, já declarou a intenção de reduzir a emissão de gases carbônicos até 2030. Até lá, falta muito tempo. Com os altíssimos índices de poluição das grandes cidades da China e da Índia, talvez seja possível convencer esses países a tomar medidas sérias antes disso.

Outra questão é que o Partido Republicano dos EUA nega qualquer responsabilidade humana pela mudança do clima. Como a oposição conservadora tem maioria no Senado, um acordo impondo metas de redução de emissões certamente será rejeitado.

Por isso, o secretário de Estado americano, John Kerry, deixou claro que os EUA não vão aceitar nenhum tratado, nenhum acordo que imponha metas de cumprimento obrigatório.

É mais provável portanto que as partes da Convenção do Clima apresentem propostas voluntárias de redução de emissões. Até agora, 183 países, responsáveis por 95% das emissões, fizeram promessas de reduzi-las, anunciou o ministro do Exterior da França, Laurent Fabius.

A presidente Dilma Rousseff chega a Paris no momento em que o Brasil enfrenta seu pior acidente ecológico com a ruptura da barragem da mineradora Samarco, parceria da Vale com a anglo-australiana BHP Billiton, em Mariana, no estado de Minas Gerais, e o desmatamento na Amazônia cresceu 16%. De agosto de 2014 a julho de 2015, a floresta perdeu 5.831 quilômetros quadrados.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Os Desobedientes rejeitam proibição de protestar em Paris

O coletivo Os Desobedientes recusa-se a aceitar a proibição imposta ontem de toda e qualquer manifestação pública durante o estado de emergência decretado pelo presidente François Hollande para combater a onda terrorista na França, noticia o jornal francês Libération.

A Coalizão Clima 21, formada por mais de 130 organizações não governamentais planejava protestar durante a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CoP-21), a ser realizada em Paris de 29 de novembro a 12 de dezembro de 2015. Os grupos mais radicais se negam a aceitar a decisão do governo francês de proibir todos os atos públicos.

"Nós recusamos a estratégia de choque que consiste em usar os atentados trágicos para restringir as liberdades públicas. Nós convocamos a recusar a suspensão do Estado de Direito que constitui o estado de emergência e a ir se manifestar na Praça da República ao meio-dia de 29 de novembro pela justiça climática, a transição ecológica e alternativas ao capitalismo", declararam em nota Os Desobedientes.

O apelo é para que todos protestem "com calma, sem ódio nem violência". O coletivo admite correr perigo, mas alega que "o risco maior é não se manifestar: quantas secas, inundações, fomes, guerras, quantos milhões de vítimas podemos evitar se afirmarmos a voz dos cidadãos do mundo inteiro?"

No momento, por imposição dos Estados Unidos, a CoP-21 não deve aprovar um tratado de cumprimento obrigatório para que os países controlem e reduzam as emissões de gases carbônicos, que agravam o efeito estufa provocando o aquecimento global.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Obama: "Brasil é uma potência global"

Em entrevista na Casa Branca agora ao lado da presidente Dilma Rousseff, o presidente Barack Obama declarou que os Estados Unidos veem o Brasil como uma "potência global" e não apenas regional.

"O Brasil faz parte do Grupo dos Vinte" [maiores economias do mundo], lembrou Obama, "e é fundamental para as negociações de um acordo sobre o clima. Não é possível resolver problemas globais como a mudança do clima e o terrorismo, sem a colaboração de outros países. Dois países sempre terão diferenças", mas isso deve ser considerado normal.

Dilma considerou superado o escândalo de espionagem que a fez cancelar uma visita de Estado prevista para 2013 e declarou que o reatamento EUA-Cuba coloca as relações com a superpotência em novo patamar.

A presidente também destacou a importância econômica dos EUA e fez um paralelo entre os dois países, citando que ambos possuem grandes populações negras e um multiculturalismo em comum.

Diante dos recentes atentados atribuídos ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante fora do Oriente Médio, Dilma afirmou que a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro será realizada com amplas garantias de segurança para atletas, dirigentes, convidados e torcedores.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Papa Francisco lança primeira encíclica verde

Num duro ataque à ganância e ao sistema capitalista, o papa Francisco lançou a primeira encíclica papal dedicada prioritariamente ao meio ambiente, responsabilizando o homem pelo aquecimento global, a poluição, a destruição da natureza, o extermínio de espécies animais e de povos primitivos.

O papa ativista pressiona as grandes potências econômicas a chegar a um acordo para conter o agravamento do efeito estufa na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, marcada para 30 de novembro a 11 de dezembro de 2015, em Paris.

A mobilização de Sua Santidade não surpreende.  Francisco se notabilizou por emitir opiniões sobre temas polêmicos como homossexualidade, pobreza, ganância do setor financeiro, o Genocídio Armênio cometido pelo Império Otomano na Primeira Guerra Mundial e a atual perseguição aos cristãos no Oriente Médio.

Francisco é um jesuíta. Sua ordem foi criada como um instrumento da Igreja Católica na chamada Contrarreforma, uma reação do Vaticano à Reforma Protestante iniciada pelo monge alemão Martinho Lutero, em 1517.

A Companhia de Jesus, fundada em 1534, foi sempre reformista, ativista e fortemente envolvida com a educação. Teve um papel fundamental na evangelização da América Latina e do Brasil, com personagens destacados como os padres José de Anchieta e Antônio Vieira.

Um encíclica papal é uma carta em que o Sumo Pontífice lança as políticas oficiais da Igreja para guiar os outros líderes da Igreja Católica e os fiéis em questões relevantes. Esta foi lançada dias depois do fracasso da conferência preparatória de Berlim, na Alemanha, encerrada em 11 de junho de 2015 sem avançar rumo a um acordo a ser fechado em Paris.

Com pouco mais de seis meses à frente, é improvável que se chegue a um acordo amplo e implementável capaz de conter o aumento da temperatura média do planeta em dois graus centígrados. Acima disso, os cientes do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima temem um aumento significativo de catástrofes naturais como secas, enchentes, furacões e tornados.

Ao longo da história, os papas exerceram papéis negativos e positivos. Sua influência diminui depois da importância de João Paulo II, o papa da Polônia, na fase final da Guerra Fria.

Como argentino e primeiro papa não europeu, Francisco tem influência considerável na América Latina, onde vivem cerca de 40% dos 1,1 bilhão de católicos do mundo. Só o Brasil em 12% dos católicos. Mas nada disso basta para garantir um acordo generoso para combater o aquecimento global.

Uma das primeiras respostas ao papa, antes mesmo da divulgação da encíclica, veio do Partido Republicano dos Estados Unidos, grande defensor da negação de que o homem seja responsável pelo aumento da temperatura da Terra, sob pressão das grandes companhias de petróleo, e do ex-governador da Flórida Jeb Bush, filho e irmão de ex-presidentes e candidato à Casa Branca em 2016.

"Não vou à igreja em busca de orientações políticas e econômicas", declarou Jeb durante a campanha.

Apesar dos esforços do papa Francisco, qualquer acordo a ser fechado em Paris será fraco, sem força para conter a emissão de gases carbônicos, que agravam o efeito estufa e aumentam a temperatura média do planeta.

No momento, com a maioria republicana no Senado, não existe a menor chance de um acordo de redução de emissões ser aprovado nos EUA. E se os EUA não se mexerem, a China, hoje a maior poluidora mundial, também não fará nenhuma concessão.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

EUA e China anunciam acordo histórico sobre o clima

Numa série de entendimentos para melhorar o relacionamento entre as duas maiores potências mundiais, os Estados Unidos e a China anunciaram hoje um acordo sobre o clima capaz de impulsionar as negociações da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima em 2015, em Paris.

Os EUA se comprometeram a cortar até 2025 as emissões de gases carbônicos em 26% a 28% em relação a 2005. A China, hoje o maior poluidor mundial, não se considera responsável pelas emissões do passado. Pela primeira vez, prometeu reduzir gradualmente o aumento das emissões até chegar ao pico em 2030. A partir daí, vão cair.

É pouco, mas é um avanço histórico. Foram nove meses de negociações secretas. Sem um compromisso dos maiores poluidores, dificilmente haveria progresso no próximo ano em Paris rumo a um acordo para substituir o Protocolo de Quioto, que expirou em 2012.

No protocolo assinado em 1997 em Quioto, no Japão, 37 países desenvolvidos se comprometeram a reduzir as emissões de gases que agravam o efeito estufa em 5% em relação a 1990. Não diminuíram. A concentração de gases carbônicos na atmosfera só aumenta, apesar das repetidas advertências do Painel Internacional sobre Mudança do Clima, que reúne cientistas do mundo inteiro.

Um problema para Obama é que o Partido Republicano, que acaba de conquistar a maioria nas duas casas do Congresso dos EUA, ou pelo menos sua ala mais radical, negam que o atividade industrial humana seja responsável pelo aquecimento do planeta.

Em entrevista coletiva neste momento em Beijim, Obama destaca a melhoria nas relações bilaterais nos últimos 43 anos desde a histórica visita de Henry Kissinger a Mao Tsé-tung, em 1971.

O presidente americano citou o extraordinário aumento do comércio bilateral e a cooperação em vários setores, do intercâmbio estudantil ao combate à epidemia de ebola e à estabilidade no Afeganistão. Com o aumento do terrorismo islâmico de radicais da minoria uigur, a China entra na guerra contra o extremismo muçulmano.

Obama reconheceu que a China é uma grande potência, numa grande diferença em relação ao tratamento americano ao país na era Bush (2001-9). Declarou que "o Tibete é parte da República Popular da China" e pediu ao regime comunista chinês que ajude a "preservar sua religião e cultura únicas". Também fez um apelo para que as disputas territoriais entre a China e seus vizinhos sejam "resolvidas pacificamente, de acordo com o direito internacional".

Os dois países vão criar mecanismos para evitar incidentes militares capazes de gerar crises, avisando quando forem fazer manobras militares. Também serão definidos procedimentos para encontros de navios ou aviões de guerra.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

UE promete cortar 40% das emissões de gases do efeito estufa

Depois de oito horas de discussões, a União Europeia chegou na madrugada de hoje a um acordo para reduzir a emissão dos gases que causam o aquecimento global até 2030 em 40% em relação às emissões de 1990, anunciou o presidente executivo do bloco, o ex-primeiro-ministro belga Herman van Rompuy.

O segundo compromisso europeu é aumentar de 14% para 27% a geração de energia por fontes renováveis. Por fim, a UE vai tentar aumentar a eficiência energética em 30% até 2030.

Assim, a Europa espera dar um impulso decisivo na 21ª reunião das partes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a ser realizada em Paris, na França, de 30 de novembro a 11 de dezembro de 2015, rumo a um acordo global para reduzir a emissão dos gases que agravam o efeito estufa e aumentam a temperatura média do planeta com sérios riscos como secas, enchentes, tempestades e elevação do nível dos oceanos.

Mas o sucesso da CoP 21 em chegar a um acordo que substitua o Protocolo de Quioto, de 1997, está longe de ser atingido. Afinal, a UE é responsável hoje por apenas 11% das emissões. Se tomar medidas unilaterais, o impacto será limitado.

A China, maior poluidor mundial, não aceita se comprometer com metas de redução de emissões sob o argumento de que não é responsável pela poluição do passado, quando não era uma potência industrial, e que qualquer limite vai frear o desenvolvimento econômico do país.

Nos Estados Unidos, segundo maior produtor mundial, a provável derrota do Partido Democrata nas eleições para o Congresso de 4 de novembro de 2015 ameaça deixar o presidente Barack Obama em minoria na Câmara e no Senado. Como parte da direita republicana nega que a atividade humana seja responsável pela mudança do clima, a chance de aprovar um acordo internacional é praticamente zero.

Nem mesmo o Protocolo de Quioto, de 1997, negociado com ativa participação do então vice-presidente americano Al Gore, teve chance de ser ratificado pelo Senado dos EUA. O acordo previa uma redução até 2012 de 5% das emissões de 1990 de 37 países industrializados. As economias emergentes e em desenvolvimento foram poupadas porque não eram responsáveis pelas emissões do passado.

Como os EUA rejeitam qualquer solução que não imponha limites aos países emergentes, o impasse entre os dois maiores poluidores dificulta a obtenção de um consenso.

De acordo com os estudos do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, do inglês), que reúne cientistas do mundo inteiro, sem uma ação efetiva para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, a temperatura média da Terra deve subir entre 1,1ºC e 6,4º C no século 21, com forte impacto sobre zonas tropicais, áreas costeiras e a produção agrícola, desequilíbrios climáticos e tempestades mais violentas, secas e enchentes, escassez de água, fome, migrações em massa e conflitos capazes de provocar guerras.