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sexta-feira, 13 de março de 2020

Trump decreta emergência nacional nos EUA por causa do coronavírus

Depois de semanas negando a gravidade da situação, o presidente Donald Trump anuncia em pronunciamento neste momento no jardim da Casa Branca que declarou emergência nacional por causa da pandemia do novo coronavírus. A medida libera US$ 50 bilhões para o combate à doença.

O presidente americano citou a entrevista de hoje do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, dizendo que a Europa é agora o principal foco da pandemia para justificar a decisão anunciada na quarta-feira de proibir a entrada de cidadãos vindos da Europa, com a exceção de cidadãos americanos e residentes nos EUA.

Para se defender das acusações de inação e falta de exames suficientes, Trump alegou ter se reunido há 10 dias na Casa Branca com diretores da indústria farmacêutica e prometeu que 4 milhões de testes estarão disponíveis em duas semanas e, em seguida, 5 milhões, mas suscitou dúvidas sobre a necessidade de tantos exames.

Trump agradeceu ao Google por criar um sítio na Internet para as pessoas avaliarem o risco e entrarem em contato com as autoridades.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Evo Morales, acusado de fraude, denuncia tentativa de golpe na Bolívia

Sob suspeita de fraude, depois de violar a Constituição para concorrer à terceira reeleição, o presidente Evo Morales denuncia uma ameaça de golpe e decreta estado de emergência na Bolívia.

No domingo à noite, com 83% das urnas apuradas, os resultados preliminares indicavam que seria necessário um segundo turno, previsto para 15 de dezembro. Morales tinha 45% dos votos válidos contra 38% do ex-presidente Carlos Mesa, derrubado em 2005 por uma onda de protestos liderada por Morales, na época um líder indígena e sindical. 

Pela lei boliviana, vence no primeiro turno quem conseguir mais da metade dos votos válidos ou 40% dos votos e uma vantagem de pelo menos dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.


Mas, no fim da noite de domingo, o Tribunal Supremo Eleitoral suspendeu a apuração preliminar. Na segunda-feira, quando a contagem manual voto a voto mostrava os dois candidatos com 42% dos votos e uma pequena vantagem para Mesa, a Justiça parou com a apuração voto a voto, retomou a apuração preliminar e anunciou a vitória do atual presidente com 46,86% dos votos válidos contra 36,73% com 95% das urnas apuradas. 


Imediatamente, Mesa rejeitou o resultado oficial e convocou a população boliviana à “resistência democrática”. Manifestantes oposicionistas saíram às ruas para denunciar uma fraude eleitoral. Meu comentário:

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Trump desafia o Congresso e decreta emergência para construir muro

Neste momento, o presidente Donald Trump anuncia em entrevista nos jardins da Casa Branca que vai decretar estado de emergência no Sul dos Estados Unidos para conseguir dinheiro para construir um muro na fronteira com o México, noticiou o jornal The New York Times.

"Vamos enfrentar a crise de segurança nacional na nossa fronteira sul", afirmou Trump. "Vou assinar um decreto de emergência nacional... Estamos falando de uma invasão do nosso país por drogas, traficantes de seres humanos, por todo o tipo de criminosos e gangues."

O estado de emergência permite que o presidente desvie US$ 3,6 bilhões já orçados para obras militares, US$ 2,5 bilhões do programa antidrogas e US$ 600 milhões de um fundo do Departamento do Tesouro para construir o muro.

Junto com US$ 1,375 bilhão aprovado pelo Congresso para segurança na fronteira, terá mais de US$ 8 bilhões para o muro, mais do que os US$ 5,7 bilhões que havia pedido.

A crise foi inventada por Trump. As estatísticas indicam que a imigração ilegal diminuiu, a violência na fronteira também e a maioria das drogas entra pelos postos de fronteira. O presidente nega manipular os dados. Mais uma vez, acusou a rede de televisão CNN de divulgar "notícias falsas”.

Os líderes do Partido Democrata na Câmara, Nancy Pelosi, e no Senado, Chuck Schumer, reagiram declarando que o Congresso "não pode deixar o presidente rasgar a Constituição".

Ontem, Pelosi, que é presidente da Câmara, considerou a emergência um abuso de poder e advertiu que no futuro um presidente democrata pode fazer o mesmo depois de massacres e fuzilamentos.

A oposição democrata pretende aprovar legislação na Câmara para bloquear a iniciativa do presidente, mas depende de votos republicanos para o projeto passar pelo Senado. O estado de emergência também deve ser questionado na Justiça. O caso pode chegar à Suprema Corte.

Durante a entrevista coletiva, o próprio Trump admitiu que não existe uma emergência real na fronteira: "Não precisaria fazer isso. Só quero fazer mais depressa." A declaração certamente será usada contra ele na Justiça.

Desde os anos 1970s, os presidentes dos EUA declararam emergência 58 vezes, das quais 31 continuam em vigor. A maioria está ligada a crises externas, terrorismo e congelamento de bens e ativos de inimigos, e não para redirigir a alocação de recursos orçamentários sem a autorização do Congresso.

Horas depois do anúncio, a organização não governamental Cidadãos por Responsabilidade e Ética em Washington (CREW) entrou na Justiça contra o Departamento da Justiça dos EUA "porque o governo falhou até agora" em explicar por que a questão do muro possa ser considerada uma emergência nacional.

sábado, 9 de junho de 2018

Suprema Corte do Paquistão permite candidatura de ex-ditador

A Suprema Corte do Paquistão autorizou o registro da candidatura do ex-ditador e ex-comandante do Exército general Pervez Musharraf às eleições parlamentares de 25 de julho desde que ele compareça pessoalmente ao tribunal em 13 de junho, noticiou ontem o jornal paquistanês Dawn.

Musharraf está no exílio em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, desde março de 2006. Do exílio, lidera a Liga Muçulmana de Todo o Paquistão. Em 2013, uma decisão da Justiça o desqualificou para exercer cargos públicos pelo resto da vida por ter decretado estado de emergência em 2007, suspendido a Constituição e mandado prender vários juízes.

A decisão da Suprema Corte é um sinal de que um Judiciário cada vez mais independente está disposto a processar um ex-presidente e ex-comandante do Exército. O presidente do supremo tribunal, Mian Sakib Nissar, declarou que Musharraf não será preso se voltar ao país.

O então comandante do Exército voltava de uma viagem ao Sri Lanka quando seu avião teve permissão negada para aterrissar no aeroporto internacional de Caráchi, a maior cidade paquistanesa, em 12 de outubro de 1999, enquanto o primeiro-ministro Nawaz Sharif nomeava outro chefe para as Forças Armadas. Às 2h50 da madrugada, o general fez pronunciamento à nação confirmando o golpe.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

França prorroga estado de emergência até 15 de julho

Por 306 a 28, Senado da França aprovou ontem a quinta prorrogação do estado de emergência decretado pelo presidente François Hollande para combater o terrorismo depois dos atentados de 13 de novembro de 2015. A Assembleia Nacional havia aprovado o projeto na quarta-feira.

Assim, o estado de emergência vai até 15 de julho. Estará em vigor durante as eleições presidencial (23 de abril e 7 de maio) e parlamentares (11 e 18 de junho). Só a Frente de Esquerda e alguns ecologistas votaram contra a medida, considerando-a "ineficaz" e "perigosa" para os direitos humanos.

Nos últimos cinco meses, houve pelo menos 13 tentativas de cometer atentados terroristas na França, declarou o ministro do Interior, Bruno Le Roux, à Assembleia Nacional, ao defender a medida. Mais de 30 suspeitos foram presos, inclusive mulheres e menores de idade.

Ao todo, houve 17 atentados terroristas em 2016 contra sete em 2015, quatro em 2014 e dois em 2013. No momento, 90 pessoas estão em prisão domiciliar.

"Um pouco mais de 2 mil franceses ou residentes habituais da França estão implicados de um modo ou de outro no recrutamento de jihadistas", acrescentou o ministro. Entre eles, pelo menos 700 estão nos campos de batalha da Síria e do Iraque, entre os quais 290 mulheres e 22 menores.

Desde o início de 2016, "mais de 420 indivíduos ligados a redes terroristas foram interpelados", revelou Le Roux. Nos últimos cinco meses, "foram apreendidas 35 armas, sendo duas armas de guerra e duas de longo alcance."

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Caminhão investe contra multidão que festejava Revolução Francesa

Pelo menos 84 pessoas foram mortas e centenas feridas por um caminhão de 19 toneladas jogado contra uma multidão hoje à noite no Sul da França, noticiou o jornal francês Le Figaro.

Dezoito feridos estão em estado gravíssimo. Milhares de pessoas participavam das festividades do Dia da Bastilha, 14 de julho, marco do início da Revolução Francesa de 1789, no Passeio dos Ingleses, na cidade de Nice. 

A maior suspeita é de ataque terrorista. O motorista foi morto pela polícia. A TV BFM fala em mais de 80 mortos, citando como fonte o Ministério Público. O promotor Jean-Michel Prêtre avisou que o balanço é provisório.

Logo depois do espetáculo de fogos de artifício para celebrar a data nacional da França, o caminhão avançou contra a multidão, atropelando pessoas por uma distância de cerca de dois quilômetros. Quando o caminhão parou, o terrorista ainda atacou a multidão a tiros. A polícia encontrou pistolas, bombas e granadas dentro do veículo, mas disse que algumas eram falsas e não representavam perigo.

O jornalista Damien Allemand, editor da versão digital do jornal local Nice-Matin, estava no local: "Quando o show terminou, todos se levantaram ao mesmo tempo. Em direção às escadas, espremidos como sardinhas. Eu ziguezagueiei entre as pessoas atrás do meu scooter, que estava a poucos passos de distância. Ao longe, um ruído. Gritos. Meu primeiro pensamento: alguma pessoa maligna trouxe seus próprios fogos e não os controlou...

"Mas, não", acrescentou o jornalista. "Uma fração de segundo mais tarde, um enorme caminhão branco avançava numa velocidade louca contra as pessoas com golpes de direção para para ceifar o maior número de vidas. Esse caminhão da morte passou a metros de mim e não me dei conta. Vi corpos voarem como peças de boliche, os ruídos, os uivos que não esquecerei jamais. Fiquei paralisado. Não me mexi nem disse nada. Segui com os olhos aquele cortejo fúnebre. Ao redor de mim, o pânico. As pessoas corriam, gritavam, choravam. Aí me dei conta. E corri junto com elas."

Em entrevista à televisão, o vice-governador do departamento dos Alpes Marítimos, Sébastian Humbert, declarou que "o balanço é muito pesado", com "dezenas de mortos", provavelmente "uma trintena", na estimativa inicial. Ele acrescentou que "o motorista foi abatido" porque foi "um ataque criminoso".

O presidente François Hollande estava no Festival de Teatro de Avignon, no Sul do país. Voltou às pressas para Paris, onde participa daqui a pouco de uma reunião de emergência do gabinete de crise no Ministério do Interior. Amanhã, às 9h, o presidente vai reunir o Conselho de Segurança e Defesa no Palácio do Eliseu.

Horas antes, ao discursar na cerimônia oficial em Paris desde 14 de julho, o presidente havia anunciado a suspensão a partir de 26 de julho do estado de emergência decretado depois dos atentados que mataram 132 pessoas na capital francesa em 13 de novembro de 2015. Em janeiro do ano passado, a capital francesa também foi aterrorizada pelo ataque ao jornal humorístico Charlie Hebdo e outras ações nos dias seguintes, que deixaram um total de 17 mortos.

Hollande revelou que assessores militares da França estarão ao lado das forças do Iraque na ofensiva para retomar a segunda maior cidade do país, Mossul, em poder da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante desde 10 de junho de 2014. O Estado Islâmico foi responsável pelos atentados de Paris e é o maior suspeito agora em Nice.

O departamento dos Alpes Marítimos é um dos principais focos do jihadismo na França, observaram vários meios de comunicação regionais. Grande parte do contingente de extremistas muçulmanos franceses que lutam voluntariamente nas guerras civis do Iraque e do Iraque saiu de Nice.

Durante a Euro 2016, a copa europeia de seleções de futebol, encerrada no domingo passado, o ex-prefeito de Nice, Christian Estrosi, atual governador da região da Provença-Alpes-Costa Azul (Paca), instalou detetores de bombas e metais na entrada do chamada zona dos fãs, onde as pessoas assistiram aos jogos em telões. Nice foi a única cidade-sede a fazer isso.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Tunísia prorroga estado de emergência por mais um mês

O presidente Beji Caïd Essebsi prorrogou por mais um mês a partir de hoje o estado de emergência em vigor na Tunísia desde novembro de 2015, informou a Agência France Presse (AFP).

A medida de exceção está em vigor desde que um terrorista suicida se detonou ao lado de um ônibus que transportava membros da guarda presidencial no centro de Túnis, matando 13 pessoas e ferindo outras 16 em 24 de novembro de 2015. O grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria do atentado.

No ano passado, houve outras duas ações terroristas ainda piores na Tunísia. Em 18 de março, três jihadistas atacaram o Museu Nacional do Bardo, uma das principais atrações turísticas da capital, matando 22 pessoas e ferindo outras 50. O governo responsabilizou a rede terrorista Al Caeda no Magrebe Islâmico.

O pior ataque foi na cidade de Sousse. Em 26 de junho, um atirador ligado ao grupo Ansar al-Charia matou 38 pessoas e feriu outras 39 em dois hotéis de luxo frequentados por turistas europeus numa praia do Mar Mediterrâneo.

A Tunísia foi o berço da onda de revoltas populares da chamada Primavera Árabe. Tudo começou quando o jovem universitário desempregado Mohamed Bouazizi se imolou em protestos por ter sua mercadoria de vendedor ambulante confiscada por um fiscal corrupto, em 17 de dezembro de 2010.

Sua morte, em 4 de janeiro de 2011, atiçou a revolta popular. Em 14 de janeiro, caiu o ditador Zine al-Abidine Ben Ali, que estava no poder há 23 anos. O ditador do Egito, Hosni Mubarak, renunciou em 11 de fevereiro, enquanto o homem-forte da vizinha Líbia, Muamar Kadafi, resistiu numa guerra civil que levou a uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), com a autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Kadafi caiu em agosto de 2011, mas até hoje a situação da Líbia não se normalizou. Esta instabilidade e o tráfico de armas levaram à proliferação de milícias extremistas muçulmanas na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.

Se a Tunísia foi o único país onde a Primavera Árabe levou à democracia, ao mesmo tempo a liberdade em meio à crise econômica e política gerou uma grande frustração, especialmente entre os jovens que fizeram a revolução. É o país que mais forneceu voluntários para a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Outros 15 mil foram barrados a caminho dos campos de batalha do Oriente Médio.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Maduro ameaça Assembleia Nacional por rejeitar estado de emergência

Depois da rejeição de seu novo decreto de estado de emergência, o presidente Nicolás Maduro ameaçou a Assembleia Nacional da Venezuela: "Perdeu a vigência política. É uma questão de tempo para que desapareça", informa o correspondente da Folha de São Paulo, Sami Adghirni.

Os deputados alegaram que a medida só agravaria a crise econômica do país. Maduro quer usar o decreto para intervir em empresas privadas do setor de alimentos e se defender da tentativa da oposição de convocar um referendo para revogar seu mandato presidencial.

O líder da oposição, o governador Henrique Capriles, derrotado por pequena margem na eleição presidencial de 2013, instou a população a ignorar o estado de emergência: "Este é um decreto inconstitucional e Maduro não está acima da Constituição. Se Maduro quer aplica este decreto, deve preparar os tanques para a guerra.

Com uma depressão econômica, inflação prevista para chegar a 720% neste ano e desabastecimento generalizado, a Venezuela enfrenta a pior crise econômica da história, consequência das desastrosas políticas do "socialismo do século 21" do finado caudilho Hugo Chávez. Mas o regime chavista insiste em atribuir a culpa a conspirações domésticas e internacionais.

Hoje uma grande manifestação de protesto exigiu que o Conselho Nacional Eleitoral decida logo sobre o pedido inicial de convocação do referendo revogatório, mas foi impedida pela Guarda Nacional Bolivarista de chegar ao centro de Caracas e dispersada com bombas de gás lacrimogênio.

domingo, 15 de maio de 2016

Maduro ameaça confiscar fábricas de alimentos

Para combater a crise de desabastecimento, o presidente Nicolás Maduro ameaçou ontem em discurso em Caracas ocupar e confiscar as fábricas de alimentos que pararem de produzir na Venezuela, noticiou a televisão pública britânica BBC.

A ameaça foi feita depois que a maior companhia do setor, as Empresas Polar, suspenderam a fabricação de cerveja acusando o governo de proibir a importação de cevada.

Além da incompetência do "socialismo do século 21" do finado caudilho Hugo Chávez, a Venezuela foi atingida em cheio pela queda de mais de 60% nos preços internacionais do petróleo nos últimos dois anos. Faltam alimentos, medicamentos e outros produtos básicos, há racionamento de água e energia.

Há dois dias, Maduro decretou estado de emergência alegando haver conspirações domésticas e internacionais para derrubá-lo. A oposição, que desde as eleições parlamentares de dezembro de 2015 dominam a Assembleia Nacional, está recolhendo assinaturas para convocar um referendo para revogar o mandato do presidente.

Até agora, o Conselho Nacional Eleitoral, dominado pelo regime chavista, ainda não revisou as assinaturas da primeira petição. Pela Constituição da República Bolivarista da Venezuela, se o referendo revogatório for aprovado até o fim deste ano, o país deverá realizar nova eleição presidencial.

sábado, 14 de maio de 2016

Maduro impõe estado de emergência na Venezuela

Depois de citar conspiração domésticas e internacionais, inclusive o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o presidente Nicolás Maduro decretou ontem estado de emergência na Venezuela por 60 dias, noticiou a agência Reuters.

A medida suspende as garantias constitucionais como a proteção aos direitos humanos. O anúncio foi feito depois de uma declaração dos serviços secretos dos Estados Unidos de que a economia da Venezuela está à beira do colapso e que isso tende a acabar com o governo Maduro.

Em protesto contra o impeachment de Dilma, Maduro retirou temporariamente o embaixador venezuelano no Brasil.

No ano passado, antes das eleições parlamentares de dezembro, o presidente havia decretado estado de emergência ao longo da fronteira com a Colômbia e estado de emergência econômica, que lhe permite confiscar produtos e fábricas de empresas acusadas de sabotagem.

Com a queda nos preços do petróleo, o produto interno bruto da Venezuela deve acumular uma perda de 20% em dois anos, enquanto a inflação deve chegar a 720% em 2016 e o desabastecimento de produtos básicos atinge níveis alarmantes.

A oposição venezuelana tenta convocar um referendo para revogar o mandato de Maduro e, a pedido do Poder Executivo, o Tribunal Supremo de Justiça pode afastar toda a mesa diretora da Assembleia Nacional, dominada pela oposição depois das eleições parlamentares de 6 de dezembro de 2015.

sábado, 30 de abril de 2016

Iraque declara emergência em Bagdá após invasão do Parlamento

O Iraque decretou estado de emergência na capital hoje depois que centenas de partidários do aiatolá xiita rebelde Muktada al-Sader entraram na chamada Zona Verde do centro de Bagdá e invadiram a sede da Assembleia Nacional para exigir a aprovação de um novo ministério tecnocrático, informou a televisão pública britânica BBC.

Num ato sem precedentes, os militantes xiitas passaram pelas barricadas e postos de controle da ultrafortificada Zona Verde, onde ficam os principais prédios públicos e embaixadas estrangeiras de Bagdá. A polícia usou gás lacrimogênio para dispersar os manifestantes e reforçou os postos de controle, mas uma multidão se concentrou hoje numa praça dentro da Zona Verde para continuar o protesto.

O aiatolá rebelde denuncia a corrupção e a incompetência do governo central iraquiano. Muktada pressiona o primeiro-ministro Haider al-Abadi a formar um ministério de tecnocratas sem vínculo com partidos políticos. Em 30 de abril, seus partidários entraram na Zona Verde e saquearam prédios governamentais.

A mobilização começou em 18 de março com um protesto sentado contra a corrupção e a incompetência fora da Zona Verde. Há mais de um ano, está em discussão uma reforma ministerial anunciada pelo chefe de governo, adiada até agora.

Quando a Organização Bader, de Muktada, entrou na luta, começaram as manifestações de rua. Muktada também lidera sua própria milícia, o Exército Mehdi. Filho de um aiatolá morto pela ditadura de Saddam Hussein, Muktada foi um dos grandes beneficiários da invasão do Iraque pelos Estados Unidos em 2003.

Logo, passou a liderar uma rebelião xiita contra a ocupação estrangeira. Sua milícia atacou as tropas americanas e entrou no conflito sectário com a minoria sunita, que mandava no país durante a ditadura de Saddam Hussein (1979-2003) e desde muito antes, desde que o atual Iraque caiu sob o controle do Império Otomano, em 1638.

Muktada chegou a se refugiar no Irã para escapar da prisão durante a ocupação americana. De volta ao país, lidera um bloco parlamentar de mais de 30 deputados que usa para pressionar o governo de maioria xiita do primeiro-ministro Abadi.

Pelo arranjo de poder da frágil democracia iraquiana, o poder é dividido entre a maioria árabe xiita e as minorias árabe sunita e curda. Muktada quer acabar com o loteamento dos cargos públicos entre os partidos. Ao invadir pacificamente o Parlamento para pressionar os deputados, é a democracia funcionando.

domingo, 17 de abril de 2016

Número de mortos no terremoto no Equador sobe para 233 pessoas

Pelo menos 233 morreram e outras 1,5 mil saíram feridas no terremoto de 7,8 graus na escala Richter que abalou no início da noite de ontem o litoral norte do Equador, anunciou hoje o presidente Rafael Correa.

O maior tremor de terra no país desde 1979 teve epicentro perto da cidade de Muisne, no departamento de Esmeraldas, a 170 quilômetros da capital, Quito, onde o abalo também foi sentido e vários bairros ficaram sem telefone nem energia elétrica. O sismo, a 19 km de profundidade, foi tão forte que derrubou uma ponte em Guaiaquil, no litoral sul.

Houve mortes  nas cidades de Guaiaquil, Manta e Portoviejo, a centenas de quilômetros de distância. O aeroporto de Manta foi fechado depois que a torre de controle desabou, ferindo um controlador de voo e um segurança.

Em Pedernales, uma cidade de 40 mil habitantes próxima do epicentro, milhares de pessoas passaram a noite nas ruas. Várias lojas foram saqueadas.

O prefeito Gabriel Alcivar declarou que a polícia está procurando sobreviventes e assim não tem condições de restabelecer a ordem pública: "Não foi uma casa que desabou. Foi uma cidade inteira."

De volta de uma viagem à Itália, o presidente equatoriano decretou estado de emergência. Dez mil soldados e 3,5 mil policiais foram mobilizados para participar da operação de resgate.

NOTA: no fim do dia, o total de mortos passava de 350. Na segunda-feira, 18 de abril, chegou a 413.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Governo paralelo declara estado de emergência na Líbia

O primeiro-ministro do governo da Líbia não reconhecimento internacionalmente, Khalifa Ghwell, declarou estado de emergência à zero hora de hoje em reação a notícias não confirmadas de que quatro membros de um proposto governo de união nacional teriam chegado à Trípoli, informou hoje o jornal Libya Herald.

Os quatro membros do Conselho Presidencial do Governo do Acordo Nacional estariam num conjunto residencial para preparar a chegada à capital líbia do primeiro-ministro designado, Faiez Serraj, nos próximos dias. A reação de Ghwell indica que o CNG não vai ceder o poder facilmente.

Em seu anúncio à meia-noite, o primeiro-ministro do governo paralelo dominado por milícias jihadistas pediu às "brigadas revolucionárias" a instalação de postos de controle em toda a cidade e a proteção de prédios importantes.

Ghwell representa o Congresso Nacional Geral, o primeiro parlamento formado depois da queda da ditadura de Muamar Kadafi, deposto e morto em 2011, eleito pelo voto popular em 7 de julho de 2012.

A missão do CNG era aprovar uma nova Constituição em um ano e meio. Sem concluir a tarefa dentro do prazo previsto, o CNG foi obrigado a convocar eleições para uma Câmara de Deputados, empossada em 4 de agosto de 2014.

Três semanas depois, uma parte do CNG rejeitou o resultado das urnas e, com o apoio de milícias extremistas muçulmanas, formou um governo paralelo com sede na capital, Trípoli, enquanto o novo parlamento reconhecido internacionalmente funciona em Tobruk. O chamado acordo nacional é uma tentativa de pacificar o país e unificar o governo.

Em 19 de março, houve violência nas ruas da capital líbia entre partidários e adversários do governo de união nacional. Nos últimos meses, membros das milícias jihadistas da cidade de Missurata, tradicionalmente aliadas ao governo paralelo, se aproximaram do Ocidente e passaram a apoiar o acordo nacional.

Diante do fracasso das negociações de paz e da instalação na Líbia da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, aumenta a possibilidade de uma nova intervenção militar ocidental no país. Ela depende da existência de um único governo.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Atentado terrorista mata 12 guardas presidenciais na Tunísia

O presidente Beji Caïd Essebsi decretou hoje estado de emergência por 30 dias na Tunísia depois de um ataque a um ônibus da guarda presidencial que deixou 12 mortos e 18 feridos na capital. Túnis está sob toque de recolher noturno das 21h às 5h.

A Tunísia é o país onde começou a chamada Primavera Árabe e o único em que a revolução levou à democracia. A abertura política levou ao fortalecimento de partidos islamitas e de movimentos jihadistas. Pelo menos 3 mil tunisianos se alistaram para lutar ao lado do Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Dois importantes advogados defensores dos direitos humanos foram mortos nos últimos anos por extremistas muçulmanos. Em 18 de março de 2015, 22 pessoas, na maioria turistas europeus, foram mortas num ataque ao Museu do Bardo, em Túnis. Os terroristas morreram e não foi esclarecido a que grupo pertenciam.

Mais mortal ainda foi o ataque à praia de Sousse. Em 26 de junho, Seifeddine Rezgui disparou com um fuzil de guerra Kalachnikov contra pessoas que estavam na praia perto de um hotel de cinco estrelas de uma companhia espanhola, matando 39 pessoas antes de ser morto. O Estado Islâmico reinvidicou a autoria desse atentado.

Uma turista luso-brasileira de 76 anos, Maria da Glória Moreira, morreu em Sousse, tornando-se a primeira vítima brasileira do Estado Islâmico.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

"A França é ardente, faz festa, ama o rock, o vinho e fazer amor"

Com 336 votos e 12 abstenções, o Senado da França aprovou hoje a extensão por 90 dias do estado de emergência decretado pelo presidente François Hollande para combater os terroristas que atacaram Paris na sexta-feira, 13 de novembro de 2015, matando 130 pessoas. Durante o debate, o líder da bancada do Partido Socialista exaltou a cultura francesa.

"A França é ardente, ela faz festa, ela ama o rock e o vinho, ama fazer amor", declarou o senador Didier Guillaume. "A França é bela quando é solidária. Nos devemos ter orgulho de sermos franceses."

O primeiro-ministro Manuel Valls anunciou que a lei será sancionada imediatamente. Pela Constituição da França, o presidente só pode decretar estado de emergência por oito dias. Além disso, a medida precisa ser aprovada pelo Congresso.

Durante reunião dos ministros do Interior e da Justiça, a União Europeia decidiu criar um banco de dados pan-europeu de informações criminais, a exemplo do utilizado em aeroportos para prevenir atentados terroristas.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Os Desobedientes rejeitam proibição de protestar em Paris

O coletivo Os Desobedientes recusa-se a aceitar a proibição imposta ontem de toda e qualquer manifestação pública durante o estado de emergência decretado pelo presidente François Hollande para combater a onda terrorista na França, noticia o jornal francês Libération.

A Coalizão Clima 21, formada por mais de 130 organizações não governamentais planejava protestar durante a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CoP-21), a ser realizada em Paris de 29 de novembro a 12 de dezembro de 2015. Os grupos mais radicais se negam a aceitar a decisão do governo francês de proibir todos os atos públicos.

"Nós recusamos a estratégia de choque que consiste em usar os atentados trágicos para restringir as liberdades públicas. Nós convocamos a recusar a suspensão do Estado de Direito que constitui o estado de emergência e a ir se manifestar na Praça da República ao meio-dia de 29 de novembro pela justiça climática, a transição ecológica e alternativas ao capitalismo", declararam em nota Os Desobedientes.

O apelo é para que todos protestem "com calma, sem ódio nem violência". O coletivo admite correr perigo, mas alega que "o risco maior é não se manifestar: quantas secas, inundações, fomes, guerras, quantos milhões de vítimas podemos evitar se afirmarmos a voz dos cidadãos do mundo inteiro?"

No momento, por imposição dos Estados Unidos, a CoP-21 não deve aprovar um tratado de cumprimento obrigatório para que os países controlem e reduzam as emissões de gases carbônicos, que agravam o efeito estufa provocando o aquecimento global.

Assembleia Nacional da França prorroga estado de emergência

Por 551 a 6 votos, pedido do presidente François Hollande, a Assembleia Nacional da França decidiu hoje prorrogar por três meses o estado de emergência decretado depois da onda de terror em Paris. A medida permite à polícia revistar residências e prender suspeitos sem autorização judicial, dissolver grupos radicais, bloquear sítios de Internet e redes sociais.

Como o jornal americano The Washington Post, citado por este blog, antecipou ontem, o suposto mandante dos atentados na capital francesa, Abdelhamid Abaaoud, foi morto no ataque da polícia e do Exército da França contra um apartamento alugado por terroristas na cidade de Saint-Denis, na Grande Paris. O anúncio oficial foi feito hoje à Assembleia pelo primeiro-ministro Manuel Valls.

Além da onda de terror em Paris, Abaaoud seria responsável por quatro de seis atentados frustrados nos últimos meses, declarou o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve. Em seu discurso, o primeiro-ministro Valls advertiu para o risco de ataques químicos ou biológicos.

Neste momento, a polícia francesa realiza uma operação em Aulnay-sous-Bois, no apartamento da mãe da jovem terrorista suicida que se autodetonou ontem em Saint-Denis depois de tentar atrair policiais para uma cilada alegando ter sido sequestrada.

"Todo o bairro está cercado pela polícia. Eles não deixam entrar nem sair ninguém. A Rua Edgar Degas está totalmente fechada", contou à Agência France Presse (AFP) um morador da cidade de 3 mil habitantes.

A Festa das Luzes, que seria realizada no início de dezembro na cidade francesa de Lyon, foi cancelada. Será transformada numa série de homenagens às vítimas do terrorismo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Extrema direita se beneficia com a tragédia em Paris

Ao comentar o discurso do presidente François Hollande no Congresso da França, a líder da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen saudou como vitória as "inflexões" do presidente, a "evolução das relações com a Rússia", que financia a ultradireita francesa, "a reconstituição dos efetivos policiais" e o "congelamento da redução dos efetivos militares". Mas advertiu que elas são "enfraquecidas por outras lacunas enormes" nas "fronteiras europeias" e no "combate ao islamismo".

No discurso de Marine Le Pen e da Frente Nacional, "o imigrante de hoje é o terrorista de amanhã".

O presidente francês deixou claro que a guerra é contra um grupo extremista que distorce a religião muçulmana e não contra o islamismo, seguindo aliás a mesma orientação do presidente George W. Bush depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos. Mas o aumento da islamofobia será inevitável.

A Grande Recessão fortaleceu os partidos de extrema direita em todos os países europeus e a crise dos refugiados das guerras, da miséria e da fome na África e no Oriente Médio agravou ainda mais a situação. Um dos terroristas suicidas do Estádio da França tinha um passaporte falso de refugiado sírio.

Antieuropeia, a FN quer acabar com o Acordo de Schengen, que permite a livre circulação sem controle de fronteiras entre os países membros da União Europeia, e tenta barrar a entrada de refugiados e imigrantes, especialmente muçulmanos.

"Como a Terra é redonda", diz o pensador italiano Umberto Eco, "os extremos se encontram". O discurso xenofóbico da extrema direita explora o medo do outro e do estrangeiros associando muçulmanos e refugiados ao terror.

Até agora, os terroristas identificados são belgas e franceses, descendentes de imigrantes que não se integraram plenamente à sociedade europeia e se sentem marginalizados. São inimigos internos. Essa fratura social decorrente mais de desigualdade social do que de um suposto choque de civilizações alimenta os discursos de ódio dos terroristas e da ultradireita.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Maduro prorroga estado de emergência na fronteira com a Colômbia

Em decreto publicado hoje no Diário Oficial da Venezuela, o presidente Nicolás Maduro prorrogou por 60 dias o estado de emergência em várias cidades da fronteira com a Colômbia no estado de Táchira sob o pretexto de combater o contrabando e outros crimes.

Os municípios incluem Bolívar, Capacho Novo, Capacho Velho, Pedro María Urena e Rafael Urdanetta.

O estado de emergência foi imposto em 21 de agosto, depois de um incidente em que quatro soldados venezuelanos foram feridos. Com o subsídio que faz a gasolina custar centavos de dólar e o controle de preços, as mercadorias venezuelanas são muito mais baratas do que do outro lado da fronteira, estimulando o contrabando.

Já o conflito com a Colômbia, aliada dos Estados Unidos no combate ao tráfico de drogas e aos grupos guerrilheiros de esquerda, faz parte das jogadas políticas do regime chavista desde a ascensão ao poder de Hugo Chávez, em 1999.

Com a crise econômica, recessão de 10%, desabastecimento generalizado e inflação rondando os 200% ao ano, as pesquisas preveem uma derrota fragorosa do governo nas eleições parlamentares de 6 de dezembro de 2015. Desde já, Maduro e o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) acusam os inimigos internos e externos, inclusive a Colômbia.

A última de Maduro foi pedir a abertura de processo contra o presidente do grupo Polar, dono de redes de supermercados, porque em conversa telefônica grampeada com o economista Ricardo Hausmann, professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, disse que a Venezuela deveria pedir um empréstimo de emergência de US$ 15 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI). A escuta telefônica é ilegal e discutir opções para sair do caos econômico está longe de ser golpismo.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Maduro prorroga estado de emergência na Venezuela

O presidente Nicolás Maduro prorrogou hoje o estado de emergência nas cidades de Guajira, Mara e Almirante Padilla, no estado de Zulia, na Venezuela, informou o jornal El Universal. Também fechou a fronteira com a Colômbia em Paraguachón, no mesmo estado.

Nas últimas semanas, Maduro decretou emergência e fechou várias passagens de fronteira com a Colômbia no estado de Táchira depois de incidentes entre soldados venezuelanos e contrabandistas. Procura uma desculpa para manipular ainda mais as eleições parlamentares convocadas sob pressão internacional para 6 de dezembro de 2015.

Com a inflação para este ano estimada em 200%, recessão de 7% e desabastecimento de 75% dos produtos normalmente encontrados em supermercados, o governo está 20 pontos percentuais atrás da oposição nas pesquisas pré-eleitorais.

Sem a menor intenção de ceder o poder, o regime chavista barrou as candidaturas de vários líderes da oposição e denuncia uma série de conspirações internacionais sem apresentar provas convincentes. A Colômbia, alinhada com os Estados Unidos, é um bode expiatório frequente desde os governos do finado caudilho Hugo Chávez (1999-2013).