Em decreto publicado hoje no Diário Oficial da Venezuela, o presidente Nicolás Maduro prorrogou por 60 dias o estado de emergência em várias cidades da fronteira com a Colômbia no estado de Táchira sob o pretexto de combater o contrabando e outros crimes.
Os municípios incluem Bolívar, Capacho Novo, Capacho Velho, Pedro María Urena e Rafael Urdanetta.
O estado de emergência foi imposto em 21 de agosto, depois de um incidente em que quatro soldados venezuelanos foram feridos. Com o subsídio que faz a gasolina custar centavos de dólar e o controle de preços, as mercadorias venezuelanas são muito mais baratas do que do outro lado da fronteira, estimulando o contrabando.
Já o conflito com a Colômbia, aliada dos Estados Unidos no combate ao tráfico de drogas e aos grupos guerrilheiros de esquerda, faz parte das jogadas políticas do regime chavista desde a ascensão ao poder de Hugo Chávez, em 1999.
Com a crise econômica, recessão de 10%, desabastecimento generalizado e inflação rondando os 200% ao ano, as pesquisas preveem uma derrota fragorosa do governo nas eleições parlamentares de 6 de dezembro de 2015. Desde já, Maduro e o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) acusam os inimigos internos e externos, inclusive a Colômbia.
A última de Maduro foi pedir a abertura de processo contra o presidente do grupo Polar, dono de redes de supermercados, porque em conversa telefônica grampeada com o economista Ricardo Hausmann, professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, disse que a Venezuela deveria pedir um empréstimo de emergência de US$ 15 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI). A escuta telefônica é ilegal e discutir opções para sair do caos econômico está longe de ser golpismo.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 20 de outubro de 2015
Maduro prorroga estado de emergência na fronteira com a Colômbia
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
"Grécia não pode ser rica como a Irlanda"
Nem a austeridade fiscal monetarista imposta pela Alemanha num um estímulo fiscal keynesiano é capaz de salvar a Grécia, adverte hoje o professor venezuelano Ricardo Hausmann, ex-economista do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e atual diretor do Centro de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard nos Estados Unidos.
Em artigo no jornal inglês Financial Times, principal diário econômico-financeiro da Europa, o economista observa que, ao contrário da Irlanda, a Grécia não fábricas máquinas, eletroeletrônicos nem produtos químicos, produtos com alto valor agregado. Sem uma profunda reforma econômica para aumentar sua competitividade, não terá como manter o nível de renda atingido com a adesão à união monetária europeia.
O déficit nas contas externas da Grécia foi de 8,6% do produto interno bruto em 2011. Isso é insustentável, alerta Hausmann. Para sair desta situação, os gregos precisam exportar mais ou gastar menos.
Como um em cada quatro dólares gastos pelos gregos vai para o exterior, o professor calcula que seria necessária uma queda de 25% no PIB para promover o ajuste. Isso é politicamente inviável.
Para acertar as contas via comércio exterior, será preciso aumentar as exportações em 50%. Não é fácil para um país sem a opção de desvalorizar sua moeda para aumentar a competitividade. O setor de turismo, um dos mais importantes da Grécia, teria de crescer três vezes. Isso é improvável.
Além de não poder desvalorizar a moeda sem uma catastrófica saída da Zona do Euro, falta à Grécia a produtividade para vender produtos de alto valor agregado. No Atlas da Complexidade Econômica, Hausmann e outros economistas calcularam a quantidade de conhecimento agregado em 128 países.
Um país com elevado nível de "conhecimento produtivo" exporta produtos de alto valor agregado, de alto conteúdo tecnológico, o que também não é o caso do Brasil, com a exceção dos aviões da Embraer. De cada 10 dólares movimentados no mundo pelo setor de tecnologia da informação, só um centavo vai para a Grécia.
Em contraste, a Irlanda, abalada por sua pior crise econômica desde que aderiu à então Comunidade Econômica Europeia, em 1973, fruto do estouro de uma bolha no mercado imobiliário e da decisão do governo de salvar bancos, conseguiu rapidamente obter um saldo positivo na conta corrente porque durante décadas atraiu empresas estrangeiras de alta tecnologia como a Apple e a Microsoft.
"A Irlanda tem o que precisa para ser rica como é agora", conclui Hausmann. "A Grécia deve aproveitar o apoio internacional para reduzir em vez de adiar a dor do ajuste. (...) Precisa aumentar sua base de exportações. Tem de atrair exportadores com investimentos em infraestrutura, formação profissional, pesquisa e desenvolvimento".
O economista sugere a criação de uma agência de desenvolvimento industrial como a da Irlanda. Hausmann tem uma boa notícia: dos países estudados no atlas, a Grécia é o segundo, depois da Índia, em melhores condições para se tornar um exportador de produtos de alto conteúdo tecnológico.
"Infelizmente", conclui o professor de Harvard, "esta lição não está sendo observada e a Grécia está cada vez mais perto do abismo."
Em artigo no jornal inglês Financial Times, principal diário econômico-financeiro da Europa, o economista observa que, ao contrário da Irlanda, a Grécia não fábricas máquinas, eletroeletrônicos nem produtos químicos, produtos com alto valor agregado. Sem uma profunda reforma econômica para aumentar sua competitividade, não terá como manter o nível de renda atingido com a adesão à união monetária europeia.
O déficit nas contas externas da Grécia foi de 8,6% do produto interno bruto em 2011. Isso é insustentável, alerta Hausmann. Para sair desta situação, os gregos precisam exportar mais ou gastar menos.
Como um em cada quatro dólares gastos pelos gregos vai para o exterior, o professor calcula que seria necessária uma queda de 25% no PIB para promover o ajuste. Isso é politicamente inviável.
Para acertar as contas via comércio exterior, será preciso aumentar as exportações em 50%. Não é fácil para um país sem a opção de desvalorizar sua moeda para aumentar a competitividade. O setor de turismo, um dos mais importantes da Grécia, teria de crescer três vezes. Isso é improvável.
Além de não poder desvalorizar a moeda sem uma catastrófica saída da Zona do Euro, falta à Grécia a produtividade para vender produtos de alto valor agregado. No Atlas da Complexidade Econômica, Hausmann e outros economistas calcularam a quantidade de conhecimento agregado em 128 países.
Um país com elevado nível de "conhecimento produtivo" exporta produtos de alto valor agregado, de alto conteúdo tecnológico, o que também não é o caso do Brasil, com a exceção dos aviões da Embraer. De cada 10 dólares movimentados no mundo pelo setor de tecnologia da informação, só um centavo vai para a Grécia.
Em contraste, a Irlanda, abalada por sua pior crise econômica desde que aderiu à então Comunidade Econômica Europeia, em 1973, fruto do estouro de uma bolha no mercado imobiliário e da decisão do governo de salvar bancos, conseguiu rapidamente obter um saldo positivo na conta corrente porque durante décadas atraiu empresas estrangeiras de alta tecnologia como a Apple e a Microsoft.
"A Irlanda tem o que precisa para ser rica como é agora", conclui Hausmann. "A Grécia deve aproveitar o apoio internacional para reduzir em vez de adiar a dor do ajuste. (...) Precisa aumentar sua base de exportações. Tem de atrair exportadores com investimentos em infraestrutura, formação profissional, pesquisa e desenvolvimento".
O economista sugere a criação de uma agência de desenvolvimento industrial como a da Irlanda. Hausmann tem uma boa notícia: dos países estudados no atlas, a Grécia é o segundo, depois da Índia, em melhores condições para se tornar um exportador de produtos de alto conteúdo tecnológico.
"Infelizmente", conclui o professor de Harvard, "esta lição não está sendo observada e a Grécia está cada vez mais perto do abismo."
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Partidos gregos anunciam acordo sobre dívida
Os principais partidos políticos da Grécia anunciaram há cerca de meia hora que chegaram a um acordo para cortar ainda mais gastos públicos para adaptar o orçamento à realidade de uma economia deprimida por cinco anos de recessão.
As novas medidas são essenciais para que o país receba mais uma parcela de ajuda internacional em março para honrar os pagamentos de sua dívida pública. Faltam ainda a aprovação do parlamento, onde a votação está prevista para domingo, e a aplicação das medidas na prática.
Mais 15 mil funcionários públicos serão demitidos, entre outras providências, como redução no salário mínimo e nas aposentadorias.
Ontem houve mais uma greve geral de protesto, mas o país está quebrado e depende da ajuda internacional. Foram queimadas bandeiras da Alemanha, que está impondo uma rígida disciplina fiscal porque não quer pagar a conta e dar a impressão de que há uma saída indolor para os países com problemas.
Dentro de algumas horas, o Conselho de Ministros das Finanças da União Europeia faz nova reunião para discutir um segundo pacote de ajuda à Grécia, que chegaria a 130 bilhões de euros, além dos 110 bilhões aprovados em maio de 2011.
A liberação da próxima parcela do primeiro empréstimo depende das novas medidas para reduzir o déficit nas contas públicas gregas.
Há um debate entre a Alemanha, que exige uma disciplina fiscal draconiana, e o Fundo Monetário Internacional. Para a diretora-geral do FMI, Dominique Lagarde, a austeridade não basta. Está criando uma situação política insustentável na Grécia. O país precisa de reformas econômicas que aumentem sua produtividade.
As novas medidas são essenciais para que o país receba mais uma parcela de ajuda internacional em março para honrar os pagamentos de sua dívida pública. Faltam ainda a aprovação do parlamento, onde a votação está prevista para domingo, e a aplicação das medidas na prática.
Mais 15 mil funcionários públicos serão demitidos, entre outras providências, como redução no salário mínimo e nas aposentadorias.
Ontem houve mais uma greve geral de protesto, mas o país está quebrado e depende da ajuda internacional. Foram queimadas bandeiras da Alemanha, que está impondo uma rígida disciplina fiscal porque não quer pagar a conta e dar a impressão de que há uma saída indolor para os países com problemas.
Dentro de algumas horas, o Conselho de Ministros das Finanças da União Europeia faz nova reunião para discutir um segundo pacote de ajuda à Grécia, que chegaria a 130 bilhões de euros, além dos 110 bilhões aprovados em maio de 2011.
A liberação da próxima parcela do primeiro empréstimo depende das novas medidas para reduzir o déficit nas contas públicas gregas.
Há um debate entre a Alemanha, que exige uma disciplina fiscal draconiana, e o Fundo Monetário Internacional. Para a diretora-geral do FMI, Dominique Lagarde, a austeridade não basta. Está criando uma situação política insustentável na Grécia. O país precisa de reformas econômicas que aumentem sua produtividade.
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