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sábado, 3 de janeiro de 2026

Trump captura Maduro e ameaça controlar a Venezuela

Depois de poucas semanas de cerco, forças de operações especiais do Exército dos Estados Unidos capturaram na madrugada de hoje em Caracas o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua mulher, Cilia Flores. Os dois já estão em Nova York, onde serão processados por terrorismo e tráfico de drogas. 

A ação é ilegal à luz do direito internacional. Trump declarou que vai governar a Venezuela e controlar as reservas de petróleo do país, as maiores do mundo, até "uma transição segura, apropriada e judiciosa."

Desde agosto, os EUA enviaram forças militares para o Mar do Caribe perto da costa da Venezuela. Depois de atacar pequenos barcos que acusou de tráfico de drogas, Trump ordenou um bloqueio a navios petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela.O petróleo é fundamental para a economia venezuelana, que tem as maiores reservas mundiais, 303 bilhões de barris.

Na madrugada hoje, 150 aviões de guerra participaram da operação, que começou com bombardeio de sistemas de defesa antiaérea e arsenais das Forças Armadas da Venezuela. Uma grande explosão atingiu o Forte Tiúna, em Caracas, onde estava o ditador venezuelano. Trump disse que a captura de Maduro em si durou apenas 47 segundos.

Vários países, inclusive o Brasil, o México e a Colômbia, condenaram o ataque. A China alertou para o risco de desestabilização da América Latina. A União Europeia pediu uma transição pacífica e democrática.

Trump conquistou uma vitória tática importante que não garante o sucesso de sua estratégia para a América Latina. O grande problema das intervenções militares é o dia seguinte. O recado é que os EUA pretendem usar a força onde e quando quiserem.
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segunda-feira, 29 de julho de 2024

Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela anuncia vitória de Maduro

Depois de muita tensão e ataques de encapuçados a lugares de votação, o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela acaba de anunciar a vitória do ditador Nicolás Maduro. Com 80% das urnas apuradas, supostamente Maduro recebeu 5.150.092 votos (51,2%) contra 4.496.978 (44,2%) para o oposicionista Edmundo González. É mais uma eleição fraudada pela ditadura chavista.

O CNE declarou que houve um ataque terrorista ao sistema de votação que será investigado. Maduro prometeu uma punição rigorosa. O alvo de sua ameaça é a líder oposicionista María Corina Machado, que era a favorita para ser a candidata da oposição, mas foi considerada inelegível pela Corte Suprema, conivente com a ditadura.

A oposição convocou o povo a sair às ruas pacificamente com toda a família para evitar uma repressão violenta e acusações do governo de que querem a violência, "É uma festa cívica", disse María Corina, e "ninguém leva a família para atos de violência".
 
O governo brasileiro, aliado da ditadura de Maduro, enviou o assessor de política internacional do Palácio do Planalto, o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, como observador da eleição. Vamos ver qual a reação do governo Lula diante de mais uma farsa eleitoral na Venezuela.

domingo, 28 de julho de 2024

Dois lados se preparam para cantar a vitória na Venezuela

As pesquisas de boca de urna são proibidas na Venezuela, mas foram realizadas mesmo assim e apresentaram resultados totalmente divergentes por grandes margens antes da divulgação do resultado oficial. Tudo indica que a ditadura de Nicolás Maduro e a oposição, representada pelo diplomata Edmundo González Urrutia, devem reivindicar a vitória na eleição presidencial de hoje.

Às 18h pela hora local (19h em Brasília), a empresa Edison Research anunciou, depois de entrevistar 9.846 eleitores em 100 locais de votação, que 65% votaram em González e 31% em Maduro. 

Mais cedo, ao meio-dia, a agência Hinterlaces, ligada ao regime venezuelano, declarou que 61,5% dos eleitores havia votado, 54,6% no governo e 42,8% na oposição. O instituto de pesquisas Meganalisis contestou estes números, dizendo que às 11h só 41% haviam votado, 65,3% em González e só 13,1% em Maduro.

A oposição acusa a ditadura de negar acesso aos locais de votação e ao Conselho Nacional Eleitoral para poder fiscalizar a apuração. Um homem morreu e outras duas pessoas foram feridas quando encapuçados atacaram cidadãos que faziam vigília no centro de votação John Kennedy, em Guácimos, no estado de Táchira.

Os governos de direita e centro-direta Argentina, Uruguai, Equador, Paraguai, Peru, Panamá, Costa Rica e República Dominicana, e o governo de esquerda do Chile exigiram que os fiscais tenham acesso às atas de votação e que o resultado seja respeitado.

Maduro é herdeiro do caudilho Hugo Chávez, que ganhou a eleição de 1998, seis anos depois de liderar uma tentativa de golpe contra o presidente Carlos Andrés Pérez, em 4 de fevereiro de 1992. Chávez foi reeleito em 2000, 2006 e 2012, e morreu de câncer em 5 de março de 2013, sendo sucedido por Maduro, seu vice-presidente.

O atual presidente foi eleito em 2013 e reeleito em 2018, numa eleição não reconhecida por 60 países. As últimas eleições democráticas na Venezuela foram realizadas em 6 de dezembro de 2015, quando a oposição conquistou maioria de dois terços na Assembleia Nacional, o quórum necessário para reformar a Constituição.

O regime recorreu à Corte Suprema, dominada pelo chavismo desde que Chávez aumentou o número de cadeiras e encheu-a com juízes aliados e submissos. As eleições de cinco deputados foram anuladas e a oposição perdeu a supermaioria.

Em 2017, Maduro convocou uma Assembleia Constituinte eleita por um sistema eleitoral especialmente fabricado em que cada cidade tinha direito a um voto e as grandes cidades a dois. A Constituinte nunca concluiu sua missão. Foi usada para usurpar o Poder Legislativo.

Como a reeleição de Maduro não foi reconhecida internacionalmente, a oposição declarou a vacância do cargo e elegeu seu presidente, Juan Guaidó, como presidente interino. Guaidó foi reconhecido por mais de 60 países, entre eles o Brasil, mas não conseguiu chegar ao poder porque as Forças Armadas Nacionais Bolivaristas (FANB) são cúmplices da ditadura de Maduro, que faz um governo desastroso.

De 2013 a 2018, o produto interno bruto da Venezuela caiu mais de 50%. A produção de petróleo, que era de 3,23 milhões de barris por dia em 2008, baixou para menos de 660 mil barris por dia em 2020. A inflação superou os 63.000% ao ano em 2019 e hoje é estimada em 150% ao ano. O regime chegou a criar uma nova de 1 milhão de bolívares. Para combater a inflação, apesar da rivalidade com os EUA, o governo deixou o dólar circular como moeda corrente.

Com a crise do petróleo e a alta nos preços em 1973, a Venezuela tinha a maior renda por habitante da América Latina. Quando Chávez foi eleito, em 1998, era a segunda, atrás apenas da Argentina. Hoje, está em 23º lugar, na frente apenas de Honduras, da Nicarágua e do Haiti.

De acordo com a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional, de 2014 a 2013, o regime prendeu arbitrariamente 15,7 mil venezuelanos críticos de Maduro. As organizações não governamentais Provea e Foro Penal acusam o regime pela execução extrajudicial de cerca de 10 mil pessoas e pela tortura de 1.652 pessoas. A Venezuela tem hoje 305 presos políticos.

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Lula sabota sua própria reunião de cúpula da América do Sul

 A iniciativa de reunir os presidente da América do Sul em Brasília foi importante. O governo Jair Bolsonaro isolou o Brasil internacionalmente. Não tinha uma visão geopolítica. Não valorizou o subcontinente como área de importância econômica, política, ambiental e de segurança. Mas, ao dar palanque ao ditador Nicolás Maduro e afirmar que a Venezuela é uma democracia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, boicotou sua própria cúpula.

Ao exaltar uma ditadura com presos políticos, fome, miséria, tortura e execuções sumárias, um regime do qual fugiram 7,5 milhões de pessoas, Lula dividiu a reunião, perdeu a neutralidade para mediar uma solução para a crise venezuelana, reduziu a capacidade de liderar a integração regional e deu munição à extrema direita. 

A integração regional depende de resultados práticos. Meu comentário:

terça-feira, 30 de maio de 2023

Rússia envia armas nucleares à Bielorrússia e sofre ataque em Moscou

A Rússia fez um acordo para enviar armas nucleares à Bielorrússia e intensificou os ataques a Kiev nos últimos dias. Hoje o prefeito de Moscou atribuiu explosões na capital russa a drones da Ucrânia. 

O ex-presidente Dimitri Medvedev previu que a guerra pode durar décadas, enquanto o ministro do Exterior, Serguei Lavrov, disse ao enviado chinês para negociar a paz que há "sérios obstáculos" por causa da Ucrânia e do Ocidente.

Se a guerra é a continuação da política por outros meios, a guerra só termina quando houver mudança de regime em Kiev ou Moscou, observa o historiador norte-americano Timothy Snyder, autor de vários livros sobre a Ucrânia.

Como terminam as guerras? O século 20 criou as guerras sem fim, entende o professor Chris Coker, diretor de LSE Ideias, o centro de pesquisas sobre relações internacionais da London School of Economics.

Sob o impacto econômico da guerra, a Alemanha entrou em recessão.

Dez presidentes da América do Sul se reúnem hoje em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para relançar a integração regional. Ontem, Lula recebeu o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, com honras de chefe de Estado e afirmou que foi "eleito pelo povo" e que as críticas ao regime chavista são uma "narrativa antidemocrática".

Na Turquia, o ditador Recep Tayyip Erdogan, há 20 anos no poder, foi reeleito para mais um mandato de cinco anos. É um exemplo de como a democracia iliberal involui para autocracia.

O governador da Flórida, Ron DeSanctis, lançou sua candidatura à Casa Branca no Twitter com vários problemas técnicos. É o principal adversário do ex-presidente Donald Trump na luta pela candidatura do Partido Republicano. Trump é o franco favorito, uma ameaça à democracia nos Estados Unidos.

A disputa pela água do Rio Helmand causa um conflito entre os regimes extremistas muçulmanos do Afeganistão e do Irã.

A China superou o Japão como maior exportadora mundial de automóveis. Lidera a corrida pelo carro elétrico e a produção de baterias de lítio. Meu comentário:

sábado, 27 de março de 2021

Brasil volta a ter mais de 3 mil mortes num dia e chega a 310 mil

 O ritmo da morte se acelera. Hoje, foram notificadas mais 3.368 mortes e 81.909 casos confirmados da doença do coronavírus de 2019 no Brasil. Já são 12.489.232 casos confirmados e a 310.649 óbitos. A média diária de mortes dos últimos sete dias atingiu novo recorde: 2.548, com alta de 39% em duas semanas. A média de casos novos por dia também subiu: 77.128, com alta de 16% em duas semanas. A morte está em alta em 20 estados e no Distrito Federal.

No mundo, o total de casos confirmados está em 126.616.893, com 2.776.696 mortes, mais de 102 milhões de pacientes recuperados, cerca de 21,75 milhões apresentam sintomas leves e 93.281 estão em estado grave.

Com mais 75.756 casos e 1.260 óbitos registrados neste sábado, os Estados Unidos chegaram a 30.218.381 casos confirmados, com alta de 8% em duas semanas, e 548.825 mortes, com queda de 28% em duas semanas. É o país com o maior número absoluta de casos e de mortes.

O País de Gales é o primeiro dos quatro países que formam o Reino Unido a permitir encontros de até seis pessoas, depois de um confinamento rigoroso. Na segunda-feira, a Inglaterra toma a mesma medida, aliviando gradualmente as medidas de distanciamento social, que devem ser mantidas até 21 de junho.

A data não é o mais importante. São os dados sobre contágio, hospitalização e mortes que vão orientar a conduta do governo, anunciou o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson. O país registrou hoje 58 mortes.

Pouco menos de 560 milhões de doses de vacinas foram aplicadas até agora no mundo, das quais 141,8 milhões nos EUA, onde 91,7 milhões receberam a primeira dose e 50,1 milhões (15% da população) estão imunizados, devendo esperar duas semanas para a vacina fazer efeito. No Brasil, foram aplicadas 19,9 milhões de doses, 15,25 milhões receberam a primeira dose e 4,68 milhões as duas necessárias à imunização.

O Facebook suspendeu por um mês a conta do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, por divulgar notícias falsas sobre a pandemia. Maduro tentou apresentar "gotinhas milagrosas" como cura para a doença.

quinta-feira, 26 de março de 2020

EUA denunciam Maduro por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Departamento da Justiça dos Estados Unidos denunciou hoje o ditador Nicolás Maduro e mais de dez altos funcionários da Venezuela por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro - e ofereceram uma recompensa de US$ 15 milhões de dólares, mais de R$ 75 milhões, por informações que levem à sua captura.

As acusações, apresentadas em tribunais de Nova York, da Flórida e de Washington, são resultado de uma década de investigações. Maduro e os demais denunciados são acusados de agir em coordenação com guerrilheiros colombianos para enviar toneladas de cocaína para os EUA nos últimos 20 anos.

Em entrevista coletiva em Washington, o procurador-geral e secretário da Justiça do governo Donald Trump, William Barr, descreveu o regime chavista da Venezuela como "empestado pela criminalidade e a corrupção", dominado por "um sistema construído e controlado para enriquecer quem está nos altos escalões do governo".

O presidente da Corte Suprema da Venezuela, Maikel José Moreno, foi denunciado por receber milhões de dólares de propina e de gastar o dinheiro com artigos de luxo de propriedades na Flórida.

Maduro preside a um governo catastrófico, com uma depressão econômica que reduziu o produto interno bruto venezuelano à metade desde a morte do caudilho Hugo Chávez, em março de de 2013.

A Venezuela enfrenta uma hiperinflação superior a um milhão por cento ao ano e desabastecimento generalizado. Como muitos hospitais não nem água e fornecimento regular de energia elétrica, o impacto da pandemia do coronavírus deve ser catastrófico.

Em janeiro do ano passado, a Assembleia Nacional, controlada pela oposição, declarou a nulidade do novo mandato de Maduro, reeleito com fraude, e empossou seu presidente, Juan Guaidó, como presidente interino.

Mais de 50 países, inclusive os EUA, o Brasil e a maioria da União Europeia, reconhecem Guaidó como o presidente legítimo da Venezuela, mas sua tentativa de estimular um golpe militar fracassou.

Com o apoio da cúpula das Forças Armadas, envolvidas nos crimes do regime, Maduro continua no poder e dificilmente será levado à Justiça dos EUA. A denúncia é mais uma tentativa de forçar sua queda. Talvez o vírus seja mais eficiente.

Há um precedente. Em 1988, dois tribunais do júri de Miami e Tampa, na Flórida, denunciaram o então ditador do Panamá, general Manuel Antonio Noriega, por extorsão, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Os EUA invadiram o Panamá em dezembro de 1989. Noriega foi preso e levado para julgamento nos EUA. Condenado a 40 anos de prisão, Noriega teve a pena reduzida para 17 anos por bom comportamento na cadeia.

Em 2010, o ex-ditador foi extraditado para a França, onde pegou 7 anos de prisão por lavagem de dinheiro. No ano seguinte, foi extraditado para o Panamá, onde morreu em 2017 de um tumor cerebral.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Movimento indígena exige queda do presidente do Equador

Ondas de manifestantes enfrentaram a polícia hoje nas ruas de Quito, no sétimo dia de protestos contra o fim do subsídio aos combustíveis, que subiram 120% em função de um acordo para obter um empréstimo de US$ 4 bilhões. 

Os protestos são liderados pelo movimento indígena, que derrubou três presidentes do Equador desde 1997 e agora exige a renúncia do presidente Lenín Moreno. Em uma semana, pelo menos cinco pessoas foram mortas e quase 800 foram presas.

A Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), que se nega a negociar com o governo, liderou a marcha até o centro da capital, paralisada por uma greve geral. Foram seguidos por trabalhadores e estudantes. Estes jogaram pedras na polícia, que reagiu com bombas de gás lacrimogênio.

"Queremos que as medidas sejam revogadas para dar tranquilidade ao povo", declarou o líder indígena César García, de 52 anos, enquanto uma representante da comunidade de Zumbahua, na província de Cotopaxi, Diana Guanatuña, exigia que "o governo se vá porque teve tempo suficiente para mostrar o que pode fazer pelo povo e não fez nada."

A situação econômica do país se agravou nos últimos anos com a queda nos preços do petróleo. O presidente Moreno anunciou a intenção de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) para escapar dos limites de produção impostos pelos grandes produtores.

Moreno era vice-presidente de Rafael Correa, um presidente de esquerda carismático e popular que seguia a linha do chavismo. No governo, adotou uma postura mais favorável ao mercado e aos empresários. Acusado de corrupção num escândalo envolvendo a construtora brasileira Odebrecht, Correa fugiu para a Bélgica, país de sua mulher.

Na semana passada, Correa esteve em Caracas, onde se reuniu com o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. Moreno, que na segunda-feira transferiu o governo para Guaiaquil, a maior cidade e capital econômica do Equador, responsabiliza os dois pela explosão de violência no Equador. Hoje, voltou a Quito.

Os índios são 4,5 milhões, cerca de 25% da população equatoriana, de 17,7 milhões de habitantes, dos quais 37% vivem na miséria. Entre os indígenas, a pobreza chega a 73%. Eles tiveram participação decisiva em todos os movimentos de protesto. Provocaram a queda dos presidente Abdalá Bucaram, em 1997; Jamil Mahuad, em 2000; e Lucio Gutiérrez, em 2005.

sábado, 31 de agosto de 2019

Salário mínimo na Venezuela cai para US$ 2 por mês

Com a crise econômica e a hiperinflação, o salário mínimo da Venezuela vale hoje o equivalente a US$ 2. O salário mínimo está em 40 mil bolívares e a cotação do dólar no mercado paralelo ronda os 20 mil bolívares. Não é suficiente para comprar um quilo de carne ou uma dúzia de ovos.

Mais de 80% dos venezuelanos vivem na miséria, sem esperança de que a situação melhore. Ontem, quase 10 milhões de trabalhadores e aposentados receberam o equivalente a US$ 1, a metade do rendimento mensal, que dá para comprar um quilo de açúcar ou de farinha de trigo.

Só nos últimos 30 dias, a moeda venezuelana perdeu 50% do valor.

A ditadura de Nicolás Maduro distribui mensalmente bônus para cerca de 10 milhões de pessoas, mas o limite é de 100 mil bolívares, apenas US$ 5. Algumas empresas pagam os bônus em dólares para não perder seus funcionários.

Nos últimos seis anos, no governo Maduro, quando o produto interno bruto caiu pela metade, 5 milhões de pessoas fugiram da Venezuela. Elas mandam dinheiro do exterior para cerca de 1 milhão de venezuelanos.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Trump congela todos os bens da Venezuela nos EUA

Por decreto, o presidente Donald Trump ordenou ontem o congelamento de todos os ativos da Venezuela e proibiu qualquer transação com a ditadura de Nicolás Maduro, sob pena de sanções, noticiou hoje o jornal The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York.

Este embargo total é mais uma tentativa dos Estados Unidos de aumentar a pressão sobre o regime chavista e forçar sua queda. A Venezuela já está sob sanções, especialmente a companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA). O sucesso da nova medida depende da capacidade do governo americano que impor o embargo enquanto China e Russia mantêm o apoio a Maduro.

Ao reagir às novas sanções, o governo venezuelano acusou os EUA de "terrorismo econômico". Os EUA adotaram este tipo de embargo contra Cuba e a Coreia do Norte, sem conseguir derrubar seus regimes comunistas.

Em janeiro, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, foi proclamado presidente interino. Seu governo paralelo foi reconhecido pelos EUA, pela maioria dos países da América Latina, inclusive o Brasil, e pela maioria da União Europeia.

O governo Trump tentou usar uma operação de ajuda humanitária para desestabilizar Maduro e Guaidó chegou a convocar um levante popular e militar contra a ditadura, mas a cúpula das Forças Armadas manteve o apoio ao regime chavista.

Durante o último encontro do presidente Jair Bolsonaro com Trump, na reunião do Grupo dos 20 em Osaka, no Japão, no fim de junho, o Brasil deixou claro que não vai participar de qualquer intervenção militar na Venezuela. Trump e Bolsonaro também manifestaram preocupação com uma possível derrota do presidente Mauricio Macri na eleição presidencial de outubro na Argentina.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

ONU acusa ditadura da Venezuela por mais de 5 mil mortes em 2018

Em relatório divulgado hoje pela alta comissária para direitos humanos, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, as Nações Unidas denunciam a trágica situação política, econômica e humanitária da Venezuela.

No ano passado, o governo venezuelano registrou 5.287 mortos como "autos de resistência", quando as vítimas supostamente teriam resistido à prisão, aliás argumento usado amplamente pelas polícias no Brasil. Neste ano, até 19 de maio, houve 1.569 mortos em "atos de resistência". Em 31 de maio, havia 793 presos políticos no país. Em resposta ao relatório, a ditadura soltou hoje cerca de 20 presos.

De janeiro a maio deste ano, 66 pessoas foram mortas em protestos contra o regime chavista e o ditador Nicolás Maduro. Pelo menos 52 dessas mortes foram atribuídas às forças de segurança e aos colectivos, as milícias criadas pelo finado caudilho Hugo Chávez para defender o regime. Meu comentário:

A Venezuela é hoje um dos países mais violentos do mundo. Caracas é a terceira cidade mais violenta do mundo. Além das milícias e dos grupos mafiosos, cerca de metade do país teria se tornado território livre para a ação de guerrilheiros e grupos paramilitares da Colômbia, que traficam drogas, fazem contrabando e mineração ilegal. Restabelecer a ordem pública será mais um grande desafio do futuro governo venezuelano.

Desde o início do ano, 22 deputados da oposição na Assembleia Nacional perderam a imunidade parlamentar.

Além desses crimes e abusos, o relatório da ONU observa que “amplos setores da população não têm acesso à distribuição de comida” feita pela ditadura de Nicolás Maduro. Algumas pessoas “passam em média dez horas por dia na fila para conseguir comida.”

A situação dos hospitais da Venezuela também é trágica, com “falta de funcionários, suprimentos, medicamentos e eletricidade”. Entre novembro de 2018 e fevereiro de 2019, mil 557 morreram por causa dessas carências.

Nos últimos anos, 4 milhões de pessoas fugiram da Venezuela, 12,5% da população do país. A previsão é que este êxodo chegue a 8 milhões até o fim de 2020, se a situação econômica não melhorar – e não tem a menor chance de melhorar enquanto Maduro, seu regime chavista e o chamado socialismo do século 21 estiverem no poder.

O produto interno bruto caiu pela metade desde a posse de Maduro, em 2013, e a inflação deve chegar a 10 milhões por cento.

A ditadura chavista também oprime os povos indígenas, com perda de terras para forças militares, máfias do crime organizado e grupos armados. A mineração ilegal, especialmente nos estados do Amazonas e Bolívar, é outra ameaça, “com violação de vários direitos coletivos, inclusive o direito de manter seus costumes e estilo de vida profissional, e a relação espiritual com a terra”.

Ao apresentar o relatório, Michelle Bachelet declarou que “a única saída para esta crise é se reunir e dialogar”. Apesar da tragédia, a alta comissária da ONU disse ter esperança. Bachelet visitou a Venezuela, onde esteve com o ditador Maduro e com líderes da oposição.

Depois do fracasso de três manobras do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, o governo e a oposição da Venezuela iniciaram um diálogo em Oslo, na Noruega, com mediação do México, da Noruega e do Uruguai. Mas as negociações não avançaram.

Maduro propôs antecipar as eleições para a Assembleia Nacional, onde a oposição elegeu uma maioria de dois terços em dezembro de 2015, mas não a realização de uma nova eleição presidencial. Como o regime controla a máquina pública e os meios de comunicação, a oposição viu uma tentativa de tomar o pouco poder que lhe resta.

O representante da Venezuela no Conselho de Direitos Humanos da ONU repudiou as conclusões do relatório, alegando que é “incompreensível”, sem “rigor científico” e que omite o “boicote imoral” que o país enfrenta com as sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Como a ditadura ainda conta com o apoio das Forças Armadas, é provável que o atual impasse se arraste, com a deterioração da situação política e econômica da Venezuela. As outras possibilidades são um golpe militar dentro do regime com a tomada do poder pelos militares ou uma transição para a democracia ou o colapso total do Estado, com anarquia e guerra civil.

O Brasil, os Estados Unidos e os outros 50 países que apoiam o governo paralelo da oposição devem oferecer acordos de leniência para os altos dirigentes chavistas que abandonarem o regime. 

A transição pós-ditadura será árdua e longa. O Fundo Monetário Internacional, o FMI, estima que a Venezuela vai precisar de 30 milhões de dólares por ano durante dez anos para recuperar a economia. Antes, Maduro e seu regime precisam cair.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Oposição apresenta planos para renegociar dívidas da Venezuela

Em uma nova proposta política, os assessores do autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, reconhecido pelo Brasil, os Estados Unidos e outros 50 países, revelaram planos para renegociar reclamações de empresas estatizadas, compras não pagas e bônus caloteados, sem abrir mão de revisar tudo para corrigir preços inflacionados e queixas fraudulentas, e denúncias de corrupção.

A grande promessa da oposição é tratar todos os credores da mesma maneira, independentemente do tipo de dívida e de que órgão a contratou, noticiou hoje o jornal inglês Financial Times. Meu comentário:

terça-feira, 2 de julho de 2019

Credores cercam regime da Venezuela para cobrar dívidas de US$ 175 bilhões

Com o fracasso da revolta da oposição, os credores perdem a esperança de uma recuperação em curto prazo da economia da Venezuela e tentam cobrar US$ 175 bilhões em dívidas caloteadas e propriedades estatizadas.

A ditadura de Nicolás Maduro prendeu mais um assessor do presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino em janeiro, alegando que a reeleição de Maduro foi fraudulenta. O deputado Juan Requesens foi acusado de participar de uma suposta tentativa de assassinar Maduro com um drone em agosto de 2018.

Requesens pertence ao partido do ex-governador Henrique Capriles, candidato da oposição derrotado nas eleições presidenciais de 2012 e 2013. No ano passado, foi impedido de concorrer. Requesens é um dos principais aliados de Guaidó. Por isso, as acusações são vistas como uma jogada da ditadura para justificar a prisão de Guaidó.

Os Estados Unidos, que apoiam Guaidó junto com mais de 50 países, inclusive o Brasil, advertiram o regime chavista a adotar nenhuma medida de força contra Guaidó

Diante do fracasso da tentativa de derrubar Maduro, a oposição está dividida. Guaidó pode não ser reeleito presidente do parlamento em 2020. Sem a expectativa de recuperação econômica que a queda de Maduro traria, os credores tentam recuperar pelo menos parte do dinheiro.

Depois de 20 anos de regime chavista, a Venezuela deve 175 bilhões de dólares em dívidas não pagas e bens desapropriados em nome do chamado socialismo do século 21. Com a renda anual do petróleo em menos de 30 bilhões de dólares, a Venezuela não tem como pagar. Essas dívidas serão mais obstáculos para a recuperação da economia do país. Meu comentário:

Em 1970, a Venezuela tinha a maior renda por pessoa da América Latina. Quando o caudilho Hugo Chávez chegou ao poder, em 1999, era a segunda maior, atrás apenas da Argentina. Desde a morte de Chávez, em 2013, o produto interno bruto caiu pela metade. A inflação deste ano deve chegar a 10 milhões por cento. O desabastecimento é generalizado. O país com as maiores reservas de petróleo do mundo não tem dinheiro para comprar papel higiênico.

Hoje, o Fundo Monetário Internacional, o FMI, estima que a Venezuela vai precisar de 30 bilhões de dólares por ano durante dez anos para recuperar a economia.

Na última década, a Venezuela caloteou a maior parte da dívida externa, especialmente a partir da forte queda nos preços do barril de petróleo, que valia 110 dólares em junho de 2014 e hoje vale 56 dólares.

Sem esperança.de renegociar a dívida em curto prazo, os credores tentam arrestar navios petroleiros, carregamentos de petróleo e instalações petrolíferas no exterior. Mesmo que o regime chavista acabe, as batalhas legais entre os credores e as autoridades venezuelanas devem se arrastar durante anos.

O problema para os credores é que Maduro permanece firme no Palácio de Miraflores com o apoio da cúpula das Forças Armadas.

A maior parte da dívida da empresa estatal Petróleos de Venezuela S. A., a PdVSA, vence nos próximos dez anos. A oposição planeja revitalizar o setor petrolífero cedendo a investidores privados o controle de áreas de exploração de petróleo, mas a herança maldita do chavismo será um setor de energia muito menor do que antes.

A produção de petróleo, que chegou a um pico de 3 milhões de barris por dia, ficou em 730 mil barris por dia em abril e pode cair a 500 mil barris diários até o fim do ano. Em outubro do ano passado, a Justiça Federal dos Estados Unidos autorizou os credores a mover ações contra a Citgo, uma empresa privada com participação da PdVSA que refina o petróleo venezuelano nos Estados Unidos.

Neste ano, o governo Donald Trump congelou todos os bens e ativos da Venezuela nos Estados Unidos, colocando-os à disposição do governo paralelo da oposição, liderado por Guaidó.

A cobrança de juros sobre as dívidas não pagas aumentam ainda mais o total da dívida a ser renegociado pelo futuro governo. Os futuros investidores terão de esperar até que o problema seja resolvido. A PdVSA também não terá condições de levantar capital enquanto não se livrar das obrigações.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Rússia alega ter enviado soldados à Venezuela para rodízio

A Rússia negou hoje ter enviado um reforço de tropas para a Venezuela, alegando que um avião militar que chegou recentemente a Caracas levava soldados para fazer um rodízio, declarou hoje o ministro do Exterior russo, noticiou o jornal The Moscow Times.

O número e o tipo de soldados que a Rússia envia à Venezuela são indicadores do apoio do Kremlin à ditadura de Nicolás Maduro. Embora a Rússia afirme ter evitado uma concentração maior de forças na Venezuela, os dois países disseram que Moscou pode aumentar a presença militar russa "se necessário".

Em 23 de março, dois meses depois que o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, proclamou ser o presidente legítmo da Venezuela, um avião Antonov 124 e um Ilyuchin 62 com 100 soldados e 35 toneladas de carga em Caracas.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Ex-diretor de inteligência da Venezuela faz sérias acusações a Maduro

O general Manuel Ricardo Christopher Figuera, ex-diretor do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), chegou ontem aos Estados Unidos e fez sérias denúncias contra o regime chavista da Venezuela, noticiou hoje o jornal americano The Washington Post.

De acordo com o general, o palácio presidencial de Miraflores está tomado por agentes cubanos, corruptos e ladrões. O ex-ditador cubano Raúl Castro é um dos principais conselheiros do ditador venezuelano. O filho de Maduro lucra com a exploração ilegal de ouro. O vice-presidente Tareck Aissimi, acusado de tráfico de drogas nos Estados Unidos, faz lavagem de dinheiro.

Figuera também denunciou que a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) levanta dinheiro na Venezuela para suas ações terroristas. O Exército de Libertação Nacional, uma guerrilha comunista colombiana, ofereceu ajuda a Maduro contra ameaças externas.

A economia da Venezuela está à beira do colapso. Mais de 4 milhões de venezuelanos fugiram do país nos últimos anos. A organização não governamental Foro Penal denuncia que há 688 presos políticos no país.

Mais impressionante é que Maduro ainda não tenha caído. Meu comentário:

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Racionar gasolina na Venezuela é como racionar areia no deserto


Havia uma piada na extinta União Soviética que dizia o seguinte: “Se o Partido Comunista tomar o poder no Deserto do Saara, em dois anos, vai começar a faltar areia.” O editor-chefe do jornal francês Libération, Laurent Joffrin, lembrou essa história para comparar com a crise atual na Venezuela.

O país com as maiores reservas de petróleo do mundo vendeu mais de um trilhão de dólares em petróleo. Há algum tempo, não tem dinheiro nem para importar papel higiênico.

Nos últimos anos, os venezuelanos que moram perto das fronteiras com o Brasil e a Colômbia se acostumaram a comprar tudo nos países vizinhos, menos combustíveis, enquanto brasileiros e colombianos enchiam o tanque do lado da Venezuela.

A distorção é tanta que no ano passado, quando o governo aumentou os preços em 6 mil por cento, um dólar comprava 3 milhões e meio de litros. No início do ano, custava seis bolívares. Com a virtual destruição do valor da moeda venezuelana, o preço médio no resto do mundo era equivalente a 15 mil bolívares.

Agora, o impossível aconteceu. A gasolina na Venezuela está racionada. Os motoristas formam longas filas sem a garantia de que haverá combustível quando chegar a sua vez. Meu comentário:



Como de costume, o ditador Nicolás Maduro acusa os Estados Unidos. No início do ano, o governo Donald Trump impôs um boicote à empresa estatal Petróleos de Venezuela, a PdVSA, que agora inclui até as substâncias necessárias para refinar o petróleo venezuelano, que é pesado.

Mas a queda na produção vem desde a greve de 2002, quando o então presidente Hugo Chávez demitiu boa parte dos técnicos e especialistas.

No pico, em 1998, ano da primeira eleição de Chávez, a Venezuela produzia 3 milhões de barris de petróleo por dia. Com o sucateamento da empresa, a produção da maior riqueza do país caiu para 500 mil barris diários. Até o fim de 2020, pode baixar para 375 mil barris por dia.

Nos anos 1970s, a Venezuela tinha a maior renda per capita da América Latina. Quando Chávez assumiu o poder, em 1999, era a segunda maior, abaixo apenas da Argentina.

Com o virtual colapso da economia, o produto interno bruto caiu pela metade desde que Maduro sucedeu a Chávez, que morreu de câncer em 2013. A inflação de 2019 está estimada em 10 milhões por cento e o desabastecimento é generalizado, inclusive de remédios e alimentos.

Cada venezuelano perdeu em média oito quilos por falta de comida. A escassez de remédios aumenta a mortalidade e traz de volta doenças praticamente erradicadas como varíola e sarampo.

Diante da pior crise de uma economia relativamente desenvolvida na era moderna, mais de 4 milhões de venezuelanos fugiram do país nos últimos anos, informam as Nações Unidas. As universidades e centros de pesquisas venezuelanos já trabalhavam com este número meses atrás.

Em janeiro, quando Maduro tomou posse para um segundo mandato, depois de uma reeleição fraudulenta em maio do ano passado, o presidente da Assembleia Nacional dominada pela oposição, Juan Guaidó, acusou Maduro de usurpador e foi proclamado presidente interino.

Desde então, Guaidó tentou encurralar o regime chavista, primeiro se declarando presidente, depois com uma operação de ajuda humanitária liderada pelos Estados Unidos que o governo rejeitou e também convocando militares e a população em geral para uma rebelião contra a ditadura. Fracassou nas três tentativas.

Por iniciativa da Noruega, do México e do Uruguai, governo e oposição iniciaram um diálogo em Oslo onde a renúncia de Maduro chegou a ser cogitada. Não houve avanço na negociação. A oposição suspeita que seja apenas uma manobra diversionista para ganhar tempo.

Com o agravamento diário das condições de vida, a corrupção generalizada e uma violência descontrolada, com índice de homicídios inferior apenas ao de El Salvador, só as Forças Armadas sustentam o regime de Maduro.

A Venezuela tem mais de 2 mil generais. O alto oficialato tem mordomias que permitem driblar a crise ou até lucrar com ela através do contrabando e do tráfico de drogas. A oposição já ofereceu anistia para quem não cometeu crimes graves, mas a cumplicidade generalizada impede a queda da ditadura. Por enquanto.

Como os Estados Unidos não vão enviar soldados para morrer e atrapalhar a reeleição de Trump, e o Brasil e a Venezuela não vão fazer o trabalho pesado de uma operação terrestre, a ditadura de Maduro só vai cair quando houver uma divisão interna e um golpe dentro do regime. Já está na hora.