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sexta-feira, 5 de julho de 2019

ONU acusa ditadura da Venezuela por mais de 5 mil mortes em 2018

Em relatório divulgado hoje pela alta comissária para direitos humanos, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, as Nações Unidas denunciam a trágica situação política, econômica e humanitária da Venezuela.

No ano passado, o governo venezuelano registrou 5.287 mortos como "autos de resistência", quando as vítimas supostamente teriam resistido à prisão, aliás argumento usado amplamente pelas polícias no Brasil. Neste ano, até 19 de maio, houve 1.569 mortos em "atos de resistência". Em 31 de maio, havia 793 presos políticos no país. Em resposta ao relatório, a ditadura soltou hoje cerca de 20 presos.

De janeiro a maio deste ano, 66 pessoas foram mortas em protestos contra o regime chavista e o ditador Nicolás Maduro. Pelo menos 52 dessas mortes foram atribuídas às forças de segurança e aos colectivos, as milícias criadas pelo finado caudilho Hugo Chávez para defender o regime. Meu comentário:

A Venezuela é hoje um dos países mais violentos do mundo. Caracas é a terceira cidade mais violenta do mundo. Além das milícias e dos grupos mafiosos, cerca de metade do país teria se tornado território livre para a ação de guerrilheiros e grupos paramilitares da Colômbia, que traficam drogas, fazem contrabando e mineração ilegal. Restabelecer a ordem pública será mais um grande desafio do futuro governo venezuelano.

Desde o início do ano, 22 deputados da oposição na Assembleia Nacional perderam a imunidade parlamentar.

Além desses crimes e abusos, o relatório da ONU observa que “amplos setores da população não têm acesso à distribuição de comida” feita pela ditadura de Nicolás Maduro. Algumas pessoas “passam em média dez horas por dia na fila para conseguir comida.”

A situação dos hospitais da Venezuela também é trágica, com “falta de funcionários, suprimentos, medicamentos e eletricidade”. Entre novembro de 2018 e fevereiro de 2019, mil 557 morreram por causa dessas carências.

Nos últimos anos, 4 milhões de pessoas fugiram da Venezuela, 12,5% da população do país. A previsão é que este êxodo chegue a 8 milhões até o fim de 2020, se a situação econômica não melhorar – e não tem a menor chance de melhorar enquanto Maduro, seu regime chavista e o chamado socialismo do século 21 estiverem no poder.

O produto interno bruto caiu pela metade desde a posse de Maduro, em 2013, e a inflação deve chegar a 10 milhões por cento.

A ditadura chavista também oprime os povos indígenas, com perda de terras para forças militares, máfias do crime organizado e grupos armados. A mineração ilegal, especialmente nos estados do Amazonas e Bolívar, é outra ameaça, “com violação de vários direitos coletivos, inclusive o direito de manter seus costumes e estilo de vida profissional, e a relação espiritual com a terra”.

Ao apresentar o relatório, Michelle Bachelet declarou que “a única saída para esta crise é se reunir e dialogar”. Apesar da tragédia, a alta comissária da ONU disse ter esperança. Bachelet visitou a Venezuela, onde esteve com o ditador Maduro e com líderes da oposição.

Depois do fracasso de três manobras do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, o governo e a oposição da Venezuela iniciaram um diálogo em Oslo, na Noruega, com mediação do México, da Noruega e do Uruguai. Mas as negociações não avançaram.

Maduro propôs antecipar as eleições para a Assembleia Nacional, onde a oposição elegeu uma maioria de dois terços em dezembro de 2015, mas não a realização de uma nova eleição presidencial. Como o regime controla a máquina pública e os meios de comunicação, a oposição viu uma tentativa de tomar o pouco poder que lhe resta.

O representante da Venezuela no Conselho de Direitos Humanos da ONU repudiou as conclusões do relatório, alegando que é “incompreensível”, sem “rigor científico” e que omite o “boicote imoral” que o país enfrenta com as sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Como a ditadura ainda conta com o apoio das Forças Armadas, é provável que o atual impasse se arraste, com a deterioração da situação política e econômica da Venezuela. As outras possibilidades são um golpe militar dentro do regime com a tomada do poder pelos militares ou uma transição para a democracia ou o colapso total do Estado, com anarquia e guerra civil.

O Brasil, os Estados Unidos e os outros 50 países que apoiam o governo paralelo da oposição devem oferecer acordos de leniência para os altos dirigentes chavistas que abandonarem o regime. 

A transição pós-ditadura será árdua e longa. O Fundo Monetário Internacional, o FMI, estima que a Venezuela vai precisar de 30 milhões de dólares por ano durante dez anos para recuperar a economia. Antes, Maduro e seu regime precisam cair.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Piñera é eleito presidente do Chile pela segunda vez

O bilionário conservador Sebastián Piñera será presidente do Chile mais uma vez. Ele venceu hoje o jornalista, professor e senador Alejandro Guillier no segundo turno da eleição presidencial e voltará a governar a partir de março o país, que presidiu de 2010 a 2014, informou o jornal conservador chileno El Mercurio.

Mais uma vez, as pesquisas de opinião erraram. No primeiro turno, davam 45% a Piñera, que teve pouco menos de 37% e 10% a 15% à terceira colocada, Beatriz Sánchez, que teve 20%, dando uma esperança a Guillier, reforçada pelas pesquisas que apontavam vantagem de apenas 2% para Piñera, dentro da margem de erro.

Com 99% das urnas apuradas, Piñera lidera com 3.768.839 votos (54,57%), contra 3.137.712 (45,43%) de Guillier. A abstenção ficou em 51,33%. O candidato derrotado e a atual presidente, Michelle Bachelet, cumprimentaram o presidente eleito por seu "triunfo impecável e maciço".

Pela segunda vez, Bachelet, do Partido Socialista, membro da aliança que derrotou a ditadura militar do general Augusto Pinochet (1973-90) passará a faixa presidencial a Piñera. Eles se revezam no poder desde 2006.

Nesta eleição, pela primeira vez, a ampla aliança de mais de dez partidos que derrubou Pinochet, liderada por democratas-cristãos e socialistas, a Convergência Democrática, mais tarde rebatizada como Nova Maioria, se dividiu, permitindo uma segunda vitória democrática da direita, sempre com Piñera. O bilionário ganhou em 13 das 15 regiões do Chile; em dez, por mais de cinco pontos percentuais.

No discurso da vitória, o presidente eleito convocou à unidade para transformar o Chile num "país desenvolvido, sem abusos nem discriminações arbitrárias."

Com uma população de cerca de 18 milhões de habitantes e um produto interno bruto de US$ 247 bilhões, 27 anos depois do fim da ditadura, o Chile tem a terceira maior renda média por pessoa da América Latina (US$ 13.576). De acordo com os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) relativos ao ano passado, fica atrás apenas do Uruguai e do Panamá.

O Chile tem o menor índice de homicídios da América Latina, 3,1 mortes para cada 100 mil habitantes por ano, seguido por Cuba (4,2) e Argentina (5,5). Esses dados são de 2010, quando a taxa no Brasil era 25,2.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Trump discutiu crise da Venezuela com Temer

Durante telefonema no último fim de semana, os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Michel Temer, discutiram as relações bilaterais e a crise na Venezuela, noticiou hoje o jornal Latin American Herald Tribune.

Trump passou o fim de semana no country club que tem em Mar-a-Lago, na Flórida. Lá, falou sábado com Temer e no domingo com a presidente do Chile, Michelle Bachelet. Passaram-se dois meses de governo até que Trump decidisse falar com o presidente brasileiro. Até com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, o novo presidente americano falou antes.

Pelo relato da Casa Branca, Trump e Temer mantiveram uma conversa longa e agradável. O presidente americano destacou a importância das relações bilaterais com o Brasil dentro do continente americano. Trump manifestou preocupação com a crise da democracia e o desrespeito aos direitos humanos pelo regime chavista da Venezuela.

Nas últimas semanas, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, iniciou uma guerra do pão, iniciando uma temporada de caça aos padeiros, que não conseguem comprar trigo importado por causa das políticas cambial e comercial do governo.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Bachelet é eleita presidente do Chile pela segunda vez

Com 62% dos votos válidos depois de apuradas 90% das urnas, a ex-presidente socialista Michelle Bachelet foi eleita presidente do Chile pela segunda vez, derrotando a direitista Evelyn Matthei no segundo turno, disputado hoje.

Durante a campanha, Bachelet prometeu aumentar os impostos sobre empresas para aumentar o investimento público em educação. A privatização do ensino, uma herança da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-90), revigorou o movimento estudantil nos últimos anos.

Bachelet também está sob pressão para reformar a Constituição para livrá-la dos resquícios da ditadura militar.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Presidente do Chile pede reconciliação 40 anos após golpe

No aniversário de 40 anos do golpe que derrubou o presidente socialista Salvador Allende e levou o ditador Augusto Pinochet ao poder, o presidente Sebastián Piñera pediu desculpas ao povo do Chile e defendeu a reconciliação nacional. Mas a memória do golpe está viva na eleição presidencial de 17 de novembro.

Piñera, o homem mais rico do Chile, foi o primeiro presidente de direita a chegar democraticamente ao Palácio de La Moneda, bombardeado em 11 de setembro de 1973, desde 1958.

Sua sucessão está sendo disputada pela ex-presidente socialista Michelle Bachelet, representando a Nova Maioria, a coligação que derrotou Pinochet num plebiscito em 1988, abrindo o caminho para o fim do regime militar. O pai, general-brigadeiro Alberto Bachelet, foi preso, acusado de traição e morto pela ditadura.

A maior adversária será Evelyn Matthei, filha do general-brigadeiro Fernando Matthei, que foi ministro da Saúde, comandante da Força Aérea, membro da junta militar e suspeito da morte do general Bachelet. Evelyn, que tinha 19 anos no dia do golpe, alega não ter nenhuma responsabilidade pelo que aconteceu naquela época. As pesquisas indicam a vitória da ex-presidente.

Se nenhum candidato obtiver maioria absoluta, haverá um segundo turno entre os dois mais votados em 15 de dezembro. A eleição presidencial em dois turnos foi adotada em quase toda a América Latina tendo em vista o golpe militar no Chile.

Allende foi eleito em 1970 com apenas 35% dos votos. Sem maioria no Congresso e com forte oposição das classes dominantes, seu governo teve poucas chances de sucesso. Pelo menos 3.105 pessoas foram mortas e centenas de milhares torturadas pela ditadura militar chilena, que acabou em março de 1990, com a posse do democrata-cristão Patricio Aylwin.

domingo, 30 de junho de 2013

Bachelet tem ampla vitória em prévia no Chile

Com 73,11% dos votos, a ex-presidente socialista Michelle Bachelet conquistou hoje uma vitória expressiva na prévia para sua escolha como candidata da coalizão Nova Maioria à eleição presidencial de 17 de novembro de 2013 no Chile. Seu principal adversário será o candidato da direita, o ex-ministro da Economia Pablo Longueira.

Mais de 13 milhões de chilenos estavam habilitados a votar hoje. Pela primeira vez, as eleições primárias foram realizadas no mesmo dia.

Bachelet bateu três aspirantes de sua coalizão, onde se destacam a Democracia Cristã e o Partido Socialista.

À direita, Longueira, da conversadora União Democrática Independente (UDI), venceu o ex-ministro da Defesa Andrés Allemand, da Renovação Nacional, partido do presidente Sebastián Piñera, por 51,34% a 48,65%.