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sábado, 23 de janeiro de 2021

Rússia detém 5 mil em protesto contra prisão do líder da oposição

 Dezenas de milhares de manifestantes protestaram hoje em 114 cidades da Rússia contra a prisão do líder da oposição, Alexei Navalny, detido no aeroporto em 17 de janeiro quando chegava da Alemanha, onde se tratou depois de uma tentativa de assassinato atribuída à ditadura de Vladimir Putin. Mais de 5 mil manifestantes foram presos, inclusive a advogada de Navalny.

Navalny é o nome que faz Putin tremer. Em pleno inverno russo, de Kaliningrado, no Ocidente, a Vladivostok, no Oceano Pacífico, os manifestas enfrentaram temperatura de até 53 graus negativos em Irkutsk, para exigir a libertação do líder oposicionista. Na capital, foi a mais importante manifestação não autorizada em 20 anos.

Além de gritos pela libertação de Navalny, os manifestantes gritavam "Putin ladrão" numa referência ao filme Um Palácio para Putin, assistido por 71 milhões de pessoas nesta semana. O documentário revela a construção de um palácio presidencial secreto à margem do Mar Negro financiado por "amigos" do presidente.

Em 20 de agosto de 2020, Navalny passou mal num voo quando ia de Tomsk, na Sibéria, para Moscou. Foi salvo por um pouso de emergência em Omsk. Sob pressão internacional, o governo russo autorizou a remoção para a Alemanha, onde os médicos identificaram o agente nervoso Novichok como responsável pelo envenenamento.

Apesar da ameaça de morte, Navalny, um advogado e blogueiro anticorrupção, decidiu voltar à Rússia, onde chegou seis dias atrás. uma arma química desenvolvida na antiga União Soviética. Em 2018, ele foi impedido de se candidatar à Presidência por processos forjados pelo Kremlin.

Ao voltar ao país, foi detido por não ter se apresentado à polícia, condição imposta pela Justiça de Putin. Quando ele foi envenenado, a União Europeia protestou, mas o então presidente americano Donald Trump, apoiado pelo ditador russo, que ajudou em sua eleição em 2016, ficou em silêncio. 

Desta vez, foi diferente:"Os Estados Unidos condenam fortemente o uso de táticas agressivas contra manifestantes e jornalistas neste fim de semana", declarou o governo Joe Biden. "O direito dos russos de associação pacífica e de participar de eleições livres e justas está consagrado não apenas na Constituição do país mas também no compromisso da Rússia com a OSCE (Organização sobre Segurança e Cooperação na Europa), na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Convenção Internacional sobre Direitos Civis e Políticos.

"Apelamos às autoridades da Rússia para libertar todos os detidos por exercer seus direitos universais e pela libertação imediata e incondicional de Alexei Navalny. Exigimos que a Rússia coopere com as investigações internacionais sobre o envenenamento e uma explicação sobre o uso de uma arma química em seu território", acrescenta a nota dos EUA.

Se não houver novas sanções à Rússia, Putin não vai hesitar em continuar abusando do poder. No ano passado, o Parlamento da Rússia aprovou uma reforma constitucional feita sob medida pelo ditador. Pela nova legislação, Putin pode reinar no Kremlin até 2036.

domingo, 25 de outubro de 2020

Leopoldo López foge da Venezuela e chega à Espanha

Um dos principais líderes da oposição na Venezuela, Leopoldo López, chegou hoje à Espanha depois de sair ontem da residência do embaixador espanhol em Caracas, onde estava refugiado há um ano e meio, e atravessar por terra a fronteira com a Colômbia. 

Principal líder do partido Vontade Popular, López foi preso e condenado a 13 anos, 9 meses, 7 dias e 12 horas por incitar à violência durante uma onda de protestos em que 43 pessoas morreram e mais de 4 mil foram presas, de fevereiro a maio de 2014. Era considerado preso político pelas Nações Unidas, a Anistia Internacional e o Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos). 

O procurador que o denunciou, Franklin Nieves, fugiu para os EUA e afirmou ter sido pressionado pela ditadura de Nicolas Maduro a condená-lo.

Mesmo preso, López chegou a liderar, em setembro de 2016, uma pesquisa para ser o candidato presidencial da oposição. É o chefe político do presidente da Assembleia Nacional, deputado Juan Guaidó, declarado presidente pela maioria oposicionista no parlamento em janeiro de 2019. 

Depois de anos na prisão militar de Ramo Verde, em 8 de julho de 2017, foi para prisão domiciliar. Em 30 de abril do ano passado, López foi libertado durante uma tentativa de sublevar a Força Armada Nacional Bolivarista contra o ditador Nicolás Maduro. Com o fracasso da revolta, refugiou-se na residência do embaixador da Espanha, de onde fugiu no sábado. O governo venezuelana acusa a diplomacia espanhola de facilitar a fuga.

"Venezuelanos, esta decisão não foi fácil, mas tenham a certeza de que podem contar com este servidor para lutar em qualquer lugar", tuitou López ao chegar a Madri, onde se reuniu com a mulher, Lilian Tintori, e os três filhos. "Não vamos descansar e continuaremos trabalhando dia e noite para conquistar a liberdade que todos os venezuelanos merecem."

Economista e político, Leopoldo Eduardo López Mendoza, de 49 anos, foi de 2000 a 2008 prefeito de Chacao, uma cidade rica da Grande Caracas, e a apoiou o golpe contra o presidente Hugo Chávez em 11 de abril de 2002, tornando-se um dos líderes da oposição.

Em 2008, López não pôde concorrer à Prefeitura de Caracas pela Controladoria-Geral da República por irregularidades quando era prefeito de Chacao. A Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, decidiu a seu favor por unanimidade, mas o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela não reconheceu o tribunal internacional.

Quando foi formada a Mesa da Unidade Democrática (MUD), a coalizão oposicionista contra o chavismo, Henrique Capriles, que concorreu à Presidência contra Chávez e Maduro, era o mais moderado; López, o mais radical. Hoje, ambos estão proibidos de concorrer.

As três manobras para tentar desestabilizar o regime, nas quais López certamente estava envolvido, a proclamação de Guaidó como presidente interino, uma grande "ajuda humanitária" articulada pelos Estados Unidos e a tentativa de sublevar os quartéis, fracassaram. 

Apesar da crise econômica, agravada pela pandemia, Maduro se mantém no poder e prepara eleições sob encomenda em dezembro para acabar com a maioria oposicionista na Assembleia Nacional, formada nas últimas eleições democráticas na Venezuela, em 6 de dezembro de 2015. Vamos ver qual será o próximo lance de López em Madri.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Líder da oposição da Rússia está em coma sob suspeita de envenenamento

O principal líder da oposição na Rússia, o advogado e blogueiro anticorrupção Alexei Navalny, de 44 anos, foi hospitalizado hoje inconsciente, em estado grave, sob suspeita de ter sido envenenado pela ditadura de Vladimir Putin.

Navalny passou mal durante uma viagem aérea de Tomsk, na Sibéria, com destino a Moscou. O avião precisou fazer um pouso de emergência na cidade de Omsk, também na Sibéria. Seus assessores disseram que ele só havia tomado um chá e acreditam que a bebida estava com veneno.

"Alexei foi envenenado, intoxicado e está em tratamento intensivo", declarou sua porta-voz, Kira Iarmich. "Supomos que tenha sido envenenado com alguma coisa misturada no seu chá. Foi a única coisa que bebeu de manhã. Os médicos disseram que a toxina foi absorvida mais rapidamente por causa da bebida quente."

Um dos médicos pediu para o líder oposicionista ser levado para outra cidade com mais recursos. A Alemanha ficou de enviar um avião-ambulância e a França ofereceu asilo político.

Desde o assassinato do ex-primeiro-ministro Boris Nemtsov, em 27 de fevereiro de 2015, a 50 metros das muralhas do Kremlin, Navalny é o principal líder da oposição e maior crítico da ditadura de Putin.

Durante a campanha para o plebiscito que aprovou uma reforma constitucional, em junho, Navalny atacou duramente o regime russo e denunciou a votação como um "golpe" e "violação da Constituição".

A reforma constitucional dá a Putin o direito de se candidatar a presidente mais duas vezes e deixar o poder em 2036. O porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, lamentou a situação e desejou "pronto restabelecimento" para Navalny. A oposição duvida de sua sinceridade.

O serviço secreto da Rússia é acusado de várias tentativas de envenenamento, especialmente de ex-agentes, como Alexander Litvinenko, assassinado em Londres em 2006 com polônio radioativo, e Serguei Skripal, atacado em 2018 no interior da Inglaterra, que conseguiu se salvar.

No próximo ano, haverá eleições parlamentares. Navalny seria a principal voz da oposição. Neste momento, os protestos contra a reeleição fraudulenta do ditador Alexander Lukachenko na vizinha Bielorrússia pode animar a oposição russa a sair às ruas.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Trump tem fortes características de ditador

Autoritário, vingativo e prepotente, o presidente Donald Trump age cada vez mais como um ditador depois da absolvição no processo de impeachment. Não passa no teste da democracia. 

Quando Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos, em novembro de 2016, o jornalista Stephen Walt, da revista Foreign Policy, fez uma lista de dez perguntar para testar se um presidente eleito democraticamente se tornou um autocrata. 

Ontem, examinei as cinco primeiras questões, liberdade de imprensa, criação de sua própria rede de meios de comunicação, politização do serviço público, das Forças Armadas, da polícia e das agências inteligência, onde acendeu a luz vermelha, uso dos serviços secretos para perseguir adversários políticos, o que Richard Nixon fez e Trump não, e uso do poder do Estado para beneficiar aliados e punir adversários, o que Trump fez claramente nos últimos dias, interferindo em processos criminais para livrar amigos. 

Trump rodou em três dos cinco critérios examinados ontem e em todos hoje. Meu comentário:

sábado, 9 de novembro de 2019

Oposição rejeita diálogo e unidades policiais se amotinam na Bolívia

Várias unidades policiais de quatro departamentos da Bolívia aderiram hoje à revolta popular contra o presidente Evo Morales, acusado de fraude eleitoral para se reeleger para um quarto mandato, o que a rigor é proibido pela Constituição. A oposição rejeitou a proposta de diálogo do governo e o Exército avisou que não vai enfrentar a população. Quer uma solução pacífica.

"Não tenho nada a negociar com Evo Morales e seu governo", afirmou o ex-vice-presidente Carlos Mesa, candidato derrotado na apuração oficial das eleições de 20 de outubro e líder da oposição. A declaração acirrou ainda mais os ânimos e as manifestações de rua.

Partidários do governo bloquearam o acesso à cidade de El Alto para impedir que manifestantes de oposição fossem até La Paz, onde fica a sede do governo. Os policiais exigem os mesmos salários e regime de aposentadoria que os militares.

Como a polícia de La Paz aderiu à revolta, o regime militar Colorados de Bolívia estão garantindo a segurança do presidente. Sem acesso ao Palácio Queimado, Morales despacha no aeroporto da cidade vizinha de El Alto.

Milhares de camponeses produtores de coca estão marchando de Cochabamba em direção a La Paz. Eles atendem à convocação de Morales, que denuncia um "golpe de Estado" com o apoio do exterior, que ele não identificou. O presidente iniciou sua carreira política como líder do sindicato dos produtores de coca.

Pela lei boliviana, ganha no primeiro turno quem receber mais de metade dos votos válidos ou mais de 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado. Uma apuração preliminar realizada na noite do dia da eleição indicava que haveria segundo quando foi suspensa sem maiores explicações.

No dia seguinte, a apuração manual voto a voto dava mais ou menos o mesmo percentual aos dois principais candidatos quando foi suspensa. Recomeçou então a contagem preliminar e o presidente obteve a vantagem de dez pontos percentuais, confirmada dias depois pela contagem mais lenta.

A interrupção abrupta da contagem despertou suspeitas, inclusive da missão observadora da Organização dos Estados Americanos (OEA), que defendeu uma recontagem e revisão geral dos votos. Desde o início, Morales alegou que as acusações eram parte de um golpe de Estado. Sua situação é cada vez mais difícil.

Proibido pela Constituição de se reeleger pela segunda vez, o presidente argumentou que o primeiro mandato havia sido sob a Constituição anterior. Depois de perder em 2016 um plebiscito que autorizaria a reeleição sem limites, apelou à Corte Suprema tendo por base uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, que entende que ser candidato é um direito fundamental.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Parlamento Britânico antecipa eleições para 12 de dezembro

Por 438 a 20, com quatro votos acima do mínimo necessário, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico aprovou hoje a antecipação das eleições gerais para 12 de dezembro. O projeto segue agora para a Câmara dos Lordes, mas é mera formalidade.

A medida foi proposta pelo primeiro-ministro Boris Johnson para obter um mandato renovado para negociar a saída da União Europeia nos seus termos. Mas há o risco de que uma vitória dos adversários da saída acabe com a Brexit.

Cerca de 200 deputados se abstiveram, a maioria do Partido Trabalhista, por temer uma derrota fragorosa e preferir realizar uma segunda consulta popular, um referendo para aprovar o acordo de saída da UE negociado por Johnson, antes das próximas eleições gerais.

Serão as primeiras eleições em dezembro desde 1923. É o mês da entrada do inverno no Hemisfério Norte. Faz frio, chove, anoitece às 16 horas e os estudantes iniciam as férias de Natal no fim de semana anterior. O risco de abstenção elevada aumenta e os conservadores se beneficiam disso.

Enquanto o Partido Conservador virou um partido radical de direita nacionalista com foco na Brexit, o Partido Trabalhista também está dividido pela questão europeia. Seu líder, Jeremy Corbyn, um radical de esquerda que promete estatizar serviços públicos privatizados, é o líder de oposição mais impopular da história recente do Reino Unido.

Johnson chegou ao poder ao ser eleito líder do Partido Conservador por seus 160 mil filiados, sem um mandato popular conquistado nas urnas em eleições gerais. Com ampla vantagem nas pesquisas de opinião, insiste em antecipar as eleições para tentar quebrar o impasse em torno da saída da UE.

Depois de expulsar 21 deputados conservadores que votaram contra a orientação do governo sobre a saída da UE, Johnson trouxe 10 rebeldes de volta para aprovar as eleições. Como o país está radicalmente dividido e fraturado pelas relações com a Europa, serão as eleições da Brexit.

Na média, as últimas pesquisas dão 36% aos conservadores, 25% aos trabalhistas, 18% aos liberais-democratas e 11% ao Partido da Brexit.

A grande preocupação do Partido Conservador é com o Partido da Brexit, o antigo Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), liderado pelo neofascista Nigel Farage, que foi o mais votado nas eleições para o Parlamento Europeu em maio deste ano, com 34% dos votos.

O Partido Liberal-Democrata, o terceiro maior do país, tem hoje apenas 19 deputados por causa do sistema eleitoral britânico, de voto distrital em turno único. Ganha o mais votado, sem necessidade de maioria, o que forçaria a realização de um segundo turno, como acontece na França. Também abre a possibilidade de ter ampla maioria no Parlamento sem ter a maioria absoluta no voto popular.

Na prática, isto cria quase um bipartidarismo em que conservadores e trabalhistas se revezam no poder e os partidos menores são marginalizados. Os liberais-democratas participaram do primeiro governo David Cameron, o primeiro e único governo de coalizão no Reino Unido depois da Segunda Guerra Mundial. O desgaste no poder de um governo dominado por outros pesou para reduzir sua bancada.

Hoje, o Partido Liberal-Democrata é o partido da permanência do Reino Unido na UE. Esta bandeira lhe valeu o segundo lugar nas eleições europeias, à frente de trabalhistas, verdes e conservadores. Ficar na Europa será o tema central de sua campanha.

Em 1997, quando o governo Tony Blair foi eleito, os trabalhistas fizeram uma aliança informal com os sociais-democratas para concentrar os votos no candidato com melhores chances dos dois partidos em cada distrito eleitoral do país. Foi a maneira de derrotar os conservadores depois de 18 anos de thatcherismo.

Agora, sob a liderança radical de Corbyn, inimigo jurado do neotrabalhismo de Blair, dificilmente haverá um acordo deste natureza, a não ser que o Partido Trabalhista abrace a defesa da permanência na UE. Depois de tanta hesitação de Corbyn, é improvável.

Com o caos em torno da UE, o Partido Nacional Escocês tenta ampliar seu domínio sobre a política da Escócia para preparar um novo plebiscito sobre a independência. Se o Reino Unido sair mesmo da UE, a Escócia deve declarar a independência e se reintegrar à Europa.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Partido de Putin sofre grandes perdas nas eleições municipais em Moscou

O partido governista Rússia Unida deve eleger 25 dos 45 vereadores da Câmara Municipal de Moscou nas eleições realizadas ontem. Tinha 38 cadeiras. A ditadura de Vladimir Putin ganhou todas as 16 eleições para governadores regionais, mas perdeu espaço na capital da Rússia.

Apesar da vitória, a queda no número de vereadores da Rússia Unida indica que as semanas de protestos de grupos oposicionistas contra o veto a seus candidatos se refletiram nas urnas. Perdeu um terço dos vereadores, que são eleitos por voto distrital, com a cidade dividida em distritos. Cada um elege seu vereador.

Depois de cinco anos de crise e queda de renda, com uma reforma da previdência que aumentou a idade para aposentadoria, o descontentamento popular beneficiou sobretudo o Partido Comunista, que sonha com uma volta ao passado.

O porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov apresentou o resultado geral como vitória do governo, mesmo com o fraco desempenho em Moscou: "O partido mostrou liderança política."

Proibidos de concorrer, o advogado e blogueiro anticorrupção Alexei Naval e outros líderes da oposição indicaram candidatos que serão suas vozes na Câmara Municipal de Moscou. Eles defenderam um voto tático para derrotar os candidatos da Rússia Unida.

sábado, 3 de agosto de 2019

Polícia ataca manifestação e prende mais de 800 pessoas em Moscou

A polícia reprimiu com violência hoje na capital da Rússia uma manifestação não autorizada. Pela segundo sábado seguido, milhares de moscovitas protestavam contra a rejeição de mais de dez candidaturas independentes e de oposição às eleições para a Câmara Municipal de Moscou, em 8 de setembro. Mais de 800 manifestantes foram presos, inclusive a líder oposicionista Liubov Sobol, noticiou o jornal The Moscow Times.

Nas grandes cidades, os russos mostram insatisfação com a crise econômica e a virtual ditadura de Vladimir Putin e de seu partido Rússia Unida em que qualquer oposição ou dissidência é marginalizada, ignorada ou reprimida. Há uma semana, quase 1,4 mil pessoas foram presas.

Hoje, antes da manifestação, que seria uma marcha pacífica, agentes retiraram Sobol à força de um táxi e a enfiaram numa caminhonete da polícia. Logo depois, a polícia de choque começou a dispersar os manifestantes com cassetetes e gás lacrimogênio. Vários oposicionistas foram espancados. As autoridades admitiram 600 prisões, mas uma organização independente contou 828 presos.

As eleições municipais estão sendo vistas como prévias para as eleições parlamentares nacionais de2021.

domingo, 28 de julho de 2019

Líder da oposição na Rússia é envenenado na prisão

O principal líder da oposição na Rússia, o advogado e blogueiro anticorrupção Alexei Navalny, foi hospitalizado na manhã deste domingo depois de sofrer uma reação alérgica aguda. Uma médica levantou a suspeita de envenenamento, noticiou o jornal The Moscow Times.

Navalny, de 43 anos, foi preso na quarta-feira passada e condenado a 30 dias de reclusão por violar a lei de manifestações públicas ao convocar um protesto não autorizado para ontem em Moscou. A polícia dissolveu o protesto à força e prendeu 1.373 manifestantes.

Ele está "com o rosto inchado e a pele vermelha", descreveu a porta-voz do líder oposicionista, Kira Yarmich. A médica que suspeita de envenenamento já tratou de Navalny no passado e o viu rapidamente desta vez.

"Não podemos descartar danos por intoxicação na pele e em membranas mucosas por uma substância química desconhecida infligida por uma 'terceira parte'", escreveu no Facebook a média Anastassia Vassilieva.

A manifestação de ontem reuniu cerca de 3,5 mil no centro da capital russa para protestar contra a impugnação das candidaturas de mais de dez líderes da oposição às eleições de 8 de setembro para a Câmara Municipal de Moscou, entre eles, Navalny, Ilya Yashin e Liubol Sobol.

sábado, 27 de julho de 2019

Polícia da Rússia protesto e prende mais de mil em Moscou

Quase 1,4 mil pessoas foram presas hoje na capital da Rússia por participar de uma manifestação não autorizada de oposição ao ditador Vladimir Putin. O protesto tinha o objetivo de garantir a participação de candidatos da oposição nas eleições para a Câmara Municipal de Moscou, em 8 de setembro, depois que mais de dez foram barrados, informou o jornal The Moscow News.

A manifestação foi convocada pelo advogado e blogueiro anticorrupção Alexei Navalny, hoje o principal líder oposicionista russo, que foi preso na quarta-feira por 30 dias por organizar os protestos. Democrata e nacionalista, ele foi descrito em 2012 pelo jornal americano The Wall Street Journal como o "homem que Putin mais teme".

Além de Navalny, foram proibidos de concorrer, Ilya Yashin, Liubov Sobol e Ivan Jdanov. Diante da falta de candidatos legítimos, a oposição saiu às ruas para lutar pelos princípios básicos da democracia: o direito de votar em quem o represente.

No fim da semana passada, cerca de 22,5 mil pessoas se concentraram no centro de Moscou num protesto autorizado. Foi a maior manifestação dos últimos anos na capital russa. Neste fim de semana, as autoridades decidiram dar um basta no pior estilo autoritário da política do país.

"Tentativas de dar ultimatos e organizar manifestações violentas não vão trazer nada de bom", escreveu na manhã deste sábado no Twitter o prefeito Sergei Sobianov, alinhado com o Kremlin. "A ordem na cidade será garantida de acordo com a lei."

Ontem, a maioria dos candidatos da oposição a vereador em Moscou foi presa. Mesmo assim, cerca de 3,5 mil pessoas participaram do protesto, inclusive 700 jornalistas e blogueiros em luta pela liberdade de expressão.

Antes da hora marcada, 14h em Moscou (8h em Brasília), a polícia isolou a área em frente à Prefeitura Municipal de Moscou e prendeu 200 manifestantes. Até a manhã de domingo, 1.373 oposicionistas foram presos.

A onda de protestos através da Rússia é resultado da crise econômica que diminui a renda e o padrão de vida dos russos, com a forte queda nos preços internacionais do petróleo desde junho de 2014 e as sanções internacionais contra a anexação ilegal da Crimeia, em março do mesmo ano.

Assim, a popularidade de Putin e de seu partido Rússia Unida está em baixa. Não é massacrando a oposição que vai melhorar. Mas o czar da vez não está disposto a tolerar dissidentes.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

ONU acusa ditadura da Venezuela por mais de 5 mil mortes em 2018

Em relatório divulgado hoje pela alta comissária para direitos humanos, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, as Nações Unidas denunciam a trágica situação política, econômica e humanitária da Venezuela.

No ano passado, o governo venezuelano registrou 5.287 mortos como "autos de resistência", quando as vítimas supostamente teriam resistido à prisão, aliás argumento usado amplamente pelas polícias no Brasil. Neste ano, até 19 de maio, houve 1.569 mortos em "atos de resistência". Em 31 de maio, havia 793 presos políticos no país. Em resposta ao relatório, a ditadura soltou hoje cerca de 20 presos.

De janeiro a maio deste ano, 66 pessoas foram mortas em protestos contra o regime chavista e o ditador Nicolás Maduro. Pelo menos 52 dessas mortes foram atribuídas às forças de segurança e aos colectivos, as milícias criadas pelo finado caudilho Hugo Chávez para defender o regime. Meu comentário:

A Venezuela é hoje um dos países mais violentos do mundo. Caracas é a terceira cidade mais violenta do mundo. Além das milícias e dos grupos mafiosos, cerca de metade do país teria se tornado território livre para a ação de guerrilheiros e grupos paramilitares da Colômbia, que traficam drogas, fazem contrabando e mineração ilegal. Restabelecer a ordem pública será mais um grande desafio do futuro governo venezuelano.

Desde o início do ano, 22 deputados da oposição na Assembleia Nacional perderam a imunidade parlamentar.

Além desses crimes e abusos, o relatório da ONU observa que “amplos setores da população não têm acesso à distribuição de comida” feita pela ditadura de Nicolás Maduro. Algumas pessoas “passam em média dez horas por dia na fila para conseguir comida.”

A situação dos hospitais da Venezuela também é trágica, com “falta de funcionários, suprimentos, medicamentos e eletricidade”. Entre novembro de 2018 e fevereiro de 2019, mil 557 morreram por causa dessas carências.

Nos últimos anos, 4 milhões de pessoas fugiram da Venezuela, 12,5% da população do país. A previsão é que este êxodo chegue a 8 milhões até o fim de 2020, se a situação econômica não melhorar – e não tem a menor chance de melhorar enquanto Maduro, seu regime chavista e o chamado socialismo do século 21 estiverem no poder.

O produto interno bruto caiu pela metade desde a posse de Maduro, em 2013, e a inflação deve chegar a 10 milhões por cento.

A ditadura chavista também oprime os povos indígenas, com perda de terras para forças militares, máfias do crime organizado e grupos armados. A mineração ilegal, especialmente nos estados do Amazonas e Bolívar, é outra ameaça, “com violação de vários direitos coletivos, inclusive o direito de manter seus costumes e estilo de vida profissional, e a relação espiritual com a terra”.

Ao apresentar o relatório, Michelle Bachelet declarou que “a única saída para esta crise é se reunir e dialogar”. Apesar da tragédia, a alta comissária da ONU disse ter esperança. Bachelet visitou a Venezuela, onde esteve com o ditador Maduro e com líderes da oposição.

Depois do fracasso de três manobras do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, o governo e a oposição da Venezuela iniciaram um diálogo em Oslo, na Noruega, com mediação do México, da Noruega e do Uruguai. Mas as negociações não avançaram.

Maduro propôs antecipar as eleições para a Assembleia Nacional, onde a oposição elegeu uma maioria de dois terços em dezembro de 2015, mas não a realização de uma nova eleição presidencial. Como o regime controla a máquina pública e os meios de comunicação, a oposição viu uma tentativa de tomar o pouco poder que lhe resta.

O representante da Venezuela no Conselho de Direitos Humanos da ONU repudiou as conclusões do relatório, alegando que é “incompreensível”, sem “rigor científico” e que omite o “boicote imoral” que o país enfrenta com as sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Como a ditadura ainda conta com o apoio das Forças Armadas, é provável que o atual impasse se arraste, com a deterioração da situação política e econômica da Venezuela. As outras possibilidades são um golpe militar dentro do regime com a tomada do poder pelos militares ou uma transição para a democracia ou o colapso total do Estado, com anarquia e guerra civil.

O Brasil, os Estados Unidos e os outros 50 países que apoiam o governo paralelo da oposição devem oferecer acordos de leniência para os altos dirigentes chavistas que abandonarem o regime. 

A transição pós-ditadura será árdua e longa. O Fundo Monetário Internacional, o FMI, estima que a Venezuela vai precisar de 30 milhões de dólares por ano durante dez anos para recuperar a economia. Antes, Maduro e seu regime precisam cair.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Oposição apresenta planos para renegociar dívidas da Venezuela

Em uma nova proposta política, os assessores do autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, reconhecido pelo Brasil, os Estados Unidos e outros 50 países, revelaram planos para renegociar reclamações de empresas estatizadas, compras não pagas e bônus caloteados, sem abrir mão de revisar tudo para corrigir preços inflacionados e queixas fraudulentas, e denúncias de corrupção.

A grande promessa da oposição é tratar todos os credores da mesma maneira, independentemente do tipo de dívida e de que órgão a contratou, noticiou hoje o jornal inglês Financial Times. Meu comentário:

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Renúncia de Maduro foi discutida nas negociações de Oslo

A saída do ditador Nicolás Maduro foi discutida na semana passada no diálogo entre o regime chavista e a oposição da Venezuela realizado em Oslo, a capital da Noruega, noticiou o jornal venezuelano El Cooperante, citando fontes não identificadas.

A possibilidade de Maduro estar negociando a renúncia aconteceu depois de divulgação inesperada de dados econômicos pelo Banco Central da Venezuela depois de anos, confirmando o acentuado declínio econômico durante o atual governo.

Com a economia em colapso, depois de três tentativas fracassadas do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, de derrubar o ditador, a oposição concordou com a abertura de negociações mediadas pela Noruega.

A oposição suspeita que o diálogo seja apenas uma manobra diversionista de Maduro para ganhar tempo e esvaziar a mobilização popular. Ainda não foi marcada uma data para continuar a negociação.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Trump rompe diálogo com oposição exigindo fim das investigações

Em mais uma reação temperamental, o presidente Donald Trump abandonou ontem, depois de três minutos, um encontro com líderes do Partido Democrata para discutir obras de infraestrutura. 

Nos jardins da Casa Branca, o presidente alegou ter sido acusado de tentar "acobertar" crimes cometidos no exercício do cargo e exigiu o fim das investigações da Câmara dos Representantes sobre obstrução de justiça.

"Entrei na sala e vi uma pessoa que me acusou de acobertamento. Não faço acobertamentos. Vocês provavelmente sabem disso melhor do que ninguém", declarou Trump aos jornalistas, referindo-se a uma entrevista dada horas antes pela presidente da Câmara, deputada Nancy Pelosi. "Acabem com estas investigações espúrias."

Pelosi descreveu a reação do presidente como "um ataque de fúria temperamental" para esconder a "falta de confiança" do presidente diante do "tamanho do desafio" de recuperar a infraestrutura dos EUA. Ela falou em "acobertamento" diante da recusa de Trump de fornecer documentos pedidos pela Câmara, de maioria oposicionista, e de impedir assessores e ex-assessores de depor em inquéritos parlamentares.

Horas antes do encontro, Trump havia enviado uma carta ao Congresso dizendo que primeiro os deputados e senadores teriam de aprovar o novo acordo de livre comércio da América do Norte. Ao entrar na sala, o presidente não cumprimentou os líderes democratas e nem chegou a se sentar.

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, acusou Trump de armar uma cena teatral porque não pretende financiar um grande plano para recuperar e melhorar estradas, portos, pontes, canais, redes de energia e a infraestrutura da Internet, estimado em US$ 2 trilhões.

Alguns analistas políticos entendem que a obstrução do presidente visa a pressionar os democratas a abrir um processo de impeachment contra ele. Como dificilmente seria condenado pelo Senado, onde a oposição é minoria e precisaria dos votos de 20 senadores republicanos, Trump posaria de vítima de perseguição durante a campanha para a eleição presidencial de 2020.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Justiça chavista manda prender líder da oposição na Venezuela

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela, leal ao regime chavista, ordenou hoje a prisão de Leopoldo López, o líder da oposição que fugiu da prisão domiciliar na segunda-feira à noite e se refugiou na residência do embaixador da Espanha diante do fracasso do levante para derrubar o ditador Nicolás Maduro. O governo espanhol se nega a entregá-lo.

Em comunicado oficial, o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez declarou que López é hóspede da embaixada e que a Espanha acredita que as autoridades venezuelanas vão respeitar a imunidade diplomática da residência do embaixador.

A Venezuela é signatária de duas convenções internacionais que garantem a imunidade das representações diplomáticas, seus funcionários e seus veículos. Violar estas regras causaria forte reação internacional.

Em entrevista na porta da residência do embaixador, López afirmou ter negociado com oficiais e dissidentes do chavismo: "Em 30 de abril, um grande número de militares deu um passo importante. Falei com muitos generais. (...) Nada do que temos peito foi de improviso. Virão mais rupturas no Exército. Esta ditadura vai acabar."

O TSJ quer que López volte para a prisão militar de Ramo Verde, em Caracas, para cumprir o restante de sua pena pela acusação de incitar à violência durante manifestações de protestos em fevereiro de 2014. Pelo menos 42 pessoas foram mortas na época. O regime chavista responsabilizou o líder oposicionista.

Ontem e hoje, pelo menos quatro manifestantes foram mortos pelas forças de segurança. Maduro desfilou da madrugada ao lado de 4,5 mil soldados para reafirmar que tem o apoio das Forças Armadas.

A oposição promete manter a pressão nas ruas até a queda do ditador, mas a expectativa de que conseguiria isso rapidamente se dissipou.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Maduro demite chefe da inteligência nacional na Venezuela

O ditador Nicolás Maduro demitiu o general Manuel Ricardo Christopher Figuera da direção do Serviço Boliviariano de Inteligência Nacional (Sebin), o serviço secreto do regime chavista, por apoiar o levante convocado pelo presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

Volta ao comando o general Gustavo González López, que havia sido afastado em outubro de 2018 sob suspeita de não ser leal a Maduro por ser mais ligado ao número dois do chavismo, o atual presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello. Sua tarefa será demitir os agentes que estariam ao lado de Guaidó.

Em apoio à rebelião, Figuera orientou seus agentes a apoiar o movimento da oposição. Horas depois, declarou lealdade a Maduro, mas criticou os erros do atual governo, que levou o país a uma situação econômica catastrófica, com queda de 50% no produto interno bruto, inflação de 1.000.000% ao ano e desabastecimento generalizado.

A situação na Venezuela ainda é incerta, com milhares de manifestantes nas ruas protestando contra o atual governo e pedindo a queda de Maduro. A oposição não teve o apoio que esperava das Forças Armadas. Um grande número de soldados e oficiais de baixa patente está ao lado de Guaidó, mas a cúpula militar permanece fiel ao regime chavista.

Na análise do ministro da Segurança Institucional do Brasil, general Augusto Heleno, em entrevista aO Globo, a multidão que saiu às ruas "era pouca gente para derrubar um governo". O general considerou o "esquema militar" de Guaidó "precário" e reafirmou que o Brasil não tem a menor intenção de intervir na Venezuela.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Manifestantes protestam contra prisões políticas na Rússia

A oposição à ditadura de Vladimir Putin organizou manifestações em Moscou e São Petersburgo, as duas maiores cidades da Rússia, no domingo em protesto contra as prisões políticas, noticiou o jornal The Moscow Times. Pelo menos sete pessoas foram presas em São Petersburgo e duas em Moscou.

Os protestos contra Putin tem sido relativamente poucos e calmos nos últimos meses. Uma onda de manifestações na primeira e no verão que se aproximam aumentaria a pressão sobre o Kremlin, que costuma reagir com uma mistura de repressão e concessões.

Desde a aprovação de uma lei em 2015 para proibir as atividades de entidades "indesejáveis", o governo Putin reprime as atividades de organizações não governamentais e entidades que recebem ajuda do exterior.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Bolsa de Nova York sobe mais de mil pontos

Depois de quatro dias de baixa, o Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, subiu hoje 1.086 pontos (4,98%), sua maior alta diária em pontos e a maior percentualmente desde 2009. Todas as 30 ações do índice operaram em alta, assim como os 11 setores do índice amplo S&P 500 (+4,96%).

Empresas de alta tecnologia como Amazon, Facebook e Netflix ganharam mais de 8%. A bolsa Nasdaq, de empresas de alta tecnologia, avançou ,5,8%.

O barril de petróleo West Texas Intermediate, padrão do mercado americano, subiu 8,7% na Bolsa Mercantil de Nova York. Foi o maior aumento desde 30 de novembro de 2016, para US$ 46,56, depois da atingir na segunda-feira o menor preço em um ano e meio por medo da fraqueza da economia.

Nas quatro sessões anteriores, o Índice Dow Jones havia perdido 1.800 pontos, quase 8%, por temor do mercado de que a maior economia do mundo esteja entrando num período difícil por causa de problemas políticos.

A guerra comercial com a China, a paralisação das atividades não essenciais do governo federal dos EUA, as críticas do presidente Donald Trump ao Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central americano, e a mudança de controle para a oposição na Câmara dos Representantes a partir de 3 de janeiro de 2019 enervaram o mercado.

Para acalmar os investidores, o presidente do Conselho de Conselheiros Econômicos da Casa Branca, Kevin Hassett, declarou que o presidente do Fed, Jerome Powell, está 100% seguro no cargo, apesar dos ataques de Trump. O presidente foi advertido de que seus comentários não ajudam.

Quando a bolsa estava em alta, Trump reivindicava o sucesso para si. Com as baixas frequentes, passou a culpar o Fed.

O Índice Dow Jones caíra 18,8% do pico de outubro até a véspera do Natal. A recuperação de hoje foi feita com volume de negócios menor, por causa das festas de fim de ano. "O rali tirou algum sal das feridas dos investidores, mas amanhã será o dia-chave para sabermos se é sustentável", comentou Stephen Guilfoyle, da empresa Sarge986 LLC.

Apesar da recuperação parcial, os três índices caíram mais de 10% em dezembro e 5% no ano como um todo. O Dow Jones e o S&P 500 começaram o dia à beira do chamado mercado do urso, definido como uma baixa de 20% em relação ao pico mais recente. Com a alta, as perdas são de 14,7% e 15,8%.

Na semana passada, a bolsa Nasdaq foi a primeira dos principais índices a entrar no mercado do urso desde o fim da Grande Recessão (2008-9). Hoje, a queda ficou em 19,2%.

A maioria dos economistas não espera uma recessão em 2019, mas acredita que o ritmo forte deste ano não será repetido. A última estimativa do produto interno bruto do terceiro trimestre indicou um aumento em ritmo anual de 3,4%.

O mercado está de olho no consumo pessoal. De 1º de novembro a 24 de dezembro, as vendas no varejo, excluídos os automóveis, cresceram 5,1% em comparação com o mesmo período no ano passado. Foi o melhor resultado em seis anos.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Primeira-ministra britânica adia votação sobre saída da União Europeia

Diante da ameaça de uma derrota acachapante, a primeira-ministra Theresa May acaba de anunciar que a votação sobre a saída do Reino Unido da União Europeia na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, marcada para amanhã, foi adiada. Ela pretende reabrir as negociações para obter mais concessões do Conselho Europeu.

Em discurso na Câmara, May declarou que o governo vai retomar a discussão durante esta semana, mas não indicou quando a votação será realizada. O líder da oposição, Jeremy Corbyn, afirmou que "o governo perdeu o controle da situação" e que "este é um mau acordo para o país".

À frente nas pesquisas de opinião, o líder trabalhista pressiona o governo para convocar eleições gerais antecipadas e tomar o poder. Se o governo britânico voltar a negociar com o Conselho Europeu, vai precisar do apoio do Parlamento, exigiu Corbyn.

May respondeu que o líder da oposição quer a renegociação, mas alega que será impossível porque a UE não aceitaria. Ela insistiu que o acordo acertado com os outros 27 países-membros é o melhor para o país, contrariando estudos de economistas.

O principal ponto da renegociação seria a fronteira entre a Irlanda do Norte, que pertence ao Reino Unido, e a República da Irlanda, aberta com o acordo de paz norte-irlandês, de 1998. Se o Reino Unido deixar a união aduaneira com a UE, poderia haver de novo uma fronteira "dura", ameaçando a paz na província do Úlster.

De acordo com a análise do próprio governo conservador, com este acordo, a economia britânica cresceria 3,9% a menos nos próximos 15 anos do que se o Reino Unido ficar na UE. Um estudo do Banco da Inglaterra prevê uma queda de até 10,9% do produto interno bruto em cinco anos, caso o país deixe o bloco europeu sem qualquer acordo.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Oposição da Venezuela convoca protesto para dia da posse de Maduro

A Frente Ampla de oposição na Venezuela convocou uma nova onda de protestos nacionais a partir de 10 de janeiro de 2019, dia da posse do ditador Nicolás Maduro para um novo mandato. 

Seus objetivos são "defender a Constituição" e apelar às Forças Armadas para "restabelecer a ordem constitucional", noticiou ontem o jornal Versión Final, editado na cidade de Maracaibo.

Em uma reunião chamada de Congresso Venezuela Livre, a Frente lançou um manifesto pela mudança política no país com base em uma série de encontros regionais. O texto fala em "reunificar" as forças que lutam contra a ditadura.

Como não reconhecem o resultado da eleição presidencial de 22 de maio, as oposições venezuelanas negam legitimidade ao novo mandato de Maduro. O documento também apela à sociedade internacional para "reconhecer a luta democrática do povo venezuelano e a intensificar as pressões e as ações que contribuam para o fim da ditadura", alegando que o regime chavista é uma ameaça para o mundo e especialmente para a região.

Os protestos devem ser contidos enquanto a polícia e as Forças Armadas mantiverem lealdade do regime, mas sua capacidade para reprimir as manifestações será limitada pela escassez de combustíveis no país com as maiores reservas mundiais de petróleo.

Ontem, as Nações Unidas anunciaram uma "ajuda humanitária de emergência" de saúde e alimentos ao governo da Venezuela no valor de US$ 9,2 milhões para tentar conter a fuga em massa do país. Mais de 4 milhões de pessoas saíram no país nos últimos quatro anos para fugir da depressão econômica de 50%, da hiperinflação prevista para atingir 1.800.000% neste ano, e o desabastecimento generalizado de remédios e alimentos.

A ONU trabalha com um número menor, mas pesquisadores e acadêmicos venezuelanos argumentam que não leva em conta quem tem dupla nacionalidade e quem não fez uma declaração de saída definitiva.

Na Colômbia, a vice-presidente Marta Lucía Ramírez afirmou nesta terça-feira em Miami que a "tragédia da diáspora venezuelana" exige a ajuda todos os países da região para acolher os refugiados, Mais de 1 milhão foram para a Colômbia, além do regresso de colombianos que fugiram para o país vizinho durante a longa guerra civil colombiana.