Várias unidades policiais de quatro departamentos da Bolívia aderiram hoje à revolta popular contra o presidente Evo Morales, acusado de fraude eleitoral para se reeleger para um quarto mandato, o que a rigor é proibido pela Constituição. A oposição rejeitou a proposta de diálogo do governo e o Exército avisou que não vai enfrentar a população. Quer uma solução pacífica.
"Não tenho nada a negociar com Evo Morales e seu governo", afirmou o ex-vice-presidente Carlos Mesa, candidato derrotado na apuração oficial das eleições de 20 de outubro e líder da oposição. A declaração acirrou ainda mais os ânimos e as manifestações de rua.
Partidários do governo bloquearam o acesso à cidade de El Alto para impedir que manifestantes de oposição fossem até La Paz, onde fica a sede do governo. Os policiais exigem os mesmos salários e regime de aposentadoria que os militares.
Como a polícia de La Paz aderiu à revolta, o regime militar Colorados de Bolívia estão garantindo a segurança do presidente. Sem acesso ao Palácio Queimado, Morales despacha no aeroporto da cidade vizinha de El Alto.
Milhares de camponeses produtores de coca estão marchando de Cochabamba em direção a La Paz. Eles atendem à convocação de Morales, que denuncia um "golpe de Estado" com o apoio do exterior, que ele não identificou. O presidente iniciou sua carreira política como líder do sindicato dos produtores de coca.
Pela lei boliviana, ganha no primeiro turno quem receber mais de metade dos votos válidos ou mais de 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado. Uma apuração preliminar realizada na noite do dia da eleição indicava que haveria segundo quando foi suspensa sem maiores explicações.
No dia seguinte, a apuração manual voto a voto dava mais ou menos o mesmo percentual aos dois principais candidatos quando foi suspensa. Recomeçou então a contagem preliminar e o presidente obteve a vantagem de dez pontos percentuais, confirmada dias depois pela contagem mais lenta.
A interrupção abrupta da contagem despertou suspeitas, inclusive da missão observadora da Organização dos Estados Americanos (OEA), que defendeu uma recontagem e revisão geral dos votos. Desde o início, Morales alegou que as acusações eram parte de um golpe de Estado. Sua situação é cada vez mais difícil.
Proibido pela Constituição de se reeleger pela segunda vez, o presidente argumentou que o primeiro mandato havia sido sob a Constituição anterior. Depois de perder em 2016 um plebiscito que autorizaria a reeleição sem limites, apelou à Corte Suprema tendo por base uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, que entende que ser candidato é um direito fundamental.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sábado, 9 de novembro de 2019
domingo, 30 de junho de 2019
Trump vai à Coreia do Norte e convida ditador a visitar os EUA
Num encontro histórico, na madrugada de hoje pela hora do Brasil, Donald Trump tornou-se o primeiro presidente dos Estados Unidos no exercício do cargo a pisar no solo da Coreia do Norte, uma inimiga histórica desde a Guerra Fria. Ele apertou a mão do ditador Kim Jong Un e o convidou para visitar a Casa Branca.
Na prática, nada mudou, a não ser que os dois concordaram em retomar as negociações para desnuclearizar a Península Coreana. Trump aproveitou a viagem ao Leste da Ásia, onde participou da reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) em Osaka, no Japão, para ir à Coreia do Sul. De Seul, foi à zona desmilitarizada entre as duas Coreias junto com o presidente sul-coreano, Moon Jae In.
"É bom ver você de novo", disse Kim, sem esconder a euforia. "Nunca pensei em encontrá-lo neste lugar."
"É um grande momento, um grande momento", respondeu Trump, citado pelo jornal The New York Times.
Depois de cerca de um minuto do lado norte-coreano, os dois líderes cruzaram a última fronteira da Guerra Fria e entraram na Coreia do Sul, cercados por um batalhão de seguranças que atrapalhavam o trabalho de fotógrafos e cinegrafistas. Eles falaram rapidamente com os jornalistas e entraram na Casa da Liberdade para uma reunião com o presidente sul-coreano.
"Isto é muito significativo porque indica que nós queremos acabar com um passado desagradável e tentar criar um novo futuro", declarou Kim. "Foi um ato corajoso e determinado."
"Cruzar aquela linha foi uma grande honra", acrescentou Trump. "Um grande progresso foi feito, muitas amizades foram feitas e esta é especialmente uma grande amizade."
A zona desmilitarizada foi estabelecida no fim da Guerra da Coreia (1950-53). Até hoje, não houve um acordo de paz entre as duas partes, uma das exigências da Coreia do Norte.
Depois de ameaças de deflagrar uma guerra nuclear, Kim e Trump se encontraram pela primeira vez em Cingapura em 12 de junho do ano passado, quando acertaram iniciar negociações sobre as armas atômicas da Coreia do Norte. Mas as negociações pouco avançaram.
Os EUA exigiram que o regime comunista de Pyongyang apresentasse um inventário de seu arsenal nuclear e um cronograma de desarmamento para entregar a maior parte de suas bombas atômicas em seis meses. A Coreia do Norte insistiu no levantamento das duras sanções econômicas impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Kim e Trump voltaram a se ver pessoalmente em Hanói, no Vietnã, em 27 e 28 de fevereiro de 2019, quando o norte-coreano insistiu na suspensão da maioria das sanções como precondição para entregar as armas, enquanto os EUA deixaram claro que só fariam isso quando a Coreia do Norte tivesse se livrado de uma parte significativa do arsenal nuclear.
Insatisfeito, Trump se retirou das negociações. Foi muito criticado por seu reunir duas vezes com um ditador sanguinário sem obter progresso nas negociações. O presidente americano alegou que não houve mais testes nucleares nem de mísseis de longo alcance, com capacidade de atingir o território continental dos EUA.
Em maio deste ano, a ditadura stalinista norte-coreana testou mísseis de curto alcance capazes de atacar o Japão, aliado dos EUA, mas isso não incomodou Trump. Também teria ampliado o arsenal nuclear, hoje estimado em 20 a 60 bombas.
A visita inesperada à zona desmilitarizada foi uma jogada de Trump agora que está iniciando a campanha para a reeleição em 2020. Com a autopropalada fama de ser um grande negociador, o presidente americano conseguiu pouco sucesso até agora em negociações internacionais.
Trump renegociou o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) com o México e o Canadá, que chamava de um dos piores acordos comerciais da história, sem mudanças significativas e afirmou que agora é um dos melhores.
Em Osaka, acertou com o ditador da China, Xi Jinping, a retomada das negociações para acabar com a guerra comercial entre os dois países mais ricos do mundo, que também estavam num impasse.
Hoje, Trump falou como se EUA e Coreia do Norte estivessem à beira da guerra antes do encontro com Kim em Cingapura: "É um mundo completamente diferente." Esqueceu de dizer que foi ele que fomentou a tensão e criou um clima de guerra com um discurso inflamado prometendo aniquilar o país inimigo.
O grande vencedor hoje foi o presidente da Coreia do Sul, grande interessado em desarmar um conflito em que seu país seria um campo de batalha, observou o professor americano Leif Eric Easley, da Universidade Feminina Ewha, em Seul. "Mas amanhã, a Coreia do Norte ainda terá armas nucleares e os EUA manterão as sanções."
Na prática, nada mudou, a não ser que os dois concordaram em retomar as negociações para desnuclearizar a Península Coreana. Trump aproveitou a viagem ao Leste da Ásia, onde participou da reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) em Osaka, no Japão, para ir à Coreia do Sul. De Seul, foi à zona desmilitarizada entre as duas Coreias junto com o presidente sul-coreano, Moon Jae In.
"É bom ver você de novo", disse Kim, sem esconder a euforia. "Nunca pensei em encontrá-lo neste lugar."
"É um grande momento, um grande momento", respondeu Trump, citado pelo jornal The New York Times.
Depois de cerca de um minuto do lado norte-coreano, os dois líderes cruzaram a última fronteira da Guerra Fria e entraram na Coreia do Sul, cercados por um batalhão de seguranças que atrapalhavam o trabalho de fotógrafos e cinegrafistas. Eles falaram rapidamente com os jornalistas e entraram na Casa da Liberdade para uma reunião com o presidente sul-coreano.
"Isto é muito significativo porque indica que nós queremos acabar com um passado desagradável e tentar criar um novo futuro", declarou Kim. "Foi um ato corajoso e determinado."
"Cruzar aquela linha foi uma grande honra", acrescentou Trump. "Um grande progresso foi feito, muitas amizades foram feitas e esta é especialmente uma grande amizade."
A zona desmilitarizada foi estabelecida no fim da Guerra da Coreia (1950-53). Até hoje, não houve um acordo de paz entre as duas partes, uma das exigências da Coreia do Norte.
Depois de ameaças de deflagrar uma guerra nuclear, Kim e Trump se encontraram pela primeira vez em Cingapura em 12 de junho do ano passado, quando acertaram iniciar negociações sobre as armas atômicas da Coreia do Norte. Mas as negociações pouco avançaram.
Os EUA exigiram que o regime comunista de Pyongyang apresentasse um inventário de seu arsenal nuclear e um cronograma de desarmamento para entregar a maior parte de suas bombas atômicas em seis meses. A Coreia do Norte insistiu no levantamento das duras sanções econômicas impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Kim e Trump voltaram a se ver pessoalmente em Hanói, no Vietnã, em 27 e 28 de fevereiro de 2019, quando o norte-coreano insistiu na suspensão da maioria das sanções como precondição para entregar as armas, enquanto os EUA deixaram claro que só fariam isso quando a Coreia do Norte tivesse se livrado de uma parte significativa do arsenal nuclear.
Insatisfeito, Trump se retirou das negociações. Foi muito criticado por seu reunir duas vezes com um ditador sanguinário sem obter progresso nas negociações. O presidente americano alegou que não houve mais testes nucleares nem de mísseis de longo alcance, com capacidade de atingir o território continental dos EUA.
Em maio deste ano, a ditadura stalinista norte-coreana testou mísseis de curto alcance capazes de atacar o Japão, aliado dos EUA, mas isso não incomodou Trump. Também teria ampliado o arsenal nuclear, hoje estimado em 20 a 60 bombas.
A visita inesperada à zona desmilitarizada foi uma jogada de Trump agora que está iniciando a campanha para a reeleição em 2020. Com a autopropalada fama de ser um grande negociador, o presidente americano conseguiu pouco sucesso até agora em negociações internacionais.
Trump renegociou o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) com o México e o Canadá, que chamava de um dos piores acordos comerciais da história, sem mudanças significativas e afirmou que agora é um dos melhores.
Em Osaka, acertou com o ditador da China, Xi Jinping, a retomada das negociações para acabar com a guerra comercial entre os dois países mais ricos do mundo, que também estavam num impasse.
Hoje, Trump falou como se EUA e Coreia do Norte estivessem à beira da guerra antes do encontro com Kim em Cingapura: "É um mundo completamente diferente." Esqueceu de dizer que foi ele que fomentou a tensão e criou um clima de guerra com um discurso inflamado prometendo aniquilar o país inimigo.
O grande vencedor hoje foi o presidente da Coreia do Sul, grande interessado em desarmar um conflito em que seu país seria um campo de batalha, observou o professor americano Leif Eric Easley, da Universidade Feminina Ewha, em Seul. "Mas amanhã, a Coreia do Norte ainda terá armas nucleares e os EUA manterão as sanções."
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
Grupo de Contato sobre Venezuela se reúne na quinta-feira em Montevidéu
O Grupo de Contato que busca uma saída pacífica para a crise política na Venezuela, formado por quatro países latino-americanos e oito da Europa, fará sua primeira reunião de ministros do Exterior nesta quinta-feira em Montevidéu, noticiou o jornal venezuelano El Carabobeño, da cidade de Valência, no estado de Carabobo.
A iniciativa do México e do Uruguai tem a participação de Bolívia, Equador, Costa Rica, Alemanha, Espanha, França, França, Holanda, Portugal, Reino Unido, Suécia e Itália.
Todos estes países europeus, menos a Itália reconheceram o deputado Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, como presidente interino legítimo da Venezuela. Dos latino-americanos, só o Equador.
Guaidó e 11 dos países do Grupo de Lima, inclusive o Brasil, rejeitam esta proposta de diálogo como uma manobra do ditador Nicolás Maduro para ganhar tempo.
Os europeus a defendem como uma tentativa de "encontrar um caminho entre o querem o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o mandatário da Rússia, Vladimir Putin". Sua proposta alternativa é realizar uma nova eleição presidencial em três meses.
A iniciativa do México e do Uruguai tem a participação de Bolívia, Equador, Costa Rica, Alemanha, Espanha, França, França, Holanda, Portugal, Reino Unido, Suécia e Itália.
Todos estes países europeus, menos a Itália reconheceram o deputado Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, como presidente interino legítimo da Venezuela. Dos latino-americanos, só o Equador.
Guaidó e 11 dos países do Grupo de Lima, inclusive o Brasil, rejeitam esta proposta de diálogo como uma manobra do ditador Nicolás Maduro para ganhar tempo.
Os europeus a defendem como uma tentativa de "encontrar um caminho entre o querem o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o mandatário da Rússia, Vladimir Putin". Sua proposta alternativa é realizar uma nova eleição presidencial em três meses.
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quinta-feira, 8 de novembro de 2018
Coreia do Norte adia encontro com secretário de Estado americano
A Coreia do Norte suspendeu um encontro marcado com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, marcado para Nova York, confirmou hoje o ministro do Exterior da Coreia do Sul, Kang Kyung Wha, noticiou a agência de notícias sul-coreana Yonhap.
O cancelamento inesperado suscita mais dúvida sobre o diálogo entre os Estados Unidos e o regime comunista norte-coreano. A Casa Branca insiste em que o segundo encontro de cúpula entre o presidente Donald Trump e o ditador Kim Jong Un será realizada no início de 2019.
No primeiro de um presidente americano no exercício do cargo e um ditador norte-coreano, em 12 de junho, em Cingapura, Trump e Kim se comprometeram com o desarmamento nuclear da Península Coreana e a assinatura de um acordo de paz para pôr fim à Guerra da Coreia (1950-53).
Desde então, as negociações não evoluíram. Em três visitas a Pyongyang, o secretário Pompeo exigiu da ditadura stalinista a elaboração de um cronograma para entrega de 60% a 70% das armas nucleares norte-coreanas dentro de seis a nove meses. A Coreia do Norte rejeitou o desarmamento unilateral. Quer o alívio de parte das sanções econômicas impostas por Washington.
A julgar por negociações anteriores, o regime norte-coreano aposta em estender as negociações enquanto pede à China e à Rússia, rivais dos EUA, o relaxamento das sanções econômicas. Em Washington, Trump comentou: "Não temos pressa."
O cancelamento inesperado suscita mais dúvida sobre o diálogo entre os Estados Unidos e o regime comunista norte-coreano. A Casa Branca insiste em que o segundo encontro de cúpula entre o presidente Donald Trump e o ditador Kim Jong Un será realizada no início de 2019.
No primeiro de um presidente americano no exercício do cargo e um ditador norte-coreano, em 12 de junho, em Cingapura, Trump e Kim se comprometeram com o desarmamento nuclear da Península Coreana e a assinatura de um acordo de paz para pôr fim à Guerra da Coreia (1950-53).
Desde então, as negociações não evoluíram. Em três visitas a Pyongyang, o secretário Pompeo exigiu da ditadura stalinista a elaboração de um cronograma para entrega de 60% a 70% das armas nucleares norte-coreanas dentro de seis a nove meses. A Coreia do Norte rejeitou o desarmamento unilateral. Quer o alívio de parte das sanções econômicas impostas por Washington.
A julgar por negociações anteriores, o regime norte-coreano aposta em estender as negociações enquanto pede à China e à Rússia, rivais dos EUA, o relaxamento das sanções econômicas. Em Washington, Trump comentou: "Não temos pressa."
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terça-feira, 6 de março de 2018
Coreia do Norte admite desarmar o programa nuclear
Em mais um gesto de reaproximação, o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, recebeu uma delegação da Coreia do Sul, marcou um encontro de cúpula para o fim de abril, admitiu congelar seu programa nuclear e discutir a desnuclearização com os Estados Unidos.
Todo diálogo parecia impossível poucos meses atrás com a guerrinha fria verbal entre Kim e o presidente Donald Trump. Na mensagem de Ano Novo, Kim manifestou a intenção de retomar as conversas com o Sul e de enviar atletas norte-coreanos para a Olimpíada de Inverno de Pyeongchang.
Sua irmã Kim Yo Jong foi aos Jogos. Esteve com o presidente sul-coreano, Moon Jae In. Um encontro com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, foi desmarcado na última hora por iniciativa norte-coreana.
A manobra de Kim foi vista como uma tentativa de abalar a aliança EUA-Coreia do Sul. Estes dois países adiaram manobras militares conjuntas por causa dos Jogos de Inverno. A Paraolimpíada de Pyeongchang será realizada de 8 a 18 de março.
Há sempre o risco de que o ditador norte-coreano retome a linguagem guerreira quando começar o treinamento militar conjunto dos seus inimigos históricos. Ao receber ontem a delegação de mais alto nível da Coreia do Sul em uma década, Kim revela uma disposição para o diálogo.
Antes do encontro de cúpula, Kim e Moon vão falar pessoalmente pelo telefone através de uma linha direta entre os governos dos dois países, instalado pela primeira vez em setembro de 1971 para evitar crises bilaterais. Quando o telefone foi religado pelo Norte, em 3 de janeiro, diálogo recomeçou.
A delegação sul-coreana foi chefiada pelo conselheiro de Segurança Nacional, Chung Eui Yong. Foi recebida na sede do Partido dos Trabalhadores, o nome oficial do partido comunista norte-coreano, numa área de acesso restrito de Pyongyang.
Na versão sul-coreana, as duas Coreias concordaram que "a parte norte-coreana expôs claramente sua disposição para a desnuclearização".
Em troca, o regime stalinista de Pyongyang exige garantias de segurança: "deixou claro que não haveria razão para manter armas nucleares se a ameaça militar contra o Norte fosse eliminada", acrescentou o comunicado da delegação sul-coreana.
"O Norte expressou sua disposição para manter um diálogo sincero com os EUA sobre desnuclearização e normalização de relações", disse a nota. "Enquanto continuar o diálogo, não realizará provocações estratégicas tais como testes nucleares e de mísseis balísticos."
Uma delegação da Coreia do Sul vai a Washington nos próximos dias fazer um relato detalhado sobre o encontro.
Trump admitiu negociar sem precondições. Até agora, o governo americano exigia medidas concretas para desarmar o programa nuclear norte-coreano para dar início a um diálogo direto.
Se a Coreia do Norte exigir a retirada das forças dos EUA da Coreia do Sul, onde estão desde a Segunda Guerra Mundial, a proposta de paz de Kim será recusada. Como os EUA não costumam revelar por onde andam suas armas atômicas, a desnuclearização total da Península Coreana também não está nos planos de Washington.
Mais do que proteger a Coreia do Sul e o Japão, a presença militar dos EUA no Leste da Ásia é uma peça central da estratégia para conter a China, a superpotência emergente e único rival capaz de ameaçar e suplantar o poderio americano.
Nestas condições, o regime comunista norte-coreano vai se declarar ameaçado. Será necessário negociar um acordo de paz definitivo para a Guerra da Coreia (1950-53). Historicamente, a Coreia do Norte sempre exigiu negociações diretas com os EUA, alegando que a Coreia do Sul e o Japão têm governos-fantoches de Washington.
Desde o fim da União Soviética, em 1991, a Coreia do Norte enfrentou sérias crises energéticas e de escassez de alimentos, com uma estimativa de milhões de mortes. Sem a patrocinadora histórica, partiu para uma chantagem atômica com os EUA e seus aliados na Ásia, ameaçando desenvolver armas nucleares.
Em 1994, o ex-presidente americano Jimmy Carter foi a Pyongyang, esteve com o ditador Kim Il Sung, fundador do pai e avô do atual líder, e abriu caminho para o então presidente Bill Clinton negociar um acordo para dar ajuda em troca da desnuclearização.
Houve vários acordos frustrados. A Coreia do Norte chegou a destruir um reator na central atômica de Yongbyon, a principal instalação nuclear militar do país. Quando o então presidente George W. Bush colocou o país no "eixo do mal", ao lado do Irã e do Iraque, em 29 de janeiro de 2002, e invadiu o Iraque em 2003, o Irã e a Coreia do Norte aceleraram seus projetos para fabricar a bomba atômica.
O regime comunista norte-coreano fez seu primeiro teste nuclear em 2006 e o segundo em 2009, sob a liderança de Kim Jong Il, pai do atual ditador. Kim Jong Un ascendeu ao poder com a morte do pai, em dezembro de 2011, meses após a queda e morte do ditador da Líbia Muamar Kadafi.
Kadafi abrira mão de suas armas de destruição em massa em um acordo com o Ocidente. Foi derrubado por uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para evitar um massacre de rebeldes em Bengázi, a segunda maior cidade líbia.
Desde a ascensão de Kim, a Coreia do Norte fez mais quatro testes nucleares e dezenas de testes de mísseis. No fim de 2017, o ditador afirmou que o país dominava o ciclo completo da tecnologia nuclear. Trump ameaçou responder com "fogo e fúria", com uma "força jamais vista", o que significa guerra atômica.
Assim, está é uma oportunidade que não pode ser desprezada para evitar o risco de uma guerra nuclear. Vamos aguardar a proposta de paz concreta do ditador que matou o tio e o irmão para se firmar no poder - e três meses atrás ameaçava incendiar o mundo.
Todo diálogo parecia impossível poucos meses atrás com a guerrinha fria verbal entre Kim e o presidente Donald Trump. Na mensagem de Ano Novo, Kim manifestou a intenção de retomar as conversas com o Sul e de enviar atletas norte-coreanos para a Olimpíada de Inverno de Pyeongchang.
Sua irmã Kim Yo Jong foi aos Jogos. Esteve com o presidente sul-coreano, Moon Jae In. Um encontro com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, foi desmarcado na última hora por iniciativa norte-coreana.
A manobra de Kim foi vista como uma tentativa de abalar a aliança EUA-Coreia do Sul. Estes dois países adiaram manobras militares conjuntas por causa dos Jogos de Inverno. A Paraolimpíada de Pyeongchang será realizada de 8 a 18 de março.
Há sempre o risco de que o ditador norte-coreano retome a linguagem guerreira quando começar o treinamento militar conjunto dos seus inimigos históricos. Ao receber ontem a delegação de mais alto nível da Coreia do Sul em uma década, Kim revela uma disposição para o diálogo.
Antes do encontro de cúpula, Kim e Moon vão falar pessoalmente pelo telefone através de uma linha direta entre os governos dos dois países, instalado pela primeira vez em setembro de 1971 para evitar crises bilaterais. Quando o telefone foi religado pelo Norte, em 3 de janeiro, diálogo recomeçou.
A delegação sul-coreana foi chefiada pelo conselheiro de Segurança Nacional, Chung Eui Yong. Foi recebida na sede do Partido dos Trabalhadores, o nome oficial do partido comunista norte-coreano, numa área de acesso restrito de Pyongyang.
Na versão sul-coreana, as duas Coreias concordaram que "a parte norte-coreana expôs claramente sua disposição para a desnuclearização".
Em troca, o regime stalinista de Pyongyang exige garantias de segurança: "deixou claro que não haveria razão para manter armas nucleares se a ameaça militar contra o Norte fosse eliminada", acrescentou o comunicado da delegação sul-coreana.
"O Norte expressou sua disposição para manter um diálogo sincero com os EUA sobre desnuclearização e normalização de relações", disse a nota. "Enquanto continuar o diálogo, não realizará provocações estratégicas tais como testes nucleares e de mísseis balísticos."
Uma delegação da Coreia do Sul vai a Washington nos próximos dias fazer um relato detalhado sobre o encontro.
Trump admitiu negociar sem precondições. Até agora, o governo americano exigia medidas concretas para desarmar o programa nuclear norte-coreano para dar início a um diálogo direto.
Se a Coreia do Norte exigir a retirada das forças dos EUA da Coreia do Sul, onde estão desde a Segunda Guerra Mundial, a proposta de paz de Kim será recusada. Como os EUA não costumam revelar por onde andam suas armas atômicas, a desnuclearização total da Península Coreana também não está nos planos de Washington.
Mais do que proteger a Coreia do Sul e o Japão, a presença militar dos EUA no Leste da Ásia é uma peça central da estratégia para conter a China, a superpotência emergente e único rival capaz de ameaçar e suplantar o poderio americano.
Nestas condições, o regime comunista norte-coreano vai se declarar ameaçado. Será necessário negociar um acordo de paz definitivo para a Guerra da Coreia (1950-53). Historicamente, a Coreia do Norte sempre exigiu negociações diretas com os EUA, alegando que a Coreia do Sul e o Japão têm governos-fantoches de Washington.
Desde o fim da União Soviética, em 1991, a Coreia do Norte enfrentou sérias crises energéticas e de escassez de alimentos, com uma estimativa de milhões de mortes. Sem a patrocinadora histórica, partiu para uma chantagem atômica com os EUA e seus aliados na Ásia, ameaçando desenvolver armas nucleares.
Em 1994, o ex-presidente americano Jimmy Carter foi a Pyongyang, esteve com o ditador Kim Il Sung, fundador do pai e avô do atual líder, e abriu caminho para o então presidente Bill Clinton negociar um acordo para dar ajuda em troca da desnuclearização.
Houve vários acordos frustrados. A Coreia do Norte chegou a destruir um reator na central atômica de Yongbyon, a principal instalação nuclear militar do país. Quando o então presidente George W. Bush colocou o país no "eixo do mal", ao lado do Irã e do Iraque, em 29 de janeiro de 2002, e invadiu o Iraque em 2003, o Irã e a Coreia do Norte aceleraram seus projetos para fabricar a bomba atômica.
O regime comunista norte-coreano fez seu primeiro teste nuclear em 2006 e o segundo em 2009, sob a liderança de Kim Jong Il, pai do atual ditador. Kim Jong Un ascendeu ao poder com a morte do pai, em dezembro de 2011, meses após a queda e morte do ditador da Líbia Muamar Kadafi.
Kadafi abrira mão de suas armas de destruição em massa em um acordo com o Ocidente. Foi derrubado por uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para evitar um massacre de rebeldes em Bengázi, a segunda maior cidade líbia.
Desde a ascensão de Kim, a Coreia do Norte fez mais quatro testes nucleares e dezenas de testes de mísseis. No fim de 2017, o ditador afirmou que o país dominava o ciclo completo da tecnologia nuclear. Trump ameaçou responder com "fogo e fúria", com uma "força jamais vista", o que significa guerra atômica.
Assim, está é uma oportunidade que não pode ser desprezada para evitar o risco de uma guerra nuclear. Vamos aguardar a proposta de paz concreta do ditador que matou o tio e o irmão para se firmar no poder - e três meses atrás ameaçava incendiar o mundo.
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
ELN anuncia trégua eleitoral na Colômbia
O Exército de Libertação Nacional tenta retomar as negociações de paz com o governo da Colômbia. Depois de romper a trégua e matar sete policiais, o grupo guerrilheiro de esquerda anunciou ontem um cessar-fogo durante as eleições parlamentares do próximo mês e propôs o reinício do diálogo.
"Quando nos aproximamos das eleições de 11 de março, mesmo que não endossemos este processo falho, em sinal de respeito aos homens e mulheres da Colômbia que irão votar, o ELN vai cessar suas operações militares ofensivas entre 9 e 13 de março", declarou o grupo em nota publicada na Internet.
Nestas eleições para a Câmara e o Senado, pela primeira vez, os ex-guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) vão participar do processo político como Forças Alternativas Revolucionárias do Comum (FARC), depois de um acordo negociado durante quatro anos, em Cuba. O partido preserva a marca registrada do que era o maior grupo guerrilheiro de esquerda colombiano.
As negociações com as FARC são o modelo para o ELN, que tem muito menos poder de barganha. As FARC, enfraquecidas pela guerra deflagrada pelo presidente Álvaro Uribe (2002-10), tinham 8 mil homens em armas quando o governo Juan Manuel Santos o diálogo pela paz, em 2012. O ELN tem entre 1,5 e 2 mil guerrilheiros desgastados por uma guerra sem sentido.
Na declaração de cessar-fogo, o ELN pede a Santos que "marque uma data para o início da quinta rodada de negociações e envie uma delegação para o diálogo em Quito. Naquela data, todos os nossos delegados também irão à capital do Equador."
O diálogo entre o governo Santos e o ELN começou em 7 de fevereiro de 2017, em Quito. Foi suspenso pelo presidente colombiano em 29 de janeiro de 2018 depois de vários ataques da guerrilha que resultaram na morte de sete policiais. Uma unidade de guerrilha urbana do ELN reivindicou um ataque a Barranquilla em que cinco policiais morreram e 41 saíram feridos.
"Quando nos aproximamos das eleições de 11 de março, mesmo que não endossemos este processo falho, em sinal de respeito aos homens e mulheres da Colômbia que irão votar, o ELN vai cessar suas operações militares ofensivas entre 9 e 13 de março", declarou o grupo em nota publicada na Internet.
Nestas eleições para a Câmara e o Senado, pela primeira vez, os ex-guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) vão participar do processo político como Forças Alternativas Revolucionárias do Comum (FARC), depois de um acordo negociado durante quatro anos, em Cuba. O partido preserva a marca registrada do que era o maior grupo guerrilheiro de esquerda colombiano.
As negociações com as FARC são o modelo para o ELN, que tem muito menos poder de barganha. As FARC, enfraquecidas pela guerra deflagrada pelo presidente Álvaro Uribe (2002-10), tinham 8 mil homens em armas quando o governo Juan Manuel Santos o diálogo pela paz, em 2012. O ELN tem entre 1,5 e 2 mil guerrilheiros desgastados por uma guerra sem sentido.
Na declaração de cessar-fogo, o ELN pede a Santos que "marque uma data para o início da quinta rodada de negociações e envie uma delegação para o diálogo em Quito. Naquela data, todos os nossos delegados também irão à capital do Equador."
O diálogo entre o governo Santos e o ELN começou em 7 de fevereiro de 2017, em Quito. Foi suspenso pelo presidente colombiano em 29 de janeiro de 2018 depois de vários ataques da guerrilha que resultaram na morte de sete policiais. Uma unidade de guerrilha urbana do ELN reivindicou um ataque a Barranquilla em que cinco policiais morreram e 41 saíram feridos.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
ELN reivindica autoria de ataque a bomba contra delegacia na Colômbia
A Frente de Guerrilha Urbana do Exército de Libertação Nacional da Colômbia (ELN) assumiu a responsabilidade por um atentado a bomba contra uma delegacia de polícia da cidade de Barranquilla em que cinco agentes foram mortos e outros 41 saíram feridos.
"O ELN, no exercício do direito legítimo de rebelião, realizou uma ação militar", declarou um comunicado atribuído ao grupo. "A as forças policiais da delegacia de São José, no Sul de Barranquilla, foram atacadas."
Ao justificar o ataque, o ELN acusou o governo de "se recusa a dar respostas às necessidades do povo, está inventando desculpas para não garantir seus direitos e usa as forças públicas para reprimir o povo."
Um homem de 31 anos identificado como Cristian Camilo Bellon Galindo foi preso sob a acusação de colaborar com o ataque no litoral caribenho da Colômbia. Será denunciado por cinco acusações de terrorismo e 42 de tentativa de assassinato, terrorismo agravado e uso de explosivos.
Depois do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o maior grupo guerrilheiro em atividade no país, o governo colombiano iniciou no ano passado negociações com o ELN, o segundo maior grupo.
O diálogo foi suspenso em 10 de janeiro de 2018 em meio a uma onda de ataques do ELN depois do fim de um cessar-fogo bilateral de 100 dias. Houve um atentado na cidade de Soledade, na região metropolitana de Barranquilla e outro contra uma delegacia de polícia em Santa Rosa, na província de Bolívar.
Enquanto o ELN volta a uma luta armada que não faz mais sentido, o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, de nome de guerra Timochenko, vai disputar a eleição presidencial deste ano na Colômbia.
"O ELN, no exercício do direito legítimo de rebelião, realizou uma ação militar", declarou um comunicado atribuído ao grupo. "A as forças policiais da delegacia de São José, no Sul de Barranquilla, foram atacadas."
Ao justificar o ataque, o ELN acusou o governo de "se recusa a dar respostas às necessidades do povo, está inventando desculpas para não garantir seus direitos e usa as forças públicas para reprimir o povo."
Um homem de 31 anos identificado como Cristian Camilo Bellon Galindo foi preso sob a acusação de colaborar com o ataque no litoral caribenho da Colômbia. Será denunciado por cinco acusações de terrorismo e 42 de tentativa de assassinato, terrorismo agravado e uso de explosivos.
Depois do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o maior grupo guerrilheiro em atividade no país, o governo colombiano iniciou no ano passado negociações com o ELN, o segundo maior grupo.
O diálogo foi suspenso em 10 de janeiro de 2018 em meio a uma onda de ataques do ELN depois do fim de um cessar-fogo bilateral de 100 dias. Houve um atentado na cidade de Soledade, na região metropolitana de Barranquilla e outro contra uma delegacia de polícia em Santa Rosa, na província de Bolívar.
Enquanto o ELN volta a uma luta armada que não faz mais sentido, o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, de nome de guerra Timochenko, vai disputar a eleição presidencial deste ano na Colômbia.
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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
Coreia do Norte aceita convite para diálogo com Coreia do Sul
Por fax, a Coreia do Norte aceitou o convite para uma reunião com a Coreia do Sul na próxima terça-feira para acertar a participação norte-coreana na Olimpíada e na Paraolimpíada de Inverno de Pyeongchang, que serão realizadas de 9 a 24 de fevereiro e 8 a 18 de março, no Sul.
A inesperada proposta de diálogo foi feita pelo ditador norte-coreano Kim Jong Un em sua mensagem de Ano Novo. Será o primeiro contato direto entre as duas Coreias em dois anos.
O diálogo está sendo visto como uma jogada de Kim para dividir a aliança entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul. Ao presidente Donald Trump, Kim avisou que tem um botão nuclear sobre a mesa. Ao presidente Moon Jae In, é uma chance de cumprir a promessa de campanha de buscar a paz através do diálogo com o Norte.
Durante os Jogos de Inverno, os EUA e a Coreia do Sul não vão realizar as manobras militares conjuntas que fazem todos os anos no fim do inverno do Hemisfério Norte. É uma demonstração de força interpretada pela Coreia do Norte como um treinamento para invadir o país.
Em Washington, a Casa Branca aceitou o diálogo, apesar da exclusão dos EUA, mas reafirmou a determinação de manter as sanções econômicas e a política de isolamento da Coreia do Norte para pressionar o país a abrir mão de suas armas nucleares.
A inesperada proposta de diálogo foi feita pelo ditador norte-coreano Kim Jong Un em sua mensagem de Ano Novo. Será o primeiro contato direto entre as duas Coreias em dois anos.
O diálogo está sendo visto como uma jogada de Kim para dividir a aliança entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul. Ao presidente Donald Trump, Kim avisou que tem um botão nuclear sobre a mesa. Ao presidente Moon Jae In, é uma chance de cumprir a promessa de campanha de buscar a paz através do diálogo com o Norte.
Durante os Jogos de Inverno, os EUA e a Coreia do Sul não vão realizar as manobras militares conjuntas que fazem todos os anos no fim do inverno do Hemisfério Norte. É uma demonstração de força interpretada pela Coreia do Norte como um treinamento para invadir o país.
Em Washington, a Casa Branca aceitou o diálogo, apesar da exclusão dos EUA, mas reafirmou a determinação de manter as sanções econômicas e a política de isolamento da Coreia do Norte para pressionar o país a abrir mão de suas armas nucleares.
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terça-feira, 2 de janeiro de 2018
Kim Jong Un tem botão nuclear à mão mas pede diálogo à Coreia do Sul
O ditador da Coreia do Norte manteve o desafio à sociedade internacional. Na mensagem de Ano Novo, Kim Jong Un anunciou ao povo norte-coreano que tem um botão nuclear em sua mesa de trabalho, mas só vai usar se o regime comunista estiver ameaçado.
Este será o ano de produzir armas nucleares e mísseis balísticos em massa, acrescentou. Ao mesmo tempo, pediu diálogo à Coreia do Sul para enfraquecer sua aliança com os Estados Unidos, noticiou o jornal The New York Times.
Para minar a estratégia do presidente Donald Trump de isolar a ditadura stalinista de Pionguiangue, Kim pediu a abertura de diálogo com a Coreia do Norte com urgência, antes da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, em 9 de fevereiro, na Coreia do Sul, e desejou sucesso à Olimpíada de Pyeongchang.
O presidente sul-coreano, Moon Jae In, é um liberal eleito com uma proposta de retomar o diálogo com a Coreia do Norte para resolver pacificamente o conflito. A Coreia do Sul seria o principal alvo de uma retaliação norte-coreana a um possível ataque preventivo dos EUA para tentar destruir as instalações nucleares do Norte.
Até agora, a mídia estatal norte-coreana desprezava Moon com um lacaio dos EUA sem espinha dorsal. A mudança indica uma tentativa de dividir a aliança Washington-Seul.
A China também investe na solução diplomática e considera inaceitável uma guerra em sua fronteira. Votou a favor das últimas sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, cortando em 90% as importações de petróleo da Coreia do Norte. Se forem aplicadas com rigor, terão consequências.
Este será o ano de produzir armas nucleares e mísseis balísticos em massa, acrescentou. Ao mesmo tempo, pediu diálogo à Coreia do Sul para enfraquecer sua aliança com os Estados Unidos, noticiou o jornal The New York Times.
Para minar a estratégia do presidente Donald Trump de isolar a ditadura stalinista de Pionguiangue, Kim pediu a abertura de diálogo com a Coreia do Norte com urgência, antes da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, em 9 de fevereiro, na Coreia do Sul, e desejou sucesso à Olimpíada de Pyeongchang.
O presidente sul-coreano, Moon Jae In, é um liberal eleito com uma proposta de retomar o diálogo com a Coreia do Norte para resolver pacificamente o conflito. A Coreia do Sul seria o principal alvo de uma retaliação norte-coreana a um possível ataque preventivo dos EUA para tentar destruir as instalações nucleares do Norte.
Até agora, a mídia estatal norte-coreana desprezava Moon com um lacaio dos EUA sem espinha dorsal. A mudança indica uma tentativa de dividir a aliança Washington-Seul.
A China também investe na solução diplomática e considera inaceitável uma guerra em sua fronteira. Votou a favor das últimas sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, cortando em 90% as importações de petróleo da Coreia do Norte. Se forem aplicadas com rigor, terão consequências.
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segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Puigdemont pede dois meses para diálogo com a Espanha
Mais uma vez, o governador regional Carles Puigdemont foi ambíguo sobre a independência da Catalunha. Sob pressão da Espanha para definir até quinta-feira se declarou ou não a independência, ele pediu dois meses para negociar.
Em cartas trocadas hoje, o líder catalão e o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, propõem o diálogo, mas nenhum parece disposto a ceder, informou o jornal El País, de Madri.
Rajoy está disposto a receber Puigdemont para discutir dentro dos marcos legais existentes hoje, a Constituição da Espanha e o Estatuto de Autonomia da Catalunha. Antes, quer saber se o líder catalão declarou independência ou não.
Por outro lado, Puigdemont se equilibra entre um movimento pela independência minoritário que tem pressa e a impossibilidade de entrar em choque frontal com o governo central espanhol. Em sua carta, ele fala em nome da "maioria dos catalães", que teriam se manifestado a favor de "um país independente".
Para Rajoy, o plebiscito foi ilegal. Além do mais, só votaram 42,3%. Então, do total de eleitores catalães, apenas 38% aprovaram a independência. Isso reforça o argumento de que o movimento é minoritário.
Sem disposição para ceder, o primeiro-ministro está pronto para acionar o artigo 155 da Constituição para suspender a autonomia da Catalunha a partir de sexta-feira.
Diante da ordem de prisão de dois ativistas do movimento pela independência, Jordi Cuixart, da Assembleia Nacional Catalã, e Jordi Sánchez, da Òmnium, Puigdemont declarou à noite que "agora a Espanha tem presos políticos".
Em cartas trocadas hoje, o líder catalão e o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, propõem o diálogo, mas nenhum parece disposto a ceder, informou o jornal El País, de Madri.
Rajoy está disposto a receber Puigdemont para discutir dentro dos marcos legais existentes hoje, a Constituição da Espanha e o Estatuto de Autonomia da Catalunha. Antes, quer saber se o líder catalão declarou independência ou não.
Por outro lado, Puigdemont se equilibra entre um movimento pela independência minoritário que tem pressa e a impossibilidade de entrar em choque frontal com o governo central espanhol. Em sua carta, ele fala em nome da "maioria dos catalães", que teriam se manifestado a favor de "um país independente".
Para Rajoy, o plebiscito foi ilegal. Além do mais, só votaram 42,3%. Então, do total de eleitores catalães, apenas 38% aprovaram a independência. Isso reforça o argumento de que o movimento é minoritário.
Sem disposição para ceder, o primeiro-ministro está pronto para acionar o artigo 155 da Constituição para suspender a autonomia da Catalunha a partir de sexta-feira.
Diante da ordem de prisão de dois ativistas do movimento pela independência, Jordi Cuixart, da Assembleia Nacional Catalã, e Jordi Sánchez, da Òmnium, Puigdemont declarou à noite que "agora a Espanha tem presos políticos".
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
Rajoy dá cinco dias a Catalunha para dizer se declarou independência
O primeiro-ministro conservador da Espanha, Mariano Rajoy, deu hoje um prazo de cinco dias ao governador regional da Catalunha, Carles Puigdemont, para que "confirme se ontem declarou ou não a independência". Se a independência for confirmada, Rajoy pode aplicar o artigo 155 da Constituição da Espanha e cancelar a autonomia regional da Catalunha no dia 19.
"Se Puigdemont voltar à legalidade, se porá fim a esta época de incerteza e voltará o sossego", afirmou o chefe de governo espanhol, citado pelo jornal La Vanguardia, de Barcelona. "Puigdemont tem também a oportunidade de atender ao clamor que chega de tantos lugares para recuperar a convivência na Catalunha."
Foi uma das declarações de independência mais calhordas da história. O governador catalão anunciou a independência, mas suspendeu seus efeitos temporariamente para dar um prazo à negociação com o governo central espanhol.
Na prática, Puigdemont declarou a independência e propôs negociações em que só aceita um resultado, sem dar qualquer margem de negociação a Madri. Rajoy, por sua vez, não parece disposto a fazer qualquer concessão.
Uma solução negociada exigiria a reforma do estatuto de autonomia para dar autonomia financeira à Catalunha, aplacando as causas econômicas da independência. Isso parece distante. Se acabar com a autonomia e impuser o controle central de Madri, Rajoy pode convocar eleições antecipadas para dissolver o atual governo catalão.
O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), o maior da oposição, apoiou o governo conservador.
"Se Puigdemont voltar à legalidade, se porá fim a esta época de incerteza e voltará o sossego", afirmou o chefe de governo espanhol, citado pelo jornal La Vanguardia, de Barcelona. "Puigdemont tem também a oportunidade de atender ao clamor que chega de tantos lugares para recuperar a convivência na Catalunha."
Foi uma das declarações de independência mais calhordas da história. O governador catalão anunciou a independência, mas suspendeu seus efeitos temporariamente para dar um prazo à negociação com o governo central espanhol.
Na prática, Puigdemont declarou a independência e propôs negociações em que só aceita um resultado, sem dar qualquer margem de negociação a Madri. Rajoy, por sua vez, não parece disposto a fazer qualquer concessão.
Uma solução negociada exigiria a reforma do estatuto de autonomia para dar autonomia financeira à Catalunha, aplacando as causas econômicas da independência. Isso parece distante. Se acabar com a autonomia e impuser o controle central de Madri, Rajoy pode convocar eleições antecipadas para dissolver o atual governo catalão.
O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), o maior da oposição, apoiou o governo conservador.
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Catalunha repudia discurso do rei da Espanha e vai declarar independência
Vinte e quatro horas depois do discurso do rei Felipe VI, o governador regional da Catalunha, Carles Puigdemont, criticou, em pronunciamento transmitido há poucos minutos pela televisão, a declaração real por não fazer um "apelo ao diálogo e à concórdia", informou o jornal La Vanguardia, de Barcelona.
Depois do plebiscito ilegal reprimido com violência pela polícia espanhola no domingo passado, Puigdemont pediu a mediação da União Europeia e anunciou que vai declarar independência, provavelmente na próxima segunda-feira.
"Assim, não", reagiu o governador Puigdemont, em resposta ao discurso do rei, "você decepcionou muitos catalães. "A gente esperava de você um apelo ao diálogo e à concórdia. O rei ignora deliberadamente os milhões de catalães que não pensam como o gobierno", falando em catalão, mas se referindo ao governo central de Madri em castelhano.
Puigdemont lamentou que "o rei não tenha exercido o poder moderador que a Constituição lhe outorga" e citou a greve geral e as manifestações de massa de ontem, que reuniram 700 mil pessoas, para dizer: "Somos um povo unido, que sempre tenta fazer as coisas com civismo e paz", acrescentou, numa condenação implícita ao uso da força contra o plebiscito, que deixou mais de 800 feridos.
Hoje, os partidos favoráveis à independência, Junts por el Sí e Candidatura de Unidade Popular (CUP), fizeram o pedido para que o governador vá na segunda-feira ao Parlament apresentar os resultados do plebiscito de 1º de outubro. A CUP exige uma declaração unilateral de independência da Catalunha em 9 de outubro.
Cerca de 42,3% dos mais de 5 milhões de eleitores da Catalunha votaram em 1º de outubro. Quem é contra a independência boicotou o plebiscito e muitos eleitores foram impedidos de votar pela polícia espanhola. Pela primeira contagem oficial, 92% dos votantes aprovaram a independência, mas isso representa pouco menos de 38% do total do eleitorado, o que mina sua legitimidade.
Pela manhã, o porta-voz do govern, Jordi Turull, confirmou que a marcha rumo à independência está definida: quando a recontagem dos votos do plebiscito de 1º de outubro for concluída definitivamente, o resultado será levado ao Parlament, que vai declarar a independência da Catalunha.
A Espanha já deixou claro que vai rejeitar a proclamação. Pela Constituição de 1978, todo o país deve votar em plebiscitos sobre a independência e não apenas a região interessada. Por isso, o Tribunal Constitucional e o governo conservador do primeiro-ministro Mariano Rajoy consideram a consulta popular ilegal.
Está criada uma crise constitucional, agravada pela prepotência do governo Rajoy. Como a UE não quer estimular movimentos pela independência, anunciou que se trata de uma questão interna da Espanha. O governo catalão pede a intermediação em defesa dos direitos de seus cidadãos como cidadãos europeus.
Depois do plebiscito ilegal reprimido com violência pela polícia espanhola no domingo passado, Puigdemont pediu a mediação da União Europeia e anunciou que vai declarar independência, provavelmente na próxima segunda-feira.
"Assim, não", reagiu o governador Puigdemont, em resposta ao discurso do rei, "você decepcionou muitos catalães. "A gente esperava de você um apelo ao diálogo e à concórdia. O rei ignora deliberadamente os milhões de catalães que não pensam como o gobierno", falando em catalão, mas se referindo ao governo central de Madri em castelhano.
Puigdemont lamentou que "o rei não tenha exercido o poder moderador que a Constituição lhe outorga" e citou a greve geral e as manifestações de massa de ontem, que reuniram 700 mil pessoas, para dizer: "Somos um povo unido, que sempre tenta fazer as coisas com civismo e paz", acrescentou, numa condenação implícita ao uso da força contra o plebiscito, que deixou mais de 800 feridos.
Hoje, os partidos favoráveis à independência, Junts por el Sí e Candidatura de Unidade Popular (CUP), fizeram o pedido para que o governador vá na segunda-feira ao Parlament apresentar os resultados do plebiscito de 1º de outubro. A CUP exige uma declaração unilateral de independência da Catalunha em 9 de outubro.
Cerca de 42,3% dos mais de 5 milhões de eleitores da Catalunha votaram em 1º de outubro. Quem é contra a independência boicotou o plebiscito e muitos eleitores foram impedidos de votar pela polícia espanhola. Pela primeira contagem oficial, 92% dos votantes aprovaram a independência, mas isso representa pouco menos de 38% do total do eleitorado, o que mina sua legitimidade.
Pela manhã, o porta-voz do govern, Jordi Turull, confirmou que a marcha rumo à independência está definida: quando a recontagem dos votos do plebiscito de 1º de outubro for concluída definitivamente, o resultado será levado ao Parlament, que vai declarar a independência da Catalunha.
A Espanha já deixou claro que vai rejeitar a proclamação. Pela Constituição de 1978, todo o país deve votar em plebiscitos sobre a independência e não apenas a região interessada. Por isso, o Tribunal Constitucional e o governo conservador do primeiro-ministro Mariano Rajoy consideram a consulta popular ilegal.
Está criada uma crise constitucional, agravada pela prepotência do governo Rajoy. Como a UE não quer estimular movimentos pela independência, anunciou que se trata de uma questão interna da Espanha. O governo catalão pede a intermediação em defesa dos direitos de seus cidadãos como cidadãos europeus.
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quarta-feira, 10 de maio de 2017
Presidente eleito da Coreia do Sul quer ir a Pionguiangue
Em uma tentativa para tentar retomar o diálogo, o presidente eleito da Coreia do Sul, Moon Jae In, declarou hoje estar pronto a visitar Pionguiangue, a capital da Coreia do Norte, "se houver condições apropriadas".
Moon, um advogado liberal defensor dos direitos humanos, é filho de refugiados do Norte durante a Guerra da Coreia (1950-53). Chega ao poder dois meses depois do impeachment da presidente Park Geun Hye, acusada de corrupção, num momento de grande tensão na Península Coreana.
Desde que ascendeu à liderança do regime comunista norte-coreano, em 2012, o ditador Kim Jong Un, hoje com 33 anos, acelerou os programas de desenvolvimento de armas atômicas e de tecnologia de mísseis. Seu objetivo aparente é ter capacidade de lançar um míssil nuclear em território americano.
Com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, o secretário de Estado, Rex Tillerson, advertiu que acabou a "paciência estratégica" dos EUA com a ditadura stalinista de Pionguiangue. Numa de suas tiradas, Trump afirmou estar pronto para encontrar Kim Jong Un, mas isso é impossível sem uma preparação diplomática.
Na prática, Trump ameaçou agir. Estaria examinando a possibilidade de um ataque preventivo contra as instalações nucleares da Coreia do Norte. É fácil destruí-las, mas impossível impedir uma violenta retaliação em que o alvo principal seria a capital sul-coreana, Seul.
Moon está determinado a pacificar a península. Com a crise que levou ao impeachment da presidente Park, a Coreia do Sul ficou fora do jogo diplomático na questão norte-coreana, dominado por EUA e China. O primeiro passo é entrar na parada.
A China está insatisfeita com a instalação na Coreia do Sul do Terminal de Defesa Aérea a Alta Altitude (THAAD). É um sistema de defesa antimísseis dos EUA voltado inicialmente contra a ameaça da Coreia do Norte, mas capaz de ser usado contra a China em caso de confrontação entre as duas superpotências.
Em tese, o novo presidente sul-coreano poderia ceder à pressão de Beijim em troca de garantias de proteção da China, a maior aliada da ditadura de Kim Jong Un. É uma esperança de paz na última fronteira da Guerra Fria. Uma paz verdadeira dependa de uma mudança no regime comunista norte-coreano e a grande dúvida é se isso será possível pacificamente.
Moon, um advogado liberal defensor dos direitos humanos, é filho de refugiados do Norte durante a Guerra da Coreia (1950-53). Chega ao poder dois meses depois do impeachment da presidente Park Geun Hye, acusada de corrupção, num momento de grande tensão na Península Coreana.
Desde que ascendeu à liderança do regime comunista norte-coreano, em 2012, o ditador Kim Jong Un, hoje com 33 anos, acelerou os programas de desenvolvimento de armas atômicas e de tecnologia de mísseis. Seu objetivo aparente é ter capacidade de lançar um míssil nuclear em território americano.
Com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, o secretário de Estado, Rex Tillerson, advertiu que acabou a "paciência estratégica" dos EUA com a ditadura stalinista de Pionguiangue. Numa de suas tiradas, Trump afirmou estar pronto para encontrar Kim Jong Un, mas isso é impossível sem uma preparação diplomática.
Na prática, Trump ameaçou agir. Estaria examinando a possibilidade de um ataque preventivo contra as instalações nucleares da Coreia do Norte. É fácil destruí-las, mas impossível impedir uma violenta retaliação em que o alvo principal seria a capital sul-coreana, Seul.
Moon está determinado a pacificar a península. Com a crise que levou ao impeachment da presidente Park, a Coreia do Sul ficou fora do jogo diplomático na questão norte-coreana, dominado por EUA e China. O primeiro passo é entrar na parada.
A China está insatisfeita com a instalação na Coreia do Sul do Terminal de Defesa Aérea a Alta Altitude (THAAD). É um sistema de defesa antimísseis dos EUA voltado inicialmente contra a ameaça da Coreia do Norte, mas capaz de ser usado contra a China em caso de confrontação entre as duas superpotências.
Em tese, o novo presidente sul-coreano poderia ceder à pressão de Beijim em troca de garantias de proteção da China, a maior aliada da ditadura de Kim Jong Un. É uma esperança de paz na última fronteira da Guerra Fria. Uma paz verdadeira dependa de uma mudança no regime comunista norte-coreano e a grande dúvida é se isso será possível pacificamente.
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terça-feira, 9 de maio de 2017
Defensor do diálogo com o Norte é eleito presidente da Coreia do Sul
Com mais de 41% dos votos de acordo com as pesquisas de boca de urna, o advogado liberal Moon Jae In foi eleito hoje presidente da Coreia do Sul, dois meses depois do impeachment da presidente Park Geun Hye, acusada de corrupção. Defensor do diálogo com a Coreia do Norte, ele está na contramão das políticas do governo Donald Trump, que advertiu que a "paciência estratégica" dos Estados Unidos acabou.
Moon, de 64 anos, é filho de refugiados da Coreia do Norte durante a Guerra da Coreia (1950-53). Nasceu em janeiro de 1953, quando seus pais já estavam no Sul. Por isso, é a favor do diálogo e contra a instalação do Terminal de Defesa Aérea a Alta Altitude (THAAD), um projeto dos EUA.
Trata-se de um sistema de defesa antimísseis inicialmente orientado para a Coreia do Norte que a China considera capaz de alterar o equilíbrio de forças com os EUA num possível conflito futuro entre as superpotências. Desde o ano passado, o regime comunista chinês hostiliza a Coreia do Sul, principalmente em questões econômicas, prejudicando a atuação de empresas sul-coreanas no país.
O novo presidente deve tentar resgatar a "política do brilho do sol", iniciativa dos presidentes sul-coreanos liberais Kim Dae Jung (1998-2003) e Roh Moo Hyun (2003-8) para abrir um diálogo direto com a ditadura stalinista norte-coreana.
"A vitória esmagadora de hoje é o resultado do desejo desesperado do nosso povo por uma mudança de regime", declarou Moon ao festejar o resultado. "Vou realizar as duas principais tarefas desejadas pelo povo: reforma e unidade nacional.""
Além da estagnação econômica e da corrupção endêmica, Moon terá de enfrentar o desafio da Coreia do Norte, onde o jovem ditador Kim Jong Un acelerou os programas de desenvolvimento de armas atômicas e de tecnologia de mísseis. Seu objetivo é produzir mísseis nucleares capazes de atingir o território americano.
Durante a transição, o presidente Barack Obama advertiu Trump de que a Coreia do Norte é hoje a maior ameaça à segurança nacional dos EUA. Com seu estilo agressivo, o novo presidente americano deixou claro que está pronto a fazer um ataque preventivo para destruir as instalações nucleares norte-coreanas.
O secretário de Estado, Rex Tillerson, avisou que a "paciência estratégica" dos EUA acabou e o próprio Trump, em entrevista para marcar os cem primeiros dias de governo, alertou para o risco de um "grande conflito com a Coreia do Norte".
A maior retaliação do Norte seria contra a Coreia do Sul e possivelmente contra o Japão, os dois maiores aliados dos EUA no Leste da Ásia. Sua artilharia convencional é capaz de arrasar Seul, onde vive metade da população sul-coreana, estimada em 50 milhões de pessoas.
Sob pressão de inimigos e aliados, Moon já pediu aos EUA e à China maior participação nas ações diplomáticas para desarmar a crise na última fronteira da Guerra Fria. Entende que a Coreia do Sul estava marginalizada pelo vácuo de poder criado em Seul pelo impeachment da presidente Park Geun Hye.
Moon, de 64 anos, é filho de refugiados da Coreia do Norte durante a Guerra da Coreia (1950-53). Nasceu em janeiro de 1953, quando seus pais já estavam no Sul. Por isso, é a favor do diálogo e contra a instalação do Terminal de Defesa Aérea a Alta Altitude (THAAD), um projeto dos EUA.
Trata-se de um sistema de defesa antimísseis inicialmente orientado para a Coreia do Norte que a China considera capaz de alterar o equilíbrio de forças com os EUA num possível conflito futuro entre as superpotências. Desde o ano passado, o regime comunista chinês hostiliza a Coreia do Sul, principalmente em questões econômicas, prejudicando a atuação de empresas sul-coreanas no país.
O novo presidente deve tentar resgatar a "política do brilho do sol", iniciativa dos presidentes sul-coreanos liberais Kim Dae Jung (1998-2003) e Roh Moo Hyun (2003-8) para abrir um diálogo direto com a ditadura stalinista norte-coreana.
"A vitória esmagadora de hoje é o resultado do desejo desesperado do nosso povo por uma mudança de regime", declarou Moon ao festejar o resultado. "Vou realizar as duas principais tarefas desejadas pelo povo: reforma e unidade nacional.""
Além da estagnação econômica e da corrupção endêmica, Moon terá de enfrentar o desafio da Coreia do Norte, onde o jovem ditador Kim Jong Un acelerou os programas de desenvolvimento de armas atômicas e de tecnologia de mísseis. Seu objetivo é produzir mísseis nucleares capazes de atingir o território americano.
Durante a transição, o presidente Barack Obama advertiu Trump de que a Coreia do Norte é hoje a maior ameaça à segurança nacional dos EUA. Com seu estilo agressivo, o novo presidente americano deixou claro que está pronto a fazer um ataque preventivo para destruir as instalações nucleares norte-coreanas.
O secretário de Estado, Rex Tillerson, avisou que a "paciência estratégica" dos EUA acabou e o próprio Trump, em entrevista para marcar os cem primeiros dias de governo, alertou para o risco de um "grande conflito com a Coreia do Norte".
A maior retaliação do Norte seria contra a Coreia do Sul e possivelmente contra o Japão, os dois maiores aliados dos EUA no Leste da Ásia. Sua artilharia convencional é capaz de arrasar Seul, onde vive metade da população sul-coreana, estimada em 50 milhões de pessoas.
Sob pressão de inimigos e aliados, Moon já pediu aos EUA e à China maior participação nas ações diplomáticas para desarmar a crise na última fronteira da Guerra Fria. Entende que a Coreia do Sul estava marginalizada pelo vácuo de poder criado em Seul pelo impeachment da presidente Park Geun Hye.
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terça-feira, 25 de outubro de 2016
Argentina e Uruguai: "Nestas condições, Venezuela não pode ser parte do Mercosul"
Diante do agravamento da crise política venezuelana, com a invasão da Assembleia Nacional pelos chavistas e a denúncia de um golpe de Estado feita pela maioria oposicionista, a Argentina e o Uruguai querem recorrer à cláusula democrática para suspender a Venezuela do Mercosul.
"Nestas condições, a Venezuela não pode ser parte do Mercosul", declarou ontem o presidente argentino, Mauricio Macri, ao receber na residência oficial de Olivos o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, que concordou, noticiou o jornal Clarín.
Na sua primeira reunião do Mercosul como presidente da Argentina, em dezembro de 2015, Macri pediu a libertação de todos os presos políticos venezuelanos, alegando que, "no Mercosul, não pode haver perseguição política por razões ideológicas e por pensar diferentemente."
A situação da Venezuela se agravou na semana passada, quando o regime chavista bloqueou na prática a convocação de um referendo revogatório sobre o mandato do presidente Nicolás Maduro. Em resposta, a Assembleia Nacional denunciou um golpe e pediu o apoio de organizações internacionais para restaurar a democracia no país. No meio da sessão, o plenário foi invadido por manifestantes chavistas
Cada vez mais isolado, Maduro recorreu ao Vaticano, onde foi recebido ontem pelo papa Francisco em audiência de caráter privado. O papa pediu um "diálogo sincero e construtivo" entre o governo e a oposição que parece a cada dia mais difícil.
Ao mesmo tempo, o núncio apostólico, o embaixador da Santa Sé na Argentina, monsenhor Emil Paul Tscherrig, viajou secretamente a Caracas, onde se reuniu com líderes das duas partes para acertar um encontro em 30 de outubro na Ilha Margarida.
"Nestas condições, a Venezuela não pode ser parte do Mercosul", declarou ontem o presidente argentino, Mauricio Macri, ao receber na residência oficial de Olivos o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, que concordou, noticiou o jornal Clarín.
Na sua primeira reunião do Mercosul como presidente da Argentina, em dezembro de 2015, Macri pediu a libertação de todos os presos políticos venezuelanos, alegando que, "no Mercosul, não pode haver perseguição política por razões ideológicas e por pensar diferentemente."
A situação da Venezuela se agravou na semana passada, quando o regime chavista bloqueou na prática a convocação de um referendo revogatório sobre o mandato do presidente Nicolás Maduro. Em resposta, a Assembleia Nacional denunciou um golpe e pediu o apoio de organizações internacionais para restaurar a democracia no país. No meio da sessão, o plenário foi invadido por manifestantes chavistas
Cada vez mais isolado, Maduro recorreu ao Vaticano, onde foi recebido ontem pelo papa Francisco em audiência de caráter privado. O papa pediu um "diálogo sincero e construtivo" entre o governo e a oposição que parece a cada dia mais difícil.
Ao mesmo tempo, o núncio apostólico, o embaixador da Santa Sé na Argentina, monsenhor Emil Paul Tscherrig, viajou secretamente a Caracas, onde se reuniu com líderes das duas partes para acertar um encontro em 30 de outubro na Ilha Margarida.
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segunda-feira, 11 de julho de 2016
Governo e oposição da Venezuela dialogam em 12 e 13 de julho
O regime chavista e a oposição da Venezuela vão se reunir para discutir a crise política do país nos próximos dias 12 e 13 de julho, anunciou ontem o secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, ex-presidente da Colômbia.
O presidente Nicolás Maduro e o presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, devem participar do diálogo. A oposição pediu também a mediação da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Vaticano.
Apesar de ter as maiores reservas mundiais de petróleo, a Venezuela enfrenta a pior crise econômica da sua história. A inflação deve chegar a 720% em 2016 e o desabastecimento atinge 80% dos produtos básicos.
No domingo, o governo Maduro abriu durante 12 horas a fronteira entre Santo Antônio do Táchira e a cidade colombiana de Cúcuta, fechada há 11 meses, permitindo aos venezuelanos fazer compras no país vizinho.
O presidente Nicolás Maduro e o presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, devem participar do diálogo. A oposição pediu também a mediação da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Vaticano.
Apesar de ter as maiores reservas mundiais de petróleo, a Venezuela enfrenta a pior crise econômica da sua história. A inflação deve chegar a 720% em 2016 e o desabastecimento atinge 80% dos produtos básicos.
No domingo, o governo Maduro abriu durante 12 horas a fronteira entre Santo Antônio do Táchira e a cidade colombiana de Cúcuta, fechada há 11 meses, permitindo aos venezuelanos fazer compras no país vizinho.
domingo, 12 de abril de 2015
Negociações entre EUA e Cuba levaram um ano e meio
Quando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o ditador de Cuba, Raúl Castro, apertaram as mãos no funeral do libertador da África do Sul, Nelson Mandela, em 15 de dezembro de 2013, os dois países já negociavam há seis meses o restabelecimento de relações diplomáticas depois de mais de 50 anos. Fizeram questão de manter o silêncio para evitar que os radicais dos dois lados bombardeassem o reatamento, revela o jornal francês Le Monde.
Um ano depois, em 17 de dezembro de 2004, Obama e Castro anunciaram para surpresa do resto do mundo o fim do que o Monde chama de uma "guerra fria tropical e anacrônica". Neste fim de semana, os líderes dos EUA e Cuba se reuniram pela primeira vez desde 1956, na 7ª Cúpula das Américas, realizada no Panamá.
Quando chegou ao poder, Obama estava decidido a adotar uma política de engajamento construtivo com tradicionais inimigos dos EUA como Cuba e o Irã. Em 2009, levantou restrições de viagem e remessas de dinheiro impostas pelo governo George W. Bush em 2003 a Cuba. Mas o caminho teria vários obstáculos, como registra o Conselho de Relações Exteriores dos EUA.
No mesmo ano, Alan Gross, subcontratado pela Agência para o Desenvolvimento Internacional dos EUA (USAID) para instalar equipamentos de telecomunicação e dar acesso à Internet à comunidade judaica, foi preso e condenado em Havana a 15 anos de prisão sob a acusação de tentar desestabilizar o regime.
O ditador Raúl Castro, dirigente máximo desde que Fidel ficou gravamente doente em 2006, aproveitou a oportunidade para barganhar a libertação dos Cinco de Cuba, agentes presos em Miami em 1998 e condenados em 2001 por espionar os 47 grupos anticastristas suspeitos de organizar ações terroristas em Cuba. Os cinco viraram heróis nacionais na ilha.
Outro obstáculo à reaproximação é a inclusão de Cuba na lista de países que apoiam o terrorismo desde 1982, quando guerrilheiros colombianos foram treinados na ilha. Em 1992, Fidel declarou publicamente que não ajudaria mais grupos rebeldes estrangeiros.
Em 2013, o relatório do Departamento de Estado declarou não haver evidências de que o país estivesse fornecendo armas, dinheiro ou treinamento a insurgentes. O presidente Obama não retirou Cuba da lista. Prometeu estudar o assunto. É uma carta na manga para a negociação sobre a reabertura das embaixadas. Cuba teme que um número maior de diplomatas americanos trabalhe ativamente para mudar o regime.
Mas as violações dos direitos humanos continuam, denuncia a organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos), atingindo quem ousa protestar contra o regime com prisões, espancamento, tortura, restrições de viagem e expulsão do país.
Obama e Castro tinham boas razões para manter o diálogo secreto. Em Washington e Miami, a cólera dos republicanos, especialmente os de origem cubana, bombardearia as negociações. Por isso, Obama concentrou as negociações na Casa Branca, à distância da imensa máquina do Departamento de Estado, onde a notícia poderia vazar.
Por outro lado, em Cuba, os grupos mais radicais contrários a uma abertura econômica, os serviços secretos, a polícia política e a burocracia têm interesse na manutenção do status quo e muito a perder com o fim da ditadura e de uma economia estatizada - e o apoio discreto do comandante Fidel Castro.
A máquina de segurança do Estado teme o revanchismo de suas vítimas e "a propaganda usa a existência de um inimigo externo formidável, os EUA, para dissimular o regime autoritário", acusa o história e dissidente social-democrata Manuel Cuesta Morúa.
O primeiro encontro aconteceu em junho de 2013. A delegação americana foi chefiada por Benjamin Rhodes, coautor dos famosos discursos de Obama que se tornou assessor presidencial para o Hemisfério Ocidental no Conselho de Segurança Nacional dos EUA. Fazia parte da equipe o ex-encarregado de negócios dos EUA em Havana Ricardo Zuniga, de origem hondurenha.
Apesar da ruptura, os dois países nunca cortaram totalmente o contato. Na antiga embaixada americana, nota o Monde, os diplomatas americanos e até mesmo fuzileiros navais uniformizados trabalham no que seria apenas uma seção de interesses ligada à embaixada da Suíça. Na verdade, é a maior representação diplomática em Havana e não há suíços por ali.
A imigração era tema de encontros diplomáticos. Na base de Guantânamo, os militares dos dois países mantêm contatos regulares para evitar incidentes. Diplomatas e militares apoiariam a normalização das relações mais do que outros setores da diplomacia cubana.
A ampliação do porto de Porto Mariel, um projeto estratégico do regime financiado e construído pelo Brasil, não se justifica sem o fim do embargo americano, e Raúl é há décadas o "inamovível ministro das Forças Armadas revolucionárias", lembra o jornal francês.
O Vaticano, que nunca rompeu com Cuba, teve um papel decisivo. As visitas de Fidel a Roma em 1996 e a Cuba dos papas João Paulo II, em 1998, e Bento XVI, em 2012, testemunham a importância que o regime passou a dar às relações com a Santa Sé.
Depois da libertação, em 2011, de 75 prisioneiros condenados a longas penas de prisão pela Primavera Negra de 2003, deputados americanos procuraram o Vaticano em 2012 para intermediar as negociações para libertar Alan Gross. Sabiam que ele não seria solto sem contrapartidas.
Dois dias depois do aperto de mãos no funeral de Mandela, em 17 de dezembro de 2013, o encarregado de Cuba no Arquivo de Segurança Nacional da Universidade George Washington, Peter Kornbluth, chegava a Havana com os maiores especialistas americanos em Cuba, inclusive um veterano do Departamento de Estado, Wayne Smith, encarregado de negócios americano na ilha nos governos Jimmy Carter e Ronald Reagan.
O fator Gross foi decisivo. Quando Kornbluth visitou-o na prisão, ele disse: "Sou uma bomba-relógio." Com a saúde precária, Gross corria o risco de morrer na cadeira da ditadura cubana. Isso retardaria o reatamento em mais alguns anos. Era preciso agir logo.
Em 13 de janeiro de 2014, o secretário de Estado americano, John Kerry, se encontrou com o papa Francisco. Obama foi a Roma em 27 de março do mesmo ano. Logo depois, Francisco enviou cartas aos dois presidentes sugerindo uma troca de prisioneiros.
Dos Cinco de Cuba, que o jornalista brasileiro chamou de Os últimos soldados da Guerra Fria em livro com este título, três ainda estavam presos. Eles foram soltos em 17 de dezembro de 2014, quando Obama e Raúl anunciaram o histórico restabelecimento de relações entre os dois países, em troca de Alan Gross e de Rolando Sarraff Trujillo, um espião americano preso há 20 anos em Havana.
Raúl apresentou o acordo como "uma vitória cubana": "Gerardo, Tony e Ramón foram libertados há alguns minutos e embarcaram para Havana." As negociações secretas haviam funcionado. A reconciliação vai enfrentar a mesma sorte de obstáculos.
Um ano depois, em 17 de dezembro de 2004, Obama e Castro anunciaram para surpresa do resto do mundo o fim do que o Monde chama de uma "guerra fria tropical e anacrônica". Neste fim de semana, os líderes dos EUA e Cuba se reuniram pela primeira vez desde 1956, na 7ª Cúpula das Américas, realizada no Panamá.
Quando chegou ao poder, Obama estava decidido a adotar uma política de engajamento construtivo com tradicionais inimigos dos EUA como Cuba e o Irã. Em 2009, levantou restrições de viagem e remessas de dinheiro impostas pelo governo George W. Bush em 2003 a Cuba. Mas o caminho teria vários obstáculos, como registra o Conselho de Relações Exteriores dos EUA.
No mesmo ano, Alan Gross, subcontratado pela Agência para o Desenvolvimento Internacional dos EUA (USAID) para instalar equipamentos de telecomunicação e dar acesso à Internet à comunidade judaica, foi preso e condenado em Havana a 15 anos de prisão sob a acusação de tentar desestabilizar o regime.
O ditador Raúl Castro, dirigente máximo desde que Fidel ficou gravamente doente em 2006, aproveitou a oportunidade para barganhar a libertação dos Cinco de Cuba, agentes presos em Miami em 1998 e condenados em 2001 por espionar os 47 grupos anticastristas suspeitos de organizar ações terroristas em Cuba. Os cinco viraram heróis nacionais na ilha.
Outro obstáculo à reaproximação é a inclusão de Cuba na lista de países que apoiam o terrorismo desde 1982, quando guerrilheiros colombianos foram treinados na ilha. Em 1992, Fidel declarou publicamente que não ajudaria mais grupos rebeldes estrangeiros.
Em 2013, o relatório do Departamento de Estado declarou não haver evidências de que o país estivesse fornecendo armas, dinheiro ou treinamento a insurgentes. O presidente Obama não retirou Cuba da lista. Prometeu estudar o assunto. É uma carta na manga para a negociação sobre a reabertura das embaixadas. Cuba teme que um número maior de diplomatas americanos trabalhe ativamente para mudar o regime.
Mas as violações dos direitos humanos continuam, denuncia a organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos), atingindo quem ousa protestar contra o regime com prisões, espancamento, tortura, restrições de viagem e expulsão do país.
Obama e Castro tinham boas razões para manter o diálogo secreto. Em Washington e Miami, a cólera dos republicanos, especialmente os de origem cubana, bombardearia as negociações. Por isso, Obama concentrou as negociações na Casa Branca, à distância da imensa máquina do Departamento de Estado, onde a notícia poderia vazar.
Por outro lado, em Cuba, os grupos mais radicais contrários a uma abertura econômica, os serviços secretos, a polícia política e a burocracia têm interesse na manutenção do status quo e muito a perder com o fim da ditadura e de uma economia estatizada - e o apoio discreto do comandante Fidel Castro.
A máquina de segurança do Estado teme o revanchismo de suas vítimas e "a propaganda usa a existência de um inimigo externo formidável, os EUA, para dissimular o regime autoritário", acusa o história e dissidente social-democrata Manuel Cuesta Morúa.
O primeiro encontro aconteceu em junho de 2013. A delegação americana foi chefiada por Benjamin Rhodes, coautor dos famosos discursos de Obama que se tornou assessor presidencial para o Hemisfério Ocidental no Conselho de Segurança Nacional dos EUA. Fazia parte da equipe o ex-encarregado de negócios dos EUA em Havana Ricardo Zuniga, de origem hondurenha.
Apesar da ruptura, os dois países nunca cortaram totalmente o contato. Na antiga embaixada americana, nota o Monde, os diplomatas americanos e até mesmo fuzileiros navais uniformizados trabalham no que seria apenas uma seção de interesses ligada à embaixada da Suíça. Na verdade, é a maior representação diplomática em Havana e não há suíços por ali.
A imigração era tema de encontros diplomáticos. Na base de Guantânamo, os militares dos dois países mantêm contatos regulares para evitar incidentes. Diplomatas e militares apoiariam a normalização das relações mais do que outros setores da diplomacia cubana.
A ampliação do porto de Porto Mariel, um projeto estratégico do regime financiado e construído pelo Brasil, não se justifica sem o fim do embargo americano, e Raúl é há décadas o "inamovível ministro das Forças Armadas revolucionárias", lembra o jornal francês.
O Vaticano, que nunca rompeu com Cuba, teve um papel decisivo. As visitas de Fidel a Roma em 1996 e a Cuba dos papas João Paulo II, em 1998, e Bento XVI, em 2012, testemunham a importância que o regime passou a dar às relações com a Santa Sé.
Depois da libertação, em 2011, de 75 prisioneiros condenados a longas penas de prisão pela Primavera Negra de 2003, deputados americanos procuraram o Vaticano em 2012 para intermediar as negociações para libertar Alan Gross. Sabiam que ele não seria solto sem contrapartidas.
Dois dias depois do aperto de mãos no funeral de Mandela, em 17 de dezembro de 2013, o encarregado de Cuba no Arquivo de Segurança Nacional da Universidade George Washington, Peter Kornbluth, chegava a Havana com os maiores especialistas americanos em Cuba, inclusive um veterano do Departamento de Estado, Wayne Smith, encarregado de negócios americano na ilha nos governos Jimmy Carter e Ronald Reagan.
O fator Gross foi decisivo. Quando Kornbluth visitou-o na prisão, ele disse: "Sou uma bomba-relógio." Com a saúde precária, Gross corria o risco de morrer na cadeira da ditadura cubana. Isso retardaria o reatamento em mais alguns anos. Era preciso agir logo.
Em 13 de janeiro de 2014, o secretário de Estado americano, John Kerry, se encontrou com o papa Francisco. Obama foi a Roma em 27 de março do mesmo ano. Logo depois, Francisco enviou cartas aos dois presidentes sugerindo uma troca de prisioneiros.
Dos Cinco de Cuba, que o jornalista brasileiro chamou de Os últimos soldados da Guerra Fria em livro com este título, três ainda estavam presos. Eles foram soltos em 17 de dezembro de 2014, quando Obama e Raúl anunciaram o histórico restabelecimento de relações entre os dois países, em troca de Alan Gross e de Rolando Sarraff Trujillo, um espião americano preso há 20 anos em Havana.
Raúl apresentou o acordo como "uma vitória cubana": "Gerardo, Tony e Ramón foram libertados há alguns minutos e embarcaram para Havana." As negociações secretas haviam funcionado. A reconciliação vai enfrentar a mesma sorte de obstáculos.
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sábado, 17 de janeiro de 2015
Chanceler iraniano cancela visita à Arábia Saudita
O ministro do Exterior do Irã, Javad Zarif, cancelou uma viagem que faria a Riade, a capital da Arábia Saudita, anunciou hoje a Agência de Notícias República Islâmica citando como fonte um secretário-executivo do ministério. Zarif reconheceu que houve progresso nas relações entre as duas potências regionais, mas manifestou descontentamento com algumas atitudes sauditas.
A viagem foi suspensa depois que o ministro do Exterior saudita, príncipe Saud al-Faissal fez comentários sobre a guerra civil na Síria, onde o Irã apoia a ditadura de Bachar Assad e a Arábia Saudita aumentou a ajuda aos rebeldes que querem derrubá-la.
Há uma série de conflitos entre sunitas e xiitas no Oriente Médio, do Mar Mediterrâneo até além de Bagdá. O Irã, xiita, e a Arábia Saudita, sunita, estão por trás de vários grupos armados em luta. Uma reaproximação entre os dois países seria uma chave para pacificar o Oriente Médio, onde 100 mil pessoas foram mortas em guerras civis brutais no ano passado.
A visita de Zarif a Riade seria parte desse processo. O problema é que os sauditas acreditavam estar fazendo concessões demais e se sentem fragilizados pelo diálogo e a reaproximação entre os Estados Unidos e o Irã.
Para reafirmar sua posição, os sauditas reforçaram a ajuda aos rebeldes sírios. Teerã reagiu congelando o diálogo.
A viagem foi suspensa depois que o ministro do Exterior saudita, príncipe Saud al-Faissal fez comentários sobre a guerra civil na Síria, onde o Irã apoia a ditadura de Bachar Assad e a Arábia Saudita aumentou a ajuda aos rebeldes que querem derrubá-la.
Há uma série de conflitos entre sunitas e xiitas no Oriente Médio, do Mar Mediterrâneo até além de Bagdá. O Irã, xiita, e a Arábia Saudita, sunita, estão por trás de vários grupos armados em luta. Uma reaproximação entre os dois países seria uma chave para pacificar o Oriente Médio, onde 100 mil pessoas foram mortas em guerras civis brutais no ano passado.
A visita de Zarif a Riade seria parte desse processo. O problema é que os sauditas acreditavam estar fazendo concessões demais e se sentem fragilizados pelo diálogo e a reaproximação entre os Estados Unidos e o Irã.
Para reafirmar sua posição, os sauditas reforçaram a ajuda aos rebeldes sírios. Teerã reagiu congelando o diálogo.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Hong Kong suspende diálogo com estudantes
O vice-governadora da região autônoma de Hong Kong, na China, Carrie Lam, suspendeu hoje o diálogo com os estudantes que exigem eleição direta para governador em 2017, previsto para começar amanhã, sob a alegação de que eles não desobstruíram as ruas da ex-colônia britânica que ocupam há duas semanas.
"As bases para um diálogo construtivo foram minadas", alegou a vice-governadora. "É impossível uma reunião construtiva amanhã." Diante da ruptura, as organizações estudantis convocaram a população a sair às ruas e se juntar às manifestações de protestos.
Diante da determinação do regime comunista chinês de não fazer qualquer concessão à democracia, o governo de Hong Kong tenta ganhar tempo, apostando no esvaziamento dos protestos, informa o jornal local South China Morning Post.
"As bases para um diálogo construtivo foram minadas", alegou a vice-governadora. "É impossível uma reunião construtiva amanhã." Diante da ruptura, as organizações estudantis convocaram a população a sair às ruas e se juntar às manifestações de protestos.
Diante da determinação do regime comunista chinês de não fazer qualquer concessão à democracia, o governo de Hong Kong tenta ganhar tempo, apostando no esvaziamento dos protestos, informa o jornal local South China Morning Post.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Dilma ignora terrorismo e pede diálogo com Estado Islâmico
Em mais um discurso eleitoreiro, ao abrir hoje a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, depois de elogiar os avanços sociais no seu governo, a presidente Dilma Rousseff condenou a intervenção militar dos Estados Unidos no Iraque e na Síria para combater a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL).
Dilma defendeu o "diálogo" e a "negociação", como se o grupo extremista muçulmano fosse enviar delegados para negociar a paz na sede da ONU em Genebra, na Suíça. Ignorou as 193 mil mortes na guerra civil na Síria, em que o Brasil sempre se omitiu, a ameaça de genocídio do povo yazidi, a expulsão dos cristãos do Norte do Iraque e dos curdos do Norte da Síria. Alegou que o uso da força agravou os conflitos nesses dois países.
Ao presidir em seguida a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, Obama criticou "o cinismo e a indiferença quando se trata de questões humanas. Nada justifica esses atos. Não pode haver negociação. A única linguagem compreendida por assassinos como esses é a força."
A aliança militar articulada pelos EUA tem a participação direta da Arábia Saudita, do Bahrein, do Catar, dos Emirados Árabes Unidos, do Iraque, da Jordânia e da Turquia, o apoio tácito da Síria e do Irã enquanto os alvos forem milícias sunitas, e obviamente também de Israel. No mundo real, todos os governos do Oriente Médio são contra o EIIL.
Quem vai representar o Estado Islâmico? O Brasil vai se apresentar como mediador como fez com sucesso no passado, ajudando a evitar um bombardeio americano ao Iraque em 1998, quando o atual ministro da Defesa, Celso Amorim, era o embaixador na ONU?
Foram mais palavras ao vento. Dilma poderia resgatar o conceito da "responsabilidade ao proteger", que usou há dois anos no mesmo púlpito para criticar a intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia em 2011. Optou por cutucar os EUA para bancar o discurso de campanha de que o Brasil não se curva diante das grandes potências, um discurso subdesenvolvido típico do complexo de vira-lata.
Dilma defendeu o "diálogo" e a "negociação", como se o grupo extremista muçulmano fosse enviar delegados para negociar a paz na sede da ONU em Genebra, na Suíça. Ignorou as 193 mil mortes na guerra civil na Síria, em que o Brasil sempre se omitiu, a ameaça de genocídio do povo yazidi, a expulsão dos cristãos do Norte do Iraque e dos curdos do Norte da Síria. Alegou que o uso da força agravou os conflitos nesses dois países.
Ao presidir em seguida a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, Obama criticou "o cinismo e a indiferença quando se trata de questões humanas. Nada justifica esses atos. Não pode haver negociação. A única linguagem compreendida por assassinos como esses é a força."
A aliança militar articulada pelos EUA tem a participação direta da Arábia Saudita, do Bahrein, do Catar, dos Emirados Árabes Unidos, do Iraque, da Jordânia e da Turquia, o apoio tácito da Síria e do Irã enquanto os alvos forem milícias sunitas, e obviamente também de Israel. No mundo real, todos os governos do Oriente Médio são contra o EIIL.
Quem vai representar o Estado Islâmico? O Brasil vai se apresentar como mediador como fez com sucesso no passado, ajudando a evitar um bombardeio americano ao Iraque em 1998, quando o atual ministro da Defesa, Celso Amorim, era o embaixador na ONU?
Foram mais palavras ao vento. Dilma poderia resgatar o conceito da "responsabilidade ao proteger", que usou há dois anos no mesmo púlpito para criticar a intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia em 2011. Optou por cutucar os EUA para bancar o discurso de campanha de que o Brasil não se curva diante das grandes potências, um discurso subdesenvolvido típico do complexo de vira-lata.
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