Mostrando postagens com marcador OEA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador OEA. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 10 de Novembro

  FUZILEIROS NAVAIS

    Em 1775, durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83), o Congresso Continental aprova uma resolução para criar "dois batalhões de fuzileiros navais", soldados de infantaria embarcados na recém-criada Marinha para desembarcar em operações de assalto anfíbio.

A data é comemorada como o nascimento do Corpo dos Fuzileiros Navais, uma das armas das Forças Armadas dos EUA. 

Depois do fim da guerra, tanto a Marinha quanto os batalhões de fuzileiros navais são desmobilizados. Mas os conflitos no mar com a França revolucionária levam à recriação da Marinha em maio de 1798. Dois meses depois, em 11 de julho, o Corpo de Fuzileiros Navais torna-se uma força permanente, sob o controle do Departamento da Marinha.

Além da quase guerra com a França, os fuzileiros navais combatem a pirataria no Oceano Atlântico e invadem o Marrocos. Até hoje, os marines participaram de mais de 300 invasões norte-americanas. Os EUA têm hoje cerca de 170 mil fuzileiros navais e mais 33 mil reservistas da arma.

"DR. LIVINGSTONE, EU PRESUMO"

    Em 1871, o jornalista britânico Henry Stanley encontra o Dr. David Livingstone, médico, cientista, missionário e abolicionista escocês, talvez o mais famoso dos exploradores africanos.

O Dr. Livingstone viaja por todo o Deserto do Kalahari, percorre o Rio Zambeze e descobre as espetaculares Cataratas de Vitória, em 16 de novembro de 1855, batizando-as em homenagem à Rainha da Inglaterra.

A área é preservada hoje como Parque Nacional Mosi-oa-Tunya (Fumo que Troveja), o nome local da cachoeira, na Zâmbia. Desde 1989, é patrimônio cultural da humanidade mantido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).

Ao chegar à foz do Zambeze, no Oceano Índico, em 1842, o Dr. Livingstone se torna o primeiro ocidental a cruzar a África Meridional de costa a costa. Em 15 anos, atravessa duas vezes o Deserto de Kalahari, vai de Angola a Moçambique pelo Zambeze, descobre as cataratas de Vitória e é o primeiro europeu a atravessar o Lago Tanganica. Cruza o Quênia, a Tanzânia e Uganda.

Em 1866, o Dr. Livingstone sai do porto de Zanzibar, no Oceano Índico, para chegar ao Lago Niassa. Abandonado por guias africanos que roubam a comida e os medicamentos, enfraquecido pela malária, chega à aldeia Ujiji, no lago Tanganica.

Desaparecido há anos, é dado como morto na Inglaterra quando quando o jornal nova-iorquino New York Herald encarrega o repórter Henry Stanley de encontrá-lo, em março de 1871. Com um batalhão de 200 guias e carregadores, ele encontra o Dr. Livingstone entre 24 e 28 de outubro, de acordo com o diário do explorador, ou em 10 de novembro de 1871, de acordo com Stanley. 

Ao encontrar o explorador, Stanley diz uma frase que entrou para a história: “Dr. Livingstone, eu presumo?” A resposta: “Sim, eu me sinto muito grato por recebê-lo”. Stanley insiste para que volte para a Inglaterra, mas Livingstone tinha dedicado sua vida à África. Frágil e doente depois de muitas malárias, David Livingstone morre na aldeia do chefe chitambo, na Rodésia do Norte, hoje Zâmbia, em 1º de maio de 1873. 

 ESTADO NOVO

    Em 1937, o presidente Getúlio Vargas dá um golpe de Estado, fecha o Congresso, impõe uma Constituição outorgada e instaura a ditadura do Estado Novo, um período marcado pelo autoritarismo, o nacionalismo, a censura, a tortura e o anticomunismo, sob inspiração do nazifascismo europeu.

A desculpa para o golpe é o Plano Cohen, uma suposta conspiração comunista para tomar o poder no Brasil. Mais tarde, sabe-se que é  forjado pelo capitão Olímpio Mourão Filho, o mesmo que, como coronel, deflagra o golpe militar de 1964 ao marchar da guarnição de Juiz de Fora rumo ao Rio de Janeiro.

Em manifesto à nação, Vargas alega que o golpe visa a "ajustar o organismo político às necessidades econômicas do país".

A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1939-45) ao lado dos Estados Unidos e os ataques de submarinos alemães a navios brasileiros no Oceano Atlântico afastam o Brasil do nazifascismo. 

Com o fim da guerra, Vargas cai e o país vive seu primeiro período democrático, sob a Constituição de 1946, até o golpe militar de 31 de março de 1964, início de uma ditadura de 21 anos.

SARO-WIWA ENFORCADO

    Em 1995, a ditadura do general Sani Abacha enforca o escritor e ativista nigeriano Ken Saro-Wiwa e outros oito militantes do Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogôni.

O escritor pretexta inocência e afirma estar sendo condenado por criticar a exploração de petróleo nas terras da etnia ogôni pela empresa multinacional Shell, mas Abacha rejeita os pedidos de clemência e até mesmo de adiar a execução.

A ditadura acaba com a morte de Abacha, em 8 de junho de 1998, envenenado, possivelmente com Viagra falsificado, quando se divertia com duas prostitutas. Desde então, a Nigéria vive um período democrático.

RENÚNCIA DE EVO

    Em 2019,  o primeiro presidente indígena da Bolívia, Evo Morales, renuncia e foge para o México sob pressão de uma onda de violência depois que a Organização dos Estados Americanos (OEA) considera sua reeleição fraudulenta. Evo, ex-líder sindical dos produtores de coca, afirma ter sido vítima de um golpe de Estado.

No poder desde 2006, Morales, como fiel discípulo de Fidel Castro e Hugo Chávez, não tem a menor intenção de entregar o poder. Por força da Constituição aprovada por sua iniciativa, não pode concorrer a um terceiro mandato, mas alega, em 2014, que sua primeira eleição, em 2005, fora sob a Constituição anterior.

Em 2016, Evo Morales perde um plebiscito para acabar com limites à reeleição. Mesmo assim, recorre ao Tribunal Constitucional alegando, com base em decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José, em outro caso, que ser candidato é um direito humano fundamental.

Como dificilmente venceria no segundo turno, quanto toda a oposição se uniria ao redor de Mesa, Morales frauda a eleição e grita golpe quando a população revoltada sai às ruas. Depois de se negar a fazer qualquer concessão, em 30 de outubro, Morales aceita uma auditoria da OEA.

A missão da OEA suspeita desde a mudança abrupta no resultado depois de interrupções na apuração. A auditoria revela que houve seções eleitorais sem nenhuma abstenção, urnas em que todas as cédulas foram preenchidas pela mesma pessoa e irregularidades na transmissão dos resultados para o Tribunal Supremo Eleitoral.

Morales aceita, então, realizar nova eleição com novas autoridades eleitorais, como recomenda a OEA. A oposição exige que ele não se candidate à reeleição. Diante do impasse e do risco de aumento da violência, os comandantes das Forças Armadas e da Polícia e a poderosa Central Operária Boliviana (COB) sugerem a renúncia do presidente.

Tecnicamente, é um golpe de Estado porque comandantes militares não podem recomendar a renúncia do presidente. Na realidade, é um contragolpe, depois dos golpes de Morales ao forçar mais uma reeleição e fraudar a eleição.

A renúncia coletiva dele e dos presidentes da Câmara e do Senado é o terceiro golpe de Evo Morales contra as instituições e a democracia bolivianas. Deixa o Estado totalmente acéfalo, apostando no caos para tentar voltar ao poder como salvador da pátria, e fuge para o exílio no México.

Morales regressa do exílio e o MAS volta ao poder em 2020 com a eleição Luis Arce, seu ministro de Economia e Finanças. Hoje Morales trava uma guerra interna dentro do partido contra Arce para ser candidato à Presidência em 2025. 

Com a guerra interna, o MAS recebe apenas 3% dos votos na eleição presidencial deste ano. Rodrigo Paz Pereira, de centro-direita, é eleito no segundo turno.

ESTE BLOG DEPENDE DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37 

domingo, 10 de novembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 10 de Novembro

 FUZILEIROS NAVAIS

    Em 1775, durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83), o Congresso Continental aprova uma resolução para criar "dois batalhões de fuzileiros navais", soldados de infantaria embarcados na recém-criada Marinha para desembarcar em operações de assalto anfíbio.

A data é comemorada como o nascimento do Corpo dos Fuzileiros Navais, uma das armas das Forças Armadas dos EUA. 

Depois do fim da guerra, tanto a Marinha quanto os batalhões de fuzileiros navais são desmobilizados. Mas os conflitos no mar com a França revolucionária levam à recriação da Marinha em maio de 1798. Dois meses depois, em 11 de julho, o Corpo de Fuzileiros Navais torna-se uma força permanente, sob o controle do Departamento da Marinha.

Além da quase guerra com a França, os fuzileiros navais combatem a pirataria no Oceano Atlântico e invadem o Marrocos. Até hoje, os marines participaram de mais de 300 invasões norte-americanas. Os EUA têm hoje 181,2 mil fuzileiros navais.

"DR. LIVINGSTONE, EU PRESUMO"

    Em 1871, o jornalista britânico Henry Stanley encontra o Dr. David Livingstone, médico, cientista, missionário e abolicionista escocês, talvez o mais famoso dos exploradores africanos.

O Dr. Livingstone viaja por todo o Deserto do Kalahari, percorre o Rio Zambeze e descobre as espetaculares Cataratas de Vitória, em 16 de novembro de 1855, batizando-as em homenagem à Rainha da Inglaterra.

A área é preservada hoje como Parque Nacional Mosi-oa-Tunya (Fumo que Troveja), o nome local da cachoeira, na Zâmbia. Desde 1989, é patrimônio cultural da humanidade mantido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).

Ao chegar à foz do Zambeze, no Oceano Índico, em 1842, o Dr. Livingstone se torna o primeiro ocidental a cruzar a África Meridional de costa a costa. Em 15 anos, atravessa duas vezes o Deserto de Kalahari, vai de Angola a Moçambique pelo Zambeze, descobre as cataratas de Vitória e é o primeiro europeu a atravessar o Lago Tanganica. Cruza o Quênia, a Tanzânia e Uganda.

Em 1866, o Dr. Livingstone sai do porto de Zanzibar, no Oceano Índico, para chegar ao Lago Niassa. Abandonado por guias africanos que roubam a comida e os medicamentos, enfraquecido pela malária, chega à aldeia Ujiji, no lago Tanganica.

Desaparecido há anos, é dado como morto na Inglaterra quando quando o jornal nova-iorquino New York Herald encarrega o repórter Henry Stanley de encontrá-lo, em março de 1871. Com um batalhão de 200 guias e carregadores, encontra o Dr. Livingstone entre 24 e 28 de outubro, de acordo com o diário do explorador, ou 10 de novembro de 1871. 

Ao encontrar o explorador, Stanley diz uma frase que entrou para a história: “Dr. Livingstone, eu presumo?” A resposta: “Sim, eu me sinto muito grato por recebê-lo”. Stanley insiste para que volte para a Inglaterra, mas Livingstone tinha dedicado sua vida à África. Frágil e doente depois de muitas malárias, David Livingstone morre na aldeia do chefe chitambo, na Rodésia do Norte, hoje Zâmbia, em 1º de maior de 1873. 

 ESTADO NOVO

    Em 1937, o presidente Getúlio Vargas dá um golpe de Estado, impõe uma Constituição outorgada, fecha o Congresso e instaura a ditadura do Estado Novo, um período marcado pelo autoritarismo, o nacionalismo, a censura, a tortura e o anticomunismo, sob inspiração do nazifascismo europeu.

A desculpa para o golpe é o Plano Cohen, uma suposta conspiração comunista para tomar o poder no Brasil. Mais tarde, sabe-se que é  forjado pelo capitão Olímpio Mourão Filho, o mesmo que, como coronel, deflagra o golpe militar de 1964 ao marchar da guarnição de Juiz de Fora rumo ao Rio de Janeiro.

Em manifesto à nação, Vargas alega que o golpe visa a "ajustar o organismo político às necessidades econômicas do país".

A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1939-45) ao lado dos Estados Unidos e os ataques de submarinos alemães a navios brasileiros no Oceano Atlântico afastam o Brasil do nazifascismo. 

Com o fim da guerra, Vargas cai e o país vive seu primeiro período democrático, sob a Constituição de 1946, até o golpe militar de 31 de março de 1964, início de uma ditadura de 21 anos.

SARO-WIWA ENFORCADO

    Em 1995, a ditadura do general Sani Abacha enforca o escritor e ativista nigeriano Ken Saro-Wiwa e outros oito militantes do Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogôni.

O escritor pretexta inocência e afirma estar sendo condenado por criticar a exploração de petróleo nas terras da etnia ogôni pela empresa multinacional Shell, mas Abacha rejeita os pedidos de clemência e até mesmo de adiar a execução.

A ditadura acaba com a morte de Abacha, em 8 de junho de 1998, envenenado, possivelmente com Viagra falsificado, quando fazia festa com duas prostitutas. Desde então, a Nigéria vive um período democrático.

RENÚNCIA DE EVO

    Em 2019,  o primeiro presidente indígena da Bolívia, Evo Morales, renuncia e foge para o México sob pressão de uma onda de violência depois que a Organização dos Estados Americanos (OEA) considera sua reeleição fraudulenta. Ex-líder sindical dos produtores de coca, afirma ter sido vítima de um golpe de Estado.

No poder desde 2006, Morales, como fiel discípulo de Fidel Castro e Hugo Chávez, não tem a menor intenção de entregar o poder. Por força da Constituição aprovada por sua iniciativa, não pode concorrer a um terceiro mandato, mas alega, em 2014, que sua primeira eleição, em 2005, fora sob a Constituição anterior.

Em 2016, Evo Morales perdeu um plebiscito para acabar com limites à reeleição. Mesmo assim, recorre ao Tribunal Constitucional alegando, com base em decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos em outro caso, que ser candidato é um direito humano fundamental.

Como dificilmente venceria no segundo turno, quanto toda a oposição se uniria ao redor de Mesa, Morales frauda a eleição e grita golpe quando a população revoltada sai às ruas. Depois de se negar a fazer qualquer concessão, em 30 de outubro, Morales aceita uma auditoria da OEA.

A missão da OEA suspeita desde a mudança abrupta no resultado depois das interrupções na apuração. A auditoria revela que houve seções eleitorais sem nenhuma abstenção, urnas em que todas as cédulas foram preenchidas pela mesma pessoa e irregularidades na transmissão dos resultados para o Tribunal Supremo Eleitoral.

Morales aceita, então, realizar nova eleição com novas autoridades eleitorais, como recomenda a OEA. A oposição exige que ele não se candidate à reeleição. Diante do impasse e do risco de aumento da violência, os comandantes das Forças Armadas e da Polícia e a poderosa Central Operária Boliviana (COB) sugerem a renúncia do presidente.

Tecnicamente, é um golpe de Estado. Na realidade, é um contragolpe, depois dos golpes de Morales ao forçar mais uma reeleição e roubar a eleição.

A renúncia coletiva dele e dos presidentes da Câmara e do Senado é o terceiro golpe de Evo Morales contra as instituições e a democracia bolivianas. Deixa o Estado totalmente acéfalo, apostando no caos para tentar voltar ao poder como salvador da pátria, e fuge para o exílio no México.

Morales regressa do exílio e o MaS volta ao poder em 2020 com a eleição Luis Arce, seu ministro de Economia e Finanças. Hoje Morales trava uma guerra interna dentro do partido contra Arce para ser candidato à Presidência em 2025.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Presidente da Bolívia envia projeto para convocar nova eleição

A presidente interina Jeanine Áñez enviou ontem à Assembleia Legislativa Plurinacional, o parlamento da Bolívia, um projeto de lei para anular a eleição presidencial de 20 de outubro e preparar uma nova eleição, noticiou o jornal boliviano La Razón

O anúncio foi feito pela própria presidente ao lado do ministro da Justiça, Álvaro Coimbra, no Palácio Queimado, em La Paz. Pela manhã, 26 dos 35 países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA), inclusive o Brasil, haviam recomendado a convocação imediata da eleição para pacificar o país.

A proposta tem três objetivos centrais. Primeiro, anula a eleição presidencial de 20 de outubro de 2019 com base nas denúncias de fraude apresentadas em relatório de auditoria da OEA, como urnas sem abstenções, urnas em que todas as cédulas foram preenchidas pela mesma pessoa e fraude eletrônica na transmissão dos resultados para o Tribunal Supremo Eleitoral.

Em segundo lugar, convoca novas eleições gerais. E, em terceiro lugar, dispõe sobre a escolha de novos juízes para o TSE e os tribunais eleitorais departamentais dentro de 15 dias a partir da aprovação da lei. Caberá, então, às novas autoridades eleitorais, marcar a data da eleição.

"Queremos que se considere um documento-base para gerar um consenso nacional, que seja produto do consenso de todos os bolivianos", declarou a presidente interina.

Jeanine Áñez era segunda vice-presidente do Senado. Com a renúncia coletiva do presidente Evo Morales, do vice-presidente Álvaro García Linera e dos presidentes e vice-presidentes da Câmara e do Senado, em meio a uma revolta popular contra a fraude eleitoral, ela assumiu o poder. Mas a aprovação do projeto depende do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales.

Do exílio na Cidade do México, o ex-presidente foi acusado de incitar à revolta popular e de apoiar um cerco para deixar La Paz sem alimentos e combustíveis, forçando assim sua volta ao poder. Como a Assembleia Legislativa não aceitou oficialmente a carta de renúncia, Morales e García Linera ainda se consideram presidente e vice.

Ambos alegam ter sido vítimas de um golpe porque o comandante das Forças Armadas e a Central Operária Boliviana (COB) "sugeriram" ao presidente que renunciasse para evitar um conflito ainda maior e um banho de sangue.

Desde a eleição de 20 de outubro, pelo menos 26 pessoas foram mortas pela violência política na Bolívia, sendo três ontem, quando o Exército rompeu o bloqueio à refinaria de Senkata, que abastece La Paz, e advertiu que não vai tolerar tentativas de ocupação.

Morales deu três golpes. Primeiro, ignorou a derrota no plebiscito constitucional de 2016 e recorreu a uma Corte Suprema aliada para concorrer a um quarto mandato quando a Constituição aprovada por sua iniciativa só permite dois mandatos.

Depois, fraudou a eleição presidencial. A apuração foi interrompida duas vezes quando tudo indicava que haveria segundo turno contra o ex-presidente Carlos Mesa e a Justiça Eleitoral amiga proclamou a reeleição de Morales.

Se a renúncia sob pressão do general Williams Kaliman pode ser considerada tecnicamente um golpe de Estado, como alegou o ministro do Exterior do México, Marcelo Ebrard, ao conceder asilo a Morales, na prática, foi no máximo um contragolpe.

A renúncia coletiva, não deixando ninguém do partido majoritário para tomar conta das instituições, deixando o Estado boliviano acéfalo, sem qualquer liderança, foi um ataque às instituições democráticas, uma aposta no caos para voltar ao poder nos braços do povo.

Então, se houve golpe, foi em defesa da democracia, que está ameaça do ambiente ultrapolarizado criado por Evo Morales. No balanço geral, ele fez um bom governo, com crescimento econômico de quase 5% ao ano na média desde 2006, mas não formou novos líderes para sucedê-los e não soube deixar o poder democraticamente.

domingo, 17 de novembro de 2019

Partidários de Morales querem cercar La Paz para anular renúncia

O Movimento ao Socialismo, partido do ex-presidente Evo Morales, quer cercar a cidade de La Paz impedindo a chegada de combustíveis e alimentos para forçar a população e as Forças Armadas a pedir a renúncia da presidente interina, Jeanine Áñez, e a volta do seu líder ao poder, noticiou o jornal boliviano Página Siete.

"Queremos que os ricos morram de fome", "que a presidente autoproclamada peça perdão de joelhos" e "queremos a cabeça de Mesa e Camacho" são os gritos de guerra do movimento indígena, principal base eleitoral de Morales. O ex-vice-presidente Carlos Mesa e o presidente do Centro Cívico pró-Santa Cruz, Luis Fernando Macho Camacho, são os principais líderes da oposição.

Esta estratégia estava traçada desde a renúncia coletiva do presidente, do vice-presidente e dos presidentes e primeiros vice-presidentes da Câmara e do Senado. Ao anunciar a renúncia, o vice Álvaro García Linera, citou uma frase do líder indígena Túpac Katari, que chefiou uma revolta contra o Império Espanhol no século 18: "Voltaremos e seremos milhões."

Em 13 de março de 1871, Túpac Katari iniciou um cerco de 11 meses. Agora, os agricultores de Río Abajo, Achocalla, Luribay, Sapahaqui e Patacamaya estão bloqueando estradas para impedir o abastecimento de comida às cidades de La Paz e El Alto.

"A La Paz, não vai chegar um grão de comida. Os produtores estão proibidos de tirar comida de suas granjas. É preferível que a comida apodreça do que ser dada aos brancos", declarou um dos líderes do movimento.

Os rebeldes liderados por Evo Morales, asilo no México, querem deixar a Polícia e as Forças Armadas sem combustível para que não possam reprimir o movimento. O terceiro passo será tomar a Praça Murillo e cercar a "Casa Grande do Povo", o palácio presidencial.

"O povo derrotará este golpe", declarou um dos entrevistados. "Não importa que haja mortes. É preciso recuperar a democracia." Outro dirigente do MaS conclamou os soldados e policiais e se amotinarem e não cumprirem as ordens de seus comandantes.

É uma receita para a guerra civil.

Morales renunciou sob pressão das Forças Armadas, da Polícia e da Central Operária Boliviana (COB) depois de concorrer a um quarto mandato, violando a norma constitucional que só permite uma reeleição, e de fraudar a eleição presidencial de 20 de outubro, como foi constatado pela missão observadora da Organização dos Estados Americanos (OEA).

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

México anuncia que Evo Morales pediu asilo político

Um dia depois de renunciar à Presidência da Bolívia sob pressão das Forças Armadas em meio a uma revolta popular contra uma fraude eleitoral, o ex-presidente Evo Morales pediu asilo político ao México, anunciou o ministro mexicano das Relações Exteriores, Marcelo Ebrard.

"Informamos que há alguns momentos recebemos uma chamada do presidente Evo Morales em que respondeu a nosso convite e solicitou verbal e formalmente o asilo em nosso país", declarou o chanceler mexicano em entrevista coletiva.

Ebrard justificou a decisão por "razões humanitárias" alegando que sua vida e sua integridade correm perigo" e acrescentou que "houve um golpe de Estado porque o Exército pediu a renúncia do presidente."

Morales e seus aliados, inclusive o ex-presidente Lula, o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, sua vice-presidente Cristina Kirchner e o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciam um golpe, enquanto a oposição boliviana fala em revolta popular contra a fraude eleitoral apontada pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

A renúncia coletiva do presidente, do vice e dos presidentes da Câmara e do Senado foi uma manobra para criar um vácuo de poder, uma aposta no caos. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, deve assumir amanhã a Presidência da Bolívia interinamente até a realização de novas eleições dentro de 90 dias.

O líder rebelde Luis Fernando Macho Camacho, presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, exige a renúncia de todos os deputados do Movimento ao Socialismo (MaS), o partido de Morales. Como eles ocupam dois terços das cadeiras da Assembleia Legislativa Plurinacional, se renunciarem, n!ao haverá quórum para eleger a presidente interina.

A senadora Jeanine Áñez foi levada hoje de helicóptero até a sede da Assembleia, onde convocou a sessão de amanhã e ofereceu garantias aos representantes do MaS. Em seguida, ela foi retirada do local por medo de que os partidários de Morales tomem o centro de La Paz.

Amanhã, a OEA realiza uma reunião de emergência em Washington para discutir a crise boliviana.

domingo, 10 de novembro de 2019

Evo Morales renuncia à Presidência da Bolívia

Depois de quase 14 anos no poder, o líder indígena e sindical Juan Evo Morales Ayma, do Movimento ao Socialismo (MAS), renunciou hoje à Presidência da Bolívia, sob pressão do comandante das Forças Armadas, general Williams Kaliman, em meio a uma onda de três semanas de manifestações de protesto contra uma possível fraude na eleição de 20 de outubro.

"Mandei minha carta de renúncia à Assembleia Legislativa Plurinacional", anunciou Morales em pronunciamento na televisão, alegando ter sido vítima de um "golpe cívico, político e policial": "Houve um golpe", denunciou.

O vice-presidente Álvaro García e os presidentes da Câmara, Victor Borda, e do Senado, Adriana Salvatierra, também renunciaram, deixando um vácuo no poder. A Assembleia Legislativa terá de aceitar a renúncia do presidente e indicar um presidente interino até a realização de eleições, que precisam ocorrer em três meses. O nome mais cotado é da segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez.

"Meu pecado foi ser indígena, sindicalista e produtor de coca", lamentou Morales. "Vamos cumprir a promessa de Túpac Katari. Voltaramos e seremos milhões", acrescentou García, referindo-se ao líder aimará que liderou uma revolta contra a dominação espanhola no século 18.

"Quero dizer a meus irmãos e irmãs que a luta não termina aqui. Vamos continuar a luta pela paz e pela igualdade", despediu-se o presidente.

Hoje de manhã, Morales havia anunciado a realização de nova eleição presidencial com novas autoridades eleitorais "para baixar a tensão e pacificar" a Bolívia, como exigiu a Organização dos Estados Americanos (OEA) ao antecipar o resultado de uma auditoria sobre o processo eleitoral "por causa da gravidade das denúncias". A oposição exigiu que Morales não fosse candidato.

Depois disso, as Forças Armadas, a Polícia e a poderosa Central Operária Boliviana (COB) pediram a saída de Morales. O Exército havia avisado que não enfrentaria os manifestantes. Em pronunciamento na televisão, o general Kaliman sugeriu a renúncia "para o bem da Bolívia".

"Diante da escalada no conflito por que passa o país, velando pela vida, a segurança da população e a garantia do império da Constituição Política do Estado, em conformidade com o artigo 20 da Lei Orgânica das Forças Armadas e depois de analisar a situação conflituosa interna, sugerimos ao chefe de Estado que renuncie a seu mandato", declarou o general.

A seu lado, estavam outros comandantes militares e o chefe da Polícia, general Yuri Calderón, que apoiou a recomendação "para pacificar o povo da Bolívia". O comunicado do comandante das Forças Armadas terminou com um pedido "ao povo boliviano e aos setores mobilizados para depor as atitudes de violência e a desordem entre irmãos para não manchar nossas famílias com sangue, dor e luto."

Pelo menos três pessoas foram mortas e 300 saíram feridas durante as três semanas de protestos. Uma greve geral iniciada no departamento de Santa Cruz, dominado pela oposição, já dura 20 dias.

Quando o avião presidencial decolou do aeroporto de El Alto, por volta das 17 horas em Brasília, gerou especulações de que Morales poderia fugir do país. O presidente do México, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, lhe ofereceu asilo político. Pelo menos 20 políticos pediram asilo à embaixada mexicana em La Paz, informou na Cidde do México o chanceler Marcelo Ebrard.

O ex-presidente foi para a região do Chapare, um reduto eleitoral no departamento de Cochabamba onde ele iniciou a carreira política como líder dos cocaleros, os agricultores que cultivam a coca.

Evo Morales era o presidente que estava há mais tempo no poder na América, desde 22 de janeiro de 2006. Fora eleito em dezembro de 2005 com quase 54% dos votos depois de um período turbulento da história da Bolívia em que dois presidentes renunciaram, Gonzalo Sánchez de Losada em 2003 e Carlos Mesa Gisbert em 2005, sob pressão das ruas e do movimento indígena liderado por ele.

Sob seu governo, a Bolívia, um dos países mais pobres do continente, cresceu em média quase 5% ao ano. A pobreza caiu de 60% para 34% e a pobreza absoluta de 38% para 15%. Morales convocou uma Assembleia Constituinte que transformou o país num Estado plurinacional, reconhecendo os direitos povos indígenas.

Em 6 de dezembro de 2009, Morales foi reeleito com 64% dos votos válidos. Como a lei só autoriza uma reeleição, para concorrer a um terceiro mandato, o presidente alegou que a primeira eleição havia sido sob a Constituição anterior. Em 12 de outubro de 2014, ganhou de novo, com 63% dos votos válidos.

Para obter um quarto mandato, Morales convocou um referendo constitucional para acabar com limites à reeleição e perdeu. Em 21 de fevereiro de 2016, 51,3% dos eleitores disseram não à reeleição ilimitada.

Mesmo assim, o presidente recorreu à Corte Suprema com base em decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, que considerou em outro caso que votar e ser candidato são direitos fundamentais. E tentou um quarto mandato.

Na noite de 20 de outubro, com 83% das urnas escrutinadas, a contagem preliminar indicava que haveria segundo turno. Morales tinha 45% contra 38% do ex-presidente Carlos Mesa. Pela lei boliviana, ganha quem conquistar mais da metade dos votos válidos ou 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Naquele momento, o Tribunal Supremo Eleitoral suspendeu a apuração preliminar. No dia seguinte, quando a apuração manual voto a voto dava 42% a cada candidato, com ligeira vantagem para Mesa, a Justiça parou com a apuração manual, retomou a contagem rápida e anunciou a vitória de Morales, que no final teria recebido 47,01% dos votos contra 36,51% para Mesa.

O oposicionista rejeitou o resultado e convocou seu eleitorado a sair às ruas para impedir a fraude. A interrupção abrupta da contagem e o reinício com um resultado diferente, como aconteceu na eleição de Carlos Salinas de Gortari no México, em 1988, foi um dos pontos centrais do relatório da auditoria da OEA, que apontou "denúncias de irregularidades graves".

Assim que a OEA denunciou a fraude, o Ministério Público abriu inquérito. A presidente do Tribunal Supremo Eleitoral, María Eugenia Choque, e o vice-presidente, Antonio Costas, foram presos.

As acusações da OEA foram decisivas para minar de vez o poder de Morales. O presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, sua vice, Cristina Kirchner, o ex-presidente Lula e o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, chamam a queda de Morales de golpe de Estado.

A oposição boliviana argumenta que fez apenas uma resistência democrática contra a fraude eleitoral, mas o jornal La Razón noticia de ataques a casas de políticos ligados ao governo socialista, inclusive do ex-presidente.

O presidente da Câmara, Victor Borda, e o ministro das Minas, César Navarro, denunciaram ataques a suas casas e famílias com bombas incendiárias. Eles responsabilizam o ex-presidente Mesa e o presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Luis Fernando Macho Camacho, pela violência.

Houve saques, violência e depredação de lojas em várias cidades, inclusive à casa de Morales. Em La Paz, pelo menos 64 ônibus foram incendiados por partidários do ex-presidente.

Morales recua e convoca nova eleição na Bolívia

Depois de três semanas de protestos violentos contra uma suposta fraude eleitoral que deixaram três mortos e mais de 300 feridos, o presidente Evo Morales anunciou hoje a realização de nova eleição presidencial e mudanças na autoridade eleitoral da Bolívia.

Morales vinha denunciando um "golpe de Estado". Recuou diante de um pedido de anulação da eleição feito pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior uruguaio Luis Almagro, com base em uma auditoria.

Até ontem, o presidente boliviano propunha um diálogo à oposição, mas seu principal adversário na eleição de 20 de outubro, o ex-presidente Carlos Mesa, declarou "não ter nada a negociar" com Morales.

No sábado, várias unidades policiais se rebelaram em quatro departamentos do país e o Exército da Bolívia alertou que não iria enfrentar os manifestantes.

As conclusões da auditoria da OEA seriam divulgadas no dia 13. Almagro antecipou o resultado "por conta da gravidade das denúncias" e pediu a realização de novo pleito "assim que existam condições", inclusive "uma nova composição do órgão eleitoral".

Pela lei boliviana, vence a eleição presidencial quem conquistar mais da metade dos votos válidos ou 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Em 20 de outubro, com mais de 80% das urnas apuradas, o resultado indicava um segundo turno entre Morales e Mesa quando a contagem preliminar foi suspensa. No dia seguinte, na apuração voto a voto, os dois estavam praticamente empatados.

Então, a apuração voto a voto foi suspensa e retomada a contagem preliminar e Morales conseguiu a vantagem de 10% necessária para evitar um segundo turno, chegando a 47,08% contra 36,51% para Mesa. A interrupção abrupta da apuração suscitou suspeitas de fraude. Foi citada pela OEA como uma das irregularidades.

Morales tenta um quarto mandato, apesar da restrição constitucional e mais de uma reeleição. Na eleição anterior, o presidente alegou que o primeiro mandato havia sido obtido sob a Constituição anterior. Por isso, ele teria direito a mais um.

Em 2016, Morales perdeu um referendo constitucional para aprovar a reeleição sem limites. Para disputar um quarto mandato, recorreu à Corte Suprema invocando uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, que considerou o direito à candidatura um direito fundamental.

Primeiro presidente indígena da Bolívia, o aimará Morales chegou ao poder em 2006, depois de uma série de governos que não chegaram ao fim, derrubados por revoltas populares liderados por ele. Sob seu governo, o país cresceu em média 5% ao ano. A pobreza caiu de 60% para 34% da população e a extrema pobreza, de 38% para 15%.

A dúvida agora é se a oposição vai aceitar a solução apresentada pelo presidente ou se vai manter o movimento para forçar sua queda.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Secretário-geral da OEA reconhece suspensão de Maduro por TSJ no exílio

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-chanceler uruguaio Luis Almagro, reconheceu a suspensão do ditador Nicolás Maduro pelo Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, reunido no exílio em Bogotá, a capital da vizinha Colômbia, informou o canal de televisão especializado em jornalismo NTN24.

Quando o TSJ subserviente à ditadura de Maduro tentou usurpar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente em 6 de dezembro de 2015, no ano passado, os deputados nomearam novos ministros para o supremo tribunal venezuelano. Sob ameaça de prisão pelo regime chavista, eles fugiram da Venezuela.

Ontem, em Bogotá, os magistrados decidiram afastar Maduro e ordenar à Assembleia Nacional que inicie uma transição para a democracia. De acordo com o artigo 380 do Código de Processo Penal venezuelano, o ditador está proibido de exercer qualquer função pública enquanto durar o processo no Parlamento.

"Por império da Constituição da República Bolivarista da Venezuela, se ordena a todas as autoridades civis e militares, sob risco de desacato, a cumprir a presente decisão e prestar toda a colaboração para sua execução imediata", declararam os ministros do TSJ.

A decisão foi comunicada à Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), à Secretaria-Geral da OEA, à Presidência da Comissão Europeia, ao Parlamento Europeu e às chancelarias dos países do denominado Grupo de Lima, inclusive o Brasil, "a fim de seu conhecimento que Nicolás Maduro Moros está suspenso e inabilitado a exercer as funções de presidente da República Bolivarista da Venezuela".

Na prática, a medida apenas aumenta o isolamento político e diplomático de Maduro. Ele está protegido pela Força Armada Nacional Bolivarista (FANB). Só deve cair quando houver uma dissidência interna no regime chavista diante do colapso da economia da Venezuela. Em 20 de maio, deve ser reeleito presidente em mais uma eleição manipulada pela ditadura.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

OEA chama de farsa antecipação da eleição presidencial na Venezuela

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, ex-ministro do Exterior do Uruguai, denunciou ontem como uma "farsa" a decisão da Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima da Venezuela de antecipar a eleição presidencial de 2018, que deve ser realizada até 30 de abril. Ele defendeu a imposição de sanções mais duras contra a ditadura de Nicolás Maduro.

Almagro apoiou a declaração dos 14 países do Grupo de Lima, inclusive Argentina, Brasil, Colômbia e México, as maiores economias da América Latina, em repúdio à manobra da ditadura chavista. Em nota, eles afirmaram que a decisão "impossibilita a realização de uma eleição presidencial democrática, transparente e com credibilidade".

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, advertiu que o mundo não vai reconhecer o resultado da eleição presidencial venezuelana. Os Estados Unidos apoiaram o Grupo de Lima: "Saudamos a declaração do Grupo de Lima diante da nova farsa eleitoral anunciada pelo regime da Venezuela."

Almagro afirmou que, "para sair da crise, é preciso haver eleições livres, sem candidatos e partidos proscritos, garantias para todos, observação internacional e sem presos políticos". Não existe nenhuma chance da ditadura militar chavista ou madurista, já que a deterioração geral da Venezuela é notável desde a morte do caudilho Hugo Chávez, em 2013, aceitar estas exigências.

Desde então, o produto interno bruto venezuelano caiu em um terço. A hiperinflação é estimada em mais de 2.600% ao ano e há desabastecimento generalizado de remédios e alimentos. Em dezembro de 2017, o custo da cesta básica passou de 16,5 milhões de bolívares ou 93 salários mínimos, alta de 129% em relação a novembro. Pela cotação do dólar no fim do ano, o equivalente a US$ 158.

O azeite, por exemplo, é vendido a 70,7 mil bolívares, 2.525 vezes acima do preço oficial tabelado, de 28 bolívares. Faltam nas prateleiras dos armazéns e supermercados carne de gado, carne de frango, leite em pó, leite condensado, margarina, aveia, açúcar, óleo de milho, farinha de milho, arroz, lentilhas, farinha de trigo, massa, molho de tomate, pão, queijo amarelo, sabonete, cera para assoalhos papel higiênico, toalhas sanitárias, desodorante e sabão para lavar roupa.

Diante do colapso da economia do país, Maduro decidiu antecipar as eleições para aproveitar a divisão das oposições e tentar consolidar seu poder antes da derrocada total.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Delegado deixa cargo na Constituinte fraudulenta de Maduro

Depois de ler um texto denunciando o sectarismo do regime chavista, o jornalista Earle Herrera, delegado da Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima convocada pelo ditador Nicolás Maduro, decidiu abandonar a presidência da Comissão de Diversidade, informou o jornal Latin American Herald Tribune.

A Constituinte de Maduro só foi reconhecida pela Rússia, a Síria, a Bolívia e a Nicarágua. Foi repudiada pela Organização dos Estados Americanos (OEA), os Estados Unidos, o Brasil e outros 40 países.

Chavista de primeira hora, Herrera tem um programa na televisão estatal, onde leu um texto do jornalista Eleazar Díaz Rangel sobre o sectarianismo em crises passadas na Venezuela e declarou: "Concordo plenamente", comentou Herrera.

É o segundo chavista importante que rompe com Maduro. A ex-procuradora-geral Luisa Ortega Díaz condenou a convocação da Constituinte por não ter sido submetida a um plebiscito, como prevê a Constituição da República Bolivarista da Venezuela, e assim desonrar a herança de Hugo Chávez. Ameaçada, ela saiu clandestinamente do país e denuncia o governo Maduro como ditatorial.

domingo, 28 de maio de 2017

Ampla maioria dos venezuelanos é contra a Constituinte de Maduro

Cerca de 73% dos venezuelanos são contra a proposta do presidente Nicolás Maduro de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte eleita indiretamente por entidades e movimentos sociais, indica uma pesquisa do instituto Datincorp. 

Só 21% apoiam mais uma iniciativa do regime chavista para neutralizar a Assembleia Nacional, onde a oposição tem maioria, informou o boletim de notícias Venezuela al Día.

A pesquisa, chamada de Estudo de Conjuntura do País, entrevistou 1.199 eleitores da Venezuela. Desde que o governo Maduro usou o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) para tentar usurpar os poderes do parlamento, a oposição protesta diariamente nas ruas, num duelo com o regime chavista em que pelo menos 58 pessoas foram mortas.

Dois ministros do TSJ e a procuradora-geral da República Bolivarista da Venezuela rejeitaram a Constituinte de Maduro. O vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e ex-presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, líder da linha-dura chavista, prometeu usar a Constituinte para "virar a Procuradoria de cabeça para baixo".

Ontem, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior do Uruguai Luis Almagro, condenou a morte de Manuel Sosa, baleado no peito quando participava de uma manifestação de protesto em Vale Fundo, no estado de Lara, noticiou o jorna El Nacional.

O ex-chanceler uruguaio acusou Maduro de assassinar oposicionistas para se manter no poder. Em mensagem no Twitter, Almagro afirmou que "é hora de paz e democracia" e pediu que "não haja mais mortes de pessoas lutando pela democracia".

A OEA realiza na quarta-feira uma reunião com participação de ministros das Relações Exteriores para discutir a crise na Venezuela.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Venezuela de Maduro deixa OEA e se isola ainda mais

Por orientação do presidente Nicolás Maduro, cada vez mais acuado e isolado, a Venezuela vai deixar a Organização dos Estados Americanos (OEA) para evitar qualquer tipo de "intervencionismo", anunciou ontem a ministra do Exterior, Delcy Rodríguez, noticiou o jornal El Nacional. O processo deve durar 24 meses.

A chanceler venezuelana citou o exemplo de Cuba, excluída por causa da natureza antidemocrática do regime comunista, que descreveu como "revolucionário", e acusou uma "coalizão intervencionista" de agir para desestabilizar a Venezuela.

Com inflação de 800%, queda do produto interno bruto estimada em 19% no ano passado e desabastecimento generalizado, a Venezuela enfrenta a pior crise econômica de sua história recente.

Enquanto paga bilhões de dólares em juros de bônus da estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) e dos títulos da dívida pública do país para evitar o calote, o governo Maduro não é capaz de garantir o suprimento de produtos básicos. Faltam papel higiênico, medicamentos, alimentos básicos, farinha de trigo, óleo comestível. Os venezuelanos ficam horas em filas em busca de preços menores ou produtos escassos.

Pelo menos 30 pessoas morreram na atual onda de protestos iniciada em 6 de abril depois que o Tribunal Supremo de Justiça tentou dissolver a Assembleia Nacional, dominada pela oposição, e usurpar seus poderes legislativos, impondo na prática uma ditadura de Maduro.

Sob pressão interna e externa, o presidente recuou, mas acusa a burguesia nacional de conspirar com potências estrangeiras, notadamente os Estados Unidos, para derrubar o regime chavista. Entre as medidas de "resistência", prometeu ampliar os chamados "coletivos", as milícias da revolução bolivarista, responsáveis por várias mortes nos últimos dias.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Tribunal Supremo fecha Assembleia Nacional da Venezuela

Num golpe de Estado patrocinado pelo regime chavista, o Tribunal Supremo de Justiça assumiu as funções da Assembleia Nacional, alegando que os deputados da oposição estão violando a ordem constitucional ao rejeitar uma decisão da Justiça que cassou o mandato de três oposicionistas sob a acusação de compra de votos.

Com esses três deputados, a oposição teria maioria de dois terços no parlamento e o direito de alterar a Constituição. Desde que assumiu, no início do ano passado, a Assembleia Nacional se tornou o principal centro da oposição ao autoritarismo chavista.

A esperança de uma saída constitucional para a crise estava na convocação de um referendo para revogar o mandato do presidente Nicolás Maduro, mas a Justiça impugnou assinaturas inviabilizando sua realização dentro do prazo para convocação de nova eleição. Se Maduro for afastado agora, assume o vice-presidente nomeado por ele.

Há poucos dias, aliados da Venezuela conseguiram impedir que o país fosse suspenso da Organização dos Estados Americanos (OEA) por violar a cláusula democrática da instituição. Agora, não há mais disfarce: a Venezuela virou uma ditadura escancarada.

O país vive a pior crise econômica da história, com inflação acima de 700% ao ano, queda de mais de 20% no produto interno bruto desde 2013, desabastecimento de 80% dos produtos nos supermercados e a maioria da população na miséria. Uma das últimas de Maduro foi iniciar uma guerra do pão, culpando padeiros que não conseguem comprar trigo importado por causa das políticas comerciais e cambial da revolução fracassada.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Condenação de López é fim da democracia na Venezuela, diz chefe da OEA

A confirmação de sentença condenatória ao líder da oposição Leopoldo López é o "marco" do fim da democracia e do Estado de Direito na Venezuela, afirmou ontem o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior do Uruguai Luis Almagro.

Em carta aberta a López, preso desde fevereiro de 2014 sob a acusação de incitar à violência, Almagro o chama de "amigo" e descreve o regime chavista venezuelano como uma "tirania":

"Nenhum foro regional ou sub-regional pode ignorar que hoje na Venezuela não há democracia nem Estado de Direito", acusa o ex-chanceler uruguaio. "Estou convencido de que não existem razões jurídicas, políticas, morais ou éticas para não se pronunciar e não condenar um governo que desqualificou a si próprio."

Na sua visão, o governo do presidente Nicolás Maduro "tem presos políticos que são torturados", "ignora a separação de poderes", "sofre uma profunda crise humanitária e ética" e "desconhece o direito constitucional de revogar o mandato do presidente".

Sob Maduro, acrescentou Almagro, "impera a intimidação política". Ele citou como exemplos as prisões de López e do ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma, a cassação do mandato da deputada María Corina Machado e a agressão ao deputado Julio Borges.

Tudo isso acontece sob a pior crise econômica da história recente da Venezuela, com queda prevista de 8% do produto interno bruto em 2016 depois de baixa de 10% no ano passado, desabastecimento de 80% dos produtos normalmente encontrados em supermercados e uma inflação que deve chegar a 720% neste ano. O país tem ainda um dos maiores índices de homicídios do mundo fora de zonas em guerra.

Desde que assumiu a Secretaria Geral da OEA, em maio do ano passado, Almagro é um dos maiores críticos do regime chavista. O ex-chanceler uruguaio no governo José Mujica denunciou o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff como um golpe parlamentar, mas não pediu o afastamento do Brasil da OEA.

Em maio, o secretário-geral acusou a Venezuela de violar a cláusula democrática, que permite suspender um país temporariamente das atividades da organização regional.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Governo e oposição da Venezuela dialogam em 12 e 13 de julho

O regime chavista e a oposição da Venezuela vão se reunir para discutir a crise política do país nos próximos dias 12 e 13 de julho, anunciou ontem o secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, ex-presidente da Colômbia.

O presidente Nicolás Maduro e o presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, devem participar do diálogo. A oposição pediu também a mediação da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Vaticano.

Apesar de ter as maiores reservas mundiais de petróleo, a Venezuela enfrenta a pior crise econômica da sua história. A inflação deve chegar a 720% em 2016 e o desabastecimento atinge 80% dos produtos básicos.

No domingo, o governo Maduro abriu durante 12 horas a fronteira entre Santo Antônio do Táchira e a cidade colombiana de Cúcuta, fechada há 11 meses, permitindo aos venezuelanos fazer compras no país vizinho.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

"Não sou traidor, tu és", diz secretário-geral da OEA a Maduro

Em carta aberta, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, ex-ministro do Exterior do Uruguai, repudiou ontem as acusações do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de que seria um agente secreto dos Estados Unidos e um traidor.

"Não sou agente da CIA [Agência Central de Inteligência dos EUA]. E tua mentira, ainda que repetida mil vezes, não será verdade. De todas as formas, convém esclarecer, ainda que seja negar o absurdo", disparou Almagro.

O ex-chanceler uruguaio foi além: "Não sou traidor. Não sou traidor nem de ideias, nem de princípios e isto implica que não o sou de minha gente, os que se sentem representados pelos princípios da liberdade, honestidade, decência, probidade pública (sim, os que sobem e descem do poder pobres), democracia e direitos humanos. Mas tu, sim, és, presidente, trais teu povo e tua suposta ideologia com diatribes sem conteúdo, és traidor da ética na política com tuas mentiras e trais o princípio mais sagrado da política, que é se submeter ao escrutínio de teu povo."

Maduro tenta impedir a oposição venezuelana de convocar um referendo para revogar seu mandato, como prevê a Constituição da República Bolivarista da Venezuela.

"Deves devolver a riqueza de quem governa contigo o teu país, porque a mesma pertence ao povo, deves devolver a justiça ao povo em toda a dimensão da palavra (inclusive encontrar os verdadeiros assassinos dos 43 e nos os que manténs presos por suas ideias, ainda que não sejam as tuas nem as minhas). Deves devolver os presos políticos a suas famílias", desafiou Almagro.

"Deves devolver à Assembleia Nacional seu poder legítimo, porque o mesmo emana do povo, deves devolver ao povo a decisão sobre seu futuro. Nunca poderás devolver a vida às crianças mortas em hospitais por não ter medicamentos, nunca poderás desfazer tanto sofrimento, tanta intimidação, tanta miséria, tando desassossego e angústia", fulminou Almagro.

"Que ninguém cometa o desatino de dar um golpe de Estado contra ti, mas que tu tampouco o dês. É teu dever. Tu tens um imperativo de decência pública de realizar o referendo revogatório neste 2016 porque quanto a política está polarizada a decisão deve voltar ao povo, é isso o que diz tua Constituição. Nega a consulta ao povo, negar-lhe a possibilidade de decidir te transforma num ditadorzinho a mais como tantos que teve o continente.

"Se te incomodam a OEA e meu trabalho", concluiu o secretário-geral da OEA, "lamento te informar que não me inclino nem me intimido."

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

"Querem me matar", diz mulher de oposicionista preso na Venezuela

Um dia depois do assassinato de um líder municipal do partido de oposição Ação Democrática (AD) que estava a seu lado num comício, Lilian Tintori acusou o regime chavista da Venezuela de tentar matá-la, noticiou hoje o jornal espanhol El País.

"Querem me matar", afirmou Lilian, mulher de Leopoldo López, condenado a 14 anos de prisão sob a falsa acusação de incitar à violência durante uma onda de protestos em fevereiro de 2014. "O sangue espirrou em mim."

Lilian Tintori participava de um ato da campanha para as eleições parlamentares de 6 de dezembro, quando o regime deve perder a maioria na Assembleia Nacional pela primeira vez desde a ascensão de Hugo Chávez.

"Ainda estávamos no palanque. Rummi [Olivo, um cantor popular] ia começar a cantar e, naquele momento, se escutou muito de perto uma rajada de metralhadora de dez tiros. Nós nos atiramos no chão e eu fiquei me tocando porque sentia que eram contra mim. Querem me matar", insistiu Lilian.

No ataque, morreu o secretário-geral do diretório municipal da AD em Altagracia de Orituco, Luis Manuel Díaz, e outra pessoa saiu ferida. O secretário-geral nacional do partido, Henrt Ramos Allup, declarou que os tiros partiram de um carro de militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

Em discurso, o presidente Nicolás Maduro definiu o assassinato de um político no palanque como crime comum: "O Ministério do Interior já tem elementos que mostram um acerto de contas entre quadrilhas rivais."

A conselho de Ramos Allup, Tintori passou a noite no estado de Guárico.

Para o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior uruguaio Luis Almagro, o assassinato foi "uma ferida mortal na democracia" e não é um caso isolado: "Acontece de forma conjunta com ataques a outros dirigentes de oposição em uma estratégia para amedrontá-los. É hora de pôr fim ao medo. Cada morte na Venezuela hoje dói em toda a América."

Maduro ficou furioso. Chamou Almagro, ex-chanceler do governo esquerdista de José Mujica, de "lixo", acusando-se de agir "contra a Venezuela, contra o povo e contra a revolução bolivarista".

Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado americano, John Kirby, considerou o assassinato a maior violência de uma campanha eleitoral marcada por ataques e intimidações - e pediu proteção aos candidatos. Em Madri, o ministro do Exterior da Espanha, José Luis García, pediu uma investigação independente e garantias de que as eleições serão livres e limpas.

O Parlamento Europeu aprovou o envio de comissão para supervisionar as eleições. A missão de "acompanhamento" da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) condenou a morte e cobrou uma "investigação profunda".

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Maduro apela para o estado de emergência

Com a inflação de 2015 projetada em 180%, queda do produto interno bruto de 10% e desabastecimento de 75% dos produtos básicos, as pesquisas sobre as eleições parlamentares de 6 de dezembro dão uma vantagem de 23 pontos percentuais à oposição na Venezuela. O presidente Nicolás Maduro fechou a fronteira com a Colômbia e declarou estado de exceção na região de Cúcuta. Pode fazer o mesmo em outras regiões do país, dando um autogolpe para adiar ou anular as eleições.

Em pesquisa da empresa Datanalisis, 87% dos venezuelanos consideraram a situação do país "má ou muito má" e 70% reprovaram o governo Maduro.

Sem a menor chance de vencer eleições livres e honestas, o regime chavista está disposto a tudo para não entregar o poder. Se a oposição conquistar maioria na Assembleia Nacional, o próximo passo será convocar um referendo revogatório para acabar com o governo Maduro e o pesadelo chavista.

Por isso, o governo vetou as candidaturas dos principais líderes da oposição sob o argumento de que estão sendo processados, embora não haja culpa formada na maioria dos casos. Também se nega a aceitar a presença de observadores internacionais da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia.

O Centro Jimmy Carter, que fiscaliza eleições pelo mundo afora, saiu recentemente da Venezuela. Maduro só aceita a presença da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que em nenhum momento foi capaz de mediar a crise venezuelana. É submissa aos governos autoritários da Argentina, da Bolívia, do Equador e da Venezuela, todos aliados do chavismo, assim como o governo Dilma Rousseff.

Cabe ao Brasil, como eterno a candidato a líder de uma região sem rumo, devastada por crises políticas e econômicas, que está crescendo menos do que a África, assumir a responsabilidade e deixar o eleitorado venezuelano decidir os destinos do país.

Se não quiser uma guerra civil no vizinho do Norte, o governo brasileiro deveria agir logo. Mas sua calamitosa política externa e a conivência de setores de esquerda que ainda sonham com a revolução bolivarista, a começar pelo assessor para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, apontam para o imobilismo e a incompetência. O compromisso com a democracia não vale para os aliados.

Desde que sucedeu o falecido caudilho Hugo Chávez, por falta de liderança e carisma, Maduro mais do que triplicou a indicação de militares para cargos civis como forma de comprar a lealdade das Forças Armadas. Há hoje mais de 900 militares em cargos da administração pública. É difícil que o fracassado regime chavista ceda o poder sem resistência.

Seu discurso vai no sentido contrário, afugentando investidores e não conversando com opositores. Maduro nada faz para pôr fim à crise. Prefere botar a culpa dos seus próprios erros em conspirações nacionais e internacionais.

A Venezuela tem hoje uma das mais altas taxas de mortalidade do mundo em países que não estão em guerra, atrás apenas de Honduras e El Salvador. A responsabilidade é do chavismo, que negligenciou a segurança pública. Mas o governo acusa a oposição de todo o crime violento.

"Crescem as suspeitas de que o governo quer criar um clima de caos como desculpa para anular as eleições", declarou a cientista política Maria Teresa Romero.

No início da semana, o governo apresentou um vídeo em que um suspeito de assassinar e esquartejar uma mulher, José Pérez Venta, acusa o senador americano Marco Rubio, o ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe, a atriz María Conchita Alonso e líderes da oposição de lhe pagar para desestabilizar a Venezuela.

Maduro decretou estado de emergência em Cúcuta em 22 de agosto e fechou a fronteira com a Colômbia, depois de um incidente em 19 de agosto, quando atiradores não identificados feriram três soldados, sob o pretexto de combater o contrabando e a infiltração de paramilitares colombianos pode ser estendido a outras regiões do país. Mais de mil colombianos foram expulsos da Venezuela.

Sob o estado de emergência, os manifestantes precisam pedir autorização para protestar com 15 dias de antecedência, o governo pode invadir residências e os militares assumem o controle de todas as atividades civis.

Como o estado de emergência não é a forma adequada para combater a criminalidade e o contrabando, que não são novidades, a suspeita é de preparação de um golpe de Estado contra as eleições. O governo examina a possibilidade de estender o estado de exceção aos estados de Mérida e Zulia. Em discurso na televisão há três, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, o número dois do regime, declarou que o Poder Legislativo está pronto para aprovar novos estados de emergência.

terça-feira, 25 de março de 2014

Venezuela prende brigadeiros acusados de golpe

Em meio a uma onda de protestos sem precedentes desde a ascensão do chavismo, em 1998, o presidente Nicolás Maduro anunciou hoje a prisão de três generais-brigadeiros da Força Aérea da Venezuela, acusados de planejar um golpe de Estado, mas não os identificou.

Incompetente e incapaz, em meio a uma crise econômica sem precedentes, com inflação de 60% ao ano, desabastecimento de 28% dos produtos nos supermercados e criminalidade recorde, ao receber uma missão de ministros do Exteriores da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Maduro se declarou vítima de um "golpe de Estado permanente".

Ontem, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, cassou sem mandato nem direito de defesa o mandato da deputada oposicionista María Corina Machado, que se inscreveu para falar na Organização dos Estados Americanos (OEA) através da delegação panamenha. Por ordem de Maduro, a Venezuela rompeu com o Panamá porque este país levou o conflito político venezuelano à OEA.

Hoje María Corina declarou que seu mandato pertence ao povo venezuelano. Ela prometeu continuar lutando até restaurar a democracia na Venezuela.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Venezuela rompe relações com o Panamá

Em mais um de seus chiliques, o presidente Nicolás Maduro rompeu relações com o Panamá porque o presidente panamenho, Ricardo Martinelli, provocou um debate sobre a violência política na Venezuela na Organização dos Estados Americanos (OEA).

O regime chavista não quer discutir a questão na OEA, uma organização com sede em Washington. Maduro acusou o líder panamenho de conspirar com os Estados Unidos para derrubar o governo venezuelano.