Dois líderes da oposição na Venezuela, os ex-prefeitos Antonio Ledezma e Leopoldo López, que estavam em prisão domiciliar, foram presos na madrugada de hoje pelo Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin), o serviço secreto do regime chavista, denunciaram parentes e oposicionistas.
As prisões acontecem dois dias depois das eleições para uma Assembleia Nacional Constituinte convocada sob medida pelo ditador Nicolás Maduro para usurpar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente, hoje dominada pela oposição.
"Acabam de levar Leopoldo de casa", escreveu no Twitter Lilian Tintori, a mulher de López. "Não sabemos onde está nem para onde o levaram. Maduro é responsável se algo lhe acontecer."
As famílias divulgaram na Internet vídeos do momento das prisões. López, líder do partido direitista Vontade Popular, foi preso em 2014 sob a acusação de fomentar a violência em manifestações de rua nas quais 43 pessoas morreram. Em 2015, ele foi condenado a 13 anos e nove meses de prisão.
Ledezma, da Aliança Bravo Povo (ABP) foi preso em fevereiro de 2015 so a acusação de conspiração e formação de quadrilha. Depois de ficar dois meses na prisão militar de Ramo Verde, por motivos de saúde, foi mandado para prisão domiciliar.
Na semana passada, ambos divulgaram mensagens pedindo ao eleitorado venezuelano que não votasse na Constituinte e participasse dos protestos de rua, e à sociedade internacional para que não reconheça a manobra ditatorial de Maduro.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Lilian Tintori. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lilian Tintori. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Venezuela bota na cadeia dois líderes da oposição
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
"Querem me matar", diz mulher de oposicionista preso na Venezuela
Um dia depois do assassinato de um líder municipal do partido de oposição Ação Democrática (AD) que estava a seu lado num comício, Lilian Tintori acusou o regime chavista da Venezuela de tentar matá-la, noticiou hoje o jornal espanhol El País.
"Querem me matar", afirmou Lilian, mulher de Leopoldo López, condenado a 14 anos de prisão sob a falsa acusação de incitar à violência durante uma onda de protestos em fevereiro de 2014. "O sangue espirrou em mim."
Lilian Tintori participava de um ato da campanha para as eleições parlamentares de 6 de dezembro, quando o regime deve perder a maioria na Assembleia Nacional pela primeira vez desde a ascensão de Hugo Chávez.
"Ainda estávamos no palanque. Rummi [Olivo, um cantor popular] ia começar a cantar e, naquele momento, se escutou muito de perto uma rajada de metralhadora de dez tiros. Nós nos atiramos no chão e eu fiquei me tocando porque sentia que eram contra mim. Querem me matar", insistiu Lilian.
No ataque, morreu o secretário-geral do diretório municipal da AD em Altagracia de Orituco, Luis Manuel Díaz, e outra pessoa saiu ferida. O secretário-geral nacional do partido, Henrt Ramos Allup, declarou que os tiros partiram de um carro de militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
Em discurso, o presidente Nicolás Maduro definiu o assassinato de um político no palanque como crime comum: "O Ministério do Interior já tem elementos que mostram um acerto de contas entre quadrilhas rivais."
A conselho de Ramos Allup, Tintori passou a noite no estado de Guárico.
Para o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior uruguaio Luis Almagro, o assassinato foi "uma ferida mortal na democracia" e não é um caso isolado: "Acontece de forma conjunta com ataques a outros dirigentes de oposição em uma estratégia para amedrontá-los. É hora de pôr fim ao medo. Cada morte na Venezuela hoje dói em toda a América."
Maduro ficou furioso. Chamou Almagro, ex-chanceler do governo esquerdista de José Mujica, de "lixo", acusando-se de agir "contra a Venezuela, contra o povo e contra a revolução bolivarista".
Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado americano, John Kirby, considerou o assassinato a maior violência de uma campanha eleitoral marcada por ataques e intimidações - e pediu proteção aos candidatos. Em Madri, o ministro do Exterior da Espanha, José Luis García, pediu uma investigação independente e garantias de que as eleições serão livres e limpas.
O Parlamento Europeu aprovou o envio de comissão para supervisionar as eleições. A missão de "acompanhamento" da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) condenou a morte e cobrou uma "investigação profunda".
"Querem me matar", afirmou Lilian, mulher de Leopoldo López, condenado a 14 anos de prisão sob a falsa acusação de incitar à violência durante uma onda de protestos em fevereiro de 2014. "O sangue espirrou em mim."
Lilian Tintori participava de um ato da campanha para as eleições parlamentares de 6 de dezembro, quando o regime deve perder a maioria na Assembleia Nacional pela primeira vez desde a ascensão de Hugo Chávez.
"Ainda estávamos no palanque. Rummi [Olivo, um cantor popular] ia começar a cantar e, naquele momento, se escutou muito de perto uma rajada de metralhadora de dez tiros. Nós nos atiramos no chão e eu fiquei me tocando porque sentia que eram contra mim. Querem me matar", insistiu Lilian.
No ataque, morreu o secretário-geral do diretório municipal da AD em Altagracia de Orituco, Luis Manuel Díaz, e outra pessoa saiu ferida. O secretário-geral nacional do partido, Henrt Ramos Allup, declarou que os tiros partiram de um carro de militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
Em discurso, o presidente Nicolás Maduro definiu o assassinato de um político no palanque como crime comum: "O Ministério do Interior já tem elementos que mostram um acerto de contas entre quadrilhas rivais."
A conselho de Ramos Allup, Tintori passou a noite no estado de Guárico.
Para o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior uruguaio Luis Almagro, o assassinato foi "uma ferida mortal na democracia" e não é um caso isolado: "Acontece de forma conjunta com ataques a outros dirigentes de oposição em uma estratégia para amedrontá-los. É hora de pôr fim ao medo. Cada morte na Venezuela hoje dói em toda a América."
Maduro ficou furioso. Chamou Almagro, ex-chanceler do governo esquerdista de José Mujica, de "lixo", acusando-se de agir "contra a Venezuela, contra o povo e contra a revolução bolivarista".
Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado americano, John Kirby, considerou o assassinato a maior violência de uma campanha eleitoral marcada por ataques e intimidações - e pediu proteção aos candidatos. Em Madri, o ministro do Exterior da Espanha, José Luis García, pediu uma investigação independente e garantias de que as eleições serão livres e limpas.
O Parlamento Europeu aprovou o envio de comissão para supervisionar as eleições. A missão de "acompanhamento" da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) condenou a morte e cobrou uma "investigação profunda".
Líder municipal da oposição é morto na Venezuela
Com a proximidade das eleições parlamentares de 6 de dezembro de 2015 e a determinação do presidente Nicolás Maduro de ganhar "seja como for", aumenta a violência política na Venezuela. O secretário-geral do partido de oposição Ação Democrática no município de Altagracia de Orituco, Luis Manuel Díaz, foi morto ontem durante um comício.
Díaz foi baleado quando estava ao lado de Lilian Tintori, mulher de Leopoldo López, o principal líder da oposição preso e condenado pelo regime chavista num processo político, supostamente por incitar à violência durante manifestações de protesto contra o governo em fevereiro de 2014. Na época, 43 pessoas morreram em choques entre oposicionistas polícia bolivarista.
"Hoje sofri dois ataques", declarou ontem Lilian Tintori. Horas antes, participantes do comício foram alvo de pedradas. Ela denuncia estar sendo perseguida todo o tempo pelo Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin), o serviço secreto chavista.
O secretário-geral nacional da AD, Henry Ramos Allup, afirmou que o tiro partiu de um carro com militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do presidente Maduro. "Onde está a missão da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), que até agora não disse nada?", protestou o deputado Leomagno Flores.
Depois do veto do governo Maduro ao ex-ministro da Justiça e da Defesa e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim, a chefia da missão de "acompanhamento" da Unasul das eleições venezuelanas foi entregue ao ex-presidente da República Dominicana Leonel Fernández, admirador confesso do finado caudilho Hugo Chávez.
Sob pressão, a missão da Unasul apelou "às autoridades para que conduzam uma investigação profunda sobre este fato condenável a fim de excluir toda impunidade".
A dez dias das eleições, a oposição denuncia uma série de ataques ao longo da campanha, especialmente depois do discurso de Maduro em 22 de outubro defender a vitória a qualquer preço. Isso aumentou a atividade das milícias chavistas conhecidas como coletivos e os protestos da aliança oposicionista Mesa da Unidade Democrática (MUD).
No domingo, militantes mascarados atiraram para o ar para impedir a passagem de uma carreata do candidato oposicionista Miguel Pizarro num bairro popular da capital.
Na semana passada, Lilian Tintori foi perseguida quando ia a um ato público no centro de Caracas. Há duas semanas, o ex-candidato presidente Henrique Capriles foi alvo de tiros que atribuiu ao prefeito chavista de Yare, Saúl Yáñez, e seus capangas.
O presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, que disputa a liderança do chavismo com Maduro, desprezou as denúncias como "armações".
Na pior crise econômica de sua história moderna, com recessão de 10%, inflação de 200% e desabastecimento generalizado por causa da queda nos preços do petróleo e do fracasso do "socialismo do século 21", todas as pesquisas apontam uma ampla vitória das oposições, que teriam maioria na Assembleia Nacional pela primeira vez desde a ascensão de Hugo Chávez.
Se as pesquisas forem confirmadas, a oposição poderá convocar um referendo para revogar o mandato do presidente Maduro e tirar o chavismo do poder com uma de suas próprias armas. Como o regime não mostra nenhum sinal de que pretenda ceder o poder democraticamente, a tendência é de aumento da violência política.
Na primeira entrevista como presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, ameaçou aplicar a cláusula democrática do Mercosul para suspender a Venezuela do bloco por causa da "perseguição a oposicionistas" e da "falta de liberdade de expressão". Com essa declaração pressionou o governo Dilma Rousseff, aliado do chavismo, a tomar uma posição clara.
As eleições de 6 de dezembro serão um teste definitivo para Maduro, para a política externa de Dilma e para o compromisso do Mercosul com a democracia. Quatro dias depois, Macri toma posse. Em 21 de dezembro, o Mercosul faz sua reunião de cúpula.
Díaz foi baleado quando estava ao lado de Lilian Tintori, mulher de Leopoldo López, o principal líder da oposição preso e condenado pelo regime chavista num processo político, supostamente por incitar à violência durante manifestações de protesto contra o governo em fevereiro de 2014. Na época, 43 pessoas morreram em choques entre oposicionistas polícia bolivarista.
"Hoje sofri dois ataques", declarou ontem Lilian Tintori. Horas antes, participantes do comício foram alvo de pedradas. Ela denuncia estar sendo perseguida todo o tempo pelo Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin), o serviço secreto chavista.
O secretário-geral nacional da AD, Henry Ramos Allup, afirmou que o tiro partiu de um carro com militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do presidente Maduro. "Onde está a missão da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), que até agora não disse nada?", protestou o deputado Leomagno Flores.
Depois do veto do governo Maduro ao ex-ministro da Justiça e da Defesa e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim, a chefia da missão de "acompanhamento" da Unasul das eleições venezuelanas foi entregue ao ex-presidente da República Dominicana Leonel Fernández, admirador confesso do finado caudilho Hugo Chávez.
Sob pressão, a missão da Unasul apelou "às autoridades para que conduzam uma investigação profunda sobre este fato condenável a fim de excluir toda impunidade".
A dez dias das eleições, a oposição denuncia uma série de ataques ao longo da campanha, especialmente depois do discurso de Maduro em 22 de outubro defender a vitória a qualquer preço. Isso aumentou a atividade das milícias chavistas conhecidas como coletivos e os protestos da aliança oposicionista Mesa da Unidade Democrática (MUD).
No domingo, militantes mascarados atiraram para o ar para impedir a passagem de uma carreata do candidato oposicionista Miguel Pizarro num bairro popular da capital.
Na semana passada, Lilian Tintori foi perseguida quando ia a um ato público no centro de Caracas. Há duas semanas, o ex-candidato presidente Henrique Capriles foi alvo de tiros que atribuiu ao prefeito chavista de Yare, Saúl Yáñez, e seus capangas.
O presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, que disputa a liderança do chavismo com Maduro, desprezou as denúncias como "armações".
Na pior crise econômica de sua história moderna, com recessão de 10%, inflação de 200% e desabastecimento generalizado por causa da queda nos preços do petróleo e do fracasso do "socialismo do século 21", todas as pesquisas apontam uma ampla vitória das oposições, que teriam maioria na Assembleia Nacional pela primeira vez desde a ascensão de Hugo Chávez.
Se as pesquisas forem confirmadas, a oposição poderá convocar um referendo para revogar o mandato do presidente Maduro e tirar o chavismo do poder com uma de suas próprias armas. Como o regime não mostra nenhum sinal de que pretenda ceder o poder democraticamente, a tendência é de aumento da violência política.
Na primeira entrevista como presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, ameaçou aplicar a cláusula democrática do Mercosul para suspender a Venezuela do bloco por causa da "perseguição a oposicionistas" e da "falta de liberdade de expressão". Com essa declaração pressionou o governo Dilma Rousseff, aliado do chavismo, a tomar uma posição clara.
As eleições de 6 de dezembro serão um teste definitivo para Maduro, para a política externa de Dilma e para o compromisso do Mercosul com a democracia. Quatro dias depois, Macri toma posse. Em 21 de dezembro, o Mercosul faz sua reunião de cúpula.
Marcadores:
Assassinato,
Assembleia Nacional,
Chavismo,
Diosdado Cabello,
Eleições Parlamentares,
Leopoldo López,
Lilian Tintori,
Nicolás Maduro,
PSUV,
Venezuela
Assinar:
Postagens (Atom)