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sábado, 4 de agosto de 2018

Ditador de Venezuela afirma ter sido alvo de ataque

Sete policiais saíram feridos de uma explosão atribuída pelo governo da Venezuela a um drone, no momento em que o ditador Nicolás Maduro discursava em solenidade militar na festa de 81 anos da Guarda Nacional. O regime chavista afirmou ter sido um atentado.

Maduro saiu ileso e pouco depois fez um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão para denunciar um suposta atentado contra sua vida: “Tentaram me assassinar no dia de hoje”, esbravejou o ditador, acusando o presidente da Colômbia, José Manuel Santos, noticiou o jornal venezuelano El Nacional.

Alguns bombeiros que atenderam à ocorrência duvidaram da versão oficial, noticiou a agência Associated Press (AP), citando ainda três funcionários não identificados que disseram se tratar de um vazamento de gás num prédio próximo. Mas esta seria uma segunda explosão.

A oposição denuncia um “autogolpe” para justificar um aumento da repressão.

Por causa da situação catastrófica da economia da Venezuela e da implantação de uma ditadura total no ano passado, com a eleição fraudulenta de uma Assembleia Nacional Constituinte servil a Maduro em 2017, consolidada pela reeleição presidencial também fraudulenta em maio de 2018, a posição do ditador está cada vez mais ameaçada.

No ano passado, o policial Óscar Pérez sequestrou um helicóptero e disparou contra o Ministério do Interior e outros prédios públicos em Caracas. Ao ser cercado pela polícia, em fevereiro deste ano, ele tentou se render mas foi metralhado. O recado é claro: qualquer rebelião militar será respondida a ferro e fogo.

Com a militarização do regime chavista sob Maduro, que nomeou centenas de militares a mais do que o finado caudilho Hugo Chávez, a maior ameaça vem de dentro do próprio governo. O ditador conquistou com fraude um segundo mandato de seis anos. Mas a queda do produto interno bruto pela metade desde a morte de Chávez, em 2013, o desabatecimento generalizado e a inflação, prevista para chegar a 1.000.000% ao ano em 2018, indicam que dificilmente Maduro vai completar o mandato.

terça-feira, 13 de março de 2018

Total de venezuelanos que saem do país aumentou 20 vezes

Só no ano passado, 94 mil venezuelanos pediram asilo em outros países. De 2014 até 7 de março de 2018, a fuga do país aumentou 20 vezes, e chegou a um total de 145,2 mil pessoas, revelou hoje o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Outras 444,8 mil pessoas saíram da Venezuela, mas não fixaram oficialmente residência no exterior.

A ONU atribui a emigração em massa "aos complexos acontecimentos políticos e socioeconômicos da Venezuela. Os motivos para a saída do território incluem insegurança e violência, falta de comida, remédios ou acesso a serviços sociais essenciais, assim como perda de renda."

Sob o desgoverno do ditador Nicolás Maduro, a Venezuela vive a pior crise econômica de sua história, apesar de ter as maiores reservas mundiais comprovadas de petróleo, por causa do fracasso do "socialismo do século 21" implantado pelo caudilho Hugo Chávez, que morreu em 5 de março de 2013.

Sem o talento nem o carisma do chefe, Maduro está arruinando a Venezuela numa escala sem precedentes para um país relativamente desenvolvido em tempo de paz. Com os controles de câmbio e preços, o regime chavista causou uma hiperinflação que deve chegar a 13.000% neste ano.

Desde a ascensão de Maduro, o produto interno bruto caiu pelo menos um terço. Isso caracteriza uma recessão econômica. Mas a situação é muito pior. Mais de 80% dos produtos desapareceram das prateleiras dos supermercados. Os venezuelanos perderam peso com a fome.

A vitória da oposição nas eleições parlamentares de dezembro de 2015 foi o último suspiro da democracia. O Tribunal Supremo de Justiça, subserviente ao regime, impugnou a eleição de cinco deputados para tirar a maioria de dois terços que em tese daria à oposição o direito de reformar a Constituição.

Depois de uma tentativa do TSJ de usurpar o Poder Legislativo da Assembleia Nacional, desafiada por uma onda de manifestações de protesto em abril, maio e junho de 2017, Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte eleita por regras especiais criadas pelo regime chavista.

A oposição boicotou a Constituinte de Maduro, que transformou definitivamente o regime numa ditadura ao marginalizar a Assembleia Nacional eleita democraticamente.

No ano passado, a Venezuela teve o segundo maior índice de homicídios do mundo fora de zonas de guerra, atrás apenas de El Salvador. Em 2014, o índice era de 62 homicídios para cada 100 mil habitantes por ano, de acordo com a então procuradora-geral Luisa Ortega. A taxa considera civilizada é até 10.

Como 95% dos mortos são homens e 69% jovens, a taxa de homicídios entre os jovens chegou a 225 por 100 mil no ano 2000. Cerca de 92% dos homicídios são cometidos com armas de fogo, 83% perto da casa das vítimas, 55% em altercações públicas e 55% das mortes violentas ocorrem nos fins de semana.

Para manipular a eleição presidencial, remarcada de 22 de abril para 20 de maio, a ditadura madurista vetou os principais candidatos, partidos e a grande aliança oposicionistas, antecipou a votação, prevista para ocorrer no fim do ano, e está distribuindo cestas básicas em áreas carentes.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

OEA chama de farsa antecipação da eleição presidencial na Venezuela

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, ex-ministro do Exterior do Uruguai, denunciou ontem como uma "farsa" a decisão da Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima da Venezuela de antecipar a eleição presidencial de 2018, que deve ser realizada até 30 de abril. Ele defendeu a imposição de sanções mais duras contra a ditadura de Nicolás Maduro.

Almagro apoiou a declaração dos 14 países do Grupo de Lima, inclusive Argentina, Brasil, Colômbia e México, as maiores economias da América Latina, em repúdio à manobra da ditadura chavista. Em nota, eles afirmaram que a decisão "impossibilita a realização de uma eleição presidencial democrática, transparente e com credibilidade".

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, advertiu que o mundo não vai reconhecer o resultado da eleição presidencial venezuelana. Os Estados Unidos apoiaram o Grupo de Lima: "Saudamos a declaração do Grupo de Lima diante da nova farsa eleitoral anunciada pelo regime da Venezuela."

Almagro afirmou que, "para sair da crise, é preciso haver eleições livres, sem candidatos e partidos proscritos, garantias para todos, observação internacional e sem presos políticos". Não existe nenhuma chance da ditadura militar chavista ou madurista, já que a deterioração geral da Venezuela é notável desde a morte do caudilho Hugo Chávez, em 2013, aceitar estas exigências.

Desde então, o produto interno bruto venezuelano caiu em um terço. A hiperinflação é estimada em mais de 2.600% ao ano e há desabastecimento generalizado de remédios e alimentos. Em dezembro de 2017, o custo da cesta básica passou de 16,5 milhões de bolívares ou 93 salários mínimos, alta de 129% em relação a novembro. Pela cotação do dólar no fim do ano, o equivalente a US$ 158.

O azeite, por exemplo, é vendido a 70,7 mil bolívares, 2.525 vezes acima do preço oficial tabelado, de 28 bolívares. Faltam nas prateleiras dos armazéns e supermercados carne de gado, carne de frango, leite em pó, leite condensado, margarina, aveia, açúcar, óleo de milho, farinha de milho, arroz, lentilhas, farinha de trigo, massa, molho de tomate, pão, queijo amarelo, sabonete, cera para assoalhos papel higiênico, toalhas sanitárias, desodorante e sabão para lavar roupa.

Diante do colapso da economia do país, Maduro decidiu antecipar as eleições para aproveitar a divisão das oposições e tentar consolidar seu poder antes da derrocada total.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Ditadura chavista antecipa eleição presidencial na Venezuela

A Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima do regime chavista anunciou ontem a antecipação da eleição presidencial na Venezuela, que deverá ser realizada até 30 de abril. O ditador Nicolás Maduro declarou estar pronto para ser candidato.

Diante da deterioração cada vez maior da economia, com queda de um terço do produto interno bruto desde 2013 e inflação superior a 2.600% no ano passado, e do aumento das sanções internacionais, Maduro tenta consolidar o poder, aproveitando a divisão das oposições.

Com a escassez cada vez maior de remédios e alimentos, a ditadura chavista usa a distribuição de comida para garantir apoio político entre os mais pobres. A data exata da eleição será determinada pelo Conselho Nacional Eleitoral, dominado pelo regime.

No mês passado, o ditador prometeu banir da eleição alguns dos maiores partidos políticos da Venezuela, sob a acusação de terem boicotado eleições anteriores. Apesar da rejeição de Maduro por 75% dos venezuelanos, o segundo homem-forte do regime, Diosdado Cabello, confirmou a candidatura do ditador.

Apesar da alta rejeição, contrariando as pesquisas de opinião, a ditadura ganhou as eleições municipais e estaduais, mas uma empresa responsável pela operação das urnas eletrônicas denunciou a manipulação de pelo menos 1 milhão de votos.

Anteontem, a União Europeia impôs sanções a Cabello, aos comandantes das Forças Armadas e aos presidentes do Tribunal Supremo de Justiça e do Conselho Nacional Eleitoral por violações dos direitos humanos. As medidas incluem proibição de viagens e congelamento de bens.

A antecipação das eleições mina o diálogo pela reconciliação nacional realizadas na República Dominicana, onde a oposição exige eleição livre e justa com a presença de observadores internacionais.

O governo não aceitou os pedidos da oposição. Exige o reconhecimento da Assembleia Nacional Constituinte, convocada em eleições fraudulentas para tirar o poder da Assembleia Nacional eleita democraticamente em dezembro de 2015, onde a oposição tem maioria de dois terços.

A oposição agora enfrenta o dilema de se unir em torno de um candidato ou boicotar a eleição. Para o deputado Freddy Guevara, é hora de unidade. Já o ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma, exilado na Espanha, entende que "o regime não está interessado em eleições democráticas" e que "não se deve legitimar a eleição de Maduro".

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Governo e oposição da Venezuela retomam diálogo na quinta-feira

Depois do fracasso da semana passada, enquanto a Venezuela afunda numa crise sem precedentes para um país tão rico em petróleo, o governo e a oposição voltam a se reunir na quinta-feira em São Domingos, a capital da República Dominicana. 

No sábado, quando o diálogo foi suspenso sem conclusão, o presidente dominicano, Danilo Medina, declarou que as partes não haviam chegado a um acordo definitivo nos seis itens da agenda.

O ministro da Comunicação da ditadura de Nicolás Maduro, Jorge Rodríguez, disse que houve acordo na maioria dos pontos e manifestou esperança de concluir a negociação na próxima rodada, que começa daqui a três dias.

Já o líder da delegação oposicionista, deputado Julio Borges, afirmou que a oposição não vai ceder em suas posições porque isso só agravaria a crise política e econômica na Venezuela.

A oposição exige um sistema eleitoral transparente nas eleições presidenciais deste ano, a abertura de canais de ajuda humanitária para permitir a entrada de medicamentos e alimentos, a libertação dos presos políticos e a restauração dos poderes da Assembleia Nacional, onde obteve maioria de dois terços.

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), braço político do regime chavista, quer o fim das sanções econômicas impostas a alguns de seus dirigentes, o que depende dos Estados Unidos, e o reconhecimento da Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima criada por Maduro para esvaziar a Assembleia Nacional legítima, dominada pela oposição.

Diante dessas posições, é difícil imaginar a possibilidade de um acordo. Além do presidente dominicano, o ex-vice-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero participa como mediador.

Os governos do Chile e do México são observadores convidados pela oposição. Os governos da Bolívia, da Nicarágua e de São Vicente e Granadinas acompanham o diálogo a convite da ditadura chavista.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Ex-procuradora-geral da Venezuela denuncia Maduro à Corte de Haia

A ex-procuradora-geral da Venezuela Luisa Ortega Díaz esteve hoje na Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas, em Haia, na Holanda, para denunciar o ditador Nicolás Maduro e outros altos dirigentes do regime chavista por crimes contra a humanidade e mais de 8 mil assassinatos. Ela pediu a prisão de Maduro.

A acusação tem como alvos principais o ditador, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, o ministro do Interior e Justiça, Néstor Reverol, e outros altos funcionários ligados às forças de segurança do Estado.

Ortega Díaz afirmou ter apresentado mais de mil elementos de prova dos crimes contra a humanidade cometidos pelo governo na repressão às manifestações de protesto da oposição, em que pelo menos 127 pessoas foram mortas desde abril.

"Temos atestados psiquiátricos, laudos periciais e depoimentos que sustentam a denúncia", declarou a ex-procuradora-geral, acrescentando que Maduro e o governo "devem pagar pela fome e a miséria a que submeteram o povo da Venezuela."

Militante chavista, Luisa Ortega foi nomeada procuradora-geral pelo então presidente Hugo Chávez em 2007. Virou dissidente em protesto contra a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte por Maduro numa manobra para tirar os poderes da Assembleia Nacional eleita em dezembro de 2015, com maioria oposicionista.

Pela Constituição da República Bolivarista da Venezuela, inspirada por Chávez, é necessário um referendo popular para convocar uma nova Constituinte. Ortega considerou a manobra de Maduro um ataque à herança do caudilho, que morreu em 5 de março de 2013, sendo substituído por Maduro por orientação do ditador cubano Fidel Castro. Ela proclamou que a Constituinte de Maduro era ilegal e ilegítima.

Em 5 de agosto de 2017, Ortega Díaz foi demitida pela Constituinte, que assumiu plenos poderes legislativos, atropelando o parlamento eleito democraticamente, num golpe que tornou a Venezuela uma ditadura escancarada, com todo o poder concentrado no Executivo. Quando foi decretada a prisão do marido, ela fugiu do país e desde então viaja pelo mundo denunciando os crimes do regime.

A Venezuela vive sua pior crise econômica da sua história independente. O produto interno bruto deve cair mais de 12% neste ano, caracterizando uma depressão se somado aos resultados negativos dos últimos anos. A inflação pode chegar a 1.200%. Com o desbastecimento, mais de 80% dos produtos básicos estão em falta.

Com reservas cambiais em moedas fortes abaixo de US$ 10 bilhões, no início do mês, Maduro anunciou que o país não tem mais condições de pagar suas dívidas, estimadas em US$ 120 bilhões pelo boletim de notícias Dolar Today. 

Madurou chamou os credores para renegociar e nomeou o vice-presidente Tareck El Aissimi e o ministro da Fazenda como principais negociadores. Ambos estão numa lista de sancionados pelo governo dos Estados Unidos. Assim, os americanos não podem negociar com eles, sob as penas da lei.

Na primeira reunião com representantes dos credores, o vice-presidente falou sozinho e não apresentou planos nem propostas. Distribuiu chocolate e café da Venezuela, mas não respondeu a nenhuma pergunta.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Delegado deixa cargo na Constituinte fraudulenta de Maduro

Depois de ler um texto denunciando o sectarismo do regime chavista, o jornalista Earle Herrera, delegado da Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima convocada pelo ditador Nicolás Maduro, decidiu abandonar a presidência da Comissão de Diversidade, informou o jornal Latin American Herald Tribune.

A Constituinte de Maduro só foi reconhecida pela Rússia, a Síria, a Bolívia e a Nicarágua. Foi repudiada pela Organização dos Estados Americanos (OEA), os Estados Unidos, o Brasil e outros 40 países.

Chavista de primeira hora, Herrera tem um programa na televisão estatal, onde leu um texto do jornalista Eleazar Díaz Rangel sobre o sectarianismo em crises passadas na Venezuela e declarou: "Concordo plenamente", comentou Herrera.

É o segundo chavista importante que rompe com Maduro. A ex-procuradora-geral Luisa Ortega Díaz condenou a convocação da Constituinte por não ter sido submetida a um plebiscito, como prevê a Constituição da República Bolivarista da Venezuela, e assim desonrar a herança de Hugo Chávez. Ameaçada, ela saiu clandestinamente do país e denuncia o governo Maduro como ditatorial.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Venezuela culpa Trump pela escassez de alimentos e medicamentos

A presidente da Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima da Venezuela, a ex-chanceler Delcy Rodríguez, declarou no domingo que o regime chavista não tem dinheiro para pagar por alimentos e medicamentos que estariam em navios próximos do litoral do país por causa das sanções econômicas impostas na semana passada pelos Estados Unidos.

"Tendo barcos na costa carregados com medicamentos e alimentos, a Venezuela não tem como pagar por esses bens essenciais para a sociedade venezuelana. Por quê? Porque há um bloqueio financeiro contra o país", afirmou Delcy Rodríguez diante da Comissão da Verdade da Constituinte, que investiga as mortes ocorridas em protestos contra a ditadura de Nicolás Maduro.

Para o regime chavista, a culpa é sempre dos EUA, como se o país não tivesse importado petróleo num valor total estimado em US$ 300 bilhões desde a ascensão de Hugo Chávez ao poder, em 1999, 30% de um total estimado em US$ 1 trilhão. E o país não tem dinheiro para comprar papel higiênico.

Nas palavras da presidente da Constituinte de Maduro, que usurpou os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente, "se acaba de formalizar o bloqueio financeiro contra a Venezuela" para levar o país a "cessar pagamentos internacionais e agudizar a agressão econômica contra o povo venezuelano".

O governo Donald Trump proibiu na sexta-feira a compra e a negociações de novos bônus da dívida pública da Venezuela de 30 ou mais dias e de novos bônus da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) de 90 ou mais dias. Os títulos já emitidos, que estão em negociação no mercado secundário, não serão afetados.

A escassez de alimentos é muito anterior às sanções de Trump. É resultado das políticas econômicas equivocadas do "socialismo do século 21" proposto por Chávez e destruído por Maduro, sobretudo dos controles de preços e câmbio.

sábado, 19 de agosto de 2017

Procuradora-geral foge da Venezuela de lancha

Sob ameaça de prisão pela ditadura de Nicolás Maduro, a procuradora-geral Luisa Ortega Díaz e seu marido, o deputado chavista dissidente Germán Ferrer, fugiram da Venezuela de lancha, foram até a ilha de Aruba e chegaram de avião ontem à Colômbia, noticiou o jornal venezuelano El Nacional.

Chavista histórica, Luisa Ortega denunciou a Assembleia Nacional Constituinte convocada por Maduro como ilegal, ilegítima e uma traição à memória de Hugo Chávez e sua Constituição da República Bolivarista da Venezuela. Ela exigia a realização de um plebiscito e a realização de eleições diretas.

Uma das primeiras decisões da Constituinte de Maduro, há duas semanas, foi afastá-la do cargo. A procuradora-geral investigava não só violações dos direitos humanos durante a repressão à onda de manifestações iniciada em abril como a corrupção, inclusive os negócios da construtora brasileira Odebrecht. Teria saído do país com documentos importantes para acusar Maduro.

Sem passaportes, confiscados pela ditadura de Maduro, Luisa Ortega e o marido chegaram ontem às 15h30 (17h30 em Brasília) ao aeroporto El Dorado, em Bogotá.

O casal saiu da Península de Paranaguá, na Venezuela, às 2h30 (4h30 em Brasília) da madrugada de sexta-feira numa lancha rápida junto com a chefe de gabinete, Gioconda González Sánchez, e Arturo Vilar Estévez, depois que o Tribunal Supremo de Justiça decretou a prisão de Ferrer.

Também ontem, a Constituinte usurpou os poderes legislativos da Assembleia Nacional eleita democraticamente em 6 de dezembro de 2015, quando a oposição conquistou dois terços das cadeiras.

Este sempre foi o objetivo da Constituinte de Maduro, tomar o poder do Parlamento dominado pela oposição e assumir poderes totais, com o controle do Executivo, do Judiciário e agora Legislativo, anulando a vontade popular.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Constituinte de Maduro dissolve Assembleia Nacional da Venezuela

Mais uma etapa do golpe do ditador Nicolás Maduro contra as instituições da Venezuela foi perpetrada hoje. A Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima convocada pelo regime chavista usurpou os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente em 6 de dezembro de 2015, onde a oposição conquistou maioria de dois terços.

Por unanimidade, os deputados eleitos numa votação manipulada pela ditadura aprovaram um decreto autorizando a Constituinte a exercer o Poder Legislativo. Na prática, a medida acaba com a única instituição onde a oposição podia se manifestar e exercer algum direito na Venezuela.

A Constituinte resolveu "assumir as competências para legislar diretamente para garantir a preservação da paz, da soberania, do sistema socioeconômico e financeiro, dos bens do Estado e dos direitos dos venezuelanos", declarou uma nota.

A decisão é resultado da recusa da Assembleia Nacional em "jurar lealdade" à Constituinte. A presidente da Constituinte de Maduro, a ex-chanceler Delcy Rodríguez, convidou o presidente e os dois vice-presidentes para uma reunião. Eles recusaram porque negam legitimidade à Constituinte.

"Não compareceremos ante à mentira da Constituinte. Não somos obrigados a fazer isso", afirmou a Mesa da Unidade Democrática, a coalizão oposicionista.

Depois da recente declaração desastrada do presidente Donald Trump ameaçando com uma intervenção militar na Venezuela, a ditadura acusa a oposição por manifestações violentas e de conspirar com os Estados Unidos para acabar com a "revolução bolivarista" iniciada pelo finado caudilho Hugo Chávez.

No início do mês, a Constituinte destituíra a procuradora-geral, Luisa Ortega Díaz, que a considerou inconstitucional e um ultraje à memória e à herança política de Chávez.

Desde o início do ano, Maduro conspira para cassar os poderes do Parlamento eleito democraticamente. Primeiro, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), subserviente ao regime, anulou as decisões da Assembleia Nacional por suposto "desacato" a uma decisão judicial ao dar posse a deputados que tiveram as eleições impugnadas pelo Judiciário chavista.

Em 30 de março, TSJ assumiu o Poder Legislativo. Diante da revolta generalizada, recuou três dias depois, mas a semente da discórdia estava lançada. Desde o início de abril, a Venezuela vive num clima de pré-guerra civil, com manifestações de protesto diárias nas grandes cidades em que pelo menos 127 pessoas foram mortas.

Sem sucesso da manobra inicial, Maduro apelou para a convocação de uma Constituinte, mas violou a Constituição várias vezes, o que caracteriza um golpe de Estado. Agora, finalmente, conseguiu anular a Assembleia Nacional dominada pela oposição.

Para começar, a Constituição da República Bolivarista da Venezuela exige a realização de um plebiscito para aprovar a convocação de uma Constituinte. Com grande impopularidade por causa da crise econômica sem precedentes na história do país, Maduro evitou a consulta popular.

As eleições da Constituinte violaram a regra básica da democracia, o sufrágio direto, secreto e universal em que cada pessoa tem direito a um voto e todos os votos valem a mesma coisa. Nas eleições sob medida de Maduro, cada cidade teve direito de eleger um deputado e as capitais estaduais, dois. Isso deu um poder enorme a pequenas comunidades rurais dominadas pelo chavismo.

Dois terços dos deputados foram eleitos por essa "regra territorial". O resto por entidades pelegas ligadas ao regime. No mundo inteiro, só a Rússia, a Bolívia e a Nicarágua aprovaram a Constituinte de Maduro.

O Mercosul, liderado por Brasil e Argentina, suspendeu a Venezuela até a restauração da democracia. Mas o regime marcha no sentido contrário, aumentando o risco de guerra civil no país vizinho.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Chavistas arrombam plenário da Assembleia Nacional da Venezuela

Com a cobertura de um grande contingente da Guarda Nacional, Delcy Rodríguez, sob o comando do coronel Bladimir Lugo, a presidente da Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo ditador Nicolás Maduro, arrombaram nesta noite o plenário da Assembleia Nacional, dominada pela oposição desde o início de 2016, noticiou o jornal venezuelano El Nacional.

Em nota de protesto, o presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges, declarou que, "aproveitando a noite, estes altos funcionários do governo, apoiado por um já conhecido coronel, cometeram este atropelo contra a sede do Poder Legislativo."

O objetivo seria preparar uma reunião às 10h desta terça-feira da Assembleia Nacional Constituinte convocada por Maduro, ilegal e ilegítima, por violar a atual Constituição da República Bolivarista da Venezuela, que exige a realização de um plebiscito para convocar a Constituinte.

Sua eleição violou a regra básica da democracia de que todos os adultos tenham direito ao voto e que todos os votos tenham o mesmo peso. Na Constituinte de Maduro, dois terços dos deputados foram eleitos "territorialmente".

Cada cidade teve direito a um deputado e as capitais de estados, a dois. Isso deu um peso enorme a pequenas comunidades rurais com populações muitos menores do que as grandes cidades.

O outro terço foi eleito por "entidades" da sociedade civil, na verdade, atreladas ao regime chavista. Como a oposição boicotou sua eleição, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) tem controle absoluto da Constituinte.

Assim, Maduro pretende usurpar o poder legislativo da Assembleia Nacional eleita democraticamente em 6 de dezembro de 2015 e implantar uma ditadura governando com entidades pelegas.

Para dar uma aparência de legitimidade à Constituinte, o Conselho Nacional Eleitoral, subserviente ao regime, anunciou que mais de 8 milhões de pessoas votaram. Duas semanas antes, em consulta popular organizada pela oposição, 7,5 milhões rejeitaram a Constituinte de Maduro e o ditador queria bater esse número.

No fim de semana, um grupo de militares e civis rebelados atacou um quartel na cidade de Valência. Duas pessoas morreram no confronto. O governo chamou os rebeldes de "terroristas". Há poucas semanas, houve um suposto ataque de helicóptero jamais esclarecido.

Esses dois ataques não significam uma divisão na alta cúpula das Forças Armadas, hoje o principal sustentáculo do regime chavista, mas podem indicar uma insatisfação em escalões inferiores. Soldados e oficiais de baixa patente não têm os privilégios da cúpula e sofrem o impacto da crise econômica brutal, com queda de 30% do produto interno bruto nos últimos quatro anos, inflação de 1.200% ao ano e desabastecimento generalizado, com emagrecimento da população.

A Constituinte deve aumentar o controle do Estado sobre a economia, no modelo cubano, que, como dizia Fidel Castro, não funciona nem em Cuba. Maduro não tem saída para a pior crise econômica da história da Venezuela, que não pode ser atribuída aos Estados Unidos.

Afinal, desde que o coronel Hugo Chávez foi eleito presidente, em 1998, a Venezuela vendeu US$ 1 trilhão em petróleo e o maior comprador foi os EUA.

sábado, 5 de agosto de 2017

Constituinte de Maduro demite procuradora-geral da Venezuela

Em um de seus primeiros atos, a Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo ditador Nicolás Maduro demitiu hoje a procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, que denunciou sua eleição como ilegal e ilegítima. As forças de segurança do regime cercaram a sede do Ministério Público, em Caracas.

Maduro convocou a Constituinte para usurpar os poderes da Assembleia Nacional eleita em 6 de dezembro de 2015 com maioria de dois terços da oposição. Ortega, chavista histórica, rejeitou a manobra alegando não haver necessidade de mudar a Constituição da República Bolivarista da Venezuela, inspirada pelo então presidente Hugo Chávez.

Depois que a empresa que organizou a apuração denunciou fraude, com a adição de pelo menos um milhão de votos falsos, Ortega pediu a dissolução da Constituinte. Ela acusou de "terrorismo de Estado" e de transformar a Venezuela num "Estado policial".

A procuradora-geral investigava violações dos direitos humanos cometidas pelas forças de segurança na repressão às manifestações de protestos realizadas diariamente nas ruas de Caracas e das principais cidades desde o início de abril. Nesse período, pelo menos 121 mortes, 2 mil pessoas saíram feridas e mais de 5 mil foram presas.

Na época, a oposição reagiu à decisão do Tribunal Supremo de Justiça de assumir o Poder Legislativo, negando legitimidade à Assembleia Nacional eleita democraticamente. Sob pressão, o Supremo recuou.

Sem saída legal para revogar os poderes do Parlamento, Maduro inventou a ideia de uma Constituinte eleita "territorialmente" e por "entidades". Nesta fórmula para violar o princípio do voto direto, secreto e universal que é a base da democracia, cada cidade elegeu um deputado e as capitais de estado dois, aumentando desproporcionalmente a representação de pequenas comunidades rurais em detrimento das grandes cidades.

Dois terços foram eleitos em "bases territoriais" e o outro terço por entidades pelegas ligadas ao regime chavista. Como a oposição boicotou as eleições, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) domina totalmente a Constituinte, que deve implantar uma ditadura comunista semelhante às de Cuba e da Coreia do Norte.

O problema é que a Venezuela enfrenta a pior crise econômica de sua história independência, com depressão de mais de 30% do PIB desde a morte de Chávez, em 2013, inflação de 1.200% ao ano, desabastecimento generalizado e emagrecimento da população, com mais de 80% vivendo na miséria.

A Constituinte de Maduro não tem a menor chance de fazer as reformas necessárias para levar a Venezuela de volta à economia de mercado, com o fim dos controles sobre preços e câmbio. Os riscos são de um colapso econômico total, agravamento da crise humanitária que já levou centenas de milhares de venezuelanos a fugir para a Colômbia e o Brasil, e guerra civil.

Cotação do dólar dá novo salto na Venezuela

O dólar foi cotado a 18.982,93 bolívares e o euro a 22.589,69 bolívares no mercado paralelo na Venezuela ontem, quando o regime chavista deu posse a uma Assembleia Nacional Constituinte não reconhecida internacionalmente, numa manobra do ditador Nicolás Maduro para ter poderes absolutos, informou o boletim de notícias Dolar Today. 

No domingo, dia da eleição da Constituinte de Maduro, a moeda americana valia 10.389,79 bolívares e a europeia, 12.156,05. A oposição boicotou as eleições manipuladas pelo regime chavista, que assim tem controle total sobre a Constituinte, eleita para usurpar os poderes da Assembleia Nacional, onde a oposição conquistou maioria de dois terços nas eleições de 6 de dezembro de 2015.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Só 3,7 milhões de venezuelanos tinham votado até 17h30

Só 3,7 milhões de venezuelanos tinham votado até as 17h30 de domingo nas eleições da Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo ditador Nicolas Maduro, indicam os registros do Conselho Nacional Eleitoral vistos pela agência Reuters. Isso levanta suspeitas sobre o total de 8,1 milhões de eleitores que o regime anunciou terem votado.

A oposição denuncia a Constituinte de Maduro como uma manobra para usurpar os poderes da Assembleia Nacional eleita em 6 de dezembro de 2015, onde tem maioria de dois terços, e impor uma ditadura na Venezuela.

Em 16 de julho, numa consulta popular organizada pela oposição, 7,5 milhões de venezuelanos repudiaram a Constituinte de Maduro. Assim, o regime chavista decidiu apresentar um número superior para defender a legitimidade da manobra.

Os documentos vistos pela Reuters indicam que 3.720.465 votaram até 17h30 nas 14.515 seções eleitorais. Seria praticamente impossível que mais do dobro desse número votassem na última hora e meia de abertura das urnas.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Dólar sobe mais 7,7% com prisão de oposicionistas na Venezuela

Com a prisão dos líderes oposicionistas Antonio Ledezma e Leopoldo López e o agravamento da crise política na Venezuela, a cotação do dólar no mercado paralelo chegou hoje a 11.185,95 bolívares. O euro vale 13.087,54.

Ontem, depois das eleições de uma Assembleia Nacional Constituinte convocada para usurpar o poder da Assembleia Nacional eleita democraticamente, onde a oposição tem maioria de dois terços, e consolidar o poder do ditador Nicolás Maduro, a moeda americana valia 10.389,79 bolívares e o euro, 12.156,05 bolívares.

A Venezuela vive a pior crise econômica de sua história, com queda de 30% do produto interno bruto desde 2013 e 82% da população caindo na probreza. O desabastecimento é generalizado e a inflação deve chegar a 1.200% ao ano em 2017.

Venezuela bota na cadeia dois líderes da oposição

Dois líderes da oposição na Venezuela, os ex-prefeitos Antonio Ledezma e Leopoldo López, que estavam em prisão domiciliar, foram presos na madrugada de hoje pelo Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin), o serviço secreto do regime chavista, denunciaram parentes e oposicionistas.

As prisões acontecem dois dias depois das eleições para uma Assembleia Nacional Constituinte convocada sob medida pelo ditador Nicolás Maduro para usurpar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente, hoje dominada pela oposição.

"Acabam de levar Leopoldo de casa", escreveu no Twitter Lilian Tintori, a mulher de López. "Não sabemos onde está nem para onde o levaram. Maduro é responsável se algo lhe acontecer."

As famílias divulgaram na Internet vídeos do momento das prisões. López, líder do partido direitista Vontade Popular, foi preso em 2014 sob a acusação de fomentar a violência em manifestações de rua nas quais 43 pessoas morreram. Em 2015, ele foi condenado a 13 anos e nove meses de prisão.

Ledezma, da Aliança Bravo Povo (ABP) foi preso em fevereiro de 2015 so a acusação de conspiração e formação de quadrilha. Depois de ficar dois meses na prisão militar de Ramo Verde, por motivos de saúde, foi mandado para prisão domiciliar.

Na semana passada, ambos divulgaram mensagens pedindo ao eleitorado venezuelano que não votasse na Constituinte e participasse dos protestos de rua, e à sociedade internacional para que não reconheça a manobra ditatorial de Maduro.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Tesouro dos EUA impõe sanções a Maduro

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs hoje sanções ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por violações dos direitos humanos e por considerar ilegítimas as eleições de ontem para uma Assembleia Nacional Constituinte usada para criar um regime autoritário.

A medida congela todos os bens e valores de Maduro em território dos EUA. Não se sabe se existe algum. Ele entra numa lista negra de chefes de Estado e de governo e altos funcionários feita pelo Tesouro americano.

"As eleições ilegítimas de ontem confirmam que Maduro é um ditador que despreza a vontade do povo venezuelano", afirmou o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, ao anunciar a decisão do governo Donald Trump. "Ao sancionar Maduro, os EUA deixaram clara nossa oposição às políticas do regime e nosso apoio ao povo da Venezuela que quer a volta de uma democracia plena e próspera."

O secretário do Tesouro advertiu que todos os funcionários públicos ligados à Assembleia Constituinte de Maduro pode ser alvo de sanções. Não falou em petróleo. Dentro do governo Trump, altos funcionários ameaçam cortar a importação de petróleo venezuelano se Maduro levar adiante a Constituinte.

Procuradora-geral denuncia ilegitimidade da Constituinte na Venezuela

A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, repudiou hoje o resultado das eleições convocadas ilegalmente pelo ditador Nicolás Maduro para formar uma Assembleia Nacional Constituinte a assim usurpar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente, dominada pela oposição, informou o jornal venezuelano El Nacional.

"Dirijo-me ao país na condição de procuradora-geral e membro do Conselho Moral Republicano para desconhecer os supostos resultados desta Constituinte presidencial", declarou Luisa Ortega em entrevista coletiva. "O que anunciaram foi uma burla ao povo e sua soberania, enquanto dão muito poder a uma minoria."

Ela afirmou que os resultados oficiais divulgados ontem pelo Conselho Nacional Eleitoral, dominado pelo regime chavista, só beneficiam o governo para que se mantenha no poder. Também previu que a Constituinte de Maduro só vai agravar a crise política, econômica e social.

Luisa Ortega foi contra a convocação de uma Constituinte desde que Maduro apresentou a ideia. Um dos argumentos para denunciar a ilegalidade e ilegitimidade da manobra é a exigência de um plebiscito, de uma consulta popular. Sem apoio popular, Maduro atropelou a Constituição e convocou a Constituinte assim mesmo.

A procuradora-geral alegou ainda que a Constituição da República Bolivarista da Venezuela, aprovada em 1999 sob a inspiração do então presidente Hugo Chávez, é uma conquista da "revolução" e deve ser preservada em homenagem ao finado caudilho.

Em resposta, o governo usurpou seus poderes, congelou seus bens e propriedades, e a proibiu de deixar a Venezuela.

Mais de 120 pessoas foram mortas nas manifestações de rua realizadas todos os dias desde o começo de abril. A Venezuela está à beira de uma guerra civil.

Brasil, EUA e outros países não reconhecem Constituinte de Maduro

O Brasil, os Estados Unidos, a Argentina, a Colômbia, o México, o Uruguai e a Espanha não vão reconhecer a Assembleia Nacional Constituinte eleita indiretamente ontem na Venezuela numa jogada do ditador Nicolás Maduro para tirar poder da Assembleia Nacional, dominada pela oposição.

Pelo menos 10 pessoas foram mortas pela violência política associada a essas eleições, elevando para mais de 120 o total de mortos desde o início de uma onda de manifestações de rua diárias, em abril. Os oposicionistas saíram às ruas para boicotar o pleito. Enfrentaram a Guarda Nacional e as milícias chavistas.

Mais de 8 milhões de venezuelanos participaram da votação de ontem, boicotada pela oposição, anunciou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena. A oposição contesta este número e acusa o regime chavista de manipulação.

Duas semanas antes, mais de 7,6 milhões de venezuelanos participaram de uma consulta popular realizada pela oposição e 98% votaram contra a Constituinte de Maduro, que vai transformar a Venezuela numa ditadura escancarada.

Pela Constituição da República Bolivarista da Venezuela, aprovada em 1999 sob a inspiração do então presidente Hugo Chávez, a convocação de uma Constituinte precisa ser aprovada pelo voto popular em plebiscito. Maduro ignorou a Constituição de Chávez e pretende reescrevê-la para acabar com qualquer vestígio de democracia na Venezuela.

Vários governos repudiaram a Constituinte e fizeram apelos a Maduro para suspender a assembleia e retomar o diálogo com a oposição. O diálogo é difícil em meio à pior crise econômica desde a independência do país.

Para ficar no cargo até as próximas eleições, Maduro teria de mudar totalmente a política econômica, acabando com os controles de preços e câmbio. Parece inacreditável.                                          

sábado, 29 de julho de 2017

Dólar passa de 10 mil bolívares com crise na Venezuela

Com o agravamento da crise política na véspera de eleições para escolher uma Assembleia Constituinte servil ao ditador Nicolás Maduro, a cotação do dólar no mercado paralelo da Venezuela chegou hoje a 10.389,79 bolívares e o euro a 12.156,05 bolívares, noticiou o boletim Dolar Today.

Os principais líderes da oposição, Henrique Capriles e Leopoldo López, convocaram a população a sair às ruas e tentar bloquear a votação. Pela Constituição da República Bolivarista da Venezuela, do governo Hugo Chávez, é necessário um plebiscito para o eleitorado autorizar a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

Sob pressão da Assembleia Nacional, onde a oposição tem maioria de dois terços desde 5 de janeiro de 2016, Maduro usa a Constituinte para desautorizar o atual Legislativo e governar com o apoio de entidades pelegas subservientes ao regime chavista. É a consolidação da ditadura. O Executivo controla o Judiciário e passará a dominar também o Legislativo, anulando a vitória eleitoral da oposição.

Dos 545 deputados da Constituinte de Maduro, 364 serão eleitos territorialmente, um em cada município e dois para as capitais de estado. Os demais 181 constituintes serão eleitos por setor, por entidades dominadas pelo chavismo, 79 trabalhadores, 28 aposentados, 8 camponeses e pescadores, 8 indígenas, 5 empresários e 4 deficientes.

Cerca de 20 mil candidatos se inscreveram para as eleições territoriais e 35 mil para as eleições setoriais, revelou o Conselho Nacional Eleitoral, controlado pelo regime.

A Venezuela vive a pior crise econômica de sua história independente, com queda de 30% do produto interno bruto desde 2013, ano da morte de Hugo Chávez, o que caracteriza uma depressão econômica. Isso jogou 82% da população na miséria.

Desde a ascensão de Chávez ao poder, em 1999, a Venezuela exportou US$ 1 trilhão em petróleo, mas não tem dinheiro para importar papel higiênico. A inflação deve chegar a 1.200% neste ano e o desabastecimento de produtos básicos é generalizado. Três quartos dos venezuelanos perderam peso por falta de comida.

Para agravar ainda mais a situação, pelo menos 117 pessoas foram mortas na repressão governamental contra as manifestações de protestos que tomam as ruas da Venezuela todos os dias desde o início de abril.