Sob descrédito generalizado dentro e fora da Venezuela, a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, anunciou há pouco a reeleição do ditador Nicolás Maduro para um segundo mandato presidencial de seis anos na Venezuela, noticiou o jornal venezuelano El Nacional.
De acordo com a comissão, subserviente ao regime chavista, com 92% das urnas apuradas, Maduro tinha 5.823.728 votos (68%) contra 1.820.522 (21%) para o chavista dissidente Henri Falcón, 925.042 para o pastor evangélico Javier Bertussi e 34.214 para Reinaldo Quijada, dissidente que prometeu resgatar o chavismo do tempo de Hugo Chávez.
A participação teria sido de 48% do eleitorado, projetou Lucena, afirmando terem sido escrutinados até aquele momento 8.606.936. Ninguém acredita nestes números.
Com hiperinflação prevista para 13.000% neste ano, queda de 45% do produto interno bruto desde a ascensão de Maduro, em 2013, desabastecimento generalizado e remédios, alimentos e produtos básicos, os maiores índices de criminalidade e violência do mundo, ao lado de El Salvador e Honduras, e redução à metade da produção de petróleo, a Venezuela enfrenta a pior crise econômica de uma economia relativamente desenvolvida na era moderna.
Até agora, o maior desastre econômico da história contemporânea da América Latina foi o dramático fim da dolarização do peso argentino, em 2001. Cerca de 58% dos argentinos caíram na miséria. Agora, na Venezuela, são 81% abaixo da linha de pobreza. Uma dúzia de ovos pode custar mais de mil dólares.
A situação é catastrófica e o pior vem a seguir. Com as políticas do "socialismo do século 21", Maduro não vai resolver nenhum desses problemas. Na semana passada, a empresa transnacional Kellogg's anunciou a saída da Venezuela.
Ao que tudo indica, só um golpe militar dentro do próprio regime será capaz de depor Maduro. Com milícias armadas patrulhando as ruas, há sério risco de mais uma tragédia latino-americana.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Tibisay Lucena. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tibisay Lucena. Mostrar todas as postagens
domingo, 20 de maio de 2018
Ditadura da Venezuela anuncia reeleição de Maduro
sexta-feira, 6 de abril de 2018
Venezuela corta relações com 46 empresas e 22 pessoas do Panamá
A Venezuela suspendeu ontem por 90 dias as relações econômicas, comerciais e financeiras com 46 empresas e 22 cidadãos do Panamá. É uma retaliação à publicação em 29 de março pelas autoridades panamenhas de uma lista de suspeitos de lavagem de dinheiro com 55 venezuelanos.
Entre eles, estão o ditador Nicolás Maduro; o número dois do regime chavista, Diosdado Cabello; o presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Maikel Moreno; a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena; e o procurador-geral da República, Tarek William Saab.
A Companhia Panamenha de Aviação (Copa Airlines) é a mais conhecida das empresas atingidas. Cobre várias rotas na América, tornando-se uma marca conhecida e competitiva no continente.
Através de uma resolução conjunta, os ministérios venezuelanos de Comércio Exterior e Investimento Internacional, Interior e Justiça, e Economia e Finanças tomaram a medida para combater "o uso recorrente do sistema financeiro panamenho por venezuelanos para movimentar dinheiro e bens provenientes de delitos contra o patrimônio público."
O governo da Venezuela ordenou "a suspensão imediata de toda relação econômica, comercial e financeira com os cidadãos da República do Panamá [apontados em lista] com base no princípio da precaução e como medida de proteção" de seu sistema financeiro, econômico e comercial. Usou assim a mesma alegação da outra parte.
A presidente da Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima convocada por Maduro para tirar o poder da Assembleia Nacional democraticamente eleita, Delcy Rodríguez, defendeu hoje o corte de relações como resposta à "agressão", referindo-se à divulgação da lista de dirigentes venezuelanos suspeitos de corrupção e lavagem de dinheiro.
Em resposta, o Panamá retirou seu embaixador em Caracas. "A reação [venezuelana] é desproporcional e os afetados somos nós os venezuelanos", comentou Milagros Betancourt, especialista e relações internacionais.
"Estamos cada vez mais isolados: no hemisfério, a Venezuela será a única ilha no continente; no mundo nós e a Coreia do Norte. O governo esqueceu que a negociação, e não a confrontação, é a base das relações internacionais", acrescentou.
A União Europeia também impôs sanções a altos funcionários venezuelanos, além de um embargo à venda de armas e de qualquer material que possa ser usado na repressão a manifestações de protesto. Em 28 de março, a Suíça sancionou sete dirigentes da ditadura de Maduro e os proibiu de entrar no país.
"O governo responde automaticamente como uma fera ferida e encurralada porque o mundo se tornou pequeno e ele mesmo aprofunda seu isolamento", criticou o comentarista Luis Salamanca.
Entre eles, estão o ditador Nicolás Maduro; o número dois do regime chavista, Diosdado Cabello; o presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Maikel Moreno; a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena; e o procurador-geral da República, Tarek William Saab.
A Companhia Panamenha de Aviação (Copa Airlines) é a mais conhecida das empresas atingidas. Cobre várias rotas na América, tornando-se uma marca conhecida e competitiva no continente.
Através de uma resolução conjunta, os ministérios venezuelanos de Comércio Exterior e Investimento Internacional, Interior e Justiça, e Economia e Finanças tomaram a medida para combater "o uso recorrente do sistema financeiro panamenho por venezuelanos para movimentar dinheiro e bens provenientes de delitos contra o patrimônio público."
O governo da Venezuela ordenou "a suspensão imediata de toda relação econômica, comercial e financeira com os cidadãos da República do Panamá [apontados em lista] com base no princípio da precaução e como medida de proteção" de seu sistema financeiro, econômico e comercial. Usou assim a mesma alegação da outra parte.
A presidente da Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima convocada por Maduro para tirar o poder da Assembleia Nacional democraticamente eleita, Delcy Rodríguez, defendeu hoje o corte de relações como resposta à "agressão", referindo-se à divulgação da lista de dirigentes venezuelanos suspeitos de corrupção e lavagem de dinheiro.
Em resposta, o Panamá retirou seu embaixador em Caracas. "A reação [venezuelana] é desproporcional e os afetados somos nós os venezuelanos", comentou Milagros Betancourt, especialista e relações internacionais.
"Estamos cada vez mais isolados: no hemisfério, a Venezuela será a única ilha no continente; no mundo nós e a Coreia do Norte. O governo esqueceu que a negociação, e não a confrontação, é a base das relações internacionais", acrescentou.
A União Europeia também impôs sanções a altos funcionários venezuelanos, além de um embargo à venda de armas e de qualquer material que possa ser usado na repressão a manifestações de protesto. Em 28 de março, a Suíça sancionou sete dirigentes da ditadura de Maduro e os proibiu de entrar no país.
"O governo responde automaticamente como uma fera ferida e encurralada porque o mundo se tornou pequeno e ele mesmo aprofunda seu isolamento", criticou o comentarista Luis Salamanca.
Marcadores:
Copa Airlines,
Diosdado Cabello,
Lavagem de Dinheiro,
Nicolás Maduro,
Panamá,
relações comerciais,
relações econômicas,
relações financeiras,
Sanções,
Tibisay Lucena,
Venezuela
segunda-feira, 31 de julho de 2017
Brasil, EUA e outros países não reconhecem Constituinte de Maduro
O Brasil, os Estados Unidos, a Argentina, a Colômbia, o México, o Uruguai e a Espanha não vão reconhecer a Assembleia Nacional Constituinte eleita indiretamente ontem na Venezuela numa jogada do ditador Nicolás Maduro para tirar poder da Assembleia Nacional, dominada pela oposição.
Pelo menos 10 pessoas foram mortas pela violência política associada a essas eleições, elevando para mais de 120 o total de mortos desde o início de uma onda de manifestações de rua diárias, em abril. Os oposicionistas saíram às ruas para boicotar o pleito. Enfrentaram a Guarda Nacional e as milícias chavistas.
Mais de 8 milhões de venezuelanos participaram da votação de ontem, boicotada pela oposição, anunciou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena. A oposição contesta este número e acusa o regime chavista de manipulação.
Duas semanas antes, mais de 7,6 milhões de venezuelanos participaram de uma consulta popular realizada pela oposição e 98% votaram contra a Constituinte de Maduro, que vai transformar a Venezuela numa ditadura escancarada.
Pela Constituição da República Bolivarista da Venezuela, aprovada em 1999 sob a inspiração do então presidente Hugo Chávez, a convocação de uma Constituinte precisa ser aprovada pelo voto popular em plebiscito. Maduro ignorou a Constituição de Chávez e pretende reescrevê-la para acabar com qualquer vestígio de democracia na Venezuela.
Vários governos repudiaram a Constituinte e fizeram apelos a Maduro para suspender a assembleia e retomar o diálogo com a oposição. O diálogo é difícil em meio à pior crise econômica desde a independência do país.
Para ficar no cargo até as próximas eleições, Maduro teria de mudar totalmente a política econômica, acabando com os controles de preços e câmbio. Parece inacreditável.
Pelo menos 10 pessoas foram mortas pela violência política associada a essas eleições, elevando para mais de 120 o total de mortos desde o início de uma onda de manifestações de rua diárias, em abril. Os oposicionistas saíram às ruas para boicotar o pleito. Enfrentaram a Guarda Nacional e as milícias chavistas.
Mais de 8 milhões de venezuelanos participaram da votação de ontem, boicotada pela oposição, anunciou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena. A oposição contesta este número e acusa o regime chavista de manipulação.
Duas semanas antes, mais de 7,6 milhões de venezuelanos participaram de uma consulta popular realizada pela oposição e 98% votaram contra a Constituinte de Maduro, que vai transformar a Venezuela numa ditadura escancarada.
Pela Constituição da República Bolivarista da Venezuela, aprovada em 1999 sob a inspiração do então presidente Hugo Chávez, a convocação de uma Constituinte precisa ser aprovada pelo voto popular em plebiscito. Maduro ignorou a Constituição de Chávez e pretende reescrevê-la para acabar com qualquer vestígio de democracia na Venezuela.
Vários governos repudiaram a Constituinte e fizeram apelos a Maduro para suspender a assembleia e retomar o diálogo com a oposição. O diálogo é difícil em meio à pior crise econômica desde a independência do país.
Para ficar no cargo até as próximas eleições, Maduro teria de mudar totalmente a política econômica, acabando com os controles de preços e câmbio. Parece inacreditável.
Marcadores:
Argentina,
Assembleia Nacional Constituinte,
Brasil,
Colômbia,
Conselho Nacional Eleitoral,
Eleições,
EUA,
Maduro,
Tibisay Lucena,
Uruguai,
Venezuela
Assinar:
Postagens (Atom)