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terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Trump seria condenado se não fosse eleito, conclui procurador

 Se não tivesse sido reeleito em novembro do ano passado, o presidente Donald Trump seria condenado pela tentativa de fraudar o resultado da eleição presidencial de 2020, concluiu o procurador especial Jack Smith em seu relatório final, divulgado na madrugada de hoje pelo Departamento da Justiça dos Estados Unidos, noticiou o jornal The Washington Post.

John Luman Smith foi nomeado pelo secretário da Justiça do governo Joe Biden, Merrick Garland, em 18 de novembro de 2022 como procurador especial para realizar uma investigação independente sobre os dois casos federais em Trump era suspeito: levar para casa documentos sigilosos e incitar seus partidários a atacar o Congresso em 6 de janeiro de 2021 para impedir a certificação da vitória de Biden.

No caso dos documentos confidenciais, secretos e ultrassecretos, a denúncia de Smith, em junho de 2023, tinha 37 acusações, inclusive de violação da Lei de Espionagem, obstrução de justiça e fazer declarações falsas aos investigadores. A mansão de Mar-a-Lago foi alvo de uma operação de busca e apreensão, e encontrou documentos importantes para a segurança nacional dos EUA jogados pelo chão e até no banheiro.

Esse caso corria na Flórida, onde a juíza federal de primeira instância de Miami Aileen Cannon tentou arquivar o processo sob a alegação que a nomeação de Smith foi inconstitucional. 

Agora, diante de um recurso de Trump, ela só autorizou a divulgação do primeiro volume do relatório, com 137 páginas, relativo à tentativa de golpe para não entregar o poder, um processo que corria numa vara da Justiça Federal do Distrito de Colúmbia, onde fica Washington, a capital dos EUA. 

Cannon marcou a próxima audiência no caso dos documentos para 17 de janeiro. O ministro e procurador-geral recebeu a versão completa do relatório, em dois volumes, um sobre cada caso.

A investigação sobre a tentativa de golpe sem precedentes na história do país examinou as tentativas de Trump de mudar os resultados em estados-chaves; de apresentar outros grandes eleitores no Colégio Eleitoral, sem base no resultado das urnas; a pressão sobre o vice-presidente Mike Pence para não certificar a vitória de Biden; e a incitação de seus seguidores com a alegação falsa de que a eleição foi fraudada.

Smith destaca no relatório que, além de querer mudar o resultado da eleição que perdeu, Trump consistentemente encorajou "a violência contra supostos adversários". Cinco pessoas morreram em até 36 horas a partir do assalto ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 e quatro dos 140 policiais feridos no ataque se suicidaram.

Em 1º de agosto de 2023, um júri popular aceitou a denúncia de Smith com quatro acusações contra Trump: 

  • conspiração para fraudar os EUA ao tentar mudar o resultado da eleição;
  • obstrução de um procedimento oficial, a certificação da vitória de Biden;
  • conspiração para obstruir um procedimento oficial: e
  • conspiração contra os direitos dos cidadãos, ao tentar anular seus votos.
Para retardar o andamento dos processos, Trump recorreu à Suprema Corte, que decidiu em 2024 que o presidente tem direito a ampla imunidade no exercício de atos oficiais.

Como é praxe do Departamento da Justiça processar presidentes – eles só podem ser julgados pelo Congresso em processos de impeachment – com a eleição de Trump, o procurador especial pediu o arquivamento dos casos e pediu demissão em 10 de janeiro. 

Na segunda-feira à noite, a defesa de Trump fez mais um apelo à juíza para barrar a divulgação do relatório: "Nunca antes na história de nossa nação o Departamento de Justiça tentou interferir desta maneira num governo prestes a assumir, menos ainda às vésperas da posse com um relatório falso feito por um procurador desacredito que renunciou em desgraça", argumentam os advogados de Trump. 

"A Corte não deve permitir que o departamento faça isso até que o presidente Trump tenha uma oportunidade justa e ampla para ser ouvido nestas questões de tremendas consequências", apelou o presidente eleito, sem sucesso.

O relatório indica que o procurador acreditava ter provas suficientes para condenar Trump pela tentativa de golpe de 6 de janeiro de 2021.

"A visão do departamento de que a Constituição proíbe a denúncia e o julgamento de presidentes é categórica e não se volta para a gravidade dos crimes acusados, a força das provas do governo ou os méritos da procuradoria, que este escritório está totalmente a favor", escreveu Jack Smith. 

"De fato", acrescentou, "não fosse pela eleição e o iminente retorno de Trump à Presidência, o escritório avaliava que as provas admissíveis eram suficientes para obter e sustentar uma condenação num julgamento."

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Trump é denunciado criminalmente de novo e acumula 91 acusações

 O ex-presidente Donald Trump e 18 co-conspiradores foram denunciados ontem com 41 acusações por formar uma "organização criminosa" para tentar mudar o resultado da eleição presidencial de 3 de novembro de 2020 no estado da Geórgia, vencida pelo presidente Joe Biden. Entre os réus, estão o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani e o ex-chefe da Casa Civil da Casa Branca Mark Meadows. Todos os réus têm 10 dias para se apresentar à Justiça.

Em uma reunião de 10 horas, um tribunal do júri aceitou todas as acusações apresentadas pela promotora do distrito de Fulton, Fani Willis, à Justiça da Geórgia, nos Estados Unidos. Elas incluem pirataria cibernética, declarações falsas e assédio. É o quarto processo criminal aberto contra Trump em menos de seis meses, num total de 91 acusações, 13 neste caso.

A denúncia de 98 páginas cita 161 ações distintas da suposta conspiração criminosa, inclusive o falso testemunho de Giuliani pretextando fraude eleitoral na Assembleia Legislativa da Geórgia, em dezembro de 2020, e o telefonema em que Trump pressionou o secretário de Estado georgiano, Brad Raffensperger, em janeiro de 2021, a "encontrar" 11.780 votos para ele, um a mais do que o necessário para vencer Biden. A conversa foi gravada e desencadeou a investigação.

Ao comentar o novo processo, o ex-presidente reafirmou que foi vítima de fraude eleitoral na Geórgia, o que é mentira. Depois da eleições, advogados de Trump entraram com 61 ações judiciais com alegações de fraude. Todas foram rejeitadas por falta de provas. Sem obter sucesso legalmente, recorreu a ações criminosas.

Três membros do Partido Republicano na Geórgia que tentaram enviar votos falsos ao Colégio Eleitoral fizeram acordos de delação premiada com a promotoria para evitar uma condenação.

Trump foi denunciado à Justiça do Estado de Nova York em 4 de abril deste ano pelo promotor distrital de Manhattan, Alvin Bragg, com 34 acusações de fraude empresarial e contábil ao forjar documentos de suas empresas para encobrir um pagamento de US$ 130 mil feito à atriz pornô Stormy Daniels durante a campanha eleitoral de 2016 para comprar o silêncio sobre um caso amoroso entre os dois.

Em 8 de junho, o procurador especial Jack Smith denunciou Trump à Justiça Federal por levar para casa documentos secretos, ultrassecretos e confidencias, e tentar obstruir a investigação, num total de 40 acusações. O julgamento está marcado para maio de 2024 na Justiça Federal de Miami.

A tentativa de golpe de Estado, ao tentar obstruir a certificação da vitória de Biden pelo Congresso em 6 de janeiro de 2021 e mudar o resultado da eleição em sete estados, levou a mais uma denúncia de Smith, com quatro acusações, em 1º de agosto. Este caso está em Washington, onde os democratas são a grande maioria do eleitorado, o que deve pesar na escolha do júri. O julgamento ainda não tem data marcada.

Em todos os casos, o ex-presidente alega inocência e se diz vítima de uma conspiração para interferir na eleição presidencial.

Apesar de ser réu em quatro processos, Trump lidera com ampla vantagem as pesquisas sobre as eleições primárias do Partido Republicano e poderá ser candidato à Presidência dos EUA em 2024. Mas, se for condenado na Geórgia, não poderá dar o perdão presidencial a si mesmo porque não terá autoridade sobre a Justiça estadual.

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Trump é denunciado por tentar fraudar a eleição de 2020 nos EUA

 O procurador especial Jack Smith denunciou hoje o ex-presidente Donald Trump com quatro acusações pela tentativa de fraudar o resultado da eleição de novembro de 2020 para permanecer no poder, num "ataque sem precedentes ao centro da democracia nos Estados Unidos." Trump deve se apresentar na quinta-feira numa vara da Justiça Federal de primeira instância em Washington para ouvir as acusações.

É o terceiro processo criminal contra o ex-presidente, que luta pela reeleição para não ser preso. São quatro acusações: conspiração para fraudar o resultado da eleição, duas relacionadas ao ataque ao Congresso em 6 de janeiro de 2021 para impedir a certificação da vitória do presidente Joe Biden e outra por tentar alterar o resultado das eleições em sete estados (Arizona, Geórgia, Michigan, Nevada, Novo México, Pensilvânia e Wisconsin). 

O assalto ao Capitólio foi "fomentado por mentiras", dizem os procuradores. "Apesar de ter perdido, o réu estava determinado a ficar no poder. Então, por mais de dois meses espalhou mentiras sobre fraudes eleitorais capazes de alterar o resultado. Estas alegações são falsas e o réu sabe que são." Meu comentário:

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Trump é denunciado por levar documentos secretos para casa

 O Departamento da Justiça denunciou criminalmente ontem o ex-presidente Donald Trump por ficar com documentos secretos e ultrassecretos, inclusive planos de guerra. É o primeiro ex-presidente dos Estados Unidos processado pela Justiça Federal. 

São 37 acusações (quando gravei falavam em apenas sete) do procurador Jack Smith, entre elas conspiração, obstrução de justiça e declarações falsas. Se for condenado, Trump pode ser impedido de ocupar qualquer cargo no governo federal. No momento, ele lidera as pesquisas sobre as eleições primárias para escolher o candidato do Partido Republicano à Casa Branca em 2024.

É um caso muito mais grave do que a denúncia do promotor distrital de Manhattan, Alvin Bragg, por fraudes para esconder um pagamento para comprar o silêncio da atriz pornô Stormy Daniels durante a campanha eleitoral de 2016.

Em 9 de maio, Trump foi condenado na Justiça Civil a pagar US$ 5 milhões à escritora Elizabeth Jean Carroll por abuso sexual e difamação. Seus advogados recorreram. Pelo menos 26 mulheres acusam o ex-presidente de abuso sexual.

No ano passado, a procuradora-geral do estado de Nova York acusou Trump e seus três filhos mais velhos por fraude para supervalorizar os ativos de suas empresas a fim de conseguir empréstimos e de reduzir o valor ao pagar impostos.

O estado da Geórgia investiga Trump por pressionar o então secretário de Estado Brad Raffensperger a "encontrar 11.780 votos", o que precisava para vencer Joe Biden no estado em 2020. Ele insiste que a eleição foi roubada, mas a Justiça rejeitou 61 ações por falta de provas de fraude eleitoral.

Trump sobreviveu a dois processos de impeachment porque quase todos os republicanos  votaram contra. Assim, não houve a maioria de dois terços no Senado para condená-lo e afastá-lo da Presidência.

Também é investigado pelo Departamento de Justiça pelo ataque de seus seguidores de extrema direita ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Pode ser acusado de tentar impedir a certificação da vitória de Biden, fraude eleitoral e sedição, a tentativa de tomar o poder pela força. Mas isto é mais difícil de provar. No caso dos documentos, admitiu ter levado para casa inclusive um memorando do Pentágono sobre um possível ataque ao Irã. É réu confesso. Meu comentário:

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Departamento de Energia dos EUA atribui covid a acidente de laboratório

O presidente Joe Biden e o secretário de Estado, Antony Blinken, pressionaram o regime comunista da China, inclusive o ditador Xi Jinping, a dar mais informações e permitir investigações internacionais sobre a origem da pandemia. 

A questão voltou à pauta depois que o Departamento de Energia dos Estados Unidos divulgou um novo relatório de inteligência considerando mais provável que o coronavírus de 2019 tenha escapado do Instituto de Virologia de Wuhan.

Em depoimento à Justiça dos EUA, o magnata da mídia Rupert Murdoch negou que a Fox News tenha encampado as mentiras do presidente Donald Trump sobre fraude na eleição presidencial de 2020. Alegou serem opiniões de apresentadores e comentaristas protegidos pela ampla liberdade de expressão garantida pela Constituição dos EUA.

A União Europeia e o Reino Unido anunciaram um acordo para evitar a implantação de uma fronteira dura entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte depois da saída britânica do bloco europeu. Havia o temor de que pudesse realimentar o conflito na Irlanda do Norte.

Pelo menos 63 refugiados da Ásia morreram num naufrágio perto da costa da Itália. Meu comentário:

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Neofascismo americano é alerta para o Brasil

 Presidente Jair Bolsonaro e seguidores apoiam o golpismo de Donald Trump

As cenas de quarta-feira em Washington foram um assalto ao Congresso dos Estados Unidos e à democracia - e um alerta para o Brasil. 

O presidente brasileiro deixou claro mais uma vez que acredita nas falsas alegações de fraude feitas pelo presidente americano, rejeitadas na Justiça, e até mesmo na sua própria eleição, em 2018, que afirma ter ganho no primeiro turno.

Leia mais em Quarentena News. 

domingo, 6 de dezembro de 2020

Média diária de mortes numa semana é a maior desde 11 de outubro

O Brasil registrou neste domingo mais 321 mortes e 26.243 casos novos da doença do coronavírus de 2019, elevando o total de casos confirmados para 6.602.942 e o de mortes para 176.962. A média diária de mortes dos últimos sete dias ficou em 588. Com alta de 18% em duas semanas, é a maior desde 11 de outubro. Está em alta em 17 estados. A média diária de casos novos ficou 41.327, com alta de 37% em duas semanas. 

Enquanto o Reino Unido se prepara para iniciar a vacinação na terça-feira, o governo Jair Bolsonaro ainda não publicou o edital da concorrência para comprar seringas para aplicar as vacinas. A concorrência pode levar dois meses.

Um terço dos adultos britânicos não pretende tomar vacina. Não será obrigatório, mas o certificado de vacinação pode ser exigido para viajar, assistir a espetáculos e participar de determinados eventos.

O México, governado por um populista de esquerda, ultrapassou 100 mil mortes na semana passada enquanto o presidente Andrés Manuel López fica de autovangloriando pelos supostos sucessos de seu governo. Mas o ministro do Exterior, Marcelo Ebrard, anunciou que o país receberá 250 mil doses de vacina a serem aplicadas ainda neste ano

No mundo, o total de casos confirmados passou de 67 milhões, com 1.535.492 mortes. Mais de 46 milhões de pacientes se recuperaram, pouco menos de 19 milhões têm sintomas leves e 106 mil estão em. estado grave.

Os Estados Unidos somam 14.754.719 casos confirmados e 282.254 mortes. Na Califórnia, 27 dos quase 40 milhões de habitantes estão em confinamento, com ordem de ficar em casa, decretada pelo governador Gavin Newsom nas regiões onde a disponibilidade de leitos se terapia intensiva esteja abaixo de 15% do total.

Nesta semana, as vacinas do consórcio Pfizer-BioNTech e da empresa Moderna devem ser aprovadas para uso emergencial nos EUA.

Pelo Twitter, o presidente Donald Trump revelou que seu advogado particular, Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York, testou positivo para a Covid-19. Giuliano tem viajado pelos EUA sem máscaras para encontrar advogados e políticos no Partido Republicano na luta golpista para tentar convencer os americanos de que houve fraude na eleição presidencial de 3 de novembro para dar a vitória ao presidente eleito, Joe Biden.

Com sua tentativa de golpe, Trump já arrecadou US$ 207 milhões, cerca de R$ 1,06 bilhões, a pretexto de bancar as despesas com as ações judiciais para contestar o resultado das urnas. Este dinheiro vai para a campanha do atual presidente e não para o Partido Republicano, que está pagando os custos judiciais. Trump pode fazer o que quiser, como pagar viagens.

O presidente americano, um bilionário com empresas que só dão prejuízo, acumula dívidas de US$ 400 milhões (R$ 2,049 bilhões). Entrou na disputa eleitoral em 2016, ao que tudo indica para salvar suas empresas, sem a expectativa de chegar à Casa Branca. Deste jeito, pequenos doadores sem muito dinheiro vão pagar a conta do cafajeste.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Trump admite sair se Colégio Eleitoral confirmar vitória de Biden

 Pela primeira vez desde a eleição de 3 de novembro, o presidente Donald Trump admitiu em público aceitar o resultado das urnas e deixar a Casa Branca em 20 de janeiro se o Colégio Eleitoral certificar a vitória de Joe Biden 14 de dezembro.

"Certamente irei e você sabe disso", reagiu o presidente, prometendo lutar até o fim e insistindo em que foi vítima de uma "fraude maciça" sem apresentar qualquer prova. "Não sei se terei tempo. O tempo é a única coisa contra mim. Os fatos estão a meu favor."

As declarações confirmam a previsão de que Trump jamais aceitará a derrota e tentará reconstruir sua carreira política sobre a mentira de ter sido o real vencedor em 2020. Ajuda a mobilizar seus seguidores fanáticos, a arrecadar dinheiro e a manter, pelo menos para si mesmo, uma aura de invencibilidade, por mais falsa que seja.

Desde que perdeu as eleições, Trump abandonou o combate à nova onda de contaminação da doença do coronavírus de 2019 nos Estados Unidos, que é a maior até agora. Meu comentário:

sábado, 7 de novembro de 2020

Joe Biden está eleito presidente dos EUA

Com a vitória no estado da Pensilvânia, na terceira tentativa, aos 77 anos, o ex-vice-presidente Joe Biden somou 273 no Colégio Eleitoral e foi eleito presidente, anunciaram há pouco jornais e televisões dos Estados Unidos. 

A senadora Kamala Harris entra para a história como a primeira mulher vice-presidente e a primeira de origem africana ou indiana e fazer parte de uma chapa presidencial eleita no país.

O presidente Donald Trump e parte do Partido Republicano ainda contestam o resultado e estão movendo ações para tentar anular os votos enviados pelo correio, mas poucos acreditam que a Justiça mude o resultado das urnas sem provas consistentes de fraude, que até agora não foram apresentadas. O ex-governador da Flórida Jeb Bush, derrotado por Trump nas eleições primárias de 2016, cumprimentou Biden.

Leia mais em Quarentena News.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Trump dobra a aposta na denúncia vazia de fraude

Em mais um pronunciamento patético na Casa Branca, sem apresentar qualquer prova, o presidente Donald Trump insistiu que a eleição presidencial lhe está sendo roubada por uma fraude maciça, enquanto sua vantagem diminui nos estados da Geórgia e da Pensilvânia. 

Na Geórgia, o ex-vice-presidente Joe Biden está apenas 1.709 votos atrás; na Pensilvânia, a vantagem do presidente caiu para 22,5 mil. Se Biden ganhar em um desses estados e mantiver a dianteira em Nevada, será o próximo presidente dos Estados Unidos.

Três emissoras de televisão, ABC, NBC e MSNBC interromperam o pronunciamento do presidente para avisar ao público que ele estava mentindo. Mais cedo, juízes da Geórgia e de Michigan rejeitaram recursos da campanha de Trump para parar a contagem. 

O presidente pretende contestar o resultado em todos os estados onde Biden obtiver uma vitória apertada. Seus partidários protestam nas ruas de várias cidades, mas dentro do próprio Partido Republicano vozes se levantam em defesa da democracia.

O resultado das eleições também foi decepcionante para o Partido Democrata. Não houve a esperada onda azul para varrer o trumpismo, apesar do fracasso total do presidente no combate à pandemia do novo coronavírus. Os democratas perderam cadeiras na Câmara e não conseguiram virar o Senado. Meu comentário:

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Trump canta vitória e denuncia tentativa de fraude

Em pronunciamento na Casa Branca, o presidente Donald Trump acaba de se declarar vencedor da eleição presidencial de 3 de novembro e de denunciar uma suposta tentativa de fraudar o resultado. Ele prometeu recorrer à Suprema Corte para parar a contagem dos votos.

Trump vangloriou-se das vitórias no Texas, na Flórida e em Ohio, onde efetivamente venceu, mas alegou ter ganho também na Pensilvânia, em Michigan e em Wisconsin, os estados decisivos em 2016, onde a apuração ainda está longe do fim.

O vice-presidente Mike Pence falou rapidamente, agradeceu a mais de 60 milhões de americanos que votaram neles e prometeu manter a vigilância enquanto a apuração estiver em andamento, ou seja, não cantou vitória antes da hora.

sábado, 23 de maio de 2020

Trump ataca voto pelo correio

Com popularidade em queda por causa da pandemia do coronavírus, que tem mais de 1,665 milhão de casos registrados e 98.639 mortes nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump atacou nesta semana a votação pelo correio, a melhor alternativa para evitar que os eleitores tenham de enfrentar longas filas nas eleições de 3 de novembro, alegando que podem ter fraude generalizada.

Trump ameaçou suspender a ajuda federal a estados governados pelo Partido Democrata, como Michigan e Nevada, que estão oferecendo a alternativa aos eleitores. A Califórnia e Wisconsin oferecem a mesma oportunidade para evitar um aumento da abstenção.

"Para votar de verdade, sem fraude, você precisar votar numa sessão eleitoral", declarou o presidente ao visitar uma fábrica da Ford em Michigan, um dos estados-chaves, alegando que o voto pelo correio pode "estar sujeito a fraude e abuso".

Em 2016, o candidato Trump levantou suspeitas de fraude. Mesmo depois da vitória, insistiu no assunto para justificar a derrota por quase 3 milhões de votos para a candidata democrata, Hillary Clinton, no voto popular. Nunca apresentou nenhuma prova para corroborar a acusação.

Como nos EUA e nas democracias liberais de modo geral, o voto não é obrigatório, o risco de pegar a covid-19 pode levar muito mais eleitores a ficar em casa. Historicamente o Partido Republicano se beneficia quando a abstenção aumenta e tenta criar problemas, por exemplo, para desestimular o voto de minorias como negros e latinos, bases eleitorais importantes do Partido Democrata.

Michigan e Nevada estão entre os chamados estados-pêndulo, o pequeno grupo de 10 a 15 estados onde a situação está indefinida, que são os que decidem a eleição presidencial. Nos EUA, a eleição presidencial é realizada por um Colégio Eleitoral de 538 delegados. Quem vence num estado no voto popular leva todos os votos daquele estado no Colégio Eleitoral.

Nos estados mais liberais, como a Califórnia e Nova York, a vitória do Partido Democrata é certa. Em estados conservadores como Texas, Kansas, Idaho, Dakota do Sul e Dakota do Norte, o Partido Republicano é amplamente favorito, embora no Texas haja dúvida por causa do aumento da população de origem latino-americana.

Assim, a eleição presidencial costuma ser decidida em estados como a Flórida, Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin. Em 2016, Trump se elegeu derrotando Hillary por margens apertadas de dezenas de milhares de votos nestes últimos quatro estados. A tendência é que a disputa seja apertada mais uma vez neste ano.

Por causa do crescimento econômico e do desemprego no menor nível em 50 anos, Trump era o favorito antes da pandemia. A situação mudou. Desde março, 38,6 milhões de americanos perderam o emprego. A taxa de desemprego subiu de 3,5% para 14,7% no mês passado e pode chegar a 20% neste mês.

No momento, o candidato democrata, o ex-vice-presidente Joe Biden, tem uma vantagem de 2 a 10 pontos percentuais nas pesquisas nacionais, que não necessariamente refletem a realidade de uma eleição decidida pelos estados. Mas Trump está preocupado. As pesquisas indicam a chance de vitória democrata em estados conservadores como o Arizona, onde Biden lidera com vantagem de quatro pontos percentuais.

Em nível nacional, 53,4% dos americano desaprovam o governo Trump e 42,9% aprovam, de acordo com o sítio FiveThirtyEight, do matemático Nate Silver, que acertou o resultado das últimas eleições presidenciais, menos a vitória de Trump em 2016. Só a pesquisa do jornal Los Angeles Times acertou. Usou sempre a mesma amostra, conseguindo detectar melhor a tendência do eleitorado.

domingo, 17 de novembro de 2019

Partidários de Morales querem cercar La Paz para anular renúncia

O Movimento ao Socialismo, partido do ex-presidente Evo Morales, quer cercar a cidade de La Paz impedindo a chegada de combustíveis e alimentos para forçar a população e as Forças Armadas a pedir a renúncia da presidente interina, Jeanine Áñez, e a volta do seu líder ao poder, noticiou o jornal boliviano Página Siete.

"Queremos que os ricos morram de fome", "que a presidente autoproclamada peça perdão de joelhos" e "queremos a cabeça de Mesa e Camacho" são os gritos de guerra do movimento indígena, principal base eleitoral de Morales. O ex-vice-presidente Carlos Mesa e o presidente do Centro Cívico pró-Santa Cruz, Luis Fernando Macho Camacho, são os principais líderes da oposição.

Esta estratégia estava traçada desde a renúncia coletiva do presidente, do vice-presidente e dos presidentes e primeiros vice-presidentes da Câmara e do Senado. Ao anunciar a renúncia, o vice Álvaro García Linera, citou uma frase do líder indígena Túpac Katari, que chefiou uma revolta contra o Império Espanhol no século 18: "Voltaremos e seremos milhões."

Em 13 de março de 1871, Túpac Katari iniciou um cerco de 11 meses. Agora, os agricultores de Río Abajo, Achocalla, Luribay, Sapahaqui e Patacamaya estão bloqueando estradas para impedir o abastecimento de comida às cidades de La Paz e El Alto.

"A La Paz, não vai chegar um grão de comida. Os produtores estão proibidos de tirar comida de suas granjas. É preferível que a comida apodreça do que ser dada aos brancos", declarou um dos líderes do movimento.

Os rebeldes liderados por Evo Morales, asilo no México, querem deixar a Polícia e as Forças Armadas sem combustível para que não possam reprimir o movimento. O terceiro passo será tomar a Praça Murillo e cercar a "Casa Grande do Povo", o palácio presidencial.

"O povo derrotará este golpe", declarou um dos entrevistados. "Não importa que haja mortes. É preciso recuperar a democracia." Outro dirigente do MaS conclamou os soldados e policiais e se amotinarem e não cumprirem as ordens de seus comandantes.

É uma receita para a guerra civil.

Morales renunciou sob pressão das Forças Armadas, da Polícia e da Central Operária Boliviana (COB) depois de concorrer a um quarto mandato, violando a norma constitucional que só permite uma reeleição, e de fraudar a eleição presidencial de 20 de outubro, como foi constatado pela missão observadora da Organização dos Estados Americanos (OEA).

sábado, 16 de novembro de 2019

Comissão Interamericana de Direitos Humanos adverte militares da Bolívia

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) alertou o governo interino da Bolívia de que o Decreto Supremo 4.078, que exime de responsabilidade penal os militares que participam da repressão às manifestações de protesto, viola os padrões internacionais de proteção aos direitos humanos, noticiou o jornal boliviano Página Siete.

"O pessoal das Forças Armadas que participar de operações para o restabelecimento da ordem interna e a estabilidade pública está isento de responsabilidade penal quando, no cumprimento de suas funções constitucionais, atue em legitima defesa ou estado de necessidade e proporcionalmente", diz o decreto.

A CIDH também condenou "o uso desproporcional da força policial e militar" e recomendou que "as armas de fogo devem ser eliminadas das operações de controle dos protestos sociais."

O ministro da Defesa, Fernando López, reconheceu que o documento existe: "Tivemos indícios muito sérios de estrangeiros armados no país. E há grupos armados com armas de grosso calibre. Então, isso geraria ações que nos permitam cumprir nossa missão, nada mais." Não apresentou provas de suas alegações.

López acrescentou que o objetivo do governo é "caminhar em direção ao diálogo, à paz e à fé em Deus." O fundamentalismo cristão faz parte de ideologia dos grupos de extrema direita responsáveis por atos de violência antes da renúncia do presidente Evo Morales, no domingo passado.

Embora a Bolívia seja oficialmente um país laico, a vice-presidente do Senado, Jeanine Ánez, levou uma Bíblia e um crucifixo para a cerimônia em que tomou posse como presidente interina do país, depois da renúncia do presidente, do vice, e dos presidentes e vice-presidentes da Câmara e do Senado, todos membros do Movimento ao Socialismo (MaS), partido de Morales.

Esta manobra acabou entregando o poder não ao ex-presidente Carlos Mesa, que seria favorito no segundo turno, mas ao setor mais radical da oposição, branco, racista e fundamentalista cristão. Áñez
nega ter qualquer antepassado indígena. Ela afirma ter 100% de origem europeia. Suas feições sugerem o contrário.

A Bolívia enfrenta sua pior crise política em 14 anos desde que a oposição rejeitou, em 21 de outubro, a proclamação da vitória de Morales no primeiro turno da eleição presidencial do dia anterior. A apuração foi interrompida duas vezes quando tudo indicava que haveria um segundo turno entre Morales e Mesa.

No poder desde 2006, Morales, como fiel discípulo de Fidel Castro e Hugo Chávez, não tinha a menor intenção de entregar o poder. Por força da Constituição aprovada por sua iniciativa, não poderia concorrer a um terceiro mandato, mas alegou, em 2014, que sua primeira eleição, em 2005, fora sob a Constituição anterior.

Em 2016, Evo Morales perdeu um plebiscito para acabar com limites à reeleição. Mesmo assim, recorreu ao Tribunal Constitucional alegando, com base em decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos em outro caso, que ser candidato é um direito humano fundamental.

Como dificilmente venceria no segundo turno, quanto toda a oposição se uniria ao redor de Mesa, Morales fraudou a eleição e gritou golpe quando a população revoltada saiu às ruas. Depois de se negar a fazer qualquer concessão, em 30 de outubro, Morales aceitou uma auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A missão da OEA suspeitou desde a mudança abrupta no resultado depois das interrupções na apuração. A auditoria revelou que houve seções eleitorais sem nenhuma abstenção, urnas em que todas as cédulas foram preenchidas pela mesma pessoa e irregularidades na transmissão dos resultados para o Tribunal Supremo Eleitoral.

Morales aceitou, então, realizar nova eleição com novas autoridades eleitorais, como recomendou a OEA. A oposição exigiu que ele não se candidatasse à reeleição. Diante do impasse e do risco de aumento da violência, os comandantes das Forças Armadas e da Polícia e a poderosa Central Operária Boliviana (COB) sugeriram a renúncia do presidente.

Tecnicamente, foi um golpe de Estado. Na realidade, foi um contragolpe, depois dos golpes de Morales ao forçar mais uma reeleição e roubar a eleição.

A renúncia coletiva foi o terceiro golpe de Evo Morales contra as instituições e a democracia bolivianas. Deixou o Estado totalmente acéfalo, apostando no caos para tentar voltar ao poder como salvador da pátria, e fugiu para o exílio no México.

Com dois terços das cadeiras na Assembleia Legislativa Plurinacional, o Congresso boliviano, o MaS é fundamental para dar quórum a qualquer decisão legislativa. Enquanto deputados e senadores do partido querem voltar ao trabalho e preparar o MaS para a próxima eleição presidencial, do exterior, Morales fomenta os protestos.

Seus partidários indígenas, como os conhecidos ponchos vermelhos, estão nas ruas exigindo a volta do seu líder. Não reconhecem a presidente interina, enquanto Morales declara na Cidade do México que é o presidente da Bolívia enquanto a Assembleia Legislativa não aceitar oficialmente a carta de renúncia.

A repressão às marchas indígenas se tornou mais violenta. Antes da renúncia, parte da Polícia e o Exército se negaram a atacar os manifestantes que protestavam contra a fraude eleitoral. O total de mortos desde o início dos protestos chegou a 23, com mais de 700. Só ontem, houve nove mortes.

Do exílio, Morales culpa o governo provisório, formado pela oposição mais linha-dura. Mas é o principal responsável pelo que está acontecendo hoje na Bolívia.

domingo, 10 de novembro de 2019

Morales recua e convoca nova eleição na Bolívia

Depois de três semanas de protestos violentos contra uma suposta fraude eleitoral que deixaram três mortos e mais de 300 feridos, o presidente Evo Morales anunciou hoje a realização de nova eleição presidencial e mudanças na autoridade eleitoral da Bolívia.

Morales vinha denunciando um "golpe de Estado". Recuou diante de um pedido de anulação da eleição feito pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior uruguaio Luis Almagro, com base em uma auditoria.

Até ontem, o presidente boliviano propunha um diálogo à oposição, mas seu principal adversário na eleição de 20 de outubro, o ex-presidente Carlos Mesa, declarou "não ter nada a negociar" com Morales.

No sábado, várias unidades policiais se rebelaram em quatro departamentos do país e o Exército da Bolívia alertou que não iria enfrentar os manifestantes.

As conclusões da auditoria da OEA seriam divulgadas no dia 13. Almagro antecipou o resultado "por conta da gravidade das denúncias" e pediu a realização de novo pleito "assim que existam condições", inclusive "uma nova composição do órgão eleitoral".

Pela lei boliviana, vence a eleição presidencial quem conquistar mais da metade dos votos válidos ou 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Em 20 de outubro, com mais de 80% das urnas apuradas, o resultado indicava um segundo turno entre Morales e Mesa quando a contagem preliminar foi suspensa. No dia seguinte, na apuração voto a voto, os dois estavam praticamente empatados.

Então, a apuração voto a voto foi suspensa e retomada a contagem preliminar e Morales conseguiu a vantagem de 10% necessária para evitar um segundo turno, chegando a 47,08% contra 36,51% para Mesa. A interrupção abrupta da apuração suscitou suspeitas de fraude. Foi citada pela OEA como uma das irregularidades.

Morales tenta um quarto mandato, apesar da restrição constitucional e mais de uma reeleição. Na eleição anterior, o presidente alegou que o primeiro mandato havia sido obtido sob a Constituição anterior. Por isso, ele teria direito a mais um.

Em 2016, Morales perdeu um referendo constitucional para aprovar a reeleição sem limites. Para disputar um quarto mandato, recorreu à Corte Suprema invocando uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, que considerou o direito à candidatura um direito fundamental.

Primeiro presidente indígena da Bolívia, o aimará Morales chegou ao poder em 2006, depois de uma série de governos que não chegaram ao fim, derrubados por revoltas populares liderados por ele. Sob seu governo, o país cresceu em média 5% ao ano. A pobreza caiu de 60% para 34% da população e a extrema pobreza, de 38% para 15%.

A dúvida agora é se a oposição vai aceitar a solução apresentada pelo presidente ou se vai manter o movimento para forçar sua queda.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Evo Morales, acusado de fraude, denuncia tentativa de golpe na Bolívia

Sob suspeita de fraude, depois de violar a Constituição para concorrer à terceira reeleição, o presidente Evo Morales denuncia uma ameaça de golpe e decreta estado de emergência na Bolívia.

No domingo à noite, com 83% das urnas apuradas, os resultados preliminares indicavam que seria necessário um segundo turno, previsto para 15 de dezembro. Morales tinha 45% dos votos válidos contra 38% do ex-presidente Carlos Mesa, derrubado em 2005 por uma onda de protestos liderada por Morales, na época um líder indígena e sindical. 

Pela lei boliviana, vence no primeiro turno quem conseguir mais da metade dos votos válidos ou 40% dos votos e uma vantagem de pelo menos dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.


Mas, no fim da noite de domingo, o Tribunal Supremo Eleitoral suspendeu a apuração preliminar. Na segunda-feira, quando a contagem manual voto a voto mostrava os dois candidatos com 42% dos votos e uma pequena vantagem para Mesa, a Justiça parou com a apuração voto a voto, retomou a apuração preliminar e anunciou a vitória do atual presidente com 46,86% dos votos válidos contra 36,73% com 95% das urnas apuradas. 


Imediatamente, Mesa rejeitou o resultado oficial e convocou a população boliviana à “resistência democrática”. Manifestantes oposicionistas saíram às ruas para denunciar uma fraude eleitoral. Meu comentário:

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Justiça Eleitoral anuncia reeleição de Evo Morales na Bolívia

Com 95% dos votos apurados, o Tribunal Supremo Eleitoral da Bolívia anunciou há pouco a reeleição do presidente Evo Morales para um quarto mandato consecutivo. Morales tem 46,86% dos votos válidos contra 36,73% para o ex-presidente Carlos Mesa, que denuncia fraude e não reconhece o resultado oficial, noticiou o jornal boliviano La Razón.

Pela lei boliviana, um candidato vence a eleição presidencial no primeiro turno se tiver mais da metade dos votos ou mais de 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Ontem, durante uma apuração preliminar, tudo apontava para um segundo turno. Com 83% dos votos apurados, Morales, do Movimento ao Socialismo (MAS) liderava com 45,28%, enquanto Mesa, da Comunidade Cidadã, tinha 38,16%. Isso forçaria a realização de um segundo turno em 15 de dezembro.

Naquela altura da contagem, ao TSE suspendeu a contagem rápida. Quando começaram protestos de rua, a apuração foi suspensa em três departamentos (Laz Paz, Chuquisaca e Oruro).

Hoje, a contagem manual voto a voto dava uma ligeira vantagem a Mesa, com ambos um pouco acima de 42% dos votos válidos. Sem maiores explicações, o TSE voltou à contagem rápida e às 21h30 anunciou a vitória de Morales, alimentando as suspeitas de fraude.

A missão observadores internacionais da Organização dos Estados Americanos (OEA), manifestou "sua profunda preocupação e surpresa com a mudança drástica e difícil de justificar na tendência dos resultados preliminares".

Os observadores pediram calma à população depois de atos de violência de partidários dos dois principais candidatos. Revoltado, Mesa declarou que o eleitorado não vai aceitar o resultado e prometeu uma "resistência democrática".

domingo, 20 de janeiro de 2019

Tribunal Constitucional do Congo confirma eleição de Tshisekedi

Apesar dos apelos da União Africana para uma recontagem dos votos, o Tribunal Constitucional da República Democrática do Congo confirmou hoje a vitória de Félix Tshisekedi na eleição presidencial de 30 de dezembro. O oposicionista Martin Fayulu se declarou vencedor.

Filho de um ex-líder da oposição, Tshisekedi, de 55 anos, sucede ao presidente Joseph Kabila, que está no poder desde a morte do pai, Laurent Kabila, assassinado em 2001 durante a guerra civil congolesa. A suspeita é que o atual presidente tenha feito um acordo com o eleito para frustrar a eleição da Fayulu.

Uma apuração paralela feita pela Igreja Católica, com fiscais nas seções eleitorais, deu a vitória a Fayulu com cerca de 60% dos votos. Pela contagem oficial da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), Tshisekedi venceu com 38,5% dos votos contra 34,8% para Fayulu e 23% para Emmanuel Ramazani Shadary, o candidato governista.

A decisão dos nove juízes não surpreendeu. Eles são considerados aliados de Kabila, que estaria preocupado em manter seus negócios e evitar investigações sobre seu governo.

"Eu me considero o único presidente legítimo da RDC", afirmou Fayulu, acusado Tshisekedi de "total cumplicidade" com um "golpe eleitoral".

Seria a primeira transição pacífica e democrática neste grande país do centro da África desde a independência da Bélgica, em 30 de junho de 1960, com uma história marcada por guerras civis brutais.

A UA suspendeu o envio de uma missão ao Congo, mas a África do Sul reconheceu a decisão da Justiça e apelou "a todas as partes para que respeitem a decisão do Tribunal Constitucional".

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Martin Fayulu contesta resultado da eleição presidencial no Congo

O candidato oposicionista Martin Fayulu declarou hoje ter vencido a eleição presidencial de 30 de dezembro de 2018 na República Democrática do Congo, contestando o resultado oficial divulgado pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), que deu a vitória ao também oposicionista Félix Tshisekedi. Há forte suspeita de um acordo entre Tshisekedi e o presidente Joseph Kabila para fraudar a eleição.

Por uma contagem paralela feita pela Igreja Católica, Fayulu foi o vencedor com 60% dos votos. Ele convocou seus eleitores a rejeitar o resultado oficial e prometeu recorrer amanhã ao Tribunal Constitucional.

A eleição presidencial deveria ter sido realizada no fim de 2016, quando terminou o segundo mandato de Kabila. Foi adiada por dois anos sob a alegação de falta de segurança e de estrutura. A fraude pode deflagrar uma nova onda de violência, em vez da primeira transição pacífica e democrática desde a independência do antigo Congo Belga, em 1960.

A França, a Bélgica e o Vaticano fizeram um apelo às autoridades congolesas para que reconhecem o verdadeiro resultado das urnas.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Ditador de Camarões conquista sétimo mandato presidencial

Com 71,3% dos votos válidos numa eleição em que só a metade da população adulta votou, o ditador Paul Biya foi reeleito no domingo para um sétimo mandato como presidente da República dos Camarões, um país pobre da África Ocidental. No poder desde 1982, ele fica mais sete anos no cargo.

As regiões do país que falam inglês estão rebeladas há anos. Os confrontos frequentes entre os separatistas e as forças de segurança causaram a fuga de milhares de pessoas para a vizinha e mais rica Nigéria.

Como a oposição denuncia fraude eleitoral mais uma vez, é provável que a violência política aumente. Em meio a uma grande abstenção, nas regiões anglófonas só 5% do eleitorado votou, de acordo com o International Crisis Group.